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PROCESSAMENTO PRIMÁRIO DO PETRÓLEO/TRATAMENTO DO ÓLEO

1. Introdução

Segundo Thomas (2001), a nomenclatura petróleo vem do latim petra(pedra) e oleum (óleo) e em estado líquido é uma substância oleosa, inflamável,com densidade inferior à da água, com cheiro característico e cor variando entre onegro e castanho-escuro. O petróleo é formado por várias substancias e a proporção entre os componentes varia de acordo com tipo óleo. Thomas (2001,p.4) descreve:
O petróleo é constituído, basicamente, por uma mistura de compostos químicos orgânicos (hidrocarbonetos). Quando a mistura contém uma maior porcentagem de moléculas pequenas seu estado físico é gasoso e quando a mistura contém moléculas maiores seu estado físico é líquido, nas condições normais de temperatura e pressão.

A ANP (2000), define o óleo como qualquer hidrocarboneto líquido no seu estado natural.
Toda mistura de hidrocarbonetos existentes na fase líquida nas condições originaisde reservatório e que permanece líquido nas condições normais de pressão etemperatura na superfície, possuindo viscosidade absoluta menor ou igual a 10.000centipoises, medida nas condições de temperatura original do reservatório epressão de superfície”.

A

constituição

do

petróleo

é

fundamentalmente

uma

mistura

de

hidrocarbonetos(compostos químicos orgânicos), do qual o estado físico do petróleo vai variar de acordo com o tamanho das moléculas. No estado gasoso, as moléculas são pequenas e no estado líquido asmoléculas são maiores. Outras substâncias estão presentes na composiçãodo petróleo em menor quantidade como o enxofre, nitrogênio, oxigênio e metais. Divide-seem duas fases

Esse estágio tem a participação. A Indústria do petróleo A cadeia que gira em torno do petróleo que passe pelas etapas de localização.br/pergamum/tesesabertas/0116493_03_cap_02.dbd. produção. constituição. 3. principalmente.diferentes: a fase líquida (óleo) e a fase gasosa (gás) e tem-se ainda afase mista1. processamento e distribuiçãodos hidrocarbonetos presentes rocha reservatório no interior da terra. transporte.puc-rio. Figura 01: As Cinco Atividades Básicas da Indústria do Petróleo. 02. . Exploração Inicialmente é feito uma investigação através da observação das rochas e formação que afloraram ao longo do tempo. e que fazem parte de um determinada área produtora. A Indústria de Petróleo 2. de geólogos que estudam a origem.pdf> Acessado em: 31 de maio de 2013. que é representado pelo gás dissolvido no óleo e a água emulsificado em óleo. formação e os vários fenômenos que interferem por bilhões de anos nas transformações da Terra. estabelecem as cinco atividades básicas da indústria do petróleo. 1 Disponível em: <http://www2.

equipamentos. Explotação (Perfuração e Exploração) 4.e a Geofísica. Figura 03: Sondas de Perfuração On-Shore e Off-Shore . sistemas. Figura 02: Seções Geológicas e Sísmicas 4. ferramentas e operações adequadas aos padrões de segurança para todas as pessoas envolvidas e a preservação do meio ambiente.1 Perfuração Essa etapa exploratória do campo petrolífero corresponde a perfuração a posterior produção em que engloba várias técnicas. que estuda os fenômenos puramente físicos do planeta que usam diversos métodos e técnicas para não só atestar a existência do reservatório más também se a viabilidade econômicaparaextraí-lo.

sendo necessário a construção de . entre outros. ou seja. oriundos da rocha reservatório provenientes da recente explotação. (óleo. querosene. água econtaminantes). Figura 04: Fluxograma do Refino do Petróleo. resultando assim em uma vasta gama deprodutosderivados de petróleo já citados acima. próximos aos terminais distribuidores ou ao consumidor final. que compõem o mais relevante exemplo de produção contínua de multiprodutos. cujo insumo é o gás úmidoou gás não associado. glp. Daqui em diante obteremos o óleo “pronto” para as fases de transformação e retirada dos mais variados produtos conhecidos como derivados do petróleo. naftas. e outra na REFINARIA de PETRÓLEO. As refinarias geralmente processam um ou mais tipos depetróleo.4.O processo de refino acontece através de uma UPGN (Unidade de Processamento do Gás Natural).2 Refino Como parte muito importante. esta etapa do processo incide no tratamento da mistura de hidrocarbonetos. gás. asfalto.3 Transporte Em síntese os campos petrolíferos não são localizados. 4. óleo diesel. gasolina.

ou seja: . aquecimento e os vasos separadores. a produção concomitantemente de gás. é habitual achar o gás natural presente nas partes mais altas do interior do reservatório. isso acontece em função da distinção de densidade e da imiscibilidade entre os estágios. -Tratamento da água para reinjeção ou descarte.muitas das vezes. e o petróleo (óleo) e a água salgada preenchendo as seções mais baixas. e análises de viabilidade técnico-econômica (EVTE). portos e tubulações (oleodutos/gasodutos). através das análises feitas no reservatório. o “processamento primário dos fluidos”. Para Thomas(2001. Processamento primário de fluidos: tratamento do óleo Em um campo de petróleo acontecem. A separação e o tratamento acontece ao longo de um perímetro ordenado em etapas. Segundo Souza Filho (2004 apud Diuiane Gomes Justino. 2010). 4. que são instalações destinadas a efetuar. de acordo com seus elementos.apenas os hidrocarbonetos geram lucro sendo indispensável retirar a água e ele fala sobre como isso deve ocorrer: Como o interesse econômico é apenas na produção de hidrocarbonetos.vias de escoamento que podem ser rodovias.p.4 Distribuição 5. do gás e da água com as impurezas em suspensão. óleo e água ligadamente a impurezas. ferrovias. sob condições controladas. -Tratamento ou condicionamento dos hidrocarbonetos para que possam ser transferidos para as refinarias. há necessidade de dotar os campos de “facilidades de produção”.Separação do óleo. .255). produtos químicos. Tudo isso é feito antes do refino.De acordo com a pressão e com o local em que esteja o petróleo acumulado.

5. e os métodos de recuperação usados (injeção de água. De acordo com Thomas (2004.  Tipo 3: com separação trifásica. a idade dos poços produtores (comumente a quantidade de água produzida. A partir das informações colocadas iremos nos ater apenas ao alvo de estudo deste trabalho que é o tratamento do óleo. passa por um tratamento para diminuir a porção de água emulsionada ainda existente e para tirar sais.O volume de água que sai do reservatório junto com hidrocarbonetos varia em função de uma série de elementos. causando um maior custo operacional.  Tipo 2: com separação bifásica. Sendo os tipos de unidades divididos em 4 (quarto) tipos:  Tipo 1: sem separação de fluidos. vapor). Eles são corrosivos. aumenta ao longo do tempo).  Tipo 4: com separação e tratamento do óleo. microorganismo e gases que acham-se dissolvidos no óleo. 262). até a sua entrada nas refinarias. que apresenta maior mobilidade que o óleo. superdimensiona as instalações e equipamentos.1 Tratamento do Óleo O óleo em seguida surgi dos separadores. então as suas remoções são necessárias para a preservação das tubulações e tanques que esse óleo irá percorrer. tais como:as características do reservatório. .por isso não entraremos em questões relacionadas ao tratamento da água ou do condicionamento do gás.é definido o tipo de estação a ser implantada no que se refere ao processamento primário de fluidos. o principal problema é a remoção de água emulsionada. além de ser bastante salina (pH normalmente menor que 7). p. a água presente no encadeamento de produção é um dos fluidos mais indesejados. a exemplo das bombas. que também contém os sais dissolvidos e alguns sedimentos inorgânicos A água. No sistema de óleo.

as gotículas começam a coalecer.262). que continua emulsionada.1 ADIÇÃO DE DESEMULSIFICANTE O desemulsificante é um produto químico que desloca os emulsificantes naturais da superfície das gotas. Após a quebradas películas. transporte e refino. tanques. a presença de água associada ao petróleo provoca uma série de problemas nas etapas de produção. linhas.).Ainda segundo Thomas (2004. Geralmente.1. A desestabilização dos agentes emulsificantes é de fundamental importância para que possamos através dos diferentes processos observarmos as emulsões formadas. a partir dadiferença de densidade entre as fases. Reduz o tempo/custo de manutenção e consumo de produtos químicos. . Com a chegada do o petróleo a superfície através dos dutos a maior parte da água que vem junto a ele é separada pela simples decantação nos vasos separadores.essa desestabilização é realizada adicionando-se calor ou química na mistura. de maneira simplificada. os líquidos começam a se separar. portanto: Proporciona um tempo de operação mais longo das diversas unidades e equipamentos. Com certo tempo em repouso as gotas coalescem. Segurança operacional (problemas de corrosão e/ou incrustação). Existem diferentes métodos para a quebra das emulsões. p. permitindo a coalescência das gotas. Na produção e transporte os maiores inconvenientes estão ligados a:  Necessidade de superdimensionamento de instalações de coleta. Agitação moderada ou aplicação de campoelétrico auxiliam este processo. armazenamento e transferência (bombas. etc. Para mover o remanescente da água. é fundamental a utilização de processos físicos e químicos que amplie a velocidade de coalescência. as mais utilizadas são: 5. A figura 05 ilustra. A eliminação da água. este mecanismo.     Maior consumo de energia.

. que acabam por produzir gotas de maior tamanho aumentando velocidade (taxa) de sedimentação das gotas de água dispersas. desestabilizando a emulsão. Por fim. Posteriormente.Primeiramente.2 AQUECIMENTO O tratamento termoquímico baseia-se na quebra de emulsão através do aquecimento. geralmente na faixa de 45° a 60° C. • diminui a rigidez do filme interfacial. facilitando a chegada do desemulsificante na superfície das gotas. aumentando o tamanho 5. desagregando as fases água e petróleo. pelo aumento do movimento browniano. • facilita a drenagem do filme intersticial. por segregação gravitacional Figura 05: Esquema da quebra da emulsão pela ação do desemulsificante. o aquecimento também: • aumenta a difusibilidade do desemulsificante no meio. Além da influência sobre a viscosidade. as gotas se coalecem (aproximam-se) gotas . • aumenta a taxa de colisão entres as gotas. Estes equipamentos de separação são vasos de alta capacidade com aquecimento.1. facilitando a ruptura do filme e a coalescência das gotas. um desemulsificantes os apropriado chega à interface e remove mulsificantes naturais. Em alguns casos o próprio tanque de lavagem apresenta um sistema de aquecimento e opera como tratador de óleo. ocorre a sedimentação das gotas de água.

ocorre a formação de um dipolo induzido (figura 06). as gotas alinham-se na direção do campo elétrico e ocorre a formação de dipolos induzidos de sentidos contrários que se atraem (figura 07). pois amplia a probabilidade de choque entre as gotas.3 AUMENTO DO TEOR DE ÁGUA À medida que cresce o quantidade de água na emulsão. Figura 06:Gotículas na emulsão do tratamento eletrostático (Formação de dipolo induzido). na direção do campo elétrico.1. Com o aumento da população de gotas na emulsão. A polarização da gota faz com que ocorra seu alongamento.4 USO DE CAMPO ELÉTRICO Quando uma gota de água é sujeito a um campo elétrico acentuado.5.1. aumenta a universo de gotas de água. Esse crescimento é acompanhado de maior proximidade e do aumento e do tamanho das gotas. o sistema disseminado torna-se mais instável. 5. requisito primordial para que ocorra a coalescência. Quando várias gotas se encontram vizinhas umas às outras. Essa atração gerada faz com que se aumente a taxa de colisão e de .

as gotas seguem até a região entre as placas energizadas e adquirem a carga da placa mais próxima. favorecendo a coalescência das gotas. poderá haver o alongamento demasiado das gotas. devido à curta duração do ciclo. Devido ao uso de corrente alternada. Alternativamente. Desta maneira. com o uso de corrente alternada (AC) e freqüência elétrica entre 50 Hz e 100 Hz. pode-se também utilizar corrente contínua (DC) para promover a coalescência das gotas. Entretanto. se a gota de água for submetida à intensidade de campo elétrico muito elevado. No campo elétrico puramente AC. ocasionando sua ruptura e a formação de gotas de menores tamanhos. que causam a dessorção de parte dos emulsificantes naturais. o filme interfacial fica submetido a vibrações longitudinais. Neste caso. sendo então aceleradas em direção à placa com carga oposta (figura 24). o comportamento senoidal do campo elétrico faz com que as gotas sofram alongamentos e contrações sucessivas.2 kV/cm e 2 kV/cm. da ordem de 4 kV/cm. É por isso que o gradiente de tensão não deve superar seu valor crítico. colidindo com outras gotas e coalescendo. Em um tratador convencional AC o movimento é praticamente inexistente.O processo de desidratação eletrostática utiliza densidade de campo elétrico entre 0. Por causa da polaridade constante do campo DC. nenhuma carga é fornecida às gotas de água: a coalescência depende somente atração causada pela polarização das gotas . há tempo para as gotas de água migrarem entre os eletrodos. dando origem a gotas maiores que serão capazes de sedimentar sob ação da gravidade.

a preocupação com mecanismos e processos que procura o desenvolvimento na área industrial do petróleo deve ser maior. evitando problemas ocasionados pelos mesmos. com isso se tem uma produção de óleo cru com BSW bem elevado. O tratamento evita todo esse transtorno. como métodos que possam adiantar o processo de coalescência das gotículas. os custos de transporte. ou seja. e reduz o custo de produção. Os métodos atuais utilizados atendem as expectativas. certamente seriam maiores que os realizados hoje em dia pois os cuidados em linhas. sedimentos. dificultando mais o processamento primário do petróleo e aumentando os custos de produção. retirando as parcelas de água. e gases indesejáveis como o H2S. e equipamentos aconteceriam em tempos inferior e a o tempo de duração desses equipamentos diminuiriam drasticamente. porém como toda atividade que visa crescimento. . devido sua importância. Acredita-se que esse setor na indústria de petróleo e gás tende a evoluir tecnologicamente no decorrer dos anos. e com poços cada vez mais maduros. consequentemente uma maior quantidade de emulsões formadas. Por isso novas pesquisas devem ser elaboradas. estar propício a novas ideias e buscar conhecimentos e pesquisas a fim de criar projetos que sejam capazes de aprimorar os procedimentos usados atualmente.CONCLUSÃO O tratamento que acontece nas emulsões no processamento primário do petróleo é imprescindível no trato de hidrocarbonetos. sempre buscando melhorias. lucro e eficiência. Se o óleo não passasse pelo tratamento ao deixar o reservatório. métodos de elevação que proporcionem menor agitação e possam produzir o óleo sem favorecer a constituição de emulsões. armazenamento e refino.

Explotação.univen. Universo do Petróleo e Gás.gov.ufrn.br/pergamum/tesesabertas/0116493_03_cap_02.br/wp-content/uploads/2013/03/universo_pet_02. Disponível em: <http://www.pdf O Processamento Primário de Fluidos. Disponível em: <http://www.com.Universidade Federal do Rio Grande do Norte.blogspot. número 02.com.nupeg.edu.2000.br/NXT/gateway.pdf> Acessado em: 30 de maio de 2013.br/downloads/deq0370/curso_refino_ufrn-final_1.br/content/ABAAABZ0gAG/explotacao?> Acessado em: 30 de maio de 2013.ebah. Refino de petróleo e petroquímica . Disponível em: <http://nxt.dbd. Disponível <http://site. DE 21. Disponível em: <http://camposmarginais.htm&sync=1&vid=anp: 10.anp.wikipedia.puc-rio. Disponível em: <http://pt.dll/leg/folder_portarias_anp/portarias_anp_tec/20 00/janeiro/panp%209%20202000. em: .xml?f=templates$fn=default.1.pdf> Acessado em: 29 de maio de 2013.org/wiki/Mistura> Acessado em: 30 de maio de 2013.BIBLIOGRAFIAS MISTURA. Conceitos Básicos Relacionados à Petróleo.1048/enu> Acessado em: 30 de maio de 2013. AGÊNCIA NACIONAL DO PETRÓLEO E GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEPORTARIA ANP N°9.html> Acessado em: 30 de maio de 2013.br/2012/07/o-processamento-primario-defluidos. Disponível em: <http://www2.NUPEG .