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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA

DISCIPL INA: Sistemas Urb an os d e Águ a e Esg otos

UFRN CT

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS
1ª PARTE: ABASTECIMENTO DE ÁGUA

PROF. VALMIR M ELO DA SILVA - VERSÃO AT UALIZADA EM DEZEMBRO/200 8

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

2

SUMÁRIO
1. 2. 3.
3.1 3.2 3.3 3.4 3.5

APRESENTAÇÃO 8 RESUMO 9 10
10 10 11 12 12

IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA
FUNÇÕES. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA. FATOR DE DESENVOLVIMENTO EVOLUÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA - HISTÓRICO COBERTURA DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO BRASIL

4.

ELEMENTOS E PARÂMETROS DE PROJETO
4.1 4.1.1 4.1.2 4.1.3 4.2 4.2.1 4 .2 .2 4 .2 .3 4 .2 .4 4.3 4.3.1 4 .3 .2 4 .3 .3 4.3.5 4.3.6 4.3.7 4.4 4.5 4.5.1 4.5.2

16
16 16 18 18 19 19 20 20 21 21 22 23 23 26 26 28 28 30 30 30

ELEMENTOS DE PROJETO Consumo per capita Fatores que afetam o consumo Variações de consumo CÁLCULO DAS DEMANDAS DE ÁGUA Demanda média diária Demanda máxima diária Demanda máxima horária Vazão para combate a incêndio ESTUDOS POPULACIONAIS Método aritmético ou de crescimento linear Método Geométrico ou de crescimento exponencial Taxa decrescente de crescimento ou Método Logístico Avaliação popul acional por critérios das densidades habitacionais Processo das curvas de crescimento de outras cidades Processo de extrapolação da curva de crescimento ALCANCE DE PROJETO ESQUEMAS HORIZONTAIS DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO ÁGUA. Esquema de sistemas de abastecimento: mananciais superficiais. Esquema de sistemas de abastecimento: mananciais subterrâneos ± Poço Tubular

5.

MANANCIAIS ABASTECEDORES

31
31 31 31 31 31 31 31 36 37 37 38 38

5.1 CLASSES DE MANANCIAIS 5.1.1 Abastecimento a partir de águas meteóricas 5.1.2 Abastecimento a partir de águas superficiais 5.1.3 Abastecimento a partir de águas subterrâneas 5.1.4 Abastecimento a partir de água do mar 5.2 TIPOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUPERFICIAIS 5.2.1 Captação em rios 5.2.2 Captações sujeitas a grande oscilação de níveis de água 5.2.3 Poço de derivação 5.2.4 Sistema flutuante 5.3 TIPOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS 5.3.1 Captação em poços

6.

ADUÇÃO

42
42 43 43 44
SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008

6.1 VAZÕES DE DIMENSIONAMENTO 6.2 HIDRÁULICA DAS ADUTORAS 6.2.1 Adução em condutos livres 6.2.2 Adutora por gravidade em condutos forçados

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

3

6.2.3 6.2.4 6.2.5 6.2.6

Adutora por condutos forçados Limites de velocidade nas canalizações Órgãos das adutoras em condutos forçados Parâmetros e elementos hidráulicos das adutoras por recalque

46 54 55 56

7.

GOLPE DE ARÍETE
7.1 7.1.1 7.1.2 7.2 7.3 7.4 7.4.1 7.4.2 7.5 7.4

62
62 62 63 64 65 67 67 69 70 71

DESCRIÇÃO DO FENÔMENO Descrição do fenômeno em adução por gravidade Descrição do fenômeno em sistemas por recalque. CELERIDADE TEMPOS DE FECHAMENTO DE VÁLVULA E TEMPO DE PARADA DE BOMBA. CÁLCULO DAS SOBREPRESSÕES - FÓRMULAS DE MICHAUD E ALLIEVI Fechamento lento. Fechamento rápido. CÁLCULO DAS PRESSÕES E SUBPRESSÕES MÁXIMAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO

8.
8.1 8.2

ANCORAGEM DAS ADUTORAS

73
74 74

ANCORAGEM DE TUBULAÇÕES APOIADAS ANCORAGEM DE TUBULAÇÕES ENTERRADAS

9.
9.1 9.2

CONDUTOS EQUIVALENTES, EM SÉRIE E EM PARALELO
CONDUTOS EM SÉRIE CONDUTOS EM PARALELO

77
77 78

10.

ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE ÁGUA

80
80 81 81 82 82 87 90 90 91

10.1 10.2 10.3 10.4 10.4.1 10.4.2 10.4.3 10.4.4 10.4.5

PARTES CONSTITUTIVAS: RECOMENDAÇÕES E DETALHES CONSTRUTIVOS: VAZÕES PARA CÁLCULO DAS ELEVATÓRIAS SELEÇÃO E DIMENSIONAMENTO CONJUNTOS ELEVATÓRIOS Classificação das Bombas Curvas Características das Bombas Centrífugas Leis de Similaridade Seleção de Bombas ou Conjuntos Elevatórios Associação de Bombas

11.

RESERVATÓRIOS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA 94
94 94 96 96 97 102 103 103 103 104

11.1 RELATIVAMENTE AO CONSUMO DE ÁGUA 11.2 RELATIVAMENTE ÀS PRESSÕES NA REDE 11.3 CALCULO DA CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS - CONSUMOS NORMAIS 11. 3.1 Capacidade de Reservatórios para pequenas cidades 11. 3.2 Cálculo da capacidade de reservatórios para cidades de médio a grande porte 11.4 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE RESERVATÓRIOS - CONSUMOS DE EMERGÊNCIA 11.5 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE RESERVATÓRIOS - COMBATE A INDÊNDIO 11.6 INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO DO RESERVATÓRIO NO DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTOS MESTRES DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO. 11.6.1 Reservatório de montante 11.6.2 Reservatório de jusante

12.

REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA 106
106 107 109 109 114

12.1 TIPOS DE CONDUTOS - TIPOS DE REDES 12.2 FATORES INTERVENIENTES E CONDIÇÕES A SEREM SATISFEITAS NO PROJETO DE UMA REDE DE DISTRIBUIÇÃO 12.3 MÉTODOS DE CÁLCULO DAS REDES DE DISTRIBUIÇÃO 12. 3.1 Método do seccionamento fictício 12. 3.2 Método de Hardy-Cross

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008

4 Sedimentação ou Decantação 13.1. 15.2 OUTROS PROCESSOS 14.1.3 Coagulação e floculação 13.10 Remoção de dureza da água 13.9 Remoção de sabor e odor 13.1.1.1.1. 15. NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDOS E PROJETOS DE SAA.1.1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 4 12.8 Desinfecção 13.1 Aeração 13.1.7 Correção de acidez e da ação corrosiva 13.1 PROCESSOS 13.2 Mistura de reagentes coagulantes e floculadores.4 MATERIAL DOS TUBOS EMPREGADOS NAS REDES E ADUTORAS 120 13.1. 137 APLICAÇÕES REFERÊNCIAS 138 148 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .6 Filtração 13. NOÇÕES SOBRE TRATAMENTO DE ÁGUA 122 122 123 123 125 126 128 128 131 132 134 135 135 13. 13.5 Flotação 13.

..................................Valor de K empregado na fórmula de Allievi ................................................................... 57 Tabela 18 ± Tabela para obtenção dos valores de k .................................................................................. 87 Tabela 28 ............. 86 Tabela 24 ± Rendimento de motores elétricos em função da potência ... 87 Tabela 26 ± Potências usuais de motores elétricos fabricados no Brasil .............................120 Tabela 35......................................... 45 Tabela 11 ± Viscosidade cinemática da água em função da temperatura....................................................................................................................... ................................... 66 Tabela 22 .......Exemplo de cálculo de capacidade de reservatório de acumulação .............................................................Valores de ce ...................................................................................................................................................................................................................Tabela para cálculo analítico de reservatórios.. série K7 e K9 ...método analítico...........................................Valores de ke .......................................................Resumo da cobertura dos Serviços de água no Brasil ..................................................................................................... 86 Tabela 25 ± Acréscimos de potência para os motores em função da potência das bombas ..................... ..................... 101 Tabela 30 ............................................................................ 29 Tabela 9 ± Velocidade de sedimentação da areia x diâmetros das partículas ........ 29 Tabela 8 ± Alcance de projeto para sistemas de abastecimento de água ............................ 113 Tabela 33 ± Modelo de planilha de cálculo para redes de distribuição de água ± método de Hardy-Cross .. 36 Tabela 10 ................. 26 Tabela 7 ± Critérios para fixar alcance de projetos .............................. .............................................................Valores de C sugeridos para a fórmula de Hazen-Williams .............................. 13 Tabela 3 ± Evolução dos serviços de saneamento no Brasil ...................................................Diâmetros comerciais e pressões em tubos ferro fundido.................................... 121 Tabela 36 ± Principais coagulantes ou floculantes ...................Níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos (Șm)................. 18 Tabela 6 .... ...................... 60 Tabela 20 ... 55 Tabela 14 ± Velocidades máximas segundo o material das paredes do conduto ............................... 126 Tabela 37 ± Relação das normas brasileiras para projetos de sistemas de abastecimento de água .......................................................................................................................................................Densidades Demográficas observadas em Zonas Urbanas . 137 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 ............................................. 66 Tabela 23 ± Rendimento de bombas centrífugas em função da vazão de recalque ................ 98 Tabela 29 ............................ 87 Tabela 27 ................................Valores referenciais da rugosidade interna das canalizações . 13 Tabela 2 ± Resumo da cobertura dos serviços de esgotamento sanitário no Brasil ........................................ .......................................................... 48 Tabela 12 ................................ 59 Tabela 19 ± Exemplo de estudo econômico de adutora .dia ..... 65 Tabela 21 ............................................................................................. 101 Tabela 31 ± Modelo de planilha de cálculo de rede pelo seccionamento fictício ...........APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 5 INDICE DE TABELAS Tabela 1 .Modelo para cálculo analítico do consumo normal . 55 Tabela 16 ± Condi ções a serem observadas para instalação de dispositivos de proteção ............................... 55 Tabela 15 ± Velocidades máximas para condutos forçados .................. ponta e bolsa.................. 119 Tabela 34 ± Tabela de velocidades e vazões máximas nas redes de distribuição de água em função do diâmetro.............................................. 17 Tabela 5 ± Parcelas do consumo doméstico de água .................................................................. 56 Tabela 17 ± Tabela para estabelecimento de K em função da velocidade de escoamento......................................................... 15 Tabela 4 ± Parcelas de consumo para per capita de 200 l/hab................................................................. 113 Tabela 32 ± Modelo de planilha sugerido para verificação das pressões nos nós seccionados.......................... 48 Tabela 13 ± Velocidades mínimas para condutos livres ..................................................................................................................................................................................................................................

Ilustração 13 ± Canal de derivação com caixa de areia Ilustração 14 ± Tomada d´água em canal de regularização Ilustração 15 ± Esquema em planta e corte de uma caixa de areia Ilustração 16 ± Torre de tomada d´água Ilustração 17 ± Foto de torre de tomada com passarela Ilustração 18 ± Tomada d´água flutuante típica Ilustração 19 ± Captação flutuante do Sistema Adutor Jerônimo Rosado. Ilustração 23 . Ilustração 54 .Esquema horizontal .Mecanismo do golpe de Aríete em adução por gravidade Ilustração 29 .Fluxograma para determinação do valor de hf .Evolução dos serviços de saneamento no Brasil x crescimento popul acional Ilustração 2 . Ilustração 9 ± Esquema horizontal de sistema de abastecimento de água de poço tubul ar. Ilustração 40 ± Curva do sistema x curva da bomba Ilustração 41 ± Simulação de envelhecimento da canalização Ilustração 42 ± Associação de bombas em série Ilustração 43 ± Associação de duas bombas operando em paralelo. Ilustração 33 ± Canalização equivalente Ilustração 34 ± canalizações em serie Ilustração 35 ± Canalizações em paralelo Ilustração 36 ± Tipos de rotores de bombas centrífugas Ilustração 37 ± tipos de rotores de bombas centrífugas Ilustração 38 ± Curvas características de bombas centrífugas Ilustração 39 ± Curvas características de bombas centrífugas para diferentes rotores. Ilustração 25 ± Fluxograma para cálculo da vazão nos condutos com emprego da fórmula Universal.Reservatório de jusante.Curvas consumo/produção Ilustração 48 .reservatório de montante.Diagrama de Rippl para cálculo de capacidade de reservatórios Ilustração 52 .Representação do crescimento aritmético ou linear Ilustração 3 ± Curva representativa do crescimento geométrico ou exponencial Ilustração 4 ± Curva representativa da taxa decrescente de crescimento ou método logistico Ilustração 5 ± Curva de crescimento logístico ou de taxa decrescente Ilustração 6 ± Gráfico para previsão de popul ação pela curva de comparação.Reservatório de montante Ilustração 45 .reservatório de jusante Ilustração 56 . Fluxograma para cálculo do diâmetro das canalizações com emprego da fórmula Uni versal. adução periódica Ilustração 50 ± Diagrama e massas para adução periódica Ilustração 51 . Ilustração 26 ± Linha Piezométrica em conduto forçado Ilustração 27 ± Elementos hidráulicos das adutoras por recalque Ilustração 28 .Esquemas de redes ramificada e malhada.Linha piezométrica variável em reservatório de jusante Ilustração 57 .Representação do golpe de Aríete. Ilustração 46 .Esforço nas canalizações em locais de singularidades Ilustração 32 ± Bloco de ancoragem enterrado. sistemas de adução por recalque Ilustração 30 .Posições de reservatórios quanto ao terreno.Linha piezométrica constante em reservatórios de montante.Esquema horizontal .RN Ilustração 20 ± Exemplo de perfil de poço tubular Ilustração 21 ± Tipos de furação de filtros de poços tubulares Ilustração 22 ± Diagrama de Moody para determinação do fator de atrito f da fórmula Uni versal da perda de carga.Diagrama de M assas para determinação da capacidade de reserva Ilustração 49 . Ilustração 12 ± Barragem de nível em concreto. Ilustração 47 .Linha piezométrica variável em reservatórios de montante Ilustração 55 . Ilustração 7 ± Processo de extrapolação da curva de crescimento Ilustração 8 ± Esquema de sistemas de abastecimento de água: mananciais superficiais. Açu .Diagrama de distribuição de pressões ao longo das adutoras Ilustração 31 . Ilustração 53 . Ilustração 10 ± Esquema de captação de água em trechos de rios Ilustração 11 ± Esquema de captação direta em rios.fórmula Universal Ilustração 24.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 6 ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 . 15 23 23 24 26 27 28 30 30 32 33 33 34 34 35 36 37 37 38 39 40 50 51 52 53 54 59 62 63 70 73 75 77 78 79 84 84 88 89 90 91 92 93 95 95 95 98 98 99 100 102 104 104 104 105 105 106 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Ilustração 44 .Gráfico para determinação da capacidade de reserva.

Silubesa. 122 Ilustração 64 . mostrando o ponto de aplicação de reagentes químicos. em Natal-RN. 108 Ilustração 60 ± Exemplo de seccionamento e numeração dos nós da rede 110 Ilustração 61 ± Esquema ilustrativo das cotas piezométricas e perdas de carga. 131 Ilustração 73 ± Correção de acidez da água. 130 Ilustração 72 ± M aquete de filtro de fluxo ascendente fabricado em fiberglass. Foto de exposição no 11º.Esquema de filtro rápido de gravidade.RN. em Natal . Natal ± RN. 129 Ilustração 70 ± M aquete de arranjo de dupla filtração com filtros de fluxo ascendente.Esquematização de pressão estática (PE) e pressão dinâmica (PD) 107 Ilustração 59 ± Localização das canalizações nas vias públicas. 130 Ilustração 71 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 7 Ilustração 58 . 132 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Foto de exposição no 11º. Silubesa. Zona Norte. 112 Ilustração 62 ± Esquema hidráulico para aplicação do método hardy-Cross 114 Ilustração 63 ± Principais etapas do processo de tratamento d´água. ETA de Extremoz. 124 Ilustração 65 ± Esquema de uma unidade de floculação 124 Ilustração 66 ± Decantador horizontal 127 Ilustração 67 ± Decantador vertical 127 Ilustração 68 ± Processo de floculação e decantação em Jarr Teste 128 Ilustração 69 ± Seção típica de um filtro de areia.Foto da Calha Parshall.

ao tratamento de esgotos e aos estudos de transientes hidráulicos. A apostila aborda os conceitos básicos. Jocildo Tibúrcio da Costa. APRESENTAÇÃO O presente trabalho foi originalmente elaborado com base nas notas de aula do ex-Professor do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 8 1. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . recomenda-se a pesquisa complementar e o aprofundamento dos estudos. tornando-se uma fonte alternativa de consulta para os alunos que cursam regularmente a disciplina Sistemas Urbanos de Águas e Esgotos do Curso de Engenharia Civil na referida Universidade. assim como a impossibilidade de tratar no presente trabalho de todo o conteúdo programático. seleção e emprego de fórmulas para dimensionamento das principais unidades e equipamentos empregados nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Civil e Sanitarista. Dado ao caráter bastante abrangente da disciplina e à especificidade de alguns assuntos. A apostila vem sendo complementada pelo Professor Valmir Melo da Silva. parâmetros e critérios para concepção e projeto. Esses assuntos foram pouco explorados no presente trabalho e quando abordados tiveram tratamento superficial. principalmente no que se refere ao tratamento de água. Eng.

parâmetros de projeto. critérios de dimensionamento.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 9 2. emissários. unidades de tratamento. parâmetros de projeto. reservatórios e redes. cálculo de demandas. os recursos da informática disponíveis para facilitar a elaboração dos estudos e projetos. RESUMO O presente trabalho contém uma síntese dos principais assuntos constantes do conteúdo programático da disciplina Sistemas Urbanos de Água e Esgotos que vem sendo ministrada regularmente para o Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. adução. reservação e distribuição de água. como adutoras. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . e materiais empregados para as obras e equipamentos de captação. fórmulas e roteiros de cálculo. critérios de dimensionamento. A segunda parte da apostila é dedicada aos conceitos. O estudo contempla ainda. grandezas características. aspectos construtivos. fórmulas e roteiros de cálculo. equipamentos e demais componentes dos sistemas de esgotos. a perspectiva de utilização de planilhas de cálculo e o emprego de softwares facilitadores para elaboração de projetos de determinadas unidades do sistema. tratamento. No texto encontram-se ainda aspectos relativos à execução dos serviços e materiais empregados na construção de redes coletoras. assim como. estações elevatórias. A primeira parte da apostila explora os conceitos. constituindo-se em importantes recursos que podem ser empregados para a agilização e automação das atividades de escritório de projetos de saneamento. além de aspectos construtivos e materiais empregados para os coletores de esgotos. grandezas características.

a limpeza urbana e combate a incêndio. compressores de ar. o oxigênio e a água são os mais importantes à vida. . . uma pessoa adulta necessita ingerir de dois a quatro litros de água por dia. b) nas necessidades biológicas do homem. Entre os elementos existentes na natureza.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 10 3. a irrigação. direta ou indiretamente. . nas indústrias de papel. c) na correção das sujeiras e como veículo de refugos de toda a sorte de atividades. Segundo relatos médicos. as seguintes: a) na conservação do ser vivo. além de contribuir para a degradação do meio ambiente. constituindo. no ambiente domiciliar e no atendimento das atividades produtivas e recreativas. Mais de dois terços do corpo humano é constituído por água. o preparo de alimentos. Drenagem e Resíduos Sólidos. Esgotamento Sanitário. siderurgia e metalurgia. Na industria. podendo-se elencar. na construção civil.Como matéria-prima ± para produção de bebidas e alimentos. destacando-se o asseio corporal. A água está presente em todas as etapas do ciclo vital. transportando. pode ter os seguintes usos: . a vapor e hidrelétricas. 3. entre tantas outras funções. de produtos plásticos e curtumes. A perda de três por cento da água da massa corporal já é suficiente para provocar risco de morte por auto-intoxicação. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .Como veículo ± quando empregada nas cerâmicas. tinturarias e indústrias químicas.quando utilizada nas máquinas hidráulicas.Como dissolvente . e destes recolhendo e conduzindo os produtos de desassimilação para os órgãos de excreção. entre outros.Como agente de refrigeração ± em destilarias.nas refinarias. de produtos têxteis. como bebida ou através da alimentação. com todos os seus reflexos na produtividade humana. A ausência ou inadequação dos serviços de saneamento constitui riscos à saúde pública. IMPORTÂNCIA DOS SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA O saneamento básico compreende o estudo do conjunto de quatro importantes disciplinas da infra-estrutura urbana: Abastecimento de Água. 3.1 FUNÇÕES. As ações de saneamento básico se caracterizam como indispensáveis para o desenvolvimento sócio-econômico e para sustentabilidade ambiental. A água tem uma importância primordial para o desenvolvimento econômico. para que possa gozar de um funcionamento orgânico saudável.2 IMPORTÂNCIA ECONÔMICA. . transformando e dissolvendo os princípios nutritivos das células e tecidos.Como motor ou transformador de energia .

Avalia-se que. Os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário são serviços de infraestrutura indissociáveis do saneamento básico: A implantação e melhoria das condições de saneamento básico na Europa e na América Latina foram determinantes para: . . de um quatro a um terço se destinam às necessidades conjuntas da indústria e do comércio.Nas necessidades "domésticas" dos funcionários. um quarto dos leitos hospitalares de todo o mundo é ocupado por pessoas cujas doenças são originadas por água de má qualidade. da cárie dental e da fluorose.Progresso da comunidade. Outro dado que já vem sendo divulgado há algum tempo pelas entidades que se ocupam das questões de saúde pública. do volume total de água produzido por um sistema público. principalmente infantil. 3. Os sistemas de abastecimento de água assim como os de esgotamento sanitário são primordiais para o desenvolvimento industrial. . Os sistemas de Abastecimento de Água são essenciais a: Proteção e melhoria das condições gerais de saúde. . da ocorrência de hepatite infecciosa. é que a cada dólar investido em ações de saneamento resulta numa redução de quatro dólares em despesas com saúde curativa. favorecendo ainda a evolução de costumes mais salutares. a adoção de sistemas isolados torna-se anti-econômica. .Sustação da cólera-morbo. doméstico e coletivo. o abastecimento de água.Na limpeza de equipamentos e de pisos. .Declínio dos surtos epidêmicos e endêmicos da febre tifóide. Erradicação de doenças. de verminoses e de outras moléstias de origem ou de veiculação hídrica. de paratifos e de disenterias. inclusive índices do bócio endêmico.3 FATOR DE DESENVOLVIMENTO No meio rural e nas instituições industriais.Redução dos coeficientes de morbidade e de mortalidade geral. constitui um sistema isolado.Práticas de medidas profiláticas de caráter individual. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Já nas zonas urbanas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 11 . .Aumento da produtividade do trabalho humano.A elevação dos padrões de vida da coletividade. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). .Ao desenvolvimento industrial. . em geral.

Começaram a surgir os tubos de ferro fundido e de aço. em 1828. apenas o Rio de Janeiro. através de muitos canais.4 EVOLUÇÃO DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA .Na Atenas de Péricles já havia 20 aquedutos em barro cozido ou de chumbo.Na antiga Babilônia. os problemas de suprimento de água. entre os povos antigos. Após a decadência do Império Romano. tomaram novo e crescente impulso. quando foram lançados os princípios fundamentais da hidrotécnica moderna. alimentando fontes públicas e uma legislação sobre o seu uso. Pascal e Bernoulli. mais tarde. Foram os romanos.Na China e na Índia há vestígios de obras antiqüíssimas para condução de água para o consumo público. são hoje objeto de curiosidade técnica ou turística. As bases da engenharia hidráulica e sanitária surgiram na segunda metade do Século XIX. A cidade de Londres só começou a consumir água filtrada do rio Tamisa. .HISTÓRICO As cidades sempre se desenvolveram onde se pudesse dispor de água para sua subsistência. não se verificou nenhum progresso digno de nota nos serviços hidro-sanitários. 3. até o término da Renascença (decorridos mais de um milênio). Ruínas de obras hidráulicas há muito construídas. ricos ou potentados. A distribuição pública sistematizada de água. de aplicação relativamente simples e econômica. . nas conquistadas. por Torricelli. as águas do rio Nilo eram desviadas para uso do homem e na irrigação. . Como exemplo pode-se citar: . São Paulo e Porto Alegre eram abastecidas. havia jardins suspensos. Inicialmente os poucos condutos existentes alcançavam um número limitado de propriedades de senhores privilegiados. A partir dos Séculos XVII e XVIII. Recife. entretanto.Na região de Jerusalém há reminiscência de aquedutos. atribuída ao rei Salomão. A cidade de Paris só passou a contar com um serviço de água satisfatório em 1840. Antes do advento da República. Foram descobertos métodos e introduzidos processos de depuração ou potabilização. Salvador. as bombas movidas a vapor e. só começou praticamente depois de meados do Século XIX.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 12 3. por motores a combustão interna e por motores elétricos. os que enfrentaram com mais decisão e eficiência. túneis e cisternas antes da era cristã. onde jorravam fontes com água trazida do rio Eufrates.No Egito.5 COBERTURA DOS SERVIÇOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO BRASIL SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Em 1900 já existiam alguns milhares de sedes dotadas deste inestimável melhoramento. . não só para as suas próprias cidades. como também.

641.58 milhões de ligações.533 31.0 86.5% da população total presente naquele ano.590. O número total de distritos era de 9.722 municípios e 2.848.Resumo da cobertura dos Serviços de água no Brasil REGIÕES POPULAÇÃO TOTAL POPULAÇÃO URBANA 9.262.783.7 milhões de habitantes. Apesar do grande avanço em relação ao ano de 1989.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 13 Segundo dados de Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000).734 67.441.793.783 11.068 Norte Nordeste Sudestes Sul Centro-Oeste Total % DA PO PULAÇÃO TOTAL 3 19 70 28 33 42 % DA PO PULAÇÃO URBANA 4 28 77 35 38 51 Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000) No final do ano 2000 existiam 5.693 Fonte: Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (2000) Tabela 2 ± Resumo da cobertura dos serviços de esgotamento sanitário no Brasil REGIÕES PO PULAÇÃO ATENDIDA 395.935 6.391 municípios com rede de distribuição de água. o País apresentava no ano 2000.143 POPULAÇÃO ATENDIDA 7.212 137.835. que esse contingente populacional concentra-se na periferia das regiões metropolitanas.745 169.962 32. nas pequenas localidades interioranas rurais e dispersas por todo o país.5071 municípios.214 21.461 50.002.542 10.161. A população urbana total no ano 2000 era da ordem de 137. representando uma cobertura de 81.516 20.944.999.217. um contingente de mais de 31 milhões de pessoas sem acesso aos serviços públicos de rede de água e aproximadamente 100 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de coleta de esgotos.351 25.306.124 32. Segundo a pesquisa. 1 O número total de municípios em 3 de outubro de 2004 era 5.656 distritos.755.5 Norte Nordeste Sudestes Sul Centro-Oeste Total 12. No tocante à cobertura dos serviços de esgotamento sanitário. nas grandes e médias cidades. distribuído por 8. existindo algum tipo de abastecimento em cerca de 9.033.561 47.405 138.543 9. havia 30.616.318 65. o Nordeste contava em 2000 com 1.391 contavam com rede de distribuição de água.017.253 72. o abastecimento de água através de rede pública alcançava no ano 2000.297.599 14. uma população de 138 milhões de habitantes.835 4.089. apenas 51% da população urbana era atendida com o serviço.826.262. A cobertura dos serviços por regiões é mostrada nas Tabelas 1 e 2.671 70. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .3 69.6 81. No conjunto dos 5.2 93.138.020 % DE ATENDIMENTO 56. por ocasião do Censo de 2000. Tabela 1 .241 1.348 3.527.3 77.550 distritos.693.893.075.048 9.539 7. dos quais 5. sendo que destes últimos apenas 17. Destaquese ainda.550 POPULAÇÃO RURAL 3.541.089.855.562.929.3% eram abastecidos.

observa-se que o percentual médio de cobertura com abastecimento de água à população urbana é razoavelmente confortável. conforme constatado na Tabela 2. período que corresponde a grande e crescente mobilização de recursos financeiros para o setor. enquanto o atendimento com coleta de esgotos era de apenas 56%. A partir de 1983 passam a ser sentidos os efeitos da retração na economia brasileira. registrando a marcante atuação do PLANASA. caracterizada por corte nos gastos públicos. Os dados demonstram significativa elevação dos índices de cobertura a partir de 1970. tanto em abastecimento de água quanto de esgotamento sanitário. no período de 1960 a 2000 é apresentada na Tabela 3. A evolução dos serviços relativos ao crescimento populacional é mostrada na Ilustração 1. De conformidade com os dados disponíveis. com salto apreciável. relativo e absoluto. verificam-se grandes desigualdades regionais. a partir de 1960. resultando numa cobertura de abastecimento de água de cerca de 90% dos domicílios urbanos no ano 2000. Além das desigualdades de acesso entre os serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário. Percebe-se claramente o descompasso entre os investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário ocorridos nos últimos 30 anos. mesmo com um incremento populacional da ordem de 106 milhões de habitantes ocorrido no período.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 14 A evolução da prestação dos serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário no Brasil. com reflexos diretos nos investimentos em saneamento. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Verifica-se pelos dados apresentados que as áreas urbanas das regiões Sul e Sudeste são as melhores servidas com sistemas de esgotos enquanto as regiões Norte e Nordeste apresentam os maiores déficits de cobertura.

01 111.00 29.50 127.00 70.00 49. MUNICÍPIOS % DA PO PULAÇÃO URBANA 36.00 67.00 146. 1970.50 81.10 56.70 75.Evolução dos serviços de saneamento no Brasil x crescimento populacional Fonte: Censos IBGE. 1950 a 2000 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .07 93. 160.78 32.88 70.80 8.94 1889 2766 3592 2991 4491 5507 Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (1960.00 12.00 1955 1960 1965 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 População total (milhões hab) População urbana (milhões de hab) População urbana atendida c/água (milhões hab) População urbana atendida c/esgoto (milhões de hab) - Ilustração 1 .20 1950 1960 1970 1980 1991 2000 51.00 60.90 82. 180.00 140.92 169.14 119.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 15 Tabela 3 ± Evolução dos serviços de saneamento no Brasil ANOS POPULAÇÃ O TOTAL POPULAÇÃ O URBANA POPULAÇÃ O URBANA ATENDIDA (água) POPULAÇÃ O URBANA ATENDIDA (esgoto) NO.80 18.00 40.00 100.00 28.80 13.00 137.20 45.00 98.00 20. 1991 e 2000).00 60.00 52.00 120.00 80. 1980.00 População em milhões de hab.

armazéns. Os elementos para um projeto de sistema de abastecimento de água relacionam-se com consumo. Entre os principais usos da água podem-se citar. barbearias. Os consumos per capitas podem variar SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . edifícios públicos. como insumo de processo industrial. Na indústria a água é utilizada como matéria prima. caldeiraria. expresso em litros por habitante por dia. requer a realização de estudos prévios e a elaboração de projetos com vistas a atender aos seguintes objetivos: a) possibilitar o desenvolvimento das diversas atividades urbanas. encontra-se nos escritórios. Merece destacar que grande parte das perdas e desperdícios que ocorrem nos sistemas de abastecimento de água. alcance e definição da captação de água. b) garantir o suprimento de água em quantidade e qualidade. O consumo de água está estreitamente relacionado com os usos e quotas per capitas. banheiros e sanitários públicos.1. a quantidade de água que é atribuída para cada pessoa beneficiária pelo serviço projetado. restaurantes. em geral. população. financeiros e humanos que garantam a implantação e manutenção auto-sustentada do sistema. na remoção de resíduos e nas próprias instalações sanitárias.1 ELEMENTOS DE PROJETO Consumo per capita Entende-se por consumo per capita ou quota per capita. piscinas públicas. O uso comercial da água. nos ramais domiciliares e no interior de prédios são computados como consumo.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 16 4. ELEMENTOS E PARÂMETROS DE PROJETO A implantação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em uma comunidade. quantidade. combate a incêndios. chafarizes e torneiras públicas. lavanderias. culinária. c) garantir as condições de acesso aos serviços. que tem por finalidade permitir o cálculo das demandas para efeito de projeto das diversas unidades ou partes do sistema. postos de lavagem e lubrificação. 4. através de vazamentos em adutoras. cinemas. redes. no resfriamento. bares. ou seja. o uso doméstico para fins de bebida. asseio corporal e descarga de aparelhos sanitários. limpeza de coletores de esgotos. dependendo também de um conjunto de fatores e de variáveis que afetam o consumo. dimensão ou importância. lojas. fontes ornamentais. É um valor de referência. salões de beleza. O consumo público da água se dá em irrigação de praças e jardins. quanto a adequação do sistema às características sócio-econômicas da população.1 4. reservatórios. qualquer que seja sua localização. lavagens de ruas. d) apresentar flexibilidade que permita o sistema acompanhar o incremento populacional e a expansão econômica e territorial da comunidade. teatros. e) prover os recursos organizacionais. etc.

adota quotas quotas per capitas distintas dependendo do tamanho e da população das cidades. obtém-se a quota per capita média diária. consiste em dividir o volume de água aduzido por ano pela população abastecida. Em Natal. através de chafarizes ou torneiras públicas. (1998) Para a parcela do uso doméstico. al. Em São Paulo. totalizando per capitas de 220 e 200 l/hab. Para os centros urbanos os per capitas também podem sofrer grandes variações. conforme Técnica de Abastecimento e Tratamento de Água (1976). q! Volume aduzido por ano 365 x população abastecida (1) A título de exemplo. capital. como estudos mais recentes.dia para a Zona Norte da cidade.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 17 de cidade para cidade. na Tabela 4. por exemplo. são adotados valores de 300 l/hab. encontra-se a distribuição do consumo de água em São Paulo. ou seja. entre as quais se destacam: os custos de escassez. Uma das formas de obter o consumo médio per capita de uma comunidade.dia. enquanto nas cidades do interior são adotados valores da ordem de 200 l/hab. Tabela 4 ± Parcelas de consumo para per capita de 200 l/hab. José Martiniano de Azevedo.dia para a Zona Sul e de 200 l/hab. a concessionária estadual (CAERN). Dividindo-se o resultado obtido por 365 dias. as quotas per capitas variam de 30 a 60 l/hab.dia Categoria de consumo Doméstico Comercial-industrial Público Não contados e perdas Total Saturnino de Brito (1905) 100 50 45 25 220 CNSOS (1951) 85 50 25 40 200 Fonte: Netto. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . as condições sócio-econômicas da população e as condições climáticas locais. Em comunidades não atendidas por sistemas convencionais de abastecimento de água. a quota per capita pode chegar a 300 l/hab. os valores mostrados na Tabela 5.dia. Para o interior do Estado são adotados per capitas que variam de 100 a 150 l/hab.dia. et.dia No Estado do Rio Grande do Norte.dia. dependendo de uma série de condições. os autores Yassuda & Nogami citam.

Como fatores específicos são citados: modalidade de suprimento. As variações de consumo mais sentidas ocorrem nos meses de verão. pressão na rede e o controle sobre o próprio consumo. qualidade da água. Há cidades onde se notam as flutuações de consumo diário no período da semana.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 18 Tabela 5 ± Parcelas do consumo doméstico de água Consumos Bebida e cozinha Lavagem de roupa Asseio corporal ± banhos e lavagens de mãos Instalações sanitárias Outros usos Perdas e desperdícios Total Quantidades (l/hab. disponibilidade e custo da água. (1976) Para o caso específico do Rio Grande do Norte não se conhecem estudos estatísticos precisos que forneçam os consumos médios por habitante. diárias. Registros de consumos de algumas cidades dão contam de consumos máximos nas segundas e terças-feiras.2 na maioria dos projetos de abastecimento de água.05 do valor médio. utiliza-se k1 = 1. É comum designar-se por k1 o coeficiente do dia de maior consumo que é definido pela relação entre o consumo (produção) máximo horário e o consumo (produção) médio diário. e mínimo nos domingos.8 do valor médio.dia) 10-20 10-20 25-55 15-25 15-30 25-50 100-200 Fonte: Técnicas de Abastecimento e Tratamento de Água. 4.4.1. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .2 a 2. CETESB. No cálculo das demandas os consumos médios são majorados em função dessas variações. com valores de 1. horárias e instantâneas. Em geral. pelo menos na região Nordeste do Brasil. As variações de consumo são expressas através de coeficientes. características. ou seja: k1 ! consumo máximo diário consumo médio diário (2) O coeficiente k1 pode variar de 1.1. tipo e quantidade de indústrias.3 Variações de consumo O consumo de uma comunidade pode sofrer variações anuais. com consumo da ordem de 0.2 Fatores que afetam o consumo Os fatores que afetam o consumo de água de uma comunidade podem ser classificados em genéricos e específicos: Os fatores genéricos compreendem: tamanho da cidade. hábitos higiênicos e destino dos dejetos. clima. mensais. dependendo dos fatores que afetam o consumo. 4. da forma como mostrado acima.

Representa a relação entre o consumo máximo horário e o consumo médio horário. O consumo mínimo horário.P.0. máximo diário e máximo horário. os conceitos de consumo médio. por.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 19 Costuma-se denominar de k2 o coeficiente de consumo máximo horário. as etapas de construção e as diversas categorias de consumo. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .q1 + (1  a).2.2 l/s. em geral é expresso pelo coeficiente k3. 4. Para melhor compreensão do cálculo das demandas são apresentados a seguir.q2. ainda. ou devido à abertura ou fechamento simultâneo das torneiras e válvulas de descargas. entre os quais preponderam os consumos domésticos. Devem ser analisadas as possibilidades de consumos pontuais. os sistemas são projetados e construídos em função das demandas de fim de plano ou das diversas etapas ou dos módulos a serem construídos.P.q (5) Onde: P = população total abastecida (futura) P1 = população com ligação domiciliar. (4) Ou. P2 = população abastecida por torneira pública.5. Pode ser definida pela seguinte expressão: Q = P1.5 a 3. 4. este tomado como sendo igual 0. No caso de dimensionamento de redes de distribuição para prédios desprovidos de reservatórios. a vazão mínima de dimensionamento recomendada é de 2. em decorrência dos consumos de prédios desprovidos de reservatórios.q2 = a.1 Demanda média diária O consumo ou demanda líquida média diária de água de uma comunidade traduz a quantidade média de água que é necessário produzir para satisfazer às necessidades da população. Variações instantâneas de consumo são muito comuns nos extremos das redes.2 CÁLCULO DAS DEMANDAS DE ÁGUA As demandas de água podem ser determinadas levando-se em conta o alcance de projeto. Em geral. principalmente para fins industriais e futuras expansões do sistema. Q ! P.q1 + P2. Esta faixa de valores é resultado de pesquisas realizadas em diversos trabalhos técnicos. ou seja: k2 ! consumo máximo horário consumo médio horário (3) O coeficiente k2 pode assumir valores de 1.

4.2 Demanda máxima diária É a quantidade de água a ser produzida. Q = consumo médio diário O consumo anual é obtido multiplicando-se o consumo médio por 365 dias. m³/s ou m³/h. (6) e (8) por (1 . máximas diárias e máximas horárias. para o cálculo das diversas partes do sistema. ou seja: Qmáx.q.k 2 (8) As demandas médias. em litros por pessoa por dia.Q + Qind + Cfogo Onde: Qind = consumo máximo diário da indústria Cfogo = consumo de água para dar combate a incêndio. considerado isento de perdas.IP%). SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .k 1 . podem ser calculadas levando-se em contas os índices de perdas (IP). As demandas máximas podem ser expressas em l/s. dependendo das unidades de medidas de entrada nas fórmulas.2. a = coeficiente em percentual. valor que adquire maior importância no cálculo dos reservatórios de acumulação. nesta computada eventuais acréscimos diários de consumo. ou seja. 4.2. Pode ser obtida multiplicando-se a demanda média pelo fator coeficiente k1. No caso de haver indústrias de grande porte usando o sistema público e para combate ao fogo utiliza-se a seguinte expressão para calcular a demanda média: Qmax ! k 1 .3 Demanda máxima horária (7) (6) O cálculo da demanda máxima horária tem por finalidade a determinação dos diâmetros das canalizações da rede de distribuição de água podendo ser obtida multiplicando-se a demanda média diária pelos coeficientes k1 e k2.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 20 q1 = consumo per capita das pessoas abastecidas por ramal domiciliar. q = consumo médio per capita em litros por pessoa por dia. q2 = consumo per capita das pessoas abastecidas por torneira pública ou chafariz em litros por pessoa por dia. simplesmente dividindo-se os valores encontrados nas equações (5). Qmax ! k 1 . estabelecido para abastecimento através de ramal domiciliar.horária = P.Q Onde: k1 = coeficiente do dia de maior consumo.

Uma das expressões sugeridas é a fórmula de Kwichling. E = emigração no período.2. A população de uma cidade. poderia ser calculada pela fórmula: P = Po + (N  M) + (I  E) Onde: P = população no instante de tempo t. pode ser utilizado como referência. No Brasil. das variações de consumo e das quotas per capitas adotadas. Deve-se levar em conta ainda. N  M = representa o crescimento vegetativo ou saldo vegetativo no período. para pequenas cidades. num certo instante. Para cidades com população superior e até 200 mil habitantes.4 Vazão para combate a incêndio As vazões para combate a incêndio são determinadas em função de valores máximos e mínimos pré-estabelecidos por jato de água. recomenda-se utilizar 10 horas para a duração do incêndio.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 21 4. P = população da comunidade em milhares de habitantes. I  E = crescimento social ou saldo migratório no período. I = imigração no período. de jatos necessários para apagar o incêndio. o tempo de 4 horas. o que pode variar dependendo das normas técnicas adotadas. o número de jatos que será utilizado para apagar o incêndio e a sua provável duração. admite-se que a vazão por jato de água possa ficar entre um máximo de 16 l/s e um mínimo de 12 l/s. (10) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . até 1000 habitantes. M = número de óbitos. na falta de estudos mais específicos. No que se refere à duração de incêndio. ou seja: F ! 28 P Onde: (9) F = no. Po = população no instante inicial to N = nascimentos coletados no mesmo instante.3 ESTUDOS POPULACIONAIS Os consumos ou demandas de água dependem fundamentalmente da população a ser atendida. 4.

Po = a população inicial de referência. as expectativas de crescimento população ao longo do alcance do projeto. método comparativo e o método exponencial). o método aritmético. principalmente a modelos matemáticos que expressem. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .1 Método aritmético ou de crescimento linear É um método pouco indicado. com maior aproximação. t = tempo final O método aritmético admite que o crescimento populacional ocorra linearmente. Pode ser usado para curtos intervalos de projeção. 4. é falho para longos períodos de alcance de projeto. to = ano inicial. ou seja: r! P O 1  P t1  tO (11) ou Ka ! P2  P0 t 2  t0 (11-a) A partir da qual se obtém: P = Po + r(t . Outra forma que pode ser destacada para avaliação populacional consiste no estabelecimento de densidades habitacionais para áreas delimitadas pelos planos diretores das cidades.3. O incremento populacional. Por isto. Pode ser verificado também graficamente. pode ser calculado analogamente a razão de uma progressão aritmética. entre os quais. método da taxa decrescente. além dos processos gráficos (de extrapolação gráfica ou das tendências da curva de crescimento.to) (12) P = P0 + Ka(t-t0) Sendo: P = a população final de projeto. por este método. políticos. o método logístico. não obstante. São conhecidos diversos métodos para estimativas de crescimento populacional. sociais e outros difíceis de serem quantificados por esta metodologia. o método geométrico. recorre-se a outros métodos.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 22 A população é um dado bastante variável que depende de fatores econômicos.

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

23

Ilustração 2 - Representação do crescimento aritmético ou linear 4.3.2 Método Geométrico ou de crescimento exponencial

É indicado para cidades de até 200.000 habitantes. É um método muito usado pelos projetistas de sistemas de abastecimento de água brasileiros. A razão de crescimento corresponde à razão de uma progressão geométrica:

r ! (t1tO )

P1 PO

(13)

ou

Kg !

ln P2  ln P 1 (13-a) t2  t1

A partir destas obtém-se:

P ! PO .r ( t tO )
Pt ! P0 .e
K g ( t t0 )

ou (14)

(14-a)

e = base dos logaritmos neperianos. Onde as variáveis têm os mesmos significados já explicados. Este modelo admite o logaritmo da população crescendo linearmente com o tempo. Pode ser verificada em papel monologarítimo. O crescimento populacional é pressuposto ilimitado.

Ilustração 3 ± Curva representativa do crescimento geométrico ou exponencial 4.3.3 Taxa decrescente de crescimento ou Método Logístico

Baseia-se na premissa de que, à medida em que a cidade cresce, a taxa de crescimento torna-se menor. A população tende assintoticamente a um valor de saturação. Os parâmetros podem ser também estimados por regressão não linear. Nas formulações abaixo, P0, P1, P2 são as populações nos anos t0, t1, t 2 (hab). As fórmulas para taxa decrescente e crescimento logístico exigem valores eqüidistantes, caso não sejam baseados em análise de regressão. A população em qualquer tempo t pode ser dada por:
SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

24

Pt ! P0  ( Ps  P0 ) 1  e  K d ( t  t0 ) (15)
A taxa de crescimento por esse método é dada por: dP ! K d .( Ps  P) dt Kd !
(16)

?

A 

ln[( Ps  P2 ) /( Ps  P0 )] t 2  t0

(17)

Ps = população de saturação
Ps ! 2.P0 .P1 .P2  P1 ( P0  P2 ) P0 .P2  P1
2 2

(18)

Ilustração 4 ± Curva representativa da taxa decrescente de crescimento ou método logistico É o método mais indicado para estudo populacional de grandes cidades, pressupondo-se que estas cidades possam atingir uma população de saturação ao final de certo tempo. Outra forma de representar o crescimento populacional P é dada pela seguinte equação. P!
Pt !

Ps 1  e a bT
Ps 1  c.e K1 ( t t0 )

(19) ou
(19-a)

Onde: P = população projetada. Ps = população de saturação. e = 2,7182845 (base do sistema de logaritmos Neperiano) a e b = parâmetros da curva.
SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

25

T = intervalo de tempo entre To e o ano no qual se deseja obter P.
c ! ( Ps  P0 ) / P0
K1 !
(20) (21)

« P .( P  P1 ) » 1 ln ¬ 0 s ¼ t 2  t1 ­ P1 ( Ps  P0 ) ½

Para que se possa calcular os parâmetros a e b da curva faz-se necessário determinar preliminarmente, a população de saturação da cidade. O cálculo da população de saturação fica simplificado quando são conhecidos ou escolhidos intervalos de população e de tempos, por exemplo, (P0,T0), (P1,T1) e (P2,T2) de forma que satisfaçam às seguintes condições:. T2 = 2T1 P0 < P1 < P2 (P1)2 > P0P2 A população de saturação Ps pode ser calculada pela seguinte fórmula:
2 2 PO P 1P 2  (P 1 ) (P 2) O  P Ps ! 2 PO P2  ( P1 )

(22)

a!

1 P  PO log s 0,4343 PO P ( P  P1 ) 1 log O s 0,4343T1 P 1 (P s  P O)

(23)

b! Para
T!

(24)

a , obtém-se o ponto de inflexão da curva, onde: b

P1 !

Ps 1  ea  a

!

Ps 2

(25)

O ponto de inflexão na curva ocorre no tempo [t0-ln(c)/K1]

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ou seja. de acordo com a natureza de sua ocupação. A Tabela 6. estabelecendo-se densidades populacionais máximas para as áreas. lotes médios e pequenos. a seguir apresentada pode ser usada como referência para auxiliar nos estudos populacionais. Casas geminadas. Tabela 6 .6 Processo das curvas de crescimento de outras cidades Densidade demográfica (hab/ha) 25  50 50  75 75  100 100  150 150  250 250  750 50  100 25  100 O emprego desta metodologia permite exprimir o crescimento populacional de uma cidade em função do desenvolvimento de outras. lotes grandes. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . 4. predominando 2 pavimentos Prédios de apartamentos pequenos Áreas de apartamentos altos Áreas comerciais Áreas industriais 4. predominando 1 pavimento Casas geminadas. Por este método verifica-se que a população cresce assintoticamente para um valor limite Ps.3.CURVA LOGÍSTICA Populaçã o População P2 P1 Po T0 T1 T2 Escala dos tempos T Ilustração 5 ± Curva de crescimento logístico ou de taxa decrescente O cálculo populacional por este modelo fica simplificado para pontos cronologicamente eqüidistantes.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 26 PROJEÇÃO DE POPULAÇÃO .Densidades Demográficas observadas em Zonas Urbanas TIPO DE OCUPAÇÃO DO ESPAÇO URBANO Áreas periféricas: casas isoladas. razão pela qual também é conhecido por processo comparativo ou da curva de correlação. Casas isoladas.3.5 Avaliação populacional por critérios das densidades habitacionais Podem-se associar os métodos de crescimento populacional a uma adequada distribuição da população nas áreas urbanas.

na pressuposição de que esta venha ter um desenvolvimento ou crescimento populacional semelhante ao que elas tiveram quando possuíam população de mesma grandeza que a sua atual. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . A comparação pode ser feita utilizando-se a média aritmética ou ponderada. as cidades eleitas para comparação devem ser da mesma região geoeconômica. restringindo-se a trasladação ao máximo de trinta anos. registrando-se no eixo das abscissas. A curva de crescimento desejada. eventualmente. já que a precisão deste método é tanto maior quanto menor for o seu alcance. os pesos dependem principalmente da analogia de crescimento na fase anterior à população do ponto escolhido como ponto comum. Diz que para o sucesso deste método. trasladam-se todas as curvas para a direita. é o lugar geométrico dos pontos que representam a média das ordenadas das curvas trasladadas. as curvas de crescimento demográfico das cidades a comparar. os anos censitários e no eixo das ordenadas. Neste último caso. Partindo-se destas premissas traçam-se. a partir deste ponto comum. aquelas que forem muito discrepantes das demais. Na Ilustração 6 encontra-se representado o método de comparação do crescimento populacional de uma cidade C em função de duas outras A e B. Curva comparativa 120 0 A´ 100 0 A B´ Popul ações em 1000 ha b 80 0 C ´ B´ POPULAÇÕES A 60 0 POPULAÇÕES B POPULAÇÕES C 40 0 C 20 0 0 1930 1940 1950 1960 1970 1980 Ano s 1990 2000 2010 2020 2030 Ilustração 6 ± Gráfico para previsão de população pela curva de comparação. consiste em se eleger cidades que além de possuírem características análogas. conforme Ilustração 3. num sistema de coordenadas. Para obtenção da curva de crescimento da cidade em estudo. tenham população superior à cidade objeto de estudo. que representa o último dado populacional da cidade cuja população se deseja projetar.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 27 Em síntese. para reduzir a margem de erro de previsão. as populações. exclusive. de modo a ficarem com um ponto em comum.

ii) Vida útil das estruturas e dos equipamentos. A vida útil provável das obras. uma vez que estão em constante evolução. Prolongamento da curva de crescimento 1. por sua vez. os anos relativos aos censos disponíveis e no eixo das ordenadas as populações respectivas. Faz-se. seu desgaste. das inovações e recursos tecnológicos. depende do tipo e da natureza de cada parte. A Ilustração 7 representa uma das possíveis soluções de tendência de crescimento da população da cidade do Natal com base nos dados censitários de 1940 a 2000.3. 600 400 200 0 1930 1940 1950 1960 1970 1980 Anos (Censos) POPULAÇÃO 1990 2000 2010 2020 2030 Ilustração 7 ± Processo de extrapolação da curva de crescimento 4.4 ALCANCE DE PROJETO O alcance de projeto depende da vida útil que pode ser atribuída a cada uma das partes do sistema ou de vida útil das obras. eficiência e obsolescência. marcam-se no eixo das abscissas. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . tendo-se em conta sua durabilidade provável. do material empregado.7 Processo de extrapolação da curva de crescimento Num sistema de coordenadas e em escala conveniente.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 28 4. em seguida. levando-se em consideração o desenvolvimento industrial. instalações e equipamentos.200 1. Os seguintes fatores devem ser ponderados para estabelecimento do período de projeto ou alcance de um projeto: i) Tendências de crescimento da população e das necessidades urbanas.000 800 Popul ações em 1000 ha b. o prolongamento da curva respeitando-se a tendência de crescimento.

Os sistemas ou as unidades dos sistemas podem ser construídos por etapas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 29 iii) Facilidades ou dificuldades que se apresentam para a ampliação das obras e instalações. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . As influências exercidas podem ser resumidas na Tabela 7 devendo-se ressaltar que pode existir interdependência entre alguns fatores.Floculadores. Decantadores.De aço Canalizações de Distribuição Edifícios 25 a 50 30 a 60 10 a 25 10 a 20 20 a 30 15 a 25 20 a 30 10 a 20 30 a 40 20 a 30 20 a 30 30 a 50 De um modo geral os sistemas são projetados para alcances que variam de 20 a 25 anos. Filtros .Dosadores Reservatórios de Distribuição: . iv) Disponibilidade de recursos ou créditos para financiamento. dependendo da vida útil das diversas partes e da maior ou menor facilidade de ampliação e do desenvolvimento da cidade. Tabela 7 ± Critérios para fixar alcance de projetos FATORES Crescimento mais rápido da população Maior vida útil das partes Facilidade de ampliação Disponibilidade de recursos Juros elevados e prazos curtos Inflação acentuada Maiores recursos da população Melhor comportamento inicial das obras ALCANCES + LONGOS x x x x x x x ALCANCES + CURTOS x Tabela 8 ± Alcance de projeto para sistemas de abastecimento de água UNIDADES DOS SISTEMAS/OBRAS/EQUIPAMENTOS ALCANCE (em anos) Tomada de água Barragens Poços Equipamentos de recalque Adutoras de grande diâmetro Estações elevatórias Estações de tratamento de água: . v) O poder aquisitivo e os recursos econômicos da população a ser beneficiada.Concreto . Na Tabela 8 encontram-se resumidos os principais alcances sugeridos para as diversas partes do sistema.

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 30 4. (2) Adutora de água bruta ± AAB. (3) Unidade de desinfecção e correção de pH. lagos. (8) Rede de distribuição (8) (2) (4) (1) (3) (5) (6) (7) Ilustração 8 ± Esquema de sistemas de abastecimento de água: mananciais superficiais.2 Esquema de sistemas de abastecimento: mananciais subterrâneos ± Poço Tubular Na Ilustração 9 encontram-se indicadas as principais unidades de um sistema de abastecimento de água tendo como fonte de suprimento um poço tubular.5. Mananciais superficiais são represamentos de água em barragens. (5) Estação elevatória de água tratada. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Na Ilustração 8 estão esquematizadas as principais unidades de um sistema de abastecimento de água: (1) Manancial. em geral. os poços tipo amazonas ou as fontes aflorantes. rios e riachos. 4. (7) Reservatório de distribuição.1 Esquema de sistemas de abastecimento: mananciais superficiais. 4. (3) Elevatória de água bruta ± EEAB. (5) Reservatório de distribuição.5 ESQUEMAS HORIZONTAIS DE SISTEMAS DE ABASTECIMENTO ÁGUA. são construídos a partir de duas fontes principais de suprimento: mananciais superficiais e mananciais subterrâneos.5. Os principais mananciais subterrâneos são os poços tubulares (rasos ou profundos). (6) Rede de distribuição de água. (6) (2) (1) (4) (3) (5) Ilustração 9 ± Esquema horizontal de sistema de abastecimento de água de poço tubular. Os sistemas de abastecimento de água. floculadores. (2) Adutora água bruta. (4) Adutora de água tratada. (1) Poço tubular. decantadores e filtros). (6) Adutora de água tratada. lagoas. (4) Estação de tratamento de água ± ETA (Complexo dosadores.

2.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 31 5. de fundo de vale ou de fontes de encosta) e de poços rasos ou profundos. O Peru. podem ser usados os mais diversos tipos de mananciais para abastecimento. riachos. A dessalinização pode ser realizada por diversos processos.3 Abastecimento a partir de águas subterrâneas Em geral. podem-se citar. córregos.1. A seguir são listadas as principais classes de mananciais. já foi totalmente dependente de abastecimento de água através de captação de águas de chuvas. 5.2 TIPOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUPERFICIAIS Como as captações de águas superficiais podem ser feitas em diversos tipos de mananciais. Nos trechos em curva. face à escassez de água. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . represas ou outro tipo qualquer de barragem de cursos d´água. vários fatores deverão ser levados em conta nos estudos e projetos. 5. 5. evaporação e destilação. A Ilha de Fernando de Noronha.1. até alguns anos atrás.1 CLASSES DE MANANCIAIS Atualmente. as águas subterrâneas são provenientes das fontes (aflorantes. os de osmose reversa. MANANCIAIS ABASTECEDORES Para implantar os sistemas de abastecimento pode-se recorrer às diversas fontes para suprimento. tinha uma cidade de 2. dependendo das disponibilidades.1.500 habitantes abastecida por este tipo de fonte. 5. 5. arroios. de rios.4 Abastecimento a partir de água do mar A água do mar para ser utilizada para consumo humano requer o processo de dessalinização. dependendo das condições apresentadas. a) Localização de tomadas. assim como de lagos. entre os quais.2 Abastecimento a partir de águas superficiais As águas superficiais são as provenientes dos cursos d´água em geral. 5. facilidades e qualidade da água. conforme indicado na Ilustração 10 abaixo apresentada.1. inclusive de água dos mares e oceanos. 5.1 Abastecimento a partir de águas meteóricas São abastecimentos feitos a partir das águas de chuva.1 Captação em rios As tomadas d´água nos rios podem ser feitas de diversas formas. Podem ser feitas nos trechos retos ou curvos dos rios. a margem côncava deve ser preferida para evitar o assoreamento.

válvulas. grades.2.2 Tipos de captação em rios Define-se como tomadas de água as obras ou dispositivos destinados a retirar ou desviar as águas de um manancial.2. mínima. etc. ou seja. média e máxima do curso d¶água. em geral. conhecida a quantidade de água necessária. rádio.. quais sejam: de execução da obra propriamente dita. de energia elétrica. 5. devem ser levados em consideração os aspectos físico-químicos. deve ser analisado se a captação tem capacidade para atender à demanda ao longo do projeto. devem dispor de: a) Barragens ou vertedores.1 Partes constitutivas de uma captação As captações em rios.1. de desapropriações. maior velocidade Ilustração 10 ± Esquema de captação de água em trechos de rios b) O projeto de captação de água superficial deve ser feito com base em estudos hidrológicos. Devem ser conhecidas as vazões mínima. e de serviços de comunicação (telefone. bioquímicos e hidrobiológicos. 5. d) Outro aspecto de grande importância refere-se aos diversos custos envolvidos no projeto de captação. bacteriológicos. em l/s. e) Poços de tomada das bombas. d) Canais ou tubulações de interligação. adufas. média e máxima.1. como comportas. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . se for necessário. assim como as suas vazões específicas. para manutenção do nível ou para regularização da vazão. de operação e manutenção. c) Dispositivos para controlar a entrada de água. etc. crivos e telas de diversos tipos e formatos. b) Órgãos de tomada d'água com dispositivos para impedir a entrada de materiais flutuantes ou em suspensão.km2 c) No que se prende à qualidade da água.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 32 a) Captação em trecho reto b) Captação em trecho curvo Caixa de areia Caixa de areia Zona de assoreamento Margem côncava.). de estradas de acesso.

é recomendável que a vazão mínima do rio (Qmín. As barragens de nível são construídas com a finalidade de permitir a elevação do nível de água no local da captação. através de barragem de nível (Ilustração 11). permitindo assim.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 33 As captações podem ser do tipo direta. Em qualquer tipo de captação de rio. ou tomada d´água direta (Ilustração 8).) seja sempre maior que a vazão de abastecimento (Qabast) para que não haja risco de interrupção do fornecimento de água. uma lâmina com altura satisfatória acima do crivo. canal de derivação (Ilustração 10) e canal de regularização (Ilustração 11). Ilustração 12 ± Barragem de nível em concreto. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . NA Válvula de pé com crivo Ilustração 11 ± Esquema de captação direta em rios.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . assim como peixes. a areia. recomenda-se a construção de caixas de areia. materiais flutuantes ou em suspensão. os sólidos decantáveis. galhos de arvores plantas aquáticas (aguapés). particularmente. conforme Ilustração 15. São muito comuns nas captações de águas superficiais. répteis e moluscos.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 34 Tomada d´água Grade Caixa de areia Comporta Rio Ilustração 13 ± Canal de derivação com caixa de areia a) Esquema 1 Enrocamento de Pedras Poço de sucção b) Esquema 2 Adufa Ilustração 14 ± Tomada d´água em canal de regularização 5.2. como folhas.1.3 Dispositivos retentores de materiais estranhos Para a retenção de materiais estranhos presentes na água.

i) A = seção horizontal da caixa (bvL).L A SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 L V Q 1 Q 1 Q (28) ! ! v ! v @L ! h v S v b.t @ ou v = Q Q ! @ ou b. c) V = velocidade de escoamento horizontal da água na caixa de areia. g) b = largura da caixa. que deve satisfazer às seguintes condições: . d) V´= componente das velocidades V da água e de precipitação da areia.10 (27) b) v = velocidade de sedimentação da areia. l) t = tempo.para impedir a entrada de ar: H u 2.hidráulicas: H u V2  020 ou 2g (26) .V). h v b. Tem-se: L = V. j) Q = vazão de escoamento (Q = S.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 35 Ilustração 15 ± Esquema em planta e corte de uma caixa de areia De acordo com a figura acima são identificados e definidos os seguintes elementos: a) H = submergência mínima do crivo.v .t e h =v.5D + 0. e) h = altura da lâmina d´água. h) S = seção de escoamento (bvh). f) L = comprimento teórico da caixa.

Na prática. Tabela 9 ± Velocidade de sedimentação da areia x diâmetros das partículas Ø Partícula (mm) Velocidade (mm/s) 1. conforme Ilustração 16.50 53 0. não seja interrompido o abastecimento de água.00 100 0.60 63 0.20 21 0.80 83 0. 5.15 15 0.2 Captações sujeitas a grande oscilação de níveis de água São captações feitas em lagos. atribui-se para L um valor 50% além do valor obtido. em águas paradas. Passarela NA Ilustração 16 ± Torre de tomada d´água SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . a captação de água é feita através de construções chamadas de torres de tomada. Nestes casos.65 g/cm3 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 36 v= Q A Q v (29) (30) A= Assim. L independe de h. a temperatura de 10ºC e para a densidade K = 2.40 42 0.30 32 0. Abaixo é apresentada a Tabela 9 para as velocidades de sedimentação da areia. durante a limpeza.2. com duas células paralelas para que. pelo menos. lagoas ou barragens sujeitas a grandes variações de nível e nos quais a qualidade da água varia com a profundidade.10 8 As caixas de areia devem ser construídas.

capaz de flutuar. 5. permitindo o seu deslocamento para pontos distintos onde forem melhores as condições de captação. conforme Ilustração 18.2.3 Poço de derivação Nada mais é do que uma torre de tomada situada à margem de um curso d¶água. lago ou represa sujeito a grandes oscilações de nível.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 37 Ilustração 17 ± Foto de torre de tomada com passarela 5. Tubo flexível NA Boia Flutuador Ilustração 18 ± Tomada d´água flutuante típica SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .2.4 Sistema flutuante É uma modalidade de captação na qual se utiliza de um dispositivo qualquer.

são ditos escavados. Em Natal. Em geral. quando Qmédio(rio) > Qabast.3 TIPOS DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS Os tipos mais comuns de poços são os escavados ou perfurados. onde o lençol de água se acha a pequena profundidade. Ilustração 19 ± Captação flutuante do Sistema Adutor Jerônimo Rosado.1 Captação em poços Os poços tubulares ou profundos são perfurados com equipamentos especiais. 5.3. são aqueles em que o lençol de água se encontra a maior profundidade. Na referida captação as bombas instaladas são do tipo submersível. > Qmín. cujo aqüifero de água de melhor qualidade se encontra acerca de 900 m de profundidade. Existem dois tipos básicos de sondas usadas na perfuração dos poços: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .RN O abastecimento através de reservatório de acumulação. ou seja. porém maior que vazão mínima. Em abastecimento de água. podendo chegar a centena de metros. faz-se necessária a regularização da vazão média do rio (Qmédia). em geral. 5. Açu e Serra do Mel. como é o caso da captação subterrânea da cidade de Mossoró. construídos em margens ou aluviões de rios. A profundidade dos lençóis de água é bastante variável. Os poços perfurados.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 38 A Ilustração 19 mostra alguns detalhes da captação de água do Sistema Adutor Jerônimo Rosado que atende às cidades de Mossoró. Açu . a profundidade dos poços tubulares varia de 30 m (Na Zona Norte) a 120m (Na Zona Sul). os projetos de captação em lagos e represas são mais onerosos pelo fato de exigirem maior grau de tratamento. os poços rasos. quando a vazão média de abastecimento é menor que a vazão média afluente.

os poços tubulares apresentam as seguintes partes constitutivas: Boca do Poço Revestimento do poço Parede do poço NE Cone de rebaixamento LP ND                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       Aqüífero Tampão do fundo Filtros (crivo. Os filtros possuem abertura que é função da granulometria do solo e área livre expressa em % da área total. tela) Ilustração 20 ± Exemplo de perfil de poço tubular Tubo de revestimento: é um tubo que pode ou não revestir a totalidade do poço perfurado para protegê-lo contra a infiltração ou intrusão de água de outros lençóis. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . De acordo com a Ilustração 20. Devem apresentar um determinado número de aberturas por metro de comprimento. Os diversos tipos de abertura dos filtros encontram-se mostrados na Ilustração 21. para cada diâmetro.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 39 As perfuratrizes rotativas que utilizam lama argilosa para evitar o desmoronamento das paredes do poço e as sondas percussoras. Filtro: constitui uma espécie de tela que é colocada a certos intervalos do pacote saturado do aqüífero do qual se deseja captar água.

Em geral. dependendo das condições construtivas e das propriedades do aqüífero. Construir valetas diversoras para proteger contra as águas de enxurradas. . O nível dinâmico é variável. O nível estático é aquele que o poço apresenta quando não está sendo retirada água do aqüifero na sua área de influência. Os poços tubulares apresentam duas situações distintas de nível de água: níveis estáticos e dinâmicos. Instalar a tubulação de tomada 50 cm acima do fundo da caixa. Instalar tubulações de descarga para limpeza e extravasor (ladrão). . dependendo das condições de retirada de água através de bombeamento. as captações em galerias e drenos são precárias devido à obstrução e colmatação da área drenante e às dificuldades de recuperar essas áreas. melhor posicionamento dos filtros em relação ao aqüifero saturado e na utilização de métodos adequados na sua perfuração. Quando em operação. Remover a camada de terra vegetal que esconde a nascente. Construir caixa de inspeção nas mudanças de direção e nas junções das linhas de dreno. Para as captações em fontes são sugeridas algumas medidas visando a sua proteção sanitária: a) Fontes aflorantes: .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 40 Ilustração 21 ± Tipos de furação de filtros de poços tubulares Maior rendimento de um poço tubular e menores custos de perfuração pode ser conseguido com locação adequada. galerias filtrantes e drenos. Construir cercas para impedir o acesso humano e de animais. conforme se pode constatar pelo rebaixamento da linha piezométrica (Ver Ilustração 17). Vale ressaltar que cada poço. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . Só varia quando variam as condições de infiltração de água no lençol em decorrência de precipitações pluviométricas. . cada poço apresenta uma zona de rebaixamento do nível de água no aqüífero. . tem uma capacidade limitada de explotação. formando um cone de depressão. b) Fontes emergentes: . A captação de água em fontes pode ser feita através de caixas de tomadas.

Remover a vegetação numa faixa de 10 m do eixo das linhas de drenos.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 41 . . Construir cercas de proteção. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .

o sistema de bombeamento projetado deverá atender à demanda do dia e hora de maior consumo.q.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 42 6. ADUÇÃO O transporte de água entre as diversas unidades de um sistema de abastecimento de água é feito por meio de canalizações chamadas de adutoras. (para suprir os picos de consumo). quando o bombeamento é feito direto na rede de distribuição.k 2 86. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . não incluídos aqueles que ligam os reservatórios às redes de distribuição. As adutoras em conduto forçado. Quando não existirem reservatórios de regularização ou compensação de fornecimento de água. para quaisquer que sejam os trechos. as adutoras são projetadas de forma que não existam ligações ao longo das mesmas. como por recalque.k1 .q. daí. Observe-se que neste caso. N = número de horas de funcionamento diário do sistema de bombeamento. k1 = coeficiente do dia de maior consumo.N (31) Onde: P é a população de projeto. As adutoras podem ser por gravidade. Em geral. recomenda-se calcular as vazões para dimensionamento dos condutos pela expressão: Q! P. Canalizações por recalque são aquelas que necessitam de mecanismo para impulsionar a água através de das mesmas. tanto podem ser por gravidade. diferenciando-se das redes de distribuição de água. em condutos livres (abertos ou fechados) ou em condutos forçados. Q = quota per capita.1 VAZÕES DE DIMENSIONAMENTO As vazões de dimensionamento dos sistemas adutores.k1 3600. 6. ou seja.400 (32) onde: k2 = é o coeficiente da hora de maior consumo. A expressão utilizada para o cálculo da demanda máxima diária é: Q! P. cuja função seria dos reservatórios. devem ser calculadas em função das demandas máximas diárias.

I Onde: Q = vazão de dimensionamento (m3/s). P = perímetro molhado do canal (m) O coeficiente de Chezy pode ser calculado pela fórmula de Bazin: C! 87 m 1 R (36) Onde: m = coeficiente de rugosidade O coeficiente C também pode ser calculado pela fórmula de Manning.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 43 6. a forma do conduto. as principais fórmulas e parâmetros levados em conta no estudo das adutoras. o material utilizado. V = velocidade de escoamento (m/s). A = a área da seção de escoamento (m²).1 Adução em condutos livres Para o cálculo das adutoras em condutos livres são considerados os seguintes elementos: a vazão de dimensionamento. R = raio hidráulico (m) ou R! A P (35) (34) (33) I = declividade (m/m). Para o dimensionamento usam-se as seguintes equações: a) Da continuidade. 6. expressa por: C! 16 R n (37) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . expressa por: Q ! A. a perda de carga unitária.V b) De Chezy: V ! C R.2.2 HIDRÁULICA DAS ADUTORAS Apresentam-se a seguir. C = Coeficiente de rugosidade do canal ou coeficiente de Chezy.

6. considera-se o desnível geométrico igual à perda de carga.2788 xCxJ 0 .I 2 n 2 1 (39) Onde os parâmetros são os mesmos já definidos anteriormente.63 Onde: Q = demanda máxima diária em m³/s. Em ambos os casos.2788xCxD2.54 (41) . . 00155 ¸ n ¨ 1  © 23  ¹.R 3 . J = hf/L em (m/m) Obtido o valor teórico do diâmetro D. É importante lembrar que o desnível geométrico a ser considerado corresponde à diferença de carga hidráulica entre o nível de água mínimo de montante e o nível de descarga de jusante. obtendo-se: 1 Q ! A.2 Adutora por gravidade em condutos forçados Para obtenção do diâmetro D de uma canalização por gravidade.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 44 Ou ainda pela Fórmula de Ganguillet e Kutter 0.2. D ! 2 . Obtém-se. que no caso deve corresponder ao nível máximo da água no reservatório de jusante. (40) . conforme mostrado na Ilustração 21. variável com a idade da canalização. I º R ª 23  (38) Onde n = coeficiente de Manning e os demais parâmetros como já definidos. A expressão de cálculo da vazão em canais pode ser obtida combinando-se as equações da Continuidade. valor adimensional. Ou seja. de Chezy e de Manning. podem ser utilizadas tanto a equação de Hazen-Williams quanto da fórmula Universal da perda de carga. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 Q 0.00155 1  I n C! 0 . C = coeficiente de rugosidade da canalização. ou fórmula de DarcyWeisbach. HG = hf = JL A partir da equação de Hazen-Williams Q = 0.54 .63xJ0. adota-se o valor comercial imediatamente superior.

T 2 . f . abaixo apresentada.h ¹ f º ª hf ! 8. L = extensão da Adutora.D 5 . revestº betuminoso Aço soldado revestº epoxi Ferro fundido revestº epoxi Ferro fundido. D 2g Onde: f = coeficiente de atrito. revestº argamassa cimento Plástico (PVC) Fonte.T 2 . g = aceleração gravitacional Desta expressão podem ser deduzidas as seguintes equações: Sendo V = Q/A.L.L.Valores de C sugeridos para a fórmula de Hazen-Williams Tubos Aço corrugado Aço galvanizado rosqueado Aço rebitado Aço soldado comum.g .T 2 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 45 Na Tabela 10.Q 2 ¸ ¹ D!© © . Sendo f . e A = ʌD2/4. f . estão sugeridos os valores do coeficiente C.L V 2 hf ! .h f 8 . Tabela 10 .L. empregado na fórmula de Hazen Williams.D 5 (43) (42) e Novos 60 125 110 125 140 140 130 140 Usados ( 10 anos) 100 90 110 130 130 120 135 Usados (20 anos) 80 90 115 120 105 130 Q! .g.Q 2 g .T 2 .L 1/ 5 (44) ¨ 8. Netto. pode-se escrever: hf ! 8.D 5 (45) (46) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . f . (1998) No caso do emprego da Fórmula Universal.Q 2 g . f .

63 Q 0. da viscosidade do líquido. perda de carga unitária (J). O fatgor f é função da rugosidade interna da canalização (İ) a ser empregada. ou seja: Q ! 0.3 Adutora por condutos forçados Para o cálculo das adutoras em conduto forçado são considerados os seguintes elementos e parâmetros: vazão de dimensionamento (Q).54 D ! 2 . Para dimensionamento podem ser usadas as seguintes equações: . 63 ª 0.h f ª ¸ ¹ ¹ º 1/ 5 (47) Para emprego da Fórmula Universal da perda de carga.279. turbulento e misto. quando as demais variáveis são conhecidas. escrita sob a forma: Q ¨ ¸ J !© ¹ 2 . como veremos adiante.D 0 .C. diâmetro D da canalização.L V 2 .V . que por sua vez depende da temperatura e do número de Reynolds. em função da qual se obtém a viscosidade cinemática da água (ȣ).J 0. depende da rugosidade interna da canalização.355. o coeficiente f. forma do conduto e o material de construção.da continuidade: Q = A. da temperatura da água.J 0 .L Podendo J ser calculado pela fórmula Hazen-Williams.T 2 . 6. 63 J 0. do qual depende o coeficiente de rugosidade (coeficiente C). onde: hf ! f . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . (recomendadas pelas Normas Brasileiras).ver anterior) Para o cálculo do fator de atrito f´ deverão ser consideradas as diversas situações de escoamento. Para o regime de escoamento laminar.279. D 2g (43 .C .54 (49) (41 ± ver anterior) (50) V ! 0.da perda de carga total distribuída ao longo das linhas: hf = J.54 A perda de carga unitária (J = hf/L).279.L.C. f .63 .C . também pode ser obtida pela Fórmula Universal da perda de carga. ou seja.2.Q 2 D!© © g . a maior dificuldade é determinar o valor de f. e o número de Reynolds.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 46 ¨ 8. os regimes de escoamento laminar.D º 1.D 2. Como dito anteriormente.85 (48) A partir da fórmula de Hazen-Williams podem ser obtidos os diversos elementos da adutora.

v = velocidade de escoamento do líquido. para água. para a condição de tubos hidraulicamente lisos. A determinação do coeficiente de atrito f.51 ¸ ¹ ! 2 log©  © 3. a fórmula de Von Karman-Prandlt assume: 1 f ! 2 log D  1. D = diâmetro da canalização em (m). no caso. aplica-se a fórmula de Colebrook-White. No caso de regime de escoamento turbulento.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 47 f ! 64 Re (51) Onde: Re = número de Reynolds Re ! v. conforme Tabela 11. (m/s) ȣ = viscosidade cinemática do líquido. é possível utilizar-se a fórmula de Von Karman-Prandlt. 1 ¨ I 2.14 I (54) Para regime de escoamento turbulento. İ = rugosidade interna do tubo (m). ou seja. conforme demonstrado a seguir: a) Diagrama de Moody: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . 1 f ! 2 log Re f  0.D Y (52) Sendo.80 (53) No caso de regime de escoamento turbulento. para a zona de transição entre tubos hidraulicamente lisos e hidraulicamente rugosos. também pode ser feita com a ajuda de diagramas ou equações simplificadas. que é função da temperatura.7 D R f ¹ f e ª º (55) Nas equações acima. A ordem de grandeza da rugosidade interna (İ) depende do material das canalizações. (m²/s). Na Tabela 12 são indicadas as principais faixas de valores para os diferentes tipos de materiais. para a condição de tubos hidraulicamente rugosos. resolvível por meio de iterações.

30 0. conforme mostrado na Tabela 11.059 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 Na tabela 12 são apresentados as rugosidades de referência İ para os principais tipos de canalizações empregadas nos sistemas de abastecimento de água.0052 0.20 0.00 a 1. Polietileno Fiberglass Concreto Rugoso Granular Rugosidade. diretamente ou por meio de curvas interpoladas.Valores referenciais da rugosidade interna das canalizações Tipo de conduto Rugosidade Ferro Fundido não revestido novo Fundido Incrustado Fundido Revestido com asfalto Fundido Revestido com cimento Fundido com corrosão Fundido muito corroído Forjado enferrujado Aço Galvanizado novo com costura Galvanizado novo sem costura Soldado revestido de Concreto Soldado revestido esmalte Rebitado revestido asfalto PVC. a partir do cálculo do fator de rugosidade.567 1.15 1.40 a 0.172 1.20 0.741 0. o no. Observe-se que o valor da viscosidade cinemática da água (ȣ) depende da temperatura da água.00 0. (1998).772 0.308 1.40-1. com o auxílio de Tabelas.917 0.30-0.473 1.50 até 3. ou através de Fluxogramas. conforme Ilustração 23 da presente Apostila.15-0.06 0. Tabela 12 .960 0.15 0. O valor de f e da respectiva perda de carga também podem ser calculados diretamente.15 0.05-0. İ Ҟ(mm) 0.9 a 1.40 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 .804 0.876 0.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 48 Considere na Ilustração 22. Tabela 11 ± Viscosidade cinemática da água em função da temperatura Temperatura (o C) Viscosidade cinemática (m²/s) x 10-6 Temperatura (oC) Viscosidade cinemática (ȣ) (m²/s) x 10-6 1. Souza (USP-SP).06-0.01 a 0. O valor de f obtém-se nas ordenadas (à esquerda).839 0.05 a 0. como a encontrada em Hidráulica Básica de Rodrigo Melo Porto.007 0.237 1.792 1.25 a 1.6 8 7 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 1. Nas ilustrações 24 e 25 são apresentados os fluxogramas para cálculo do diâmetro e das vazões nas canalizações.713 0 .18 a 0.673 1.386 1.00 2.112 1.90 0.00 0.15 a 3. de Reynolds no eixo das abscissas e o valor da rugosidade relativa (İ/D) na linha das ordenadas (à direita).60 0. como os do Prof.8 0.

por uma aproximação explícita (fórmula de Nikuradse. que resultou na expressão final a seguir mostrada.7 D Re º ª Re º ¼ ± ª Re º ¬ ± ­ ª ½ À ° 0 . que apresenta desvios relativos inferiores a 1. c) Fórmulas simplificadas de Sousa e Sá Marques (1996) c. como por exemplo: b) Equação de Swamee & Jain (1976) 16 6 ® 8 « ¨ I ¸ ¨ 2500 ¸ » ¾ 5 . para o regime turbulento liso. que apresenta desvios relativos ínferiores a 0. aconselha-se o uso da fórmula de Haaland. 74 ± ± ¨ 64 ¸ ¹ ¼ ¿ f ! ¯© ¹  9. todas obtidas através de tentativas de simplificação da Fórmula de Colebrok-White.11 « 6.50 0.9 » ¨ I ¸ f ! ¬ 1.2) Se o objetivo é uma expressão simples e não é exigido tanto rigor.02 ¨ I ± log©   0 . ou outra) e posterior calibração da expressão obtida.06 Existem ainda outras equações que permitem o cálculo direto do fator de rugosidade f.1) Trata-se da reconstrução da fórmula de Colebrook-White substituindo a formula de Prandtl-von Karman.7 D º ¬ ­ ½ 2 (56-b) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2008 . fórmula de Blasius.2%.8 log© ¹  ¼ Re ¼ ª 3.18 0.89 f ! ¯ 2 log ¬ © ± ¬ ª 3.06 a 0.125 (56) Onde os parâmetros envolvidos são aqueles definidos já definidos anteriormente. 1.015 a 0.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 49 Centrifugado Liso Muito liso Fonte: EPUSP 0.7 D Re ­ 3. ® « I 5 5.5%. quando se exige uma expressão que reproduza fielmente os valores da fórmula de Colebrook-White.15 a 0.7 D Re ° ¸» ¾ ¹¼ ± (56-a) ¹ ¿ º¼ ½± À 2 c.5 ¬ln© ©  0.9 ¹ ¹ © © ¹ 3.

VALMIR M ELO DA SILVA . PROF.VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2008 .UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DISCIPLINA: Sistemas Urbano s de Ág ua e Esgo tos UFRN CT Ilustração 22 ± Diagrama de Moody para determinação do fator de atrito f da fórmula Universal da perda de carga.

Incógnita: hf Re ! 4Q TDY LAMINAR Re”2500 S f ! 64 Re 8 fLQ 2 T 2 D5 g N N Re•4000 hf ! S LISO Re0. (2006) PROF. g. ȣ..9 ) ¼ 3 .UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DISCIPL INA: Sistemas Urb an os d e Águ a e Esg oto s UFRN CT c) Fluxograma de Souza para cálculo de f. 71 D Re ½ ­ REGIÃO CRÍTICA 2 FIM - Ilustração 23 . D.62 » I f ! ¬  2 log(  0.Fluxograma para determinação do valor de hf .9I u 448 D S I « » f ! ¬ 2 log( )¼ 3. Silva. (. L. INÍCIO Dados: Q.). VALMIR MELO DA SILVA ..9 ) ¼ Re ¼ ¬ ½ ­ 2 Não se calcula o valor de f N RUGOSO Re0. İ.fórmula Universal Fonte: Souza.9I e 31 D S « 5.62 » f ! ¬ 2 log( 0.71D ½ ­ MISTO 2 N « 5..VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2008 . adaptação.

042 » f ! ¬ 2 log( )¼ M ½ ­ REGIÃO CRÍTICA 2 FIM Ilustração 24. İ.38 N 1.T 2 h f ª LISO N N N> 2100 ¸ ¹ ¹ º 1/ 5 S S N2 M 17 4. g. Fluxograma para cálculo do diâmetro das canalizações com emprego da fórmula Universal.38 N 1. 042 4.15 » f ! ¬ 2 log(  0.15 » « f ! ¬ 2 log( 0.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 52 INÍCIO Dados: Q. 2 Laminar N”1. Fonte: Própria SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .200 S f ! 181 N 1. 25 ¨ 8 fLQ 2 D !© © g. L. ȣ.937 ) ¼ N ­ ½ Misto 2 Não se calcula o valor de f N N2 M S 236 « 0.. 937 )¼ M N ½ ­ Rugoso 2 N « 0. Incógnita: D M ! 4Q TIY N ! 1 «128 gQ 3 hf » ¼ ¬ Y ­ T 3L ½ 0. hf.

ȣ.g . Fonte: Própria SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .71D R f ¼ ¬ ­ ½ Rugoso N « I » f ! ¬ 2 log( ) D ¼ 3 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 53 INÍCIO Dados: hf. f . 71 ­ ½ REGIÃO CRÍTICA 2 FIM Ilustração 25 ± Fluxograma para cálculo da vazão nos condutos com emprego da fórmula Universal.D. Incógnita: Q R f ! D 2.51 » I )¼  f ! ¬ 2 log( 3.L ª Liso ¸ ¹ ¹ º S S R f I / D e 14 « 2. L. D. İ.h f Y L S Laminar R f e 400 ¨ 64 f !© ©R f ª ¸ ¹ ¹ º 2 R f " 800 N N ¨ T 2 D 5 gh f Q! © © 8.51 » )¼ f ! ¬ 2 log( R f ¼ ¬ ½ ­ 2 Não se calcula o valor de f N Misto 2 R f I / D 200 S « 2. g.

Nos condutos com escoamento livre. tanto para os condutos por gravidade quanto para as canalizações por recalque. tais como.4 Limites de velocidade nas canalizações Nos estudos das adutoras identificou-se a necessidade de estabelecer limites para as velocidades mínimas e máximas. coincide com a superfície livre da água. a) Para os condutos por gravidade são apresentadas as Tabelas 13 e 14.3 Traçado de linha piezométrica A compreensão e interpretação do significado das linhas piezométricas nos projetos dos sistemas adutores possibilitam identificar a necessidade de instalação de dispositivos de segurança para combate aos transientes hidráulicos.2. a linha piezométrica. Nos condutos forçados. o golpe de Aríete ou as depressões nas linhas. Para prevenir a deposição de materiais no interior das canalizações são fixadas velocidades mínimas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 54 6. NAmín LP HG=h f NAmáx L Ilustração 26 ± Linha Piezométrica em conduto forçado 6. conforme Ilustração 21. para evitar a possível erosão das paredes internas dos tubos são fixadas velocidades máximas. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . a linha piezométrica é traçada tomando-se como referência os níveis de carga. evidentemente.2.

50 a 6.5 Órgãos das adutoras em condutos forçados Velocidades máximas (m/s) 4.00 4.50 m/s O bom funcionamento de um sistema adutor depende de cuidados operacionais.50 a 5. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . conforme mostrado na Tabela 14. Tabela 15 ± Velocidades máximas para condutos forçados TIPO DE MATERIAL Concreto Ferro fundido Cimento amianto Aço Tubos cerâmicos Tubos plásticos 6.00 6. (m/s) 0.60 0.00 b) Para os condutos forçados são impostas condições que levam em conta o bom funcionamento das canalizações associadas aos fatores de ordem econômica.00 Tubos cerâmicos 4. de respeito aos critérios técnicos.40 0.00 4. os quais estão relacionados com o diâmetro d da peça com o diâmetro D da linha principal.80 2.50 a 5. da instalação de um conjunto de dispositivos para facilitar a operação.00 4. siltes) Quando presente areia fina na água Velocidades mínimas (m/s) 0.50 a 5.00 Concreto 4.00 4.30 0.00 a 6. (m/s) Alvenaria de tijolos 2. Tabela 14 ± Velocidades máximas segundo o material das paredes do conduto TIPO DE CONDUTO Terreno arenoso Saibro Seixos Material aglomerado consistente Vmáx. Na Tabela 16 são dados alguns desses elementos.50 Rochas compactas 4.2.00 TIPO DE CONDUTO Vmáx. Na Tabela 15 são sugeridas as velocidades máximas para condutos forçados.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 55 Tabela 13 ± Velocidades mínimas para condutos livres FINALIDADES Existindo matéria orgânica na água Águas com suspensões finas (argilas. proteger a canalização e garantir o fluxo permanente e constante. e principalmente.00 a 6.45 As velocidades máximas dependem do material de construção da canalização.30 0.

nas adutoras de grandes diâmetros. As ventosas devem ser colocadas em todos os pontos elevados das adutoras. b) o comprimento da adutora. As juntas de dilatação devem ser instaladas nas canalizações expostas a diferenças de temperatura sensíveis e providas de juntas rígidas. Hg. Q. de tês ou junções.6 Parâmetros e elementos hidráulicos das adutoras por recalque Para o dimensionamento dos sistemas adutores por recalque devem ser conhecidos previamente os seguintes parâmetros intervenientes: a) a vazão de adução. para evitar que a linha piezométrica corte o perfil da adutora. pode variar dependendo da tecnologia de inspeção. em certos casos. c) o desnível a ser vencido. As descargas devem ser localizadas nos pontos baixos das canalizações. também devem ser instalados na entrada e na saída dos reservatórios. que determina a rugosidade das paredes. d) o material da fabricação do conduto. As caixas intermediárias ou Stand-Pipes devem ser instaladas em pontos altos. Destinam-se a excluir o ar existente nas canalizações rígidas e expulsar o ar acumulado nos pontos altos. nos pontos elevados das canalizações longas e em pontos estratégicos das linhas. e têm como objetivo permitir o acesso para inspeção das suas condições internas e para facilitar os processos de limpeza ou de correção da proteção interna dos tubos. Deve-se observar que os registros de parada. O intervalo de instalação de tais dispositivos nas adutoras. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . 6. Ressalte-se que essa prática é pouco comum no Brasil. L.2. para evitar deformações destas. As inspeções podem consistir na intercalação.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 56 Tabela 16 ± Condições a serem observadas para instalação de dispositivos de proteção ELEMENTO OU DISPOSITIVO Válvula para manobra ou registro de parada Válvula ou registro de descarga Ventosas para exclusão de ar Ventosa para admissão de ar Junta de dilatação ou expansão RECOMENDAÇÃO A SER RESPEITADA d=D d• D/6 ou d=D/2 d•D/12 d•D/8 d=D Em cada um destes dispositivos faz-se necessária a construção de caixas ou abrigos de proteção e para inspeção dos mecanismos instalados. para evitar o colapso das mesmas. por ocasião do esvaziamento destas. Nas canalizações flexíveis têm ainda a finalidade de admitir o ar. na derivação de linhas secundárias.

1 Pré-dimensionamento das adutoras por recalque Para condições de bombeamento durante 24 horas e dependendo da escolha do coeficiente K.90 V (m/s) 1.57 K 0. a Fórmula de Bresse pode dar uma boa idéia para diâmetro econômico das adutoras por recalque.20 1. D!K Q (57) Tabela 17 ± Tabela para estabelecimento de K em função da velocidade de escoamento. multiplicando-se 24/N.8 a 1. à vazão desejada. recomenda-se o emprego da fórmula de Forcheimmer. Com base nas condições acima. algumas das quais são mostradas a seguir: a) Para N < 24 horas por dia. na prática.80 0.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 57 Nas questões de adução por recalque procura-se determinar o diâmetro necessário D da linha adutora e a potência P da bomba que vai gerar a pressão necessária para vencer o desnível indicado.65 K 1.05 0.75 0.© ¹ ª 24 º Sendo: 0.88 0. ou seja: ¨N ¸ D ! K . introduzindo-se a condição de mínimo custo da tubulação de diâmetro D e da bomba de potência P necessárias. sendo que para menos de 24 horas de funcionamento/dia a vazão deverá ser corrigida.40 Existem diversas fórmulas para pré-dimensionamento de adutoras por recalque.27 1. 25 Q (58) Q = vazão (m3/s). chega-se a duas expressões básicas.00 1.5 N = Número de horas de funcionamento adotado b) Para pouco funcionamento. recomenda-se: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . V (m/s) 2.10 1. largamente aplicadas no prédimensionamento dos condutos por recalque.26 1. Há uma infinidade de pares de valores para diâmetros (D) e potência (P) que permitem solucionar a questão para a mesma vazão de bombeamento.76 1.6. que são as de Fórmula de Bresse e de Forcheimmer. D = diâmetro (m) K = os valores de K podem variar de 0.85 0. 6.2.99 1. A título de ilustração é mostrada a tabela abaixo para os valores de K em função das velocidades de escoamento. Essa indeterminação é levantada. e mais uma série de hipóteses simplificadoras.

garante maior alcance de projeto. De acordo com o custo global anual. a solução mais barata recai sobre a que foi previamente indicada pela fórmula de Forcheimmer. De um modo geral. consumos anuais de energia elétrica. e não sendo a diferença de custos superior a 10%. incluindo a amortização do investimento. A alternativa a ser escolhida será aquela que mais se aproxime da solução de mínimo custo ou de máxima economia global. e por fim. Alguns projetistas se utilizam de K = 1. 450mm e 500mm. é recomendável utilizar a solução de maior diâmetro que.35 para 10 horas e = custo de energia elétrica em Kwh f = custo do material do material da canalização por kg. no entorno do valor indicado pelas expressões de pré-dimensionamento utilizadas.5. utiliza-se a expressão: D ! 0. 400mm.55 para 24 horas e 1. ou seja. escolhem-se de 3 a 4 diâmetros para a adutora. podem ser adotados valores que variam de 0. levando-se em consideração o custo de instalação e os gastos anuais de amortização e operação. para o diâmetro de 450mm.3© ¹ ª 24 º 0 . do regime de bombeamento e do rendimento do conjunto elevatório. custos operacionais. (Tabela 19) para uma vazão de adução de 171 l/s. Mesmo quando isso não acontece. entre outros. dependendo da velocidade fornece um valor para o diâmetro que corresponde aproximadamente ao mais econômico. Na prática. Note-se que o diâmetro indicado pela fórmula de Forcheimmer é de 450mm. c) Nos Estados Unidos da América. Ao final desta seção é apresentada um exemplo de estudo econômico de adutora. determina-se a alternativa de menor custo. 25 Q (59) O valor de K depende do peso específico do líquido. determinando-se todos os fatores intervenientes. da natureza do material da tubulação e dos preços unitários vigentes.e ¼ ª º ¼ D ! k¬ ¬ f ¼ ¼ ¬ ½ ­ 0 . com base no valor presente. potências.9Q 0 . custos de amortização. recomenda-se que seja feito um estudo econômico de pelo menos três diâmetros comerciais. embora mais cara. se a solução mais econômica recair sobre uma tubulação de menor diâmetro. Obtido o valor do diâmetro.45 (60) d) Na França é utilizada a expressão: «¨ N ¸ » ¬ © 24 ¹. Foram estudados os diâmetros de 350mm. tais como alturas manométricas. que de certo modo.8 a 1. 54 Q 0.46 (61) Onde: k = 1. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 58 ¨N¸ D ! 1.

Com isso é possível determinar as perdas de cargas nos diversos trechos da adutora e respectivas singularidades. Para o cálculo das perdas localizadas. conexões) dos trechos de recalque e sucção.L  § k.g) Hman(r) = hG + Jr.Ls + 7k.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 59 6. Tabela 18 ± Tabela para obtenção dos valores de k Peças Valor de k Peças Valor de k SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .LS  § k .Lr + 7k.g) (63) (64) hf NAmáx hG Namin R hS a) LR b) Ilustração 27 ± Elementos hidráulicos das adutoras por recalque Nas equações acima. os valores de k são os sugeridos na Tabela 18 abaixo mostrada. 2g ± 2g 2 ± v ! J S .6.2 Cálculo da altura manométrica de recalque Conhecido o diâmetro da canalização principal torna-se possível estabelecer o diâmetro da sucção e das demais peças necessárias do arranjo hidráulico do sistema adutor.vr2/(2.L R  § k . os termos § k v representam as perdas localizadas nas diversas 2g 2 singularidades (peças.2. H G ! H G R  H GS hfR h fS ¾ ± ± vR 2 ± v2 ± ! J R . ¿ H man ! H G  J . válvulas. A partir da ilustração 27 podem-se escrever as equações abaixo. S ± ± 2g À (62) Hman(s) = hS + Js.vs2 /(2.

00 2.69 114.25 4.17 15.58 62.00 0.000.5 30.00 2.409 173.03 Junção Medidor Venturi Redução gradual Saída de canalização Tê.534.5 32 32 32 32 1.20 0.00 2.75 1.V2/2g Altura manom[étrica total(m): = Hg+h'f+h"f Potência requerida (CV) = P (1) Consumo mensal energia (Kwh/mês) (2) Custo anual energia (R$/ano ) Custo unitário adutora (R$/m) Custo adutora (R$ ) Custo dos 2 conjuntos elevatórios (R$) Custo de manutenção = 4% dos custos dos conj.L Perda carga localizada: h"f = 15. passagem direta Tê de saída de lado Tê saída bilateral Válvula de ângulo aberta Válvula de gaveta aberta Válvula borboleta aberta Válvula de pé Válvula de retenção Válvula de globo aberta 0.600.75 0.735.03 14.00 120.30 1.Juros de 11 % ao ano.410 3.42 1.50 384.10 1.00 0.07 92. durante 30 anos para a adutora e 11 anos para os conjuntos elevatórios SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .997.376.336.00 4.80 5.20 0.75 104.15 1. Jusante (m) Altura geométrica (m) = Hg Velocidade (m/s) = V Perda carga unitária (m/100m) = J Perda carga por atrito h'f = J.705.94 2.44 48.500 171 171 171 171 3.145 28.116. Montante (m) N.745 55.400 0.75 2.789.87 20.83 146.301.30 1.5 62.00 675.63 133.00 1.78 1.500.36 1.50 0.05 114. elevatórios Amortização e juros da canalização ( R$/ano) (3) Amortização e juros conj.52 189.00 500.50 10.000.242 0.5 62.00 Exemplo de estudo econômico de adutora.05 348.05 41.40 0. elevatórios (R$/ano) (3) Custo Total Anual (R$/ano) D = 350 mm D = 400 mm D = 450 mm D = 500 mm 0.00 1. Tabela 19 ± Exemplo de estudo econômico de adutora ITEM 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 ESPECIFICAÇÕES Vazão (l/s) Comprimento (m) = L N.875.858.00 1. conforme citado na página 60.40 2.410 30.429 0.76 345.800.90 0.790.959 60.00 550.13 12.00 90.410 3.533.11 12.5 30.410 3.52 450.472.08 125.00 3.88 0.225.540.00 176.505.87 0.40 0.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 60 Ampliação gradual Bocais Comporta aberta Controlador de vazão Cotovelo de 90º Cotovelo de 45º Crivo Curva de 90º Curva de 45º Curva 22º30 Entrada de borda Entrada normal Existência de pequena derivação 0.450 0.Período de funcionamento das bombas: t = 22 h/dia (3) .500.A.757.63 264.50 0.5 62.282.25 196.A.Rendimento dos conjuntos elevatórios: L =75 % (2) .210 70.63 8.94 215.880.350 0.60 1.00 0.822 0.000.50 0.30 2.00 75.42 0.5 30.00 3.5 62.000.000.14 37.750.00 72.728.08 0.70 375.000.10 Com relação à tabela acima foram feitas as seguintes considerações: (1) .

25 x 0. I = investimento específico. que o valor de K para a alternativa mais econômica.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 61 Tarifa de energia elétrica .9 Pela fórmula de Forcheimmer.1710.11 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . n = período de amortização em anos.5 = 0.45/[(22/24)0. A amortização do investimento (R) foi calculada com base na fórmula: R! i (1  i) n .I (65) (1  i ) n  1 Sendo: i = juros. K = 0. Verifica-se neste caso.1659 /Kwh Tarifa para o Kw de demanda = R$ 11. pela fórmula de Bresse seria: K = 0.consumo = R$ 0.5] = 1.45/0.1710.37 /Kw x mês.

que serão estudados adiante. embora. GOLPE DE ARÍETE Golpe de Aríete é o choque violento que se produz sobre as paredes de um conduto forçado. 7. também denominado de transiente hidráulico´ ou transitório ´. basicamente. para alguns autores. seriam as ventosas e balões de ar comprimido. por conseguinte.Mecanismo do golpe de Aríete em adução por gravidade SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . à medida que o cálculo errado pode conduzir a: a) superdimensionamento dos condutos. do valor da sobrepressão produzida ultrapassar a valor suportado pela canalização.1 Descrição do fenômeno em adução por gravidade Quando a água se move por uma canalização (ver ilustração 28) com uma velocidade determinada e o escoamento cessa bruscamente pelo fechamento de uma válvula. a água mais próxima da válvula pára bruscamente. Entrando na fase das sobrepressões as bolhas de vapor de água se rompem bruscamente. a análise do fenômeno e o correto estudo do golpe de Aríete são fundamentais no dimensionamento das canalizações. com conseqüente risco de ruptura. o perigo de ruptura devido à depressão não seja dos mais significativos. sendo empurrada pela que vem de trás. uma variação de pressão. podendo dar-se o caso. NA1 ha v Hg L S R NA2 Ilustração 28 . não muito freqüente. poderá dar-se o fenômeno da cavitação. Portanto. quando o movimento do líquido é modificado bruscamente.1. Os principais elementos protetores neste caso. 7.1 DESCRIÇÃO DO FENÔMENO O valor das sobrepressões e das depressões devem ser levados em conta por ocasião do dimensionamento das canalizações. b) tubulações calculadas com defeito. encarecendo as instalações de forma desnecessárias.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 62 7. Não obstante. podendo ser verificado tanto em recalques como em sistemas por gravidade. correr risco de se romperem com freqüência. quando o valor da depressão se iguala à da tensão de vapor do líquido. consiste na alternância de depressões e sobrepressões devido ao movimento oscilatório da água no interior da canalização. O fenômeno do golpe de Aríete. Significa.

2 Descrição do fenômeno em sistemas por recalque. de maneira que ao final de certo tempo. que se traslada até o final. Pela lei pendular.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 63 Embora a água seja pouco compressível. comportando-se a água como um meio. Em conseqüência. Assim conclui-se a primeira etapa de golpe de Aríete. ao contrário. Decorrida a primeira fase do processo. de jusante para montante. 7. produzem-se transformações sucessivas de energia cinética em energia de compressão e vice-versa. sistemas de adução por recalque Com efeito. quando da parada do conjunto elevatório. concluindo-se a primeira etapa do golpe de Aríete. Em sistemas de bombeamento (ver Ilustração 37). provoque sua parada. a parada brusca de motores produz o mesmo fenômeno. o ciclo compressão-descompressão se repete com perda de energia a cada ciclo. toda a água da canalização fica nestas condições. iniciando-se a depressão da águas nas proximidades da bomba. Por conseguinte. ha LP hf LPmax Ȗ/g Hman HG ǻL ǻz L Ilustração 29 . até que se anule velocidade de escoamento na canalização. Esta compressão vai-se trasladando desde a origem. trasladando-se até a válvula. porém. ou seja. originando no conduto variações ondulatórias de pressão que constituem o golpe de Aríete. A energia cinética que transporta a água se transforma em energia de compressão. ocasionada pela ausência de líquido (devido à tendência de separação da coluna líquida). para transformar-se em compressão que retrocede à bomba. esgota-se sua energia cinética e se inicia a descompressão no início da canalização. continuará em movimento ao longo da tubulação. inicialmente circulando com velocidade v. tudo se passa como se lâminas líquidas de água se comprimissem nas proximidades da válvula. de tal maneira que ao cabo de certo tempo toda a tubulação fica sob o efeito de uma depressão e com o líquido em repouso. uma após as outras.Representação do golpe de Aríete. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . quando a água teoricamente pára. o fluido. forma-se uma onda de máxima compressão que se inicia nas proximidades da válvula e se traslada de volta à origem. até que a depressão na saída do conjunto elevatório. Nestas condições. viaja uma onda depressiva até a extremidade da adutora ou reservatório.1.

O resultado é um brusco aumento de pressão e uma parada progressiva do fluido. O inicio da terceira fase é conseqüência do choque do líquido contra a válvula de retenção.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 64 Como a pressão na extremidade da linha é sempre superior a da canalização (principalmente se esta alimenta um reservatório pelo fundo). de modo que ao final de certo tempo todo o líquido na tubulação fica em repouso e a canalização submetida a uma sobrepressão de mesma magnitude da depressão inicial. iniciando-se de novo o movimento. Chamando de L o comprimento da canalização e de a a celeridade. Tanto em adução por gravidade como em recalques. se inicia um retrocesso do fluido para a válvula de retenção. Na quarta fase começa a descompressão. a fase ou período da onda pode ser representado por: X ! 7. assim como de da compressibilidade da água. ao cabo do tempo tem-se uma situação idêntica a que tínhamos no principio. porém em sentido contrário. de maneira que ao cabo de certo tempo toda ela estará submetida à pressão inicial e com o fluido circulando a velocidade v. que se encontra sob os efeitos da depressão. novamente se tem a pressão de partida na canalização.2 L (66) a CELERIDADE O valor da celeridade é determinado a partir da equação da continuidade e depende fundamentalmente das características geométricas e mecânicas da canalização. A velocidade de propagação ou celeridade da onda pode ser determinada pela fórmula de Allievi.3  K Onde: a = celeridade (m/s) D = diâmetro da canalização (m) e = espessura da parede do tubo (m) K = coeficiente que depende do módulo de elasticidade do tubo D e (67) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . de modo semelhante ao que se passa na primeira fase do ciclo em sistemas por gravidade. Com a água a velocidade de regime. a duração de cada uma destas fases é igual ao comprimento da canalização dividido pela velocidade da onda. daí em diante repetindo-se o ciclo.900 48. que. ou seja: a! 9.

0 5. série k-9 emin = 5. da ordem de 400m/s.5 1. No primeiro caso tem-se o tempo de fechamento da válvula e no segundo.75 + 0. da série k-7. Este conceito é aplicável tanto a adução por gravidade quanto por recalque.643 (mm).425 m/s. o fechamento ou abertura.. sendo DN o diâmetro nominal da canalização em mm. 7. o tempo de parada da SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . total ou parcial de uma válvula (tempo t). já que durante este tempo se produz a modificação do regime de escoamento do fluído.5 + 0. k-8 e k-9.008DN (69) Para DN 100 a 300. DN = diâmetro nominal da canalização Constituem exceção: Para DN = 80.3 + 0.Valor de K empregado na fórmula de Allievi Material da canalização Ferro e aço laminados Ferro fundido Concreto sem armadura Fibrocimento PVC PE baixa densidade PE alta densidade Valores de ) (kg/m2 ) 2x1010 1010 2x109 1.0 5. que é a velocidade de propagação do som na água.5 (5-6) 33.11 A celeridade nas canalizações de ferro ou aço é da ordem de 1000 m/s e nas canalizações de materiais plásticos. Define-se como o intervalo entre o inicio e o término de uma manobra. emin = 4.. a espessura das paredes dos tubos podem ser calculadas.85x109 3x108 2x107 9x107 K=(1010)/E 0.003DN (71) Para tubos de PVC DEFoFo. emin = 4. (68) Sendo k correspondente às séries k-7. ou seja.003DN (70) Para DN 80 a 200.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 65 Tabela 20 ..0413DN+0.3 (20-50) 500 111. Para tubos indeformáveis: quando o módulo de elasticidade do material (E) tende para infinito. pela equação abaixo obtida da tabela de um dos principais fornecedores nacionais do produto: e = 0.001DN). série k-7.8 + 0.3 TEMPOS DE FECHAMENTO DE VÁLVULA E TEMPO DE PARADA DE BOM BA. a celeridade é da ordem de a = 1. aproximadamente. A espessura da parede dos tubos de ferro fundido dúctil pode ser determinada pela expressão: emin = k(0.

2xL/a será o tempo de retardo da onda para dar uma oscilação completa.0 0. Em resumo. a velocidade de propagação da onda de pressão.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 66 bomba. g = Aceleração da gravidade = 9.00 1. sendo portanto um tempo t uma variável sobre a qual se pode atuar. a não adicionando volantes de inércia ao conjunto elevatório.6 Tabela 22 . Porém. Tabela 21 . ce e ke = coeficientes de ajuste empíricos.0 0. ou seja: t ! ce  Onde: L = comprimento da canalização em (m). na adução por gravidade.v gAMT (72) O coeficiente ce depende da declividade da linha piezométrica e K da extensão da adutora. AMT ! HG  ht ! (z  p  ht K (73) k e . não sendo possível atuar sobre este.30 ce 1.L. Nas Tabelas 21 e 22 encontram-se os valores tabelados para ce e ke respectivamente. Portanto.40 § 0. No primeiro caso o tempo t é facilmente determinado através de medição com cronômetro. v = velocidade de regime da água em (m/s).Valores de ke L (m ) < 500 § 500 500 < e < 1.75 1. Já com o tempo de parada da bomba não acontece o mesmo.50 1. AMT = Altura manométrica proporcionada pelo conjunto elevatório. o fechamento de uma válvula pode efetuar-se em diferentes ritmos.81 m/s2 .25 1.00 Sendo L o comprimento da canalização e a celeridade a.500 > 1.500 § 1. Uma expressão para medição do tempo de parada de bomba foi propostos por Medilunce. nos sistemas de adução por recalque o tempo de parada é imposto.Valores de ce AMT/L < 0. se o tempo de SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .500 ke 2.20 • 0.

81 m/s2 t = tempo de fechamento da válvula ou de parada da bomba em (s) Para deduzir esta equação.4 CÁLCULO DAS SOBREPRESSÕES .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 67 manobra for menor que este valor.a) L = comprimento da canalização em (m). O caso mais desfavorável para a canalização ocorre com o fechamento instantâneo (T§0).t Fechamento lento. Na prática. ou Sendo: ha = sobrepressão devida ao golpe de Aríete em (m.FÓRMULAS DE MICHAUD E ALLIEVI Uma vez conhecido o valor do tempo t e determinado o caso em questão (fechamento lento ou rápido). Resumindo. tem-se o que se chama de fechamento lento e nenhum ponto da adutora atingirá a sobrepressão máxima.L.c. O limite de ha se dá quando L é muito pequeno em relação a t. No final do século XIX.1 seja: ha ! 2. isto só ocorre em bombeamento de grandes alturas de recalque. b) lenta: t " 7. o cálculo de golpe de Aríete se dará da seguinte forma: 7. g = 9.v (74) g . Michaud propôs a primeira fórmula para avaliar o golpe de Aríete. então: ha ! Lv (75) gt SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . diz-se que o fechamento é rápido caso em que a onda de sobrepressão será máxima. as manobras rápidas ou lentas devem satisfazer às seguintes condições: a) rápida: t 2L a 2L a . Michaud não levou em consideração a compressibilidade da água nem a elasticidade da tubulação. se o tempo de manobra for maior que 2xL/a. V = velocidade de regime do fluído em (m/s).4. já que a primeira onda positiva refletida retorna antes que gere a última negativa. Sem dúvida.

I = ǻQ ou F. portanto. e sendo L/T=a ha ! a.S. m = massa líquida que estava em deslocamento. a pressão pode ser expressa como: ha = p/Ȗ Concluindo-se a partir das expressões acima que: ha ! L. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . m = ȡ.ǻv Onde: F = a força que atua sobre a superfície de obturação à passagem do líquido.(v (77) gT Para a condição da válvula totalmente fechada. conforme demonstrado a seguir.L(v g (76) Por outro lado. (78) g como queríamos demonstrar na equação (77).T = m. estabelecida na mesma época que foi estabelecida a equação de Michaud. Sendo p = pressão interna na canalização e S seção sobre a qual a pressão é exercida. Como se sabe: F = p. Sendo ȡ = a massa específica da água e V o volume de certo trecho da canalização de comprimento L e seção S e como ȡ = Ȗ/g.V.S .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 68 Esta é a equação de Jouguet. a qual é deduzida analiticamente.S . igualando-se o impulso que experimenta a água no interior de canalização à variação da sua quantidade de movimento.v .T ! VV(v ! K . pode-se escrever: p. T = é o intervalo de tempo em que a força atua. ǻv = variação de velocidade. Sendo: ha = sobrepressão em mca. ǻv = v.

a. a = celeridade em m/s t = tempo de manobra em s. v = velocidade da água na canalização. Como o impulso I é igual quantidade de movimento pode-se dizer que: m. Note-se que Jouguet.2 Fechamento rápido.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 69 a = celeridade em m/s.S.ǻv = ǻp. ! .v a 2 Lv .4.S. A força que atua sobre a seção S será: F = ǻP.(ǻL/a) Por sua vez.c.S A quantidade de movimento I da dita força durante o tempo T no fluído contido no segmento ǻL será: I = F.v X a. a massa de uma porção do líquido contido em ǻL será: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Seja S a secção transversal da tubulação e ǻP a pressão exercida nessa superfície pela água. h a = sobrepressão ou acréscimo de pressão em m. 7.(L/a) Sendo a a celeridade da onda de pressão.em m/s No caso de fechamento lento a sobrepressão máxima é dada pela equação: 2L a. partindo das mesmas considerações feitas por Michaud demonstrara que a sobrepressão pode ser dada pela equação: ha ! Lv gt (= Eq.T = ǻp. ! ha ! g t g t gt ha ! 2 Lv (79) gt Que é conhecida como a fórmula de Michaud. 75) Nas equações acima se assume que: v = velocidade média da água em m/s.

(v ! (p.(L.t a. 7.v ! sobrepressão máxima no fechamento lento g .S .(v g Para a situação mais desfavorável.(L.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 70 m ! V . e demonstra que o valor da sobrepressão máxima independe do comprimento da canalização.S .(L Logo.L. quando ǻv = v ha ! a. em 1904.S .S . a.v g (= eq.v ! sobrepressão máxima no fechamento rápido g L Ilustração 30 .S . 78) A equação acima foi deduzida por Allievi.(v ! (p.5 CÁLCULO DAS PRESSÕES E SUBPRESSÕES MÁXIMAS Na Ilustração 30 encontram-se esquematizados os diagramas de distribuição de pressões ao longo das adutoras.t 2 ha ! L ha ! L 2. m ! V .Diagrama de distribuição de pressões ao longo das adutoras As pressões máximas geralmente ocorrem junto às válvulas de retenção ou aos conjuntos elevatórios das estações de bombeamento e podem ser expressas por: Hmax = HG + ha Sendo: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 (80) . (L a Como ȡ = Ȗ/g e ha = ǻp/Ȗ K (L . g a ha ! a.

As depressões máximas podem ocorrer nos pontos mais altos da adutora. Os demais pontos de depressão se obtêm verificando onde a LPmin corta o terreno ou o perfil de assentamento da canalização. A análise das pressões máximas nas canalizações é feita mediante o traçado das Linhas Piezométricas das Máximas Pressões (LPmax). f) Empregos de tanques de amortecimento.4 MEDIDAS DE PROTEÇÃO A proteção das canalizações contra o golpe de Aríete ou as depressões pode ser feita. O traçado da Linha Piezométrica de Mínimas Pressões (LPmin). Caso o valor de HG seja menor do que ha ocorrerá depressão logo no início da adutora. como válvulas Blondelet. entre outras. ou a aproximadamente. b) Uso de tubulações capazes. que teoricamente ocorre na tubulação. h) Uso de chaminés de equilíbrios. Verificando-se então. das seguintes maneiras: a) Uso de válvula de retenção de diversos tipos. para baixo. e o NAmax na descarga ou a cota da tubulação de descarga no reservatório. o valor de ha. 1 atmosfera negativa. corresponde ao vácuo absoluto. para o caso de adução por recalque. Para traçar a LP das pressões mínimas é preciso bastante cuidado uma vez que a pressão negativa máxima. Em caso positivo faz-se necessário o estudo do emprego de dispositivos para reduzir o risco de separação da coluna líquida devido às pressões negativas no interior da tubulação. pode ser feito tomando como referência a cota das válvulas de retenção e plotando-se a partir da linha de carga estática ou do nível de descarga no reservatório (HG). prevalecendo aquela que tiver maior valor. Quando não forem instalados dispositivos de proteção antigolpe faz-se necessário especificar tubulações que tenham capacidade de suportar os acréscimos de pressões. e) Emprego de câmaras de ar comprimido de diversos tipos e concepções. de melhor qualidade e maior espessura. i) Uso de ventosas. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . A análise das pressões de serviços na adutora também é muito útil no dimensionamento dos blocos de ancoragem. ou -10. 7. g)Uso de volantes de inércia. c) Adoção de aparelhos limitadores do golpe de Aríete. Portanto. é preciso interpretar corretamente o significado de: hmáx = HG . se estas cortam o terreno em algum ponto. d) Adoção de válvulas de alívio.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 71 HG = desnível geométrico entre o ponto cuja pressão máxima se deseja calcular por ocasião do golpe.33mca.ha (81) A análise dos pontos onde podem ocorrer eventuais depressões é feita a partir do traçado das linhas piezométricas de mínimas pressões.

ha Significado das variáveis t = tempo de fechamento das válvulas (s) L = comprimento da canalização (m) v = velocidade de escoamento da água (m/s) K = coeficiente relacionado com o módulo de elasticidade do material.v t 2L a ha ! g 2 Lv gt Fechamento lento t" 2L a ha ! Pressão máxima e mínimas na linha Hmax = HG + ha Hmin = HG . Tabela 24. g = aceleração gravitacional.900 48. m/s² HG = desnível geométrico (m) a = celeridade. calculada pela Fórmula de Allievi (m/s) a! 9. D = diâmetro da canalização (m) e = espessura da parede da canalização (m).3  K D e SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 72 Resumo Cálculo Golpe de Aríete SITUAÇÃO Sobrepressões (ha) Fechamento rápido a. obtido de tabela ou catálogos de fabricantes.

S .Esforço nas canalizações em locais de singularidades Onde: Fx = forças decompostas atuando na direção do eixo x. R = a resultante das forças atuantes F1 e F2 que atuam na direção do eixo y. a pressão interna na canalização e como K. Definindo como P. ANCORAGEM DAS ADUTORAS As forças que resultam nas singularidades (curvas. cos ! 0 (81) 2 2 E 2 (82) (83) §F y ! 2 F1. F1 = F2 são as forças atuantes na canalização. extremidades). §F x ! F1 .h.K . cos E E  F2 . podem ser representadas como mostrado na Ilustração 23 e expressas pelas equações 43 a 45.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 73 8. tês.S. Fy = forças decompostas atuando na direção do eixo y.P. (85) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .sen E (84) 2 Y R Į F1 X F2 Į/2 Y R F2 Į/2 Į/2 F1 X Ilustração 31 .sen F1 ! F2 ! K . devido às pressões internas nas canalizações. h R ! 2. o peso específico da água ou do fluído. pode-se escrever P = K.

2 R tgJ (88) Onde: tgJ = coeficiente de atrito do solo com o bloco. Vc ! P Kc (89) Onde: VC = volume do bloco KC = peso específico do material do bloco 8.2. De acordo com as ilustrações.1 ANCORAGEM DE TUBULAÇÕES APOIADAS Para o caso das tubulações apoiadas. do coeficiente de atrito do bloco com o solo.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 74 Logo: R = F (esforço ou empuxo). retrata a situação idealizada para ancorar as tubulações enterradas. h = pressão interna expressa em metros coluna de água. Observe-se que a superfície A necessária para conter o empuxo R. K = peso específico do líquido. E = ângulo da curva. A equação utilizada para expressar a relação é: R = P. pode-se escrever: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .2 ANCORAGEM DE TUBULAÇÕES ENTERRADAS A ilustração 32 abaixo. em kg. é inversamente proporcional à capacidade ou tensão suportada pelo solo ıt . O peso próprio do bloco dependerá.tgJ (86) P! R tgJ (87) Adotando-se um coeficiente de segurança de 1. 8. S = Seção da canalização em m2. neste caso. o esforço resultante deve ser combatido com o peso próprio do bloco de ancoragem. Para calcular o volume do bloco de ancoragem basta conhecer o peso específico do material. tem-se: P ! 1.

S . Wv = taxa do terreno em kg/cm2 relativa ao lado do encosto ou na parede vertical da vala.sen Wv a= E S.tg (90) W v . a taxa a ser adota para o encosto a pode ser considerada igual à metade desta. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . ou seja.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 75 Ilustrações 32a ± Blocos de ancoragem enterrados. cos E 2 2. ! a.cos Wv 2 2 2 E 2 ! 2. h = altura da ancoragem em cm ou profundidade da vala.L . cos @ L = 2.a. Wv = Wh/2 L = comprimento de ancoragem em m. P = pressão interna máxima da tubulação em kg/cm2 (considerada a sobrepressão devido ao Golpe de Aríete).h 2 Onde os elementos dados são: A = Área da superfície de contato do bloco em cm2 .a. S = seção de escoamento da tubulação em cm2. E = ângulo da curva a = lado do encosto em cm.P .P. Quando for conhecida da taxa no terreno no fundo da vala. Wh.h. A! R L E E ! h.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .P.sen E 2 As dimensões podem ser obtidas adotando-se os seguintes critérios: Adotando-se B/A = 1. adota-se o valor obtido. C = D + 20cm Para a dimensão b. adota-se b = D +10cm A B C b A CORTE A .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 76 Os blocos de ancoragem enterrados também podem ser construídos adotando-se uma seção em planta.8W v . Para a dimensão C. adota-se. requerida para combater o empuxo.8.8xAxWv = R A! R 1. relativa à seção requerida para combate ao empuxo.A A PLANTA Ilustrações 33b ± Blocos de ancoragem enterrados. Considerando como Wv = taxa do terreno em kg/cm2.K . caso contrário toma-se para valor da dimensão A = D + 20cm. tem-se: AxBxWv = R Substituindo-se o valor de B = 1. tipo trapezoidal. C = Altura da seção trapezoidal b = base menor da seção trapezoidal O empuxo é calculado. como já vimos pela expressão: R ! 2. sendo D em cm. para a condição de equilíbrio. de acordo com a ilustração abaixo (32b). Se o valor da altura A calculada • D+20cm. na qual as dimensões têm os seguintes significados: A = Altura útil do bloco de ancoragem B = Base maior da seção trapezoidal.S .8xA Ax1.

Q1.D1 C2 .85 .87 C1 .85 .C. 87 1.D 2 .85 4 .2785.2785.85 @ J = 10.1 CONDUTOS EM SÉRIE No dimensionamento dos condutos em série as condições a serem satisfeitas são as seguintes: Vazões Q1 = Q2 = Q Perdas de carga.85 4 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 77 9. L2.J0.© ¹ ©C ¹ ª 1º 1.85 C 1.L@ 10.L1 ! 10 . CONDUTOS EQUIVALENTES.643.54 Q ¨ ¸ J !© © 0.63 ¹ ¹ ª º hf = J. 1.D 4.643.63.87 ¨ D2 ¸ . ¨ C2 ¸ L2 ! L1.L2 Q1. Para entendimento do conceito de condutos equivalentes.87 Q1. L1. a partir das quais se pode escrever: Q = 0. hf = hf1 + hf2 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . C2 Ilustração 34 ± Canalização equivalente 9. EM SÉRIE E EM PARALELO São aqueles que transportam a mesma vazão com a mesma perda de carga total.85 . considerem-se as expressões derivadas da fórmula de Hazen-Williams e a equação da continuidade. 643 .D2.© ¹ ©D ¹ ª 1º (91) D1.C. C1 D2.85 1.D2 4 .

tem-se: L D 4 .87 C .87 ! L1 L  42.D C1 .Q1. C1 D2.85 1 4 .643. 87 . 87 . L2 .Q L .185 1 4 . 85 C 1.: Considerando D2.D C1 . Q 1. L1. 85 1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 78 hf1 hf hf2 D1 . C2 D.87  1.85 .D1 C 2 . pois a perda singular é calculada com a maior velocidade: Assim: L 2  L eq.85 4.87 9. L1 L !  C1.85 Para condutos de mesmo material e mesmo tempo de uso. v 10.85 . L.D2 (92) 1.85 . D 2 4.87 (94) Obs.D1 C 2 .85 L .2 CONDUTOS EM PARALELO (95) No caso dos condutos em paralelo (Ilustração 35) as condições a serem satisfeitas são as seguintes: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . tem-se: h f ! h f1  h f 2  h f S h fS ! L eq.87 C 21.Q2 ! 1. 85 4 .85 2 4 . C Ilustração 35 ± canalizações em serie L.87 4 . 87 D1 D2 (93) Não sendo desprezíveis as perdas de carga singulares.D2 L L L ! 1.87  12 1.85 . D14.87 4. D 2 4. D 4.85 C 21.87 C11.

Q1 Q Q A B L2.1.63 . C2.D 2. D2.D1 . 87  1.87 1.85  0.85 D2 L2 4.2785C1 . 63 ! 0.2785C 2 .D2 .1. D1.85 1 1 1 2 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 79 Vazões: Q = Q1 + Q2 Perdas de carga: hf = hf1 = hf2 hf1 = hf2 L1. tem-se: 1. Q2 Ilustração 36 ± Canalizações em paralelo Q ! Q1  Q2 @ 0. 85 D 4. 63 2 .85 L L1 L2 Para condutos de mesmo material e mesmo tempo de uso. 87 (96) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .85 D1 ! L L1 4 .2785C.1. C1.

através de bombeamento e adequada canalização. .no transportar de água de um reservatório a outro . que têm por finalidade o fornecimento da energia necessária e controle do transporte do fluído.Ficarem abrigadas de possíveis inundações. . e) Dispositivos auxiliares: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .1 PARTES CONSTITUTIVAS: Nas estações elevatórias podem ser encontradas as seguintes partes ou dispositivos especiais.Planejamento adequado.no bombeamento de água para lavagem de filtros nas ETAs. c) Tubulações e órgãos acessórios: d) Equipamentos elétricos. b) Poço de sucção. . estruturas e equipamentos. .na adução de água por recalque.na captação de água bruta. a) Salão das máquinas e componentes.em injeção direta de água em redes de distribuição.Boa operação e manutenção.Projeto bem detalhado e bem especificado. 10. as perdas de carga ao longo das canalizações.Apresentar facilidade de acesso e de obtenção dos terrenos. Em abastecimento de água são empregadas em diversas situações. entre as quais se citam as seguintes: . entre as quais se destacam: . Quanto à seleção dos locais para construção devem ser observadas as seguintes recomendações: . ESTAÇÃO ELEVATÓRIA DE ÁGUA Estações elevatórias de água são unidades constituídas de um conjunto de obras. além dos eventuais desníveis. .Execução adequada. podendo receber a denominação de Booster´. . de modo a vencer. em geral de um ponto para outro mais elevado. O projeto e a construção das elevatórias para sistemas de abastecimento de água devem respeitar algumas preocupações. . .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 80 10.

20 c) visando impedir a entrada de ar na tubulação: h > 2.3 VAZÕES PARA CÁLCULO DAS ELEVATÓRIAS São determinadas com base nos seguintes elementos: .manômetros para medir a pressão na sucção e no recalque. . 10.coeficientes k1 e/ou k2. 10. Assim sendo devem ser observados: a) velocidade máxima na sucção: v = 1. talha.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 81 .grandes consumos isolados. . . .2 m/s b) condição hidráulica: h > v2/(2g) + 0. .D + 0.medidor de vazão.indicador do nível de água do poço de sucção.2 RECOMENDAÇÕES E DETALHES CONSTRUTIVOS: Cuidados especiais devem ser tomados no projeto das estações elevatórias. . principalmente no que diz respeito às velocidades máximas na canalização de sucção.quotas per capitas média.população abastecível. ou seja o nível da lâmina d¶água acima do eixo do flange de sucção da bomba. assim como o respeito à submergência mínima (h). SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . monovia ou outro tipo de mecanismo para suspensão dos conjuntos elevatórios.4 m/s.ponte rolante.10 Para a tubulação de recalque a velocidade máxima admissível deve ser da ordem de 2.5.

Bombas de Poço Profundo (tipo Turbina).4 SELEÇÃO E DIMENSIONAMENTO CONJUNTOS ELEVATÓRIOS Existem diversos tipos de conjuntos elevatórios ou conjuntos moto-bombas que podem ser adotados nos sistemas de recalque. como vazão e altura manométrica. .1 Classificação das Bombas Segundo o Hidraulic Institute Standard (HIS). Em algumas ocasiões são usadas na elevação de esgotos. as bombas podem ser classificadas em: . 10.de eixo vertical. Em abastecimento de água são usadas na dosagem de produtos químicos. das principais grandezas características do sistema. Funcionam ao ar livre. . cobrindo praticamente quase todas as necessidades de aplicação no campo do abastecimento de água. A seleção de uma determinada alternativa depende. O presente estudo se restringirá apenas às bombas centrífugas. portanto Hman = Hest.Bombas Rotativas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 82 10. As bombas centrífugas cobrem uma grande variedade de vazões e alturas manométricas. . São de baixo rendimento.4.de eixo inclinado. devido às fugas que se verifica entre a hélice e as canaletas que as contêm.de eixo horizontal.1 Bombas Centrífugas As bombas centrífugas podem ser classificadas segundo os vários critérios: a) Quanto a Posição do Eixo: .4. são mais baratas e apresentam uma grande variedade quanto a sua classificação. Bombas rotativas são indicadas para grandes vazões e pequenas alturas de elevação. b) Quando ao movimento do líquido: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . . muitas vezes. Hoje elas têm sido substituídas por submersas. Bombas de êmbolo ou de pistão são indicadas para pequenas vazões.Bombas Centrífugas. . que requerem uma estrutura de montagem mais simples e por serem mais baratas. e quando se requer precisão nas vazões de bombeamento. têm bom rendimento em relação às outras. 10. Bombas de poço profundo são usadas para captação de água de poços profundos.1.Bombas de Êmbolo ou de Pistão.

diagonal (tipo Francis). . c) Quanto à admissão do líquido: .média pressão (15 < Hman < 50 m).fechado.média rotação = N } 1.baixa rotação = N } 1. . .a prova de entupimento (non clog). SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .sucção simples (rotor simples). e) Quanto ao tipo de rotor: .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 83 .um estágio (um só rotor).aberto.semi-fechado.baixa pressão (Hman < 15 m).radial (tipos voluta e turbina). .helicoidal. f) Quanto a Pressão: .200 e 1.estágios múltiplos (dois ou mais estágios). . . . g) Quanto a rotação: .500 rpm As velocidades mais recomendadas são as de 1.200 rpm . . d) Quanto ao número de rotores (ou de estágios): .alta rotação = N } 3.700 rpm .700 rpm. .dupla sucção (rotor de dupla admissão).alta pressão (Hman > 50 m).

1. .altura manométrica de sucção ou (NPSHdisponível = Net Positive Section Head).2 Grandezas intervenientes no estudo das bombas centrífugas: Abaixo estão relacionadas as principais grandezas intervenientes no dimensionamento das bombas ou dos conjuntos elevatórios.4. Texto elaborado pelos Profs.vazão. Martins e Sidney Lázaro Martins. José Rodolfo S.altura manométrica total (como definida anteriormente). SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . . .Guia de Estudo. . 2004-EPUS-PHD 10.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 84 Ilustração 37 ± Tipos de rotores de bombas centrífugas Ilustração 38 ± tipos de rotores de bombas centrífugas Fonte: Hidráulica Básica .rotação.

Pv = pressão de vapor da água. O valor de E pode variar de 2 a 6%. cada conjunto elevatório exige uma carga mínima de sucção (NPSHrequerido).Q.3 Potência dos conjuntos moto-bombas A potência das conjuntos elevatórios ou das bombas pode ser dada.potência. O número de pólos do motor elétrico é dado pelo número de terminais nos quais as bobinas ou espiras estão interconectadas. A velocidade síncrona é dada pela equação. pelas seguintes equações: P(W ) ! K . sob tensão e freqüência nominais. Pa = pressão atmosférica.1. A rotação dos motores elétricos de corrente alternada. Sendo Ns a velocidade síncrona e E o escorregamento (em %) e da velocidade síncrona. Ns ! 120. que pode ser calculada através da expressão: NPSHdisponível = Pa + Pv + HG .7hf > NPSHreq Onde. ou rotação nominal. em mca. HG = carga disponível acima do eixo da sucção da bomba. Deve-se atentar para o fato de que. . cujos valores são fornecidos através de testes de laboratório. O NPSHdisponível é uma grandeza característica das instalações de sucção e da altitude do local.eficiência. respectivamente.4. f (99) n o de polos Onde: f = freqüência da rede elétrica (50 ou 60 Hz). sendo denominado de escorregamento elétrico. 10. em mca. 7hf = soma das perdas de carga na canalização e peças de sucção. em mca. em RPM.H man 75L (100) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . é dada pela seguinte equação: Nn ! Ns (1  E% ) 100 (98) (97) É a velocidade que o motor atinge em regime permanente à potência nominal.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 85 .

5 0.75 3 0. obtém-se a potência em CV.5 0.77 5 0.75 0. A potência PM. Ș = Șb x Șm Șb = rendimento da bomba. Na prática trabalha-se com a hipótese de que 1 HP = 1 CV. Para adoção do rendimento Șb da bomba ou Șm dos motores elétricos pode-se recorrer às Tabelas 23 a 24 a seguir apresentadas.85 100 0.72 1.84 20 0.746 kW ou 1 kW $ 1.80 40 0. A potência PBHP. Para obtenção das potências em HP.64 0. Q em m³/s e H em mca. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .73 2 0.52 7.360 CV. para elevar a vazão Q a uma altura manométrica total Hman. para atender à bomba de vazão Q e altura de elevação manométrica total Hman.71 25 0.986 HP ou 1 HP $ 1.0136 CV. Șm = rendimento do motor elétrico.986KQH man (102) 75L bL m (101) PM ( HP) ! Onde: Ȗ = peso específico do fluído em kgf/m³. expressa a energia requerida por uma bomba de rendimento Șb.75 30 0.84 50 0.88 > 100 0.90 Depois de calculada a potência requerida do motor elétrico é recomendável adotar folgas através de acréscimos conforme Tabela 25 a seguir mostrada.67 1 0.66 15 0. Para água. observe-se que 1 HP $ 0.81 10 0. expressa a energia requerida do motor elétrico de rendimento Șm.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 86 PM (CV ) ! KQH man 75L bL m 0.61 10 0.88 Tabela 24 ± Rendimento de motores elétricos em função da potência HP LM 0. Ȗ = 1000 kgf/m³.86 30 0.87 200 0. Para converter as potências para kW.5 0. utilizando-se na Equação 66.87 50 0. Q = vazão em m³/s. deve-se observar que 1 CV $ 0. Tabela 23 ± Rendimento de bombas centrífugas em função da vazão de recalque Q (l/s) LB 5 0.68 20 0. Hman = altura manométrica total em m.

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Tabela 25 ± Acréscimos de potência para os motores em função da potência das bombas
Bomba Acréscimo Até 2 HP 50% 2 a 5 HP 30% 6 a 10 HP 20% 11 a 20 HP 15% > 21 HP 10%

Definida a potência mínima a instalar, escolhe-se, com base Tabela 26, um motor de potência nominal imediatamente superior ao valor teórico encontrado. Tabela 26 ± Potências usuais de motores elétricos fabricados no Brasil
POTÊNCIAS EM HP ¼, 1/3, ½, ¾, 1, 1 ½, 2, 3, 5, 6, 7 ½, 10, 12, 15, 20, 25, 30, 35, 40, 45, 50, 60, 80, 100, 125, 150, 200 e 250

O Governo brasileiro, através do Decreto nº 4.508, de 11.12.2002 baixou regulamentação específica que define os níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos de indução, rotor gaiola de esquilo, de fabricação nacional ou importados, conforme mostrado na Tabela 27 abaixo. Tabela 27 - Níveis mínimos de eficiência energética de motores elétricos trifásicos (Șm).
POTÊNCIAS HP/CV Kw 2
1,0 1,5 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,5 10 12,5 15 20 25 30 40 50 60 75 100 125 150 175 200 250 0,75 1,1 1,5 2,2 3,0 3,7 4,5 5,5 7,5 9,2 11 15 18,5 22 30 37 45 55 75 90 110 132 150 185 77,0 78,5 81,0 81,5 82,5 84,5 85,0 86,0 87,5 87,5 87,5 88,5 89,5 89,5 90,2 91,5 91,7 92,4 93,0 93,0 93,0 93,5 94,1 94,1

MOTOR P ADRÃO PÓLOS 4 6
78,0 79,0 81,5 83,0 83,0 85,0 85,5 87,0 87,5 87,5 88,5 89,5 90,5 91,0 91,7 92,4 93,0 93,0 93,2 93,2 93,5 94,1 94,5 94,5 73,0 75,0 77,0 78,5 81,0 83,5 84,0 85,0 86,0 87,5 89,0 89,5 90,2 91,0 91,7 91,7 91,7 92,1 93,0 93,0 94,1 94,1

8
66,0 73,5 77,0 78,0 79,0 80,0 82,0 84,0 85,0 86,0 87,5 88,5 88,5 90,2 90,2 91,0 91,0 91,5 92,0 92,5 92,5

MOTOR DE ALTO RENDIMENTO PÓLOS 2 4 6 8
80,0 82,5 83,5 85,0 85,0 87,5 88,0 88,5 89,5 89,5 90,2 90,2 91,0 91,0 91,7 92,4 93,0 93,0 93,6 94,5 94,5 94,7 95,0 95,4 80,5 81,5 84,0 85,0 86,0 87,5 88,5 89,5 89,5 90,0 91,0 91,0 92,4 92,4 93,0 93,0 93,6 94,1 94,5 94,5 95,0 95,0 95,0 95,0 80,0 77,0 83,0 83,0 85,0 87,5 87,5 88,0 88,5 88,5 90,2 90,2 91,7 91,7 93,0 93,0 93,6 93,6 94,1 94,1 95,0 95,0 95,0 70,0 77,0 82,5 84,0 84,5 85,5 85,5 85,5 88,5 88,5 88,5 89,5 89,5 91,0 91,0 91,7 91,7 93,0 93,0 93,6 93,6

Fonte: Decreto no. 4.508, (2002)

Os fabricantes de motores elétricos produzem, sob encomenda, motores de potência, não só superiores às mostradas, como de valores intermediários, múltiplos de 25 ou de 50 HP para uma ampla faixa de potências. 10.4.2 Curvas Características das Bombas Centrífugas

As curvas características das bombas centrífugas apresentam configuração como mostrado nas Ilustrações 38 e 39, podendo-se observar que, em função do aumento da velocidade de rotação e do diâmetro do rotor, obtêm-se maiores vazões e alturas de recalque.

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Curvas caracterís ticas de bombas para di vers as rotações

Al tura s Ma nométricas H

1 200 rpm 1 800rpm 3 600 rpm

Vazões Q

Ilustração 39 ± Curvas características de bombas centrífugas

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Ilustração 40 ± Curvas características de bombas centrífugas para diferentes rotores.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007

do conjunto que possa oferecer rendimento máximo. Na ilustração 40 tem-se um exemplo da representação do processo de seleção de bombas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 90 10. uma boa prática consiste em traçar a Curva Característica do Sistema versus Curva Característica da Bomba. º 2 Q1 N 1 ! Q2 N 2 P1 ¨ N 1 !© P2 © ª N2 ¸ ¹ ¹ º 3 (103) b) Bombas de mesma rotação: Q1 ¨ d1 ¸ !© ¹ ¹ Q2 © ª d2 º 3 (70). 80 Curva Sistema x Bomba Cur va característica do sistema 70 60 50 40 30 hff Ponto de Trabalho. aplicam-se as seguintes leis de similaridade. Q. HG 20 10 Cur va característica da bomba 0 10 20 30 40 50 Vazões Q (l/s) 60 70 80 90 Ilustração 41 ± Curva do sistema x curva da bomba SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .3 Leis de Similaridade Em função das velocidades de rotação e do diâmetro do rotor das bombas. H.4. Uma boa seleção dependerá da procura em catálogos de fabricantes. H 1 ¨ d1 ¸ !© ¹ ¹ (71). H2 © ª d2 º 2 P1 ¨ d 1 ¸ !© ¹ ¹ P2 © ª d2 º 5 (104) 10.4.4 Seleção de Bombas ou Conjuntos Elevatórios Para a seleção do conjunto elevatório que melhor se aplique ao sistema adutor projetado. H 1 ¨ N1 !© H2 © ª N2 ¸ ¹ ¹ (68). de preferência. Alturas manométricas. a) Bombas de mesmo diâmetro do rotor: (67). A interseção das duas curvas definirá o ponto de trabalho que. H (mca) 90. deve coincidir com o calculado.

5 Associação de Bombas Em muitas situações.H 40 HG 20 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 Vazões Q (l/s) Ilustração 42 ± Simulação de envelhecimento da canalização 10. sucessivamente. e esta para a sucção da seguinte e assim. 10.5. são válidas as seguintes condições: Q = Q1 = Q2 Hmant = Hman1 + Hman2. tem-se: Hmant = 2. resulta em novas vazões e alturas manométricas. Note-se que a altura manométrica total (Hmant) corresponde á soma das alturas manométricas das bombas 1 e 2 conforme Ilustração 42.H2 80 60 Q1 . H1 e Q2. Q1. 1) Cur va Sis tema (env . os sistemas elevatórios podem exigir a instalação de duas ou mais bombas em série ou em paralelo. H2.Hman1 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .H1 hf Q. onde se pode observar que a queda gradual de vazão com o aumento das perdas de carga. respectivamente. Curvas do sistema com envelhecimento da canalização Cur va Sis tema novo Cur va da Bomba Cur va Sis tema (env .4. Se as bombas forem iguais.1 Associação de bombas em série Duas ou mais bombas operam em série quando a primeira recalca para a sucção da segunda.4.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 91 Na Ilustração 41 apresenta-se uma simulação do que pode ocorrer com a curva do sistema devido o envelhecimento da canalização ou com o fechamento gradual de uma válvula. 2) Alturas manométricas H (mca) 160 140 120 100 Q2. Para o caso de duas bombas em série.

Na Ilustração 43. pode ser resolvida graficamente.5. traçada a curva característica do sistema adutor. cuja curva melhor se adeque ao ponto de trabalho desejado C (Q2. para cada altura. quando operando em paralelo. obtém-se o ponto de trabalho (B) para uma bomba operando isoladamente. É importante notar que as bombas centrífugas vencem os desníveis mais as perdas de carga. a altura manométrica total diminui passando para H¶1 (< H1) e para uma vazão Q¶1. as vazões correspondentes tantas vezes quanto forem as bombas operando em paralelo. de modo que cada uma contribua com uma parcela da vazão. Portanto. no eixo das ordenadas. adiante apresentada. recalcando para uma tubulação comum. Na ilustração 43. Na prática. para traçar as curvas das bombas em paralelo. a curva de 1 bomba. para as mesmas alturas manométricas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 92 H Hman2 B1+B2 Hman1 B1=B2 2 Q Ilustração 43 ± Associação de bombas em série 10. basta plotar. de tal modo que Q2 = 2xQ1. é portanto. Assim sendo. todas as bombas terão a mesma altura manométrica total. b) Quando duas bombas operam em paralelo. Isso se acentua com o aumento do número de bombas operando em paralelo. de tal modo que Q1 < Q¶1 < Q2. H1). Observe-se que as duas bombas operarão com a altura manométrica H1. escolhe-se uma bomba. de tal modo que H 1 A = AC . as vazões correspondentes se somam. Dito de outra forma. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .2 Associação de bombas em paralelo A associação de duas ou mais bombas em paralelo. conforme demonstrado na Ilustração 43. uma curva de tendência. Do exemplo visualizado podem-se inferir as seguintes conclusões: a) A vazão total do sistema é menor que a soma das vazões das bombas operando isoladamente.4. a vazão total do sistema é Q2 e cada bomba recalca a vazão Q1. há um deslocamento do ponto de trabalho para a esquerda (ponto A). Na interseção da curva de 1 bomba com a curva do sistema. operando isoladamente. passando por A. traçada a partir do ponto comum de máxima vazão da bomba. Quando uma bomba opera isoladamente.

Ilustração 44 ± Associação de duas bombas operando em paralelo. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . a unidade que continuar operando terá o ponto de trabalho deslocado do ponto A para o ponto B.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 93 c) Se uma das bombas sair de operação (por qualquer razão).

Nas Ilustrações 44 e 45 adiante mostradas. ou seja. ii) emergenciais. iii) devido a populações flutuantes. são alimentados quando o consumo na rede é menor que o volume injetado na mesma. encontram-se esquematizados as duas concepções. v) para combate a incêndios. os reservatórios podem ser classificados em de montante´ e de jusante´.1 RELATIVAMENTE AO CONSUMO DE ÁGUA Destinam-se a atender às seguintes categorias de demandas: i) normais. estes últimos também chamados de reservatório de compensação´. Consideram-se demandas normais as seguintes: a) domésticos. iv) especiais. assegurar as reservas de água para os diversos tipos de demandas. RESERVATÓRIOS DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Os reservatórios dos sistemas de abastecimento de água têm basicamente duas finalidades principais: a primeira. garantir as pressões normalizadas para adequado atendimento aos usuários e segurança sanitária na rede. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Já os reservatórios de jusante recebem o excedente de água que não é consumido na rede. a segunda. 11.2 RELATIVAMENTE ÀS PRESSÕES NA REDE Objetivando regularizar as pressões na rede de distribuição de água. b) comercial c) industrial d) público e) perdas e desperdícios 11. principalmente daquelas relativas aos picos de consumo.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 94 11. Os reservatórios de montante ficam situados entre a estação de tratamento/bombeamento e a rede.

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 95 Casa de bombas Rede R a Ilustração 45 . de aço. de fibra de vidro. etc. formas. combinações. conforme esquemas respectivos. semienterrados. podem ser de concreto armado. apoiados e elevados. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . os reservatórios podem ser enterrados. a. mostrado na Ilustração 46.Reservatório de jusante. Quanto ao material empregado.Reservatório de montante Rede R Casa de Bombas h Ilustração 46 .Posições de reservatórios quanto ao terreno. de alvenaria. oval. e com os mais diversos tipos de materiais. Os reservatórios podem ser construídos segundo os mais diversos arranjos. circular. dependendo das condições topográficas e de disponibilidades financeiras. de materiais plásticos. b. CT CT b) Reservatório semi-enterrado a) Reservatório enterrado CT CT c) Reservatório apoiado d) Reservatório elevado Ilustração 47 . inclusive de terra com paredes revestidas e impermeabilizadas. c e d. Quanto à posição em relação ao terreno. Quanto à forma os reservatórios podem ter diversos tipos de seção: retangular.

inclusive emergenciais e de combate a incêndio. tendo em vista as perspectivas dos consumos normais. cuja unidade depende de V V = volume consumido no dia de máximo consumo. Fórmula de Toledo Malta (válida para adução contínua): C! k2  1 . Yassuda: C! 100  V 1 xV 100 (106) Sendo: C = capacidade do reservatório.V T (105) Fórmula do Engo.CONSUMOS NORMAIS A capacidade de reservação de um sistema de abastecimento de água é feita levando-se em consideração os fatores intervenientes no consumo. quem tem melhores condições sócio-econômicas e é mais favorecido pelas condições topográficas. armazena mais água. P = população de projeto q = per capita de projeto SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Em geral. são prejudicados.q ou V = 24Q1 (107) 1000 k1 = coeficiente do dia de maior consumo. dado por: V! k1 . ou seja. uma vez que a água fica armazenada. Pode-se empregar também as fórmula de Toledo Malta e do Eng. além de influir nas condições de operação da rede de distribuição. menos favorecidos. Na maioria das cidades brasileiras é muito comum cada domicílio ou imóvel contar com seu próprio reservatório para armazenamento de água. Este fato.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 96 11. assim como através de previsão de consumos para as diversas situações. conforme as equações (85 e 86) adiante mostradas. Relatam-se casos de reservatório de empresas públicas que operam sem as mínimas reservas estratégicas. Yassuda. 11. enquanto outros usuários.1 Capacidade de Reservatórios para pequenas cidades Para pequenas cidades sem dados estatísticos de consumo. k2 = coeficiente da hora de maior consumo.P. contribui consideravelmente para desequilíbrio das pressões. pode-se calcular a capacidade de reservação tomando-se valores que podem variar de 1/3 a 1/5 do consumo máximo diário.3. de fato na casa do usuário.3 CALCULO DA CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS . obtidos diretamente ou através de pesquisas para cidades de características semelhantes às de projeto.

Curv a s consumo x produçã o . No segundo caso. em % de V. Os acréscimos para suprir as interrupções de fornecimento podem ser dados por: Ca = Q.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 97 V1 = volume consumido na cidade durante T horas em que funciona a adução. podem ser adotados modelos analíticos ou gráficos para determinação das reservas correspondentes aos consumos normais. a capacidade do reservatório corresponde à área da curva acima da reta dos consumos. que é igual ao déficit de consumo no período.3. para um período de 24 horas. Na Ilustração 48 têm-se as curvas representativas dos consumos e da adução acumulados para o mesmo período de tempo. No primeiro caso. Quando conhecidas as curvas características de consumo x produção. Para adução contínua. 11. encontra-se na Ilustração 47.aduçã o contínua PRODUÇÃO 1 40 1 30 1 20 110 100 90 Cálculo da capacidade de reservatórios para cidades de médio a grande porte Para cidade de médio e grande porte o estudo da capacidade de reservação exige mais cuidados e Vazõ es (m³/h) (-) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2 4 6 8 10 (+) (+) Tempo (h) 12 14 16 18 20 22 24 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . as curvas representativas dos consumos x produção de água.T Q = Vazão de adução do consumo normal T = Intervalo de tempo de interrupção do funcionamento da adução. Q1 = Vazão média horária no dia de maior consumo (V/T = 24Q1/T) T = intervalo de tempo de funcionamento da adução em horas Para os casos anteriores.2 precisão. a capacidade de reservação corresponde ao segmento C. O acréscimo para população flutuante deve ser estudado em função do afluxo populacional extra recebido pela cidade. podem ser acrescidos os volumes correspondentes aos tempos de interrupção de fornecimento de água e também os relativos aos consumos das populações flutuantes.

.. E% = Ȉ(%) ...% aduz) OBS DEFICIT -(% cons.. O cálculo da capacidade do reservatório correspondente ao consumo normal é função do déficit acumulado por período crítico ou para o período de 24 correspondente ao dia mais crítico do sistema..... 100% % DO CONSUMO % ADUZIDO BALANÇO (% ) EXCESSO + (% cons. em função dos intervalos de tempo utilizados. os percentuais aduzidos.... D% = Ȉ(%) .. Tabela 28 .....adução continua PRODU ÇÃ O 700 600 CONSUMO Volumes a cumul a dos (m³) 500 4 00 3 00 2 00 100 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 C 18 20 22 24 Interv alos de tempo (h) Ilustração 49 . conforme modelo sugerido na Tabela 49.... correlacionando-os com os volumes produzidos por intervalos de tempo.. na qual se possam representar os percentuais de consumo diários. sendo a capacidade de reserva no consumo normal dada por: C = D(%).Diagrama de Massas para determinação da capacidade de reserva Para a determinação da capacidade de reserva pelo método analítico elabora-se uma planilha de cálculo. 100% . Os percentuais de consumo são obtidos em função dos histogramas de consumo...APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 98 Ilustração 48 ...Modelo para cálculo analítico do consumo normal INTERVALOS (horas) 0-H .% aduz) . H-24 TOTAIS ...Vmáx (108) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Observe-se que a soma dos excessos corresponde à soma dos déficits...Curvas consumo/produção Curva consumo x produção acumulados ..

somados representam a capacidade total do reservatório.adução periódica P RO DUÇ ÃO 80 70 60 CO NS UMO CO NS UMO MÉDIO Vazões (m³/h) 50 40 30 20 10 0 2 4 6 8 (-) (-) 10 12 14 16 18 20 22 24 Tempos (h) Ilustração 50 . devendo-se tomar o cuidado de observar o início e final dos intervalos de bombeamento. Neste caso os segmentos C1 e C2. o problema também pode apresentar solução analítica e gráfica.Gráfico para determinação da capacidade de reserva. adução periódica SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Para o caso de adução periódica. ou seja para intervalos de bombeamento menor que 24 horas por dia. conforme mostrado nas Ilustrações 49 e 50. A solução analítica é feita do mesmo modo que na adução contínua. Cur vas consumo x produção . em (%) os déficits sucessivos acumulados do período mais crítico.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 99 Sendo Vmáx o consumo máximo diário em metros cúbicos e D.

obtida com os dados da Tabela 29. conforme Ilustração 51. corresponde a 250 milhões de m³.). os quais dispostos como sugerido na Tabela 29. Os déficits representam as diferenças entre as disponibilidades e as respectivas demandas de projeto.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 100 Curvas consumo x produção . permitem não só o cálculo analítico. Observe-se que a solução gráfica fornece um valor aproximado para C1.adução periódica PRODUÇÃO 700 600 CONSUMO Volumes acumulados (m³) C = C1 + C2 500 400 300 200 100 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 C2 C1 22 24 Intervalos (h) Ilustração 51 ± Diagrama e massas para adução periódica Para o cálculo de reservatório de acumulação. Analiticamente. Para a construção desse modelo necessita-se de dados estatísticos das disponibilidades hídricas e das demandas de projeto. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . como também o traçado do diagrama de massas. o modelo mais indicado é o diagrama de Ryppl ou diagrama de massas. etc. a capacidade do reservatório é representada pelo segmento C1 que corresponde ao maior déficit sucessivo acumulado (período mais crítico). a capacidade do reservatório é aquela correspondente ao valor do maior déficit sucessivo acumulado no período estudado. Na Ilustração 51. tangenciando os pontos de máximo e mínimo da curva das disponibilidades acumuladas. No exemplo em questão. (barragens. represas. obtido traçando paralelas à reta das demandas. da ordem de 260 milhões de m³.

............ .. (ano... DISP.0 -1 5 5 8 -2 -6 -4 -12 Excesso 10exp07 (m³) 0 6 2 -3 -5 -9 -8 -25.. TOTAIS MÊS Mês1 ..Tabela para cálculo analítico de reservatórios.... ACUM(m³) .método analítico.... ......... PROJ..... ........ ANOS Ano 1 ... Tabela 30 .. mês) (m³ ) DEM...... .. ...APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 101 Tabela 29 ...Exemplo de cálculo de capacidade de reservatório de acumulação . mês) (m³) ....... DISP. Ȉexc .... . (m³ ) DEM........... .. PROJ....0 Deficit 10exp07 (m³) Déficits acumulados 10exp07 (m³) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 ....... Mês 12 Mês1 .. .. BALANÇO EXCESSO DEFICIT ... ACUM..... (ano..... ... Ano N .... . Mês 12 .... ... Ȉdef OBS ......... . Anos Disponibilidades 10exp07 (m³) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 0 16 12 7 5 1 2 9 15 15 18 8 4 6 9 19 16 13 7 5 9 Disponibilidades acumuladas 10exp07 (m³) 0 16 28 35 40 41 43 52 67 82 100 108 112 118 127 146 162 175 182 187 196 Demandas de projeto 10exp07 (m³) 0 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 10 Demandas de projeto acumuladas 10exp07 (m³) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 160 170 180 190 200 -1 -1 9 6 3 -3 -5 -8...

4 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE RESERVATÓRIOS . (110) 1 1 = C3  C 3! (C1  C2 ) 4 4 (109) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Pode-se ainda determinar o consumo de emergência pela equação: 1 1 C3 ! . a capacidade de reserva pode ser representada por: C3 = Q.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 102 Diagrama de Rippl Disponibilidades acumuladas 10exp07 (m³) 210 200 190 180 170 160 Demandas de projeto a cumuladas 10exp07 (m³) C2 Volumes acumulados (10exp07 m³) 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 C1 Anos Ilustração 52 .Diagrama de Rippl para cálculo de capacidade de reservatórios 11.C ! (C1  C2  C3 ) 4 4 3 1 C3 ! (C1  C2 ) 4 4 1 C3 ! (C 1C2 ) 3 Sendo.CONSUMOS DE EMERGÊNCIA Definindo como C3 o consumo de emergência.t Sendo: Q = vazão média do consumo normal t = intervalo de tempo previsto para a reparação do defeito e reinício do funcionamento do abastecimento de água.

11. Ou C = Q 1 .6 INFLUÊNCIA DA POSIÇÃO DO RESERVATÓRIO NO DIMENSIONAMENTO DOS CONDUTOS MESTRES DA REDE DE DISTRIBUIÇÃO.P. C2 = capacidade de reserva para combate a incêndios.400 (113) A linha piezométrica do trecho a apresenta a configuração como mostrado na Ilustração 46.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 103 C1 = capacidade de reserva para o consumo normal. 11.COMBATE A INDÊNDIO C2 = (Q1 ± Q2)t Onde: Q1 = vazão necessária para combate a incêndio crítico. t = duração do incêndio crítico.t (112) (111) Quando se prevê a utilização exclusiva do sistema de abastecimento de água da cidade para combate a incêndio.k 2 .5 CÁLCULO DA CAPACIDADE DE RESERVATÓRIOS .1 Reservatório de montante O diâmetro da canalização de saída do reservatório (trecho b da Ilustração 52) deverá ser calculado de acordo com a vazão que é dada pela equação abaixo: QRm ! k1 . C2 = 500m³. em segundos. Estação elevatória B a) R b) Rede SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . 11. A posição dos reservatórios em relação à rede de distribuição exerce grande significado quando se trata de dimensionar o conduto e analisar as linhas piezométricas.6.q 86. obtida de origem diferente da que fornece água para a rede de distribuição. Observem-se os dois casos distintos de entrada de água no reservatório: o primeiro resulta na linha piezométrica constante e o segundo em uma linha piezométrica variável. em l/s Q2 = vazão auxiliar de emergência durante o incêndio. conforme Ilustrações 53 e 54. ou de preferência. em l/s. devem ser adotados os seguintes valores: C2mín = 250 m³.

conforme as Ilustrações 55 e 56 adiante apresentadas.Linha piezométrica variável em reservatórios de montante 11.reservatório de montante.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 104 Ilustração 53 .6. o dimensionamento da canalização apresenta duas situações distintas.2 Reservatório de jusante No caso de reservatório de jusante. Rede Estação elevatória Qb Q2 Q1 R SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .Esquema horizontal . HG Ilustração 54 .Linha piezométrica constante em reservatórios de montante. LP hf AMT=Cte. LP AMT2 AMT1 h Ilustração 55 .

k 2 . as vazões adotadas para dimensionamento das canalizações são as de maior valor encontrado conforme expressões anteriores.q k1 .q 86400 (118) Sendo k3 = 0.P.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 105 Ilustração 56 .Linha piezométrica variável em reservatório de jusante As equações para cálculo das vazões e diâmetros dos diferentes trechos e nas diferentes condições de escoamento são as definidas pelas expressões abaixo: Q1 ! Q2 ! Qb ! k1 .P.P.q 86400 (116) (114) (115) Qmont ! Qmin ! k1 .q (117) 86400 k 3 .q  86400 86400 k1 P.P.5 e os demais elementos conforme já definidos anteriormente. Para o trecho entre a rede o reservatório de jusante.reservatório de jusante h LP2 NA2 AMT2 AMT1 LP1 Pressão mínima NA1 Elevatória Cidade Situação LP2 = Reservatório armazenado água SituaçãoLP1 = Consumo maior que a produção de água Ilustração 57 .k 2 .q  Qmin 86400 k1 . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .Esquema horizontal .P.

em geral destinados ao atendimento das ruas e logradouros secundários. subsidiariamente. 12. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 106 12. a e b.Esquemas de redes ramificada e malhada. continuidade. Os condutos secundários são aqueles de menor diâmetro. as redes são classificadas em ramificadas ou malhadas. para combate a incêndio. Segundo a disposição dos condutos principais. REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA É o conjunto de canalizações. conexões e válvulas. bacteriológicas e sanitárias nas unidades precedentes. dispostas nas vias públicas para permitir o fornecimento de água aos prédios e. também conhecidos como mestres.1 TIPOS DE CONDUTOS . são as linhas de maior diâmetro. R a) Rede ramificada R b) Rede malhada Ilustração 58 . As redes malhadas compreendem o conjunto das canalizações que se interligam em diversos pontos. de forma que sejam asseguradas as características de qualidade físico-químicas. peças. e à pressão conveniente. Tem ainda a finalidade de fornecer a água com regularidade. As redes ramificadas se assemelham a ramos de árvores.TIPOS DE REDES Os condutos das redes de distribuição de água são classificados em principais e secundários: Os condutos principais ou troncos. encontram-se esquematizados os principais tipos de rede. formando uma malha de anéis interconectados. dimensionadas para atendimento dos setores de distribuição. Nas Ilustrações 57. não apresentando interconexões com outros circuitos ao longo de toda sua extensão.

Na Ilustração 58 encontram-se esquematizados os segmentos representativos das pressões estática e dinâmica em um ponto qualquer da rede. quando não existe consumo de água.2 FATORES INTERVENIENTES E CONDIÇÕES A SEREM SATISFEITAS NO PROJETO DE UMA REDE DE DISTRIBUIÇÃO Diversos fatores estão envolvidos no projeto e dimensionamento das redes de distribuição de água. sendo este último. merecendo destaque: i) Previsão e distribuição da população ii) Estudo e previsão da população futura a ser abastecida. Quanto à pressão dinâmica. NAmáx NAmin PE PD Ilustração 59 . não devendo superar 60 m.a. devem ser obedecidas as normas técnicas. Atente-se que não são recomendáveis grandes áreas com pressões altas.c. as pressões recomendáveis para os pontos mais desfavoráveis da rede variam de 10 a 15 m.c. supõe-se o reservatório na cota máxima.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 107 12.c. podendo as densidades populacionais serem obtidas com o auxílio da Tabela 6. como visto anteriormente. Para pressão estática. no caso de não serem oficialmente conhecidas. vi) Pressões de distribuição. Quanto às pressões na rede. As previsões e estudos populacionais podem ser feitos. iii) Estudo da área a ser beneficiada.Esquematização de pressão estática (PE) e pressão dinâmica (PD) SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .a. nos pontos mais baixos da rede. página 26.a. A Norma Brasileira limita a pressão estática máxima a 50 m. v) Consumos industriais significativos. ou seja. o valor recomendado pela Norma Brasileira para cálculo de redes de água. iv) Distribuição da população pela área de abrangência do projeto.

ii) Nos cruzamentos. a intervalos de cerca de 600 m. recomenda-se: i) Para tubulações principais: ˆmín. as válvulas serão dispostas de forma a tornar possível. por meio de manobras. = 50 mm Para o caso de ruas com larguras superiores a 18 m ou de grande intensidade de trafego. a concentração de vazões nos tubos que abastecem os hidrantes. de forma a isolar seções de aproximadamente 700 m de canalização. Quanto à localização dos hidrantes: SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . iii) Devem ser dispostas (as válvulas) de forma adequada de modo a possibilitar o isolamento dos subsetores. reservando-se para os coletores de esgoto. as canalizações destinadas à distribuição de água devem ser localizadas no lado mais alto. = 100 mm ii) Para tubulações secundárias: ˆmín. Quanto aos diâmetros mínimos. devem ser instaladas: i) Em todas as derivações das linhas principais e em todos os trechos dessas linhas. iv) Nas áreas próximas a hidrantes.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 108 Quanto à localização das redes nas vias públicas. Ilustração 60 ± Localização das canalizações nas vias públicas. Quanto à localização das válvulas de fechamento. de pavimentação de concreto ou de estrutura que exija maior custo de demolição. o lado mais baixo. conforme Ilustração 59. recomenda-se a construção de rede dupla.

m.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 109 i) Devem ser espaçados de 300 a 400 m entre si. As vazões específicas são definidas e calculadas de acordo com as expressões abaixo: qa ! Q 7L (119) Sendo.3. Estes serão ligados às canalizações da rede de distribuição de diâmetro mínimo de 150 mm. em m. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . O método do Seccionamento Fictício é muito utilizado no dimensionamento de pequenos sistemas ou setores de distribuição. notadamente depois do surgimento das facilidades computacionais. f) as vazões dos trechos finais da rede (pontas de rede) necessárias para atendimento de populações futuras. 12. das áreas ainda desabitadas. As redes serão calculadas com base nas vazões do dia e hora de máximo consumo. c) os coeficientes de reforço. enquanto do método de Hardy-Cross é mais empregado no dimensionamento dos anéis principais das redes de distribuição de água. As descargas para limpeza deverão ser instaladas nos pontos de cota mais baixa da rede. k1 e k2. Q = a vazão do dia e hora de máximos consumos em l/s. ii) A capacidade mínima dos hidrantes é de 10 l/s. 12. d) a vazão específica. A distância entre o hidrante e o local de risco não será superior a 200 m. de acordo com as expressões anteriormente definidas. ȈL = extensão total com distribuição em marcha do setor em consideração. de mesmo modo que as vazões para fins industriais. quais sejam: a) a vazão de distribuição. qa = vazão específica em l/s. b) a quota per capita. No presente estudo serão abordados dois métodos considerados clássicos: o método do Seccionamento Fictício e o método de Hardy-Cross. Tais valores podem ser baseados nas densidades demográficas.1 Método do seccionamento fictício Para o cálculo das redes de distribuição de água pelo método Seccionamento Fictício devem ser conhecidas ou justificadas as razões para a adoção dos elementos para projeto. e) o regime de bombeamento diário.3 MÉTODOS DE CÁLCULO DAS REDES DE DISTRIBUIÇÃO Existem diversos metodologias para o cálculo das redes de distribuição de água.

recomendando-se no entanto.1. Neste caso. traçam-se as linhas que definem as malhas das redes. efetua-se o seccionamento de cada malha. Deve-se atentar que as escalas mais recomendáveis para o projeto das redes (setores) são as de 1:1000 ou 1:2000. Atente-se que o seccionamento deve ser feito (traça-se um pequeno segmento perpendicular à rede). quando for o caso. procura-se respeitar a numeração. ou vazão por metro linear da rede. Define-se como nó da rede. ponta de rede. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 2 . de acordo com a equação (99). c) De posse do plano de arruamentos delimita-se a área de abrangência de projeto. por dois caminhos distintos. presumindo-se que a água possa chegar ao ponto seccionado. de modo que o fluxo se dê.1 Procedimento de cálculo O cálculo das redes de distribuição de água pelo método do Seccionamento Fictício pode ser feito de acordo com o seguinte roteiro: a) Calculam-se as vazões totais de saída dos reservatórios. extremidade ou ponto de mudança de diâmetro. porém de comprimentos aproximados. e calcular o valor das demandas em função das densidades populacionais. R 20 18 16 14 12 1 9 17 15 13 11 10 08 06 04 02 09 07 05 03 01 Ilustração 61 ± Exemplo de seccionamento e numeração dos nós da rede f) Obtém-se o comprimento de cada trecho da rede. para o plano geral da cidade. numeração esta crescente no sentido de jusante para montante. pode-se considerálas com 150 m de redes por hectare. 12.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 110 Para a previsão das vazões futuras das áreas de expansão. ainda não habitadas. sempre do nó de maior para menor valor. A Ilustração 60 serve de exemplo.3. por exemplo. nó mais afastado do reservatório. de acordo com a Tabela 6. b) Calcula-se a vazão de distribuição em marcha. que a numeração seja feita por circuitos. Deve-se começar em (1). de modo a tornar a rede malhada em rede ramificada. tomando-se o cuidado de não considerar as vazões concentradas. e) Efetua-se a numeração dos nós2 ou cria-se uma convenção adequada para a identificação de cada trecho do circuito ramificado. das demandas requeridas por indústrias. e pela parte mais baixa dos logradouros. qualquer interligação ou derivação da rede. de acordo com a escala do desenho. as de ponta de rede ou outras de maior significado (vazões concentradas). pode-se operar com escalas de 1:5000. d) Concomitantemente com a indicação do fluxo da água. O número dos nós da rede pode ser feito segundo diversas convenções.

a.  Q jus. ou seja hf = J. l) Determinam-se as cotas piezométricas de cada um dos nós da rede. diâmetros e comprimentos acabam por resultar em perdas distintas. h) Calculam-se as vazões de jusante e de montante de cada trecho. No caso do ponto mais desfavorável ser o próprio reservatório. Para iniciar o processo recomenda-se tentar determinar o ponto mais desfavorável da rede. CP = cota piezométrica em m. onde as vazões. CPjus = Cota piezométrica de jusante. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 (121) (122) . o nível piezométrico no reservatório é obtido somando-se a cota do terreno com a pressão dinâmica mínima sugerida pela norma. Uma vez que as pressões nesses nós podem ser obtidas percorrendo-se pelo menos dois caminhos distintos.c. adiante apresentada.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 111 g) Calculam-se as vazões de distribuição em marcha de cada trecho. podendo-se empregar. i) Calculam-se as vazões fictícias. PD = pressão disponível em m. Para calcular as cotas piezométricas é importante lembrar as seguintes regras práticas: CP = CT + PD Sendo. m) Calculam-se as pressões disponíveis de cada nó da rede empregando-se a equação (102). CT = cota do terreno em m. CPmont = Cota piezométrica de montante.a Obtido o valor da cota piezométrica de partida. k) Calculam-se as perdas de carga utilizando-se as expressões já conhecidas. hf = perda de carga de cada trecho. com o auxílio da Tabela 34. pra isso. lembrando que estas serão utilizadas no cálculo das perdas de carga de cada trecho. pela expressão: Qf ! Q mont . n) O último passo do cálculo da rede pelo seccionamento fictício é a verificação das pressões nos nós seccionados. atribuir a este nó.c. a fórmula de Hazen-Williams ou a fórmula Universal da Perda de carga.L. A partir da fórmula (103) são calculadas as demais cotas piezométricas. de acordo com as vazões de montante. 2 (120) j) Selecionam-se os diâmetros comerciais das tubulações. as demais são obtidas fazendo-se: CPmont = CPjus + hf Sendo. a pressão dinâmica mínima de norma.

Em alguns casos admite-se que essa diferença seja no máximo 10%. Para facilitar o cálculo de redes pelo seccionamento fictício recomenda-se a elaboração da planilha de cálculo conforme sugerido na Tabela 31. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Na ilustração 61 tem-se a representação das perdas de carga e cotas piezométricas. no respectivo nó.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 112 podem ocorrer significativos desequilíbrios de pressões. refaz o cálculo dos circuitos afetados. se a diferença entre as pressões em relação à pressão média das mesmas. Verifica-se então. é menor que 5%. Na tabela 32 encontra-se o modelo sugerido para a verificação. Não satisfeitas estas condições. Ilustração 62 ± Esquema ilustrativo das cotas piezométricas e perdas de carga. mudando-se diâmetros ou fazendo novo seccionamento.

TRECHOS PRESSÕES PRESSÕES MÉDI AS DIFERENÇA % OBSERVAÇÕES A-B C-B F-G H-G ETC PROF. VALMIR MELO DA SILVA . (m ) JUSANTE VAZÕES (l/ s) MARCHA MONTANTE FICTÍCIA DIÂMETROS (mm) PERDAS hf (m) VEL.VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2008 .UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DISCIPL INA: Sistemas Urb an os d e Águ a e Esg oto s UFRN CT Tabela 31 ± Modelo de planilha de cálculo de rede pelo seccionamento fictício TRECHOS COMP. (m/s) COTAS DO TERRENO MONTANTE JUSANTE COTAS PI EZOMÉTRICAS MONTANTE JUSANTE PRESSÕES DIS PONÍVEI S MONTANTE JUSANTE OBS Tabela 32 ± Modelo de planilha sugerido para verificação das pressões nos nós seccionados.

na ilustração. R-A-B-C-D-A e B-E-F-C-B. seguramente. para efeito de projeto. de forma a obterse o melhor arranjo e equilíbrio da distribuição de água.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE TECNOLOGIA DISCIPLINA: Sistemas Urbano s de Ág ua e Esgo tos UFRN CT 12. Setor A QA R QB Setor B Setor E QE I II Setor D QD Setor C QC Setor F QF Convenções : Anéis principais Redes secundárias Limites de setores Ilustração 63 ± Esquema hidráulico para aplicação do método hardy-Cross O método em questão tem como propósito a determinação das vazões. Assim. QA é a vazão para atender o Setor A. VALMIR MELO DA SILVA . que a distribuição de água em marcha pode ser substituída por tomadas localizadas em pontos fictícios isolados. QB a vazão para atender o setor B. as vazões sejam concentradas para atendimento de setores cujas áreas foram previamente delimitadas. O modelo proposto é concebido presumindo-se que em determinados pontos da rede (nós). um dos mais clássicos e tradicionais para o dimensionamento dos grandes anéis de um sistema de distribuição de água. abaixo. diâmetros e pressões ao longo dos anéis dos anéis (I) e (II). PROF. Considere-se a Ilustração 62. respectivamente.3. adequadamente situados ao longo da canalização. e assim por diante.VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/ 2008 . Equivale a dizer.2 Método de Hardy-Cross O método de Hardy±Cross é. na qual estão representados seis setores de um sistema de distribuição de água.

a seguir expostos. as densidades populacionais e as áreas de abrangência de cada setor. Portanto. uma vez que sejam conhecidos os parâmetros de projeto. por hfAB. 12. As vazões nos trechos dos anéis podem ser determinadas de acordo com os fundamentos do método.2. QRA. 2788. os fundamentos do método são: §Q = 0 em cada nó da rede. no Anel II. considerando-se (+) as perdas de carga coincidentes e (). tem-se: §h = hfBE + hfEF ± hfEC  hfBC = 0 Resumindo. as contrárias a um pré-fixado sentido de caminhamento do anel.3. tem-se: h f ! J. QAB e QAD são as vazões de distribuição ao longo dos anéis 2º) Em cada circuito fechado (ou anel) qualquer da rede. ( 0.QAD = 0 Onde: QA = vazão para atendimento do setor A. Observe-se que o sentido de caminhamento no anel está representado por uma seta curva. no nó A´ da Ilustração 62. podemos escrever: §h = hfAB + hfBC  hfCD  hfDA = 0 Por tabela. considerando-se (+) as vazões afluentes e ().APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 115 As vazões para atender os setores são prontamente determinadas. a soma algébrica das vazões é nula. L ! onde: 1 L v v Q1. hfCD e hfDA. Se designarmos no Anel I da Ilustração 62. . 12. as perdas respectivas. tem-se: §Q = QRA  QA  QAB . §hf = 0 em cada circuito fechado da rede.85 1 8 5 4 8 7 .1 Fundamentos hidráulicos do método Basicamente são dois os principais fundamentos para o cálculo da vazão e balanceamento das pressões em cada um dos trechos dos anéis.3. a soma algébrica das perdas de carga é nula. as efluentes em relação ao nó.2 Fundamentos matemáticos do método de Hardy-Cross. C) D SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . 1º) Em cada nó qualquer da rede. hfBC.2. As perdas de carga num conduto podem ser expressas pela fórmula: h = rQn (123) Para a fórmula de Hazen-Williams.

o que o método de Hardy-Cross busca como solução é um valor para (Q. D ( 0. C) n ! 1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 116 L 1 v 4. tem-se: (Q !  §h h 1.Qn = 0 Na verdade. pode-se escrever: §h = §r. Q o n r.Qn { 0 Então. §h = §r. h = r. Q o n § § ! (Q !  Q n n§ r. o Q @ (Q = - §h h n§ Q o Adotando-se a fórmula de Hazen-Williams. deve-se ter: §h = §r. De acordo com essa definição.  (Q n ) ! 0 2! Como as parcelas de (Q com expoentes igual ou superior a 2 são insignificantes..85§ Q (124) o SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .Qn A expressão acima representa a perda de carga em um trecho qualquer da rede.(Qo + (Q)n = §r. as mesmas podem ser desprezadas no desenvolvimento acima..(Qon + nQon-1(Q) = 0 r.Qn Sendo §h o somatório das perdas de carga num circuito qualquer. 87 1 8 5 .85 r! Portanto.. Q o n  1 n§ r. na maioria das vezes. §r. Para balancear devidamente o sistema.(Q + (Q)n = 0 A solução para este problema é encontrada desenvolvendo-se o Binômio de Newton. de maneira que: rQ n ! r (Qo  (Q ) n ! r (Qo  nQo n n 1 (Q  n( n  1) n 2 2 Q0 (Q  . de tal modo que: §h = §r. restando então. 2788.

D = 49. obtida pela tendência dos valores da referida tabela. pré-fixando o sentido de escoamento. os diversos consumos que devem ser previstos para cada setor. Isto é feito.3.1. f) Calcula-se a perda de carga total em cada circuito empregando-se fórmula §hf = §r. e) Calculam-se as perdas de carga de cada trecho acordo com as recomendações anteriores. atribuindo-se valores prévios para as vazões que afluem ao nó escolhido e aplicando-se o 1º dos fundamentos vistos no item 12. de acordo com os elementos e parâmetros de projeto selecionados. portanto.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 117 12.2.3 Roteiro de cálculo de redes pelo método de Hardy-Cross O cálculo de redes de abastecimento de água (anéis principais) por este método pode ser feito observando-se os seguintes passos seqüenciais: a) De posse do arranjo geral do sistema de distribuição de água em estudo. ou seja. A indeterminação da questão é resolvida com uma abstração. calculando-se. para cada anel do sistema. com a ajuda da Tabela 34. e) Selecionam-se. §h { 0. d) De acordo com o sentido estabelecido para o circuito hidráulico definem-se as vazões positivas e negativas..41 (Q em l/s e D em mm). numerando-os e dando-lhes um sentido de percurso (horário ou anti-horário) e concomitantemente. b) Definem-se os diversos anéis de distribuição. Os diâmetros comerciais também podem ser obtidos a partir da equação a seguir. delimitam-se os setores ou distritos de distribuição. os diâmetros de cada trecho de anel. chamado ponto morto.Qn Caso. c) Calculam-se todas as vazões de distribuição dos trechos. haverá necessidade de se balancear as vazões aplicando-se a metodologia recomendada. no entanto. um ponto. Se. (Q = - §h h n§ Qo ou SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . §h = 0. escolhe-se. aquelas destinadas ao abastecimento de um setor são previamente conhecidas. as vazões correspondem às definitivas.31xQ0. arredondando-se os valores encontrados para múltiplos de 50 ou 100mm. as questões desta natureza podem admitir várias soluções. g) Calculam-se. c) Como a solução de problemas de redes malhadas apresenta maior número de incógnitas do que de equações.3. Note que as vazões que saem do nó.2.

0 m.0 l / s ° A metodologia de cálculo de redes pelo método Hardy-Cross pode ser auxiliada com emprego de uma planilha. Pelas Normas Brasileiras. um sistema é considerado balanceado quando: ® § h e 1.85§ Qo . c.a ¯ (Q e 1. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .85h/Qo para cada trecho. h) Repete-se o processo até que (Q se enquadre nos valores recomendados para balanceamento ou até que seja desprezível. calcular seu § e (Q. conforme sugerido na Tabela 33. no caso de se usar a fórmula de Hazen-Williams g) Calculam-se 1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 118 (Q !  §h h 1. para a seguir.

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DISCIPL INA: Sistemas Urb an os d e Águ a e Esg oto s

UFRN CT

DADOS DE PROJETO
População (hab) Per capita (l/hab.dia) Coeficiente: k1 Coeficiente k2 Dens. hab. (hab/ha) COMP. CIRCUITO/ TRECHO VAZÕES

PLANILHA DE CALCULO DE REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Método de Hardy-Cross
DIÂM.REQ. DIÂM.EQUIV

LOCALIDADE: PROJETISTA: Observações :

FOLHA NO. DATA:

hfo

1,85hfo Qo

ǻQo

Q1

hf1

1,85hf1 Q1

ǻQң

Q2

hf2

1,85hf2 Q2

ǻQ

Q3

hf3

(m)

(l/s)

(mm)

(mm)

(m)

(l/s)

(l/s)

(m)

(l/s)

(l/s)

(m)

(l/s)

(l/s)

(m)

I 

II 

   

 

 



Tabela 33 ± Modelo de planilha de cálculo para redes de distribuição de água ± método de Hardy-Cross

PROF. VALMIR MELO DA SILVA - VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2008

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DISCIPL INA: Sistemas Urb an os d e Águ a e Esg oto s

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Tabela 34 ± Tabela de velocidades e vazões máximas nas redes de distribuição de água em função do diâmetro.
DIÂMETROS (mm) 50 75 100 150 200 250 300 350 400 VELOCIDADES MÁXIM AS (m/s) 0,60 0,70 0,75 0,80 0,90 1,00 1,05 1,10 1,20 VAZÕES MÁXIM AS (l/s) 1,2 3,1 5,9 14,2 28,3 49,1 74,3 105,9 150,8 DIÂMETROS (mm) 450 500 600 700 800 900 1000 1100 1200 VELOCIDADES MÁXIM AS (m/s) 1,30 1,40 1,50 1,70 1,80 2,00 2,10 2,30 2,40 VAZÕES MÁXIM AS (l/s) 206,8 274,9 424,2 654,3 904,8 1272,4 1649,4 2185,8 2714,4

O cálculo das velocidades e vazões máximas, na ausência da tabela acima pode ser feito adotando-se a seguinte regra prática: vmáx. = 0,6 +1,5D (125) Sendo, D = Diâmetro da canalização em metros. Pode-se ainda limitar as velocidades ao critério da perda de carga unitária, conforme recomendado pela ABNT, ou seja Jmáx. = 8 m/km. 12.4 MATERIAL DOS TUBOS EMPREGADOS NAS REDES E ADUTORAS

Na atualidade, os materiais mais empregados nas redes de distribuição de água são os fabricados à base de PVC, PVC-RF (PVC revestidos ou reforçados com fibra de vidro), polietileno de alta densidade (PEAD) e os tubos de ferro fundido ou ferro fundido dúctil. Os tubos de PVC são de duas categorias: os de PVC PBA e PVC com diâmetros equivalentes aos de ferro fundido, também chamados de PVC DE FºFº. Os tubos PVC PBA, são encontrados nos diâmetros de 50 (60), 75 (85), 100 (110) mm, classes de pressão 12, 15 e 20, que correspondem a pressões de serviço de 60, 75 e 100 mca. Tais canalizações podem ser encontradas com dois tipos de juntas: as normais ou intertravadas. O valor entre parênteses corresponde ao diâmetro externo da canalização. Os tubos de PVC DE FºFº, para pressões de serviço de 1MPa são encontrados nos diâmetros comerciais de 100, 150, 200, 250, 300, 400 e 500mm. Os tubos de ferro fundido, ponta e bolsa, são de duas séries: K7 e K9. São encontrados nos diâmetros comerciais que variam de 100 a 1200mm. Na Tabela 35 estão resumidos os dados principais das canalizações de ferro fundido, devendo-se notar que PSA, corresponde à pressão de serviço admissível; PMS, à pressão de serviço máxima e PTA, à pressão de teste admissível.
PROF. VALMIR MELO DA SILVA - VERSÃO ATUALIZADA EM DEZEMBRO/2008

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS

121

Tabela 35- Diâmetros comerciais e pressões em tubos ferro fundido, ponta e bolsa, série K7 e K9

Fonte: Catálogo Bárbara.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007

br/filtr. ferro. A melhoria da qualidade da água. manganês e sais minerais. O tratamento específico para a eliminação das bactérias patogênicas é a desinfecção. sabor.01.1 PROCESSOS O esquema mostrado na Ilustração 63 resume as etapas principais dos processos de tratamento água de superfície. Sedimentação ou decantação. ferro.06 Dependendo da qualidade e características físico-químicas e bacteriológicas.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 122 13. etc. protozoários e outros organismos. NOÇÕES SOBRE TRATAMENTO DE ÁGUA O processo de tratamento de água compreende um conjunto de etapas que tem por finalidade reduzir as impurezas prejudiciais e nocivas ou corrigir impropriedades que tornam a água inadequada para uso doméstico ou consumo humano. Processos outros. 13. tais como bactérias patogênicas. tais como a filtração lenta e a filtração rápida.ocaminhodaagua. o tratamento de uma água pode exigir as seguintes etapas: Aeração. substâncias venenosas e teor excessivo de compostos orgânicos. de ação mais ampla. Ilustração 64 ± Principais etapas do processo de tratamento d´água. Acesso em 16.com. odor. corrosividade. dureza. turbidez.ig.hpg. Mistura de reagentes coagulantes e floculadores. cor. iii) Quanto ao aspecto econômico: reduzir corrosividade.html. apresentam também grande eficiência na remoção desses microorganismos. Fonte: disponível em: http://www. Coagulação e floculação. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . em síntese visa o seguinte: i) Quanto aos aspectos sanitários: remover de bactérias. ii) Quanto ao aspecto estético : tornar a água cristalina.

cascata ou tabuleiros perfurados.De ar difuso .De repuxo . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . . como da velocidade de permuta das moléculas presentes nessa superfície. preponderante na definição da técnica de tratamento a ser utilizada. manganês ou a oxidação de compostos inconvenientes. a fim de que nesta seja efetivada a dissolução ou o desprendimento de gases. em jatos. de modo a garantirem uma distribuição uniforme e homogênea dos mesmos.exposição da água ao ar atmosférico . Correção de acidez e ação corrosiva. para mais ou para menos do ponto de saturação.1. escadas. A qualidade e características da água natural é muitas vezes.á água e lançada ao ar.2 Mistura de reagentes coagulantes e floculadores. 13. por outro lado. A aeração destina-se. na entrada das estações de tratamento de água (Calhas Parshall) ou nas câmaras de mistura. sendo a desinfecção o item obrigatório e indispensável. Desinfecção. É. Redução dos índices de sabor e odor.1. Os aeradores de bandeja são especialmente indicados na remoção de compostos de ferro e/ou manganês. sob pressão. Correção de dureza. A seguir são apresentados alguns comentários sobre cada uma das fases do tratamento de água. maior a superfície de exposição e maior a agitação da água.De gravidade. Os produtos químicos coagulantes. casos em que se têm mostrado bastante eficazes. adiante mencionados. podem ser aplicados ou lançados na água.H2S. principalmente o CO2 .rápida. a proporcionar íntimo contato do ar com a água. ferro.ventilação forçada Os aeradores de gravidade podem ser em plano inclinado. A aeração é feita por meio de aeradores que podem ser: .1 Aeração A aeração consiste em forçar a troca de gases e substâncias voláteis entre a água e o ar. 13.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 123 Flotação. mais eficiente quanto maior o tempo de exposição. ou aeradores de bandeja . O íntimo contato é obtido tanto com o aumento da superfície de contato da água. de maneira a se obter um equilíbrio satisfatório para teores dessas impurezas. A aeração é tanto mais acentuada quanto mais o teor das substâncias voláteis contidas na água se distanciarem. e devem ser rapidamente dispersos em toda a massa líquida. antes que ocorra a reação dos coagulantes. Filtração: lenta . Os processos acima indicados raramente aparecem isolados. portanto.

APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 124 Ilustração 65 .compostos à base de alumínio.álcalis . ETA de Extremoz. Ilustração 66 ± Esquema de uma unidade de floculação Fonte: disponível em: http://www. Acesso em 16.01. Natal ± RN. Na Ilustração 65 é mostrada uma unidade de floculação e mistura com o emprego agitadores de eixo vertical. Vários são os produtos utilizados. de modo que as referidas partículas se agreguem formando suspensões gelatinosas e floculantes. . Zona Norte.ocaminhodaagua. policloreto de alumínio. (sulfato de alumínio.br/filtr.com. são mais usados: .ig. os plânctons.hpg.html.Foto da Calha Parshall.compostos de ferro (cloreto férrico e sulfato férrico). as bactérias e os sais dissolvidos possam ser removidos eficientemente pela decantação. etc. Existem diversos tipos de misturadores e agitadores.) .06 A adição de reagentes químicos adequados e apropriados às características da água se faz necessária para que as substâncias coloidais.cal virgem ou hidratada SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . mostrando o ponto de aplicação de reagentes químicos. entre os quais. podendo ser empregados misturadores rápidos de eixo vertical acionados por motor elétrico e com rotor constituído por um disco dotado de palhetas verticais.

é indicado para auxiliar a coagulação. tornado-a mais eficiente e econômica. em estado coloidal e algumas mesmo em solução. como por exemplo: . . como os artificiais são quase exclusivamente compostos de nitrogênio com pesos moleculares variando de 15. . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . da câmara de floculação e do decantador. dentre as quais.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 125 . Além da cal e do carbonato de sódio. mais densos e mais resistentes. Na câmara de floculação processa-se a neutralização das cargas elétricas das partículas coloidais para possibilitar sua aglomeração em flocos e sua agregação. 13. desencadeia uma série de reações.Bentonita .barrilha (carbonato de sódio) O sulfato de alumínio. . . sejam aglutinadas em partículas removíveis por sedimentação e filtração.é utilizado como auxiliar de coagulação em águas de cor e pH muito elevados. possibilita que impurezas encontradas em suspensões finas. quando aplicado a água. A coagulação.tem grande poder de adsorção. . Na câmara de floculação.1. Possibilita a redução da dosagem do coagulante principal e o aumento da densidade do floco.Aluminato de sódio .Carvão ativado . partículas insolúveis gelatinosas. resultantes da reação do coagulante com outras substâncias existentes na água ou a ela adicionadas. algumas substâncias são utilizadas para auxiliar a coagulação. promove a formação de flocos maiores.3 Coagulação e floculação A sedimentação simples não tem condições de remover a cor da água. quando então se apresentam do tamanho de uma cabeça de alfinete. porque a cor é causada principalmente por substâncias dissolvidas ou em estado coloidal. para águas à baixa temperatura.000 a vários milhões. através da câmara de mistura rápida. que se dá em conseqüência da adição de substâncias químicas à água. Atua também na remoção de gosto e odor.Ácido sulfúrico .devido a sua elevada carga negativa.pode ser misturado ao sulfato de alumínio para melhorar a coagulação. possuidoras de carga elétrica contrária.Polieletrólitos . aumentando a eficiência da coagulação. atuando na remoção de gosto e odor.18H2O + 3Ca(HCO3)2 p 3CaSO4 + Al(OH)3q +6CO2 Existem ainda outros produtos auxiliares de coagulação. provavelmente as seguintes: Al2(SO4)3.Sílica ativada . O processo completa-se em 3 etapas.tanto os naturais. o escoamento se processa de modo a permitir a formação dos flocos. resultando em grande economia e eficiência do processo. juntamente com o sulfato de alumínio. Os flocos tão logo se formam vão aumentando de tamanho em decorrência da adsorção de partículas dissolvidas ou em estado coloidal.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . fazendo a água passar por reservatórios de dimensões consideráveis.1. Processo intermitente: segundo o qual tanques são enchidos e esvaziados intermitentemente. necessário para facilitar a sedimentação. ainda é grande para impedir a deposição dos flocos. funcionando como um coagulante inorgânico.br/modules. gerando iônicos flocos de maior diâmetro. Polímeros catiônicos Neutralização das cargas elétricas superficiais que envolvem os sólidos suspensos e incremento do tamanho dos flocos formados (via formação de pontes). a velocidade da água. Fe2+) neutralizam as cargas elétricas das partículas suspensas e os hidróxidos metálicos (Ex. nos quais a água passa. os íons cálcio atuam também como agentes de neutralização das cargas elétricas superficiais. A decantação é feita por meio de decantadores. Fe3+ . Utilizados em substituição aos floculantes inorgânicos convencionais. Acesso em 16/01/2006. denominados bacias de sedimentação.4 Sedimentação ou Decantação É o processo pelo qual se verifica a deposição de materiais em suspensão pela ação da gravidade. Al2(OH)3. embora menor que na câmara de mistura rápida. à reduzida velocidade. Usualmente utilizado como agente controlador do pH. onde a velocidade da água já é bem menor. atraindo e arrastando as partículas que vão encontrando até atingirem o fundo do decantador. aumentando o tamanho das partículas através da coagulação. Existem dois processos de sedimentação: Processo contínuo: pelo qual se consegue que a velocidade de escoamento se torne bem pequena. usualmente utilizados no tratamento de lamas orgânicas. 13.com. ao adsorverem os particulados. geram uma floculação parcial. Polications São polieletrólitos catiônicos de baixo peso molecular. necessária para que se processe a sedimentação. que lhe conferem turbidez. tendem a se precipitar sob a ação da gravidade. Tabela 36 ± Principais coagulantes ou floculantes COAGULANTE OU FLOCULANTE Al2SO4 ± Sul fato de aluminio PAC ± Policloreto de alumínio FeCl3 ± Cloreto Férrico FeSO4 ± Sul fAto ferroso Ca(OH)2 ± Hidróxido de cálcio PRINCIP AIS FUNÇÕES Cátions polivalentes (Al3+. Fonte: Disponível em: www. A decantação se dá em reservatórios de forma especial onde é favorecida a deposição dos flocos formados durante o processo de coagulação/floculação. A sedimentação simples é o fenômeno pelo qual as partículas em suspensão na água. os flocos descem sob a ação da gravidade. que na verdade são grandes tanques. tem-se o caso mais complexo.   Polímeros aniônicos e não Geração de pontes´ entre partículas já coaguladas e a cadeia do polímero. Nos decantadores. A seguir é apresentado uma tabela com o resumo dos principais coagulantes ou floculantes e suas respectivas funções. permitindo que a água se tranqüilize durante uma fase do processo.kurita. Porém. Quando é necessário adicionar produtos químicos a água. os quais possuem como função principal a neutralização das cargas elétricas superficiais e aumento do tamanho dos flocos. php?name=download&f=visit&lid=3.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 126 Na câmara de floculação.

01.html. a vazão de 25 a 35 m3/dia por metro quadrado. inclinado. Acesso em 16. Especificamente: .ocaminhodaagua. de fundo horizontal.para água turvas. Nas Ilustrações 66 e 67 estão esquematizados dois tipos de decantadores: horizontal e vertical. e com poço de lodo.06 Ilustração 68 ± Decantador vertical SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 127 Os decantadores podem ser retangulares ou circulares.hpg.br/filtr. A remoção de lodo pode ser feita manualmente.com. Ilustração 67 ± Decantador horizontal Fonte: disponível em: http://www. vazão de 15 a 30 m3/dia por metro quadrado.para água coloridas.ig. por processo hidráulico ou mecanicamente. mencionamos que um decantador convencional para clarificação de água tem uma vazão de 20 a 35 m3/dia por metro quadrado de área plana horizontal do decantador. Apenas como indicação. .

php?nam e=download&f=visit&lid=3.br/modules. A técnica de filtração tem evoluído constantemente. areia e granada em camadas superpostas e a diatomácea.ig. capaz de reter ou remover algumas de suas impurezas. o carvão.hpg. No último frasco nota-se o final do processo de decantação. No segundo frasco já ocorreram os processos de coagulação e floculação e observa-se o início da decantação. o carvão e areia em camadas superpostas.06 Na ilustração 67 é possível visualizar o que ocorre quando se adiciona o coagulante. de modo a reduzir custos e otimizar processos.lentos: taxas de filtração § 7m3/m2.1. geralmente de alvenaria ou concreto armado e de base retangular. uma vez que sendo as taxas de filtração muito baixas. Os principais meios porosos empregados na filtração de água potável são a areia.rápidos: taxas de filtração > 120m3/m2. ficando contidos dentro de uma caixa. Observe-se que a flotação é um processo alternativo à sedimentação ou decantação. exceto para pequenas demandas. 13. com o objetivo de aumentar a eficiência quantitativa e qualitativa dos filtros. 13. . calor ou decomposição bacteriana.com. eletrólise. seu emprego para grandes vazões demandaria grandes áreas de filtração.kurita. Os filtros podem ser: .ocaminhodaagua. por meio de aeração. Em geral são filtros de areia ou de outros materiais porosos.br/filtr.1. O primeiro frasco apresenta amostra "in natura". através de modificações da sua constituição e operação.6 Filtração Consiste em fazer a água passar através de um meio poroso.dia.1 Filtração lenta O processo de tratamento por filtração lenta é muito pouco usado. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . e respectiva remoção.html. 13.01.6.5 Flotação Processo de elevação de partículas existentes na água. Acesso em 16. o antracito. insuflação.1. Ilustração 69 ± Processo de floculação e decantação em Jarr Teste Fonte: Disponível em: www. Acesso em 16/01/2006.dia. produtos químicos.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 128 Fonte: disponível em: http://www.com.

A filtração rápida por si só. conforme Ilustração 70. A altura da lâmina líquida sobre a camada de areia deve ser da ordem de 75 cm. pela ação da gravidade. situada sobre uma camada de pedregulho com cerca de 38 a 60 cm de espessura. como o carvão antracitoso. Nos filtros rápidos convencionais. e empregando-se a filtração de baixo para cima.2 Filtração rápida Os processos de filtração mais comumente empregados são os de filtração rápida com suas diversas modalidades.7.1. utilizada para complementar o processo de coagulação-sedimentação.dia adotada na filtração lenta. graças ao emprego de outros materiais porosos.3 a 1.6.55 mm e coeficiente de uniformidade de 1. distanciandose de média de 4 m3/m2. com velocidade bem superior à da filtração lenta. geralmente de concreto armado e de base retangular. Na Ilustração 65 pode-se observar a disposição das camadas dos materiais em maquete de filtros. é possível obter taxas de filtração bastante elevadas. associados à areia. Fonte: de Sistemas de Água e Esgotos. tamanho efetivo de 0. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .dia. Atualmente.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 129 13. Nesses filtros convencionais. 1979. sendo por isso mesmo.45 a 0. é incapaz de remover a cor da água.dia. da ordem de 600 m3/m2. Ilustração 70 ± Seção típica de um filtro de areia. ficando o conjunto dentro de uma caixa. Mark J. Hammer. que utilizam a areia como meio. A filtração rápida convencional consiste na passagem da água através de um material poroso. a taxa de filtração é da ordem de 120 m3/m2. Na filtração rápida convencional utiliza-se uma camada de areia com espessura de 60 a 75 cm. a filtração se processa de cima para baixo.

06 A grande vantagem da filtração sob pressão é a de.com.ig. Foto de exposição no 11º.br/filtr. por se constituírem em unidades metálicas de forma cilíndrica. que diferem dos filtros rápidos convencionais. dentro das quais a água se desloca de cima para baixo sob pressão. Acesso em 16. permitir o funcionamento totalmente por gravidade do sistema de água ou de evitar instalações de duplo recalque. A filtração rápida também pode se da com o emprego da filtração sob pressão.ocaminhodaagua.html. em certos casos. hermeticamente fechadas. Ilustração 72 . Requerem por outro lado.Esquema de filtro rápido de gravidade.01. Silubesa. menor espaço de instalação. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Fonte: disponível em: http://www.hpg.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 130 Ilustração 71 ± Maquete de arranjo de dupla filtração com filtros de fluxo ascendente. sendo preferidos nas instalações industriais. em Natal-RN.

Ilustração 73 ± Maquete de filtro de fluxo ascendente fabricado em fiberglass. diluídos na água permitem a redução do seu pH.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 131 A filtração sob pressão pode dar-se de baixo para cima. Silubesa. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . atualmente mais preferida. Estudos mais recentes possibilitaram a melhoria do processo de filtração ascendente. Para correção de pH os produtos mais empregados são cal ou Ca(OH)2 e a barrilha.1. por isso. em que pese a necessidade de duplo bombeamento nas unidades de tratamento.RN. A filtração ascendente em leito de areia tem como objetivo tornar mais econômico o tratamento da água pela filtração rápida.7 Correção de acidez e da ação corrosiva Compreende o processo de adição de produtos básicos que. 13. em Natal . chamada de filtração ascendente. sendo esta técnica. Foto de exposição no 11º. A filtração se dá no sentido dos grãos mais grossos para os mais finos das camadas filtrantes. São conseguidas maiores taxa de filtração e maior eficiência na remoção da cor e da turbidez da água.

Vermes.Vírus.quando destrói cistos de vermes.Bactérias que formam esporos. Ilustração 74 ± Correção de acidez da água. .Bactericida .hpg. patogênicos ou não.06 13.ig. . captada de mananciais ou poços. O agente que se coloca na água pode ser classificado como: .8 Desinfecção A água bruta. que provocam a febre tifóide.Desinfetante .Bactérias entéricas vegetativas. a desinteria e a cólera. .Cisticida . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .quando destrói germes patogênicos. tais como as cercárias de esquistossomas. .ocaminhodaagua. . Dentre esses organismos são particularmente temíveis: . que devem ser exterminados. A desinfecção consiste na destruição dos organismos acima citados.com.01. causadora da desinteria amebiana. . as febres paratíficas.Protozoários. Na Ilustração 73 tem-se um esquema do processo de correção de acidez em tanque de contato.br/filtr.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 132 Águas ricas em gás carbônico necessitam de aeração para volatilização do CO2 que é bastante corrosivo.quando causa destruição das bactérias mas não de todas as categorias. Fonte: disponível em: http://www.1. notadamente a Entamoeba histolytica. Acesso em 16. como o que causa a hepatite infecciosa.html. pode conter organismos nocivos à saúde. como Anthrax.Esterilizante: quando destrói completamente todos os organismos. .

v) Dióxido de cloro ± ClO2.8. já que o cloro é bastante volátil. Para explicar a influência do pH da água na eficiência da cloração. sendo um agente oxidante. O cloro. as quais variam de 1 a 3 mg/l. ácido clorídrico. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . com concentrações que podem chegar a 25%. O poder desinfetante do cloro cresce com o tempo de contato do cloro com a água e decresce com a temperatura. líquido.Ca(O. O cloro pode ser encontrado de diversas formas. Com concentrações que podem atingir até 60%.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 133 13. com concentrações da ordem de 10%. devendo ser produzido somente o que for consumido e no local onde é aplicado.1. iii) Hipoclorito de sódio ± NaClO.CaCl2. ii) Cloreto de Cálcio ou cal clorada . No primeiro caso denomina-se précloração.1 Principais Desinfetantes Existe uma gama diversificada de produtos e processos de desinfecção de água para consumo humano. oxidando os sistemas proteina-enzima e. apresentando-se menos ionizado a pH mais baixo e. queima os organismos. Os mais conhecidos são os seguintes: a) Cloro e produtos combinados: Entre os desinfetantes de maior aplicação prática encontram-se os combinados de cloro: O cloro pode ser utilizado tanto para exterminar germes patogênicos como para prevenir eventual contaminação da água em pontos vulneráveis do sistema de suprimento. Entre os fatores que afetam a cloração. Substâncias orgânicas presentes na água e elevada turbidez reduzem a eficiência da desinfecção. pela paralisação do metabolismo da glucose.5 mg/l. admite-se que o ácido hipocloroso (HOCl) seja o verdadeiro agente desinfetante. mais atuante. de 50 e 900 kg. cloro gasoso. iv) Cloro puro ± Cl2. determina a morte do organismo. É um desinfetante que pode ser armazenado ou transportado em forma concentrada de gás ou como solução aquosa. é encontrado em botijões. destaca-se a concentração do íon hidrogênio. É aplicado diluído em água. tipo cloro dissolvido. O cloro gasoso é bastante tóxico. mais acentuado é o poder desinfetante do cloro. Pode ser obtido utilizando-se o clorito de sódio com reagentes. para possibilitar residuais finais inferiores a 0. não oferece nenhum risco para o ser humano. sendo os mais empregados: i) Hipoclorito de cálcio . com um aparelho chamado hipoclorador. porém aplicado na água em doses reduzidas para funcionar como desinfetante. portanto. A pós-cloração é feita depois da saída dos filtros. Quanto menor o pH da água. ácidos orgânicos e reações eletroquímicas.Cl)2 . A reação do cloro com a água se passa mais ou menos como traduzido na equação química abaixo: Cl2 + H2 O p HCl + HOCl m H+ + OClA cloração pode ser feita antes e após a filtração da água.

constando de tanques.(1  I ) (126) Sendo: P = Quantidade do produto a ser utilizado. I = impurezas do produto em %. de eficaz ação sobre os esporos. ou seja o kit de preparação. A capacidade das bombas dosadoras e dos dosadores é feita em função dos volumes a serem desinfetados ou da vazão do sistema.9 Remoção de sabor e odor O odor e sabor causados por algas poder ser evitados desde que elas sejam controladas pelo sulfato de cobre. depende da qualidade da água. fornecido em estado líquido. Pode-se aplicar a seguinte equação prática para cálculo do produto: P! V . 13. sob pressão. Uma vez calculada a quantidade do produto. é generalizado o uso de cloro gasoso. em geral. b) Outros Entre outros agentes desinfetantes são encontrados: i) O ozona . usadas na desinfecção do leite.1. V = volume de água a ser desinfetado. que possui ação bactericida. dosadores e bombas dosadoras. A aplicação. que é um poderoso agente oxidante. por sua vez. armazenamento e aplicação da solução. em grandes botijões. D = dosagem a ser aplicada em mg/l %Cl = percentual de cloro livre presente no produto a ser usado. 13.8.(O3). destruindo bactérias.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 134 Em grandes instalações.2 Dimensionamento e cálculo da demanda de cloro O cálculo da demanda de cloro para desinfetar água depende da dosagem a ser aplicada e esta.1. ii) A luz ultravioleta.D %Cl. v) Vibrações supersônicas. pode-se dimensionar a unidade de desinfecção. O dimensionamento dos tanques de preparo da solução desinfetante depende da razão de diluição do produto em relação à água. iv) A prata. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . iii) A cal. é feita na corrente líquida ou em tanques de contato.

.requer energia elétrica e o emprego de membranas especiais. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . resultando precipitados de carbonato de cálcio e magnésio e de hidróxido de magnésio.é um processo bastante caro devido à grande perda de energia calorífica. com grande poder de absorção é também bastante empregado para remover odores e sabores da água. aniônicas ou catiônicas. ii) Fluoretação Trata-se do processo de fluoretação das águas com o objetivo de prevenir a cárie dentária. A principal causa da água dura é o hidrogeno carbonato de cálcio dissolvido. com o emprego de uma membrana especial. consiste no emprego da cal (hidróxido de cálcio) e da soda (carbonato de sódio). dos zeólitos e da eletrodiálise. o processo de osmose reversa vem ganhando largo emprego no Brasil. Os principais processos para a remoção da dureza são o da cal-soda.Destilação artificial . nunca atingindo o limite capaz de provocar a morte de peixes. e a depender do seu pH. Processo da cal-soda. compostos que adicionados à água para reagir com sais causadores da dureza. A presença na água de carbonatos e sulfatos de cálcio e magnésio dissolvidos impedem a formação da espuma de sabão. 13. A eficiência das águas fluoradas ocorre quando presente no teor aproximado de 1 mg/l. refugada com a água de refrigeração.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 135 As dosagens de sulfato de cobre devem variar de acordo com o tipo de alga. O carvão ativado. salvo sabores provocados por sais minerais. diretamente proporcional à quantidade de água doce produzida. como por exemplo: . . principalmente em crianças. . A água sendo um solvente universal. tem capacidade de remover estes íons que ficam dissolvidos na água.requer ampla área de terreno.Destilação solar . 13. entre os quais se destacam: i) Dessalinização Trata-se do processo de remoção de sais presente na água através de diferentes tecnologias. uma vez em contato com rochas minerais que contenham cálcio e magnésio.10 Remoção de dureza da água A dureza é proveniente dos carbonatos e magnésio presentes na água.2 OUTROS PROCESSOS Existem outros processos específicos de purificação e melhoria da qualidade da água.Atualmente.1.Eletrodiálise . que se sedimentam no tanque de reação. As dosagens de carvão variam de 1 a 10 mg/l.

SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . além do flúor silicato de sódio. o ácido hidrofluo-silicico e o ácido fluorídrico.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 136 Os compostos de flúor que têm aplicação prática no tratamento da água. são os fluoretos de sódio.

/ANO 08220/83 12215/91 12211/92 12213/92 12214/92 12216/92 12586/92 12217/94 12218/94 TÍTULO Reservatório de poliéster reforçado com fibra de vidro para água potável para abastecimento de comunidades de pequeno por Projeto de adutora de água para abastecimento público Estudos de concepção de sistemas públicos de abastecimento de água Projeto de captação de água de superfície para abastecimento público Projeto de sistema de bombeamento de água para abastecimento público Projeto de estação de tratamento de água para abastecimento público Cadastro de sistema de abastecimento de água Projeto de reservatório de distribuição de água para abastecimento público Projeto de rede de distribuição de água para abastecimento público SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Tabela 37 ± Relação das normas brasileiras para projetos de sistemas de abastecimento de água NORMA NO. NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE ESTUDOS E PROJETOS DE SAA.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 137 14.

836 1950 103.215 1960 162. pelo método da curva logística e dizer em que ano.900 2006/2016 2017/2026 2006/2016 2017/2026 2.3) Projetar a população de uma cidade A. Exercícios propostos relativos aos assuntos da 1ª. admitindo-se os seguintes dados: q = 200 l/hab. de acordo com os dados abaixo. provavelmente ocorrerá a saturação populacional da cidade. máximas diárias e máximas horárias para projeto de um sistema adutor e respectivas saídas de reservatórios.1) Calcular as demandas médias.400 m3/dia Perda de água para lavagem dos filtros: Qlav. = 5% do volume tratado. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .50 P = 30.773 9.379 1980 416.25 e k2 = 1.898 1991 685.6 1.5% 1. para atender a duas cidades. pelo método de correlação de crescimento.0% 1. CIDADES 1950 A B C 500 600 PO PULAÇÕES (em milhares de habitantes) 1960 280 610 850 1970 325 708 996 1980 388 838 1156 1990 478 963 1368 2000 600 1151 1635 1.2) Traçar a curva de crescimento populacional de Natal.422 1.5 INDICE DE PERDAS 30% 25% k1 k2 A B 241. no ano 2030. depois somar os dados de A e B para obter o resultado geral.0% 1. Utilizar os seguintes dados: ANOS POPULAÇÃO 1940 54.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 138 15.140 2000 709. APLICAÇÕES 1.537 1970 264. Qind.4) Determinar as vazões (em l/s). POPULAÇÃO ABASTECÍVEL CONSUMO MÉDIO (m³/dia) DEMANDA MÉDIA C/PERDAS (m³/dia) DEMANDA MÁXIM A DIÁRIA C/PERDAS (m³/dia) DEMANDA MÁXIMA HORÁRIA C/PERDAS (m³/dia) ANO 1. Avaliação .5% 1.2 1. conforme esquemas abaixo.SAA 1. em função do crescimento de duas outras duas cidades B e C. Veja modelo sugerido abaixo.dia k1 = 1. para dimensionamento dos diferentes trechos da canalização.000 hab.3 1.5 Sugestão: elaborar planilhas de cálculo que contemple os 20 anos de alcance do projeto para cada uma das cidades. sendo conhecidos os seguintes dados: CIDADES POPULAÇÃO INTERVALOS TAXAS PER CAPITAS 135 112. = 2.

População 2005 = 13. e d) a) ETA c) Perdas lavagem filtros b) RES. k2 = 1. Per capita médio = 150 l/hab.dia.50. a) ETA c) Perdas lavagem filtros b) d) e) Ind .6) Resolver o mesmo problema para os esquemas abaixo: a) RES. e Rede RES.5) Admitindo-se que a estação de tratamento funcione somente 16 horas por dia.7) O sistema de abastecimento de água de certa cidade (esquema abaixo) deverá ser ampliado em 2006 com alcance de projeto de 20 (vinte) anos. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 139 Esquema do sistema: Indústria.500hab.20. Coeficientes: k1 = 1. a) ETA c) Perdas lavagem filtros b) d) e) 1.e b) Ind. e) 1. Sendo dados: População 2000 = 12500 hab. quais as alterações decorrentes nas vazões de dimensionamento? 1.

00m c) Cota do nível máximo da água no Reservatório 2 = 100.0 hf = ? NA2 = 100. 1. ligando dois reservatórios. Pede-se: a) Calcular a população de projeto. Sabe-se que o Reservatório R1 será responsável por 70% da distribuição de água da a) ETA d) g) R2 b) c) R1 f) Rede1 Perdas lavagem filtros Rede2 localidade. sendo dados os seguintes elementos: a) Vazão de dimensionamento = 80 l/s. considerando a mesma taxa de crescimento (geométrico) verificada no período 2000/2005. b) Determinar as vazões de dimensionamento em cada um dos trechos para as 12 horas de funcionamento nos 10 (dez) primeiros anos do projeto e para 24 horas no fim do plano.0 1. conforme esquema sugerido.00m e) Considerar que a tubulação a ser utilizada será o Ferro Fundido novo.00m d) Distância entre os reservatórios = 4.9) Dimensionar uma adutora ligando uma estação elevatória a um reservatório elevado de montante.8) Dimensionar uma adutora por gravidade. sendo dados: a) Q = 200 l/s b) Cota do nível mínimo da água no Reservatório 1 = 120. NAmin=120.200.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 140 Perdas por lavagem de filtros na ETA = 5%. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .

10) Um sistema de abastecimento de água opera atualmente com uma adutora de 200mm de diâmetro.70.5. diâmetro 250mm. dens = 100 hab/ha. c) Cota no nível mínimo do poço de sucção da elevatória = 10. Qualificar o tipo de manobra.14) Um conduto de aço de 2000m de comprimento. opera por gravidade. Dizer se a tubulação poderá ser utilizada sem riscos. 1.12) Determinar o comprimento de uma caixa de areia para a captação de água em um rio sendo conhecidos os seguintes dados: Q = 240 l/s ˆpartícula = 0. Em caso afirmativo. submetido a uma carga de 50m. 600mm de diâmetro e 10mm de espessura. Considerar a tangente do ângulo de atrito igual a 0.25.400. h = 80 cm e a taxa do terreno igual 1.0 kg/cm2 . que veiculará uma vazão de 120m3/h. C = 130.00m da estação elevatória a cota do terreno é 52.00m e) Comprimento da adutora = 5. sabendo-se que o desnível geométrico é de 50. 1.11) Calcular o bloco de ancoragem apoiado (peso e volume) a ser construído numa curva de 90º de uma tubulação de 600mm de diâmetro. k1 = 1. Considerar neste caso. Calcular a sobrepressão máxima.00m d) Cota do nível máximo da água no reservatório elevado = 50.2 mm b = 2.00m.0 m L=? 1. Considerar k = 18.15) Calcular a capacidade que deverá ter o sistema de reservação de certa cidade da qual são conhecidos os seguintes dados: Área = 600 hab. Calcular o lado do encosto do bloco de ancoragem se a tubulação fosse enterrada. ii) Considerar L1 = L2 1. Desejando elevar em 50% a vazão de adução. pergunta-se que providência deverá ser adotada para resolver o problema? 1. Um registro localizado no ponto mais baixo é manobrado em 30 seg.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 141 b) Material a ser empregado: ferro fundido novo. k2 = 1. pergunta-se: a) Qual o diâmetro equivalente para efeito de cálculo? a) Qual o diâmetro da adutora que deverá ser usada em paralelo? b) Qual a perda de carga total a ser considerada para efeito de dimensionamento dos novos equipamentos de recalque.0m. q = 200 l/hab.dia SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . 1. devendo-se verificar se a linha piezométrica corta o terreno. que veiculará uma vazão de 340 l/s à pressão máxima de 50 mca.13) Calcular a pressão máxima a que estará submetida uma tubulação de PVC DE FºFº. limitada a uma vazão máxima de 40 l/s. OBS: i) considerar que a linha existente é de ferro fundido com 20 anos de uso e a nova adutora será de PVC DE FºFº. e = 11mm e o fechamento rápido de uma válvula na extremidade da linha.00m f) Sabe-se que num ponto distante 1500.

com relação comprimento/largura igual 3/5.0 100% % ADUZIDO SALDO (+) SALDO (-) - - - SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .0 % ADUZIDO SALDO (+) SALD O (-) HORAS 12-14 14-16 16-18 18-20 20-22 22-24 TOTAL % CONS.5 4. Reserva para as condições de emergência = considerar 1/3 do consumo médio diário.5 11.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 142 Reserva para combate a incêndio: Considerar a duração do incêndio de 2. HORAS 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 % CONS.0m. Pede-se ainda.0 1.5 3. esquematizar em planta e corte. A lâmina máxima de água deverá ter 5. as principais dimensões do reservatório.0 13.5 10. considerando que o mesmo seja retangular com 2 câmaras. a partir das 6 da manhã.5 14. Variações de consumo: de acordo com a tabela abaixo. 12.5 horas e a vazão necessária de 200 m3/h para debelar o incêndio.5 11. Adução periódica = 16 horas por dia.0 8.0 9. 1.

de um sistema de abastecimento de água. Sendo L = 20 km.200m.2 .400 m³/dia.20) O um sistema adutor novo em ferro fundido foi projetado para bombear uma vazão Q = 180 l/s.Indíce de perdas = 25% .7183 . com espessura de e = 16mm.22) Calcular o empuxo que atua numa curva de 90o de uma tubulação de 450 mm de diâmetro quando submetida a uma pressão máxima de 200 m. rugosidade İ = 0.21) Calcular a pressão máxima a que fica submetida uma canalização de PVC DEFOFO de 400mm de diâmetro. com início de operação previsto para o ano 2008 e alcance de 20 anos. que a carga estática no ponto é de 100mca e que a espessura do tubo é de 20mm. sabendo-se que a vazão é de 160 l/s.Coeficientes k2 = 1. sabendo-se que a extensão da adutora é da ordem de 20 km.Pop.204. para a condição de 20 horas de bombeamento por dia.Base dos log neperianos e = 2. pede-se calcular a potência dos conjuntos elevatórios em HP.Parâmetro a = 2.c. que é da ordem de 15. conforme mostra a figura abaixo.1 1. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .dia . distantes 1.5 1.23) Uma antiga adutora com 20 anos. no limite de aproveitamento econômico. sabendo-se que o coeficiente de atrito com o solo é = 0. na condição de fechamento brusco de uma válvula. Considerar K = 1. Pede-se determinar o diâmetro da canalização (comercial) de mesmo comprimento a ser instalada em paralelo.00m. Calcular o volume de concreto de um bloco de ancoragem apoiado no terreno que seria necessário para resistir ao empuxo. saturação = 1. C = 105 e 15 km de extensão. industrial e público = 50 l/hab. 1. considere C equivalente = 110 e utilize tubos de ferro fundido novo para a nova linha em paralelo. 1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 143 1.000 .18) Determinar o diâmetro comercial de uma adutora por conduto forçado para atender à demanda máxima diária de uma cidade. D = 450mm.Quota do consumo doméstico = 80 l/hab. contra um desnível geométrico de 90m. para que seja possível aduzir a vazão de 170 l/s.19) Um sistema adutor foi projetado para transportar água a uma vazão de 300 l/s.dia . Utilizar os rendimentos de acordo com as tabelas disponíveis. à temperatura 26o C. a vazão de 100 l/s.0576 .To = 1940 . tem capacidade de aduzir. São dados os seguintes elementos adicionais: . 1.00m e 90.Quota dos consumos comercial. tendo sido adotado tubos de 500 mm de diâmetro de ferro fundido dúctil. sabendo-se que a demanda máxima diária é de 600.16) Calcular as demandas máxima diária e horária de fim de projeto. 1. 1. devido ao Golpe de Aríete.. Pede-se calcular a perda de carga total pela fórmula universal.24) Um reservatório está sendo alimentado diretamente de uma represa.00 l/s e que os níveis de água mínimo (montante) e máximo (jusante) se situam nas cotas 100.6.17) Calcular o diâmetro comercial (em mm) de uma adutora por gravidade ligando uma ETA a um reservatório de distribuição de uma localidade.Coeficientes k1 = 1. Sugestão: Como a questão admite mais de uma solução.863 .5mm.Parâmetro b = 0. D = 350mm. 1.a. Utilizar tubos de ferro fundido C = 130.

81 NA1(m) = 50 NAmin=50. L (m) NAmin (m) NAmax (m) K ou İ(mm) v (m²/s) g (m²/s) 200 4200 120 100 0.81 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . sabendo-se que o nível d´água da represa está na cota 50.0 hf = ? NA2 = 1.01E-06 (viscosidade cinemática da água) g (m²/s) = 9.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 144 Determine o nível d´água NA2 do reservatório. Dados: Q (l/s) = 200 D (mm)= 400 k (mm) = 5 (rugosidade da canalização) L (m) = 750 v (m2/s) = 1. sendo dados os seguintes elementos: Dados: Vazão Q (l/s) Comp.25) Calcular o diâmetro econômico de uma canalização de ferro fundido (K= 0.00E-05 9.2mm).2 1.0 m. empregando a fórmula universal da perda de carga.

0 hf = ? NA2 = 100.00 100. sendo dados os seguintes elementos: Comprimento L (m): Diâmetro (mm): k (m) : ȣ (m²/s): NA1 (m) : NA2 (m): g: 360 150 0. Pede-se calcular os comprimentos dos trechos em série. Para efeito de cálculo do diâmetro econômico. ligando uma barragem a um reservatório.Um sistema adutor deverá atender à demanda máxima diária de 250 l/s.26) Calcular a vazão que poderá ser aduzida numa adutora de ferro fundido.00E-05 110. 1. sabendo-se que a canalização deverá ser totalmente de PVC DEFºFº novo.0 1.81 Faz-se necessário determinar alguns parâmetros para facilitar o cálculo da vazão pela expressão Universal da fórmula de carga. Sua extensão será de 15 km.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 145 NAmin=120.00026 1. considere que o funcionamento do sistema se dará 24 h/dia e K = 1.70 9. de acordo com o esquema abaixo.27 . nos diâmetros imediatamente inferior e superior ao equivalente econômico (múltiplos de 100mm).1 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .

Exercícios propostos relativos aos assuntos da 2ª. consumo da industria igual a 480m3/dia. C=140 (tubos de PVC) 6 (69) 500m (66.00 mca.0m.0) 2 4 3 1 300m (60. População: 11. k2 = 1.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 146 2. Determine a cota piezometria do nível mínimo da água no reservatório.2. Pede-se ainda.0) Cotas d=94 e=96 f=97 g=98 SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 2.5 q = 250 l/hab. calcular a pressão estática máxima e a dinâmica mínima sabendo que a cota piezométrica no reservatório (nível mínimo) será de 84 mca e a lâmina máxima no mesmo será de 4.0) R 7 400m 600m 550m (63. admitindo que a Pressão dinâmica mínima no nó mais desfavorável da rede seja de 15. k1 = 1.5. Per capita: 200 l/hab.1) Calcular a planilha da rede de distribuição de água pelo método do Seccionamento Fictício de acordo com os dados e esquema abaixo apresentados.25. distribuição em marcha em todos os trechos. Avaliação ± SAA 2. k2 = 1.dia.0) (64.0) 5 Ind 8 600m (64.0) 550m (63.000 hab.0) 400m 600m (65.0) (62. = 100 hab/Ha k1 = 1. Para o cálculo da perda de carga utilizar a Fórmula de Hazen-Williams.2) Calcular os anéis da rede de acordo com os dados e esquema abaixo. DADOS Dens.dia ÁREAS Aa Ab Ac Ad Ha 38 30 25 32 ÁREAS Ae Af Ag Ha 22 25 28 Cotas R=100 a=94 b=95 c=96 Obs: Usar tubos PVC C = 140 .

cuja vazão é de 100 m³/h.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 147 Trechos Comp (m) R-a 700 a-b 600 b-c 300 c-d 400 d-e 600 a-e 700 c-f 500 f-g 400 d-g 500 Atenção! Considere como pontos mortos os nós em d e g e que as vazões Qc-d = Qe-d e que Qdg = Qf-g Qa R Qf Qc Qb Qe Qd Qg 2. 2. para os itens b e c.4) Calcular a área de filtração necessária de uma ETA (filtro rápido de gravidade. turbidez. de leito de areia). sabendo-se que será necessário remover cor.4.7 Citar pelo menos 4 (quatro) tipos de coagulantes utilizados para tratamento de água e dizer a função principal desses coagulantes no processo. sabendo-se que a taxa de decantação para águas turvas é de 25m³/m². calcular a capacidade dos tanques de preparação da solução do produto (para 1 dia de armazenamento) e a vazão das bombas dosadoras (l/h). c) Hipoclorito de sódio HOCl a 10% e Impurezas do composto = 10%. 2. sabendo-se que a taxa de dosagem será de 3 mg/l e que existem os seguintes produtos disponíveis e respectivas concentrações: a) Cloro puro (gás) ± 100 de Cl2.000m³ e a taxa de filtração de 120 m³/m².dia. b) Hipoclorito de cálcio Ca(OCL2) a 60% e Impurezas do composto = 5%.3) Calcular o consumo diário dos diversos produtos a serem utilizados para desinfetar a água de um poço tubular.6) Esquematizar o fluxograma das principais etapas do tratamento para água de um manancial superficial. sendo a demanda máxima diária de 8. 2. SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 .dia. realizar a desinfecção e corrigir o pH. Pede-se ainda. 2.5) Calcular a área de decantadores requerida para o mesmo sistema do item 2. sabendo-se que serão diluídos em água à razão de 1:20 e 1:50 respectivamente.

HAMMER. 1993. McGraw=Hill International Editions. José Martiniano de Azevedo et. Sistemas Urbanos de Água. 798p. NETTO. Manual de Hidráulica. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. 563p. CETESB. Instalações Hidráulicas. Edgard Blucher Ltda. TÉCNICAS DE ABASTECIMENTO E TRATAMENTO DE ÁGUA.APOSTILA DE SISTEMAS URBANOS DE ÁGUA E ESGOTOS 148 15. Antonio Figueiredo.ocaminhodaagua. Rio de Janeiro. EESC-USP. DACACH. Rio de Janeiro. Acesso em: 16 jan 2006. MACINTYRE. Hidráulica Básica. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE).549p. 1992. 2ª ed. Disponível em: http://www. 2a. Censos Demográficos 1950 a 2000. 4a. Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental. 1998. 670p. REFERÊNCIAS BRASIL. LIMA. et. Ray K. ed.. 8ª.al. Editora Universitária da UFPE.A . R. TRATAMENTO QUÍMICO PARA ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ÁGUA: Disponível em: www. Archibald Joseph. 490p. ed.. 1979. São Paulo. Nelson Gandur. MELO PORTO. 2000. 843p. (PNSB)..kurita. al. 1998.com. 1976. php?name=download&f=visit&lid=3. Recife.ig. ed. Acesso em: 16 jan 2006. Mark J. Water Resources Engineering.A. Problemas de Engenharia Sanitária. ed. LINSLEY. São Carlos.com. Singapore. METODOS GERAIS DE TRATAMENTO DE ÁGUA.hpg. Guanabara. Livros Técnicos e Científicos Editora S. Livros Técnicos e Científicos Editora S. 1987. 319p. 1979. 2ª. Sistemas de Abastecimento de Água e Esgotos.br/modules.html.br/filtr. São Paulo . SISTEMAS URBANOS DE ÁGUAS E ESGOTOS-2007 . Ministério das Cidades.