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Da torre de Olinda ao Campo das Princesas, 1ª Parte ‐ A torre de Duarte Coelho

Marcelo Lins
A formação do território do atual Estado de Pernambuco tem seu embrião com a colonização lusitana em principios do século XVI, mais precisamente em 10 de março de 1534, quando o rei de Portugal D. João III doou ao fidalgo galego Duarte Coelho Pereira a capitania de Pernambuco. “Sessenta léguas de terra da costa do Brasil, as quais começarão no rio São Francisco, que é do Cabo de Santo Agostinho para o Sul, e acabarão no rio que cerca em redondo toda a Ilha de Itamaracá, ao qual ora novamente ponho nome de Rio Santa Cruz, e mando que assim se nomeie e chame daqui por diante e isto com tal declaração que ficará com o dito Duarte Coelho a terra do Sul”.1 Aportando no litoral de Pernambuco no dia 9 de março de 1535, o donatário estabeleceu as bases que ao longo de quase 500 anos de história formaram a identidade cultural, política e econômica do Pernambuco de hoje. Duarte Coelho como primeiro donatário e governante pernambucano, concentrou na sua pessoa o conceito de poder, como representante da autoridade da coroa na colônia. Mas o poder como qualquer outra forma de conceito abstrato, além de suas bases concretas de territorialidade e povo, necessita de símbolos como formas de representação e afirmação perante o mundo real. Um dos símbolos mais relevantes concentra-se na edificação que encarna o centro de onde emana este poder: a tenda do chefe tribal, o castelo, o palácio lugar de moradia do governante, centro de decisões politicas e administrativas. Logo de sua chegada a Olinda, Duarte Coelho mandou erguer no alto da colina uma torre para a defesa da nova vila. Foi este edifício o primeiro centro de poder da nova colônia recém-fundada. Assim descrita por Gabriel Soares de Sousa em 1587, “onde agora está a vila em um alto livre de padrastos, da melhor maneira que foi possível, onde fez uma
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PEREIRA DA COSTA, Francisco Augusto. Anais Pernambucanos, Volume I, p. 161-162.

p. Apresentação de Leonardo Dantas Silva.2 Esta fortificação aparece no mapa de Luís Teixeira. 3 SILVA.. 4 Foi provavelmente demolida entre os anos de 1620 e 1630. Massangana. e a torre que está no meio dela”. Pernambuco: imagens da vida e da história. 4 Figueiredo. rev. Recife: FJN. Prefácio de Marco Maciel. 20. Disponível em: http://www. e são os coqueiros. como uma estrutura quadrada no topo da colina. 2000. entre os anos 1573 e 15783. de linhas retas com pequenos traços. Lisboa: Vicente Alvarez. e atual. Apesar desta semelhança. . 1625. Thomé. Leonardo Dantas. 2001. Para Francisco Varnhagen. 27. Quando da invasão holandesa em fevereiro de 1630 a torre de pedra já não mais existia. Manoel. de Manuel de Figueiredo.. 9 ed. : com os roteiros de Portugal pera o Brasil. a estrutura de Olinda resumia-se a uma simples torre de pedra e cal. Gabriel Soares de. que ainda agora está na praça da vila. & Indias de Portugla & Castella. dos quais foi cercado muitas vezes”. Recife: SESC. onde muitos anos teve grandes trabalhos de guerra com o gentio e franceses que em sua companhia andavam. p. Tratado descritivo do Brasil em 1587. Guinè. apresentação de Antônio Oliveira Santos. O edifício sobreviveu até princípios do século XVII. presente na descrição feita na Hidrografia e Exame de Pilotos. Angolla... que podem representar seteiras.torre de pedra e cal. Hidrographia exame de pilotos: no qual se contem as regras que todo piloto deue guardar em suas nauegações . Rio da Prata. situada em local elevado tirando proveito da declividade das encostas como muralha natural de defesa externa. 2 SOUSA.org/stream/hidrographiaexam00figu#page/n0/mode/1up (grifo nosso). Ed. a construção assemelhava-se por sua configuração às torres de ménage dos antigos castelos medievais. S. gritante a sua ausência nos relatos e iconografia da época. surgida em Lisboa em princípios daquele século “Vindo do mar de fora se faz esta ponta [de Marin] espinhosa por cima.archive.