Influências na Obra Pianística de Ernesto Nazareth

Por Alexandre Ferreira de Souza Dias
Ensaio elaborado especialmente para o projeto Músicos do Brasil: Uma Enciclopédia, patrocinado pela Petrobras através da Lei Rouanet

Ernesto Nazareth é considerado um dos maiores compositores brasileiros do final do século XIX e início do século XX. Seu reconhecimento vem crescendo ao longo das décadas na medida em que suas músicas são impressas em diversos países, livros são publicados a seu respeito, e gravações são feitas por músicos tanto de formação popular, quanto erudita. No entanto pouco material na literatura aborda a faceta de Ernesto Nazareth como pianista erudito e as influências que recebeu como tal, que acabaram por transparecer em sua obra. Este texto tem por objetivo fazer um breve apanhado sobre este aspecto artístico de Nazareth [para uma biografia abrangente ver 1]. 1. Primeiras influências “Belle Époque - fins do século XIX e começo do século XX. É uma época que começa a partir de 1870, 71, aproveitando o final da Guerra do Paraguai com o final da Guerra FrancoPrussiana, onde a sociedade européia passou a ter uma vida mais alegre, mais confortável, mais eufórica [2]”. “Os reflexos da alegre Belle Époque se fizeram sentir, sobretudo no meio afrancesado das reuniões sociais: de um lado, os saraus em família, com música e jogos de salão; de outro as festas mais especificamente mundanas, com danças e cotillons, que realizavam os grandes clubes recreativos. A educação recebida pelas moças em colégios de orientação francesa e a própria influência do idioma francês em nossa literatura contribuíram também para que os usos e costumes parisienses se aclimatassem na alta roda e nos meios intelectuais.” [3] Foi nestas circunstâncias culturais que o compositor Ernesto Júlio de Nazareth apareceu. Nascido no bairro Cidade Nova, Rio de Janeiro, no dia 20 de março de 1863, Nazareth teve o primeiro contato com o piano através de sua mãe, Carolina Augusta da Cunha Nazareth, tida como excelente pianista [4]. Carolina Augusta, interpretava ao piano peças de Chopin, Beethoven, Arthur Napoleão e Martins Pinheiro [4, 5], vindo a despertar o interesse do jovem Ernesto, que lhe pediu que ensinasse as primeiras lições de piano [4], e com quem também aprendeu a arte do solfejo [6]. Em entrevista à Folha da Noite de São Paulo em 1924, o próprio Nazareth faz referência a sua mãe, quando seu virtuosismo ao teclado é mencionado: "É herança de minha mãe, que chegou a causar admiração aos professores da época, sem nunca ter tido mestres. Digo herança, porque também eu me fiz autodidata, e certo que por força das circunstâncias.” [4]. Uma das peças de maior dificuldade técnica que Carolina Augusta executava ao piano era o galop de bravura “O Raio”, de Martins Pinheiro, com muitos saltos de oitavas em ambas as mãos, fato este que marcou Nazareth já que o mencionou décadas depois [7]. Pinto [3] afirma que “Dona Carolina era boa pianista e certamente suas audições desempenhavam função importante nos serões e tertúlias daquela época”. Além de freqüentes saraus que comandava ao piano, Carolina Augusta, estimulava seus filhos a fazerem pequenas brincadeiras musicais, onde Nazareth, ainda muito jovem, acompanhava seus irmãos [L. A. de Almeida em entrevista, 8]. Este ambiente musical familiar, portanto, constitui a primeira referência musical na vida de Nazareth, que viria a influenciar também o seu gosto por músicas de salão e músicas de concerto de compositores europeus, em especial Chopin.

Nazareth. pois Ernesto já sabia mais que ele [4]. Scott Joplin é tido como um análogo de Ernesto Nazareth nos EUA devido ao uso similar que fazia das síncopes na mão direita.) se estendeu para muito além de sua cidade natal.. Madeira afirmou que seu aluno poderia seguir sozinho. incluindo influências creole. e amigo da família [4]. algumas construções pianísticas. Como será visto a seguir. Lambert. Eubie Blake e Artie Matthews. e pavimentou o caminho para o ragtime décadas depois [12]. “Gottschalk foi exposto a ritmos multiculturais em sua juventude. duas das composições de Gottschalk com elementos proto-ragtime mais conspícuos. após já ter composto cinco músicas. e nascera na verdade em Nova Orleans.2 Após o falecimento prematuro de sua mãe em 1873. é provável que a obra de Gottschalk e a cultura musical de sua cidade tenham exercido influência significativa na obra de Nazareth.). . Ernesto Nazareth teve oito aulas com um afamado professor de piano da época chamado Lucien Lambert. conheceu-o na juventude. que por sua vez evoluíram para o ragtime [13]. Starr [14] afirma que Ojos Criollos e Pasquinade. Um possível denominador comum para a similaridade observada é o compositor americano Louis Moreau Gottschalk (1829 . Louis Moreau e Lucien cultivavam uma rivalidade artística amigável como compositores e Copyright © 2008-2009 . 15]: “Lições só recebi oito em minha vida. EUA. que era negro [16].. Almeida (2007. as de um professor francês. depois disso. por volta de 1828. que. Gottschalk foi considerado um dos maiores pianistas americanos [11].) era contemporâneo de Gottschalk e. as progressões harmônicas. É interessante constatar-se que estas mesmas duas peças encontram-se no espólio de Ernesto [4]. Como afirma o ragtimer e historiador Bill Edwards [13]. como atesta Sullivan [16]. Lucien (. A literatura não fornece detalhes sobre este período. Como o creole branco Louis Moreau Gottschalk. nunca mais tive quem me ensinasse a tocar e muito menos a compor” [Folha da Noite. cujo filho. uma análise formal comparando os estilos dos dois compositores ainda não existe na literatura). comunicação pessoal) chama a atenção para um fato revelador: seu nome completo era Charles Lucien Lambert. Sendo da mesma cidade que Gottschalk. Nascido em Nova Orleans. citada em 4]. como mencionado por Nazareth em 1924 e na literatura subseqüente [3. funcionário do Banco do Brasil. latinas e negras”.1869). 2. Sua obra cheia de síncopes e com alta originalidade rítmica foi inspirada na música negra americana. viveu aqui no Rio de Janeiro. 8 de setembro de 1924.. 10]. com cerca de 11 anos. aprox. ou mesmo algum depoimento do professor. Até recentemente acreditava-se que Lambert fosse francês. Após um ano e meio de lições de piano (1874-1875. na verdade. podem ter exercido especial influência nos grandes compositores de ragtime como Scott Joplin.Alexandre Dias – Todos os direitos reservados. passou a ter aulas com Eduardo Madeira. No entanto. e o caráter de muitas peças (no entanto. Muitas das síncopes usadas em algumas de suas peças viriam à tona nos primeiros cakewalks mais de 40 anos depois. Também. pelo fato de ainda estarem sendo publicadas e vendendo bastante no período em que o ragtime nascia (final do século XIX).. tendo ambos aspirações artísticas em comum: “a carreira de Lucien (. Influências da música de salão européia e música negra de Nova Orleans A similaridade entre a música de Nazareth e o ragtime americano já foi apontada mais de uma vez [ver 9. como por exemplo o tipo de repertório trabalhado nas aulas. ele não poderia permanecer por muito tempo em Nova Orleans. durante a minha mocidade. de mesmo nome. pianista amador. também era pianista. Por volta de 1881.

)”. Tausig e Thalberg. Ernesto’. e não propriamente de aulas de piano. baladas e mazurcas e algumas peças avulsas como polonaises e valsas.. Lambert era compositor de peças de salão. a influência de Gottschalk é evidenciada pelas 30 partituras que constam no acervo de Nazareth [4]. Esta tradição pianística era muito apreciada em saraus da época. depois de fazerem carreira na Europa [16]. dentre os quais participaram Lucien Lambert pai e filho. . Durante as aulas particulares. mas também uma inclinação para o estilo pianola. é provável que Ernesto também tenha tido alguma orientação na arte da composição. e até mesmo questionada [20]. com pretensão virtuosística.Alexandre Dias – Todos os direitos reservados.3 pianistas virtuosos aspirantes” [traduzido a partir de 16]. torna-se crescentemente evidente que ele pode ter adquirido de Lambert não apenas seu amor por Chopin. A influência de Chopin sobre a obra de Nazareth é bastante citada na literatura [4.). Copyright © 2008-2009 .. conhecidas por sua dificuldade técnica. Ernesto provavelmente teve lições de técnica pianística com Lambert. 19]. Anton Rubinstein. além de transcrições operísticas de Liszt. 17. De fato. como sugere Lester Sullivan [16]: “agora que a música pianística de Nazareth está tendo um revival em gravações. sugere uma linha de influência de Lambert [pai] e Gottschalk até Nazareth (. Além disso. ambientadas na tradição do piano romântico. 15. O compositor com maior número de peças no acervo. E foi tudo.. pois este. Paderewski. Andrade [17] sintetiza as lições com Lambert do seguinte modo: “Quando principiou compondo. além de polcas e habaneras [3]. como caprichos. uso grandioso do piano com diferentes técnicas. Lambert. Embora ainda não existam análises formais na literatura comparando os estilos de Gottschalk e Nazareth. Como Gottschalk. Após se mudar com a família para o Brasil na década de 1860. Weber. Moszkowski. 4]. Bizet e Chaminade.‘Pinta as hastes das notas mais de pé. que repetiu-lhe oito vezes este conselho bom: . que. em conjunto com o exemplo de Gottschalk (. Isto talvez se relacione com o fato de as 32 sonatas de Beethoven para piano constarem no espólio de Nazareth [4]. e Nazareth pode tê-la herdado através das poucas aulas que teve com Lambert. é Chopin. A preferência musical de Nazareth por gêneros de salão do período romântico também é evidenciada por outras peças contidas em seu acervo [4]: obras de compositores europeus como Mendelssohn. tanto Gottschalk como Lambert vieram a residir no Rio de Janeiro. os fatos mencionados contribuem para evidenciar que a similaridade observada por muitos entre o ragtime e a obra de Nazareth pode ter suas raízes na influência que Gottschalk exerceu para ambos os lados. incluindo os conjuntos completos de estudos. Este fato sugere que Nazareth fora discípulo de composição de Lucien Lambert.)”. de modo a impressionar o ouvinte. ou mesmo entre o ragtime com os tangos de Ernesto. (. de fato se encontrou com o próprio Gottschalk durante as preparações para um dos recitais-monstro organizados por ele no dia 5 de outubro de 1869 para duas orquestras e trinta e um pianistas. porém só começou a ser examinada em detalhe em 2006 [59] em um análise que comparou valsas de ambos os compositores. esta frase é típica de aulas de composição. sendo o Grand Scherzo e o Tremolo duas peças de sua predileção. No entanto. mazurcas e valses brillantes. com um total de 105 peças. escreveu um compêndio em 1881 com uma coletânea de exercícios e estudos extraídos das Sonatas de Beethoven [3]. Como Verzoni [citado em 4] aponta. Posteriormente. executadas com freqüência por Ernesto [18].. somou umas oito lições com o prof.. Almeida [4] afirma que Nazareth quando tinha seis anos. além de conhecido por suas habilidades como professor [3.. e possivelmente o mais tocado por Nazareth. Lucien Lambert (pai) abriu uma loja de pianos e partituras [16] e posteriormente foi convidado por Arthur Napoleão a ser professor honorário do Instituto Nacional de Música [15].

28. por volta de 1870. E. Além das aulas que teve com sua mãe e seus dois professores. O piano foi o instrumento mais popular no Brasil na época de Nazareth. de Callado. Tamanha é a aproximação de Nazareth com ritmos e gêneros de cunho popular que sua obra foi e continua a ser amplamente gravada por conjuntos de choro e músicos populares [ver 22. XX eram publicadas em arranjos para piano [ver 33]. A música de Nazareth. a habanera. e à qual logo se incorporaram elementos da polca e do schottisch. cavaquinho e violão transportados para o piano Além do lado concertístico europeu mencionado. como esperado. E Nazareth ouvia estes músicos. Callado e Paulino Sacramento. estão situadas num plano muito superior ao das peças (algumas fizeram grande sucesso) deixadas pelos seus colegas de ofício”. ele deve ser considerado um ‘clássico’ da música brasileira nacionalista”. e composto por dois vilões. à tarefa de nacionalizá-los ao sabor da nossa sensibilidade”. Visto desse ângulo. fundado por Joaquim Callado. ao contrário. Ernesto afirmou que seus tangos foram influenciados pelo fato de ter ouvido muito as polcas dos chorões Viriato Figueira. mesclando-os com a habanera cubana. 23. há aquele que viria a moldar o espírito nacionalista em Nazareth. constatei que as obras de Nazareth. 25.4 Todos esses autores vieram a desempenhar um papel de importância na formação do estilo de composição de Ernesto Nazareth. como a valsa. Esta espécie de sincretismo começou a ser feita por músicos populares do Rio de Janeiro. No entanto. dos quais o mais famoso era o “Choro Carioca”. . Nazareth não passou por nenhum curso regular de música [15]. principalmente do ponto de vista pianístico. Em depoimento a um amigo. tudo que aprendeu foi em grande parte desenvolvido como autodidata a partir das músicas que estudava e ouvia. a polca. citado em 6]. 3. tendo o Rio de Janeiro recebido a alcunha de “Cidade dos Pianos” [3]. se assemelha ao início da primeira parte do Odeon.Alexandre Dias – Todos os direitos reservados. quase todas as músicas publicadas no final do séc. sendo que algumas possuem uma parte separada acrescida do canto com letra. sua obra se diferencia das demais. 27. Copyright © 2008-2009 . que foi introduzida no Brasil pelas companhias de teatro musicado europeu. Flauta. duas das danças de maior popularidade da época [30]. XIX e início do séc. desde as primeiras. Brasílio Itiberê [6] nota que a segunda parte da polca Flor Amorosa. a vontade de Nazareth transformar em linguagem pianística o que era tocado pelos conjuntos de choro. portanto. e sentiu desejo de transpor para o piano a rítmica dessas polcaslundús [depoimento a Oscar Rocha. como mencionado por Mignone [citado em 21]: “a sua obra serviu de padrão e modelo para os nacionalistas que viveram na época dele e depois. Esses músicos formavam conjuntos conhecidos como “choros”. Pinto [3] afirma que Ernesto “longe de ceder à sedução de imitar os modelos importados. como afirma Pinto [3]: “depois de examinar um grande número de peças publicadas por pianeiros famosos. constitui uma transfiguração dos ritmos importados da Europa. como será mencionado a seguir. 29 – discos compostos em grande parte por músicas de Nazareth]. Percebe-se aqui. que interpretavam de uma nova maneira a música dos salões da aristocracia brasileira [31]. 26. um cavaquinho e uma flauta [32]. a schottisch e a mazurca — entregou-se. 24. em especial os tangos brasileiros. A obra de Nazareth não foge a este padrão: suas 212 músicas foram compostas para piano solo.

. as músicas de Nazareth requerem substancial treino e preparo do intérprete. o pianístico mais particular de certas passagens (. Seus tangos brasileiros (assim como suas polcas) são hoje denominados “choros”. quartas e sextas alternadas. O caráter alegre com ritmos vivazes e melodias cativantes de muitas dessas peças pode ser o motivo que levou Renato de Almeida a afirmar que Nazareth na verdade compunha maxixes [15].”[citado em 4]. Nazareth explorava os vários recursos que o instrumento lhe oferecia. Andrade [17] esclarece: “não basta não a gente tocar piano pra compor obras pianísticas. como a de Radamés Gnattali. arpejos. Já Osvaldo Lacerda [em entrevista. preferindo a nomenclatura “tango brasileiro”. embora o próprio Ernesto considerasse este gênero “muito baixo” [citado em 17]. que se adaptam à anatomia da mão. há uma pequena e importante parcela da obra de Nazareth que se utiliza de outros gêneros.técnica aliada à qualidade musical . Nazaré (sic) não. 19. 34]. porém ao mesmo tempo influenciada por compositores-pianistas europeus e norte-americanos com requintes pianísticos e grande sofisticação gerou uma dificuldade para os pesquisadores o classificarem em erudito ou popular. O cultivo entusiasmado da obra chopiniana lhe deu. porém enaltece seus tangos brasileiros comparando-os às mazurcas de Chopin: “[guardando-se as devidas proporções]. De fato.. acordes. Tem [uma grande quantidade] de compositores dançantes que tocam piano e que nunca foram pianísticos.confere um potencial didático às obras de Nazareth no sentido de serem utilizadas para ajudar a desenvolver e aperfeiçoar os movimentos pianísticos”.)”.. Ernesto encontrou soluções pianísticas enormemente eficazes. No entanto. isto é. O lado erudito da obra de Nazareth Esta dualidade existente na obra de Nazareth representada por um forte cunho popular. além dessa qualidade permanente e geral que é a adaptação ao instrumento empregado. Nazareth teria feito no Brasil o que o Chopin fez na Polônia. e não devem ser confundidos com o tango argentino [ver 15]. Ao transpor para seu instrumento os diferentes planos musicais de uma roda de choro. para isto ver 15. Breve nota sobre gêneros Ernesto Nazareth compôs 90 tangos. “extrapola o conceito de popular e erudito”. oitavas consecutivas com saltos) e conclui que “essa unidade orgânica . 32. que elevou uma dança popular como a mazurca ao nível de grande arte” [8]. funcionando por vezes como verdadeiros estudos. Cazes [35] sintetiza a opinião de muitos ao afirmar que a obra de Nazareth.5 Este fator diferencial deve-se à linguagem pianística que Nazareth imprimia a suas peças. como se costuma observar na obra de grandes compositores-pianistas como Chopin. como será mencionado. e ainda é pouca explorada 4.Alexandre Dias – Todos os direitos reservados. Liszt e Schumann. 30. Cohen [31] fez uma análise das diferentes técnicas pianísticas utilizadas consistentemente por Nazareth (como repetição de notas. [não é objetivo deste texto entrar na discussão acerca da nomenclatura dos diferentes gêneros utilizados por Nazareth. Copyright © 2008-2009 . que revelem os caracteres e possibilidades do instrumento e tirem dele a natureza inicial da criação. Fazendo um uso apurado e original do piano. 17. 8] afirma que a obra de Ernesto é de caráter semi-erudito. Isto é confirmado por depoimento do próprio compositor: “duas coisas dão-me imenso prazer: uma pessoa a ouvir-me com reverência e um pianista “desconcertado” ao tentar transpor alguma dificuldade encontrada em minha música!. considerados em geral como a parte mais expressiva de sua produção musical. Sobre a arte de se “escrever pianisticamente”.. 41 valsas e 28 polcas [ver 32].

Brasílio Itiberê (Homenagem a Nazareth). após Nazareth assistir a um recital da famosa pianista brasileira Guiomar Novaes no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. 37. Mercêdes .Romance sem palavras (1ª Ed.p.). 51 e 52. 45. vindo a ter uma crise nervosa.Valsa brilhante (n. 1917). Mignone (Suíte Nazarethiana. 1900). mas também devido ao reconhecimento por parte de seus colegas compositores.). Nazareth de fato compôs um número de peças que podem ser chamadas de eruditas. ambas para serem tocadas apenas com a mão esquerda. 1878.). 43..Estudo para concerto. 1898).p. mais do que insinuar semelhanças com músicas de salão européias. 46.). ver 20 e cap. As músicas que se destacam mais claramente como pertencentes a esse grupo são: Andante Expressivo (não-publicado – n. as características que aproximam a obra de Nazareth à dos compositores considerados eruditos têm se mostrado bastante aceitas pelo crescente número de pianistas de formação clássica que o têm gravado em diversos países [ver 9.Valsa-capricho (1ª Ed.).19). Além disso.6 De fato.) como pertencente a um outro universo. Nazareth parece estar alcançando a posição de prestígio a que almejava no meio erudito não só devido ao grande número de pianistas que têm tocado sua obra em salas de concerto mundo a fora. 1899).). suas peças são hoje requeridas em concursos de piano (p. Análises formais sobre esta faceta da obra de Nazareth foram pouco exploradas na literatura até o momento [no entanto.Meditação sentimental (comp. V Concurso Nacional de Piano Maria Teresa Madeira) e em provas práticas para ingresso em curso superior de música. eventualmente mais ‘erudito’ ”. Porém chama a atenção também o desafio imposto pela Polca [ver 55] e a Elegia. Diniz [20] foi o primeiro a chamar a atenção para o valor das peças eruditas de Ernesto Nazareth.1). Elegia para Piano (para mão esquerda) (n.p. Também podem ser mencionadas as seguintes: Adieu . 41. em geral diferentes das encontradas em seus tangos. Lamentos . e Poloneza (n. 36.p. Porém.Alexandre Dias – Todos os direitos reservados.). mesmo que postumamente. .Mazurca de expressão (1ª Ed. Máguas . ex. Essa intenção transparece em um episódio ocorrido em 1930. 40. Com a exceção do Improviso .Valsa brilhante para piano (1ª Ed. Nocturno Op. como Villa-Lobos (Choros No. Improviso . Capricho (n. Phantastica . estrutura.) faz-nos imaginar que ele [a] encarasse (. p. eu seria uma Guiomar Novaes” [4]. 1922). ou técnicas trabalhadas.. Estas peças sugerem que Nazareth tinha pretensões de ser reconhecido como um compositor e pianista de música de concerto.p. 39. discos contendo exclusivamente músicas de Nazareth]. As de maior calibre por sua dificuldade e extensão são a Polonesa e o Capricho. depois de 1917) (n. Corbeille de Fleurs .1 (n. embora uma pequena parte delas tenha sido publicada. 44. 48. 7 de 19]. 50. 47.p.p.Meditação (n. e O Nome D’Ella Grande valsa brilhante (comp. repetia “se eu tivesse ido [estudar na Europa].p. 38. 1927). Diversos compositores eruditos prestaram homenagem a Nazareth através de peças dedicadas a ele..Estudo para concerto (1ª Ed. 42. Polca para mão esquerda (n. Quatro Choros) José Alberto Kaplan (Suíte Copyright © 2008-2009 . Marcha Fúnebre (Comp.) [ver 53 para a listagem de todas as composições de Ernesto Nazareth]. Verzoni [32] sugere que: “o fato de ter classificado o seu Noturno – peça de inspiração absolutamente chopiniana – como “opus 1”... Sobre o Noturno. 1926).Gavotte (1ª Ed. Elite-Club .. e após chegar a casa.p. (. e na segunda há trechos que remetem a Liszt.v. seja pelo gênero utilizado. valsas e polcas. Reescrita em 1886) (n. onde a primeira é uma referência clara à escola pianística de Chopin.p. Camargo Guarnieri (Ponteio No. Ernesto saiu durante o recital transtornado. 49. referindo-se a elas como um “reduzido grupo de composições de pretensão e anseios mais elevados”. & 1ª Ed. Dirce .). todas estas peças são raramente gravadas e algumas são inéditas em disco [54]. Porém.).) [após] mais de 120 peças publicadas (.

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