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HISTÓRIA E SOCIOLOGIA – AULA 1 Sociologia e senso comum Meta: diferenciar conhecimento sociológico das opiniões e observações do senso comum

. Sociologia: ciência que se ocupa do conhecimento, da pesquisa e da reflexão de fenômenos sociais, ou seja, dos temas da vida em sociedade. “O fascínio da sociologia está no fato de que sua perspectiva nos leva a ver sob nova luz o próprio mundo em que todos vivemos.” – Peter Berger É um campo de conhecimento científico que tem como objetivo compreender os fenômenos sociais, os indivíduos e suas formas de coesão social; examinar as estruturas sociais (organizações, comunidades); identificar as categorias sociais (classe, gênero, raça), as instituições (parentesco, economia, política e religião). Compreender como essas forças sociais formam nossas vidas, especialmente aquelas que afetam nossa consciência ou ignorância, nossas atitudes, ações e oportunidades é o objetivo principal da Sociologia. Durkheim (um dos fundadores da sociologia): modo sistemático de compreender o fenômeno social a partir de uma perspectiva distinta da tendência comum, ou do senso comum, que tende a reduzi-lo à experiência dos indivíduos. Sociólogo: observador atento da vida cotidiana, imerso no mundo dos homens. Muitas vezes o que ele comunica parece óbvio ou familiar. O pensamento sociológico é diferente do produzido pelo senso comum. Senso comum: conhecimento baseado em observações da realidade cujos fundamentos são as experiências subjetivas, o saber imediato, conhecimentos cotidianos acumulados, socialização dos indivíduos, tradição, crenças e mitos.
Senso comum Sociologia

Visões do senso comum são: 1. Freqüentemente baseadas nas experiências imediatas e limitadas das pessoas. 2. Freqüentemente mutantes, simples e podem refletir algum grau de preconceito. 3. Tendem a refletir tradições e convenções sociais e em muitos casos resistir às mudanças sociais. 4. Quase sempre se baseiam em estereótipos que são reforçados pela mídia. 5. Tendem a enfatizar explicações individualistas e naturalizadas do comportamento. 6. Carecem de verificação e validade

Visões sociológicas: 1. São baseadas em rigorosa pesquisa e em evidências. Podem ser baseadas em pesquisa quantitativa ou qualitativa. 2. São baseadas em teorias que informam algumas conclusões complexas. 3. As abordagens sociológicas sobre conflito podem muitas vezes estimular a mudança social. 4. Desafiam os estereótipos. 5. Sugerem que poderosas forças sociais explicam o comportamento humano. 6. São baseadas em dados quantitativos são em geral altamente confiáveis.

científica.

Senso comum: naturaliza a realidade em que vivemos. Sociologia: procura desvendar relações, conflitos, regularidade e padrões “As coisas não são o que parecem ser” O sociólogo busca compreender o mundo a partir de métodos, conceitos, referências teóricas, comparações com outras realidades e culturas e regras de verificação. CONCLUSÃO Senso comum e pensamento sociológico são tipos diferentes de conhecimento e compreensão dos fenômenos sociais e da realidade que nos cerca. Ao contrário do senso comum, o saber sociológico possui disciplina, natureza científica, regras de verificação, conceitos, estatísticas e um quadro de referências com limites rigorosos. É a partir desse complexo repertório metodológico e do controle de preconceitos e de preferências pessoais que o sociólogo compreende o mundo e se diferencia da compreensão que o senso comum tem desse mesmo mundo. RESUMO O conhecimento baseado no senso comum é diferente do baseado no conhecimento sociológico. O senso comum tem por base nossas experiências pessoais. É subjetivo e está diretamente relacionado a nossos preconceitos e preferências. Quando compreendemos o mundo a partir do senso comum, as informações de que dispomos são sempre bastante limitadas. Já o pensamento sociológico, tem por base o levantamento e interpretação de dados, a partir de uma série de técnicas, metodologias e teorias, que revelam o que o senso comum oculta. Assim, uma pesquisa sociológica sobre a criminalidade, ao realizar uma investigação sobre dados de ocorrência de diferentes crimes, séries históricas, cruzamentos de informações etc., pode chegar à conclusão de que, muito embora a sensação de insegurança – baseada no senso comum – tenha crescido em um determinado lugar e momento, a criminalidade esteja, de fato, diminuindo. Em suma, o pensamento sociológico, ao superar as barreiras do senso comum, joga luz para que compreendamos melhor o mundo em que vivemos.

seus métodos de pesquisa e seus enfoques teóricos. A laicização das visões de mundo: a transcendência e a imanência Transcendência : Idéia de que o elemento que rege o mundo. A laicização das visões de mundo é um processo em que visões imanentes surgem e afirmam-se. Imanência :Idéia de que a natureza e os homens. revistos ou aprofundados. a própria explicação da vida humana. especialmente através do fenômeno de laicização das visões de mundo. refere-se também à rejeição da idéia de que algo externo e superior ao objeto em estudo. as leis de seu funcionamento. No século XIX. 02 pontos importantes para explicar o surgimento da Sociologia: o processo de laicização das visões de mundo e um processo de profundas transformações sociais. reside em um princípio inalcançável. aos homens e ao universo. destituído de qualquer conteúdo religioso ou sagrado. são regidos por princípios próprios. a criação dos homens e do universo. buscando. assim como as sociedades criadas por estes. representado pela divindade. esses dois processos se encontraram. Por-tanto. Refere-se ao processo histórico através do qual a explicação da vida dos homens. como a Economia Política. ensejando a produção de novos saberes entre os quais o sociológico.xxx HISTÓRIA E SOCIOLOGIA – AULA 2 As grandes transformações do século XIX e o surgimento histórico da Sociologia Objetivo: reconhecer as condições históricas de emergência do pensamento sociológico. Os sociólogos criam seus instrumentos analíticos. Laicização: Processo de tornar laico. a História e a Antropologia. que são permanentemente criticados ou reafirmados. seja responsável por sua explicação. internos a cada um deles. em confronto com as visões transcendentes. assim como outras disciplinas das chamadas ciências humanas. superior ao mundo. A Sociologia surgiu no século XIX. da crise da autoridade do Antigo Regime e dos processos de industrialização e de modernização da vida social no século XIX. ou seja. . econômicas e políticas que estava acontecendo desde o século XVIII. Deus. da mecânica celeste e do mundo natural deixou de ser baseada na idéia da criação e do ordenamento divinos e passou a ser pesquisada através de critérios científicos. nos próprios objetos pesquisados.

desemprego. criminosos. Substituição da manufatura doméstica pela grande indústria como unidade básica de produção: impessoalidade . Havia a certeza de que era necessário entender o mundo à luz da razão. Idéia: o homem pode conhecer o mundo a partir da observação. revoltas. O processo de laicização das visões de mundo nunca foi linear. em muitos casos. mas visões transcendentes permaneciam. muitas vezes entrando em choque uma com a outra. O caminho estava preparado para o surgimento da Sociologia. Urbanização: do campo para a cidade – surgimento de problemas sociais. que buscava compreender os fenômenos a partir da observação desses mesmos fenômenos de modo a encontrar neles suas dinâmicas internas e leis de funcionamento. O homem pode construir seu mundo pelas próprias mãos. deslocamento de muitas pessoas. muitas vezes submetidos à fome e ao frio. A Sociologia e as novas ciências sociais . como nunca são os processos históricos. não da superstição ou da crença. . Eugenia: o estudo das formas de aperfeiçoamento das futuras gerações da humanidade. jovens desorientados e trabalhadores. Trabalhadores industriais e proprietários de fábrica: de artesão para assalariado. já havia uma longa e consolidada tradição de pensamento imanente. Visões imanentes do mundo se afirmavam. da pesquisa. Estas transformações aconteceram em poucas décadas. . Coexistiam. XVI e XVII.. navio a vapor. nem todas sobrevivem até hoje. Ilustração (Iluminismo) do século XVIII: outro momento importante de afirmação das visões imanentes do mundo. Este processo foi se confirmando nos séculos seguintes. ciência que buscava compreender o funcionamento da vida em sociedade a partir da observação desta e da busca de suas leis internas. contrastes entre riqueze e pobreza. Este novo mundo trazia desafios. ou seja. As grandes transformações do século XIX Novas condições de vida das grandes cidades da Inglaterra e da França assim como de suas novas zonas industriais ou mineiras: cortiços.. insatisfação operária. XV. que organizavam sindicatos e faziam greves. Transformações: .Eugenia Várias ciências sociais surgiram neste período. da formulação de teorias e de hipóteses e a resposta aos seus questionamentos deveria ser formulada em termos relativos ao objeto estudado e não a Deus. Modificações nos modos de vida: inovações em transporte. Quando o século XIX chegou. cortiços. derivava do direito divino. .Renascimento Foi um momento importante de laicização das visões de mundo. pela ação e pelos ditames da razão derrubando reis cuja legitimidade. contetações.

a religião e a autoridade política do rei.No sec XIX para XX. dando lugar à impessoalidade. na qual interesses. a Eugenia já estava desacreditada como ciência. Os novos laços são baseados não na tradição. Problema dos primeiros sociólogos: a sociedade ficou marcada pela impessoalidade. Nesta nova sociedade. de vez. descortinavam um novo cenário de conflito social. o Estado absolutista e a família. mas em interesses compartilhados. Na segunda metade do século XX. Ex: fundar um sindicato. idem. que pareciam desarticular os elementos tradicionais de coesão social. parecem colocar em risco os elementos de coesão social proporcionados pela tradição. Você vende sua força de trabalho.. incorporaram. por articular. então em desenvolvimento = Nazismo. O surgimento da Sociologia esteve intimamente ligado a uma questão que. contraditória. de alguma forma. sociais (emergência de novas classes sociais) e econômicas (industrialização e o advento do mercado). princípios eugênicos às suas propostas políticas. como a família. os avanços da genética sepultaram. Fora dele. Ao mesmo tempo. Uma nova sociedade movediça. à insegurança permanente. socialistas e liberais. ao isolamento. Correntes do pensamento eugênico associaram-se ao pensamento racialista. às relações mediadas pelo mercado. CONCLUSÃO A Sociologia. redes de solidariedade ficaram para trás. vai organizar greves. em seu nascedouro. Por fim. católicos e anarquistas. Com a Revolução Francesa e a Revolução Industrial: essas autoridades perdem legitimidade e a crença na democracia. parecia central no século XIX: como manter a coesão social em um mundo em que as autoridades tradicionais perdiam capacidade de ordenar a sociedade? Antes da Revolução Francesa: poder com Rei e Igreja + família garantiam a coesão social. um partido operário. as crescentes diferenças de renda e riqueza entre proprietários e trabalhadores. de forma infundada.. 4 Os laços que ligavam um homem aos outros membros da sua comunidade estão se desmanchando. E os primeiros sociólogos perguntavam-se: na ausência de mecanismos de autoridade . recebe seu salário. como a religião. no igualitarismo e no individualismo se aprofunda. muito embora as sociedades de Antigo Regime fossem hierarquicamente organizadas. atores novos surgidos da urbanização e da industrialização. não há nada. o pensamento eugênico. incerta. a herança biológica de um indivíduo com suas características morais. aos olhos de muitos. buscava gerar compreensão para as grandes transformações nas instituições políticas (crise do Antigo Regime e Revolução Francesa). freqüentemente contraditórios e em confronto. autoridades tradicionais.

anteriormente garantida por autoridades tradicionais. o burguês amplia seus valores. Anomia: ausência de leis. a moralidade e a religiosidade. Representa um novo paradigma científico e filosófico que surgiu como resposta ao individualismo radical da modernidade. como preservar a ordem social? Como identificar e corrigir os riscos do conflito social? RESUMO O pensamento sociológico se constituiu a partir de uma gama de processos históricos bastante complexos. o homem e a vida em si como entidades únicas. paz e conflito. conservador. Transformação do súdito em cidadão.baseados na tradição. opulência e miséria. gostos. alguns de duração bastante longa. O novo e o moderno contrapõem-se. de modo geral. crescimento urbano e populacional. o . Entender cientificamente essa sociedade e buscar novos elementos de coesão. Foram sentidas como um processo de perda da coesão social. Começou no Renascimento (XIV). gerando conflito social e sentimentos de isolamento e anomia. xxx HISTÓRIA E SOCIOLOGIA – AULA 3 A consciência moderna: modernidade X tradição Holismo: maneira de ver o mundo. no século XIX. hábitos e moralidade. do socialismo etc. fortalecimento do nacionalismo. e até reacionário: a monarquia. de normas ou de regras de organização. a aristocracia. multidões nas cidades. Sec XIX (Revolução Francesa): promulgação dos direitos civis (noções de igualdade e liberdade e noção de soberania popular). tradicional. na ausência da tradição. É o enfraquecimento das normas sociais de um povo ou grupo social. das utopias revolucionárias. de campones em operário. econômica. passou pelo Iluministmo (XVIII) até chegar à construção de diversas ciências humanas. o mundo da corte e da etiqueta cortesã. social. As grandes transformações sociais. moral e cultural. Séc XIX: nascimento de saberes científicos (inclusive sociologia) mobilizados para a compreensão de um mundo em acelerada mudança política. O processo de longa duração: laicização e visões imanentes do mundo. o campo. ao que seria considerado ultrapassado. como as Revoluções Industrial e Francesa. foram desafios centrais enfrentados pelo pensamento sociológico nascente. econômicas. em grande parte causado pela cisão dos aspectos humanos e naturais. proprietários e empregados. completas e intimamente associadas. completaram o cenário. culturais e políticas dos séculos XVIII e XIX.

e não mais no passado. Consciência hitórica moderna: reformulação do tempo e do sentido do tempo. considerado “Antigo Regime”. autoridade. burguês-aristocrata. Desejo de rompimento. transcedência-imanencia. Os homens precisam ir buscar no futuro.conservadorismo. a casta social. O livre-arbítrio vai surgindo. Iluminismo + valorização das noções de racionalidade e de ciência (séc XVIII e XIX) desafiam a tradição entendida aqui como continuidade. dos rituais medievais de casamento e união. . independente da autoridade da família. coesão. ruptura e a invenção da tradição Século XIX: oposição entre “o novo” e “o velho”. O amor romântico não é permitido e os dois se matam no final. religiosidade. de subjetividade e de escolha. Livre-arbítrio: crença ou doutrina filosófica que defende que os homens têm o poder de escolher suas ações. O que valia deixou de ter sentido ou foi transformado em objeto de dúvida. a hierarquia social. do nome e da tradição. “Desde que o passado deixou de lançar luzes ao futuro. Mas este individualismo ainda era incipiente. o setindo para suas vidas. Surgem as noções de indivíduo. Os valores que definiam a moralidade do dever não mais correspondem aos desejos. vontades e tentativas de escolhas dos indivíduos. hierarquia. urbano-rural. interpretação ou relativização. camponês-operário. História não é uma sucessão de eventos. diante do novo: a Revolução Francesa. através de seus códigos morais e de honra. ou seja. ritual. mesmo os aparentemente contraditórios = ambiguidade ou ambivalência. Tudo isto Modernidade. ou desafio. antigo. Individualismo moderno x tradição romântica Texto de Romeu e Julieta. em geral definidos pelas escolhas das famílias. Objetivistas: a realização de uma ação por um agente não é completamente condicionada por fatores antecedentes. vinculação. Indivíduo autônomo e livre-arbítrio Estes dois estão consolidados e são naturais nos dias de hoje. A consciência moderna Comparação entre o presente e o passado. sagrado-ciência. autoridade-liberdade. Mudança-consevação. eles co-existem. reforçando que tudo está em acelerada transformação. A tradição só se dá conta de si mesma quando se contrapõe à modernidade: o Antigo Regime só é concebido como tal. a autoridade. “o moderno” e “o atrasado”. Tem conotações objetivistas e subjetivistas. a mente do homem vagueia nas trevas”.

de questionar e de inquirir a natureza. Romeu e Julieta mostra muito desta tensão entre modernidade e tradição. . Tal percepção é chamada algumas vezes de “experiência da liberdade”. Modernidade: urbano. . na ciência. Houve momentos de encontro. privilégios. Fenômenos históricos que contribuíram para a formação desse indivíduo moderno ou da modernidade: . inclusive espiritual. . Modernidade X Tradição O século XIX presenciou. livre. escola. autoridade. Os valores do individualismo se reforçaram no sec XIX. vive em um bairro. individual. portanto. reconciliação. mobilidade social. religiosidade. desejos individuais e constrangimentos familiares. As possibilidades de livre escolha se impõem naturalmente às barreiras com base em argumentos conservadores da tradição. impessoal. O advento do “indivíduo soberano”. republicano. afeto. a Igreja católica. Instituições e valores da tradição – família.Iluminismo: focado na racionalidade. O suicídio expressou. A Sociologia nasceu nestes confronto/encontro. Reforma Protestante: a religião no encontro entre modernidade e tradição .Humanismo renascentista: tornaria o homem o centro de tudo. status social etc. com os estímulos das instituições e valores sociais que habitam nosso mundo. afirmando a preservação da ordem social tradicional. industrial. Tradição: monarquia. entre o Renascimento e o humanismo e o iluminismo do século XVIII.Revoluções científicas: davam ao homem a capacidade de duvidar. e da coesão social. convivência. Não vivemos isolados.Reforma Protestante: libertaria a consciência individual dos constrangimentos da institucionalidade religiosa. O indivíduo nasceu eu uma família. aristocracia. científico. Hoje até opinião dos paisas ou conselho é visto como “intromissão”. cidade. das crenças e da intolerância. Mas tradição e modernidade não se confrontam mais. libertado do mito. naquele momento. rígida hierarquia social. amigos. conhecidos. Para alguns: modernidade como libertação de autoridade e da tradição. ou seja. comunidade. religiosidade. O quadro a seguir é esclarecedor desse embate. somos indivíduos sociais cujos desejos e interesses são desenhados em sociedade. a força da tradição sobre a individualidade. racional. vizinhos. honra. representou o começo da chamada ruptura com a tradição. um embate profundo entre modernidade e tradição.. Para outros: perda da segurança. mas instituições tradicionais como Igreja e Família ainda exerciam poder de regular as relações entre pessoas e grupos sociais.Subjetivistas: a percepção do agente que sua ação originou-se na sua vontade. moralidade cristã. classes sociais..

5.Representou um duplo rompimento que aprofundou a dimensão do individualismo. Laicismo: doutrina filosófica que defende e promove a separação do Estado das igrejas. Rei. Hierarquia social: comunidade hierarquicamente organizada e estática. 4. Coesão social: religião. Por outro lado. 6. Calvinismo: tira o lado emocional da religião e propunha uma conduta racional e individualista. o calvinismo em particular. da Igreja Católica. Tudo era predestinado. Foi necessário separação entre Estado e religião para por fim a estas guerras. Permanência: a tradição pensa o mundo como estável. . tudo é dinâmico. Sociedade: impessoal. Por outro lado proporciona menos segurança espiritual e material a seus membros. afirmação do valor do indivíduo. Afeto: regula as relações sociais na esfera comunitária. Mobilidade social: cada indivíduo traça o seu destino. ausência de hierarquias preestabelecidas. Os homens podiam se relacionar direto com Deus. representa um momento de encontro entre moderno e tradição: afirma valores modernos mas aprofunda o poder de Deus na vida das pessoas. permanente – posto que é coeso e harmônico. Modernidade e oposição: desencontros A modernidade reconstruiu a tradição. 3. O nascimento determina as diferenças sociais. O laicismo penetrou definitivamente. A reforma protestante. Religião: mundo e hierarquias são escolhas divinas. O Calvinismo foi central na construção da modernidade por enfatizar o indivíduo. era indevida.afirmou que a interpretação entre os homens e Deus. mas proporciona segurança. Satisfação individual é valor absoluto e minam os laços de coesão social. A salvação era concedida segundo leis divinas inatingíveis. MODERNIDADE 1. oferece segurança espiritual e material a seus membros. redes comunitárias de proteção social e ajuda mútua proporcionam coesão a um mundo socialmente hierarquizado. 3. Guerras religiosas do sec XVI. Religião: mundo e relações sociais são construções humanas. TRADIÇÃO 1. causam incerteza. Comunidade: espaço da vida social onde todos se conhecem. Pressões sobre comportamentos transgressores abrandam. Competição: a afirmação do indivíduo e a mobilidade social. Teve seu auge no final do sec XIX e início do sec XX. Ausência de mobilidade social.com o monopólio de interpretação da Igreja católica – instaurou multiplicidade de interpretações. 4. 2. . Mobilidade social restrita. Se sobrepõe ao indivíduo. 2. Constrangimento social por comportamentos transgressores. O homem ficou mais só. . Tudo pode mudar.

o tema da miséria e da pujança. Mudança: a modernidade pensa o mundo como de permanente mudança. o tema do hábito. A Revolução Francesa e a Revolução industrial significavam grandes mudanças. Influenciado por Auguste Comte. o tema da exploração da classe trabalhadora. da moralidade prémoderna e do livre-arbítrio do indivíduo autônomo. CONCLUSÃO As relações entre tradição e modernidade são complexas. o tema da ambigüidade. Sugere oposição entre tradição e modernidade permanece como um marcador da relação do velho com o novo. novos valores. injustiça. Se afastou da religião.5. A sociologia buscava identificar estes males e pensar como superá-los. Pessoas precisavam olhar para o mundo com novas idéias. Os sociólogos estavam imersos em seu contexto e isso refletia na forma de fazer sociologia – Karl Marx e Émile Durkheim são exemplo disto. mas esta nova sociedade capitalista produzia alienação. Mas as sociedades modernas pretendem ter conhecimento científico sobre si mesmas. Influenciou a Escola dos Annales e Marc Bloch. processadas pela pesquisa sociológica. miséria e opressão. do tradicional. 6. desigualdade. mas não da comunidade judaica. A consciência moderna pode ser vista como uma tentativa de afirmar o presente pela negação do passado. O tema do individualismo e do holismo. Essas mudanças precisavam ser entendidas – SOCIOLOGIA. Judeu. Emile Durkhein: um dos pais do pensamento sociológico. relações se baseiam em interesses não em compromissos efetivos estáveis. responsabilidade política. o fenômeno da oposição entre modernidade e tradição produz novos fenômenos que se transformam em temas de estudos sociológicos. todos tornam-se matérias-primas que serão. São os pilares da sociologia. xxx História e Sociologia – AULA 4 Duas visões sobre a sociedade: Durkheim e a coesão social e Marx e o conflito social As sociedades sempre tem alguma idéia de quem são e o que desejam ser. objetividade e instrumentos metodológicos. RESUMO Para a Sociologia. das cidades em transformação. Impessoalidade: competição e mobilidade social. ao longo da modernidade. Estas transformações seduziam. sempre passível de aperfeiçoamento a partir da razão humana. .

fazendo pouco contato com o mundo exterior. Alemanha: com a laicização. sem interferência do estado – UTILITARISMO. o antisemitismo era um fenômeno real que com calúnia e difamação tentava retirar dos judeus seus direitos de igualdade e cidadania que haviam adquirido após a Revolução Francesa. Ortodoxos. Reflexão sobre o capitalismo – mais valia e modos de produção. Então se dedicaram ao comércio e ao artesanato. Durkheim observa que isso não está acontecendo. Não podiam exercer diversas ocupações profissionais e não tinha acesso a terra. a condição específica dos judeus europeus de então. revolução socialista. . que passava por tantas transformações. Os que viram a modernidade como uma libertação da tradição e até se converteram ao cristianismo. Então buscaram nos bancos escolares e nas universidades formas de mobilidade social e de reconhecimento intelectual em sociedades ainda excludentes. Ambos de origem judaica. Os judeus redefiniram suas inserções: . Desenvolvimento da sociedade industrial – era necessário um mercado. Outros redefiniram a identidade judaica. A ordem social de auto-organizaria. Defendiam a criação de um Estado-nação para os judeus na Palestina (virou o Estado de Israel em 1948) Durkheim e sua obra Nova concepção de indivíduo – liberdade – livre arbítrio – laços com a tradição perdem o controle sobre as ações dos indivíduos. Propõe que a sociedade não abra mão totalmente da moralização das relações sociais. Sionistas. Os que conciliaram articularam a fé na esfera privada e cidadania na esfera pública. judeus se tornaram cidadãos plenos – abriu as portas do serviço público. Alguns aderiram a movimentos revolucinários. Os que viram a modernidade como uma ameaça rejeitaram-na e se fecharam mais ainda. . Os judeus e a modernidade Os judeus viviam fechados em suas comunidades por escolha e porque eram convidados a assim permanecer ou eram expulsos de cidades. Viraram proletários ou pequenos artesãos em grandes cidades. O próprio indivíduo encontra em si as motivações para sua ação no mundo. Caso Dreyfus: mesmo após a emancipação política dos judeus na França. universidade e profissões liberais. e a emergência da sociologia como disciplina científica? Os judeus europeus tiveram forte influência em função do processo de laicização puderam sair da reclusão a que estavam condenados. anti-semitas e competitivas. que supunham que aconteceria normalmente. Todos são livres e iguais. Haveria alguma relação entre a sociedade européia do século XIX. Direitos iguais e liberdade para todos com a Revolução Francesa. sendo esta moralização .Karl Heinrich Marx: família judia que se converteu ao protestantismo. Articulou militância política e produção teórica. Outros emigraram para as Américas. . Rússia: esvaziamento da colônia judaica tradicional. .

Como os órgãos de um corpo. Família. os elemntos que promovesse a coesão dos indivíduos. Durkeim compreendia a inevitabilidade do individualismo mas rejeitava o individualismo egoísta. Estudo sobre suicídio a partir de seus fundamentos sociais. que queria transformar o mundo. o modo de produção capitalista e a luta de classes. é uma questão social. Cada indivíduo ter consciência de que sua ação pode afetar o outro. Solidariedade mecânica: laços de coesão social típicos das sociedades tradicionais. A solidariedade vinda pela divisão do trabalho social traz coesão. Marx O princípio organizador da sociedade não era coesão. Anomia: ausência ou desintegração das normas sociais. 03 tipos: egoísta (indivíduo se afasta). Propôs os conceitos de solidariedade mecância e solidariedade orgânica. Sua sociologia era voltada para a coesão social e a necessidade de profissionalização da sociologia. igualdade e fraternidade e terminou com o caso Dreyfus. Queria reconhecer. na estrutura social da nova sociedade. Indivíduos reconhecem os mesmos valores. Surgem hospitais psiquiátricos. se percebem como pertencentes a mesma coletividade. Durkheim: A passagem de um tipo de solidariedade para a outra seria aos poucos e para ser plena necessitaria que religião e a falta de justiça social e igualdade de oportunidades estivessem amadurecidas. As idéias são construídas a . Um elemento não contratual no contrato para os indivíduos não se comportarem de forma egoísta e maximizadora de seus próprios interesses.Materialismo Histórico: Afirmava que o que determina a História são as condições materiais de sua reprodução. mas o conflito. instituições penais de correção. Dedicou sua obra a compreender o funcionamento do modo de produção capitalista a partir de uma concepção materialista da História. religião. tradição costumes.dinâmica. Era uma sociologia política. Solidariedade orgânica: laços de coesão social das sociedades capitalistas. Em “As regras do método sociológico” Durkheim afirma que a sociologia deveria voltar-se para um público restrito – uma ciência a serviço da empresa acadêmica. Cada um só produz uma parcela do que precisa. A luta de classes é uma patologia social. Antagonismo e posições políticas. Não era utópico e não acreditava no Falanstérios. Queria compreender cientificamente o capitalismo de modo a transformá-lo de modo revolucionário. então uns precisam dos outros – rede de interdenpendência. Materialismo Histórico. Durkheim – Sociologia como disciplina acadêmica Sec XIX começou com liberdade. Mais suicídio em países protestantes e desenvolvidos – não é uma questão somente da medicina ou psicologia. Mas ele tinha opiniões políticas embora não tenha participado da vida política. o modo de produção. e não as idéias. escolas técnicas. anômico originário (o social desmorona sobre ele) e o altruísta (lealdade a uma causa). era preciso disciplinar o homem para a vida do trabalho e para a vida social. Se interessava pelo indivudualismo moral. Marx .

o modo de produção. – Mais valia.encontrar uma nova coesão moderna em substituição à tradicional. Na sua visão esta contradição levaria a classe trabalhadora a derrubar o capitalismo. cristão ou judeu. política e espiritual.partir dessas bases materiais. Desejavam o homem não como burgês ou proletário.sociedade era uma arena de conflito que levaria à transformação da sociedade. Eles próprios eram recém admitidos na igualdade. O capitalista não produz para si. mas para vender. as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes – ocorre então uma época de revolução social. Conceito de luta de classes O trabalho é uma mercadoria. A luta de classes é inevitável e inseparável do capitalismo. O modo de produção da vida material é que condiciona o processo da vida social. O trabalhador vende sua força de trabalho ao proprietário. A relação salarial diferencia o modo de produção capitalista de outros modos de produção. A questão Judaica Muitos dos judeus que se tornaram intelectuais tiveram a preocupação de propor a possibilidade de uma sociedade igualitária. Mas o empregador se apropria do valor agregado pelo trabalhador. o desenvolvimento das forças produtivas. Em certa etapa do seu desenvolvimento. Surgimento da grande indústria e duas classes sociais antagônicas: burguesia e proletariado. . Estas relações formam a estrutura econômica da sociedade e a consciência social. Este trabalho agrega valor. com determinadas relações de produção correspondendo a uma determinada fase do desenvolvimento das forças produtivas. O trabalhador é formalmente livre. Marx: Conflito social . Os trabalhadores se unem em sindicatos e pela luta política. mas não é remunerado por isto = luta de classes. O trabalhador vende sua força de trabalho em troca de um salário. são relações contratuais e não compulsórias. Conceito de modo de produção capitalista Modo de produção historicamente construído. Durkheim: Coesão social . Modo de produção distinto de outros modos por distintas serem suas relações de produção e sua base técnica. mas o homem com homem. para o lucro. Para compreender o mundo é preciso compreender com os homens produzem suas condições de existência. CONCLUSÃO Durkhein e Marx são os fundadores de duas formas distintas de pensar a sociedade pós Revoluções (Francesa e Industrial). Marx – Conceito de modo de produção: os homens estabelecem diversas relações de produção. ou seja. ou seja. O ser social que determina a consciência.

Essencialmente conflituosa por seus componentes básicos (trabalhadores e burguesia) possuírem identidades e interesses irreconciliáveis. metodologias e pesquisas construídas e realizadas pelos sociológicos. Weber: aberto à incerteza e indeterminação dos processo sociais. Marx: propunha que o conceito básico para a compreensão da sociedade emergia era o modo de produção capitalista. Marx: fatores econômicos eram determinantes conforme as relações entre infraestrutura (economia) e superstrutura (política. Durkheim: a tensão entre tradição e modernidade não se explicitava como um problema histórico. fábricas eram construídas. Se estrutura uma filosofia materialista da História em que o sentido desta era dada pelo desdobramento dos modos de produção. Solidariedade mecânica para as sociedades tradicionais. mas construíram formas diferentes de compreender tal passagem. Marx. onde encontrou uma sociedade em acelerado processo de transformação. Marx: conflito. moral. religião). Weber: tb buscava compreender as grandes transformações de sem tempo – os países se industrializavam. e solidariedade orgânica para sociedades altamente diferenciadas e com profunda divisão social do trabalho. o Estado se burocratizava e a religião deixava de fornecer sentido a vida.RESUMO Durkhein: preocupado em estabelecer modernos elementos de coesão social. Acreditava em um método científico que permitisse identificar o que é fato social e interpretar o comportamento moral em um mundo onde os valores da tradição não mais garantiam a solidariedade moral entre os indivíduos cada vez mais diferenciados. Materialismo histórico. estavam preocupados em compreender a passagem de um mundo tradicional para o mundo moderno. . inclusive para os EUA. Durkheim e Weber foram quase conterrâneos e contemporâneos. Recusava a compreensão dos fenômenos sociais por meio de grandes sistemas explicativos. Weber viajou muito. xxx História e Sociologia – Aula 5 Max Weber e o desencantamento do mundo O objeto da Sociologia é a sociedade. O estudo dessa sociedade é feito a partir de teorias. movimentos operários eram organizados. Durkheim: coesão. de baixa diferenciação social.

Então se pode escolher e tem subjetividade. mas o estudo deve ser conduzido de forma neutra. voltado para a compreensão do significado dos fenômenos sociais contemporâneos e para o entendimento da origem histórica destes. como qualquer ciência. Não há neutralidade na escolha. secularização e desencantamento do mundo. a escolha pode ser subjetiva. Para ele. não sobre como ela supostamente deveria ser. O sociólogo não deve fazer julgamentos de valor (não pode dizer como os atores sociais devem agir. já que tem distinção entre pensamento sociológico e senso comum. frente a um universo vastíssimo de fenômenos. mas que teriam resultado na secularização e na racionalização. direito. Separar as análises sociológicas dos engajamentos políticos. metodologia histórica e comparativa. o político daquilo “que deveria ser”. é cinetífico? Para Weber sim. economia. Modernidade Para Marx: se confundia com o próprio modo de produção capitalista. Durkheim: passagem da solidariedade mecânica para a solidariedade orgânica. o sociólogo que escolhe seus problemas e não a realidade social que lhe impõe o que estudar. Racionalização e Secularicação como características centrais da modernidade . O sociólogo deve se curvar ao resultado da sua pesquisa. muitas vezes contraditórios e não necessariamente paralelos. É uma escolha carregada pela subjetividade. Ex: privilegiar um recorte particular da religiosidade. se estão certos ou errados). totalizante. não havendo uma lógica ou sentido inerente aos acontecimentos históricos e sociais.A sociologia Weberiana Visão de ciência e de um grande problema sociológico. O sociólogo fala daquilo “que é”. entendia a realidade como algo fragmentado e infinito. o sociólogo não. No entanto. mas também em sua complexidade e indeterminação. Obra plural: religião. Sociologia surge como uma ciência da realidade. do que é e do que existe. Weber: se expressa por múltiplos ferômenos. como o protestantismo como fenômeno social. Buscar conclu~soes científicas sore a realidade tal como esta é empiricamente. O conhecimento da realidade social seria sempre uma escolha de temas e enfoques realizadas pelos sujeitos do conhecimento. ao contrário dos outros dois. garantindo a cientificidade. mas fazer apenas juízos de fato (descrever as ações sociais de maneira imparcial). Não seria possível ao sujeito do conhecimento ter o controle ou tentar conhecer a totalidade dos fenômenos sociais ou a totalidade da história humana por meio de um sistema único ou de uma teoria social geral. O político e moralista. Para Weber. Sociologia tinha o estatuto da ciência voltando-se. Por outro lado. Weber recusava a possibilidade de um conhecimento absoluto. mesmo que seja contrário ao seu enfoque inicial. Queria compreender a modernidade com suas dimensões de racionalização. da realidade social. para compreensão do seu objeto.

inaugurado pelo judaísmo e aprofundado pelo puritanismo. Desencantamento do mundo: fenômeno interno ao campo da própria religião.. etc. Culto a um deus único. a abstinência. Mas a religião não desapareceu no ocidente. Não aconteceu no mundo islâmico. O desencantamento do Mundo Secularização: retirada da religião das esferas do poder. moralidade. direito. sem imagem. Via afinidade entre as esferas econômicas e religião. Obs: a moralidade sexual varia dependendo da religião ou da ausência desta. Aproximação do impessoal e racional: a disciplina. e nenhum destes está presente na lei brasileira. Havia afinidade entre a Reforma Protestante e o espírito do capitalismo. Para Marx as idéias eram construídas a partir da realidade material e não o contrário. uma manifestação de fé. é preciso encontrar uma outra forma de legitimação racional. mas tb econômico. da moralidade etc. Só pela racionalização é possível obter sinais da graça divina. antes unificadas e reguladas pela religião. Se a religião não legitima mais o poder. por meio dos quais o mundo deixa de ser regulado pelo divino. da economia. rotinização de condutas. afinidades eletivas entre o espírito do capitalismo e a ética protestante. empresas modernas. Porque o protestantismo encorajava o trabalho como um dever. repleto de regras. Os processos de racionalização e secularização.. empreendimentos. política.. houve um avanço na racionalização. Coincidia com o nascimento e edificação de religiões monoteístas. moral e social. escolaridade. seriam característicos do Ocidente moderno. O estudo. a regularidade. a leitura da lei é fundamental para o exercício da fé. estética. o trabalho. Era a racionalização histórica da religião com a retirada da magia. Observou que regiões protestantes tinham mais avanço das técnicas de trabalho. A religião continua influenciando o direito brasileiro (ex: aborto). jogando a dimensão religiosa para a esfera privada. Valorizava a ascese. política. da estética.. a poupança e a disciplina. Alguns dos temas centrais do pensamento Weberiano: secularização. O tipo ideal ... O protestantismo conciliava salvação pessoal e interesses econômicos. racionalização. A reforma protestante não foi apenas um fenômeno religioso. uma vocação. “Morte de Deus” na regulação da vida econômica. desencanto do mundo.A racionalização faz parte do grande processo histórico de secularização característico do Ocidente = diferenciação entre esferas econômica. Essas coisas contribuiriam indiretamente para o desenvolvimento do capitalismo. Para Weber a base material não tinha primazia sobre o mundo das idéias e este poderia ter incidência na configuração dos fenômenos econômicos. Cristianismo: rejeição de tudo que é tido como irracional ou demasiadamente pessoal. Intelectualização dos fiéis pelo domínio da palavra escrita. Calvinismo: asceticismo e predestinação.

O tipo ideal é uma construção que permite a análise comparativa de cada caso concreto. Weber identificou ao menos 4 tipos de ação. religiosas. Weber rejeitava grandes sistemas para a explicação dos processos históricos. É definida pela reação emocional em determinadas circunstâncias. compromissos.. O tipo ideal é uma construção.. Ação racional baseada em um valor: em nome da honra. Faz sem nem pensar. uma representação de uma configuração histórica que não existe na realidade concreta. como também elabora. em sua crença em um valor. solidariedades. é automática. que sempre pode levar a resultados sociais e históricos inesperados. ora de outra e misturam estes tipos. Ex: marido que trai mesmo amando a mulher. intencionalmente ou não. Reflexos adquiridos pela prática. produzindo. avalia racionalmente as condições de alcançar o fim que almeja. racionalização e desencantamento do mundo. mas permanecer fiel à sua crença. O objetivo não é a obtenção de um resultado exterior. ao passo que a tradicional pode ser percebida como um tipo de ação que possui afinidades com os valores daqueles que resistem ao desencantamento do mundo. pensar a realidade concreta com a qual se defronta. É uma representação que permite ao sociólogo. A ação humana abre campo para a indeterminação e é dotada de sentido. Para fazer comparações ele sugeriu um instrumento conceitual ao qual deu o nome de tipo ideal.Pela complexidade do mundo dos homens e das sociedades por eles criadas ensejando múltiplos caminhos para o seu desenvolvimento histórico. A ação racional com relação a um fim é um tipo ideal de ação que se relaciona a um mundo racionalizado. As ações ora se aproximam de uma. ambígua e desordenada. A História é muito mais complexa. Os diferentes tipos de ação social encontram paralelo no processo de secularização. pelo dia a dia. ditada pelo estado de consciência ou humor do sujeito.os meios de chegar a ele. conflitos. o método comparativo surgia como importante instrumento para destacar a singularidade das configurações históricas. conseqüências sociais para além do indivíduo que a realizou. Ex: advogado que entra na justiça para ganhar uma causa – traça uma trajetória. por contraste. que pode ser ético. Ação tradicional: ditada pelos hábitos. . Dava muita importância à ação humana. sociais e políticas. religioso. Esses quatro tipos não constituem a totalidade das ações possíveis nem esgotam as possibilidades das ações sociais. estético. com combinações diferentes. Ação racional com relação a um fim: ação concreta que tem um fim específico. Para Weber as interações sociais podem produzir oposições. Ação efetiva: guiada pela paixão. racionalmente. Os tipos ideais de ação social Recorrendo a noção de tipo ideal. A ação racional com relação a um fim não apenas tem claro o fim a que almeja. costumes e crenças. leve em conta o comportamento de outros indivíduos.

mesmo as individuais.. Formas de dominação Dominação: oportunidade de encontrar uma pessoa pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado. Durkheim afirmava que a modernidade se configurava pela dissolução da comunidade mecânica e sua substituição pela comunidade orgânica. Na dominação tradicional. . o monopólio do uso legítimo da força. com freqüência fatores religiosos são acionados para legitimar o mando. Hoje se vê bancadas religiosas nos Congressos e a construção de regimes políticos abertamente teocráticos . Política e Estado. Esta autoridade deve ser percebida como legítima – toda dominação necessita de uma justificação. protestants. do âmbito da verdade revelada. no máximo suas relações familiares ou associativas. Dominação carismática: baseada na figura de uma personalidade excepcional. 03 tipos ideais de dominação Dominação tradicional: baseia sua legitimidade na tradição.. Assim como existe um paralelo possível entre as formas de ação social e o processo de secularização do Ocidente.o princípio da secularização parece central para o respeito das diferenças e para o convívio democrático e republicano. do direito. Ex: doação a uma instituição de caridade – afeta todo o entorno. possuem sempre resultados sociais pois atingem um conjunto de pessoas maior do que os indivíduos que as realizam. da moral. A República deve estender sua legitimidade a todos os cidadãos. seculares. impessoalidade e universalidade.. umbandistas. tornou-se elemento central da República. Código ou regra percebido como racional. judeus. que estão na base da legitimidade do poder. sobre um determinado território. É uma relação social fundamental para a compreensão das sociedades. é sempre acompanhada de uma ração. Sempre existiu. Suas convicções religiosas devem regular suas vidas privadas. Na dominação racional-legal são elementos racionais. Estado: conjunto politicamente organizado de pessoas que impõe. CONCLUSÃO Weber é importante para a sociologia da religião e seu conceito de secularização referindo-se à emancipação das esferas da política. Uma das coisas afetadas foi a religião: de cristão para uns católicos e outros protestantes. Dominação racional-legal: baseia-se na idéia de um direito abstrato. Sociedades patriarcais. encerra também profundas conseqüências para a democracia e para a República.. da ciência da estética. O poder deixa de se legitimar por uma autoridade transcendente e passa a se legitimar por uma autoridade imanente. A emancipação da esfera política da esfera religiosa. uma crença social que a legitime. Busca relação direta com as massas. agrícolas. tal paralelo pode ser identificado também com as formas de dominação. ateus. sejam católicos. Opoder reside na sua força de convencimento e um forte apelo emocional.Para Weber as ações. institucionalizado por regras que obedecem a critérios de racionalidade. traço da secularização moderna européia.

lançando mão de instrumentos conceituais como tipo ideal. xxx História e Sociologia – aula 6 Escola de Chicago: a inovação da prática sociológica no contexto norteamericano A sociologia pode se deferência em seus métodos e pressupostos. tipos de ação e tipos de dominação. religião. Durkheim: a coesão ou as formas de solidariedade social presentas na sociedade moderna – uma abordagem em que as instituições influenciam e definem a ação dos sujeitos sociais. comunidade. secularização e desencantamento do mundo. muito menos predizer o que poderia vir a acontecer. Por Weber dificilmente se poderia conceber uma filosofia da história. na criminalidade e na imigração. capitalista e liberal. cultural e geográfico no qual se desenvolve. Introdução A sociologia surgiu no contexto europeu do sec XIX e buscou interpretar fenômenos emergentes na sociedade moderna. Weber constatava fenômenos observáveis e não inseri-los em grandes sistemas causais. capitalismo. A Escola de Chicago é a expressão de uma nova sociologia. A sociologia clássica privilegia as noções de sociedade. . secularização e mercado. As diferenças entre a Sociologia européia clássica e a sociologia norte-americana da Escola de Chicago evidência esta diferenciação. racionalidade. Marx: conflito ou luta de classes. com sua racionalidade. compreendendo a sociologia como a ciência que “é” e não do que “deveria ser”. conforme seu materialismo histórico. Weber: queria entender a especificidade do Ocidente. Ao contrário de Marx e Durkehim. ou seja. dependendo do contesto histórico. Weber: a incerteza e a indeterminação da ação e dos processos sociais em uma abordagem em que o indivíduo goza de maior autonomia. Uma abordagem sociológica em que uma grande teoria se sobrepõe aos desígnios dos indivíduos. seus temas estão relacionados com o contexto histórico e social norte-americano. Weber reijeitava grandes sistemas explicativos. é diferente da sociologia clássica. a modernidade.RESUMO Max Weber. como em Marx. Marx e Durkheim são os pilares do pensamento sociológico. mas sua ação pode resultar em algo diferente do esperado. sua metodologia e categorias adotadas para a investigação dos problemas urbanos tem ênfase na ecologia urbana.

Durkheim. Escola de Chicago: não enfatizava grandes teorias explicativas.. Pragmática. É uma influência que tende a orientar as abordagens e debates. escola weberiana. Para América isto era abstração. Escola sociológica: esécie de guarda chuva metodolótico e epistemolótico (estudo da ciência) que orienta o estudo dos que fazem parte dela. da prostituição. que tinha outras preocupações.. A clássica não se configurou como escola – é a expressão da reflexão sociológicoa de indivíduos pioneiros (Marx. Estudo de campo ou estudo de caso: pesquisas por meio da observação direta dos fenômenos sociais. do amor. Estudava o tema do dinheiro. algo que a caracteriza e distingue de outras escolas. Chicaco: desenvolveram uma sociologia adequada ao que entendiam ser as necessidades americanas. Weber). tensões raciais. queriam compreender e melhorar a sociedade.A sociologia clássica se sustentou com ressalvas na América. microssociais. No entanto. era influenciada pela filosofia pragmática – importância ao contato com as questões e problemas da vida “como ela é”. integração étnica. e que agrega diversos sociólogos individuais. Propunha novos métodos de investigação sociológica. uma sociologia engajada. como as “relações de reciprocidade”. Temas preferidos: a cidade. Escola de Frankfurt: expressava uma filosofia crítica de base marxista. Não só como reflexão. Europa: segregação. e a cidade era a soma de tudo isso. Mas vale lembrar que a Escola de Chicago teve seu início com intenso intercâmbio entre EUA e Europa. seus membros militantes da reforma social. Construíram uma escola sociológica. Parker foi influenciado a olhar para pequenos fenômenos e instrumentos metodológicos diferentes. mas as especificidades individuais permanecem. os imigrantes. Sobre quais fenômenos sociais e Escola de Chicago se debruçava? . imigração. Escola de Chicago Uma escola sociológica possui uma marca. a criminalidade. Robert Parker: sociólogo americano que estudou na Alemanha com o sociólogo Georg Simmel que desenvolvia pesquisas sobre temas marginais. a partir deles podese falar em escolas: escola marxista.