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CURSO DE FORMAÇÃO À DISTÂNCIA.

INSTITUTO CAMÕES ENSINO E APRENDIZAGEM DO PORTUGUÊS L2

Transfer na aquisição do português L2 por um falante de espanhol. Estudo de caso.

2011

Desvios na selecção do léxico 3.2.1. Vocabulário indisponível 3.2. Introdução 2. Estudo de caso 3.2. Acentuação 3.2.4. Desvios linguísticos observados 3.4. Aquisição de uma língua estrangeira e transfer 3.2.4. Metodologia da recolha de dados 3. Desvios na selecção de preposições 4.1.4.4.Índice 1.2. Análise dos desvios 3.4. Empréstimos e neologismos a partir de empréstimos 3.1.1.2.3.3.4.4.2. Desvios na selecção de verbos 3. Perfil linguístico do informante 3.3. Desvios formais em vocabulário disponível 3.4.1.1.1. Conclusões Anexos Bibliografia 3 3 5 5 5 5 6 6 6 7 7 8 8 9 10 11 12 14 2 . Ortografia 3.4. Desvios na selecção de nomes 3.

mas quando eles são diferentes a aprendizagem é dificultada e surgem uma série de erros resultantes do transfer negativo. enquanto outras tentam minimizar o papel da L1 no processo de aquisição da L2. avoidance (o aprendente evita utilizar determinada estrutura que considera difícil) e hiper-uso (o aprendente demonstra uma tendência para um uso de determinados items 3 1 Utilizamos. 2 Segundo Ortiz Alvarez (2002). A partir da análise de produções escritas de uma aluna da Oficina de Produção Escrita em Português. predizer aquilo que os aprendentes teriam mais dificuldade em adquirir (Guo. leccionada em 2008 na Universidade da República em Montevideu. pretendemos. nem uma simples interferência. há vários tipos de manifestações de transfer: erros (tansfer negativo). Transfer significa. 2. o termo segunda língua (L2) para referirmo-nos à aprendizagem de qualquer idioma depois da língua materna. Aquisição de uma língua estrangeira e transfer A influência da L1 na aquisição de uma L2 tem sido tema de debate desde o surgimento dos estudos em Linguística Aplicada e nem sempre foi consensual. nem tudo o que se transfere advém da influência da L1. aquilo que os aprendentes transferem ou hipergeneralizam a partir do conhecimento da sua LM para ajudá-los na aquisição de uma L2 (Liu. facilitação (transfer positivo). quando os padrões de linguagem da LM e da L2 são idênticos. O conceito de transfer – que deriva do latim transferre – esteve inicialmente relacionado com as teorias behavioristas dos anos 50 e 60. verificar os desvios linguísticos mais comuns na forma escrita e sua evolução ao longo do ano. neste trabalho. apesar das suas diferentes acepções nas teorias de Linguística Aplicada . Introdução Na literatura em aquisição de uma segunda língua1 (L2). Além disso. . e possíveis relações de transfer entre a língua materna (L1) e a interlíngua (IL) da informante. a aprendizagem é facilitada pelo transfer positivo dos padrões da LM. neste trabalho.2005). Umas teorias argumentam que a aquisição de uma L2 é sempre filtrada pelo conhecimento da L1. no final da década de 60 e começo de 70 o aprendiz deixou de ser visto como um produtor de linguagem imperfeita. Existem dois tipos de transfer: o transfer positivo e o transfer negativo.1.2001/3:1). e com a AC que argumentava que as diferenças entre duas línguas era a maior causa de erros. em termos linguísticos. Segundo Ellis (apud Guo. Este conceito foi ao longo dos tempos sendo modificado e ampliado e actualmente é comummente aceite de que transfer não é uma simples consequência da formação de hábitos. para Ellis. ao fazer estudos comparados entre elas. como é o caso do português para um falante de espanhol. segundo as quais o processo de aquisição de uma L2 consistia na formação de hábitos que advinham do processo de aquisição da L1. é um fenómeno consensualmente aceite que tem sido foco de interesse de estudos sobre a aquisição de uma língua próxima. Ambas as definições apontam para a construção criativa da L2 por parte do aprendente2. passando a ser considerado um ser criativo que processa a sua aprendizagem através de estágios de aquisição. tentando.desde a Análise Contrastiva (AC) até aos estudos mais recentes-. ou segundo Odlin (citado por Guo. o conceito de transfer. 2005:17).2005:17) the influence resulting from similarities and differences between the target language and any other language tha has been previously (and perhaps imperfectly) acquired.

pelo que se torna mais difícil determinar o nível de fossilização de determinado item. não no sentido de prever dificuldades na aquisição do português por um falante uruguaio. o processamento e a retenção de uma série de regras da L2 que termina por afetar as escolhas feitas. Por outro lado. também é importante salientar que existem outros factores. 5 Fossilization refers to the phenomenon where a linguistic form. Defendemos. rule. se os erros constituem uma das manifestações possíveis de transfer. vai dar uma maior ou menor resposta ao processo (Sousa. Neste sentido. O português brasileiro tem um papel na aquisição de uma extensa área da gramática do espanhol. introduzido por Selinker (1972 apud Xia. mais subjectivos. aprendiz de uma L2. os erros produzidos por um aprendente de uma L2 são índices do processo de aprendizagem e dão-nos pistas sobre os estágios que ele atravessa antes de chegar ao estágio final (Castanheira. 2004): Interlangue [is] the typs of language produced by second – and foreignlanguage learners who are in the process of learning a language. estabelecer aproximações do sistema usado por nativos e criar um sistema linguístico legítimo. Mas quando esses traços divergem e há uma perseverança desse desvio. a noção de transfer tem sido muito utilizada na literatura em aquisição de línguas próximas. Atuando no nível do intake. 2002) . 2002)3. 2007:48). baseado em sua própria percepção de aquisição/aprendizado. Ora. perceba esta semelhança como tal e sinta que o elemento que quer transferir é comum e nenhuma exceção na sua língua. serão incorporados na IL (Leiria. também. etc. 2007:21 e Ortiz Alvarez. ele afeta a compreensão. 2003:4). na análise de desvios recorremos à AC. na determinação da proximidade entre duas línguas: o conceito de proximidade deve partir principalmente do aprendiz que. a IL. mas no sentido de explicar (método posteriori/explanatory) as ocorrências desviantes resultantes de transfer L1-L2. quando bem sucedido. o item pode ser fossilizável na IL do aprendente5. becomes permanently established in the interlangue of a second-language learner in a form that is deviant from the target language norm and that continues to appear in performance regardless of further exposure to the target language (Lu. Por outras palavras. 2005:103) 4. mais ou menos claras da LM dos aprendizes. uma vez que passam a ser analisados como um processo gradual de tentativa que permite ao aluno testar hipóteses. Falar de transfer implica relacioná-lo com o conceito de interlíngua (IL). apud Guo). 2002) 4 Miletic (2004) também sustenta esta interpretação do conceito: As estratégias do transfer e os seus efeitos (interferências) podem ser vistas também (na minha opinião) como estratégias de “ sobrevivência” comunicativa. deixando na interlíngua uma série de marcas. entendemos o conceito como uma estratégia que o aprendente usa a partir de empréstimos de itens e de traços da L1 (ou de outra língua) e que. e à luz do que anteriormente foi referido. Se a semelhança entre as línguas é uma condição necessária para que o transfer ocorra. typological similarity between languages with regard a particular feature is a necessary condition for transfer occur. (Ortiz Alvarez. 4 3 Os erros produzidos ganham um novo status. que a fossilização é um processo variável e em mudança. 2004:522). é o produto da interacção entre dois sistemas linguísticos e constitui uma etapa obrigatória da aprendizagem. no estudo do caso. A proximidade tipológica é dada pelo comportamento estrutural das línguas perante a Gramática Universal. feature. Por último. tais como o português e o espanhol6.lexicais e estruturas gramaticais. 6 Pesquisas recentes mostram que a transferência se dá quando há um grau de semelhança entre duas (ou mais) línguas implicadas e que o falante de uma língua. não sendo L1 nem L2. Para Andersen (1983 apud Murphy. (Ortiz Alvarez. resultantes de avoidance de determinadas estruturas e expressões consideradas impróprias). tal como defendido por Grass & Selinker (1994.

correspondendo a um total de 180 horas. decidimos trabalhar com a tipologia de desvios proposta por Leiria (2005:225). tendo feito a escolarização nesta língua. foi necessário organizá-los por categorias e subcategorias. Estudou inglês. resumo. e um curso de Cultura Portuguesa de 60 horas..º desvios 70 42 62 25 Percentagem 35. uma primeira e segunda versões. ouve música brasileira e consulta alguns sites em Português. A sua LM é o espanhol.2.3. distribuídos da seguinte forma pelas quatro categorias: Tabela 1 Categorias Desvios Formais em Vocabulário Disponível Vocabulário Indisponível Desvios na Selecção do Léxico Desvios Sintácticos. em Montevideu. trabalhou num centro turístico onde contactava regularmente com cidadãos brasileiros. Frequenta o 4. Todos os trabalhos solicitados tinham. Para este estudo.18% 21.11% 31. apenas serão consideradas as primeiras versões pois são as únicas em que não há interferência da professora. carta de motivação. 3. No verão anterior à frequência do curso.56% 7 O perfil linguístico descrito corresponde ao perfil do informante em 2008.º ano de Letras da Faculdade de Humanidades e Ciências da Educação da Universidade da República. num total de 207. Morfossintácticos e Outros N.1. . distribuídas por três semestres. Desvios linguísticos observados O Anexo 2 compila todos os desvios linguísticos identificados no corpus. artigo de opinião e crónica.3. Em 2008. esta parte do trabalho será dedicada à análise dos desvios produzidos por uma aluna da Oficina de Produção Escrita em português. já tinha concluído os três cursos da língua oferecidos pela Faculdade. e italiano. Deste modo. no mínimo. idioma no qual a informante sente maior proficiência linguística. Para este trabalho. Metodologia da recolha de dados 5 Para a obtenção de dados suficientes para um estudo longitudinal de análise de desvios linguísticos. Perfil linguístico da informante7 A informante tem 24 anos e é de nacionalidade uruguaia. 3. Os textos escritos englobam diversificadas tipologias e géneros textuais: notícia. Após a identificação dos desvios. serão analisados dez textos de extensão variável. decidimos recolher as produções escritas realizadas pela informante na Oficina de Produção Escrita em Português e colectadas num portefólio. 3. Extracurricularmente. nunca inferior a 500 palavras. Estudo de caso Tal como referimos no ponto 1. A cada texto foi atribuída uma sigla para uma identificação mais económica neste trabalho (veja-se Anexo 1).16% 12.

as de colocação do pronome pessoal e modo verbal. Na última categoria. Num curso dedicado exclusivamente à competência de produção escrita. mas não foi isso que ocorreu com esta aluna.4.1 Desvios formais em vocabulário disponível O maior número de desvios ocorre nesta categoria (35. existe uma forte automatização do conhecimento implícito da L1.1. 8 6 In second language acquisition research. mais de metade de formas desviantes ocorrem em empréstimos seguido de neologismos a partir de empréstimos. verificamos que não é possível chegar a uma conclusão precisa. No que diz respeito às sequências consonânticas. é importante salientar que há múltiplas variáveis. em contexto intervocálico. Se observamos o campo “Total” em relação ao número de desvios por texto. sublinhado meu) . neste caso. a que contabiliza apenas 12. observa-se que a maior parte dos desvios ocorrem nas subcategorias ortografia e acentuação. um maior controlo por parte do escritor devido ao contexto de execução da tarefa (início de ano)8. seguido pela selecção de verbos e de nomes. 2003:13. The level of formality can also act as a constraint on the amount of language transfer. à realização /S/ como [s] corresponde graficamente uma consoante dupla –ss-. sobretudo nas subcategorias de ortografia e acentuação. a ocorrência de desvios. pois a quantidade de desvios produzidos é bastante irregular.56% do total de ocorrências desviantes do corpus. 3. Os desvios classificados nesta categoria resultam da não conformidade com o Formulário Ortográfico de 1943. ex-aqueo. empréstimos. pois o português do Brasil foi a variedade de instrução da aluna. que condicionam a aquisição de uma L2 e. the role of context is usually operationalized through level of formality and task.4. Quando elaboramos um resumo o nosso output vai ser bastante condicionado pelo input do texto a resumir. desvios na selecção do léxico em nomes. A ausência desta regra em espanhol. verbos e preposições. vigente no Brasil até 2009.4. 3. Assim sendo. since the speaker will tend to apply a higher level of control and attention during language production in formal setting (Murphy. o maior número de desvios ocorre quando em português. mais subjectivas. Ortografia Como podemos ver pela tabela 2. analisaremos as subcategorias de ortografia.o escritor tem mais liberdade em relação ao conteúdo da produção. seria previsível que o número de desvios linguísticos diminuísse.1. 3. Se observamos novamente o anexo 1. Um dos objectivos do trabalho enumerados em 1. Análise dos desvios Esta parte do trabalho vai ser dedicada à análise dos desvios produzidos pela aluna com o intuito de verificar em que subcategorias ocorrem maior número de desvios produzidos por transfer. neologismos a partir de empréstimos. Na terceira categoria. é o de verificar o comportamento dos desvios linguísticos produzidos pela aluna ao longo do ano. Por outro lado.Em desvios formais em vocabulário disponível. leva-nos a concluir que.18%). ao passo que uma crónica literária – como é o caso do texto em que ocorre um maior número de desvios. Mas será que isto quer dizer que a aluna piorou a sua competência de produção escrita? Não nos parece que o desenvolvimento da competência de produção escrita passe exclusivamente pelo número de desvios. a subcategorias com mais desvios são. podemos verificar que a complexidade do tipo de texto também foi aumentando. o maior número de desvios ocorre maioritariamente na selecção de preposições. como por exemplo. acentuação. No que diz respeito ao vocabulário indisponível. consequentemente.

ct) outros 8 7 8 N. na maioria dos casos. 2006:167) 10 Os casos aqui contabilizados dizem apenas respeito às palavras cuja grafia corresponde exactamente à grafia do espanhol.º de ocorrências 7 3.2. . No caso em que houve uma colocação indevida do acento gráfico (por não existência de acento em português) metade dos desvios surgem com o grupo vocálico –ia. por isso. é sempre acentuado –ía-9. verificamos pela tabela 3 que metade dos desvios ocorre quando a aluna optou pela não colocação do acento gráfico. colegio e heroica.1.4. afectam e afectivas é muito provável que o facto de a aluna estar a contactar com um professor e com textos cuja variedade é a europeia tenha conduzido à produção de desvios relacionados com o input recebido em contexto formal. es necesario marcarlo en la escritura con un tilde: caí. Vocabulário indisponível Segundo Leiria (2005: 273). em relação aos desvios projecto.teremos de ser mais cautelosos em relação às conclusões. é um item mais complexo de adquirir. pois se tipo de desvios como conflicto. como heroica. tahúr. Tabela 2 Tipo de desvio -s.4. Tabela 3 Tipo de desvio Coloca acento Coloca acento resultado de transfer de regras L1 Não coloca acento Não coloca acento por possível semelhança com L110 11 5 17 6 N. considerado um hiato.2. e a criação de 9 Cuando el hiato en la lengua oral se establece entre una vocal abierta y una cerrada acentuada (y por lo tanto más larga). muitas delas coincidentes com as dos falantes nativos […] são frequentes o recurso a empréstimos de outras línguas. e (ii) a acentuação incorrecta. como em lingua. adolescencia. Acentuação Em relação à acentuação. os aprendentes usam várias estratégias.que no espanhol. (Lepre. a que se seguem fenómenos de relexificação. producção e práctica podem ser considerados como resultado de transfer da L1. 3.º de ocorrências Podemos concluir que (i) a manifestação de transfer mais recorrente é a de avoidance possivelmente porque a aluna entende que os padrões entre LM e L2 são diferentes e. para suprirem faltas no seu léxico.em vez de –sssequências consonânticas (cç. corresponde a uma automatização de regras da LM. equilibrio. ataúd […] sabía.… Este es el tilde marcador de hiato.

serem muito difíceis de controlar (Leiria. em verbos: reflexionava. oponiendo-se. quando analisa o mesmo tipo de desvio. Formas fossilizadas podem desaparecer do uso produtivo da língua temporariamente. que resultam de empréstimos da L1 ou de outra. as fronteiras semânticas entre entradas lexicais variam consoante a idade. necessariamente. essa atribuição pode conter desvios no que respeita ao significado referencial. 3. sendo que a subcategoria selecção de preposição/locução é aquela onde mais ocorrem mais formas desviantes. A introdução de uma nova entrada no léxico mental conduzirá à reestruturação do sistema.4. 2005:287). (Ortiz Alvarez. uma das características que fundamentam a IL. mas pelo facto de a maioria deles estar muito activa na LM e de. Se nas categorias anteriores foi-nos mais fácil delimitar os items 11 8 Reincidência quando os aprendizes usam formas corretas da língua-alvo em algumas ocasiões e em outras usam formas erradas. Desvios na selecção do léxico Tal como é defendido por Leira (2005).4. verificamos que os desvios na selecção do léxico constituem 31. não porque sejam vocábulos desconhecidos . em relação aos espanhóis. consequentemente. Apesar de por vezes a aluna utilizar esses determinantes na forma correcta – o que demonstra que se a existência de transfer em determinado item não quer dizer que ocorra sempre . o aprendente ao atribuir propriedades semânticas a determinado item. Nestas duas subcategorias.3. mas reaparecem.2. conleva. dispuesta. e tal como seria de esperar. um entrada lexical estabelece uma rede de relações paradigmáticas e sintagmáticas com outras. para além de serem ao menor número que a subcategoria empréstimos.palavras novas. e que esses processos envolvem. estes items lexicais existem na L2. esta rede de conexões torna-se mais complexa. Verificámos pelo Anexo 1 que uma das estratégias mais utilizadas pela aluna para suprimir as tais faltas de léxico de que Leiria nos fala é justamente o recurso a empréstimos e a criação de neologismos a partir de empréstimos.1 Empréstimos e neologismo a partir de empréstimos A maioria dos empréstimos utilizados pela aluna. 2002:7) . comenzaram. sobretudo. que o uso desta estratégia de relexificação mostra que existe uma convicção por parte do aprendente que. de facto. Na análise do nosso corpus. criando uma complexa rede de conexões. ofrecem. 2005:275). o que implica a definição de novas regras semânticas dentro de cada micro-sistema. notamos que eles. 2005:274). geralmente. fondo. em situações de estresse ou quando o aprendiz apresenta algumas dificuldades de comunicação . pois muitas vezes não só os sistemas da L1 e da L2 não são coincidentes no que respeita a essa fronteiras. comunes). Isto significa que nos processos de reestruturação e de conceptualização do léxico mental. modificados no que respeita a representação gráfica de modo a ficarem mais de acordo com aquilo que o aprendente considera ser próprio da L2 (Leiria. 3. Além disso. Leiria (2005:275). o grupo sociolinguístico do falante e idiossincrasias pessoais. ocorrem. mas pode implicar também uma reestruturação conceptual associada à L1 (Leiria. também ocorrem dois desvios com determinantes demonstrativos (um empréstimo e um neologismo). provêem da sua LM (ejercicio. A complexidade desta categoria envolve também uma análise mais complexa. Quanto aos neologismo a partir de empréstimos. conclui.estes dois desvios poderão indiciar o fenómeno designado por Ortiz Alvarez (2002:7) como reincidência11.16% da totalidade dos desvios. a criação de hipóteses desviantes. extensões metafóricas e adequação pragmática. Na aprendizagem de uma L2.

temos de fazer uma elecção. e (ii) “cabides” em vez de as medidas ou físico. porque as oportunidades nem sempre vão estar. dado que permitiria inverter os ataques cardíacos. [momento] T7: Todavía. sem valorizar apenas os “cabides”. concluir que este transfer. nesta categoria a tarefa é muito mais complicada.1 Desvios na selecção de nomes Esta sub-categoria contabiliza 4. Apesar de Kellerman (1984 apud Murphy 2003:13) sustentar que figurative meanings. poderão existir outros items igualmente adequados. por eleição. [contacto] T3: Embora esta inclinação acompanha o incremento geral […] [tendência] T5: Elizabeth – The Golden Age e a ocasião para consagrar Cate Blanchett. o item eleição (elección) é muito frequentemente utilizado em contextos em que um falante do português utilizaria escolha13. observamos que neste caso aprendente decidiu utilizar. [no campo da medicina] [diminuir] T9: O contraste entre os reportes da imprensa empresarial norte-americana e os da imprensa iraquiana […]. oponiendo-se à ocupação pelos Estados Unidos. . de facto. e “cabides”. mas é possível fazer moda artística e acessível a todas.desviantes produzidos por transfer da L1 da aluna. a cultura uruguaia é bastante comedida em relação ao auto12 Colocou-se entre parêntesis rectos a opção por nós considerada mais apropriada ao contexto. pois. assim como às manifestações das comunidades chiítas e sunitas no Irak em contra desta intervenção e com miras a forjar unidade entre elas… [com o intuito de] T10: Admito que a moda seja importante para a identidade visual e o fortalecimento de grupos sociais. [escolha] T8: É verdade que a nível médico a clonagem pode ser uma ferramenta muito proveitosa. sendo que.4. existente na LM. unless associated with high-frequency references.1. utiliza a expressão es por la percha. Contudo. Observemos os nove desvios12: T2: A temática vai ser abordada através da proximidade aos povos da região. O interlocutor 2.52% do total de ocorrências desviantes do corpus. 3. Poderíamos. No espanhol. então. pouco usual e sentida como antiquada. Parece-nos interessante exemplificar o contexto de utilização. possivelmente os falantes evitam utilizar palavras dela derivadas. é um transfer cultural. da expressão na variedade rioplantense: Interlocutor 1: ¡Qué bien que te queda ese vestido! Interlocutor 2: Es por la percha. para não ser explícito na valorização do seu próprio físico. físico] 9 A primeira observação que podemos apontar é que nenhum dos desvios compromete a compreensão dos enunciados. como é derivada de coger. are unlikely to be considered transferable by language learners. A aluna. palavra que na variedade rioplatense apenas é utilizada em calão. mais do que um transfer linguístico. à excepção do segundo desvio de T10. em algum momento. através de tradução literal. [identificação] [as medidas. fez a tradução literal de uma expressão idiomática existente no espanhol. 13 A palavra escoger existe no espanhol. apenas possível num diálogo. possivelmente. A segunda observação é que apenas dois desvios são produzidos por influência da LM: (i) elecção. uma extensão metafórica. neste caso.

quatro são devido a transfer da L1. Simplesmente ela preferiu utilizar outro que sentia mais adequado ao contexto (Leiria. ainda. que a aprendente utiliza a forma mais recorrente em espanhol para o contexto que em português corresponderia. Desvios na selecção de verbos Como se pode constatar pelo Anexo 1. [torna-se] T7: Por isso finalmente elegimos permanecer ao ado de uma misma pessoa. De facto. Outro desvio. [escolhemos] T9: A fragmentação do país em múltiples estados pequenos faría muito mais fácil a sua manipulação pelo imperialismo.4. eles prendem-se com relações paradigmáticas14. [é constituído] T5: A rainha deve enfrentar-se ao maior império do momento: a Espanha. o falante uruguaio utiliza. Todos em que existe a inserção do pronome de flexão reflexiva (dois desvios) mostram que a tendência verificada no espanhol em que o uso do pronome vem intensificar o significado do verbo transitivo e intransitivo é transferida para a IL. é uma possibilidade para substituir constituir. sobretudo em contexto formal ou semi-formal. como é o caso desta expressão. [existir] T7: Porém depois de um tempo de uma e outra o vazio se faz muito grande. sendo que na categoria em análise é a segunda subcategoria em que ocorre maior número de desvios. [tem de ] [inserção de pronome reflexo] T7: Será que mais alguém vai ser capaz de despertar em mim essa louca paixão que conhecí com ele? [senti] T7: Tragei devagar procurando em minha mente as palavras adequadas [engoli] T7: Todavía. em algum momento. mais uma vez. este item demonstra. prende-se com a selecção do item elegimos. . Para além do desvio de flexão verbal. [inserção de pronome reflexo + aumentado] T4: Mais do 50 % do perssoal médico nesta zona está conformado por mulheres. os desvios em verbos representam 5. 3. no nosso corpus duas ocorrências desviantes com o verbo fazer. porque as oportunidades nem sempre vão estar. Em relação aos restantes desvios. A aprendente usa uma estratégia de aproximação (como proximidade e inclinação) ou de generalização (como nível). no uso do espanhol. [facilitaria ou seria] 10 Dos onze desvios identificados. mais usualmente. um corresponde a um eufemismo (faria muito mais fácil) e outro em que a aluna utiliza o verbo fazer 14 Os desvios devidos a transfer L1 identificados nesta secção também dependem de relações paradigmáticas.elogio. o facto de não utilizar o item lexical mais adequado não quer dizer que ele não esteja disponível no repertório da aluna. temos de fazer uma elecção. Verificamos. o verbo escolher.52% do total de desvios nas várias categorias. 2005:292). subterfúgios linguísticos. Por último. a construção passiva está conformado corresponde à utilização de uma relação paradigmática existente no espanhol que é transferida para a IL.3. conformar. Vejamos os desvios verificados no corpus em relação à selecção de verbos: T4: … a presença das mulheres nas funções médicas e administrativas dos hospitais da área metropolitan a tem se acrescentado notoriamente. Para não ser mal interpretado pelo(s) interlocutore(s). No entanto.1.

mas. 2005:288) . em T5. pois não lhes podemos atribuir um significado referencial. Esta mesma explicação pode ser apontada para os desvios com dever. consideramos que o desvio foi produzido devido à indisponibilidade do item engolir no léxico mental da aluna. Destas cinco. a partir da análise do nosso corpus. ou não selecção. associando-se para isso a outras sequências. he allocates most of his conscious attention to meaning and focuses more on content words. Com a utilização de tragar. não só precisam de mais apoios ao nível da representação do n osso léxico mental. de preposições: Tabela 4 [ø] Onde usou Devia ter usado [ø] a de em para por com outra locução Total 6 1 5 1 1 1 1 1 1 3 0 6 6 2 1 1 4 3 0 1 1 3 1 1 1 6 3 8 1 0 3 3 1 1 26 11 a de em para por com outra locução Total Verificamos que cinco ocorrências correspondem à opção da aluna em não utilizar nenhuma preposição. podendo chegar a desempenhar. correspondendo a trinta e um desvios. por outro lado. Podemos considerar que nestes casos. enquanto que outras categorias. as palavras funcionais.4. independente da L1 do aprendente.57%. which leads to more errors with function words. Desvios na selecção de preposições Esta subcategoria é aquela que contempla a maior percentagem de desvios de todas as subcategorias: 15. que dá conta das opções da aluna em relação à selecção. depreendemos que alguns desvios são produzidos por transfer da L1 da aluna. 2003:16) 16 Muitos nomes e adjectivos parecem ter mais autonomia no nosso léxico mental. manipulação do Estado e [ø] o povo. Verificamos que. ou de classe fechada. a aquisição das preposições sempre constituirá um conteúdo difícil de adquirir. (Murphy. ao não termos encontrado nenhum verbo em espanhol que substitua aquele neste contexto. Todavia. (Leiria. possivelmente por indisponibilidade deste item no seu léxico mental ou porque não o considerava adequado ao contexto. Vejamos. Tal como é defendido por Murphy (2003)15 e Leiria (2005)16. 3. contudo. em variedades linguísticas bastante elaboradas. pela sua menor carga semântica.1. o desvio resulta da impossibilidade semântica da utilização deste verbo com o advérbio devagar. a tabela 4.em vez de tornar-se. com graças à força do seu conteúdo referencial. também estão mais disponíveis para a polissemia e para usos menos prototípicos. Esta propriedade também existe no espanhol. funções meramente sintácticas. são mais difíceis de adquirir. whose short length requires less effort to encode and articulate . em que o uso da preposição no início do SP é 15 When a learner has low L2 proficiency.4. em T7. quatro aparecem na construção [SN+(SP+SP)] em que a preposição do segundo SP é omitida: Os alcances da ciência e [ø] a tecnologia. conhecer e estar. primeiramente.

com o objectivo de verificarmos (i) o tipo de desvio mais frequente. Ocorrem dois desvios deste tipo. é introduzido pela preposição a caso o núcleo seja pessoa. e aquelas que considerámos ser transfer da L1 ou outra. a aluna transferiu o padrão do espanhol em que admite opcionalidade de colocação de preposição no segundo e subsequentes sintagmas concatenados ao primeiro SP. como também se verifica durante o processo de aquisição da L1 por parte de crianças. Em relação aos outros desvios.. Concluímos. No ponto 2. será incorporado na IL ou. mesmo que mal sucedido. O outro desvio diz respeito à selecção correcta da preposição mas a aluna fez contracção com artigo devido à selecção inadequada de artigo nos contextos em que um falante nativo o não teria colocado. De facto. então. defendendo que o transfer é uma estratégia do aprendente que. colectivo formado por pessoas e/ou entes personificados ou animados: Kofi Anan comprometeu-se […] a apoiar […] a Timor-Leste. quando bem sucedido. sendo que a preposição a é aquela que coloca mais problemas para a aprendente. cinco dos desvios observados ocorrem com a construção do Complemento Directo. pretendíamos com este trabalho fazer um estudo longitudinal dos desvios produzidos por uma aluna da Oficina de Produção Escrita em português. tal como referimos anteriormente. 4. portanto. Um dos desvios refere-se à selecção correcta da preposição mas a aluna não fez contracção com artigo por omissão deste: sou licenciada em Letras da Universidade da República em Uruguai. Dois tipos de desvios não foram contabilizados na tabela 5. pode haver reincidência do desvio na IL. (ii) o modo como se comportavam os desvios ao longo do ano e (iii) os desvios que eram produzidos por influência da L1 da aluna. Conclusões Tal como referimos na Introdução. O outro desvio com a mesma preposição verifica-se quando ela foi inserida na construção do verbo ir seguido de infinitivo. que treze das trinta e uma ocorrências desviantes em preposições são produzidas por transfer da L1. Ambos os desvios ocorrem antes de percentagens: Mais do 50 % do perssoal médico nesta zona está conformado por mulheres.obrigatório em português. também eles produzidos por transfer da L1. elaborámos. vão apaixonar a você. correspondente à construção espanhola ir+a+infinitivo. um estudo longitudinal de caso. Outro dos casos em que é possível verificar a existência de transfer diz respeito à inserção da preposição a onde um falante nativo não teria usado nenhuma. elaborámos uma breve síntese da questão do transfer nas teorias de aquisição de uma L2. a aquisição deste conteúdo numa L2 ser um tópico bastante complexo. mas apenas no ANEXO 1. em espanhol. No ponto 3. A tabela 5 sintetiza o número de ocorrências desviantes analisadas em 3. Também neste caso podemos concluir que há transfer da L1 da aluna visto que em espanhol as percentagens são precedidas de artigo. analisando as subcategorias de desvios em que há um maior número de ocorrências desviantes. o staff médico femenino apenas chegava ao 20%. muito provavelmente devem-se ao facto de. 12 . que..

com a abordagem cognitiva do léxico – que pode fornecer instrumentos em relação à aquisição de determinados items. Quase todos os transfer devem-se à interferência da L1 da aluna que. acentuação. sendo que em muito contribuem os desvios ocorridos nas categorias de ortografia. o facto de os falantes de espanhol apresentarem um maior número de empréstimos não significa que o seu repertório seja mais pobre. 2005:365). estes tornam-se mais difíceis de analisar segundo a perspectiva de transfer. A proximidade entre as duas línguas é que favorece a passagem para a IL de formas da L1. muito provavelmente a aprendizagem beneficiaria se também fosse dada mais atenção ao léxico. Se assim é em relação à Morfologia e à Sintaxe. 13 . que 63% dos desvios analisados são produzidos devido a transfer. podem ser explicados (i) pelo recurso a conhecimento implícito fortemente automatizado para a produção de formas semelhantes na L1 (caso da ortografia e da acentuação) ou (ii) por recurso a formas iguais ou aproximadas na L1 (caso dos empréstimos e neologismos a partir de empréstimos). ainda que na subcategoria das preposições existam quase 50% de ocorrências explicadas pelo recurso à L1. Defendemos. Além disso.Tabela 5 Tipo de desvio N.º de ocorrências desviantes Desvios por transfer Ortografia 23 18 Acentuação 28 14 Empréstimo 26 26 Neologismo a partir de empréstimo 10 10 Selecção de nome 9 2 Selecção de verbo 11 4 Selecção de preposição 31 13 Total 138 87 Verificamos. portanto. então. tal como Leiria (2005).pode constituir. Todavia. que o facto de a instrução basicamente se centrar neste tipo de conteúdo explicará este resultado. Quanto aos desvios na selecção de léxico. empréstimo e neologismo a partir de empréstimos . é visível que os desvios ao nível da morfossintaxe são em muito menor número do que nas outras categorias. tal como é sustentado por Leiria (2005:358). A combinação da abordagem lexical – que pode apoiar o ensino na selecção de vocabulário e combinatórias mais frequentes na língua-alvo. muito provavelmente também aí iríamos encontrar desvios provocados por transfer da LM. Em relação às categorias e subcategorias não analisadas. um enquadramento adequado e coerente para o ensino (Leiria. pela sua proximidade com a língua-alvo.

3:1. 14 . Lu. “Promoting Learner Awareness of Language Tranfser Errors in ICALL”. Pp. N. 3. Monografia. Guangxi. “Second language transfer during third language acquisition”. Almedina. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Carmen (2007. Montevideu Liu. Santos. Fábio (2007). “A influência da L1 no processo de aquisição da L2 . Shaozhong (2001/3). Miletic. “The Role of the Native Language in Second Language Acquisition”. Col. Busse. Radovan (2004). Castanheira. Lisboa. Ensino-aprendizagem de L2: Desafios na Aquisição da Língua Espanhola por Estudantes Brasileiros.análise de erros ". Rio de Janeiro Leiria. Lisboa. Léxico. (Vols 2). Vol. Gramática y Ortografía básicas del Español. Lisboa. Fundação Calouste Gulbenkian & Fundação para a Ciência e Tecnologia. São Paulo. Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Murphy. In Proceedings of the 6th International Symposium on Applied Linguistics and Language Teaching. Beijing-Shangai. “Studies on Transfer in Second Language Acquisition”. “A transferência.2. a interferência e a interlíngua no ensino de línguas próximas”. In Proceedings of the 2. Lisboa. Winfried (1994).Colombia University. Santillana. Xiaofei (2004).um estudo sobre a transferência de parâmetros morfológicos e sintácticos”. Lepre. Editorial Verbo.467-481. "Hipótese sobre transfer . Dicionário sintáctico de verbos portugueses.16-20. Guo. I n Journal of Guangxi Normal University (Special Issue on Foreign Languages and Literatures Research and Teaching).Pp. Dicionário de Língua Portuguesa Contemporânea. Maria Luisa (2002). Instituto António Houaiss (2002). Centro Virtual Camões. Congreso Brasileño de Hispanistas. Ning (2005). Shirin (2003).º 9.Bibliografia Academia das Ciências de Lisboa. aquisição e ensino do Português Europeu língua não materna. Ana Sofia (2009).). Editora Objetiva. Ortiz Alvarez. 2ªed. In Working Papers in TESOL & Applied Linguistics. 521-530. Pp. Textos Universitários de Ciências Sociais e Humanas. In Idiomático. Isabel (2005). In Sino-US English Teaching. In Actas XXIV Encontro Nacional da Associação Portuguesa de Linguística. Curitiba.

Maria Cristina (2005) “ A aquisição de uma Língua Segunda: muitas questões e algumas respostas”. Dissertação de Mestrado. Editorial Verbo. 10. Xia. & Amor. Emília (2006). Brasília. Aldina. In Revista Saber (e) Educar. Valdeberto Pereira (2007). Vaza. "Interlanguage in Light of Principles and Theories of SLA”.Zhao (2004).Sousa. Dicionário Verbo de Língua Portuguesa. Universidade de Brasília. In RVTU ELT Express. Lisboa 15 . Estratégias de compreensão no processo de aquisição de uma língua próxima. Vieira da Silva.

16 ANEXOS .

ANEXO 1 Texto Sigla Género Textual Tipologia dominante (utilizada pela informante) Texto 1 Texto 2 Texto 3 Texto 4 Texto 5 Texto 6 Texto 7 Texto 8 Texto 9 Texto 10 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9 T10 Notícia Notícia Carta motivação Resumo Sinopse Resumo Crónica Artigo de opinião Artigo de opinião Editorial Narrativa Narrativa/explicativa Descritiva Descritiva Descritiva/argumentativa Narrativa Narrativa Argumentativa Argumentativa Argumentativa 17 .

5226131 4.5025126 3.0100503 2.0050251 2. morfossintácticos e outros organização sintáctica ordem das palavras colocação do pronome pessoal determinação dos nomes (det.5025126 31.0050251 0.+art.0150754 1.5125628 0.ANEXO 2 Léxico Deficitário T5 T6 4 4 1 7 T1 Desvios Formais ortografia acentuação contracção fronteira de palavra formas aproximadas flexão de nomes e adjectivos flexão verbal atribuição de género concordância em género subtotal T2 3 0 2 T3 1 4 1 1 T4 5 0 T7 7 6 1 1 T8 2 4 T9 0 2 T10 0 0 Total 23 28 2 4 5 1 7 % 11.577889 1.557789 14.0150754 0.56 100 Total 3 10 13 23 20 16 49 18 31 17 25 199 .5025126 0 3.5025126 2.16 Desvios sintácticos.5075377 0 1.5125628 21.5025126 2.) concordância verbal concordância nominal em género concordância nominal em número flexão causal tempo verbal modo verbal aspecto verbal infinitivo outros subtotal 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 1 2 1 1 1 3 1 1 1 1 6 3 0 2 1 1 4 6 1 0.065327 5.0050251 0.0251256 0.0201005 5.070352 1.18 0 1 1 1 1 6 2 2 18 70 Vocabulário Indisponível empréstimos neologismos a partir de empréstimos neologismos formais desvios em combinatórias subtotal 1 2 1 1 1 1 1 6 4 1 1 1 1 14 3 1 1 26 10 1 5 42 13.5276382 15.5025126 0.0100503 3.11 1 Desvios na Selecção do léxico nomes adjectivos verbos preposições outras categorias recategorização subtotal 1 1 2 3 2 0 3 3 4 2 1 3 2 1 0 0 1 1 5 4 1 2 2 0 2 1 1 6 2 0 6 9 8 11 31 2 1 62 4.5025126 0 0 12.5175879 0 0 35.