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O QUANTO O HOMEM PODE INTERVIR NA SOCIEDADE ENQUANTO SUJEITO POLÍTICO

Anila Martins Gonçalves Larissa de Almeida Sá Luciana Carvalho Tamara Pires de Oliveira Souza* Resumo Este artigo visa explicitar, através de uma análise do filme “O Óleo de Lorenzo” partindo da noção de Pessoa constante do Código Civil Brasileiro, que o Estado não foi reclamado para atender as demandas postas pelo problema de saúde evidenciado na película. E através de uma pesquisa exploratória, utilizando do método analítico-dedutivo e histórico, contextualizar o tema no tempo e no espaço; com um levantamento bibliográfico, aprimorar o conceito de cidadania; fundamentado em grandes autores como Aristóteles, Maquiavel, Hobbes, e também autores nacionais como Dalmo de Abreu Dallari e Mário Lucio Quintão Soares; e com o método funcionalista apresentar a função do homem enquanto cidadão, potencializando a importância deste estudo para discutir, do ponto de vista jurídico, os meios legais de intervenção política presentes na Constituição Brasileira; e ainda contribuir para despertar o senso crítico das pessoas e incentivar à ação política, resgatando o homem como pessoa natural, dotada de direitos, sujeitos agentes transformadores de sua própria história, e demonstrando que ele pode intervir politicamente visando à melhoria das condições de vida de toda a sociedade. Palavras-Chave: Política. Pessoa Natural. Cidadania. Responsabilidade. HOW MUCH CAN MAN INTERVENE IN SOCIETY AS A POLITICAL SUBJECT Abstract This article aims to explain that the State was not claimed to meet the demands posed by the health problem evidenced in the film "Lorenzo's Oil", through an analysis based on the notion of Person set out in the Civil Code. An exploratory research and the analytical deductive and historical method allowed us to contextualize the theme in time and space. With a literature review, we have refined the concept of citizenship. Based on major authors such as Aristotle, Machiavelli, Hobbes, and also national authors such as Dalmo de Abreu Dallari and Mário Lúcio Quintão Soares, and with the functionalist approach we wanted to present the role of man as a citizen. That increases the importance of this study to discuss, from a legal standpoint, the legal means of political intervention in the present Brazilian Constitution. We also wanted to contribute to awaken people’s critical thinking and encourage them to political action, rescuing man as a natural person, endowed with rights, being subject actor that can change his own history and proving that he can politically intervene to improve the living conditions of the whole society.
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Alunas do 2º período do Curso de Direito da Faculdade Católica de Uberlândia à época de produção do trabalho. Com a Coordenção da então Professora Dra. Maria Socorro Ramos Militão e Co-coordenação do Professor Mestrando Marco Túlio Ribeiro Cunha. nilagm@hotmail.com; larissalmeida99@hotmail.com; lusartre@hotmail.com; tamarab1mara@hotmail.com.

Revista da Católica, Uberlândia, v. 3 n. 6, ISSN 2175-876X

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O trabalho ora proposto surgiu de problemas postos no filme “O Óleo de Lorenzo”. Esta investigação é importante para discutir. pretende-se aprimorar o entendimento sobre a democracia e o nosso papel como cidadãos. A noção de cidadania corrente se baseia em direitos democráticos burgueses que no limite garante direitos. v. para demonstrar que ele pode intervir politicamente. que conta a história de uma família cujo filho de 5 (cinco) anos de idade desenvolve uma doença geneticamente transmitida. sem buscar as efetivas transformações que deveriam ocorrer através do trabalho dos governantes eleitos pelo povo. século XVIII. dotada destes direitos. evoluiu-se no sentido de se construir um novo conceito de cidadão como indivíduo atuante na vida do Estado. Hobbes (Do Cidadão). através de uma pesquisa filosófico-jurídico. Este estudo tem a intenção de resgatar o homem como personalidade jurídica. Busca-se. 6. Citizenship. utilizamos nesse estudo o método analítico-dedutivo para contextualizar o tema ora proposto. analisar o conceito de Estado Democrático de Direito a partir dos filósofos Aristóteles (Política). os meios legais de intervenção política presentes na Constituição Brasileira. Mario Lucio Quintão Soares (Teoria do Estado) e Dalmo de Abreu Dallari (O que é participação política). portanto.Keywords: Politics. Responsibility. Muito se houve falar em cidadania. do ponto de vista jurídico. dentre outros. os genitores dessa criança empreendem uma verdadeira batalha na luta pela cura da doença. Maquiavel (O Príncipe). Cláudia Maria Toledo Silveira (1997) diz que “Até o Século das Luzes. Natural Person. Acredita-se que o cumprimento do papel de cidadão nesses termos é suficiente para garantir o seu exercício. assim. Após a identificação da doença. Em artigo sobre a Cidadania. que compreende o período histórico que se inicia nos tempos da Monarquia e chega aos dias atuais. isto é. INTRODUÇÃO Tendo como objetivo entender o processo histórico sobre a cidadania. ISSN 2175-876X 32 . busca-se a conquista dos Direitos Políticos”. 3 n. porém são poucos reclamados. porém não se explica o que ela significa. e percebe-se que estes foram conquistados. como o do voto. Revista da Católica. apresentando em que medida o cidadão brasileiro pode intervir em questões políticas pertinentes ao Estado e o quanto a ação política do indivíduo (sozinho ou coletivamente) pode promover mudanças efetivas na realidade que o cerca. Uberlândia. visando à melhoria das condições de vida de toda a sociedade.

com o intuito de parecer que votando o cidadão participou da construção política da sociedade em que vive. o indivíduo é subordinado ao Estado. que desde o Império Romano. que “todo o Estado. Mario Lucio Quintão Soares (2008. No primeiro.” (Marx. a família de Lorenzo luta com os médicos. Porém quando falamos de cidadania nos referimos aos cidadãos. 180-182). ou seja. no terceiro “status” chamado de “civitatis”. o “status subjectionis”. CONCEITOS E CONTEXTUALIZAÇÃO Cidadania e o Estado Democrático de Direito Antes de entrar nessa questão de reivindicações ao Estado. pois o indivíduo está completamente fora do Estado. mas a essência é a mesma. cientistas. laboratórios. Nesse sentido elucubrou Aristóteles em seu livro Política.” (2003. no qual a multidão é paupérrima e sem nenhuma regalia. 6. apresenta em sua obra “Teoria do Estado” uma pesquisa efetuada sobre o “status” da cidadania. mas em momento algum procuram reivindicar seus direitos ao Estado. trata-se de posições assumidas em tempos remotos e principalmente pela atual classe dominante em seu processo de ascensão. Uberlândia. dar à multidão uma parcela nas deliberações públicas e nos julgamentos. o indivíduo apenas pretende direitos perante o Estado e Revista da Católica. Por este motivo a idéia de ir as urnas é praticar cidadania. 1999. Mas é de extrema importância que as pessoas entendam que este conceito além de não ser novidade. são aqueles que participam da vida política da cidade. é necessário entender a concepção de alguns conceitos. considerando os dias atuais. Esta personalidade lhe concede direitos e lhe cobra deveres. 12-44). baseado na construção de cidadania ativa através de Jellinek. mesmo que seja somente através do voto. 3 n. p. p. e com outras famílias que vivem o mesmo dilema. apenas mudaram-se os discursos. 96). conforme entendimento de Karl Marx em sua pesquisa no século XIX. deve obrigatoriamente andar cheio de inimigos. no segundo ele possui uma liberdade na qual o Estado não interfere. é o “status libertatis”. e este age de forma geral. A começar pela pessoa natural que é todo aquele que adquire personalidade jurídica ao nascer com vida. “o poder executivo do Estado Moderno não passa de um comitê para gerenciar os assuntos comuns de toda a burguesia. p. a qual demonstra uma evolução da mesma. Resta. No Estado Democrático de Direito não é diferente. v.Durante todo o filme. todos aqueles que possuem título eleitoral. ISSN 2175-876X 33 . portanto.

pode reclamá-los. ou seja. questionar e ocupar seu espaço perante a estrutura e os poderes do Estado. a cidadania. senão o principal. e por último. tem-se observado um distanciamento entre as classes mais abastadas e as menos favorecidas. a cumprir as garantias fundamentais pautadas na Constituição e no ordenamento jurídico. participar. este pode através de meios legais oferecidos pela Constituição. o “status ativae civitatis”. O Brasil sempre foi um país marcado pela exclusão social.. e também dos indivíduos como cidadãos. econômico e jurídico. inciso II. a divulgação nos meios de comunicação.” O exercício da cidadania pelo povo brasileiro Baseado na concepção de Jellinek. Com um Direito elitista e conservador.” (FARIA.] acompanhar. através da qual os indivíduos ficam aptos a conhecer seus direitos e cumprir seus deveres. pode-se entender como foi constituída a nossa cidadania. Uberlândia. de certa forma. ISSN 2175-876X 34 . podem fazer para que o Estado seja obrigado. inseridos no meio político em que vivem. através da qual o cidadão possui direitos políticos dos quais utiliza para participar “na formação da vontade do Estado. a democratização da informação é um dos principais meios. para além do voto. melhorias na sociedade no todo. buscar satisfazer suas necessidades. v. em seu artigo 1°. política. a maioria da população não exige que suas necessidades sejam atendidas. levando ao alcance daqueles desfavorecidos de forma igualitária. é aquele que também usufrui de todas as garantias que a Constituição oferece e faz isso através da cidadania. cobrando do Estado o cumprimento das leis. sejam quais forem. bem como “[. avaliar. 6. Mas cidadão é aquele que muito mais do que se fazer presente no meio social em que vive. Revista da Católica. Fundada em um conceito de que cidadão é aquele que participa ativamente da vida social.. contribuir. De acordo com FARIA e associados. porém analisemos em que bases isto ocorreu. Constituída em um Estado democrático de direito a Constituição Brasileira traz como um dos princípios fundamentais. E o Estado se escusando de fazer valerem os direitos do cidadão. cidadania ativa. fazendo valer todos os direitos garantidos. porém convidamos os interlocutores à reflexão. por desinformação ou falta de capital. da informação de caráter social. A discussão aqui proposta é o que esses cidadãos enquanto sujeitos de direitos e deveres. 3 n. social e jurídica. explicitado por Mario Lucio Quintão Soares. 2006). desde os primórdios de sua construção política. pois possuímos o “status” de cidadania ativa. Ficando por conta do Estado. através da qual nos foi concedido o direito ao sufrágio universal. político. econômica e jurídica. o acesso à justiça não é equilibrado.

1o : “Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. Revista da Católica. lesado ou ameaçado de lesão. e diz em seu Art. e por Estado compreende-se todo o povo. Ao cidadão sendo oferecidos concretamente todos esses direitos. é o que pertence a quem o invoca e não apenas à sua categoria. o mandado de segurança e a ação popular. Se o direito for de outrem não autoriza o mandado de segurança.016. independerá de sua classe social. pode ver no mandado de segurança. 6. Somente esse direito legitima a impetração. e já o põe como cidadão. O Mandado de Segurança encontra-se previsto no art. meio ambiente saudável. por ato ilegal ou abusivo de autoridade pública. Legislação Vigente A Constituição Brasileira estabelece para o cidadão vários instrumentos de defesa dos seus direitos como. É direito próprio do impetrante. lazer. qualquer delas poderá requerer o mandado de segurança. e em seu § 3o explica que quando o direito ameaçado ou violado couber a várias pessoas. pelo julgador. sempre que. 12. ISSN 2175-876X 35 .Feito isto. LXIX da Constituição Federal. consciente de seus direitos. ilegalmente ou com abuso de poder.”. sexo ou cor para que este alcance a condição plena de cidadão. 1997). entre tantos outros direitos que compõem o quadro dos Direitos humanos. Assim. Mandado de segurança O cidadão brasileiro. não amparado por habeas corpus ou habeas data. dos direitos fundamentais à sua sobrevivência. saúde. cabe ao Estado. e na Lei nº. 3 n. a melhoria na vida social como a igualdade econômica e jurídica e não só como também igualdade de oportunidades. que são meios de garantir a proteção dos direitos da pessoa humana e a construção de uma sociedade mais justa. seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que exerça. por exemplo. v. Pois esta condição é inerente ao indivíduo pelo simples fato de existir. qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade. de 7 de agosto de 2009 que o regulamenta. moradia. (SILVEIRA. minimamente. Uberlândia. podendo ensejar ação popular ou ação civil pública. 5º. o Direito individual. sendo sua existência uma condição necessária para o exercício e a fruição. um meio eficaz de fazer valer o seu direito líquido e certo (aquele em que pode ser comprovado. uma educação adequada. tão logo a impetração do mandado de segurança). trabalho. para fins de mandado de segurança.

5º.”1 Disponível em: <http://www. seus diretores e ao prefeito. adequando-os ao período de onze horas e oito minutos diários. mas sim.com. E por unanimidade.717 de 29 de junho de 1965.. 7. refere-se a uma ação popular contra uma companhia de energia elétrica. o STJ deu provimento ao mandado de segurança. não resolve o problema e coloca as pessoas em risco. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. 3 n.A exemplo de mandado de segurança apresentamos a jurisprudência. ficando o autor.347 de 24 de julho de 1985 e no inciso LXXII da Lei Maior e diz que “qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. Ela está fundamentada nas Leis 4. à moralidade administrativa.] gera dispêndio financeiro para o município. entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Ação Popular A ação popular é também uma ferramenta para o cidadão consciente. É importante dizer que a Constituição de 1988 traz o mandado de segurança coletivo. Uberlândia. pois o patrimônio público pertence a todos. ISSN 2175-876X 1 36 . pelo Estado. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Em uma jurisprudência do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (2008).br/noticias/1998723/mp-entra-com-acao-para-prefeitura-recapearruas-no-interior-de-sp>. o que pertence a uma coletividade ou categoria representada por partido político com representação no Congresso Nacional. v. como diz a Constituição Federal de 1988 (art. Não se trata de uma ação para resolver questões particulares. da coletividade.. por organização sindical. 6. de mandado de segurança em que Maria Dolores Steffens pessoa Hipossuficiente portadora de doença grave (hepatite B crônica) requer o fornecimento gratuito de medicamento. a e b). pois a “operação tapa-buraco [. LXX. É necessário entender que quando se refere ao Estado.” Outro exemplo muito interessante sobre a ação popular refere-se a que o Ministério Público entrou contra uma prefeitura solicitando o recapeamento das ruas que possuem grande quantidade de buracos. salvo comprovada má-fé. em consequência. Revista da Católica. a condenação dos réus à devolução dos valores indevidamente cobrados. com o objetivo de anular uma cláusula contratual “que adota como estimativa de utilização de energia elétrica para cada lâmpada existente em logradouro público o período de doze horas e.jusbrasil. trata-se de toda a sociedade.

existem vários. prescreve que “A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direito e secreto. e em seu art. com valor igual para todos.”2 Esta lei foi iniciada através de um movimento de combate a corrupção eleitoral (MCCE). como o movimento dos sem terra. dispõe sobre a iniciativa popular. dando a sociedade uma leve certeza de justiça com respeito ao direito existente em nossa sociedade.709 de 18 de novembro de 1998. v. feito pelo povo. Plebiscito e Iniciativa Popular O art. 6. Mesmo que seja grupo específico. como o próprio nome diz é de cunho popular.” O plebiscito e o referendo são instrumentos pelos quais o povo é consultado sobre a matéria a que eles se referem.org. 3 n.” Existe por exemplo um projeto por iniciativa popular aguardando tramitação na Câmara dos Deputados. no mínimo. A iniciativa popular. nos termos da lei. para implementar “critérios mais rígidos para que alguém possa se candidatar. na qual “consiste na apresentação de projeto de lei à Câmara dos Deputados. 13. com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. havendo ela uma participação popular nas lutas. Referendo. os homossexuais. II – referendo. Trata-se do projeto de Lei Complementar 518/09. distribuído pelo menos por cinco Estados. mobilizações.br/node/92>. e. quando atuam em desatenção as normas jurídicas de nosso ordenamento. que têm por finalidade proteger os direitos individuais e da coletividade.mcce. III – iniciativa popular. 2 Para maiores informações: Disponível em: <http://www. subscrito por. Uberlândia. todos eles tem algo em comum. Movimentos Ativistas O povo brasileiro. um por cento do eleitorado nacional. comprometidos com o interesse coletivo. §§ 1º e 2º. A Lei que regulamenta estas três ferramentas é a 9. que lutam por uma sociedade melhor para todos. 14. Revista da Católica. sendo o sujeito de todo o processo da busca de transformação para uma melhoria da sociedade. Grupos como este. São instrumentos normativos e. mediante: I – plebiscito. a busca pelos direitos a uma vida com dignidade.Portanto. o mandado de segurança e a ação popular são como arma nas mãos do cidadão para defesa dos seus direitos constitucionais que lhes são violados pelas autoridades públicas. as feministas. ISSN 2175-876X 37 . da Carta Magna de 1988.

sejam capacitados juridicamente para orientar os membros de sua localidade em como solucionar devidamente no judiciário as suas reclamações e reivindicações. acesso à educação e saúde. “As iniciativas de assessorias jurídicas universitárias têm crescido nos últimos anos e.1985 (MST). a Declaração Universal dos Direitos humanos considera a participação política um direito fundamental de todos os indivíduos. p. Diz entre outras coisas. ISSN 2175-876X 38 . geração de renda. atores sociais como a defensoria pública. Uberlândia. 3 n. que vem lutando contra os crimes ambientais. cansados de esperar pela ação estatal para promover a reforma agrária. sobre a vida e os interesses de todos. utilizam de invasão de terras. produção e fornecimento de alimentos. passeatas. p. 6. CONCLUSÃO No sentido destes movimentos ativistas e algumas atitudes individuais. e não apenas convencer os governantes. assessorias jurídicas universitárias populares são oferecidas pelos Núcleos de Práticas jurídicas das faculdades de direito brasileiras. ou seja.jurídica ininteligível para este cidadão. as mudanças poderão ser cada vez mais positivas. hoje estão presentes em universidades públicas e privadas em todo o Brasil”. assistência jurídica. levando o conhecimento do direito a todo cidadão quebrando toda técnica.sendo de uma forma permanente com conscientização das massas e pressão popular. Um maior contato com diferentes movimentos e forças sociais tem surgido através dos poderes representativos.51). priorizando a solução dos problemas do povo. o artigo 21 da Declaração que todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país e que a vontade do povo será a base da autoridade do governo”. comitivas por várias cidades para pressionarem. Como diz Dallari (2004. 2007. Outro exemplo são organizações sociais como o “Greenpeace” – conhecido em todo o mundo como “Os guerreiros do Arco – Iris” fundado no início da década de 70. e que luta pela sobrevivência. que defende um programa de desenvolvimento para o Brasil. por meio da distribuição da terra. promotores legais populares. v. mas á persuadi-los. levá-los a ações efetivas. remete-se ao pensamento de Mario Lucio Quintão Soares ao discorrer que um cidadão político é aquele que tenha capacidade de influenciar Revista da Católica. criação de empregos. exemplificadas nos itens anteriores. Ocorre assim com o Movimento Sem Terra . (SANTOS. 26): “Justamente porque os seres humanos vivem em sociedade e porque as decisões políticas sempre se refletem. Neste mesmo sentido é necessário que outras partes da sociedade como os lideres comunitários.

p. a dignidade humana e à saúde. 2008. Para Aristóteles em uma democracia “o povo é o soberano”. assumir a parcela da responsabilidade de buscar a efetivação do bem comum. utilizarem das ferramentas demonstradas neste artigo. como personalidade jurídica. no estoicismo. ativistas. 3 n. p. e busca através de ações e reivindicações. 3. São Paulo: Saraiva. ed. (SOARES.nas transformações sociais. que são seus representantes. 6. todos os participantes da sociedade. Dependeria dos tribunais o resultado desta reclamação. Política. 184-185). 1998. Percebe-se com este estudo que todos os autores pesquisados concordam que “em qualquer governo é o povo quem governa. mas também como agentes transformadores possuem as ferramentas para buscar as transformações. São Paulo: Martin Claret. 2003. e mesmo que a autoridade de governar esteja nas mãos de uma única pessoa. para o qual a felicidade “consiste na tranquilidade. Entende-se que falta a cada um. 91-199). BASTOS. v. 2005. os cuidados para com o povo. religiosos. Encontra-se uma explicação para o povo. 1995. decidiriam pelo auxílio às famílias. se o caso ocorresse no Brasil. este ou estes. profissionais da mídia. Revista da Católica. com fundamentos da Constituição Federal. magistrados. de diversos. Ou seja. Enquanto que muitos dos governantes primeiramente atendem as suas próprias necessidades e deixam para a esfera social. ISSN 2175-876X 39 . 92). p. de acordo com o Código Civil Brasileiro. Deduz-se que pautados no direito à vida. Uberlândia. (HOBBES. reclamar seus direitos ao Estado. E a finalidade da política é a justiça. E ainda colaboram para este sentimento algumas religiões. poderia através de seus pais. possuem os direitos garantidos na Lei Maior. detentor de todo este poder não reivindicar seus direitos. alcançando este estado “aceitando o curso dos acontecimentos” (MARCONDES. e pessoas comuns. ou ainda todas as famílias juntas. Curso de teoria do Estado e ciência política. 8799). ou ausência de perturbação”. p. Referências: ARISTÓTELES. Celso Ribeiro. ou de uma multidão. fazer valer seus direitos. e entende-se por justiça a “utilidade coletiva”. que afinal são todos cidadãos: políticos. A guisa de conclusão e voltando a análise do filme “O Óleo de Lorenzo”. devem utilizá-la com “vistas” ao interesse coletivo. a criança dotada de direitos. (2003. pois até nas monarquias é o povo quem manda”.

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