Lei nº 8.

112, de 11 de dezembro de 1990
Dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Título I Capítulo Único Das Disposições Preliminares Art. 1º Esta Lei institui o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias, inclusive as em regime especial, e das fundações públicas federais.

1. Âmbito de aplicação da Lei nº 8.112/90: 1.1. Lei meramente federal: A Lei nº 8.112/90 aplica-se apenas na esfera federal. Ou seja, é uma lei feita pela União para valer apenas no âmbito especificamente federal. É, portanto, uma lei meramente federal, e não nacional. Assim, não é obrigatória para Administração Estadual nem Municipal. No Distrito Federal, aplica-se a Lei nº 8.112/90, com diversas adaptações, mas apenas porque tal procedimento é determinado pela Lei Distrital nº 197. 1.2. Administração Direta: A Lei nº 8.112/90 aplica-se aos servidores da Administração Direta Federal, isto é, aos diversos órgãos que integram os três poderes (Ministérios, Tribunais, Casas Legislativas) e do Ministério Público da União. → Aplicação em concurso:
• (FCC/MPE-PE/Analista Jurídico/2006) O regime jurídico aplicado aos servidores públicos do Ministério Público é o estatutário. Gabarito: Correto.

1.3. Administração indireta federal: A Lei nº 8.112/90, ao estabelecer um regime jurídico estatutário, tem aplicação também aos servidores das pessoas jurídicas de Direito Público da Administração Indireta federal, isto é: autarquias e fundações públicas (de Direito Público). Nas empresas públi13

portanto. mas precisou garantir-lhes a qualidade. por delegação ou por privatização.João Trindade Cavalcante Filho cas. Podem ser citadas. ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). Quadro comparativo do regime de pessoal da Administração Federal Pessoa União (Administração Direta de qualquer dos Poderes e do Ministério Público) Autarquias Fundações Públicas de Direito Público Fundações Públicas de Direito Privado Empresas Públicas Sociedades de Economia Mista Personalidade jurídica Direito Público Direito Público Direito Público Direito Privado Direito Privado Direito Privado Regime Estatutário Estatutário Estatutário Celetista Celetista Celetista 1. sociedades de economia mista e fundações públicas de Direito Privado federais. das autarquias e das fundações públicas federais. Surgiram com o processo de desestatização (privatização). → Aplicação em concurso: • (Cespe/MS/Analista/2010) As empresas públicas e as sociedades de economia mista são entidades integrantes da administração indireta. entre outras: ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). 14 . ou porque já foram criadas sob esse regime especial (agências reguladoras. p. ANCINE (Agência Nacional de Cinema).).5. aos seus funcionários aplica-se o regime jurídico dos servidores públicos civis da União. ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). ANA (Agência Nacional de Águas). o regime de pessoal é celetista (privado).ex. ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).5. ANP (Agência Nacional do Petróleo e Hidrocarbonetos).1. ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). por meio do qual o Estado entregou à iniciativa privada. Podem ser basicamente de quatro espécies: 1. ou porque celebraram com o Poder Público um acordo para ampliar a autonomia que já possuíam. ANVISA (Agência Nacional da Vigilância Sanitária). Agências Reguladoras: são autarquias criadas com a função precípua de regular (fiscalizar e normatizar) a prestação de serviços públicos por concessionárias e permissionárias de serviços públicos. Gabarito: Errado. a execução de alguns serviços públicos. ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações). Autarquias em regime especial: São aquelas que possuem um maior grau de autonomia que as autarquias em geral.

ou então sob a forma de fundações públicas de Direito Público. nos termos do art.Lei nº 8. 5º. porém.112/90.5. escolhem os próprios dirigentes em votação direta.4.5. 1. 207. 21. AUTARQUIAS CORPORATIVAS.1. por disposição da própria Constituição (art. Tal disposição. CONFEA (Conselho Federal de Engenharia. e 22. etc. foi suspensa cautelarmente pelo STF na ADIn nº 2. possuem natureza 15 .717/DF (Relator Sydney Sanches) e no mérito da mesma Ação.986/00. REGIME DE CONTRATAÇÃO DE SEUS EMPREGADOS. por isso. São autarquias. então. o regime de pessoal que hoje vigora nas agências reguladoras é o mesmo que vale para as demais autarquias: o regime jurídico exclusivamente estatutário (após a decisão do STF na ADIn nº 2. Conselhos Profissionais e de Classe: CFM (Conselho Federal de Medicina). o regime deve ser obrigatoriamente estatutário. o são em regime especial. 1º). O regime jurídico também será necessariamente estatutário. A atividade de fiscalização do exercício profissional é estatal. Em ambos os casos. nos termos dos arts. XXIV. Universidades: gozam de maior autonomia. considerando que o regime jurídico nos conselhos profissionais deve ser obrigatoriamente estatutário: → Jurisprudência: “DIREITO ADMINISTRATIVO. 1. Agências Executivas: são autarquias ou fundações públicas que conquistam maior autonomia administrativa ao celebrar com o poder público um contrato de gestão.135).1. da CF. As Universidades Públicas são criadas ou como autarquias. INCIDÊNCIA DA LEI N.5. criadas pelo Estado por meio de lei. Recentemente (dezembro de 2010). CONSELHOS DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. motivo pelo qual as entidades que exercem esse controle têm função tipicamente pública e. §8º. XIV. Assim. Arquitetura e Agronomia). no mesmo sentido firmado pelo STF. Quando criadas sob a forma de autarquias. 1. 1.3.5. por exemplo. o regime de pessoal será estatutário. que “Dispõe sobre a gestão de recursos humanos das Agências Reguladoras e dá outras providências”. Regime celetista nas agências reguladoras: A Lei nº 9. Como autarquias que são.4. NATUREZA JURÍDICA. da Constituição Federal. XIII. o STJ reafirmou sua jurisprudência.1. Nesse sentido decidiu o STF na ADIn-MC 1. 8. 37.112. previa a adoção do regime celetista nas citadas agências (art.310 e depois revogada pela Lei nº 10. 1.5. mas cuja gestão é feita pelos pela própria categoria profissional. caput).871/04. O STJ considera que o regime nos Conselhos Profissionais deve ser exclusivamente estatutário. de 11 de dezembro de 1990 1. uma vez que.2.

9. incidindo no caso a ressalva contida no julgamento da ADI n. da Lei n. 8. DJe de 06. 19/98. Esse entendimento não se aplica a OAB. foi suspensa a vigência do caput do art. 7.2010). ressalvadas as situações consolidadas na vigência da legislação editada nos termos da Emenda Constitucional n. 6. 16 . As autarquias corporativas devem adotar o regime jurídico único.026/DF. O § 1º do art. Entretanto. Com a Lei n. para afirmar que seus contratos de trabalho são regidos pela CLT. 253 da Lei n. autárquica e fundacional. (. 19/98 extinguiu a obrigatoriedade do Regime Jurídico Único. a obrigatoriedade de adoção do regime jurídico único. Posteriormente. 2. Dessa forma. após todas as mudanças sofridas. com a redação atribuída pela EC n. o regime jurídico estatutário não é extensivo: a) às fundações de direito público. afastando a possibilidade de contratação em regime privado. o legislador buscou afastar a sujeição das autarquias corporativas ao regime jurídico de direito público.João Trindade Cavalcante Filho jurídica de autarquia.112/90 regulamentou o disposto na Constituição.. 58 ficou prejudicado. ao examinar a constitucionalidade do art. O exame do § 3º do art. OAB não faz parte da Administração Pública.6. 3. para a administração pública direta. o Supremo Tribunal Federal. subsiste.” (STJ. 8. d) aos Estados e Municípios.135/DF. no julgamento da medida liminar na ADI n. § 1º. na ADI n.906/96. julgou inconstitucional o dispositivo que tratava da matéria. c) às empresas públicas. 19/97. 1. por isso o seu regime de pessoal é puramente celetista. fazendo com que os funcionários celetistas das autarquias federais passassem a servidores estatutários.135 MC/DF.) 3. sujeitando-se ao regime jurídico de direito público. 2. Relator Ministro Jorge Mussi.12. Recurso especial provido para conceder a segurança e determinar que os impetrados.717/DF. Gabarito: C. REsp 507. ressalvadas as situações consolidadas na vigência da legislação editada nos termos da emenda declarada suspensa.536/DF. e) ao Distrito Federal. 8. 5. 4. 5ª Turma. pois no julgamento da ADI n.. na medida em que a superveniente Emenda Constitucional n. 39 da Constituição Federal. b) às autarquias. 1. com exceção da OAB. 79. tomem as providências cabíveis para a implantação do regime jurídico único no âmbito dos conselhos de fiscalização profissional. Precedentes do STJ e do STF. → Aplicação em concurso: • (FGV/Ministério da Cultura/Analista de RH/2006) Nos termos da Constituição. o Excelso Pretório afastou a natureza autárquica dessa entidade.649/98.

que é autônoma e independente. Diferenças entre os dois regimes de pessoal: No regime celetista. a Lei nº 8. Por fim. a OAB não está sujeita a controle da Administração. Não é uma autarquia.09. DJ de 29. (…) Embora decorra de determinação legal. os servidores estatutários assinam termo de posse (e não contrato de trabalho.1. cujas características são autonomia e independência. 2. como os celetistas). não pode ser tida como congênere dos demais órgãos de fiscalização profissional. o celetista tem direito a FGTS. categoria ímpar no elenco das personalidades jurídicas existentes no direito brasileiro. Pleno.112/90. 5. 9. as regras são estabelecidas na CLT. da Constituição do Brasil ao caput do artigo 79 da Lei n.2006.Lei nº 8. 31. o regime estatutário imposto aos empregados da OAB não é compatível com a entidade. A Ordem é um serviço público independente. Ademais. Incabível a exigência de concurso público para admissão dos contratados sob o regime trabalhista pela OAB.”. Relator Ministro Eros Grau. STF. → Jurisprudência: “(.112. de 11 de dezembro de 1990 Segundo o STF. p. Logo. 10. 4. 17 . ao passo que o regime estatutário tem suas normas previstas numa lei específica (o estatuto) – no caso federal. nem a qualquer das suas partes está vinculada. Relator Ministro Eros Grau). ADIn 3026/DF. que determina a aplicação do regime trabalhista aos servidores da OAB. → Aplicação em concurso: • (PGE/RJ/Técnico Superior/2009) Se houver consenso entre os servidores públicos estatuários e a Administração Pública a qual se subordinam são juridicamente admitidas alterações no regime jurídico que os vincula. Regimes jurídicos: podem ser contratados agentes pelo Estado por meio do regime celetista (emprego público) ou estatutário (cargo público).. e o regime vigente é totalmente privado (celetista). A OAB não está incluída na categoria na qual se inserem essas que se tem referido como "autarquias especiais" para pretender-se afirmar equivocada independência das hoje chamadas "agências".906. Improcede o pedido do requerente no sentido de que se dê interpretação conforme o artigo 37. (…) A Ordem dos Advogados do Brasil. nem mesmo integra a Administração Pública: é uma entidade sui generis. a OAB não se vincula nem à Administração Direta nem à Indireta (ADIn 3026/DF.) A OAB não é uma entidade da Administração Indireta da União. 2.. mas não faz jus à estabilidade. Por não consubstanciar uma entidade da Administração Indireta. inciso II. 8. não precisa realizar concurso público para a contratação de seu pessoal.

2. ainda mais após a decisão do STF na ADIn 2135MC. mesmo antes da decisão do STF na ADIn 2135MC/DF (com base em Celso Antônio Bandeira de Mello). por exemplo. por meio de lei. na firme jurisprudência do STF (Por exemplo: STF. DJe de 26. O regime estatutário caracteriza-se pela fixação unilateral das regras pela Administração Pública. os servidores que ainda possuíam períodos de licença não gozados continuaram a tê-los. que as funções típicas de Estado devem ser providas exclusivamente pelo regime estatutário.João Trindade Cavalcante Filho Gabarito: Errado.2010). Por isso o STF considera inconstitucionais regras de negociação coletiva entre a Administração Pública e seus servidores estatutários: ADIn 492/DF. Gabarito: Errado. Não há direito adquirido a regime jurídico. segundo os critérios discricionariamente normatizados.411-AgR/CE. o regime tem que ser obrigatoriamente estatutário.2. → Aplicação em concurso: • (Cespe/MS/Analista/2010) Observadas as garantias constitucionais. 2.3. Se a função é típica de Estado.527/97 extinguiu a licença-prêmio por assiduidade. quando a lei n.11. → Aplicação em concurso: • (TJDFT/Juiz Substituto/2007 Aseleção por concurso público para o desempenho de atividades exclusivas do Estado pode suprir vagas sob o regime celetista ou estatutário. Primeira Turma. Relator Ministro Carlos Velloso. • (ESAF/PROCURADOR/FORTALEZA/2002) A garantia do direito adquirido impede a alteração do regime jurídico dos servidores públicos por meio de lei. Não há direito adquirido a regime jurídico. Assim. RE 482. a elaboração de novos planos de carreira e a inovação no regime jurídico dos agentes administrativos estão sujeitas à valoração de conveniência e oportunidade da administração pública. mas não puderam invocar direito adquirido às regras de aquisição da licença para continuarem conquistando outros períodos. 9. não possuindo o servidor a ela estatutariamente vinculado qualquer sorte de direito adquirido a enquadramento diverso daquele determinado legalmente. Regime estatutário e funções típicas de Estado: A doutrina majoritária sempre defendeu. Gabarito: Correto. 18 .

19 . Porém. Entretanto. o efeito prático da decisão é apenas um: não poderão ser editadas novas leis que modifiquem o regime jurídico dos servidores. trata-se de decisão liminar (provisória). Pleno.135/DF – VOLTOU A EXISTIR A OBRIGATORIEDADE DO REGIME JURÍDICO ÚNICO. foi promulgada a Lei nº 9. a subsistência.Lei nº 8. pois obteve apenas 298 votos e não os 308 necessários. da CF. ressalvando-se. (…) Pedido de medida cautelar deferido. desde que seja por meio de lei. o então vigente caput do art. Relatora para o Acórdão Ministra Ellen Gracie). caput.112/90 trata do regime de cargo público (regime estatutário). incompatível com a figura do emprego público. em decorrência dos efeitos ex nunc da decisão.112. que falava em regime jurídico único. o STF declarou inconstitucional (em sede de cautelar. Autárquica e Fundacional a partir da decisão na ADIn-MC 2. dessa forma. pela EC 19/98.1. que VOLTOU A SER OBRIGATÓRIO para a Administração Direta. foi revigorado o antigo dispositivo. 3. Pode haver alteração do regime jurídico. e ficou determinado expressamente na decisão do STF que as leis editadas com base na nova redação continuam válidas.135. da validade dos atos anteriormente praticados com base em legislações eventualmente editadas durante a vigência do dispositivo ora suspenso” (STF. nem no âmbito federal nem no estadual/ distrital nem municipal. 39. da CF). em dois turnos de votação em cada Casa. 39 da Constituição Federal. “A matéria votada em destaque na Câmara dos Deputados no DVS nº 9 não foi aprovada em primeiro turno. Com isso. de 11 de dezembro de 1990 Gabarito: Errado. com base nisso.135/DF: a volta da obrigatoriedade do regime jurídico exclusivamente estatutário nas pessoas jurídicas de Direito Público. no julgamento da ADIn nº 2. 39. 60 da CF). Assim. 3. como manda o art. Decisão do STF concedendo a medida cautelar na ADIn 2.962/00. assim. caput. tornou-se possível às autarquias (e pessoas de Direito Público em geral) admitir empregados públicos (celetistas). 39. Manteve-se. já que não há direito adquirido a regime jurídico. A Lei nº 8. que tratava do regime jurídico único. quanto ao caput do art. em virtude de vício formal (o texto não foi aprovado por 3/5 na Câmara e no Senado. A partir da EC 19/98 (que. isto é. entre outras coisas. deu nova redação ao art. ADIn 2135-MC/DF. até o julgamento definitivo da ação. numa decisão provisória) a nova redação dada ao art.

que dispõe: “Reputa-se agente público. agentes delegados. portanto.1. Conceito legal de agentes públicos: O conceito legal de agentes públicos é encontrado no art. agentes administrativos. designação. contratação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. antes da EC 19/98) Vigência da EC 19/98 Situação após a decisão na ADIn 2135-MC/DF Apenas estatutário (regime jurídico único) Apenas estatutário (regime jurídico único) Estatutário ou Apenas Estatuceletista (esse estatutário tário ou último vedado para (regime juríceletista as carreiras típicas dico único) de Estado) Estatutário ou Regime jurídico Apenas Estatuceletista (esse úlnas autarquias e estatutário tário ou timo vedado para fundações públicas (regime juríceletista as carreiras típicas de Direito Público dico único) de Estado) Regime jurídico nas empresas ­ públicas CeletisCeletista Celetista es ­ ociedades de ta economia mista Celetista Art. 1. exercendo uma função pública. 2º Para os efeitos desta Lei. ainda que transitoriamente ou sem remuneração. Trata-se de conceito extremamente abrangente. que atinge qualquer pessoa física que atue em nome do Estado. mandato. por eleição. todo aquele que exerce. particulares em colaboração (inclusive agentes credenciados) e até mesmo agentes de fato (putativos). 2º da Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8. 1. para os efeitos desta lei. servidor é a pessoa legalmente investida em cargo público. nomeação.429/92). 20 . Conceito de agentes públicos: São todas as pessoas que atuam em nome do Estado. os agentes políticos.João Trindade Cavalcante Filho Quadro comparativo entre as várias “etapas” da vigência dos regimes jurídicos de pessoal Antes da CF/88 Regime jurídico na Administração Direta CF/88 ­(redação ­original. emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior [entidades da administração indireta e Administração Direta]”. Engloba. cargo.

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