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Proteção e defesa dos animais e tourada – Corrida de touros

Comecemos por analisar este assunto, dando uma vista de olhos por algumas filosofias doutrinárias importantes na humanidade. L.E. 728 a) O instinto de destruição teria sido dado aos seres vivos por desígnios providencias? “As criaturas são instrumentos de que Deus se serve para chegar aos fins que objetiva. Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição. Esse invólucro é simples acessório e não a parte essencial do ser pensante. A parte essencial é o princípio inteligente, que não se pode destruir e se elabora nas metamorfoses diversas por que passa.” L.E. 734. Tem o homem direito ilimitado de destruição sobre os animais? “Tal direito se acha regulado pela necessidade, que ele tem, de prover ao seu sustento e à sua segurança. O abuso jamais constitui direito.” L.E. 735. Que se deve pensar da destruição, quando ultrapassa os limites que as necessidades e a segurança traçam? Da caça, por exemplo, quando não objetiva senão o prazer de destruir sem utilidade? “Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destr uição que excede os limites da necessidade é uma violação da lei de Deus. Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades; enquanto o homem, dotado de livre arbítrio, destrói sem necessidade. Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos.” Antigo Testamento Isaías 1:11-13 - “De que serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes, quando vindes para comparecerdes perante mim. Quem requereu de vós isto? Que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs. Isaías (11, 6-9) ...tive um sonho de um tempo no qual: O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito. O bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos. A vaca e a ursa pastarão juntas e as suas crias juntas se deitarão. O leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide (serpente venenosa). Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR. Deuteronómio 22:4 - “Se vires o jumento ou o boi de teu irmão caídos no caminho, não te desviarás deles; sem falta o ajudarás a levantá-los.” Salmos 36: 6 «Oh “Tu, Senhor, preservas os homens e os animais”. Jesus Cristo – Bíblia Copta - “Não maltrate nem abandone seu animal doméstico. Ele sofre e sente como vós. Desgraçados aqueles que não ouvem os gritos de dor de um jumento, mas mais desgraçado ainda, é aquele de quem o jumento se queixa na hora da sua agonia”. São Francisco de Assis - Os animais são nossos irmãos e irmãs. “Se existe um homem que possa excluir alguma criatura de Deus da proteção, da compaixão e da piedade, terás um homem que atuará do mesmo modo com seu próximo”. “Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem… Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida.”

Papa João Paulo II - “Os animais necessitam de nossa ajuda. São Francisco se interessava pelos animais desvalidos e pelos pobres.” Madre Teresa de Calcutá - “Os animais foram criados pela mesma mão caridosa de Deus que nos criou… é nosso dever protegê-los e promover o seu bem-estar.” Buda (563-483 A.C.) - “O homem implora a misericórdia de Deus mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã e depositaram confiança nas mãos criminosas que os degolam. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Quando o homem se apiedar de todas as criaturas viventes, só então será nobre. Todos os seres vivos tremem diante da violência. Todos temem a morte, todos amam a vida.” Dalai Lama (1935) - “Matar animais por desporto, prazer, aventura e por suas peles, é um fenómeno que é ao mesmo tempo cruel e repugnante. Não há justificativa na satisfação de uma brutalidade dessas. Não basta ter compaixão. É preciso agir.” Mahatma Gandhi - “A grandeza de uma nação e seu progresso moral podem ser medidos pelo modo como seus animais são tratados”. Voltaire (filósofo francês 1694-1778) - “É inacreditável e vergonhoso que nem virtuosos nem moralistas elevem sua voz contra os abusos aos animais.” Charles Darwin – “…os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento. O amor por todas as criaturas viventes é o mais nobre atributo do homem.” Albert Einstein - “Nossa tarefa deveria ser aumentar o nosso círculo de compaixão para envolver todas as criaturas viventes, toda a natureza e sua beleza.” Abraham Lincoln (16º presidente USA, aboliu a escravidão) - “Eu sou a favor dos direitos dos animais, bem como dos direitos humanos. Não me interessa nenhuma religião cujos princípios não melhoram nem tomam em consideração as condições dos animais. Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes.”

Costuma-se dizer que há que respeitar a opinião dos outros. Tudo bem... mas tem limites; por exemplo: a pena de morte - todos os países evoluídos a condenam e assim manda os Dez Mandamentos - Não matarás. Quando se pensou em abolir a pena de morte, ou a escravatura, também muitos resistiram contra essas medidas; mas por fim, estes princípios morais já vingaram na maioria dos países. O mesmo acontecerá às touradas; se não for no seu tempo, será no tempo dos seus filhos. É a lei da evolução a funcionar. Posição oficial da Igreja Católica Em 1567, o Papa Pio V publicou a bula "De salute gregis dominici", ainda em vigor: “Nós, considerando que estes espetáculos que incluem touros e feras no circo ou na praça pública não têm nada a ver com a piedade e a caridade cristã, e querendo abolir estes vergonhosos e sangrentos espetáculos, não de homens, mas do demónio, e tendo em conta a salvação das almas na medida das nossas possibilidades com a ajuda de Deus, proibimos terminantemente por esta nossa constituição (...) a celebração destes espetáculos. Portugal já foi um país sem touradas Em Portugal as touradas foram proibidas no tempo do Marquês de Pombal, após uma em que

faleceu uma grande figura nobre estimada pelo monarca D. José. Voltaram a ser permitidas anos mais tarde. No Reinado de D. Maria II, o Ministro do Reino Passos Manuel, no ano de 1836, promulgou um Decreto proibindo as touradas em todo o país: “Considerando que as corridas de touros são um divertimento bárbaro e impróprio de Nações civilizadas… hei por bem decretar que de hora em diante fiquem proibidas em todo o Reino as corridas de touros. ” Infelizmente, a Igreja Católica está muito envolvida na promoção das touradas. A Rádio Renascença, emissora católica portuguesa, não só promove amplamente as touradas e respetivos intervenientes, como todos os anos organiza uma tourada. Por esse país fora, há festas populares com corridas de touros abençoadas pelo padre local. O P.e Vítor Melícias poderá facilmente ser encontrado nalguma praça de touros deste país a aplaudir e regozijar-se enquanto os touros são torturados. Mais caricato ainda é o facto de o P.e Vítor Melícias ser um Franciscano que, despreza os ensinamentos de São Francisco de Assis, seu patrono. A União das Misericórdias Portuguesas, presidida pelo próprio P.e Melícias e com fortes ligações à Igreja Católica, é proprietária de 18 praças de touros, recolhendo dividendos da tortura de seres inocentes. É chegada a altura de a Igreja Católica assumir uma posição crítica acerca das touradas, até porque, segundo a Bula de Pio V, as corridas de touros são proibidas. Razões antitourada Há várias razões para ser antitouradas ou qualquer outra forma de tortura sobre animais ou sobre pessoas (que afinal todos somos animais e partilhamos mais de 97% de ADN). 1- Do ponto de vista Cristão não se deve fazer aos outros o que não queremos para nós. Assim, só podemos matar animais para alimentação, com o menor sofrimento possível, e nunca para diversão sanguinária. Quem não percebe isto, não se pode considerar um espírito superior, com uma ética e moral elevadas, ou ir a Fátima ou adorar a Deus - não faz sentido e é uma fraude religiosa. E se é agnóstico ou ateu, continua a prevalecer a questão ética. 2- Uma questão de tecnologia. Nós torturamos o touro ou caçamos por prazer porque sabemos fabricar aço. Se o touro tivesse inteligência suficiente para fazer ferramentas de aço, eu queria ver onde estaria a pseudo bravura dos dito aficionados?? Nesta circunstância o touro teria enormes possibilidades de matar em dois tempos qualquer atrevidote que o enfrentasse. 3- A tourada, ou qualquer outra atividade sanguinária, é em última instância a manutenção nos tempos modernos das matanças do coliseu da Roma imperial e da tortura e morte dos cristãos e escravos. 4- A tradição nem sempre está certa. Ainda há poucos séculos, era tradição escravizar humanos e enriquecer à custa disso. Assim surgiram muitas das fortunas atuais. Também era tradição acusar o vizinho de feiticeiro ou judeu, para este ser queimado vivo na fogueira pela “Santa Inquisição”. Também era tradição apedrejar até à morte a mulher considerada adúltera. E as mulheres só podiam entrar na Igreja pela porta dos mortos. E muitos mais exemplos de má tradição podem ser apontados. 5- O enriquecimento à custa de espetáculos de sangue. Os membros da Protoiro, e outros agentes deste tipo, são a favor da tourada porque esta é a forma de ganharem muito dinheiro à custa dos espetadores (moralmente ainda pouco elevados) que lhes pagam os bilhetes. Esta atividade dá dinheiro a criadores de touros, a cavaleiros e outros intermediários nesta maléfica diversão. Seria muito

mais útil para a humanidade se desenvolvessem outras verdadeiras atividades criadoras de riqueza para o seu semelhante, sem o recurso ao sofrimento do que quer que seja. 6- Não é verdade que sem touradas o touro seria extinto. O Homem foi o último animal a surgir na Terra. O touro já cá andava muito antes do Homem. A ciência até descobriu o seguinte: O Homem é o animal menos necessário ao planeta e ao seu equilíbrio. Se o Homem se extinguisse, a vida na Terra prosperaria. Em poucos anos os outros animais e as plantas invadiriam as cidades e o equilíbrio seria restabelecido em poucos anos. Se os insetos se extinguissem, a vida na Terra (incluindo o Homem) desapareceria em apenas 50 anos. Conclusão: nós é que, com este desrespeito pelas outras formas de vida, estamos cá a mais. A tourada é sempre um atraso na nossa evolução e mais tarde ou mais cedo será abolida, como muitas outras más práticas. O facto de muita gente gostar de tourada, só demonstra uma realidade observável na história: raramente as maiorias populares tiveram razão. As maiorias populares são facilmente hipnotizáveis e manipuláveis e é através destas técnicas que os protouradas ainda arrastam atrás de si os incautos e moralmente pouco elevados. Cultura? Tradição? Os aficionados são simplesmente pessoas com medo da mudança, da evolução, pobres em imaginação e criatividade e com medo de perderem esta fonte de dinheiro. Por isso tenho pena de todos os que praticam e defendem as touradas... Apetece dizer: perdoais-lhes que não sabem o que fazem... Por favor entre no Youtube e veja estes dois pequenos filmes. São de facto muito informativos. Para ver cada filme basta colocar na barra de busca do Youtube o título em baixo indicado (um de cada vez, claro): Fadjen - Pablo Knudsen – 2011 http://www.youtube.com/watch?NR=1&feature=endscreen&v=_jufsDCmpj0 As touradas: Violência, Crueldade, Ignorância, Futilidade http://www.youtube.com/watch?v=6HFtLaPybyY