Faminas-BH Maria Aparecida Leite Mendes Cota

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS: caminhos para a construção do conhecimento

Escher - Relativity Lithograph - 1953

BELO HORIZONTE 2010

Maria Aparecida Leite Mendes Cota

LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS: caminhos para a construção do conhecimento

Material complementar apresentado pela professora Maria Aparecida Leite Mendes Cota aos alunos de sétimo período de Administração e Ciências Contábeis da Faminas-BH, para a disciplina de Estágio Supervisionado I - Produção de textos - do primeiro semestre de 2010.

Belo Horizonte 2010

APRESENTAÇÃO

Ao iniciar um curso de educação Superior, somos levados desde as primeiras reflexões a pensar na construção do conhecimento. Afinal, este é o nosso objetivo maior: buscar um novo olhar sobre a realidade em que vivemos para melhor entender sua complexidade e, sobretudo, re-significála, daí a escolha da xilogravura de Escher para ilustrar a nossa capa, afinal o nosso ponto de vista depende do lugar em que nos situamos. Segundo Boff (1997, 9), “a cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha.” Dada essa necessidade, desde os períodos iniciais começamos a refletir sobre a realidade social, sobre os sujeitos que a constituem e a pesquisar um determinado tema ou problematizarmos a realidade concreta das experiências humanas. E é aí que começam os nossos problemas, pois nos defrontamos com um emaranhado complexo de aspectos políticos, religiosos, sociológicos, psicológicos, culturais, históricos... que nos exigem maturidade, capacidade de leitura, compreensão e reflexão, além de atividades acadêmicas que requerem habilidades para observar, pensar, ler e escrever textos . Textos que revelam pensamentos nossos e de outrem. Ou seja, nosso ponto de partida é sempre o texto. Propomos-nos aqui a nos apropriar dessa noção para sugerir alguns procedimentos úteis à produção do discurso considerado acadêmico-científico. Vamos tratar de algumas dessas regras, técnicas e definições que moldam a construção desse discurso. Para tanto, acrescentamos neste material uma coletânea de textos para orientar alunos dos cursos de graduação, iniciantes nessa árdua, mas gratificante, tarefa que é a pesquisa. Nosso objetivo principal é formar pesquisadores, não sentido da sofisticação de uma atividade especial que cabe aos mestres e doutores, mas no sentido postulado por Demo (2004, p.35) “de saber pensar, aprender a aprender.” O que significa, segundo o autor, formar um sujeito “sempre alerta, bem informado, crítico e criativo, capaz de avaliar sua condição sócio-econômica, dimensionar sua participação histórica, visualizar seu horizonte de atuação, reconstruir suas práticas, participar decisivamente na construção da sociedade e da economia.” (DEMO, 2004, p.34) Por isso, nossa proposta é abordar questões relativas à leitura e à produção do texto científico. Não temos a pretensão de esgotar o assunto nem mesmo de fornecer receitas mágicas, mas, sobretudo, de ajudar o nosso aluno a aprender a aprender. Iniciamos nossa reflexão com um texto tratando dos dados, informação e conhecimento; apresentamos as fontes de pesquisa, destacamos a polifonia no discurso científico, ressaltando o papel das citações; inserimos informações sobre algumas ferramentas de estudo - fichamento, resumo e resenha- deixamos orientações para a produção do referencial teórico, seguidas de dicas para a redação do texto científico e de algumas de suas características. Para finalizar, deixamos um instrumento de auto-avaliação dos textos produzidos. Optamos por colocar as referências ao final de cada seção para

com. Por isso. Cristiane Silva França e Carlos José Giudice dos Santos. ainda vai passar por muitas revisões e ajustes. sobretudo. contamos com a colaboração. a nossa prática pedagógica. Bom trabalho!!!!!!!! Maria Aparecida Leite Mendes Cota cidacota@uol.br .4 facilitar a consulta às obras pesquisadas para a construção deste material.construída com a constante colaboração e parceria dos colegas. críticas e sugestões de nossos alunos e demais colegas para que possamos aprimorar cada vez mais este material e. Acreditamos que esta versão . Isso significa que essas obras devem ser sempre consultadas.

” José Saramago .5 “Todo mundo está dando respostas. o que demora é o tempo das perguntas.

.8 1..3 Diretrizes para leitura.1 Fichamento 4...............5....19 3..3.....1 Dicas para auto-avaliação de produção de textos .....4 Links: os elos entre as citações e o parágrafos 3......44 45 47 5..2 Obras de referência 2.......5 O parágrafo e as citações 6 O SUJEITO E A REDAÇÃO DO TEXTO CIENTÍFICO 48 49 50 53 53 55 6..............1 Conceito 3................1 Fontes de pesquisa 2.......3 Qualidades do parágrafo 5.........3...5.1 Planejamento do referencial teórico 5.................4 a coesão e a coerência do parágrafo 5.2 Desenvolvendo o parágrafo 5......3 O parágrafo na construção do texto 5.......... paráfrases e plágio 3.1.1 Tipos de citação 3....2 A redação do referencial teórico 5.5 A internet como fonte de consulta 8 11 11 13 13 14 14 2...1..34 4...1...3 Esquema de leitura 3.3 Citações........1.... análise e interpretação de textos 16 3 AS VOZES NO DISCURSO CIENTÍFICO ....................2 Resumo 4..........1....5 Roteiro para leitura de artigo científico 3.3 Resenha 4.. INFORMAÇÃO E SOCIEDADE ......4 A produção escrita 21 23 26 28 30 30 30 30 31 4 O PESQUISADOR E AS FERRAMENTAS ESSENCIAIS NA PRODUÇÃO DO TEXTO CIENTÍFICO .6 SUMÁRIO 1 SUJEITO....................3.. Informação e conhecimento 2..............3.1 Dados...................3.4 Monografias.1Tipos de Resenha 35 36 40 40 5 O SUJEITO E A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA .. dissertações e teses 2....5......... relatórios....3...2 Estrutura 3.1 O parágrafo dissertativo 5.1 Os 10 mandamentos da leitura 2.......2 A citação como argumento de autoridade 3..5...3 A leitura de periódicos científicos 2................

7 .

8 1 SUJEITO.aspx?tabid=53>. Esse novo modelo estabelece uma prática de desenvolvimento social e econômico em que a informação. atingirmos o “tempo das perguntas”.pt/Default. 1 FUNDAÇÃO PORTUGAL TELECOM. Auguste. INFORMAÇÃO E SOCIEDADE RODIN. pensando na nossa responsabilidade de produzir o conhecimento e de. lendo o texto produzido por Santos (2009). a informação. pois não está falando coisa com coisa. Informação e conhecimento Leia o texto a seguir explicitando a diferença entre dado. Essa situação é um bom exemplo do que são dados. “desempenha um papel fundamental na produção de riqueza e na contribuição para o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos.”1 Por isso. O mínimo que poderíamos pensar em uma situação dessa é que essa pessoa perdeu o juízo. 1. 2009. A sociedade contemporânea está inserida num processo de mudança em que as novas tecnologias têm criado um novo paradigma de sociedade baseado num bem precioso. . Acesso em: 20 set. O Pensador. por meio dele. Para tanto. Disponível em: <http://fundacao. sem nenhuma relação. A Sociedade da Informação.1 Dados. como meio de produção de conhecimento. 1880. que está louca. de maneira desconexa. informação e conhecimento: Imagine uma pessoa que chega a sua frente e começa a falar números ou palavras. é importante iniciarmos a nossa conversa. vamos tratar de alguns conceitos relacionados à construção do conhecimento.telecom.

um filme. Dados são fatos.9 A partir da situação descrita anteriormente. uma aula. Essa análise requer que os dados sejam contextualizados e categorizados.. Roszak (apud WURMAN. 2003. Conhecimento depende de quem recebe a informação. São facilmente estruturados e transferíveis.” ou “ato ou efeito de informar”. Requer análise de dados e mediação humana. De acordo com Davenport e Prusak (1988). O motivo para essa desconfiança (que se tornará uma certeza a partir de agora) é o fato de ser praticamente impossível se transmitir conhecimento. As principais características da informação.). ou ainda. por melhor que seja um professor. e de que apenas os seres humanos são capazes de transformar dados em informação. com o objetivo de responder a perguntas. ALLISSON apud WURMAN. PRUSAK. São simples observações sobre o estado de alguma coisa. podemos construir diversos conceitos para informação: A informação é criada a partir de dados analisados. derivada do verbo informare. Como podemos notar. Depende de um contexto. Um ponto que muitos autores concordam é o fato de a informação ser proveniente de dados. o que é possível de se passar é a informação. É um conjunto de dados analisados e contextualizados. são definições ambíguas. que significa “a ação de formar matéria. tal como pedra. p. madeira etc. 36) nos esclarece: . 2003). Informação Se olharmos a definição da palavra “informação” em um dicionário.. as principais características dos dados são: São estáticos. informação é o sentido que os seres humanos atribuem a eles (DAVIS. Imagine a seguinte situação: você acabou de conhecer o melhor professor do mundo (. Se essa pessoa prometesse a você o aprendizado de um determinado conteúdo (o que é perfeitamente possível) por meio da transmissão de conhecimento. um documentário. de acordo com Davenport e Prusak (1988): É estática. o que nos mostra que está faltando alguma coisa para melhorar esse conceito: um contexto. Assim. uma entrevista etc. São geralmente quantificáveis. a partir do conceito de dados. É difícil de ser estruturada. Conhecimento é um conjunto de informações sistematizadas aprendidas por alguém. mas é facilmente transmissível e obtida por meio de máquinas. “conjunto de conhecimento sobre alguém ou alguma coisa”. você já pode começar a desconfiar que esse personagem pertença realmente à ficção. podemos construir um conceito inicial: dados são fatos isolados e sem significado. É um dado dotado de significado e propósito (DAVENPORT. veremos que essa tem sua origem no latim informatione. Podem ser obtidos facilmente por meio do uso de máquinas. 1998).

Mas não pode fazer produção em massa de conhecimento.10 Informação não é conhecimento. Dados. precisamos atentar para os procedimentos que devemos adotar na leitura de livros. Afinal. Tendo em vista as diferenças traçadas. Carlos José Santos. É muito difícil de ser obtido por máquinas.1.oficina da pesquisa. É dinâmico. regras e analogias. Informação e conhecimento. revistas e trabalhos acadêmicos para aprender a manejar e a produzir conhecimentos. que é criado por mentes individuais.br>. partindo de experiências individuais. Está ligado a padrões de reconhecimento. o nosso maior desafio é transformar conhecimento em competência. informação e conhecimento. podemos constatar que estamos cercados de dados e informações prontos para serem processados e transformados em conhecimento.com. Informação Conhecimento Dado FIGURA 1 – Dado. Você pode produzir dados primários em massa e incríveis quantidades de fatos e números. É difícil de ser estruturado. Acesso em: 12 ago. separando o significativo do irrelevante. realizando julgamentos de valor. partindo do princípio de que a informação se constitui como a principal ferramenta para a produção do conhecimento. É intuitivo e refere-se a experiências e valores do usuário. .2009. Fonte: elaborado pela autora Por isso. GIUDICE. num processo contínuo de desenvolvimento que pode ser visualizado na FIG. É frequentemente tácito e de difícil transferência. Esse é o maior desafio na produção do TCC. As principais características do conhecimento são. Disponível em: <www. de acordo com Davenport e Prusak (1988).

é importante conhecer as mais diversas fontes de pesquisa. não sabemos bem como proceder para iniciar uma leitura produtiva. economista. prefácio e sumário) e pós-textuais (referências. é importante seguir sempre os dez mandamentos.. sentimos necessidade de divulgá-los em livros revistas artigos. internet etc. orelha. Como vemos. teses. índice e glossário) que o constituem. editora. de posse deles. Mas.1 Os 10 mandamentos da leitura Mandamento 1 – Analisar o estatuto do autor Ação: Identificar o seu nome e observar. Para tanto. instituição a que está vinculado. apresentação. qualificação (títulos e . cargo que ocupa (é pesquisador. Giuseppe Arcimboldo 2..1 Fontes de pesquisa O conhecimento científico caracteriza-se pela busca das possíveis causas de um acontecimento. somos feitos essencialmente de livros. autoria. Por isso é importante ficarmos atentos aos elementos pré-textuais (capa. administrador. professor. obras já publicadas. À medida que produzimos novos conhecimentos. contador. folha de rosto.1. às vezes. título. contracapa.). Por isso. 2. na pintura que abre essa seção.11 2 O SUJEITO E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO O Bibliotecário.

Mandamento 4 – Reconhecer a editora Ação: verificar se a editora é reconhecida. . especializada na área de conhecimento. A análise minuciosa contribui para o reconhecimento da obra como um todo e para a seleção dos capítulos a serem estudados. Mandamento 3 – Investigar o número e data de publicação/edição Ação: observar se a edição é recente. principalmente se a obra não passou por revisão e atualização. comentários sobre a obra. Mandamento 6 – Orelhas Ação: Analisar os dados biográficos e bibliográficos do autor. se foi revista. Mandamento 8 – Estudar a introdução/apresentação Ação: conhecer detalhes sobre a obra como o objetivo do autor. É importante observar também a data da primeira edição. o tipo de leitor a que se destina. Sua leitura é importante para a contextualização da obra. Essa parte geralmente contém um resumo ou apresentação da obra e do autor. importância da obra e breve resumo dos capítulos. Mandamento 5 – Ler a contracapa Ação: Analisar o texto apresentado para reconhecer o conteúdo do documento. se possui número grande de publicações e se seu interesse com a publicação é meramente comercial ou oferece contribuição para o progresso da ciência. Mandamento 9 – Conhecer as referências Ação: descobrir a lista de obras que foram consultadas. Mandamento 7 – Examinar o sumário Ação: observar o conteúdo do documento e verificar como o texto foi organizado e subdividido em partes.12 premiação). sua análise contribui para o conhecimento do ponto de vista teórico adotado pelo autor. ampliada e atualizada. Mandamento 2 – Identificar o título e o subtítulo da obra Ação: observar sua abrangência e relevância e a relação que possuem com o tema da pesquisa. se é premiada. Esses dados ajudam a verificar o conhecimento do autor sobre o tema e sua credibilidade na área de conhecimento em que atua. além de oferecer outras fontes de pesquisa que podem ser consultadas.

por isso são escritas em linguagem mais simples.3 A leitura de periódicos científicos Periódico é um fascículo. 2009. 2. Podem ser diários (jornais).>. Nesse último grupo. Acesso em: 22 jul. O que não implica que o leitor deve descartar as obras didáticas. mas utilizá-las como aliadas na compreensão inicial do tema pesquisado Além de livros. indicam as teorias que são utilizadas na pesquisa. destacam-se obras de divulgação classificadas em obras científicas ou técnicas e em obras de vulgarização. Passa pelo reconhecimento e aprovação dos pares.1. Segundo o autor. bimensais. encaixam-se os livros didáticos escritos com o objetivo de transmitir o conhecimento científico de forma mais simples e clara.3 Já o periódico científico possui especificidades como: Contem conselho editorial formado por especialistas da área de conhecimento. Acesso em: 22 jul. Ao identificar as fontes de pesquisa Gil (2009) esclarece que. número ou parte. a obras de referência que utilizamos na definição de termos ou formulação de conceitos. tratando de assuntos diversos. 2. mensais. quadrimestrais. semanais.br/proplan/glossario/p. manuais. livre de jargões. etc). entre os livros de leitura corrente. As primeiras são destinadas à divulgação do conhecimento ao público especializado. em conjunto ou sucessivamente. com a colaboração de diversas pessoas. Nome da instituição responsável pela publicação. por tempo indeterminado. .pt/portal/sdoc?p_id=96901>. podemos recorrer também. Contribui para conhecimento mais aprofundado do tema pesquisado. quinzenais. para ampliar o nosso acervo cultural. o objetivo do capítulo e sua relação com a obra como um todo. as citações: transcrições ou informações retiradas das publicações consultadas para a realização do trabalho.2 Obras de referência é um documento por meio do qual se pode obter rapidamente uma informação concisa: enciclopédias. 2009. guias. dicionários e bibliografias2. 2 3 Definição disponível em: <http://www. trimestrais. volume. Data.1.ufmg. Definição disponível em: <http://www. segundo um plano definido.ipleiria.13 Mandamento 10 – Avaliar o conteúdo da obra Ações: observar: a hierarquia do capítulo lido em relação ao demais. já e as segundas são destinadas a um público não especializado. anuais e bianuais (anais. número do fascículo e número de páginas. mana pesquisa científica deve-se dar preferência a obras científicas. semestrais (revistas). editado a intervalos pré-fixados. Maior nível de especialização.htm. sob a direção de uma ou de várias.

5 A internet como fonte de consulta A rede mundial de computadores tornou-se uma das principais ferramentas de coleta de dados. Disponível em: <http://www. conforme advertem Melo et al (2008. Acesso em: 20 set. relatórios. Caio Gabriel.>. Ela facilita o acesso a todo tipo de informação..4 Monografias.capes.14 São compostos por artigos independentes escritos por profissionais qualificados. et al. o o Apresenta palavras-chave (termos que representam o assunto do artigo) Resumo contém apresentação concisa e seletiva do assunto tratado no artigo.. http://www. investigações. alguns sites nos oferecem uma informação distorcida sobre determinados assuntos. p. consulte o artigo indicado em nota de rodapé. habilidade muito importante para discernir a veracidade das informações on-line. Para saber mais sobre pesquisa na internet. Para facilitar. 2.pdf. da noticia do dia à tese de doutorado.1. Isso possibilita o acesso ao conhecimento de outros trabalhos já publicados na área. pois. informações imprecisas e mentiras.gov. observações. resultados e conclusões mais importantes. revisores.2009. que sempre tiveram seus métodos de proteção (editores. pois apresentam levantamento bibliográfico sobre o tema escolhido. apresentamos abaixo alguns sítios especializados.1. Como usar bem a internet na sua pesquisa.5).br MELO. um conteúdo tendencioso. reflexões e críticas desenvolvidas nos cursos de graduação e pós-graduação e fornecem importantes subsídios para a pesquisa. O usuário ao ser defrontado com sites desse tipo. ou seja.) contra erros. Diferentemente das fontes impressas. dissertações e teses Essas fontes constituem o produto de leituras.geniodalampada.periodicos. contribui para auxiliar na seleção de leituras que devem ser feitas durante a pesquisa.4 2.com/pesquisas/como_usar_bem_a_internet. apenas não deve tirar conclusões precipitadas. natureza do trabalho. ele precisa desenvolver um pensamento critico.5 Portanto. Mas é importante estar atento à qualidade dessas fontes. é necessário estarmos sempre atentos. não deve deixar de lê-los. 5 4 .

gov.org.terraforum.cra.br/cad-pes/index. p.eac.fipecafi.ufla.br (Encontro Nacional dos Profissionais da Administração) www.asp (Revista Contabilidade & Finanças) http://www.ufmg.ea. (Conselho Federal de Contabilidade) (Associação Nacional dos Profissionais da Para saber mais.ufrgs.abntnet.br (Revista Eletrônica da Administração) www.br/conteudo.capes.org.org. consulte: GIL. 6. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação.org.br (Informações gerais sobre a profissão e o profissional) www.5.usp.rae. ed.congressousp.com.google.read. São Paulo: Atlas.br www. 1996.br/ www.15 2.com.org. Antônio C. então.usp.br (Conselho Regional de Administração) www.br/periódicos/content/frame Administração) http://www.htm (Revista Contexto) http://www.com.br (Gerais) www. alguns procedimentos norteadores desse processo.1 Sítios especializados de consulta http://scholar.angrad. agora é hora de começar a ler e a estudar.br www.br/contabilidadevistaerevista/ (Revista de Contabilidade Vista & Revista) http://www.br (Revista de Administração Contemporânea) www.com.br (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) www.cfa. 39-52 Depois de conhecer as fontes de pesquisa. ANDRADE. . p. 2003.ead.br/rba/arquivos (Conselho Federal de Administração) www.br (Informações Gerais) www.br/eac/revista/index.ufrs.htm (Revista de Gestão da USP) www.com.universia. São Paulo: Atlas.com.asp (Revista UnB Contábil) http://www.1.administradores.fea.scielo. Vejamos.cfc.fea. Como elaborar projetos de pesquisa.com.br/revista (Caderno de Administração Rural) http://anpad.gov.br/necon/contexto.br (Revista de Administração de Empresas) www.org/index.rac. 64-81.face.aspx?codMenu=60.br www.dae.enanpad. Maria Margarida de.com.

tomada de contato com o texto. percebemos que essa leitura superficial deixa lacunas. O que o autor fala sobre o tema? Como responde à dificuldade do problema levantado? Que posição assume? Que idéia defende? O quer demonstrar? A resposta a essa questão revela a idéia central ou a tese? O autor lembra que a tese vem na introdução e se constitui como um juízo completo. esclarecer referências a outros autores. o autor recomenda: 1. buscar dados a respeito do autor do texto (vida. textos de história ou teses e dissertações.2. grifar. 2. uma oração. Consequentemente. 1ª abordagem: análise textual Primeira leitura do texto (leitura corrida). 4. enciclopédias. encontramos dificuldade de compreensão dos textos ou chegamos até a formular conceitos de forma errônea. assinalar pontos de dúvida. Às vezes. é necessário consulta a dicionários. 4. elaborar esquemas que possibilitem a visão global do texto 2ª abordagem: análise temática Para se proceder a essa análise o autor recomenda as seguintes perguntas: 1. anotar. apontadas por Severino (2002). como ocorre no tema. buscando visão panorâmica sobre o raciocínio do autor seu estilo e métodos por ele utilizados. apresentamos a seguir as cinco abordagens de leitura. levantamento de termos e conceitos importantes para a compreensão do texto ou de palavras desconhecidas. mal abrimos o livro e já começamos a ler. O autor ressalta que é importante captar a perspectiva de abordagem do autor. cujo sentido é pressuposto pelo autor. mas nem nos damos ao trabalho de reler o texto. Como o assunto está problematizado? Qual a dificuldade deve ser resolvida? Qual o problema a ser solucionado? 3. Como o autor demonstra sua tese? Qual foi seu raciocínio. Do que fala o texto? Tema ou assunto.3 Diretrizes para leitura. obra e pensamento). Para tal. a outras doutrinas. 5. pois esta define o âmbito dentro do qual o tema é tratado. 2. análise e interpretação de textos Somos leitores afoitos. Determinar a ideia central e as ideias secundárias. sua argumentação? . 3. Para evitar esses atropelos. uma proposição e nunca apenas uma expressão. Para isso.

Crítica: é o próximo passo da interpretação. portanto. até que ponto o raciocínio foi eficaz na demonstração da tese proposta. p. o autor defende que ler consiste no ato de: “compreender a proposta do livro ou do artigo. Quanto ao quesito originalidade é interessante observar: até que ponto o autor consegue uma colocação original. de uma tomada de posição. . até que ponto a conclusão a que chegou está realmente fundada numa argumentação sólida e coerente com as premissas. de modo lógico. tomar posição própria a respeito das idéias enunciadas. assim como no contexto da cultura de sua especialidade. estamos preparados para novas leituras e para a escrita de textos mais claros. do raciocínio e compreensão profunda do texto. originalidade. validade e contribuição que se dá à discussão do problema. Consiste no levantamento e debate de questões explícitas ou implícitas no texto e/ou debate de questões afins sugeridas por um grupo de leitores. pessoal superando a pura retomada de textos de outros autores. 81). ler nas entrelinhas. tratar das vozes que povoam o texto científico. com discussão e reflexão pessoal. se procede ao julgamento do texto quanto: coerência interna. ler é sinônimo de pesquisar. “é contra-ler é brigar com o autor. para aprender a pensar e a pesquisar é necessário. alcance. Qual a relevância e contribuição específica do texto para o estudo do tema abordado? • 4ª abordagem: problematização Discussão do texto.17 3ª abordagem: análise interpretativa Situar o texto no contexto da vida e da obra do autor. globalmente. seja sobretudo para ultrapassar” Portanto. certamente.” Por isso. de estudar e também. reler. ler. mas buscando sempre ultrapassar os limites da mera cópia de forma a assumir uma posição própria frente ao texto. é superar a estrita mensagem do texto. é dialogar com o texto. na próxima seção. Como podemos observar.: • Interpretação: síntese das idéias. objetivos e consistentes. Para se avaliar a coerência interna é necessário indagar: até que ponto o autor conseguiu atingir. segundo Demo (2004. em sua argumentação completa e reescrever o texto em palavras próprias. Acreditamos que depois de todo esse processo. tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico. até que ponto o tratamento é profundo. Nessa etapa. Por isso vamos. 5ª abordagem: síntese pessoal Consiste na elaboração de um novo texto com redação própria. própria. os objetivos a que se propôs alcançar. Consiste na formulação de juízo crítico. seja pra melhor compreender. Interpretar é. copiar.

2003. 22. São Paulo: Cortez.18 REFERÊNCIAS DAVENPORT. 2004. Richard Saul. ed. 5. 5. Laurence. ed. ed. ed. Thomas H. SEVERINO. Metodologia do trabalho científico. 2002. Pedro. São Paulo: Cultura. 1998. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. Ansiedade de informação: como transformar informação em compreensão. 6. DEMO. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. WURMAN. . PRUSAK. Rio de Janeiro: Campus. Antônio Joaquim..

senti firmeza! E aí Sandra de Sá! _"Bye bye tristeza. somos levados a escrever textos sobre aquilo que lemos.. Vamos ouvir uma música para observar como é feita essa reprodução de vozes no discurso: Festa da Música Tupiniquim . tais ideias são tão importantes que sentimos a vontade de repeti-las e copiá-las na íntegra. Alceu Valência (Xá comigo! Da licença! Abre essa porta. que se vale do provérbio e do senso comum para reforçar seu dito. Às vezes. Bakhtin (1979) traduz essa sensação ao afirmar que nossos discursos são entrecortados pelo discurso do outro. Djavan. depois de consultar tantas fontes. por sua vez.” Ao pronunciar essa frase.. isso significa que repetimos sempre o que o outro já disse.Gabriel O Pensador Parte inferior do formulário Há muito tempo tá rolando essa festa maneira Da música popular brasileira ninguém me convidou mas eu queria entrar Peguei o 175 e vim direto pra cá pra Festa da Música Tupiniquim Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar E muita gente ainda tá pra chegar Na portaria o segurança pediu o crachá do Gilberto Gil Ele apenas sorriu Acompanhado por Caetano. fazer anotações. Por isso. mas como escrever ideias originais depois de ter lido tanto? Como escrever sem nos referir aos autores que nos forneceram informações. nos remetemos sempre ao outro: “como dizia minha avó: pau que nasce torto não tem conserto. Isso significa afirmar que somos constituídos pelas ideias que lemos. Paulinho Moska pousou na minha sopa Cidade Negra apresentou um reggae nota cem Tá rolando um Skank também! E o Tim Maia até agora nem pintou Mas o Jorge Benjor trouxe a banda que chegou "Pra animar a festa" Festa da Música Tupiniquim Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar E muita gente ainda tá pra chegar . a observar a realidade. Pepeu. pois acreditamos que o autor já expressou tudo o que queríamos." Birinight á vontade a noite inteira Olha o Ed Motta assaltando a geladeira Olha quanta gata bonita e gostosa! Olha o Tiririca com uma negra cheirosa Ué! Cadê os críticos?! Ninguém convidou? "Barrados no Baile uouou" Não é festa do cabide mas o Ney tirou a roupa Bzzz..3 AS VOZES NO DISCURSO CIENTÍFICO Certamente. estamos reproduzindo a voz da avó. cabra da peste) E foi assim que eu penetrei com a galera do Nordeste Baby tá na área. a responder perguntas.. nos ajudaram a formar opinião. repete a voz de um grupo social.. que. Elba. Moraes.. e de forma clara e objetiva.

tá tocando um violão: "Festa estranha com gente esquisita. Moreira... Bezerra e Dicró. professor? _"É devagar.20 A festa tá correndo bem O lobão até agora não falou mal de ninguém O Barão e o Titãs tão tocando Raulzito A Rita Lee tá vindo ali.... que o Michael Jackson tava chegando pra roubar a cena E foi aí que a Marina ouviu uma buzina e todos foram pra janela na maior adrenalina Uma brasília amarela dobrava a esquina Adivinha quem era? . o João Gordo vomitou no meu pé Fui limpar e dei de cara com os Raimundos que me contaram que entraram pelos fundos Perguntei pelo banheiro e fiz papel de Mané os sacanas me mandaram pro banheiro de mulher As meninas tavam lá e foi só eu entrar que a Cássia Eller. à boca pequena.. eu não tô legal. Salve-se quem puder! Ih. eu não vi nada! A Ângela Rô Rô queria me dar porrada Mas os três malandros.. calma. Daúde..Diz aí Martinho! Comé que é. e o Buarque observam um pessoal dançando break no chão E no andar lá de cima um do donos da festa. não aguento mais birita" Festa da Música Tupiniquim Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar E muita gente ainda tá pra chegar Chopp na tulipa.. Satanás!) Há há! Lulu Santos acabou de chegar com a pimenta malagueta pro planeta balançar O Chico César.ãnh? Não acredito! Ela olhou pra mim e disse "baila comigo" Eu senti aquele frio no umbigo Mas é claro que adorei o convite e fui dançar ouvindo o som do Kid Abelha. tá em paz.. Tá na boa. Zeca Pagodinho Neguinho da Beija-Flor. vinho na taça (camisinha na boquinha da garrafa). é devagar.. Zizi Possi e a Gal comçaram a gritar (Ahhhhh!) Quanta saúde! Fernanda Abreu.) "Segura o tchan. Science. vocês tinham que ver! Chitãozinho & Xororó gritando Uh! Tererê! O pessoal da Jovem Guarda agitando sem parar Estavam em outra festa mas vieram pra cá Passei ali por perto e ouvi o Roberto Carlos comentar: "Ê hei! Que onda. amarra o tchan" (Xô.. Alcione. que festa de arromba!" Todo mundo no maior astral mas rolou um boato que preocupou o pessoal Diziam as más linguas. casa de bamba todo mundo bebe todo mundo samba Beth Carvalho. Daniela Mercury.. devagarinho" Festa da Música Tupiniquim Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar E muita gente ainda tá pra chegar Essa festa é uma loucura Olha lá o Carlinhos Brown com o pessoal do Sepultura vieram com os índios Xavantes E a polícia veio atrás tentando dar flagrante E-e-e-ê! O índio tem apito e eu não entendi porquê Começaram a apitar quando a polícia chegou mas a galera do Cachimbo da Paz nem escutou Porque o Olodum tava fazendo um batuque maneiro Até chegarem milhares de funkeiros Eram tantas duplas que eu até me confundi Chamei Leandro & Leonardo de MC! E o Zezé de Camargo & Lucianoficaram me zuando E o funk rolando! Aah. me ajudaram a escapar da pior Fui pro fundo de quintal. Marisa Monte. isso aqui tá bom demais. Paralamas e a Blitz (Isso aqui tá muito bom..

com. segundo as autoras. Mas será que existem outras formas de se referir aos discursos/textos de outrem? Como lidar com esse ímpeto de repetir essas ideias quando escrevemos? Como fazer isso no texto científico? A resposta para esse problema é simples: fazendo citações. Festa da Música Tupiniquim. sabemos distinguir a diferença entre as vozes. 825) amplia essa perspectiva ao afirmar que é por meio de citações de outros autores. Na concepção de França (2007. seguindo o seu ponto de vista. como lembra Perelman (2005. Isso significa que. mas ele não se limita a fazer uma bricolagem ou uma colcha de retalhos. quando o Gabriel o pensador. podemos concluir que fazer citações é revelar competências e habilidades de leitura e de escrita e. As citações curtas. “as citações bibliográficas podem ser diretas (textuais) ou indiretas (livres)”. Assim. Já as “citações longas (com mais de três linhas) devem . Segundo o dicionário Houaiss. na “transcrição literal de textos de outros autores”. 2010.131). sobretudo. citar vem do latim: significa “transcrever. no Manual para Normalização de publicações tecno-científicas. p. repete versos de Roberto Carlos. Como podemos observar. de até três linhas. capacidade de inter-agir. ele está citando o cantor e nós.br/gabrielpensador/30445/>. A citação direta consiste. são inseridas no texto entre aspas.terra. ressalta o autor. p. São introduzidas no texto com o propósito de esclarecer ou complementar as ideias do autor”. o compositor se apropria de versos. Sua estratégia foi recortar trechos e vozes distintas. considerados autoridade na área de estudo em questão. p. p. uma experiência. quando ouvimos. o texto será considerado mera ficção. se apropriando do conhecimento ali reproduzido. pois seu objetivo é mostrar a diversidade da música brasileira. pois. Acesso em: 04 mar. um saber”.1 Tipos de citação Como explicam França et al (2007. Caso contrário.Festa da Música Tupiniquim Que tá rolando aqui na rua Antônio Carlos Jobim Todo mundo tá presente e não tem hora pra acabar E muita gente ainda tá pra chegar GABRIEL O PENSADOR. “A citação representa um papel de fonte de verdade que testemunha um dizer. 131). é que se garante a credibilidade e a autenticidade do texto científico. 201). Charaudeau (1992. a citação é o ato de apoiar o que se diz ao peso de uma autoridade. Disponível em: <http://letras. referir ou mencionar como autoridade ou exemplo ou em apoio do que se afirma”. ou seja. 3. Por isso. dialogar com os textos lidos. reproduzindo ou transcrevendo trechos/ideias de forma a garantir a fidelidade das informações e a nos proteger do risco de plágio. ritmos e arranjos de outras músicas. A citação direta pode ser curta ou longa. assim como se fez na música. “citações são trechos transcritos ou informações retiradas das publicações consultadas para a realização do trabalho.

2007. assim. Como exemplo: Marinho (1980. citado por MARCONI. segundo as autoras. aprenda correndo a observar você mesmo. recuado (4 cm da margem esquerda) com tamanho de letra menor do que o utilizado no texto e com espaçamento 1 entre linhas. no caso da citação direta.18). sem. além do recuo de 4 cm. dispensando aspas. Ensinar a observar não é fácil. o que é assustador. na “transcrição literal de textos de outros autores”. Há tanta coisa que é escrita hoje simplesmente para defender os interesses do autor ou grupo que dissemina essa idéia. Nesse caso. sem recuso de parágrafo. por último. Observe os exemplos: Citação direta curta .) Citação direta longa .” E. Isso se caracteriza como plágio. Observe que. Se você quer ter uma visão independente.22 constituir um parágrafo independente. é que se garante a credibilidade e a autenticidade do texto científico. Alerta: o simples ato de retirada de aspas de um trecho transcrito ou copiado do original. p.mais de três linhas: Segundo Kanitz (2004. Por isso. transcrever as próprias palavras doa autor. ou pré-conceitos. “todo esforço deve ser empreendido para se consultar o documento original. pode-se reproduzir informação já citada por outros autores. que são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam e nos impedem de enxergar o verdadeiro mundo. não significa que a citação é indireta.até três linhas: A citação direta consiste. página em que se encontra o trecho citado. 1982). É importante observar que a citação constitui argumento que vem reforçar ou abonar a ideia de quem escreve. apud. mas uma interpretação: Charaudeau (1992. o uso de expressões como citado por. entretanto. LAKATOS.” É importante observarmos ainda que “toda citação deve vir acompanhada de fonte (nome do autor. 825) afirma que é por meio de citações de outros autores. é importante observarmos alguns detalhes que devem nortear essa prática: . Entretanto. advertem as autoras.” Recomenda-se. é necessário diminuir a fonte e utilizar espaço simples. nem sempre é possível o acesso a certos textos. “conforme” ou “segundo”. (trecho que aparece entre aspas no corpo do texto. Citação indireta: não há transcrição das ideias do autor lido. p.132). Primeiro você precisa eliminar os preconceitos. data) e. p.” (FRANÇA. As autoras esclarecem que a citação indireta “ocorre quando se reproduzem ideias e informações do documento. considerados autoridade na área de estudo em questão.

A prática da citação. ou seja. pois constitui o desenvolvimento da ideia principal ou argumento que discute e comprova a questão em estudo. Não é uma regra. Podemos recorrer aqui à peça publicitária de Gelol. A essa maneira diferente de dizer algo que já foi dito. de sua própria autoria. seguida do comentário explicativo ou parafrástico. tem que comentar! Podemos perceber. A citação do trecho do outro autor servirá de exemplo e de fundamentação para a sua própria afirmação anterior que surge como original. na prática do comentário. sobre o mesmo assunto. p. O autor ressalta ainda que o interessante da paráfrase é que ela pode revelar o próprio entendimento do texto lido. consiste. mas fazê-lo pode evidenciar falta de personalidade do autor do texto.Não iniciar texto e parágrafo com citação. tirando dela o máximo de conseqüências. quando o pai massageia a área lesada com Gelol. e faz uma citação de trecho de outro autor. contrariamente ao resumo mal feito. Não comentar uma citação pode deixar transparecer dificuldade de fazê-lo deixando esse trabalho para o leitor. sobre determinado assunto. a paráfrase acaba acrescentando algum sentido ao texto de origem (uma avaliação. conclui o autor. ou seja. uma tradução livre. o autor do texto faz uma afirmação original. Faça sempre uma introdução original. tem que participar”. 126). da explicação e interpretação de textos. na concepção de Emediato (2004. por isso nos apropriamos naturalmente de um slogan para traduzir o nosso raciocínio. em que o pai vai ao campo para assistir ao jogo do filho que. mas na interpretação. 2004. análise e comentário do que foi citado. . p. o ato de citar não se constitui apenas no recorte dos “melhores momentos” do autor pesquisado. digna de um grande herói.2 A citação como argumento de autoridade A citação deve ser documentada com precisão. que muitas vezes se limita a transcrever textos ipisis literis do original. O autor também explica que há duas possibilidades de uso de citação: Citação indutiva: serve de exemplo ou de justificativa de algo que foi dito anteriormente. mas tudo se resolve. Daí o slogan: “não basta ser pai. são apresentados desenvolvimento e conclusões sobre a mesma. Da citação. por meio de outras formas. numa jogada. basicamente. primeiro é apresentada uma citação e. ou seja.23 3. Fizemos pequenas alterações na estrutura das orações. Comentar um texto é parafraseá-lo. (EMEDIATO. Emediato (2004. Portanto. não basta citar. se machuca. no exemplo acima. Portanto.Sempre comentar a citação feita. para reforçar a sua argumentação. denominamos paráfrase. de outras frases. p. Citação dedutiva: o estudante introduz citação de trecho de algum autor. mostra o efetivo entendimento dos trechos citados e reforça o raciocínio parafrástico. 208) . em seguida. como nosso discurso está entrecortado por outros discursos. mas sem alterar o pensamento original. A paráfrase. 208) apresenta algumas dicas importantes sobre o assunto: . um julgamento. um questionamento). é enunciálo novamente em outras palavras. tiram-se conclusões e conseqüências que permitem a continuidade do texto.

que servirão como ponto de partida para discussão em sua pesquisa Exs. para o desenvolvimento sustentável.24 Assim. no QUADRO 1.: sugerir. alterar (ou adulterar) a ideia do autor citado. observar. concluir. indicando a necessidade de maior investigação sobre o tema Exs. revelam. é importante apontar. reportar.: documentar. demonstram. Coelho (2000) evidencia que seu modelo de desenvolvimento sustentável é eficiente.: estimar. usados para tirar conclusões ou fazer afirmações a partir de pesquisas anteriores. usados para citar hipóteses levantadas em pesquisas anteriores. propor. Exs. predizer.usa. avalia. . hipotetizar. Pré-experimento INCERTEZA Pós-experimento Os resultados sugerem que o modelo de Coelho (2000) precisa ser adaptado. sob qualquer pretexto. usados para assinalar que a afirmação citada funciona como argumento de apoio para sua pesquisa.: compara. chamar atenção para x. o que foi feito anteriormente. usados para citar limitações ou restringir ações apontadas por autores de pesquisas prévias. QUADRO 1 Verbos de citação VERBOS DE CITAÇÃO Relatam métodos ou procedimentos usados em pesquisas prévias.examina. alguns verbos utilizados para introduzir citações. de Argumento CERTEZA de Informação Carneiro (2001) se refere ao modelo proposto por Coelho (2000). estabelecem. mas sim estabelecer um constante diálogo. e por isso são interpretados por você para atender a suas necessidades de embasamento Exs. usando um modo de desenvolvimento sustentável. manter.: levantar a questão. de forma mais neutra. Sudeste e Centro Oeste. Procedimento ATIVIDADE EXPERIMENTAL Resultado Objetividade Efeito ATIVIDADE DISCURSIVA Qualificação Coelho (2000) estima que as três regiões do país mostrarão desempenho semelhante. sem indicar explicitamente qualquer intenção persuasiva Exs.completa. indicar. analisa. Os resultados demonstram que há variações entre as regiões investigadas. investiga. Diante de tais constatações. notar. . o que significa que não se pode. é importante lembrarmos que a qualidade principal de uma citação é a fidelidade.: encontrar.: apresentar suporte/fundamentação/fornecer evidência. Coelho (2000) investiga três regiões do país. usados para relatar. obter mostram que você foi convencido pelos resultados encontrados em estudo prévios Exs. não fornecem indicações explícitas da sua reação ou efeito que as afirmações do autor citado provocam Exs. referir. Coelho (2000) obteve resultados variados ao comparar as três regiões.Sul.: mostram. Exs. Coelho (2000) chama a atenção para as variações apresentadas pelas três regiões do país.

Ferreira. apresentando generalizações que podem posteriormente ser refinadas pela referência a outros estudos. p. as regras de produção de seus enunciados.25 ATIVIDADE COGNITIVA são verbos associados às atividades mentais experimentadas pelos autores da pesquisas prévias: Em ocorrem em sentenças iniciais. 1999. o autor ressalta que o “critério de cientificidade de um discurso não é a verdade da proposição que ele veicula.) Meu poema é um tumulto. Assim. Exs. Muitas vozes. o que distingue um enunciado/texto científico de um não científico são suas condições de produção.. Fonte: Adaptado de Mota-Roth. (estamos todos nós cheios de vozes que o mais das vezes mal cabem em nossa voz: (. Podemos afirmar que a citação se constitui como um dos principais elementos deste padrão e é responsável por emitir as mais diversas vozes que ecoam nos nossos textos e discursos. explica o autor. reconhecer. Vários estudos consideram o desenvolvimento sustentável como uma alternativa eficaz para solucionar a miséria mundial. 62-64. Para concluir. considerar. entender. Isso significa que existem padrões segundo os quais devemos produzir os enunciados científicos. GULLAR. Rio de Janeiro: J. como afirma o poeta: Muitas vozes Ferreira Gullar Meu poema é um tumulto: a fala que nele fala outras vozes arrasta em alarido. Olympio.: acreditar. ou seja. Ao analisar as peculiaridades da linguagem científica.. recorremos a Possenti (2004. Assim.238). ponderar. um alarido: basta apurar o ouvido. 2001. mas seu sistema de produção”. . p.

mortes imprevistas de pessoas eminentes uma crescente pecaminosidade geral. sua credibilidade fica comprometida diante do seu leitor. reproduzimos com nossas palavras. a paráfrase deve ser mais longa que o trecho original. Cohn. o pensamento do autor lido. segundo a tradição profética. I fanatici dell’ Apocalisse. temos que adotar um rigor maior. a prova mais contundente de que realmente estamos parafraseando é repetir o texto sem lê-lo. uma paráfrase igual à do número 3. Para melhor esclarecer a questão. mas também o prelúdio de um termo ansiado. então. nesse caso. a Segunda vinda e o Reino dos Santos. As pessoas estavam sempre alerta.3 Citações. Mas como ter certeza de que a citação feita em nosso trabalho é uma paráfrase e não um plágio? Eco (2005. Vejamos. abolimos as aspas e informamos o nome do autor. uma era votada à rapina e ao saque. O autor afirma que o estudante. mas ressalta que há casos em que o autor do original “diz coisas de grande conteúdo numa frase ou período curtíssimo”. Só assim saberemos que não copiamos. carestia. fica com a consciência tranqüila porque informou ao leitor o nome do autor. cujo reino seria de fato um caos sem lei. à tortura e ao massacre. p. mas muitas vezes o que se fez foi uma cópia do original. não basta dizer “como dizia fulano”. Na verdade.128 . Milano: Comunitá. cometas. de Norman Cohn6. anunciariam e acompanhariam o último “período da desordem”. atentas aos “sinais” que. 1965. Enfim. paráfrases e plágio Ao elaborar trabalhos acadêmicos. no número 3. 129) nos adverte para o perigo desse último tipo de citação. nunca houve dificuldade em detectá-las. os exemplos: 1 O texto original: A vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior. mas ENTENDEMOS o texto lido. ou “segundo Fulano”.3. No número 1. p. 6 NORMAN.130) nos lembra que é importante verificar se a citação é mais curta que o original. ao recorrer a esse recurso. apresenta um trecho do livro Os fanáticos do Apocalipse. O que pode acarretar para o estudante uma péssima impressão. reproduzimos trechos inteiros entre aspas. temos que fazer um resumo das ideias do autor estudado para revelar ao nosso leitor que nos apropriamos de um pensamento e com ele dialogamos. p. Às vezes. discórdia civil. Evidentemente. uma paráfrase razoável. uma falsa paráfrase (um plágio) e no número 4. Sucessivas gerações viveram numa constante expectativa do demônio destruidor. não uma paráfrase do texto original. em que o plágio é evitado pelo uso honesto de aspas. peste. Eco (2005. o pesquisador nos dá três exemplos. outras. e já que os “sinais” incluíam maus governantes. no número 2. guerra fome. uma vez que ele está cometendo um plágio.

já citado. saques rapinas. As gerações viviam na constante expectativa do demônio destruidor. mas também ao prelúdio à Segunda Vinda ou ao Reino dos Santos. o que obviamente. Para que você tenha segurança de que está se apropriando de forma correta do texto original. não faltavam às pessoas os “sinais” correspondentes aos sintomas que os textos proféticos haviam sempre anunciado como típicos da vinda do Anticristo. Para finalizar. recorda ainda que a vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior”.] cumpre não esquecer que a vinda do Anticristo deu lugar a uma tensão ainda maior. nunca houve dificuldades em detectálos. . É bom lembrar que a citação indireta é a mais recomendada. Norman (1965) é bastante explícito. nunca houve dificuldade em detectá-los. a seca. a guerra. além de mortes imprevistas de pessoas importantes (e uma crescente pecaminosidade geral). carestia e pestes. 3 Uma falsa paráfrase: Segundo Norman (1965). mortes imprevistas de pessoas eminentes e uma crescente pecaminosidade geral. já que esses “sinais” incluíam os maus governantes. uma vez que estes sinais incluíam “maus governantes. a volta do Cristo triunfante. segundo os profetas. a Parúsia. a discórdia civil. ao mesmo tempo. mas também o prelúdio de um termo ansiado. Debruça-se sobre a situação de tensão típica desse período. seca. os profetas acompanhariam e anunciariam o último “período de desordem”: e. discórdia civil. a fome. a Segunda Vinda e o reino dos santos”. As pessoas estavam sempre alerta e atentas aos sinais que. lembre-se dos verbos que revelam a ação do autor estudado: afirma. [. Numa época dominada por acontecimentos sombrios. numa citação direta longa. 4 Uma paráfrase quase textual que evita o plágio: O próprio Norman. melhor seria transcrever o trecho. As diversas gerações viviam em constante expectativa do demônio destruidor. acompanhariam e anunciariam o ultimo “período das desordens”. as pestes e os cometas. Ora.27 2 Uma paráfrase honesta: A esse respeito. fome carestia. segundo. analisa. guerra. pois revela a real compreensão do texto. em que a expectativa do Anticristo é. cometas.. a carestia. garante maior credibilidade ao seu produtor. “cujo reino seria de fato um caos sem lei. à tortura e ao massacre. a do reino do demônio inspirado na dor e na desordem. atentas aos sinais que. mas também prelúdio da chamada Segunda Vinda. uma era consagrada à rapina e ao saque. sublinha Norman. descreve. ao invés de se fazer uma citação como a de número 4. pestes. à tortura e ao massacre. As pessoas estavam alertas. o autor afirma que.. uma era consagrada à rapina e ao saque. cujo reino seria de fato um caos sem lei.

. discute-se em detalhes.. investiga. Machado esclarece que. Marconi (2000) enfatiza que... períodos.. criticar de forma a compor um debate e a travar um diálogo com os autores pesquisados de forma a sustentar a argumentação proposta. 3... classifica..28 destaca. quanto à distinção entre as vozes do produtor do texto e as do autor citado: • • Nessa (na mesma) linha de raciocínio. principalmente a parte de referencial teórico. Além da importância do levantamento de dados para se compreender o processo de investigação. As expressões abaixo poderão auxiliar na organização desse diálogo entre os autores.. ressalta. . Oliveira (2006) mostra/defende que.. conclui. pode-se considerar (ou pode-se afirmar) que.. tanto no tocante à conexão das ideias. Na sequência. nem mesmo nos render a um “rito de vassalagem”... De forma análoga/semelhante. Oliveira (1990) declara que (ou apresenta de forma similar/diversa) seu pensamento sobre x. 48).. • • • • • • • • • • Enfatizando esses aspectos. Além do uso desses verbos.... Ao se referir à análise de dados. Na concepção de Moreira (2003). devemos recorrer a algumas expressões da língua que nos auxiliam a manter a coesão (o link) entre as ideias.. Andrade (2007). Nesse sentido. dentre outros. Oliveira (1999) destaca /postula que. analisar. orações e parágrafos e até entre os autores pesquisados.. liderança é . Sabemos que não basta resumir as ideias de outrem.. introduz. define. somos levados a citar vários autores. Fica evidente. Para tal. Infere-se/depreende-se do exposto que.... Daí a importância de uma “listinha” de links. evidencia.. que. • Por sua vez. pode-se destacar/observar também que.. mas interpretar. p. indaga. como pontua Demo (2004.. esclarece.. No tocante (ou no que diz respeito) à análise de dados.4 Links: os elos entre as citações e o parágrafos Ao escrever o texto acadêmico/científico. Em contraposição a essas ideias. portanto.. nos limitando somente a copiar o que já afirmaram os autores pesquisados. bem como revelar os nossos posicionamentos e atitudes a favor ou contra certas teses e opiniões que reproduzimos em nossos textos em forma de citações diretas e indiretas.. o que não significa nem criar um amontoado de citações recortadas aleatoriamente. postula questiona. é importante estarmos atentos à relação estabelecida entre as frases. Gil (2000) demonstra que..

. Machado (2000) explicita sua tese ao afirmar... Em relação à abordagem desse problema. ao afirmar que. comportamento organizacional pode ser definido como..... Ao se contrapor tais ideias. vale salientar que. portanto. ainda.. que.. Deve-se. vamos passar agora para um roteiro de leitura de textos científicos: . que Nota-se. é possível perceber que A esse respeito. Apesar das diferentes perspectivas adotadas pelos autores até então focalizados. que Ao fazer a lista acima.. É importante ter consciência • • • • • • • • • • • • • do sentido de cada um deles para tornar o texto mais incisivo.. Em se tratando de x. então. assim. Pode afirmar. É importante ressaltar ainda que.. Nesse caso. dedicar atenção especial a.. é importante frisar que. Na perspectiva do desenvolvimento....... . pode-se notar que.. Depois de elucidar tais questões..... Tomando por base esse contexto... este estudo enfatiza Diante do apontado. Percebe-se. pode-se verificar que. Ressalta-se que Em face do exposto. é importante. Como se pode perceber/notar/observar. Em contrapartida.. percebe-se que Oliveira (2000) assume diferente perspectiva..29 • • • • • • • • • • • No que concerne ao processamento de dados.. foram usados também alguns verbos... dessa maneira.. De posse de todas essas informações. ressalta-se É possível observar. pode-se constatar. pode-se afirmar que... que Destaca-se. Nesse sentido.. A fim de compreender melhor o problema... considerando.

resumo/abstract e palavras-chave keys word. que apresenta e discute ideias. é importante seguir 13 passos: 1. 3.2 Estrutura Como todo trabalho científico.1 Conceito O artigo científico. Observação: o resumo e palavras-chave não são exigidos no ensaio. métodos. é constituído de: introdução.3 Esquema de leitura Para facilitar o processamento das informações veiculadas nesses gêneros. Em qual a área de conhecimento o autor está inserido? A que instituição o autor está vinculado? Em que medida essa condição social do autor pode interferir na condução do tema? 2.5. textuais: corresponde ao desenvolvimento do texto.5. Em que revista ou site o texto foi veiculado? Essa informação é relevante? Contribui para a credibilidade das informações contidas no texto? 3. autoria. 3. os procedimentos utilizados e os resultados obtidos. é “parte de uma publicação com autoria declarada. Qual o título e o subtítulo do texto? Eles fornecem pistas sobre o tema e subtemas da pesquisa e sua delimitação no tempo e no espaço? 5. referencial teórico. apresentação e discussão dos dados e considerações finais. textuais e póstextuais. técnicas. • • • elementos pré-textuais: título. anexos e apêndices.5 Roteiro para leitura de artigo científico 3. processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento”. pós-textuais: referências. Sua produção deve obedecer a regras específicas: explorar um tema devidamente delimitado. apresentar as teorias utilizadas na pesquisa bibliográfica.3.5. Leia o resumo e observe: qual sua função? Quais os elementos o compõem? Quais as palavras-chave? . segundo a ABNT. Onde e quando o texto foi publicado? Existe relação entre o esse contexto de produção e o tema do texto? 4. descrever a metodologia adotada. o artigo possui elementos pré-textuais.

existe relação entre tema e subtemas. quadros reprodução de trechos de entrevista? Houve confronto entre a teoria e os dados analisados? 12. . é possível distingui-las? como foram inseridas as citações? Que verbos foram utilizados? Destaque-os. observe: os tipos de pesquisa. um marcador de textos para destacar ideias principais e pontos relevantes. nos parágrafos. Por isso. Existe relação entre o conteúdo do texto e as palavras apontadas? 8. verifique: houve retomada do problema e/ou objetivo geral. ou são um amontoado de frases? há elementos de ligação (links) interligando períodos e parágrafos? Quais são? Destaque-os. Na análise de resultados. tabelas. é importante verificar como o autor organiza as informações no texto. há introdução. Use.31 6. procedimentos metodológicos e instrumentos de coleta de dados. confirmação ou refutação de hipótese(s). a justificativa do tema é convincente. observe: a pesquisa é quali ou quanti? qual(s) instrumentos adotados (questionário ou entrevista) como foram apresentados e discutidos os dados? Há gráficos. Há coincidências? 7.4 A produção escrita No ato de leitura. Observe na seção “referencial teórico” se essas palavras aparecem nos subtítulos das seções e subseções.5. as fontes citadas no corpo do texto estão devidamente referenciadas? São obras conhecidas? Há necessidade de destacar alguma que fornece subsídios para a minha pesquisa? 3. Na introdução. há relação entre o título do artigo e as seções e subseções do capítulo? As teorias apresentadas contribuem para a resolução do problema? 10. houve “afunilamento” (do geral para o particular). Nas considerações finais. Elas se constituem como roteiro para lhe auxiliar a reconhecer a estrutura do texto e a organização das informações. Nas referências. Confronte as palavras-chave ao título do texto. observe: como o tema foi organizado. há comparação entre as teorias? 3. as citações são devidamente comentadas. Na metodologia. No referencial teórico. desenvolvimento e conclusão das ideias? o autor promove o diálogo com os autores citados. objetivos. se necessário. é necessário verificar alguns aspectos: • • • • • • como foram delimitadas as vozes do autor do texto e dos autores por eles citados. e hipótese(s) de pesquisa? 9. 13. observe: como o tema foi contextualizado.5 O título como porta de entrada para o texto INSTRUÇÃO: Não é necessário responder por escrito às questões propostas.5. 11. é possível identificar o problema. são organizadas numa sequência lógica.

PERELMAN. São Paulo: Cortez. MAINGUENEAU. La Grammaire du sens et de l´expression. A fórmula do texto: redação. p. Manual de Normalização para o NITEG e o PPGCI da ECIUFMG. . Tratado geral da argumentação. Imprensa Universitária. Desirée. CHARAUDEAU Patrick. 2005. Disponível em: <http://www. Lucie. 2004. Belo Horizonte: UFMG. ed. Como se faz uma tese.br/gtpsmid/artigos/isaltina. FRANÇA. Sírio. 2007. 1992. ed. 295p. 196p.235-252. Wander.unicap. Júnia Lessa et al. POSSENTI. 8.32 REFERÊNCIAS BAKHTIN. 238p. 2005. Curitiba: Criar Edições. Marxismo e filosofia da linguagem. Disponível em: <http://www. Umberto. Sobre a linguagem científica e a linguagem comum. 20. Manual para normalização de publicações técnico-cientificas. EMEDIATO. GOMES. Antoine. 2. 2007. 1996. S. Isaltina. 114p.) Redação acadêmica: princípios básicos. São Paulo: Geração Editorial. MOTA. In: ______. (Org. argumentação e leitura. Paris: Hachette. Acesso em: 3 mar.eci. O discurso do outro na divulgação científica. Benildes Coura M. Mikhail. 255p. Belo Horizonte: UFMG. Chaïm. Os limites do sentido. 2004. Dominique. São Paulo: Perspectiva. COMPAGNON. ed. 2001. OLBRECHTS-TYTECA. 2001.br/normalizacao/>. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria. São Paulo: Hucitec. Belo Horizonte. Acesso em: 30 ago. Análise de textos de comunicação.pdf >. São Paulo: Martins Fontes. 192p.ufmg. 2009. ECO.ROTH. 2009. O trabalho da citação. 1979. MACULAN.

.

Os outros níveis da reconstrução e construção do conhecimento e novas descobertas vão se desenvolvendo aos poucos ao Vamos iniciar esse processo seguindo as orientações Prof. longo da nossa jornada acadêmica. desenvolve também a capacidade de síntese. Mãos desenhando-se.. Além disso. estudo e dedicação.4 O PESQUISADOR E AS FERRAMENTAS ESSENCIAIS NA PRODUÇÃO DO TEXTO CIENTÍFICO ESCHER. Não basta ler e sublinhar trechos importantes. É preciso anotar as ideias principais. C.40). Portanto. como na gravura de Escher.” O autor considera que o primeiro passo da criação é a cópia que. M. Ao final dessa etapa.. vamos iniciar o nosso processo de produção do conhecimento pela fase da interpretação reprodutiva que. compará-las a de outros autores e comentá-las. além da habilidade de reproduzir. Depois de observados os aspectos referentes à produção do conhecimento. segundo Demo (2004. é importante criar métodos e ferramentas de estudo.) incluindo já um tipo de leitura que discute com o texto”. consiste em “tomar um texto e sintetizar de modo a reproduzir com fidedignidade. vamos aprender agora a fazer fichamentos. podemos perceber que o processo não é simples e requer bastante leitura. Gessé Marques Jr. Assim. de forma a reescrevê-lo. p. 1948. segundo o autor citado. . resumos e resenhas. resumi-las. o nível da interpretação própria. nos inserimos no segundo nível no processo de produção de conhecimento que é. a dizer com nossas palavras o que os outros já disseram. que significa “tomar um texto e conferir-lhe formato interpretativo pessoal (.

itens e capítulos. cujo objetivo é se aprofundar no entendimento do texto. Se copiar uma frase mais longa. Antes de iniciar a leitura do texto. pois. posteriormente ganhará um tempo muito maior. técnico? 3. de pequenas frases. dentro de cada parte. Introdução. as referências bibliográficas de acordo com as normas ABNT. Qual o tipo de texto? Acadêmico. página de início do texto-página final. em primeiro lugar. indique as páginas do documento original. não reescrevemos. no caso de dúvida. retomar rapidamente os pontos obscuros. Local de publicação: Editora. b) um mais geral e compreensivo (na leitura do Fichamento). é possível fazer uma leitura e análise temática. faça as anotações em forma de tópicos. 2.1 Fichamento Sugestão para elaboração de Fichamento 1. você terá uma visão global. frases. nos concentraremos mais na fidelidade da anotação do que em prestar atenção à exposição. o que levou o autor a escrever seu texto e qual tipo de questão que procura responder com sua argumentação? . desenvolvimento e conclusão. p. não esqueça de utilizar aspas. sempre fazemos por partes. Para orientar o entendimento do texto. anote. o Fichamento permite a leitura e a compreensão do texto em dois momentos essenciais: a) um fragmentado (durante a leitura e nas anotações do texto). lemos em sequência as diferentes palavras. pela leitura do Fichamento teremos um entendimento geral em poucos minutos. ficar procurando em livros ou artigos. A anotação pode ser tópica. Depois de uma leitura de reconhecimento do conteúdo do texto. Ao finalizar o Fichamento e ao ler as suas anotações. um texto ou um documento. jornalístico. de informação. Quando lemos um livro. Se anotarmos “tudo” o que o professor disser. não se anota tudo que está no livro. terá anotações já prontas para recorrer. SOBRENOME DO AUTOR. Este “dissecar” do texto é parte do processo de leitura. Ou seja. Ainda que gaste tempo para fazer as anotações. não compreendidos ou fazer uma citação. o fundamental é. logo no início do seu documento. importa entender o que e como o autor expõe suas ideias. Se demoramos um dia para ler um texto. Quando consultar o seu Fichamento poderá. No Fichamento. Assim. Conforme for anotando. A partir dessa leitura textual. E. Título do livro em itálico/negrito. A ideia que deve organizar as anotações é a mesma que utilizamos para as anotações em sala de aula. prestamos atenção na fala do professor e fazemos anotações pontuais das partes importantes. Em qualquer momento da leitura. parágrafos. Quer concordemos ou não com as suas ideias. Qual o tema ou assunto? Do que ele está falando e como apresenta a sua perspectiva? 2.35 4. data de publicação. assim como as anotações pontuais que fazemos nesse percurso. entendê-lo. propomos algumas questões a serem respondidas após sua leitura: 1. de conceitos-chave. ao invés de buscar na memória. Qual o problema que o autor pretende desenvolver? Ou seja. A outra vantagem do Fichamento está no processo de compreensão da leitura. Nome.

Sugestões para a leitura de textos: fichamento. 4. explicando o tema principal do documento. inclusive. metodologia. sua problemática e seu movimento. como apresenta sua(s) ideia(s) central(is).36 4. qual a sua resposta? Como fundamenta as suas afirmações e suas respostas? Seus argumentos são convincentes? Existem outras ideias que compõem o texto? ATENÇÃO Um fichamento não é um resumo.br/~gmarques/fichamento. tendo o cuidado de anotar sempre as páginas consultadas e as devidas referências. portanto. dissertação. 29). O fichamento reconstrói essa ordem para explicitar o sentido do texto. ele não segue o texto página por página. Justamente porque é uma explicação. Pode ser classificado como: resumo indicativo.doc>.2 Resumo Resumo.unimep. etc. a primeira frase deve ser significativa. Fichar também é um treinamento de escrita que pode ser aproveitado para medir a capacidade de dialogar fluentemente com o autor estudado. consiste na apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento. podemos organizar outro tipo de texto denominado resumo. Gesse. Deve. O fichamento também não é um comentário livre do texto. A partir disso. monografia. segundo a ABNT: NBR 6028 NOV 2003.: (p. nem uma paráfrase. MARQUES JÚNIO. Acesso em: 8 mar. A ABNT estabelece ainda que o resumo deve ser precedido da referência do documento. identificando seu tema. resumo deve ser composto de uma sequência de frases concisas. A seguir. o fichamento não se prende à ordem da exposição do autor. afirmativas e não de enumeração de tópicos. argumentações complementares que auxiliam na construção da(s) tese(s)? Resumindo: Sobre o que o autor está falando? Qual a questão que pretende responder? Frente a esta questão. de tal forma que este possa. sempre entre aspas e indicando o número da página entre parênteses. resultados e conclusões do documento. Disponível em: <http://www.) Deve-se usar o verbo na voz ativa e na . Se ele defende determinada(s) tese(s). com exceção do resumo inserido no próprio documento. como constrói a estrutura de argumentos para fundamentá-la(s)? 6. Ale disso. uma resenha crítica. ou seja. dispensar a consulta ao original. nem. recorrer às citações e maneira comedida. Ex. utilizando-as principalmente para iluminar certos conceitos ou passagens chave. Existem ideias secundárias. Um fichamento procura explicar o texto em si. Não é uma coleção dos “melhores momentos” do autor. a forma como o autor constrói sua argumentação através do movimento conceitual. indicando apenas os pontos principais do documento e resumo informativo que informa ao leitor finalidades. muito embora precise explicá-la. Depois de organizado o fichamento. ou seja. deve-se indicar a informação sobre o tipo de documento (relatório. qual é a(s) sua(s) proposição fundamental ou tese(s)? 5.2008.

br/periodicos/content/resumos. As palavras-chave.php?revista_id=3&artigo_id=832> Acesso em: 12. calçados e móveis. Intenções de compra. CARVALHO. n. com diferenças na magnitude da influência da imagem do Brasil. c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves. Para tanto. qual o ponto de partida?) métodos (Como?) resultados (O que encontramos?) conclusões (Qual o ponto de chegada?Indicativos para um estudo maior? Há relação com os objetivos?) Observe como esses dados aparecem no resumo abaixo: A imagem do Brasil no exterior e sua influência nas intenções de compra Janaina de Moura Engracia Giraldi Dirceu Tornavoi de Carvalho Dentre os vários elementos que influenciam o consumidor na compra e no consumo de um produto está o seu país de origem. Palavras Chave: imagem de país.fev. Os resultados apontam que houve uma influência da imagem do Brasil em todos os produtos brasileiros pesquisados: carne bovina. verificando se existem diferenças na magnitude do efeito país de origem. Disponível em: <http://anpad. jan. As conclusões alcançadas por esta pesquisa podem ajudar as empresas brasileiras a adotar estratégias mais efetivas na comercialização de seus produtos no exterior.org.2009 .37 terceira pessoa do singular. p. separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto. teses. frutas frescas. A Imagem do Brasil no Exterior e sua Influência nas Intenções de Compra. dissertações e outros) e relatórios técnico-científicos. Janaina de Moura Engracia. antecedidas da expressão Palavras-chave:. GIRALDI. contribuindo assim para o aprofundamento do conhecimento do tema. Comportamento do consumidor. dependendo da familiaridade dos consumidores com o país. dependendo da familiaridade dos respondentes com o Brasil. 2009. para quê. 3. A presente pesquisa propõe-se a compreender a influência da imagem de um país nas intenções de compra com relação aos produtos fabricados nesse país. devem figurar logo abaixo do resumo. b) de 100 a 250 palavras os de artigos de periódicos./a br. no caso do resumo informativo. 1. Deve conter: • • • • objetivos (O quê. relatórios artigos e relatórios técnicos. RAC-Eletrônica. Dirceu Tornavoi de. Quanto a sua extensão os resumos devem ter: a) de 150 a 500 palavras os de trabalhos acadêmicos (teses. RAC Eletrônica. 22-40. v. A amostra utilizada foi composta por estudantes universitários holandeses. Curitiba. foi efetuado um estudo quantitativo com abordagem descritiva sobre os efeitos que a imagem do Brasil exerce nas intenções de compra do consumidor estrangeiro com relação a produtos brasileiros. EXEMPLOS Resumo informativo: utilizado em trabalhos acadêmicos como monografias.

Anna Raquel. linguagem objetiva. Foram sublinhados os links (elementos de ligação). criadores e dotados de recursos para limitar a violência e de que a essência do ser humano seria o cuidado. (MACHADO. Eliane. mesmo reconhecendo o poder dessas forças. que poderia levar à superação da violência. clara e concisa. Boff considera que. como projeto pessoal e coletivo. tornando difícil sua superação. 2004.38 Resumo indicativo O fragmento abaixo é um exemplo de resumo apresentado por Machado. ausência de cópia de frases e expressões contidas no texto original. p. Diante disso. 69p. é indispensável estabelecermos uma cultura de paz contra a da violência. o teólogo conclui. a ser resumido pelo redator: apontar. definido pelo autor como sendo uma relação amorosa com a realidade. ABREU-TARDELLI. Lousada e Abreu-Tardelli (2004). São Paulo: Parábola Editorial. clareza na apresentação da ideia central (a tese defendida pelo autor). seria possível construir essa cultura. Segundo o autor. pois as próprias características psicológicas humanas e um conjunto de forças naturais e sociais reforçariam essa cultura da violência. Observe alguns aspectos importantes na sua construção: Delimitação das vozes do produtor do resumo e do autor do texto. Lília Santos. LOUSADA. • • • • • • Leonardo Boff inicia o artigo ‘A cultura da paz’ apontando o fato de que vivemos em uma cultura que se caracteriza fundamentalmente pela violência.definir – descrever – elencar – enumerar – classificar – caracterizar – dar características – exemplificar – dar exemplos – contrapor – confrontar – comparar – opor – diferenciar – começar – iniciar – introduzir – desenvolver – finalizar – terminar – concluir – pensar – acreditar – julgar – afirmar – negar – questionar – criticar – descrever – narrar – relatar – explicar – expor – comprovar – provar – defender a tese – argumentar – dar argumentos – justificar – dar justificativas – apresentar – mostrar – tratar de – abordar – discorrer – esclarecer – convidar – sugerir – incitar – levar a. Resumo. pelo fato de que os seres humanos são providos de componentes genéticos que nos permitem sermos sociais. incitando-nos a despertar as potencialidades humanas para a paz. Em negrito estão os verbos que indicam as ações do autor e usados para inserir citações. o autor levanta a questão da possibilidade de essa violência poder ser superada ou não. nesse momento. texto compreensível por si mesmo “dispensando” a leitura do texto original. ele apresenta argumentos que sustentam a tese de que seria impossível. Inicialmente. Veja abaixo sugestão de outros verbos: Verbos que podem ser utilizados para indicar diferentes atos do autor do texto original. 50) ATIVIDADE . pois essa estaria nos levando à extinção da vida humana no planeta. MACHADO. A partir dessas constatações. cooperativos. 2004. Mas. seleção de ideias principais e suas relações.

pois são cada vez mais requeridas capacidades de criar. como o conhecimento adiciona valor.1.. Deduz-se que o processo de gerenciamento pode melhorar o capital intelectual. vem demandando de todos os setores produtivos e administrativos das empresas contínuas adaptações em sua estrutura organizacional.. repercutindo no valor de mercado das empresas. passam a ser importantes. por exemplo. canais de distribuição. postular questionar.6.. descrever. domínio de conhecimentos. sinalizando as ações dos autores. Curitiba. evidenciar. patentes etc. tecnologias informacionais. TRECHO 1 As considerações e comentários acerca do capital intelectual.1. concluir.6. 2003 TRECHO 2 [. a fim de acompanharem a agilidade dos processos e das solicitações dos clientes. Mas o atual momento empresarial deixa clara a necessidade de apurar-se o valor dos recursos intelectuais mantidos pela empresa.39 Faça resumos dos trechos abaixo. ressaltar. sendo possível descrever e mensurar. analisar. com metodologia consolidada. introduzir. que administrando o capital intelectual. Rev. classificar. reputação. a mensuração do valor do capital intelectual não conta. ainda. à prova de contestações relevantes. é possível otimizar a performance financeira das organizações inseridas no ambiente moderno de competição mercadológica. por meio dos verbos. Porém. O atual estágio da economia internacional. tendo em vista que as organizações e os negócios estão se redefinindo em termos de formatos e meios de transações comerciais. 2003 . Com isso. A importância que os ativos intangíveis vêm ganhando nos últimos tempos é notória.] Apesar da dificuldade de compreensão e percepção do capital intelectual em face de sua subjetividade. n./abr. FAE. marcas. indagar. p. A atenção dirigida a eles é amplamente merecida. definir. Bornia. de multiplicar e de utilizar de forma eficaz conhecimentos e habilidades. p. jan. v. flexibilidade operacional. portanto. Por outro lado.. Ainda. Marluce Lembeck. Fatores como imagem. investigar. afirmar. Rodney Wernke.17-26./abr. carteira de clientes. destacar. um modelo de avaliação do capital intelectual terá que trilhar um longo caminho para atingir um formato ideal. n. FAE. fica evidente que ele é representativo e importante atualmente. devem ser objeto de estudo da ciência contábil. esclarecer. jan. dentre outros. pois eles têm um valor e.17-26. combinado com as novas tecnologias desenvolvidas principalmente nas áreas de comunicação e informática. Curitiba. emergem os ativos intangíveis da organização. Antonio C. v. Rev.

Aliado a isso. 4.1Tipos de Resenha As resenhas apresentam algumas divisões. por fim. Quando analisa apenas uma determinada edição entre várias. a resenha é um texto descritivo na medida em que apresenta o conteúdo de determinada obra. O ato de resenhar consiste. a justificativa referente à avaliação feita. p.org/como-fazer-umaresenha/> Acesso em: 14 abr. Org. por fim. a avaliação das informações e a maneira como estas foram abordadas e. contudo mais abrangente: permite comentários e opiniões. p. 34). Vamos observar as orientações sugeridas a seguir. Consiste na leitura.7 Na resenha crítica. 2007. 264).lendo. inclui julgamentos de valor. pode possuir parágrafos dissertativos. na crítica e na formulação de um conceito de valor do livro feitos pelo resenhista”. constituídos de argumentos que abordam a respeito da qualidade do texto ou a sua ausência (MEDEIROS. com a defesa de pontos de vista (MEDEIROS. Ressaltamos ainda que. comparações com outras obras da mesma área e avaliação da relevância da obra em relação às outras do mesmo gênero”. 2005). Como fazer uma resenha. a resenha pode possuir parágrafos narrativos. responsáveis pela padronização dos textos científicos. a resenha “é a apresentação do conteúdo de uma obra. 158) ressalta que a resenha é um “tipo de resumo crítico. por sua vez. o leitor obterá informações que o ajudarão a decidir pela leitura ou não da obra original. 2005). que apresenta moldes bastante rígidos. Andrade (1995. Já para Lakatos e Marconi (2001. a partir do contato com a resenha de determinada obra. Disponível em: <http://www. pois.3.4. denomina-se recensão” (Norma NBR 6028. dentre elas destaca-se a resenha acadêmica. 2001. Ela. no resumo. que apresentam aspectos relativos ao espaço e o tempo e.3 Resenha A resenha é “resumo redigido por especialistas com análise crítica do documento. em “em examinar e apresentar o conteúdo de obras prontas. Também chamado de resenha. acompanhado ou não de avaliação crítica” (SANTOS. também se subdivide em resenha crítica e resenha temática. da Associação Brasileira de Normas Técnicas). Neste sentido. De maneira complementar. a resenha deve apresentar o resumo das ideias contidas na obra original. Nesse sentido. p.2009. . 61) apud Medeiros (2005. p. os seis passos a seguir formam um guia ideal para uma produção completa: 7 LENDO.

Cite.41 1. algumas outras obras do escritor ou pesquisador. utilize de 3 a 5 parágrafos para resumir claramente o texto resenhado. diga logo no início quem é o autor e explique o que ele diz sobre aquele assunto. Resenha temática (Adaptação) . 2. Os passos são um pouco mais simples: 1. Apresente o tema: Diga ao leitor qual é o assunto principal dos textos que serão tratados e o motivo por você ter escolhido esse assunto. o número de páginas do texto completo. Ao final. Quais os argumentos centrais e complementares utilizados pelo autor para defender sua posição? Observe. se possível. que. 3. tratamos de vários textos que tenham um assunto (tema) em comum. Mostre as fontes: Coloque as referências bibliográficas de cada um dos textos que você usou. você vai dar sua opinião. que antes de antes de começar a escrever uma resenha. 2. agora é sua vez de opinar e tentar chegar a uma conclusão sobre o tema tratado. Apresente a obra: situe o leitor descrevendo em poucas linhas todo o conteúdo do texto a ser resenhado. 4. deve-se fazer uma boa leitura do texto. Finalmente. 5. portanto. Recomenda-se. em seções. contemplando as diversas definições apresentadas. Analise de forma crítica: Nessa parte. Qual o problema que ele coloca? 3. na resenha temática. Qual o tema tratado pelo autor? 2. 3. 4. 6. Conclua: Você acabou de explicar cada um dos textos. Descreva a estrutura: fale sobre a divisão em capítulos. e apenas nessa parte. identificando: 1. Identifique a obra: coloque os dados bibliográficos essenciais do livro ou artigo que você vai resenhar. Argumente baseando-se em teorias de outros autores. ele constrói o conceito. Resuma os textos: Utilize um parágrafo para cada texto. no exemplo a seguir. o autor consultou diversas fontes e apresentou-as estabelecendo um paralelo entre as informações. Qual a posição defendida pelo autor com relação a este problema? 4. Identifique o autor: quem é o autor da obra que foi resenhada. Descreva o conteúdo: Aqui sim. para apresentar o conceito de gestão de pessoas.

2008. 17). 17). 2004. Somente depois desse longo ritual é que nos sentimos preparados para a escrita e. tratada como uma função gerencial que objetiva estabelecer relações benéficas entre organização e indivíduo. por meio das interações pessoais. basicamente. MARCONI. p. Gil (2006. p. do planejamento e das etapas da pesquisa. definea como “função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais”. processos. 4. LAKATOS. ed. destacam ainda que “sua qualidade influencia diretamente a capacidade da organização e de seus empregados em atingir seus objetivos”. Dutra (2002. MACHADO.18-19. a Gestão de Pessoas se resume ao tratamento da interação existente entre pessoas e empresa. As interpretações destes autores conduzem inicialmente a uma definição ampla. vamos tratar. quando se relaciona a expressão à ciência administrativa. Porém. Este. Lília Santos.com. Por sua vez. 19). NBR 6028: Informação e documentação – Resumo – Apresentação. a trata como uma responsabilidade do gestor que. LOUSADA. Valoriza as pessoas e as organizações. 288 p. 2001. resumos. para finalizar. Consiste. e.2009. São Paulo: Atlas. fichamentos. REFERÊNCIAS FRANÇA. Eliane. A capacitação profissional e sua influência no processo de consolidação de clientes em uma empresa do setor de construção civil. como resultado de um bom processo de gestão. Rio de Janeiro: 2003. Daí surge a necessidade da pesquisa. percebe-se que esta é. São Paulo: Parábola Editorial. fazemos inúmeras leituras. buscando. sobretudo. Disponível em: <www. Eva Maria. implementar métodos. conceitos Definir um conceito para Gestão de Pessoas é tarefa realizável diante do bombardeio de estudos direcionados ao tema. Belo Horizonte: Faminas-BH. entendem-na como “uma série de decisões integradas que formam as relações de trabalho”. Entretanto. e amp. que promovam melhorias nessas relações e um desenvolvimento mútuo. viabiliza a realização de aspirações comuns. rev. Enfim. na comunhão dos meios (políticas e praticas) para se chegar a um fim comum (realizações organizacionais e individuais). para problematizar tudo aquilo que lemos. conciliando seus objetivos a fim realizá-los de forma integrada. Resenha. Sendo assim. ABREU-TARDELLI. sempre.br> Acesso em: 14 abr. Milkovich e Bourdreau (2006. estudos. então. p. CARVALHO. Resenha. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. técnicas. Por isso. Fundamentos de metodologia científica. p. Tiago da Silva. Nessa linha de raciocínio.De forma análoga. Marina de Andrade. caracteriza a Gestão de Pessoas como “um conjunto de políticas e práticas que permitem a conciliação de expectativas entre a organização e as pessoas para que ambas possam realizá-las ao longo do tempo”. Cristiane Silva.42 Gestão de Pessoas. no próximo capítulo.oficinadapesquisa. resenhas. 123 p . Anna Rachel. resgatam o alcance de metas comuns. o processo de produção do texto de natureza acadêmico-científica é como um ritual: primeiro.

Vanilda Salton. Redação científica: a prática de fichamentos.43 MEDEIROS. 7. resumos. resenhas. 2005. . São Paulo: Atlas. 2009. Petrópolis: Vozes. consulte: KÖCHE. ed. MARINELLO. João Bosco. Para saber mais sobre resenha temática. 6. Adiane Fogali Prática textual. ed. 326 p. Odete Maria Benetti. BOFF.

Para o planejamento desse capítulo. fazer emergir.jpg/image_preview Depois de escolher o tema. de fotógrafo. de repórter. descobrir. jornais.48). deve perceber o fluxo da potência (subterrânea). fazer vir. de cronista e de romancista. Max Weber. O referencial teórico é considerado por Demo (2004) a alma do trabalho e tem por objetivo apresentar os estudos sobre o tema ou sobre o problema de pesquisa. pois apresenta as teorias necessárias para esclarecer e justificar o problema em estudo. o extraordinário e a complexidade do vivido. Não lhe basta conhecer o poder (institucional explícito). Mescla de antropólogo. artigos.br/infoseg/imagens/pesquisa.a área escolhida .” Esta pesquisa se materializa no capítulo do projeto de pesquisa ou relatório de estágio denominado referencial teórico. redes eletrônicas. Se não pode provar o que aconteceu no passado nem prever o futuro. necessita captar e narrar a fluência. Isso significa que todo e qualquer dado da pesquisa deve ser analisado à luz das teorias aqui apresentadas. revistas. desvendar. É uma das partes mais importantes do trabalho científico.gov. http://www. ou seja. segundo Vergara (2000. revelar. traçar os objetivos. [o pesquisador] deve mostrar. periódicos. “no estudo sistematizado desenvolvido com base em material publicado em livros. cabe-lhe narrar bem o presente. desentranhar. além de orientar os procedimentos de coleta e de análise de dados da pesquisa futura. é necessário iniciar a pesquisa bibliográfica que consiste.infoseg. formular o problema de pesquisa.44 O SUJEITO E A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA Mais do que demonstrar isso ou aquilo. expor à luz. já realizado por outros autores. devemos partir do que é mais amplo . A busca deve ser feita em livros. dissertações e relatórios de pesquisa de forma a desenvolver o tema da pesquisa. dar a ver.até chegar ao mais específico . o levantamento das teorias já produzidas sobre o tema. p. É nesta parte do trabalho que é feita a revisão da literatura existente. mídia eletrônica.as variáveis constantes do problema apresentado – de .

89 . lembramos que esse é o momento de o aluno mostrar ao seu leitor o quanto ele já leu pesquisou sobre o assunto. Vergara (2000. Portanto. 2004. vamos organizar de maneira sequencial as ideias. propostas pelo autor citado. fixando objetivos para cada período.1 Planejamento do referencial teórico Ao planejar o capítulo de referencial teórico. segundo Emediato (2004). p. objetiva e coerente. Esses itens serão essenciais na produção do triângulo invertido. Esse planejamento. Isso deve ser feito por meio do confronto entre as ideias dos autores.45 maneira a representar um triângulo invertido (do geral par o particular ). “as posições teóricas devem ser analisadas e confrontadas” isso significa que “pontos frágeis ou lacunas das teorias lidas devem ser mencionados e justificados”. 5. nas figuras. é importante começar pelo levantamento de conhecimentos prévios sobre o tema proposto para pesquisa. para cada parágrafo e para cada tópico a ser desenvolvido. contribui para a produção de textos mais racional e menos intuitiva de forma a atender aos critérios de coerência e às exigências de um texto acadêmico. Podemos observar.p. por isso o capítulo deve ser dividido em subitens. mas é essencial ter clareza para se delimitar tópicos de desenvolvimento e decidir quais os itens focalizar e em que momentos serão utilizados.37) ressalta que o capítulo não consiste “no resumo de várias obras”. como delimitar o assunto de um texto ou trabalho científico em itens subordinados ou a ele relacionados: FIGURA 1 – Árvore temática sobre Administração Fonte: Emediato. Assim. Além dos aspectos salientados. continua a autora. além de revelar também suas habilidades de interpretação das teorias e de uma escrita clara.

4. definir o estresse ocupacional e mostrar algumas estratégias de controle e.elaborar o primeiro parágrafo do capítulo. 2. partindo de aspectos gerais para os específicos até atingir o foco da pesquisa (triângulo invertido) 3. é importante desenvolver uma visão sistêmica sobre o tema para melhor escolher um foco e a delimitar o tema. Stress ocupacional.O triângulo invertido: conceito de estresse.” (PEREIRA.O sumário do capítulo 2. Comportamento organizacional. estratégias de controle.O tema do trabalho: O professor e o estresse.2004) A partir deste parágrafo. o estresse ocupacional. é possível traçar: 1. apresentando os seus objetivos.p. estresse no profissional docente.3.2 Categorização de estresse 2.90 Como vimos. 3.1 Conceito de estresse 2.destacar as palavras-chave (ideias fundamentais do tema de pesquisa) 4. Professores. busca-se caracterizar o estresse no profissional docente.3 Estresse ocupacional 2.46 FIGURA 2 – Árvore temática sobre Violência Fonte: Emediato.esquematizar a árvore temática a fim de visualizar a área de pesquisa.elaborar sumário. destacar sua categorização. sua categorização (tipos de estresse). Exemplo 1: 2 REFERENCIAL TEÓRICO “Este capítulo tem como objetivo conceituar estresse. 2. em seguida. 2004.1 Fontes de pressão no trabalho .As palavras-chave: Qualidade de vida no trabalho. Vejamos quais são os passos para planejar o capítulo de referencial teórico: 1.

capacidade de análise e discussão de dados e ideias.4 Programas de controle do estresse organizacional 2.5 Caracterização do trabalho do profissional docente PEREIRA. estabelecer um diálogo com os autores pesquisados de forma a revelar não só a capacidade de compreensão das teorias. Apresentar tópicos e esquemas. Recortar e colar citações sem ter lido o texto. principalmente as longas. 2004. 5. Escrever o texto sem observar os padrões da linguagem formal.3.4 Sintomas físicos. Não utilizar os elementos de ligação (links) para garantir a coesão entre as ideias apresentadas.2 A redação do referencial teórico Outro aspecto importante diz respeito à redação do texto. acima de tudo. Enfim. Não estabelecer relação entre os parágrafos (parágrafos soltos). Usar fontes não científicas. Apresentar citações soltas. ao invés de texto corrido. Vejamos um exemplo: .3. Pedro Leopoldo. Não explicitar os sujeitos das orações. Escrever parágrafos com mais de uma ideia principal. Abusar de citações diretas. Tatiana Domingues. Vamos observar algumas dicas importantes: Pecados mortais: • • • • • • • • • • • • • Escrever parágrafos longos.3.47 2. vamos procurar sempre desenvolver as ideias usando a terceira pessoa do singular. (no máximo duas por página) Fazer do texto um “amontoado” de citações de autores diversos. ou excessivamente curtos de forma a “picar o texto”. Dissertação (Mestrado Profissional em Administração) Faculdades Integradas de Pedro Leopoldo. fazer sempre comentários/análises sobre as citações feitas. O professor e o estresse: um estudo nas faculdades integradas de Pedro Leopoldo. Não conceituar as palavras-chave do seu tema. psíquicos e organizacionais do estresse 2.3 Estratégias de defesa. ou combate contra o estresse 2. mas. 134f.2 Diferenças individuais de personalidade 2.

Exemplo 2
Aluno - Flávio Alair Pio Curso - Administração de Empresas Turma – 2117 B 2009

Legenda: Vermelho links Amarelo: voz do produtor inserindo citações, fazendo menção ao autor citado 3 REFERENCIAL TEÓRICO O produtor introduz o capítulo, descrevendo-o apresentando os principais pontos que serão apresentados. Segue a estrutura do sumário. Este capítulo tem por finalidade mostrar a opinião de vários autores sobre a importância dos recursos humanos para a empresa. Para tanto, pretende-se definir o termo; apresentar suas características; descrever a importância das pessoas nas organizações e apresentar as novas abordagens de desenvolvimento de recursos humanos.

3.1 Recursos Humanos e sua importância para a organização

As organizações necessitam de instalações físicas, equipamentos e de recursos financeiros, mas os recursos humanos, ou seja as pessoas, são particularmente importantes para que estas atinjam seus objetivos, segundo Milkovich (2006, p. 19), “as pessoas planejam e produzem os produtos e serviços, controlam a qualidade, vendem os produtos, alocam recursos financeiros e estabelecem as estratégias e objetivos para a organização.” Na visão do autor, os Recursos Humanos são capazes de planejar e colocar em prática ações que possibilitem o desenvolvimento organizacional.

Neste sentido, Lacombe (2005, p. 14), complementa este pensamento mencionando que, “as organizações já se deram conta da importância das pessoas e da forma como são administradas, diferentemente do que ocorria no passado, quando o foco recaía apenas na tecnologia do produto ou do processo”. O autor acentua ainda, que embora as pessoas precisem ser administradas pelas organizações como recursos humanos, não se pode perder de vista a realidade de que elas são seres humanos, que querem ser felizes e terem qualidade de vida. Quanto mais a empresa fica conhecida no mercado, inova seus negócios e investe em tecnologia e produtos, mais depende de um padrão de comportamento adequado as suas finalidades. Segundo Limongi-França (2002, p.16), “somente com o entendimento adequado dos fatores que determinam as condições em que ocorrem os negócios, é que se torna possível delinear um modelo coerente com as necessidades da empresa”. Observa-se, então, a importância de um estudo específico para cada tipo de ramo de atividade alinhado aos objetivos organizacionais.

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Por sua vez, Bohlander (2003) orienta que, as capacidades e as habilidades das pessoas é que fazem a diferença no desenvolvimento empresarial, tendo em vista que a competitividade consiste naquilo que uma empresa pode fazer de maneira exclusiva por meio de seus funcionários. Nesse sentido, Limongi-França (2002, p.16), aborda a importância de um modelo de Gestão para as organizações, tendo em vista o comportamento dos funcionários como diferencial competitivo para as empresas. Enfatizando estes aspectos, a autora esclarece que “o comportamento humano nas empresas passa a integrar o caráter intrínseco dos negócios, tornando-se elemento de diferenciação e potencializando a vantagem competitiva”. A autora ressalta que o comportamento dos colaboradores é um dos fatores responsáveis pelo sucesso ao não dos negócios da empresa.

Nessa linha de raciocínio, Bohlander (2003), conclui afirmando que, para serem atingidos os resultados e metas das empresas, é necessário entender o comportamento humano, conhecer os vários sistemas e práticas disponíveis para construir uma força de trabalho qualificada e motivada, além de estar ciente das questões econômicas, tecnológicas, sociais e jurídicas. 3.2 Os sistemas de recursos humanos O produtor introduz o tópico Os sistemas de Recursos Humanos são apresentados de várias formas, alguns autores classificam as características das metas para tratarem do assunto, outros utilizam uma abordagem sistêmica para apresentar suas características e existem aqueles que definem como sendo um conjunto de subsistemas. Para que possamos desenvolver as habilidades de escrita, vamos tratar da redação do parágrafo.

5.3 O parágrafo na construção do texto
Antes de iniciar a conversa, é interessante lembrar que a linguagem é uma forma de interação e de comunicação com o interlocutor que se pretende atingir. No caso do texto escrito que circula na esfera acadêmica, vale lembrar que é escrito para professores, especialistas no assunto tratado, e, sobretudo, que se escreve para ser compreendido e avaliado. Por isso, o cuidado com os textos deve ser redobrado. Uma das formas de se cuidar da produção escrita é o planejamento textual. Como organizar as ideias, introduzir desenvolver e concluir o texto? O primeiro passo é traçar um planejamento textual que consiste em um esboço, um esquema, que possibilite a visão global do texto. É importante lembrar que todo texto, do mais simples bilhete a uma tese de doutorado, é composto por introdução, desenvolvimento e conclusão. Depois de estabelecidas as seções e subseções que vão constituir o texto, deve-se ater aos parágrafos que vão compor cada uma dessas partes e,

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sobretudo às ideias e às informações que serão desenvolvidas em cada um dos parágrafos que vão compor o capítulo ou suas seções. A ideia central do parágrafo é enunciada por meio de um período denominado tópico frasal, o qual orienta ou governa o restante do parágrafo; dele nascem outros períodos secundários. Portanto, o tópico frasal deve ser o roteiro para o produtor de textos desenvolver e concluir o parágrafo. 5.3.1 O parágrafo dissertativo (parágrafo padrão) O parágrafo dissertativo tem como núcleo uma única ideia. Essa ideia é exposta na introdução do parágrafo, desenvolvida ao longo dele e reforçada na sua conclusão. A introdução normalmente é constituída de uma ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia principal do parágrafo, definindo seu objetivo. O desenvolvimento corresponde a uma ampliação da ideia principal, com apresentação de ideias secundárias que a fundamentam ou esclarecem. A conclusão retoma a ideia central, levando em consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento. O parágrafo ideal deve ter, no mínimo, três períodos: um para cada uma das partes que o constituem. O texto abaixo constituiu um bom exemplo de parágrafo dissertativo. Leia-o com atenção, procurando identificar suas características. Uma escola para o povo ou contra o povo? A escola que existe é antes contra o povo que para o povo. As altas taxas de repetência e evasão mostram que os que conseguem entrar na escola, nela não conseguem aprender, ou não conseguem ficar. Segundo as estatísticas, de cada 1000 crianças que iniciam a 1ª série, menos da metade chega a 2ª, menos de um terço consegue atingir a 4ª, e menos de um quinto conclui o 1º grau. A repetência - isto é, a não aprendizagem e a evasão - o abandono da escola - explicam esse progressivo afunilamento, que vai construindo a chamada “pirâmide educacional brasileira”. Essa “construção” se dá através da rejeição, pela escola, das camadas populares: pesquisas têm demonstrado as relações entre origem social e fracasso escolar. Ou seja: a escola que seria para o povo é, na verdade, contra o povo. (SOARES, Magda. Linguagem e escola. São Paulo: Ática, 1997.p.9) Ao observar a estruturação do parágrafo anterior, conclui-se que redigir requer planejamento com o propósito de fixar o objetivo a ser atingido. Para que o redator não se afaste da finalidade proposta, é necessário elaborar um esquema preliminar. Alguns passos devem ser seguidos: 1 escolher o assunto a ser enfocado;

ou ainda. apresentar fatores positivos ou negativos. estabelecer o tópico frasal. Tal confronto tanto pode ser de contrastes como de semelhanças. elementos conclusivos. fatos ou fenômenos. fichamentos de leitura. que os procedimentos acima auxiliam o produtor não só a fazer o levantamento de conhecimentos prévios sobre o assunto proposto. Confrontando. de que forma serão apresentados ao leitor. em que momento serão utilizados. refletir sobre a conclusão a que se pretende chegar. no entanto. de maneira sequencial as ideias. ressalta o autor. mas também são essenciais para auxiliar o produtor a delimitar os tópicos de desenvolvimento. sem indicar.51 2 fazer levantamento de informações sobre o assunto: conhecimentos prévios armazenados na memória. contribui para a produção de textos mais racional e menos intuitiva de forma a atender os critérios de coerência e as exigências de um texto acadêmico. fazendo analogia ou comparando: no confronto. Esse planejamento. enfim. o autor utiliza o artifício de contrapor ideias. elaborando uma frase concisa que a contenha. fixando objetivos para cada período e para cada parágrafo. elaborando uma frase genérica. 5. que possa. traçando um objetivo: o que se pretende transmitir (proposta temática). 3. de forma abrangente. apresentar as idéias a serem desenvolvidas. Neste momento responde-se à pergunta: como organizar as informações no papel? 6. Tal desenvolvimento pode se dar por diversas maneiras. As circunstâncias e os pormenores não serão colocados nessa etapa. posicionar-se a favor ou contra determinada situação. resumos. será estabelecida a forma de desenvolvimento do tema. é necessário organizar. compará-lo com outro. 5. Portanto. coisas. delimitar o assunto. 4. Buscam-se ideias que demonstrem similaridades e diferenças entre dois ou mais objetos eventos ou conceitos.3. Escolher o critério para desenvolvimento do pensamento. a decidir quais os itens focalizar. resenhas produzidos no momento de leitura dos textos.2 Desenvolvendo o parágrafo Desenvolver o parágrafo é expor de forma pormenorizada a sua ideia principal. O redator deverá fazer uma escolha para organizar as ideias: irá enumerar aspectos do objeto. É importante ressaltar. ao planejar e redigir textos. seguindo as orientações de Emediato (2004). será apresentada somente a idéia ser trabalhada. seres. .

fatores. Um ponto importante é que estas ações não são mutuamente excludentes. Em contrapartida. O trabalho de Singh (1988) sugere que as respostas dos clientes à insatisfação podem ser categorizadas em três grupos: 1) respostas por vocalização. integração dos elementos da função de distribuição física. Concluindo ideias: o autor abre um parágrafo para sintetizar informações contidas em parágrafos anteriores. gerenciamento da distribuição. o autor tanto pode esclarecer o assunto proposto ou comprová-lo. incluindo ações junto a agências externas e ações legais. a popularidade da manufatura JIT (Just in Time) e a crescente competição global são fatores decisivos que aumentam a importância do abastecimento eficiente. A cadeia inicia-se com as matérias-primas e se encerra com produtos acabados e entregues ao consumidor final. 2)respostas privadas. a gestão da Cadeia de Suprimentos é a gestão da interconexão das empresas que se relacionam por meio de ligações à montante e à jusante entre os diferentes processos. isto é. o autor. alianças estratégicas. A cadeia de suprimentos. a logística moderna está direcionada à especialização geral. funções. e 3) respostas à terceira parte. apenas a recompra. seleção e desenvolvimento do melhor sistema de informações com mudanças internas e externas. por exemplo. Para Nigel Slack et al (2002). o ser. completam os autores. reclamar à loja que vendeu o produto. o fato ou fenômeno apresentado. melhoria contínua dos lucros e reunião de informações específicas do trabalho a partir da melhor fonte. . Segundo Norman Gaither et al (2002) a Cadeia de Suprimentos refere se à maneira pela qual os materiais fluem por meio de diferentes organizações. é vista como a fase intermediária entre a matéria prima e o produto final entregue ao consumidor. a crescente importância da manufatura automatizada.52 E ainda. as pessoas podem responder à insatisfação por meio do engajamento em múltiplas ações. Ao exemplificar. parceria com os provedores. organiza as informações de forma a listar características. Por isso. citando exemplos: ao definir. isto é. princípios. criação de avanços no processo de entrega ao cliente. A logística tradicional está voltada para a especialização nas questões dos insumos. redução contínua dos custos e sistema de informações de gerenciamento gerado internamente. de determinado fenômeno ou objeto. ações que envolvem comunicação boca-aboca negativa a amigos e parentes e parar de comprar e trocar de fornecedor. E ainda. portanto. a gestão da Cadeia de Suprimentos pode ser vista como administração das operações que formam o lado do suprimento e das que formam o lado da demanda. Enumerando aspectos importantes sobre determinado assunto: o autor ao invés de apresentar tópicos soltos no texto. a Revista Log&Man (2005) apresenta uma comparação entre a logística tradicional e a logística moderna. que produzem valor na forma de produtos e serviços para o consumidor final. de forma clara e concisa. Definindo. fases. falar a amigos sobre sua experiência e nunca mais voltar ao estabelecimento. incluindo a reclamação direta à empresa e nenhuma resposta. conceitua o objeto. o enorme impacto global dos custos de materiais sobre os lucros. etapas.

. • Como conseguir clareza .3 Qualidades do parágrafo Uma das principais qualidades do parágrafo é a unidade que consiste em dizer uma coisa de cada vez.. 5.4 A coesão e a coerência do parágrafo A coesão textual ou a amarração das ideias do texto é uma das qualidades mais importantes de um parágrafo ou de um texto como um todo. o. a conjunção e o léxico. primeiro segundo. aquele. As consequências comportamentais da insatisfaçăo dos clientes. Os autores apresentam cinco categorias de procedimentos que mantêm a coesão textual. Segundo Halliday e Hasan o que permite determinar se um conjunto de sentenças constitui ou não um texto são as relações coesivas estabelecidas entre elas..53 FERNANDES. Referência que consiste no uso dos pronomes. a substituição. 5. último.Escrevendo com simplicidade. Curitiba. -orações intercaladas. da escolha das palavras e de sua combinação e distribuição na frase. em grande parte. . a elipse. p. .3. Edição Especial 2008. SANTOS Cristiane Pizzutti dos. são a referência. -repetição da mesma ideia (tautologia). omitindo-se ideias que não são essenciais ou não se relacionam com ideia central do parágrafo.Delimitar o assunto. . a expressão das ideias de maneira compreensível. -períodos muito longos. ela. -palavras ou expressões ambíguas. Outra importante característica é clareza. -palavras ou expressões vagas (negócio.Usar tópico frasal explícito.Evitar pormenores desnecessários. de modo a se obter uma só interpretação daquilo que se expressou. numerais e artigos: este. . -Evitando: -vocabulário rebuscado e pouco conhecido..Evitar frases entrecortadas. .Fixar o objetivo. RAC. • Como conseguir a unidade do texto: . Daniel Von der Heyde. Depende. advérbios. a. coisa.). esse. o que cria uma tessitura.3. objetividade e propriedade. 147-174.

segundo. A coesão pode conectar elementos que: a) fazem uma gradação na direção de uma conclusão: "até". certamente. "entretanto".emprego de termos com valor de oposição. quer dizer. etc. "inclusive" etc. antes de mais nada. .. entretanto. "embora". a saber. "contudo". relevância . . e.. por isso.Ilustração . "que"..mostrar o fim do fato através do emprego de termos como: para que.. "mesmo". "quer dizer".Semelhança. com o objetivo de etc. "ou então".Tempo ..54 Elipse a omissão de um termo a fim de evitar sua repetição.. Substituição . como: mas. mas também" etc.por exemplo. g) contrapõem argumentos: "mas". a causa .. menos. "quer. se bem que.com o fim de a fim de.. "além de tudo" etc.o uso de sinônimos que evitam a repetição de termos.. portanto. b) argumentam em direção a conclusões opostas: "caso contrário".. do que". Escolha lexical . "realmente". como...daí. .. – Finalidade . por certo.. por consequência. "todavia". enfim. comparação . "ainda que" “mesmo que”. logo. provavelmente. para. embora.pelo contrário. . visto que etc. "ademais". etc. todavia. "isto é". já que. c) ligam argumentos em favor de uma mesma conclusão: "e"... porém. Conjunção – que exprime diferentes relações de sentido entre as frases: a oposição .. a condição . a finalidade .. substituindo-as por uma expressão de significado equivalente.abreviação de sentenças inteiras. quer". "menos..em suma.de certo. de inferioridade ou igualdade: "mais.Resumo .Adição ..então. "ou seja".. "pois" etc. "porém".Dúvida talvez. quanto". enfim..Prioridade. pois..Certeza .Contraste ...igualmente. "nem". exceto. imediatamente. "de fato". j) trazem uma correção ou reforçam o conteúdo do já dito: "ou melhor". etc e) justificam ou explicam o que foi dito: "porque". a fim de... . ainda que.. logo. por conseguinte..Causa .a imposição de termos condicionais. pois.. "não só. "no entanto". h) indicam uma generalização do que já foi dito: "de fato"...em primeiro lugar. etc.. "ainda". "ou". por causa. i) introduzem argumento decisivo: "além disso". etc. tais como: caso..utilização de termos que indicam a causa do fato: porque. também.. a menos que etc. . "também". em síntese. "já que"... "tanto. do que". se.além disso. de acordo com. contudo. "também" etc. f) introduzem uma conclusão: portanto. "ao contrário".. apesar de etc. d) fazem comparação de superioridade....

Acesso em: 18 ago. Esses elementos podem ser visualizados no ANEXO A. a coerência vai mais longe. etc.pdf.” Assim./436.fea. Alessandra Perez. sua superfície.usp. e isso os distingue dos problemas morais da vida cotidiana. >.3." (VIANA. vide exemplo no ANEXO A.5 O parágrafo e as citações Nos textos científicos. mas também para adiante no texto. a concatenação entre as frases em busca da unidade de sentido: “enquanto a coesão se preocupa com a parte visível do texto. Disponível em: <www. De acordo com Vazquez (1985. para escrever bem. é comum o autor introduzir citações diretas ou indiretas para desenvolver o tópico frasal.ead. cuja função fundamental seria a de indicar o comportamento melhor do ponto de vista moral. preocupa-se com o que se deduz do todo. b) marcam a sequência temporal: "cinco anos depois". o ético tornar-se-ia uma espécie de legislador do comportamento moral dos indivíduos ou da comunidade. GODINHO. "finalmente". etc. São elementos que: a) introduzem o tema ou indicam mudança de assunto: "a propósito". 1998. Gustavo Froelich. "um pouco mais tarde". "desse modo". "a seguir". p. como. etc Além dessa forma de conexão. etc. Por meio desse processo. "atrás". responsável pela “amarração” das ideias. "na frente". MAK. d) indicam a ordem dos assuntos do texto: "primeiramente".55 l) trazem uma confirmação ou explicitação: "assim". é preciso que haja coerência. p. Observe: Citação direta: Os problemas éticos caracterizam-se pela sua generalidade. Hugo Domith. Mas “não basta costurar uma frase a outra”. É importante lembrar que a coesão permite ao autor do texto amarrar uma frase à anterior. etc.br/Semead/9semead/resultado_semead/. c) indicam a ordenação espacial: "à direita". há elementos que possibilitam a sua sequência. CAMBAÚVA. A Ética aplicada para o sucesso nos Negócios. 5.2009. "por falar nisso". "mas voltando ao assunto" etc. “Por causa de seu caráter prático […]. 28-29) Para compreender como se processa a coesão no texto. . m) especificam ou exemplificam o que foi dito: "por exemplo". 10). "dessa maneira". é possível se olhar para trás.. Passemos agora a tratar das citações como forma de desenvolvimento do tópico frasal ou da ideia central do parágrafo.. tentou-se ver na ética uma disciplina normativa.

Quanto à filosofia moral./436. a análise deontológica sugere que. o estatuto da ética é teórico. Hugo Domith. ou “ética nazista”. Para Robin e Reidenbach (1987). a deontologia tem como foco o objeto de análise o indivíduo. de prestação de contas de todos os stakeholders envolvidos. REIDENBACH. Como afirma Robert Srour: “Enquanto a moral tem uma base histórica. existem ideais que podem guiar o pensamento humano.. verifica se as opções se conformam aos padrões sociais. Para garantir que os parágrafos mantenham entre si uma coerência lógica ou uma relação de interdependência. É importante ressaltar que a articulação das idéias é condição essencial para garantir a unidade do texto. 1998.Responsabilidade social corporativa e Marketing social corporativo:uma proposta de fronteira entre os dois conceitos. mas não são necessariamente absolutos. Rio de Janeiro. “ética liberal”. .1987). Para Fan (2005).Agnaldo Keiti. A ética estuda as morais e as moralidades. e que estes dois ideais podem ser considerados universais.pdf.” (SROUR. 2007. gerencial. as duas principais tradições que dominam o pensamento corrente são a deontologia e o utilitarismo.. imagem corporativa e cidadania corporativa. Rio de Janeiro. Agnaldo Keiti. Alessandra Perez. porém diferentes. 270) GODINHO. a responsabilidade social corporativa se refere ao contrato social firmado entre companhia e sociedade na qual esta executa suas atividades.Francisco Giovanni David. >. enquanto que o utilitarismo possui uma característica social e foca o bem-estar da sociedade como um todo. apesar de ambas utilizarem termos como reputação corporativa. set. obrigações e serviços aceitos por todos que regulam as ações da corporação com relação ao bem. CAMBAÚVA. ao passo que a ética nos negócios demanda que as organizações se comportem conforme uma filosofia moral.Responsabilidade social corporativa e Marketing social corporativo:uma proposta de fronteira entre os dois conceitos.ead. p. set. Segundo Carrol (1999). corresponde a uma generalidade abstrata e formal. Disponível em: <www. In: XXXI Encontro da ANPAD. à primeira vista. como podem induzir expressões correntes como “ética católica”.estar da sociedade (ROBIN. Acesso em: 18 ago. Como se pode perceber. 2007. In: XXXI Encontro da ANPAD. VIEIRA. HIGUCHI. evoluindo para uma responsabilidade social corporativa. VIEIRA.fea.br/Semead/9semead/resultado_semead/. Gustavo Froelich. _____________________________________________________________________________ HIGUCHI. utilize os elementos de ligação ou links. Citação indireta: O contrato social compõe-se do conjunto de relacionamentos.2009. A Ética aplicada para o sucesso nos Negócios. analisa as escolhas que os agentes fazem em situações concretas.usp. Já o utilitarismo defende que o que deve ser priorizado é o bem maior para a maior quantidade de pessoas. a responsabilidade social iniciouse com um foco filosófico de base ético-moral. MAK.Francisco Giovanni David.56 É importante notar que a ética não se deve confundir com moral. Cabe aqui esclarecer que responsabilidade social corporativa e ética nos negócios são dois conceitos intimamente relacionados.

Por isso. clareza. Por isso. simplicidade e formalidade." (Fernando Sabino) "Reescrevi trinta vezes o último parágrafo de Adeus às Armas antes de me sentir satisfeito.57 5 O SUJEITO E A REDAÇÃO DO TEXTO CIENTÍFICO http://t2. Redação de Texto Científico. partilhar um saber. divulgar ideias.ufsm.usr.ppt> . à luz da análise e da aplicação de um método/técnica. que escrevi 1100 páginas datilografadas para fazer um (Clarice Lispector) .gstatic." (Ernest Hemingway) "Que ninguém se engane.br/~august/pesquisa/textocientifico. Produzir um texto científico não é nenhum “bicho de sete cabeças”." AUGUSTIN. o ato de escrever é muito difícil e penoso. só consigo a simplicidade através de muito trabalho. Disponível em:<www. mas requer dedicação. tenho sempre de corrigir e romance no qual aproveitei pouco mais de 300.alienado. precisão. Iara.inf. seu estilo é marcado pela objetividade. usando terminologia específica da área do saber. Acesso em:12 abr.com/images?q=tbn:pJ7Kx51I3v4s7M:http://www. clareza e clareza. vamos ler com calma algumas citações sobre o ato da escrita: "Tudo que é fácil de ler é difícil de escrever . informar. antes de começar a tratar do assunto. como exemplo.net/fotos/2009/03/ dicas-para-escrever-bem-uma-redacao. concisão.” (Anatole France) "Para mim. Seu objetivo é expor informações comprovadas ou passíveis de comprovação.2010 8 reescrever várias vezes. segundo Augustin8 versa sobre temas que podem ser tratados cientificamente. Basta dizer.e vice-versa." (Telmo Monteiro) "Escrever é cortar palavras“ (Carlos Drummond de Andrade) "Enxugar até a morte“ (João Cabral de Melo Neto) "Corte todo o resto e fique no essencial“ (Hemingway) “O texto deve ter três virtudes: clareza. Isso significa dizer que sua linguagem deve respeitar o padrão culto da escrita.jpg O texto científico.

planejamento e organização do texto. 3. 5. 2º Passo: Escritura Para entender melhor essa fase da escritura. Antes de iniciar. pois adjetivos expressam selecionar textos que abordem o tema pesquisado . 4. 8. Revisões técnicas (conteúdo) Revisões de estilo (clareza e legibilidade) Revisões por colegas e orientador Portanto. use o ponto. só entregue seu texto ao professor orientador depois de obedecer às etapas acima!!! Mas como produzir textos. Prefira colocar ponto e iniciar nova frase a usar vírgulas. ler os textos para reunir informações. Na dúvida. 2. Abuse dos pontos. Pensar e registrar. afinal?? 1º Passo: Leitura • • • • • • Lacaz-Ruiz. Use apenas os adjetivos e advérbios extremamente necessários. Escreva sempre na ordem direta: sujeito + verbo + complemento. Dentre elas. Só use palavras precisas e específicas. Organizar as informações. 7. Só escreve com clareza quem tem as idéias claras na mente. Produzir fichamentos e resumos. 6. Procure não usar verbos. diminutivos e superlativos . parênteses e travessões. organize um roteiro com as ideias e a ordem em que elas serão apresentadas. vamos observar algumas dicas do professor Valenti apud juízo de valor. Uma frase repleta de vírgulas está pedindo pontos. Evite orações intercaladas. Corte todas as palavras inúteis ou que acrescentam pouco ao conteúdo. Trabalhe com um dicionário e uma gramática ao seu lado e não hesite em consultá-los sempre que surgirem dúvidas. 1. 9. usuais e curtas. 10. Se a informação não merece nova frase não é importante e pode ser eliminada. substantivos aumentativos.58 Como podemos perceber. Para tanto é necessário observar as etapas da produção de um texto: • • • • • Planejamento Produção da primeira versão (rascunho) Deixe fluir livremente as ideias. reescrever é preciso! Então mãos à obra. prefira as mais simples. Escreva sempre frases curtas e simples. Estabeleça um plano lógico para o texto.

Após a correção de cada parágrafo. equações. c) verifique se a mensagem principal que você desejava transmitir está de forma clara a ser entendida pelo leitor. Isso significa que. símbolos. observe se os parágrafos se interligam entre si. preferencialmente. observe: a) se o texto está organizado segundo um plano lógico de apresentação do conteúdo. b) na segunda. cheque se está tudo em forma direta e modifique se necessário. 15. datas. c) na terceira. A última frase deve seguir de ligação com o parágrafo seguinte. Se for necessário. digitação e erros gramaticais. tais como de regência e concordância. e as referências bibliográficas. procure repetições. Veja se você não está adivinhando. corte todas as palavras desnecessárias. com frases retóricas e palavras incomuns não demonstram erudição. pelo contexto... e) na quinta.. em períodos escritos de forma diversa.. Veja se não há repetições da mesma informação em pontos diferentes do texto. Prefira frases afirmativas. o sentido de uma frase mal redigida.59 11. Os parágrafos devem interligar-se de forma lógica. cheque se as informações estão corretas e se realmente está escrito o que você pretendia escrever. citações de tabelas e figuras. se os inter-títulos (título de cada tópico) são concisos e refletem o conteúdo das informações que os seguem. procure erros de grafia. ecos. orações intercaladas e. leia todo o texto três vezes e faça as correções necessárias. b) se a divisão em itens e subitens está bem estruturada. As demais devem corroborar o conteúdo apresentado na primeira. Um parágrafo só ficará bom após cinco leituras e correções: a) na primeira. Ao contrário. . 13. faça nova divisão do texto ou troque parágrafos entre os itens. enfática e. mas com significado semelhante.uma por cada tratamento" . mas nos esquecemos de que o nosso leitor não tem essa consciência.) 12. sobretudo valores numéricos.. quando começamos a produzir nossos textos. uma porcada. em separado. conter a informação principal. o autor ainda recomenda que devemos escrever do geral para o particular. elimine-os.. elimine todos os adjetivos e advérbios que puder. cheque todas as informações. Na terceira leitura. Lembre-se que textos longos e complexos. Evite ecos ("avalia/ção/ da produ/ção/") e cacófatos (". d) na quarta. Na primeira leitura. Na segunda. Um parágrafo é uma unidade de pensamento. Além desses aspectos. indicam que o autor precisa melhorar seu modo de escrever. Elimine todos os parágrafos que contenham informações irrelevantes ou fora do assunto do texto. normalmente já temos uma noção do que vamos escrever. 14. Sua primeira frase deve ser curta. cacófatos.

realizou a coleta de dados ou coletaramse os dados. por causa de. muitos anos) Depois de tantas informações. lá. cuidado com a concordância verbal: os dados foram coletados) • Evite palavras vagas (coisa... vale observar algumas regras básicas para produção do texto científico: • • Evitar primeira pessoa do singular ou do plural (eu/nós).1 Dicas para auto-avaliação de produção de textos Aspectos formais 1) Como você sinalizou a coesão entre as frases e parágrafos? 2) Todos os termos anafóricos (isso. ou de cada frase. Utilize: ‘este trabalho”. antes de entregar seu texto. (neste caso. escrevemos bem menos do que precisamos para transmitir uma ideia. 6. enquanto.60 Por este motivo. o que acaba dificultando a leitura. porque. é necessário partir para a prática. o mesmo. portanto. mas. quando. faça as revisões necessárias. mesmo os gerúndios e os infinitivos? . como: em função de. Mas não se esqueça. o futuro leitor conseguirá recuperar essas relações? Se usou tem certeza de ter empregado o articulador mais adequado para expressar a relação entre as idéias? 5) A estrutura de cada frase está clara? 6) Todos os verbos têm um sujeito sintático identificável. etc) têm antecedente claro para o futuro leitor? 3) As expressões do tipo “esse problema. entretanto. esse. consequentemente. O emprego do pronome se (partícula apassivadora) é mais adequado para garantir o apagamento do sujeito e a impessoalidade do texto: Procedeu-se ao levantamento. no entanto. por oposição a. “neste ou no presente estudo”. apesar de. seguem algumas dicas que vão lhe auxiliar. logo. várias vezes. o que você chamou de problema é problema mesmo?) O antecedente dessas expressões está presente no resumo e é fácil de ser recuperado pelo leitor? 4) Você explicitou as relações lógicas entre as idéias de cada item. ele. essa questão. por meio de conectivos e articuladores. Isso significa que deixamos subentendida uma série de raciocínios intermediários.. Caso tenha dúvidas nesse procedimento.. etc? Se não usou articuladores. senão. esse fato. esta. essa situação” são adequadas para recuperar as ideias a que se referem (o que você chamou de fato é fato mesmo. aquilo. se. Por fim.

Maria da Graça. os termos longos que ficaram intercalados e as orações intercaladas? 4) Separou por vírgulas as orações subordinadas ou termos longos que foram deslocados para o começo do período? 5) Separou por vírgulas os elementos de enumerações? 6) Separou por vírgulas apostos e termos. Belo Horizonte: SEE-MG. Wander: A fórmula do texto: redação. ed. foi feita a concordância padrão (não foram dadas as explicações suficientes. Londres: Longman. Módulo II – Segunda série. 1995.65-83 EMEDIATO.61 7) Nos períodos compostos e nas frases subsequentes.ed. orações ou expressões explicativas do tipo “isto é. 17. em vez de não foi dado explicações suficiente)? 11) E nos verbos que estão longe do sujeito e nos adjetivos que estão longe dos substantivos a que se referem. 1997. Porto Alegre: Artmed. Campinas: Papirus. houve concordância? Convenções gráficas 1) Você acionou o seu revisor ortográfico ou consultou um bom dicionário? 2) Pôs alguma vírgula separando sujeito de verbo? 3) Deixou de separar. 2. São Paulo: Geração Editorial. quantitativo e misto. com duas vírgulas. Fundação Getúlio Vargas. . HALLIDAY. colocou uma vírgula antes e outra depois? COSTA VAL. Estratégias de Redação e considerações éticas. Othon Moacyr. p. Comunicação em Prosa Moderna: aprender a escrever. argumentação e leitura. FEITOSA. Vera C. aprendendo a pensar. Programa-piloto de inovação curricular e capacitação de professores do Ensino Médio. 296p. 2004. Cohesion in English. GARCIA. 1997. Rio de Janeiro. & HASSAN. o sujeito elíptico e oculto coincide com o sujeito expresso mais próximo? (ou o pobre leitor terá que adivinhar quando deve “trocar” de sujeito e qual sujeito deve atribuir a cada verbo?) 8) Todos os sujeitos têm predicado? 9) Todos os períodos compostos têm oração principal? 10) As concordâncias verbais e nominais estão corretas? Nas frases na voz passiva. A. 1976. ou melhor” ? Se estiverem intercalados. In: Projeto de pesquisa: métodos qualitativo. Redação de textos científicos. K. 2007. M. REFERÊNCIAS CRESWELL. John. R. uma no começo outra no fim.

Notas e reflexões sobre redação científica. Acesso em: 11 abr. 2010.uol.ed. Coesão: as partes de sua redação formam um todo? Disponível em: <http://educacao. São Paulo: Atlas.com. B. J.2010 MEDEIROS. SALOMON. Rogério. Acesso em: 1 abr.br/portugues/ult1693u13. 1999. Disponível em: < file:///C:/Documents%20and%20Settings/Administrador/Desktop/Notas. 2. 1996. São Paulo: Scipione. 1998. C.62 LACAZ-RUIZ. ANEXO A . Alfredina. NÉRY. Délcio V.texto%20cient%C3%ADfico.jhtm>. A. VIANA. htm>. Redação científica. São Paulo: Martins Fontes. Roteiro de redação. Como fazer uma monografia.

63 Fonte: Creswell: 2007.74 . p.

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