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CONCRETO REFORÇADO COM FIBRAS DE AÇO E SUA APLICAÇÃO EM PAVIMENTOS1 Mauricio Bochicchio2

RESUMO O presente artigo trata sobre o concreto reforçado com fibras de aço, descrevendo o mecanismo de interação entre o concreto e as fibras, e os principais fatores que interferem no seu comportamento mecânico no que diz respeito à resistência à tração na flexão e tenacidade. Aborda a respeito dos tipos de fibra de aço, suas características geométricas e mecânicas e a relação destas com o comportamento do concreto reforçado com fibras de aço. Identifica as principais características do concreto reforçado com fibras de aço na aplicação em pavimentos e aponta as práticas usuais em relação à dosagem e controle tecnológico, além de apontar as principais vantagens e desvantagens do seu uso. Palavras chave: Fibras de aço. Pavimentos de concreto.

1 INTRODUÇÃO O concreto está entre os materiais mais utilizados no mundo, possui diversas vantagens, tais como baixo custo, facilidade de adaptação a diversas condições de produção e possibilidade de moldagem em variadas formas. No entanto, é um material de comportamento frágil e com baixa capacidade de deformação quando submetido a esforços de tração, e ao fissurar perde totalmente sua capacidade de resistir à tração. A adição de fibras de aço ao concreto está entre as alternativas tecnológicas para melhoria destas características. As fibras de aço adicionam ao concreto certa ductilidade, transformando-o em um compósito de comportamento pseudo-dúctil, aumentando sua tenacidade e a
                                                            
Trabalho de Conclusão de Curso de Engenharia Civil apresentado na Unifacs – Universidade Salvador, em 2013.1. Orientado pelo Prof. Carlos Machado.  2 Bacharel em Urbanismo (UNEB), Graduando em Engenharia Civil (UNIFACS). E-mail: mauboch@gmail.com.br 
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como: o teor de fibras. Outro fator importante é o controle tecnológico. o material ainda tenha capacidade estrutural. 2000.16) afirma que a adição das fibras de aço ao concreto tem por finalidade inibir a abertura das fissuras. 2    . p. Carnio (1998) apud (OLIVEIRA. bem como a sua propagação. sua distribuição homogênea é fundamental para o comportamento esperado do material. em grande parte pelo desconhecimento dos profissionais a respeito de suas possibilidades. No entanto. diversos fatores afetam o comportamento deste compósito. Segundo Figueiredo (2011.    resistência à tração na flexão. a mera inserção das fibras não é a garantia da melhoria destas condições. e que. já que as fibras são distribuídas de modo aleatório dentro da matriz de concreto. Segundo Rodrigues (2010. seu uso teve início na década de 1990. p.4) atualmente. devido a esse controle de fissuração. o que permite que mesmo depois de apresentar determinada deformação plástica. outras aplicações têm sido em concreto projetado para túneis e na fabricação de tubos de concreto. a prática de utilização do concreto reforçado com fibras no Brasil pode ser descrita como uma atividade basicamente empírica. característica esta de material com ductilidade. o módulo de elasticidade do concreto e da fibra. para o caso de pavimentos. p. O concreto reforçado com fibras aço é um material ainda pouco explorado no país. forma e comprimento das fibras. o material apresenta capacidade de se deformar absorvendo esforço. pois é muito freqüente a utilização de teores fixos de fibras e a total ausência de procedimentos de controle da qualidade do compósito. fazendo com que o material apresente maior tenacidade e melhor comportamento com relação à fadiga.67) a adição de fibras de aço incrementa a resistência ao impacto. e desde então já foram realizados diversos estudos a respeito do assunto. ajuda a diminuir os índices de fissuração por retração hidráulica e térmica. Sua utilização está concentrada principalmente em pavimentos industriais.

com base em uma pesquisa bibliográfica sobre o tema. resistência à tração e dobramento. Quanto à 3    . Quadro 1 – Limites de resistência à tração para os diversos tipos e classes de fibras de aço conforme NBR 15530 Fonte: Figueiredo (2011) As fibras de aço são classificadas de acordo com o seu formato e tipo de aço que lhe dá origem.com ancoragem nas extremidades. Quanto à resistência do aço utilizado na fabricação das fibras. a contribuir com o entendimento e disseminação da tecnologia do concreto reforçado com fibras de aço. Quanto ao formato podem ser: Tipo A . 2 TIPOS DE FIBRAS DE AÇO A NBR 15530 (ABNT. 2007) estabelece parâmetros de classificação para as fibras de aço de baixo teor de carbono e dispõe sobre os requisitos mínimos de forma geométrica.    O presente trabalho se propõe. a menor resistência prevista para o aço é de 500MPa. conforme indicado no Quadro 2. e também possibilitar uma ordenação do mercado para a produção do material. defeitos de fabricação. apontando a função da inserção das fibras de aço ao concreto e descrevendo o mecanismo de interação entre o concreto e as fibras. a norma define resistências mínimas em função da classe da fibra. Tipo B . Seu principal objetivo é garantir que as fibras possuam especificações que atendam a um comportamento mínimo esperado para o concreto reforçado com fibras de aço.corrugada e Tipo R .reta. tolerâncias dimensionais.

não alongado. Classe II – obtida a partir de chapa laminada cortada a frio e Classe III – produzida com arame trefilado e escarificado. A 4    . Quadro 2 – Classificação e geometria das fibras de aço para reforço de concreto conforme NBR 15530 Fonte: Figueiredo (2011) Outro ponto importante de que trata a norma diz respeito ao fator de forma. pelo diâmetro do círculo com área equivalente à de sua seção transversal (L/d).    classe podem ser: Classe I – produzida a partir de arame trefilado. que é a relação geométrica obtida a partir da divisão do comprimento da fibra.

p. prejudicial principalmente para os concretos projetados. e também peças sem ancoragem.2mm de diâmetro. Quadro 4 – Plano de amostragem para um lote de fibras que será submetido ao controle de recebimento conforme NBR 15530 Fonte: Figueiredo (2011) 5    . O ensaio é realizado em uma amostra de 10 exemplares por lote. A norma define também um percentual máximo de fibras com defeitos de fabricação. à temperatura de 16ºC. para o caso das fibras tipo A. Quadro 3 – Requisitos de fator de forma mínimo das fibras de aço para concreto conforme NBR 15530 Fonte: Figueiredo (2011) A NBR 15530 (ABNT. verificação é realizada para cada lote fabricado. com uma amostra de no mínimo 200g. peças emendadas pelo topo. A preocupação com a variação dimensional é para se garantir que o fator de forma da fibra não apresente grandes variações e não prejudique o comportamento do concreto reforçado com fibras de aço quanto à sua resistência pós-fissuração (FIGUEIREDO. 2007) estabelece também o ensaio de dobramento. e no mínimo 90% destas não podem sofrer quebra.23). o que pode afetar o fator de forma. Podem ocorrer defeitos como. O lote é aceito se não apresentar mais que 5% de peças com defeito. que consiste no dobramento da fibra a 90º em um pino de 3.    norma indica também valores máximos de variação do comprimento e diâmetro especificados. 2011.

arranjo e método de mistura nos demais componentes do concreto de Cimento Portland (MOSCATELLI. Após o rompimento da matriz. tem-se uma redução da velocidade de propagação das fissuras no material que passa a ter um comportamento pseudo-dúctil ou não frágil. Com isso.    3 O MECANISMO DE INTERAÇÃO ENTRE O CONCRETO E AS FIBRAS DE AÇO A base do desempenho dos concretos reforçados com fibras está no papel exercido pelas fibras como ponte de transferência de tensão pelas fissuras surgidas no momento de rompimento do concreto. quando o material é carregado. e com isso um aumento progressivo das tensões. adequados e num teor apropriado. 2011). Segundo Figueiredo (2011) entre as principais causas de fissuras está a retração da pasta de cimento dentro da matriz. 6    . Ao se iniciar uma nova fissura ocorre diminuição da área disponível de suporte de carga. causando esforços de tração na pasta e sua possível fissuração. As fissuras conduzem a uma concentração de tensões em suas bordas. Entretanto. facilitando a ruptura do mesmo. podendo em certos casos substituir a armadura convencional. No caso de esforço cíclico ocorre ruptura por fadiga da seguinte forma. quando esta tensão supera a tensão crítica há a ruptura abrupta do material. este aumento dependerá de uma série de fatores. As fibras de aço atuam como reforço do concreto endurecido. que é restringida pelos agregados que são bem mais rígidos. Ao se adicionar fibras de aço de resistência e módulo de elasticidade. cuja concentração nas extremidades é então minimizada. o concreto deixa de ter o comportamento frágil. Após a fissuração da matriz a presença das fibras proporciona em geral um aumento da ductilidade e percebe-se em alguns casos. ganho de resistência à tração. até que ocorra a ruptura do material. tais como: volume de fibras. as fibras fazem o papel de ponte de transferência de tensões. o que causa um aumento das tensões nas extremidades das fissuras. a cada ciclo de carregamento há um aumento progressivo das microfissuras.

1 Comprimento Quanto maior o comprimento da fibra. a fibra se romperá no momento em que surgirem as fissuras.    Figura 1 – Esquema de concentração de tensões para um concreto sem (a) e com (b) reforço de fibras Fonte: Figueiredo (2011) 4 FATORES QUE AFETAM O DESEMPENHO DO CONCRETO REFORÇADO COM FIBRAS DE AÇO A geometria da fibra é um dos principais aspectos que definem o desempenho do compósito. diminuindo assim a resistência pós-fissuração. 4. outro fator relevante na definição deste desempenho é a resistência do aço utilizado na sua produção. Existem ainda outros fatores que tem influência direta no comportamento do concreto reforçado com fibras de aço. entre os principais estão o teor de fibras e a resistência do concreto. Porém.1.1 GEOMETRIA 4. um deles é a perda de mobilidade da mistura. 7    . o outro é que se ultrapassando o comprimento crítico. a resistência pós-fissuração do concreto. existem alguns inconvenientes. consequentemente. maior será o seu embutimento e.

reduzir a dimensão máxima característica do agregado ou aumentar o comprimento da fibra. Ainda segundo o autor. Segundo Figueiredo (2011). devido à carga de arrancamento proporcionada pelo comprimento embutido. o recomendado é a utilização de fibras cujo comprimento seja igual ou superior ao dobro da dimensão máxima característica do agregado utilizado no concreto. de forma que estas interceptem as fissuras com mais frequência. de modo a se maximizar a tenacidade. as fibras disponibilizadas no mercado para reforço do concreto de resistência convencional possuem comprimentos menores que o crítico e o mecanismo de reforço é regido pelo processo de arrancamento da fibra garantindo assim a tenacidade do compósito. há duas alternativas para obter-se esta compatibilização. isto ocorre pelo fato das tensões na fibra aumentarem linearmente das extremidades ao centro. 8    .    O comprimento crítico (Lc) é aquele que faz com que se atinja no centro da fibra sua tensão de ruptura. para que haja compatibilidade entre fibras e agregados. Figura 2 – Distribuições possíveis de tensão ao longo de uma fibra em função do comprimento crítico Fonte: Figueiredo (2011) Devido a isto.

maior será o fator de forma. de modo a não se ultrapassar o comprimento 9    .    Figura 3 – Concreto reforçado com fibras de aço com compatibilidade dimensional (A). diminuindo a capacidade de carga ao arrancamento.44). p. Portanto as fibras de maior seção transversal apresentam um melhor desempenho para um número fixo de fibras na seção de ruptura.1. a norma brasileira NBR 15530 (ABNT. No entanto. quanto menor o diâmetro equivalente da fibra.2 Fator de forma Quanto maior o fator de forma maior será a capacidade resistente pós-fissuração do concreto. 2007). contribuindo assim para o melhor desempenho do material para um determinado teor de fibras. Quanto menor a seção transversal da fibra. para um mesmo teor de fibras. 2011. e sem compatibilidade (B) Fonte: Figueiredo (2011) 4. contanto que não se ultrapasse o comprimento crítico da fibra (FIGUEIREDO. menor será a superfície de contato com a matriz. e também maior será a quantidade de fibras distribuídas no concreto. que é o fator de forma. o que fará com que aumente a possibilidade destas interceptarem as fissuras. estabeleceu parâmetros mínimos para esta relação (L/d). Pelo fato do comportamento do concreto reforçado com fibras de aço ser determinado simultaneamente pelo comprimento e diâmetro das fibras.

10    . Isto se dá pelo fato das fibras com ancoragem. melhor será o reforço pós-fissuração proporcionado pelas mesmas. quando submetidas a maiores esforços de tração. pois quanto maior a quantidade de fibras atuantes como ponte de transferência de tensões ao longo da fissura. as fibras retas se tornam mais eficientes. Para maiores deflexões e maiores aberturas de fissuras. Figura 4 – Variação da resistência residual pós-fissuração com aumento de nível de deslocamento Fonte: Figueiredo (2011) 4. acabam degradando o concreto na interface com a ancoragem.3 Ancoragem As fibras com ancoragem nas extremidades apresentam maior resistência ao arrancamento do que as retas.1. A capacidade de reforço proporcionado pelas fibras depende diretamente do teor de fibras utilizado.    crítico e a se manter um diâmetro mínimo que garanta uma aderência eficiente entre a fibra e a matriz. fazendo com que diminua sua resistência ao arrancamento. 4.2 TEOR DE FIBRAS Segundo Figueiredo (2011) o teor de fibras pode ser apontado como o principal definidor do comportamento do concreto reforçado com fibras de aço. devido à sua geometria. para pequenas deflexões.

    Há ainda o conceito de volume crítico. 4. no centro da fibra. valores de carregamento crescentes. No entanto. diminuindo 11    . Teores de fibras abaixo do crítico fazem com que haja perda progressiva da capacidade resistente do material após a fissuração. após a fissuração. para fibras curtas.3 RESISTÊNCIA DAS FIBRAS Quanto maior a resistência da fibra. Quando se tem um concreto com maior resistência mecânica melhora-se a condição de aderência com as fibras. Figura 5 – Compósitos reforçados com volume de fibras (VF) abaixo (A). e não será atingida.4 RESISTÊNCIA DO CONCRETO O módulo de elasticidade da matriz de concreto tem influência direta no volume crítico de fibras. abaixo do comprimento crítico. maior será a capacidade resistente do material pós-fissuração. acima (B) e igual (C) ao volume crítico de fibras durante o ensaio de tração na flexão Fonte: Figueiredo (2011) 4. dado que o principal mecanismo de arrancamento da fibra é o escorregamento. matrizes cimentícias de maior módulo irão demandar um maior teor de fibras para atingir o volume crítico. que é o teor de fibras adicionado ao concreto que faz com que sua capacidade resistente se mantenha após fissuração da matriz de concreto. devido ao pequeno comprimento de ancoragem. tensão suficiente para sua ruptura. Teores de fibras acima do crítico fazem com que o material aceite. não existe necessidade de se utilizar fibras de elevada resistência.

o que fará diminuir a capacidade resistente pós-fissuração do material. de acordo com as normas vigentes. para o caso de pisos faz-se também o ensaio de abrasão. Para o concreto endurecido. Figura 6 – Curvas de dosagem segundo o critério JSCE-SF4 para uma mesma fibra de aço em concretos projetados via seca com diferentes níveis de resistência à compressão da matriz Fonte: Figueiredo (2011) 5 CONTROLE TECNOLÓGICO DO CONCRETO REFORÇADO COM FIBRAS DE AÇO O controle tecnológico do concreto reforçado com fibras de aço deve ser realizado em todas as etapas convencionais de produção do concreto. realizado ensaio para determinação de sua tenacidade. Devem ser realizados todos os ensaios necessários a cada uma das etapas citadas. Para o concreto reforçado com fibras de aço devem ainda ser tomados cuidados na hora da mistura das fibras. que são as seguintes:    Controle dos materiais constituintes e da produção. 12    . Controle do concreto endurecido.    o comprimento crítico que pode levar a fibra ao rompimento. Controle do concreto fresco.

As dimensões das fibras e o seu grau de rigidez são os fatores que mais afetam a trabalhabilidade do concreto reforçado com fibras de aço. assim como os demais componentes. Porém. as fibras devem ser adicionadas ao concreto. 5. A formação de ouriços faz reduzir o teor de fibras homogeneizado na mistura e cria um ponto frágil no local onde se aloja. C995. abrangendo a energia absorvida antes e após a 13    .    5. Sua causa está associada ao processo de mistura inadequado.3 ENSAIO DE TENACIDADE A definição mais aceita atualmente para a tenacidade é a energia absorvida pelo compósito quando carregado.1 MISTURA Um problema muito comum na produção do concreto reforçado com fibras de aço é a formação de tufos de fibras aglomeradas denominados ouriços. de modo a se garantir a homogeneidade da mistura.2 TRABALHABILIDADE A adição das fibras reduz a trabalhabilidade do concreto. Outros estudos demonstram que o ensaio do abatimento do tronco de cone mostra-se adequado para concretos com teores de fibras até 100kg/m³. em velocidade regular. Podem ser adicionadas em conjunto ou após a adição dos demais componentes. 5. recomenda-se 20kg/min. Em obras com demanda de grandes volumes de concreto recomenda-se a utilização de dosadores automáticos. No entanto. o ensaio de cone invertido mostra-se inadequado. 1994) e o VeBe. dificultando sua fluidez. altera suas condições de consistência e mobilidade. Para a avaliação da trabalhabilidade do concreto reforçado com fibras de aço são recomendados os ensaios do cone invertido (ASTM. segundo estudos. a adição de baixos teores de fibras não chega a afetar suas condições de lançamento e adensamento. Para evitar a formação de ouriços.

2011. a depender das dimensões do mesmo. 14    . no ensaio de tração na flexão com o sistema “yoke” Fonte: Figueiredo (2011) O corpo de prova é colocado sobre dois apoios distantes 30cm ou 45cm. é um dos métodos de maior confiabilidade. O método para sua determinação mais adotado no Brasil é o Japan Society of Civil Engineers (JSCE-SF4. sobre este é aplicado carregamento há 1/3 e 2/3 do vão através de prensa com controle de velocidade. a depender do tamanho da fibra que está se utilizando. p. 1984). obtida para o deslocamento L/150. quando as fibras passam a atuar de maneira mais efetiva (FIGUEIREDO. não existe norma brasileira para tal.    fissuração da matriz. O deslocamento é aferido através de medição eletrônica.64). A tenacidade é um dos principais parâmetros a serem observados na especificação do concreto reforçado com fibras de aço. LVDT e cutelos. a menor dimensão do corpo de prova deve ter pelo menos três vezes o comprimento da fibra. Figura 7 – Posicionamento de corpo-de-prova. A tenacidade é calculada a partir da curva carga x deslocamento. O JSCE-SF4 é um ensaio de flexão com deformação controlada realizado em corpos de prova prismáticos com dimensões de 10x10x40cm³ ou 15x15x50cm³.

não havendo o risco de deslocamento das armaduras como ocorre com a utilização das telas soldadas. já que não há armaduras instaladas que impeçam o trânsito de pessoas e equipamentos. p. 15    . pavimentos e radiers apoiados sobre o solo. Para a execução de pisos somente com a utilização do reforço de fibras de aço podem ser consideradas algumas vantagens.    6 CONCRETO COM FIBRAS DE AÇO APLICADO EM PAVIMENTOS No Brasil. permitindo a execução de placas de 30m a 40m de comprimento. Segundo Rodrigues (2010. pois não existe a etapa de colocação das telas. o principal campo de aplicação do concreto reforçado com fibras de aço é o de pisos industriais. para teores de fibras entre 20kg/m³ a 25kg/m³.76). quando comparado ao uso de telas de aço soldadas. conforme aponta Figueiredo (2000). necessário à estocagem de armaduras.   Maior facilidade de acesso ao local da concretagem.    Redução do tempo total de execução e número de operários. Para este tipo de estrutura as fibras podem substituir totalmente as armaduras convencionais. Outra vantagem a se considerar é a possibilidade de se trabalhar com paginações de pisos maiores. têm-se adotado para pisos com fibras de aço placas com comprimentos de até 12m. com consumos de fibra da ordem de 35kg/m³. Economia de espaço na obra. As fibras também ajudam no reforço das bordas minimizando o efeito de lascamento. Para placas acima de 16cm de espessura é arbitrado um consumo mínimo de 30kg/m³. Não representam restrição quanto à mecanização da execução do pavimento. isto é possível em estruturas que apresentem a possibilidade de redistribuição de esforços. Mundialmente há exemplos pontuais de placas maiores de 50m de comprimento. e o reforço se distribui de forma homogênea por toda a estrutura.  Corte das juntas de dilatação sem a necessidade de barras de transferência pré-instaladas. Não há necessidade do uso de espaçadores como para as telas metálicas. como é o caso de pisos.

Um inconveniente em relação aos pavimentos de concreto reforçados com fibras de aço é o fato de algumas fibras aparecerem na superfície produzindo pequenos pontos de ferrugem. de modo que sejam compatíveis com as fibras de aço utilizadas. porém. Uma solução é a adoção de teores de argamassa superiores a 50% e abatimentos de tronco de cone na faixa de 100mm. para possibilitar o envolvimento total das fibras e agregados.25% e 1% em volume. indo de encontro ao que se propõe ao adotar a solução com fibras de aço. para aplicação em pisos e pavimentos. Outra questão importante é o fato de não haver uma definição clara quanto à dosagem das fibras. alguns autores defendem que o fato das fibras diminuírem a abertura das fissuras e consequentemente a entrada de agentes agressivos ao concreto faz com que aumente sua durabilidade. sendo apenas estético.    Quanto à durabilidade dos pavimentos de concreto reforçado com fibras de aço em relação aos com armaduras de telas de aço soldadas. como: o teor de fibras. isto pode levar à segregação da fibra e reduzir o reforço na superfície do pavimento. a mera definição o teor de fibras não é suficiente para determinar as características esperadas de desempenho do concreto reforçado com fibras de aço. Este problema não influência na capacidade de reforço do pavimento. E também a maior tenacidade dos pavimentos de concreto reforçado com fibras de aço faz com que estes sejam mais duráveis quando submetidos à esforços cíclicos e tenham melhor comportamento em relação à fadiga. como já abordado. estão entre 0. Os limites mínimos e máximos sugeridos por fabricantes e pesquisadores. para que se 16    . No entanto. principalmente o diâmetro máximo dos agregados. o que facilita o aparecimento de fissuras. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a especificação do concreto reforçado com fibras de aço deve se levar em conta os diversos fatores que influenciam no seu desempenho. assim como deve se atentar para a correta especificação dos materiais que compõe a base cimentícia. as características geométricas e mecânicas das fibras e a resistência do concreto.

2008. REFERÊNCIAS BALBO. CRISTELLI. é de extrema importância que exista um controle tecnológico na produção do concreto com fibras de aço. Uma questão de relevância na escolha da solução em concreto reforçado com fibras de aço na sua utilização em pavimentos são suas vantagens executivas. CHAMA NETO. FARIA. abr/mai/jun. 1999. 2010. FIGUEIREDO. 270 p. Belo Horizonte. 248 p. Tese (Doutorado) . José Tadeu. Análise experimental de dormentes de concreto protendido reforçados com fibras de aço.Escola de Engenharia de São Carlos – USP. Paulo Sérgio dos Santos. garantindo assim o comportamento esperado do material. Boletim técnico – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Concreto reforçado com fibras. Antonio Domingues de. p.50. São Paulo. Concreto com fibras de aço. 70 p. FIGUEIREDO. em conformidade com as condições de lançamento e adensamento existentes. Antonio Domingues de. Além disto. Monografia (Especialização) – Escola de Engenharia da UFMG. 2009.67-76. Tese (Livre-Docência) – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. n. 2011. Hernando Macedo. 2000. FIGUEIREDO. e tenacidade de acordo com as especificações de projeto. A nova normalização brasileira sobre fibras de aço. São Carlos. São Paulo. Rafael. 17    . principalmente no que diz respeito à redução de tempo e de número de operários necessários. Ano XXXVI. Pedro Jorge. 2011. 1999. Antonio Domingues de. Revista Concreto . 161 p. com a adequada mistura dos materiais e ensaios que afiram sua trabalhabilidade.    consiga a resistência desejada do material.IBRACON. 2010. no que diz respeito à resistência à tração na flexão e tenacidade. Pavimentos de concreto. 2000. Pavimentos industriais de concreto: Análise do sistema construtivo. BASTOS. o que pode vir a gerar um grande impacto nos custos totais do empreendimento. São Paulo: Oficina de Textos. quando comparado à utilização de armaduras convencionais em telas soldadas.

A tecnologia do concreto reforçado com fibras de aço. 2011. Dissertação (Mestrado) – Escola de engenharia de São Carlos . n. Manual de Pisos industriais: fibras de aço e protendido.USP. 153 p. Revista Concreto .42-47.IBRACON. MOSCATELLI. 2000.50. Ivo. Públio Penna Firme. 2010. São Paulo: Pini. OLIVEIRA. Arquitetura e Urbanismo – Universidade Estadual de Campinas. Campinas. 2011. 2000. Fibras de aço em concreto de cimento Portland aplicados a pavimento.    FRANCO. 18    . Ano XXXVI. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Engenharia civil. Bruno Luiz Marson. p. Patrícia Lizi de. São Carlos. abr/mai/jun.2008. 246 p. Projeto estrutural de pavimentos rodoviários e de pisos industriais de concreto. RODRIGUES.