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Prof.

Gilson Queiroz

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CAPÍTULO 1 - INTRODUÇÃO

1.1 Definições Todas as construções têm componentes estruturais, que devem possuir resistência e rigidez adequadas para a finalidade prevista. Resistência é a capacidade do componente estrutural não sofrer qualquer tipo de dano, sob o efeito das ações, e rigidez é sua capacidade de não se deformar excessivamente, sob esse efeito. As ações, associadas à finalidade da construção, são todas as causas de deformações dos componentes estruturais, como peso próprio, forças aplicadas, variação de temperatura, vento, forças de inércia etc. Todos os materiais são deformáveis. Quando a deformação desaparece totalmente após a retirada das ações, diz-se que o comportamento do material é elástico. Quando alguma deformação permanece após a retirada das ações, diz-se que o comportamento é plástico. Todos os materiais comportam-se elasticamente até um certo limite das deformações a que são sujeitos; além de tal limite alguns se rompem e outros (a maioria) passam a se comportar plasticamente.

1.2 Objetivo da Resistência dos Materiais Estabelecer métodos adequados para o cálculo de tensões e deformações em componentes estruturais, de forma que eles possam ser projetados atendendo às condições necessárias de resistência e rigidez. Para estabelecer tais métodos utilizam-se modelos matemáticos, baseados em resultados experimentais, cujo campo de validade é limitado pelas hipóteses inerentes.

1.3 Limitações do curso de Resistência dos Materiais Comportamento elástico, pequenas deformações, pequenos deslocamentos. As deformações (ε) são consideradas pequenas quando seu valor absoluto não ultrapassa determinado limite, geralmente da ordem de 0,01. Exemplo: barra com seção transversal quadrada de lado a0, comprimento L0, sujeita à tração, conforme figura 1.1.a - o diagrama tensão deformação do material é mostrado na figura 1.1.b.

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a0 F x L0 L (a)

a F

σ σe εe ε

(b) FIGURA 1.1

0,01

Sejam a e L as dimensões da barra depois da aplicação da força de tração F. Tem-se: ∆L = L - L0 εx = ∆L / L0 ∆a = a – a0 εy = εz = ∆a / a0

Relação entre as áreas final e inicial da seção transversal: (a/a0)2 = [(a0 + ∆a)/ao]2 = [(a0 + εy a0)/a0]2 = (1 + εy)2 Para |εy| ≤ 0,01 (pequenas deformações), notando que εy é negativo (porque a < a0), obtém-se (a/a0)2 ≥ 0,98 (redução da ordem de 2% na área) Assim, pode-se considerar a área constante no caso de pequenas deformações. Para εx ≤ εe o comportamento é linear, com σ = F / (a0)2 = Eεx (E = módulo de elasticidade) Particularmente, no fim do comportamento linear, σ = σe = Eεe

Deslocamentos são pequenos quando a geometria da estrutura deformada pelas ações difere pouco de sua geometria indeformada, de forma que seja desprezível o erro cometido quando se calculam respostas da estrutura com base na geometria inicial. Exemplo: para a determinação do momento fletor em A na peça em balanço da figura 1.2, o deslocamento u da extremidade direita seria pequeno se Pu << Fh, pois, neste caso, poder-seia calcular MA com base na geometria indeformada, i. é., MA = Pu + Fh ≅ Fh. h

A FIGURA 1.2

F P u

1.4 Exemplos de projetos mecânicos que envolvem Resistência dos Materiais - eixos, engrenagens e elementos de máquinas em geral; - estruturas de automóveis, navios e aviões; - guindastes e pontes rolantes;

Prof. Gilson Queiroz - comportas, condutos-forçados e equipamentos hidro-mecânicos em geral; - vasos de pressão; - estruturas de correias transportadoras; - estruturas de máquinas em geral; - etc.

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1.5 Histórico Os egípcios possuíam alguns conhecimentos de mecânica simples e de resistência dos materiais, pelo menos dois mil anos antes de Cristo. Contudo, o primeiro registro do uso de princípios científicos no campo da mecânica é atribuído a Arquimedes (287-212 A. C.), que estabeleceu o princípio da alavanca. Os romanos conheciam muitos princípios da mecânica, como o do arco, muito utilizado nas construções do Império Romano. Pouco avanço ocorreu durante o declínio do Império Romano e a Idade Média. O ressurgir do interesse pela ciência que veio com o Renascimento aparentemente concentrouse na Itália. A primeira publicação sobre resistência dos materiais é atribuída a Leonardo da Vinci (1452-1519). O grande cientista italiano Galileu (1564-1642), em seu livro “Two New Sciences”, apresentou dois tópicos de resistência dos materiais, um a respeito de ensaios de barras tracionadas de geometria similar e outro a respeito da resistência teórica e experimental de vigas em balanço. O inglês Robert Hooke (1635-1703) contribuiu muito para o desenvolvimento da Resistência dos Materiais, com sua famosa lei de Hooke, formulada em 1660, mas, publicada somente em 1676: “a deformação é proporcional à tensão”. Esta lei foi o primeiro avanço importante na teoria dos corpos elásticos. Isaac Newton (1642-1727), além de desenvolver suas leis famosas , é também considerado o criador do cálculo diferencial. Atribui-se a John Bernoulli (1667-1748) o estabelecimento do princípio dos deslocamentos virtuais. Foi o filho de John, Daniel (1700-1782), entretanto, quem propôs, numa carta a seu discípulo, Leonard Euler (1707-1783), o princípio que levou Euler a formular a teoria de EulerBernoulli sobre a flexão de vigas. Leonard Euller foi um dos mais prolíferos e conceituados cientistas do século XVIII, produzindo vários livros-texto e mais de 400 artigos durante os últimos 20 anos de sua vida.

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J. L. Lagrange (1736-1813) produziu vários trabalhos, os mais significativos tendo sido a respeito de flambagem de pilares, aplicando corretamente as teorias de Euler sobre estabilidade estrutural. Próximo ao início do século XIX, a ênfase dada a corpos de forma específica, tais como barras solicitadas axialmente e vigas fletidas, começou a mudar para corpos de forma arbitrária. A caracterização das equações de campos elásticos foi descrita por Navier (1785-1836) em 1821, e por Cauchy (1789-1857) em 1822. As formulações apresentadas pelos dois cientistas foram idênticas, exceto por uma importante diferença: Navier acreditava que havia apenas uma constante do material em meio hookeano isotrópico, enquanto Cauchy considerava que havia duas constantes. Embora se saiba atualmente que há realmente duas constantes independentes, essa diferença de opinião continuou quase até o fim do século. Certamente uma importante razão para a controvérsia ter se estendido por várias décadas é a inexatidão dos equipamentos usados em ensaios naquele período. Na mesma época em que Navier e Cauchy estavam investigando o problema do campo elástico, Fourier (1768-1830) estava formulando as equações para modelagem do campo de temperaturas em um corpo de forma arbitrária. Este grande físico e matemático é também conhecido pelo desenvolvimento das séries de Fourier. Outro famoso cientista francês foi Duhamel (1797-1852). Ele foi o primeiro cientista a estudar tensões térmicas detalhadamente e também o primeiro a aplicar o princípio da superposição de efeitos. Em 1852 Lamé publicou o primeiro livro sobre a teoria da elasticidade: “Leçons sur la Théorie Mathematique de l’Elasticité des Corps Solids”. Durante meados do século XIX, os cientistas Thomas Young (1773-1829) e Poisson (17811840) contribuíram com a introdução do módulo de Young e do coeficiente de Poisson, respectivamente. Sem dúvida, o mais prolífero estudioso de elasticidade do século XIX foi o francês Barré de Saint-Venant (1797-1886). Ele é conhecido principalmente devido ao princípio de St. Venant e à sua teoria da torção, que foi modificada por Prandtl (1875-1953) em 1903. Próximo ao final de sua vida, Saint-Venant tornou-se muito interessado no estudo da plasticidade, que tinha sido iniciado por Tresca no seu famoso trabalho sobre escoamento em 1864. No final do século XIX os cientistas mostraram crescente interesse pelos métodos variacionais ou energéticos, originalmente propostos por John Bernoulli e desenvolvidos por Euler e Lagrange.

Love (1863-1940). eles têm sido utilizados por estudantes de mecânica estrutural em todo o mundo. Os avanços do século XIX culminaram com a publicação de A. Coube ao ucraniano Stephen P. resultando no método largamente utilizado de Rayleigh-Ritz. O famoso tratado do inglês Lord Rayleigh (John William Strutt. Por volta da virada do século. foi publicado em 1877-1878. Suas aplicações de métodos variacionais a problemas de vibrações foram mais tarde corroboradas por Walter Ritz (1878-1909). Bibliografia do Capítulo 1 H. intitulada “A Treatise on the Mathematical Theory of Elasticity” em 1892-1893. E. John Wiley & Sons. Certamente nenhum outro texto é tão profundo ou veio a causar tanto impacto posterior na análise estrutural. apresentado em sua tese em 1873. Allen & Walter E. Timoshenko (1878-1972) levar essas informações para os Estados Unidos. os cientistas dos Estados Unidos desconheciam grande parte dos métodos analíticos desenvolvidos na Europa durante o século XIX. mesmo nos dias atuais. “Introduction to Aerospace Structural Analysis”. Haisler. . “The Theory of Sound”. H.Prof. 1842-1919). 1985. Gilson Queiroz 5 O teorema de Alberto Castigliano (1847-1884). é ainda largamente utilizado. Após a tradução de seus trabalhos.

conforme figura 2. Gilson Queiroz 6 CAPÍTULO 2 . situada no plano Q e contendo o ponto P. P3 etc. também da inclinação do plano que passa pelo ponto. como mostrado na figura 2. passando por P.a.1. respectivamente. com intensidades e direções variáveis. e um ponto qualquer P no interior do corpo. Pelo exposto. Em uma seção por um plano arbitrário Q. respectivamente.Prof. nas direções ortogonal e tangencial ao plano Q.1.EQUAÇÕES BÁSICAS DA ELASTICIDADE LINEAR 2.b. cuja direção é a mesma de dF. atuando nos pontos da seção.1 Tensões Seja um corpo de forma qualquer sujeito a forças P1. mas.b: σQn = dFn/dA σQt = dFt/dA É comum chamar σQn e σQt de σ (tensão normal) e τ (tensão tangencial ou de cisalhamento). Tais forças correspondem à interação entre as duas partes em que o corpo foi subdividido pelo plano Q. dado por: σ = dF/dA P2 P1 P3 P P5 (a) P4 FIGURA 2. Denomina-se vetor tensão σ ao vetor. Conforme figura 2. Supondo que o material é contínuo. na área infinitesimal dA. fica claro que o vetor tensão em um ponto do corpo depende não só da posição do ponto. P2. existem forças distribuídas. (b) Q dA P dFn dF dFt Q . e outras ações.1 O vetor tensão σ pode ser decomposto em suas componentes σQn e σQt.1. atua uma força dF.

por sua vez. se a normal externa à face considerada for negativa. como na figura 2. atua tangencialmente à face de normal Y.2. Y.a. Isolando-se esse parelepípedo do restante do corpo. A componente σxx atua perpendicularmente à face de normal X. Assim a componente σyz. P1 P2 P3 P σYY σYZ σZY σZZ σYX σXY σz σZX σXZ σXX Em cada face do paralelepípedo. O índice utilizado é o da direção normal à face. A componente tangencial à face.2 (c) Obs: não estão representadas as tensões nas faces ocultas. Uma tensão normal positiva é de tração e uma tensão normal negativa é de compressão.2. Z de um sistema de coordenadas previamente definido.Prof. cujas faces são ortogonais às direções X.2. a componente é positiva se tiver sentido oposto ao do eixo coordenado que lhe é paralelo. Na figura 2. em cada face atuará um determinado vetor tensão.c todas as componentes indicadas são positivas. em uma componente normal e outra tangencial à face. Convenção de sinais: Uma componente que atua numa face de normal externa positiva do paralelepípedo elementar é positiva se tiver o mesmo sentido do eixo coordenado que lhe é paralelo. Gilson Queiroz 7 Considere-se um parelepípedo de dimensões infinitesimais contendo o ponto P. como na figura 2. na direção Z. De agora em diante as componentes de tensões serão designadas simplesmente por tensões. conforme figura 2.b. . os vetores tensão tornam-se iguais e opostos.b. Resultam as três componentes por face indicadas na figura 2. O primeiro índice de cada componente indica a direção da normal à face considerada e o segundo índice indica a direção da própria componente.1. quando as dimensões do parelepípedo tendem para zero. pode ser decomposta nas duas direções de eixos coordenados paralelos à face considerada.c. As componentes com índices diferentes são tensões tangenciais ou de cisalhamento e as componentes com índices iguais são tensões normais.2. por exemplo. o vetor tensão pode ser decomposto. Em duas faces opostas. σy σx Y X P5 (a) Z P4 (b) FIGURA 2.

normal e tangencial ao plano Q. é possível determinar o vetor tensão em qualquer plano passando por P. define totalmente o estado de tensões no ponto P. a qual.1 Estado de tensões em um ponto. 8 Conhecidos os vetores tensão atuantes nas faces do paralelepípedo elementar que contém o ponto P. no sentido matemático. C Y X Z σx σz ν Q A FIGURA 2. atuam. respectivamente. ν (produto escalar) (σνt)2 = |σ σν|2 – (σνν)2 (Pitágoras) O tensor de tensões [Σ] é simétrico. Com efeito. Simetria do tensor de tensões. cujas faces são ortogonais aos eixos coordenados pré definidos. tem-se: σν (AQ) = σx (Ax) + σy (Ay) + σz (Az) = σx (kAQ) + σy (mAQ) + σz (nAQ) σ ν = kσ x + m σ y + nσ z cqd Donde: Em termos de componentes nas direções dos eixos coordenados. Tensor de tensões.Prof.3 O vetor tensão σν pode ser decomposto nas componentes σνν e σνt. Pode-se mostrar que a matriz [Σ] é um tensor. seja ν o vetor unitário normal ao plano arbitrário Q.1 a) (2. nas áreas (k. isto é: σyx = σxy σzx = σxz σzy = σyz (2. como se mostrou. simplesmente: σν = [ Σ ] ν (2.1 b) P σy B σν k m n . σz . esta equação equivale a: σνx σxx σyx σzx σνy = σxy σyy σzy σνz σxz σyz σzz Ou. Gilson Queiroz 2. Os vetores tensão σν . respectivamente: σνν = σν .1) Na equação (2. m. [Σ] é a matriz anterior contendo as nove tensões referidas ao sistema XYZ.3. passando por P – figura 2.1. σx .1). σy . n são os co-senos diretores da normal ν): AQ = área ABC Ax = área PAC = kAQ Ay = área PAB = m AQ Az = área PBC = n AQ Por equlíbrio vetorial das forças atuantes no tetraedro ABCP.

2 Exemplos de estados de tensões Solicitação uniaxial – figura 2. Em ambos os casos o tensor de tensões está referido ao sistema XYZ. para as outras duas o procedimento é análogo.5 Na seção CD: τ = P2/A2 (A2 = área da seção CD) No sistema XYZ: 0 τ 0 [Σ]= τ 0 0 0 0 0 . e analogamente σzy = σyz σYY Y X Z σXX σXY dy σXX P σZX σZY σXY σYX dz dx Z σZY σZX σYY FIGURA 2. Gilson Queiroz 9 Demonstra-se a seguir a primeira igualdade. então.5.a. A soma dos momentos das forças resultantes das tensões. é nula: (σxx-σxx)(dydz)(dy/2) + (σyx)(dxdz)dy – (σxy)(dydz)dx + (σzx-σzx)(dxdy)(dy/2) + (σyy-σyy)(dxdz)(dx/2) + (σzy-σzy)(dxdy)(dx/2) = 0. Na figura 2. Solicitação de corte .1. P1 A σ B σ Y P1 Z X τ P2 C τ D (b) P2 (a) Na seção AB: σ = P1/A1 (A1 = área da seção AB) No sistema XYZ: σ 0 0 [Σ]= 0 0 0 0 0 0 FIGURA 2. em relação a PZ.4 mostram-se as tensões que produzem momento em relação ao eixo PZ. donde σyx = σxy σzx = σxz cqd.2) 2.4 O tensor de tensões [Σ] tem.figura 2. somente 6 termos independentes: [Σ ] = σxx σxy σxz σxy σyy σyz σxz σyz σzz σYX (2.b.5.Prof.

6 [(∂σxx/∂x)dx]dydz + [(∂σyx/∂y)dy]dxdz + [(∂σzx/∂z)dz]dxdy + Bxdxdydz = 0.4) onde σi é uma tensão principal.3 for um plano principal.1) e (2. ou σxxk + σxym + σxzn = σik σxyk + σyym + σyzn = σim σxzk + σyzm + σzzn = σin. tem-se: [Σ] ν = σiν. atuantes no elemento da fig. nos quais as tensões de cisalhamento são nulas. 2. Igualando-se os segundos membros das equações (2.1. donde: (σxx .6: Y σxx dy Z X dz Bx σyx+(∂σyx/∂y)dy σzx σxx+(∂σxx/∂x)dx dx σyx σzx+(∂σzx/∂z)dz FIGURA 2. ou: ∂σxx/∂x + ∂σyx/∂y + ∂σzx/∂z + Bx = 0 Equações análogas de equilíbrio aplicam-se às direções Y e Z. à atração magnética etc. podendo-se escrever: σν = σiν (2. Se o plano inclinado da figura 2.4).4 Planos principais e tensões principais Denominam-se planos principais aos três planos ortogonais entre si.1.) por unidade de volume: B = Bxi + Byj + Bzk Tomando o equilíbrio estático das forças na direção X. em ordem decrescente de valor algébrico.3) 2. que passam pelo ponto considerado. As tensões normais que atuam nos planos principais são chamadas tensões principais e designadas por σ1. Gilson Queiroz 2.Prof. o vetor tensão σν terá a direção de ν.3 Equações de equilíbrio de tensões 10 Seja B o vetor que representa a força de massa ou de volume (devida à gravidade.σi)k + σxym + σxzn = 0 . (2. σ2 e σ3.

σi) σyz (σzz . n dados por (2. são ortogonais entre si.σi)m + σyzn = 0 σxzk + σyzm + (σzz . substitui-se. m.5). conforme figura 2.6) (2. obtém-se: (σνx)2/(σ1)2 + (σνy)2/(σ2)2 + (σνz)2/(σ3)2 = 1 (2.Prof. Para se obterem as direções normais a cada plano principal (chamadas direções principais). como se mostra a seguir. cada tensão principal no sistema (2. σνy e σνz) tem valor intermediário entre os módulos das tensões principais σ1 e σ3. consequentemente. devendo (2. obtidas duas direções principais (correspondentes a σ1 e σ2. Demonstra-se que as três direções principais e. Utilizando-se eixos paralelos às direções principais no ponto como sistema de coordenadas.σi)n = 0 Observando-se que k2 + m2 + n2 = 1.6). Observa-se que o módulo de qualquer vetor tensão σν (cujas componentes são σνx. σ2 e σ3 (pode-se demonstrar que as três raízes são reais).σi) 11 (2.9) Esta é a equação de um elipsóide cujos semi-eixos são σ1. sucessivamente. a equação (2.8) em (2. Desta forma.1) fica: σνx = σ1k σνy = σ2m σνz = σ3n Substituindo os valores de k.5) são linearmente independentes. apenas duas das três equações (2.7) A equação (2. Devido à condição (2. a terceira pode ser obtida pelo produto vetorial das anteriores: (k3 m3 n3) = (k1 m1 n1) Λ(k2 m2 n2) O módulo do vetor tensão atuante em qualquer plano que passa pelo ponto considerado tem valor intermediário entre os módulos das tensões principais σ1 e σ3.5) (2. como se afirmou anteriormente.7).7.5) não pode ser trivial. resultando a condição: (σxx . Gilson Queiroz σxyk + (σyy .σi) σxy σxy σxz σyz σxz =0 (σyy . os três planos principais. por exemplo). σ2 e σ3.7) é cúbica e suas três raízes σi são as tensões principais σ1. no sistema de coordenadas σνx σνy σνz. a solução do sistema (2.8) .6) ser usada como terceira equação. (2.

O quadrado do módulo de σν e a componente normal de σν.11) σ3)/2 Vê-se que os planos onde atuam os valores extremos das tensões de cisalhamento são bissetores dos planos principais.8). σνy σ2 σ3 σν σ1 σνx σνz FIGURA 2. m. ficam. ν = (σ1k σ2m σ3n) . as componentes cartesianas de σν são dadas por (2. Gilson Queiroz 12 Pode-se também demonstrar que a tensão normal σνν atuante em qualquer plano que passa pelo ponto considerado tem valor intermediário. m. dada por (2.Prof. respectivamente: |σ σν|2 = (σ1k)2 + (σ2m)2 + (σ3n)2 σνν = σν . ou de cisalhamento. n (que definem as normais aos planos onde as tensões de cisalhamento assumem valores extremos): σνt ± (σ1- k ±1/√2 m ±1/√2 n 0 σ2)/2 ± (σ1±1/√2 0 ±1/√2 σ3)/2 ± (σ2- 0 ±1/√2 ±1/√2 (2.1 b).5 Valores extremos das tensões de cisalhamento Utilizando-se eixos paralelos às direções principais no ponto como sistema de coordenadas.1 a). com os correspondentes valores de k.7 2. algebricamente. (k m n) = σ1k2 + σ2m2 + σ3n2 Substituindo-se estas expressões na equação (2.1. de σν: (σνt)2 = |σ σν|2 – (σνν)2 = (σ1k)2 + (σ2m)2 + (σ3n)2 – (σ1k2 + σ2m2 + σ3n2)2 (2. n). e que a maior tensão de cisalhamento é igual a: . obtêm-se os seguintes valores de σνt. entre σ1 e σ3.10) Determinando-se matematicamente os extremos da função σνt(k. obtém-se a componente tangencial.

Prof. Gilson Queiroz (σ1 .σ3)/2 13 .

Prof.12) vB = v + (∂v/∂x) dx (figura 2. cuja projeção horizontal é: dx + uB – u = dx + (∂u/∂x)dx Assim. e a deformação linear na direção X: εxx = (∂u/∂x)dx/dx = ∂u/∂x Analogamente determinam-se as outras deformações lineares: εyy = ∂v/∂y εzz = ∂w/∂z (2. v. de A.9 A posição deformada de AB é A1B1.9.9. y. respectivamente.2 Deformações (para pequenos deslocamentos e pequenas deformações) 14 Devido ao efeito de forças e outras ações. Gilson Queiroz 2. separados por distâncias infinitesimais. definindo-se o campo de deslocamentos (figura 2.b) Y uC vC C1 B1 vB C A1 dy v A u X (b) .13) (2. C. o segmento AC é paralelo a Y e tem comprimento dy (figura 2. z) = (u. a variação de comprimento de AB é (∂u/∂x)dx.9. Sendo u e v os deslocamentos horizontal e vertical. todos os pontos de um corpo sofrem deslocamentos.y. y.z) A(x. no plano XY. do corpo indeformado. y. o segmento AB é paralelo a X e tem comprimento dx (figura 2.a). y.a) vC = v +(∂v/∂y) dy (figura 2.9. B.14) (2.8 Considerem-se três pontos A.b). w) u = u(x.8): q = q(x. tem-se: uB = u + (∂u/∂x) dx uC = u +(∂u/∂y) dy Y u v A1 uB A dx B X (a) FIGURA 2. z) FIGURA 2. z) Y X Z q(x.z u v w v = v(x.y. z) w = w(x.

16) e (2.a). no sentido matemático.17).b).Prof. é dado por: εxx εxy εxz [Ε] = εxy εyy εyz εxz εyz εzz onde as deformações angulares são: εxy = γxy/2 εxz = γxz/2 εyz = γyz/2 (2. é necessário que as distorções angulares sejam divididas por 2. a distorção total do ângulo reto BAC é dada por: γxy = ∂u/∂y + ∂v/∂x Analogamente determinam-se as distorções nos planos XZ e YZ: γxz = ∂u/∂z + ∂w/∂x γyz = ∂v/∂z + ∂w/∂y Vê-se. ∂v/∂y << 1) Assim. distorções angulares positivas correspondem a redução do ângulo reto cujos lados têm direção e sentido dos eixos coordenados antes da deformação. Entretanto.19) . o tensor de deformações.9. ν (produto escalar) εν|2 – (ενν)2 (Pitágoras) (ενt)2 = |ε (2.b): εν = [ Ε ] ν ενν = εν . ∂u/∂x << 1) Rotação de AC (figura 2. pelas equações (2.15). demonstra-se que as três deformações lineares e as três distorções angulares são suficientes para descrever o estado de deformações em um ponto.1). que γxy = γyx γxz = γzx γyz = γzy (2. em um plano cuja normal é ν.9. 15 Rotação de AB (figura 2.1 Estado de deformações em um ponto. Assim.a) e (2. Analogamente ao caso das tensões. 2. o ângulo reto BAC sofre uma distorção. (2.18) (2. pode-se mostrar que para a matriz de deformações tornar-se um tensor.17) (2.18).21 a) (2.21 b) (2. devido à rotação de seus lados.16) (2. que é simétrico conforme (2. (2.21) (2.1.1. bem como suas componentes linear (ενν) e angular (ενt) são obtidos com equações análogas às equações (2.: (uC – u)/(dy + vC – v) = [(∂u/∂y)dy]/[(dy + (∂v/∂y)dy)] = ∂u/∂y (para pequenas deformações.2. Tensor de deformações.20) O vetor deformação εν.: (vB – v)/(dx + uB – u) = [(∂v/∂x)dx]/[(dx + (∂u/∂x)dx)] = ∂v/∂x (para pequenas deformações.15) Convenção de sinais: deformações lineares positivas correspondem a alongamentos. Gilson Queiroz Por outro lado.

20). obtém-se a equação (2. e as outras duas podem ser obtidas por meio de troca adequada dos índices: ∂2εxx/∂y∂z = ∂3u/∂x∂y∂z ∂2γxy/∂x∂z = ∂3u/∂x∂y∂z + ∂3v/∂x2∂z ∂2γxz/∂x∂y = ∂3u/∂x∂y∂z + ∂3w/∂x2∂y ∂2γyz/∂x2 = ∂3v/∂x2∂z + ∂3w/∂x2∂y. 2. é necessário que tais deformações atendam a determinadas equações de compatibilidade. w). para se obter um campo de deslocamentos contínuo e unívoco. donde: (2.24) . uma das quais (2. por meio das equações (2. ficam definidas as deformações εij em todo o corpo. Além destas três equações de compatibilidade.23) ∂2εyy/∂x2 = ∂3v/∂y∂x2 ∂2εxx/∂y2 + ∂2εyy/∂x2 = ∂2γxy/∂x∂y Duas equações similares a (2. Por exemplo.23) são obtidas para os planos XZ e YZ.2 Planos principais e deformações principais 16 Assim como para as tensões.24) é obtida a seguir.12) a (2. são denominadas deformações principais. denominados planos principais. respectivamente. atuantes nestes planos. onde as deformações angulares são nulas.2.2. Gilson Queiroz 2.∂γyz/∂x + ∂γxz/∂y + ∂γxy/∂z) (2. A determinação das deformações principais e dos planos principais é feita da mesma forma que para as tensões. Entretanto. utilizando-se o tensor [Ε] em lugar do tensor [Σ]. As deformações lineares ε1.3 Valores extremos das deformações angulares Por analogia com as tensões. ε2. A deformação linear ενν atuante em qualquer outro plano tem seu valor algébrico compreendido entre ε3 (mínima) e ε1 (máxima).Prof.2.4 Equações de compatibilidade de deformações Definido o campo de deslocamentos q = (u. existem três planos ortogonais entre si.22) 2. obtém-se: ενt ± (ε1-ε2)/2 ± (ε1-ε3)/2 ± (ε2-ε3)/2 k ±1/√2 ±1/√2 m ±1/√2 n 0 ±1/√2 ±1/√2 0 ±1/√2 0 (2. no plano XY tem-se: εxx = ∂u/∂x ∂2εxx/∂y2 = ∂3u/∂x∂y2 εyy = ∂v/∂y γxy = ∂u/∂y + ∂v/∂x ∂2γxy/∂x∂y = ∂3u/∂x∂y2 + ∂3v/∂y∂x2.23) Derivando-se as 3 expressões acima como mostrado a seguir. donde ∂2εxx/∂y∂z =(1/2)( ∂/∂x)(. a partir das deformações. ε3. há outras três. v.

Prof.25) 2. dy. é dada por: dWx = σx(dydz) dεx(dx) No volume unitário: dz εx. distorções angulares γij são usadas em lugar das deformações correspondentes εij): σx = c11εx + c12εy + c13εz + c14γyz + c15γzx + c16γxy σy = c21εx + c22εy + c23εz + c24γyz + c25γzx + c26γxy σz = c31εx + c32εy + c33εz + c34γyz + c35γzx + c36γxy τyz = c41εx + c42εy + c43εz + c44γyz + c45γzx + c46γxy τzx = c51εx + c52εy + c53εz + c54γyz + c55γzx + c56γxy τxy = c61εx + c62εy + c63εz + c64γyz + c65γzx + c66γxy deformação εx. Os comprimentos finais dos lados deformados são dx + εxdx.26) Na fig. As deformações angulares não produzem variação de volume. dy + εydy. tensões de cisalhamento são indicadas pela letra τ. Gilson Queiroz 2.10 dWx0 = σxdεx σx dWx0 dεx εx (2. dz + εzdz.10 vê-se que a variação da energia de deformação associada a uma variação dεx da . 2. Assim.3 Relações entre tensões e deformações (para pequenos deslocamentos e pequenas deformações) Considerando-se a simetria dos tensores [Σ] e [Ε] e admitindo-se que cada tensão é função linear das 6 deformações. de lados dx. dz.2.5 Deformação volumétrica 17 Considere-se um paralelepípedo retangular elementar. a deformação volumétrica é dada por: ∆V/V = [(dx + εxdx)(dy + εydy)(dz + εzdz) – dxdydz]/(dxdydz) = (1 + εx)(1 + εy)(1 + εz) – 1 Desprezando-se o produto de duas ou mais deformações: ∆V/V = εx + εy + εz (2. sujeito a um estado de deformações [Ε]. tem-se (índices repetidos são escritos só uma vez. σx dy dx (dεx)dx FIGURA 2. respectivamente. no volume dxdydz.

f3 = 1/G.30) Para materiais isótropos (cujas propriedades independem da direção considerada).26) ficam: σx = c1εx + c2εy + c2εz σy = c2εx + c1εy + c2εz τzx = c3γzx σz = c2εx + c2εy + c1εz τyz = c3γyz Ou. em geral: cij = cji 18 (2.27) (2. tem-se: c11 = c22 = c33 = c1. A matriz dos coeficientes cij de (2. f2 = -ν/E. vê-se que ∂W0/∂εx = σx e ∂W0/∂εy = σy Derivando-se estas igualdades como a seguir e levando-se em conta as equações (2.27) e (2. demonstra-se que não há interação de tensão normal com distorção. obtém-se a chamada lei de Hooke generalizada: . c44 = c55 = c66 = c3 Fazendo f1 = 1/E. as equações (2.28). de tensão de cisalhamento com deformação linear. Para materiais ortotrópicos (aqueles que têm propriedades simétricas em relação a três planos ortogonais).Prof.26) fica com 9 constantes independentes: c11 c12 [cij] = c13 0 0 0 c12 c22 c23 0 0 0 c13 c23 c33 0 0 0 0 0 0 c44 0 0 0 0 0 0 c55 0 0 0 0 0 0 c66 (2. donde c12 = c21. Assim. inversamente: εx = f1σx + f2σy + f2σz εy = f2σx + f1σy + f2σz γzx = f3τzx εz = f2σx + f2σy + f1σz γyz = f3τyz γxy = f3τxy τxy = c3γxy c12 = c13 = c23 = c2. no volume unitário: dW0 = σxdεx + σydεy + σzdεz + τyzdγyz + τzxdγzx + τxydγxy Por outro lado. em (2. Gilson Queiroz Considerando-se todas as tensões e deformações obtém-se.29) Assim. nem de tensão de cisalhamento com distorção cujos índices não correspondem aos da tensão.26) só existem 21 constantes independentes (materiais anisótropos).26): ∂2W0/∂εx∂εy = ∂σx/∂εy = c12 ∂2W0/∂εy∂εx = ∂σy/∂εx = c21.28) (2. pode-se escrever: dW0 = (∂W0/∂εx)dεx + (∂W0/∂εy)dεy + (∂W0/∂εz)dεz + (∂W0/∂γyz)dγyz + (∂W0/∂γzx)dγzx + (∂W0/∂γxy)dγxy Comparando-se (2.

a) e (2.11 √2/2 ν = √2/2 0 -√2/2 ν1 = √2/2 0 2.[Σ].11. Considere-se o estado de tensões da figura 2. Gilson Queiroz εx = (1/E)[σx -ν(σy + σz)] εy = (1/E)[σy -ν(σx + σz)] γyz = τyz/G γzx = τzx/G εz = (1/E)[σz -ν(σx + σy)] γxy = τxy/G 19 (2. a seguir.1 Significado físico das constantes G. no caso de materiais isótropos. sendo G a constante de proporcionalidade: τij = Gγij A constante G é denominada módulo transversal de elasticidade.ν = τ Assim.21. ν Nas 3 últimas equações (2.ν = [√2/2 √2/2 0] Em função das tensões normais σνν e σν1ν1 σνν = ν.32) σν1ν1 = ν1.31): εx = εy = εz = εxz = εyz = 0 ενν = ν. que existe uma relação entre G.3. . E e ν.19) a (2.[Ε].31) Mostra-se. E.ν1 = -τ εxy = γxy/2 = τxy/(2G) = τ/(2G) 0 τ/(2G) 0 0 0 √2/2 √2/2 = τ/(2G) 0 τ/(2G) 0 0 0 Conclui-se que bastam duas constantes físicas para se determinarem as relações entre tensões e deformações. donde G = E/[2(1 + ν)] (2.31) nota-se que as tensões de cisalhamento são proporcionais às distorções angulares correspondentes.[Σ]. com a primeira das equações (2. A Y X Z τ C ν1 45 o τ ν τ B τ D 0 τ 0 [Σ]= τ 0 0 0 0 0 FIGURA 2. A deformação linear ενν na direção ν pode ser determinada de duas formas: Em função do tensor de deformações no sistema XYZ De acordo com as equações (2. denominado estado de cisalhamento simples.31): ενν = (1/E)[σνν -ν(σν1ν1 + 0)] = (1/E)[τ -ν(-τ + 0)] = τ(1 + ν)/E Igualando-se os dois valores de ενν: τ/(2G) = τ(1 + ν)/E.Prof.

Pelas 3 primeiras equações (2. causada pelas três tensões de tração.3. 2.5. assim. Observa-se também que as deformações transversais são proporcionais à deformação longitudinal: εy = εz = -νεx (no estado de tensões uniaxial) A constante de proporcionalidade ν é denominada coeficiente de Poisson.31) mostram que nos planos .3 Coincidência dos planos principais de tensões e de deformações No caso de materiais isótropos. ν ≤ 1/2. tem-se: εx = (1/E)[σ -ν(0 + 0)] = σ/E εy = εz = (1/E)[0 -ν(σ + 0)] = -νσ/E = -νεx Vê-se que a tensão normal longitudinal é proporcional à deformação linear longitudinal: σ = Eεx (no estado de tensões uniaxial) Esta é a conhecida lei de Hooke. e a constante de proporcionalidade E é denominada módulo longitudinal de elasticidade ou simplesmente módulo de elasticidade. portanto. Para atender a este fato físico.31) permitem concluir que os planos principais de deformações coincidem com os planos principais de tensões (quando as três tensões de cisalhamento são nulas. as 3 primeiras equações (2. as transversais corresponderão a contrações. os seguintes limites: 0 ≤ ν ≤ 1/2 (2.33). ν ≥ 0. como o fator 3σ/E é positivo. Considere-se um estado de tensões onde as três tensões principais são iguais entre si e de tração. σ1 = σ2 = σ3 = σ > 0.33) 2.31). resulta que 1 – 2ν ≥ 0 e. vê-se na expressão εy = εz = -νεx que a constante ν não pode ser negativa.3. Além disto. consequentemente.31) obtém-se: ε1 = (1/E)[σ1 -ν(σ2 + σ3)] = (σ/E)(1 – 2ν) = ε2 = ε3 A deformação volumétrica. as três deformações angulares também são). devido à faixa de variação de ν dada por (2.2 Valores limites do coeficiente de Poisson No estado de tensões uniaxial as deformações transversais nunca têm o mesmo sinal da deformação longitudinal. se esta corresponder a um alongamento.25) é: ∆V/V = ε1 + ε2 + ε3 = (3σ/E)(1 – 2ν) Esta deformação.Prof. de acordo com (2. Gilson Queiroz 20 Considere-se agora o estado de tensões uniaxial (figura 2. De acordo com as 3 primeiras equações (2. não pode ser negativa.a). O coeficiente de Poisson tem. as equações (2. isto é.

atuam também a maior e a menor deformações lineares. no início da solicitação. v = v(x.Consideração final A hipótese das relações lineares entre tensões e deformações.6 . tem-se: w = 0. isto é.Prof.4 Efeito da variação de temperatura As deformações correspondentes a uma variação de temperatura ∆T são dadas por αij∆T. chamado limite de proporcionalidade do material.3. εy = (1/E)[σy-ν(σx+σz)]+α∆T. εz = (1/E)[σz-ν(σx+σy)]+α∆T γyz = τyz/G γzx = τzx/G γxy = τxy/G (2.3. y).34) 2. y) e.31).3. tem-se: σz = τxz = τyz = 0 e. tal hipótese. têm as seguintes propriedades: materiais anisótropos materiais ortotrópicos αij = αji αx = αy = αz = α αij = 0. εxz = εyz = 0 Estado plano de deformações .ocorre quando uma chapa de pequena espessura t é sujeita somente a cargas cujas linhas de ação ficam no seu plano médio (paralelo às duas dimensões maiores da chapa). consequentemente. este curso de Resistência dos . Salvo indicação contrária. Se esta direção for Z. perdem a validade. bem como suas consequências. respectivamente. denominados coeficientes de dilatação térmica. feita em todo o item 2. Se esta direção for Z. para i≠j. Os coeficientes αij. com inclusão do efeito da variação de temperatura. Considera-se que as tensões não variem na espessura da chapa. 2.3. Entretanto. além de um certo nível de solicitação. Gilson Queiroz 21 onde atuam a maior e a menor tensões normais. consequentemente. tornam-se: εx = (1/E)[σx-ν(σy+σz)]+α∆T. é válida para qualquer material. na direção perpendicular ao plano médio.ocorre quando o campo de deslocamentos tem componente nula em uma determinada direção e as outras duas componentes não variam ao longo desta direção. εz = ∂w/∂z = 0 εxz = (1/2)( ∂u/∂z + ∂w/∂x) = 0 τxz = τyz = 0 εyz = (1/2)( ∂v/∂z + ∂w/∂y) = 0 2. u = u(x.5 Estados especiais de tensões Estado plano de tensões . materiais isótropos (além de αij = 0 para i≠j) As equações (2.

12. A energia de deformação do elemento dxdydz.12. e na figura 2. A força e o deslocamento mantêm também uma relação linear entre si.13. associada a σx e εx. consideram-se apenas materiais isótropos e homogêneos.b o efeito da deformação εx em um paralelepípedo elementar de lados paralelos aos eixos coordenados.12. Gilson Queiroz 22 Materiais restringe-se a solicitações abaixo do limite de proporcionalidade.Prof.a mostra-se a variação de τxy com γxy.35) Na figura 2. é ux = εx(dx). Além disto. é igual à área sob o diagrama Fx – ux: dUx = (1/2)Fxux = (1/2)σx(dydz)εx(dx) = (1/2)σxεx(dV) No volume unitário. Na figura 2. e o deslocamento de seu ponto de aplicação.b o efeito da deformação γxy em um paralelepípedo elementar de lados paralelos aos eixos coordenados.13 τyx = τxy dz ∂u/∂y ∂v/∂x dx τxy . σx Fx dy εx ux (a) FIGURA 2. associadas a σy. Assim: U0x = (1/2)σxεx U0y = (1/2)σyεy U0z = (1/2)σzεz (2. σx dx εxdx A força resultante das tensões σx é Fx = σx(dydz).a mostra-se a variação de σx com εx.a). 2. assim como a tensão e a deformação (figura 2. todas as tensões e deformações também crescerão proporcionalmente de zero até o respectivo valor final.12 (b) dz εx.4 Energia de deformação Admitindo-se que todas as ações aplicadas em um corpo cresçam lenta e proporcionalmente de zero até o respectivo valor final. τxy Fy Fx (a) γxy uy ux dy (b) FIGURA 2. U0x = dUx/dV = (1/2)σxεx Analogamente obtêm-se as energias de deformação do volume unitário. εy e a σz. εz. associado a εx. e na figura 2.13.

5.36) A energia de deformação total do volume unitário é obtida somando-se todas as parcelas dadas em (2. assim como a tensão e a deformação (na figura 2. forças normais de tração são positivas. é igual à soma das áreas sob os diagramas Fy – uy e Fx – ux: dUxy = (1/2)Fyuy + (1/2)Fxux = (1/2)τxy(dydz)(∂v/∂x)(dx) + (1/2)τxy(dxdz)(∂u/∂y)(dy) = (1/2)τxy(∂v/∂x + ∂u/∂y) (dV) = (1/2)τxyγxy(dV) No volume unitário.Prof. A energia de deformação do elemento dxdydz. é uy = (∂v/∂x)(dx). perpendicularmente ao plano desta seção. na qual o comprimento medido ao longo do eixo é pelo menos 10 vezes maior do que a maior dimensão da seção transversal ao eixo. associadas a τxz. conforme expressões (2. na direção da força. é ux = (∂u/∂y)(dy).a.13. Conforme figura 2. γxz e a τyz. no tensor de tensões para uma barra prismática sujeita a força normal. Em uma barra prismática sujeita a forças externas atuando no centro de gravidade da seção transversal. e o deslocamento de seu ponto de aplicação. A convenção de sinais para forças normais é análoga à utilizada para tensões: a força normal em uma face da seção transversal com normal positiva é positiva se tiver o mesmo sentido do eixo de coordenadas que lhe é paralelo. Gilson Queiroz 23 A força resultante das tensões τxy é Fy = τxy(dydz). A força resultante das tensões τyx é Fx = τyx(dxdz) = τxy(dxdz). bem como a relação entre Fx e ux). surgem forças normais de tração ou de compressão. tem-se σx = σ = P1/A e as demais tensões nulas (X é a direção normal à seção transversal. e o deslocamento de seu ponto de aplicação. na direção da força.31). No tensor de deformações.35) e (2. P1 a força normal e A é a área da seção transversal).5 Aplicação: tração e compressão de barras prismáticas Barra prismática é uma peça em forma de prisma ou de cilindro.a mostra-se a relação entre Fy e uy.36): U0 = (1/2)σxεx + (1/2)σyεy + (1/2)σzεz + (1/2)τxyγxy + (1/2)τxzγxz + (1/2)τyzγxz (2. associada a τxy e γxy.37) 2. Assim. γyz. Força e deslocamento mantêm também uma relação linear entre si. tem-se: . U0xy = dUxy/dV = (1/2)τxyγxy Analogamente obtêm-se as energias de deformação do volume unitário. Assim: U0xy = (1/2)τxyγxy U0xz = (1/2)τxzγxz U0yz = (1/2)τyzγxz (2.

K. P. No volume elementar Adx tem-se: dU = (1/2)Aσxεxdx = (1/2)A(P1/A)[P1/(EA)]dx =[P12/(2EA)]dx No volume total da barra. Gilson Queiroz εx = σx/E εy = εz = -νσx/E γxy = γxz = γyz = 0 24 A variação do comprimento dx é dada por εxdx (expressão (2.1987 Féodossiev. de comprimento L: U = ∫[P12/(2EA)]dx Para trechos com P12/(EA) = constante: U = P12L /(2EA) (limites de integração 0 e L) Bibliografia do Capítulo 2 Boresi.12)). P. na direção X é: ∆L = ∫εxdx = ∫(σx/E)dx = ∫[P1/(EA)]dx (limites de integração 0 e L) Para trechos com P1/(EA) = constante: ∆L = P1L/(EA) A energia de deformação no volume unitário. V.1968 . Jersey . e Chong. A.37).Prof. conforme (2. é U0 = (1/2)σxεx. a variação do comprimento L. – “Elasticity in Engineering Mechanics” – Prentice Hall – N. – “Résistance des Matériaux” – Éditions de la Paix – Moscou .

1 Caso axissimétrico geral Considere-se o estado de tensões em um ponto qualquer A.1. situado na parede do vaso de pressão da figura 3. as forças aplicadas pelos suportes têm que ser consideradas e. Como exemplos de vasos de pressão axissimétricos citam-se: um bujão de gás doméstico. 3. no caso de partículas sólidas. nos casos em que o vaso contém líquido ou partículas sólidas: o peso próprio do conteúdo não pode ser desprezado e. consequentemente. Gilson Queiroz 25 CAPÍTULO 3 – VASOS DE PRESSÃO AXISSIMÉTRICOS.Prof. existem forças de atrito entre as partículas e a parede. considerando-se desprezíveis os efeitos do peso próprio (do vaso e do gás) e das forças externas (por exemplo as aplicadas pelos suportes). salienta-se que. Neste capítulo estudar-se-á basicamente o caso de conteúdo gasoso. a pressão interna na parede não é constante. Entretanto. n (normal) σm p m c n A σc t t = espessura da parede FIGURA 3. uma caixa d’água tronco-cônica de eixo vertical. referido ao sistema formado pelas direções: c (circunferencial). um silo para armazenamento de grãos (com a parte superior cilíndrica e a inferior tronco-cônica) etc. DE PAREDE FINA Vasos de pressão podem conter gases e/ou líquidos e/ou partículas sólidas. m (meridional).1 A .

direção n: p(rmdθ)(rcdϕ) Projeção das resultantes das tensões σm no mesmo elemento. a tensão –p é desprezível em relação às tensões normais σmm (ou σm) e σcc (ou σc). mas esta variação é desprezível em relação ao valor da tensão).Prof. portanto. para definir o estado de tensões em um ponto qualquer da parede do vaso. r = raios do meridiano e do paralelo. Gilson Queiroz 26 Observa-se que não existem tensões de cisalhamento nas superfícies externa e interna da parede. na direção n: -2tσm(rcdϕ)dθ/2 Projeção das resultantes das tensões σc no mesmo elemento.2. que passam por A rc = raio da curvatura horizontal (normal à parede entre A e o eixo do vaso) Nas figuras 3. ou seja. a parede do vaso não sofre distorções angulares no plano formado pelas direções c. Na figura 3. γcm = 0 e τcm = Gγcm = 0. Observa-se também que a tensão normal σnn (ou simplesmente σn) é nula na superfície externa da parede e igual a –p na superfície interna.2. correspondentes aos ângulos dθ e dϕ. Assim. rm p A n σm rc α n r σc σm p rm dθ σc rc dϕ p t σc t σm (b) (c) (a) FIGURA 3. Como se verá à frente. m. basta determinar as tensões normais σm (meridional) e σc (circunferencial).c aparecem as variações de direção das tensões σm e σc. na direção n: -2tσc(rmdθ)dϕ/2 .a: rm.2 Resultante da pressão p no elemento compreendido pelos ângulos dθ e dϕ. medidos no plano meridiano e no plano perpendicular ao meridiano que contém rc (a tensão σm varia também em módulo.b e 3. respectivamente. Devido à axissimetria.2. τnc = τnm = 0.

1) A segunda equação necessária para a determinação de σm e σc é obtida pelo equilíbrio. donde σm = pr/(2tcosα) = prc/(2t) As equações (3. entretanto. na direção do eixo.3 Nos polos da superfície do vaso tem-se r = 0 e α = 90o. assim.4 .1) e (3. que todas as tensões meridionais atuantes em um polo são iguais entre si. pode-se escrever a seguinte equação de equilíbrio na direção da normal ao polo.2) resolvem o problema. que coincide com a direção do eixo do vaso (figura 3. independentemente do meridiano a que pertencem. Observa-se. obtém-se a equação de Laplace: p/t = σm/rm + σc/rc 27 (3.Prof.2) FIGURA 3.2tσm(rcdϕ)dθ/2 – [2tσc(rmdθ)dϕ/2] = 0 Simplificando-se o resultado. a equação (3. de uma das partes em que o vaso é subdividido pelo plano do paralelo passando por A.r0 = raio do meridiano. Gilson Queiroz Estabelecendo-se o equilíbrio das três forças na direção n: p(rmdθ)(rcdϕ) . σm rc r t α σm p (3. donde: σ0 = pr0/(2t) σ0 σ0 σ0 t r0 p σ0 dθ (3. conforme figura 3.2tσ0(r0dθ)dθ/2 – 2tσ0(r0dθ)dθ/2 = 0. no polo analisado): p(r0dθ)(r0dθ).2) não pode ser utilizada. Desta forma.4 .3) FIGURA 3.3: p(πr2) = σmtcosα(2πr).

com raio r0 = R.5) (3.2. sem folga e sem pressão de contato.3 Tubos encaixados 3. vê-se que: rc = r = R = raio da superfície cilíndrica σc = pR/t σm = pR/(2t) Substituindo-se estas informações nas equações (3.3).6.6. obtém-se: .2 e 3.6) rc = r = R rm = ∞ Eixo FIGURA 3. que sofrem flexão devido à pressão interna.5.1) e (3. As tensões normais meridionais.2 Vasos cilíndricos rm = ∞ α=0 Comparando-se as figuras 3.4) 3. antes da aplicação da pressão interna pi.1 Vasos esféricos Todos os pontos da superfície esférica podem ser considerados como polos.1 Efeito isolado da pressão interna Considere-se que os dois tubos da figura 3.2).b mostra-se a metade do sistema situada acima do plano diametral.a estejam encaixados.2 Casos particulares 3. estabelecendo-se o equilíbrio vertical desta metade. substituindo-se r0 por R: σ0 = pR/(2t) (3.Prof. são dadas por (3. Gilson Queiroz 28 Observação: a teoria utilizada não se aplica a tampos planos de vasos. 3.2. Na figura 3. respectivamente.5 3. Seja ps a pressão de contato que surge após a aplicação de pi. sendo R o raio da superfície esférica. obtém-se: (3.3. independentemente do ponto e da direção considerados.

νeσme)/Ee = (σci . resultam: σci = piri /[(Ee/Ei)te + ti] σce = piri /[te + (Ei/Ee)ti] (3.6 estejam encaixados inicialmente sem folga e sem pressão de contato (e também com pi = 0). no tubo externo Ei.31): (σce .7) ri rs ti te L pi (a) σc σci pi σci σc (b) FIGURA 3. νi. respectivamente.2 Efeito isolado de variações de temperatura Considere-se que os dois tubos da figura 3. assim.11) 3. as deformações circunferenciais são iguais. σme são o módulo de elasticidade.3.10) (3. εce = εci. o coeficiente de Poisson e a tensão meridional.7) e (3.Prof.9) O tubo externo fica sujeito a uma pressão interna igual à pressão de contato ps.8) Ee. usando-se a lei de Hooke generalizada (2. σmi são o módulo de elasticidade. no tubo interno Desprezando-se o efeito das parcelas νeσme e νiσmi em (3. o coeficiente de Poisson e a tensão meridional. νe.νiσmi)/Ei (3. assim: σce = psrs/te.6 Na superfície de contato dos dois tubos. obtém-se: σce/Ee = σci/Ei ou σce = (Ee/Ei)σci Utilizando-se (3. Gilson Queiroz 2riLpi = 2L(σcete + σciti) ou ripi = σcete + σciti 29 (3.8) (simplificação usual na prática para esta situação). A aplicação de variações de temperatura ∆Te e . respectivamente. donde ps = σcete /rs = piri /{rs[1 + Eiti/(Eete)]} (3.9).

desprezando-se (como anteriormente) o efeito das parcelas νeσme e νiσmi nas deformações circunferenciais. devidas somente à variação de temperatura.αe∆Te)/{rs[1/(teEe) + 1/(tiEi)]} (3. respectivamente. pode resultar no aparecimento de pressão de contato ou de folga entre os dois tubos. nenhuma tensão. donde ps = (αi∆Ti . consequentemente. Se αe∆Te > αi∆Ti. são αe∆Te e αi∆Ti.1968 . – “Résistance des Matériaux” – Éditions de la Paix – Moscou .12) Bibliografia do Capítulo 3 Féodossiev. onde ps é a pressão de contato: psrs/(teEe) + αe∆Te = -psrs/(tiEi) + αi∆Ti. Sejam αe e αi os coeficientes de dilatação térmica dos tubos externo e interno. Gilson Queiroz 30 ∆Ti nos tubos externo e interno.Prof. Neste caso. ao contrário. respectivamente. αe∆Te < αi∆Ti. V. surgem pressão de contato e tensões nos tubos. Se. tem-se: εce = σce/Ee + αe∆Te εci = σci/Ei + αi∆Ti Estabelecendo-se a compatibilidade destas deformações e notando que σce = psrs/te (tração) e σci = -psrs/ti (compressão). surge folga entre os tubos e. as deformações circunferenciais correspondentes.

além de sofrerem rotação em torno do eixo da barra. Hipóteses (figura 4. Condições de contorno em deslocamentos (figura 4. Vários tipos de seções transversais de barras sujeitas à torção.1 Barra de seção maciça qualquer Como já comentado. u(0. o momento de torção deve ser constante e os apoios não podem oferecer restrição ao empenamento. o empenamento (função dos deslocamentos u) é o mesmo para todas as seções transversais. 0) = 0.1. Geralmente a torção não uniforme é assunto de cursos de pós graduação.1. ou quando não for isenta mas não houver restrição ao empenamento. denominada torção não uniforme.a seção da esquerda não gira em torno do eixo X (eixo de torção). 4. sujeita a momentos externos atuando em planos normais ao eixo da barra. com tensões normais e de cisalhamento nas seções transversais.a): I . isto é. Existe restrição ao empenamento quando o momento de torção varia ao longo do eixo da barra ou quando algum apoio da barra oferece restrição ao empenamento. aparecem momentos de torção nas seções transversais. neste caso tem-se uma situação complexa. que ocorre quando a seção transversal for isenta de empenamento (por exemplo seções circulares cheias ou vazadas). fenômeno denominado empenamento. Este capítulo é limitado à torção uniforme. A convenção de sinais para momentos de torção é análoga à utilizada para tensões: o momento de torção em uma face da seção transversal com normal positiva é positivo se seu vetor tiver o mesmo sentido do eixo de coordenadas que lhe é paralelo. 0.o deslocamento u (na direção x) do ponto A é impedido. Gilson Queiroz 31 CAPÍTULO 4 – TORÇÃO DE BARRAS PRISMÁTICAS Em uma barra prismática em equilíbrio.u = u(y. . isto é.a): I .Prof. z). II . perdem sua planicidade na situação deformada.

Prof. Para pequenas rotações. z) desloca-se para P’. 2. Assim. e o ângulo de rotação de uma seção em relação a outra é proporcional à distância entre elas: ϕ = θx.12) a (2.θz (4. PP’ = r(θx).2) Observa-se que as distorções γxy e γxz (e consequentemante as tensões τxy e τxz) são funções apenas de y e z.1 Campo de deslocamentos O ponto qualquer P = P(x.17) obtém-se: εy = ∂v/∂y = 0 εz = ∂w/∂z = 0 εx = ∂u/∂x = 0 (hipótese I) γxz = ∂u/∂z + ∂w/∂x = ∂u/∂z + θy γyz = ∂v/∂z + ∂w/∂y = 0 γxy = ∂u/∂y + ∂v/∂x = ∂u/∂y . com PP’ tendendo a se tornar perpendicular ao raio r (figura 4.b). Z Y ϕ=θx B B’ Mt A P C’ X Mt r x L (a) FIGURA 4.θz) τxz = G(∂u/∂z + θy) (4. sendo θ o ângulo de torção por unidade de comprimento (θ = constante). Campo de tensões Com a lei de Hooke generalizada (eq.31) obtém-se: σx = σy = σz = τyz = 0 τxy = G(∂u/∂y .1.1) (b) P’ α w -v θx r α P Y ϕL=θL C Z .3) (4. os deslocamentos nas direções Y e Z são dados por (notando que a projeção horizontal de PP’ tem sentido contrário ao do eixo Y): -v = rθxsenα = θxz. donde v = -θxz w = rθxcosα = θxy Campo de deformações Com as expressões (2. Gilson Queiroz 32 II .as projeções das seções transversais no plano YZ giram como corpo rígido em torno do eixo X. y.

τxy(dydz)z. τxν = 0. τνx = 0 (não existem tensões na superfície lateral da barra) e.∂τxz/∂y = -2Gθ = H = constante (4.6) (4.5) dz (a) X τxz τxν -dy τxy t ν τ νx ds Y X FIGURA 4. é paralela à tangente ao contorno no ponto considerado. Devido à simetria do tensor de tensões referido ao sistema νtX. junto ao contorno. Expressando τxν em função de τxy e τxz.3) em relação a z. tem-se (notar que a projeção horizontal de ds tem sentido contrário ao do eixo Y): τxν = mτxy + nτxz = τxy(dz/ds) + τxz(-dy/ds) = 0 II – Nas seções transversais extremas tem-se (figura 4. Bx = By = Bz = 0): ∂σx/∂x + ∂τxy/∂y + ∂τxz/∂z = ∂τxy/∂y + ∂τxz/∂z = 0 ∂τxy/∂x + ∂σy/∂y + ∂τyz/∂z = ∂τxy/∂x = 0 ∂τxz/∂x + ∂τyz/∂y + ∂σz/∂z = ∂τxz/∂x = 0 As duas últimas equações (4. Condições de contorno em tensões I .4) corresponde a uma equação de compatibilidade de deformações.4) Pode-se mostrar que (4. a última em relação a y.2. tem-se: ∂τxy/∂z .b): dMt = τxz(dydz)y . donde Mt = ∫∫(yτxz . Porém. consequentemente. Gilson Queiroz 33 Compatibilidade de deformações Derivando-se a penúltima equação (4.Prof. Desta forma. em um ponto S qualquer da superfície lateral da barra.zτxy)dydz Z Z (4.Considere-se.7) (4. pela normal ν = (k. m. Equilíbrio de tensões Com as expressões (2.2 (b) τxz dy τxy y dz z Y Mt . o sistema de coordenadas formado pelo eixo X. obtém-se (desprezando-se o peso da barra.2. tem-se τxν = τνx. e pela tangente t ao contorno da seção em S (figura 4.3). e subtraindose. a tensão de cisalhamento na seção.a).5) confirmam que τxy e τxz são funções apenas de y e z. n) à superfície lateral em S.

10) (4. Quando a seção tem um eixo de simetria.8) em (4. Com a equação (4. Substituindo-se (4.9) τxz = -∂φ/∂y (4. Gilson Queiroz Solução do problema 34 A primeira equação (4. é y2/a2 + z2/b2 – 1 = 0.8). por G (2. o ângulo de torção por unidade de comprimento. obtém-se: Mt = -∫y(φy2 . donde dφ/ds = 0 (só no contorno da seção) Observa-se que a função φ é constante no contorno da seção. z1 são coordenadas de pontos situados no contorno da seção (onde φ é constante). θ). em encontrar uma função φ(y.3).11) A solução consiste. z2. A determinação do centro de torção para seções transversais abertas de parede fina é apresentada no capítulo 6.10) no contorno. (4. na situação da figura 4.9) em toda a seção e (4.φz1)dy + ∫∫φdydz Como y2.2 Barra de seção elíptica Aplica-se o procedimento descrito no item 4. .6): (∂φ/∂z)(dz/ds) + (-∂φ/∂y)(-dy/ds) = 0.8) 4. na sequência: τxy e τxz pelas expressões (4. A equação do contorno da seção.φy1)dz + ∫∫φdydz .∫z(φz2 .7): Mt = ∫∫(yτxz .8) em (4. então. Nota: o centro de rotação das seções transversais (sobre o eixo X) chama-se centro de torção.5) é condição necessária e suficiente para que exista uma função φ(y. respectivamente.4): ∂2φ/∂z2 + ∂2φ/∂y2 = -2Gθ = H = constante Substituindo-se (4. z) tal que (a função φ(y.11) determina-se a constante H (consequentemente. tem-se φy2 = φy1 e φz2 = φz1. a determinação genérica é objeto da Teoria da Elasticidade. donde: Mt = 2∫∫φdydz (4. γxy e γxz pelas expressões (4. As demais respostas são determinadas.31). o centro de torção fica sobre ele. o centro de torção coincide com o centro de gravidade.zτxy)dydz = -∫∫(y∂φ/∂y)dydz .∫dy∫z(∂φ/∂z)dz Integrando-se por partes.3. Devido à dupla simetria. z) é denominada função de torção de Prandtl): τxy = ∂φ/∂z Substituindo-se (4.Prof.∫∫(z∂φ/∂z)dydz = -∫dz∫y(∂φ/∂y)dy . uma vez definida a função φ. y1.2) ou simplesmente dividindo τxy e τxz.8) em (4.1. u por integração das expressões (4. z) que atenda (4.

(4.9) e (4.14) relacionam-se Mt e θ: Mt = 2∫∫φdydz = [-2Gθ a2b2/( a2 + b2)] ∫∫(y2/a2 + z2/b2 – 1)dydz = = [-2Gθ a2b2/( a2 + b2)](πab/4 + πab/4 .19).θ] ∂u/∂y = [Mt(b2 – a2)/(πa3b3G)]z ∂u/∂z = y[2Mt/(πa3bG) .3 Experimenta-se uma função de Prandtl dada por: φ(y.19) (4. resulta: Nota-se que o coeficiente de z e de y nas duas equações é o mesmo e também que é uma constante. donde K = -Gθ a2b2/( a2 + b2) Com (4.Prof.13). obtém-se.14) (4.16). z) = [-Mt/(πab)](y2/a2 + z2/b2 – 1) Demais respostas: Com (4.14). chamando esta constante de c0. donde θ = Mt/GIt It = ( πa3b3)/(a2 + b2) Com (4. finalmente: φ(y.17) (4.16) (4.15) (4. com It dado por (4.3) τxy = ∂φ/∂z = -2Mtz/(πab3) τxy = G(-θz + ∂u/∂y) τxz = -∂φ/∂y = 2Mty/(πa3b) τxz = G(θy + ∂u/∂z) (4.15) e (4. obtém-se: ∂u/∂y = c0z.15).12) e (4.9) e (4. obtém-se: K(2/b2 + 2/a2) = -2Gθ. donde u = c0zy + f1(z) ∂u/∂z = c0y.πab) = πa3b3Gθ/( a2 + b2). Gilson Queiroz Z b Mt Y 35 a FIGURA 4.10). respectivamente: ∂2φ/∂z2 + ∂2φ/∂y2 = K(2/b2 + 2/a2) = constante φ = 0 no contorno.12). z) = K(y2/a2 + z2/b2 – 1). donde dφ/ds = 0 no contorno Comparando (4. sendo K uma constante A função φ atende às exigências (4. e também as expressões de τxz.11).18) (4.13) (4.8) Com (4.18) e (4.θ] ∂u/∂z = [Mt(b2 – a2)/(πa3b3G)]y Substituindo-se nestas equações o valor de θ dado por (4. (4. obtém-se: ∂u/∂y = -z[2Mt/(πab3G) .16) em (4.12) Igualando-se as expressões de τxy dadas em (4. donde u = c0yz + f2(y) .

tem-se z2 = b2(1 – y2/a2). como mostrado na figura 4. caracterizando a perda de planicidade da seção. Assim.1). z).16) Com (4. Gilson Queiroz 36 Para que o valor de u seja o mesmo nas duas equações.1 (u(0. Para se obter o máximo em toda a seção substitui-se esta expressão em (4. com valor nulo no centro. o vetor tensão é tangencial.26) vê-se que a seção circular não empena. 0) = 0). τ r R Mt Y Z FIGURA 4.4).2.20) b < a. Vê-se em (4. finalmente: u = c0yz = [Mt(b2 – a2)/(πa3b3G)]yz Como (4. isto é. a direção do vetor tensão é constante ao longo de um raio e paralela à tangente ao contorno na extremidade do raio (devido à primeira condição de contorno em tensões vista no item 4. obtendo-se: y = 0 z = ±b (extremidades do eixo menor) Wt = πab2/2 τmax = 2Mt/(πab2) = Mt/Wt (4. 0.21) e faz-se dτ/dy = 0. obtém-se c1 = 0 e.22) (4. os deslocamentos longitudinais são positivos no segundo e no quarto quadrantes da seção e negativos no primeiro e no terceiro.23) 4.26) Na expressão (4. sendo dado por σν = τ = (0 τxy τxz). é necessário que f1(z) = f2(y). donde Com (4.20) It = ( πa3b3)/(a2 + b2) = πR4/2 τ = Mtr/It u = [Mt(b2 – a2)/(πa3b3G)]yz = 0 (4. resultando u = c0yz + c1.21) No contorno. para qualquer ponto (y.4 .21) Com (4. Vetor tensão No plano da seção.25) (4. f1(z) = f2(y) = constante = c1.Prof. ou seja. vê-se que os deslocamentos u têm sinal contrário ao do produto yz das coordenadas.24) (4. Com a condição de contorno II do item 4.18) que τxy e τxz variam linearmente ao longo de um raio qualquer da elipse. O módulo do vetor tensão é dado por: τ = τ = √(τxy2 + τxz2) = [2Mt/(πab)]√(y2/a4 + z2/b4) (4.3.1 Caso particular: barra de seção circular Neste caso a = b = R e y2 + z2 = r2 (figura 4. onde o módulo é máximo para um determinado raio.

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Para seção em forma de coroa circular, demonstra-se que também não são sujeitas a empenamento e que (R = raio externo, ri = raio interno): It = π(R4 – ri4)/2 Wt = It/R = π(R4 – ri4)/(2R) (4.27) (4.28)

4.3 Barra de seção retangular maciça de pequena espessura Na figura 4.5 tem-se b >> t. Assume-se uma função de Prandtl φ invariável com z: φ = φ(y) Aplicando-se a φ a condição (4.9), tem-se d2φ/dy2 = -2Gθ, donde: φ = -Gθy2 + Ay + B, sendo A e B constantes de integração t/2 Z t/2 Mt b t FIGURA 4.5 Para atender (4.10) faz-se φ = 0 no contorno y = ±t/2, obtendo-se: 0 = -Gθt2/4 + At/2 + B A=0 Substituindo-se (4.29) em (4.11): Mt = 2∫∫φdydz = 2b∫(Gθ/4)(t2 – 4y2)dy = (Gθb/2)(t2y – 4y3/3), com y variando de –t/2 a +t/2 ∴ Mt = Gθbt3/3 e θ = Mt/GIt (4.30) (4.31) It = bt3/3 As tensões de cisalhamento, calculadas com (4.8), são: τxy = ∂φ/∂z = 0 τxz = -∂φ/∂y = 2Gθy (4.32) A nulidade das tensões τxy, decorrente da função φ assumida, não corresponde à realidade; entretanto, tais tensões são desprezadas porque (τxy) max < (τxz) max. A tensão τxz varia linearmente com y e seu maior valor absoluto é dado por: (τxz) max = τmax = 2Gθt/2 = (Mt/It)t = Mt/Wt Wt = It/t = bt2/3 (4.33) (4.34) B = Gθt2/4 0 = -Gθt2/4 – At/2 + B, donde: ∴ φ = (Gθ/4)(t2 – 4y2) (4.29) Y

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Como se observa nas expressões (4.15) e (4.16), bem como nas expressões (4.30) e (4.31), a relação entre o ângulo de torção por unidade de comprimento e o momento de torção pode ser escrita, em geral, como θ = Mt/GIt, sendo It uma propriedade geométrica da seção transversal, denominada momento de inércia à torção. Analogamente, observa-se nas expressões (4.22) e (4.23), bem como nas expressões (4.33) e (4.34), que a tensão máxima de cisalhamento na seção é dada por τmax = Mt/Wt, sendo Wt uma propriedade geométrica da seção transversal, denominada módulo resistente à torção.

4.4 Barras com seção aberta de parede fina Quando a seção transversal é aberta e composta de vários retângulos de pequena espessura (bi >> ti), conforme figura 4.6, tem-se Mt = Mt1 + Mt2 + Mt3 + ... + Mtn, (4.35) sendo Mti (1≤ i ≤n) a parcela do momento de torção assumida pelo retângulo i e n o número de retângulos componentes da seção. Por outro lado, de acordo com a hipótese II dada no item 4.1, as projeções sobre o plano YZ de todos os componentes da seção giram do mesmo ângulo, igual ao ângulo correspondente à seção inteira: θ1 = θ2 = θ3 = ... = θn = θ (4.36) Para cada retângulo i tem-se θi = Mti/GIti, sendo Iti = biti3/3, e para a seção inteira tem-se θ = Mt/GIt, donde Mt1/GIt1 = Mt2/GIt2 = Mt3/GIt3 = ... Mtn/GItn = Mt/GIt ∴ (Mt1 + Mt2 + Mt3 + ... + Mtn)/(GIt1 + GIt2 + GIt3 + ... + GItn) = Mt/GIt Eliminando-se G e aplicando-se a equação (4.35), conclui-se que: It = It1 + It2 + It3 + ... + Itn = (1/3)Σ(biti3), para i variando de 1 a n t2 2 b1 Mt1, θ1 1 t1 t3 3 b3 b2 Mt4, θ4 t4 4 b Mt , θ Mt2, θ2 (4.38) (4.37)

Mt3, θ3 FIGURA 4.6

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Para paredes curvas de pequena espessura, (4.38) transforma-se em (s é a coordenada ao longo da linha média da parede) It = (1/3)∫t3ds A tensão máxima de cisalhamento em um retângulo componente da seção é dada por τmaxi = Mti/Wti = (Mti/Iti)ti Com (4.37) τmaxi = (Mt/It)ti τmax = (Mt/It)tmax = Mt/Wt Wt = It/tmax = [(1/3)Σ(biti3)]/tmax (4.40) (4.39.a)

A maior tensão de cisalhamento na seção ocorre no retângulo componente de maior espessura (4.41) (4.42)

4.5 Barras com seção fechada de parede fina Neste caso admite-se que as tensões de cisalhamento na seção transversal são constantes na espessura da parede e têm direção paralela à linha média da parede, no ponto considerado, conforme figuras 4.7.a e 4.7.b (na figura 4.7.b isola-se um elemento de comprimento dx, entre os planos 1-1 e 2-2, paralelos a X). As tensões τ1 e τ2 na seção transversal repetem-se nos planos 1-1 e 2-2, respectivamente, devido à simetria dos tensores de tensões correspondentes. t C dF B A ds h O O 1 X (a) 1 FIGURA 4.7 Estabelecendo o equilíbrio do elemento isolado na direção X, tem-se: τ1t1dx = τ2t2dx, donde τ1t1 = τ2t2 = τt = q = constante (4.43) 2 t1 2 (b) 1 τ1 Mt Área A* 1 τ1 2 τ2 2 τ2 dx t2

A constante q é denominada fluxo de cisalhamento (a direção do fluxo é tangente à linha média da parede, no ponto considerado).

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A força dF, na figura 4.7.a, é a resultante das tensões de cisalhamento no elemento da seção de comprimento ds e espessura t: dF = τtds =qds O momento de dF em relação a um ponto O qualquer é: dMt = hdF = qhds = 2qdA* (4.44)

(O produto hds é igual ao dobro da área dA* do triângulo elementar OAB, uma vez que ds é colinear com dF). A integral de dMt na seção é igual ao momento de torção. Para q constante: Mt = dMt = 2q dA * = 2qA* = 2τtA* ∴ τ = Mt/(2tA*) A* é a área da região delimitada pela linha média. A tensão máxima de cisalhamento ocorre onde a espessura da parede for mínima: τmax = Mt/Wt = Mt/(2A*tmin) (4.46) Determina-se a seguir o ângulo de torção θ por unidade de comprimento. A energia de deformação do volume unitário é dada por (conforme equações (2.36) e (2.31)): U0 = (1/2)τγ = (1/2)τ2/G No volume infinitesimal tdsdx (figura 4.7), tem-se dU = [1/(2G)] τ2tdsdx = [1/(2G)] (q2/t)dsdx (4.47)

(4.45)

A energia de deformação dU neste volume infinitesimal pode também ser obtida em função de dMt, dado por (4.44), e do ângulo de torção θ por unidade de comprimento (figura 4.1.a): dU = (1/2)(θdx)dMt = (θdx)qdA* Igualando-se (4.47) e (4.48): (θdx)qdA* = [1/(2G)] (q2/t)dsdx ∴ 2GθdA* = (q/t)ds Integrando-se na seção: 2GθA* = ∫ (q/t)ds Para q = constante = Mt/(2A*): θ = [Mt/(4GA*2)] ∫ds/t = Mt/(GIt) It = (4A*2)/ ∫ ds/t (4.50) (4.49) (4.48)

4.6 Energia de deformação de barras sujeitas à torção uniforme Com base na expressão (4.48), tem-se, na seção transversal completa e no comprimento dx: dU = (θdx) ∫ qdA* Para q = constante: dU = (1/2)Mtθdx = Mt2dx/(2GIt) (4.52) (4.51)

necessárias para o estudo da flexão e da flambagem em capítulos posteriores. K..1987 Féodossiev. A. M.1 Definições . P. V. Fenster.1969 CAPÍTULO 5 – PROPRIEDADES GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS Neste capítulo estudam-se algumas propriedades geométricas das seções transversais de barras. P.Prof. New York . R. S. K. – “Theory and Analysis of Flight Structures” – McGraw Hill.“Advanced Strength and Applied Elasticity” – Elsevier – New York – 1981 Rivello. . 5.1968 Ugural. – “Résistance des Matériaux” – Éditions de la Paix – Moscou . – “Elasticity in Engineering Mechanics” – Prentice Hall – New Jersey . e Chong. A. C. Gilson Queiroz Bibliografia do Capítulo 4 41 Boresi.

R.1 Y1 Definem-se as mesmas propriedades com relação aos eixos baricêntricos. Observa-se também que os momentos de inércia e o momento polar de inércia não se alteram quando se trocam os sentidos dos eixos coordenados. respectivamente. Os eixos CY e CZ são eixos baricêntricos. R1 por y.4) (5.1).2) a (5. IO. tem-se.5) (5.7) (5. Gilson Queiroz 42 Considere-se uma seção de forma qualquer. nas expressões (5.Prof. paralelos a CY e CZ. respectivamente. tem-se: Qy1 = ∫S z1dA Iy1 = ∫S z12dA ry1 = √(Iy1/A) Qz1 = ∫S y1dA Iz1 = ∫S y12dA rz1 = √(Iz1/A) (5.1) Iy1z1 = ∫S y1z1dA IO = ∫S R12dA Iy1 + Iz1 = IO Vê-se que a soma Iy1 + Iz1 não se altera mediante rotação do sistema Y1Z1 em torno de O. bastando substituir y1.2) (5. Devido ao conceito de centro de gravidade. cujo centro de gravidade é o ponto C (figura 5.2 Translação a partir de eixos baricêntricos .8) 5. A área da seção é dada por: A = ∫S dA Com relação aos eixos OY1 e OZ1. z.7). Z1 y1C Z y dA y1 C R1C R1 S R z1 z z1C Y O FIGURA 5.3) (5. em relação a eixos baricêntricos: Qy = ∫S zdA = 0 Qz = ∫S ydA = 0 (5. IC.6) (5. tem-se: Momentos estáticos: Momentos de inércia: Raios de giração: Produto de inércia: Momento polar de inércia: Como (y12 + z12) = R12. z1.

Iy1z1sen2θ Iv = ∫S u2dA = ∫S (y1cosθ + z1senθ)2 dA = Iy1sen2θ + Iz1cos2θ + Iy1z1sen2θ (5. Como já mencionado.8).15) Iuv = ∫S uvdA = ∫S (y1cosθ+z1senθ)(z1cosθ-y1senθ)dA = Iy1z1cos2θ+(1/2)(Iy1 – Iz1)sen2θ (5. Substituindo-se as relações (5.9) em (5. de eixos paralelos aos eixos baricêntricos CY e CZ. Substituindo-se as relações (5.8). 43 (5.12) obtem-se: IO = Iy + Iz + [(y1C)2 + (z1C)2]A = IC + (R1C)2A (5.11) Qz1 = ∫S (y + y1C)dA = ∫S ydA + y1CA Com as equações (5.18) Z1 polar de inércia não se altera com a rotação. Gilson Queiroz Na figura 5.13) Iz1 = Iz + (y1C)2A (5.7) e (5. As coordenadas u.12) 5.2). obtem-se: Iy1 = ∫S (z + z1C)2dA = ∫S z2dA + 2z1C ∫S zdA + (z1C)2A Iz1 = ∫S (y + y1C)2dA = ∫S y2dA + 2y1C ∫S ydA + (y1C)2A Considerando-se as relações (5.9) em (5.9) sendo y1C e z1C as coordenadas do centro de gravidade no sistema Y1Z1.y1senθ)2 dA = Iy1cos2θ + Iz1sen2θ .3 Rotação de eixos Considere-se uma rotação θ do sistema Y1Z1. o momento dA U v y1 S z1 θ Y1 FIGURA 5.10) (5. conforme figura 5.2.16) (5.Prof.2 O . resulta: Qy1 = z1CA Donde z1C = Qy1/A Qz1 = y1CA y1C = Qz1/A (5.3).1 vê-se que y1 = y + y1C z1 = z + z1C. obtem-se: Qy1 = ∫S (z + z1C)dA = ∫S zdA + z1CA Considerando-se as relações (5. resulta: Iy1 = Iy + (z1C)2A Analogamente mostra-se que Iy1z1 = Iyz + y1Cz1CA Com (5.17) v = z1cosθ . v de dA no novo sistema são dadas por: u = y1cosθ + z1senθ Desta forma: Iu = ∫S v2dA = ∫S (z1cosθ .y1senθ (5.14) (5.11) pode-se locar o centro de gravidade no sistema Y1Z1.

2Iy1z1cos2θ = (Iz1 – Iy1)sen2θ . .21) se tg2θ ≤ 0. (5.22) . se tg2θ ≥ 0 há duas soluções que diferem de π. Escolhe-se a correspondente a do 1o. donde tg2θ = 2Iy1z1/(Iz1 – Iy1) (5. sen2θ ≥ 0 cos2θ ≥ 0 0 ≤ θ ≤ π/4 sen2θ ≤ 0 cos2θ ≥ 0 -π/4 ≤ θ ≤ 0 sen2θ ≤ 1/2 sen2θ ≤ 1/2 cos2θ ≥ 1/2 cos2θ ≥ 1/2 (5.π/4≤ θ ≤ 0. como a soma Iy1 + Iz1 não se altera com a rotação.).4 Eixos principais de inércia e momentos principais de inércia Determina-se um valor da rotação θ (figura 5. direção. Gilson Queiroz 44 V u 5. quadrante. quadrante e outra do 4o.18) e (5.19) ficam determinadas as direções dos eixos principais. sendo uma do 1o. Para θ há duas soluções que diferem de π/2. sendo uma do 2o. respectivamente. quadrante e .20) Como o produto de inércia é nulo em relação aos eixos principais. Os sentidos dos eixos principais dependem da escolha do quadrante para o ângulo 2θ (duas opções para cada sinal de tg2θ): .19). Iv é mínimo. o sentido destes eixos é irrelevante. considera-se que -π/2 ≤ 2θ ≤ 0 e. consequentemente.Prof. se Iu for máximo. Assim: se tg2θ ≥ 0. considera-se que 0 ≤ 2θ ≤ π/2 e. dIu/dθ = -2Iy1cosθsenθ + 2Iz1senθcosθ .19) Com (5. Com (5.2) para o qual Iu assuma um valor extremo (máximo ou mínimo). no ponto O. obtém-se: Iuv = cos2θ[Iy1z1 – (1/2)(Iz1 – Iy1)tg2θ] = cos2θ(Iy1z1 – Iy1z1) = 0 (5. quadrante. se tg2θ ≤ 0 há duas soluções que diferem de π. consequentemente. Os eixos e os momentos de inércia correspondentes a tal rotação são os eixos principais de inércia e os momentos principais de inércia. perpendicular à 1a. Escolhe-se a do 4o. e vice versa. quadrante e outra do 3o. quadrante: 0 ≤ θ ≤ π/4 (a outra solução é a 2a.2Iy1z1cos2θ = 0.

16).21): cos2θ ={1+[1/(1+tg22θ)]1/2}/2 sen2θ ={1-[1/(1+tg22θ)]1/2}/2 sen2θ = [tg22θ/(1+tg22θ)]1/2 (5. para tg2θ ≥ 0 – têm-se as seguintes relações trigonométricas. utilizando-se as faixas de variação de θ dadas por (5. (5. uma vez que Iu + Iv = Iy1 + Iz1). agora. Gilson Queiroz 45 Determinação do momento de inércia principal Iu.5 Eixos de simetria O momento estático de uma seção em relação a um eixo de simetria OZ é nulo. obtém-se esta mesma expressão de Iu (nas relações 5. Na expressão (5. um eixo de simetria é também baricêntrico (figura 5.19) obtém-se. Os eixos principais baricêntricos são também denominados eixos principais centrais.3 menos um de simetria. obtém-se: Iu = (Iy1 + Iz1)/2 + [(Iy1 – Iz1)/2] [1/(1+tg22θ)]1/2 – Iy1z1[tg22θ/(1+tg22θ)]1/2 Com a equação (5.24) o sinal + aplica-se quando Iy1 ≥ Iz1 e o sinal – quando Iy1 ≤ Iz1 (o outro sinal é usado para o cálculo de Iv. portanto. Iz1–Iy1 e 2Iy1z1 têm sinais contrários). uma vez que os produtos yz1 de dois elementos simétricos de área dA anulam-se mutuamente (figura 5. Como consequência.23) altera-se o sinal de sen2θ e. sendo pelo FIGURA 5.21). é nulo. se um dos eixos de um .3). após algumas simplificações (notando que Iz1–Iy1 e 2Iy1z1 têm o mesmo sinal): Iu = (Iy1 + Iz1)/2 ± [(Iz1 – Iy1)2/4 + (Iy1z1)2]1/2 (5. Z dA dA -y1 y1 C O z1 Y1 O produto de inércia de uma seção em relação a dois eixos ortogonais OY1 e OZ. levando-se em conta (5. Como consequência. Iu é o momento de inércia máximo se Iy1 ≥ Iz1. e o mínimo se Iy1 ≤ Iz1. em outras palavras. sua interseção é o centro de gravidade da seção. se uma seção tiver dois eixos de simetria.23) Substituindo-se estas expressões trigonométricas em (5.24) Procedendo-se analogamente para tg2θ ≤ 0.Prof.3).

6 Exemplos 5. composta de vários retângulos cujos eixos são paralelos aos eixos de simetria da seção Na figura 5.5 são dados bf.2 Área e momentos de inércia principais centrais de uma seção duplamente simétrica. tw.1 Momentos de inércia de um retângulo em relação aos eixos de simetria Os dois eixos de simetria são principais centrais.25) b FIGURA 5. Gilson Queiroz 46 sistema de coordenadas Y1Z for de simetria.4): Iy = ∫S z2dA = b∫S z2dz = bz3/3 (para z variando de –h/2 a h/2).4 5. para h > b. donde Iy = bh3/12 De maneira análoga obtém-se: Iz = hb3/12 Vê-se que. Assim.5 . 5.19). Em relação a CY tem-se (figura 5.6. porque. a. hw.6.Prof. os eixos coordenados OY1 e OZ são principais de inércia. Iy = Imax e Iz = Imin Z dz h z S dA Y (5. tg2θ = 0. zD = hw/2 + tf/2 zB = -zD Z a E tw B yE C hw D zD F zB Y yF = bf/2 – a – tw/2 yE = -yF tf yF bf FIGURA 5. tf.26) (5. conforme (5.

respectivamente. Os cálculos podem ser organizados como na tabela 5. respectivamente. Retângulo B Retângulo D Retângulo E Retângulo F Iy = bftf3/12 + (zB)2bftf Iy = bftf3/12 + (zD)2bftf Iy = twhw3/12 + (0)2hwtw Iy = twhw3/12 + (0)2hwtw Iz = tfbf3/12 + (0)2bftf Iz = tfbf3/12 + (0)2bftf Iz = hwtw3/12 + (yE)2hwtw Iz = hwtw3/12 + (yF)2hwtw As somas destes últimos momentos de inércia são os momentos de inércia (principais centrais) Iy e Iz .5 30 30 135 -19. da seção completa. F.375 19.1 RET. para cada retângulo B.Prof. por meio das expressões (5.6 são dados bf. hw. composta de vários retângulos que têm um eixo paralelo ao eixo de simetria da seção Na figura 5.1. E. Assim. os momentos de inércia referidos aos eixos CY e CZ.25cm hw = 37.6 12. Retângulo B Retângulo D Retângulo E Retângulo F A = bftf A = bftf Imy = bftf3/12 Imy = bftf3/12 Imz = tfbf3/12 Imz = tfbf3/12 A = hwtw Imy = twhw3/12 Imz = hwtw3/12 A = hwtw Imy = twhw3/12 Imz = hwtw3/12 A seguir determinam-se. uma vez que para se obter Iy e Iz da seção completa bastaria somar Σz2A com ΣImy e Σy2A com ΣImz.8cm a = 2cm TABELA 5.5cm tw = 0. referidos aos eixos do próprio retângulo paralelos a CY e CZ. D. sendo OZ1 um eixo arbitrário de referência: . a área e os momentos de inércia Imy e Imz. Gilson Queiroz 47 Calculam-se.3 Área e momentos de inércia principais centrais de uma seção mono simétrica. 5.6.12). A z z2A Imy z2A+ Imy B D E F Σ 37.6 0 0 4763 4763 9526 2813 2813 2 2 5630 y y2A Imz y2A+ Imz 2813 2813 4765 4765 15156 Resultados: A = 135cm2 Iy = 35196cm4 Iz = 15156cm4 Observar que as colunas z2A + Imy e y2A + Imz são desnecessárias.375 0 0 14077 14077 0 0 28154 5 5 3516 3516 7042 14082 14082 3516 3516 35196 0 0 -12. a. onde se utilizam os dados numéricos: bf = 30cm tf = 1.5 37. tw. respectivamente. tf. para cada retângulo.

Para se obter o momento de inércia principal central da seção em relação a CZ utiliza-se a segunda equação (5.5 37.2. para os dados numéricos: bf = 30cm tf = 1.2 RET.5cm tw = 0.12): Iz = Iz1 – (y1c)2A (Iz1 e A da seção completa) Na tabela 5.6. adicionalmente.5 72 1197 y12A 8438 8438 173 17049 Imz 2813 2813 2 5628 a = 2cm y1C = 1197/105 = 11.10). Gilson Queiroz zD = hw/2 + tf/2 zB = -zD Z1 y1C a O tw E Z D zD C hw B tf y1E y1B bf zB Y y1E = a + tw/2 y1B = y1D = bf/2 48 FIGURA 5.375 19.6 Com o mesmo procedimento usado no exemplo 5.375 0 z2A 14077 14077 0 28154 A = 105cm2 Iz1 = 17049 + 5628 = 22677cm4 Imy 5 5 3516 3526 y1 15 15 2.5 562. B D E Σ A 37.Prof.5 30 105 z -19.4cm Iz = 22677 – 11. De acordo com a segunda equação (5.8cm TABELA 5. utilizando-se a segunda equação (5.42x105 = 9031cm4 (principal central) Iy = 28154 + 3526 = 31680cm4 (principal central) .2 ilustra-se o procedimento descrito.11). a coordenada y1C do centro de gravidade da seção é obtida dividindo-se Qz1 pela área (ambos da seção completa). determinam-se os momentos estáticos dos retângulos em relação a OZ1.25cm hw = 37. cujo somatório é o momento estático Qz1 da seção completa em relação a este eixo.4 y1A 562. determinam-se a área da seção e os momentos de inércia relativos aos eixos OY e OZ1.

Os momentos de inércia principais centrais da seção.5cm tw = 0. os índices y1 e z1 são substituídos por y e z.3 para a determinação de y1C e Iz. para os dados numéricos: bf = 30cm tf = 1.6. uma vez que a rotação aplica-se ao sistema baricêntrico YZ. composta de vários retângulos cujos eixos são paralelos aos eixos CY e CZ. Assim. finalmente.24).13). pela expressão (5.7 Determinam-se y1C e Iz utilizando-se o eixo de referência arbitrário OZ1.8cm a = 2cm .13) (observando-se que o produto de inércia de um retângulo em relação aos próprios eixos é nulo). hw.6.7 são dados bf. momentos de inércia e produto de inércia em relação aos eixos baricêntricos CY e CZ. Para ambos os eixos o procedimento é idêntico ao utilizado no exemplo 5. tw. O ângulo θ do eixo principal CU com o eixo CY é calculado pela expressão (5. tf.19) e (5.Prof. Na tabela 5. respectivamente. O produto de inércia Iyz da seção completa em relação aos eixos baricêntricos CY e CZ é calculado pela expressão (5. são calculados pela expressão (5.24). determinam-se os produtos de inércia dos retângulos em relação aos eixos OY1 e OZ1.4 Área. determinam-se z1C e Iy utilizando-se o eixo de referência arbitrário OY1.3 ilustra-se o procedimento descrito. a. Gilson Queiroz 49 5. a soma destes produtos de inércia é o produto de inércia Iy1z1 da seção completa em relação aos eixos OY1 e OZ1. e momentos de inércia principais centrais de uma seção sem simetria. Adicionalmente. Na figura 5.19).25cm hw = 37. Nas expressões (5. sendo OY1 e OZ1 eixos arbitrários de referência: z1E = hw/2 + tf z1B = tf/2 Z1 Z y1C Y V U E C z1E tf tw B O y1E y1B z1B bf hw θ Y z1C Y1 y1E = a + tw/2 y1B = bf/2 a FIGURA 5.

5 = -4064cm4 tg2θ = 2x(-4064)/(5462 – 9785) = 1. B E Σ A 37.[(5462 – 9785)2/4 + (-4064)2]1/2 = 3020cm4 (principal central) Bibliografia do capítulo 5 Timoshenko. J.42x67. Iu é o momento de inércia máximo e Iv o mínimo: Iu = Imax = (9785 + 5462)/2 + [(5462 – 9785)2/4 + (-4064)2]1/2 = 12227cm4 (principal central) Iv = Imin = (9785 + 5462)/2 . – “Mecânica dos Sólidos” – Livros Técnicos e Científicos Editora – Rio de Janeiro – 1983 Queiroz.232x67.Prof.5 y12A 8438 173 8611 Imz 2813 2 2815 y1z1A 352 1440 1792 y1C = 634.4cm z1C = 623/67.5 A = 67.4 y1A 562.23x67.5 30 67.5/67.5cm2 z1 0. – “Elementos das Estrururas de Aço” – Belo Horizonte . P. e Gere.5 = 9.3 RET. S.4x9.625 20 z1A 23 600 623 z12A 15 12000 12015 Imy 5 3516 3521 y1 15 2.5 = 9785cm4 Iz = 11426 – 9. M.23cm Iy1 = 12015 + 3521 = 15536cm4 Iz1 = 8611 + 2815 = 11426cm4 Iy1z1 = 1792cm4 Iy = 15536 – 9.1993 .5 = 9.88 ∴ 2θ = 62o θ = 31o Como Iy > Iz. Gilson Queiroz 50 TABELA 5.5 72 634.5 = 5462cm4 Iyz = 1792 – 9. G.

Tanto o vetor momento fletor como o vetor força cortante são decompostos segundo as direções dos eixos coordenados. Esta rotação pode ser descrita pelos deslocamentos na direção X.1 . dos centros de gravidade das seções) após a deformação.g. 6. Na flexão pura a hipótese básica é a de que as seções transversais permanecem planas e perpendiculares ao eixo da barra (l.1 Tensões normais na seção transversal Na barra da figura 6. Sob a ação de M. como se verá neste capítulo. A convenção de sinais para os vetores componentes do momento fletor e da força cortante é análoga à utilizada para tensões: em uma face da seção transversal com normal positiva.1. e flexão pura ao caso particular em que o momento fletor é o único esforço solicitante em uma barra ou trecho de barra. Na seção transversal DE atua apenas um momento fletor M.Prof. mesmo na presença de força cortante. o vetor é positivo se tiver o mesmo sentido do eixo de coordenadas que lhe é paralelo. que se decompõe em My e Mz.1 Efeitos do momento fletor 6. podem-se utilizar as expressões deduzidas para os efeitos do momento fletor. Entretanto. Esta hipótese é violada pela efeito da força cortante. perpendiculares entre si. afastadas de dx entre si. B C X M A D’ D x dx Plano de ação de M E E’ x1 = εxdx C’ X1 E S C z D My Mz y Z M dA Y FIGURA 6. aparecem tensões normais σx na seção DE e ocorre uma rotação relativa entre as seções AB e DE. os eixos CY e CZ são eixos baricêntricos quaisquer. de DE com relação a AB.1. C é o centro de gravidade da seção transversal. Gilson Queiroz 51 CAPÍTULO 6 – FLEXÃO DE BARRAS PRISMÁTICAS Denomina-se flexão simples à solicitação de uma barra por momento fletor e força cortante. para pequenos deslocamentos.

Como a seção gira em torno da linha neutra. consequentemente. ∫S ydA = ∫S zdA = 0.4) (6.3) determinam-se b. respectivamente: . Pela hipótese da conservação da planicidade da seção. donde N = ∫S σxdA = ∫S (a + by + cz)dA = aA + b∫S ydA + c∫S zdA = 0 Como CY e CZ são baricêntricos.5) e ∫S (σxdA)y = -Mz ∫S (a + by + cz)ydA = 0 + bIz + cIyz = -Mz (6. Esta reta denomina-se linha neutra da seção. c.3) (6.1). denominada simplesmente de σ de agora em diante. cuja equação no sistema X1YZ (com origem em C) é: x1 = εxdx = a1 + b1y + c1z (a1. b.5) em (6.2) Desenvolvendo-se estas equações obtêm-se. são também nulas). b1 e c1 são constantes a determinar) Pela lei de Hooke generalizada εx = σx/E. o tensor de deformações tem as três deformações lineares não nulas e as deformações angulares nulas. (6. finalmente: σx = σ = -(MzIy + MyIyz)(y)/[IyIz – (Iyz)2] + (MyIz + MzIyz)(z)/[IyIz – (Iyz)2] Observações: a) O tensor de tensões referido a XYZ só tem a tensão σx não nula.6) (6. item 2.2). sendo εx a deformação no ponto.1) Vê-se que as tensões normais σx também se distribuem na seção conforme a equação de um plano.Prof. fica em um plano. considerando-se σx de tração em dA. em cujos pontos σ = 0 (as deformações nestes pontos. a posição deformada D’E’. c: b = -(MzIy + MyIyz)/[IyIz – (Iyz)2] c = (MyIz + MzIyz)/[IyIz – (Iyz)2] Substituindo-se (6. (6. têm-se: ∫S (σxdA)z = My ∫S (a + by + cz)zdA = 0 + bIyz + cIy = My Com as equações (6. b) A equação by + cz = 0 representa uma reta situada no plano da seção transversal. A força normal N na seção é nula.2). donde (notar que dx = constante): σx = (E/dx)( a1 + b1y + c1z) = a + by + cz (6. o plano do eixo deformado da barra é perpendicular à linha neutra. resultando a=0 Por outro lado. tem-se. de DE. Gilson Queiroz 52 Em cada ponto da seção DE tem-se um deslocamento εxdx (capítulo 2.4) e (6. Vê-se que a linha neutra passa pelo centro de gravidade da seção. A seguir determinam-se as constantes a.

8) (6. as tensões σ são constantes em uma paralela à linha neutra situada no plano da seção e variam linearmente em uma perpendicular à linha neutra situada também no plano da seção. Assim. em geral. My ou Mz. ∴ z = (Mz/My)(Iy/Iz)y Na figura 6. referida aos eixos principais centrais torna-se: (-Mz/Iz)y + (My/Iy)z = 0. isto é. o plano do eixo deformado da barra não coincide com o plano de ação de M. σ’ σ Perpendicular à linha neutra σR C σ’’ Plano de ação de M Mz Z β R My α Y M Linha neutra FIGURA 6. d) Em função das observações anteriores.7) Vê-se que. a linha neutra é a interseção deste plano com o plano da seção. quando os momentos de inércia em relação a todos os eixos baricêntricos forem iguais. fossem principais. isto é.2 e) Caso os eixos escolhidos CY e CZ. ter-se-ia Iyz=0 e. . As tensões extremas σ’ e σ’’ ficam nas extremidades (ou bordas) da seção mais afastadas da linha neutra. Gilson Queiroz 53 c) Como as tensões σ distribuem-se na seção segundo a equação de um plano.Prof. fora da linha neutra. se CY e CZ forem principais centrais: tgα = (Mz/My)(Iy/Iz) tgβ = Mz/My (6.2. a linha neutra não coincide com a direção do vetor M. quando a projeção de M sobre um dos eixos principais.2. quando o vetor M tiver a direção de um dos eixos principais. situação denominada flexão normal. for nula. para se determinar graficamente as tensões σ em todos os pontos da seção. f) A coincidência da linha neutra com a direção do vetor M ocorre em duas situações: quando os momentos principais de inércia Iy e Iz forem iguais. além de baricêntricos. e proceder como mostrado na figura 6. basta calcular a tensão em um ponto R. ou seja. consequentemente: σ = (-Mz/Iz)y + (My/Iy)z A equação da linha neutra.

As tensões normais finais são obtidas pela soma algébrica das tensões devidas aos efeitos isolados de My e Mz.3. Nas figuras 6. Wyi. os dois casos de flexão normal são: Mz = 0 My = 0 linha neutra coincide com CY linha neutra coincide com CZ σ = (My/Iy)z (figura 6.10) σ = (-Mz/Iz)y (figura 6.9) e (6. por exemplo. Wyi = Iy/zi ∴σ’ = My/Wys .Prof. 6. se My e Mz forem ambos diferentes de zero. o plano que contém o eixo deformado da barra coincide com o plano de ação do momento fletor.3.b mostram-se as situações indeformada e deformada. σ’’ = Mz/Wzi (6.a) 54 (6.3 (b) (a) Y Denominam-se módulos resistentes à flexão às relações Wys. Wzi = Iz/yi ∴σ’ = Mz/Wzs . Gilson Queiroz g) Sendo CY e CZ principais centrais. a flexão é denominada flexão oblíqua.7) com (6.11) (6.a: Wys = Iy/zs. .12) h) Sendo CY e CZ principais centrais.b). seria igual à soma algébrica das tensões σP determinadas com Mz = 0 (figura 6.4.b). a tensão normal em P. Os deslocamentos w são os deslocamentos dos pontos do eixo da barra na direção Z.3.3.3.4.b) σ’ ys Z yi σP σ’’ Z Mz C P C P My σP σ’’ zi σ’ zs Y FIGURA 6.3.3. de um trecho de barra de comprimento dx. respectivamente.a) e com My = 0 (figura 6. para My e Mz diferentes de zero. Na figura 6.b: Wzs = Iz/ys.2 Linha elástica na flexão normal Conforme o item anterior.a) e outra com apenas Mz ≠ 0 (figura 6. σ’’ = My/Wyi Figura 6.3. Wzs e Wzi dadas por: Figura 6. sujeito a um momento fletor My positivo (os eixos Y e Z são principais centrais).1.9) (6.3.10). uma com apenas My ≠ 0 (figura 6.a e 6. vê-se que a flexão oblíqua pode ser decomposta em duas flexões normais. Comparando-se a expressão (6. na flexão normal.

15) (6.4. conclui-se que.a).4. e seus pontos são isentos de tensão e deformação (σ = 0.15) para a (6.14). onde se reproduz um trecho do eixo curvo da barra da figura 6.16) o sinal se alterou porque a deformada do eixo associada a Mz w X FIGURA 6.14) (6.Prof. Z ϕ U (6.4. (6. para momento fletor My.5 . Da figura 6. na figura 6. para pequenos deslocamentos: dϕ = dx/Rz = [(dx + εdx) – dx]/z.13) com (6. Gilson Queiroz 55 Z T Plano neutro U dx+εdx dx U z My T My X w dϕ Rz (a) dx FIGURA 6. ε = εx = 0). Com procedimento análogo ao anterior.15) é a equação diferencial da linha elástica. donde: dϕ/dx =1/Rz = ε /z = (σ/E)/z = (Myz/Iy)/(Ez) = My/(EIy) tem-se (observando-se que a rotação ϕ tem sinal contrário ao de dw/dx): ϕ ≅ tgϕ = -dw/dx. donde: dϕ/dx = -d2w/dx2 Comparando-se (6.5. para momento fletor Mz: d2v/dx2 = Mz/(EIz) positivo tem derivada segunda (d2v/dx2) positiva.4 (b) O plano que contém as linhas neutras das seções transversais (plano XY) é denominado plano neutro (figura 6. conclui-se que: d2w/dx2 = -My/(EIy) ( notar que My = My(x) ) A equação (6.13) Por outro lado.b.16) Da expressão (6.

tanto o deslocamento quanto a rotação são nulos no plano correspondente. Gilson Queiroz Observações: 56 a) Para se obterem os deslocamentos do eixo da viga nos planos XZ e XY é necessário integrar duas vezes as equações (6. No engastamento. Na flexão oblíqua a energia de deformação do elemento dx é igual à soma das parcelas associadas a cada flexão normal componente: dU = (1/2)(My)2dx/(EIy) + (1/2)(Mz)2dx/(EIz) (6.15) e (6. determinando-se a linha elástica de cada uma destas individualmente e compondo-se vetorialmente os deslocamentos w e v de cada ponto do eixo da barra. impõemse a igualdade dos deslocamentos e a igualdade das rotações.3 Energia de deformação na flexão normal dϕ = Mydx/(EIy) Sendo Y e Z principais centrais. Os tipos de apoio mais comuns são o apoio rotulado e o engastamento (em uma mesma seção o tipo de apoio pode ser diferente nos dois planos corrrespondentes aos eixos principais).Prof. a partir de (6. é dada por: dU = (1/2)Mydϕ = (1/2)(My)2dx/(EIy) (6.17) Analogamente obtém-se a energia de deformação do elemento dx associada a Mz. 6. é evidente que a linha elástica resultante da flexão oblíqua é uma curva reversa.13): Como dϕ é proporcional a My. tem-se. o deslocamento do eixo é nulo no plano correspondente. a energia de deformação do elemento dx (figura 6.4).16).1. associada a My. d) A linha elástica de uma flexão oblíqua é obtida decompondo-a em duas flexões normais. além das condições de contorno. Apesar da linha elástica de cada flexão normal ser uma curva plana. No apoio rotulado. Após a primeira integração obtêm-se as rotações das seções transversais (ou do eixo da barra) nos planos correspondentes. b) As constantes de integração são determinadas apenas com as condições de contorno quando a equação do momento fletor for única em todo o intervalo de variação de x. surgem mais constantes de integração do que no caso anterior e. Nas duas seções imediatamente adjacentes a cada seção onde a equação do momento fletor se altera. em geral. têm que ser usadas condições de continuidade de deslocamentos e rotações.18) . respectivamente. c) Quando a equação do momento fletor não for única no intervalo de variação de x.

6. dσ = (dMy/Iy)z. tensões de cisalhamento τxz. a direção e o sentido da força cortante correspondente.6. por hipótese. Estabelecendo-se o equilíbrio do sólido ABDEFGHJ na direção X. donde τzx(bdx) = (dMy/Iy)∫S’ z(dA) ∴τzx = [1/(bIy)](dMy/dx)∫S’ z(dA) Finalmente.19) Z A≡F B ≡G E≡J Z A B Y h/2 h/2 (b) Vz z1 My D E σ X My+dMy τxz D≡H τzx σ+dσ τxz b (a) τzx h/2 z1 X Vz dx (c) dx FIGURA 6.20) .9). Por hipótese tais tensões não variam na seção. devido à variação dMy do momento fletor. isola-se a porção ABDEFGHJ do elemento dx situada entre as coordenadas z1 e h/2.2.a).19). Gilson Queiroz 6. Como as tensões τzx são nulas na superfície livre ABFG.6 o elemento dx está sujeito à força cortante Vz e ao momento fletor My.τzx(bdx) = 0 dA = elemento de área da região achurada S’ (figura 6.1. de acordo com (6. situada na coordenada z1 (figura 6. para z = h/2. que têm. Estabelecendo-se o equilíbrio de momentos atuantes no elemento dx em relação ao eixo Y. Para determinar as tensões τxz na linha EJ da seção (figura 6. obtém-se: τxz = τzx = [Vz/(bIy)]∫ S’ z(dA) (6.6.6.c mostram-se as tensões atuantes na porção isolada. também são nulas as tensões τxz na seção. obtém-se: dMy – Vzdx = 0 ∴ Vz = dMy/dx Z B E S’ G J (6. ambos positivos. no caso). tem-se: ∫S’ dσ(dA) .a) Mas.b).1 Seções maciças retangulares 57 Na barra da figura 6. na direção perpendicular à força cortante (direção Y.1 Tensões de cisalhamento na seção transversal 6. com (6. Para z = z1 têm-se tensões τzx no plano DEHJ com o mesmo valor das tensões τxz a determinar.2 Efeitos da força cortante 6. As tensões normais atuantes nas seções à esquerda e à direita de dx diferem entre si de dσ. na seção transversal.Prof. Na figura 6.6 A força cortante produz.2.

5 vezes a tensão média. em um ponto qualquer da seção. as relações: Vy = -dMz/dx τxy = τyx = [Vy/(hIz)]∫ S’’ y(dA) (6. No caso em questão: ∫ S’ z(dA) = b(h/2 – z1)[(h/2 – z1)/2 + z1] = (b/2)[(h/2)2 – (z1)2] Assim. a distribuição das tensões de cisalhamento na direção da força cortante é parabólica. com valor nulo para y1 = b/2 e valor máximo para y1 = 0: (τxy)max = 1.24) Observação: na flexão oblíqua superpõem-se os efeitos das forças cortantes Vz e Vy.7 No caso em questão: ∫ S’’ y(dA = (h/2)[(b/2)2 – (y1)2] Assim. a tensão de cisalhamento é igual à resultante das tensões τxz e τxy. Gilson Queiroz 58 A integral que aparece nesta expressão é o momento estático da região S’ da seção (situada entre as coordenadas z1 e h/2) em relação ao eixo Y. obtêm-se. τxy é a tensão de cisalhamento na linha KL da seção (situada na coordenada y = y1) e a integral é o momento estático da região S’’ da seção (situada entre as coordenadas y1 e b/2) em relação ao eixo Z (figura 6. Z B K G Y y1 S’’ h L b/2 b/2 FIGURA 6. a distribuição das tensões de cisalhamento na direção da força cortante é parabólica. Com procedimento análogo ao anterior. com valor nulo para z1 = h/2 e valor máximo para z1 = 0: (τxz)max = [Vz/(bIy)](b/2)(h2/4) = {Vz/[b(bh3/12]}(b/2)(h2/4) = 1.5Vz/(bh) (6.7).Prof. que seria obtida dividindo-se a força cortante pela área da seção. .5Vy/(bh) (6.23) Nesta expressão.22) (6. para seções retangulares sujeitas a Vy e Mz.21) Vê-se que a tensão máxima é igual a 1.

perpendicular à força cortante V. em seções maciças circulares.8. As tensões na extremidade da corda são tangentes ao círculo (ver capítulo 4.8 B A projeção das tensões na direção da força cortante é determinada de forma semelhante à utilizada para seções retangulares. item 4.1 Condições de contorno em tensões – I).2. . P A r V FIGURA 6. A força cortante deve passar pelo centro de torção T da seção (a ser conceituado posteriormente.2 Seções maciças circulares A distribuição de tensões de cisalhamento nos pontos de uma corda AB. as tensões são determinadas a partir desta projeção e da posição do ponto P.1. Na barra da figura 6.3 Seções abertas de parede fina – Centro de torção Em seções de parede fina a força cortante produz tensões de cisalhamento que.1.24) 6. o padrão mostrado na figura 6. mesmo para eixos não principais. Gilson Queiroz 59 6.Prof. A expressão (6. por hipótese. a tensão máxima é igual a (4/3) vezes a tensão média. tem. As direções de todas as tensões em AB concorrem no mesmo ponto P e tais tensões têm todas a mesma projeção na direção da força cortante (notar que. neste item). o elemento dx está sujeito à força cortante Vz e ao momento fletor My. perpendiculares entre si.9 os eixos Y e Z são baricêntricos quaisquer. por hipótese. atuam na direção da linha média da parede e são constantes na direção perpendicular a esta linha. neste caso. A tensão máxima ocorre sobre o diâmetro perpendicular à força cortante e é dada por: τmax = (4/3)V/(πr2) ou seja. (6. ambos positivos.19) continua válida.2. qualquer eixo baricêntrico é principal central).

Como no item 6. Estabelecendo-se o equilíbrio do sólido ABDEFGHJ na direção X.2.9. Como as tensões τsx são nulas na superfície livre ABFG. tem-se: ∫S’ dσ(dA) + τsx(tdx) = 0 t = espessura da parede na linha EJ dA = elemento de área da região achurada S’ (figura 6. devida à força cortante Vy (atuando no centro de torção): τxs = τsx = {(Vy/t)/[IyIz–(Iyz)2]}( Iyz ∫S’ zdA–Iy∫S’ ydA) (efeito de Vy) (6.1. A convenção de sinais para as tensões τxs é a mesma que foi introduzida no capítulo 2.9. com (6.1. também são nulas as tensões τxs na seção.26) Com procedimento análogo ao anterior obtém-se a tensão τxs na mesma linha EJ. devido à variação dMy do momento fletor.27) (6.9. situada na coordenada curvilínea s (medida sobre a linha média da parede. para dMz = 0 e dMy ≠ 0. Z s τxs E Z B G A B Z A≡F B ≡G t J C S’ Vz D E σ My+dMy X My+dMy T Vz (a) My (b) Y Vz dx τ τxs D≡H sx E≡J τ s xs τsx σ+dσ (c) X dx FIGURA 6. isola-se a porção ABDEFGHJ do elemento dx situada entre as coordenadas s = 0 e s= s (figura 6.25) . com o sistema de coordenadas formado pelo eixo X e pela coordenada s no local onde atua τxs.19).9 Na figura 6. de acordo com (6.a). as tensões normais atuantes nas seções à esquerda e à direita de dx diferem entre si de dσ. para s = 0.c mostram-se as tensões atuantes na porção isolada. a partir de uma extremidade). Para s = s têm-se tensões τsx no plano DEHJ com o mesmo valor das tensões τxs a determinar.Prof.6). Gilson Queiroz 60 Para determinar a tensão τxs na linha EJ da seção (figura 6. tem-se dσ = -(dMyIyz)(y)/[IyIz–(Iyz)2] + (dMyIz)(z)/[IyIz–(Iyz)2] = (dMy)(Izz–Iyzy)/[IyIz–(Iyz)2] Portanto τsx(tdx) = -{(dMy)/[IyIz–(Iyz)2]}∫S’ (Izz–Iyzy)(dA) = {(dMy)/[IyIz–(Iyz)2]}( Iyz ∫S’ ydA -Iz∫S’ zdA) Finalmente.9.b).a) Mas. obtém-se: τxs = τsx = {(Vz/t)/[IyIz–(Iyz)2]}( Iyz ∫S’ ydA-Iz∫S’ zdA) (efeito de Vz) (6.

S’ é toda a região da seção que fica do mesmo lado da linha EJ. p.Prof. tem-se Iyz = 0 e a expressão (6. O sinal negativo na primeira expressão decorre dos momentos de Vz e das tensões (τxs)Vz terem sentidos contrários. respectivamente: VzyT = -∫S r(τxs)VzdA yT = (-1/Vz)∫S r(τxs)Vztds VyzT = ∫S r(τxs)VydA . sendo T o centro de torção.26) e (6.26) e (6. é igual ao momento resultante das tensões de cisalhamento. serem eixos principais.). donde zT = (1/Vy) ∫S r(τxs)Vytds (6. são os momentos estáticos da região achurada S’ da seção (entre s = 0 e s =s) em relação aos eixos Z e Y. o centro de gravidade C da seção).31) permitem determinar a posição do centro de torção.10.27). ex. A força cortante é igual à resultante das tensões de cisalhamento que ela produz na seção. Nas figuras 6. na ausência de torção.9.27) τxs = τsx = {1/[IyIz–(Iyz)2]}[(Vz/t)( Iyz ∫S’ ydA-Iz∫S’ zdA) + (Vy/t)( Iyz ∫S’ zdA–Iy∫S’ ydA)] O produto q = tτxs. respectivamente (figura 6. dadas por 6. onde se deseja determinar τxs. é igual à soma algébrica das tensões dadas por (6.26 e 6. em relação ao mesmo ponto.10. A distância r é sempre considerada positiva. Como a força cortante é a resultante das tensões de cisalhamento na seção.31) (6. Quando a seção tem eixo de simetria. variável com s. seu momento em relação a um ponto qualquer (por exemplo. que aparecem em (6. tem-se.27). . Gilson Queiroz 61 As integrais ∫S’ ydA e ∫S’ zdA. ou seja: ∫S (τxs)VzdA = Vz ∫S (τxs)VydA = Vy (6. além de baricêntricos. é denominado fluxo de cisalhamento No caso de Y e Z.30) (6. o centro de torção fica sobre ele.29) As expressões (6.a e 6.27. devida ao efeito combinado de Vz e Vy. (τxs)Vz e (τxs)Vy são as tensões de cisalhamento devidas só a Vz e só a Vy. respectivamente) A tensão τxs na linha EJ.b. Quando a seção tem várias extremidades (seções em forma de I.29) simplifica-se para: τxs = τsx = -[Vz/(tIy)] ∫S’ zdA . As tensões (τxs)Vz e (τxs)Vy são calculadas com (6. respectivamente.[Vy/(tIz)] ∫S’ ydA Centro de torção Por definição é o ponto da seção por onde deve passar a força cortante para que não apareça momento de torção.28) (S = superfície da seção completa.26) e (6.a).

9.1.Prof. a) Com base nas expressões (6. atuam na direção da linha média da parede e são constantes na direção perpendicular a esta linha.31): yT = (-1/Vz)∫S r(q)Vzds zT = (1/Vy) ∫S r(q)Vyds (6. por hipótese. onde a espessura da parede é t.4 Seções fechadas de parede fina Analogamente ao caso das seções abertas de parede fina.a os eixos Y e Z são baricêntricos quaisquer. O é uma origem arbitrária da coordenada curvilínea s.a). Gilson Queiroz Z t 62 s ds Z t Vz (τxs)Vz T r yt Y s ds (τxs)Vy r T zt Vy Y S C (a) S C (b) FIGURA 6. por onde deve passar a força cortante para não surgir torção. T é o centro de torção. (q)Vz e (q)Vy são os fluxos q devidos aos efeitos isolados de Vz e Vy.10 Para se determinar o fluxo de cisalhamento q e a posição do centro de torção.10. . usa-se o procedimento descrito a seguir. respectivamente (figura 6. perpendiculares entre si. a força cortante produz tensões de cisalhamento que. q = tτxs é o fluxo de cisalhamento em A.32) A Z yT Vz qb A qO A ≡ O s + O (c) s Nestas expressões. ds q r C O (a) T zT s Vy Y (b) FIGURA 6.2. Na seção da figura 6.10 6. na linha média da parede.

que permitem determinar (qO)Vz e (qO)Vy: (qO)Vz ∫ ds/t + ∫ (qb)Vz (ds/t) = 0 (qO)Vy ∫ ds/t + ∫ (qb)Vy (ds/t) = 0 (6. em duas parcelas: uma parcela variável qb = q – qO e uma parcela constante qO (figuras 6.2. Gilson Queiroz 63 b) Seja qO o valor do fluxo q no ponto O. de um trecho de barra de comprimento dx. substituídas em (6.10. utiliza-se a expressão (4. 47) do capítulo 4: 2GθA* = ∫ (q/t)ds = 0 Decompondo-se o fluxo q como anteriormente. O fluxo q. A soma destas parcelas é o fluxo q. sujeito a uma força cortante Vz positiva.10. Como o fluxo total q não é constante. as parcelas (qb)Vz e (qb)Vy têm como resultantes as forças cortantes Vz e Vy. devido à simetria.36) 6. é dado por: q = (q)Vz + (q)Vy = (qb)Vz + (qO)Vz + (qb)Vy + (qO)Vy Caso particular Quando a força cortante atua segundo um eixo de simetria da seção. o fluxo de cisalhamento q é nulo nas interseções da parede com a linha de ação da força cortante. (6. recaindo-se no caso de seções abertas. Os deslocamentos ws. respectivamente. com (6. Assim. c) No ponto O tem-se q = qO e qb = qO – qO = 0. consequentemente. devido ao efeito combinado de Vz e Vy.27).b mostram-se as situações indeformada e deformada. tem-se: (q)Vz = (qb)Vz + (qO)Vz (q)Vy = (qb)Vy + (qO)Vy (6. respectivamente. Para os efeitos isolados de Vz e Vy.34) As tensões (τxs)Vz e (τxs)Vy são determinadas com (6. têm a direção de Z.33) Como as parcelas (qO)Vz e (qO)Vy são constantes. tendo força resultante nula.11.5). atuando no centro de torção (o plano XZ é de simetria).c).11.32).Prof. elas equivalem a momentos de torção (capítulo 4.33).35) e) Finalmente obtêm-se.b e 6.a e 6. d) Para determinar a parcela constante qO basta impor a condição de que o ângulo de torção θ por unidade de comprimento é nulo. as expressões de (q)Vz e (q)Vy. . em um ponto qualquer A. causados pela força cortante.2 Linha elástica em planos de simetria (todas as cargas aplicadas nos planos de simetria) Nas figuras 6. respectivamente. a parcela variável qb pode ser determinada como se a seção fosse aberta em O: (qb)Vz = t(τxs)Vz (qb)Vy = t(τxs)Vy (6. as quais.26) e (6. obtêm-se as duas equações seguintes. Decompõe-se o fluxo q. permitem determinar as coordenadas do centro de torção com relação aos eixos baricêntricos CY e CZ. item 4.

para seções retangulares.23). obtem-se a equação usual da linha elástica devida à força cortante Vz. quando o plano XZ é de simetria: dws/dx = [1/(GVz)] ∫Sτ2dA Analogamente obtem-se. τ = τxy para seções (6. conclui-se que a tensão de cisalhamento é igual à força cortante multiplicada por uma propriedade geométrica da seção transversal.37). quando o plano XY é de simetria: dvs/dx = [1/(GVy)] ∫Sτ2dA retangulares e τ = τxs para seções de parede fina.20). quando o plano XZ é de simetria: dws/dx = kzVz/(GA) (6.39) e (6. Gilson Queiroz 64 Z T U Eixo da barra U dws Vz T Vz X ws dx (a) dx FIGURA 6. no comprimento dx: dU = dx ∫S (1/2)(τ2/G)dA Neste mesmo volume pode-se determinar a energia de deformação por: dU = (1/2)Vzdws (6.11 (b) A energia de deformação no volume unitário.40) obtém-se a equação diferencial da linha elástica devida à força cortante Vz. (6. conforme (2.43) Em (6. τ e γ são iguais a τxz e γxz. pode-se escrever: dws/dx = (Vz/G) ∫S (τ/Vz)2dA = (Vz/G) ∫S τ*2dA (6. No volume infinitesimal dxdA. τ* é a tensão devida à força cortante unitária (propriedade geométrica da seção).37) Nestas expressões.Prof. vs são os deslocamentos do eixo da barra na direção Y. e iguais a τxs e γxs. respectivamente. para a força cortante Vy.41) .26) e (6. é dada por: U0 = (1/2)τγ = (1/2)τ2/G (6. sendo dA um elemento de área da seção transversal.44) (6. para seções de parede fina.38) Igualando-se (6.42) Nesta expressão. respectivamente. Observando as expressões (6. tem-se: dU1 = (1/2)(τ2/G)dxdA No volume correspondente a toda a seção transversal. (6. Assim.43).39) (6.40) (6. notando que o produto τ*2dA tem a dimensão do inverso de uma área.27).

obtem-se.48) (6.2 (6. por equilíbrio: (6.44) e (6.9: τ* = τ/Vz = -[1/(tIy)] ∫S’ zdA. Analogamente ao efeito da força cortante Vz. que vai da origem (extremidade) até o ponto considerado da linha média.b) podem-se desprezar as tensões de cisalhamento nas mesas e considerar que a tensão de cisalhamento na alma é praticamente constante.45) e com dA = tds: kz = A ∫S [1/(tIy)2](QS’y)2 tds = [(A/(Iy)2] ∫S [(QS’y)2/t]ds 65 (6. Para seções em forma de I duplamente simétrico (figura 6. com tf > tw e com btf > htw.12.48) são aplicáveis.20) e na figura 6.45) (6. quando o plano XY é de simetria: dvs/dx = kyVy/(GA) ky = A ∫S τ*2dA Constante ky para seções retangulares: ky = 36/30 = 1. Assim.46) (6.30) e na figura 6.49) Para seções circulares. pode-se mostrar que as equações (6. Substituindo a expressão de (τ*)2 em (6. Gilson Queiroz sendo kz uma constante adimensional que só depende da geometria da seção: kz = A ∫S τ*2dA Determinação da constante kz para seções retangulares Com base em (6. com kz = ky = 10/9. s varia de zero até o comprimento total da linha média da seção.Prof.12. donde (τ*)2 = [1/(tIy)2] (∫S’ zdA)2 = [1/(tIy)2](QS’y)2 QS’y = momento estático da região S’ em relação ao eixo principal CY.51) . obtem-se para a força cortante Vy: Equação usual da linha elástica devida à força cortante Vy.47) Nesta expressão.6: τ* = [1/(bIy)]∫ S’ z(dA) = [1/(bIy)]{(b/2)[(h/2)2 – (z1)2]} = [6/(bh3)] [(h/2)2 – (z1)2] kz = A ∫S {[6/(bh3)] [(h/2)2 – (z1)2]}2 dA Com dA = bdz1. A = bh e z1 variando de –h/2 a h/2. sujeitos a uma força cortante no plano médio da alma (Vy na figura 6. Constante ky para seções abertas de parede fina: ky = [(A/(Iz)2] ∫S [(QS’z)2/t]ds QS’z = momento estático da região S’ em relação ao eixo principal CZ.50) τ* = τ/Vy (6.2 Determinação da constante kz para seções abertas de parede fina Com base em (6. os valores de QS’y e t são determinados em função da coordenada s.a). após a integração: kz = 36/30 = 1.

b) As constantes de integração são determinadas apenas com as condições de contorno quando a equação da força cortante for única no intervalo de variação de x.53) . Em ambos os tipos de apoio o deslocamento do eixo é nulo no plano correspondente. a tensão de cisalhamento na alma é nula.2. Devido à variação das tensões de cisalhamento na seção.12. porém.b (situação deformada) para um trecho de barra de comprimento dx.44) e (6. pode-se mostrar que ky = kz = 2.48). mesmo no engastamento. respectivamente. deixando de existir a ortogonalidade entre o eixo da barra e o plano da seção transversal. como se mostra nas figuras 6. para a qual kz = 1. Observações: a) Para se obterem os deslocamentos do eixo da viga nos planos XZ e XY (ambos de simetria) é necessário integrar as equações (6. o eixo da barra gira.13. Entretanto. Os tipos de apoio mais comuns são o apoio rotulado e o engastamento (em uma mesma seção o tipo de apoio pode ser diferente nos dois planos de simetria). recai-se no caso de uma seção retangular com altura igual a b e espessura igual a 2tf.2A/(2btf) Para seções circulares vazadas de parede fina.12 Com base em (6.44). em relação ao eixo Y. (6.49): ky = A ∫S τ*2dA = A{[1/(htw) 2] (htw) + (0)2(2btf)} = A/(htw) (6.52) Para seções em forma de I duplamente simétrico.a (situação indeformada) e 6. ocorre empenamento da seção. para usar a área A total da seção na expressão (6. Assim.Prof. Por hipótese. é nulo.13. Gilson Queiroz τ* = τ/Vy = [Vy/(htw)]/Vy = 1/(htw). é necessário fazer a correção: kz = 1. na alma 66 h tw tf Z I I Vz (b) (c) Y (a) b Y Vy FIGURA 6. porque o momento estático da região da seção situada acima ou abaixo de qualquer corte do tipo I-I. e portanto das distorções. a única condição de contorno é a nulidade do deslocamento no plano do apoio. as seções transversais não giram. com seção retangular. tanto no apoio rotulado quanto no engastamento.c). sujeitos a uma força cortante perpendicular ao plano médio da alma (Vz na figura 6. Assim.

impõe-se a igualdade dos deslocamentos. com base em (6. no comprimento dx: a) Efeito da força cortante Vz.55) (6.Prof. Gilson Queiroz Z DISTORÇÃO NULA 67 DISTORÇÃO MÁXIMA Vz Vz X (a) dx (b) FIGURA 6. têm que ser usadas condições de continuidade de deslocamentos.44) dU = (1/2)Vzdws = (1/2) kz (Vz)2dx /(GA) b) Efeito da força cortante Vy. Nas duas seções imediatamente adjacentes a cada seção onde a equação da força cortante se altera.56) Apesar da linha elástica de cada flexão normal ser uma curva plana. Na flexão oblíqua. por analogia dU = (1/2) ky (Vy)2dx /(GA) c) O efeito combinado de Vz e Vy é igual à soma dos efeitos individuais (6.2.54) (6. d) A linha elástica em um plano de simetria. devida ao momento fletor e à força cortante.57) .40) e (6. em geral. faz-se esta soma para cada plano de simetria e compõem-se vetorialmente os deslocamentos de cada ponto do eixo da barra.3 Energia de deformação em planos de simetria (todas as cargas aplicadas nos planos de simetria) No volume correspondente a toda a seção transversal.58) (6. Assim: No plano de simetria XZ: No plano de simetria XY: Linha elástica final: wΣ = w + ws vΣ = v + vs δ = [(wΣ)2 + (vΣ)2]1/2 (6. 6.13 dx c) Quando a equação da força cortante não for única no intervalo de variação de x. além das condições de contorno. surgem mais constantes de integração do que no caso anterior e. é evidente que a linha elástica resultante da flexão oblíqua é uma curva reversa. é obtida determinando-se a linha elástica devida a cada efeito individual e somando-se algebricamente os deslocamentos de cada ponto do eixo da barra.

60) Comparando-se (6.60) com (6. no plano XY.a e 6. Gilson Queiroz dU = (1/2) kz (Vz)2dx /(GA) + (1/2) ky (Vy)2dx /(GA) 68 (6. ou seja. igual à temperatura ambiente T0. no plano neutro ε = εx = 0 (se a temperatura no plano neutro for diferente da ambiente.b mostram-se as situações indeformada e deformada.14. Os deslocamentos w são os deslocamentos dos pontos do eixo da barra na direção Z.3 Efeitos térmicos na linha elástica de sistemas isostáticos – flexão normal Nas figuras 6. a barra sofre deformação longitudinal constante. de um trecho de barra de comprimento dx. respectivamente.14 (b) Da figura 6.14. sujeito a uma variação linear de temperatura ∆Tz. dxs Z temp=T+∆Tz Plano neutro P Q temp=T0 temp=T P h dx dxi dϕ Q X h X w Rz (a) dx FIGURA 6. donde: (6. para uma variação linear de temperatura ∆Ty no elemento dx.b: dxs = dx + α(T + ∆Tz – T0)dx dxi = dx + α(T– T0)dx dϕ/dx =1/Rz = α∆Tz/h substitindo-se My/(EIy) por α∆Tz/h na equação diferencial da linha elástica (6. adicionalmente às deformações devidas ao gradiente de temperatura na seção). com temperatura crescente no sentido positivo de Y.15): d2w/dx2 = -α∆Tz/h (6.dxi)/h = α∆Tzdx/h.Prof. vê-se que o efeito da temperatura pode ser levado em conta Combinando-se os efeitos dos momentos fletores e das variações de temperatura. por hipótese. crescente no sentido positivo de Z (os eixos Y e Z são principais centrais).13). A temperatura no plano neutro é.63) .62) dxs – dxi = α∆Tzdx dϕ = dx/Rz = (dxs .61) Analogamente. obtem-se: d2v/dx2 = -α∆Ty/h d2w/dx2 = -My/(EIy) .59) 6. no plano XZ.14.α∆Tz/h (6. obtem-se: (6.

Prof. R.“Resistência dos Materiais” .α∆Ty/h 69 (6. I. C. S. . M. Rio de Janeiro . J.Ao Livro Técnico. New York. M.1962 Rivello. – “Theory and Analysis of Flight Structures”– McGraw Hill. New York. L. F.64) Bibliografia do Capítulo 6 Silva. e Gere.1969 Timoshenko. H. 1985 . – “Mecânica dos Sólidos” – Livros Técnicos e Científicos Editora – Rio de Janeiro – 1983 Shames. and Dym. Gilson Queiroz d2v/dx2 = +Mz/(EIy) . J. P. – ‘Energy and Finite Element Methods in Structural Mechanics” – McGraw-Hill.

pode. Gilson Queiroz 70 CAPÍTULO 7 – INSTABILIDADE Peças estruturais sujeitas a tensões normais de compressão e/ou tensões de cisalhamento.). força cortante na direção Y. Um estudo mais completo dos casos de flambagem. quando apenas uma região localizada da peça sofre mudança de forma. a partir de certo valor da força. atuando em torno do eixo principal de máximo momento de inércia. Por exemplo. porque. a partir de certo valor do momento. edifícios. tal ocorrência implica no colapso da peça. curvar-se bruscamente. tem-se uma flambagem local. equipamentos hidromecânicos etc. A mudança brusca de forma é denominada flambagem e a solicitação que a provoca é denominada carga de flambagem. uma barra reta sujeita a uma força normal de compressão crescente pode.Prof. momento fletor segundo o eixo Y. Tais mudanças bruscas de comportamento caracterizam instabilidade de forma quando a solicitação externa atinge determinado valor. se determinada peça flamba quando sujeita a determinado momento My1 isolado ou determinada força normal de compressão N1 isolada. momento e força normal. uma barra sujeita a um momento fletor crescente. a possibilidade de ocorrência de flambagem deve ser analisada. perdendo sua forma básica original. Quando a flambagem muda a forma da peça como um todo. de maneira geral. causadas por esforços externos. dependendo de sua configuração geométrica e das propriedades mecânicas do material de que são feitas. Em muitas situações práticas. força cortante na direção Z. quando for sujeita à superposição de flambará para My2 < My1 e N2 < N1. aumenta o risco de flambagem correspondente a um esforço solicitante isolado. na maioria dos casos. aeronaves. Cumpre ressaltar que a superposição de dois ou mais tipos de esforços solicitantes (força normal de compressão. . momento fletor segundo o eixo Z. ela é chamada de flambagem global e. para cada tipo de construção. deslocarse bruscamente para fora do plano de flexão etc. Por exemplo. é feito geralmente nas publicações específicas para tal tipo de construção (pontes. podem mudar bruscamente o padrão de comportamento. momento de torção).

se Pδ > cθ (momento imposto maior que o momento na mola devido à rotação). há três possibilidades: . e se P > c/L.1.1. Exatamente para P = c/L tem-se a transição de uma forma de equilíbrio para outra.1) Equil. Caso a extremidade superior da barra AB seja deslocada horizontalmente de δ (com δ << L). sendo c a constante elástica da mola. sujeita à carga de compressão P. a barra continua a se afastar da posição vertical inicial – situação de equilíbrio instável. válida para pequenos deslocamentos.b). Admitindo-se grandes deslocamentos. tal equilíbrio é instável.1 Na figura 7. Gilson Queiroz 71 Neste trabalho serão abordados apenas alguns casos simples. .Prof. a condição Pδ = cθ. Assim. ou seja. com o deslocamento lateral δ ficando indeterminado (figura 7. a barra volta à posição vertical inicial – situação de equilíbrio estável. 7. estável (b) δ<<L A carga P = c/L é denominada carga de flambagem. P = c/L (7. é rígida e a mola rotacional em B reage a uma rotação θ da barra com um momento M = cθ.se Pδ = cθ (momento imposto igual ao momento na mola devido à rotação). onde a barra AB. para que o equilíbrio passe de estável para instável fica: PLθ = cθ. a abordagem é . a barra permanece na posição deslocada – situação de equilíbrio indiferente.se Pδ < cθ (momento imposto menor que o momento na mola devido à rotação). Se P < c/L.a tem-se δ = Lsenθ = Lθ (para pequenos deslocamentos). visando ilustrar procedimentos usuais para determinação da carga de flambagem. instável c/L L θ (a) B FIGURA 7.1 Sistema barra rígida – mola rotacional Considere-se o sistema indicado na figura 7.1. . o equilíbrio da barra AB na posição vertical inicial é estável.a. P δ A’ A P Equil. Esta indeterminação é devida à hipótese simplificadora senθ = θ.

Ela também é atendida para dois valores de θ ≠ 0 (de sinais opostos).2) Esta equação é atendida para qualquer valor de P. para -π ≤ θ ≤ π: PL/c < θ/senθ ⇒ PLsenθ < cθ ∴ Pδ < cθ . Gilson Queiroz 72 diferente. tem-se. se P < c/L (PL/c inferior a 1). Assim.equilíbrio estável θ/senθ π/2 1 -π -π/2 -π/4 -π/8 π/8 π/4 FIGURA 7.3 π/2 π θ . com a posição vertical original estável. Considere-se que o ângulo θ (figura 7. Para P < c/L tem-se solução única. Na figura 7. o que corresponderia a uma posição de equilíbrio estável deslocada da posição vertical inicial para P = cθ/(Lsenθ).1. se PL/c > 1.2). o que corresponde à posição original da barra rígida (situação de equilíbrio instável). A relação θ/senθ é igual ou superior a 1 no intervalo considerado (figura 7.2 Por outro lado. o valor de P pode ser obtido multiplicando-se as ordenadas da figura 7.Prof. Para cada θ. P INSTÁVEL π/2 π θ (π/2)c/L c/L ESTÁVEL -π -π/2 -π/4 -π/8 π/8 π/4 FIGURA 7. quando θ = 0.3 apresenta-se a solução completa do problema. e a mola sempre reaja proporcionalmente a θ. para cada valor de P. igualar o momento imposto ao momento reativo da mola: PLsenθ = cθ (7.a) varie de -π até π. pode-se. Para P > c/L têm-se duas soluções: a posição vertical inicial instável (para θ = 0) e uma posição deslocada estável (para θ ≠ 0).2 por c/L.

1).. P A w C1 X (a) Z B FIGURA 7. Com base na equação diferencial 6. donde C2 = 0. obtém-se a equação diferencial d2w/dx2 + k2w = 0. w = 0. donde P = Pfl = k2(EIy) = π2(EIy)/L2 (7. com seção duplamente simétrica. com n = 1.a). w = 0. cuja solução é w = C1senkx – C2coskx As constantes de integração C1 e C2 são determinadas com as condições de extremidade: Para x = 0. sujeita a compressão 73 Como no caso da barra rígida. para x = L.2 Barra bi-rotulada elástica. A solução C1 = 0 corresponde à forma reta inicial da barra AB (uma vez que C2 é também igual a zero). 3. da linha elástica devida ao momento fletor (desprezando-se o efeito da força cortante).7) é a carga de flambagem da barra bi-rotulada AB. kL = π. donde C1senkL = 0 (7. com pequenos deslocamentos laterais w (figura 7. sujeita à força normal de compressão P. de acordo com a convenção de sinais utilizada. então: senkL = 0. estável C1<< L A última condição é atendida para C1 = 0 ou para senkL = 0.4) (7..6) Ao valor n = 1 corresponde o menor valor de P que provoca a perda da forma reta da barra: (7. Gilson Queiroz 7.4. admita-se que a barra AB.Prof.3) (b) P Equil.5) (7. A condição de flambagem é.7) O valor de Pfl dado por (7. 2. Analogamente ao caso do sistema barra rígida – mola rotacional (item 7. a forma reta é estável para P < Pfl e instável para P > Pfl.4 O momento fletor em um ponto qualquer da barra curvada é My = Pw.15. instável Pfl L Equil. seja afastada de sua forma reta. ou kL = nπ. Para P = Pfl a seção central da barra pode assumir qualquer . tem-se: d2w/dx2 = -My/(EIy) = -Pw/(EIy) Fazendo k2 = P/(EIy).

De qualquer forma. 1/Rz = (-d2w/dx2)/[1 + (dw/dx)2]3/2 A equação diferencial da linha elástica fica sendo (em lugar de (6.4.8 ESTÁVEL wmax/L -0. Gilson Queiroz 74 deslocamento lateral C1 (pequeno).a)..1)): a) A forma reta é estável para P < Pfl = π2(EIy)/L2 b) Para P ≥ Pfl há duas possibilidades: a barra pode permanecer na forma reta inicial.2 1. uma vez atingida a primeira carga de flambagem. conforme figura 7.3 FIGURA 7.4. correspondentes a n = 2. semi-ondas senoidais. a linha elástica da barra é uma meia onda senoidal (figura 7. como ilustrado na figura 7.10) Integrando-se esta equação chega-se às seguintes conclusões (análogas às obtidas para o sistema barra rígida – mola rotacional (item 7.2 -0. A indeterminação da constante C1 (deslocamento lateral da seção central para n = 1) pode ser eliminada utilizando-se uma equação diferencial da linha elástica própria para grandes deslocamentos.7). ou assumir uma forma curva estável (w ≠ 0). em equlíbrio instável (w = 0). P = Pfl continua sendo a carga de flambagem da barra P/Pfl INSTÁVEL 1.8) Os demais valores de P.5 . respectivamente: w = C1sen(2πx/L) w = C1sen(3πx/L) etc.11) (7.5.13).b. dada por w = C1sen(πx/L) (7. dada por (7.0 0. dϕ/dx =1/Rz . pela expressão seguinte (válida para grandes deslocamentos).1 0. 3 etc.1 0. a peça comprimida perde sua estabilidade.3 -0. para as quais a linha elástica da barra seria constituída de duas.9) Tais cargas não têm interesse prático porque. Substituindo-se a primeira das equações (6. são cargas de flambagem superiores. (7.2 0.Prof. três etc.15): (d2w/dx2)/[1 + (dw/dx)2]3/2 = -My/(EIy) = -Pw/(EIy) (7.

em geral. módulo de elasticidade E e momento de inércia Iy em relação ao eixo Y.13) (7. para x = L. para x = L. w = 0 – como já visto no item anterior caso (b) – para x = 0. podem-se determinar as cargas de flambagem para outras condições de extremidade de uma barra.3 Barras sujeitas a força normal de compressão. w = 0.6.5 (f) FIGURA 7.d.12) .b e 7. as extremidades superiores podem se deslocar horizontalmente. w = 0 e dw/dx = 0 caso (d) – para x = 0. w = 0 caso (f) – para x = 0. Seja F a reação horizontal superior. P P P P P F w P X Z (a) µ=1 (b) µ=1 (c) µ=2 (d) µ=2 (e) µ=0. Na figura 7. com diversas condições de extremidade Com procedimento idêntico ao utilizado no item 7.6 As condições de extremidade para os seis casos da figura 7. para x = L.7 µ=0.2. para x = L. 7. cuja solução é (7. w = 0 e dw/dx = 0. w = 0 e dw/dx = 0.Prof. na situação deformada. Gilson Queiroz 75 Observação: barras sujeitas a força normal de compressão podem. Esta abordagem. Tem-se: d2w/dx2 = -My/(EIy) = -[Pw + F(L-x)]/(EIy) Fazendo k2 = P/(EIy). está fora do escopo deste curso. obtém-se a equação diferencial d2w/dx2 + k2w = F(x-L)/(EIy). w = 0 e dw/dx = 0.6 todas as barras têm comprimento L. w = 0. flambar por uma combinação de flexão e torção. dw/dx = 0 caso (c) – para x = 0. Nas figuras 7. para x = L.6. dw/dx = 0 caso (e) – para x = 0. entretanto. mas têm rotação impedida em torno de Y.6 são: caso (a) – para x = 0. w = 0 e dw/dx = 0 A título de exemplo considere-se o caso (e).

considerando-se os dois planos principais Da expressão 7. donde C1senkL . Para que haja solução não trivial é necessário que o determinante dos coeficientes das incógnitas se anule. Em outras palavras. donde C2 + FL/(k2EIy) = 0. C2 e a reação horizontal F são determinadas com as condições de extremidade: para x = 0.18) . 7.6 são dados os valores do coeficiente µ para os seis casos mostrados. para que sua carga de flambagem fosse mantida. corresponde à forma reta de equilíbrio.C2coskL = 0 para x = 0. w = 0.Prof. Todos os resultados podem ser escritos na forma: Pfl = π2EIy/(µL)2 (7.6 que o comprimento de flambagem é o comprimento correspondente a uma semi-onda senoidal. ao qual corresponde: Pfl = k2(EIy) = (4. Pode-se observar na figura 7.16EIy/L2 ≅ π2EIy/(0. sujeitas a compressão. C1 = C2 = F = 0.4 Carga de flambagem de barras com seção duplamente simétrica.7L)2 (7.16) Da mesma forma poderiam ser obtidas as cargas de flambagem para os outros casos. w = 0. o comprimento de flambagem é igual ao comprimento que a barra analisada deveria ter. O coeficiente µ é denominado coeficiente de flambagem e o produto µL é o comprimento de flambagem.49rd. Gilson Queiroz w = C1senkx – C2coskx + F(x-L)/(k2EIy) 76 (7. donde kC1 + F/(k2EIy) = 0 A solução trivial deste sistema de equações.17) Na figura 7. dw/dx = 0.14) As constantes de integração C1.49/L)2(EIy) = 20. isto é: 0 1 L/(k2EIy) 0 = 0 senkL -coskL k 0 1/(k2EIy) Desenvolvendo o determinante obtém-se: kL = tgkL (7.17 obtém-se a tensão de flambagem da barra: σfl = Pfl/A = π2E(Iy/A)/(µxzL)2 = π2E(ry2)/(µxzL)2 = π2E/(µxzL/ry)2 = π2E/λy2 (7.15) é atendida é kL = 4.15) O menor valor de kL para o qual a equação (7. na situação bi-rotulada. para x = L.

18 e 7.5 Validade das fórmulas de flambagem de barras comprimidas Como as expressões anteriores foram determinadas com base na linha elástica da barra deformada. (7. a barra flamba no plano correspondente ao maior índice de esbeltez (plano XZ se λy > λz. ditado pela própria resistência do material ao escoamento fy. determinada como no item anterior σP = limite de proporcionalidade do material (figura 7.20) (a) (b) λ .7. e a curva que dá σfl em CAMPO DE VALIDADE (7. a tensão final de flambagem.7 Para tensões superiores a σP o comportamento não é elástico e a tensão de flambagem não pode ser determinada como no item anterior. e plano XY se λz > λy). Basta então determinar o maior valor de λ e.19.19) 7. isto é.Prof. conforme item anterior. Para a flambagem no plano XY (flexão em torno do eixo Z). relativo ao eixo Y λy = µxzL/ry = índice de esbeltez no plano normal a Y (plano XZ) 77 O índice xz introduzido no coeficiente de flambagem µ indica que este coeficiente depende das condições de contorno no plano XZ. relativo ao eixo Z µxy = coeficiente de flambagem. Gilson Queiroz A = área da seção transversal ry = √(Iy/A) = raio de giração da seção transversal. sua validade depende da condição: σfl ≤ σP σfl = tensão final de flambagem. O valor da tensão de flambagem tem um limite superior. analogamente: σfl = π2E/λz2 λz = µxyL/rz = índice de esbeltez no plano normal a Z (plano XY) rz = √(Iz/A) = raio de giração da seção transversal. dependente das condições de contorno no plano XY A tensão final de flambagem é o menor dos valores dados por 7. obter-se-ia. em função dele.a) σ fy σP σfl fy σP ε FIGURA 7.

e a projeção do eixo deformado sobre o eixo indeformado (figura 7.17).7. realizado pela força externa Pfl. em equilíbrio na posição deformada.6 Método energético para a determinação da carga de flambagem Este método pode ser usado para outros casos de flambagem.15). da barra. obtém-se: (1/2)∫[(EIy d2w/dx2)2/EIy]dx = Pfl(1/2)∫(dw/dx)2dx.21).22) O deslocamento δ. que se mantém constante durante a realização do trabalho (figura 7. resultando: δ = (1/2)∫(sen2ϕ)dx = (1/2)∫(dw/dx)2dx Substituindo (7. para σfl > σP. de forma análoga à apresentada aqui para barras comprimidas. (My)2 = (EIy d2w/dx2)2 (7.8 Pela equação (6. Gilson Queiroz 78 função de λ. A energia de deformação da barra U. De acordo com a expressão (6.8). 7. tem-se. é igual à diferença entre o comprimento inicial L.Prof. donde: (7.24) (7. é igual ao trabalho Pflδ. devida ao momento fletor.8. do ponto de aplicação da carga externa. Considere-se a barra da figura 7. da linha elástica devida ao momento fletor My: d2w/dx2 = -My/(EIy). é geralmente estabelecida com base em dados experimentais (figura 7.b). ou seja.cosϕ)dx = ∫[1 – 1 + 2sen2(ϕ/2)]dx = 2∫sen2(ϕ/2)dx Para valores pequenos de ϕ.21) Z FIGURA 7. para flambagem no plano XZ (flexão em torno do eixo Y): U = (1/2)∫(My2/EIy)dx = Pflδ Pfl δ w dx C1 dx L ϕ X B A (7.24) em (7.8): δ = ∫(dx .22) e (7. sen(ϕ/2) = (ϕ/2) = (senϕ)/2.23) .dxcosϕ) = ∫(1 . sujeita à carga de flambagem Pfl.

w = C1sen(πx/L). Gilson Queiroz Pfl = [∫EIy (d2w/dx2)2dx]/[∫(dw/dx)2dx] (as integrais são de 0 a L) 79 (7. Observa-se que a derivada segunda d2w/dx2 da função escolhida é constante. donde aL2 + bL = 0 e b = -aL. ponto de máximo etc.25): Pfl = [∫EIy (2a)2dx]/[∫(2ax .25) pode-se determinar a carga de flambagem Pfl. a principal aplicação do método energético ocorre quando não se conhece a equação do eixo deformado. Então: dw/dx = (π/L)C1cos(πx/L) d2w/dx2 = -(π/L)2C1sen(πx/L) Substituindo estas expressões em (7. dw/dx = 0 (porque w é extremo) d2w/dx2 = 2a . adotar um polinômio do quinto grau para w.8). A carga aproximada de flambagem assim obtida será sempre igual ou superior à carga teoricamente correta. uma vez que o erro na definição de w equivale à introdução de vínculos inexistentes e consequente aumento de rigidez. A aproximação será tanto melhor quanto maior a proximidade entre a função escolhida w e a equação correta do eixo deformado. o que é incoerente com a expressão (7.6% no valor da carga de flambagem. w = ax5 + bx4 + cx3 + dx2 + ex + f. e impor as seguintes condições: para x = 0. desde que se conheça a equação do eixo deformado da barra w = w(x).25). Neste caso. w = 0. por exemplo. donde c = 0 para x = L.aL d2w/dx2 = 2a Substituindo as expressões de dw/dx e d2w/dx2 em (7. A título de exemplo. pode-se.25) Com a expressão (7. w = 0 e d2w/dx2 = 0 para x = L. considere-se a barra bi-rotulada da figura 7. Porém.87)/9.87EIy/L2 Considere-se agora uma função w dada pelo polinômio do segundo grau: w = ax2 + bx + c dw/dx = 2ax + b Condições de contorno: para x = 0. onde se vê que d2w/dx2 é nula quando w = 0 (extremidades) e assume um valor extremo quando w é máximo (centro). A equação correta do eixo deformado é.87 = 21.25) obtém-se a carga de flambagem teoricamente correta: Pfl = π2EIy/L2 = 9. Para melhorar a solução. w = 0.4. e aplica-se a expressão (7.). conforme (7.3).aL)2dx] = 12EIy/L2 Para a função polinomial escolhida ocorreu um erro de 100x(12 – 9.Prof. indicando que a escolha não foi boa. w = 0 e d2w/dx2 = 0 para x = L/2. elege-se uma função w que atenda às condições de contorno (e a outras condições conhecidas. como simetria. resultando: dw/dx = 2ax .

cada seção transversal sofre um deslocamento lateral v (devido a uma flexão em torno de Z) e gira de um ângulo de torção ϕ. mantendo-se a forma da seção. O corte A-A mostra o plano horizontal que passa pelo centro de gravidade da seção. como indicado na figura 7. Esta configuração é mostrada na figura 7. para o qual a viga pode assumir duas configurações (analogamente ao caso de flambagem devida à força normal de compressão): uma configuração sem deslocamentos na direção Y (como originalmente) e outra configuração com deslocamentos na direção Y.7 Flambagem lateral de barras de seção retangular sujeitas à flexão pura Considere-se uma barra de seção transversal retangular. sujeita a momentos nas extremidades.9 Existe um valor Mfl de M.88EIy/L2 (praticamente igual ao valor correto) 7. que é o modo de flambagem da barra.10 tem-se.25) obtém-se (ver exercício resolvido): Pfl = 9.Prof. pelos cortes A-A e B-B (ver também figura 7. As seções transversais extremas são impedidas de girar em torno do eixo X. substituindo tais expressões na equação (7. ϕ v X v y Y Mfl CORTE A-A Mt α x FIGURA 7.9.9). respectivamente (para pequenos deslocamentos): Y y Mfl Mz z Z A X M Z b Y h CORTE B-B . com a altura h maior do que a largura b.10. Gilson Queiroz 80 Com estas cinco condições pode-se expressar cinco coeficientes do polinômio em função do restante e obter expressões para dw/dx e d2w/dx2 em função deste coeficiente restante. B M A Z B L FIGURA 7. denominado momento de flambagem.10 Nos cortes A-A e B-B da figura 7. Na segunda configuração.

30): EIzd3v/dx3 = -Mfl2 (dv/dx)/(GIt). com (7.31) (7.30) (7.32) C1 = 0 A condição C2senkL = 0 é atendida para C2 = 0 (forma reta.31) é: v = C1 + C2senkx + C3coskx Da equação (7. que não produz momento fletor na barra indeformada.27): EIzd2v/dx2 = -Mflϕ Derivando-se (7.16). Sob a ação das cargas transversais ao eixo da barra.Prof. Gilson Queiroz Mt = Mflsenα = Mfldv/dx Mz = -Mflsenϕ = -Mflϕ 81 (7. aumentando a deformação.33) Com as condições de contorno v = 0 e ϕ = 0 para x = 0.27) De acordo com a equação (4.11 . donde Mfl = (π/L)(EIzGIt)1/2 (7. Substituindo em (7.26) (7. uma vez que C1 e C3 são nulos) e para senkL = 0 (condição de flambagem).29) (7.32) (7. o eixo se deforma e a força P. Substituindo em (7.29) em relação a x: EIzd3v/dx3 = -Mfldϕ/dx Substituindo (7.34) (7. v = 0 e ϕ = 0 para x = L.33) C3 = 0 C2senkL = 0. sendo θ = dϕ/dx (para variação não linear de ϕ com x).8 Barras sujeitas a flexão e a força normal de compressão A barra da figura 7. Da condição de flambagem obtem-se o menor valor de kL e. F1 F3 F2 F4 X x Z P w FIGURA 7. do momento de flambagem Mfl: kL = π k2 = Mfl2/(EIzGIt) = (π/L)2.30).28) 7. obtem-se: com (7.26): GItdϕ/dx = Mfldv/dx De acordo com a equação (6.28) em (7. consequentemente. Mt = GItθ.11 tem seção transversal simétrica em relação ao eixo Z e as cargas atuam no plano XZ. Mz = EIzd2v/dx2. ou d3v/dx3 + k2dv/dx = 0 sendo k2 = Mfl2/(EIzGIt) A solução da equação diferencial (7.29): ϕ = (-EIz/Mfl)d2v/dx2 = (-EIz/Mfl)(-C2k2senkx – C3k2coskx) (7. passa a produzir quando o eixo se deforma.

39) em (7. donde My = (-q/k2)[(coskL – 1)senkx/senkL – coskx + 1] Particularmente.35) Na equação (7. a solução particular procurada é: w* = [q/(2k4EIy)](k2x2 – Lk2x – 2) A solução completa (7. w = 0. obtem-se: 2a + k2c = 0 k2b = -qL/(2EIy) k2a = q/(2EIy). donde a = q/(2k2EIy) b = -qL/(2k2EIy) c = -q/(k4EIy) Assim.43) (7. d2w*/dx2 = 2a Substituindo (7. Fazendo P/(EIy) = k2.38) e (7. obtem-se: d2w/dx2 + k2w = -Mytr/(EIy) (segundo membro nulo) com uma solução particular w* da equação não homogênea: w = C1senkx + C2coskx + w* (7.39) (7. que as cargas transversais fossem uma carga uniformemente distribuída q em toda a viga (no sentido de Z) e que esta viga fosse bi-apoiada.35) tem-se Mytr = momento fletor devido apenas às cargas transversais ao eixo da barra (independente de w para pequenos deslocamentos). obtem-se: 2a + k2(ax2 +bx +c) = -[(qL/2)x – qx2/2]/(EIy) Estabelecendo a igualdade dos coeficientes dos termos do mesmo grau nos polinômios do primeiro e do segundo membro.35) My = -EIyd2w/dx2. finalmente: w = [q/(k4EIy)][(1 – coskL)senkx/senkL + coskx + (1/2)(k2x2 – Lk2x – 2)] Conforme (7.Prof.41) (7.37) (7. Considere-se.37) torna-se: w = C1senkx + C2coskx + [q/(2k4EIy)](k2x2 – Lk2x – 2) Condições de contorno para viga bi-apoiada: para x = 0 e x = L.36) A solução desta equação diferencial é igual à soma da solução geral da equação homogênea A solução particular depende da expressão de Mytr em função de x. por exemplo. resulta.15) tem-se d2w/dx2 = -My/(EIy) = -(Mytr + Pw)/(EIy) (7.40) (7. Neste caso: Mytr = (qL/2)x – qx2/2 (polinômio do segundo grau) Tomando w* também como um polinômio do segundo grau: w* = ax2 +bx +c. donde: C2 = q/(k4EIy) C1 = [q/(k4EIysenkL)](1 – coskL) Substituindo as constantes C1 e C2 em (7.42) (7. como na figura (7. para x = L/2 obtêm-se a maior flecha w e o maior momento My: wmax = [q/(k4EIy)][(1 – coskL)sen(kL/2)/senkL + cos(kL/2) + (1/2)(-k2L2/4 – 2)] (7.38) .36).41).11). Gilson Queiroz 82 De acordo com a equação (6.

47) (7. que permite determinar a flecha ou o momento. devida a Timoshenko. P/Pfl = 0. Existe uma expressão aproximada. donde k = (π/L)α1/2. pode-se escrever: w = wmaxsen(πx/L) e w* = w*maxsen(πx/L) Substituindo estas expressões de w e w* em (7.34 vezes a flecha devida à carga q. para o momento máximo: Mymax = M*ymax /(1 – P/Pfl) (M*ymax = momento máximo para P = 0) Aplicando-se as equações (7. igual a 3. com P = 0 (5qL4/(384EIy)) Mymax = 0.47) podem ser aplicadas a outros casos de cargas e vinculações. os valores de wmax e Mymax seriam: wmax = qL4/(23EIy).333M*ymax (7. De acordo com a equação (6.45) Admitindo-se que o eixo deformado da barra. para P ≠ 0. para P = 0.11. igual a 3. em função dos valores correspondentes.46) e (7. donde wmax [1 .41 vezes o momento devido à carga q. no plano XZ). As expressões (7.15) tem-se: d2w*/dx2 = -Mytr/(EIy) Eliminando Mytr entre as equações (7.Pw/(EIy) (7.47) ao exemplo anterior (barra bi-rotulada com carga uniformemente distribuída. tanto para P ≠ 0 quanto para P = 0. Por exemplo.P/(π2EIy/L2)] = w*max.44) Observa-se que tais resultados são muito próximos dos exatos. obtem-se: wmax = 3. com P = 0 (qL2/8) Pode-se mostrar que quando a carga P tende para Pfl (α = 1) tanto a flecha quanto o momento fletor tendem para infinito.35) e (7. Seja w* o deslocamento de um ponto qualquer da barra da figura 7. obtem-se: d2w/dx2 = d2w*/dx2 . .Prof. tem-se k2 = P/(EIy) = απ2/L2.44).45). para α = 0.46) e (7. ou wmax = w*max/(1 – P/Pfl) De maneira análoga obtem-se. com a devida correção da carga de flambagem.426qL2. para P = 0.333w*max Mymax = 3.7. obtem-se: -wmax (π/L)2sen(πx/L) = -w*max (π/L)2sen(πx/L) – Pwmaxsen(πx/L)/(EIy). Gilson Queiroz Mymax = (-q/k2)[(coskL – 1)sen(kL/2)/senkL – cos(kL/2) + 1] 83 Fazendo P = αPfl = απ2EIy/L2 (π2EIy/L2 = carga de flambagem da barra bi-rotulada simplesmente comprimida. seja uma meia onda senoidal.7).46) (7.

Equações de equilíbrio do elemento de dimensões L.13.b). 7. atua a força normal circunferencial de compressão (fig.12 – TUBO INDEFORMADO Quando a pressão p atinge determinado valor. após a flambagem (figs.48) p ds R No t<<R No t (a) (b) L R FIGURA 7.13. o tubo flamba.50) (7. 7.12. Gilson Queiroz 84 7. ds.12.c): (I) (II) (III) pdsL + dQ – (No + N)dϕ = 0 (direção radial) dN + Qdϕ = 0 Qds + dM = 0 p Q M No + N (7.b e 7. além disto.Prof. em um elemento de tubo com dimensões L (longitudinal) e ds (circunferencial). conforme cap. 7.b): No = σotL = pRL p (7. Assim. perdendo sua forma circular (fig.a) tem-se uma tensão de compressão σo = pR/t.13. 7.b).49) (7. devida à pressão externa.13.a) e surgem momento fletor e força cortante nas seções normais a ds (fig. 7.13 – TUBO DEFORMADO . 7. a força normal não é mais constante (fig.51) (direção circunferencial) (momentos em relação a o) ds L M+dM No+ N+ dN dN P o direção circunf.9 Flambagem de tubos de pequena espessura sujeitos a pressão externa (para ν = 0) No tubo indeformado (fig. t ρ (a) (b) dϕ Q + dQ direção radial (c) FIGURA 7. 3.13.

de acordo com 6.52) Nesta equação.56) com I = Lt3/12 ∴ N = M/R + D (7.Prof. Para isto é necessário que: (7.57). como χ é o inverso do raio de curvatura: M = EIχ Assim.55) ∴ dQ/ds = -d2M/ds2 (7.1/R) + (1/R)(dQ/ds) – N/(Rρ) = 0 (7.48) e levando em conta que ds = ρdϕ. a eq (7.54) (7. (7. em (7.60) é χ = C1 R/(k2EI) + C2sen(ks) + C3cos(ks) acrescido de 2πR.52) fica: -qχ + (1/R)(dQ/ds) – N/R2 = 0 Da equação (III): Q = -dM/ds Das equações (II) e (III): dN = -Qdϕ = -Qds/ρ = dM/ρ Considerando novamente ρ ≅ R no início da flambagem: dN ≅ dM/R onde D é uma constante de integração Adicionalmente. Fazendo pL = q e considerando ρ ≅ R no início da flambagem.(EI/R)(d2χ/ds2) .1/R) é a curvatura χ (ou o inverso do raio de curvatura) associada ao momento fletor M.13.EIχ/R3 – D/R2 = 0 Fazendo D/R2 = -C1 : (q + EI/R3)χ + (EI/R)(d2χ/ds2) = C1 Dividindo os dois membros desta equação por EI/R. respectivamente.57) (7. Gilson Queiroz 85 Substituindo em (I) o valor de No dado por (7.58) (7. obtém-se: d2χ/ds2 + k2χ = C1R/(EI). (1/ρ .59) (7. obtém-se pdsL + dQ – (pRL + N)ds/ρ = 0 Dividindo-se esta equação por Rds: -pL(1/ρ .EI(d2χ/ds2) e (7. seu valor não se altera se s for (7.62) A curvatura χ dada por (7.60) ( 7. isto é.55) fica: N= EIχ/R + D Substituindo dQ/ds e N dados pr (7.62) tem periodicidade.56) e (7. onde k2 = qR/(EI) + 1/R2 A solução de (7.61) (7.53): -qχ .53) .54) fica: dQ/ds = .