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Compartilhamento livre de cultura e os entraves da indústria

Com a internet nós ao mesmo tempo eliminamos a escassez dos bens culturais como também os intermediários de má vontade, apenas interessados no lucro
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Raphael Tsavkko Especial para o Jornal Opção Soa como clichê afirmar que o século XXI, este agora em que vivemos, é o século — ou talvez a era — do compartilhamento. Com a internet e seu crescimento temos milhões de pessoas compartilhando não só filmes e música, mas também ideias. Estamos diante da total subversão do modelo tradicional de capitalismo de consumo ou mercadológico, pois agora não compartilhamos um CD, um DVD, mas apenas as ondas sonoras, o mp3, ou as imagens de um filme. Não há necessidade mais do meio físico, do intermediário. Compartilhamos ideias, criamos de forma colaborativa. Não que não fosse assim antes, mas, digamos, escancaramos a situação. Quando você produz uma música, sem dúvida, está se apropriando de criações anteriores. São as influências. Ninguém produz algo do nada, todos somos influenciados pelo meio, por nosso entorno, por nossos gostos, história, mas com a internet levamos isto a um novo patamar. Não apenas nos inspiramos, mas muitas vezes vamos até a fonte de inspiração criar colaborativamente. O que antes era “inspiração”, hoje é colaboração, franca e direta. Mesmo empresas vão à rede buscar dentre seus consumidores ideias para nomes de produtos, opiniões e mesmo ideias mais específicas. A pesquisa de mercado não é mais um grupo de pessoas numa sala fechada, mas milhões de pessoas interconectadas opinando, conversando e criando. Uns poderiam dizer que não muda muita coisa, que deveríamos pagar pela música e pelo filme, mesmo que não se use um suporte físico para que ocorram as trocas. Que nossas ideias continuam sendo nossas, desprezando todo o entorno. Mas onde está o erro? A economia mundial capitalista é baseada na escassez ou na presumida escassez de um produto. Oras, se eu produzo 1000 CD’s, só posso vender 1000 CD’s, é muito simples. Se eu tenho um CD e te dou este CD, eu fico sem nenhum, então eu coloco um preço nesse bem material para que eu possa me desfazer dele e não sair no prejuízo. Isto é, de forma simples, a economia da escassez, ou seja, o modelo em que você produz bens finitos e cobra pelo privilégio de alguns terem acesso a estes bens.

é a indústria. eu falei que estamos na era do compartilhamento? Pois bem. sem a internet como você teria acesso àquele bootleg raríssimo da sua banda de folk uzbeque favorita? Na verdade. centenas e até milhares de pessoas terem acesso à obra sem precisar passar por todo esse drama e. ter a musica no seu PC e passá-la adianta sem ter de abrir mão do MP3. Ha algum tempo retomaram a ideia querendo criar imposto para venda de CD/DVD virgem. mas acaba com a possibilidade de um CD se esgotar.. Quantas vezes — especialmente na faculdade — fomos obrigados a nos matar pra achar aquele livro clássico. já há muito que artistas — exceto casos raros — tiram seu lucro de shows e não da venda de CD's. mas da mesma forma que na música. cujo lucro fica quase todo com intermediários e gravadoras. sem esperar pela — rara — boa vontade da editora de voltar a publicar aquele bendito livro.foi a de querer cobrar um imposto sobre a venda de fitas que seria revertido para as gravadoras — não para os artistas. o autor raramente recebe o suficiente pra comprar um café. além de tornar provedores entidades de controle policial). Especificamente tratando de música. Ao invés de se preparar para o futuro. Podemos ter uma relação muito maior de proximidade com nossos artistas e autores. O que não quer dizer que estes mesmos empresários não brigassem até na era analógica: Chegaram a querer criminalizar a cópia em fitas k7 de músicas que tocavam nas rádios! Outra ideia — de jerico . da criatividade. criminalizando o compartilhamento. pode fazer shows em lugares muito mais distantes do que na época em que vivíamos na ditadura das gravadoras. Risível. eliminando a possibilidade de escassez de bens culturais. Com a internet nós ao mesmo tempo eliminamos a escassez dos bens culturais como também os intermediários de má vontade. É o máximo do compartilhamento de cultura. Eu continuo a ter acesso ao bem. tentam barrar a evolução.A internet subverte este modelo histórico. para promover o acesso à cultura. Quem se prejudica com a internet não é o artista. pois autores não fazem shows. e um pouco mais complicado. de buscar alternativas. Oras. o progresso. Alguém vai chorar pelas gravadoras que cobram 40 reais por um CD que custa 10 centavos pra ser produzido e que mal repassa 10% do valor ao artista? Quanto aos livros. estamos nós. O AI5Digital no Brasil (como ficou conhecida a Lei Azeredo. mas o mesmo não vale para gravadoras. As propostas que existem hoje são pela liberação do uso de livros acadêmicos por estudantes. apenas interessados no lucro. o HADOPI na . editoras. a editora. lembram-se que. Mas. na internet você pode ouvir a música.. como você sequer conheceria essa banda sem a internet? E ainda mais. da capacidade de produzir cultura. Esta é a palavra-chave aqui: “Bens culturais”. São alternativas em discussão. acabar nas lojas. Especialmente no caso de livros acadêmicos. ou melhor. que fica com a maior parte do lucro. Deixamos de ser reféns de gravadoras e editoras. fruto do intelecto humano. apenas ampliado pela internet. acima de tudo. do arroz. do enriquecimento irrestrito da comunidade.. no começo. Como? Passando por cima da escassez. Claro. mesmo que o passe a você. ou com custos reduzidos ou compartilhados entre os interessados. cidadãos. editado em 1976. que fique claro. que está esgotado mesmo na editora e só tem duas cópias na biblioteca cujo preço da xérox é abusivo e 50 pessoas da tua turma querem copiar ao mesmo tempo? Ufa! Com a internet um ser caridoso pode escanear e dar a oportunidade de dezenas. A indústria é incapaz de compreender os novos tempos.. mesmo que este seja faceta natural do ser humano. a internet não elimina a escassez do trigo. proposta pelo então senador e hoje deputado federal Eduardo Azeredo. Estes ainda estão na época analógica. sem custos. impondo restrições. que visava criminalizar o compartilhamento e restringir o acesso à internet. que com o alcance da internet e a rede de fãs que cria.

apple.25.com x. Ela apenas terá de se adequar à nova realidade.10 rino. # Copyright (c) 1993-1999 Microsoft Corp.acme. mas tão só potencializa certas características. Com a internet retomamos o papel de criadores de produtores de cultura.10.249 gs. Cada # entrada deve ser mantida em uma linha individual. A cultura passa a ser livre.França e o ACTA em nível mundial são apenas exemplos de legislações criadas ou idealizadas com pesado lobby da indústria fonográfica e afins. seguido do nome de host correspondente. Se nos comunicamos no dia a dia. com a internet nos comunicamos melhor e para além. # # Este � um arquivo HOSTS de exemplo usado pelo Microsoft TCP/IP para Windows. # # Por exemplo: # # # 102. A internet em si não muda o que somos.0. Mas isto quer dizer que a indústria morrerá? Não. pois deixamos de lado a necessidade de intermediários.acme. Raphael Tsavkko é bacharel em Relações Internacionais e mestrando em Comunicação. # # Adicionalmente.com .com # servidor de origem # host cliente x 127. coment�rios (como estes) podem ser inseridos em linhas # individuais ou ap�s o nome de computador indicado por um s�mbolo '#'.208.63.97 38. O endere�o IP deve # ser colocado na primeira coluna. # O endere�o IP e o nome do host devem ser separados por pelo menos um # espa�o.94. ao invés de lutar contra ela. de indústria.0. # # Este arquivo cont�m os mapeamentos de endere�os IP para nomes de host.54.1 localhost #74.

#127.0.com .apple.0.1 gs.