O termo rastos químicos, referido no Inglês como chemtrails tem vindo a ser associado a rastos de agentes químicos ou biológicos

libertados deliberadamente por aviões clandestinos para fins não revelados ao público. Não existe, no entanto, evidência científica para esta teoria, e consequentemente o termo não é reconhecido na comunidade científica. Em particular, não se encontra este termo nos glossários de meteorologia, visto não corresponder a um fenómeno meteorológico reconhecido. Por outro lado, o termo contrail é já amplamente aceite, resultando da junção das palavras condensation e trail, tendo tradução em português de "rasto de condensação". Este fenómeno tem origem na reacção de combustão (ou queima de combustível) nos motores dos aviões, dando origem à produção de calor e a diversos compostos, entre os quais vapor de água. O que acontece é que o ar expelido dos motores dos aviões é muito húmido e quente enquanto o ar ambiente, à altitude a que vooam os aviões comerciais, é frio e menos húmido. Quando as duas massas de ar estão no limiar de saturação e se misturam, a combinação de temperatura/humidade pode originar condensação e consequente formação do rasto de nuvens (contrails). Estes rastos de condensação são observados em níveis elevados da troposfera, onde a temperatura ambiente é muito baixa (o necessário para ocorrer condensação), e onde existam valores elevados de humidade. Se o avião se deslocar para níveis inferiores, onde a temperatura ambiente não é tão baixa, os contrails desaparecerão. Se os contrails persistirem podem levar à formação de uma camada mais extensa de nuvens finas de aspecto fibroso (cirrus). Estima-se que nos corredores aéreos mais utilizados se tenha registado um aumento da cobertura de nuvens na ordem de 20%. Os contrails são observados nas imagens de satélite, e em particular nas imagens do satélite geostacionário europeu (MSG), que capta imagens do disco terrestre a cada 15 minutos em 12 canais espetrais (visível e infravermelho), recebidas e processadas pelo IPMA. Embora seja possível observar estes rastos de condensação recorrendo a imagens de satélite em canais espetrais individuais, a combinação de canais facilita em muito a identificação deste fenómeno. Nas imagens seguintes apresentam-se dois exemplos de detecção deste tipo de nuvens, no dia 27/04/2006. A primeira figura corresponde a uma imagem gerada com a combinação dos canais na banda do infravermelho 8.7, 10.8, e 12.0 mm do satélite MSG, às 10:00UTC (dia). A segunda figura, corresponde ao mesmo dia, mas a um instante durante a noite, às 05:00UTC, esta gerada pela combinação dos canais 3.9, 10.8, e 12.0 mm do satélite MSG.

Figura 1 - Compósito de imagens, gerada com os canais na banda do infravermelho 8.7, 10.8, e 12.0 mm do satélite MSG, às 10:00UTC do dia 27/04/2006. Os contrails são visíveis na região do Atlântico, ao largo da costa ocidental Portuguesa, a azul-escuro, sob a forma de riscas finas.

Figura 2 - Compósito de imagens, gerada com os canais na banda do infravermelho 3.9, 10.8, e 12.0 mm do satélite MSG, às 05:00UTC do dia 27/04/2006. Os contrails são visíveis na

região do Atlântico, ao largo da costa ocidental Portuguesa, a azul-escuro, sob a forma de riscas finas.

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