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PREPARADOS PARA DAR AS RAZÔES DE NOSSA FÉ

BELINI, L. A. . Preparados para dar as razões de nossa fé. SERVINDO, Campo Mourão, p. 6, 01 jul. 2006.

Pe. Luiz Antonio Belini Nos últimos meses tenho abordado em meus artigos questões conflituosas. Entre tantas, mereceu um destaque a publicação do Evangelho de Judas com ampla cobertura da imprensa internacional. Naquele momento muitos apostaram que seria um grande golpe no cristianismo. Como escrevi então, ninguém mais fala do assunto! Depois veio o lançamento do filme Código da Vinci que, no embalo da polêmica gerada pelo livro no qual se inspira, parecia que faria as pessoas repensarem sua fé em Jesus. Até agora não obteve absolutamente nenhum êxito em suas “sugestões”. Aliás, pelo que a crítica cinematográfica especializada tem escrito, parece que mesmo como filme não é lá aquelas coisas... Mas não devemos nos enganar, dentre em breve surgirá algo novo para trazer à baila uma nova discussão. É importante nos lembrar sempre de uma afirmação que vai se tornando comum, endossada pelo Umberto Eco: estamos vivendo um processo de descristianização. Ou seja, nestes dois milênios a mensagem de Jesus foi tão poderosa que permeou o modo de ser do homem (ocidental sobretudo). É claro que para isso foi sumamente importante a estrutura que adquiriu ao longo do tempo o processo de evangelização com suas instituições promotoras. O modo de ser das sociedades ocidentais inspirava-se bem ou mal no cristianismo. Alguns exemplos: nosso calendário, nossos símbolos, nossas festas, nossa hierarquia de valores (a moral cristã). Algumas virtudes nitidamente cristãs, como a caridade e a misericórdia estiveram presentes no ideal humano. Houve momento em que ser ocidental era ser cristão. Não quero afirmar com isso que esta sociedade “cristianizada” fosse perfeita ou que representasse de modo acabado o que deve ser uma sociedade cristã. Longe disso. Mas quem se definisse cristão nela, estava, digamos, “à vontade!”. E quem fosse um bom cristão estaria dentro do que se esperaria que toda pessoa fosse. A expectativa da sociedade para com o homem vinha de encontro com a fé cristã, ao menos idealmente. O processo de descristianização, iniciado fortemente há algumas décadas, significa o desmonte deste tipo de sociedade. Isto é mais perceptível em determinados momentos: a proibição de símbolos cristãos em lugares públicos (como tem ocorrido em alguns países); um ataque cotidiano à família e seus valores; a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo; o consumismo e o

os inspiradores dos homens e mulheres não são mais os santos. tomem cuidado para que esses ímpios não os enganem. “. Deveremos ter presente a proposta de Paulo VI: “chegar a atingir e como que modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar. estando sempre prontos a dar a razão de sua esperança a todo aquele que a pedir a vocês” e 2 Pe 3. a catequese infantil. em profundidade e isto até as raízes – a cultura e as culturas do homem. algumas conclusões se impõem: vivemos um momento de crise. não está em condições de dar formação para toda a vida. queridos irmãos. Diante desta constatação. n. como que aplicando um verniz superficial. A crise não é de todo negativa. os meios de comunicação de massa (a TV principalmente) banalizam símbolos e valores sagrados. etc. as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade. tão importante. os valores que contam. É preciso que estejamos atentos a estes “sinais dos tempos”. nosso Senhor e Salvador”). que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (EN.hedonismo (com a divulgação de um modo de ser voltado para o ter e o prazer). Está cada dia mais difícil ser cristão em nossa sociedade.. Justamente para isto nossa diocese tem oferecido as escolas da fé. Isto significa que a crise poderá ser vivenciada como um período de crescimento. n. Por isso. mas as “estrelas” midiáticas. Somente uma formação permanente poderá dar conta desta missão. mas de maneira vital. Cresçam na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. avisados como estão. arrastando-os para que vocês percam a firmeza e caiam. é preciso saber as razões de nossa fé. os centros de interesse. Mas é necessário empenho e esforço para supera-la positivamente. as linhas de pensamento. é preciso crescer no conhecimento de Jesus e na prática de seu evangelho. 15: “reconheçam de coração o Cristo como Senhor. No início do cristianismo encontramos um período de crise e poderemos dele lembrar: o martírio de Estevão (At 7) e a ordem de Pedro para que nos preparássemos para todo desafio e crise (1 Pe 3..importa evangelizar – não de maneira decorativa.. 17-18: “Assim.19).20). Frente aos ataques de uma sociedade em descristianização. . Como as citações bíblicas anteriores nos alertam. Será preciso muito mais.. E isto porque ela se inscreve na capacidade que a criança e o adolescente tem.” (EN. a perda da honestidade como referencial básico da existência humana. Poderemos sair dela purificados e fortalecidos.