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MARIA: “MÃE DE DEUS” E “MEDIANEIRA”

BELINI, L. A. . Maria: "Mãe de Deus" e "Medianeira". SERVINDO, Campo Mourão, p. 6, 01 out. 2006.

Pe. Luiz Antonio Belini Pároco de Quinta do Sol Nós católicos temos uma devoção muito especial por Maria. Em outubro temos a festa de Maria como a Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, a padroeira do Brasil. Muitos foram os nomes e os títulos dados carinhosamente a ela na história destes dois mil anos de cristianismo. Entre eles, dois em particular merecem ser lembrados pela sua importância, mas também pelo seu significado polêmico: Maria Mãe de Deus e Maria Medianeira de todas as graças (este último apareceu no mês de agosto em um folheto litúrgico comum em nossas paróquias, gerando alguns questionamentos, razão deste artigo). É preciso entender desde logo que toda a atenção devotada a Maria está relacionada à sua maternidade para com Jesus Cristo. Isto significa que toda Mariologia (reflexão teológica sobre Maria) tem seu fundamento último na Cristologia (reflexão teológica sobre Cristo). Ou seja, os títulos dados a Maria adquirem sentido somente à luz de Cristo. Na oração da Ave-Maria rezamos: “santa Maria, mãe de Deus”; também na Oração Eucarística rezamos: “Enfim, nós vos pedimos, tende piedade de todos nós e dai-nos participar da vida eterna, com a Virgem Maria, Mãe de Deus...” (Oração Eucarística II). O título Mãe de Deus foi dado a Maria já nos inícios do cristianismo. Sinal disso pode ser a saudação de Isabel a Maria: “Como posso merecer que a mãe do meu senhor venha me visitar?” (Lc 1,43). A arqueologia tem descoberto também resquícios com este título já na Igreja primitiva. Em grego, theotokos que significa literalmente: “que dá à luz Deus”. Este título foi oficializado pelos Concílios de Éfeso (431) e de Calcedônia (451). Embora quando o Concílio de Éfeso o definiu queria defender a fé em Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus (seu contexto é, na verdade, mais cristológico que mariológico). Mas com este título não se quer dizer que Deus como Deus tenha mãe, neste caso ela também seria divina. O que se quer dizer é que Jesus é o Filho (segunda pessoa da Santíssima Trindade), verdadeiro Deus encarnado e, portanto,

posteriormente. Mas não que Maria tenha gerado o Deus Trino. pode-se consultar também o número 495). Bernardo de Claraval a denomina “mediadora da salvação”. Embora possamos pedir a intercessão também de Maria. Mediadora (ou medianeira) significa que passa por meio dela. mas porque é dela que ele tem o corpo sagrado dotado de uma alma racional. se diz que o Verbo nasceu segundo a carne” (DS 251. um dos maiores teólogos da Igreja Católica escreveu a este respeito: “sobre este conceito [Maria “medianeira de todas as graças”]. unido ao qual. Basta uma citação bíblica: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo” (1Tm 2. o papa diz que Maria é “mediadora junto ao mediador”.. em 22 setembro de 1896. com a Encíclica Fidentem piumque. Por isso foi chamada de mediadora de todas as graças. a Igreja não tomou ainda uma posição magisterial. na história encontramos desde muito cedo alguns testemunhos. Em todo caso. O papa Leão XIII se pronunciou a este respeito em 22 de setembro de 1891 com a Encíclica Octobri mense e. como também sobre a realidade que este exprime. não porque o Verbo de Deus tirou dela a sua natureza divina.”. ou seja. que intercede por nós. Papel que vai se ampliando. dentro do espírito de sua época. Já no século IV Maria tem um papel na intercessão pelas virgens. Na oração da Salve Rainha a chamamos de “advogada nossa”. explica assim: “Mãe de Deus. O único meio de chegar ao Pai é Jesus. Karl Rahner.Maria enquanto mãe de Jesus. Unido a esta compreensão de Maria como Mãe de Deus está a posição privilegiada que ela ocupa na história da salvação. O Concílio Vaticano II praticamente não se pronunciou a este respeito. pode ser chamada de Mãe de Deus. O que com isto se quer dizer é que não se pode confundir a mediação de Jesus com aquela atribuída às vezes na Igreja por Maria. A própria palavra maternidade não pode ser aplicada a Maria em seu significado simplesmente biológico. que é eficaz por si mesma. A mediação de Maria pode ser geralmente entendida à medida da intercessão dos santos no céu pela comunidade dos santos sobre a terra: não pode comparar-se à mediação de Cristo. na sua pessoa. o Concílio de Éfeso já citado. Quanto à aceitação de uma mediação de Maria. mas deve considerar-se como humilde pedido de ‘ajuda’. Também aqui é importante entender bem. João Paulo II em sua Encíclica Redemptoris Mater usa expressões como “mediação maternal” ou “participada e subordinada”. citado pelo Catecismo da Igreja Católica 466. Dizer que Maria é Mãe de Deus significa dizer que Jesus é verdadeiramente homem sendo Deus.5). . Nesta última. O único mediador é Cristo..