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BENEFÍCIOS DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL NA PANICULOPATIA EDEMATO FIBROESCLERÓTICA

Fatima Aparecida Vieira Machado1 Dayani Darmieli Pereira2 Jessica Bonfini Pereira2 Natalia de Carvalho Scharff2 Sabrina Garcia Vasconcelos2 Vania Kelly Candida Borges2 MACHADO, F. A. V.; PEREIRA, D. D.; PEREIRA, J. B.; SCHARFF, N. C.; VASCONCELOS, S. G.; BORGES, V. K. C. Benefícios da drenagem linfática manual na paniculopatia edemato fibroesclerótica. Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 14, n. 3, p. 261-268, set./dez. 2010. RESUMO: Paniculopatia edemato fibroesclerótica (PEFE) popularmente conhecida como celulite, é uma afecção que ocasiona alterações inestéticas, caracterizadas por depressões e nódulos, principalmente em glúteos, coxas e abdômens da maioria das mulheres a partir da adolescência. Pouco ainda se conhece da sua fisiopatologia, sendo um assunto carente de estudos na área e, com tratamentos nem sempre toleráveis e efetivos. Estudos colocam os estrógenos como importantes no início, no desenvolvimento e cronificação da PEFE, pela influência na polimerização das glicosaminoglicanas, na microcirculação, nas proteínas fibrosas e no tecido adiposo da região ginóide, os quais são afetados em diferentes graus, podendo levar à reação fibrótica e à esclerose. A drenagem linfática manual consiste em um conjunto de manobras específicas, por meio de pressão suave, lenta e rítmica, que segue o trajeto do sistema linfático, e visa melhorar suas funções essenciais, prejudicadas nesta patologia. Desta maneira, este trabalho teve o objetivo de revisar na literatura a fisiopatologia da PEFE, e relacionar os benefícios da drenagem linfática manual nesta afecção, relacionando-a com a anatomofisiologia do sistema linfático. PALAVRAS-CHAVE: Paniculopatia edemato fibroesclerótica; Estrógenos; Sistema linfático; Drenagem linfática manual. BENEFITS OF MANUAL LYMPHATIC DRAINAGE IN EDEMATOFIBROSCLEROTIC PANNICULITIS: REVIEW ABSTRACT: Edematofibrosclerotic panniculitis (EFP) popularly known as cellulite is a condition that causes aesthetically changes characterized by dimpling, mainly in gluteus, thighs and abdomens of most women from adolescence. This subject needs more investigation and the treatment is not always tolerable and effective. The researches put the estrogens as important at the beginning, development and chronicity of EFP, for its influence in glycosaminoglycans hiperpolymerization, in microcirculation, in fibrous proteins and fat tissue in the gynoid region, which are affected to varying degrees and may lead to fibrotic and sclerosis. The manual lymphatic drainage is a set of specific maneuvers, using gentle pressure, slow and rhythmic, that follows the path of the lymphatic system and aims to improve its key functions, affected in this pathology. Thus, this issue aimed to review the literature on the pathophysiology of EFP and relate the benefits of manual lymphatic drainage in this condition, relating it to the anatomy and physiology of the lymphatic system. KEYWORDS: Edematofibroesclerotic panniculitis; Estrogen; Lymphatic system; Manual lymphatic drainage.

Introdução Lipodistrofia ginóide ou paniculopatia edemato fibroesclerótica, popularmente conhecida como celulite, é uma afecção que ocasiona alterações inestéticas caracterizadas por depressões e nódulos que acometem principalmente glúteos, coxas e abdômen da maioria das mulheres a partir da adolescência (ROSENBAUM, 1998; RAO; GOLD; GOLDMAN, 2005; BIELFELDT et al., 2008). Guirro; Guirro (2004) afirmam, ainda, que além de ser desagradável aos olhos, sua evolução produz problemas álgicos nas zonas acometidas e diminuição das atividades funcionais. A paniculopatia edemato fibroesclerótica (PEFE) manifesta-se por alterações metabólicas localizadas e caracteriza-se por alterações na polimerização das glicosaminoglicanas, na microcirculação, nas proteínas fibrosas e no tecido adiposo da região ginóide, os quais são afetados em diferentes graus, podendo levar à reação fibrótica e à esclerose (GUIR1 2

RO; GUIRRO, 2004; PUGLIESE, 2004; CUNHA; COSTA; ROSADO, 2006). Diferentes tratamentos são oferecidos no controle desta afecção, os quais abrangem técnicas manuais, eletroterapia e cosméticos (RAO; GOLD; GOLDMAN, 2005; BIELFELDT et al., 2008). Alguns tratamentos são de alto custo e, parte da dificuldade do tratamento da mesma, surge da falta de conhecimento completo desta afecção (AVRAM, 2004; VAN VLIET et al., 2005). O primeiro estágio no controle da paniculopatia edemato fibroesclerótica é a estimulação à microcirculação, que pode ser conseguida por intermédio da técnica da drenagem linfática manual (DISTANTE; BACCI; CARRERA, 2006; GODOY; GODOY, 2009). A drenagem linfática manual consiste em um conjunto de manobras específicas, por meio de pressão suave, lenta e rítmica, que segue o trajeto do sistema linfático e visa melhorar suas funções essenciais, prejudicadas nesta patologia (LIMA et al.,

Docente Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética - Unipar - Campus Paranavaí/Pr. E.mail: fatimavm@unipar.br Acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Estética e Cosmética - Unipar - Campus Paranavaí/Pr. Arq. Ciênc. Saúde UNIPAR, Umuarama, v. 14, n. 3, p. 261-268, set./dez. 2010

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relacionando-a com a anatomofisiologia do sistema linfático. SCHONHERR. A alteração na viscosidade da substância fundamental afeta. Os estrógenos podem influenciar direta ou indiretamente a síntese e deposição de glicosaminoglicanas. seguido pela estrona e o estriol (GUYTON. favorecendo a captação de íons e. 2006). 1997. os quais induzem ao aumento do turn over das glicosaminoglicanas. 2006). 2006. glicosaminoglicanas. n. estresse. Junqueira. p. v. dermatam sulfato e. HERNANDEZPEREZ. ocorre aumento da pressão osmótica. heparana e queratana sulfato. A matriz extracelular sofre ação dos estrógenos. que são secretados pelo ovário e em menor quantidade pelas adrenais. sendo estes interligados. AVRAM. 2006). os espaços entre os adipócitos. Saúde UNIPAR. Umuarama. Já. metabólitos e hormônios. além de heparina e ácido hialurônico. Os fatores predisponentes ou primários são relacionados aos hormônios femininos estrogênicos e à hereditariedade. tabagismo. O grau de polimerização das glicosaminoglicanas varia e está diretamente vinculado com a viscosidade e o turgor da substância fundamental que é maior naquela em que predomina as GAGs sulfatadas. levando ao aumento da permeabilidade capilar justificadas pela presença de receptores estrogênicos nas células endoteliais e nos músculo liso vascular (CUNHA. 2004. este trabalho teve o objetivo de realizar uma revisão bibliográfica da fisiopatologia da PEFE e verificar os benefícios da drenagem linfática manual nesta afecção. Carneiro (2004) afirmam que glicosaminoglicanas (GAGs) são polímeros lineares. Desta maneira. GUIRRO. fatores compressivos externos. COSTA. 2008). 2006). set. formados por unidades repetidas de um dissacarídeo. No desenvolvimento da PEFE os estrógenos são fatores de grande importância porque interferem na fisiologia da microcirculação. 2010 . Ciênc. ROSADO. A substância fundamental é um líquido levemente viscoso incolor e transparente. A mudança no estado e na composição química das GAGs influenciam diretamente nas propriedades do tecido. os fatores desencadeantes ou secundários envolvem o sedentarismo. possuem papel fundamental na função reprodutiva feminina. SCHONHERR. CUNHA. GUIRRO./dez. 2006). as GAGs fixam água para dentro de sua estrutura. com 18 carbonos. Desta maneira. pontos chaves no desenvolvimento. São substâncias capazes de influenciar a atividade mitótica dos tecidos dos órgãos genitais femininos e a produção de substâncias específicas nos demais tecidos do organismo (MILLAS. agravação e cronificação desta afecção (AVRAM. CHLORILLI. reduzindo-o. devido à maior retenção de íons destas moléculas (AVRAM. A sulfatação das glicosaminoglicanas proporciona carga altamente negativa. doenças endócrinas e circulatórias. encontrase o tecido conjuntivo da derme e hipoderme. 2005. 2004. Por isso. O estrógeno natural com maior potência biológica em seres humanos é o 17 ß-estradiol. Ações dos estrógenos sobre componentes do tecido conjuntivo Estrógenos ou estrogênios englobam os hormônios esteróides. favorecendo a agregação das células adiposas (DISTANTE. 2007).MACHADO et al. CARNEIRO.. Ao mesmo tempo. LIQUIDATO. raça e biotipo constitucional (FERRADAS.. proteoglicanas e glicoproteínas multiaderentes (BULLOW. principalmente do condroitina sulfato. 2001. composto por mistura molecular complexa formada por água. também. devido à influência negativa sobre a distância ideal entre capilar e célula. COSTA. a qual é formada pelas fibras e a substância fundamental. HOBERT. a qual provoca as alterações dermohipodérmicas (AVRAM. Há dificuldade de difusão dos nutrientes. Desenvolvimento Na etiologia da paniculopatia edemato fibroesclerótica múltiplos fatores estão envolvidos. a alimentação inadequada. levando à reação em cascata. PEÑA. BACCI. Fazem parte das GAGs: condroitina. Arq. 2009). proteoglicanas (CHLORILLI. 14. lenta e progressiva. o ácido urônico (ácido irudônico ou glucurônico) e uma hexosamina (N-acetil glucosaminina ou a Nacetil galactosamina). CARRERA. Avram (2004) afirma que 85-98% das mulheres. São responsáveis pelo desenvolvimento sexual secundário na mulher e. denominado como efeito esponja (KRESSE. a partir da adolescência. CARRERA. 2007). 3. sais minerais. dermatana. JUNQUEIRA. também. BERARDESCA. dos adipócitos e da substância fundamental amorfa. apresentam em maior ou menor grau este distúrbio. 2004. et al. e em arteríolas e capilares sanguíneos. 261-268. por meio de estímulo aos fibroblastos (KRHESSE. ocorrem alterações nas paredes venosas. ROSADO. 2006). RONA. com sobrepeso ou não. 2004). ainda. et al. 262 Os componentes do tecido conjuntivo são: células e matriz extracelular. Entre os diferentes tecidos afetados pela ação dos estrógenos. 2001).

puxando a epiderme para baixo (FERRADA. BACCI. septos penetram na derme. set. também podem ter uma ação contrária. com floculação da substância fundamental. 2010 . 1997). Surge a partir da sexta ou sétima semana de vida. nesta afecção. 2006). 261-268. Podem agir diretamente. através de enzimas e receptores específicos na célula adiposa (MIZUTANI et al. e indiretamente. perdendo o controle neuronal adrenérgico. MORDON. por estimulação aos fibroblastos. O tecido fibroso torna-se cada vez mais rígido. dependentes da enzima lipase-hormônio-sensível e o segundo responsável pela lipogênese. BACELAR. Desta maneira ocorre reação fibrótica. o fibroblasto e diminuir o edema.. VIEIRA. o tecido adiposo sofre influência de outros hormônios que exercem efeitos diversos sobre o seu metabolismo e sobre sua função endócrina. Nesta fase. DRAELOS. p. Leite (2007) acrescentam que a falta de uniformidade na deposição dessas fibras protéicas acarreta uma esclerose irregular tanto ao redor dos adipócitos quanto dos vasos sanguíneos. Sistema linfático e drenagem linfática manual De acordo com Guyton (2006) o sistema linfático é uma via acessória da circulação sanguínea. A remoção de fluído acumulado e elementos tóxicos. a irritação das terminações nervosas pode levar à dor à mínima pressão (GUIRRO. favorecendo ainda mais a aparência “casca de laranja” (ROSENBAUM. 1994. formando uma barreira que impede as trocas vitais. BACELAR. PEDERSEN et al. VIEIRA. por aumento do efeito lipolítico do neurotransmissor epinefrina (HOMMA. (2000) mostraram que o 17β-estradiol produziu um efeito positivo sobre a capacidade proliferativa de pré-adipócitos exclusivamente em tecido adiposo subcutâneo. com o objetivo de regular a matriz basal. 2009). pelo aumento da lipase hormônio sensível ou. veias. favorecendo a expansão desse tecido para a superfície da derme reticular. ou seja. afetam logicamente os septos interlobulares e interadipocitários. favorecendo a lipólise. por diminuição da enzima lipopoteina lipase. STEWART. a atividade antilipolítica dos estrógenos nas células adiposas se sobrepõe à atividade lipolítica. v. Conforme Pedersen (2004) os estrógenos. 2004). DRAELOS. 2006). por meio de receptores ß1 e α2-adrenérgicos. diferente dos homens. diminuindo a resposta lipolítica da epinefrina em adipócitos do tecido subcutâneo da mulher o que pode justificar a grande quantidade de gordura na região ginóide Além disso. Saúde UNIPAR. 2009). GODOY. Quando não controlado. encerrando em suas malhas os nutrientes. n. 1998. atuam na adipogênese (TOMLINSON.. na mulher. estudos de Dieudonne et al. VIEIRA. a fáscia de lâmina de tecido conjuntivo que separa a derme da hipoderme torna-se mais delgada e descontínua levando à herniação do tecido adiposo para a derme./dez. Marqueti. ocasionado déficit na troca de nutrientes e metabólitos e alteração da interação da célula adipocitária com neurotransmissores. Avram (2004) e Sant’Ana. GODOY. Esta ação não é totalmente esclarecida. 2006). o processo continua levando à cronificação da afecção. 3. 2005. podem ser combinadas para explicar a origem do sistema linfático. Ciênc. Os estrógenos.. Deve-se atentar para o fato de que. prevenindo a evolução da mesma (DISTANTE. Portanto. o tecido adiposo subcutâneo. 1997. 2002). também que o tecido adiposo é regulado pelo sistema nervoso simpático. aumentando a hipertrofia celular e a resistência à mobilização lipídica (TRELES. com consequente aumento da lipólise e melhor oxigenação. resíduos e lipídios sem possibilidade de movimentação. anatomicamente os septos de tecido conjuntivo que circundam os adipócitos da camada areolar são finos e perpendiculares.Drenagem linfática na paniculopatia. 14. Os estrógenos influenciam o metabolismo dos adipócitos. 2004. nervos. Se os adipócitos apresentarem hipertrofia os 2004). Estas alterações refletem em micronódulos visíveis na camada externa da pele (BACELAR. dependente da enzima lipoproteína lípase (FONSECA-ALANIZ. pode ser conseguida por meio da drenagem linfática manual (DLM). De acordo com Avram (2004) a fase seguinte da PEFE é a reação de defesa contra o acúmulo de substâncias tóxicas devido ao edema do tecido conjuntivo. de acordo com Abele (2007). permitindo o extravasamento de plasma para o interstício em conjunto com algumas citocinas e linfócitos. Na PEFE. Ao mesmo tempo. as alterações nas GAGs. A primeira. mas. Sabe-se. CARRERA. é mais espesso e com lóbulos adiposos maiores (FERRADA. ainda. 2005). PEDERSEN et al. sendo o primeiro responsável pela lipólise. 2006). levando à hipóxia. 2000. Umuarama. GUIRRO. que 263 Arq. Para Andrade (2008) duas teorias surgidas no início do século XX. Mas. favorecer a predominância de depósitos de gordura por determinar aumento de receptores α2-adrenérgicos nos adipócitos. 2006. 2004). As mudanças no tamanho dos capilares levam quase sempre à formação de microaneurismas. resultado da hiperpolimerização da substância fundamental. Há maior compressão de artérias. agravando esta afecção.

set. as mesmas são abertas para propulsar a linfa para o próximo compartimento enquanto as microvávulas dos linfáticos iniciais permanecem fechadas para evitar o refluxo da linfa. 2005. GUIRRO. Guirro. uma família de glicoproteínas que induz a proliferação vascular. terminações nervosas e vasa vasoroum (WU. pré-coletores. com ação contrátil própria (LEDUC. BORRELI. Em seguida o procedimento inverte-se. proporciona o trajeto para as células imunocompetentes retornarem ao fluxo sanguíneo (WU. denominados. 2009). possibilitando a abertura entre as células e. Os vasos apresentam. que propõe o surgimento a partir de células mesenquimais teciduais. possibilitando facilidade de movimento. 2006). Ciênc. podendo as mesmas atuarem como válvulas. fecham-se. 2007. LEDUC. WU. BLAN. LEDUC. 2001). as válvulas. vasos. MAC NAUGHTON. LEDUC. a linfa segue seu trajeto (GUIRRO. uma segunda teoria. ainda. mas um grande número de conexões não oclusivas. os quais são formados por tecido linfóide. são órgãos efetuadores de reação imu- Arq. O processo de relaxamento e contração é facilitado pelos ligamentos de fixação destas células. 2006). O termo linfagion é a porção do vaso linfático compreendido entre duas válvulas. No processo de contração das válvulas. a túnica média formada por células musculares lisas. sugerindo que os mesmos possibilitem a propriedade contrátil da válvula. os linfoangioblastos. pela remoção de líquidos e macromoléculas do interstício e a devolução dos mesmos na corrente sanguínea. 2008). sugere o brotamento a partir de células endoteliais de veias do embrião. formada por células endoteliais. A maioria destes capilares. além de linfonodos e órgãos linfóides. fazendo parte do sistema imune. quando a pressão no seu interior é menor que a pressão do interstício. os quais estabeleceriam conexões com as veias mais tardiamente. MAC NAUGHTON. onde células do sistema imunológico podem ser ativadas e. 2003. 2006). transportando antígenos e células apresentadoras de antígeno para os linfonodos. ZAWIEJA. v. iniciando a formação da linfa 264 (TRZEWIK et al. na resposta imunológica. O citoplasma contém numerosos filamentos. LIP. VON DER WEID. as quais proporcionam a propriedade de contração espontânea destes vasos. 261-268. LEDUC. prevenindo o edema. 2005). células. contendo elementos elásticos e musculares. n. SATO. E. São fundamentais. para o transporte do fluído ao longo do lúmen dos vasos. O restante localiza-se ao redor dos órgãos (SILVA. A camada externa.). seguindo um processo rítmico de compressão e relaxamento (SQUARCINO. 2004). São formados por cilindro de células endoteliais. p. de células e proteínas. Antes de desembocarem nos troncos linfáticos os vasos são atravessados por pequenas estruturas interpostas denominadas linfonodos. também.. os vasos linfáticos. GUIRRO. 2005. São formadas por células endoteliais em continuidade com a íntima dos vasos contendo como ponto de fixação uma rede delicada de tecido conjuntivo. Os capilares linfáticos ou linfáticos iniciais estão dispostos na forma de redes fechadas. Entre os diferentes fatores que envolvem a regulação do sistema linfático. permitindo a entrada de água. A união dos capilares linfáticos forma uma rede de tubos de calibres cada vez maiores. cerca de 70%. 14. Guirro (2004) afirmam que este sistema é formado por uma extensa rede de capilares. respectivamente. Este fato é muito importante para o funcionamento do sistema linfático. 3. quando a pressão no lúmen dos linfáticos iniciais aumenta em relação ao fluído intersticial (TRZEWIK et al. revestidos por capa de tecido conjuntivo. MAC NAUGHTON. que se espalham por todo o corpo. desta maneira. que realizam a filtração da linfa e. coletores e troncos./dez. que se espalhariam perifericamente por tecidos e órgãos dando origem aos capilares linfáticos. As funções do sistema linfático são fundamentais para a homeostase corporal. evitando o refluxo da linfa. Umuarama. nos tecidos subjacentes (LEDUC. que desempenham papel importante de manutenção do fluxo unidirecional. 2007). 2006). as quais se sobrepõem formando microválvulas (GUIRRO. Os coletores linfáticos são formados por três camadas. a túnica íntima. também. ainda. prevenindo o refluxo do líquido. SILVA. Essas células possuem número pequeno de junções celulares oclusivas e moléculas de adesão. O subtipo VEGF-C está implicado na formação do sistema linfático (FELMEDEN. crescendo centripetamente. Saúde UNIPAR. está localizado logo abaixo da pele. 2001. de pequenas partículas. 2010 . sendo que os últimos não possuem associação direta com os vasos do sistema linfático ou com a linfa. é formada por tecido conjuntivo. 2007. Os pré-coletores possuem o cilindro endotelial recoberto por tecido conjuntivo. VON DER WEID.. 2007). Em seguida. 2004. Estas junções são separadas durante a expansão dos linfáticos iniciais. a adventícia. encontra-se o fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF). proporcionando aos mesmos a propriedade de se contrairem de forma rítmica (SILVA. GUYTON. ANDRADE. por meio destes. VON DER WEID.MACHADO et al.

em vinte mulheres. A DLM também aumenta as quantidades de líquido excretado./dez. 2006.5cm/seg. GUIRRO. em torno de 30 – 40 mmHg. Desta maneira. Godoy (2004) alertam que na DLM seja obedecida a capacidade de filtração dos linfonodos. o movimento muscular. além da esperada sobre o volume e o fluxo da linfa. melhora nas estruturas vasculares subdérmicas. os autores salientam que a maneira mais simples de drenar um conduto é deslocando o fluído no mesmo sentido do fluxo. O trajeto da linfa é finalizado na união dos troncos em dois ductos. o ducto torácico que desemboca na junção da veia subclávia esquerda com a veia jugular esquerda (GUIRRO. os movimentos respiratórios. por intermédio da pressão exercida no seu trajeto. fatores natriuréticos. Neste sentido.Drenagem linfática na paniculopatia. Godoy (2009) afirmam que uma possível alteração nos linfagions dificulta a drenagem linfática. GUIRRO.. os trabalhos que mostram seu real papel nesta afecção. Ciênc. Silva (2006) e Leduc. SILVA. Hernández-Peres (2005) a realização correta do procedimento poderá agir como medida preventiva ou como método complementar a qualquer outro tratamento para controle da PEFE. evidenciam a responsabilidade de quem realiza a drenagem linfática manual é grande. devido às manobras monótonas proporcionando estímulo do ramo parassimpático do sistema nervoso autônomo. já que o caminho da linfa é de 2. 14. Godoy. 2004). Leduc (2007) os movimentos da DLM devem ser realizados de forma lenta. GUYTON. em conjunto com as válvulas linfáticas. Sabe-se que na PEFE. os inguinais e os do losango poplíteo (GUIRRO. ANDRADE. VON DER WEID. PICCININ et al. Godoy. GUIRRO. Os principais grupos de linfonodos são: os cervicais. também. Leduc (2007) apontam que as ações da drenagem linfática manual são amplas. ser indicada no controle da PEFE. Umuarama. favorecendo o edema instalado nesta patologia. bradiquinina. Godoy (2009) destacam. 2010 . os da fossa . 2004). 2009. MAC NAUGHTON. De acordo com Pena. 2001. 2004. De acordo com Leduc. já que esses limitam a velocidade de fluxo do sistema. obedecendo a anatomia e fisiologia do sistema Desse modo. melhora a nutrição e oxigenação celular e a absorção de nutrientes pelo trato digestivo. sendo então depositados na pele e no tecido subcutâneo. E. exercem influência na modulação da atividade. os fibroblastos e os adipócitos. o peristaltismo intestinal. impulsionam a linfa em direção centrípeta: as deformações rítmicas dos tecidos como em uma caminhada. Meyer et al (2008) em um estudo de caso conseguiu demonstrar que o exame de ressonância nuclear magnética. a pulsação arterial. observa-se os agentes neuronais e humorais como os agonistas α-adrenérgicos. três vezes por semana. Diversos fatores. aumenta a capacidade de transporte do sistema linfático com o objetivo de remover o excesso de fluido intersticial pela ativação da motricidade dos vasos linfáticos (GUIRRO. p. são raros e aliados à dificuldade de aferição objetiva. a melhora no turgor da pele observado após realização de sessões de DLM.. levando à alteração da substância fundamental. desenvolvimento e cronificação desta afecção por influenciar componentes do tecido conjuntivo subcutâneo. Godoy. quando a técnica de drenagem linfática manual é citada como benéfica na PEFE é fundamentada no princípio de que por meio de manobras específicas. 2004. os axilares. 2005. set. nológica humoral e celular (JACOMO. GUIRRO. com grau de celulite II.. GODOY. RODRIGUES. os aspectos sobre a fisiologia do sistema linfático. n. denominados ducto linfático direito que alcança a junção da veia subclávia direita com a veia jugular interna direita. submetidas a vinte sessões de DLM. de sessenta minutos cada uma. evidenciando que a DLM promoveu a remoção do excesso de líquido presente no interstício. da microcirculação e dos componentes fibro265 Arq. Saúde UNIPAR. Pode atuar sobre a motricidade intestinal. podendo ser explicado por uma melhor distribuição de nutrientes para o sistema sanguíneo. 2008). 2004). 3. Efeito de relaxamento poderá ser observado. na resistência ao fluxo e no tônus dos linfáticos (WU. 261-268. 2006). (TRZEWIK et al. Os linfonodos limitam a velocidade de fluxo do sistema. certas prostaglandinas e tromboxanos. ANDRADE. O estudo evidenciou pouca alteração no tecido adiposo. GOGOY. diferentes fatores dificultam o fluxo fisiológico da linfa. Dentre outros fatores.olicraniana. contribuindo para melhorar o processo fibrótico. Considerações Finais Com este trabalho foi possível constatar que na fisiopatologia da PEFE os estrógenos possuem papel importante no início. GUIRRO. proporciona o efeito peristáltico dos coletores linfáticos. mostrou ser uma técnica acurada para detalhar a arquitetura do tecido subcutâneo. Apesar da DLM. Ainda que este efeito não tenha sido comprovado. produzindo efeito sobre a evacuação. com pressão mínima. v. a massagem da pele. substância P. 2009). diminuição dos microaneurismas e nas ondulações do contorno da pele. que não provoque hiperemia. entre outros.

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