UMA VISÃO DA TEORIA DA PENA PELA TEORIA DOS SISTEMAS AUTOPOIÉTICOS* A VISION OF THE THEORY OF THE PENALTY BY THE

THEORY OF THE AUPOIETIC SYSTEMS

André Rocha Sampaio RESUMO O fenômeno crime/punição sempre atraiu a atenção da ciência, que busca continuamente encontrar seu fundamento. Ocorre que os teóricos da pena sempre incorreram no erro de utilizar fatores ideológicos pessoais em seus estudos, desviando, assim, suas conclusões da isenção que a ciência se predispõe a ter. A teoria dos sistemas entra em cena com o escopo de realizar uma análise ideologicamente isenta, separando as influências de cada um dos sistemas sociais, bem como verificar o funcionamento sistêmico quando posto em prática. Para enriquecer a teoria em questão, a autopoiese surge como mecanismo de explicação da reprodução social – um sistema que se baseia no sentido, em palavras de Niklas Luhmann – possibilitando analisar as mudanças que o binômio crime/punição podem provocar na tessitura social. PALAVRAS-CHAVES: CRIME – PUNIÇÃO – TEORIA DOS SISTEMAS – AUTOPOIESE – CONFIGURAÇÃO SOCIAL. ABSTRACT The phenomenon crime/punishment has always attracted the attention of science, that searches continuously to find its fundament. In spite of this, the studious of the penalty always committed the mistake of using personal ideological factors in their studies, bending, thus, their conclusions of the neutrality that science tries to have. The theory of the systems appears with the aim of making an ideologically neutral analyses, separating the influences of each of the social systems, as well as verifying the systemic functioning when put in practice. To improve the mentioned theory, the autopoiesis appears as a mechanism of explanation of the social reproduction – a system that is based in sense, in words of Niklas Luhmann – making it possible to analyse the changes that the phenomenon crime/punishment can make in the social tissue. KEYWORDS: CRIME – PUNISHMENT – AUTOPOIESIS – SOCIAL CONFIGURATION. THEORY OF SYSTEMS –

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Trabalho publicado nos Anais do XVIII Congresso Nacional do CONPEDI, realizado em São Paulo – SP nos dias 04, 05, 06 e 07 de novembro de 2009.

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1. Intróito.

Imaginemos duas pessoas que ajam em sincronia perfeita, onde uma saiba exatamente como a outra reagirá no instante seguinte, como será sua ação ante cada uma de suas reações. Certamente a total certeza acerca do comportamento alheio impediria que elas se envolvessem em qualquer forma de conflito. Passando agora a uma perspectiva mais abrangente, imagine-se um grupo de pessoas com as mesmas características, todas sempre prevendo com total segurança como será o comportamento umas das outras a cada instante. Ter-se-ia, então, uma sociedade onde a negentropia[1] seria máxima, e onde, por outro lado, a entropia seria igual a zero. Pode-se afirmar com certeza que se trataria de um sistema social em total equilíbrio. Todavia, como todo sistema balanceado, ele seria completamente invariável. As possibilidades de ação estariam totalmente limitadas, restringindo sobremaneira a contingência e complexidade social. Situando tal sociedade ora fantasiada no contínuo condicionado pelo fator temporal, ela só poderia se encaixar em um de seus dois extremos, ou no início, demarcando, assim, a primeira sociedade humana existente, ou no fim, significando a apoteose do controle social do caos. Tanto em um quanto noutro panorama, teríamos uma sociedade que simplesmente não evoluiria mais, funcionaria de modo perfeitamente fechado por meio de sua programação estabelecida. Partindo da premissa de que não há relatos na história humana de algo parecido, pode-se descartar a primeira alternativa, restando apenas a possibilidade de haver uma sociedade com as características apontadas no fim do processo de evolução social, evolução aqui empregada significando aumento da complexidade social.[2] Em uma sociedade onde imperaria tamanha perfeição, não haveria a necessidade de se instituir sanções de quaisquer ordens. Seria talvez a realização do "sonho de pureza" mencionado por Zygmunt Baumann. Ocorre que observações científicas demonstram não haver até então qualquer grupo social que funcione com esse grau de simetria. Destarte pode-se afirmar que o sistema social atual se encontra em desequilíbrio, com índices variáveis de negentropia e entropia, o que tem provocado constantes e profundas mudanças em seus programas, visto que as possibilidades de ação são múltiplas e imprevisíveis, apontando assim para um alto grau de contingência e complexidade. Neste cenário, as sanções se revelam inexoráveis como meio de assegurar as "expectativas de comportamento estabilizadas em termos contrafáticos".[3] Em virtude da organização política escolhida pela sociedade moderna, incumbe exclusivamente ao Estado o regramento de expectativas comportamentais, o que ele o faz por meio da prescrição de pautas de conduta obrigatórias, permitidas ou proibidas.

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mas todas contingentes. os quais chamaremos de Ego e Alter. Fator essencial para o exercício do poder são os meios de influenciar as pessoas a obedecê-lo. a sanção. sem as quais se torna impossível qualquer processo comunicativo entre eles. pois. dessa forma. a interpenetração de dois sistemas psíquicos condiciona regras. da dupla contingência. Desta feita é "preciso. o fundamento do poder violência física". o que lhe atribui seu inevitável efeito de infligir sofrimento no sancionado. mas que sejam aplicáveis universalmente. o religioso. Uma regra sem sanção não é uma regra. haverá sanções oriundas do conhecimento do descumprimento de uma de suas regras. senão simplesmente no sentido semântico da palavra. mas sempre observando um mesmo sentido e racionalidade. o fenômeno chamado de dupla contingência. para lidar com tanta contingência. poder este emanado do próprio povo e que retorna ao próprio povo. Origem das Sanções no Sistema Social. tudo que Ego pode fazer é se utilizar de um processo auto-referencial para delimitar as possibilidades de reação de Alter. melhor dizendo. Como visto acima. circularmente. ou. Assim. pode-se deduzir que a fundamentação da origem da pena é a existência da contingência. quatro são os sistemas sociais que produzem regras de conduta. Todavia as possibilidades de ação do próprio Ego são inúmeras. Sanção sem sofrimento não é sanção.[5] Com efeito.[4] A sanção é aplicada estritamente pela via da violência física. 1. no plano da totalidade da sociedade. quais sejam. 1640 . Quando dois sistemas psíquicos se percebem. Para isto serve. Atualmente. As regras. o social em sentido estrito (também chamado de sistema intimidade) e o jurídico. em cada um dos quatro sistemas mencionados.O fundamento para a possibilidade do exercício dessa tarefa se encontra no poder do qual se reveste o Estado. que se caracteriza pela existência de uma grande variação de ações e reações possíveis. Logo. provocando. o moral. Em cada um deles as regras funcionam se utilizando dos próprios códigos do sistema. são elementos de natureza incompleta .para se efetivarem precisam de seu revés. sendo nenhuma delas impossível ou necessária. não é possível para Ego saber qual será a reação de Alter ante qualquer de suas ações. escolher também fundamentos do poder que não dependam exclusivamente da diferenciação social. no sistema social. a saber.

das quais nos concentraremos no tópico seguinte.a sanção . a existência da possibilidade de auto-controle do sistema atingido. A Sanção Penal à Luz da Teoria dos Sistemas Autopoiéticos Como se percebe da exposição feita acerca dos fundamentos da sanção penal.. e sim produto da ação 1641 . indiretamente. Todavia o que se busca não é a perfeição de uma teoria. e. as sanções do sistema jurídico não têm o condão de provocar irritações imediatas no sistema psíquico . indireta. 1.aquele responsável pelo controle do comportamento que frustrou Alter. diversas explicações com o intuito de legitimar socialmente a provocação da dor. o clima. não se conhece melhor do ponto X à medida que o dissecamos em frações. como a gravidade.1. somente se utilizando de um mediador entre os planos simbólico (da linguagem do poder) e orgânico (da dor)[6] é que o Estado consegue impor suas pautas de conduta normatizadas. decerto a que apresentaremos não possui a pretensão de não os ter. e sim a possibilidade de sua máxima utilidade prática e compatibilidade sistêmica. Muito embora não se trate de algo natural. Isso pode ser atribuído principalmente ao fato de que as demais teorias sempre se utilizavam de uma lógica cartesiana. Para justificar a existência dessa estrutura . Assim. não há teoria existente que não tenha demonstrado pontos falhos. As Limitações das Sanções no Ambiente Diferentemente das sanções dos demais sistemas. por meio da violência física denominada de "sanção". Ou seja. dentro do sistema jurídico. ou seja. a concebemos como a que melhor reflete a complexa realidade social. ou seja. Não poderia ser de outra forma em relação à sanção penal.foram criadas. As sanções do sistema jurídico só são capazes de afetar o sistema psíquico de maneira mediata.g. de que quanto mais se fragmentasse o objeto do estudo. provocando irritações que buscam manipular seu código binário prazer/dor. a vegetação. normalmente surgiam fatores que haviam sido inicialmente ignorados que alteravam os efeitos previamente estudados. conhece-se melhor dele quando o estudamos sob as condições naturais em que ele é encontrado no ambiente. melhor ele seria conhecido. Quando a fração estudada era colocada em prática. Todavia a realidade provou que Descartes estava errado. provocando. Apesar das inúmeras críticas que buscam taxar a teoria dos sistemas autopoiéticos de Luhmann de impessoal e tecnicista.

ela apenas aperfeiçoa a teoria que Luhmann sempre deu como inacabada. 1642 . E. cremos que a teoria desenvolvida por Luhmann é a que melhor responde à demanda científica acerca do funcionamento social. No que concerne ao direito penal. fenômeno melhor estudado pelos chilenos Maturana e Varela. o direito penal protege bens jurídicos.humana. Entretanto dois pontos precisam ser levados em consideração quanto a isso. os valores são relegados a segundo plano. encontramos mais dificuldade de adaptação da teoria dos sistemas.1 Fundamentos da Pena à Luz da Teoria dos Sistemas de Luhmann . ansiamos responder satisfatoriamente às críticas direcionadas a Jakobs. visto que. ou entendeu mal sua adaptação. visando elaborar uma teoria que melhor explique a realidade da pena. A autopoiese.a dignidade da pessoa humana. mais abstrato de todos .antes e depois da autopoiese. Com efeito. ou seja. ao mesmo tempo. O pensamento luhmanniano pode ser dividido em duas fases. é transportada à teoria sistêmica de Luhmann para completá-la. antes e depois da teoria dos sistemas autopoiéticos. quando encaixada no complexo mecanismo social. o que impede por completo sua teorização cartesianamente. em sua visão clássica. em tese. por não possuírem a capacidade de reduzir satisfatoriamente a complexidade social. ela sofre e produz interferências em diversos sistemas sociais. Günther Jakobs já tentara há quase cinqüenta anos analisar o sistema penal sob uma ótica luhmanniana e fora severamente criticado.o "primeiro" Luhmann. o que acaba por não responder satisfatoriamente uma série de questões pertencentes à doutrina acerca da matéria. muitas das críticas direcionadas a Jakobs foram formuladas por quem pouco conhece da teoria dos sistemas. Jakobs tenta adaptar o pensamento luhmanniano pré-autopoiese para o sistema penal. com especial atenção ao mais importante e. e para teoria sistêmica. Em primeiro lugar. 4. Não se pode afirmar que a segunda fase exclui a primeira. em segundo lugar. Com efeito. faremos uma análise da pena à luz de seu pensamento dividindo-o em dois momentos . quais sejam. ao contrário. Destarte. valores. porém sem desconsiderar os valores enraizados no Estado moderno. A dificuldade ora assinalada não foi descoberta neste estudo. utilizando o pensamento da fase mais madura de Luhmann.

Nesse aspecto discordamos do referido autor. Uma das críticas enfrentadas por Jakobs consiste no fato de sua teoria ignorar o conteúdo ético da norma. preferimos concordar com Cláudio do Prado Amaral quando este diz que a sanção protege imediatamente a norma. que a sanção exista para a exclusiva proteção do bem jurídico protegido pela norma[13].[14] 4. Todavia. o direito tem seu fundamento na dupla contingência. É o que pretendemos demonstrar neste item. como esta só existe para assegurar a manutenção de expectativas comportamentais (cuja manutenção temporal constitui os bens jurídicos). ou para casos futuros.[7] Em razão da complexidade inerente aos sistemas sociais. o que é feito por via da sanção.[11] O comportamento segundo a norma não irrita o (sub)sistema penal. Apenas seu descumprimento é que possui o condão de provocar sua reação.2 Fundamentos da Pena à Luz da Teoria dos Sistemas Autopoiéticos de Luhmann . ou seja. torna-se necessária a sanção . Ela é a grande responsável pela necessidade de se estabelecer expectativas sobre o comportamento tanto de Ego quanto de Alter. Entendendo a norma como "expectativas de comportamento estabilizadas em termos contrafáticos"[10]. não se pode chegar a qualquer outra conclusão senão à de Jakobs: a pena existe para assegurar a validade da norma. Quando o comportamento evidencia a intencionalidade de ir de encontro à norma. a sanção tem também a função mediata de assegurar os bens jurídicos estruturados em sociedade. o que é feito por meio da sanção.[8] Assim sendo.o "segundo" Luhmann. Em outras palavras. porém. 1643 .que é a tentativa de impor as expectativas oficiais a posteriori. de manter a efetividade da norma.Conforme dito no intróito. O detentor do poder (na sociedade atual o Estado) dita quais expectativas de comportamento que devem ser observadas pela sociedade em geral. de nada adiantaria a seleção de expectativas comportamentais oficiais[9]s caso não houvesse um meio de assegurar sua observância. ocorre o fenômeno chamado de normatização social. manifestando o intuito de manter a expectativa desapontada[12]. artifícios simplificadores que possam imunizar o sistema contra o risco do erro. torna-se necessária a criação de artifícios redutores desta complexidade. como também corrige as arestas existentes no pensamento de Jakobs. Atribuímos muitas das críticas recebidas por Jakobs ao fato de ele se utilizar da teoria de Luhmann em sua fase inicial. A complementação da teoria dos sistemas com a autopoiese de Maturana e Varela não só aperfeiçoa o pensamento luhamanniano.

Somente mediante mecanismos de adaptação sócio-cultural postos em prática pelos sistemas sociais é que aprendemos a conter nossa violência.1 Por que o homem (não) delinqüe? Todos os seres humanos são violentos por natureza. analisemos o fenômeno da frustração da expectativa comportamental oficialmente selecionada. logo sua presença é imprescindível desde a concepção. podemos elencar uma série de vantagens trazidas à tona pela teoria em epígrafe. Partindo do pressuposto de que os seres humanos são violentos naturalmente. tanto do aspecto estatal.[15] No que concerne ao direito penal. antes mesmo da frustração da expectativa comportamental oficialmente selecionada. Segundo este autor. Destarte.Mas. Assim ele prossegue dizendo que "trata-se de uma força vital que tende a romper obstáculos que limitam o espaço do indivíduo e lhe criam empecilhos à vida. de modo a definir as condicionantes do meio envolvente. Com efeito. analisando as influências recíprocas entre ele e os demais subsistemas jurídicos e não-jurídicos. Segundo o pediatra e psicólogo Richard Tremblay. quais sejam: 1) possibilidade de estudar o direito penal de uma forma sistêmica. e. mas sim conquistar e garantir a vida"[17]. vamos iniciar nossa exposição a partir de um momento prévio ao da aplicação da pena. Jean Bergeret identifica no homem o que ele nomeia de "violência fundamental". 4. pode-se concluir que 1644 . caso os bebês pudessem portar armas de fogo no berçário matariam uns aos outros[16]. pois. ou seja. em prol do próprio desenvolvimento do ser. ela consegue atribuir ao Estado a capacidade de interferir diretamente nos sistemas. a mesma violência que dará ensejo à frustração de expectativas normativas oficiais se mostra fundamental para o desenvolvimento humano. Primeiramente torna os sistemas que regulam a sociedade (incluindo o jurídico) tão flexíveis quanto possível. 2) despir do antropocentrismo que tem ofuscado a ciência há séculos. além do sistema jurídico. trata-se de um instinto fundamental do homem de luta pela vida. como do social e do individual. em suma. de uma força cujo objetivo original é atacar e destruir.2. em segundo lugar. Não se trata. como a inserção do fenômeno da autopoiese na teoria dos sistemas aprimora sua versão anterior? De acordo com Günther Teubner sua importância se dá de duas maneiras. 4) verificar os efeitos da aplicação da pena em diversos sistemas de segunda ordem. 3) analisar a pena desde seu momento germinal.

mas continua seguindo os meios institucionalmente normatizados. Conformidade . diante das regras de conduta social o indivíduo pode se enquadrar em uma das seguintes categorias: 1. coroando. ainda que as regras impostas se mostrem extremamente desfavoráveis. pela via estatal. das mais brandas às mais extremas. Para esses. que cometem crimes bem diferentes e pelos mais diversificados motivos[19]. Podemos supor que essa regra não comporta exceções? Não há regras sem exceções. constata que entre os ditos criminosos há pessoas das mais diversas naturezas. Para ele. em um estudo estatístico. mediante um juízo de causa-efeito. mediante um juízo apriorístico de causa-efeito. os meios institucionalizados para alcançá-los. Ritualismo . é a força motriz interna que serve de motor para o cometimento dos delitos alcunhados de "perversos". estabelece regras de conduta que buscam reduzir a complexidade e contingência sociais e propiciar sua manutenção e evolução. não há racionalmente um motivo para se apelar a condutas tidas como "anti-sociais".todos estão suscetíveis de cometer infrações visando alcançar seus objetivos instintivamente grafados em sua genética e os adquiridos ao longo da vida. eles preferirão reprimir ou sublimar seus anseios. Logo são estabelecidas regras que convém seguir para. não ser alvo de censuras ou de demais sanções. Inovação . mas não as normas institucionais mediante as quais poderá atingir seu objetivo. dando prosseguimento à teoria desenvolvida por Durkheim. 3. 1645 . dá sua contribuição pessoal à teoria da anomia. outrossim. Robert Merton. com históricos extremamente variados. caso as regras se mostrem impeditivas de alcançar seus objetivos. Por mais que se tenha tentado ao longo da história achar uma "subespécie" humana tocada pela "maldição do delito"[18]. A violência. Caso pareça conveniente seguir as regras para alcançar suas metas pessoais. o homem apela para infrações. que todos os homens compartilham.pela falta de condições propícias de atingir as metas culturais. institucionalizadas ou não. manifestando uma conformidade social. assim. em maior ou menor grau. a sociedade. Existem na sociedade indivíduos que por uma característica muito peculiar conseguem absorver os valores sociais determinados pelos sistemas sociais de segunda ordem com um grau de refinamento singular. esses indivíduos abandonam sua idéia. No entanto. o fim da discussão sobre causas atávicas que levariam o homem a delinqüir. o que se constata empiricamente é que. e. não obstante a influência do ambiente seja também de suma importância para tal. Alberto Marques dos Santos. Objetivando irritar o sistema psíquico de modo que este não manifesta um comportamento que frustre expectativas oficiais. praticamente todos frustram expectativas normativas oficiais.quando o indivíduo assimila os objetivos culturalmente valorados. 2.quando o indivíduo assimila os objetivos culturais.

Os indivíduos dos tipos 2. eles simplesmente preferem não buscar outros meios de conquista. Os indivíduos do tipo 5 . O tipo 2 .ritualismo . porém. Os indivíduos do tipo 3 .é típico dos indivíduos que. em razão de acoplamentos mais estreitos com sistemas de segunda ordem como a religião e a moral. não representam nenhum perigo ao sistema social. às responsabilidades e às penas restritivas de liberdade. abandonam-nas. como aqueles que se utilizam de meios escusos para tal. bem como também as práticas usuais simbolicamente generalizadas por processos comunicativos. 5. como também os meios legítimos de atingi-los. Eles acabam criando suas metas e meios próprios. os subintegrados. 3. 4 e 5 constituem o que Marcelo Neves chama de "cidadãos subintegrados". e decidem "romper com o sistema". Para explicar do que se trata. porém não os meios legítimos para alcançá-las. sem se vincularem efetivamente aos deveres e às responsabilidades impostas pelo sistema jurídico. abandonando as metas e meios culturais. em que pese a nomenclatura utilizada. eles se colocam à margem da "luta pela sobrevivência" moderna. em razão da impossibilidade de se alcançar as metas difundidas.retraimento . Por eles terem.Esses indivíduos se vêem "preteridos" pelas condições sociais. Nesse tipo se inserem tanto aqueles que buscam formas licitamente novas de se alcançar as metas difundidas.se conscientizam da baixíssima possibilidade de obter os ideais generalizados pelo meio.[21] 1646 . O tipo 4 . podemos afirmar que o tipo 1 conformidade -.Em não podendo atingir as metas culturais.trata do indivíduo cujo sistema psíquico absorveu cognitivamente as metas culturais generalizadas. ao contrário. às vias e garantias jurídicas). esses indivíduos abandonam-nas bem como seus meios institucionalizados de alcance. trata-se do sistema psíquico que cognitivamente absorveu através de seus programas internos tanto as metas estabelecidas por meio de processos comunicativos simbolicamente generalizados. portanto. Rebelião . às vias e garantias jurídicas. não dispõem de acesso aos direitos.4.inovação . embora permaneçam rigorosamente subordinados aos deveres. fora da competição pelos objetivos cada vez mais escassos.rebelião -. ele se utiliza de uma comparação entre o que seriam esses cidadãos e os chamados sobreintegrados: No âmbito do direito. Tornam-se verdadeiros párias à margem do sistema social. isso significa que os sobreintegrados têm acesso aos direitos (e. ao perceber sistemicamente a impossibilidade de alcançar as metas culturais. eleito novas metas para si próprios.[20] Fazendo uma análise sob a ótica da teoria sistêmica. Retraimento .

em relação à carência de explicação acerca da criminalidade do chamado "colarinho branco".[25] 1647 . por conseqüência. O fenômeno da sobreintegração. utilizem-se de meios ilegítimos para saciarem seu desejo natural de poder. afirma a existência de duas criminologias. ou seja. pois ele se mostra necessário para o desenvolvimento social. mas constantes do agir demasiado humano. de sanções. não são restos bárbaros de ordem primeva em vias de extinção ou de supressão pelo processo civilizatório. polarizada e ambivalente. ao colocar alguns cidadãos acima da lei. Assim sendo. porém nem todos os do tipo 1 . mas que o próprio desconhecimento dos crimes. Ele afirma que a criminologia de si faz do criminoso um homem comum. conclui-se nesse primeiro momento que não se pode afirmar que o crime é uma "patologia social". das mais diversas naturezas e graus.conformismo . Seus efeitos imediatos são a banalização do crime. e. porém igualmente se mostra falha ao levar em consideração basicamente as irritações provocadas pelo sistema economia. Desde expectativas morais ou religiosas a expectativas oficiais dos mais diversos graus. atribuir mais poderes do que deveres. Garland.são cidadãos sobreintegrados. Durkheim já afirmava que uma sociedade de santos poderia ser um modelo teoricamente perfeito. em maior ou menos grau. a regra não é o não cometimento. presentes em sua primeira natureza e mantida na cultura. A teoria exposta acima fornece explicações bastante razoáveis para o cometimento de algumas espécies de delitos. faz com que mesmo aqueles que possuíam meios legítimos de alcançar as metas culturais difundidas por processos comunicativos simbolicamente generalizados. o desvio e a violência.[22] Ou seja. Posto isto. a frustração de expectativas. enquanto membros de uma sociedade. ainda que pareça um contra-senso. frustram expectativas. deixando em aberto outros processos comunicativos que impulsionam o indivíduo à frustração de expectativas normativas oficiais. Fato é que todos. faria com que o menor dos erros suscitasse a mesma intensidade de clamor que os delitos provocam. não há como se escapar da formulação de infrações. em sua tese sobre a criminologia dualista. cifra social que certamente foge aos padrões acima expostos. "o delito faz parte. a moderação dos medos desproporcionais e a promoção de ações preventivas. Todos os cidadãos sobreintegrados fazem parte do tipo 1 de Merton. da fisiologia e não da patologia da vida social"[23]. em sentido amplo. prolifera o medo e as hostilidades e sustenta um maior intervencionismo penal por parte do Estado. de ultrapassar um sinal vermelho ao latrocínio. a criminologia do outro diaboliza o criminoso. e sim seu oposto. Por outro lado. como nós.[24] Portanto o crime.O sincretismo da teoria da anomia com o pensamento de Neves fornece resposta a uma das maiores críticas direcionados a Durkheim e Merton. enquanto elemento funcional. a de si e a do outro. Assim. No mesmo sentido.

Após o advento dos direitos humanos fundamentais não podemos mais manter a mesma concepção da pena que existia antes deles. ou seja.2 Fundamentos da punição estatal.forma de expressão do poder universalmente compreendida[27] . Para esse tipo de Estado. como também não se pode buscar o motivo que faz com que ele não a frustre.para manter a vigência de suas expectativas por meio de normas. a proteção de expectativas. Entretanto. Todavia. independentemente do nível de poder[26] (de qualquer espécie) que este detenha. todo crime é uma ameaça ao Estado. Quando nos deparamos com um Estado absolutista fica muito fácil justificar essa intervenção. que. elas devem ser impostas a todo custo. fomentadas pelos meios de comunicação de massa. Todavia esse Estado absoluto foi paulatinamente tendo seu poder minado pelo próprio sistema jurídico. Com efeito. não só pelo sistema jurídico. O processo de imposição de sanções penais se confunde com o de formação do Estado. já que seus cidadãos devem viver pura e exclusivamente em função dele. Porém não se pode confundir objetivo com fundamento. Ele surge para assegurar a igualdade de expectativas normativas para quaisquer de seus cidadãos.Por outro lado não se pode buscar um motivo que impulsione o indivíduo a frustrar uma expectativa oficial. o Estado se utiliza da força .2. passam a servir de meta cultural para grande parte da sociedade. O objetivo se reflete no "para que punir?" e o fundamento no "por que punir?". o bem jurídico protegido pela norma. paradoxalmente. teoricamente não há margem no Estado para uma relativização de suas expectativas. O fundamento da punição estatal não permanece imutável ao longo da história. logo a pena tem como fundamento o restabelecimento do status estatal a um momento anterior à prática do delito. ou seja. Apenas mediatamente a pena protege a expectativa. Assim. 4. expectativas. a tese hegeliana se coaduna perfeitamente. a sanção penal não pode ter outro objetivo imediato senão o da manutenção da efetividade da norma. 1648 . Há toda uma teia de fatores que deve ser levada em consideração para este desiderato. Dessa forma. mas por todos acaba por também produzir. pode-se afirmar que todo crime é um conflito entre expectativas individuais e expectativas oficiais. Para tanto o Estado dita as expectativas normativas oficiais por meio de pautas de conduta institucionalizadas. Cada momento histórico propicia uma justificativa diversa para a intervenção penal na vida social.

Para tal. quer seja por parte dos indivíduos quer seja pelo Estado. Com o surgimento dos direitos fundamentais de segunda dimensão. Todavia. a segunda impõe-lhe deveres positivos. cria-se uma zona individual de proteção contra o poder absoluto do Estado. cujo termo achamos mais adequado). Por esse viés. A segunda se traduz em "direitos a". enquanto que a frustração por parte do Estado provoca uma blindagem por meio de discursos retóricos como o da reserva do possível. em parte. o Estado se tornou o responsável exclusivo para fornecer as políticas públicas necessárias para o adequado desenvolvimento da personalidade do cidadão. sempre que ele não cumprir com o esperado. Com efeito.A doutrina divide a história da conquista dos direitos fundamentais em três gerações (ou dimensões. como também pela implementação de políticas públicas que assegurem a proporção de condições para se atingir as chamadas metas culturais estabelecidas por processos comunicativos simbolicamente generalizados. quando a relação entre o Estado e o cidadão passa a ser sinalagmática. Todavia sempre que uma expectativa normativa oficial é frustrada por um indivíduo. conhecido como poder de polícia. tripartição dos poderes e discricionariedade política. culpa estatal em sua conduta. o Estado passa a também ser Alter de expectativas normativas oficialmente instituídas por ele próprio. ele se vale de um feixe de poderes dos quais se extrai o poder de fiscalizar as condutas sociais. resquícios de um sistema jurídico liberal. a saber. o Estado passa a ser responsável tanto pela intervenção mínima no ambiente.[29] Para o estudo em questão nos concentraremos nas duas primeiras dimensões. O poder de polícia é o poder que o Estado tem de assegurar que as expectativas normativas oficiais sejam protegidas contra frustrações que possam lhe retirar a efetividade. havemos de concordar com Salo de Carvalho 1649 . os de igualdade e os de solidariedade. Segurança de que? Segurança de que as expectativas normativas dos cidadãos permanecerão válidas. é seu dever educar o indivíduo para que este se comporte em consonância com a expectativa erigida como oficial. A primeira dimensão se caracteriza pelos "direitos de". já na frustração por parte do Estado não se pode afirmar o mesmo. os direitos de liberdade. a frustração de expectativas oficiais por parte dos cidadãos dá margem à intervenção penal (dependendo da gravidade da frustração). Destarte. que se proclamam gradualmente na proporção das carências do ser humano.[28] Para Dirley da Cunha Júnior. "as gerações de direito revelam a ordem cronológica do reconhecimento e afirmação dos direitos fundamentais. nascidas em função da mudança das condições sociais". Toda frustração de expectativas surge de um processo decisório. despindo-nos de todo discurso retórico quase que inevitável quando o tema é "fundamentos da pena". Enquanto que a primeira dimensão se traduz em direitos que limitam o poder estatal. após o sistema jurídico estruturar direitos fundamentais classificados como de segunda dimensão. ou seja. há culpa concorrente do Estado. máxime porque dentre as políticas públicas que o Estado deve efetivar se encontra as de educação e segurança. Assim sendo. Nesse diapasão. há. e aquele passa a também possuir deveres fundamentais a cumprir.

. Um é reciprocamente ambiente do outro[33]. Eles representam principalmente limites com respeito ao próprio homem"[34].[31] 4. ou temas de comunicação plena de sentido.[32] Uma das maiores críticas recebidas pela tese de Luhmann é a de se tratar de uma teoria da "sociedade sem homens".são as dimensões objetiva. segundo sua forma.[36] A dimensão objetiva do sentido.2. temporal e social. sentido é. Para ele a "estrutura e os limites da sociedade reduzem a complexidade e absorvem a contingência das possibilidades orgânicas e psíquicas. para o sistema psíquicos. ainda que indireta. está relacionada com todos os objetos com intenção plena de sentido. Ultrapassada a discussão acerca dos objetivos e fundamentos da pena. Quanto mais complexo é o próprio sistema.) um sistema social que. que o coloca em nível de igualdade com a sociedade.[35] Luhmann atribui ao sentido três dimensões que funcionam conjuntamente para seu funcionamento .quando este diz que a pena é simplesmente a expressão do poder de polícia do Estado. sociedade é (. para os sistemas sociais. liberando-a de quaisquer outras motivações. uma espécie de reprodução de complexidade que permite a compreensão do que é apreendido pelo sistema. Na verdade Luhmann tanto reconhece a relevância do homem. Para Luhmann. Os críticos afirmam que Luhmann não dá a devida importância ao ser humano.3 A mecânica autopoiética do binômio crime/punição. significa que a existência do direito está acoplada a uma previsão. sua complexidade e contingência. Por coerção não queremos dizer que as expectativas normatizadas irão ocorrer da forma que foi prescrita. passíveis de decisões. O sistema social o faz por meio das dimensões de sentido. o Estado consegue coercitivamente manter as pautas de condutas oficiais válidas. Para tanto o sistema tem que produzir e organizar uma seletividade de tal forma que ela capte a alta complexidade e seja capaz de reduzi-la a bases de ação. tanto mais complexo pode ser o ambiente no qual ele é capaz de orientar-se coerentemente. tornando-o mero instrumento do sistema social. Para Luhmann. em um ambiente altamente complexo e contingente.. é capaz de manter relações constantes entre as ações. da imposição forçada.[37] 1650 .[30] Por meio de seu poder de polícia. passemos então à análise de sua mecânica autopoiética.

[39] É nessa dimensão . à concepção realista da dimensão objetiva. por assim dizer datável. mas também na forma de um passado lembrado. relevante para todos os objetos y los temas. corresponde à concepção moralística de mundo[41]. este es. por estarem localizados no passado. não problematizadas. como alter ego. cuja gênese não precisa ser mantida na consciência. igual que ego. que atribuem sentidos a um sistema social e à sua relação com o ambiente. na qual se enreda a interação"[42]. pelo menos desviante do consenso majoritário. Para o infrator. 1651 . También La dimensión social tiene relevancia universal de mundo. Já a dimensão social (. Elas são determinadas pela história do sistema.. Trata-se da redução da complexidade em razão da imutabilidade do passado e de sua estruturação para o planejamento do futuro. repetidamente usados. não são disponíveis. Ela pode controlar a elaboração da experiência na forma de símbolos confirmados pela experiência. Entretanto não podemos afirmar que esse dissenso surge acidentalmente no sistema psíquico de um indivíduo. Não queremos dizer com isso que a conduta infratora seja pura e exclusivamente determinada por fatores condicionantes do passado do indivíduo. ou o valor ético protegido é de nenhuma ou de menor relevância do que o atribuído pelo sistema jurídico. Ela pode ser reduzida à moral.[43] Ou seja. daí seu comportamento "desviante". Para ocorrência do conflito. y articula La relevancia de esta suposición para cada experiencia del mundo y fijación del sentido. podemos situar os conflitos intersistêmicos nessa dimensão. sendo então sentidos como presente.) concierne a aquello que se supone lo respectivamente igual. Assim sendo. toda a vivência do indivíduo vai estar relacionada com o processo decisório que o leva a dissentir do valor elencado à expectativa normativa oficial. em razão de suas próprias estruturas. no que tange ao cometimento de infrações. e sim que tais fatores contribuem de sobremaneira para suas ações. necessário se faz que o sistema psíquico funcione em dissonância com o sentido atribuído pela dimensão social em nível majoritário.que se situa o problema da oposição entre consenso e dissenso[40].. Estruturas são "as condições prévias.social . Todo conflito é uma espécie particular de ausência de consenso. o dissenso se dá em relação à valoração do bem jurídico protegido pela norma.A dimensão temporal interpreta a realidade traçando a distinção entre o passado e o futuro[38]. uma cronologia de acontecimentos que. ya que si existe un alter ego. Por não compartilhar dos mesmos valores que a maioria.

o que resulta na mudança estrutural do sistema jurídico. uma de duas possibilidades pode ocorrer: 1) que seu comportamento. que reformula sua programação e não encara mais tal comportamento como desviante. o comportamento humano é fator determinante para a normatização penal. permitindo que seja realizada uma análise sistêmica de todos os fatores que influem no binômio crime/punição. é a sanção. Conclusões A teoria dos sistemas autopoiéticos se revela como a teoria mais adequada para a descrição da realidade. A partir de sua reação. que é um ato comunicativo.[46] O segundo caso é um pouco mais complexo. Todo sistema e encontra acoplado estruturalmente[47] em outro(s) sistema(s). de forma que esse tenha passado a reagir de modo diferente ante o fato em questão.Os [indivíduos] que generalizam suas experiências frustrantes ficam reduzidos à agressividade simbólica e agem privada. e que passa a ser absorvida cognitivamente. de uma forma autopoiética. 6. para o caso de infrações penais. movida por seu código próprio. que outrora era encarada pelo sistema como frustração a uma expectativa normativa. patologicamente [pelo menos de acordo com o pensamento de grande parte da sociedade]. o sistema irritado ativa seu processo de auto-observação e busca a resposta para a conduta dentro do próprio sistema. No primeiro caso. propiciaram mudanças nos programas do sistema jurídico. o qual acionará seus programas para obter uma resposta do sistema. é porque ocorreram outras mudanças nos demais sistemas conexos que.[44] Ou seja. Quando o comportamento humano frustra a expectativa assegurada pela norma. após ser continuamente reprocessada por decisões jurídicas[45]. se não conseguirem uma agressão política em torno de novos objetivos. o sistema põe em prática o processo de produção do direito. 1652 . que. ou 2) a frustração é absorvida cognitivamente pelo sistema jurídico e provocam a indagação se ela é suficiente para provocar uma mudança do direito. provocará uma irritação no sistema jurídico. em seu funcionamento conjunto. inconseqüente. bizarra. Para haver uma nova avaliação acerca da conduta desviante. Todos os sistemas acoplados têm o condão de provocar irritações recíprocas que proporcionam seu funcionamento intra-sistêmico.

________________. Francisco J. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: introdução à sociologia do direito penal. Humberto R. Antimanual de Criminologia. Niklas. 1985. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. CARVALHO. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. As Regras do Método Sociológico. São Paulo: IBCCRIM. o fenômeno criminal ganha relevância social dúplice à luz da teoria em questão. DURKHEIM. São Paulo: Martin Claret. Sociologia do Direito II. 2001. 1985. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 2007. 2008. Curso de Direito Constitucional. missão do direito penal e política criminal na sociedade de risco. Trad. 1998. 3ª Ed. Cláudio do Prado. Rio de Janeiro: Lúmen Júris.. Rio de Janeiro: Revan. a qual impossibilita a devida análise do fenômeno. CUNHA JR. ________________. Salo de. Dirley da. 1653 . Salvador: Podium.. 2002. Destarte. tanto para ratificar as expectativas normativas institucionalizadas como para provocar sua reanálise. LUHMANN. 2007. tão aclamada ao longo da história. demonstrou que o objeto de estudo quando submetido à realidade sistêmica recebe a influência de outros fatores. São Paulo: Palas Athenas. Émile.As demais teorias que buscam explicar o binômio aludido acabam por se utilizar de códigos comunicativos portadores de uma forte carga ideológica. BARATTA. Poder. Bases teóricas da ciência penal contemporânea: dogmática. Trad. VARELA. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. MATURANA. se possui espaço na configuração social atual. A análise cartesiana. 2008. Referências AMARAL. Juarez Cirino dos Santos. verificando. Sociologia do Direito I. tradução Pietro Nassetti. A Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. 1983. assim. Alessandro. ignorados previamente. ________________.

Evolução da Evolução. fechamento operacional e processos sobrecomunicativos na teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann. [2] NEVES. fechamento operacional e processos sobrecomunicativos na teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann. 2007. Criminalidade: Causas e Soluções. ed. n. Para mais detalhes ver RODRIGUES. letras e ciências humanas. Daniel de Mendonça (org. Trata-se do oposto à "entropia". Superinteressante. abordagem sistêmica e as organizações sociais. Trad. Léo Peixoto. São Paulo. p. "A (des)estruturação das estruturas e a (re)estruturação dos sistemas: uma revisão epistemológica crítica" in Ernesto Laclau e Niklas Luhmann: pós-fundacionismo. enquanto aquela a medida de ordem do mesmo. NEVES.MERTON. Günther. p. Porto Alegre: EDIPUCRS. Alexandre et alii. Alvion Augusto de. Robert. Acoplamento estrutural. 2005. "A (des)estruturação das estruturas e a (re)estruturação dos sistemas: uma revisão epistemológica crítica" in Ernesto Laclau e Niklas Luhmann: pós-fundacionismo. ed. p. SÁ. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Alberto Marques dos. Rômulo Figueira. Porto Alegre: EDIPUCRS. 1654 . VERSIGNASSI.º 240. estaria mais propensa à integração de seus indivíduos. 56. Daniel de Mendonça (org.). letras e ciências humanas. 2007.68. Entre Têmis e Leviatã: uma relação difícil: o Estado Democrático de Direito a partir e além de Luhmann e Habermas. USP. 218 . São Paulo.1. Rômulo Figueira. Faculdade de Filosofia. 1989. 2006. Faculdade de Filosofia. abordagem sistêmica e as organizações sociais. Esta seria a medida de desordem do sistema. José Engrácia Antunes. jun 2007. [1] Termo cunhado pela teoria da mensagem. Léo Peixoto Rodrigues. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. Marcelo. 2003. 2006. Acoplamento estrutural. 2005. Teoría y Estructura Sociales. O pensamento sustentado por Neves vai de encontro ao pensamento luhmanniano de que a sociedade moderna. Léo Peixoto. NEVES. TEUBNER. 2006. SANTOS. USP.236. Dissertação (Mestrado em Sociologia). Criminologia Clínica e Psicologia Criminal. O Direito como Sistema Autopoiético. Léo Peixoto Rodrigues. México: Fondo de Cultura Económica. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Curitiba: Juruá. RODRIGUES. 253. por produzir maior diferenciação funcional.). p. São Paulo: Martins Fontes. 60 . 4. São Paulo.

p. [18] Percebe-se tal conduta sobretudo nos criminólogos da Escola Positiva. Jean. Niklas. Lombroso. Niklas.[3] LUHMANN. p. 1983. [14] AMARAL. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. Niklas. Ortega. 50. [16] VERSIGNASSI. 28. Günther. 1985. [7] LUHMANN. 1985. [15] TEUBNER. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Niklas. Trad.º 240. Criminologia Clínica e Psicologia Criminal. p. p. Sociologia do Direito I. 47. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal. São Paulo. p. Cláudio do Prado. p. Brasília: Editora Universidade de Brasília. La violência fundamental: el inagotable Édipo. quais seja. 45/6 e sobre dupla contingência LUHMANN. [6] LUHMANN. José Engrácia Antunes. São Paulo: IBCCRIM. Niklas. Bases teóricas da ciência penal contemporânea: dogmática. missão do direito penal e política criminal na sociedade de risco. n. Niklas. p. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Mais detalhes sobre o conceito de norma e sanção na última parte deste capítulo. 57. 2007. [8] LUHMANN. Sociologia do Direito I. tradução de Carlos Padrón y Soledad Escassi. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 198. Para mais detalhes ver BARATTA. 1983. [4] LUHMANN. 1983. 50. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. [17] BERGERET. p. 1990 apud SÁ. [5] Sobre contingência ver LUHMANN. [13] Como o faz Welzel. 50. jun 2007. Ferri e Garófalo. p. p. 1989. Alessandro. 47. 57. p. O Direito como Sistema Autopoiético. Poder. [11] JAKOBS [12] LUHMANN.Evolução da Evolução. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Niklas. 1983. Sociologia do Direito I. 2007. Madrir: Fondo de Cultura Econômica. 32 e 33. p. 1983. [10] LUHMANN. 1983. Niklas. Sociologia do Direito I. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Niklas. Poder.68. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Alvion Augusto de. Superinteressante. 60 . Sociologia do Direito I. 1983. 73. [9] Por "expectativas comportamentais oficiais" nos referimos àquelas ditadas por quem possui legitimamente o poder. Sociologia do Direito I. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. / Jean Bergeret. p. Alexandre et alii. Sociologia do Direito I. 1655 .

4. 150. Dirley da. [27] LUHMANN. Curso de Direito Constitucional. 2003. 11. Niklas. 2007. Entre Têmis e Leviatã: uma relação difícil: o Estado Democrático de Direito a partir e além de Luhmann e Habermas. 2008. 2008.São Paulo: Martin Claret. . p. 200. p. 84 . Sociologia do Direito II. p. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Robert. p. entretanto esse debate não interessa para o tema em deslinde. ed. 50. Salo de. Juarez Cirino dos Santos. 37. tradução Pietro Nassetti.85. Antimanual de Criminologia. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. p. Salo de. México: Fondo de Cultura Económica.1. p. As contradições da 'sociedade punitiva': o caso britânico. O pensamento sustentado por Neves vai de encontro ao pensamento luhmanniano de que a sociedade moderna.[19] SANTOS. mais detalhes em LUHMANN. 60. Émile. p. [22] DURKHEIM. [26] O termo "poder" aqui está empregado no sentido que Luhmann emprega ao falar que "o poder é uma oportunidade de aumentar a probabilidade de ocorrência de contextos seletivos improváveis". p. p. Marcelo. 22.. p. 1985. [20] MERTON. ed. [21] NEVES. São Paulo: Martins Fontes. [23] BARATTA. 1656 . Salvador: Podium. 2006. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. 2002. Dirley da. 2008. Teoría y Estructura Sociales. Salvador: Podium. As Regras do Método Sociológico. 560. Curitiba: Juruá. 86 Apud CARVALHO. Para mais detalhes ver CUNHA JR. [25] CARVALHO. 560/1. Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal: introdução à sociologia do direito penal.236. 115. Alessandro. Niklas.. [30] CARVALHO. Criminalidade: Causas e Soluções. Poder. 2008. p. [29] CUNHA JR. Rio de Janeiro: Lúmen Júris. Brasília: Editora Universidade de Brasília. Trad. Poder. 1985. [31] LUHMANN. estaria mais propensa à integração de seus indivíduos. Rio de Janeiro: ICC/ Revan. Antimanual de Criminologia. Discursos Sediciosos (11). Curso de Direito Constitucional. Antimanual de Criminologia. p. 2008. 2002. por produzir maior diferenciação funcional. 218 . Brasília: Editora Universidade de Brasília. Niklas. Salo de. [24] GARLAND. Alberto Marques dos. 2007. 3ª Ed. [28] Há quem conceba uma quarta e até uma quinta dimensão dos direitos humanos fundamentais. 253. David. p. 1985. Rio de Janeiro: Revan. p.

1989. 93. "(. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 1985. [35] LUHMANN. Niklas. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Niklas. Sociologia do Direito I. 1983. [41] LUHMANN. Trad. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. Niklas. 79. 1998. 83. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 1998. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. [42] LUHMANN. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. Trad. 94. p. Niklas. 1983. Niklas. [39] LUHMANN. p. p. Trad. Trad.) continua a reconhecer-se que os sistemas psíquicos exercem uma influência externa na comunicação. p. O Direito como Sistema Autopoiético. [44] LUHMANN. p. p. 140/1. 1657 . Niklas. 96. 1985.[32] LUHMANN. 1998. [37] LUHMANN. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. 168. Sociologia do Direito II. Niklas. Niklas. [40] LUHMANN. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Niklas. Niklas. Sociologia do Direito I. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Trad.. 169. Sociologia do Direito I. (Grifo nosso) [34] LUHMANN. são absolutamente indispensáveis na imputação das ações num universo social". p. 1998. 1998. Nesse sentido também ver TEUBNER. Günther. Trad. p. 120. p. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. 1998. Sociologia do Direito II. [33] LUHMANN. [36] LUHMANN. 1985. Niklas. [38] LUHMANN.. Sociologia do Direito II. José Engrácia Antunes. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. p. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. p. p. Trad. [43] LUHMANN. enquanto construções sociais. 1983. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. Niklas. 91. 1998. Niklas. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Trad. Barcelona: Anthropos/Universidad Iberoamericana/CEJA. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. podendo até mesmo considerar-se que as 'pessoas'. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. p. Sistemas Sociales: Lineamientos para uma teoría general. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. Silvia Pappe e Brunhilde Erker. 91. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 45. p. 95. 169.

Francisco J. 2001. [46] Para Maturana e Varela. São Paulo: Palas Athenas. p. 87. Mais detalhes em MATURANA. p. ela caracteriza aquilo que produz continuamente a si próprio. VARELA. A Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. resultando em uma série de mudanças estruturais mútuas e concordantes. Humberto R. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro. 1658 .. 2001. A Árvore do Conhecimento: as bases biológicas da compreensão humana. Niklas.[45] LUHMANN. VARELA. 37. MATURANA. Francisco J. p. Sociologia do Direito II. [47] Os acoplamentos estruturais são perturbações recíprocas ocorridas pela interação entre sistemas.. São Paulo: Palas Athenas. primeiros a cunhar o termo "autopoiese". 52. Humberto R. 1985.