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NATAL: “e o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14

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BELINI, L. A. . Natal: "e o verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1,14). SERVINDO, Campo Mourão, p. 6, 10 dez. 2007.

Pe. Luiz Antonio Belini Pároco de Quinta do Sol O natal é apara nós uma grande festa. Comemoramos o nascimento de Jesus. Há uma mobilização em torno dessa festa. Nossas Novenas de Natal buscam justamente dar vida a ela, re-memorando a riqueza de seu significado, unindo as famílias e a vizinhança em torno dessa mensagem de esperança: Jesus, nosso salvador fez-se homem e desde dentro de nossa humanidade nos resgatou para o Pai. É comum em propagandas e em felicitações ouvirmos que ela seja a maior festa cristã. Mas não é. Nem a maior, nem a primeira. Somente o mundo contemporâneo popularizou a festa de aniversário de nascimento. No mundo antigo isto estava reservado aos nobres. Hoje, pelo contrário, causa estranheza encontrar alguém que não saiba o dia de seu nascimento e não o celebre de alguma forma, mesmo que da maneira mais simples. A primeira e maior festa cristã é a páscoa! A Igreja nasce da festa pascal: Jesus Ressuscitou! Está vivo, aleluia! É o querigma. O primeiro anúncio. O anúncio fundamental. E a páscoa (passagem) de Jesus foi apresentada como a verdadeira e definitiva páscoa. A verdadeira passagem para a vida. Contraposta à páscoa judaica que celebra a libertação da escravidão do Egito e o “nascimento” do povo hebreu como povo de Deus na aliança mosaica. À luz da ressurreição de Jesus, os cristãos “re-leram” sua história. Assim, os evangelhos não querem simplesmente ser uma biografia de Jesus, mas interpretar Jesus para nós. Em outras palavras: os evangelhos nos apresentam Jesus tal como Ele é para nós. As notícias biográficas ficam em segundo plano. Não porque elas não sejam interessantes, mas porque esta não era a preocupação primeira dos evangelistas. Assim, o natal não é simplesmente o nascimento de uma criança. O natal é a festa da encarnação: “e o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Deus assumiu a condição humana. Esvaziou-se de sua condição divina. Nos amou tanto a ponto de negar-se a sim mesmo por nós. São Paulo nos diz que

assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens. celebrado com espírito pascal. Os símbolos natalinos tornam-se garotopropaganda do consumo. corre-se freqüentemente o risco de idolatrias. e lhe deu o Nome que está acima de qualquer outro nome. Não deixemos que os símbolos natalinos sejam esvaziados de seu significado profundo: o amor de Deus pela humanidade. humilhou-se a si mesmo. estruturada em torno do mercado. Assim. e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor. ao nome de Jesus. Devemos viver e nos amar como irmãos . o Filho nos torna filhos. No natal. para a glória de Deus Pai” (Fil 2. e morte de cruz! Por isso. mas não se apegou a sua igualdade com Deus. Celebrar o natal é. apresentando-se como simples homem. É uma festa sem o aniversariante ou este é trocado pelos lucros. Deus o exaltou grandemente. Esvazia-se o sentido do natal. cultivar os mesmo sentimentos de Jesus. . para que. O presente de natal só tem sentido se lembrarmos que foi Deus quem nos deu: seu Filho. portanto. esvaziou-se a si mesmo. Vivemos em uma sociedade capitalista. se dobre todo joelho no céu. Tudo se torna ocasião para o comércio. Aproveitemos este tempo de advento para reafirmar os valores cristãos. Pelo contrário. tornando-se obediente até a morte. 5-11).esse sentimento de Jesus é o que nós também deveremos cultivar. Numa sociedade assim. “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo: Ele tinha a condição divina. na terra e sob a terra.