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Participar do debate político é necessário e vital!

BELINI, L. A. . Participar do debate político é necessário e vital!. SERVINDO, Campo Mourão, p. 6, 01 set. 2006

Pe. Luiz Antonio Belini Pároco de Quinta do Sol Estamos vivenciando um tempo de campanha eleitoral. No final deste processo deveremos eleger aqueles que tanto na esfera estadual quanto na federal irão nos representar no governo do Estado brasileiro. É um tempo de angústias e chateações. Angústias, porque teremos que decidir em quem votar e, isto, em um momento em que mais intensamente desacreditamos na honestidade e retidão de nossos “representantes”, afinal, pululam escândalos (dos “mensalões” aos “sanguessugas”). Chateações, porque é um tempo em que eles – os candidatos – se “interessam” por nós (melhor seria afirmar: por nosso voto). Contudo, não podemos fugir desta situação. Nossas Escolas da Fé – com o estudo sobre a Doutrina Social da Igreja – têm nos ajudado a obter maior clareza sobre tudo isso. Primeiramente, é preciso lembrar que o Estado é necessário para organizar a vida social moderna. O que poderá ser discutido é o seu tamanho e o modo de ser realizado. A política é – de uma maneira bem simples – a arte (ou a técnica ou mesmo ciência) de estruturar e governar o Estado visando o Bem Comum. Se o Estado é necessário, a política também o é. Política enquanto modo de vivermos em sociedade organizada (como “cidadãos”); e política enquanto arte de participar diretamente deste governo (aquilo que hoje chamamos simplesmente de política e de “políticos”). Isto quer dizer que é impossível para uma pessoa nos dias de hoje fugir por completo de qualquer participação política ou não querer exercer nenhum papel político. A negação de qualquer politicidade é um engano. Aqueles que querem uma completa isenção da política, na verdade, estão entregando para outros o poder de decidir sobre tudo em seu lugar. Quando acordamos de manhã e acendemos a luz para levantar, realizamos um ato cheio de implicações políticas. E assim ao longo de nosso dia e de nossa vida. Outra coisa bem diferente é a concretização do Estado tal como o temos. Se o Estado é necessário, que ele seja assim não o é. Se a política é uma dimensão necessária (da qual ainda que quiséssemos não poderíamos fugir), que ela se concretize do modo que nós estamos vendo não o é. O que temos em larga

Nas Escolas da Fé nós nos deparamos com as palavras do papa Paulo VI: “A política é uma maneira exigente – se bem que não seja a única – de viver o compromisso cristão. utilizam de seu poder para se beneficiar na corrupção – por isso é tão difícil ver um deles na cadeia) toda mudança aqui demandará tempo e empenho. Que nós façamos nossa parte. defendendo apenas o interesse próprio ou de pequenos grupos e setores (muitas vezes contrários aos interesses dos que nele votam). O que temos presenciado é que nossos “representantes” não estão a nosso serviço (ou da sociedade como um todo). portanto.). ao invés daqueles que são escolhidos (“eleitos”) para nos representar e.. Mas ela é possível. Como é algo institucionalizado (basta lembrar que muitos dos deputados e senadores que fazem as leis que regulam nosso Estado são também “mensaleiros” e “sanguessugas” – e. mas estão se servindo de nós. estar a nosso serviço. É preciso incentivar que os bons e honestos se candidatem. é politicagem! Que é o desvirtuamento da política. E começará acontecer quando a sociedade como um todo se organizar e der um basta! A primeira atitude é mudar de mentalidade: a política enquanto tal pode ser boa ou ruim. A quem cabe mudar esta situação? A nós mesmos! É evidente que esta mudança não ocorrerá de uma só vez e nem de maneira automática. já que os nossos representantes por si . que “somente gente desonesta entra nela” ou que “todos os políticos são iguais”. Por isso. Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política. A politicagem e a corrupção fazem parte já da história do Brasil e abrange âmbitos cada vez maiores. irá depender daqueles que detém o poder. não é realmente política. da seriedade de sua fé mediante um serviço eficaz e desinteressado para com os homens” (Octogesima Adveniens. dentro de um legítimo pluralismo. pessoal e coletivo.escala no Brasil hoje. apoiando e cobrando.. Pior ainda quando se pensa que não haja nada que nós possamos fazer! Isto é justamente o que os maus políticos querem que pensemos. Para que o “mundo dos políticos” mude. esforçar-se-ão os cristãos solicitados a entrar na ação política por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho e. por dar um testemunho. ao serviço dos outros (. não adianta dizer que “política é coisa suja”. portanto. Em outras palavras. nós também precisamos mudar. E dar suporte a eles. fazem o contrário. 46) Algumas medidas concretas estão ao nosso alcance: participar ativamente das discussões em torno da “reforma política” – que deverá ser levada a termo com a participação de todos os cidadãos.

Podemos também participar pedindo esclarecimentos “concretos” de sua postura.sós são “incapazes” (quando querem moralizar) ou pessoalmente desinteressados dela (quando a julgam uma maneira de ter que limitar o próprio poder ou privilégios). . Aqui uma “mini-constituinte” para a reforma política não é das piores opções.Comparar a sua vida com a resposta que nos dão (já que este é o tempo das “promessas” e das grandes mentiras). Podemos participar como em nossas paróquias se tem feito: através de manifestações e abaixo-assinados. quando candidatos vierem pedir nosso voto.