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MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Departamento de geologia – DEGEO Disciplina de petrologia ígnea

Magmas formados por fusão de Metapelitos.

Aluno: Janiheryson Felipe de Oliveira Martins João Paulo Silva da Rocha

Docentes: Dr. Antonio Carlos Galindo Dr. Marcos Antonio L. Nascimento Dr. Zorano Sergio de Souza

Natal, dezembro de 2012

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.........................................04 2 ...Locais de ocorrencia dos granitos Tipo-S......................................Conclusão..17 Referências Bibiográficas...........................................14 5 .........................................................................................Composição química e quimiografia das rochas peliticas..............................................MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS SUMARIO Introdução.......05 3 .......................................................................Processos de formação do magma a partir de metapelitos...................................06 4 ..................Características das rochas pelíticas.................................Caracteristicas do magma gerado a partir de metapelitos..........................03 1 ...............16 6 ..18 2 ....................

do qual trata essa trabalho. que ainda conserva porções da rocha inicial imersos no liquido granítico neoformado. quando essa fusão avança a rocha inicial é completamente fundida dando origem a uma magma granítico que ira se cristalizar dando origem as rochas graníticas do tipo-s. nos processos de deposição convencionais. o processo de fusão é denominado de anatexia. Uma fusão pacial dessas rochas da origem a uma rocha metamórfica chamada de migmatito. onde as temperaturas seriam suficientemente altas para que ocorresse a fusão dessas rochas. Para que esse processo venha a ocorrer é necessário que a rocha protólito seja exposta a temperaturas e pressões maiores que as iniciais quando a rocha estava em equilíbrio. Em se tratando de rochas sedimentares sabe-se que essas se formam em superfície.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS INTRODUÇÃO O magma formado pela fusão de uma rocha. refletirá a composição global da rocha que sofreu fusão. seja ela ígnea. desta feita essas rochas devem descer aos níveis mais profundos da crosta. 3 . sedimentar ou metamórficas.

a quantidade de ferro total também é significativo. Essas rochas são depositadas em ambientes de baixa energia. este fato não ocorre em rochas de composições mais anidras.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS 1 . Quartzo ocorre em proporções modais entre 10-30% volume na rocha. em forma de cimento silicoso. Essa quantidade elevada de água é um aspecto positivo. .7% em peso de CaO ou inferior a isto).CARACTERÍSTICAS DAS ROCHAS PELÍTICAS As rochas pelíticas são caracterizadas por uma granulometria muito fina (geralmente <2 mm). Muscovita e paragonite de origem detrítica ou autigênica também são um importante grupo de minerais e contribuir para a composição da rocha. O teor de cálcio é extremamente baixo (0. Grande parte ou a maior parte desse quartzo é detrítico ou autigênico.4% em peso) e álcalis (4% em peso). porque pode-se esperar que a H2O libertado durante metamorfismo ajuda a manter o equilíbrio químico das assembleias minerais durante a recristalização. Nessas rochas a quantidade de alumínio é muito elevada. podendo também ocorrer. Sendo assim pode-se concluir que também existam quantidades de ferro e magnésio na composição global da rocha. A mineralogia de argilitos e folhelhos é dominada por minerais de argila. como a montemorilonita. também 4 . que compõem os argilitos e folhelhos.6% em peso de Al 2O3. os filossilicatos acima geralmente representam cerca de 50% do volume da rocha. que juntas representam uma grande parcelas das rochas sedimentares. cerca de 10% em peso. em planícies de inundação e ambientes semelhantes de baixa energia. rochas ultramáficas e máficas. Em conjunto. desta forma esses sedimentos são depositados em águas profundas. Portanto a progressão do metamorfismo de sedimentos pelíticos e posterior formação de magmas graníticos por fusão total começa com rochas em um estado de máxima hidratação. onde é possível a precipitação dos sedimentos finos a muito finos. Porem uma peculiaridade dessas rochas são que elas apresentam uma quantidade elevada de água é com cerca de 5 mol de H2O/kg rocha (juntamente com um elevado Al2O3) e um elevado teor de argila. esmectita e caolinita. com 16. a rocha também possui quantidades moderadas de MgO (3. em lobos de extravasamento. como por exemplo. composta basicamente por argilas e em menor quantidade por siltes.

matéria orgânica e carbonatos em outros. por volta dos 200°C e aproximadamente 6 km de profundidade. apenas.3). tais como esmectita são substituídos por ilita (um mineral precursor das micas brancas de potássio) e clorita. etc) em alguns folhelhos ocorre a presença de sulfetos.COMPOSIÇÃO QUÍMICA E QUIMIOGRAFIA DAS ROCHAS PELITICAS Reações e assembleias minerais em metapelitos podem ser discutidas por meio de subsistemas químicos simples. que influenciam nas reações oxiredox para formação das novas assembleias minerais. A matéria carbonática e orgânica sofrem uma série de reações. diminuir progressivamente com o soterramento e compactação. de perda de H2O. fato que reduz a quantidade de água presente nesses poros. que pode ser de mais de 50%. os componentes principais ocorrem na seguinte ordem de abundância: SiO 2. Al2O3. A ilita aumenta progressivamente com o aumento da temperatura e da pressão. FeO. que culminam por destruir os compostos orgânicos para a formação do grafite ou são completamente transferidos para os voláteis.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS podem conter quantidades menores de feldspatos já que essas são intemperizados mais facilmente. Este sistema com 10 componentes pode ser subdividido em subsistemas manejáveis. MgO. A porosidade das argilas. sendo assim. Tendo como referencia a composição média de argilas pelágicas (Tabela 2. Minerais originais de argila. 5 . mesmo assim alguns folhelhos conservam parte da água em seus poros ate o inicio do metamorfismo. 2 . goethita. A Refletância da matéria orgânica também é usado como um indicador sensível do perfil de temperatura durante a diagênese e metamorfismo incipiente. com a exceção. sob condições de redução e oxidação respectivamente. Outro aspecto importante na composição dos pelitos que deve ser levado em consideração é a presença de óxidos e hidróxidos de Ferro (hematita. Fe2O3. K2O. A composição química da rocha permanece mais ou menos inalterados durante os processos pré-metamórficos. CaO. Durante a diagênese e compactação os pelitos primários sofrem mudanças químicas e mecânicas significativas. como CO2 ou CH4. Na2O. H2O. TiO2.

Nas condições ambientais nos quais as rochas sedimentares são formadas seria impossível a ocorrência de uma fusão. para que haja a formação de um magma é necessário que o material sedimentar desça a porções mais profundas da crosta. As composições de metapelite são muitas vezes aproximados a um sistema de seis componentes. seja ela parcial ou total. onde teria a pressão e temperatura suficientes para o inicio da fusão. Este sistema pode ser representado graficamente em diagramas de AFM tal como mostrado na figura 2. mas antes de fusão total da rocha esta passa por etapas que caracterizam os processos metamórficos. componentes esses que incluem as seis óxidos mais abundantes citados acima e representa a quantidade de ferro total como FeO e não Fe2O3. O sódio é principalmente armazenada em feldspato (Ab) e paragonite.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS Tabela 1. 3 .1 – Exibe a composição média de alguns tipo de rochas sedimentares em teores de seus óxidos mais abundantes. pois não haveriam condições de pressão e temperaturas. sendo assim.PROCESSOS DE FORMAÇÃO SEDIMENTOS METAPELITICOS. com o aumento DO MAGMA A PARTIR DOS 6 . onde destaca-se a composição dos sedimentos pelíticos/pelágicos na terceira coluna.

o leucossoma. e a mais jovem constitui granitóide. Apresenta porções metamórficas. Se o grau de fusão que a rocha foi exposta foi muito alto. nesta fácies começa-se a fusão parcial da rocha. cristalizadas a partir do material fundido. que contém os minerais escuros como biotita. de aparência xistosa é denominada paleossoma. A porção mais antiga. Por exemplo no inicio do processo de subducção tem-se o inicio do metamorfismo com a formação de minerais estáveis da fácies zeolita. mistura entre o leucossoma e o melanossoma. com a progressão a assembleia anterior se desestabiliza para a formação de minerais da fácies pumprenita-prehmita. Distingue-se também no neossoma.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS progressivo da pressão e da temperaturas ocorrera o formação de novos minerais estáveis naquelas condições. a parte mais clara. e é denominada de neossoma. pois a rocha terá uma aparência típica de um granitoide ígneo. com o aumento do grau metamórfico tem-se a formação dos minerais estáveis da fácies xisto verde/azul. a continua progressão produz minerais da fácies ambilitos e posteriormente essas assembleia se desestabiliza para a formação de minerais da fácies granulito. quando então ocorrem processos de fusão parcial. rica em quartzo e feldspato e ainda o melanossoma. caracterizado pela formação das rochas migmatiticas que trata-se de uma rocha híbrida gerada em temperaturas muito elevadas. desenvolve-se nos limites da transição para o campo de geração das rochas ígneas. neste caso estamos diante de um processo de anatexia. fusão total da rocha 7 . e porções ígneas. hornblenda e outros e o mesossoma. então torna-se difícil reconhecer o migmatito.

MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS Figura 1 – Exibe o ciclo das rochas e mostra que para que uma rocha sedimentar se funda totalmente para a formação de uma rocha ígnea é necessário que essa para pelos processos metamórficos. A anatexia sin-colisional ocorre mais facilmente na presença de uma crosta relativamente quente e/ou sob condições de saturação em água. O primeiro modelo é compatível com os modelos tectônicos existentes na literatura para este segmento do cinturão. Dois modelos tectônicos são discutidos para a geração destas rochas: um modelo envolvendo duplicação crustal inicial (tipo Alpino-Himalaiano) e outro sem espessamento crustal significativo. num intervalo de parâmetros físicos normais. o ápice térmico é alcançado após a tectônica compressiva e a duplicação crustal. sob condições metamórficas compatíveis com as fácies anfibolito alto a granulito. Neste modelo. O segundo modelo envolve a injeção de magma e/ou fusão parcial na base da 8 .

com a transferência de calor para a crosta média sendo promovida pela ascensão de magmas. período este que pode ser muito variável. alcançando dezenas de milhões de anos (Figura 2). encontram-se as condições de pressão e temperatura esperadas para promover a fusão parcial (anatexia) extensiva de metapelitos. Dentre os parâmetros importantes para esta discussão.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS crosta. pois durante esta fase (fase sin-colisional) as fusões expressivas são condicionadas pela disponibilidade de água no sistema ou pela existência de uma crosta anormalmente quente. Inger 1994). 9 . As condições de P e T compatíveis para fusão parcial extensiva ocorrem logo após ao ápice do espessamento crustal. O incremento da fusão parcial pode também ser dado pela “decompression melting” devido a taxas suficientemente elevadas de denudação tectônica (Hollister 1993. Figura 2 – Mostra o principal processo de subducção de material provindo da superfície para formação de magmas secundários (modificado de Chen e Grapes 2007) Vários trabalhos na literatura têm discutido a possibilidade de fusões crustais expressivas em períodos tardios ao espessamento crustal. A deformação em estado sólido imposta à estas rochas pode ser explicada pela reativação das zonas de cisalhamento regionais ou pela superposição contínua de estruturas durante a exumação do orógeno no final do Ciclo Brasiliano. Estas condições são alcançadas quando as rochas regionais atingem condições de metamorfismo compatível com o grau alto.

10 . sob as mesmas condições de pressão. estes valores são ao redor de 800° C (fig. que consideram a presença abundante de fluidos aquosos nas rochas do bloco inferior footwall em regiões associadas com tectônica de empurrão. cordierita. Nesta condição tectônica. com pressão de 10kbar (profundidades ao redor de 35 km).3). envolvendo anatexia crustal sob condições „úmidas‟ (primeiro grupo) ou „secas‟ (segundo grupo). Esta afirmação se contrapõe à clássica interpretação de LeFort (1986) e LeFort et al. sob condições anidras. tais fluidos seriam capazes de promover a fusão generalizada de rochas relativamente mais quentes situadas no bloco superior hanging wall deste sistema de falhas. Estas reações são consideradas como marcadores do início da fusão parcial extensiva e ocorrem em ambientes não saturados em água. sendo estes os valores considerados para a quebra da muscovita. são necessárias temperaturas mais elevadas para promover uma fusão parcial extensiva. Contudo. sendo isto compatível com níveis de crosta média/inferior (Stevens & Clemens 1993).MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS Os trabalhos de petrologia experimental mostram que a temperatura de fusão do mínimo granítico para ambientes saturados em água é de cerca de 600°C. o que parece ser a situação mais comum da maioria dos ambientes crustais. (1987). segundo o modelo de metamorfismo invertido (“ferro-de-engomar”) em ambiente de crosta média (Harris & Massey 1994). as quais devem atingir ao redor de 700 a 730° C. Barbarin (1996) divide os granitos peraluminosos em dois grupos: um contendo moscovita e outro. A origem destes granitos é atribuída à fusão parcial de rochas crustais. e com o mesmo valor de pressão. Para a biotita.

Regimes térmicos transitórios impostos pelo relaxamento de uma perturbação térmica inicial gerada por empurrão a 35 km de profundidade. 50. Em (C) e (D). Neste modelo. 1986). Para alguns autores. 60 e 70 km.25 e 35 km.ƒ biotita e hornblenda em granodioritos e tonalitos. com intervalos de 10 Ma. o calor é transportado principalmente por condução. com base em um trabalho de modelagem matemática. 17. com a deformação sendo homogênea no intervalo de 30 M. o processo de geração de leucogranitos peraluminosos é inteiramente crustal e não envolve influxo de material do manto (Patiño Douce 1999). enquanto os granitos com cordierita são gerados em regiões submetidas a underplating ou injetadas por magmas do manto.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS Figura 3 . com o fluxo térmico sendo proveniente de duas fontes: do manto. (B) . as profundidades são de 8. England & Thompson (1984.Geração de granitos do tipo-S por fusão parcial de metassedimentos: (A) .a. Os granitos com muscovita são gerados em ambientes tectônicos sob condições de crosta espessada e afetada por empurrões ou por grandes cisalhamentos crustais.5.Caminho P-T-t teórico para rochas a profundidades de 40. Curvas de quebras de minerais por fusão: com água em excesso. 26. com um valor 11 .„ hornblenda em anfibolitos. apresentam um modelo de evolução térmica para cinturões dobrados envolvendo a existência de uma crosta continental duplicada.‚ micas em metapelitos.75.

produção interna de calor por decaimento radioativo e fluxo térmico proveniente do manto. Considera-se que a erosão de 35 km de crosta ocorreu a 100 Ma. Em alguns casos examinados pelos autores. Além disso. a geoterma 0 (antes do espessamento) corresponde ao gradiente geotermal médio de áreas que foram sujeitas a eventos tectônicos em épocas anteriores a 250 Ma. de tal modo que quantidades significativas de fusões são esperadas durante a instalação de regimes térmicos transitórios (England & Richardson 1977). dependendo dos parâmetros utilizados. juntamente com os parâmetros físicos com significado geológico para a litosfera continental. Nas figuras 2C e 2D. esta temperatura é alcançada em 12 . por igual período.3). onde são utilizados valores médios crustais de parâmetros como condutividade térmica.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS constante. e da crosta. as rochas metassedimentares alcançam mais facilmente temperaturas em condições compatíveis com a fácies anfibolito alto a granulito. as rochas são exumadas por uma tectônica extensional. a geração de fusões crustais sincolisionais é fortemente dependente da presença de água no sistema e de um fluxo térmico relativamente elevado. No modelo apresentado por. A instalação destes regimes coincide com o período de relaxamento térmico e de soerguimento da pilha espessada. De England & Thompson 1986). o aquecimento efetivo da pilha orogênica ocorre somente após o pico de pressão inicial. Considerandose esta situação tectônica (duplicação por empurrões). as temperaturas na Moho são superiores a 1000 °C. As figuras em (A) e (B) mostram a modelagem instantânea de um empurrão ocorrido a 35 km de profundidade. após a duplicação crustal (England & Thompson 1984). como produto de decaimento radioativo. Assim. as condições térmicas instaladas logo após a tectônica compressiva (duplicação) não favorecem a geração de fusões parciais expressivas (fig. Em outros casos. A condição tectônica acima promove a depressão das geotermas (Glazner & Bartley 1985). tendo iniciada a 20 Ma. Após um aquecimento isobárico de 30 Ma. o regime termal difere nos valores de produção interna de calor e da contribuição do manto ao fluxo térmico crustal (mod.. sendo aí então o momento em que são geradas fusões graníticas mais expressivas. Nesta fase.

a anatexia crustal é produzida pela delaminação pós-colisional e ascensão da astenosfera quente. tais como profundidade de soterramento experimentada pelas rochas. Segundo o autor.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS profundidades ao redor de 40 km. as idades obtidas nestas rochas devem ser consideradas. mesmo assumindo o modelo de formação de granitos peraluminosos (tipo-S) no „momento‟ da colisão. Barbarin (1999) considera que estes granitos são gerados no momento de „clímax‟ da orogênese. (ii) estágio de fusão por descompressão pós-colisional. mais apropriadamente. o que é considerado um valor não realista para esta situação tectônica. mesmo que a origem destas rochas esteja vinculada ao espessamento crustal e perturbações térmicas impostas pela tectônica compressiva no modelo colisional. é mais provável que elas tenham sido geradas após o ápice de pressão experimentado pelos seus protólitos. constituindo-se assim em um fenômeno essencialmente não simultâneo e transitório. o modelo prevê também a geração de granitos posteriores. cujo intervalo depende de vários fatores. Os granitos fortemente peraluminosos são formados em vários tipos de orógenos como o resultado de processos pós-colisionais. 1986). Distingue os granitóides formados sob condições de alta pressão (espessamento crustal = 50 km) e de alta temperatura (espessamento = 50 km). a geração extensiva de fusão crustal neste momento é fortemente dependente dos parâmetros acima. como idades mínimas de um evento de espessamento crustal (colisão). com a temperatura sendo igual ou superior a 875°C. ou próximos do valor requerido para gerar o liquidus granítico saturado em água (ao redor de 600°C. Desta forma. a disponibilidade de água livre no sistema e o conhecimento da estrutura termal da litosfera pré-colisional constituem-se em parâmetros importantes para a discussão da origem destasmrochas durante a fase de espessamento principal. Por outro lado. sincolisional e. nos orógenos de alta temperatura. Por outro lado. As próprias incertezas dos métodos geocronológicos utilizados. Os últimos envolvem uma fonte de calor originada no manto. Os primeiros evoluem em dois estágios: (i) estágio de aquecimento radiogênico in situ. com seus magmas sendo 13 . Portanto. com pressão de 10kb – Harris et al. Para valores de temperatura na Moho em torno de 500°C. Assim.

adiante). assim esses magmas são capazes de gerar granitos dos campos 3a e 3b (ver figura 1. desenvolvendo um espectro composicional (composição modal) que circunda o ponto eutético tríplice do sistema Q-FA-P. denotando que tais rochas podem ser originadas por diversos processos petrogenéticos e em ambientes geotectônicos muito distintos. Este fato permitiu. GRANITOS TIPO . Os magmas formados pela fusão de metapelitos apresentam composição restrita. podendo ocorrer granodioritos e raros tonalitos.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS formados durante a fase tectônica compressiva. granitos de origem profunda (originado por refusão de rochas ortoderivadas) e de origem crustal (originados pela fusão de metassedimentos). 4CARACTERISTICAS DO MAGMA GERADO A PARTIR DE METAPELITOS As rochas granitóides exibem aspectos estruturais. Uma classificação aproximadamente equivalente a anterior foi proposta por Ishihara (1977) que agrupa os granitos em “magnetita granitos” e “ilmenita granitos” para designar. respectivamente. A classificação dos granitos em “tipo-S” foi proposta por Chappell e White (1974). A sua colocação colocação ocorre somente em condições distensiva ao longo de zonas de cisalhamento ou sob condições de relaxamento local. ao lado da classificação puramente mineralógica adotada pela IUGS. texturais. baseado no estudo dos granitos da Zona Orogênica de Tasman (sudeste da Austrália). o surgimento de uma série de outras classificações refletindo essencialmente diferenças genéticas entre os vários tipos de granitóides. mineralógicos e geoquímicos altamente variáveis. A distinção geoquímica e mineralógica desse tipo granito encontram-se simplificada no quadro abaixo. Granitos que tem sua origem apartir da fusão de rochas metassedimentares são conhecidos como granitos tipo-S.S equivalentes a “Ilmenita Granitos” “Ilmenita-monazita Granitos” 14 .

Teor de SiO2 maior que 65% . biotita gnaisses.Razão inicial de Sr87/Sr86 alta (> 0. Li. contendo enclaves de origem metassedimentar (calcissilicáticas. os quais conferem muitas vezes em escala de afloramento uma estrutura gnássica a estas rochas. 2000) Muitos deles foram descritos anteriormente como gnaisses kinzigíticos. e recristalização em alta temperatura de minerais como feldspatos.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS .Conteúdo de sódio relativamente baixo (<3.Baixo teor de platinóides típicos de uma derivação mantélica Tabela 2 – Mostra as principais características de um granito tipo-S diferenciada.18O maior que 10% . pouco composição somente ácida. normativa com mais de 1% de corindon . cordierita (Cunha et al.Razão Fe2O3/FeO baixa.Muscovita. anfibolitos) deformados. cordierita.Biotitas com altos teores de Fe .Moles Al2O3/(Na2O+ K2O+CaO) maior que 1.Baixos teores relativos de Sr e alto de Rb . monazita.Baixas temperaturas de formação.2% de Na2O em rocha com 5% de K2O). quartzitos. Cs e Be . sillimanita e. com Os granitos do tipo-S contêm granada.1 . . granada.Eu com nítido esgotamento . sillimanita presentes .Altos teores relativos de Fe. decrescendo para menos de 2.Comp.2% em rochas com cerca de 2% de K2O . Podem apresentar também uma intensa deformação no estado sólido. 15 . com formação de ilmenita .708) .Tende a ocorrer em composição restrita. 650o e 680o . localmente.

Domínios Alto Rio Grande. Os granitos-S resultam das feições de sua rocha origem que foram geradas pelos processos de intemperismo químico.05.Volta Redonda. O menor teor de Na nos granitos-S reflete a sua origem metassedimentar. Em segundo lugar. apresentar minerais como muscovita. Trata-se de uma rocha granitoide leucocrática (granada. Serra dos Órgãos e Bela Joana. Serra dos Órgãos e Litorâneo Norte e Sul. onde o Na é removido durante processos de intemperismo químico. daí. incluindo microestruturas planares e fitadas. ao mesmo tempo em que ocorre enriquecimento relativo de Al. TR. 16 . O mapa abaixo mostra a ocorrência e a forma desses corpos graníticos. o caráter francamente peraluminoso dos granitóides tipo-S é ressaltado pelo índice Al2O3/CaO + Na2O + K2O  1. granadas. podendo. Cráton São Francisco. Paraíba do Sul.LOCAIS DE OCORRENCIA DOS GRANITOS TIPO-S Importantes ocorrências desses granitos são relatados nos municípios de Rio Turvo. 5 . A relação Fe3+/Fe2+ é baixa nos granitos tipo-S. em média. Zona de Cisalhamento Paraíba do Sul. metais de transição (Pb. foliados e gnaissificados. pode ter contribuído para diferenciação de bandas micáceas e quartzo-feldspáticas. quartzitos. Rio de Janeiro e Desengano. moscovita. ricos em enclaves metassedimentares (calcissilicáticas. mais ricos em Rb. os granitos-S apresentam sílica superior a 65% (são sempre ácidos). VR. Serra das Araras. Este processo. de composição granítica a granodiorítica. De com composição aluminosa (granitos peraluminosos).Três Rios e PTPetrópolis. granada-biotita gnaisses). sillimanita e turmalina). Cr e Ni) e pobres em Sr. além de promover o desenvolvimento de rochas com texturas miloníticas. que acentua-se com o aumento de índice de cor dos granitóides considerados. sillimanita e cordierita. Juiz de Fora. Cu e Mo. com ribbons de quartzo e microclina.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS sillimanita e quartzo. biotita com pleocroísmo vermelho/marrom (devido ao baixo Fe2O3/FeO). Os granitóides-S são.

Cráton São Francisco (CSF). Esse é o caso de dos granitos do tipo-S que se formam a partir da fusão de rochas metapeliticas.Volta Redonda.MAGMAS FORMADOS POR FUSÃO DE METAPELITOS Figura 4 . Serra dos Órgãos (DSO) e Litorâneo Norte (DLN) e Sul (DLS).Mapa de distribuição dos principais granitóides dos tipos-S e -I do Estado do Rio de Janeiro. Suítes graníticas do tipo-S: Rio Turvo (RT). Juiz de Fora (DJF).Três Rios e PT. 17 .CONCLUSÃO O conhecimento dos protolitos sedimentares e sua composição modal são uma importante ferramenta quando se procura entender a historia evolutiva da rocha neoformada. Serra das Araras (SA). TR. Rio de Janeiro (RJ) e Desengano (DS).I: Serra dos Órgãos(SO) e Bela Joana (BJ). VR. Zona de Cisalhamento Paraíba do Sul (ZCPS). Paraíba do Sul (DPS). 6 . Domínios Alto Rio Grande (DARG).Petrópolis. Batólitos graníticos do tipo. conhecimento esse que é fundamental para estudos petrológicos e petrogênicos de uma determinada região.

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