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[As Forças Armadas Devem Estar Preparadas P a r a a Guerra Insurrecional:
Grande quantidade de armas chinesas são apreendidas nas costas do Vietw » , destinadas aos guerrilheiros vietcongs. Isto pode se verificar, também,, nas costas brasileiras, se não estivermos atentos à vigilância do nosso extenso Utoral. Cuba, o grande arsenal comunista na América, está pronta a abastecer os núcleos guerrilheiros que venham a se formar no sul do continente, com armas ligeiras apropriadas a esse tipo de operações miiltares, na maioria de procedência tcheca. Os poços petrolíferos da Venezuela, explorados pelas companhias americanas, s&o a primeira preocupação dessa tática de guerra insurrecional na América Latina, visando a enfraquecer o Mundo Ocidental

AMEAÇAM A IN TE GR IDA BE AMERICANA
o advento d o regime comunista (?) num país latino-americano, toda a América Latina passou a viver um período d e inquietação sóeio-polltica. Com orientação estratégica e apoio material d e seus tutores políticos, particularmente dos chineses, aventuramse j á os barbudos cubanos a lançaram p o continente a s u a guerra tria, atrav é s d e ações d e sentido ostcoiógico, in- . eluindo a infiltração ideológica, p a r t i - ' eularmente n o meio estudantil. O noticiário internacional traz-nos a e a d a dia, notícias d e ações d e guerrilheiros n a América Latina, sem grand e signilicação d e perigo imediato m a s com o inquietante significado d e um plano solerte e audacioso visando à d e s a g r e g a ç ã o d a s instituições democráticas vigentes. Aproveitam p a r a esse intento os d e s contentamentos sociais e políticos muito comuns n a s n a ç õ e s subdesenvolvidas, facilitando a arregimentarão dessas guerrilheiros, q u e s ã o instruídos • orientados por aventureiros internacionais,, algumas vezes mercenários ou então fanáticos d a ideologia marxista. Como permanecer intangível a e s s a e ç ã o nefasta • sorrateira q i ' a qualq u e r descuido poderá avolumar-se e atingir fases mais perigosas e agressivas da Guerra Revolucionária? A literatura especializada internacional aponta vários processos d e combate a este tipo d e guerra, fixados atrav é s d e experiência d e países q u e j á sofreram a s u a a ç ã o nefasta. Pensamos, porém, q u e a s condições inerentes a c a d a p a i s como características d e vida e grau d e cultura • aguerrimento do povo, diferem sensivelmente, o q u e diversifica também tt a d e q u a ç ã o dos processos preventivos e repressivos a adotar. As condições d e aguerrimento, cultura e p a d r ã o d e vida do povo húngaro, d o grego, d o argelino, d o vietnamita ou do cubano, diferem entre si e n e nhum deles apresenta analogia completa com o caso brasileiro. Por isto julgamos ser possível a p a dronização d e u m a técnica militar d e combate à s guerrilhas, m a s q u e dificilmente s e p o d e r á fazer o mesmo q u a n to a um tipo d e estratégia nacional d e caráter preventivo contra a Guerra Revolucionária. N ã o julgamos possível o êxito d » q u a l q u e r revolução no Brasil sem o a p o i o d a s Forças Armadas, ou d e parte delas, em virtude d a tendência p a cífica e d a falta d e aguerrimento e experiência d e luta por parte d o povo •m geral. Apontamos por isso d u a s condições essenciais p a r a q u e permaneçamos incólumes ante qualquer tentativa dess a natureza d o país; 1? — Valorização do homem brasileiro, procurando livrá-lo do paupêrismo e d a marginalização social, particularmente o operário e o camponês. %•> — Manutenção de Forças Armad a s bem organizadas, eficientes, coesas • infensas a qualquer penetração ideológica nesse sentido. Não n o s vamos deter nesta oportun i d a d e no primeiro dos quesitos citados sobre o qual muito já se tem dito e q u e vem mesmo se tornando n o ponto nevrálgico dos planos e 5?*tagovemamentais. O segundo deles constitui, porém, • aspecto principal q u e desejamos focalizar nesta oportunidade. As c a m p a n h a s civilistas q u e vez por outra, durante a s fases de calmaria política, s ã o d e s e n c a d e a d a s paralelafOM mente com a teoria do desenvolvimento «à outrance», amortecem o espírito de prudência d e muitos que, esquecidos d e perigos passados e desprezando exemplos d o próprio presente, passam a clamar pela diminuição dos gastos militares e aproveitamento total dos recursos d o país n a s atividades desenvolvimentistas. E' óbvio q u e e s s a teoria é sublimlnarmente alimentada pelos inimigos d o regime democrático q u e têm todo o interesse n o enfraquecimento e desagreg a ç ã o d a s Forças Armadas, o g r a n d e obstáculo à consecução dos seus objetivos. Cumprem assim o primado d a estratégia d e MAO-TSÊ-TUNG q u e preconiza com grande ênfase: «Desorganit a i tudo o q u e é bom no país vosso inimigo...» Poderíamos citar alguns exemplos d e países latino-americanos q u e por medida d e economia enfraqueceram seus exércitos e logo em seguida estiveram à beira d a anarquia e d a total subversão institucional. E nessas ocasiões os recursos economizados s ã o multiplicados n a s consideráveis despesas p a r a o restabelecimento d a s e g u r a n ç a . Agora mesmo n o s chega d a Bolívia a notícia d e q u e já foram gastos nos combates a o s guerrilheiros, nessa fase Inicial d a Guerra Revolucionária. 6% do orçamento do corrente ano, havendo previsão d e d e s p e s a s muito maiores p a r a a contenção do movimento. Na nossa própria história política encontramos muitos exemplos de episódios • períodos críticos em q u e , somente a a ç ã o pronta, disciplinada • patriótica

Forças Armadas
COORDENADOR PÉRICLES NEIVA
d a s Forças Armadas conseguiu evitar o caos e manter incólumes a s instituições democráticas, únicas q u e atendem aos reclamos, à índole e aos objetivos d a Nação Brasileira. Pouco depois d a revolução de 1964, tive o orgulho e a satisfação de registrar a s seguintes expressões d e um oficial superior do Exército Argentino o respeito do movimento revolucionário; — «Vocês s ã o formidáveis! Quando a democracia ou a soberania brasileira estão em perigo, vocês militares esquecem todas a s possíveis divergências e se unem imediatamente em torn o d e seus cheies q u e logo em seguid a entregam o poder a o s políticos p a r a o restabelecimento d a vida institucional do país». Realmente assim tem acontecido através dos tempos, m a s p a i a q u e isto ocorra é preciso q u e essas Forças Arm a d a s tenham sempre u m a Organização segura e o grau de eficiência q u e proporcione a força moral necessária p a r a a realização d a ação patriótica e desprendida. E até mesmo dos meios material» necessários a esse grau d e eficiência, os militares têm desprendidamente aberto mão n a s ocasiões de difíceis crises financeiras d o p a í s . Após a Revolução de 1964 quando e país teve um pequeno período sob controle dos chefes revolucionários, em sua maioria militares, atenderam a s Forças Amadas, como sempre, a o s apelos governamentais d e economia, realizando cortes • contenções d e despesas com desprendimento • compreensão, sem qualquer tentativa d e aproveitamento d a situação p a r a s e b e n e ficiar, equipando-se e aparelhando-s» convenientemente. E' imprescindível, entretanto, q u e esse desprendimento e essa economia não sejam levados a extremo d e prejudicar nocivamente o grau mínimo d e eficiência q u e lhes permita manterem-, se organizadas e respeitadas, desestimulando qualquer tentativa de subversão d a ordem e do regime e garantindo, se possível pela simples a ç ã o de presença, a soberania nacional e a intagibilidade d a s instituições democráticas. E o q u e é necessário p a r a s e manter a s Forças Armadas b e m organizadas, coesas e infensas à a ç ã o subterr â n e a desagregadora, reunindo a s s i » a s condições p a r a garantir, pela simples a ç ã o d e presença, a soberania • a s instituições democráticas? N a d a d e muito difícil o u inacessível para o país. Nada t ã o custoso q u e impeça ou prejudique sensivelmente o desenvolvimento nacional. Não- é necessário realizar aumento de efetivos nem ampliar o q u e já existe na estrutura militar. Basta garantir-lhes a eficiência mediante um aparelhamento material mínimo julgado necessário; aperfeiçoarlhe a organização e a estrutura, a d a p tando-a a o s processos modernos d e guerra; e, sobretudo, manter o pessoal militar inteira e unicamente dedicado aos seus deveres precípuos e à s u a nobre tarefa d e preparar-se e à organização a q u e serve, p a r a b e m defender a Pátria e suas instituições. E' necessário frisar q u e , a o contrario do q u e muitos pensam « afirmam, 0 aparelhamento d a estrutura d e Segur a n ç a Nacional n ã o prejudica a s ações de desenvolvimento, riem lhe é antagônico, mesmo porque, além d e cooperarem, as Forças Armadas valiosamente p a r a esse desenvolvimento, garan» tem a segurança q u e permite a obtenção d e maior tranqüilidade e rendimento n a s atividades civis desenvolvimentistas, nos setores econômicos, políticos e psicossociais. E' preciso atentar bem que- n â o são a p e n a s a ignorância e a miséria q,ue tornam u m a nação presa fácil p a r a q implantação do regime comunista, através d a Guerra Revolucionária. S e a s sim fosse, n ã o seria C u b a e primeiro p a i s latino-americano a vitimar-se, pois outros existem d e muito mais baixo p a d r ã o de vida e nível cultural. O q u e ali facilitou a derrocada d a s instituições democráticas, foi a corrupção reinante n a s Forças a r m a d a s c u b a n a s e sua conseqüente desorganização e ineficiência, írutos d e um regime d e gozos e facilidades, a começar pelo seu com a n d a n t e supremo, indigno dessa condição. , Muito diferente, no entanto, é © caso brasileiro em q u e nossas Forças Armadas, muito moralizadas e b e m prepar a d a s intelectualmente ( carecem a p e n a s * de melhor aparelhamento material indispensável à nobre e importante missão q u e lhes c a b e n a conjuntura presente. Descuidar desse aparelhamento será pôr em risco a segurança nacional e conseqüentemente o desenvolvimento d o país q u e só poderá ser realizado por instituições soberanas e livres de pressões ou a m e a ç a s de elementos perturzadores d a ordem e do regime.

FIDEL LANÇA O DESAFIO

Estimulado, talvez, pelo impasse militar ao sudeste asiático, onde a esmagadora superioridade americana em todas as armas ainda não pôde encontrar o cctminho da vitòna sobre os «vietcongs», num conflito que parece etemizar-se, Fidel Castro, o antigo chefe guerrilheiro cubano, audaciosamente, prega, a formação de novos «Vietnans» na América Latina, explorando o subdesenvolvimento desta parte do continente. As Forças Arrradas brasileiras devem estar atentas e preparadas para esmagar, no nascedouro, qualquer tentativa de guerra insurrecional no país.

Cel. FAUSTO DE CARVALHO MONTEIRO

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JAYME DANTAS

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Muitos dos estudantes universitários 1 a t i n o-americanos irão sentir-se julgados na pessoa de Régis Debray e, a menos que mudem as circunstâncias, a Bolívia de Barrientos e Ovando Candia poderá estar formando novos focos de guerrilha que outros governos terão de combater no futuro.
Mas Fiáel Castro, para eles um protótipo, não conseguiu ser repetido em qualquer dos focos de guerrilha que pouco a pouco se multiplicam e se alastram. Quem sáo e o que querem, na realidade? Onde quer que seja encontrado, cada grupo guerrilheiro compõese de uma mistura de frustrados políticos, homens de oposição, nacionalistas extremados, membros ou simpatizantes do Partido Comunista e mesmo alguns idealistas convictos de estarem praticando uma forma válida de patriotismo. NSo dispõem os grupes de uma doutrina política própria, por assim dizer, embora exista uma linguagem guerrilheira comum, usada tanto na entrada das florestas guatemaltecas como à beira dos rios nas planícies bolivianas. Todos são centra as oligarquias, o imperialismo norteamericano, a exploração das riquezas e a ordem constituída. Todos estão presos à ânsia de libertar. Não houve até hoje Governo latino-americano que deixasse de negar sistemática e oficialmente o aparecimento de guerrilheiros no respectivo pais. Mas logo às primeiras providências a existência dos rebeldes passa a domínio público e como os exércitos do Continente não estão ainda treinados em larga escala para a guerra de guerrilhas, as escaramuças terminam por dar aos guerrilheiros uma certa aura de desprendimento e he-

latina:

sonha ##c»

guerrilheiros
mentícios e distribuí comida para «s necessitados. Os lideres guerrilheiros então fazem a exortação i luta contra as mesmas ccisas em toda parte. Todo guerrjiiseiro é contra es oligarquia* e procura convencer os menos favorecidos de que só a guerrilha promoverá o extermínio dos ricos. Em 15 ou vinte minutos qualquer deles traça todo um programa para "recobrar as riquezas do país", que dizem estarem tocas em mãos estrangeiras, nominalmente, dos "imperialisías norte-americanos," promover a reforma agrária mesmo onde ela Já tenha sido feita (''trata-se de um engodo," dizem da medida que teve origem governamental), pôr em movimento o grande potencial nacional até conseguir a industrialização do país. Os camponeses que os ouvem geralmente não sabsm como d u v i d a r . Ninguém lhes explicou qualquer coisa em contrário. E os guerrilheiros partem para o trabalho ininterrupto que esperam resulte no Exército latino-americano de libertação, em que participem índice, negros e brancos e que repressnte 220 milhões de pessoas em atraso cultural e subdesenvolvimento econômico. Em teoria o grande Exército seria viável embora não de imediato. Na prática, porém, a democracia não está propriamente sob essa pressão na América Latina. Em primeiro lugar os governos não conseguirajn extinguir os focos guerrilheiros mas nSo permanecem inativos a esse respeito. Desse modo a ação dos rebeldes implicará tanto mais sacrifícios quanto maior prejuízo eles causem às nações. Em toda a América Latina a população se aglomera com intensidade muito maior nos grandes centros urbanos, ficando bastante rareíelt» n<* campos, onde mais se acentua a atividade guerrilheira. Assim, o sonhado triunfo, se tivesse de acontecer, jamai» seria do campo para a cidade. Por fim a ausência de uma doutrina política leva os grupos guerrilheiros a uma filiação quando menc» implícita a uma interpretação marxista local, o que de modo algum favorece a conquista de simpatia entre a gente de formação sabidamente religiosa. A história da Bolívia já demonstrou que. mesmo com a formação de uma milícia popular que derrotou o Exército, o Movimento Nacionalista Revolucionário, que liderava a revolução naquele pais perdeu o poder. Não havia um programa suficientemsnte. radical para levar a cabo a transformação que havia sido idealizada para o pais. Agora, porém, as guerrilhas começam a sensibilizar camadas jovens n» América Latina porque encerram tanto a idéia de aventura como o aspecto de idealismo que, certo ou errado, fala alto ao espirito moço.

roísmo, uma imagem romântica tao do gosto latino. £ imenso o exército sul-americano das Jovens que somente por terem contemplado um retrato do; escritor marxista francês Régis De-'bray está certo de que êle só pode ser inocente. E mesmo que não seja... Porém mesmo com seus combatentes de aparência menos entusiasman-, te e já perfeitamente habituados à lu-í ta, não somente contra forças regula-' res mas pela própria sobrevivência, nas condições menos favoráveis, os grupos guerrilheiros continuam agindo com muita constância em apreciável extensão do território da América Latina, embora não constituam propriamente uma ameaça séria a qualquer dos governos atuais. A luta é de vida eu morte e cada guerrilheiro está certo de que o seu trabalho seTá continuado e que, segundo lhe disseram, um dia virá finalmente o triunfo. Antes, porém, os líderes de todos os grupos sonham com a constituição de um grande exército latino-americano de libertação e esperam que o tempo materialize esse sonho. Essa ê, sem dúvida, a razão por que falta ao guerrilheiro sul-americano uma doutrina política. A idéia deles é conquistar a simpatia do maior número possível de pessoas em todas as classes, sobretudo trabalhadores de fábricas, camponeses e a pequena burguesia. Nesse particular os grupos de guer-

A História moderna está pontilhada de passagens em que algum país, rei. partido político, religião ou indivíduo se dispôs a salvar a América Latina, ou parte dela, de alguma coisa. Ao que parece, agora chegou a vez dos guerrilheiros. Na Guatemala, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e possivelmente em outros pontos, grupos pequenos e maior ei estão se atribuindo a tarefa romântica de "libertar a América Latina", pelas armas, através de escaramuças e de pregações-relâmpago nos lugarejos da selva e das montanhas.

rilha mais articulados são os venezuelanos que. a despeito do combate que lhes move o governo, sobrevivem com eficiência — atacando, pilhando, confiscando e até se organizando. Basta dizer que a guerrilha venezuelana age em quatro grupos distintos e bem coordenados: a guerrilha urbana, as unidades de sabotagem, a guerrilha rural e a guerrilha dt montanha, pião de todo o movimento armado. 8 a Fuena Armada de Libertación Nacional <FALN>, comandada por Bravo e que Já se gaba de contar com filiados até entre a oficialidade do exército venezuelano. Enquanto a maioria dos observadsres fala da Influencia que Pidel Castro pretende exercer em toda a América Latina, poucos se lembram de que as características venezuelanas estão mais aproximadas das dos outros países andinos. Embora cs teorístas de guerrilha afirmem que em cada pais o rebelde precisará adaptar sua luta às circunstancias peculiares, o guerrilheiro sul-americano parece asir mala pelo mo'cíe de Bravo e ds Turro, lideres da FALN venezuelana, Qualquer açSo típica de guerrilha, seja rias montanhas da Venezuela, nas encostas andinas do Peru, ou na floresta boliviana, procura a participação do povo (sem envolvê-lo) ao lado cios guerrilheiros, promove a expropriaçáo de dinheiro sempre que possível, rouba armamento onde encontra, saqueia os armazéns de gêneros ali-

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Nas táticas d» contra-insurreição, o que mie ê o apoia da população

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O Exército brasileiro tem-se preparando em tilinclo para m eontragüerriíka

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TARCÍSIO HOLANDA

guerrilha
Os teóricos da Escola Superior de Guerra acham que a política externa do G o v e r n o Costa e Silva está em conflito com a sua doutrina militar, segundo a qual as fronteiras ideológicas destruíram as fronteiras geográficas.
parte da Região Amazônica (embora os grandes espaços vazios, sem população, não se adaptem à ação de guerrilhas), a Foz do Iguaçu, a fronteira de Santa Catarina e Paraná, encostando com as fronteiras da Argentina e do Paraguai e o norte do Rio Grande do Sul, entre outras regiões. Foi no Norte do Eio Grande do Sul que o coronel cassado Jéferson Cardim Osório começou sua frustrada ação guerrilheira (municípios de Palmares, Frederico Westíallen, Irai, entre outros). Essa região é considerada muito Importante para ação de guerrilhas, pois, além de contar com vegetação razoável, conta com a proximidade das fronteiras para fugas forçadas dos guerrilheiros. Além disso, localiza-se numa das regiões mais bem devolvidas do País, o que lhe daria a dimensão propagandística almejada por esse tipo de ação política e militar. Os teóricos da Escola só não têm conhecimento sobre qual o tipo de repercussão que teria sobre o resto do Brasil o desenvolvimento de uma ação guerrilheira realmente respeitável.
DOIS TIPOS

preocupa
tlamericanismo". Por essa doutrina, o Brasil deve preparar-se para dois tipos de guerrilhas. A Interna, como movimento na-cional próprio e autônomo, — dizia-me um militar bastante conhecido — pode criar sérios problemas para o Governo e provocar "verdadeiras operações cirúrgicas", se não der somente dor' de cabeça. O outro tipo de guerrilha, de Inspiração externa, é o mais perigoso, segundo os teóricos da Escola Superior de Guerra. Para essa modalidade de ação militar e política, o Governo deve preparar seus recursos militares e de informação, internos e externos, estas através das nossas Embaixadas e serviços consulares no exterior. A ação externa, de espionagem típica — argumentam — pode ser feita, ainda, através de intercâmbio com países do Continente, seja com delegações militares culturais, esportivas, etc. Agora mesmo, segundo os estudiosos da Sorbonne, o Brasil deveria estar intensificando esse intercâmbio cultural, comercial «. esportivo com a Bolívia, a fim de recolher informações a respeito do desenvolvimento da ação guerrilheira naquele país e suas repercussões na fronteira brasileira. Criticam-se, a respeito, as representações dipolmáticas do Brasil no Hemisfério, que não se adaptam "aos novos tempos" e nem facilitam em sua maioria, a criação de um serviço de informações e contra-informações no exterior. Essa doutrina militar, que provoca controvérsia em seu próprio meio e reações na Marinha, cuja expansão oompromete. aceita um outro tipo de ação subversiva tão conseqüente coma a guerrilha. A sublevação de multidões nos centros urbanos e a insurreição armada, com a utilização de técnicas modernas de adaptação das guerrilhas rurais ao meio urbano. O Nordeste, por exemplo, a região mais explosiva do País, em face das condições subumanas em que vivem suas populações (mais de 20 milhões de almas), não se adapta para os teóricos da Escola Superior de Guerra aos quadros de uma ação de guerrilha. O CapitSo Virgulino Ferreira, o famoso Lampião, foi o primeiro guerrilheiro brasileiro famoso, mas no Nordeste êle não poderia reviver, nos tempos de hoje, em que a Força Aérea é uma das armas mais importantes na luta antiguerrilha. A região nordestina não apresenta mínimas condições de segurança para o exercício da guerrilha. Ela não tem vegetação e o? grupos de guerrilheiros seriam facilmente localizados pela aviação, que também não teria trabalho em .destrui-las. O Nordeste, para esses militares, oferece campo de atuação excelente à sublevação urbana, em face da miséria em que vive

a escola superior
a maioria da população. Mas os planos de desenvolvimento da região podem evitar isso. A doutrina militar da ESG também preparou nossas Forças Armadas para a repretíão às multidões, nos centros urbanos, no Nordeste, em São Paulo ou na Guanabara. Diversas técnicas de dispersão e combate a multidões são ensinadas, incluindo o boxe, luta livre, k a r a t é , além do uso de bombas de gás e de efeito moral. Por isso mesmo, a Força Pública da Guanabara deixou a farda clara, para usar a escura, que imporia mais respeito. Provavelmente, todas as Polícias mudarão a côr do fardamento. Os técnicos militares da Escola Superior de Guerra acham muito difícil o irrompimoito de ação guerrilheira no Brasil, mas consideram necessário que as Forças Armadas e os chamados órgãcs auxiliarís, sejam policiais ou de informação, se pr-sparem para essa hipótese, cada v-ez mais próxima, segundo eles, em face da reunião da CLÃS, reaüzaàa em Havana e do conjunto da guerra ideológica no continente e no mundo.
PACTOS MILITARES

de

guerra

O desenvolvimento da ação guerrilheira na Bolívia preocupa os altos escalões militares do País, mas são os fundadores e teóricos da Escola Superior de Guerra que mais se inquietam com a ação dos guerrilheiros. Oficiais de Estado-Maior e os chefes militares mais afinados com as teses da Escola Superior de Guerra acusam o atual Governo de omissão completa diante de um problema que pode vir a se transferir para o Brasil, de um momento para outro. A critica ao Governo é dirigida em face da ação de guerrilhas na Bolívia, onde se acredita na influência intelectual de Ernesto Che Guevara, Os teóricos da Escola Superior de Guerra acreditam que o Governo já deveria ter traçado um plano preventivo de repressão em face da eventualidade de seu irrompimento, não 60 na fronteira com a Bolívia, como em outras regiões do País consideradas satisfatórias pelos estudos para o desenvolvimento dessa ação militar. Pregam esses teóricos a imediata colocação de contingentes militares treinados na ação antiguerrilha, ao longo da fronteira do Brasil com a Bolívia, projeto que vem sendo executado, aliás, ao longo da fronteira amazônica do Brasil com outros países. Pregam, ainda, a criação de novos núcleos populacionais, em decorrência da Instalação de contingentes militares. Tais núcleos populacionais terão que contar com uma elite treinada ideologicamente para atuar como elemento de informação e análise, prevendo e reprimindo a infiltração de agentes dos guerrilheiros. Os estudiosos da ESG já conhecem as regiões brasileiras que mais se adaptam ao desenvolvimento desse tipo de atividade militar e política. As regiões têm que str marcadas por acidentes geográficos — montanhosas —e por grandes extensões de florestas. Colocando-se tais regiões nas fronteiras, o perigo é maior para os teóricos da Escola. Por Isso, citam-se Mato Grosso, a parte montanhosa de Goiás, grande

Diante da possibilidade de ação de guerrilhas no Brasil, os teóricos da Escola Superior de Guerra analisam as diversas alternativas. Alguns deles, muito conhecidos do público, acham que o Governo atual está diante do dilema shakespeariano: "ser ou não ser"'. Este dilema reclama Imediatamente do Governo Costa a Silva uma decisão fundamental, segundo esses militares. Dentro das teses estudadas na ESG, eles acham que se acabou a época em que prevaleciam os Exércitos convencionais, voltados para a fronteira, para a defesa do País de uma guerra clássica, acadêmica. A invasão de pais a país — afirmam — se faz, agora, através da infiltração, que mina o organismo econômico, político e social da Nação, preparando o caminho para a insurreição armada, a grande forma de luta subversiva válida. Os teóricos da Escola Superior de Guerra concluem que a política externa do Governo atual compromete a aliança do Brasil com os Estados Unidos e compromete mais ainda a doutrina militar executada pelo Governo do Marechal Castelo Branco. Um deles, aliás, revelava-nos que essa doutrina militar não foi melhor executada no Governo Castelo Branco por culpa do então Ministro da Guerra, General Artur da Costa e Silva. Segundo esses estudiosos, a doutrina da Escola Superior de Guerra não se modificou, em razão da posse do novo Governo e de sua política externa, agora, acusada de "acentuado an-

O atual Ministro do Exército, General Aurélio de Lira Tavares, o último Comandante da Escola Superior de Guerra no Governo do Marechal Castelo Branco, autor do livro Segurança Nacional, é, também, partidário dessa doutrina militar. Em seu contacto com o General James Alger. dirigente da Junta inteTamericana de Defesa, o General Tavares concordou em gêneroj' número e grau com as idéias do general americano, de que é necessário criar a Força Interamerieana de Paz, embora ressalve que Isso depende de uma decisão do Governo pelos canais diplomáticos. Como o atual Ministro do Exército, os teóricos da Escola Superior de Guerra defendem a tese de que a guerra ideológica tornou siperadas as fronteiras geográficas, que foram substituídas pelas fronteiras Ideológicas. O mundo — dizem eles — está dividido entre o bloco comunista e o bloco capitalista., democrático e ocidental. Por isso, faz-se necessária uma conjugação de esforços entre os países tio continente, do ponto-de-vista político e militar, para a ação conjunta. Os mais realistas, que Já ativinham as dificuldades existentes para a criação da Força Interamerieana de Paz, em face da firme posição do Governo em matéria externa, já pregam uma variante da idéia original dos Estados Unidos, imaginada após a intervenção militar em São Domir.gos. Já que não concordam com a FIP — argumentam — pode-se admitir a assinatura de pactos militares do Brasil com alguns países da fronteira, parti-

cularmente a Argentina, o Paraguai, o Uruguai e especialmente a Boliviã, onde, "às portas de nossa fronteira, se intensifica a ação de guerrilha". Acham, portanto, militarmente aconselhável a ação conjunta, supondo que a guerrilha na Bolívia Jeva a ação subversiva "a uma zona de fronteira de mútuo auxilio". A ação militar seria aconselhável, igualmente, em cada um dos territórios para permitir a conjugação de esforços do Brasil com aqueles países, de motio que as zonas limítrofes não se constituam em entrave para as operações militares repressivas. Essa conjugação de esforços evitaria a dispersão e também as fugas de guerrilheiros de um para outro pais, susceptível de tomar a ação militar e política subversiva um dado continental perigoso. A facção militar que defende essa doutrina parece majoritária nos altos escalões militares e concentrará o fogo de suas baterias nesse sentido para -forçar a nossa política externa à variante acertada: ou seja, a aSiinatUTa de pactos militares, conforme proposta argentina. Desconhecer a reunião da Organização Latino-Americana de Solidariedade (OLAS) "é estupidez política", afirmam os teóricos militores da Sorbonne. Eqüivaleria, segundo eles , a atitude de avestruz que, imaginando desconhecer a tempestade, mírjtulha a cabeça na terra e deixa o resto ao corpo às fora, à ação dos elementos. Em termos internos, além da imediata colocação de contingentes militares e de núcleos populacionais ao longo da fronteira do Brasil com a Bolívia, os teóricos da ESG recomendam a organização de uma estrutura política <ie informações, colocando elementos de confiança do aparelho policial tio Estado em Juntas de Recrutamento, Mesas de Rendas, Coletorias, Prefeituras etc. com um comando único, provavelmente ocupado pelo Serviço Nacional de Informações. Dificilmente, alguns desses teóricos acreditam na existência de guerrilhas no Brasil, em face dos sacrifícios exigidos para uma ação desse tipo. Cm deles dizia que o guerrilheiro é mais do que um soldado de elite, devendo possuir conhecimentos militares mais do que elementares, além de uma boa base cultural a respeito de problemas políticos, sociais e uma boa dose de conhecimento de psicologia de massas. — É. ao mesmo tempo — assinalava um velho general — um sacerdote e um guerreiro implacável. Mas, admitindo essa possibilidade, os teóricos alegam principalmente aque• Ias zonas já referidas, que têm possibilidades de oferecer segurança, amplo camrto de manobras, recursos naturais, simpatia da população ete. Consideram necessário que as Forcas Armadas examinem duas quístões fun-

damentais: 1.°, verificar se temos forças militares capazes de se transportar imediatamente para essas regiões; 2.0, verificar se essas forças estão habilitadas para a ação antiguerrilha, em todos os sentidos. De seis anos até esta data informam, ainda, o Brasil tem se dedicado à criação de tropa de elite especializada em guerra de guerrilha, sobrevivência na selva, travessia de rios por piocessos fortuitos, poder de fogo é* elementos isolados etc. Funciona em Manaus um curso especializado qut consegue formar tropa especializada. Além disso, grande número de oficiai! brasileiros já treinou • estudou em centros especializados dos Estados Unidos, seja naquele país ou no Panamá. A Força Aérea Brasileira procur» adaptar grande parte de seu equipamento para a ação antiguerrilha, bem como treina grande número de praças e oficiais nesse tipo de ação política • militar. Os teóricos da ESG vêem com preocupação a orientação de nossa política externa, na medida que possa prejudicar a doutrina militar. Dentro desta, a própria Marinha se adapta • a Operação-Unitas é uma manobra naval adaptada tanto à guerra, convencional como à guerra de guerrilhas. Os estudiosos da doutrina militar da Escola Superior de Guerra, embone recomendem medidas preventiva! centra a guerrilha, consideram mais próxima a possibilidade de desencadeamento, no País, de atos de sabotagem. Acham que pequenos grupos de homens bem treinados — incluindo estrangeiros — poderiam desenvolver ura tipo de ação terrorista relativamente fácil em grandes centros urbanos, como Rio e São Paulo, provocando sérios problemas políticos. Continuam pregando, por isso, o aumento do poder de ação dos serviço* de informação, cuja infiltração se faria não só nos meios oposicionistas, como entre estudantes, professores • intelectuais. Eles manifestam sinais d« crescente inquietação diante da única orientação do Governo Castelo Branco que sofreu, realmente, uma guinada radical: a política externa, que poderá comprometer Irremediavelmente a doutrina militar pregada pela Sorbonn*. E quando voltar ao Brasil, o Sr. Magalhães Pinto deverá ser pressionado para mudar de posição, tendo em vista a reunião de consulta dos Chanceleres da OEA, que se reunirá era Washington, em setembro, para examinar e decidir sobre a denúncia venezuelana de ingerência armada de Cuba na Venezuela. Tudo indica, no entanto, que o Ministério do Exterior manterá a posição cuidadosa que o Brasil observa, atualmente, em relação a Cuba.

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GENERAL BOLIVIANO 55 H MORTE DE OHE
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General Joaqaín Centeno, Comandante da Oitava Divisão do Exército boliviano, anunciou ontem, oficialmente, a morte do mais conhecido dirigente da subversão armada na América Latina — Kmesto "Che" Guevara —, cujo cadáver será exibido hoje em Valie Grande, perto de Higuerus, a 640 km de La Paz, e depois conduzido embalsamado à capital boliviana. Guevara, segundo o General, tombou num choque ocorrido domingo naquela localidade juntamente com mais quatro rebeldes. As tropas do General Centeno, que encurralaram os guerrilheiros, perderam quatro homens. F.mbora não tenha sido ainda confirmada oficialmente a morte de Guevara, informações dizem que o famoso guerrilheiro recebeu dois disparos, um no pulmão e outro na laringe. (TELEGRAMAS N A 16.a PÁG.)

Havana Noticia Morte de Guevara
]y[IAMI <FP — O GLOBO» — A Radio de Havana, ouvida nesta cidade, diíundiu ontem a noticia procedente de La Paz sobre a provável morto de "Che" Guevara em seu programa destinado à América Latina. A Rádio de Havana divulgou o comunicado do Governo boliviano e sem atribuir-lhe maior importância ' acrescentou: "Entre os mortos se diz figurar o destacado revolucionário Ernesto Guevara".

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Gbevara a Jânio:
nossa revolução, ao nosso governo e ao nosso povo". Local: Brasília, 19 de agosto de fo-me profundamente honrado. Não posso 1961. Motivo: agradecimento ao Presidente brasileiro que o condecor.ua com a Grãconsiderar esta honra pessoal, mas feita á C r u i da O í d e m do Cruzeiro do Sul.

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" ^ Governo » ° P°vo brasileiro manifestam nosso aprêço com esta alta condecoração. Vossa Excelência tem manifestado, em várias oportunidades, o desejo de estreitar relações econômicas e culturais com o povo brasileiro. Esse também é o nosso propósito e a nossa deli-' beração." Seis dias depois de pronunciar esta saudação Jânio da Silva Quadros renunciava a Presidência da República.

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Departamento de Pesquisa

o# guerrilhas
Se a morte de Ernesto Che Guevara representa a derrota de um movimento de guerrilha, esta derrota não foi a primeira. Antes dela houve a Grécia em 1949, as Filipinas em 1959, o Peru e a Colômbia em 1965. Fracassaram não apenas porque seus líderes deixaram de seguir com fidelidade os ensinamentos teóricos de Mao Tsétung, do General Giap e mesmo de Guevara. Hoje, existe uma arma quase tio forte quanto a guerrilha. Chama-se contraguerrilha. Ela é dirigida por um cérebro que controla todos os movimentos de guerrilha do mundo. O seu Centro de Comando está na Flórida, Estados Unidos.

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A contraguerrilha Se estas guerrilhas fracassaram, não foi apenas porque os seus líderes deixaram de seguir com fidelidade as teorias de Mao Tsé-tung, do General Giap e mesmo de Guevara. Hoje, um cérebro controla e intervém em todos os movimentos de guerrilha do mundo. £ o Centro de Comando e de Direção Contraguerrilha, criado em 1965 na Flórida — Base Aérea de Eglin —, onde são sistematicamente centralizadas as informações. Além desta organização permanente, os Estados Unidos criaram outros organismos — mais propriamente exércitos — que podem intervir diretamente num pais de guerrilhas. A principal organização no gênero é o STRICOM — Strik Command —, criado a 19 de Janeiro de 1962, que se desenvolveu com muita rapidez. £ composta de quatro divisões do Exército, estacionado na Carolina do Norte, no Fort Bragg, em Okinawa — ilha que teoricamente pertence ao Japão, mas na prática é controlada pelos norte-americanos —, e na Alemanha O c i d e n t a l . O STRICOM possui várias divisões da Força Aérea e mantém estreitas relações com a CIA — Central Inteligency Agency —, tendo recentemente criado o Centro de Treinamento Misto no Canal do Panamá. A intervenção norte-americana é justificada pelo Tratado do Eio de Janeiro, assinado em 1947. Um dos grandes argumentos da contraguerrilha é o armamento. O radar portátil pode descobrir o menor movimento à noite ou em pleno ne-' voeiro. O starlight sight, ou vlsor-luz de estréias, amplia a fraca luz noturna e faz enxergar à meia-noite como se fosse dia claro. A carabina spew lança, em vez de bala, pequenos dardos de aço, de alta velocidade • maior poder de penetração. Além disso, constantemente o armamento vai sendo aperfeiçoado, desde a metralhadora de granada até o helicóptero móvel.

No início, os guerrilheiros gregos limitavam suas atividades às regiões próximas da fronteira setentrional. Taticamente importante porque, diante de qualquer ameaça, fugiam para o outro lado da linha divisória, onde tinham sido montados numerosos acampamentos. Depois, passaram a operar na zona central e meridional. A inferioridade do seu exército era compensada por uma organização perfeita adaptada à guerrilha. Possuíam uma infra-estrutura clandestina, distinta do comando operacional. Essa infra-estrutura era dividida em setores. Os quartéis-generais dos setores organizavam a busca e difusão de informações, tratavam dos assuntos políticos, divulgavam temas de propaganda, mas não assumiam o controle das operações. A propaganda era feita pelo rádio, jornais, folhetos e conferências clandestinas. Atacavam principalmente o Exército do Governo. As unidades combatentes operavam no interior. Enfim, uma organização perfeita, capaz de levar a guerrilha à vitória. Em abril de 1947, os guerrilheiros levavam grande vantagem sobre as forças governamentais. Mas em dezembro houve a intervenção dos Estados Unidos. Em abril de 1948, as tropas governamentais passavam ao ataque, e a batalha de Cramos no dia 29 de junho foi decisiva. Durante 15 meses, 15 mil revolucionários sustentaram e rechaçaram os constantes ataques de um exército de 50 mil homens bem armados. Em fins de agosto de 1949, apoiados pelas Forças Aérea e Naval, as tropas do Governo liquidaram a revolução, com farta ajuda americana. Filipinas O principal erro das guerrilha? fillpinas foi confiar demais. O seu fracasso pertence mais às histórias de espionagem que à análise de uma derrota militar propriamente dita. Em 1959, os norte-americanos conseguiram Infiltrar um de seu? agentes no Quartel-General da guerrilha filipina. Este agente — provavelmente o coronel John Landsdale — acabou se tornando chefe da Guarda Pessoal do Comandante das Forças Rebeldes, general Taruc. O agente enviou ao Departamento de Estado norte-americano Informações sobre as manobras e fotos de todos os membros do EstadoMaior. O resultado foi trágico: no mesmo dia, 1175 chefea guerrilheiros foram presos. O esquema nunca mais foi remontado, e a guerrilha acabou por falta de liderança.

Mas seria simples demais atribuir o fracasso apenas â espionagem. Ao lado dela, já havia um perfeito esquema de contraguerrilha que incluiu a criação de falsas guerrilhas para iludir e confundir as populações, um perfeito sistema de comunicações entre os colaboracionistas e o Exército do Governo e a coleta de informações indispensáveis sobre as operações. A contraguerrilha era sustentada pela avançada técnica norteamericana: raios infravermelhos, venenos especiais que destruíam as folhagens e colocavam os guerrilheiros a descoberto, bombardeios com aviões especializados e bloqueio da retaguarda para impedir o reabastecimento aéreo. Enfim, a utilização de todos os recursos científicos possíveis. Os norte-americanos gastaram 80 mil dólares com cada guerrilheiro filipino. Para conseguir a rendição dos que restaram livres e ainda lutavam, prometeram, a t r a v é s de Ramón Mgsaysay, "ofertas generosas de terras".
Peru

des com um grande instinto de autodefesa contra tudo que venha de fora. A aparição do MIR com «eus focos rebeldes provocou as mais diversas reações no Peru. Sem insistir na absoluta oposição dos apristas, que se ofereceram para pegar em armas contra o castro-comunismo, a reação mais séria vinha do Govêrnc> empenhado nas reformas dentro da linha da Aliança para o Progresso, • de uma esquerda extremamente ponderada. Em 1965, o Presidente Belaunde Terry assinou um decreto mandando aplicar a pena de morte contra toda pessoa que se insurgisse à mão armada contra a ordem institucional no Peru. Colômbia Com a ajuda material norte-americana, inclusive helicópteros, o Exército da Colômbia conseguiu sufocar em 1965 as chamadas Repúblicas Camponesas Independentes de Viota Marquetalia, El Pato, Guabayero e Rio Chiquito. Mas o fim da guerrilha na Colômbia só viria dois anos depois, com prisões em massa decretadas pelo Governo de Bogotá em março de 1967, '.'para fazer face ao recrudescimento das atividades de guerrilha". Pouco antes, muitos lideres tinham sido mortos, entre eles o padre Camilo Torres, que pediu ao Vaticano a suspensão de ordem para se entregar à luta revolucionária. Dois fatores contribuíram para o fracasso das guerrilhas colombianas: 1 — A ajuda maciça das forças especiais norte-americanas de contraguerrilha, com base na zona do Canal do Panamá; 2 — A omissão do Partido Comunista, de linha soviética, que domina quase todo o movimento de esquerda na Colômbia. Em seu último discurso na Conferência Tricontinental de Havana, Fidel Castro criticou, com insinuações, o acordo comercial que acabava de ser firmado entre Bogotá e Moscou.

Grécia 0 fracasso dos rebeldes gregos foi o primeiro de uma história de mais de 20 séculos de guerrilha. O seu resultado foi trágico: três anos de guerra revolucionária — <fe 1946 a 1949 _ 50 mil mortos e 600 mil refugiados. Os outros ainda esperam a liberdade na prisão. Mas. se a revolução grega terminou em fracasso, foi porque os norte-americanos aplicaram com êxito, pela primeira vez, a contraguerrilha, e porque os líderes rebeldes não seguiram fielmente os princípios essenciais da guerrilha. Cometeram três erros táticos: 1 — Transformaram as guerrilhas em exército regular, de maneira inadequada e inoportuna; 2 — Os líderes viviam em estreita desunião: M a r k o s , Comandantechefe, o mais audaz comunista gregp, foi afastado porque era contrário à formação do exército regular; 3 — A briga entre Tito e a União Soviética resultou no fechamento das fronteiras greco-iugoslavas. O exército popular perdeu grande parte da ajuda soviética, que era feita através da Iugoslávia. Enfim, a intervenção direta dos norte-americanos e ingleses, e os bombardeios maciços com toneladas de bombas ordinárias, foguetes e napalm (os mesmos usados hoje no Vietname) liquidaram os guerrilheiros gregos.

Em 1965 o guerrilheiro Luís de La Puente, Seeretário-Geral do MIR — Movimiento de Izquierda Peruano — foi surpreendido no seu maquis de Mesa Pelada, e morto a tiros. Ao mesmo tempo, a guerrilha de Pachacultee era aniquilada. Era a eliminação de mais um foco de guerrilha na América Latina e o fim da ilusão de que o exemplo de Sierra Maestra pudesse ser imitado facilmente. Mas o resultado de mais este fracasso não se limita apenas ao Peru. Se foi uma catástrofe para as guerrilhas andinas o desaparecimento do fundador do' MIR e da guerra de guerrilha no Peru, o foi também para os outros movimentos de esquerda do Continente. O que acontece nos Andes peruanos interessa especialmente aos países da zona andina. O próprio Guevara sonhava em transformar os Andes numa Sierra Maestra. Há pouco, o jornal francês Le Monde chamou o Peru de pais-teste. A situação peruana hoje é bastante diferente de Cuba pré-revolucionária. Em Cuba havia uma crise política permanente, um exército revolucionário, a ausência * partidos, publicidade e apoio aos rebeldes, e ainda audazes camponeses, conquistados pelos revolucionários. No Peru, a situação é bastante diferente: ganhar a confiança dos indígenas é coisa muito difícil. Eles são comunida-

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O ESTADO DE S. PAULO

DOMINGO, 1 DE SETEMBRO DE 1968

Onde se forjam futuros Vietnãs
tônio Arguedas para a entrevista, D.O Ele era um simples nas de operações militares". Aí 2.o — Que os campos especiais j ouvi do próprio guerrilheiro as membro da organização clandes- surgiu o sorriso e começaram a j de treinamento em Cuba estão I seguintes informações: tina e sua missão terminaria no falar da "filosofia da revolução' sendo ampliados e estão repletos Enviado especial l.o — Ele era o chefe do se- momento de sua prisão. latino-americana", do "poder da de fu'.tiros guerrilheiros do Peru, tor de apoio urbano das guer6.0 — O dinheiro apreendido guerra de guerrilhas", da "im- jColômbia, Venezuela, Bolívia e rilhas na Bolívia. era apenas o resto de uma im- portancia do socialismo nas re- outros países. ntelectuais, estudantes e jo! 3.o — Que a Checoslovaquia, I vens latino-americanos es2o — Sua missão era coords- portância que ascendia a vários publicas latino-americanas", d o tão recebendo treinamento 1 nar todo mecanismo que fácil:- milhares de dólares, obviamente "heróico ato do comandante a União Soviética e a China Co-1 ! Guevara, da "iminente munista estão também, de code guerrilhas na Checoslo- tasse aos guerilheiros sua ação empregados na articulação e sus- "Che" vaquia e Cuba, apesar das restri- no país. Isto compreendia entre- tento do movimento iniciado por queda do capitalismo no conti- mum acordo, enviando armas | em Nhancahuasu. nente sul-americano através dos para os movimentos guerrilheições impostas pelos governos da ga de dinheiro, aluguel de resi- "Chê" 7.0 — Recebera treinamento movimentos armados" e final- ros em Angola, Guiné Portugue* I América Latina, nào fornecendo . dencias para refugio; faEsificavistos nos passaportes para via- ! ção de documentos; compra e para a luta de guerrilhas, em mente, falaram sobre como fun- sa, Moçambique e outros Estagens ã ilha de Fidel Castro. fornecimento aos guerrilheiros, campos especiais na Checoslova- ciona a rede de formação de guer- dos africanos. : de viaturas, armas, abastecimen- quia e Cuba e todas as snas via- rilheiros. 4o — Que, realmente, Cuba Esta é a conclusão a que cha- | to e radiocomunicação dos focos gens á Ilha do Caribe haviam desempenha papel importante gamos, em Berlim Oriental, após I guerrilheiros, com La Paz e Ha- sido feitas via Praga. n? guerra de guerrilha em todo entrevistar ocasionalmente, al- i vana. Três meses depois, surpreeno mundo e que "Che" Guevara, guns estudantes latino-americadentemente, á sombra das mi3.o — Os 20.000 dólares encon! antes de se dirigir para a Bolí- ! nos, que estavam de partida paTudo quanto disseram confir- via, passou meses orientando e nas do Dl Reich, em Berlim trados em seu poder, no fundo ra Cuba, via Checoslovaquia, "pamou o depoimento prestado por guerrilheiros no I ra desfrutar das férias". Esta re- falso de uma maleta, eram de Oriental, por mera causalidade, Júlio Pacheco, vindo esclarecer adestrando : Congo, para as incursões em portagem, realmente, iniciou-se origem cubana e lhe haviam si- tive oportunidade de conversar novos fatos: ; i longamente com. futuros goerdo entregues por outro guerriMoçambique e Angola. na Bolívia, durante o mès de abril, onde tivemos a oportuni- lheiro peruano de nome "Chiang" ! rilheiros sul-americanos. l.o — Que o governo da Ale5.o — Que, no momento, três A princípio, a alegria de falar o qual tinha vindo de Havana, via dade de entrevistar o jornalista manha Comunista colabora com | vietnãs estão nascendo na ÂfriPraga. Júlio Danigno Pacheco, preso uma língua latina. Depois, a o governo da Checoslovaquia e \ ca e que nas Américas ainda 4.o — Desde o momento de desconfiança. Durante alguns este, com o governo de Cuba, | paira duvidas quanto á eclosão I pelos agentes secretos bolivianos e acusado de ser o chefe de ope- sua prisão, a organização clan- minutos, procurei em vão um facilitando meios de transporte, I de um movimento principal. Na rações de apoio urbano do mo- destina para a qual trabalhava, meio para abrir um jogo franco alojamento e alimentação para opinião deles, a ordem é a se- I vimento guerrilheiro liderado já estaria funcionando novamen- e éle surgiu no meu passaporte. os jovens sul-americanos interes- guinte: Haiti, Republica Dominipor Ernesto "Chê" Guevara. Na- te no país, com táticas diferen- Foi quando mostrei a eles uma sados por cursar a guerra de cana, Peru, Bolívia, Colômbia, quela oportunidade, após obter tes, novos agentes, porém com frase escrita pelas autoridades guerrilha, na terra de Fidel Venezuela, Paraguai, Uruguai e j bolivianas: "Não pode visitar zo- Castro. Brasil. a autorização do ex-ministro An- os mesmos objetivos.

Stipp Júnior

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Confirmação

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Marighella apresenta guerrilha rural como tática certa de luta
I A tática e a estratégia da guerra dé guerrilha no Brasil, desde sua preparação até os objetivos finais, são apresentadas enà u m documento assinado por Carlos Marighella. | O trabalho datado de agosto último e elaborado em Havana é dedicado "à memória do comandante Che Guevara, cujo exemplo de guerrilheiro heróico perdurará pelos tempos e frutiíicará em toda a América l a t i n a . " Apresenta a guerrilha como "caminho fundamental, c mesmo único, para expulsar o imperialismo e destruir as oligr.-quias, levando as massas ao poder." Salienta que a tarefa estratégica fundamental da guerrilha "consiste em aniquilar as forças do inimigo, compreendendo-se como tal não só as forças militares do imperialismo dos Estados Unidos como as forças militares convencionais dos gorilas brasileiros." Prega a estratégia da luta armada continental, com o surgimento de focos cm todos os países latino-americanos, tornando efetiva a palavra de ordem de "criar dois, três, muitos Vietnames." Especificando as características da luta, o trabalho sustenta que o choque com forças rcgulares não deve ocorrer nas áreas de grande concentração populacional, onde exércitos poderiam se deslocar com facilidade, mas em regiões que dificultam as ações de guerra convencional. Pondera, que a luta será demorada, dentro da lei básica da guerra, que é "a preservação *?as nossas próprias forças e o aniquila m o . to das forças inimigas." Seu título: Algun as Questões Sobre as Guerrilhas do Bra?l. :

"Com t-\r trabalho querrmoi homenagear a memória d V > comandante C i e Guevara, cujo exemplo de guerrilheiro heróico perdurará pelo's tempos e írutificará em toda a América Latina. — C/irlos Marighella"

[ "A luta de guerrilhas, através da história, sempre íoi um Instrumento de libertação dos povos, e a experiência provou, Inúmeras vezes, que importante é e que valor tem na mão dos explorados. | Além desta lnapreclável importância, a guerrilha assumiu nos dias de hoje uma nova dimensão, ao lhe ser atribuído o papel estratégico decisivo n a libertação das povos. Quer dizer, a guerrilha incorporou-se definitivamente â vida dos povos como a própria estratégia de sua libertação, o> caminho fundamental, * mesmo único, para expulsar o imperialismo e destruía: as oligarquias, lavando a s massas ao poder. i Tal formulação do problema, como seja o do papel estratégico da guerrilha, não «urgiu casualrrfente, • sim porque a revolução cubana o introduziu no cenário da história. i Até então a experiência das revoluções de caráter marxlsta-leninista assentara suas Mses na transformação da guerra lnterimperiaüsta mundial em guerra civil pela tomada do poder. Esta situação, com suas Indispensáveis variantes, assinalou o (desenvolvimento da história dos povos pelo menos durante quatro décadas, a partir do triunfo da Grande Revolução Socialista de Outubro. 1 A revolução cubana, como parte integrante da rávolução socialista mundial, trouxe ao marxismolanlnismo um novo conceito; o da possibilidade de conquistar o poder, através da guerra de guerrilhas, e expulsar o Imperialismo, quando não h á guerra mundial, e não se pode, portanto, transíarmá-la em guerra civil. Esta contribuição teórica e pratica da revolução cubana ao marxismo-leninismo elevou a um pfeno inteiramente novo a guerrilha, coljcando-a n a ordem do dia por toda a parte, e em especial nà América Latina. j No Brasil, este assunto é da maior atualidade e,,por isso, apesar da vigilância e da repressão da ditadura militar que massacra nosso povo, em todo 0 'país aumenta o Interesse sobre a guerrilha e í í p discutidos seus temas mais importantes. i Que há de fundamental e ao mesmo tempo de mais elementar nas guerrilhas, no Brasil. Quais os píoblemas que nos chamam a atenção? , 6 uma visão geral desses problemas o que pretendemos apresentar a seguir, tomando como apoio a incipiente experiência brasileira sobre guerrilhas.

cipal método de condução da luta armada é a ofensiva estratégica. O Brasil é um país de área continental, e, por conseguinte, apropriado paia a ofensiva estratégica da guerrilha, que precisa de espaço para mover-se. A guerrilha brasileira tem qOe estar educada para operações móveis, desde as mais elementares às mais complexas, pois uma guerra revolucionária prolongada no Brasil será uma guerra de movimento. A ofensiva estratégica, como método principal de conduzir a luta armada, proporciona o máximo de iniciativa à guerrilha, e uma liberdade de movimentos que não é permitida ao inimigo, lançado ao* azares de uma perseguição interminável, em áreas rurais tremendamente hostis e desconhecidas. Além disso, a diversidade de territórios e a variedade de ocupações da numerosa população do país possibilitam à guerrilha dispor de reservas estratégica-, tais como: recursos de potencipl humano, amplamente relorcados pelos contingentes de operários e camponeses, recursos provindos das atividades dos trabalhadores rurais e recursos oriundos do potencial econômico das áreas urbanas. Ccntando efim tais reservas estratégicas e pugnando por objetives Míticos e patrióticas como a expulsão do imperialismo * a tomada do poder, para a totp] libertaç?r> d i np ç e s ia radical transformação, a guerrilha brasileira tem na ofensiva estratégica o método invensivel de condução da guerra revolucionária.

Evitar o cerco estratégico do inimigo
Devido às condições, históricas brasileiras, a concentração da superestrutura das classes dominantes e de suas forças repressivas se verifica na extensa faixa à margem do Atlântico a recião mais bem povoada do Brasil, de maior penetrarão do capitalismo, servida por modernas ferrovias e rodovias. Esta rejião é a reglio do cerco estratégico. Tal cerco ocorre por diversos fptõres. dentre os quais destacamos os dois seguintes: 1 — O inimigo tem suas tropas acampadas em toda a região litorânea, onde proliferam as relações capitalistas, cem as Inumeráveis facilidades para comunicação e transporte, além dos recursos da técnica moderna. 2 — O inimigo domina com suas forcas militares o relevo norte-sui, bem como o mais importante sistema orográfico do pais. proietado sobre o Atlântico, e erguido, dentro da faixa litorânea, entre os maiores centros urbanos brasileiros. A guerrilha brasileira deve evitar o confronto com a esmagadora superioridade do inimigo na faixa atlântica, onde este tem .mas forças cony centradas, Se optar por esta solução, a guerrilha, mesmo que disponha de meios para instalar-se no sistema ororráfico existente dentro da área inimiga, estará por sua própria iniciativa dentro das condições de um cerco estratégico Ao contrário, lançar a luta guerrilheira na área fora das condições do cerco é iniciar a ofensiva estratégica contra o inimigo, obrigando-o a deslocar-se da faixa litorânea para perseguir a guerrilha. Tal situação permitirá o crescimento da ação das forças revolucionárias urbanas, que poderão cortar vias de abastecimento e comunicações dificultar o transporte de tropas, e intensificar o apoio logístico à guerrilha. Assim, as conseqüências para as Forças Armadas convencionais serão desastrosas não só por terem de combater fora de seu habita* natural como porque se verão obrigadas a enfrentar ó castigo das forças urbanas revolucionárias na retaguarda.

Deve ser exposto às massas com muita clareza e objetivo político da guerrilha, ou seja a expulsão do imperialismo dos Estados Unidos e a destruição total da ditadura e suas forças militares, para, em conseqüência, estabelecer-se o poder do povo. Não se deve, entretanto, empreender a guerrilha sem um plano estratégico e tático global, com base na realidade objetiva. Tal plano é necessário para que a guerrilha não venha a ser uma iniciativa isolada, desligada dos grandes objetivos patrióticos perseguidos por nosso povo, e sem a imprescindível visão do processo de aniquilamento das forças do inimigo. Além do plano, a guerrilha requer preparação. Uma boa preparação começa com a seleção cuidadosa dos homens, que devem advir, particularmente, do setor de operários e camponeses. A preparação da guerrilha exige ainda o adestramento do combatente, sobretudo para o tiro e a marcha a pé, alsrumas armas e munições, a exploração do terreno, noções de sobrevivência e •orientação, e a organização Inicial do apoio logístico, incluindo a coleta de recursos de todos os tipos. O que caracteriza o planejamento e a preparação da guerrilha é o segredo, á vigilância e a segurança mais absoluta, a proibição rigorosa do uso de papéis e cadernetas com nomes e endereços escritos, planos e apontamentos, que podem vir a cair nas mãos do inimigo. Sem estes cuidados, a primeira fase da guerrilha não tem condições de ir adiante.

g) Os combates, ações de surpresa, emboscadas e pequenas manobras táticas têm como objetivo principal capturar armas e munições. h) Além da extrema mobilidade, rapidez de decisões nas ações de combate, a norma de conduta da guerrilha é o permanente deslocamento, favorecido pela extensão continental do país e a diversidade das condições de terreno. i) A guerrilha deve exercer severa vigilância e exigir rigoroso cumprimento das normas de segurança.

Quanto às relações entre a guerrilha e o povo
OE princípios da sobrevivência aqui são os seguintes: a) A guerrilha deve ter uma conduta honesta e leal, não fazer injustiças e dizer a verdade. Estimar, respeitar, ajudar o povo e jamais violar os seus interesses. b) A guerrilha deve viver e nutrir-se no meio dos camponeses, identificando-se com eles e respeitando seus costumes e religião. Explicar-lhes a natureza de classe do inimigo, o papel da guerrilha e o seu objetivo político. Organizar entre eles o trabalho de informações e o apoio logístico da guerrilha. c) A guerrilha deve abster-se de aplicar qualquer método de banditismo, é levar a efeito ato próprio de bandido ou juntar-se a eles. Quando a segunda fase da guerrilha é conduzida de tal modo que os erros são corrigidos no processo da lwta, a estagnação e a passividade são abolidas e a sobrevivência da guerrilha fica assegurada, estão preenchidas as condições para a passagem à terceira fase.

No mesmo artigo, Lênine acrescenta: "O Governo revolucionário é necessário para assegurar a direção política das ma&sas do povo." Partindo da marca zero, a guerrilha possibilita a organização da força do povo, a principio , seb a forma de uim pequeno núcleo de comba- tentes, que se lança à luta dentro de um plano estratégico e tático global. E em seguida, sob a ' forma de u m ' Exército combatente, que nada tem a ver com o convencionalismo militar. Uma das indispensáveis tarefas da estratégia da guerrilha no Brasil é a criação deste Exército, genuinamente popular, que parte do nada e, através da guerra revolucionária chega a uma organização militar capaz de praticar a guerra de manobras, vencer o inimigo, e, em conseqüênc ! a, conquistar o poder para o povo. O crescimento da guerrilha em prestigio político, potência de fogo e apoio das ma5,ãas produz modificações no curso da luta. atingindo a organização militar, os métodos de' conduzir, a guerrilha, as ações do combate e o emprego das forças. A guerrilha dá um salto para i a frente. E passa do tipo de organização de grupos^ guerrilheiros para o tipo de organização de um . .Exército, revolucionário. Mas um Exército revolucionário não convencional, surgido da guerrilha,^ com base na aliança armada de operários e c a n v ' " poneses aos quais se reunirão estudantes, intelectuais, e outras forças da revolução brasileira. Destacamento, colunas e outras formas revo» • Iucionárias de organizarão militar constituirão o, Exército do povo que libertará o país.

L a n ç a m e n t o e sobrevivência da g u e r r i l h a
Apesar de que o inimigo no Brasil já está prevenido e reprime violentamente as tentativas de guerrilha, a primeira fase da luta guerrilheira ainda prc;:sssue. Quan:-i a secunda fase. esta é a ]tlo lançamento e da sobrevivência da guerrilha, e se destina a converter uma situação política em /situação militar. I Com esta segunda fase, as tarjefas políticas convencionais propostas pelos direitistas, como seja eleições, frente-ampla, luta pacífica, etc. caem no descrédito público. Surgem métodos de luta revolucionários e de apoio à guerrilha, com a finalidade de aniquilar as forças do Inimigo. Esta mudança é muito violenta e produz impacti em todos os setores de luta. Cs gorilas se defrontarão com uma situação militar, que procurarão resolver segundo os métodos convencionais do militarismo profissional, i a tes métodos serão confrontados com os métodos não convencionais da guerrilha. A vitória será da qi-em melhor emprego fizer da lei básica da fruerra. Cu de quem tenha- melhores condições no meio do povo para fazê-lo. A vitória será da guerrilha. O lançamento da guerrilha deve constituir obrigatoriamente uma surpresa para o inimigo, como decorrência de dois fatores. Um deles é que, na segunda fase da luta de guerrilhas no Brasil, a forma principal das ações de combate cansiste nas ações de surpresa e na emboscada. O outro é que o método principal da condução da luta de guerrilhas nesta fase reside na ofensiva, cujo papel decisivo se revela no aniquilamento das forças do inimigo. Em matéria de formas de ação de combate e métodos de conduzir a luta armada, a derrota da guerrilha no ato de seu lançamento é produzida pelos seguintes erros: a) Não utilizar surpresa contra o inimigo; b) Deixar-se surpreender pelo inimigo ou cair no seu cerco tático; v cl Travar combates decisivos em pontos onde o lnimiso, mesmo eventualmente, tem superioridade: d> Começar a luta nas condições do cerco estratégico do inimigo e n: o ter plano esU-atérico • tático global, não conhecer o terreno, e violar grosseirr mente as leis da guerra. Na maioria distes casos estão incursas as tentativas de guerrilhas fracassadas no Brasil, incluindo Caparão.
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Mudança da forma principal das ^ações de combate
Na terceira fase da guerrilha, a forma principal das ações de combate são as açóes de ma-" inobra, não mais as ações de surpresa da segun-' da fase. Isto significa uma mudança de qualidade na luta de guerrila. Trata-se agora da trans- . formaçãho da guerrila em guerras de manobras. Ê possível agora à guerrilha concentrar forças ou daslocá-las para aniquilar o inimigo e realizar ope-,, rações de cerco e de. aniquilamento. O método principal de conduzir a guerra de manobras continua sendo a ofensiva. Mas do que nunca porém, nesta, fase, a guerrilha deve estar atenta a dois princípios: 1 — Não somente avançar mas também admitir a retirada; 2 — Não .expor as forças principais das guerrilhas a um golpe inimigo de relevo na condução da luta ou no desfecho da guerra revolucionária. A sorte da guerra se decide por suas ações . de manobras. O inimigo, em inferioridade de forças, é, obri-...• — tçu*? * panww per«, a guerra de posições ou_» r e n - • der-se e desintegrar-se, com o aniquilamento. . total.

Crescimento da guerrilha e sua t r a n s f o r m a ç ã o em g u e r r a de manobras
A terceira fase da guerrilha é a última da guerra revolucionária. É a fase do crescimento da guerrilha e sua transformação em guerra de m a nobras, a fase decisiva de aniquilamento do inimigo. 0 desenvolvimento desta fase é impossível sem uma série de condições, entre as quais se destacam: 1 — O crescimento político da guerrilha. 2 — O crescimento de sua potência de fogo. 3 — o aparecimento da retaguarda. 4 — A criação do exército revolucionário. 5 — A mudança da forma principal das ações de combate.

i • O Brasil é um país de quase 90 milhões de h a bÇantes, dispondo de uma imensa extensão territorial. Em área continua, no mundo, só é superado p»la União Soviética, a China e o Canadá. • As condições histórico-sociais e geográficas favcjrecem no Brasil — tal como aconteceu com a URSS e a China — o desencadeamento da revolução e sua vitória. Em nossa maneira de pensar, a revolução no Brasil é a guerra revolucionária, em crjjo centro se encontra a luta de guerrilhas. A tarefa estratégica fundamental da guerrilha brasilefc-a é a libertação do Brasil, com a expulsão do ' tjperialismo dos Estados Unidos Falando em tarde guerra, essa tarefa estratégica fundamentai! consiste em aniquilar as forças do Inimigo, compreendendo-se como tal não só as forças militajres do imperialismo dos Estados Unidos como as forças militares convencionais d^s gorilas - brasileiros. J Aniquilar quer dizer tirar ao inimigo a capacidade de agir militarmente, destruindo e capturando suas armas e impossibilítando-o de prosseguir n a guerra de manobras. Quando se trata das íôi-ças militares dos gorilas brasileiros, aniquilar típibèm quer dizer desgastá-las. esgotá-las, desmoralizá-las e separá-las, no final, das forças militares dos Estados Unidos, aeixando os imperialistás sozinhos e as reacionárias forças armadas naclpnais completamente destruídas. Sempre que os Estados Unidos estiverem acompanhados de forças militares gorilas de países latino-americanos, é nec^sário aniquilar o inimigo um a um e deixar os infperialistas combatendo isolados. Será este sempife o sentido em que empregaremos o termo aniquilar.

Aniquilar as forças do inimigo — Rareia fundamental da guerrilha

0 crescimento político da guerrilha
Na terceira fa.se, o objetivo político da guerrilha passa a ser conhecido do povo, terminando a situação em que era conhecido apenas de um círculo limitado de pessoas. O objetivo político da guerrilha transformase, então, no mesmo objetivo de grandes massas do povo. Decorre daí o crescimento da autoridade política do comando da guerrilha. Seu trabalho ideológico se torna mais eficiente. As palavras de ordem da guerrilha passam a influir nas cidades. O comando total da luta se transfere para a guerrilha.

Núcleo operário-camponês e o apoio do povo - Segredo da vitória"
Quando se desencadeou o golpe de abril dé 64, no Brasil, não houve resistência. O imperia- • lismo norte-americano e os gorilas nacionais se" aproveitaram disto e estão massacrando o nosso ' povo. Se fizermos a resistência, eles tentarão aniquilá-la, para que tenha prosseguimento a expio-ração do Brasil. Mas a resistência deve ser feita, A resistência do povo brasileiro é a guerrilha. A guerrilha é para defender a causa dos pobres, dos humilhados e dos ofendidos, dos homens • f mulheres de pés descalços, fi para conquistar a ' libertação do Brasil, expulsar o imperialismo norte-americano, aniquilar a ditadura e as suas Fôr- < ças Armadas, derrubar o seu poder, e instaurar o - ' poder do povo. Nossa guerrilha não tem base fixa. Sua base ,é o povo, é o homem brasileiro. Seu. . principal /sustentáculo é o núcleo operário cam- pones, a aliança armada de operários e camponeses brasileiros, que constituem a maioria da. , nação. A guerrilha brasileira não ocupará terras nem adotará a tática de auto defesa dos campo- ^ neses, para não ter que defender territórios e ba->" " ses fixas e desviar-se de sua rota de ofensiva e s - ' ' tratégica, caindo na defensiva. A defensiva é a' • morte. As dívidas dos camponeses serão canceladas. Os papéis comprovantes de suas dívidas serão queimados. Os camponeses que ocupam terras, os ar- 'rendatários, parceiros, posseiros que lutam contra, j os despejos, os assalariados agrícolas que queimam canaviais, os trabalhadores rurais que fazem greve no campo, lutam por suas reivindicações e são perseguidos pela Polícia e o Exército, por sua atividade organizando sindicatos, ligas camponesas • associações, podem ingressar n a guerrilha e, dentro dela, prosseguir na luta pela revolução agrária, pelo aniquilamento do inimigo e a tomada do poder. >> A guerrilha brasileira castigará os latifundiários norte-americanos que são donos de terras no . Brasil e os latifundiários brasileiros contra-revo-.., Iucionárias, bem como os seus capangas e os que abusa» das mulheres dos camponeses. O que a . guerrilha deve fazer é convulsionar o campo, levantando aí a bandeira da luta armada. A guerrilha brasileira incursionará nos povoados, mas só em defesa dos interesses do povo e"" em busca do seu apoio político e logístico. Para isto. formará secretos destacamentos armados da"'" população local e organizará o povo sob formas revolucienárias. A guerrilha brasileira será dotada de um espírito político avançado e progressista, guiando-se pelos princípios do marxismo-leninismo, com que conquistará o apoio do povo. O apoio1 da população deve existir para excluir a possibilidade de filtração de informação da guerrilha- - ao campo inimigo. A tarefa de eliminar os delatores será confia- . , da ao povo. A causa do inimigo é injusta. E êle sabe disto, . . pois tem consciência de que é explorador. Ao verse acuado no campo pela guerrilha, o inimigo se tornará mais cruel. Esta crueldade nos dará o apoio de milhões de pessoas. A guerrilha será o •:.". oposto da crueldade, dará tratamento humano-, ; aos prisioneiros, os respeitará e socorrerá os-Je-,^.ridos. No seio do inimigo há muitos militares que..<... individualmente apoiam o povo. Estes militares,, ', no momento oportuno, devem desertar com auaso'*'." armas e a.petrechos e ingressar na guerrilha. O fator decisivo da vitória da guerrilha está * no apoio do pevo. na confiança cega e absoluta nas s. A guerrilha deve fazer a mobilização po- i li;ira do povo, e uma ardente agitação no meio dele. Nos ombros de milhões de mulheres e ho~. * . mens do pova. particularmente entre a juventude, devetn aw cotbcadtt.u tarefas de responsaMUdade; coletar lundos. conseguir armas, munições, remédios, recursos de toda a natu:v,:;. enviando- \ • combatentes e voluntárias à guerrilha. Para ven- - • cer é preciso unidade. O povo deve unir-se pela base, em suas organizações, e com isto chegar a unidade das fôrçns populares e revolucionárias, e gamais permitir o engodo das frentes burguesas tipo frente ampla. O segredo da vitória é o povo. Carloi Marighella — Havana, agosto de 68."

Crescimento da potência de fogo da guerrilha
Com o sucesso das formas de ações de combate da segunda fase, a guerrilha passa a ter novos tipos de armas. Melhora a qualidade do armamento. Pode d'sv>or de mais animais de transporte, chegar à motorização e a operações com a aviação. Melhora o serviço de comunicações e Informação e de socorro médico. Consoiida-se a rádio rebelde clandestina cuja instalação pode fazer parte da fase anterior da luta. Aumenta a experiência da guerrilha. Seu heroísmo, perseverança e capacidade combativa se reforçam. Todos ést3s fatores combinados determinam o aumento da potência de fogo da guerrilha. Quando aumenta sua po;ência de fogo, a guerrilha deve aplicar os dois princípios seguintes, tendo em mira o aniquilamento do inimigo: 1 — Passar de uma situação sem muita capacidade de fogo para a situarão de estender a linha de fogo. 2 — aumemar o espirito combativo da guerrilha e fazer vacilar o espírito cembativo do inimigo.

As fases f u n d a m e n t a i s da luta de guerrilha
A luta de guerrilhas não se desenvolve jamais de um só jato, isto é. desde quando se inicia até quando termina, com a vitória o.i o fracasso. Pensar que isto pudesse ser assim significaria considerar a guerrilha como a luta improvisada e arbitrária e não como a luta de classes que se desenvolve segundo as leis da guerra. Ainda que seja um prolongamento da política a guerra tem suas leis específicas. Quando estamos na guerra, devemos saber que sua lei básica é a preservação de nossas próprias forças e o aniquilamento das forcas do inimigo Nenhuma destas duas coisas se pode obter de uma vez só, e é obrigatoriamente necessário passar por um certo número de fases para atinijir os objetivos previstos. É por isto que o desenvolvimento da luta guerrilheira se processa por meio de fases distintas e bem características, interdependentes e relacionadas entre si. Não se trata de lese» determinadas arbitrariamente, mas presididas por leis inerentes à atividade consciente dos homens e das classes em luta. Estas fases têm traços comuns. O traço comum fundementt! de « al« quer delas consiste em sua subordinação total à lei básica da guerra: preservar nosSaa próprlai forças e aniquilar as do inimigo. Mas cada fase tem seus objetivos e suas particularidades e deve conter em si mesma os elementos e requisitos indispensáveis para a passagem à fase posterior. Assim na luta guerrilheira no Brasil distinguem-se três fases fundamentais: A primeira é a do planejamento e preparação da guerrilha. A segunda é a do lançamento e da sobrevivência da guerrilha. A terceira é a do crescimento da guerrilha e sua transformação em guerra de manobra. O tempo de duração de todas, ou cada uma destas fases não Importa, como ensina a História, pois os povos que lutam pela libertação jamais se preocupam com o tempo de duração de sua luta.

;J\ estratégia global da g u e r r i l h a
1 O imperialismo norte-americano adota uma estjfttégia global contra os poves e aplicará tal estratégia contra a guerrilha brasileira, que será combatida pelas forças militares dos Estados Unidos e seus títeres latino-americanos. Respondêramos com a mesmo moeda, combatendo o imperialismo e sua estratégia global com uma estiktégia global latino-americana. A estratégia globál da guerrilha, no Brasil, baseia-se no internfclonalismo proletário dos revolucionários brasileiros e no seu elevado espírito de solidariedade atts povos que lutam de armas na mão. ! Em conseqüência desse internacionalismo, um djs objetivos da estratégia global de nossa guerr |ha é lutar para tornar efetiva a ;a avia de oildem de "'criar dois. três muitos Vietnames." Cptro objetivo de nossa estratégia global é conefetizar a solidariedade a Cuba através da luta anrnada em nosso pais. A revolução cubana e Cuba socialista são vanguardas da revolução latinoamericana, constituem nossos aliados fundamentais «Ijnosso mais firme ponto de apoio, em virtude de sfla luta contra o imperialismo norte-americano. Pfcra nós, é uma questão de princípios estar a favjjr da revolução cubana e encaminhar a guerrilha brasileira por uma estratégia total, capaz de c(far obstáculos ao bloqueio e à posição agressiva djjs Estados Unidos contra Cuba. Nossa guerrilha vjfca, fundamentalmente, à conflagração de toda a,(América Latina. Quer dizer: trata-se de entrelaçar as guerrilhas dos países limítrofes e de que oH revolucionários dos países em luta se apoiem s nas outros para o aniquilamento dos gorilas ino-americanos. O imperialismo dos Estados idos, nosso inimigo comum, deverá ficar reduzido à situação de ver seus aliados destruídos e tar que lutar sem eles contra todos os povos latino-americanos. I!

;«.tôres de que d e p e n d e a sobrevivência

Quando a guerrilha é lançada com êxito, o problema da sua sobrevivência passa a ter prioridade e uma importância fundamentei e decisiva. A sobrevivência da guerrilha depende então: li Dcs seus objetivos políticos; 2» Do método da condução da luta armada; 3) Da estreita relação da guerrilha e o povo.

Q u a n t o aos objetivos políticos
Nesse particular os princípios são os seguintes: ai procurar despertar o povo e particularmente os camponeses cem a continuada presença dos combatentes guerrilheiros e a repercussão de sua ação política e revolucionária: bi tornar conhecido do povo o objetivo político da guerrilha ia e:;pu.'sáo do imperialismo dos Estac.ts Unidos e a destruição total da ditadura e sjas feiças gorCcs). A guerrilha deve contar paia isto com aparelhamciHO e organizações revolucionárias clandestinas, além de pontos, de apoio em todo país.

O aparecimento da retaguarda
A característica da guerrilha em suas duas fases anteriores é operar sem retaguarda e somente com pontos de apoio. O crescimento político da guerrilha lhe assegura pontes de apoio coletivos e leva à criação de uma retaguarda. Na fase final, a guerrilha brasileira dispõe de uma retaguarda interna e de uma retaguarda externa, esta última pelas forças dos países socialistas, as forças dos países do Terceiro Mundo e" as forças progressistas do mundo capitalista. • A retaguarda infama da guerrilha brasileira será constituída por toda a área do apoio logístico e da luta complementar da guerrilha. A guerrilha passará assim, de uma situação sem retaguarda para uma situação em que terá retaguarda. Isto levará o apoio losísíieo a um avanço jamrls atingido em qualquer fase anterior, e. graças ao apoio do povo, o sistema de abastecimento da guerrilha se transformará num sistema regular. Dispondo de retaguarda, a guerrilha terá em suas mãos reservas estratégicas que poderá, então, manejar em larga escala.

Quanto aos métodos de c o n d u ç ã o da luta a r m a d a
Sob tal aspecto são estes os princípios: ai o princípio básico da guerrilha é p a r * ' de uma situação em que temos inferioridade e *j nosso inimigo superioridade, e chegar a uma s1- ' tuação em que temos superioridade e o nosso i n l - ' migo inferioridade. Neste caso, não só as armas decidem. O fator decisivo mesmo é o homem, que maneja as armas e as captura ao Inimigo. Se o decisivo fossem as armas, venceriam os gorilas. bi Subordinar todas as ações de combate à lei básica da guerra, não se deixando aniquilar t aniquilando o inimigo nas variadas oportunidades, para crescer às suas custas e preservar as forças da guerrilha. c» A ofensiva é o melhor meio de aniquilar o inimigo, porém jamais devemos esquecer o principio de combinar a ofensiva e a retirada. d' Toda operação esírategica deve MT bem planiílcada para nunca nos determos a meio caminho. ei O objetivo de nossa estratégia não é solucionar problemas econômicos no curso da guerra de guerrilhas, e sim aniquilar o inimigo. Dai por que jamais devemos ter bases fixas, ocupar ou defender territórios. (i Devemos deixar ao inimigo a tarefa de defender suas bases fixas e territórios ameaçados de incursão, ocupa los ou recuperá-los. Isto põe o inimigo na defensiva, enquanto a guerrilha goza de liberdade de ação c iniciativa, desde qut não »t deixa aniquilar • preserva I U U íoroaa.

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d A ofensiva estratégica c o m o i principal m é t o d o de c o n d u ç ã o da g u e r r i l h a n o Brasil
• Nos países que estão em guerra regular como inimigo e onde ocorrem as guerrilhas, estas desempenham um papel de complemento da guerra rágular em curso Temos dois exemplos clássicos desse tipo. na Segunda Guerra Mundial, com os clsos da URSS e da China. | Êstc não é o caso do Brasil atual, onde a gtterra de guerrilhas não é para desempenhar o papel de complemento de uma guerra rrgular, que nfio existe, não é para se desincumbir de uma rnissão tática c sim para cumprir uma função estratégica- O problema d:> Brasil p que as forças populares e revolucionárias sofreram uma derrota c<>m o golpe de abril de 64 e bateram em retirada com pesadas perdas. Para livrar-se da ditadura e do imperialismo e de suas forças, armadas de repressão, as forças populares e revolucionárias tem que sair da defensiva e passar à luta de guerrilhas, enfrentando o Inimigo. Nesse caso, o prin-

Planejamento e preparação da g u e r r i l h a
Um dos requisitos básicos para a primeira lace da guerrilha p a eNisténcia de um pequeno núcleo de combatentes, «urgido em condições histórico- sociais determinadas. Este requisito constitui uma regra geral, Sua única exceção é 'em ca.so de guerra regular, quando a guerrilha preenche um papel tático, e o seu surgimento se dá por variadas maneiras, O núcleo inicial de combatentes deve ser imune ao convencionalismo dos Partidos políticos da esquerda tradicional e de suas lideranças oportunistas, e ter condições para enfrentar e conduzir a luta ideológica e política contra o grupo de direita oposto ao caminho armado. A luta ideológica deve ser levada ao conhecimento do povo com enorme audácia, confiança e amplitude, tendo em vista assegurar o apoio político • revolucionário dai m a u a i .

Criação d o Exército Revolucionário
Para que seja atingido o objetivo fundamental da guerrilha, é necessário criar o exército de origem guerrilheira, exército revolucionário capaz de aniquilar as forças armadas convencionais e de conduzir ai massas à tomada do poder, destruindo o aparelho burocrático militar tio atual Estado brasileiro e substltuindo-o pelo povo armado. A criação de um Exército dft-ta n:'.turc/a é uni princípio geral da revolução, princípio sobre o qual Lcnine insistia, ao afirmar o seguinte: "O Exército revolucionário corresponde a uma necessidade, porque os grandes problemas históricos só pedem resolver-se pela força, e a organização da força é, na luta moderna, a organização militar." (Artigo publicado no Prolclari em 1905, sob o titulo: Exército Revolucionário c Governo Revolucionário).

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