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Souza de Araújo, Mauro Luciano Subjetivismo e pós-colonização no filme de Eduardo Coutinho o caso de O Fim e o Princípio (2005) Estudios sobre las Culturas Contemporaneas, vol. XVIII, núm. 36, 2012, pp. 33-47 Universidad de Colima Colima, México
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=31624694003

Estudios sobre las Culturas Contemporaneas, ISSN (Versão impressa): 1405-2210 januar@ucol.mx Universidad de Colima México

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Gestual Estudios sobre las Culturas Contemporáneas Época II. pp.algo que permanece em uma memória viva do cotidiano e das paisagens e arquiteturas locais. XVIII. 36. a busca pelo “interior” adquire não só uma hipótese psicológica da compreensão da vida camponesa. em O Fim e o Princípio (2005). Vol. legível em um discurso da gravação do gestual desses personagens sertanejos do Nordeste brasileiro. localidade onde foi iniciado o processo de colonização do país . filme paradigmático em sua carreira pela mudança brusca de seu método e temática. propomos estender uma observação de um dos aspectos de sua busca estética e estilística. elevando a discussão e formas fílmicas a patamares experimentais: discurso opaco que o documentarista sugere atualmente em seus novos filmes. num confronto permanente de culturas e modos: entre a equipe moderna. habitual dos personagens e sua maneira de narrar a história íntima. antiga. Pós-Colonização. Um ponto que se resumiria numa subjetividade expressa em gestos e palavras exteriores aos personagens reais escolhidos a conceder depoimentos em seus filmes documentários. O tema reincidente do encontro e diálogo mediado pelo conflito entre mundos diferentes se faz ao longo da narrativa documentária de Eduardo Coutinho. inverno 2012. mas uma dimensão histórica. Colima. e realidade bruta primitiva.Subjetivismo e pós-colonização no filme de Eduardo Coutinho o caso de O Fim e o Princípio (2005) Mauro Luciano Souza de Araújo Resumo Seguindo o caminho da filmografia do diretor Eduardo Coutinho. após O Fim e o Princípio. territorial. Núm. Documentário. Nosso trabalho tenta desvendar tal percurso e tais elementos de um passado e presente pós-colonial no filme citado. resistente. Modernização. 33-47 33 . Especificamente. identitária. Palavras chave: Cultura. como numa captação de uma performance cotidiana. aparato de filmagem.

Nuestro trabajo trata de desentrañar este viaje así como los elementos del pasado y del presente poscolonial citado en la película. el lugar en donde comenzó el proceso de colonización del país – algo que sigue siendo una memoria viva de la vida cotidiana y paisajes locales y las arquitecturas. como una forma de captar su actuación cotidiana. Palabras clave: Cultura. nos proponemos ampliar el análisis de uno de los aspectos centrales de su búsqueda estética y estilística. habitual de los personajes y de su forma de contar su historia íntima. elevando la discusión y las formas fílmicas a niveles experimentales: el discurso opaco que el documentalista sugiere actualmente en sus nuevas películas. una confrontación permanente de las culturas y de las formas: entre el equipo moderno. a paradigmatic film in his career. Modernización. This theme can be summarized in a subjectivity expressed in gestures and words external to the real characters chosen to present testimonials in his documentaries. Documental. Specifically. que pueda leerse en un discurso grabación de la señal de estos personajes del semiárido Nordeste de Brasil. 2005). as much as in a historical dimension. This territorial identity can be read in the recorded discourse of the gestures of these characters of the semi-arid North East of Brazil – something that continues to be a living 34 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . película paradigmática en su carrera. Pos-Colonización. En concreto. El tema recurrente de la reunión y del diálogo mediado por los conflictos entre los diferentes mundos se plasma durante todo el documental de la narrativa de Eduardo Coutinho. primitiva. un aparato de tiro y la realidad bruta. antigua. que se convierte tanto en una comprensión de la hipótesis psicológica de la vida campesina. por el repentino cambio en su método y en su objeto: la búsqueda “interior”. resistente. en O Fim e o Princípio (2005). we propose to extend the analysis of one of the central aspects of his aesthetic and stylistic search. como en una dimensión histórica: la identidad. después de O Fim e o Princípio. marks a sudden change in its method and object: the ‘interior” search converts itself into an understanding of campesino life as a psychological hypothesis. Uno de los puntos que se resumiría en una subjetividad expresada en gestos y palabras externos a los personajes reales elegidos para dar testimonio en sus documentales. Gestual Abstract – Subjectivism and post-colonization in a film by Eduardo Coutinho – the Case of O Fim e o Princípio (2005) Following the trajectory of the filmography of Eduardo Coutinho.Mauro Luciano Souza de Araújo Resumen – Subjetivismo y Pos-Colonización en una película de Eduardo Coutinho – el caso de O Fim e o Princípio (2005) Siguiendo el camino de la filmografía del director Eduardo Coutinho. en O Fim e o Principio (The End and the Beginning. as a means to capture the everyday habitual actions of the characters in their manner of relating their personal history. territorial.

interiorização. memory in daily life. Não se trata. cultura brasileira (em suas diversas formas) combinam como chaves para uma pesquisa sobre a filmografia do diretor de cinema. Colima. degradação. Vol. enfim. passa pelos vídeos feitos com recursos independentes. as well as the elements of the post-colonial past and present referred to in the film. Documentary. emória. como se vê ultimamente em seu percurso. Our work is concerned with unraveling this journey. de Época II. elevating the discussion and film forms to experimental levels: the opaque discourse that the documentary film maker suggests presently in his new films since O Fim e o Principio Keywords – Popular Culture. mais especificamente os seus documentários. Publicação mais recente: “Herói popular sob ironia na cena política: estudo sobre o personagem e o entrelaçamento entre ficção e realidade nos filmes Macunaíma (1969) e Terceiro Milênio (1982)”. XVIII. já vasta. no gênero cinematográfico da realidade. da não-ficção e da experimentação da gravação.SP. portanto. Eduardo Coutinho e sua obra.Subjetivismo e pós-colonização. ele ganha notoriedade fora das emissoras de TV brasileiras – juntando comentaristas no âmbito de pesquisas acadêmicas no Brasil. Núm. e pela pesquisa de uma cultura fora da padronização do audiovisual televisivo. e. local scenery and architecture. Modernization.. Especialização pela UFS – Universidade Federal de Sergipe. o cinema não tem missão além do que o dispositivo próprio de seu mecanismo propõe. The recurrent theme of reunion and dialogue mediated by the conflicts between different worlds is evident in all of the documentaries of Eduardo Coutinho’s narrataive. Mestrado pela UFSCar – Universidade Federal de São Carlos . o diretor vem ganhando mais terreno dentro das universidades. 36. invierno 2012. Como o realizador segue afirmando em diálogos com as universidades e com a crítica em geral. reportagens feitas para a TV. identidade. Brasil. 33-47 35 M . gestualidade. Desta maneira. Pela metalinguagem. a permanent confrontation of cultures and forms: between the documentary team and its film equipment as opposed to the brute. primitive. e de sua gama de possibilidades de enquadramento e produção. Gesture. old and resistant. conseguindo contribuições importantes para a compreensão do frame de nossa cultura. Post-Colonial Mauro Luciano Souza de Araújo. trata-se de questionar o próprio documentário. Por isso. o mundo gravado pelo diretor provoca qualquer interessado em nossa cultura latino-americana atualmente. o gênero que traz em si o estatuto cinematográfico da realidade.. auto-crítica. Mas. Nada. pp. além da proposta de um debate mais profundo acerca do “modo de produção” fílmico.

desde seu terceiro filme produzido com recursos independentes. nada ali teria construção de uma mente ou ficção prévia do autor. seus filmes possuem uma continuidade temática. sua personalidade como um ponto convergente da narração na tela do vídeo.como costuma ser a inserção etnográfica ao meio pesquisado. Certamente. havia trabalhado como membro do CPC (Centro Popular de Cultura da UNE). Afinal. O trabalho de pesquisa que Eduardo Coutinho irá se pautar em seus diversos filmes futuros é evidenciado minuciosamente em Boca do Lixo. uma repetição de jargões ou uma base estética bem firme. ou Robert Kramer. e sobrevivem do lixo. e em conjunção com o documentário subjetivo e participativo de. O que se vê. Em Boca de Lixo (1993). no geral. Pensamos se. uma reiteração estilística. A União Nacional dos Estudantes teve papel importante inclusive na evidenciação e impulsão do grupo do Cinema Novo. é a reincidência da profundidade de um personagem em seu ato de fala. sendo documentários. A questão principal que se coloca ao se analisar as obras do diretor documentarista Eduardo Coutinho é se podemos tomar como uma das bases da observação dos textos e imagens de seu filme sua potencial “autoria”. que tratam da realidade pura e objetiva. sua estratégia é clara. em outros termos. própria do cineasta –e somente dele – algo de suas ideias são postas em tela. entre as décadas de 50 e 60. no contar e relembrar de histórias de vida procuradas na entrevista. se ele. do qual muitos diretores e quadros que 36 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . em busca de relatos particulares das pessoas que vivem. por exemplo. assumindo. por exemplo. como numa previsão. com particularidades regionais que dizem respeito ao nosso universo pós-colonial. revisitada. ou introdução a seu método de observação antropológica videográfica . As histórias se elaboram do espaço de “trabalho” da catação de lixo. ou Agnés Varda –é assim que Eduardo Coutinho é visto pelos seus críticos atualmente: como um autor. 2009:95-97). no documentário feito no Brasil.Mauro Luciano Souza de Araújo um produtor qualquer. no Rio de Janeiro. como diretor. União Nacional dos Estudantes. mas de um pesquisador da cultura que um dia foi chamada de “nacional”. Principalmente na produção do conjunto de curtas metragens chamado Cinco Vezes Favela. e difundida pelo mundo mesmo na teoria do terceiro cinema latino americano. Lidera uma equipe de filmagens que entra em um depósito de lixo na periferia metropolitana do Rio de Janeiro. é um autor na acepção tomada em discussões na década de 60 pela política dos autores na França (Junqueira. esta que é feita do próprio diretor.1 mais tarde integrando as atividades do Cinema Novo 1. Ou seja. famílias dos catadores. até a gravação do espaço particular das casas. Johan Van der Keuken. O documentarista. portanto. Partimos do mesmo pressuposto.

Empresa estatal criada em 1969 e extinta em 1990. Mais precisamente híbrida entre a pré-capitalista e a industrialista. antes de sua inserção como diretor de documentários. assim que voltou da França em seu estágio no IDHEC (Institute des Hautes Études Cinématographiques). comum da estrutura social latino americana. Antes de Boca do Lixo. e tudo é registrado pela “câmera direta”. ainda hoje. um latifundiário do interior do estado do Rio Grande do Norte que fazia de suas terras uma nação à parte da brasileira. ficções que tentavam um alcance de público com temas particulares do universo brasileiro. mais antigo. tenta ir fundo em uma espécie de prisão a céu aberto. porém dos mais pobres do país: a região Nordeste. uma cultura própria das relações conflituosas que se colocam em uma terra estrangeira. XVIII. em continuariam no grupo estão presentes. O latifundiário mantém relação de dependência com seus empregados. como a pobreza e o cangaço. 2. 33-47 37 . Época II. mais especificamente no sertão. Entra no sítio “feudal” de Theodorico. 36. ver Furtado.. C. portanto. Para mais detalhes. As relações entre dono da terra e trabalhador são de ordem antiga. Assim. algo raro mesmo no período de encaminhamento da abertura política à democracia (meados de 80). 4. que pode ser abarcada e explicada. Vol. e comercialização massiva dos novos filmes que viriam a ser feitos na época da Embrafilme. da maneira preservada de um colono e servos. pp. pela terminologia e teoria do colonialismo. e a reportagem é exibido sem maiores censuras. Coutinho investe película na região que foi cara ao início do Cinema Novo. invierno 2012. aspectos culturais das estruturas modernas não sejam visíveis a não ser como índices de outra sociedade distante do interior. persistente nos costumes do interior do sertão nordestino. Neste vídeo. no momento cinemanovista de uma estruturação mais fincada do ganho de público.Subjetivismo e pós-colonização. o Globo Repórter. como roteirista.2 Preferiu atuar como um dos principais apoiadores.. na década de 80. e mesmo como diretor de obras ficcionais. nação ainda que se elabora frente às heranças de um sistema em transição do modo de produção feudal ao capitalista. 1975). neocolonialismo ou semicolonialismo. Colima. o Imperador do Sertão (1978). produz um documentário intitulado Theodorico. a força irônica do filme não é percebida na época. também nos meandros narrativos de suas obras. Coutinho vem da geração de jovens intelectuais críticos ao autoritarismo ditatorial que compunha o cenário político brasileiro. da maneira que teoriza Celso Furtado em seus estudos na CEPAL com sua teoria dualista do subdesenvolvimento.4 A contradição. 3. Coutinho. para o programa que ainda faz parte da grade de programação da Rede Globo de TV atualmente. tal como explica Regis Debray (Debray. ao mesmo tempo primeiro território colonizado. Filmes como O homem que comprou o mundo (1968) e Faustão (1970).3 Seu posicionamento político sempre foi claro em entrevistas. São Paulo: Companhia das Letras. (2007) Formação Econômica do Brasil. Núm. Ainda que no interior do país.

se mostra nos documentários de maneira profunda. 1983) dão essa temática. Assim. Na minha experiência. como estilo. na França. entrando na esfera do psicológico. tal como ela é feita entre nós. sobretudo em regiões menos industrializadas. enriquecida com todas as impurezas. verifiquei a extraordinária riqueza das falas de analfabetos. Desde Santo Forte (1997). 2009b). ou o close up) há o histórico do significado mais transcendente em captação da face e suas expressões. como membro de uma equipe de reportagem televisiva. O nacional e o popular (Bernardet. a força das marcações e durações. que desempenham o gestual. de cidadania e degradação de condições de sobrevivência como uma das abordagens temáticas da naturalização e cristalização da vida comum em periferias – abordagem esta captada por Coutinho insistentemente. Como os enquadramentos são em close. é mais tentador investigar um pequeno tema do cotidiano no Nordeste. seja ela econômica ou cultural. Desde então. popular. Coutinho intensifica sua busca pela história de personagens do âmbito popular. Tomamos a falta de liberdade. Nos diálogos. por exemplo. Esse argumento não é uma defesa da odiosa cultura da pobreza. porém rica em história. quando o modelo de industrialização brasileiro transferiu rapidamente o indivíduo da cultura oral para a cultura de massa. de condições dignas de vida. O nome disso é catástrofe (Coutinho. O campo da psicologia categoriza a fala. nomeada pelo próprio de “catastrófica”. da miséria e do analfabetismo. e ou. e transforma a pessoa escolhida para discursar sobre assuntos de sua vida normal como um recipiente das 38 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . ainda que em caracterização unificadora em seu diálogo franco entre ele próprio. a atuação cotidiana normalizada. a pessoa figura o personagem. Mostra apenas uma contradição. Nas regiões de cultura oral. e permitindo leituras diversas da política.Mauro Luciano Souza de Araújo concordância a uma teoria da dependência. do que um grande tema em São Paulo. mesmo o alfabetizado põe na fala todos os seus recursos de expressão. com a psicologia dos personagens que seus filmes dão atenção. naturalizada. num contraste típico do cinema antropológico verité. Em um texto escrito para o catálogo do Festival do Réel. Coutinho sai de uma discussão generalizante pondo uma lente objetiva profunda nos atores sociais. as entrevistas captam algo do que se chama alma do entrevistado. sem passar por uma escola digna desse nome. o chamado Cinema Novo. ou do povo. já que em uma teoria deste tipo de plano (o close. tal como na categoria escolhida pela classe média esclarecida que vinha dos estudantes do cinema moderno. documentário. ainda viva. o realizador se apresenta como um observador distante da realidade gestual que grava.

identificados. A palavra. seja a vida da pessoa. pp. que a imagem entrava nunca para demonstrar a evidência de uma palavra. que é o uso da fala e da palavra. Ainda que não se encaixem simplesmente no estilo verité. por exemplo. em si próprios como atuantes de uma memória pessoal quando encontram-se falando sozinhos perante a câmera.. a presença da equipe na tela é constante nos filmes. ou seja. de um sistema social convencionado pela teoria de dois brasis (Lambert. Muitos acontecimentos são comparados. pessoas que morreram. criticados pela montagem de Coutinho –que não se coloca neutro diante dos personagens escolhidos. Vol. O seu material é a palavra das pessoas entrevistadas. uma inserção em assuntos de ordem moral. Retomando este âmbito social. palavras ouvidas com atenção pelas imagens e sons. ali. em seu aprofundamento. acabei optando por uma solução. não importa. em Santo Forte. pra mostrar que aquilo era verdade ou mentira ou para ilustrar uma palavra. Supõe-se que o foco. cantores. como “santos”. até mesmo. Seu método. seu documentário de pesquisa e de observação participativa distancia a identificação colocando-nos sempre ao lado da equipe que observa. 2009:139). A palavra não precisava de ilustração de tão forte que ela era. a mais radical naquele tempo. Núm. 36. pois é esse o procurado pela narrativa da não-ficção de Coutinho. 33-47 39 . que era de fazer um filme sobre a palavra. 1959). mas não só. O conflito muito bem arranjado pela orquestração da mise-en-scéne. Sobre sua volta ao rol de realizadores conhecidos no país. acima de tudo. e daí despertar no espectador o que é o real. em geral. invierno 2012. de preferência em seus próprios habitats. Não é raro ver um corte em seus filmes quando há. e aí você vai e mostra ela recebendo o santo (Coutinho. ponto polêmico em transcendência. caracteriza-se em procurar histórias contadas de lugares onde a grande mídia não explora em filmagens –mesmo sendo esses personagens alguns consumidores do espetáculo das TVs abertas do país. A encarnação do diálogo expressa o que um dia foi chamado de espírito social. ainda na continuação de um histórico de dependência econômica e cultural da organização pedagógica de uma habilidade intelectual que falta aos entrevistados em contraste com as sempre ótimas interpretações e performances –na possível encarnação de personagens exteriores. Colima. denota-se dos depoimentos um caráter social. XVIII. Época II.Subjetivismo e pós-colonização. analisados. a imaginação voa muito mais do que a pessoa falar que recebe um santo. Depois da palavra você não sabe. Em outros termos. que dizem respeito apenas à vida do personagem escolhido. Mais uma vez se destaca uma contradição social expressa apenas de relance no que mais o cinema tem de literário.. Coutinho explica: Depois de meses de dúvidas e tal.

no singelo de uma pureza estética do descobrimento de uma memória que é sempre dos esquecidos pela própria história social. o território e envolvimento temático parecem mudar. ou política. encarnando uma palavra solta no cotidiano de pessoas de um mundo periférico e marginal. geografia que envolve a filmagem é a favela que habitam os morros cariocas. uma retomada biográfica do diretor ao setor de produção cinematográfico (1997). a evidenciação desta contradição entre a equipe de filmagem extremamente localizada como avançada na história dos usos da tecnologia. Eduardo Coutinho chega a citar Walter Benjamin em alguns de seus depoimentos. C. decoração. 2009:72. focando no individualismo de cada território em formato cubículo. (Lins. é parte não só etnográfica. Em Edifício Master (2002). de Paul Klee. sem que este seja o caráter mais evidente de suas obras. dando ao personagem um status pontuado em determinado contexto sócio-econômico do país. da irritação e clausura como os pequenos apartamentos do Edifício em questão. ou. Sai das classes mais rejeitadas pelo social e foca uma baixa classe média. Métodos de análise da degradação A partir de Santo Forte. arranjamento e planos. assim 5. 40 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . cada espaço fechado tem uma espécie distinta de composição. Sobretudo. chegando a ser óbvia e literal a sua permanência em diálogos entre personagem e equipe.5 Desta forma. O conflito de um encontro entre equipe-tecnologia e personagens-esquecidos dá a fórmula para o quesito da personificação de um discurso contra-hegemônico. e. Em Babilônia 2000 (2000). no qual o cinema documentário persiste em afirmar nas entrelinhas a progressão e desenvolvimento de lugares do exotismo. em específico o texto sobre a alegoria em Angelus Novus. Cf. tal como veremos a seguir. Bragança. Cada andar do prédio. observemos os temas que se seguiram. A habitação se confirma mesmo em locais do absurdo. constatando que a degradação. que se encaixa na ordem histórica catastrófica da atenção ao interior ou à interiorização. assim como no filme citado. a locação. sempre presente diante do entrevistado. mas de algumas habitações. mas não a ponto de contradizer a linha evolutiva do fio histórico proposto por Coutinho. mas humana em esclarecimento –inclusiva socialmente em pedagogia. da falta de civilização. Coutinho instala um discurso histórico em formato de depoimentos.Mauro Luciano Souza de Araújo é vista com minúcia pelos documentários dirigidos por Coutinho. esquecimento e vidas indignas não fazem parte apenas das favelas. A equipe se insere nas pequenas casas e tenta remover uma história dos moradores do local. 2007:106). Nada se deixa fugir a essa contradição.

ela tem uma postura perante a câmera (Coutinho. isso é tão importante quanto o conteúdo. que tá no filme. combatentes. O imaginário de uma degradação se confirma com as entrevistas que captam os relatos de ex-práticos. nem na escolha de seus temas. e seus personagens históricos. É como se fosse um Paulo Autran. revela algo de uma história perdida no contraste com a modernização imposta pelas grandes mídias. a uma nostalgia popular de uma vida melhor que se degradou com seu andamento. 2009:123). ainda que em documentário esse universo esteja distante de qualquer invenção ficcional. XVIII. etc. Neste âmbito. como neutro em seu discurso. pra ela falar mentira. 36. entre ele. adiantando a personalidade real dos personagens escolhidos em pesquisa feita previamente por outra equipe distinta da que realiza as gravações (Bragança. Maioria Absoluta (Leon Hirszman. pode ser vista como atributo estético. pois coloca a provável eleição de um personagem político paradigmático que vem de classes populares à chegada na presidência da república. como um observador sociológico (Bernardet. Mas nunca.. 33-47 41 . Vol. ela é um ator natural. pp. junto a sua equipe. Coutinho não exagera em sua montagem. Essa degradação da utopia das classes operárias.. mesmo que permeada por uma citada nostalgia. e que ao mesmo tempo ela se interpreta com verdade e mentira juntas. o campesinato. essa neutralidade pode ser posta à frente de seu método. 2009:146). 2003:32). militantes do sindicalismo do ABC paulista. Época II. por exemplo.. não! Mas. que passaram a. que se torna personagem. Prefere atuar. do ponto de vista da sintaxe. nem em sua postura curiosa que tenta desvendar algo do mais profundo interior de personagens. e a repercussão deste rompimento simbólico das elites no poder hegemônico historicamente –tudo isso com teores épicos. ou de intervenções mais incisivas da narração. Núm. do vocabulário. a um passado de glórias maiores que o presente. Na verdade a pessoa comum. Segundo o diretor: Se eu vou filmar agora no nordeste. 1964). Colima. No adiantamento do percurso de focalização. mas é uma pessoa que se encena bem. tenho pessoas que fazem ato de criação verbal. Ela é uma pessoa que interpreta a si mesmo bem. o interiorano do norte apresentado ao Brasil no filme onde foi colaborador. como personagens.Subjetivismo e pós-colonização.. Em Peões (2004) essa degradação vem à tona em uma discussão que põe a política em evidência. Não dá pra diferenciar isso. cuidar das famílias e de sua saúde por conta da velhice e falta de perspectivas de luta. O que o próprio diretor nos fala em entrevistas é que seus filmes são um tipo de “arte do encontro”. Luís Inácio Lula da Silva (Lula). e você não disse para ela se encenar. invierno 2012. a memória dos habitantes daquela localidade sempre se remete a outro espaço mais enriquecedor. Coisas extraordinárias de criação verbal. nos dias contemporâneos.

e. o filme O Fim e o Princípio (2005) nos provoca com sua insistência dialética. Em outras palavras. Fica na gravação a difícil compreensão da criação verbal e sintática de uma população que. mas um conteúdo que está no factual e fenomenológico –na impressão real de um mundo captado. Depois de trabalhos nas favelas e locais da degradação no Rio de Janeiro (exemplos de Boca de Lixo. o ato de criação verbal de seus personagens denota não apenas a personalidade do personagem escolhido para dar seu depoimento. ePrincípio começa o filme. Denota não só a forma gestual e performática do ator social e real. Chega com uma equipe dentro de uma van. Acerca deste paradoxo entre vida interior e vida expressa no exterior. inclusive. 1997 Babilônia 2000 e Edifício Master. e de Moscou. sobretudo. seus filmes fugiram da então realidade crua da sorte de um improviso documentário. ainda possuiria traços a serem captados pela observação da câmera antropológica. como território único do início da colonização mercantilista. é O Fim e o Princípio. portanto. a sua volta ao Nordeste em O Fim e o Princípio fez parte de uma curva íngreme.Mauro Luciano Souza de Araújo Fato. onde quem pesquisa. devastadora e ambiciosa. a indecisão e imprevisibilidade do encontro da equipe e dos sertanejos é fundamental na metodologia de abordagem escolhida– uma espécie de antropologia radical. a região Nordeste do Brasil. e partiram para a pesquisa da oralidade da palavra. “do zero”. Coutinho se volta para a região mais árida do país. admite sua neutralidade apenas dizendo que não possui nem mesmo a intenção de 42 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . da fala encarnada teatralmente (caso de Jogo de Cena. Por isso. que só uma interioridade psicológica exteriorizada pode expressar. 2004). havia a ainda que remota probabilidade de não conseguir um filme –ou seja. Coutinho não realiza pesquisa anterior alguma. e uma incisiva reflexão sobre o momento histórico da campanha de eleição de Lula (em Peões. carrega em sua prosa e discurso algo que remonta a um lugar antigo e transpassado pela história. o centro do olhar pesquisador. 2006. 2002). ou. Em loco. Talvez. o título da obra diga muito. ou na inevitabilidade da memória resgatada) funciona como tema de seus documentários. seu último filme com resquícios de uma atividade de reportagem. documentário. Após O Fim e o Princípio. Santo Forte. é que a presença do passado (esteja ele na ordem da degradação. 2009). Para sua observação. Para ele. por viver no esquecimento do progresso catastrófico. como ele próprio afirma ao início. Do fim ao princípio Seguindo uma linha crítica e autoral do diretor. 1992.

ainda no debate antigo da utopia do popular e do campesino. Isso é o núcleo que me interessa. E nele podem estar Lênin ou São Francisco de Assis. tem uma vida que. sabem que vão morrer. ainda que este seja esquecido tanto pela mídia quanto pelo Estado. pesquisa. ou o definhamento. saúde e aí chegamos à questão da morte. vivem e morrem. O animal não sabe. Desta forma. Em entrevista a Fernando Frochtengarten. religiosa ou de classe. como nos seus outros filmes. pois são personagens que praticamente não possuem contato com qualquer tipo de aparelhos midiáticos. pondo-se no patamar de observador curioso de um universo pleno que não faz parte da vida de tal olhar central epistemológico. étnica. entre equipe do Sudeste e povo do Nordeste. Em comunidades como Riachão dos Bodes. E nesse espaço que você não sabe quanto vai durar. sexo. E. Colima. 2009:128). Coutinho narra em voz over. Coutinho explica um dos pontos polêmicos da psicologia adotada em seus encontros. Vol. dificuldade de expressão. é muito próxima uma da outra: uma origem que é familiar. o filme propõe o dispositivo que Coutinho havia experimentado em Boca de Lixo. Ali. e inter-relaciona os princípios às finalidades (princípios e fins. ainda que com menos informações sobre o sertão da Paraíba.Subjetivismo e pós-colonização. 33-47 43 . melancolia profunda do universo retratado pela equipe na região interiorana e sertaneja da Paraíba exprime a força que tem este ponto proposto por Coutinho na citação acima –paradoxalmente expressando a vida rígida de uma “dura sorte” sertaneja. ou melhor dizendo– do povo brasileiro. E dentro disso eu não tenho que checar nada (Frochtengarten. o filme conserva uma ruptura própria de um momento particular de auto-questionamento do diretor. invierno 2012. tal como os posteriores debates propostos à teoria da Época II. aliás. infelizmente. que ainda se propunha a escavar as nuances de uma cultura popular. Neste caso. seguido de confronto. falta de esperanças. pode ser intelectual ou camponês. em Araçás. pp. 36. A morte.. E se o animal falasse me interessava. como expressa a ambigüidade do título do filme). dinheiro. Este interesse ultrapassa a razão do encontro. casamento. cultural. filhos. com todas as suas utopias e sonhos. o encontro entre civilização tecnológica e atraso histórico chega à sua distância mais estendida até então. e se põe na tela como mais um dos personagens da narrativa documentária. Sendo o filme o fim de uma investida no documentário (ao menos até agora em sua carreira) in loco. Núm.. XVIII. velhice. há o fim de um tipo de vida procurada pelo diretor. Sua intenção era o encontro. Todas as pessoas nascem. E fora isso é tão simples: amor. Discutindo sobre essa dicotomia. o diretor discorda.

provocar debates e sentidos no estudo da cultura e do território englobado como brasileiro. 2009c). tem como engajamento moderno uma destruição e exclusão social inerentes à sua ideologia carregada pelo andamento capitalista. degradação. a História Oral transformada em texto fílmico que poderá ou não ser futuramente usada e editada em outros textos fílmicos. O Fim e o Princípio demonstra em sua experiência subjetiva um diretor à procura de “histórias”. sua perspectiva antropológica naif é sintoma de sua “selvageria” (Coutinho. o filme deambula o interior de uma geografia da fome e da pobreza com naturalidade. atualmente. etnográfica). sem conseguir tirar de seus personagens grandes depoimentos. portanto. e situa-se mesmo na ingenuidade provinciana de um grupo familiar do interior campesino descobrindo aos poucos o que é o cinema e o poder das tecnologias de uma equipe que se metamorfoseia de “colonizadora”. algo que está no âmbito da perspectiva social (portanto. O universo psicológico. ainda que quebrada pelos mecanismos metafóricos e auto-reflexivos propostos pela metodologia de análise do diretor. ainda que não os use diretamente. 44 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas . Sob o véu de uma melancolia do definhamento. Simula uma possibilidade de psicologia social. e propõe a distensão do dualismo –ou seja. e a abstração metafísica na compreensão da realidade. Segundo declara em entrevistas. o primitivismo. o confronto entre a “gente da cidade” e a “gente do campo” é problematizada tal como se debate na antropologia contemporânea o entendimento do pensamento selvagem (Levi-Strauss. de Coutinho abarca todos estes termos. já que as discussões sobre a miséria. ou de gente que conte essas histórias.Mauro Luciano Souza de Araújo dependência econômica fundada pela CEPAL. tal como entendia Walter Benjamin. também. atraso e subdesenvolvimento não pareçam mais. Ponto principal. 1989). É preciso ressaltar que Eduardo Coutinho considera-se não apenas um integrante do grande grupo de produtores cineastas brasileiros que chegam da cidade e registram o povo. campesinos. expressem-se da sua maneira ainda não afetada pela chegada da TV em suas casas. Sem fracassar em sua proposta. Essa reflexão. Ao permitir que pessoas velhas que trabalham em lavouras. como já se infere. o atraso seria o passado que brilha diante da câmera. sertanejos. integrando-se ele assim à condição de igualdade ao considerado analfabeto –que expressa apenas a palavra oral. torna-se. no documentário de Coutinho ela é colocada como atributo de uma refletida identidade anti-dualista. e o progresso. portanto. sem causar muito choque.

encarados como experimentais a priori. nestes dois últimos filmes. ou de um observador social. é captado e posto na tela. de memórias não categorizadas pela mídia e personagens esquecidas pelo imaginário não fazem mais parte do envolvimento temático dos filmes Jogo de Cena e Moscou. Aos poucos. O fim.. de caracteres populares. ainda que profundos em pesquisa do personagem e sua ambientação social. ou de costumes antigos herdados do período ainda carregado pela presença do catolicismo dogmático e práticas do social medievo. Coutinho torna-se meticuloso no processo de passagem entre o real e o ficcional.Subjetivismo e pós-colonização. e do ritual de um documentário antropológico em pesquisa de campo. ou de todo o debate sociológico proposto mesmo neste trabalho–. Núm. Um teatro do mundo real pós-colonial e antigo. portanto. poderia ser vista como algo nuançado em seus documentários. tal perspectiva colonial é evidenciada em citações de Pedro Álvares Cabral. ou de filmagem. ela torna-se inevitável. anteriormente. não é suplantada pela escolha estética de Coutinho em analisar aspectos da ficcionalização brasileira em seus dois últimos filmes. ainda restrita a poucos cinemas de arte no país. ensaísticas. na proposta da chave autoral. ainda que fora do foco panorâmico. é ainda base ampla de sua visão crítica. dando a entender àqueles mais preocupados com o lastro de realidade que seus filmes possuíam –mesmo na compreensão de uma cultura.. pp. do ar livre e aberto. que um de seus focos principais é a metodologia fílmica. A. e seu aprofundamento dado por Jean-Luc Godard (de Dziga Vertov ao grupo Dziga Vertov de Godard e Jean-Pierre Gorin). 36. Colima. quando explica a matriz soviética de tal formato. Suas abordagens são. A perspectiva de um pesquisador sociológico. sobretudo após O Fim e o Princípio. ainda discutível. mas foge da realização do encontro. 33-47 45 . mas sob outros esquemas formais. Desta forma. Vol.. A sociedade. XVIII. em Jogo de Cena a ficcionalização e a diferença tomam o lugar de uma aparente procura pelo real e a alteridade no personagem esquecido gravado em depoimento. portanto. bem próprios de territórios onde o Estado não possui tanta presença. Quem nos traz maiores detalhes sobre esta metodologia é Arlindo Machado. na contemporaneidade. que pareciam ser núcleos da procura etnográfica de Coutinho por resquícios de uma identidade nacional. ainda tem uma devida atenção à performance espontânea de personagens reais. Eduardo Coutinho modifica seu método radicalmente. Sua proposta. de gestuais e geografias esquecidas. Estas duas qualidades. 2003). mesmo nas falas dos personagens reais. Conclusão Após a exibição do filme. no Época II. em seu texto Filme-Ensaio (Machado. invierno 2012. Se a ficção.

Referências bibliográficas Benjamin. isso só pode ser encarado. Debray. (1989). Coutinho. particulares. externando sua negatividade paradoxal e crítica em relação à vida em um país periférico. Psicologia USP. E. “Se eu definisse o documentário. (2009). J. Encontros – Eduardo Coutinho. junto à equipe de Leon Hirszman ou mesmo do Globo Repórter. Magia e técnica.07. Sendo assim. ou inicia outro direcionamento metodológico. R. (1987). Rio de Janeiro: Azougue. segundo o próprio. (2009). Rio de Janeiro: Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos. (2009c). M. A entrevista como método: uma conversa com Eduardo Coutinho. F. arte e política.(1983). Lambert. Estética da subtração: o lugar de autor no documentário de Eduardo Coutinho. Dezembro 2009. C. Eduardo. “O silêncio depois de uma fala é a coisa mais linda que há”. O Nacional e o Popular na cultura brasileira: cinema. Coutinho compõe atônito sua observação de um mundo que. www. Frochtengarten. Bernardet. Formação Econômica do Brasil. 1. Se no filme o Nordeste finaliza. (org) (2009). São Paulo: Companhia das Letras. Vol. São Paulo: Brasiliense/Embrafilme. n. C. portanto. Furtado. Encontros – Eduardo Coutinho. W. La crítica de las armas. e inauguração de uma nova atuação que relegue o colonialismo a uma prática estanque e morta. p. pp. Ensaios sobre literatura e história da cultura. Doc On-line. Coutinho. Rio de Janeiro: Azougue. São Paulo. México: Siglo Veintiuno. (org) (2009). E. não lhe pertence. (1959). dentro da compreensão autoral do diretor. 222-232. Encontros – Eduardo Coutinho. (org). Em suas viagens à região. 46 Estudios sobre las Culturas Contemporáneas .Mauro Luciano Souza de Araújo filme. (1975). ainda que sinta profunda ligação histórica e conceitual com tal universo. C. Coutinho os retira de seus cotidianos moribundos e os faz falar –contando as procuradas histórias de vida. Os Dois Brasís.ubi. (2009b). Rio de Janeiro: Azougue. suas investidas ao ar livre sofrem uma pausa neste patamar de sua carreira. F. Obras escolhidas. Levi-Strauss. Na proposta de vida dos personagens reais atuais. São Paulo: Brasiliense. in: Bragança. não fazia. (2009). D. janeiro/março. O Pensamento Selvagem. F. pp. “O Olhar do Documentário” in: Bragança. 95-97. Coutinho. J.doc. postas ao público que assiste logo ao fim do documentário em cadeiras de plástico na exibição ao ar livre. F. Campinas: Papirus. Por isso não o defino”. in: Bragança. (2007). Junqueira. pt. interiores. 128. é também a este tipo de visão social.

. Colima.. Babilônia 2000 (Eduardo Coutinho. 2004). O filme-ensaio. 2009). 1999). Boca de Lixo (Eduardo Coutinho.Subjetivismo e pós-colonização. o Imperador do Sertão (Eduardo Coutinho. Moscou (Eduardo Coutinho. 1964). Santo Forte (Eduardo Coutinho. 2002). Recibido: 21 de febrero de 2011 Aprobado: 9 de diciembre de 2011 Época II. 33-47 47 . C. Belo Horizonte-MG. Anais do 26. Theodorico. O documentário de Eduardo Coutinho: televisão. (2007). Jogo de Cena (Eduardo Coutinho. Peões (Eduardo Coutinho. invierno 2012. Edifício Master (Eduardo Coutinho. pp. 36. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Referências de filmes Maioria Absoluta (Leon Hirszman.2005). (2003). cinema e vídeo. XVIII. setembro de 2003. Lins. 1978). O Fim e o Princípio (Eduardo Coutinho. Vol. São Paulo: Intercom. 2000). A. Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Machado. 2006). 1993). Núm.