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Lamentações (O Cântico Fúnebre de Jeremias) O Livro das Lamentações (‫ איכה‬ʾēḫā(h), Eikha ou Eiká, cuja tradução literal é "Como!

", ou ainda "Oh!") é um livro que faz parte da subdivisão da Bíblia chamada de Profetas Maiores. Nas Bíblias Cristãs, vem depois do Livro de Jeremias e antes do Livro de Ezequiel. Livro cuja autoria é tradicionalmente atribuída ao profeta Jeremias, quando com os próprios olhos via a destruição da cidade de Jerusalém por Nabucodonosor, rei de Babilônia[2], por volta do ano 589 a.C. São cantos fúnebres que descrevem, de modo doloroso e poético, a destruição de Jerusalém pelos babilônicos em 586 AC, e os acontecimentos que se sucederam a essa catástrofe nacional: fome, sede, matanças, incêndios, saques e exílio forçado (cf. 2Rs 24-25). Esses poemas retratam a angústia de um povo humilhado, que faz um exame de consciência, grita de arrependimento e suplica perdão. Mostra o povo em situação desesperada, que perdeu tudo, menos a fé. Uma lembrança continua presente: Deus é o Senhor de tudo e de todos. E, o que é melhor: ele não abandona o seu povo para sempre, e está pronto para agir com misericórdia. Então o desespero cede lugar à oração, a uma confiança invencível, mesmo quando já não existe motivo para nenhuma esperança. As Lamentações são usadas na Liturgia da Igreja Católica por ocasião da Semana Santa, para lembrar o sofrimento de Jesus. A tradição popular conservou, durante a procissão da Sexta-feira Santa, no canto da Verônica, um trecho das Lamentações, posto na boca de Jesus: "Vocês todos que passam pelo caminho, olhem e prestem atenção: haverá dor semelhante à minha dor?" (1,12) Os judeus recitam o livro no grande jejum que lembra a destruição do Templo de Jerusalém[4], no dia 9 do quinto mês do Calendário judaico (ab). I. Estilo Literário

Os Capítulos 1,2 e 4 são cantos fúnebres, semelhantes a 2Sm 1.17. O capítulo 3 é uma lamentação individual e o capítulo 5 é uma lamentação coletiva, também conhecida como Oração de Jeremias. Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, as primeiras letras dos 22 versículos correspondem às 22 letras do Alfabeto hebraico colocadas em ordem, havendo uma pequena diferença na ordem do alfabeto observada no primeiro capítulo e a ordem observada nos três capítulos seguintes. Merecendo destaque o fato de que no terceiro poema, o alfabetismo é tríplice, ou seja, a letra correspondente a cada verso é empregada no início das três primeiras palavras de cada verso. II. Posição no Cânon

Consoante o título mais longo, a Septuaginta coloca o livro imediatamente após as profecias de Jeremias, tal como em nossas versões portuguesas. Na Bíblia hebraica esse livro não é encontrado entre os livros proféticos, mas ocupa a posição média entre os Rolos Festivos (Megilloth) que seguem imediatamente os três livros poéticos da Hagiógrafa, ou seja, a terceira divisão do cânon hebreu. Cada um dos Megilloth era lido por ocasião de uma festividade anual, sendo que o livro de Lamentações era lido no nono dia de Ab (cerca de meados de julho), aniversário da destruição do templo por Nabucodonosor, rei da Babilônia. No Talmude, os livros poéticos e o Megilloth aparecem rearranjados numa ordem que parece ser a ordem cronológica, a saber, Rute, Salmos, Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Lamentações, Daniel, Ester, etc.

entretanto. o sentimento em #2Sm 1.C. etc. o lamento nacional do capítulo primeiro. Porém. No capítulo 5. fora testemunha ocular das entristecedoras calamidades que sobrevieram a Jerusalém por ocasião da captura efetuada pelos exércitos de Babilônia em 587-586 a.*Autoria e Data A tradição que Jeremias compôs esses poemas recua até à posição e ao título do livro na Septuaginta. muitos consideram que o autor do livro de Lamentações tenha sido um contemporâneo mais jovem de Jeremias. Há também o fato que esse período particular da história da Babilônia é notório por seus hinos fúnebres em memória de cidades caídas. que correspondem ao número e à ordem das letras no alfabeto hebraico. no qual cada letra sucessiva conta com três versículos dedicados à mesma. e a oração do capítulo 5.1112. à semelhança dele.10-18. na qualidade de profeta chorão (ver #Jr 9.20 com igual justiça poderia referir-se a Zedequias.). o lamento pessoal do capítulo 3. porém. Existem inscrições cuneiformes nas quais "a filha de. nos capítulos 2 e 4. A atitude para com os poderes estrangeiros.". aos quais foram então adicionados. Essa técnica. e Lamentações". que Jeremias se assentou a chorar..17. fazendo exceção o capítulo 3. e ali se acha escrito que tal lamentação foi registrada e ficou como "estatuto em Israel". e lamentou com esta lamentação por causa de Jerusalém e disse. preferem datar a coleção inteira como pertencente a período bem posterior. Outros consideram os capítulos 2 e 4 como obra de uma testemunha ocular (note-se a preocupação do escritor pelo destino das crianças. Por conseguinte. do livro de Lamentações. é mais parecido com o estilo de Ezequiel.C." é exortada a lamentar sua sorte (cfr. Alguns. A data desse material pode ser fixada em cerca de 540 a. após Israel ter sido levado cativo.20 e #Lm 2. com isso cfr. não são empregadas as letras do alfabeto em ordem sucessiva ainda que alguns eruditos afirmem que esse deve ter sido o caso. Jeremias bem poderia ser concebido como autor. O capítulo 3 faz lembrar #Sl 119 e 143. Não obstante. no exílio... de princípio ao fim do livro.25 é feita referência às lamentações desse profeta por causa da morte do rei Josias.  Estutura Os comentadores rabínicos se referem aos "sete acrósticos" e pode ser observado de imediato que cada capítulo tem vinte e dois versículos. fazendo o livro referir-se ao cerco de Jerusalém. por Antíoco Epifânio. e #Lm 4. o qual. originalmente. certamente não é a do "colaboracionista" Jeremias e não reflete a própria experiência do profeta.14. #Jr 15. que possui sessenta e seis versículos.C. #Lm 2. em #Lm 2. nosso presente livro gira não tanto em torno da morte de um rei como em torno da destruição de uma cidade.17-22. pode ter sido aprendida pelos judeus. Diz-se que esse arranjo alfabético tem o propósito de mostrar que "Israel pecou de álefe a tau". Em favor da data tradicional que é o período do exílio temos a nota de desânimo. portanto. isso é altamente improvável. porém. #Lm 4. #Lm 4. O estilo é muito mais elaborado e artificial que o do próprio livro de Jeremias e. cerca de 580 a. por Pompeu. o persa. Também é asseverado no Targum Siríaco e no Talmude (Baba Bathra) que: "Jeremias escreveu seu próprio livro. onde é introduzido mediante as palavras: "E sucedeu..  As Chaves para lamentações . assim como em #Sl 119 a implicação é que a lei deve merecer a atenção e o desejo totais do homem. ou mesmo em 63 a.. não fosse o fato de existirem certas dificuldades para que se aceite essa opinião. como diríamos. que sugere um tempo antes do levantamento de Ciro. Reis.1). subentendida em #Lm 4.C.. igualmente.6. em 170-168 a.21).4-10). de A a Z. em lugar de um versículo..19-20. isto é. a despeito de sua falta de dignidade (cfr. e Jerusalém ter ficado desolada. talvez originados em fontes diferentes. Em #2Cr 35.1. #Jr 14.C.

aquelas nações circunvizinhas entre as quais havia procurado auxilio.Três temas são abordados nos cinco lamentos de Jeremias. Jeremias fala por si mesmo. que comemorava a destruição dessa mesma cidade por Tito.. a ira de Yahweh (2). a quem coubera tão gloriosa herança de uma religião espiritual e profética. agora se achavam desertos (4). quer para as alegres solenidades da adoração. Os cincos pesarosos poemas de Jeremias podem receber os seguintes títulos: a destruição de Jerusalém (1).1-7) As palavras iniciais desse "hino político funerário" (Gunkel) apresentam Jerusalém como mulher privada de seu marido e de seus filhos. fora agora levada a um estado de total desolação por causa da multidão das suas prevaricações (5). o templo. O segundo tema. dizem . *Lm-1. e em alguns momentos. isto é. será fiel às promesas da sua aliança.4. e os seus habitantes foram deportados para a distante Babilônia. Todos os seus amigos (2). o pedido de misericordia (3). quer para o comércio (suas portas). A Cidade Santa foi devastada e desolada. Omais proeminente é o tema do lamento sobre o holocausto de Jerusálem. *Lm-1. o cerco de Jerusalém (4. Em sua tristeza. PRIMEIRA ODE Lm 1. se fez instável (8). representa-a como mulher assentada debaixo de uma palmeira e traz a inscrição "Juda e a capta" (cfr. e a oração por restauração(5).8-11) A indicação. tinham-na decepcionado miseravelmente. #Jr 39. muito importante: é uma nota de esperança na restauração futura que Deus trará ao seu povo.4-5). muitos anos depois. vers.C. Assim foi que. é agora abordada e desenvolvida. A cidade.. Quando Nabucodonosor finalmente chega e destrói Jerusalém em 586 a. em 70 d. A promessa do julgamento de Deus por causa do pecado havia chegado. e suas ruas e lugares de assembléia.  Analisando Lamentações Jeremias sofreu quarenta anos de rejeiçaõ e abuso por causa das suas advertencias sobre o julgamento que viria em breve. uma pessoa de menos caráter poderia simplesmente dizer: “Eu não disse que isso iria acontecer?” Mas Jeremias se identifica com a trágica derrota de Jerusalém e compõe cinco lindos e tocantes poemas de lamentação como uma espécie de réquiem para a cidade outrora magnífica. Estes lamentos refletem o terno coração de um homem que fora chamado para comunicar uma dura mensagem a um povo pecador e obstinado. dada no vers. Yahweh derramou a sua ira. 5. pela cidade personificada. é a confissão de pecado e reconhecimento do justo e santo julgamento de Deus sobre Judá. em su amisericórdia. Zedequias e seus cortesãos (#2Rs 25. o palacio e os muros foram reduzidos a escombros. uma moeda romana. mas. pelos cativos. O tereceiro tema recebe menos destaque..1-22 a) A desolação de Jerusalém (Lm 1.C. mas é. 3).1 I. e eventualmente se torna um dos principais temas do livro.. Seus príncipes (6). Ela "se tornou impura". tinham voltado as costas e tinham fugido. Jerusalém. da qual foi-se toda a sua glória (6) por causa de melancolia permanente.8 b) Pecado produz sofrimento (Lm 1. Ela.

haviam sido derrubados por terra e destruídos (1-2).15 A linguagem do vers. mas todas as nações (18) e. Embora Cristo tenha rejeitado a simpatia para Consigo mesmo (#Lc 23. *Lm-1. em lugar de ser convocado o povo favorecido de Israel. sobre as tremendas aflições que haviam caído contra ela. conforme sugerem essas palavras proféticas. de onde podia ser esperada confiadamente a misericórdia. SEGUNDA ODE Lm 2. Até parecia que o próprio Deus se havia tornado inimigo figadal de Judá (5). o poeta descreve. Até mesmo a sua cabana (o tabernáculo). o lugar dentre todos os lugares. #1Cr 28. bem como os fortes e os palácios e as habitações humildes do povo.12-22) Os primeiros soluços suplicantes de Sião já tinham sido ouvidos de passagem na seção anterior.21) que.1-22 a) O Senhor é um inimigo (Lm 2. são solicitados a ponderar. o dia da ira do Senhor (22).1-9) Fornecendo detalhes repulsivos sobre as cenas que ele mesmo havia testemunhado. Ela não se havia lembrado de seu fim (9). Mas agora. E isso porque ela gravemente pecou (8). E até os próprios instrumentos do julgamento divino serão por sua vez julgados por Aquele cujo caminho é perfeito (#Sl 18. mas é comemorar o esmagamento dos próprios judeus no lagar da aflição. com simpática compreensão. isto é.outras versões. mas acabará consolando aqueles que são levados a reconhecer os motivos de tal punição. Aqui temos uma vívida demonstração de fé no poder soberano. bem longe de ser uma derrota para .28). Incontáveis advertências tinham deixado de ser atendidas.2). assim demonstrando a incapacidade dos rituais exteriores para desviar os julgamentos de Deus contra um povo culpado. Justo é o Senhor (18). não aparece nenhum problema de teodicéia. até quando já era tarde demais. Ele deseja que consideremos o significado dessa identificação. não apenas os passantes casuais (12). ela é pintada como alguém que já havia começado a clamar a Deus. Nabucodonosor e seus exércitos babilônicos são completamente ignorados! A captura de Jerusalém.21). finalmente. Mas. Seus sofrimentos eram bem merecidos. como no livro de Jó.19. falhara em considerar as conseqüências de suas ações. 15 relembra a dos grandes festivais do ano judaico.30). Não obstante. As palavras do vers. mesmo enquanto sua porção estava sendo assim graficamente descrita. cfr. havia sido arrancada com violência (6). pois todos aqueles terríveis acontecimentos eram apenas operações de Sua ira. Mas. e não meramente algum adversário humano. Deus "fez planos de destruição" (8): um notável testemunho sobre Sua atividade soberana. O templo (a glória de Israel) e a arca com seu propiciatório (escabelo de seus pés. e por isso o apelo é feito a Ele. Ele pode castigar. *Lm-1. pois toda ajuda humana é ineficaz (17.1 II. o Senhor mesmo (20). 11b). na sabedoria e na graça de Deus. era o responsável por tais acontecimentos. *Lm-2. em Sua paixão. 12 há muito têm sido associadas a nosso Senhor. não há queixa alguma contra a justiça divina. Ele.12 c) Um grito pedindo compaixão (Lm 1. e agora estava a colher o fruto de sua iniqüidade. são convocados os seus inimigos para uma festa cujo objetivo não é louvar a Deus por Sua abundância na vindima ou na colheita. nesta elegia. Ele se identificou tão intimamente com o pecado humano e com suas conseqüências (#2Co 5. e seus clamores se intrometem nas meditações do poeta (9b.

Sofrimento tal como esse é sempre um profundo mistério. Adeney).1-66 a) O clamor dos aflitos (Lm 3.24 e segs. de conformidade com as quais mensagens Deus estava agora a cumprir a sua palavra.14 c) Profetas falsos e verdadeiros (Lm 2.1-21) Este capítulo. era uma vitória para Sua justiça. Porém. o qual forçara entrada por uma brecha no dique. é uma terrível realidade para aqueles que se tornam sujeitos à mesma. em mais de uma maneira este poema não conduz ao coração mesmo do livro. Através de todas as suas agonias respira um espírito de quieta resignação e confiança especialmente na segunda seção (22-39). presumivelmente. TERCEIRA ODE Lm 3. O sentido do vers. embora ele aqui fale. não tinham luz para derramar sobre a presente situação. F. Esse fato torna ainda mais significativa a cruz de Cristo (#Rm 3. igualmente. mas aos profetas deixados atrás. seu desprazer judicial contra a iniqüidade. Uma das mais notáveis figuras que aqui aparecem é a . respectivamente.10. O escritor evidentemente não podia afastar da mente as cenas macabras. eram destituídos de visão (9) e tinham medo de expor a verdadeira causa da calamidade que se abatera contra Sião-tua maldade (14). diferentemente daqueles.14-17) Teus profetas (14). que ordenou desde os dias da antigüidade (17). Aqueles otimistas superficiais. com suas cargas vãs (14). Uma vez mais. eram impotentes para fazer qualquer coisa. Os anciãos ou cabeças das famílias.1-5. mas nem mesmo uma criança pode ser considerada isoladamente. em lugar de terem lançado o grito: "Arrependei-vos!" Suas palavras eram zombarias. as palavras do próprio Cristo.10 b) Os horrores da fome (Lm 2. no Egito e na Babilônia. Gaster). III. tem afinidades com #Is 53 e #Sl 22. mas antes. falsos anúncios. Parece que essas palavras não se referem a Jeremias ou Ezequiel.Jeová. quanto à absoluta supremacia de Deus. numa série de sugestivas metáforas. "como o representante típico do povo" (T. *Lm-2. H. Ver #Is 42. A ira de Deus.25 e segs. *Lm-2. 13 é que a tribulação se tinha abatido sobre Sião como o mar. e nada lhe podia resistir. "É uma monstruosidade acusar a providência de Deus por causa das conseqüências das ações que Ele tem proibido" (W. sem dúvida alguma.10-13) A situação das crianças inocentes (11-12) é um tema que se repete nos vers. na Judéia.4. Considere-se. os quais. Como uma previsão sobre a paixão de Cristo. que compartilhavam da administração. embora seja possível descobrir uma falta de coesão aqui ou acolá devido às exigências da moldura alfabética. Trata-se de um produto terminado de arte literária. os quais. os sofrimentos são atribuídos diretamente a Deus: Ele me levou (2). Eram os homens que tinham anunciado o acontecido como "má sorte". se encontrariam. não é um termo vazio de significado. ou seja. com seu acróstico de três em três versículos se concentra em torno dos sofrimentos pessoais do escritor. etc. em #Lc 13. Graves magistrados e jovens mulheres entristecidas foram igualmente reduzidos a um silêncio forçado devido à tristeza (10). pouco diferentes dos insultos dos espectadores hostis em vista da desolação da cidade (15-16) e totalmente diferentes das destemidas mensagens pregadas pelos verdadeiros profetas. 19-21 e em #Lm 4.).

#Sl 119. Cfr. pois a rejeição acabará por terminar (31). que haviam transgredido (42). 57. Com verdadeira veia profética o poeta elegíaco se coloca lado a lado com seus compatriotas e suplica-lhes que retornem ao Senhor e busquem reconciliação com Ele. que suas orações rogando perdão fossem autênticas e sinceras. o vers. que ele encoste sua boca no pó. no vers. notável. "Que ele se sente solitário e mantenha silêncio" (28. Se Deus é tão justo que não pode tolerar os maus tratos a que são sujeitados os cativos. verdadeiramente não cessam. *Lm-3.43 d) As tristezas do pecado (Lm 3. 19-21. *Lm-3. a lançar Suas flechas (12-13) contra a presa. como um escravo espancado (29). Nos vers. isto é.22 b) As misericórdias de Deus (Lm 3. visto que isso não representa a vontade final de Deus para homem algum (32-33). Desce sobre a alma uma dolorosa apreensão sobre a ira de Deus contra o pecado e sobre a barreira que o pecado erigiu entre si e Ele (44). verdadeiramente.4). então qualquer sofredor pode conseguir ser paciente (26).40-42) "A benignidade de Deus te leva ao arrependimento" (#Rm 2. o poeta universaliza sua própria experiência e inculca os deveres de vigilante expectativa e alegre submissão. mas. O próprio mal (isto é. estar ainda sob o julgamento de Deus (42b). está sujeita ao controle de Deus e não tem existência independente dEle (38). igualmente. O Targum e o Siríaco dizem: "As misericórdias do Senhor. Porém. Suas ternas misericórdias são percebidas e são ansiosamente aguardadas (50) por aquele que antes parecia além do alcance de qualquer auxílio (52-54). Porém. nem a perversão nos tribunais de lei. Estes últimos comoventes versículos sugerem uma real experiência física da parte do escritor. Que então soubessem. Cfr. e traz suas próprias ricas consolações. 23 e segs. #Dt 33.de Deus na qualidade de caçador. tratou-se de uma experiência diferente daquela por que passou Jeremias. Enfrentar tais sofrimentos da maneira que é sugerida significa transformá-los em meios de bênção. o que explica os dentes partidos. Deus é supremo (37). nos vers. e não a perversão moral) igualmente. e pode empregar a tribulação para fins benéficos. e segue-se uma tristeza sincera de coração.40 c) Uma chamada à conversão (Lm 3.. não mais Deus é considerado como inimigo implacável. qual o sentimento de quem ainda não está perdoado. se assim foi o caso. e que o levantar de suas mãos para Deus no céu fosse acompanhado também pela elevação de seus corações. Suas misericórdias não têm fim (22).71. Os efeitos do pecado são plenamente reconhecidos.." São adaptados às necessidades de cada dia (cfr. o caminho aparece como preparado para um quadro diferente e complementar sobre o Todo-poderoso. *Lm-3.43-54) O senso de culpa que precede cada conversão genuína é descrito em seguida. nem as práticas desonestas nos negócios (34-36). Nenhum homem vivo pode afirmar que seus sofrimentos são inteiramente desmerecidos (39).22-39) Que tão linda expressão de segurança e certeza nas infalíveis misericórdias de Deus seja encontrada no livro de Lamentações e em tal contexto é. 16. dizem algumas versões). Que se examinassem a si próprios (40) à luz de Seus mandamentos. que foi posto numa cova seca por . pois assim viriam a apreciar ainda mais a maravilha de Seu perdão. Também ofereceu pedras em lugar de pão. a tribulação.25-26).

Com isso cfr. O povo.1-12) Temos aqui uma série de amargos contrastes entre Jerusalém em seu período de glória e Jerusalém em sua vergonha. Uma imprecação nesta conjuntura pode fazer soar uma nota dissonante. Sião haveria de passar por um longo e cansativo castigo.10. Aqueles que eram normalmente conspícuos por causa de sua posição ou chamada (7. e que de Seus lábios graciosos saem palavras de consolação (56-58). e haviam ajudado a derramar o sangue dos justos (13.13-20) Os profetas e sacerdotes que haviam falhado. Naquele tempo até os ternos ofícios da maternidade tinham sido relegados a segundo plano. contra quem o profeta Jeremias tão freqüentemente havia falado (#Jr 6.1-22 a) Então e agora (Lm 4. algumas versões dizem "nobres") não mais se conhecem nas ruas. como advogado e redentor. não podem ser distinguidos dos demais (8). pois eram homens culpados. 12 é ao mesmo tempo uma ilustração sobre arrogante autoconfiança e subseqüente desilusão.1 IV. igualmente. pela mão de Deus. Invocando o nome ou caráter de Jeová (55).14). Sodoma pereceu num momento só. #Sl 69. A execução desta seção é extremamente artística.. devem ser punidos: Tu lhe darás. *Lm-4. do mesmo modo.55 e) Consolo e maldição (Lm 3. na providência de Deus. *Lm-3. O vers. As crianças recebiam pior tratamento que os filhotes dos chacais (3) ou os filhotes da descuidada avestruz (ver #Jó 39. Duas passagens paralelas (1-5 e 6-11) são levadas a uma conclusão na reflexão do vers. não proclamando a verdadeira Palavra de Deus. mas é bom relembrar que o sofrimento imposto a outro homem pode.9. Mas.6). #Jr 8. e haviam fugido da cidade. o pecador arrependido descobre que Deus está a seu lado. nazireus. 12. levar aquele homem a reconhecer seus próprios pecados e a buscar ao Senhor.seu próprio povo (#Jr 38.13 b) As consequências do pecado (Lm 4. *Lm-4. Eram tratados como leprosos. mas não será por isso que o instigador de tais sofrimentos será considerado menos responsável perante as leis de Deus. QUARTA ODE Lm 4.13. estavam envolvidos numa temível vingança.11. maldição (65). que também foram devastadas.55-66) Das profundezas do auto-desespero sai a oração do pecador arrependido e chega até às alturas do céu. apesar de admitir a validade dos juízos de Deus. cfr. O escritor parece estar falando sob considerável provocação. em #2Rs 25.20-23).. #Jr 26. Até mesmo aos pagãos fora solicitado que não lhes dessem abrigo (15). As filhas da minha cidade (51) podem ser as vilas fora de Jerusalém. O versículo primeiro relembra o fato do templo ter sido queimado por Nebuzaradã.13-17). que lhe seria infligido pelas mãos dos homens (6). não podemos descobrir em seu coração disposição para desculpar aqueles que foram os instrumentos desses julgamentos. fora levado a perceber que a confiança em um aliado terreno (tal . #Jr 23. Tais instrumentos.

1 V. cuja sorte é descrita em #2Rs 25.9 nota).1-10) Embora este capítulo conte com vinte e dois versículos.12-14. As gerações da humanidade não vivem em compartimentos estanques. No original. os políticos. e sua conduta. e que representa um apaixonado apelo congregacional em prol da misericórdia divina. Estão ausentes todos os pensamentos de vingança pessoal. Dessa maneira. *Lm-5. por amor de Seu próprio nome. Porém. #Sl 137. QUINTA ODE Lm 5.1-4. visitar ou "descobrir" é o oposto de "cobrir". o sentimento é de tristeza e não de ressentimento.1-22 a) Um apelo em prol da misericórdia (Lm 5.4-7. 7 está de conformidade com o segundo mandamento.21-22) Por ocasião da captura de Jerusalém Edom procurara enriquecer-se às expensas de seu povo irmão (#Ob 10-16). o que é deixado claro em passagens tais como #Ez 18. os líderes eclesiásticos.2). servia de apelo para que Deus os restaurasse. #Jr 37. sendo esta última a palavra geralmente usada para "perdoar". podiam conciliar-se com o pensamento que. Não fora Ele que lhes dera a sua herdade (2)? Sua presente apertada situação. *Lm-4. e as crianças normalmente têm de colher as conseqüências das iniqüidade de seus pais (cfr. O sentimento expresso pelo vers. foi para Ele. o lar de Jó. isso não elimina as responsabilidades individuais. o próprio rei-todos se tinham mostrado impotentes para desviar os julgamentos de Deus da nação culpada da qual foi dito: é vindo o nosso fim (18). e a . que geralmente eram escravos da casa do rei promovidos àquela posição (8). na qual eram compelidos a comprar as necessidades básicas da vida de seus próprios captores (4) e a procurar seu pão no deserto. enquanto que sua punição já se tinha realizado (22.7-9). Uz (21). pois a retidão do julgamento de Deus havia sido livremente reconhecida.11 b) A vergonha do pecado (Lm 5. O ungido do Senhor (20).21 c) Edom não escapará (Lm 4.5 nota. Entretanto. #Is 40. cfr. é provavelmente mencionado aqui para mostrar a extensão dos domínios dos edomitas. Ele visitará a tua maldade (22). #Êx 20.como o Egito. Embora Deus fosse o responsável pela calamidade. #Dt 5. buscando ajuda. foi amargamente ressentida pelos judeus (#Ez 25. está em falta o arranjo acróstico. *Lm-5. porém. para que voltassem à sua legítima posição na terra para que não mais estivessem debaixo do domínio de servos. a de Edom ainda era futura: o cálice chegará também para ti (21). o último infeliz rei de Judá. e nem mesmo a possessão do reino davídico podia servir de garantia da bênção e da proteção divinas (20). E quando isso acontecesse seria sinal de que a misericórdia divina havia retornado para Judá. Os judeus. sátrapas babilônios. pondo em perigo suas vidas devido aos assaltantes beduínos (9).11-18) Aqui temos mais uma rápida visão sobre as espantosas retribuições que o povo de Deus havia atraído contra si mesmo mediante a persistente transgressão contra as Suas leis.7) estava condenada ao desapontamento (17). nessa oportunidade. isto é. Aqui temos uma oração que talvez reflita condições que prevaleciam algum tempo depois da real destruição da cidade. entretanto. Era Zedequias. que o povo entristecido se voltou instintivamente.

Raposas (18). venceu por intermédio de humildade contrita e submissão paciente. o filho pródigo já caíra em si. chacais. naturalmente. 21. Stephens-Hodge. intensifica a percepção de seu presente estado de abandono (20.21). Somente em Deus havia esperança para o povo abatido. .questão é deixada em Suas próprias mãos. e estava pronto para levantar-se e voltar ao seu Pai. H. E. O sofrimento já fizera sua obra. O poeta em nome de seu povo. Para os mancebos era vergonhoso moer (13) visto que era trabalho próprio de mulheres (cfr. Por que nos rejeitarias totalmente? (22) É possível traduzir essa frase como "A não ser que nos tenhas rejeitado totalmente" (e que Deus o proíba!). Isso.19 c) O eterno trono de Deus (Lm 5. L. por sua vez. são. Um profundo desejo por reconciliação e renovação transparece na petição do vers. #Jz 16.22). *Lm-5.19-22) O último olhar é reservado para o trono de Deus que continua de pé. embora o trono da dinastia davídica tivesse ruído por terra.