DEU BRANCO?!

maio 2004 :: ano1 :: nº5 :: www.arteccom.com.br/webdesign
R$ 6,90
Estudo de caso: Hotsite Brahma - Zeca Pagodinho
Inspire-se nos macetes dos grandes profissionais para fugir do “branco”
Tipografia Digital: entrevista, dicas e links
Portfólio: Thunder House / Zentropy
Brainstorming: conheça melhor esta técnica para desenvolver sua criatividade
“Estamos a caminho de uma sociedade sem computadores pessoais” Luli Radfahrer
saiba como os profissionais mais criativos do mercado encontram inspiração
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Apreciem sem moderação
Quando a equipe me avisou que, praticamente, só faltava o edi-
torial para fechar a revista e eu pedi uma opinião sobre o que escre-
veria, logo me perguntaram se tinha dado um branco...
Na verdade, sempre me dá um branco. Então, pensei: vou ler
essa tal de Webdesign, quem sabe não aprendo alguma coisa?! E não
é que Daniel Brum, da agência Urbana (pág. 40), esclareceu meu
branco constante. É a falta de limites. Pelo tema do editorial ser livre,
posso falar aqui de qualquer assunto, desde que exista um link com o
conteúdo da revista. Mas é esse excesso de liberdade que atrapalha.
Bem, depois que li a revista e descobri o motivo do ‘ branco’, fiquei
mais tranqüila e me senti mais confortável.
Quando resolvemos o conteúdo de cada edição da Webdesign,
aqui na Arteccom, imaginamos o que gostaríamos de saber, de apren-
der, e corremos atrás disso. Se estamos aprendendo realmente algo
com as matérias, com as entrevistas, com os artigos, com os debates,
acredi tamos ser este o caminho.
Vol tando à minha leitura, logo em seguida, Daniel Brum dá uma
entrevista sobre o hotsi te da Brahma, que complementou a polêmica
campanha televisiva com o “garoto propaganda” Zeca Pagodinho.
Simplesmente, excelente. Ele expl ica claramente como explorar as
potencial idades e recursos que a internet oferece. Nós adoramos e
aprendemos bastante com mais esta edição. Espero que vocês gos-
tem também! Minha dica é: apreciem sem moderação ;-)
Um grande abraço,
Adriana Melo
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Equipe
Direção Geral
Adriana Melo
adriana@arteccom.com.br
Direção de Redação
Bete Veiga
bete@arteccom.com.br
Direção de Arte
Patrícia Maia
patricia@arteccom.com.br
Ilustração
Beto Vieira
beto@arteccom.com.br
Diagramação
Bruna Werneck
bruna@arteccom.com.br
Publicidade
Daniele Moura
daniele@arteccom.com.br
Webdeveloping
Fabio Pinheiro
fabio@arteccom.com.br
Contabilidade
Ana Maria Medeiros
ana@arteccom.com.br
Criação e edição
Distribuição
Colaboração
:: A Arteccom não se responsabiliza por informações e opiniões contidas
nos artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários.
:: Não é permitida a reprodução de textos ou imagens sem autorização
da editora.
:: Os emails são apresentados resumidamente.
:: Sugestões dadas através dos emails enviados à revista passam a
ser de propriedade da Arteccom.
www.chinaglia.com.br
www.arteccom.com.br
Bruna Kanhan - Redação
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apresentação
pág. 4 quem somos
pág. 5 menu
contato
pág. 6 emails
pág. 6 fale conosco
com a palavra
pág. 54 estratégia onl ine: Marcello Póvoa
pág. 56 webwri ting: Marcela Catunda
pág. 60 marketing: René de Paula Jr.
pág. 62 interface: Cláudio Toyama
pág. 64 webdesign: Lul i Radfahrer
e-mais
pág. 42 estudo de caso: hotsite brahma
pág. 46 tipografia digital
pág. 51 tutorial: formulários em flash com PHP
matéria de capa
pág. 19 entrevista: Clovis La Pastina
pág. 24 e tudo se fez... branco!
pág. 30 brainstorming
pág. 32 criar para solucionar
pág. 35 debate: O que você faz quando dá branco?
portfólio
pág. 13 veterano: Thunder House/Zentropy
pág. 18 calouro: Glauco Diogenes
fique por dentro
pág. 9 adote esta página
pág. 10 clipping
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Trabalho na área há quase dez
anos e sempre tive um certo
desgosto em pesquisar outras
revistas que, na realidade,
nunca foram tão eficientes
como a nossa Webdesign,
graficamente agradável e
impecável nos seus serviços de
informação! Pessoal, nunca
deixem a peteca cair, hein?!
Flávio S. Martins
flavius3@bol.com.br
Obrigada, Flávio! Adorei a “nossa”
Webdesign. A peteca não vai cair se
pudermos contar sempre com a
ajuda, as sugestões valiosíssimas e
a força de vocês. Um grande abraço!
Assunto: Não deixem a
peteca cair
Assunto: Usabilidade
Assunto: Autenticidade
parabenizar a iniciativa da
Arteccom de desenvolver uma
revista sobre webdesign
realmente de respeito, não
aquelas revistas de 13 a 15
reais que, no máximo, vêm
com os trials dos programas
mais utilizados, e nunca
acrescentaram nada para o
desenvolvedor. Vocês
desenvolvem um trabalho
sério, e eu, aqui em Ribeirão
Preto, já comprei as duas
primeiras edições (como é
difícil encontrar a revista!).
Devem estar disputando à tapa
pra comprá-la. rss...
Caio Vinícius Osman
caioosman@audaxwebdesign.com.br
Para a Wd é gratificante poder
atender aos desenvol vedores
também. Como o projeto de um site
deve ser feito em equipe, é bom que
designers e desenvolvedores falem
a mesma linguagem.
Assunto: À tapa
A revista Webdesign fomenta
inquietudes importantes e
desperta, com uma certa
sutileza, a necessidade de
sermos autênticos. O Made in
Brazil, que de estrangeiro
Que tal uma seção falando das
fontes mais usadas na web? O
porquê de tantas fontes
dingbats. Por que algumas são
grátis e outras chegam a
custar mais de US$100.00?
Estou adquirindo muito mais
conhecimento e informação em
web e design através desta
publicação. Parabéns!
Gelson Rosin
gelson.rosin@terra.com.br
Gelson, vá até a página 49. Seu
pedido é uma ordem! ;-)
Assunto: Tipografia
fale conosco :: www.arteccom.com.br/webdesign ::arteccom@arteccom.com.br
Gostaria de, primeiramente,
parabenizá-los pela excelente
qualidade da revista:
impecável, tanto no aspecto
gráfico quanto no conteúdo. A
sugestão que quero dar é que
publiquem artigos voltados ao
empresariado, pois, por
incrível que pareça, existem
muitos que ainda não
acreditam que internet
proporcione retorno para o
negócio.
Alexandre L. Paschoalino
alexpaccino@terra.com.br
Utilizaremos como tema de capa da
edição de junho sua sugestão: o que
o cliente precisa saber. Acreditamos
que ajudará o designer a orientar
bem seus clientes. Parabéns pela
idéia, Alexandre!
Assunto: O que o cliente
precisa saber
apenas pode ter o rótulo, deve
levar o nosso conteúdo, a
nossa arte, o nosso objetivo, a
nossa autenticidade e dizer a
todos o que aqui se faz.
Se atuamos no mercado
nacional, devemos reproduzir o
desejo nacional, bem como
satisfazer as necessidades e
demandas nacionais. Não
devemos criar algo pensando
em necessidades e preceitos
que não são nossos.
Acredito ser de enorme valia
uma revista voltada para
um público de
mão-de-obra
especializada,
que também
demonstre
preocupação
com a sua
formação
sócio-cultural.
Não há para
onde corrermos, precisamos
nos inserir melhor na
sociedade, precisamos
aprender a vender o nosso
peixe, precisamos de retórica
sem superficialidades.
Uma revista de tal forma
democrática, que desperta em
nós, leitores, o sentimento de
sermos pertencentes, só
poderia ser um sucesso.
Sheila V. Freire
svfreire@hotmail.com
Olá, Shei la! E com esta edição,
valorizamos ainda mais a importância
de projetos originais e criativos.
Esperamos que seja bastante útil.
Gostaria de ver reportagens
sobre ‘usabilidade’ ou
pesquisas centradas no
‘usuário’: empresas que fazem
pesquisas e quanto custam; a
aceitabilidade do mercado
empresarial e quanto estão
dispostos a pagar.
Joana Andrade
joanahyper@hotmail.com
Olá, Joana! Faremos uma revista com
tudo sobre usabilidade. Aguarde!
Aliás, estamos aceitando sugestões
para matérias de capa. Envie a sua!
Primeiramente, gostaria de
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painel de controle - webmail - ftp - contador
antivírus e antispam nos emails - php - asp
estatística de visitação - aspemail - mysql
perl - access - extensões front page - e muito mais
Servidores
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Adotando esta página, a agênciax.com contribuiu com R$600,00 para a
manutenção do projeto Mage-Malien – Crianças que Brilham, benefician-
do integralmente crianças e jovens de comunidades menos favorecidas.
O projeto possibilita o acesso das crianças ao universo da educação, da
arte e da cultura através de cursos e oficinas ministrados gratui tamente
pela equipe Beriba-Rei Capoeira. Ocupando de maneira sadia suas horas de lazer,
os jovens aprendem o exercício pleno da cidadania.
A Arteccom acredita na construção de um futuro melhor e agradece este gesto de solidariedade!
Você também pode ajudar a manter o brilho dessas crianças: ligue para (21) 2253-0596
ou envie um email para arteccom@arteccom.com.br e adote esta página!
Para conhecer o projeto Magê-Malien, visite o site www.arteccom.com.br/magemalien.
“Eduquem-se as crianças e não será necessário punir os adultos” Piaget
adotou esta página
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Rua Albi ta, 131 sl 306
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Belo Horizonte
(31) 3227-7177
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Talento feminino na web
Recém-lançado no mercado editorial, o livro “Idéias Criativas em
Flash MX para Web”, de autoria da webdesigner Flávia Barbieri
Soares, apresenta de forma criativa técnicas para a utilização
do Flash MX de maneira adequada. Baseando-se no livro e
usando o programa, os leitores terão acesso a conceitos para
construção de websites consistentes através de exemplos e
idéias. Além disso, traz efeitos criativos de animação, incluindo
Action Script e técnicas básicas de animações funcionais.
“Espero que ele possa complementar a experiência dos
leitores de maneira inteligente, eficaz e agradável”, diz a autora.
Editora: Ciência Moderna. Preço: R$ 40,00
Intel vai lançar
processadores
“ecológicos”
A Intel anunciou que vai lançar, no fim deste
ano, processadores “ecológicos”. Os novos
chips serão praticamente livres de chumbo e não
vão prejudicar o ambiente, disse a empresa. Os
equipamentos terão apenas 5% do material
usado nos produtos vendidos hoje em dia.
“Processadores sem chumbo são uma exigência
do futuro”, disse Michael Garner, diretor de tecnologia de materiais
da Intel. “Esse é o momento certo para o lançamento destes produtos.”
As fabricantes de produtos eletrônicos são cada vez mais pressionadas
a usar materiais e componentes que não prejudiquem o ambiente.
Além disso, muitas substâncias estão sendo consideradas perigosas
para os consumidores e estão sendo proibidas pelas agências de
regulamentação.
Robôs fazem de tudo
A Toyota anunciou um projeto para
desenvolver robôs destinados a
serem assistentes pessoais.
Este da foto tem 1m20cm
de altura, 35 quilos e lábios
artificiais com movimentos
tão semelhantes aos dos
humanos que lhe permitem tocar um trompete.
O robô da Toyota interage com seu parceiro enquanto demonstram
seus movimentos fluidos. Eles integram um projeto da companhia japonesa
para o lançamento de robôs destinados a dar assistência aos humanos
numa diversidade de áreas. O presidente da Toyota Motor Corporation,
Fujio Cho, afaga um dos novos robôs humanóides que a companhia planeja
lançar. A Toyota quer que que seus robôs parceiros “tenham características
humanas, como agilidade, bondade, gentileza e inteligência suficientes
para serem hábeis na operação de variados dispositivos nas áreas de
assistência pessoal, cuidado de idosos, linhas de produção e mobilidade”,
disse Cho.
Detetives digitais caçam copiadores de textos
Começou a temporada de caça aos copiadores de textos na internet: segundo o Wired News, muitas empresas de
advocacia já estão se utilizando de detetives digitais para vasculhar a internet em busca de plagiadores, como o
historiador Stephen Ambrose, acusado de temperar seus best-sellers com trechos roubados de outras pessoas.
O jornal USA Today anunciou que havia usado softwares de detecção de plágio na investigação do caso Jack
Kelley, o repórter que teria inventado matérias de capa e copiado material de diversas fontes, inclusive do The
Washington Post.
Quem está feliz da vida com a notícia é John Barrie, dono da eParadigm, empresa que tem registrado ganhos anuais
de US$ 10 milhões com o serviço Turnitin, que verifica o conteúdo de cada texto publicado na internet, através de um
banco de dados contendo livros, artigos de jornais e websites. Ano passado, a iParadigm aumentou seu investimento na área. ao
oferecer um novo programa chamado iThenticate, que cruza informações e livros publicados online para saber se seus autores foram
plagiados.
Concurso de sites já tem
mais de duzentos inscritos.
Participe!
O Plug In Website Award, concurso que vai premiar
os melhores sites da web brasileira, já apresenta
concorrência acirrada: mais de duzentos sites foram
cadastrados. O grande vencedor ganhará um Pentium
4 mais um ano de hospedagem grátis com a Plug
In. Corra e parti ci pe do concurso em
www.plugin.com.br/concurso. Boa sorte!
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(01) http://www.estadao.com.br/tecnologia/ internet/2004/abr/05/53.htm
(02) http://informatica.terra.com.br/ultimas/galerias/0,,EI553,00.html
(03) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u15669.shtml
(04) http://www.tonanet.com/livro_FlashMX/
(05) http://www.plugin.com.br/concurso
(06) http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032004/24032004-2.shl
(07) http://idgnow.terra.com.br/idgnow/internet/2004/04/0014
(08) http://idgnow.terra.com.br/idgnow/pcnews/2004/04/0013
(09) http://idgnow.terra.com.br/idgnow/pcnews/2004/04/0012
(10) http://ultimosegundo.ig.com.br/useg/economia/mundovirtual/artigo/0,,1572353,00.html
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Descobertas falhas críticas em versões do
RealPlayer
Foi detectada uma grave falha de segurança nos tocadores multimídia da Real Networks
- RealPlayer e RealOne. O site de segurança francês K-OTik anunciou que, através de
uma vulnerabilidade crítica, um usuário mal-intencionado pode comandar um ataque
remoto ao usuário do aplicativo, provocando um erro de buffer overflow (sobrecarga
de memória). A vulnerabilidade está presente no processamento de arquivos de
extensão .R3T (RealText 3D), permitindo ao hacker executar comandos aleatórios
no sistema atacado. As versões atingidas são o RealPlayer 8, RealOne Player, RealOne
Player v2, RealPlayer 10 Beta, RealPlayer Enterprise. A Real já oferece solução para
o problema.
Microsoft lança linha de mouses futuristas
A Microsoft apresentou em 06/04 três novos modelos de sua linha de mouses, que permitirá
aos consumidores personalizar seus PCs com equipamentos nada convencionais. Cores fortes
e texturas diferenciadas marcam os três novos membros da família, que levam
os nomes de Groovy, Immersion e Night Vision.
O mouse óptico e sem-fio Groovy (US$ 44,95) remonta ao estilo da
década de 60, e leva tonalidades brilhantes nas cores laranja, pink e
vermelho. Já o Immersion (US$ 54,95), com fluidos das cores azul e
violeta. O Night Vision (US$ 54,95), criado em tons de verde e preto,
“evoca uma imagem futurista da fantasia criada na ficção científica”,
segundo o fabricante. De acordo com a Microsoft, será vendido no mercado
brasileiro somente o modelo Night Vision. A previsão é que o produto esteja
disponível ainda neste mês, mas o preço ainda não está definido.
Palestras gratuitas Impacta
A Impacta Tecnologia, com os apoios da Macromedia, Softcorp e revista
Webdesign, realizará em Junho as seguintes palestras:
Tema: “A evolução da internet: de web à plataforma de negócios _ os
‘Rich Internet Applications’”.
Data: 03/06/04. Horário: 19:30/21:30 h.
Local: Rua Árabe, 71 (próximo ao metrô Santa Cruz – SP).
Tema: “Evolução do webdesign no Brasil _ do fazer ao vender”.
Data: 05/06/04. Horário: 10:00/13:00 h.
Local: Rua Árabe, 71 (próximo ao metrô Santa Cruz – SP).
Inscri ções pel o si te www.i mpacta.com.br ou pel o l i nk
www.impacta.com.br/eventos/eve_eventos.asp .
Errata
Na barra superior da página 57 da edição ABR/04, coluna da
Marcello Póvoa, o destaque de texto correto é:
“Está claro que a forma como escutamos música, assistimos a
filmes, e até mesmo como lemos livros, irá sofrer profundas
transformações nos próximos anos”.
Uso de banda larga já representa
60% do tempo de permanência na
Web brasileira
Os internautas que navegam via banda larga já representam mais de
37% do total de usuários domiciliares ativos no Brasil e correspondem
a 60% do tempo total de conexão na web. Os dados da IbopeBOPE/
NetRatings mostram também que os internautas tendem a se
concentrar em si tes de entreteni mento, comuni dade e
aplicativos. “Nossos relatórios mostram que executivos e profissionais
liberais são as categorias que mais utilizam este tipo de tecnologia e
que alguns sites de serviços financeiros e ecommerce já apresentam
mais usuários de banda larga que de linha discada”, esclarece Marcelo
Coutinho, diretor de Serviços de Análise do Ibope.
China bane
cibercafés
perto de
escolas e casas
Os cibercafés chineses estão
proibidos de se estabelecerem
em áreas residenciais e a menos
de 200 metros de escolas de
Ensi no Fundamental e Médi o. A regra da
Administração Geral para a Indústria e Comércio da
China vale para todos os Estados - no país é proibida
a presença de menores de idade em locais públicos
que ofereçam acesso à internet, conta o site
XinhuaNet. Tanto que policiais foram escalados este
ano para patrulhar, entre os meses de fevereiro e
agosto, todos os estabelecimentos deste tipo
exi stentes no paí s, à procura de cri anças e
adolescentes. Os cibercafés são acusados pelas
autoridades chinesas de “espalharem informações
online que fazem mal à saúde”. “Eles trouxeram
grandes danos à saúde mental dos adolescentes e
interferem no ensino escolar”, alega o GAIC. Os
estabelecimentos que não tiverem l icença de
funcionamento serão fechados; os que tiverem
licença mas admitirem a presença de menores de
idade serão “severamente punidos”.
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A Thunder House nasceu como um departamento de internet da
Mccann-Erickson e tornou-se uma agência independente dentro do grupo
Clovis La Pastina é formado em Comunicação Social pela
Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo. Aos 40 anos, o
Gerente Geral da Thunder House, já é um veterano no ramo da
comunicação, mas, de acordo com o que diz o famoso ditado -
“a vida começa aos 40” - ainda tem muito sucesso pela frente.
A Thunder House é formada por profi ssi onai s que atu-
avam offl i ne, antes da di fusão da i nternet. Cl ovi s, por
exempl o, começou a carrei ra como redator há mai s de 15
anos e ao i ngressar, em 1992, numa das mai ores agênci as
de publ i ci dade do paí s, a Mccann-Eri ckson, nem i magi nava
que o seu desti no seri a gerenci ar, sete anos mai s tarde,
uma agênci a especi al i zada em web.
A agência surgiu, originalmente, como um departamento
de internet da Mccann-Erickson. Os primeiros clientes, conse-
qüentemente, eram os mesmos da Mccann. Com o passar do
tempo e a demanda crescendo a cada dia, a Thunder House
tornou-se uma empresa independente dentro do grupo.
Novos clientes foram conquistados com “respeito e trans-
parência, como em qualquer relação. Tudo na vida imita a polí-
THUNDER HOUSE
OLHOS ABERTOS
PARA INOVAR
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“JAMAIS ACEITE QUALQUER
AFIRMAÇÃO DE QUE O MERCADO
ESTÁ RUIM. BATALHE, LUTE, QUE
VOCÊ ACHA O SEU ESPAÇO”
Thunder House Touchscreen: este site, que ganhou o
prêmio Moluv de excelência em design e foi
reconhecido em Cannes, está disponínel na seção
portfólio do site institucional
www.thunderhouse.com.br
www.thunderhouse.com.br/trabalhos/laramara
Este site, da Fundação Laramara, é um dos mais
premiados do mundo.
www.thunderhouse.com.br
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tica ou o casamento. Você tem de ceder, mas também tem
de ser firme na hora certa, ser flexível em algumas ocasiões,
mas nunca deixar que ajam com prepotência com você.
Sorriso também é sempre bom”, diz Clovis.
Em sua opinião, a palavra-chave para o webdesign
sempre foi e, sempre será, usabilidade. “A internet é dife-
rente de todos os outros meios. O meu modo de buscar
informações é diferente do seu. A minha leitura na tela é
diferente da sua. O meu “timming” é diferente, as minhas
prioridades são outras e sou eu quem as faz. Como acer-
tar em cheio o gosto de cada um? Quem faz um anúncio
de revista sabe que o leitor vai virar a página, ver a foto,
ler o título e, se interessar, ler o texto. Mas, e ao entrar
em um site? Há sites que parecem um buraco negro, você
vai entrando em vários níveis e pode até se perder. A so-
lução para isso é usar o bom senso, ir sempre para o bo-
nito e simples, a não ser que você esteja fazendo um site
experimental, sem pretensões de vender ou apresentar
uma empresa”.
O reconhecimento de seus cl ientes é fundamental
para coroar o sucesso da agência paulista. Assim como
Darwin e sua teoria da seleção natural, Clovis também
tem sua versão para expl icar a prosperidade da Thunder
House: “ninguém engana por muito tempo. Quando o
profissional é picareta ou a empresa não é boa, o tempo
se encarrega de fazer a seleção natural. Muita gente per-
deu negócio mesmo quando houve aquela euforia da
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Uma história para contar...
xerox grampeadas. Pois bem
no dia seguinte ao almoço
dos dois, nós fizemos um
clipping ‘fake’, reproduzindo o
que teria sido uma entrevista
do PJ. Pegamos uma foto dele
e eu fiz o texto no formato de
entrevista.
Na entrevista, o PJ que nós
criamos, falava da vontade
dele de mudar a Agência Click
para um loft, contava que a
tal concorrência já estava ga-
nha e finalizava falando da-
quelas agências que ele acre-
ditava que eram as melhores
do mercado, sem ci tar a
Thunder, é claro. O Bob ficou
louco da vida, fumava tre-
mendo muito e me chamou
para ver a entrevista. Eu dei
de ombros e falei pra ele dei-
xar pra lá, mas ele pegou o
telefone e disse: “Eu vou ligar
agora para esse f…”.
Bem, óbvio que nós tivemos
que explicar para ele o que tí-
nhamos fei to, mas, mesmo
assim, ele demorou para
acredi tar, porque a nossa en-
trevista estava muito perfeita.
Acho que o PJ só vai saber
disso pela Webdesign”.
“Certa vez, o Bob foi almoçar
com o PJ, da Agência Click, e
contou sobre alguns planos de
mudança da Thunder para um
loft. Na época, as duas agênci-
as estavam na mesma concor-
rência e eles foram super polí-
ticos sobre o assunto.
Nesse período, na McCann,
nós recebíamos o clipping im-
presso, em várias folhas de
www.giacomofavretto.com.br
A navegação faz analogia à manipulação de uma
fotografia por um fotógrafo.
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internet, e achou que era simplesmente uma forma de ga-
nhar dinheiro fácil. Realmente, ganhava-se dinheiro mais
fácil do que hoje, mas trabalhava-se muito, como continua
acontecendo”.
Quando o assunto é trabalho, Clovis abre seu portfólio
para mostrar alguns motivos de orgulho da Thunder
House. O briefing para o si te da Gol era simples: vender
passagens aéreas pela internet. “Fizemos um site modular,
que funciona como um Lego. Tudo pode ser mudado pelo
próprio cliente conforme a sua necessidade, exceto a seção
em que os internautas compram as passagens. Deu, e con-
tinua dando, um super resultado. A Gol conseguiu quebrar
a barreira de compra de bi lhetes via web. Tudo foi desen-
volvido em cgi”.
Para o fotógrafo Giácomo Favretto foi feita uma pági-
na personalizada e muito criativa. O site aproveita a luz
que vem de trás do computador para representar a mesa
de luz na qual o fotógrafo apresenta seus trabalhos em
cromo. “Na vida real, o fotógrafo faz exatamente isso, liga
a mesa de luz, coloca os cromos sobre ela e mostra os de-
talhes do cl ic no conta-fio. No site você faz o mesmo: ar-
rasta o cromo sobre a mesa e arrasta o conta-fio sobre o
cromo para vê-lo ampliado. Foi todo feito em Director”.
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“A PALAVRA-CHAVE
PARA O WEBDESIGN
SEMPRE FOI E
SEMPRE SERÁ:
USABILIDADE”
O si te da Laramara foi desenvolvido em uma tela
toda preta, na qual o visitante não enxerga o cursor e não
tem a mínima idéia para onde seguir. “Uma voz vai lhe gui-
ando, falando para você ir mais para os lados direi to ou
esquerdo, para cima ou para baixo. Diz também pra você
clicar no menu até achar um game que você joga sem ver
nada. Tudo isso para mostrar como é difíci l a vida de quem
é deficiente visual. Fei to todinho em Flash”, explica ele.
Pessoalmente, Clovis é “tarado por cinema” e sente-se
realizado, principalmente, porque adora ser pai. Profissio-
nalmente, ele se considera metódico e perfeccionista. Aos
designers que estão entrando no mercado, deixa uma su-
gestão: “nunca, jamais aceite qualquer afirmação de que o
mercado está ruim, que ele está lotado, que tem gente indo
para a rua, que o risco-país influencia na tomada de decisões
dos clientes. Desde que eu me conheço por gente a situa-
ção está ruim. Aliás, acho que ela está ruim desde 1500,
quando fomos descobertos. Se a si tuação está tão ruim
assim, porque não vamos todos para a praia? Não acei te
desculpas. Batalhe, lute, que você acha o seu espaço”.
Para o próprio futuro, Clovis tem seus planos: “Teria fei-
to jornalismo. Espero ficar rico, largar tudo e fazer jornalis-
mo”. Enquanto o futuro não vem, ele espera... sentado, no
selim de uma bicicleta. “Aqui na Thunder, nós temos uma
equipe que vai para as trilhas de bike, no meio do mato, para
encher os pulmões. Ultimamente, isso tem virado uma febre
por aqui. No carnaval, foram 400 km em quatro dias. Já par-
ticipamos de provas no mini-EMA, com corridas de aventura,
mas isso eu não faço mais. Principalmente, porque, agora, eu
tenho um bebê pra cuidar”, lembra o papai coruja.
17
“A SOLUÇÃO É SEMPRE IR PARA O BONITO
E SIMPLES, A NÃO SER QUE VOCÊ ESTEJA FAZENDO
UM SITE EXPERIMENTAL, SEM PRETENSÕES DE
VENDER OU APRESENTAR UMA EMPRESA”
De cima para baixo, nesta coluna:
www.voegol.com.br
http://200.162.218.57/lycra/index.asp
Ao lado:
www.thunderhouse.com.br/trabalhos/sorriso_jua
www.sadiakits.com.br
http://200.162.218.57/intelig/homesv.asp
www.bayer.com.br
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“Trabalhar sob pressão, para algumas pessoas pode ser estimulante,
mas não é o meu caso”, confessa. Recém-formado pela UniFMU (Unidade
Vila Mariana - SP), no final de 2003 concluiu o curso de Desenho Indus-
trial com bacharelado em Design Gráfico e vem trabalhando como
freelancer há cerca de dois anos.
Como resul tado de um pri mei ro projeto i ndependente bem fei to,
Gl auco consegui u dar conti nui dade a seu trabal ho graças ao famoso, e
efi ci entí ssi mo, boca-a-boca. Por conta di sso, j á real i zou mai s de 80
jobs (i lustrações para revistas, websi tes, logotipos de casas noturnas),
inclusive para as revistas Playboy e VIP. Também participou da campa-
nha da Acessori ze London, uma gri fe i ngl esa de acessóri os, recém-
l ançada no Brasi l .
Defensor da necessidade de formação acadêmica para os designers,
ele reconhece que existem exceções: “A formação superior é fundamental
para acompanhar os avanços de tecnologia/internet e também por causa
da competição cada vez mais acirrada entre concorrentes. Co-
nheço gente mui to boa na área, verdadeiros cobras, que
não são formados, mas estes, são jóias cada
vez mais raras”.
Apaixonado por design suíço, o paulista
Glauco Diogenes de Oliveira aposta numa rotina bem
planejada para cumprir prazos e, principalmente,
realizar trabalhos de qualidade
Pressão? Tô fora!
“Conheço verdadeiros cobras
que não são formados,
mas estes, são jóias
cada vez mais raras”
ilustrações Glauco Diogenes
www.ellusjeansdeluxe.com.br
www.equus.com.br www.ellus2ndfloor.com.br
19
Wd :: A Thunder House utiliza alguma
técnica como o brainstorming, por
exemplo, para buscar soluções originais?
Ou seja: qual a metodologia de criação
da agência?
Clovis :: Depende do caso. Muitas vezes,
quando fazemos um hotsite de apoio a uma
promoção não há muito tempo hábil para a
criação e temos que seguir o guideline que
a campanha promocional já tem. Por
exemplo, nas promoções de Nestlé, Sorri-
so/Colgate e Lycra, nós criamos ‘by the
book’. As imagens foram enviadas pelas
agências e nós tratamos de adaptar para o
formato web.
Quando trata-se de um trabalho mais livre,
como ocorreu com Patrícia Coelho, Arnaldo
Antunes, Os Paralamas, Laramara e outros, aí
sim, existe um tempo maior para a elabora-
ção da idéia. Não há um brainstorming propri-
Agora que vocês já conheceram alguns dos trabalhos realizados pela Thunder House, chegou
a hora de saber um pouco mais sobre metodologia de criação, perfil profissional, relação
com o cliente, trabalhos bem sucedidos etc.. Numa entrevista franca e descontraída, Clovis
La Pastina, gerente da agência, comenta estes temas e ainda aconselha àqueles que estão
começando... ou tentando começar. Com vocês, a voz da experiência!
amente dito. As idéias vão surgindo e todo
mundo acaba participando do processo.
Wd :: Você acredita que a energia gera-
da pelo trabalho ‘sob pressão’ e prazos
curtos faça despertar idéias originais?
Clovis :: Sabe quando você vai acampar
no meio do mato, acaba sendo pego de
surpresa e perde o contato com o
mundo? Cai a
noite, chega
o frio e você
tem que se
virar pra conseguir
fazer algo rápido para
sobreviver? É mais ou
menos este o espírito. Na
pressão, eu acredito que o
cérebro entre num ri tmo
de achar uma saída, uma so-
lução. Acho que é assim que
Pintou sucesso! Pintou sucesso!
Pintou sucesso! Pintou sucesso!
Pintou sucesso!
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funciona, porque, de fato, coisas boas aca-
bam surgindo do prazo exíguo. Não que
isto seja uma regra, mas é uma forma de,
digamos, jogar mais adrenalina nas veias e
isto acaba sendo um estímulo involuntário.
As situações adversas são uma grande ex-
periência. Elas fazem você provar a si mes-
mo que não vai ser o ponteiro do relógio
que vai ditar o seu ritmo. Dá pra fazer meia
hora virar um minuto. Nós somos a prova vi-
va disso. Lembra muito aquelas cenas clichê
de filmes em que o cara tem que cortar o fio
certo enquanto o relógio digital vai se apro-
ximando do zero. No final, tudo dá certo.
Wd :: Até que ponto o sucesso da em-
presa pode ser atribuído aos diversos
prêmios conquistados? Os prêmios
alavancam novos projetos?
Clovis :: O sucesso da Thunder já foi o re-
sultado dos prêmios que ela ganhou no
passado. Naquela época, de 1996 para cá,
havia uma cultura de entrar em tudo quan-
to era premiação. Isso acaba gerando mí-
dia espontânea, projeção, burburinho,
reconhecimento. Nós ganhamos todos os
principais prêmios internacionais e eu digo
que valeu a pena, sim. Óbvio que gerou no-
vos projetos, mas pintou muita coisa pra
fazer de graça. Quando o Bob Gebara saiu
da Thunder e eu acabei assumindo a dire-
ção, as coisas mudaram um pouco de fi-
gura, mas não por minha causa. Aconte-
ceu uma mudança na filosofia interna.
Como a Thunder já havia ganhado tudo,
era preciso priorizar outras coisas mais
importantes. Então, nós deixamos de fa-
zer o que todo mundo faz, que é criar só
para os festivais. Preferimos utilizar o nos-
so precioso tempo para prospectar e ala-
vancar novos negócios através do traba-
lho duro, ao invés de deitar na fama. Só a
criatividade não ‘segura a onda’ dos clien-
tes, eles querem um compromisso sério,
um bom atendimento etc..
Wd :: Como você identifica o perfil do
profissional criativo?
Clovis :: Hoje ele é mais maduro, mais pro-
fissional. Entende que refazer um trabalho
ou seguir um guideline é uma coisa que faz
parte do dia-a-dia. O estrelismo exacerba-
do acabou. Todo mundo ‘rala’ legal para
produzir um trabalho, no mínimo, digno.
Ninguém mais é dono absoluto da cadeira
ou do computador. Cada vez mais, as equi-
pes estão buscando profissionais que
trabalhem em equipe. Eu, pessoalmente,
acho mui to triste o cara colocar um fone
de ouvido e ficar o dia inteiro com aquele
troço na cabeça, sem dividir opiniões.
Wd :: Vocês já tiveram idéias super criati-
vas censuradas pelo cliente? Como lidar
com os limites impostos pelos clientes?
“Só a criatividade “Só a criatividade “Só a criatividade “Só a criatividade “Só a criatividade
não ‘ não ‘ não ‘ não ‘ não ‘segura a onda segura a onda segura a onda segura a onda segura a onda’ ’’ ’’
dos clientes, eles dos clientes, eles dos clientes, eles dos clientes, eles dos clientes, eles
quer quer quer quer querem um em um em um em um em um
compromisso compromisso compromisso compromisso compromisso
sério, um bom sério, um bom sério, um bom sério, um bom sério, um bom
atendimento etc.” atendimento etc.” atendimento etc.” atendimento etc.” atendimento etc.”
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Clovis :: Já. Muitas. Várias. Isso faz par-
te. Nós entendemos de internet, mas não
somos os donos da verdade absoluta. Por
isso, costumamos ouvir muito os clientes.
O que acontece, às vezes, é que o cliente
não entende muito de internet. Ele quer
fazer um si te com uma massa de texto
impossível de ler, com um ‘scrol l’ gigan-
tesco. Ele tenta adaptar uma peça publici-
tária ao meio web na íntegra.
Da mesma maneira, há anunciantes que
colocam um mundo de informacões num
busdoor ou num outdoor, que não são os
meios mais adequados para isso.
Na maioria das vezes, eles estão apenas
seguindo as orientações de uma matriz,
mas é óbvio que existem coisas que funci-
onam na Holanda, mas não aqui no Brasil.
Diante disso, tentamos adequar os dois
lados. O principal numa relação com o cli-
ente é ouvir, mais do que falar. Alguém já
disse que é por isso que nascemos com
duas orelhas e apenas uma boca.
Wd :: Como surgiu a idéia/conceito do
site Laramara?
Clovis :: Foi numa conversa entre mim e o
André Matarazzo, um dos melhores
designers que eu já vi. O cara é um mestre
Jedi do design web. Nós queríamos fazer
algo para o terceiro setor, pois, na época,
nós estávamos dentro do prédio da McCann
e a agência sempre teve a filosofia de traba-
lhar muito para as campanhas colaborativas,
como AACD, Care, AMA, Exército da Salva-
ção etc.. Então, como eu conhecia a Lara,
que é deficiente visual e filha do fundador
da Associação Laramara, nós ficamos de pen-
sar em algo para a entidade. Até que o André
teve um estalo e fomos afinando o discurso
de como achávamos que o site deveria ser
feito. Eu fiz a redação e o atendimento, mas
99% da idéia pertencem ao André.
“Ninguém mais é “Ninguém mais é “Ninguém mais é “Ninguém mais é “Ninguém mais é
dono absoluto da dono absoluto da dono absoluto da dono absoluto da dono absoluto da
cadeira ou do cadeira ou do cadeira ou do cadeira ou do cadeira ou do
computador computador computador computador computador. Cada . Cada . Cada . Cada . Cada
vez mais, as vez mais, as vez mais, as vez mais, as vez mais, as
equipes estão equipes estão equipes estão equipes estão equipes estão
buscando profis- buscando profis- buscando profis- buscando profis- buscando profis-
sionais que traba- sionais que traba- sionais que traba- sionais que traba- sionais que traba-
lhem em equipe lhem em equipe lhem em equipe lhem em equipe lhem em equipe” ”” ””
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Wd :: Quais são suas influências cultu-
rais? Onde buscam inspiração?
Clovis :: Em tudo. Cinema, teatro, TV e na
própria web. Ul timamente, temos buscado
bastante inspiração no campo, saindo da
cidade nos fins de semana. Criamos a
nossa equipe de biking, a Thunder House
Adventure Team e através dela participa-
mos de provas em equipe, em que todo
mundo tem de chegar junto, ou simples-
mente percorremos algumas trilhas do in-
terior do Estado. Recentemente, a equipe
fez 230 km no meio da lama, na chuva,
tentando atravessar o cami nho da fé,
que tem 400 km de extensão e atravessa o
Estado de Minas, até chegar em Aparecida.
Não deu pra chegar por causa do tempo
ruim, mas no próximo feriado de 09 de
abri l vamos completá-lo. Não é que a inspi-
ração esteja lá, no meio do mato, mas a
oxigenação do cérebro, sim. E é isso o que
nos faz ficar bem, com o corpo e a mente
legais para voltarmos na segunda-feira total-
mente zerados.
Wd :: Que sites vocês
consideram exemplo de
originalidade? Por que?
Clovis :: É muito difícil
você achar um site legal,
que tenha uma idéia bem
sacada. Há um monte de
sites bonitos, lindos, clean,
bem feitinhos, com tudo
funcionando, como o site
www.tom-roch.de/start.htm,
por exemplo. Tá tudo lá, cer-
tinho. Existe um site que
não é novo, mas a idéia me
fascina e eu fico olhando pra ele durante vá-
rios minutos, o jonathan-clark.com (e olha que
este site mostra um cemitério). Por isso que
quando pinta um site com idéia, com concei-
to, ele acaba virando cult, porque é raro apa-
recer um. Daí eu gostar de alguns sites que
fizemos, como o touch-screen, o Laramara e
o site do fotógrafo Giácomo Favretto.
Wd :: Que retorno seus clientes tiveram
com soluções originais apresentadas
por vocês? Este retorno foi mensurado?
Clovis :: O retorno de vendas do site Sa-
dia Kits, um b2b que vende aqueles kits de
Natal com peru e tender numa sacola tér-
mica, com que as empresas presenteiam
seus funcionários no final de ano, é um
tremendo sucesso. Uma das operações
mais rentáveis da Sadia, já que a ação é
rápida, começa em agosto e termina no
começo de dezembro. Tudo é feito via web.
O próprio telemarketing deles utiliza a web
quando um cliente tem alguma dúvida.
Esta é uma operação da qual temos um
grande orgulho de participar, pois fomos
nós que a implementamos. O site da Gol
Linhas Aéreas, cuja ação principal é a de
vender passagens aéreas via web, dá o
maior show na concorrência. Estes são
apenas dois exemplos dentre vários. Vale
lembrar que não se trata apenas do retor-
no de vendas, mas também do retorno de
imagem que as empresas têm.
Wd :: Algum conselho aos jovens profis-
sionais? Dicas de livros, referências etc.?
X O Caminho da Fé
Sr. Almiro Grings, aposentado, duas vezes
peregrino do Caminho de Santiago de Compostela,
retornou de sua segunda peregrinação convicto
em implantar a maior tri lha de peregrinação no
Brasil, simi lar a de Compostela. Traçou,
aleatoriamente, uma rota onde predominasse a
beleza natural conjugada com a rel igiosidade.
Contatou, de início, as Administrações e Igrejas
de 16 cidades, ficando cada município responsável
por seu terri tório. Em tempo recorde, o Caminho
da Fé foi inaugurado em 11 de fevereiro de 2003,
na cidade de Águas da Prata.
O Caminho da Fé tem aproximadamente 400
qui lômetros, atravessando a Serra da Mantiqueira
por estradas vicinais de terra, trilhas, bosques e
pastagens.
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Clovis :: Não desistir jamais, mesmo que
alguém te diga que o mercado está satu-
rado e que não há lugar para mais nin-
guém. O mesmo cara que fala isso, acaba
empregando uma gatinha descoladésima,
ou um parente de alguém influente que
não vai estar muito interessado em traba-
lhar duro como você.
Dicas e referências? Vai muito do gosto de
cada um. Tire o máximo de informações
daquelas coisas que fazem você sentir que
está vivo e lhe deixam fel iz, mesmo que
estas coisas estejam longe da tela de um
computador.
“ ““ ““ T TT TT ir ir ir ir ire o máximo de informações e o máximo de informações e o máximo de informações e o máximo de informações e o máximo de informações
daquelas coisas que fazem você daquelas coisas que fazem você daquelas coisas que fazem você daquelas coisas que fazem você daquelas coisas que fazem você
sentir que está vivo e lhe deixam feliz, sentir que está vivo e lhe deixam feliz, sentir que está vivo e lhe deixam feliz, sentir que está vivo e lhe deixam feliz, sentir que está vivo e lhe deixam feliz,
ainda que elas estejam ainda que elas estejam ainda que elas estejam ainda que elas estejam ainda que elas estejam
longe da tela de um longe da tela de um longe da tela de um longe da tela de um longe da tela de um
computador computador computador computador computador” ”” ””
X O que é B2B?
‘B2B’ é a sigla para “Business to business”. Este é um dos termos
de marketing mais utilizados na área de TI. Traduzindo, ‘B2B’
significa um negócio entre duas companhias que uti lizam
tecnologia digital.
Fonte: www.it-director.com
Resultado da enquete:
Onde você busca inspiração?
35% internet
26% l ivros, revistas e músicas
22% no ócio: relaxado, pensando na vida
13%lugares: passeios, viagens etc.
4%conversando com amigos
Acesse www.arteccom.com.br/webdesign e
participe!
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E tudo se fez... E tudo se fez... E tudo se fez... E tudo se fez... E tudo se fez...
...BRANCO! ...BRANCO!
...BRANCO! ...BRANCO! ...BRANCO!
25
Bloqueios de criatividade... Quem
nunca os teve que comemore! Você se
lembra do úl timo? E do penúl timo? Se a
resposta foi sim para ambas as perguntas
é sinal de que eles estão acontecendo com
freqüência. E isso é péssimo... Talvez você
esteja dormindo menos do que necessita
ou tendo sonhos entediantes e inúteis nas
suas poucas horas de descanso. Indepen-
dente da causa, fel izmente é possível re-
verter esse quadro lançando mão de al-
guns artifícios capazes de ressuscitar o seu
potencial criativo, evi tando que esses vá-
cuos se repitam tantas vezes.
Criatividade sem preconceito
O que poderia ser mais democrático
do que a cri ati vi dade? Qual quer pessoa
pode ser contemplada com um espírito cri-
ativo, não importa qual sua etnia, naciona-
lidade, aparência, si tuação financeira...
Enfim, para a criatividade não existem
fronteiras. Ela é justa, imparcial e trans-
cende valores sociais num mundo onde o
‘ter’ é mais valorizado que o ‘ser’.
Mas essa faci l idade de criação seria
um dom, um talento nato ou poderia ser
aprendida? Haveria dois tipos de criati-
vidade: uma genuína e outra fabricada?
Para o consul tor e palestrante Jordan
Ayan, autor do livro “A Ha! 10 Maneiras de
Libertar seu Espírito Criativo e Encontrar
De repente, todas as informações parecem ficar ilegíveis para o nosso cérebro, como se
estivessem numa linguagem impossível de ser decodificada pela mente ou ilhadas num local
de difícil acesso. É o famoso branco, que consegue tirar muita gente do sério,
principalmente, aqueles que têm na criatividade a matéria-prima do seu trabalho.
Grandes Idéias”, a criatividade não é uma
caracterísitca inata, e aumentá-la é algo
completamente possível, seja qual for a
experiência criativa, atual, ou passada,
de cada um. Partindo dessa afirmação,
subentende-se que todo ser humano car-
rega criatividade dentro de si, ainda que
estagnada.
Jordan enxerga quatro elementos
fundamentais no espíri to criativo: aber-
“ ““ ““A criatividade, A criatividade, A criatividade, A criatividade, A criatividade,
para mim, não é só para mim, não é só para mim, não é só para mim, não é só para mim, não é só
ter idéias, mas sa ter idéias, mas sa ter idéias, mas sa ter idéias, mas sa ter idéias, mas sa
ber r ber r ber r ber r ber realizá-las: é ealizá-las: é ealizá-las: é ealizá-las: é ealizá-las: é
unir fantasia e unir fantasia e unir fantasia e unir fantasia e unir fantasia e
concr concr concr concr concretude etude etude etude etude” ”” ””
Domenico De Masi Domenico De Masi Domenico De Masi Domenico De Masi Domenico De Masi
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X Criatividade
s. f., capacidade criadora; aptidão para formular idéias
criadoras; original idade; engenho.
Fonte: dicionário online Priberam
26
1. Relacione-se com as
pessoas
Cada pessoa é um universo e
pode lhe apresentar uma mesma
questão analisada sob um ângulo
diferente.
tura; tolerância ao risco; ânimo e curi-
osidade, sem os quais torna-se
imposível pôr em prática as estratégi-
as por ele sugeridas. São elas:
2. Projete um ambiente
enriquecedor
Um ambiente personalizado
influencia na geração de
pensamentos criativos.
3. Saia do seu casulo viajando
O contato visual com outros
cenários assim como o contato
pessoal com outras cul turas
aumenta o grau de atenção do
cérebro.
4. Seja contagiado por brin-
cadeiras e pelo bom humor
Informalidade e descontração
libertam as pessoas da auto-
censura, criando um estado
mental propício à criatividade.
5. Expanda sua mente por
meio da leitura
Ler possibi lita a interação com
outros conceitos, propiciando a
reciclagem e o abastecimento de
idéias.
6. Dedique-se às artes
As artes trazem à tona emoções
encobertas pelo cotidiano,
fazendo surgir as mais variadas
formas de expressão.
7. Fique ligado na tecnologia
A tecnologia pode viabilizar a
criatividade na medida em que
oferece ferramentas que
facilitam a transição teoria-
prática das idéias criativas.
8. Dinamize o pensamento
com relação aos seus
desafios
É preciso exerci tar o cérebro na
focalização de um pensamento
criativo para os casos de
trabalho sob pressão.
9. Libere seu alterconsciente
Quando acordados, todos devem
procurar usar ao máximo o
al terconsciente, definido pelo
autor como a capacidade
cerebral sob o estado de
consciência (uma espécie de
terri tório nulo entre consciente e
inconsciente, de onde parecem
partir as idéias).
10. Entre em contato com sua
alma criativa
Mergulhar dentro de si mesmo é
estabelecer contato com seu eu
interior para resgatar a criativi-
dade presente em cada um.
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Na aldeia global, cada um vale quanto cria
Num mundo globalizado e competi tivo, onde a busca
por soluções inteligentes é uma constante, teoricamente,
os criativos tendem a ser mais bem sucedidos no campo
profissional. Mais do que nunca, hoje em dia, sentir-se cri-
ativo está intimamente ligado à autoconfiança. Para
Jordan, a criatividade começa e ser estimulada em casa
(através de pais criativos e de um ambiente familiar saudá-
vel) e l imitada na escola (dentro de um sistema educacio-
nal pré-formatado).
Contradi toriamente, a mesma pós-modernidade que
exige o profissional criativo, deixa cada vez menos espaço
e tempo para o desenvolvimento de um espírito criativo.
Instantaneidade de informações, rotina corrida, revolução
tecnológica e outras características da época atual aca-
bam gerando uma automação de atitudes e sentimentos, o
que é al tamente prejudicial à criação. Do mesmo modo,
global ização nos remete à uni ficação, padronização, efei-
tos que vão de encontro à individualização que personi fica
o objeto de criação. A quebra de identidade cul tural acar-
reta unanimidade não apenas de idéias, mas também de
críticas. Então, o risco de se cair num ciclo vicioso e
entediante torna-se maior.
Apesar de toda essa tendência globalizadora, ainda é
possível observar criações e reações variantes de país para
país. Muitas vezes, o que é considerado criativo por um
povo, passa despercebido por outro e vice-versa. Tal julga-
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“O futuro pertence a quem souber l ibertar-se da idéia
tradicional do trabalho como obrigação ou dever e for
capaz de apostar numa mistura de atividades, onde o
trabalho se confundirá com o tempo l ivre, com o estudo e
com o jogo, enfim, com o “ócio criativo”.
Fonte: “O Ócio Criativo”, de Domênico De Masi.
X Ócio Criativo
A mesma pós- A mesma pós- A mesma pós- A mesma pós- A mesma pós-
modernidade que modernidade que modernidade que modernidade que modernidade que
exige o profissional exige o profissional exige o profissional exige o profissional exige o profissional
criativo, deixa cada criativo, deixa cada criativo, deixa cada criativo, deixa cada criativo, deixa cada
vez menos espaço e vez menos espaço e vez menos espaço e vez menos espaço e vez menos espaço e
tempo para o tempo para o tempo para o tempo para o tempo para o
desenvolvimento desenvolvimento desenvolvimento desenvolvimento desenvolvimento
de um espírito de um espírito de um espírito de um espírito de um espírito
criativo criativo criativo criativo criativo
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mento terá como base a cul tura e os valo-
res pecul iares daquela sociedade.
Racional X Passional
Haveria um perfil de indivíduo criativo?
As pessoas racionais teriam mais dificul-
dade em criar por usarem pouco a emo-
ção? Os passionais poderiam ser conside-
rados mais propensos a rompantes de
criatividade por estarem mais em contato
com seus sentimentos? Mas, se todos tra-
zem essa capacidade dentro de si, talvez a
diferença esteja na metodologia de cria-
ção, ou seja, ambos os tipos poderiam até
chegar à mesma solução, sendo que por
caminhos di ferentes.
Jordan Ayan recomenda atenção es-
pecial a sonhos e intuições. Eles permitem
acesso a informações que podem se revelar
preciosas na hora de criar e, por traduzirem
emoções e sentimentos ocultos, imprimem
uma marca personalíssima às criações que
os usam como fon-
te inspiradora. Li-
teralmente, é a
criatividade incons-
ciente. Conclusão:
todos são criativos,
porém, poucos têm essa consciência.
Polêmica criativa
Aonde começa e onde termina a ética na
criação é algo bastante discutível. Não raro,
uma ótima idéia é criada com base em outra
boa idéia, quase num compartilhamento de
autoria. Algumas campanhas publicitárias são
bons exemplos disso.
Ainda polemizando, Domenico De Masi,
publicitário italiano famoso por suas criações
e declarações polêmicas, revelou-se um de-
fensor do ócio criativo numa entrevista que
deu origem ao livro de mesmo nome. Para
ele, a criatividade é resultado da síntese en-
tre consciente e inconsciente assim como
entre as esferas racional e emotiva. “Por es-
fera racional entendo o conjunto dos nossos
conhecimentos e habilidades, e por esfera
emotiva o conjunto das nossas opiniões,
comportamentos, emoções e sentimentos.
(...). A criatividade, para mim, não é só ter
idéias, mas saber realizá-las: é unir fantasia
e concretude”. Logo, não basta teorizar, é
preciso saber pôr em prática.
Quem nunca teve branco que atire a
primeira...a primeira...a primeira... A pri-
meira o quê mesmo, hein?!
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Concei to: Concei to: Concei to: Concei to: Concei to:
Brainstorming, ou “tempestade de idéias”: Consiste
em uma técnica grupal de pensamento divergente para
produção de uma grande quantidade de idéias, expondo
ao máximo nossa inteligência, desbloqueando, dessa
forma, hábi tos e ati tudes inibidoras de um raciocínio
criativo.
Brai nstormi ng não-Estruturado: Brai nstormi ng não-Estruturado: Brai nstormi ng não-Estruturado: Brai nstormi ng não-Estruturado: Brai nstormi ng não-Estruturado:
Nesta técnica, as pessoas podem
expressar suas idéias à medida em que
elas vão ocorrendo, sem necessidade de
aguardar a sua vez; cabe ao coordenador
estimular a participação de todos os
participantes.
obs. : obs. : obs. : obs. : obs. : Às vezes, é interessante começar com o
processo estruturado e depois passar para o não-
estruturado quando as sugestões tornam-se escassas.
Em qualquer caso, a sessão acaba quando os integrantes
não têm mais idéias a apresentar.
Brai nstormi ng Estruturado: Brai nstormi ng Estruturado: Brai nstormi ng Estruturado: Brai nstormi ng Estruturado: Brai nstormi ng Estruturado:
Aqui, as pessoas se manifestam
segundo uma ordem pré-estabelecida.
Dessa forma, todos têm oportunidades
iguais para se manifestar e os mais
calados são estimulados a uma participa-
ção maior.
Brainstorming Brainstorming
Brainstorming Brainstorming
Brainstorming
Conheça um pouco mais sobr Conheça um pouco mais sobr Conheça um pouco mais sobr Conheça um pouco mais sobr Conheça um pouco mais sobre esta técnica valiosa e esta técnica valiosa e esta técnica valiosa e esta técnica valiosa e esta técnica valiosa
utilizada pelos melhor utilizada pelos melhor utilizada pelos melhor utilizada pelos melhor utilizada pelos melhores profissionais es profissionais es profissionais es profissionais es profissionais:
Brainstorming: Procedimento utilizado para auxi liar um grupo a criar o máximo de
idéias no menor tempo possível. O Brainstorming pode ser util izado das seguintes
formas: Brainstorming não-Estruturado, Brainstorming Estruturado e Brainstorming
Estruturado e Programado. No Brainstorming não-Estruturado, os participantes do
grupo dão suas idéias à medida em que elas surgem em suas mentes. Este procedi-
mento tem a vantagem de criar uma atmosfera mais espontânea entre os integrantes
do grupo. Por outro lado, pode favorecer o risco da dominação por parte dos partici-
pantes mais extrovertidos. No Brainstorming estruturado todas as pessoas devem dar
uma idéia a cada rodada ou “passar” até que chegue a próxima vez.
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Obj eti vos: Obj eti vos: Obj eti vos: Obj eti vos: Obj eti vos:
Seu objetivo é deixar a mente criadora fluir
livremente, sem medo de críticas. Essa técnica
reúne um grande número de idéias sem a preocu-
pação com a qual idade. Assim sendo, após
encerrada a sessão, se faz necessário selecionar,
melhorar e organizar as idéias, até se chegar à
solução a ser implantada.
Pri nci pai s P Pri nci pai s P Pri nci pai s P Pri nci pai s P Pri nci pai s Passos: assos: assos: assos: assos:
O Brainstorming está estruturado em três fases distintas:
1 a. fase > Geração: 1 a. fase > Geração: 1 a. fase > Geração: 1 a. fase > Geração: 1 a. fase > Geração:
1. Definir o assunto (tema).
2. Convidar os participantes, que
devem ser de áreas di ferentes e ter
habil idades e formações distintas,
informando-os sobre os objetivos da
reunião.
3. Fazer uma breve exposição no
início da reunião sobre o problema e a
sistemática a ser utilizada.
4. Iniciar a reunião.
5. Anotar as idéias, de forma que
todos a visual izem durante a reunião.
6. Prosseguir a reunião até que
todas as idéias sejam registradas.
Recomendações Recomendações Recomendações Recomendações Recomendações:
:: Deixar claro que não haverá críticas nem julga-
mento de idéias, mesmo que elas pareçam, à primeira
vista, absurdas, uma vez que a seleção será feita posteri-
ormente.
:: Antes de analisar as idéias de outrem, deve-se
solicitar ao locutor que justifique sua resposta, proporcio-
nando, desta forma, a obtenção de uma visão e consciên-
cia das idéias expostas.
:: Encorajar os participantes a apresentarem idéias
baseadas em variações de idéias lançadas anteriormente.
:: Dar oportunidade para que os integrantes refl itam
sobre o assunto (se for o caso, pode-se continuar a
técnica em outra oportunidade).
2a. fase > Cl ari fi cação: 2a. fase > Cl ari fi cação: 2a. fase > Cl ari fi cação: 2a. fase > Cl ari fi cação: 2a. fase > Cl ari fi cação:
1. O time deve rever todas as idéias e entendê-las, mas não deve discutí-las.
2. Priorizar as idéias com a participação do grupo, através da técnica de votação
múl tipla, que consiste em uma série estruturada de votações a serem usadas por um
time, para reduzir uma l ista com um grande número de itens.
3a. fase > A 3a. fase > A 3a. fase > A 3a. fase > A 3a. fase > Aval i ação: val i ação: val i ação: val i ação: val i ação:
O time deve rever a l ista e eliminar problemas
irrelevantes ou idéias fora do objeto.
Fontes:
WebFurnas – www.webfurnas.com.br
“d” – Desburocratizar –www.d.gov.br
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Hoje, mais do que nunca, não basta
ser novo, tem de ser útil. Uti l idade é um
di ferencial que agrega valor ao objeto de
criação e ao seu criador. Uma idéia preci-
sa ser admirada e consumida. Diante
desse quadro, o atual contexto sócio-
econômico tornou-se um terreno férti l
para o desenvolvimento do processo cri-
ativo. “Nunca foi tão fácil criar como
hoje. As necessidades e informações são
inúmeras e o mercado consumidor é vas-
to”, afirma Maria Inês Felippe, consultora
de criatividade e inovação. Na sua opi-
nião, brainstormings são altamente pro-
dutivos, pois ao oferecerem várias res-
postas para cada pergunta, aumentam a
possibi lidade de se encontrar uma solu-
ção: “É da quantidade que sai a qualida-
de e lembre-se de que não é preciso uma
grande idéia, e sim, uma idéia de grande
Criar para Criar para
Criar para Criar para
Criar para
solucionar solucionar
solucionar solucionar
solucionar
Resultado: a ponta do iceberg da criatividade. Tudo começa num pensamento
criativo e termina num objetivo alcançado. Parece simples, mas pensamentos
criativos nem sempre chegam prontos. Muitas vezes, são induzidos por
necessidades e lacunas a serem satisfeitas e preenchidas. A resposta para
alguns problemas pode estar na criatividade.
resultado. (...). Estudos apontam que
quanto mais idéias você gerar, mais prová-
vel é ter uma idéia espetacular. Se quiser
ter uma grande idéia, tenha muitas idéias,
propicie insights através de observações,
sentimentos, pensamentos para chegar
aos resul tados esperados. Mas, não se es-
queça de que, num determinado momen-
to, temos de utilizar o pensamento lógico”,
completa.
Inovar envolve risco e desafio, exige
coragem para romper paradigmas internos
e externos. “A inovação é desafio, sempre
foi e será, porque é um passo para o des-
conhecido, uma acei tação do ambígüo,
algo que somente as pessoas corajosas
fazem. (...). Sempre que lançamos uma
idéia, estamos sujeitos a críticas, reprova-
ções. O processo criativo é um ato de cora-
gem”, analisa Maria Inês.
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“O Homem e seus Símbolos”
Carl G. Jung
Editora Nova Fronteira
O psiquiatra Carl Jung defendia a
tese de que muitos sonhos
podiam ser interpretados como
auxílio ao sonhador, enquanto
outros não passavam de
manifestações do inconsciente
coletivo. De acordo com a
primeira hipótese, conclui-se,
então, a importância de sonhar
para criar. Cabe aos sonhos
libertar de nossa auto-censura
estas impressões iniciais.
Uma boa dica para quem
pretende potencializar sua
capacidade criativa.
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“Mente aberta, recepti va ao novo, equi l í bri o de
emoções” são pré-requisi tos para gerar o processo criati-
vo. Nos casos em que a cri ati vi dade é di reci onada para o
resul tado, ao contrári o do que se tende a imaginar, a ló-
gica não deve ser priorizada, a princípio. A consul tora es-
clarece: “...o pensamento lógico não poderá vir à frente,
temos que, i ni ci al mente, dei xar a mente l i vre para bus-
car i déi as, i ntui r, usar o pensamento di vergente, expan-
di r e depoi s col ocar a l ógi ca em ação, através do pensa-
mento convergente, buscando resul tados qual i tati vos e
quanti tativos”. Paradoxalmente, “criar exige dedicação e
di sci pl i na”, ao mesmo tempo em que “surge do óci o, da
curi osi dade, da i nqui etação ou do i ncômodo”.
O processo criativo, em certas ocasiões, é solitário em
sua fase teórica (geração de idéias) e passa a ser compar-
tilhado na fase prática (execução). Por isso, é primordial
Exercitando o pensamento criativo:
– Se eu não fizesse estas atividades desta forma, de que
outra forma faria?
– Como poderei di nami zar as mi nhas ati vi dades sem
comprometer a qual i dade?
– Como poderei agregar valor às atividades que executo?
– Como poderei agregar valor ao negócio da empresa?
– Que outros produtos ou serviços poderei criar a partir do
que já existe?
– Que outros produtos ou serviços poderei criar para pre-
encher uma necessidade específica de uma população?
(Lembre-se dos curiosos!).
Entendendo o processo:
Motivação: tenha um objetivo e trace desafios.
Preparação: defi na metas, desconsi dere formas e cami -
nhos, l evante i nformações.
Incubação: confine-se, deixe o inconsciente trabalhar.
Iluminação: registre a idéia.
Elaboração: plano de ação, avaliação.
Ação: atacar, fogo!
Avaliação: quanti tativo e qualitativo.
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um ambiente de trabalho que incentive à
criação individual e coletiva”. Maria Inês
considera o pensamento criativo “fruto de
um processo de educação que vai desde os
ensinamentos no lar, nas escolas, nos am-
bientes de trabalho, que nos tornam prisi-
oneiros ou l ivres”.
“Estudos apontam que quanto mais idéias você gerar, “Estudos apontam que quanto mais idéias você gerar, “Estudos apontam que quanto mais idéias você gerar, “Estudos apontam que quanto mais idéias você gerar, “Estudos apontam que quanto mais idéias você gerar,
mais provável é ter uma idéia espetacular mais provável é ter uma idéia espetacular mais provável é ter uma idéia espetacular mais provável é ter uma idéia espetacular mais provável é ter uma idéia espetacular” Maria Inês ” Maria Inês ” Maria Inês ” Maria Inês ” Maria Inês

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Resultado da enquete:
Você acha que a criatividade:
81% é um talento natural, um dom
19% não precisa ser um dom, pode ser desenvolvida com técnicas
Acesse www.arteccom.com.br/webdesign e participe
Há inúmeras variantes entre o sucesso
e o fracasso de uma idéia. Daí a vantagem
de se ter à disposição múltiplas soluções
para um mesmo problema. “Se quiser fazer
grandes progressos, terá que correr riscos
calculados, pois idéias não funcionam sem-
pre... Em criatividade não existem erros, e
sim, ensaios, e uma idéia poderá ser inade-
quada para determinado momento e valiosa
em outro. Aprender com erros e acertos é
fundamental”, relativiza a consultora.
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O que você faz
quando dá branco?
Você utiliza técnicas para buscar soluções originais?
Levante a mão quem nunca teve um branco!
Quase sempre, ocorre justamente nos
momentos em que mais precisamos de
inspiração. Várias coisas podem justificar
essa perda repentina e inoportuna de idéias,
esse bloqueio de criatividade. A famosa lei
de Murphy e o trabalho sob pressão são bons
exemplos. Paradoxalmente, nos dias de hoje,
há os que, de tão acostumados à correria,
até preferem essa situação desafiadora para
desenvolver projetos. Há quem prefira
trabalhar de dia, e também, aqueles que só
dão vazão às idéias durante a madrugada.
Outros têm velhos truques para voltar à
tona, como simpatias... Haja superstição!
Quantas vezes já não tivemos de escrever
palavras com duas grafias diferentes para
termos certeza da grafia correta? Acontece
de vez em quando, não tem como negar nem
fugir. O famoso branco atormenta a todos e
pode, inclusive, atrapalhar uma carreira bem
sucedida. A questão é: o que fazer quando
‘dá branco’?
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:: André Matarazzo
Diretor de arte
da Farfar (Suécia)
www.farfar.com
“Eu acho o branco total, na profissão
criativa, quase impossível. Sempre vão
surgir soluções. O problema é que as solu-
ções ruins são quase sempre construídas
em torno do ‘branco’ ou da falta de inspi-
ração. Na minha opinião, inspiração tem
muito a ver com o quanto você se identifi-
ca com o produto, entende o mercado que
o circunda e gosta do trabalho que irá de-
senvolver.
Se o desi gner ti ver essa l i gação
emoci onal com o trabal ho, não exi ste
‘ branco’, mas si m, si tuações mai s e me-
nos i nspi radas.
Para mim, existe uma forma de alcan-
çar um patamar mais alto de originalidade,
o Pensamento Lateral (Lateral Thinking),
que é, na verdade, a técnica mais importan-
te para a carreira de um criativo. Ela é com-
plexa e tem uma estrutura mui to interes-
sante, que visa criar novas vias de solução
sem que se caia no clichê. Aliás, ela até dei-
xa você cair no clichê, mas acaba lhe dando
ferramentas pra corrigir e melhorar a fór-
mula. O resultado é que você não se con-
centra na solução do problema, e sim, no
porquê da existência do problema. O impor-
tante é questionar o porquê desse problema
existir.
“Pensamento Lateral: você não se concentra na solução
do problema, e sim, no porquê da existência do problema”
Na campanha de um novo lápis azul,
por exemplo: ‘Por que um lápis e por que
azul?’, ‘ Não poderia ser uma caneta?’,
‘ Não poderia escrever com um batom?’,
‘Por que escrever? Não é mais fácil falar?’,
‘Por que estamos falando?’, ‘O que quere-
mos transmi tir?’.
Ao responder essas perguntas, você des-
cobre a essência do problema e, à medida em
que isso acontece, escreva tudo o que vier à
cabeça e recorte todo o material visual que se
referir a qualquer um desses conceitos. Esse
exercício cria uma imensidão de idéias novas e
não usuais. A grande maioria será descartada,
mas algumas idéias preciosas sairão desse
brainstorming.
Agora, para inspirações visuais ape-
nas, prefiro folhear dezenas de l ivros de
design, anuários antigos, anuários de ou-
tros países, coisas do Japão da década de
80… Tem muita coisa interessante por aí.
Ou andar pelas ruas perto da minha casa,
onde existem mi lhares de posters, um
melhor que o outro… Uma idéia sempre se
liga a outra”.
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“Existem diferentes situações em que o processo criativo se comporta de di feren-
tes formas.
A primeira é quando não esperam muito de você e o job é uma grande oportunidade
de crescimento ou de visualização. Aparecerão dezenas de idéias criativas e você ficará
frustrado, pois não haverá dinheiro nem tempo para fazer tudo o que imaginou.
A segunda situação é quando não esperam mui to de você e o job não é uma grande
oportunidade. Sem o incentivo, sua cabeça não dará importância ao caso e haverá uma
leve sensação de branco, mas, no final, a idéia solucionará o problema acima do esperado.
A terceira é quando esperam muito de você e o job não é uma grande oportunida-
de. Pela pressão do seu ego e imagem pessoal você passará por 20 idéias péssimas até
chegar a uma com que se si nta confortável , ou porque não há mai s tempo de pensar
em mai s nada.
O inferno é a quarta si tuação. Você já foi vendido como o ‘Mago’ das idéias criativas
e essa é a grande oportunidade da sua vida. Depois de ficar dias pensando e nada surgir,
a não ser as idéias que muitos já usaram ou idéias que não têm nada a ver com o proble-
ma, a crise existencial entrará no jogo, levando você a se perguntar se não deveria vender
água de côco na praia.
Para fugir das piores situações é melhor ousar nas idéias do que arriscar o básico, ou
seja, melhor ter uma idéia recusada por ousadia demais do que por ousadia de menos.
As idéias mui to ousadas aparecem mais do que as idéias fracas. Porcaria é o que
mais imaginamos na hora de criar algo. Desta forma, ao invés de você fazer o caminho
correto do processo criativo, faça o contrário: pense em algo que jamais poderia ser usa-
do e vá amenizando a idéia até a sua ética dizer que está bom.
Porém, lembre-se de que isso não garante a oportunidade, mas protege a sua
criatividade”.
:: Daniel Bottas
Diretor de arte da Publicis Salles Norton
www.publicissallesnorton.com.br
“Para fugir das piores situações é melhor ousar
nas idéias do que arriscar o básico”
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:: Thiago Teixeira
Designer gráfico
www.tiagoteixeira.com.br
“Com exceção do Ziraldo, todo designer já teve branco algum dia. É
uma si tuação di fíci l, mas inevi tável, que, mais cedo ou mais tarde, vai
acontecer com você. No meu caso, sempre que fico criativamente preso
em algum trabalho tento olhar para o projeto de outra maneira, encará-
lo de outro ângulo e me pergunto o que eu faria se tivesse de recomeçar
o trabalho todo agora, usando uma outra abordagem estética ou
organizacional. Acredi to que essa técnica de zerar as suas impressões
originais é sempre útil. Outra saída que busco é a de procurar referências
em obras de plataformas di ferentes da que estou trabalhando. Um fi lme
pode inspirar um si te, um livro pode inspirar um vídeo, um trabalho de
arqui tetura pode inspirar uma i lustração e assim por diante. Gri ffi th in-
ventou a narrativa cinematográfica clássica analisando a obra literária de
Dickens. Essa é uma boa saída para tentar buscar soluções originais e di-
ferentes, desconstruir inputs diversos e remontá-los de uma maneira
nova. Funciona para mim, espero que ajude vocês”.
“O problema do ‘branco’ não é quan-
do ele acontece com você, mas quando ele
acontece em um brainstorming – culmi-
nando em um verdadeiro esgotamento co-
letivo de idéias. A discussão chega naquele
ponto em que não sai nada, e quando sai,
é uma bobagem tamanha que não dá para
aprovei tar nada de úti l. Nessas horas, o
jei to é cada um ir para o seu lado e rea-
gendar a reunião para mais tarde.
Para arejar a cabeça e espantar o
‘branco’, gosto de me ocupar com assuntos
que nada remetam à tal idéia bloqueada –
dos pessoais aos profissionais (às vezes,
trabalhar em um projeto de outro cl iente
até resolve o ‘ branco’ ). Geralmente, os
‘ brancos’ não vêm por acaso. Os meus,
quase sempre, vêm por causa de sono ou
se estou pouco receptiva para criar. Sento
em frente ao computador e começo a na-
vegar, nem sempre com rumo definido.
Quando me dou conta, já estou fazendo
outra coisa, tendo novos pensamentos. O
melhor jei to de combater o ‘ branco’, em
suma, é ignorá-lo”.
:: Tatiana Kligerman
Diretora de planejamento da Digital@JWT
www.jwt.com.br
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“O melhor jeito de
combater o ‘branco’, em
suma, é ignorá-lo”
“Acredito que essa técnica de zerar as suas
impressões originais é sempre útil”
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“Pode parecer masoqui sta, mas eu
adoro trabalhar sob pressão. Acho que a
cri ação pode, e deve, acontecer dentro
de um tempo del i mi tado, que a gente
mesmo se i mpõe. Como nosso di a-a-di a
é a cri ação, ou trabal hamos dentro de
um ‘ l i mi te’ ou vamos estar eternamente
tensos, estressados e atrasados com a
‘ fal ta de i nspi ração’. Mas, é cl aro, que
também não dá si mpl esmente pra di zer
‘ vou cri ar agora’, sentar e a coi sa já sai r.
Afi nal de contas, estamos cri ando, e
não, fri tando pastéi s.
A minha técnica para criação está liga-
da diretamente à troca e ao bate-papo.
Sempre que eu me vejo com uma sinuca
de criação pela frente, junto a turma em
uma sala com papel em branco e caneta
Futura preta (da finada PaperMate). Nes-
sa hora, vale juntar gente de todo tipo.
Não importa se é de criação ou não. Quem
puder ajudar, participa.
Depois de explicar o briefing para a
turma, o lance é deixar as idéias rolarem
sol tas, mesmo que de início, só venham
bobagens. A troca de idéias, naturalmen-
te, vai estimulando a cabeça das pessoas
e vai amadurecendo o conceito, até que
conseguimos começar a definir o concei-
to, as peças, o que precisar.
Essas sessões de criação costumam
levar em média uns 40 minutos”.
:: Michel Lent
Sócio-diretor da 10´Minutos
www.10minutos.com.br
“A minha técnica para
criação está ligada dire-
tamente à troca e ao
bate-papo”
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“‘As idéias estão no chão. Você trope-
ça e acha a solução’. Gosto bastante deste
versinho dos Titãs, mas, no dia-a-dia da
agência, quando a pi lha de jobs não pára
de crescer, o prazo é curto e o ‘branco to-
tal radiante’ chega sem aviso. Não tem
simpatia, superstição ou tropeção que re-
solva. Mas, há algumas técnicas preventi-
vas que eu uso sempre:
Diferencial – No caso da i nternet,
principalmente, sempre cabe a velha per-
gunta i ni ci al : ‘ O que eu posso fazer me-
l hor aqui do que nas outras mí di as?’. A
resposta quase sempre vem acompanha-
da de boas i déi as.
Limites – Budget, formatos, limitações
técnicas, identidade visual do cliente, obje-
tivos da ação, prazos... Tendo limites bem
definidos, você já tem, pelo menos, o ter-
reno sobre o qual trabalhar. A falta de limi-
tes é, provavelmente, a causa número um
do surgimento do ‘branco total radiante’.
Chame a galera – Faça um
brainstorming rápido. Anote tudo e não dis-
perse falando sobre a balada do fim de se-
mana (deixe isso para hora do almoço).
Quando as idéias começarem a ficar óbvias,
é hora de parar e trabalhar individualmente
em cima do que você já tem na mão.
Fila de jobs - Normalmente, temos
poucos dias ou horas para realizar um job.
Não quer dizer que esse job tenha entrado
na agência na mesma hora em que caiu na
sua mesa. Portanto, arranque o briefing do
atendimento sempre antes de ele trazer
até você: imprima, leia com atenção, tire
todas as dúvidas e deixe o problema traba-
lhar no subconsciente, bem antes de colo-
car a mão na massa. Você, provavelmente,
vai ter uma idéia bri lhante durante o ba-
nho, na manhã seguinte. Saia do banho
imediatamente e anote tudo.
Se nada disso der certo, escolha
uma das alternativas abaixo:
( ) peça mais prazo
( ) durma 30 minutos
( ) peça uma pizza
( ) faça um café bem forte
( ) use uma fórmula boni tinha pra
resolver o job
( ) todas alternativas anteriores”
:: Daniel Brum
Diretor de criação da Urbana
www.urbana.com.br
“A falta de limites
é, provavelmente,
a causa número
um do surgimento
do ‘branco total
radiante’”
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“Rabisco... mas sem objeivos. Fico somente deixando a
imaginação fluir até que a di ta cuja da inspiração resolva
aparecer!”
Alice Vargas :: avargas@papayadesign.com.br
“Páro tudo o que estou fazendo, jogo algumas partidas de vídeo-game e pronto! Estou
novinho em folha!”
(Anônimo)
“Tomo um banho gelado, depois ligo o som, fecho os
olhos e relaxo.”
Leandro José Lesnik :: zantetso@ig.com.br
“Abro a boca, ponho a língua para fora e faço caretas...”
cesarfranc@uol.com.br
“Respiro fundo, falo um pouco sozinho e vou ver dese-
nho animado na tv.”
Aloisio Maia :: aloisiomaia@yahoo.com.br
“Leio blogs... Esta é uma das melhores maneiras de fazer vir à tona a criatividade...”
(Anônimo)
“Saio para dar uma vol ta, olho outdoors e pessoas, sento
em algum lugar e observo todos os detalhes à minha
volta. Dali a meia hora tenho alguma luz.”
Andressa de Queiroz :: andressa@inext.com.br
“Navego por portfól ios de designers. E, se mesmo assim, não surgir uma idéia, faço
uma pausa para distrair. Depois, volto a pensar. Sempre funciona!”
Mariana Frioli :: mfrioli@unip.br
“Ligo o som bem al to, apago a luz e saio pulando pela
casa! Estranho... mas sempre dá certo!”
(Anônimo)
“Paro o que eu estiver fazendo e vou dar uma relaxada. Ter um branco é sinal de
stress.”
Henrique Assis :: henriqueassis@uaivip.com.br
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Resultado da enquete:
“O que você faz quando dá branco?”
Participe das enquetes pelo site: www.arteccom.com.br/webdesign
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Wd :: Quais as diferenças entre projetar
um site ou um hotsite? Que particularida-
des devem ser levadas em consideração?
Daniel :: De uma maneira mui to geral,
espera-se de um site que ele seja um espa-
ço funcional, simples e rápido. Se você
consulta um portal, o site do seu banco ou
uma loja virtual, é porque deseja acessar
facilmente a informação, util izar serviços
online e pronto. E o visual exige certa neu-
tralidade, é um ambiente que você vai visi-
tar muitas vezes. Por isso, sites excelentes
são tão simples, como é o caso do Google.
Já um hotsite é uma ação especial, tempo-
rária, promocional. Normalmente, você vai
acessá-lo através de ações de mídia online,
mais pela curiosidade do que pela necessi-
dade. No Hotsite existe muito menos con-
teúdo e uma estrutura de navegação bem
mais simples. Não existem tantas amarras
funcionais como num site normal e, por
outro lado, há uma maior predisposição do
usuário para o inusitado, para o download
mais demorado, para plug-ins. Claro que
tudo isso é uma tremenda simplificação,
mas já é um ponto de partida.
Wd :: Quantas pessoas fizeram parte da
equipe responsável pela criação do
hotsite? Quanto tempo durou o projeto?
Daniel :: Cinco designers, um redator,
dois programadores, um estagiário. Uma
equipe não muito enxuta, já que o prazo,
este sim, foi bastante enxuto: 72 horas
para criar, aprovar, desenvolver, testar e
publicar o site.
Wd :: O layout simples, descomplicado,
foi uma espécie de analogia à personali-
dade do “garoto propaganda”, ou sim-
plesmente visou abranger os mais diver-
sos tipos de usuário, facilitando ao má-
ximo a navegação? Como foi trabalhada
a usabilidade do site?
Daniel :: Em primeiro lugar, tínhamos a
marca Brahma, o Zeca Pagodinho e uma
música brilhante. Não interessava, então,
fazer com que os elementos gráficos, a
navegação, as animações e tudo o mais
sobressaísse. Nesse ponto e, naturalmen-
te, dentro do espírito da campanha e do
garoto propaganda, optamos pelo design
despojado. O uso da isometria e da textu-
ra é suti l, o menu tem cara e jeito de
A seguir, Daniel Brum, diretor de criação, e Pedro Mozart, diretor executivo, ambos da Urbana,
falam do projeto de criação do hotsite da campanha Brahma – Zeca Pagodinho. Diante de um
público-alvo tão numeroso quanto heterogêneo, apostar na simplicidade foi a solução encontrada
para alcançar a maior parte desse universo. A fixação da marca do produto, e a divulgação em
massa do mesmo, são objetivos facilmente identificáveis neste hotsite. Polêmica à parte, um
trabalho que merece ser estudado pela adequação, mostrando que nem sempre complexidade e
eficácia caminham lado a lado. E não é filosofia de botequim!
Refresca até hotsite
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menu, a usabilidade é a mais simples e
objetiva possível. Por outro lado, não eco-
nomizamos recursos tecnológicos, porque
é um si te para ser visto, ouvido e divulga-
do para os amigos. Por exemplo, você não
ouve simplesmente a música, você tem um
videokê para acompanhá-la, pode baixá-la,
enviá-la por e-mai l, baixar um screensaver
musical. Houve também, tanto no si te
como no email marketing, uma grande pre-
ocupação com o uso de títulos e textos
simples e diretos, sem aquela l inguagem
robótica que você às vezes vê em sites
com design brilhante, mas que não têm a
mão de um bom redator. Não é, portanto,
um site orientado ao design, é um site de
cerveja, cujo tema é um amor de verão,
em ritmo de pagode.
Wd :: A criação do site institucional da
Brahma não foi feita pela Urbana. Isso di-
ficultou, de alguma forma, o desenvolvi-
mento do hotsite? Qual foi a maior difi-
culdade encontrada durante o processo?
Pedro :: A maior dificuldade de todo o
processo foi a questão do prazo. Tivemos
que trabalhar com vários designers simul-
taneamente, mas, fel izmente, isso não é
percebido no resultado final da peça. Já o
site existente, não dificultou em nada. Op-
tamos por criar o hotsite como uma espé-
cie de ante-sala para o site, com o tema e
o clima próprios da nova campanha, sepa-
rando-a, propositadamente, da estrutura
restante do site. Al iás, tem sido mais ou
menos assim, desde que criamos (meu só-
cio Pedro Mozart e eu), no século passado,
o primeiro “hotsi te”, cujo nome foi dado
pelo Paulão (Paulo Sérgio Silva, do Terra),
para descrever um trabalho promocional
que nos propusemos a fazer para um clien-
te, na época do StudioWeb (1996). Era um
trabalho com um posicionamento di feren-
te dos sites caretões de empresas, já utili-
zava fortemente ações de mídia onl ine e,
por isso, necessitava de uma estrutura in-
dependente. O mais legal foi que o concei-
to se mostrou tão útil que logo começou a
ser adotado por outras empresas e pegou
firme :-).
Wd :: A assinatura do Zeca, literalmente
embaixo, confere um tom extremamen-
te personalizado. Houve uma intenção,
ou melhor, uma preocupação maior em
se passar credibilidade ao público devi-
do às circunstâncias polêmicas que en-
volveram a campanha?
Daniel :: Eu vejo como uma transposição
para a mídia impressa daquilo que o fi lme
é: uma declaração de amor. Nos cartazes e
na internet, a mesma parte final do refrão
“Hotsite: não existem tantas amarras funcionais e há uma maior predisposição
do usuário para o inusitado, para o download mais demorado, para plug-ins”
Daniel Brum
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da música “...não largo meu amor, vol tei” entra assinada
pelo Zeca. O tom personalizado tem, logicamente, tudo a ver
com o fato de o garoto propaganda ter declarada preferência
por esta, e não, pela outra, como já era sabido pelo público.
E essa preferência é que dá credibilidade junto ao público.
Wd :: Inserir o filme da campanha no site foi uma forma
de matar a curiosidade de ver o anúncio sem ter que
esperar para assisti-lo na TV. Quais foram as preocupa-
ções e restrições técnicas enfrentadas na adaptação do
vídeo de uma mídia (tv) para outra (web)?
Pedro :: O maior problema técnico envolvido é sempre,
naturalmente, o peso de um vídeo, a forma pela qual a
Nesta coluna: a home e as páginas
internas do projeto original do site.
Na coluna ao lado: a home e uma
página interna sem a imagem do
“garoto-propaganda”, Zeca
Pagodinho, substituída após
proibição de veicular a campanha
enquanto vigorasse o contrato dele
com a concorrente.
“‘Envie para os seus amigos’: uma ação
inteiramente pensada para explorar ao
máximo as peculiaridades desta mídia,
tirando partido de seu potencial
multiplicador” Pedro Mozart
45
pessoa vai poder assisti-lo (ou não), o sistema operacional
de seu computador, se tem ou não tem o plug-in A, B ou C,
e por aí vai... Sem esquecermos das velocidades de cone-
xão. Assim, optamos por utilizar o novo Flash Professional
2004 MX, que permi te uma compressão muito boa, man-
tendo uma qual idade visual e sonora acei táveis, com o
benefício de poder ser visto mui to mais faci lmente, inde-
pendente do tipo de software (Quick Time, Windows Media
Player etc.).
Wd :: Você acredita que um hotsite tenha um público
mais específico e tolerante com o tempo de espera para
“carregar” determinado recurso, como um vídeo? Exis-
te uma maior liberdade de ousar, utilizar tais recursos
mais “pesados” na criação de um hotsite, em compara-
ção a um website?
Daniel :: Acredito que o interesse e a curiosidade do usu-
ário pelo tema justi ficam a espera. Este si te não existiria
sem vídeo, sem áudio, sem plug-ins, sem muitos kbytes de
peso. E seria uma frustração para o usuário se não fosse
assim. Claro que houve muitos testes de desempenho para
se chegar ao melhor custo-benefício, mas, simplesmente,
não poderíamos abrir mão de nenhum destes recursos.
Wd :: O ícone “Envie para os seus amigos” é um
multiplicador da mensagem onde há espaço para o bom
humor, já que contém um espaço para o internauta
digitar seu texto. Com esse diferencial, qual o resultado
alcançado?
Pedro :: Além do espaço para o humor, o mais bacana é
que foi uma ação inteiramente pensada dentro da estraté-
gia de explorar ao máximo as pecul iaridades desta mídia
tão fascinante. Tirando partido de seu potencial multiplicador
e disseminador de informação, fizemos com que, a partir
de um ponto inicial de emissão da informação (o hotsite),
cada pessoa se transformasse em um novo ponto de irra-
diação e assim sucessivamente, como ondas se sobrepon-
do e amplificando o “barulho” inicial. E o resultado superou
nossas expectativas :-)
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ipogr ipogr ipografia Digit afia Digit
afia Digit afia Digit afia Digital: al:
al: al: al:
e ee eela pode f la pode f la pode f la pode f la pode fala ala ala ala alar ma r ma r ma r ma r mais do qu is do qu is do qu is do qu is do que mil pala e mil pala e mil pala e mil pala e mil palavr vr vr vr vras... as... as... as... as...
Mais do que uma contribuição visual e
estética, uma tipografia adequada à men-
sagem pode ser um coadjuvante de peso
no sucesso de um trabalho. Buscando um
depoimento especializado sobre o assunto,
a Webdesign entrevistou a autora do livro
“Tipografia Digital”, Priscila Farias, para a
qual a função da letra não se restringe à
mera representação do alfabeto. “Além da
representação do al fabeto, as letras po-
dem fornecer outras informações sobre o
tom e o contexto da mensagem através de
seu contorno, proporções, peso, cor etc.”.
Como numa espéci e de si mbi ose, deve
haver uma completude, uma interação re-
cíproca entre conteúdo e forma.
É necessário compatibilizar a tipografia
não só ao tipo de informação que se deseja
passar, mas também ao meio utilizado para a
veiculação da mensagem. Os critérios de
emprego de tipografia variam de acordo com
o tipo de mídia escolhido. “Na tipografia para
meios impressos, o que importa, em última
instância, é a qualidade da saída impressa.
Sendo assim, problemas de visualização em
tela, como o encavalamento de caracteres,
podem ser desconsiderados, desde que se-
jam corrigidos por uma saída em alta resolu-
ção (embora possam causar grande descon-
forto). Em meios digitais, a tipografia deve
ser adequada à baixa resolução das telas, ao
brilho dos monitores e à distância de leitura”,
diz Priscila. Segundo a autora, nos sites com
grande quantidade de texto ou nos projetos
onde seja preciso otimizar a busca por infor-
mações, a legibilidade exerce maior influên-
cia na opção do tipo.
Produzir um texto legível, impresso
ou digital, requer habilidade e sensibilida-
de tanto do redator como do programador
visual. Proporcionar uma lei tura rápida e
inteligível é proporcionar ao leitor confor-
tos visual e cognitivo. Não basta apenas ler
faci lmente, é preciso também compreen-
der faci lmente. Daí a diferença entre anal-
fabeto e analfabeto funcional. Este úl timo
é capaz de ler uma frase, mas é incapaz de
assimi lar o seu signi ficado. Ao distinguir
l egi bi l i ty e readabi l i ty, Pri sci l a Fari as fri -
sa a importância da legibi lidade: “Se pro-
curarmos nos di ci onári os, as duas pal a-
vras são traduzidas para o português
como ‘ legibi lidade’. Mas a questão da
legibilidade da tipografia pode ser entendi-
da de pelo menos duas maneiras um pouco
distintas: a rapidez com a qual
Nem só de conteúdo vive um texto. Independente da quantidade de palavras, os artifícios
gráficos aplicados à letra podem transmitir dramaticidade, humor, leveza e uma série de
outras emoções que poderiam ficar implícitas na ausência de tratamento tipográfico.
s.f. associação heterogênea de
dois seres vivos, com provei to
mútuo
Fonte: dicionário online Priberam
Simbiose
X
47
recohecemos caracteres e palavras, possi-
bi litando ou dificultando a lei tura, e o grau
de conforto que acompanha esta lei tura,
possibilitando rapidez e entendimento. A
pesquisadora carioca Anamaria de Moraes
criou o termo ‘leiturabilidade’ para diferen-
ciar este úl timo aspecto, que, mui tas ve-
zes, diz respei to mais à composição tipo-
gráfica do que aos tipos em si”.
Por ser definida como “a percepção vi-
sual da linguagem verbal”, a tipografia é “de
grande relevância onde linguagem e
visualidade sejam fundamentais”. Para aque-
les que quiserem saber mais em relação ao
tema, a autora dá a seguinte dica: “Os co-
nhecimentos sobre tipografia podem ser di-
vididos em três eixos: a história da tipogra-
fia, a linguagem tipográfica e os aspectos
tecnológicos da tipografia. Acredito que seja
fundamental procurar se aprofundar nesses
três eixos e não apenas em um deles”.
Mesmo com inúmeras possibi lidades
tecnológicas disponíveis na web, a tipogra-
fia “continua tendo um papel importante
do ponto de vista informacional, sobretu-
do, quando a economia de recursos ou a
rapidez na transmissão de dados devam
ser enfatizados”.
Essa variedade de artifícios oferecidos
pela internet acaba fazendo com que a ti-
pografia digi tal seja explorada ao máximo.
Diante de tanta fartura tecnológica, muitas
vezes nos deparamos com sites visualmen-
te pesados e poluídos pelo exagero de in-
formações, cores, símbolos... No quesi to
contraste de cores, Priscila parece sugerir
a moderação ao afirmar que “algum con-
traste é necessário para possibi litar a lei-
tura, mas um contraste excessivo pode
prejudicar tanto quanto a ausência de
contraste”. E acrescenta que a tipografia
pode definir o sucesso ou o fracasso de
um site: “A tipografia mal aplicada revela
amadorismo, pouca sensibilidade, falta de
tempo, ou, em alguns casos, as três coisas
juntas”. Erros e acertos à parte, ela consi-
dera a internet um “ótimo ambiente para
experimentações, inclusive, tipográficas”.
Saber dosar segurança e ousadia talvez
seja o caminho para agradar ao público e à crí-
tica. Da mesma forma, “valorar igualmente as-
pectos técnicos (legibilidade, completude, co-
erência) e conceituais (relação com o projeto,
sensações pretendidas, imagens utilizadas) no
momento de escolha dos tipos”.
Entrando no aspecto humano, haveria
por parte do leitor/internauta uma tendên-
cia a aceitar melhor certos tipos de fontes?
A facilidade de leitura é fruto do uso cons-
tante de tais fontes ou esse uso constante
tornou tais fontes facilmente reconhecíveis
aos olhos humanos? Sem dúvida, uma ques-
tão controversa, a qual Priscila comenta, ci-
tando outros dois estudiosos do assunto:
“Isso é mais uma opinião do que uma
constatação. É uma mistura de duas opini-
ões. Na verdade, uma do Adrian Frutiger,
que acredita que o tempo tenha moldado
“E “E “E “E “Em meios digit m meios digit m meios digit m meios digit m meios digita aa aais, a tipogr is, a tipogr is, a tipogr is, a tipogr is, a tipografia dev afia dev afia dev afia dev afia deve ser a e ser a e ser a e ser a e ser ade de de de dequ qu qu qu qua aa aada à ba da à ba da à ba da à ba da à baix ix ix ix ixa r a r a r a r a reso eso eso eso esolução das t lução das t lução das t lução das t lução das te ee eelas, las, las, las, las,
a aa aao brilho dos mo o brilho dos mo o brilho dos mo o brilho dos mo o brilho dos monit nit nit nit nito oo oor rr rres e à distância de leitu es e à distância de leitu es e à distância de leitu es e à distância de leitu es e à distância de leitur rr rra” a” a” a” a”
Fontes gratuitas
www.1001freefonts.com
www.acidfonts.com
www.fontfreak.com
www.larabiefonts.com
www.fontfi le.com
www.free-fonts.com
www.coolarchive.com
www.007fonts.com
www.webfxmal l.com/fonts
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Tipógrafos brasileiros
www.elesbaoeharoldinho.com
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www.tiposdoacaso.com.br
www.rexnet.com.br
www.genu.com.br
www.nudes.com.br
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uma espécie de gabarito de letras ideais em nossas mentes, e outra da
Zuzana Licko, que busca relativizar o conceito de leiturabilidade, baseando-
se nos hábitos e expectativas do leitor, mas pressupondo a possibilidade de
modificar estes hábitos. Acredito que a posição da Zuzana Licko esteja mais
próxima da verdade”.
Seguindo a mesma linha da questão anterior, costuma-se defender a
aplicação de conotações tipográficas emotivas a comunicações impressas
com intuito persuasivo. Já para aquelas de caráter informativo, recomenda-
se um estilo topográfico neutro, de máxima clareza. Para Priscila, essa su-
gestão pode ser seguida na construção de páginas virtuais, mas sem esque-
cer que “a internet pode abrigar tanto mensagens persuasivas quanto men-
sagens informativas”. Nada que um pouco de discernimento e sensibilidade
não possam resolver!
Se a tipografia é capaz de transmitir intenções, sentimentos, informa-
ções, por que não, revelar personalidades? A preferência ou escolha de de-
terminado tipo pelo usuário não seria um esboço de parte de seu perfil psi-
cológico? Até mesmo a falta de preferência é um indicativo. Nossa entrevis-
tada explica que “em um ambiente com poucos recursos visuais, qualquer
aspecto gráfico assume grande importân-
cia. O tipo de letra que escolhemos (ou a
própria opção de não escolher nenhuma
letra e uti lizar o defaul t de um progra-
ma), em um ambiente como este, tem gran-
de influência na construção da identidade
de um usuário. Mas esta identidade não é,
necessariamente, reveladora da verdadeira
personalidade de um usuário. Acredito ser possível, isso sim, criar muitas
personalidades/personagens a partir de escolhas tipográficas cuidadosas”.
Quanto aos rumos da tipografia na internet, para um futuro próximo,
arrisca: “No campo da experimentação, acredito que veremos explorações
mais consistentes e eficazes das possibilidades dinâmicas e interativas da
rede para a tipografia. No campo das aplicações mais funcionais, acredito
que o aperfeiçoamento nos estudos sobre legibilidade e leiturabilidade em
tela, levará a aplicações mais eficientes do ponto de vista informacional”. E,
para finalizar, perguntamos: Quando você acha que as pessoas vão se adap-
tar à leitura de livros na tela de um computador? Priscila, objetivamente, res-
pondeu: “Quando os computadores se tornarem objetos tão leves e agradá-
veis de se manusear quanto um livro”.
Coleção Textos Design
Livro: Projeto Tipográfico – Análise e
produção de fontes digitais
Autor: Cláudio Rocha
Editora Rosari (www.rosari.com.br)
O autor aborda a tipografia de modo bastante
abrangente. Além dos mais variados tipos de fontes, o
tema é analisado sob as ópticas sócio-econômica e
cultural, desde a era medieval até a pós-modernidade.
Partindo da evolução da técnica da tipografia, há um
capítulo inteiramente dedicado à tipografia no design.
Uma ótima publ icação para quem deseja começar a
se aprofundar no assunto.
Catálogo Fontes Digitais Brasileiras: de
1989 a 2001
ADG Brasil (Associação dos Designers
Gráficos)
Editora Rosari (www.rosari.com.br)
Este catálogo reúne diversos tipos de fontes digitais
criadas por designers brasileiros entre os anos de
1989 e 2001. A publicação fornece informações
técnicas como formatos disponíveis, caracteres
existentes e contato com a distribuidora ou autor.
Também traz textos escri tos por especial istas no
tema, que destacam a situação do mercado
tipográfico no Brasi l e questões pertinentes, de
maneira simples e direta. Um trabalho cuidadosa-
mente elaborado e de grande uti l idade para
profissionais do segmento e designers em geral.
Dicas de leitura:
s. 1. não comparecimento,
ausência. 2. negligência,
omissão.
Fonte: dicionário Inglês/
Português Amadeu Marques
Na linguagem digital, assume o
sentido de “padrão”.
Default
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Wd :: Há quanto tempo o grupo ‘Tipos do Acaso’ está no
mercado? Como vocês começaram?
Buggy :: A ‘Tipos’ foi criada em 2000, por mim e por Miguel Sanches
(que me foi apresentado por Solange Coutinho). No início, o objetivo
era manter um grupo de estudo, pesquisa e experimentos. Sobrava
vontade e faltava conhecimento para produzir fontes digi tais de texto
e display, mesmo assim, nos metemos a fazê-lo. Só depois,
percebemos que tínhamos criado a primeira “font house” nordestina.
Wd :: Como vocês divulgam e comercializam as fontes que
criam? Em algum momento elas foram gratuitas?
Buggy :: No início, nos preocupávamos mais com a criação de um
catálogo de fontes impresso mensalmente, que suprisse a demanda
do mercado regional. Dessa forma, vendíamos os arquivos .ttf e
postscript, ímãs de geladeira, camisas, almofadas, luvas de cozinha,
agendas e toda sorte de cacarecos que pudéssemos estampar com
texturas de nossas fontes. A única fonte da ‘Tipos’ que sempre foi
gratuita é a Yuri Manimals, por conta da exigência de seu autor
(então, com sete anos de idade), o resto do acervo sempre foi
vendido ou, ocasionalmente, doado a alguns parceiros e escritórios
de design. Hoje, não distribuimos mais nossas fontes, aguardamos a
concretização de um projeto que visa inserir nossos caracteres em
vídeos e softwares interativos voltados para o entretenimento.
Wd :: Qual a importância da tipografia? O que é fundamental
saber sobre os tipos?
Buggy :: A cada dia que passa, a tipografia ganha mais importância
na vida das pessoas. As crianças de hoje não escrevem mais à mão,
elas teclam e se alfabetizam dessa forma, relacionando-se
intimamente com caracteres tipográficos digitais. Sobre os tipos,
sejam belos ou feios, bons ou ruins, isso demanda investimento.
Consome-se muito tempo, dinheiro, conhecimento e tecnologia para
que uma fonte seja disponibi lizada na internet, por exemplo. E é por
isso que algumas chegam a custar centenas de dólares.
Wd :: Quais as principais diferenças entre a tipografia para
meios impressos e meios digitais?
Buggy :: Fundamentalmente, a adequação ao meio é um fator
di ferenciador. Fontes criadas para meios impressos podem ter formas
mais complexas, com sutilezas e nuances, somente percebidas em
tamanhos diferentes. Elas, sobretudo, consideram a reflexão de luz
sobre o papel branco para que percebamos suas formas. Fontes para
meios digi tais, ou seja, para serem representadas em telas de tubos
de raios catódicos, cristal líquido ou plasma, normalmente
apresentam formas mais simples, que se aproveitam das limi tações
“A tipogr “A tipogr “A tipogr “A tipogr “A tipografia digit afia digit afia digit afia digit afia digital é alv al é alv al é alv al é alv al é alvo de u o de u o de u o de u o de um f m f m f m f m fetic etic etic etic etich hh hhismo fr ismo fr ismo fr ismo fr ismo frenétic enétic enétic enétic enético” o” o” o” o”
de resolução dos ambientes para os quais foram planejadas e levam
em conta a emissão de luz para que percebamos suas formas.
Wd :: O que é mais importante levar em consideração na
escolha de um tipo para a internet?
Buggy :: Adequar a fonte à proposta do si te é essencial - a
legibilidade em tela e a resistência de suas formas, as reduções de
tamanho e as variações de esti los (bold, itál ico etc.). É importante
considerar também a popularidade dessa fonte, ou seja, se as
pessoas possuem esta fonte instalada em suas máquinas, caso
estejamos falando de códigos html simples.
Wd :: Em emails e programas de comunicação instantânea,
como o ICQ e o MSN, o usuário pode escolher o tipo em que
deseja escrever a mensagem. Você acredita que isso
demonstra uma maior atenção à tipografia por parte do
público em geral? Essa possibilidade de escolha pode, a longo
prazo, valorizar o trabalho do tipógrafo no Brasil?
Buggy :: A tipografia digi tal é alvo de um fetichismo frenético.
Existem vários si tes que disponibilizam centenas de fontes, gratuitas,
ou não, para download, acessados com voracidade por internautas do
mundo inteiro, buscando personalizar suas ações e relacionamentos
na web e fora dela. O trabalho do tipógrafo brasi leiro já está sendo
reconhecido e procurado, não somente por conta da internet, mas
também pelo mercado edi torial nacional e internacional. No ano
passado, tivemos o 1º Congresso Brasileiro de Tipografia, em São
Paulo. O nível dos trabalhos selecionados para a bienal da ADG–Brasi l
nunca foi tão alto. De 40 trabalhos selecionados para a bienal latino-
americana da Revista Tipográfica, mais de dez eram brasi leiros. A
‘Tipos do Acaso’ teve uma famíl ia de fontes ti po di ngbats, a
‘Manguebats’, selecionada para
as duas bienais, e a fonte
Wayana, também selecionada
para a latino-americana.
Wd :: O que um iniciante
precisa saber para começar
a desenhar tipografia
digital?
Buggy :: Vontade, saber usar
um bom software vetorial e um
software de geração de arquivos de fonte, como o ‘Fontographer’ ou
o ‘FontLab’. Então, é só começar a fuçar e sair mexendo. É o primeiro
passo de uma longa caminhada até que se possa dizer que, de fato,
se desenha caracteres tipográficos para fontes digi tais.
Entrevista com Buggy, tipógrafo e fundador da ‘Tipos do Acaso’, de Recife
fontes consti tuídas por
símbolos e/ou desenhos.
ex.: Wingdings (de “a” a “z”)
C¹H-"×¹´)m&¤
OÞEOQ"· 44+ºEE=
Dingbats
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Formulários
em flash com PHP
Nesta edição, vamos aprender a trabalhar com um formulário flash+PHP.
Esse projeto ensinará como preencher os campos ‘nome’, ‘email’, ‘mensagem’
de um formulário e enviá-lo para um email com um assunto, ambos
previamente configurados.
Será necessária a criação de cinco ca-
madas para deixarmos a coisa bem clara.
Criemos então as cinco camadas e ordena-
remos da maneira a seguir (Fig.1):
1- ações
2- sucesso- movie clipe de sucesso
3- erro - movie clipe de alerta de erro
4- campos - os campos de texto de entrada
5- interface - todos os boxes e o botão de
enviar
Figura 1
Na camada das ações no 1º frame ou
quadro:
_root.nome = “”;
_root.email = “”;
_root.mensagem = “”;
// O código acima, declara as variá-
veis de ‘nome’, ‘email’ e ‘mensagem’, inici-
ando sem valores nenhum.
Façamos agora os shapes, o que seria
a parte de interface do formulário e seus
textos descri tivos. Também criaremos um
botão para enviar o form. Tudo isso na ca-
mada interface (Fig. 2).
Figura 2
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Por úl timo, a camada de ‘sucesso’,
um movie clip igual ao erro, só que em vez
Figura 3
Vamos para a quarta camada, a ‘cam-
pos’. Aqui criaremos os campos e colocare-
mos os nomes das variáveis dos campos
como ‘nome’, ‘email’ e ‘mensagem’ (Fig. 3).
Pulando para a camada de ‘erro’, a ter-
ceira, vamos fazer um movie clipe que acuse
um erro caso o usuário tente enviar o formu-
lário e deixe algum campo em branco.
Criamos um novo movie clip com o 1º
frame vazio e um stop(); na timeline, o se-
gundo com um texto em vermelho escrito:
‘Todos os campos são obrigatórios’. E tam-
bém com um stop(); na timeline.
Levamos para a cena 1 o-,
instanciamos de ‘alert’ (sem aspas) e colo-
camos no local mais apropriado para exibi-
ção quando necessária. Repare: você não
visual izará na cena 1 o mc (movie cl ip),
apenas a marcação do mc. (Fig.4)
Figura 4
de escrito em vermelho, será em verde, e no
lugar de ‘todos os campos...’ escreveremos
‘Seus dados foram enviados com sucesso’.
Iremos instanciá-lo de ‘sucesso’.
Feito isso, faremos esse formulário fun-
cionar, colocando as actions necessárias.
Primeiro, no botão ‘enviar’, criado na ca-
mada interface, colocaremos a seguinte ação:
on (release) {
if (nome == “” || email == “” ||
mensagem == “”) {
_root.alert.gotoAndStop(2);
/* Teste se algum dos campos nome, email
ou mensagem está vazio; se estiver, ele vai
para o quadro 2 do mc alert.( o do erro)
/*
} else {
this.loadVariables(“form.php”,
“POST”);
_root.ok. gotoAndStop(2);
/* Se todos os campos tiverem sido
preenchidos, ele envia as variáveis e
encaminha para o email configurado no
arquivo form.php, que está na mesma
pasta do servidor e vai para o quadro 2 de
ok (o de sucesso) /*
}
}
Bem, o formulário já está funcionan-
do, mas, agora, nós vamos fazer alguns
ajustes. Por exemplo, quando enviamos
uma mensagem, não podemos deixar a
mensagem de erro ou de acerto por tempo
indeterminado, temos que dar um coman-
do para a mensagem ficar um determinado
tempo e vol tar para a tela normal do usuá-
rio. Assim, faremos:
movie clipe de sucesso - ok
No quadro final, na timeline, antes do
stop(); já colocado, inserimos a seguinte
action:
function wait(){
this.gotoAndStop(1);
53
_root.nome = “”;
_root.email = “”;
_root.mensagem = “”;
clearInterval(go);
};
go = setInterval (wait, 3000)
/* Aqui, a mensagem fica exposta por um determinado tempo ( no caso, nós
usamos o tempo de 3 segundos) e o mc volta pro quadro 1, zerando todas as
variáveis./*
movie clipe de erro – alert
Faremos a mesma action no último quadro, só que não vamos zerar
as variáveis. O código ficará assim:
function wait(){
this.gotoAndStop(1);
clearInterval(go);
};
go = setInterval (wait, 3000);
/* Aqui, a mensagem fica exposta por um determinado tempo ( no caso, nós
usamos o tempo de 3 segundos) e o mc volta pro quadro. /*
Editando o código no php.
<?
// Configuração do email receptor do formulário e do assunto.
$recipient =”mb@marciobomfim.com”;
$subject = “Formulário”;
$mailheaders = “From: <$email> \n”;
$mailheaders .= “Reply-To: <$email>\n\n”;
$msg .= “Nome:$nome\n”;
$msg .= “\n”;
$msg .= “E-Mail:$email\n”;
$msg .= “\n”;
$msg .= “Mensagem:$mensagem\n”;
$msg .= “\n”;
mail($recipient, $subject, $msg, $mailheaders);
?>
Importante: Os campos ‘recipient’ e ‘subject’ são edi táveis.
Você pode baixar esse fla já com o arquivo php em
www.marciobomfim.com/artigos/form.zip.
Abraços,
Márcio Bonfim
mb@marciobomfim.com
*Márcio Bomfim participou da criação de sites como ‘BigBrother Brasi l 4’ e ‘O Globo
onl ine’ durante o período em que esteve na equipe de criação da Globo.com. Hoje,
trabalha como designer na Muiraqui tã Produtora Web.
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A força de uma marca na internet
Marcello Póvoa
Criou a MPP Solutions, empresa de consultoria estratégica, criação e desenvolvimento
em mídia interativa. Foi Diretor da Globo.com e da IconMediaLab (Nova Iorque) com
inúmeros projetos premiados internacionalmente. Possui Masters of Science in
Communications Design pelo Pratt Institute (NY) e MBA em Administração pela
Coppead, UFRJ. É autor do livro “Anatomia da Internet” (Casa da Palavra).
mpovoa@mppsolutions.com
Por dois anos consecutivos, o Google é eleito o ‘brand’ de maior impacto mundial
No topo do mundo
A empresa Interbrand publ ica anualmente o ranking dos “Top Global Brands”, que
traz os brands de maior impacto durante o ano. Nesta seleção entram brands de empre-
sas presentes em qualquer indústria. É importante notar que no ranking não estão neces-
sariamente as marcas mais reconhecidas a nível mundial. Se o cri tério fosse puro reco-
nhecimento, di fici lmente um brand como “Coca-Cola” seria ultrapassado na l ista.
O processo de seleção da Interbrand tem como objetivo determinar quais brands
tiveram maior impacto na percepção do consumidor nos últimos doze meses. Os consu-
midores determinam que produtos foram mais usados e, conseqüentemente, geraram
mais força para seus respectivos brands. Com base neste critério, a marca Google bateu
todas as marcas offline (incluindo Apple, Samsung e a própria Coca-Cola), sendo o núme-
ro 1 do ranking de “Top Global Brands” por dois anos consecutivos.
Sucesso não é somente sorte
O Google e seu fantástico algori tmo geraram um serviço de busca revolucionário,
trazendo resul tados com um fi ltro de relevância incrivelmente eficiente. Uma interface
franciscana, extremamente fácil de usar, faz do site Google uma ferramenta indispensável
para qualquer pessoa em busca de informação... E quem não está?
Trata-se, naturalmente, de um grande produto quanto à di ferenciação competi tiva
perante seus concorrentes. No entanto, somente o quesito qualidade não é suficiente
para o sucesso. A percepção deste produto na mente do consumidor foi sempre mui to
bem gerenciada pela equipe Google. E é mui to importante notar: percepção é realidade,
ou seja, a realidade é uma conseqüência do que percebemos à nossa volta. Justamente
nesta percepção dos atributos de um serviço/produto é que está o “brand” deste. Um
brand bem gerenciado tem, certamente, a identidade visual e o nome do produto criati-
vamente definidos. Porém, uma estratégia sólida de branding consiste em muito mais do
que somente aspectos tangíveis (nome, cor, tipografia, logo etc.). Um brand poderoso
como o Google consegue incrustar atributos intangíveis no cérebro do consumidor: con-
fiança, eficiência, qual idade e utilidade, por exemplo.
O competente trabalho de branding associado a um produto “matador” fez do
Google o líder do segmento, com 70% do mercado global, o que signi fica que 7 entre 10
pessoas que procuram informação na internet clicam no Google. Todos estes resul tados
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“a realidade é uma conseqüência do que
percebemos à nossa volta. Justamente nesta
percepção dos atributos de um serviço/produto é
que está o ‘brand’ deste”
são excelentes fundamentos para o tão esperado lança-
mento de ações no mercado primário pela empresa. O IPO
do Google será o primeiro em grande esca-
la depois do estouro da bolha.
Uma nova fase da mídia interativa
Muito mais do que uma captação de re-
cursos para a empresa, o IPO do Google po-
derá representar a volta da confiança do
mercado financeiro na internet. Uma credibi-
lidade, provavelmente, sem o otimismo
descontrolado que ocorreu durante a bo-
lha, mas também sem o injusto pessi-
mismo que se projetou sobre tantas
empresas sérias durante o período
pós-bolha. Inquestiona-
velmente, exis-
tiu especulação e
aproveitadores na super
escalada da internet du-
rante a virada do milê-
nio. Mas também existi-
ram (e existem) pessoas e
empresas sérias e, muitas ve-
zes, verdadeiramente visionári-
as. Muitas destas visões come-
çam a mostrar resultados financei-
ros notáveis no mercado (Yahoo,
Expedia, Amazon, dentre outros).
Em paralelo, o uso da mídia interativa
no mundo corporativo (internet, intranets,
extranets) mostra-se altamente eficiente e, conseqüen-
temente, um catalisador de receitas e redutor de custos.
A noção de empresa “em rede” é inevitável. Seja como
canal de vendas, gestão de conhecimento ou simples co-
municação insti tucional, a mídia interativa torna-se parte
inerente do negócio, o que
caracteriza uma oportuni-
dade para as empresas de
serviços, tanto no Brasil
como no exterior.
Ainda nem chegamos
aos 10 minutos do primeiro
tempo. O jogo está apenas
começando...
IPO X
IPO (Ini tial Public Offering) Primeira oferta
pública ou oferta pública inicial.
Significa ter uma net-empresa aprovada pela
Nasdaq para fazer sua primeira oferta pública
de ações. Como é chamada a operação de
abertura de capi tal nas bolsas americanas.
Fontes: Novomercado, RevistaTI, Revista Isto
é Dinheiro.
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Quem não se comunica
se trumbica
Marcela Catunda
Trabalhou nas redes Bandeirantes, TV Gazeta, Manchete e
Globo. Foi redatora da DM9DDB e supervisora de criação de
mídia interativa da Publicis Salles Norton.
marcelacatunda@terra.com.br
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Maldito o dia em que confessei amar Sidney Magal, Sari ta Catatau, Décio Piccinini,
Pedro de Lara e mais toda a turma de jurados do Cassino do Chacrinha e do Show de
Calouros do Si lvio Santos. Estávamos tomando um inocente café na agência. Todos fala-
vam do que gostavam e sentiam saudades. Eu também disse sentir saudades do Agente
86, da turma do Vila Sésamo e ninguém fez cara feia, mas quando eu cantarolei algumas
estrofes de Sonho de Ícaro, do Biafra, quase fui apedrejada.
“Alô, Tereziiiiinhaaaa”
Amar meus ídolos sempre me fez um bem danado. Eles me ensinaram muito.
Foi assistindo a esses astros gongando calouros e rasgando elogios para outros, que
entendi a importância e a força de uma personagem. Aquelas pessoas me fascinavam e
hoje eu sei por que: é que eu conseguia ver em cada uma delas sua personalidade, estilo
e presença. Eu os conhecia! Eles tinham um perfi l bem definido, características fortes,
que faziam deles um time de super-heróis muito mais divertido que a Liga da Justiça.
“Conga! Conga! Conga!”
Graças a eles e tantos outros aprendi a criar personagens. E não foi só lendo histó-
rias em quadrinhos e livros, embora eu também adorasse fazer isso.
Foi mesmo na frente da TV que conheci as personagens mais divertidas e queridas do
mundo.
“Dá dez paus”
Dei início à minha galeria de personagens com doze ou treze anos e, desde então,
não parei mais. Criar personagens é uma das coisas que mais gosto de fazer. E não é que
dá pra fazer isso em alguns jobs?
Mui tas vezes, um mascote é tudo que um trabal ho preci sa pra fi car ai nda mel hor.
É uma pena que nem todas as pessoas entendam a força de uma personagem.
Consegui emplacar trabalhos muito legais criando personagens. Nem sempre ele ganha
aquela super força, mas é porque as pessoas sentem medo de misturar o real com a fantasia.
– Como eu vou colocar uma minhoca vendendo meu produto? Não vai ficar muito
infantil? Será que não vai pegar mal? Mas tem que ser uma minhoca? Por que não colo-
camos nosso logo falando? – bombardeia o cliente.
E eu tenho que responder isso? Claro, tudo que nos resta é defender nossa persona-
gem como defenderíamos um amigo, ressaltando suas qualidades e deixando seus defei-
tos bem pequenos, praticamente imperceptíveis.
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“O primeiro passo para desenvolver uma
personagem é entender sua importância
como agente de comunicação do job”
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Construir uma personagem é criar um mundo só para
ela, e a internet é solo fértil nesse aspecto (e olha que não
estou me referindo à minhoca).
Muitas empresas fizeram de suas personagens maravi-
lhosos garotos propagandas. Isso, sem falar do sucesso da
palavra ‘merchandising’ dentro dos veículos de comunicação
– as novelas estão cheias de propagandas que se utilizam da
força de personagens para vender seus produtos.
“Quanto vale o show?”
O primeiro passo para desenvolver uma personagem é
entender sua importância como agente de comunicação do
job. Depois, vem a del iciosa aventura de criá-la.
Lembro do dia em que me chamaram para dar perso-
nal idade a um mascote que havia sido criado graficamen-
te pela agência. Mas como apresentá-lo para o cl iente?
Não queremos mostrar apenas uma imagem dele. Você
quebra esse galho? – perguntou meu diretor de criação.
Foi, então, que sentei e o entrevistei. Imaginei ele ali,
do meu lado, me ajudando a conhecê-lo. O formato da
apresentação foi uma entrevista como essas de páginas
amarelas. As perguntas? As mais diversas possíveis... de
sua cor predileta a sua importância como ícone de comuni-
cação da marca do cl iente. Ele respondeu todas elas com
bastante humor. Através de suas respostas, tracei seu per-
fi l, e daí, pude criar seu universo.
A apresentação para o cliente foi muito legal, e a cam-
panha, um sucesso. Mais legal ainda foi colocá-lo na
Internet e apresentá-lo para as crianças, que logo se apai-
xonaram por ele.
Eu gostaria que ele estivesse mais ativo,
mas nem sempre a gente pode estar ao lado
deles. Saímos de onde trabalhamos e larga-
mos nossa mesa, ramal, amigos e trabalhos. Como diria o
BBB Bambam: “Faz parte”.
Fica o que aprendemos. E criar personagens é apren-
der mui to.
E a Maria Clara é coisa nossa. Mas que vai, vai...
Por falar em personagens, tá na hora da minha novela
das oi to. Quero só ver o que a Beatriz vai aprontar com a
Laura para derrubar a pobre ex-menina do Andaraí. Será
que a Maria Clara vai para o trono, ou não vai?
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Afinal, é você quem decide como iniciar o dia...
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Onde diz “Push”, empurre
René de Paula Jr.
Especialista em e-business, profissional de internet desde 1996, passou pelas maiores
agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, Agência Click, Banco Real ABN AMRO.
É criador da “usina.com”, portal focado no mundo online, e do “radinho de pilha”
(www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área.
rene@usina.com
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É uma porta.
Tomara que ele não ouça isso, tomara que seja surdo como uma porta. Eu, no seu
lugar, ficaria ofendidíssimo. Afinal, quem gosta de se sentir burro?
Ele ouviu. Era um professor pecul iaríssimo, um ponto fora da curva sob qualquer
aspecto: esquisi to, mal proporcionado, hosti l... Mas, parecia fel iz consigo mesmo. Nun-
ca se abalou com as piadas, os apelidos e a rapaziada imi tando.
Imperturbável, o senhor bizarro, até que um dia...
Numa prova, um aluno irritado deixou escapar algo como “o cara é uma porta”. Para
espanto geral, o professor subiu nas tamancas, perdeu as estribeiras. Bradava, transtorna-
do: “Podem me chamar de palhaço, do que for, mas de incompetente, JAMAIS!”. Saia justa.
Agora, fica a questão: por que uma porta é burra? Um burro parece burro, uma anta
idem, mas uma porta... Eu convivo com portas de todo tipo: algumas educadíssimas, que se
abrem mal eu apareço, outras discretíssimas, que se fecham com polidez, mas, portas bur-
ras, não me ocorre nenhuma. Teimosas, talvez? Feiinhas? Mas de burras, não me lembro.
Algumas portas lindas, nobres e elegantes lhe fazem sentir burro, isso sim. E isso
é i mperdoável .
Portas anti-pânico (aquelas de saída de cinema) devem ser ótimas se você estiver em
pânico, com uma turba descontrolada lhe prensando contra a dita cuja. Mas, se você es-
tiver calminho, querendo comprar pipocas, a porta é um porre. Cadê a maçaneta? Puxo ou
empurro? Sorte que está escuro, porque, ao menos, ninguém testemunha você sendo
burro... como uma porta.
Falar em portas é uma boa maneira de abrir as portas para uma questão fundamental
em qualquer projeto interativo: o cenário de uso.
Ilustremos: o cliente lhe pede _ “Põe uma porta aí”. “Que tipo de porta?”, você pergunta.
O cliente, que tem mais o que fazer, diz delicadamente “uma porta, sua porta!”. Pronto,
abram-se as Portas da Desesperança. Vai começar uma novela de desentendimentos.
Você escolhe uma porta esplêndida, de titânio, com maçanetas italianas e com um
originalíssimo funcionamento articulado. Desastre total: ali é a saída de um aeroporto, e
nesse cenário de uso:
:: O usuário quer sair daquele lugar, e uma porta tão esti losa parece entrada, não
uma saída.
:: O usuário está com malas e sacolas, e não vai ter mãos pra maçaneta nenhuma.
:: O usuário quer mais é sumir dali, e não vai parar para fechar a porta atrás de si.
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“Numa mudança de cenário, o usuário não vai ficar
desorientado se alguns elementos sumirem.
Não tenha pudores em mudar a cara da interface”
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:: O usuário está vendo a porta pela primeira vez e
não vai revê-la assim tão cedo, portanto, não vai querer se
dar ao trabalho de aprender truques.
:: Os usuários vêm em massa, e uma porteira de gado
seria mais eficiente do que uma porta conta-gotas.
Metáforas à parte, um dos aspectos mais importantes
no mundo interativo é o cenário de uso. Usuários usam,
usuários querem usar sua interface para alguma coisa, não
só para ficar olhando. Como ele quer usá-la? Qual o con-
texto? Pensemos num exemplo concreto: uma loja online.
Enquanto ele está passeando pela
loja, conferindo produtos e ofer-
tas, sua atitude é uma. A hora
em que ele opta por colocar
um produto no carrinho, a
atitude é outra.
Na primeira, os atributos
do produto, as ofertas
são o foco e o usuá-
rio vai se sentir
mais à vontade se
puder fuçar por
conta própria,
sem compro-
misso, sem
conseqüência.
Na hora do car-
rinho, as coisas mudam.
Agora, qualquer bestei-
ra que ele fizer pode ter
conseqüências, agora
é tudo mais sério e, embora seja um cenário muito mais racional,
pode ser um excelente momento para “segurar na mão” do usu-
ário e transmitir-lhe segurança e apoio. É uma hora de decisão,
de ação, e ele pode não estar familiarizado com o processo. Ele
pode ter medo de errar.
No primeiro cenário, o que conta é a sedução, a l iber-
dade, o descompromisso. No segundo, a confiança, a pri-
vacidade e a facilidade são as tônicas. Quando você dese-
nhar as interfaces, a comunicação, o processo todo, você
deve levar em conta essa diferença de ambientes. Na cabe-
ça do usuário, ele abriu uma porta e passou para um outro
espaço, um espaço com outras regras. Se você for designer
ou arqui teto de informação, não tenha pudores em mudar
a cara da interface.
Numa mudança de cenário desse tipo, o usuário não
vai ficar desorientado se alguns elementos sumirem, pelo
contrário, vai ter certeza de que abriu a porta certa e pas-
sou para outra sala.
Comprei um guarda-chuva de um camel ô outro di a.
Ci nco “reau”. Val eu cada centavo: eu preci sava andar
três quarteirões na Paul ista debaixo de um pé d’ água e o
tal guarda-chuva ‘ pl i n-pl an-pl um’ se abri u automati ca-
mente. Cheguei onde queria e o fechei sem maiores dra-
mas. Cl aro que eu o esqueci nem sei onde, mas não fi -
quei tri ste. El e cumpri u sua mi ssão e, se eu preci sar de
novo, sei que vai ser fáci l achá-l o.
Mas, porém, contudo, todavia, se o cenário fosse ou-
tro, se fosse um evento no Jockey, se fosse um presente de
dia dos pais, se eu fosse aparecer na Caras, meu guarda-
chuva ‘ching-ling’... não passaria da porta.
Mas, se eu estou na chuva, é para não me molhar.
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A interface está morta.
Vida longa à interface!
Claudio Toyama
Experience Consultant, atua há mais de 12 anos em pesquisa e
consul toria nas áreas de internet e mídias interativas. Atualmente, é
diretor de pesquisas qualitativas e quantitativas da Survey.com Europe.
É co-representante do grupo AIGA Experience Design, no Brasi l, e
membro do conselho diretor do grupo de Experience Design de Londres.
webdesign@claudiotoyama.com
Quando falamos em exemplos mais comuns de interface, o que vem à cabeça? Mui-
tos responderiam que é o monitor do computador. Apesar de ser a interface predominante
no mundo midiático de hoje, logo estará cedendo espaço a novas plataformas e novos
modelos de interação, como é o caso da televisão interativa, dos PDAs, dos telefones ce-
lulares, dos PDAs híbridos (PDA + telefone celular), dos game boys etc.. E isto é só o
começo... Há óculos de realidade virtual, de realidade aumentada, interfaces acionadas
por som, holográficas e a mais recente novidade anunciada na revista americana
Scientific American são as interfaces flexíveis (monitores de LEDs orgânicos que podem
ser enrolados).
Mas, qual dessas interfaces é a melhor? A resposta é fáci l: é a interface invisível.
Interface invisível? Sim. Aquelas interfaces que, de tão simples, naturais e adaptadas ao
contexto de uso, não são nem sequer percebidas pelo usuário.
Um exemplo clássico é o caso dos videogames. Para o assíduo jogador, a interface
tornou-se invisível, pois esse jogador não precisa mais olhar para a interface (botões do
joystick, tipo de tela ou monitor usado etc..) para fazer pontos, ou seja, por não precisar
prestar atenção na interface, o jogador consegue imergir no jogo por horas a fio, sem que
nada o distraia.
Esse estado no qual entramos, fazendo com que percamos a noção do tempo, com
que tenhamos sensações agradáveis e que nos traz grande satisfação é o que Mihaly
Csikszentmihalyi chamou de ‘ Flow’, em seu livro intitulado ‘ Flow: the psychology of
optimal experience’ (traduzido na versão brasi leira como Psicologia da Felicidade, título
que, a meu ver, não retrata a complexidade do tema).
‘Flow’, para Csikszentmihalyi, é um estado positivo, e altamente prazeroso, de cons-
ciência, que ocorre quando nossas habilidades se equiparam aos desafios que encontra-
mos. Nos casos em que nossas habi lidades são mui to superiores à tarefa em questão,
ficamos entediados. E quando nossas habilidades não fazem jus ao desafio, nos sentimos
frustrados por não conseguir realizá-lo.
Na verdade, esse estado de ‘ Flow’ poderia ser considerado o Santo Graal de qual-
quer desi gner que esti vesse pensando em prover uma óti ma experi ênci a para o vi si -
tante do websi te.
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“a melhor interface é a invisível...
aquela que, de tão simples, natural e
adaptada ao contexto de uso, não é
sequer percebida pelo usuário”
Na web, segundo Novak, Hoffman e Yung, em
“Measuring the Customer Experience in Online Environments:
A Structural Modeling Approach”, ‘Flow’ é determinado por
altos graus de destreza e controle; altos graus de desafio,
exci tação e atenção focada, que são melhorados com a
interatividade e tele-presença.
Sabemos, através de pesquisas com os usuários de
Internet, que eles decidem em frações de segundos se
querem explorar ou não um websi te que acabaram de co-
nhecer. O desafio se torna ainda maior com a proliferação
de pontos de acesso e tipos de plataforma brigando pela
atenção do usuário. Imaginem, então, qual não é o esfor-
ço que devemos fazer para que esse visi tante se torne as-
síduo e passe para a galeria da minoria absoluta dos cl ien-
tes/visitantes leais.
Nos próximos artigos, daremos uma volta ao mundo
(ou fora dele), visi tando centros de pesquisa avançada
como o MIT MediaLab, Cambridge, Palo Al to Research
Center, entre outros, e revisaremos o que há de mais ino-
vador nessa área, na Europa, nos Estados Unidos e em ou-
tras partes do mundo, numa tentativa de fazer com que te-
nhamos insumos para responder o desafio de chegar cada
vez mais perto dessa tão almejada ‘interface invisível’.
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Lataria
Luli Radfahrer
PhD em Comunicação Digital, já dirigiu a divisão de internet de algumas das
maiores agências de propaganda e de alguns dos maiores portais do Brasil. Hoje, é
Professor-Doutor da ECA-USP, Diretor Associado do Museu de Arte Contemporânea
e consultor independente. Autor do livro ‘design/web/design:2’, administra uma
comunidade de difusão do conhecimento digital pelo país.
webdesign@luli.com.br
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ou: pra que serve um computador multimídia em casa?
Se você pertence à geração que foi al fabetizada, se formou, trabalhou e conseguiu
todo o sucesso profissional que desejava sem nunca ter precisado de um computador,
provavelmente ainda deve acreditar que eles, no fundo, são uma enorme bobagem e que
poderia viver tranqüilamente sem eles. Pois, pasme: você nunca esteve tão certo. E mes-
mo que não pertença a essa geração e ache essa escola de pensamento uma grande bo-
bagem, vale a pena considerar: o computador é mesmo algo útil e indispensável? Não falo
dos famosos sistemas “invisíveis”, que controlam, regulam e sustentam praticamente
todos os megaprocessos da sociedade moderna, das rotas de aviões à distribuição de
suprimentos em hospitais, mas, sim, daquelas calculadoras megavitaminadas que ocupam
um espaço nobre na sua casa: o esquisito “computador pessoal”, seja ele um PC ou Mac.
É só parar para anal isar a sua maquininha que você, provavelmente, chegará à con-
clusão que os ingleses estavam certos ao chamar a parte física do computador de
hardware, que quer dizer ‘lataria’: qualquer que seja o modelo, portátil ou não, ele sempre
é pesado demais, frágil demais, cheio de fios e misteriosamente problemático. A não ser
que você seja uma poliana digital, é preciso um bocado de tolerância e otimismo
tecnológico para chegar à conclusão outra que não a óbvia: eles, em casa, realmente não
prestam para nada.
Se não, vejamos: para que você usa a máquina que está em casa? Para trabalhar?
Raramente. A não ser que seu escritório esteja a algumas dezenas de passos da sua cama,
a maioria dos arquivos que você precisa não estarão lá e vai ser mais rápido dar uma es-
capada até o escritório em um domingo à tarde do que tentar reproduzir toda a
cornucópia de referências que você precisa.
Se não é para trabalhar, certamente, não será para se divertir. Depois de uma breve onda de
otimismo, os videogames perceberam que seu lugar não é nos computadores. Computadores
estão ocupados demais com recursos inúteis para terem o som adequado, a resolução ou a velo-
cidade desejada. Para piorar, mouse não é joystick e o teclado não é tão ergonômico quanto os
botões de um Gameboy. Isso, sem contar que videogames não dão pau.
Você pode até achar que o acesso à internet e a habilidade de sintonizar rádio ou
tocar MP3 são luxos desnecessários para o seu aparelho de TV, DVD ou telefone. Mas é só
pensar que esses aparelhos são mui to mais práticos e baratos que computadores,
walkman, sistemas de som e podem substituí-los. Ao abandonar o computador pessoal,
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“prepare-se: vem aí uma nova geração de
aparelhinhos mágicos que vai facilitar a
sua vida. Ou complicá-la de vez”
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interfaces? O que você precisaria aprender para não perder
o emprego em 2005?
Pra começar, é fundamental separar o conteúdo de
seu suporte. Da mesma forma que um jornal tem muito
mais a ver com informação do que com um monte de papel
sujo entregue na sua casa todas as manhãs, o design de
superfícies digitais ou interfaces tem muito mais a ver com
hipertexto, virtual idade e adimensionalidade do que com
qualquer efeito do Photoshop ou actionscript do Flash.
Tecnologia sem uma boa idéia por trás não vale nada e não
leva a lugar algum. Para se fazer bom design digital é fun-
damental se concentrar na idéia que se quer transmi tir e
trabalhá-la mui to bem. Depois disso, é só escolher as fer-
ramentas disponíveis – de webcam a WAP – e aplicá-las da
forma mais adequada, buscando sempre inventar novida-
des e revolucionar o que conhecemos. Design, lembre-se,
quer dizer “projeto”. E não há projeto melhor que inventar
uma geringonça à Prof. Pardal.
Estamos a caminho de uma sociedade sem computa-
dores pessoais. As máquinas que vêm por aí se dividem em
duas classes de categorias: fixos ou portáteis, para entre-
tenimento ou trabalho, e suas eventuais intercombinações.
Ao se tornarem cada vez mais eficientes, as tecnologias da
informação estão cada vez mais transparentes, e se infiltram
no nosso cotidiano, enriquecendo a experiência que temos
em coisas que já conhecíamos muito bem. Por isso, se você
não sabe acertar o relógio do seu vídeo, pegar os recados
da sua secretária eletrônica pelo telefone ou programar a
sua máquina de lavar, prepare-se: vem aí uma nova gera-
ção de aparelhinhos mágicos que vai facilitar a sua vida.
Ou complicá-la de vez.
Em outras palavras: tudo vai mudar. Mas, como o
Homo Sapiens não muda, no fundo, tudo continua igual.
deixamos de lado um aparelho multimídia metido à besta,
caro, compl icado e obsoleto, para ter uma boa TV e um ce-
lular mais esperto. Sem contar, que eles falam a sua língua e
são bem mais fáceis de usar.
O computador pessoal pode ter sido uma idéia muito
bacana, na falta de outra melhor. Mas, se ele não está liga-
do nem você sentado na frente dele (si tuação corriqueira
em escritórios, mas rara em casa), todo esse processo pode
ser um saco. Ainda mais se o seu celular ou o controle remoto
da sua TV puderem fazer o mesmo. Já imaginou que bacana
você poder escolher o filme que vai ver, comprar a entrada
e reservar lugar, ainda a caminho do cinema? Ou escapar
das fi las de espera no restaurante por ter reservado uma
mesa direto da TV da sala enquanto esperava sua mulher
terminar de se aprontar? Ou checar seus e-mails enquan-
to fica parado no trânsito? Ou usar o celular para progra-
mar o vídeo para gravar a novela? Ou mesmo pedir uma
pizza antes do jogo começar e recebê-la no intervalo?
A revista Wired diz que a maioria das nossas previsões
sobre o futuro dá errado porque nos baseamos em um pen-
samento mui to linear. Vemos as coisas como elas são hoje
em dia e as projetamos para o futuro, achando que vai ser
tudo igual. Pois, é. Na década de 60, ninguém previu a
internet, em 1997 ninguém imaginou o Napster e, mesmo
hoje em dia, muita gente
confunde textualidade digi-
tal com o ato de ler textos
na tela de um computador.
Como fica, então, você
que hoje entende bem
a web e sabe tudo
de design de
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