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Em louvor da santa objectividade

Jornalista e professor de jornalismo altamente prestigiado, cujas reflexões sobre o fenómeno da comunicação social contribuem para dar a este sector uma elevada qualificação, Mário Mesquita proferiu em 1996, numa sessão organizada pela Câmara de Cascais e pelo Clube de Jornalistas, uma comunicação em que revalorizou o conceito de objectividade, que muitos jornalistas já tinham sepultado. A problemática focada nesta intervenção* -- a «objectividade jornalística» no actual contexto dos média -- corresponde ao propósito algo provocatório de estimular o debate acerca de um conceito que muitos jornalistas já arrumaram no sótão, entre as velharias sem préstimo. Dir-se-ia, aliás, que o conceito foi abandonado ou secundarizado, pelo menos a dois níveis: no plano da deontologia, porque a vinculação à «objectividade» deixou de ser considerada pertinente, remetendo-se para outros conceitos, como os de «honestidade», «lealdade», «jogo limpo»; no domínio da prática jornalística, porque, sob o impulso do jornalismo televisivo, o acento tónico parece ter-se deslocado de uma exigência de «objectividade» e »rigor» para outros critérios considerados mais pertinentes, que se articulam em tomo de questões como a criatividade, o trabalho sobre a linguagem, a preocupação em «comunicar» através de uma mensagem apelativa. Qualquer enciclopédia indica que, desde os primórdios da história da filosofia, o conceito de objectividade surge com a modernidade, paralelamente à emergência das ciências experimentais nos séculos XVIII e XIX. O conceito aparece intimamente ligado às noções de observação e experimentação, valorizadas no âmbito das ciências positivas. Por objectividade designa-se o carácter de «uma realidade que aparece aos sentidos e à qual a percepção atribuí uma natureza real» (1), caracterizando. deste modo, «fenómenos que se prestam a observação e a experimentação». (2) No caso específico do jornalismo, a objectividade adquire pertinência sobretudo a partir do séc. XIX, no período designado pelos historiadores como «fase industrial da Imprensa». A urbanização, o progresso nos transportes e nas comunicações e o incremento da alfabetização, o alargamento dos públicos ajudaram a criar condições propícias ao surgimento de novas concepções em termos de conteúdo da imprensa. «Prefere-se cada vez mais a informação objectiva à discussão e à opinião, as notícias sensacionais aos editoriais reflectidos -- escreve José Tengarrinha --. Na necessidade de encontrar um público mais largo, o jornal procura manter uma atitude imparcialmente objectiva, dirigindo-se assim a todos, e não a um grupo de leitores ideologicamente afins, necessariamente muito mais restrito». (3) À comunicação de elite, consubstanciada em pequenos jornais de opinião vai suceder, ainda embrionária, uma comunicação de «grande público», O requisito da «objectividade» na informação aparece ligado à necessidade de constituir o denominador comum entre um conjunto de leitores que se deseja cada vez mais vasto e diversificado, de modo a poder «credenciar» o periódico perante os anunciantes. «Nesse período - afirma Tengarrinha - os jornais não ficam reservados à classe relativamente pouco numerosa de eleitores censitários, mas pretendem dirigir-se a todos os que sabem ler, cujo número vai crescendo gradualmente. Embora sem esquecer a camada mais instruída, que fornece ainda o grosso dos assinantes, dirigem-se também ao novo público, menos abastado e instruído, com gostos menos exigentes e requintados». (4) Simultaneamente, a emergência das agências noticiosas, tendo como clientes o universo constituído por todos os jornais e podendo, graças ao telégrafo, ultrapassar as fronteiras nacionais, veio reforçar a exigência de «objectividade». A objectividade jornalística apresenta-se, não como o resultado de uma reflexão epistemológica acerca do jornalismo, mas enquanto construção resultante da nova estratégia comercial da Imprensa: a extensão e diversificação dos públicos aconselham uma nova atitude, que se traduz num relato dos acontecimentos que seja válido para todos os leitores e não apenas para este ou aquele indivíduo ou

grupo

de

indivíduos.

A relação entre jornalismo e objectividade afirma-se na «fase industrial da Imprensa», mas será no início do séc. XX que o conceito se imporá, nos Estados Unidos da América, como «valor jornalístico», numa espécie de reacção contra o espírito de negócio e o sensacionalismo, que tomaram conta da Imprensa norte-americana, em especial a partir da guerra hispano-americana. O surgimento nos anos 20-30 da profissão de «relações públicas» ajuda, igualmente, a explicar a «sacralização» da noção de objectividade no jornalismo norte-americano, com o objectivo de distinguir a actividade (jornalística) de recolha e difusão das informações das acções (de relações públicas) desenvolvidas pelos novos «promotores» de notícias. É nesse contexto que o dever de objectividade será consagrado nos códigos deontológicos e nas escolas de jornalismo que se creditam, por essa altura, como elementos que contribuem para a regulação do sistema. A objectividade jornalística transforma-se, no dizer de John Merrill, num conceito ético («objectivity-as-ethics-concept»). O que significa na realidade a «objectividade», transformada em doutrina nesse contexto histórico? Creio que podemos situar a doutrina da «objectividade» a três níveis: no plano deontológico enquanto «dever» ou «compromisso ético», prescrito pelos códigos deontológicos; no plano da investigação jornalística, enquanto conjunto de normas processuais; no plano das retóricas, enquanto conjunto de regras de natureza estilística.

A

OBJECTlVIDADE

NA

DEONTOLOGIA

Os códigos anglo-americanos, por via de regra, incluem a objectividade entre as obrigações do profissional de jornalismo. O código ético da associação profissional de jornalistas norte-americanos postula que «a verdade é nosso objectivo último», sublinhando, logo em seguida, que a «objectividade na reportagem de notícias é outra meta, que serve como marca de um profissional experiente.» Se a tradição norte-americana aponta no sentido da vinculação do jornalista a um dever de objectividade, no espaço europeu - em especial, no espaço francófono - os jornalistas tendem a evitar o conceito, considerando-o. como alguém afirmou, uma «ingenuidade anglo-saxónica». O fundador de Le Monde, Hubert Beuve-Méry diria que «a objectividade não existe; a honestidade, sim». O dever ético da objectividade é, por vezes, visto pelos profissionais de jornalismo como uma forma de limitar a criatividade dos jornalistas envolvendo-os num espartilho incómodo. Que tipo de espartilho? O conceito de objectividade surge muitas vezes identificado com a prática e a linguagem do jornalismo de agência, das grandes estações de rádio e dos canais generalistas de televisão pública. A objectividade seria, de certo modo, sinónimo de esforço de equilíbrio, neutralidade e contenção. Nessa perspectiva, esse «ideal» recusaria aos jornalistas a cidadania, ao transformá-los em observadores moralmente descomprometidos. Ou seja, o suposto dever ético de objectividade «torna a Imprensa amoral». O conceito de objectividade seria, na prática, oposto ao de responsabilidade, visto que contribuiria para desresponsabilizar o jornalista. A escritora Marguerite Duras escreveu a este propósito: «Não há jornalismo sem moral. Todo o jornalista é um moralista. É absolutamente inevitável. Um jornalista é alguém que observa o mundo e o seu funcionamento, que diariamente o vigia de muito perto, que dá a ver e a rever o mundo, o acontecimento, E não consegue fazer este trabalho sem julgar o que vê. É impossível. Por outras palavras, a informação objectiva é um logro total. Uma impostura. Não há, de facto, jornalismo

objectivo. Consegui desembaraçar-me de muitos preconceitos, dos quais este é, em minha opinião, o principal. O de acreditar na objectividade possível do relato de um acontecimento». (5) Esta visão da objectividade enquanto factor de desresponsabilização do jornalista conduziu à adopção de uma atitude de rejeição ou de «fuga» perante esta problemática. Muitos códigos deontológicos ou «livros de estilo» evitam mencionar a palavra-tabu. Entre nós, o Código Deontológico do Jornalista, de 1993, também evita a palavra, embora postule que «o jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade». O livro de estilo do Washington Post constitui um exemplo: «Enquanto os argumentos acerca da objectividade são intermináveis, o conceito de «fairness» (jogo limpo) é algo que os editores e repórteres podem facilmente compreender e cumprir. (6) A questão epistemológica, demasiado complexa e controversa, conduz os jornalistas a dispensarem a referência à objectividade, sacudindo o jugo de uma espécie de «camisa de forças» que se traduziu em certos momentos históricos - em constrangimentos no plano estilístico ou no plano da investigação jornalística. Mas se os jornalistas postulam que está ao seu alcance 'relatar os factos com rigor', qual o sentido de recusar ou de evitar o conceito de 'objectividade'?

A

OBJECTIVIDADE

NA

RETÓRICA

E

NA

INVESTIGAÇAO

A «objectividade» converte-se progressivamente de uma problemática e de uma atitude ética num conjunto de normas investigativas e estilísticas. «Com o tempo, a ideia de objectividade assumiu o carácter de "doutrina", deixando de ser um "compromisso ético" e transmudando-se num "receituário para a acção" - escreve José Marques de MeIo. - Operou-se um reducionismo instrumental, convertendo-se a objectividade em norma, padrão de actuação profissional». (7) É nesse sentido que a socióloga Gaye Tuchman se refere, num estudo já célebre, publicado nos anos 70, a uma «concepção operativa da objectividade» («working notion of objectivity») (8). Nessa perspectiva, a objectividade constituiria um «ritual estratégico» - composto por normas processuais e estilísticas - cujo objectivo consistiria em diminuir os riscos corridos pelos profissionais em função das limitações inerentes ao seu trabalho e das possibilidades de interpelação pelos outros actores sociais ou da adopção de sanções por parte dos seus superiores hierárquicos. Tuchman enumera, entre os processos fundamentais para a construção do «ritual estratégico» do jornalismo, a apresentação de pontos de vista divergentes; o recurso a «citações» e a própria estrutura externa do texto jornalístico. Nenhum destes processos - quer se trate de procedimentos profissionais, no plano da investigação, quer de configurações retóricas - resolve o problema da objectividade jornalística, mas todos eles ajudam a estabelecer uma certa distanciação entre o jornalista e o produto jornalístico. Ouvir os «dois lados» em litígio numa determinada polémica não garante a objectividade, mas ajuda a configurar uma postura de distância e imparcialidade. A deontologia apresenta-se, deste modo, como uma espécie de «contrato» proposto pelos jornalistas, enquanto categoria profissional, aos seus públicos. Perante o contraste entre a fragilidade do jornalismo e as exigências de «objectividade» dos públicos, os profissionais propõem-se respeitar um certo número de procedimentos no plano da investigação e da produção do texto, entre os quais se inclui a convenção de separar com rigor notícias e comentários. Se atentarmos na redacção dos códigos deontológicos, verificamos que, afinal, a objectividade se reconduz a um conjunto de procedimentos. O código da associação de jornalistas norte-americanos descreve, com alguma minúcia, os requisitos postulados pela «doutrina da objectividade» no plano

das formas de expressão jornalísticas. «Os títulos do jornal - preconiza o diploma - devem ser plenamente garantidos pelos conteúdos dos artigos que acompanham. As fotografias e imagens de televisão devem dar uma imagem exacta de um acontecimento e não salientar um incidente menor fora do contexto». Na mesma linha de Tuchman se colocam as interpretações que reconduzem a «objectividade jornalística» à adopção de certas configurações retóricas tradicionais do jornalismo. A (estrutura) do «lead» e da pirâmide invertida, figuras típicas do jornalismo de agência, seriam sinónimos de objectividade, na medida em que garantem o destaque do principal acontecimento numa linguagem seca e «objectivadora», de onde seriam rasuradas as marcas de subjectividade do jornalista. Mas não é necessário proceder a análises muito aprofundadas para compreender que a questão não se resolve através de processos estilísticos. Por ironia, as explicações históricas sobre o surgimento do «lead» acentuam, pelo contrário, o peso dos critérios subjectivos dos jornalistas na construção das notícias. O historiador Michael Schudson associa a emergência da nova estrutura narrativa, no século passado, à própria evolução histórica dos jornalistas enquanto «corporação». De acordo com esta tese, a adopção da «pirâmide invertida» significaria que os jornalistas se consideravam aptos para determinar quais os elementos mais importantes da notícia, sintetizando-os logo no início do texto, em vez de se subordinarem à ordem cronológica. Com a entronização da convenção jornalística designada por «lead» os jornalistas «deixam de ser estenógrafos e passam a ser intérpretes», afirma Schudson.

A E A

CONDUTA

DE DO

OBJECTIVIDADE JORNALISTA

SUBJECTIVIDADE

Noutras fases históricas, a objectividade foi identificada com uma retórica asséptica da informação que tem a sua expressão típica no «jornalismo de agência». A regra do anonimato na área noticiosa constitui um dos seus principais postulados. Ser «objectivo» significou definir uma política de informação baseada no equilíbrio e na ponderação (por exemplo, nas televisões públicas). Ora, em rigor, o conceito de objectividade jornalística não pode confundir-se com nenhuma dessas acepções. Conforme escreve Daniel Cornu, «a objectividade é a atitude (quanto à pessoa) ou o método (quanto à aproximação) que permite ligar a realidade à verdade, ver «as coisas como elas são», e não é de forma nenhuma realizada por uma política de informação que vise apenas o equilíbrio e a neutralidade. A realidade, em si mesma, é brutal, excessiva, conflitual». (9) Os jornalistas rebelaram-se contra a objectividade quando ela se transformou em «doutrina», que veio a ser «absorvida pelos manuais de redacção, convertendo-se em certo sentido em norma de estilo». (10) Nos anos sessenta, os movimentos do jornalismo investigativo (no domínio processual) e do «new journalism» (no plano estilístico) contestaram a «doutrina da objectividade» e as respectivas traduções na prática profissional. Se a «doutrina da objectividade» se manifestava através do apagamento das marcas de subjectividade do jornalista, as novas tendências acentuaram o seu papel criativo. O livro de estilo do Washington Post é sintomático a este respeito, ao afirmar sobre o papel do jornalista: «Embora desde o Watergate se tenha tornado cada vez mais difícil, para este jornal e para a Imprensa em geral, adoptar esse comportamento, os jornalistas devem fazer todos os esforços para permanecer na audiência, para trabalhar nos bastidores e não para ser a estrela, para relatar as notícias e não para fazer as notícias». Esta norma conjuga a reafirmação da regra tradicional do anonimato do jornalista, encarado como narrador oculto, com o reconhecimento (implícito) das dificuldades inerentes à respectiva aplicação. Acresce ainda uma parcela de (in)discreto auto-elogio...

na afirmação de um direito à subjectividade do jornalista. ao aludir à necessidade de uma «contextualização» («colocando conscientemente os factos no seu contexto adequado»). os destinatários da informação continuarão a estabelecer unilateralmente que as notícias devem relatar os «factos» tal como eles se verificam. Essa afirmação da subjectividade do jornalista não é incompatível com a «atitude de objectividade» que é própria do jornalismo e não se confunde com nenhuma doutrina ou dogmática tendente a confundir uma postura de questionamento e interpelação com um conjunto de rotinas profissionais ou de formas retóricas. de uma «explicação» (salientando as suas ligações fundamentais. para recorrer à expressão de Paul Ricoeur acerca da história.. narrador e autor.inatingível. Esta formulação afasta-se visivelmente de uma certa ideia redutora da objectividade. se não num método . enquanto construção histórica. na selecção dos acontecimentos destinados a constituir notícia. afirma a este propósito. pela Comissão Hutchins: «Não basta relatar os factos com verdade. esta concepção apela a uma visão multidimensional dos acontecimentos.palavra demasiado forte e ambiciosa para se aplicar à produção jornalística . ou seja. o jornalismo só tem razão de ser quando se baseia. conseguindo apenas «representá-la». É neste sentido que a Declaração de Princípios da Unesco. Esse questionário jornalístico pressupõe a implicação subjectiva do jornalista. No jornalismo. na linha preconizada.. a natureza e a essência dos acontecimentos. não uma subjectividade qualquer. Como não é possível aos jornalistas «objectivar» a realidade. Por mais que contornem o conceito. mas isso não lhes evitará o confronto com a problemática em causa. Pelo contrário. implicação pessoal . seguidamente. A essa atitude chama o mesmo Ricoeur «subjectividade de investigação» (13). e à indispensável presença da «capacidade criativa do jornalista» de forma a que «o público receba um material apropriado que lhe permita formar uma imagem precisa e coerente do mundo. as componentes dessa (conduta de objectividade). os factos não existem independentemente de quem os apreende. Esta «conduta de objectividade» deve basear-se.)». mas uma subjectividade que seja precisamente apropriada à objectividade que convém» ao jornalismo. que a tal «objectividade» . no pós-guerra. numa «intenção» e numa «conduta de objectividade». cultivada pelo público leitor. A recusa da «doutrina da objectividade» baseia-se. tal como no conhecimento científico. os média confrontam-se com a enorme desproporção existente entre a fragilidade das «metodologias» utilizadas na investigação jornalística e as aspirações dos destinatários.pelo menos num questionário elaborado com vista à «reconstrução dos acontecimentos».Podem os jornalistas riscar da deontologia a palavra «objectividade». antes pressupõe uma «conduta de objectividade» (11). processos e situações sejam compreendidos de uma forma tão objectiva quanto possível». Permitam-me que transfira para a actividade jornalística a atitude que Ricoeur preconiza para o historiador: nós esperamos do jornalista «um certo tipo de subjectividade. de 1983. no seu segundo preceito: «A tarefa fundamental do jornalista consiste em servir o direito do povo a uma informação verídica e autêntica através de uma aproximação honesta à realidade objectiva (. enquanto investigador. nem rejeitar a intervenção subjectiva do jornalista através da formulação de juízos de valor que se manifestam. O texto da Unesco refere. o que não significa ressuscitar uma dogmática positivista. entre outros aspectos. que se traduziria em impedir o jornalista de procurar hipóteses explicativas para os acontecimentos ou de exercer a sua criatividade narrativa e estilística. radiouvinte ou telespectador. que desejam ter acesso aos acontecimentos tal como eles sucederam. é necessário dizer a verdade sobre os factos». suprimindo-o dos códigos deontológicos ou recusando-lhe qualquer espécie de validade (ou de operatividade). Talvez se possa afirmar que a deontologia do jornalismo surge. desde logo. como resposta a essa expectativa de objectividade. sem envolver distorções»). onde a origem. ou seja. (12) Regulador da vida quotidiana. por definição deve constituir-se em critério de avaliação da prática jornalística. Mas isso não invalida.

aos ritmos e aos processos da produção jornalística. aumenta o espaço consagrado a textos assinados. Não existe conteúdo informativo sem relação comunicacional. nos anos 20~30. NOTAS (1) Thinès. A ficcionalização. num «guia das profissões» destinado a informar os jovens sobre opções profissionalizantes. ele próprio muito flutuante conforme os média e as circunstâncias» (16). É sintomático que. Agnés (orgs. prefiro assumir o meu olhar subjectivo. (2) Idem. A objectividade jornalística será um mito inatingível? Talvez. se escreva que «teoricamente a função do jornalista é colocar à disposição do público a informação de que este necessita para poder formar um juízo. 1984. Tão pouco significa negar os limites à objectividade inerentes às dependências. A objectividade no jornalismo . p. onde a emoção e a afectividade prevalecem sobre a informação. Ou seja. assume-se enfim que a imparcialidade e a objectividade são um mito (. Mas . caracteriza-se pela abdicação da «atitude de objectividade» e pela «contaminação» do jornalismo por outras formas comunicacionais. contrapondo ao relativismo que se molda à lógica de interesses estabelecidos.. É neste contexto que se afigura oportuno reabilitar a «conduta de objectividade». Decididamente. Lisboa. ibidem. Entre as notícias e os artigos de opinião emerge um terceiro género: a interpretação.. O «contrato de recepção» que o jornalista implicitamente celebra com o leitor pressupõe uma «conduta de objectividade» que o distinga do ficcionista.(14) Postular uma atitude de objectividade não equivale a negar a subjectividade do jornalista. «Dicionário Geral das Ciências Humanas». e Lempereur. Sem esse compromisso com o «real». . no espaço europeu e português. entendem que vale apenas manter com vista a preservar uma profissão bem específica em relação aos numerosos ofícios da comunicação ou das relações públicas em pleno desenvolvimento» (15). ao contrário do que sugere o tal «guia do estudante». o jornalismo deixará de fazer sentido enquanto actividade autónoma se perder de vista que tem por função «colocar à disposição do público a informação de que este necessita para poder formar um juízo». 647. É interessante notar que. mesmo correndo o risco de parecer «fora de moda». a velha estatueta da Santa Objectividade.«transformou-se num ideal precisamente quando a impossibilidade de ultrapassar a subjectividade começou a ser olhada como inevitável». do actor de teatro e de cinema. o universo dos média está em crise. Hoje esta visão está um pouco desactualizada. mas.)..do jornalista na reconstrução e explicação dos acontecimentos. na sua maioria. do relações públicas e do publicitário. O «impacte cultural» desse «mito dinâmico da objectividade permite aos profissionais da informação preservar um poder de resistência.)» (17). sujeitos a poderosos constrangimentos relacionados com o tempo e o espaço. mas antes a implicá-la nesse dever referencial próprio da actividade jornalística. Georges.escreve Michael Schudson .como escreveu Michel Mathien «representa uma miragem que os jornalistas.. E. a «objectividade» se transforma em valor jornalístico precisamente quando os jornais concluem que o jornalismo interpretativo é indispensável e. o jornalismo destrói a razão de ser da sua existência e dilui-se no vasto oceano dos outros géneros de comunicação. o sensacionalismo e a hiperpersonalização destroem o sentido de «aproximação à realidade objectiva». por isso mesmo. Edições 70. A actual crise dos média.

Lippman (org.Jornalismo e Jornalistas». 175. 2ª edição.190 1996. idem. 219. 1989. 100. Vérité». de et Melo. Paris. (16) (17) «Guia Michel das Profissões Mathien. ibidem. the concept of fairness is something that editors and reporters can easily understand and pursue» (Thomas W. Veja.. Lisboa. (5) Marguerite Duras.Fax: 213422583 Objetivismo. Genève. p. «História da Imprensa Periódica Portuguesa».35.) «Jornalismo: Questões Teóricas e Estórias». New York. 2º -1249-059 LISBOA . (10) (11) (12) (13) Paul José Ricoeur. 2. port. Hachette. p. p.Portugal Tel: 213464354/213467175 . edição op. (*) Intervenção publicada no n.online. Paris. «Journalisme et Vérité . p. Papirus. p. Caminho. p. (4) Idem. subjetivismo e . 7 (edição original: «Outside». 7. 1993. Basic Books.notas à margem».) . «Discovering the news: a social history of the American newspapers». pp 74-90. (9) Daniel Cornu.25. (7) José Marques de Melo. 1986. de Maria Filomena Duarte. Albin Michel.jornalistas. in Comunicação: direito à informação. McGraw-Hill.Pour une éthique de l'information». «Objectividade jornalística: realidade e utopia». (14) Michael Schudson. Ricoeur. p. «A objectividade como ritual estratégico: uma análise das noções de objectividade dos jornalistas». in Nelson Traquina (org. 1989.asp?id=517&idcanal=300 Copyright 2001 Sindicato dos Jornalistas Rua dos Duques de Bragança. Lisboa. p. cit. Lisboa.(3) José Tengarrinha. p. Forum Estudante. Paris. 1994. Difel.º 1 da revista «JJ . «Outside . 1955.157. especial de cit. Seuil. (6) O original é como segue: «While arguments about objectivity are endless.. Campinas S. (15) Michel Mathien. Nova Iorque. Labor et Fides. trad.87.ª edição. Paul Paul Marques «Histoire Ricoeur. II». de Janeiro/Março de 2000 Texto reproduzido com a autorização do autor Mário Mesquita http://www. op.24. 1978. (8) Gaye Tuchman. «The Washington Post Deskbook on Style». «Les Journalistes et le Système Médiatique».pt/imprimir. 1981). cit. op. P.359. p. ibidem. p.. 5)..

Palavras-chave: cultura de massas – hermenêutica . Este texto objetiva contribuir para a discussão dos significados da objetividade e da subjetividade.br Resumo . Conclui. Deseja esclarecer a diferença entre objetividade e objetivismo e entre subjetividade e subjetivismo.comunicação pela TV Luís CarlosLopes lclopes@alternex. como categorias aplicáveis ao estudos comunicacionais. Discute o mesmo problema aplicado a dois livros recentes que analisaram a problemática dos fenômenos comunicacionais passados pela televisão.com. ressaltando a importância das balizas enunciadas como verificadoras da natureza das interpretações usadas.pesquisa Introdução A realidade material que circunda e interpenetra o campo da comunicação não deixa dúvida de .

quando na análise dos mesmos fenômenos pouco se reconhece de suas razões materiais. tendem a absolutizar um destes caminhos. O jogo da comunicação processa-se. Parte-se do pressuposto da existência de uma única realidade comunicacional que teria aspectos materiais e simbólicos entrelaçados e indissociáveis. os pesquisadores. Não é. dependem de como são ou podem ser materializados. para serem efetivados. portanto. Considerar-se-ia a prevalência do objetivismo.que. e as chamadas condições subjetivas são vistas como algo independente e deslocado da realidade material. os fenômenos comunicacionais. entre o objetivo (condições materiais de operação e funcionamento) e o subjetivo (condições simbólicas). raro encontrar vias transversas onde a pesquisa se encontra ou se perde no rumo entre estes pontos de convergência absolutizados. igualmente. Por vezes. dependendo de suas orientações teóricometodológicas. Obviamente. . A situação contrária seria o subjetivismo. apesar de operar fundamentalmente como artefatos da realidade simbólica. Esta aparente dupla realidade empírica termina por influenciar os estudos comunicacionais que se sintonizam entre estas duas aléias. quando os aspectos materiais são os únicos ou quase únicos destacados. optando pelos extremos do objetivismo ou do subjetivismo.

sobretudo.existem inúmeras nuances e graus de subjetivismo e de objetivismo. um sujeito) poste-se como ente externo aos objetos que deseja interpretar. que não se pretenda como partidária dessas acepções. na mesma investigação teórica ou empírica. Acredita-se também que as interpretações são uma parte dos fenômenos comunicacionais. Na sociologia da comunicação européia. no difícil equilíbrio do ofício de interpretar o que é comunicação. Por vezes. O subjetivismo e o objetivismo são os parentes . ou pelo menos assim devam ser entendidas. com exceções louváveis. reina um estado confuso em relação a este problema. inclusive na variada literatura técnico-científica e cultural. Basta seguir a maré das tradições universitárias e parauniversitárias de nosso tempo. Na América Latina. a questão se repete. A tradição funcionalista norteamericana é. há um imenso manancial de fontes de abastecimento destas duas opções extremadas. Nas mídias de hoje. que são as bases filosóficas contemporâneas do objetivismo. objetivista. o subjetivismo tem um maior espaço. que dificilmente chega a ser enunciado pelos pesquisadores. Há lugar para ambas vertentes por toda parte. devido à reação contra o positivismo tradicional e ao positivismo lógico de nosso tempo (neopositivismo). Para ser objetivista ou subjetivista não se necessita saber que se tem esta postura. Descarta-se a priori a idéia de uma explicação onde o intérprete (também.

cartesianamente. Obviamente. Ao privilegiar os objetos teóricos construídos a partir do olhar epistemológico da empiria. pensa-se que o mundo da vida é apenas subjetivo ou somente objetivo. consiste em uma boa âncora de abordagem que escapa a este dilema aporético. Sair desta dualidade só é possível com uma visão mais integral do processo comunicacional. Já o subjetivismo pretende compreender os problemas sem considerar a complexa teia de relações entre o material e o simbólico. quando se analisam os aspectos objetivos e subjetivos de um processo comunicacional. uma visão mais integral do fenômeno e o enfretamento de seus múltiplos lados sem a perda da unidade primacial. A desvalorização do simbólico é típica do objetivismo. empurrando o pesquisador para a adoção dos seus extremos. podese analisar o objetivo sem optar pelo objetivismo e o subjetivo sem ser subjetivista. a hermenêutica pode criar categorias de análise que permitam romper a duplicidade entre o objetivo e o subjetivo. portanto. Acreditase que a hermenêutica habermasiana. crítica e de profundidade.mais cultos do irracionalismo de nosso tempo. Permite. Daí é um passo para se mergulhar nas crenças em um mundo absolutamente objetivo ou no seu contrário ideal. O problema existe quando. Não é simples manter o equilíbrio. .

dos discursos e dos limites da interpretação pretendida. o fenômeno da comunicação só estaria completo quando validado socialmente. Também já se disse que nos dois segmentos a hermenêutica seria a abordagem que considerasse o estudo do contexto. O objetivo e o subjetivo estariam integrados em . o processo comunicacional seria validado pelos grupos socioculturais. categoria maior que engloba os discursos sem a necessidade de que se sigam os enunciados à risca. mesmo se recebido de uma fonte midiática ou de natureza interpessoal. e a negativa para se compreender os não-racionais. por meio da interpretação. dos sujeitos envolvidos na ação. Propôs-se a segmentação da hermenêutica crítica em duas. A positiva para analisar os atos racionais. Este jamais começaria e terminaria no indivíduo. Nestas. qualquer ato comunicacional verbal ou nãoverbal. Inclui-se aqui a idéia de que no lugar dos discursos dever-se-ia se privilegiar os argumentos (BRETON). Um exemplo pertinente desta ruptura necessária com o subjetivismo e o objetivismo é o conceito habermasiano de “redes intersubjetivas”. sem circular pelo entorno social (material) e referenciar-se nas culturas pré-existentes.Já se depositou em outro lugar a crítica ao pressuposto do agir comunicacional racional de Habermas. Em qualquer um destes casos. Os argumentos são as idéias pelas quais podem ser representadas.

não existiria o tal do reflexo e sim a possibilidade de atravessar o espelho e mesmo de negá-lo. ele é translúcido. talvez seja útil a metáfora de um balão (simbólico) preso à terra (material) por uma linha. Estes espelhos imaginários estariam instalados dentro e fora de cada rede intersubjetiva contemplando os atos . como reflexo do ‘real’. seria superável por uma visão onde o simbólico teria alguma autonomia do material. articulados e interdependentes. tanto à esquerda como à direita? Se há um espelho da comunicação. podendo afastar-se da materialidade da vida até a um certo limite histórico-contextual. Não seria deste modo que a propaganda política eleitoral e governamental funcionaria. sem estar de fato dela destacada. tal como facetas de um só problema. O balão flutuaria no mundo fantástico e encantado das idéias. isto é. voaria nas mais diversas direções (consciência crítica) ou teria um curso sociopoliticamente programado a partir da terra (alienação). A velha noção de superestrutura pairando no ar. tal como Alice no País das Maravilhas. Não seria assim que os receptores assistiriam às telenovelas e sonhariam suas vidas a partir destes artefatos tão populares no Brasil? Dependendo do momento. as telenovelas poderiam agir em domínios diversos e não habituais. inspirada em Marx e desenvolvida pela vulgata marxista. Para compreender melhor este problema.uma só unidade.

O ofício da interpretação consiste no esforço do desencantamento do simbólico para melhor compreensão dele mesmo e da realidade material que o acompanha. consistindo no fato de se acreditar na existência de uma só ‘fábrica’ do simbólico. desenvolvimento e operação da miríade de atos (comportamentos e seus resultados) do campo empírico e teórico da comunicação. conforme o . já enfatizada por Martin-Barbero. Dela todos sabem. também como seria objetivismo pensar que para este sistema funcionar. o de indústria cultural (ADORNO).comunicacionais racionais e não racionais (a maior parte). Pensando outro conceito muito conhecido. poder-se-ia criticar sua faceta objetivista em duas variações: a primeira e mais importante. referindo-se à idéia de que o sistema engendrado pelos meios de comunicação contemporâneos seria uma via de mão única que prescindiria da validação intersubjetiva. acreditar. falam e escrevem. que não há uma forte relação de poder verticalizada entre os meios e a audiência. Um estudo desencantado implicaria na anuência de que a doxa é parte essencial do fenômeno comunicacional. ao contrário de Adorno. a segunda. Ir além dela consiste no problema dos que se pretendam intérpretes e desejem de fato compreender as bases de criação. Considera-se subjetivismo.

a reação do público seria meramente passiva. recursos técnicos e financeiros e idéias. Nesta versão. não é aceitável que suas teorias não possam ser reparadas e adequadas às observações do que ocorre em nossa época. Estas devem ser compreendidas como sistemas simbólicos e materiais abertos que envolvem pessoas. máquinas. cinematográficas e televisuais internacionais e à Internet são fortes indicadores da presença de indústrias culturais dentro de cada país e em escala mundial. portanto.mesmo autor. o sistema seria fechado e imutável. os consumidores da cultura de massas de nosso tempo seriam apenas vítimas inermes e incapazes de qualquer reação. tal como a televisão. São formatadoras das atuais culturas e comportamentos humanos se entendidas como elementos da dialética social de nosso tempo. equipamentos. Não há como descartar por completo os adeptos e defensores da teoria crítica e demonizá-los como burgueses elitistas. Possuem seus próprios objetos sociais. Como também. Outra das revisões que também parece necessária no atual contexto é a da existência de múltiplas indústrias culturais que se interconectam e se superpõem como um dos efeitos do desenvolvimento do capitalismo e das atuais globalizações das culturas de massa. Os fenômenos vinculados às indústrias fonográficas. transformada em seu principal .

sem jamais encontrar consenso e poder se perfilar como apenas mais uma mídia que se somou às antes existentes. A TV seria um reflexo (subjetivo) da lógica objetiva da vida.ícone. interessa . Desde seu surgimento. a programação da TV está longe de ter sido completamente compreendida. Na discussão que aqui se propõe. São eles: O Império do Grotesco. Dois livros recentes de autores brasileiros destacaram-se por contribuições inequívocas ao polêmico tema dos estudos dos significados dos fenômenos comunicacionais veiculados pela televisão. imitando diretamente a vida. Análises da comunicação pela TV Pode-se perguntar porque analisar a televisão e o que isto tem a ver com os problemas da objetividade e da subjetividade. Funcionando entre o objetivo e o subjetivo. mais do que os demais meios. Muita tinta e milhões de bytes foram e têm sido gastos para que se explique ou compreenda o problema. de Arlindo Machado. este meio de comunicação enfrentou a polêmica. A tradição dos estudos comunicacionais sempre apelou para a lógica do espelho. de Muniz Sodré e Raquel Paiva e A Televisão levada a sério. Inúmeras pesquisas e ensaios propuseram-se a resolver o dilema dos significados de se ver TV.

Resvalam no subjetivismo ao proporem uma categoria estética para explicar um problema social. Como responder ao problema da aceitação? Não seria o grotesco . isto é. Escapam do objetivismo por compreender a relação entre o público e os programas como um contrato comunicacional de aceitação tácita. Sodré e Paiva insistem na sua tese central do grotesco. confrontá-los com os problemas dos paradigmas da objetividade e da subjetividade. Analisando os programas de auditórios. Obviamente. de uma estética popularesca consumível pelo grande público e telecomandada pelo binômio: produção televisiva e anunciantes. Os autores reconhecem e praticam a importância de estudar estes fenômenos como forma de compreensão da complexa teia cultural que liga o público à televisão aberta. O que se pode objetar são os limites desta categoria estética como meio de se compreender o problema. os reality shows dentre outros. por meio de uma categoria estética (o grotesco) e excursos históricos e políticos destinados a responder à questão da origem e da manutenção avassaladora deste tipo de programação. O que chamam de grotesco domina a programação de maior audiência. Tentam. restringindo a pesquisa ao que disseram sobre a TV e. Sodré e Paiva têm razão. a mais popular do país. sobretudo.problematizar os argumentos dos autores.

Os argumentos de Arlindo Machado . a serem entendidos como uma unidade indissociável. de difícil acesso popular. considerandose a televisão como um objeto social? Ela não seria um dos espelhos translúcidos usados para a circulação das mensagens que coabitam das redes intersubjetivas do grande público e também refereria-se ao modo que a dominação é exercida? O grotesco televisivo de nosso tempo não seria uma representação ambígua da dialética negativa que sustenta e organiza a sociedade brasileira? A idéia do grotesco é ao mesmo tempo uma categoria estética e um pressuposto moral. ao mundo do populacho. A beleza e a bondade do sublime seria parte de uma arte superior. isto é. dos excluídos. Ao apodar este mundo de grotesco não se poderia facilmente cair na armadilha do preconceito social? Em suma. Raciocinando-se por oposição deveria haver a possibilidade de algo no domínio da cultura de massas que fosse compensador da ‘perversidade’ do grotesco.uma estética possível em determinadas condições sociopolíticas? Não se poderia inverter o problema. nas condições históricas conhecidas. responder a estas questões indica a necessidade de se discutir a teia entre o objetivo e o subjetivo. Os exemplos usados por Sodré e Paiva remetem às velhas feiras populares. O seu contrário possível seria o sublime.

Coerente com sua proposta. O autor pensa que se pode ‘amar a TV’ e dá inúmeros exemplos de programas de qualidade no Brasil e. nos países do denominado primeiro mundo. sobretudo. esta mídia já possuiria um patrimônio considerável de programas de qualidade. Defende. pensando que por este meio podem passar mensagens de alto nível e que ele não seria necessariamente menor. Lembra que a banalização existe na literatura. Foge do esforço de inúmeros intelectuais de bater forte na TV. no cinema e demais espaços do mundo da vida. a televisão é um meio de comunicação que pode ter usos nobres e. do tipo de programação que é levada ao ar. igualmente. de acordo com as dezenas de exemplos de programas que disseca ao longo do livro. isto é. a idéia da inexistência de incompatibilidades da TV com a criação artística. Fundamenta suas idéias com a descrição de inúmeros programas que considera de alto valor. o autor não analisa o cotidiano da TV. não dando qualquer relevo aos casos onde a programação não alcança . Machado defende o princípio da ‘televisão de qualidade’.colidem com a idéia da prevalência da banalização televisiva que está no centro da tese do grotesco. Para ele. Para ele. acreditando que ela pode também ser um objeto de alta cultura. Suas análises vão na contramão usual de se considerar este meio como o patinho feio das mídias. a questão seria de repertório.

Seu maior mérito é o de demonstrar que o que passa na TV depende dos produtores – infelizmente. pode-se dizer que a TV pode ser melhor do que é. No oceano da programação pinça os programas que foram ou são feitos com o cuidado com que se produz a obra de arte. Seus argumentos discutem uma televisão que não é a que a grande maioria consome.ou não alcançou o que considera como um padrão de qualidade respeitável. ele explora pouco o papel dos anunciantes – e de que isto confere a sintonia do meio com a sociedade de qual faz parte. O primado da ‘qualidade’ é o ponto nodal da obra de Machado. Pensa que nesta faceta desta indústria. assim como ocorre em outras mídias. a presença da mercantilização objetificante da cultura não seria impeditiva para que se produzissem artefatos de qualidade. enfatizando a inegável presença de inúmeros programas construídos dentro das normas eruditas e que nobilitam essa mídia com o uso das mais requintadas concepções e técnicas artísticas. Seguindo seu raciocínio. produziu e produz programas com alto valor cultural e também tem razão em reclamar dos que demonizam a priori o meio. Aceita a idéia da teoria crítica de que a televisão é parte da indústria cultural. . inclusive a brasileira. Passa ao largo do imenso exercício de banalidades ou de grotescos como quer Sodré e Paiva e que se vê no dia-a-dia. O autor tem razão em dizer que a TV de todo o mundo.

Ao usar o conceito de qualidade. o Estado. Portanto. em primeiro lugar tem-se ser um sujeito social que possui interesses materiais. consistindo na principal vetor constituidor da consciência humana. raça. Ela cega para um mundo multilateral e dita o que devemos selecionar do que vemos e sentimos. O que é bom ou mau. Para achar que um programa é de boa ou má qualidade. como julgar a quem julga? Quem definiria sem preconceitos e parti-pris a qualidade da programação? Seriam os juízes. sexo etc pudessem ser estabelecidos ou passados de modo imperceptível por conterem um empuxo social irresistível? A moral é subjetiva e nos empurra com muita facilidade para o subjetivismo. A moral é operada no plano do simbólico. o julgamento moral precisa partir do esclarecimento dos papéis dos sujeitos envolvidos. os sindicatos. Para compreender o que se considera como qualitativamente apreciável seria necessário considerar quem . Machado esbarra no complexo mundo da moral.dependendo dos contextos sociopolíticos e da luta engendrada pela melhoria da ‘qualidade’. belo ou feio etc é determinado por sujeitos sociais. Aí se tem um problema. os intelectuais. quando depositamos nela uma fé inabalável. os professores universitários etc? Como se evitaria que preconceitos de classe. políticos etc e que porta determinada cultura que permite julgar seu entorno.

estar-se-ia produzindo uma hermenêutica da produção televisiva. estes autores lembram a importância cêntrica desta mídia e consideram sua análise essencial para a compreensão do fenômeno comunicacional.são os múltiplos sujeitos envolvidos na programação televisiva. desta natureza. incluindo a audiência. levando em conta que o fenômeno comunicacional em si mesmo é. por si mesmo. O que se propõe é que os intérpretes desçam de seus pedestais. sobretudo. misturem-se à população e busquem compreender como se dá o fenômeno da comunicação passada pela TV. valoriza e dá imensa importância a estas obras. as . Só isto. assim como das análises existentes. os anunciantes. Machado. trabalham no sentido da valorização da observação direta desta questão. considerando as bases materiais dos fenômenos comunicacionais. assim como Sodré e Paiva. Mesmo partindo de paradigmas distintos. Fazendo-se isto. À guisa de conclusão O objetivo primeiro deste texto foi o de construir balizas para a pesquisa de objetos com um olhar epistemológico comunicacional: a do objetivo. a do subjetivo. os produtores e até os intérpretes deste fenômeno comunicacional.

. 224 pp. 1985. Pierre. considerando-se que seus efeitos são os da deformação dos objetos de pesquisa e do turvamento do olhar multilateral possível. A edição em alemão é de 1969. Dialética do Esclarecimento. BARBERO. Max. Procurou-se demonstrar a desnecessidade de se ter consciência do problema para praticá-lo. 254 pp. 1997. Os extremos representados pelo subjetivismo e pelo objetivismo foram enfatizados. 3 ed. São Paulo : Papirus. Para ser subjetivista ou objetivista basta estar no mundo da vida e ser permeável às influências do entorno social. Jesus Martin. Dos meios às mediações. Tentou-se demonstrar que a pesquisa no campo da comunicação sempre encontra o dilema de optar por determinando tipo de abordagem que privilegie um ou outro dos caminhos apontados. 2001. Rio de Janeiro: UFRJ. Referências e indicações bibliográficas ADORNO. HORKHEIMER. inclusive do profissional. Rio de Janeiro : Jorge Zahar. BOURDIEU.interelações entre ambos aspectos. Theodor W.. Razões Práticas: sobre a teoria da ação.

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subjetivismo e comunicação pela TV. Este artículo examina tres factores que ayudan a un periodista a definir un "hecho objetivo": forma. en cualquier caso. Los periodistas analizados creen que pueden mitigar las continuas presiones que sufren. 2003 Esta revista é uma das mídias do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Mestrado e Doutorado) da Universidade Federal Fluminense LA OBJETIVIDAD COMO RITUAL ESTRATÉGICO: UN ANÁLISIS DE LAS NOCIONES DE OBJETIVIDAD DE LOS PERIODISTAS. Invoca a la filosofía. puede proclamar su objetividad citando procedimientos que ha seguido y que ejemplifican los atributos formales de una noticia o de un periódico. Muestra que a la hora de discutir el contenido y las relaciones interorganizativas el periodista sólo puede invocar su propio juicio periodístico. Conjura los fantasmas de Durkheim y de Weber. Médicos y abogados declaran que la objetividad es la postura adecuada para con sus clientes. posibles procesos penales y reprimendas anticipadas de sus superiores. recordándonos las disputas en las revistas académicas acerca de la naturaleza del "hecho social" y la expresión "libre de valores". n. La frecuente insistencia del sociólogo en la objetividad no es algo exclusivo de su profesión. Gaye Tuchman .12. Cuando se les ataca porque han hecho una presentación de los "hechos" controvertida. nociones de ciencia e ideas del profesionalismo. Objetivismo. como para los sociólogos. el término "objetividad" se alza como un rompeolas entre ellos mismos y las críticas.uff. Los periodistas deben ser capaces de invocar algún concepto de objetividad para procesar hechos de la realidad social. in Ciberlegenda. los periodistas invocan su objetividad casi del mismo modo en que un campesino mediterráneo se cuelga una ristra de ajos del cuello para ahuyentar a los malos espíritus. al poder proclamar que su trabajo es "objetivo".br/mestcii/lclop9. el periodista puede sugerir que ha citado a terceras personas en lugar de ofrecer simplemente sus propias opiniones. por ejemplo los cierres.corpo permanente do Programa de pós-graduação em Comunicação do Instituto de Artes e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense. professor da Universidade Federal Fluminense. Este artículo examinará tres factores que influyen en la noción . Este artículo sugiere que la "objetividad" puede verse como ritual estratégico de protección para los periodistas ante los riesgos de su actividad profesional. Se plantea si en otras profesiones no existe también un uso igual del término "objetividad".htm Revista Ciberlegenda Luís Carlos Lopes. contenido y relaciones interorganizativas. Para los periodistas. Para un sociólogo la palabra "objetividad" está cargada de significados. Por ejemplo. http://www.

Finalmente. El contenido también está relacionado con las relaciones interorganizativas del periodista. Frecuentemente adherirse a un ritual es un acto compulsivo. un periodista critica a un reportero de otro periódico.periodística de objetividad: forma. Este artículo cita diez historias periodísticas. sugeriré que el manejo correcto de una historia. el sociólogo puede . el periodista es un "hombre de acción". y contenido. Nueve de ellas provienen de anotaciones de campo que recopilé como observadora participante en un periódico diario metropolitano. incluyendo las críticas. Este hecho es especialmente importante en la observación de los redactores jefes durante el mucho tiempo de la jornada que pasaban enterrados entre redacciones de noticias. No criticaron demasiadas noticias. El término "estrategia" denota tácticas usadas ofensivamente para anticiparse a un ataque o defensivamente para desviar las críticas. La discusión de la "presentación de posibilidades en conflicto" se ha construido a partir de estas categorías negativas así como a partir de las afirmaciones "positivas" de los informantes. el uso de ciertos procedimientos discernibles para el consumidor de noticias. los periodistas tienen un repertorio limitado con el cual definir y defender su objetividad.La objetividad como ritual estratégico puede ser usada por otros profesionales para defenderse de los asedios críticos. Por ejemplo. puede ser contemplada como un "ritual".000 ejemplares. 142). porque sus experiencias con esas organizaciones le conducen a dar por sentadas ciertas cosas acerca de ellas. Entiendo por forma aquellos atributos de las noticias y periódicos que ejemplifican procedimientos informativos. Cuando una información les disgustaba proporcionaban muchas razones para rechazarla. En términos de Radin (1957. En seis de los relatos los periodistas critican el trabajo de colegas. De todos modos las categorías de las evaluaciones negativas que generaron me aportaron intuiciones sobre la apreciación de los relatos "buenos" o bien hechos. Por contenido quiero indicar aquellas nociones de la realidad social que los periodistas dan por sentadas. como es el caso del uso de las comillas. las exposiciones extensas sobre los fallos en una noticia. relaciones interorganizativas. 1960) el sociólogo es un "pensador". con una tirada de unos 250. también usan "estrategias" de representación (March y Simon 1967. A diferencia de los sociólogos. en una. intenté hacer las menos preguntas posibles. que se hacía en el siglo dieciocho. realizadas espontáneamente. El énfasis en la crítica es en parte resultado de los métodos utilizados. es decir. En tanto que los periodistas invocan procedimientos rituales para desviar las potenciales críticas y para seguir las rutinas circunscritas a los "límites cognitivos de la racionalidad". protege al periodista de los riesgos de su actividad profesional. pp. la práctica médica de la sangría para "curar" la fiebre. 137. resultaron escasas y lejanas entre sí. y así dichas grabaciones son necesariamente más exactas que las imputaciones al respecto de lo que estaba "bien" en una "buena" historia. Como observadora participante. La décima historia proviene de un libro sobre la práctica periodística (Rivers 1967). Esas razones fueron grabadas cuidadosamente. Un ritual es descrito como un procedimiento rutinario que tiene relativamente poca o tangencial importancia para el fin buscado. Everett Hughes (1964) sugiere que los procedimientos que sirven para este propósito pueden considerarse "rituales". Es decir. Cuando elogiaban un artículo ante otro no expresaban sus razones para el elogio. Que un procedimiento de este tipo pueda ser el mejor medio conocido de conseguir el fin buscado no implica que no podamos caracterizarlo como ritual.

la programación de las sucesivas ediciones se verá afectada. Además si las ediciones de la mañana no llegan a primera hora a los kioscos. pero el periodista no puede. En este caso. 245 y ss. lo que hará el presidente. puede criticar al redactor jefe por haberla dejado pasar. En otras ocasiones. Un periódico es una colección de muchas noticias. las demandas judiciales o las reprimendas de los superiores imponen. Los periodistas son responsables de la exactitud de cada uno de esos "hechos". el director del periódico y el presidente criticarán la noticia después que ésta ya haya sido publicada. De todas maneras. Si una edición se retrasa. y con ello mermarán los beneficios de la empresa. el asistente al director de edición es el encargado de hacer la valoración informativa final respecto de la redacción de una noticia. Dos factores resaltan en este proceso de análisis jerárquico y crítica potencial de las informaciones. el redactor jefe lo que hará el director de la edición y el director del diario. Cada noticia periodística es una colección de "hechos" establecidos y estructurados por los periodistas.enfrascarse en la reflexión analítica epistemológica (Schutz 1962. normalmente dispone de menos de un día para familiarizarse con el contexto de una historia. el redactor ha de saber lo que hará el redactor jefe. El informador ha de decidir inmediatamente la validez. los consumidores comprarán el periódico de la competencia que sí ha llegado.). pp. El reportero sabe que su trabajo escrito ha de pasar por toda una cadena organizativa de redactores y editores jerárquicamente ordenados. El redactor jefe hará algún tipo de comentario al redactor. y redactar la noticia. los periodistas necesitan alguna noción eficaz de objetividad que minimice los riesgos que los cierres. un producto de consumo fungible que se elabora diariamente-. el periódico no cumplirá su hora de cierre de edición y los beneficios se reducirán. el director de edición simplemente corrige o altera una "mala información" refunfuñando de los subordinados que no hacen bien su trabajo y doblan el trabajo de los editores. fiabilidad y "verdad" de algo para abordar los problemas que impone la naturaleza de su trabajo -el procesamiento de la información que llamamos noticia. los subordinados se dan cuenta de que su trabajo ha sido inadecuado al leer el periódico y ver que la noticia impresa no corresponde a lo que ellos han escrito. Los periodistas temen entonces que las ventas futuras del periódico puedan peligrar. . y así la "bronca" irá bajando sucesivamente la cadena jerárquica. sus conductores pedirán horas extraordinarias. Si la información no le gusta. Como explican espontáneamente los periodistas. Las broncas y las correcciones son parte de un sistema de control social (Breed 1955) que afecta potencialmente a la promoción de los periodistas. estos directores. los trabajadores de talleres de composición reclamarán horas extras también. al mantenimiento de su puesto de trabajo o a la consecución de buenos encargos informativos. para reunir información. El procesamiento de las noticias no deja tiempo para una reflexión y análisis epistemológico. En el periódico analizado. El reportero ha de saber por experiencia lo que hará el redactor o el asistente del redactor que reescriba el texto que él envíe. El director de edición. redactar una noticia implica "saber por experiencia". Si el consumidor de noticias lee el periódico de la competencia puede que lo encuentre "mejor" al de siempre y que cambie su hábito de compra. A menos que el periodista desarrolle un trabajo de investigación más extenso. Si hay que rehacer demasiadas de esas noticias. Los camiones que lleven el periódico a provincias saldrán tarde.

el proceso por injurias puede afectar también a la disponibilidad del consumidor para comprar el periódico. aunque sólo sea por los estereotipos del trabajo periodístico que Hollywood difunde.Los "hechos" los leen tanto los consumidores generales de noticias como los consumidores "implicados" en esas noticias (la persona que es citada en la noticia. los cierres podrán cumplirse y evitarse las demandas por difamación. su negocio. pero que habían cometido errores inevitables. Si la verificación es necesaria pero no puede conseguirse. Al poner en duda la reputación del periódico. esos peligros se multiplican y hacen omnipresentes. Los periodistas piensan que la mayoría de la gente comprende la importancia de las horas de cierre.. sus comentarios eran: el periodista ha de poner en tela de juicio los hechos recurriendo a las fuentes. Si todo tuviera que ser puesto en cuestión llegaríamos a absurdos como el siguiente: "Alberto Ramírez y su así denominada esposa Elisa Sonseca Fons llevaron a cabo en la tarde de ayer lo que podría describirse como una fiesta en su generalmente denominado hogar en honor de una mujer que dice llamarse Longina Berrueco Sonseca y a la que comúnmente se atribuye el ser la tía de la anteriormente descrita como. etc. pero algunos hechos simplemente han de ser aceptados como "verdaderos" sin más. Aunque los procesos por difamación son relativamente poco frecuentes. arguyendo que los peligros pueden minimizarse si se siguen unas estrategias informativas que identifican con las "noticias objetivas". la que es descrita o de la que se informa). y afecta a la posibilidad de que la empresa informativa consiga o no beneficios. Cada noticia afecta potencialmente a la disponibilidad de los periodistas para cumplir sus tareas diarias. sin prejuicios e impersonal. En suma. señora de la casa". En dos palabras. Hablando sobre sus propias experiencias en juicios de difamación. los periodistas afirmaban que su comportamiento había sido objetivo. Los periodistas navegan entre la difamación y el absurdo identificando la "objetividad" con los "hechos" que ellos mismos u otros periodistas observan o que pueden ser verificados. Asumen que si todos los periodistas recopilan y estructuran "hechos" de un modo independiente. También en ese caso afectará el proceso por difamación a la rutina en la redacción porque requerirá que algunas personas de la plantilla declaren en los juzgados. Si un lector implicado ve amenazada su reputación. de acuerdo con su testimonio. afecta a su solvencia ante sus superiores. ellos explican sobre todo al profano los peligros de los juicios por difamación. Dado que un periódico se compone de muchas noticias. cada noticia conlleva peligros para el personal del periódico y para toda la organización informativa. . cuando se presentan ponen a la organización informativa en peligro financiero. los periodistas pueden recurrir a otras estrategias. puede demandar al periódico por difamación. La verificación supone usar o poder hacer uso de procedimientos apropiados como por ejemplo llamar por teléfono a la oficina del Registro Civil para comprobar si Alberto Ramírez es efectivamente el marido de Elisa Sonseca. II Los periodistas afrontan estas presiones subrayando su "objetividad".

los cuatro procedimientos estratégicos siguientes. El reportero sólo puede determinar que el senador afirmó "A". el periodista podrá afirmar que él es "objetivo". un senador americano afirma que América va por detrás de la Unión Soviética en el desarrollo de un tipo específico de misil. De todas maneras podrá escribir que el ministro de defensa afirmó "B".-Presentación de posibilidades en conflicto. En primer lugar. Aunque el reportero no puede comprobar por sí mismo la verdad de la afirmación del senador. e incluso es posible que jamás pudiera localizar la información precisa para valorar hasta qué punto la afirmación realizada es o no un "hecho". Esto crea problemas tanto al reportero como a la organización informativa. Los periodistas entienden que la afirmación "X dijo A" es un "hecho". dentro del argumento "B".III Además de verificar "hechos". Además. un demócrata.Los periodistas han de ser capaces de identificar los "hechos". el consumidor de noticias puede acusar al reportero y a su empresa informativa de parcialidad (o de "favorecer" al senador) si no presenta también la opinión alternativa. si el senador es demócrata y el presidente es republicano. El periodista notará que su capacidad para proclamar su "objetividad" ante las futuras críticas está en peligro. Por ejemplo.. Por ejemplo. compensará entonces los . Por ejemplo. puede buscar a alguien que sí pueda. dado que la afirmación del senador no puede ser verificada. el consumidor de noticias puede acusar al periódico de favorecer a los demócratas. En este sencillo ejemplo podemos etiquetar dicha práctica diciendo que supone "proporcionar un número suficiente de datos al consumidor de noticias para que decida por sí mismo". 1. Por ejemplo. El jefe del estado mayor del ejército. En segundo lugar. El procedimiento puede complicarse cada vez más. porque presenta "ambos lados de la historia" sin favorecer a un partido político o a persona alguna. y una función de las noticias es decirle al consumidor de noticias lo que quiere y necesita saber. permiten al periodista proclamar su objetividad. el reportero no podrá probar que la afirmación del ministro sea "factual". el ministro de defensa puede acusar al senador de que está haciendo política con la defensa de la nación. Si el ministro de defensa afirma que la acusación del senador es "falsa". Al presentar ambas reclamaciones de verdad.. Decir que esta práctica es un mecanismo para sostener la objetividad es problemático. la "A" del senador y la "B" del ministro de defensa. Un reportero ciertamente no puede comprobar tal afirmación a tiempo para llegar al cierre de su edición. ejemplificados como los atributos formales de una noticia. puede preguntar al ministro de defensa republicano si la afirmación del senador es verdadera. el periodista "objetivo" deja supuestamente que sea el consumidor de la noticia quien decida si el senador o el ministro "dicen la verdad". incluso aunque el carácter auténtico de algunos de ellos no sea fácilmente verificable. el consumidor de noticias lo que quiere es saber si la afirmación "A" es o no un "hecho". aunque "A" sea falso. pues el único "hecho" mencionado ha sido que el senador demócrata afirma "A". al presentar ambas reclamaciones de verdad.

y cada uno representa una realidad posible. pero irá viendo en un período de tiempo una diversidad de puntos de vista sobre el tema. Por supuesto. Se le dijo que unos párrafos más abajo en la nota constaba que el fenecido había tocado con . al consumidor de noticias. Un enjambre de reclamaciones contradictorias de verdad. como entre las críticas de los reporteros a los editores y jefes. De todos modos. 50-68) llama a este encenague de opiniones que se dicen a sí mismas hechos "la política con la realidad". será difícil sostener. después de leer una nota necrológica que describía al fallecido como un "músico magistral". Por ejemplo. el consumidor de noticias no recibirá en un solo día todos los lados de una historia. la definición periodística de la situación va más allá de la presentación de los datos suficientes para que el consumidor de noticias llegue a una conclusión. hay ocasiones en que el periodista puede obtener una evidencia que sostenga una reclamación de verdad. pp. figurando entre las críticas de los editores y jefes de sección a los reporteros. El ministro portavoz del gobierno hará entonces una condena del líder pacifista por ser un simpatizante del comunismo que intenta atacar los procesos políticos americanos. En tanto en cuanto definamos la "objetividad" como "atención hacia objetos externos a la mente" y llamemos "objetivo" a lo que "pertenece al objeto del pensamiento y no al sujeto pensante" (ambas definiciones de diccionario). para que ejerza su percepción selectiva. Según lo describió un periodista. Goode (1970. es inútil para los periodistas que se enfrentan al dilema de identificar y verificar los "hechos". el líder pacifista y el portavoz del gobierno) que reclaman la verdad para sus afirmaciones de un modo no verificable.-Presentación de la evidencia sustentadora. el jefe del estado mayor del ejército.ataques del ministro de defensa afirmando que es el gobierno republicano quien está poniendo en peligro la seguridad nacional con sus sistemas de inteligencia y su vanidosa postura en el tema del presupuesto militar para el desarrollo armamentístico. hay cinco personas (el senador. Esta insistencia en los "hechos" sustentadores es generalizada. una tarde el asistente al director de la edición pidió a la redacción que "se hicieran necros más objetivas". En este punto. el presidente de un grupo pacifista de ámbito nacional convocará una rueda de prensa para acusar a los dos partidos en controversia de sobrevalorar el desarrollo armamentístico en detrimento de los esfuerzos diplomáticos para la paz y la seguridad mundial. Al día siguiente. Sin duda que la invitación a una percepción selectiva es insistente. como hacen los periodistas. Preguntó: "¿Y cómo sabemos que el fallecido era un "músico magistral". en una característica reacción ante las noticias. como el que hemos puesto como caso típico. Como foro donde se ventila la "política con la realidad". 2. porque cada versión de la realidad reclama la misma validez potencial. que presentar posibilidades en conflicto genera objetividad. y no un "músico de tres al cuarto" que tocaba en la banda municipal?". Aunque esta noción es importante sociológicamente. Una evidencia sustentadora es la cita y colocación de "hechos" adicionales que comúnmente aceptamos como verdad. Analizando la controversia acerca de la marihuana. los periodistas dicen ser "objetivos" cuando emparejan estas reclamaciones de verdad y las publican conforme van sucediéndose día tras día. puede que sea visto como una invitación provechosa. el ministro de defensa.

los títulos citados presumiblemente permitirían al lector valorar el grado en el que la descripción "propaganda comunista" era exacta y con ello "factual". Al intercalar la opinión de alguien más. telefoneó al edificio. De manera parecida. insistía en que una presentación más concreta sería más "objetiva". Ofrecería "hechos" (títulos) que apoyaran la afirmación de verdad inicial. Por ejemplo. (Tras algún tiempo) Jones repitió que quería más citas de declaraciones porque "estaba teniendo dificultades". es una obviedad sociológica que los "hechos" no hablan por sí mismos. o el cotilla. etc. Expresaba que el artículo en cuestión debía haber citado más "hechos". Por ejemplo. El propietario manifestó haber enviado a alguien para arreglar la caldera en aquellos mismos momentos. el jefe de local. El "hecho" adicional. La afirmación de los periodistas.John Philip Sousa. a una temperatura cercana a los cero grados. no podría proclamar que es objetivo. y con ello dejan que los "hechos" hablen. 3. Un edificio en un barrio marginal. llamó a su subordinado Smith para que se pusiera en contacto con más inquilinos del edificio para aumentar el número de nombres mencionados en la información. "hecho" que Smith añadió a la información del reportero que cubrió el suceso. a un fiscal federal. en la cobertura informativa de una visita de un grupo de afectados por una masacre de estudiantes negros en Orangeburg. un reportero criticaba a sus jefes de edición porque hacían unas correcciones malas y "no objetivas". Al comprobar la historia. un reportero preguntó al pastor . Shibutani (1966) demuestra que la afirmación y aceptación de los "hechos" depende en mucha medida de los procesos sociales. Además. justificaba el término "músico magistral".-El uso juicioso de las comillas. del mismo modo en que la asociación del músico fallecido con Sousa permitiría al lector decidir por sí mismo si la etiqueta de "músico magistral" era certera. Jones. Carolina del Sur. el director de sección. la historia podía dar lugar a juicio. Los periodistas ven las citas de la opinión de otras personas como una forma de evidencia sustentadora. creen que se alejan ellos mismos de la participación en la historia. Este dicho implica una distinción generalizada entre los "hechos que hablan" y el propio reportero (o el orador. cuando se publicó un artículo sobre "propaganda comunista" en un entorno determinado. Aunque reconocía que la etiqueta de "propaganda comunista" no era una caracterización muy fina de cada pieza individual de literatura. convino el jefe de edición.) que habla de "hechos". por ejemplo qué títulos de obras examinadas eran considerados propaganda comunista. Al añadir más nombres y declaraciones el reportero puede quitar sus propias opiniones del relato y conseguir que otros digan lo que él mismo piensa. había permanecido durante varios días sin calefacción. Por supuesto. Sin evidencias sustentadoras. cuyo propietario estaba ausente. "impersonal" o "sin prejuicios". Jones dijo: "Si me consigues más(declaraciones de inquilinos) lo sacamos". nadie estaba trabajando para reparar la calefacción. de que "los hechos hablan por sí mismos" es instructiva. Cuando Smith. como muestra la discusión entre jefes de sección en el siguiente incidente. Si el periodista tuviera que hablar por los "hechos".

(Las citas de los primeros tres párrafos fueron tomadas de los discursos que se pronunciaron en el evento. "Pienso que ha tenido una dureza innecesaria". la Nueva Izquierda (sin comillas) designa a un grupo. Es lamentable que nuestra preocupación reciba una respuesta que realmente no reconoce que hay personas que han sido asesinadas.. Este evento. "Para decirlo en dos palabras. en 60 ciudades. El sacerdote contestó: "Sentimos gran preocupación por todo lo que está ocurriendo. El comisario de la policía municipal John Smith. un reportero utilizaba todas las comillas posibles para aplacar la opinión de sus jefes de edición a los que sabía contrarios a la manifestación. que ha durado dos días. a cargo de la comisaría local. Impresionado por una manifestación radical contra el reclutamiento. la comilla puede usarse para significar "ésta es una afirmación realizada por alguien que no es el periodista mismo". El artículo decía: Algunos (miles) de personas se desplazaron la soleada tarde de ayer al Parque local donde tuvo lugar una "increíblemente exitosa" marcha pacifista contra el reclutamiento. La manifestación de dos horas y media giró en torno al crecimiento del movimiento "Nueva Izquierda" y a la idea de que es necesario cambiar la política americana para "construir una América en la que no nos avergoncemos de vivir".jóvenes mostraron sus cartillas de reclutamiento. El sacerdote replica. . si consideramos el alto número de participantes. aunque la fuente no se identifica en la noticia). Por ejemplo. La protesta del Parque se enmarca dentro de las manifestaciones que de costa a costa.El reportero entonces preguntó. están teniendo lugar en el Día Nacional de la Resistencia. También pueden tener el significado de "sic". concluye hoy con la puesta en marcha de "talleres políticos" en la zona. la mayoría jóvenes. la legitimidad del grupo es puesta en cuestión. hay muchas emociones que están creciendo y a las que no se está prestando atención cuando se nos dice que olvidemos".. La marcha en el Parque local se ha visto relativamente libre de violencia. el reportero nos explicó que había entrevistado al pastor específicamente para conseguir aquellas afirmaciones y así no tener que editorializar la información llamando él mismo cruel al fiscal federal. La "Nueva Izquierda" (con comillas) indica a un grupo que se llama a sí mismo la Nueva Izquierda. Mira a un amigo y continua "Crueldad es la palabra".. que alcanzó su clímax cuando más de . en este caso. Por ejemplo. ha declarado: "Sólo dos o tres peleas." Cuando terminamos. rápidamente controladas. El uso de las citas para evitar la presencia del periodista en el relato se extiende hasta el uso de las comillas como un dispositivo para señalar ciertos aspectos.. ¿está usted insatisfecho?". han ensombrecido algo un día tan perfecto".protestante del grupo por su reacción ante la conducta que el fiscal federal había tenido con ellos.

Éste es el aspecto formal más problemático de la objetividad para un periodista. Respecto a los otros tres atributos formales.. La información más importante de un acontecimiento ha de presentarse en el primer párrafo. aunque simpatizaba con los manifestantes.. Por ejemplo.Cuántas personas había allí.Aunque el reportero personalmente estuviera de acuerdo con las afirmaciones y términos entrecomillados. Así. En otras palabras. cómo y por qué". el periodista puede afirmar que ha presentado las distintas afirmaciones de verdad en conflicto.el número de cartas de reclutamiento que se . El periodista sólo puede invocar su profesionalidad y afirmar que su titular lo valida su propio juicio periodístico. que hay evidencias suplementarias y que él se ha limitado a recopilarlas. Sin duda los jefes de edición elogiaban entre ellos el trabajo del reportero. podrá afirmar que ha sido "objetivo". el periodista afirmaba: En primer lugar encabecé la noticia con las cosas materiales principales del tema. "Importante" o "interesante" denota contenido. dónde. el periodista sigue siendo responsable del titular de la noticia. no la suya propia. Además sus relatos habrían sufrido considerables alteraciones. La estructura de una noticia teóricamente se parece a una pirámide invertida.. Estructurar la información en frases apropiadas es también un procedimiento para denotar objetividad que se pone como ejemplo de atributo formal en las noticias. incluso aunque un periodista pueda inconscientemente actuar por experiencia escogiendo un encabezamiento que aprobarán sus jefes de sección y con ello plegarse a la política del medio. Si éstos hubieran notado sus simpatías políticas no le hubieran vuelto a mandar a manifestaciones. y que las citas y la información entrecomillada representa la opinión de los demás. interfiriendo con sus propias opiniones mediante el uso de un mecanismo asociado a la objetividad. "importante" o "interesante". decidiendo qué "hechos" son más "importantes" o "interesantes". Este periodista recibía la mayoría de los encargos de cobertura de manifestaciones. Estos cinco interrogantes son lo que se llama los "hechos materiales" principales de un suceso. qué. Hasta cierto punto las dificultades del informador se reducen gracias a la conocida fórmula según la cual las noticias han de contener el "quién. En suma. el periodista que consigne en primer lugar las principales "cosas materiales" de un suceso. Las comillas convierten a la historia en "objetiva" y le protegen ante sus superiores.. las comillas le permiten afirmar que no ha interferido con sus opiniones en el asunto. el reportero manipuló a sus superiores. cuándo. De todos modos. No puede aducir que la elección la ha hecho otra persona. 4.-Estructurar la información en una frase apropiada. para justificar la estructuración de la información el periodista debe aducir sus nociones de contenido. al contrario que sus jefes de sección. y los párrafos sucesivos contendrán la información en importancia decreciente. Invocar el propio juicio periodístico (el olfato periodístico) es un mecanismo intrínsecamente defensivo.éso es el suceso. pues la "valoración periodística" es la habilidad para escoger "objetivamente" entre "hechos" que compiten entre sí. cuando explicaba cómo escribió la noticia sobre la manifestación pacifista y antirreclutamiento...

el periodista del periódico vespertino replicaría que su noticia era "objetiva". el "quién. la tachaba de "parcial". Como demuestra sobradamente la literatura. los periodistas distinguen con insistencia entre ambas formas (e. Obviamente. En algunos periódicos esta distinción está formalizada. pueden describir los atributos formales de un periódico. dónde y por qué" de la historia. tal y como éstas se han ido revelando en su trabajo general y en sus previos análisis informativos. IV Un periódico se divide en secciones y páginas. Se quejaba de que "había miles de personas (en la manifestación). Luego hablé de los discursos. los "análisis periodísticos" indican que el material al que acompañan no representa ni las opiniones de la directiva ni es necesariamente "verdadero". hojeando la noticia de la manifestación publicada por otro periódico. Por ejemplo. Mott 1962). En lugar de discutir los atributos formales de un relato noticioso individual. Sólo hay dos excepciones a esta regla. Sin embargo los periódicos y periodistas puede que no estén de acuerdo en la identificación de estos hechos materiales. Si los periodistas tienen dificultades para identificar los "hechos materiales". La otra excepción es el "análisis" que puede publicarse en las páginas generales "sencillamente objetivas" si se acompaña con una etiqueta diferenciadora formal que indique "análisis periodístico". y todos menos dos o tres se habían comportado pacíficamente.. La información general que no es "objetiva" se sitúa en las páginas editoriales o en la "tribuna libre" que está frente a la página editorial.g. Los lectores han de confiar y aceptar la información del periodista de acuerdo con su calidad o actitudes.exhibieron. y sin embargo el periódico de la tarde encabezó el asunto con el incidente violento". A pesar de los argumentos a favor de la identificación entre noticia y reportaje (H. el New York Times publica reportajes en la primera página de su segunda sección. .En el segundo (párrafo) indiqué el ambiente. qué. Las noticias especializadas. Este mismo reportero. cuándo. Los periodistas usan la etiqueta del "análisis periodístico" para colocar una barrera entre una historia problemática y otros relatos informativos de las páginas de información general. incluso sin salirse de la política informativa de su propio periódico. Las primeras páginas contienen la información general "sencillamente objetiva". Igual que las comillas teóricamente establecen una distancia entre el periodista y la noticia y señalan que el material que contienen puede ser problemático. porque la violencia fue "la cosa más material". Una es el relato. puede que pongan en práctica otra opción posible. Ese material es la interpretación que el periodista hace de los "hechos".. cómo. aunque la política informativa de cada uno de ellos proclame que son "objetivos". Hugues 1940). Lo que va primero son los hechos puros. como por ejemplo los deportes. las noticias femeninas o financieras. los periódicos disienten en sus elecciones de los "hechos" materiales. aparecen en unas páginas claramente delimitadas situadas una tras otra en una sección.

.No se puede quitar el calificativo de ·"análisis" y decir lo que se quiera. La importancia de una declaración o de un "sin comentarios" debe siempre establecerse de acuerdo con el conocimiento que el periodista tenga de esos procedimientos institucionales. después de dar vueltas durante diez minutos sin ser capaz de afrontar el tema: El análisis periodístico implica juicios de valor. Las noticias a secas no contienen juicio de valor alguno de ningún tipo. la clave está en el número y grado de juicios de valor no probados en ese momento. No. su experiencia y sentido común que le permiten determinar la "importancia" o "interés" de ciertos "hechos". su trato con su propia empresa o con otras. Los periodistas tienden a aumentar la importancia de estas tres generalizaciones al unirlas hablando de hasta qué punto algo "tiene sentido". El periodista realiza tres generalizaciones: 1.-La mayoría de las personas.-Las instituciones y organizaciones tienen procedimientos dispuestos para proteger tanto a la institución como a las personas que entran en contacto con ella. su información será probablemente más "exacta" porque tienen más "hechos" a su disposición. que los diferencia de otras personas.Sin embargo. Dos ejemplos de rechazo de publicación por jefes de edición ilustran este punto. no puede decir qué determina el "número y grado de juicios de valor no probados en ese momento". Uno de ellos gira en torno al sistema legal. 3. Además. 2.(es) seria y meditada. Aunque el editor disponga una técnica formal para alertar al lector. la invocación del análisis periodístico para sugerir objetividad también presenta dificultades.-Algunas personas. V Podría parecer que los juicios periodísticos son un conocimiento sagrado. yo diría que salta una alarma en la mente del editor cuando eso pasa y hay que esquivar ese anzuelo. Para ser creíble. . una habilidad secreta de los informadores. el editor reconoce la discrepancia entre la razón para su acción y la interpretación que el consumidor de noticias hace de esa acción. como por ejemplo los presidentes de consejos.. La experiencia del periodista con las relaciones interorganizativas. un individuo debe probar su fiabilidad como fuente a través de un proceso de ensayo y error. sirven a sus fines particulares.. le capacitan para defender su propio juicio informativo tanto como la "objetividad". es decir. Enfrentado a este dilema. La pregunta "¿En qué se diferencia el periodismo objetivo del análisis periodístico?" resultó ser la más difícil de responder de todas las cuestiones que durante dos años de investigación realicé . incluidas las fuentes informativas. Aunque puedan servir a sus intereses personales. (Aunque) el lector piensa que esa etiqueta.. el otro. están en situación de conocer mejor que otras personas una organización. el periodista invoca de nuevo su juicio informativo profesional. Un jefe de sección me dijo lo siguiente.

Más esencial era el hecho de que cuando el jefe de la sección telefoneó a la policía buscando información adicional sobre el padre. Presentando evidencias suplementarias (atributo formal de la objetividad). La historia es parecida a otra sobre un hombre cuya mujer había sido asesinada. ¿cómo quedaríamos nosotros los periódicos? Ejemplo 2. los periodistas notaron que necesitaban más "hechos" que contrarrestaran la lógica del procedimiento policial. a él no lo habían detenido. concluyeron que "había algo oscuro en todo el asunto". Los editores se preguntaban. Comparativamente. un presidente) controla el partido. Ejemplo 1. Este hombre fue a todos los periódicos intentando aclarar la historia y negando acusaciones que todavía no se habían hecho. aunque personalmente no estén de acuerdo con él. redactor principal de la sección política. Por ejemplo. la policía "cerró el grifo". Estos dos editores basaban su rechazo en dos factores: la historia contenía demasiadas preguntas sin respuesta.. El periodista quería que ganase Mc Carthy. es que algo pasa de verdad". los jefes de sección asumieron que la policía estaba estudiando acusar al hombre. . Como lo expresó uno de ellos. Basándose en su experiencia con los procedimientos policiales.al sistema político. Dado que la policía "no acusaría" sin tener la prueba legal requerida en el caso a juicio. y los miembros del partido apoyan al que está en el poder por su puesto institucional. cubrió las primarias de 1968 entre McCarthy y Johnson en New Hampshire. acusaciones. Aquel caso no era un clarísimo error de la justicia porque había demasiadas preguntas sin respuesta. "¿Pudo la niña morir sin que hubiera negligencia?".. Como dijo un editor. y los editores daban sentido a la conducta de la policía en el asunto. pero rechazada por el jefe de la sección y por el director editorial.-White. Si al hombre lo procesan a la semana siguiente y nosotros hemos publicado su historia. la historia del padre no decía si la niña había estado o no en tratamiento médico. Los editores insistían: Los periódicos tienen que seguir los pasos legales tal y como se dan en la secuencia de detenciones. La información que recogía la lacrimógena historia del padre fue aprobada por el redactor jefe del área local. el dirigente de un partido político (por ejemplo.-Un padre al que se le iba a acusar de negligencia infantil con resultado de muerte de su hija por una fibrosis quística visitó la redacción para protestar por su inocencia. juicios y sentencias. De acuerdo con la experiencia de los periodistas en política. Para publicar la información. muchas de sus afirmaciones fueron eliminadas de sus informaciones porque los editores vieron que estaba entrando en un peligroso análisis periodístico. Ambas son instituciones con las que los periodistas dicen estar familiarizados a través de su experiencia. "cuando la policía y el abogado del distrito levantan la bandera. pero sí le habían dicho que no abandonara la ciudad. como no sea que el periódico esté totalmente convencido de que la justicia ha incurrido en un error. quien insistió en que el redactor jefe no debió aprobar la historia.En ese caso el periódico puede poner todas las trabas y hacer cruzada a favor del acusado. los periódicos podían proclamar su conducta objetiva.

se le envió. Como explicaba el redactor jefe de la sección. Por "sentido común" el periodista entiende lo que la mayoría de los periodistas creen verdad o dan por sentado. Después de todo. sin embargo. todos los presidentes de gobierno del siglo veinte habían renovado su candidatura. Así se dice en las noticias. y el sentido común puede determinar si una pieza de información puede aceptarse como "hecho" o no. Das Kapital se asocia normalmente con el comunismo y no simplemente con un texto de teoría económica. Desde el punto de vista de un periodista. el término "comunista" hubiera estado justificado supuestamente. el redactor jefe de local señalaba. Como Kennedy había vivido en Inglaterra antes de la guerra y "había escrito un libro sobre la torpe postura militar británica. El editor describió tal conducta como "bazofia política" y como "pensamiento ansioso". así que nos limitamos a afirmarlo llanamente. No sé si es verdad. el editor afirmó que White había apostado con él a que Johnson se retiraría de la candidatura en las elecciones de noviembre. 187) cuenta la experiencia de John F. No tenemos tiempo ni espacio para documentarlo.a informar sobre las futuras elecciones. El jefe de edición borró esta afirmación porque iba contra toda experiencia política asumir que un presidente que tiene todo el poder en su partido pudiera tener dificultades ante un joven senador desconocido y poco ortodoxo. Si el título discutido hubiera incluido Das Kapital entre las publicaciones comunistas.. teniendo suficiente poder como para asegurar su candidatura por el partido. ya que el contenido de una noticia es una multitud de "hechos"... pero no respaldaba con hechos sus afirmaciones. Una de sus primeras informaciones predecía la derrota electoral de los conservadores de Winston Churchill.Una de las afirmaciones eliminadas de un artículo de White decía que el Presidente Johnson había "salido escaldado" de las primarias de New Hampshire. ¿Es exacto estadísticamente?" Los periodistas no publicarán como "hechos" afirmaciones que contradigan el sentido común.""En el instante en que mi información llegó a Nueva . que también favorecía a Mc Carthy.. Rivers (1967. p. consideremos la evidencia sustentadora aceptada como "hecho" en la descripción objetiva de "propaganda comunista". "se supone que White es un experto en política. Kennedy como reportero novato trabajando para el servicio informativo de Hearts International tras la Segunda Guerra Mundial. señaló. sus experiencias con otras organizaciones durante un período de tiempo validan sus juicios periodísticos y pueden reducirse al sentido común. VI El sentido común tiene un papel crucial en el establecimiento del contenido de una noticia. White estaba charlataneando demasiado en aquel asunto". y los políticos aman el poder. Por ejemplo. "Todo el mundo dice que Gene Mc Carthy apela a los intelectuales. Una puede concluir que la experiencia organizativa del periodista le impone prejuicios en contra de las posibilidades contrarias a las expectativas preexistentes. Los "hechos" no documentados que los periodistas aceptan como probados revelan hasta qué punto se basan los juicios periodísticos en el sentido común. pero no hay documentación. Por ejemplo. Para subrayar su opinión. cuando discutían el tema de los análisis periodísticos.

siente que tiene que protegerse a sí mismo. los editores y directores del periódico sienten que deben ser capaces de afirmar que las columnas informativas son "objetivas". Como una observación de esta naturaleza requiere una reexaminación de las relaciones interorganizativas del mundo informativo. tienden a actuar como si lo tuvieran. se asume que es algo obvio no solamente por parte de una persona. p. Ha de ser capaz de desarrollar estrategias que le capaciten para afirmar "Esta noticia es objetiva. VII En esta exploración de la noción periodística de objetividad. Pueden defender que (1) han presentado . proclamar la objetividad basándose en la valoración periodística puede que no satisfaga a los críticos. Dadas las diversas presiones que el periodista sufre. 75) lo ha expresado acertadamente. Como los lectores no poseen juicio periodístico y. Su "experta" opinión cuestionada contradecía lo que "todo el mundo sabía" y "daba por sentado". que tiene que ser capaz de afirmar "Soy un profesional objetivo". los periodistas pueden indicar la prueba de que distinguen entre lo que ellos piensan y aquello de lo que informan. Así que no era "factual". dado que los críticos frecuentemente atacan ese mismo conocimiento. He sugerido en otro lugar (1969) que las nociones que los periodistas dan por sentadas son realmente imágenes de sus propias visiones de la realidad social y política. le permiten proclamar su objetividad. (2) juicios basados en las relaciones interorganizativas. esto es. impersonal e independiente". Aunque los atributos formales de las noticias y periódicos puedan presentar problemas al periodista. recordaba Kennedy más tarde. "recibí un cañonazo de Hearst acusándome prácticamente de estar chalado". he examinado hasta ahora (1) procedimientos informativos en tanto atributos formales de las noticias y periódicos. De todos modos cuando citan atributos formales de noticias y periódicos. que había conducido con éxito a un país en medio de una guerra no iba a ser reelegido. Sería interesante explorar más profundamente los tipos de información que los periodistas consideran "hechos". por todo el mundo (significando todo el mundo que pertenece a nuestro mundo)". o aquellas declaraciones cuya exactitud los informadores dan por sentada. sino por nuestra parte. y (3) el sentido común como base para valorar el contenido informativo. Igualmente. Como Schutz (1962. La noticia redactada por Kennedy contradecía el sentido común americano al insistir en que un político popular.York". explorar con intensidad este tema va más allá de los objetivos de este artículo. y que tales proclamas puedan ser apreciadas por el lector. cuando ponen en duda a los periodistas. incluyendo aquellos que pudieran ser problemáticos (como cuando Das Kapital justificaba el término "propaganda comunista"). "basta con que señalemos que todo conocimiento que se da por sentado tiene una estructura altamente socializada. Pero el conocimiento profesional especial es una defensa inadecuada contra las críticas. En este momento ha de bastarnos con saber que (1) algunos contenidos pueden ser aceptados como "hechos" si tienen sentido y (2) los juicios periodísticos que justifican tal "sentido" parecen ser un conocimiento profesional sagrado. y que la política informativa y editorial de su periódico pueden distinguirse una de otra.

como el periodismo. Desde este punto de vista. "cuyos fines que están muy mal definidos -y en consecuencia los errores abundan de igual manera. Sin embargo Gouldner (1970. profesión. p. la conducta correcta se convierte en ritual tanto e incluso más incluso que en un arte. En suma. (2) que han presentado evidencias suplementarias para sostener un "hecho". meditado. Afirma. En primer lugar. los atributos formales de noticias y periódicos aparecen como rituales estratégicos que justifican la proclamación de objetividad. (4) que presentan los principales "hechos materiales" en primer lugar. el culto y el ritual tienen en diversas ocupaciones. 249) uniéndose a C. Hugues continúa. 96. ésta es una noción de objetividad como rutinización técnica que se basa.donde el mundo profano a la materia está siempre dispuesto a criticar y acusar a los profesionales. (3) son un mecanismo desacreditador y un medio para introducir la opinión del redactor de la noticia. (3) que usan las comillas para indicar que el periodista no está afirmando verdad alguna por su parte. la objetividad significa sencillamente que el sociólogo describe sus procedimientos tan explícitamente que otros. Examinando la conducta ritualizada de profesionales de segundo rango como los farmacéuticos o las enfermeras. de una profesión" (p. Aunque procedimientos como los estudiados puedan darnos pruebas demostradas del intento de conseguir la objetividad. el subrayado es mío). estas averiguaciones puede que estén basadas en las mismas nociones de objetividad usadas por los periodistas. señalando a sus pruebas. no puede decirse que de hecho lo consigan. (2) insisten erróneamente en que los "hechos hablan por sí mismos". y el fracaso puede y suele también ser atribuido a éstos" (pp. al emplear esos procedimientos. parece que los procedimientos informativos ejemplificados como atributos formales son en realidad estrategias con las que los periodistas se protegen de las críticas y de la exigencia profesional de objetividad de los profanos. hay una clara discrepancia entre los fines buscados (la objetividad) y los medios usados (los procedimientos informativos descritos). pp. "intuimos la función profunda que el arte.las opciones de verdad en conflicto. pues. especialmente dado que su conocimiento profesional especializado no es suficientemente respetado por los consumidores de noticias y por tanto puede ser incluso la base de un ataque crítico. En efecto. sean subjetivos u objetivos. En segundo lugar. coincide con la afirmación de Everett Hughes (1964. llegarían a las mismas conclusiones. o definitivo. Wright Mills al usar la expresión "replicabilidad transpersonal" sugiere: "En esta noción. Así. Se ha sugerido que esos procedimientos (1) constituyen una invitación a la percepción selectiva. "en la enseñanza". Como previamente sugerí. Si un profesor puede demostrar que ha seguido el ritual. los sociólogos distinguen entre ellos mismos y los demás haciendo notar su propia tendencia al examen reflexivo de las asunciones filosóficas. Permiten al periodista decir. apartará la culpa de sí mismo y la cargará sobre el niño o estudiante miserable. 197. y (5) equivocan al consumidor de noticias al sugerir que el "análisis periodístico" es serio. 97). 94-98) de que las profesiones desarrollan procedimientos ritualizados para protegerse a sí mismas de las acusaciones. y (5) que han separado cuidadosamente los "hechos" de las opiniones utilizando la etiqueta "análisis informativo". (4) están relacionados directamente con la política editorial de una organización informativa particular. "Soy objetivo porque he usado comillas". Esta interpretación tiene varias implicaciones teóricas que son interesantes. en último término. Proporcionan un conjunto de seguros y contrapesos emocionales y hasta organizativos contra los riesgos. en la codificación de los procedimientos de investigación .

James. volumen 77. . (Este artículo de Gaye Tuchman se publicó originariamente en el número 4. en 1972. Joan. In Recent Sociology. "Interpretation and Objectivity in Journalism". generalizarla a otras profesiones u ocupaciones debe esperar a un estudio sistemático del uso de la "objetividad" en el contexto de esos trabajos. "Social Control in the Newsroom: A Functional Analysis". la postura objetiva del abogado está glosada en el conocido refrán "sólo un tonto contratará al abogado que se tenga a sí mismo por cliente". Nos da una imagen de la objetividad sociológica como ritual estratégico. Breed. 1955. 2. Otras profesiones y ocupaciones equiparan la objetividad con la capacidad de comportarse de un modo bastante impersonal como para seguir unos procedimientos rutinarios apropiados en un caso específico. 1966. Agradecemos al American Journal of Sociology su colaboración para la traducción y publicación de este texto). "Behavior in Private Places: Sustaining Definitions of Reality in Gynecological Examination". de la revista American Journal of Sociology. BIBLIOGRAFÍA Benet. New York: Macmillan. Ellul. n. Gouldner acusa a los sociólogos de eludir los problemas epistemológicos escondiéndose detrás de las técnicas formales. edited by Hans P. que presumiblemente nos dice lo que debemos hacer para justificar una afirmación de que algún hallazgo particular es objetivo. precedentes legales. rayos X) y que protegen al profesional de sus errores y de sus críticos. La norma por la que los cirujanos no operan a sus propios familiares protege supuestamente tanto al médico como a los pacientes. se piensa. Social Forces. Resulta que la palabra "objetividad" se usa defensivamente como un ritual estratégico. Dreitzel. Edited by Arlene K. aunque mis hallazgos indican esta conclusión referida al uso de la palabra por parte de los periodistas. Daniels and Rachel Kahn-Hut. Warren. San Francisco: Jossey Bass. casi nada sobre lo que significa la objetividad conceptual o connotativamente".que se han usado. En todos estos ejemplos. New York:Knopf. el médico no podrá llevar a cabo los procedimientos médicos. En suma. niveles de importancia. No nos dice. 33:326-35. la objetividad radica en procedimientos rutinarios que pueden ser ejemplificados como atributos formales (comillas. Jacques. en cualquier caso. De todas formas es principalmente una definición operativa de la objetividad. Propaganda. Al estar emocionalmente implicado. de sus errores. 1970. De todos modos. Emerson. Por ejemplo. Academics on the Line. 1970.

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