Confusões agrícolas

Por Hélio Tollini A história recente mostra que o agronegócio presta serviços importantes à sociedade brasileira.

Três deles são dignos de nota: a produção de excedentes comercias, a geração de empregos e o abastecimento de população crescente e mais urbanizada sem aumentos expressivos de preços. Parte importante do progresso e do aumento de bem-estar desfrutado pela população é resultado do que aconteceu com a agropecuária do país, que passou a contar com a ampliação de seu mercado e com a possibilidade de expansão da oferta. Isso vem ocorrendo há várias décadas, acentuando-se neste início do século 21. O crescimento populacional mundial ocorre, na maior parte, em países asiáticos em desenvolvimento. A Ásia é a região onde a expansão da população exigirá cuidado maior com o abastecimento alimentar. Não à toa, o Japão, há várias décadas, se preocupa em diversificar suas fontes de abastecimento alimentar, fomentando a produção em regiões com potencial produtivo. Fez isso com o Brasil, a partir dos anos 1970, apoiando o desenvolvimento do cerrado de forma explícita e firme. Está fazendo isso na África, região que explora recursos produtivos abaixo de seu potencial. A China também está presente na África, pela necessidade de conseguir terras agrícolas. Esse país apresenta grande complementariedade com o Brasil, pois tem enorme população e pouca área agrícola, enquanto o Brasil tem grande área agrícola em relação à população. O Brasil é importante potencial supridor de alimentos para o futuro da China. É claro que ela não permitirá que sua população dependa apenas de um país para sua segurança alimentar. Mas poderá ser importante mercado para o crescimento da atividade agropecuária no Brasil. Aqui começam as confusões. A primeira diz respeito àqueles que acham ruim as exportações brasileiras dependerem tanto de produtos agrícolas. Mas os demais setores da economia não estão proibidos de expandirem suas exportações. Não é necessário reduzir as exportações agropecuárias para que outros setores exportem mais. Outros setores precisam apenas de se tornarem competitivos no mercado internacional. Se há subsídios e outras formas de proteção indevidas no comércio mundial, o governo terá de lutar para defender os interesses comerciais brasileiros. Outra confusão diz respeito àqueles que gostariam de eliminar a grande agricultura e apoiar apenas os pequenos produtores. Não há explicação econômica para esse erro. Prejudicar o agronegócio é algo contrário aos interesses da sociedade. O bem-estar da população pobre dos centros urbanos precisa de um agronegócio forte. É o povo que precisa. O erro de lógica que cometem os que são contra o agronegócio, e que pode gerar altos custos para a sociedade, reside no fato de pensarem que apenas os produtores se beneficiam da expansão dos negócios. No caso da pesquisa agropecuária, é comum

Neste cenário. como o temor de que a quantidade disponível não seja suficiente para atender à demanda. o Brasil desponta como um dos países com maior potencial para atender às necessidades da demanda mundial de alimentos. sem prejuízo de sua capacidade de produzir energia renovável ou da conservação do meio ambiente. e expansão da agropecuária é importante fator de geração de empregos. Na próxima vez que alguém falar contra o agronegócio.pensar que a tecnologia beneficia apenas os produtores. retificar eventuais consequências de medidas contra o agronegócio tem alto custo. É contribuir para a redução do ritmo de progresso da população. como normais num regime democrático. sob diversos pretextos. Esse é um setor que tem reflexos na segurança do país. em alguns países. onde o agronegócio não é necessário. Reduzir a agricultura brasileira apenas aos pequenos produtores é eliminar o incentivo para a produtividade e a perspectiva de crescimento e progresso para os bons agricultores. provocando não apenas a elevação dos preços dos alimentos. Ações como as do MST. é propugnar por um sistema socioeconômico alternativo. Só que no exterior nenhum país "brinca" com a produção agropecuária. no Brasil e no exterior.D. A maior parte da pobreza está na zona urbana. as áreas antes destinadas à produção de alimentos vêm sendo utilizadas para produzir energia renovável. formado muito mais por . em economia e mestre em economia rural Os desafios do agronegócio Por Rogério Amato* Diversos estudos da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) e de outros organismos internacionais apontam como grande preocupação em relação aos próximos anos a dificuldade de produzir alimentos em quantidade suficiente para atender à população mundial crescente. foram absurdamente toleradas por muitos anos pelos governos. Esse desafio se torna ainda mais complexo porque. A aparente retração desse movimento parece decorrer de certo esvaziamento do seu "exército". As confusões acontecem há décadas. *Hélio Tollini Ph. o País passou a enfrentar o protecionismo de muitas nações desenvolvidas e também agressões internas de grupos ideológicos. não apenas na segurança alimentar. Além disso. É preciso que a população seja informada das alternativas e das perspectivas que cada uma delas oferece. Na medida em que a agropecuária brasileira começou a se destacar como um grande competidor no mercado internacional de grãos e carnes. Além disso. Criar obstáculos ao agronegócio é condenar a população brasileira a um nível menor de bem-estar. e baixar preços de alimentos é forma importante para reduzir a pobreza. No limite. Os maiores beneficiários são os consumidores. segurança alimentar depende de emprego. especialmente os de baixa renda. tenha certeza de que o raciocínio por trás dessa posição constitui ameaça aos interesses da população. de invasões de propriedades rurais e atos de vandalismo injustificáveis.

A tentativa de submeter os veículos de comunicação a um “controle social” é uma forma oblíqua de censura. Pelo contrário. que deveria ser o maior defensor do agronegócio por sua importância para o abastecimento interno e para a balança comercial.° 303/12 da AGU. a liberdade de imprensa. pretendem submeter a decisão do STF ao crivo das comunidades indígenas e da "sociedade civil". que. estabeleceu claros limites para as futuras demarcações de terras indígenas. Assim como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) se omitia. *Rogério Amato é Presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado De São Paulo (Facesp). que desencadearam campanhas nesse sentido no Brasil e no exterior. As pressões para a suspensão e para a posterior revogação da Portaria n. . que foram em grande parte absorvidos pelo mercado de trabalho em expansão e pelas transferências governamentais. da qual se intitulam representantes sem ter nenhuma legitimidade para isso. enquanto diminui a atuação dos "sem-terra". A Advocacia-Geral da União (AGU) ratificou esses limites com uma portaria. ganha corpo o movimento indigenista exatamente nas regiões de maior expansão da agropecuária. não sai em defesa do setor. ou até apoiava as ações do MST. com o indisfarçável propósito de mantê-la subjugada politicamente. praticadas por ONGs nacionais e estrangeiras. Obsessão por censura Por *Kátia Abreu A tentativa de submeter os veículos de comunicação a um 'controle social' é uma forma oblíqua de censura Nada conspira mais contra a democracia que a relativização de seus valores – entre eles (e sobretudo). para impedir a expansão desordenadadas reservas. vivem precariamente não por falta de terras. O agronegócio brasileiro enfrenta as graves deficiências da infraestrutura para competir no mercado mundial. Estranhamente. Em vez de receber estímulos para continuar ajudando a balança comercial do Brasil.trabalhadores urbanos desempregados. levando intranqüilidade e insegurança ao campo. ministro Menezes Direito. Não por coincidência. mas de assistência governamental. E. o ministro Luís Inácio Adams recentemente suspendeu a vigência da norma. o setor tem de enfrentar as constantes agressões que visam a enfraquecer o direito de propriedade. com invasões de propriedades por grupos de índios. em vez de melhorar as condições de vida dos índios. Após a polêmica demarcação da Reserva Raposa-Serra do Sol.que simplesmente reproduz as condicionantes estabelecidas pelo STF -. incentivados por organizações nacionais e estrangeiras. no geral. a Fundação Nacional do índio (Funai) se coloca na linha de frente do movimento pela ampliação das áreas indígenas. como a Funai parece não concordar com a portaria da AGU . elemento fundamental da economia de mercado. o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). o governo.

não exclui responsabilidade penal para quem dela abusa. O único controle democrático sobre a mídia é o que está na lei. Rede TV. reunidos na 42ª Assembleia Geral da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR). Há liderança. o exercício do contraditório. em regra apresentados como vilões e retrógrados. A uniformidade dos discursos preocupa. Liberdade. Record e SBT). Em face disso. mais especificamente no Código Penal. que é a liberdade de informação e expressão. esse controle é ainda uma proposta obsessiva de parte expressiva do PT. felizmente repelida pela presidente Dilma Roussef. acabará vazando pela internet e chegando ao público. que. quando da edição do III Plano Nacional de Direitos Humanos. ainda quando candidata. já havia sido tentada aqui. no Brasil. A propósito. empresários de rádio e televisão de diversos países sul-americanos. Se houver alguma informação alvo de sabotagem generalizada na mídia convencional – algo altamente improvável -. Não há uníssono na imprensa. já devidamente capitulados. países que se consideram democráticos. aprovaram o envio de missão especial à Argentina. arrostando riscos.que o dos produtores rurais. nada menos que cinco redes nacionais privadas (Globo. Não obstante. em pleno funcionamento. Os crimes decorrentes de seu uso indevido são três: injúria. além de TVs Educativas estatais e redes regionais. Hoje. que só pode ser quebrada mediante opção do telespectador. é uma trágica realidade. na Venezuela e no Equador. ponto central e recorrente dos questionamentos. como liderança popular emergente.No Brasil. para acompanhar a entrada em vigor. Todas as tentativas de enquadramento da imprensa. Bandeirantes. . naquele país. A imprensa é um termômetro: mostra a febre. que só convence a quem dele carece. e em franca desvantagem numérica. no entanto. Mas diz que os jornais lhe dão azia. com a internet. Outra lenda: o monopólio das TVs. Essa lei. o teor sofístico das sucessivas conferências de imprensa do PT. não se registra uma única declaração de suas instituições reclamando da imprensa ou pedindo restrição ao seu livre exercício. Nossa opção é democrática: o debate. é improvável que haja um segmento da sociedade brasileira tratado com mais severidade – e frequentemente com injustiça . em Montevidéu. resultaram numa mesma constatação: não é possível fazê-lo sem ferir o princípio básico da democracia. não há notícia que escape de divulgação. como é óbvio. O ex-presidente Lula mantém relações esquizofrênicas com o tema. com pequenas variantes. da Nova Lei de Meios. no final de outubro. Há. o que tornaria indispensável providenciá-los. que o combatem injustamente e coisas afins. o acolheu com entusiasmo. podem levar o infrator a sair do mercado. esquecido de que essas críticas convivem lado a lado. Na Argentina. os que reclamam da imprensa o fazem como se não estivesse submetida a limites legais. em síntese. com os que o louvam. sem contar as TVs por assinatura. há quatro anos. Já reconheceu diversas vezes que deve sua projeção política à imprensa. Mesmo assim. ainda ao tempo do regime militar. e geram reparações que. sobretudo quando se sabe que obedece a uma articulação continental entre grupos políticos hegemônicos que postulam um mesmo projeto: uma América do Sul socialista. no limite. Xingá-la. É esse. tornou-se parte de um curioso processo de catarse. ao longo da história – e não foram poucas -. nem a cura. calúnia e difamação. no dia 7 de dezembro. mas não a cria. Não há monopólio.

para toda a sociedade. maior transferência de renda e o acesso a bens e produtos de consumo. freando a alta de preços.Qualquer outra medida implica censura. E nas áreas onde ainda existem baixa produtividade. que abre barreiras. que permitiu o surgimento e o progresso de diferentes classes sociais. que faz da vida rural. Todo o processo de mobilidade social em nosso país. ainda não tem. em quantidade e qualidade. combinada com tecnologia. expulsar o arcaico da política.shtml Arcaico e moderno Por *Kátia Abreu Na revolução agrícola. à estabilização e barateamento dos preços de alimentos. uma novidade material e econômica. num passe de mágica. da economia.br/fsp/mercado/77150-obsessaopor-censura. Uma coisa é certa: nenhum dano decorrente da liberdade de imprensa é maior que os que ela ajuda a evitar. o que reduz o ímpeto do crescimento do Brasil. Mesmo quando a escassez de mão de obra no campo fez aumentar o seu custo. como em nenhum outro país do mundo.uol. E todo esse esforço combina. *Kátia Abreu. preservação ambiental com qualidade e quantidade dos alimentos produzidos. senadora (PSD/TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). ter a ilusão que pode. Só que essa verdade incontestável e estatisticamente demonstrável.folha. por desconhecimento da moderna revolução agrícola pela qual passa o nosso país. puderam viver melhor. crise de abastecimento e ameaça à estabilidade política. todos esses anos. É a sua alta produtividade. o domínio da tecnologia impulsionou a produtividade. a visibilidade simbólica que lhe faça justiça. ainda não sabem o que temos de mais promissor. se deve. por má-fé e apego aos mitos do país arcaico. urbanas e rurais. exclusão social e pobreza -de . Porque uns. Foram o acesso à tecnologia e a difusão do conhecimento científico aplicado à agricultura que evitaram. Leia o artigo completo: http://www1. uns não sabem o que temos de mais promissor e outros fingem não saber por má-fé A agricultura é a principal base de lançamento estratégico do país na competição mundial. escreve aos sábados nesta coluna.mas sim convencer gradativamente o país que o moderno deve assimilar o arcaico e torná-lo disfuncional e desnecessário.com. derruba preços e faz a vida melhor e mais barata. outros fingem não saber. Ao gastarem menos para alimentar as famílias. Muito precisa ser esclarecido sobre nossa maior vantagem comparativa e competitiva. da vida social. carestia. O desafio brasileiro não é a ruptura dos dois brasis -o novo. fundamentalmente.

uma das principais atividades econômicas do país.folha. O novo texto do Código Florestal é resultado de anos e anos de trabalho no Congresso e preenche lacunas na legislação.shtml Deixem o Brasil produzir e preservar Por Homero Pereira* O Brasil aumentou muito a sua produção rural preservando 60% do território. e a vida somente se ergue ao cume da civilização quando o espírito do homem é o parceiro dominante da relação -quando. E daí deriva uma certeza que incomoda os críticos do sucesso de nossa agricultura: o progresso na área rural é poupador de terra e fator de estabilidade ambiental. ele molda o meio ambiente de acordo com seu propósito ou "expressa" a si mesmo "imprimindo-se" sobre o mundo". escreve aos sábados nesta coluna. ainda mais os que financiam certas ONGs O Brasil está prestes a ter uma das leis mais importantes para o futuro do seu desenvolvimento socioeconômico. A vida social é a relação entre eles. em vez de ser moldado pelo meio ambiente. senadora (PSD/TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). capaz de democratizar o acesso à tecnologia e modernizar a agricultura familiar e as pequenas propriedades pode ser o principal fator de inibição do arcaico que ainda persiste em várias regiões. *KÁTIA ABREU. é fundamental para consolidar os ganhos da sociedade até aqui e criar condições para que continuemos a avançar. podemos dizer que tal realidade é o espelho da falta de difusão tecnológica. 50. Não é a área plantada que reflete a maior produtividade. O produtor rural tem sentido no dia a dia de sua labuta o gosto amargo da insegurança jurídica que ameaça a agropecuária. . a reorganização do sistema de assistência técnica. Leia o artigo completo: http://www1. que contemple. Uma política pública voltada para gerar e difundir tecnologia. O historiador e economista inglês Arnold Toynbee afirma que "existem dois fatores constantes na vida social: o espírito do homem e o seu meio ambiente.br/fsp/mercado/66331-arcaico-emoderno. entre outras medidas.com. A inteligência agrícola brasileira imprime ao país sua marca de sucesso. ou simplesmente preservar-se em tensão com o meio numa espécie de equilíbrio.propriedades e proprietários-. mas sim a tecnologia empregada. extensão rural e a criação de um órgão inteiramente dedicado a esse fim. respeitando a parte intocável do nosso território e preservando e mantendo fértil a parte que cultiva. É muito mais do que qualquer grande visionário de um mundo justo possa aceitar e compreender. Essa nova política pública. Nenhum país tem lições a nos dar.uol. com regras mais claras para o uso dos recursos naturais e garantias para a produção e a preservação ambiental.

9 para 166 milhões de toneladas.shtml .uol. o agronegócio representa 37% das exportações. * HOMERO PEREIRA. Não aprová-la agora representa um risco de retrocesso. Além disso. 57. 37% dos empregos e 23% do PIB. que é o segmento produtivo rural.folha. É importante realçar aqui que o aumento da produção de alimentos decorre muito mais por ganhos de produtividade do que por aumento da área plantada.com. principalmente aqueles que financiam as ONGs que andam por aí a nos ofender. em pesquisas. com o governo e a academia. o Brasil precisa de uma legislação ambiental condizente com os avanços do nosso desenvolvimento agrícola sustentável. com consequências desastrosas para toda a nação. Neste aspecto. A aprovação do novo Código Florestal também é uma oportunidade de mostrarmos ao mundo que o Brasil elaborou uma legislação moderna para fazer com que a produção agrícola e a preservação ambiental caminhem lado a lado. mantendo mais de 60% do território preservado. (entre as safras 1976/77 e 2011/12). numa justa e perfeita harmonia. Em 35 anos.3 para 50. promovendo campanhas contra o setor mais exitoso da nossa economia. em novas tecnologias e na adoção de sistema de produção ambientalmente corretos. na inovação. é deputado federal (PSD-MT) e presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária Leia o artigo completo: http://www1. de 37. além do emprego de técnicas de uso racional dos recursos hídricos e da adoção de práticas conservacionistas do solo.8 milhões de hectares. nenhum outro país do mundo tem lições a nos dar. resta-nos um apelo: deixem o Brasil produzir e preservar. Diante desse cenário. A produção registrou crescimento de 253%. de 46.A proposta dessa nova legislação ambiental reflete os intensos debates mantidos nas comissões da Câmara e do Senado em mais de 60 audiências públicas com a sociedade. Por tudo isso. o aumento da área cultivada cresceu apenas 36. Basta examinar os dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para comprovar.br/fsp/opiniao/65455-deixem-o-brasil-produzir-epreservar.2%. Que nação deste planeta apresenta números tão positivos? Esses números refletem o acerto da agricultura brasileira em investir no aumento da produtividade.

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