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Mapeamento temático, utilizando os livros de Xenofonte, Ciropedia, e Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, destacando a visão de alteridade presente em ambos

os autores.
Xenofonte em seu livro Ciropedia, narra à educação e os feitos de Ciro, filho Mandane e Cambises, rei dos persas, e neto de Astíages, rei dos medos, posteriormente Ciro vai se tornar rei da Pérsia e da Média, ambos fundidos em um só e chamados de império Persa. Em Ciropedia, vemos exaltados os valores de Ciro, essa exaltação seria um respaldo de Xenofonte a atitude de Atenas em condenar Sócrates à morte por ingestão de cicuta e pelo o modelo educacional da sociedade Persa se assemelhar ao de Esparta, cidade estado grega onde Xenofonte se radicou após a morte de Sócrates, dessa forma podemos perceber que Xenofonte exalta os valores educacionais de Ciro, na tentativa de elogiar o império Persa e Esparta as quais já infligira derrotas militares a Atenas. “Ao mesmo tempo lhe mandou trazer carnes de feras e de animais domésticos. [...] Acaso me dais, avo, tão grande abundância de carnes para que eu faça delas o que quiser? Ouvindo uma resposta afirmativa, Ciro principiou a distribuí-las pelos criados de seu avô.” (Página-36, Ciropedia, Xenofonte.) [Nesse excerto podemos ver que Xenofonte destaca o caráter benevolente de Ciro, pois ele oriundo da Pérsia onde fora ensinado a saciar sua fome com pão e água, se depara com uma refeição Meda, muitas iguarias e carnes, diferente da alimentação Persa, dessa forma seria esperado o que o egoísmo se apoderasse do menino, pois seria natural que ao ver tantas carnes e iguarias Ciro tentasse deglutir todas, mas a reação do menino fora diferente, Xenofonte ‘exalta’ a atitude de dividir o alimento (As carnes dadas a ele pelo seu avô) com os criados de Astíages (Seu avô), tais divisão fora feito de acordo com os serviços prestados para com Ciro, dessa forma fica explícito que Ciro sabia lembrar-se de quem fora fiel ao mesmo.] Xenofonte não só destaca as atitudes de Ciro, mas a educação Persa e Meda como um todo, a Persa ele destaca nos valores da justiça e a Meda, de forma ‘menor’ na arte da equitação, esse destaque se é mostrado de forma exemplar quando é chegada a

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hora do retorno de Ciro e Mandane para a pérsia, Ciro decide ficar com o pretexto de que as terras Medas de seu avô seriam referência na arte da equitação. “Mas meu filho – Tornou a mãe – como hás de aprender aqui a justiça, estando lá os mestres.” (Página-39, Ciropedia, Xenofonte) [Podemos ver o destaque dado à justiça persa, pois ao ‘permitir’ que Mandane afirmasse que na Pérsia era onde se encontravam os mestres da justiça, Xenofonte excluí ‘outras localidades’, ao ser indagado sobre seus ensinamentos sobre a justiça, Ciro responde a mãe com respeito e extrema destreza, destacando que ele já era versado na justiça, Ciro cita exemplos e convence a mãe, dessa forma Ciro é apresentado com o caráter de um homem justo, mesmo ele ainda sendo uma criança.] “E se aqui me deixardes, e eu aprender a andar a cavalo, quando for a Pérsia parece-me que hei facilmente de exceder esses mesmos nos exercícios pedestres.” (Página-39, Ciropedia, Xenofonte) [como já havia mencionado, Ciro fica na Média para prender a arte da equitação, dessa forma Xenofonte alia a Média e a Pérsia como sendo contribuintes na formação de Ciro, a Pérsia com a Justiça e a Média com alguns ensinamentos militares, se pode afirmar que Ciro é educado pela ‘fusão’ dos ensinamentos medas e persas.] Tucídides narra a guerra do Peloponeso, conflito marcado em especial pela disputa entre as duas maiores cidades da Hélade, Atenas e Esparta, diferente de Xenofonte, Tucídides da destaque aos costumes da Hélade, mas em especial Atenas, dessa forma Tucídides se põe a elogiar os costumes atenienses e suas atitudes. “Os atenienses, todavia, estavam entre os primeiros a desfazer-se de suas armas e, adotando um modo de vida mais ameno, mudaram para uma existência mais refinada.” (Página-04, História da Guerra do Peloponeso, Tucídides) [Se é perceptível o destaque que Tucídides dá a atitude de Atenas em abandonar as suas armas, o mesmo ainda afirma que Atenas mudou sua existência para uma mais refinada, dessa forma é perceptível o olhar de alteridade que Tucídides tem com relação às demais cidades gregas.] Tucídides diferentemente de Xenofonte não elege um homem para ser modelo de educação ideal, que no caso de Xenofonte é Ciro, para Tucídides o destaque deve vir para um povo por inteiro, que no seu caso é Atenas, essa exaltação dar-se na sociedade ateniense ou durante os feitos militares no período que corresponde à segunda

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metade do século V a.C, tal período concerne à guerra do Peloponeso, travada entre Atenas e Esparta, cujo qual o autor se propõe a relatar. “Seja como for, não sendo cidade centralizada, não possuindo templos e edifícios suntuosos, mas sendo composta de aldeias à antiga maneira da Hélada, ela parecia muito inferior. Se fossem, porém, os atenienses que sofressem a mesma sorte, pelo aspecto exterior da cidade, ser-lhe-ia atribuído um poderio equivalente ao dobro do que realmente têm” (Página-15, História da Guerra do Peloponeso, Tucídides) [Nesse excerto podemos ver que Tucídides minimiza e critica a cidade de Esparta, e ainda diz que se Atenas tivesse tido a mesma sorte teria o dobro do poder que a mesma possui. Dessa forma Tucídides deixa implícito que os atenienses é que tornam a cidade grande e forte, pois Esparta tem um território favorável e não utiliza-se dele por completo.] “A causa mais verdadeira, embora menos declarada, é, penso eu, que os atenienses, tornando-se poderosos, inspirariam temor aos Lacedemônios e os forçaram a lutar” (Página-33, História da Guerra do Peloponeso, Tucídides) [É possível ver nesse excerto que Tucídides põem a ‘culpa’ da guerra na inveja que os espartanos teriam dos atenienses, pois ao afirmar que os atenienses se tornaram mais poderosos e dessa forma os espartanos se viram obrigados a lutar, ele da destaque a inveja (medo, precaução) que os espartanos teriam de Atenas, tal afirmação se torna superficial, pois não nos fora apresentado os motivos que verdadeiramente levaram a Atenas e Esparta deflagrarem guerra.] Na leitura de Xenofonte, Ciropedia, e Tucídides, História da Guerra do Peloponeso é perceptível um olhar de alteridade, o eu no outro, pois ambos os autores elegem cidades com quem em especial se identificam e dialogam positivamente. Em Ciropedia, Xenofonte destaca a educação de Ciro, como sendo o ponto principal de sua narrativa, fica implícito que para Xenofonte Atenas não seria modelo de cidade, pois o mesmo nascendo lá e se educando na mesma não fora favorável as imposições da cidade, dessa forma, implicitamente, Xenofonte articula a educação de Ciro com o modelo educacional espartano, ficando implícito que entre Atenas e Esparta a preferência de Xenofonte será por Esparta. Tucídides em sua obra, História da Guerra do Peloponeso, deixa abertamente sua visão favorável a cidade grega de Atenas, em vários excertos da obra mostrados

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podemos ver que entre Atenas e Esparta, Tucídides elege Atenas como sendo ‘superior’ a Esparta, chegando ao extremo de afirmar segundo a opinião dele que o conflito do Peloponeso foi deflagrado por inveja de Esparta para com Atenas. Em ambos os livros podemos ver um olhar de alteridade entre os mesmos, pois para Xenofonte o melhor modelo educacional é o da Pérsia (fica implícito, Esparta) e para Xenofonte, o modelo de cidade ideal é Atenas, para que se possa confirmar a sua opinião, cada autor critica o outro e se elogia, caracterizando a visão de alteridade, o eu no outro.

Universidade Federal de Campina Grande – UFCG
Aluno: Rafael Oliveira Sousa Disciplina: Antiga Ocidental Professora: Marinalva Vilar de Lima Monitora: Edinete

Mapeamento temático, utilizando os livros de Xenofonte, Ciropedia, e Tucídides, História da Guerra do Peloponeso, destacando a visão de alteridade presente em ambos os autores.

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