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Metodologia de pesquisa qualitativa

6. METODOLOGIA

“Parece teorema sem ter demonstração E parece que sempre termina Mas não tem fim” (Teorema – Renato Russo)

Considerando todos os aspectos destacados e com o objetivo de identificar a representação social de saúde mental no envelhecimento e os desafios impostos com a síndrome demencial, e também analisar a relação da representação com a prática social do cuidador, utilizei a metodologia qualitativa pela análise de conteúdo, e a análise quantitativa. Para Rey (1997) metodologia ―...representa um desenho integral de nossa

aproximação ao objeto de estudo...‖ (p. 14). A investigação passa a ser um processo de comunicação, em que a relação entre o investigador e o investigado deve produzir informações de boa qualidade. Maturana e Varela (2004) afirmam que ―...tudo que é dito, é dito por alguém...‖ (p. 32), e conseqüentemente é dito para alguém. Portanto um dos instrumentos da pesquisa qualitativa é a entrevista, pois ela envolve uma comunicação, que tem por objetivo informar, sob a batuta de uma intervenção orientada (Morin, 2001). O instrumento utilizado, no caso, a entrevista, também é uma construção do investigador, com seu sentido atribuído por este. Para esta pesquisa foi utilizada a análise de conteúdo, construindo-se as categorias a partir de leituras repetidas e flutuantes das falas do entrevistados. Por ser uma pesquisa descritiva e analítica, métodos de análise quantitativa e qualitativa foram usados com a ajuda de um

instrumento, um software de análise de junção de palavras e escalonamento multidimensional. A análise de conteúdo por sua vez, é uma forma de análise das comunicações, da produção do texto e de seu sentido, ou das variáveis inferidas (Bardin, 1977). Um método taxonômico utilizado é a análise categorial, na qual as categorias temáticas são definidas previamente, a partir de leituras dos dados. Para Henrie e Moscovici (1968. apud Bardin, op. cit.) é recomendável análises exploratórias, opostas aos procedimentos fechados ou taxonômicos, e que permitem que novas hipóteses surjam de diferentes ligações de variáveis. ―...Segundo os autores o método exploratório sistemático apreende as ligações funcionais entre o que eles chamam o plano vertical (nível de produção, enquanto variável independente[1]) e o plano horizontal (nível dos textos analisados, enquanto variável dependente[2])‖ (p. 99). O método de indução, ou associação livre de palavras, permite que palavras correlatas a uma palavra ou expressão indutora, ou que estejam no mesmo campo semântico, aflorem na fala do entrevistado. As palavras de um texto podem ser analisadas pela seu sentido léxico ou sintático: as palavras plenas, ou palavras que possuem algum sentido como o substantivo, o adjetivo e os verbos; e as palavras indutoras, ou que apresentam um sentido funcional de ligação como artigos, preposições, advérbios, pronomes, conjunções, entre outras (Bardin, 1977). Para completar uma análise frequencial simples, pode-se fazer uma análise de coocorrência de categorias ou palavras, ou a ocorrência simultânea de dois ou mais elementos na unidade-de-contexto[3] (a fala de um participante). Esta é a metodologia indicada para o estudo de representações sociais, segundo Bardin (op. cit.).

Variável que é manipulada em um procedimento de pesquisa, e que posteriormente se verifica o efeito desta manipulação sobre a variável dependente. [2] Variável que é mantida, e que é o objeto de estudo. [3] Unidade-de-registro é a palavra-chave e seus sinônimos. Postado por Michiko às 06:16 Nenhum comentário: Enviar por e-mailBlogThis!Compartilhar no TwitterCompartilhar no FacebookCompartilhar no Orkut Marcadores: Metodologia, Ética Profissional
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sexta-feira, 6 de julho de 2012
Ética Profissional - Parte F

Sobre Pesquisa, Bioética e Psicologia
A palavra bioética começou a ser efetivamente utilizada na década de 70 ―como a nova maneira de perceber e encarar o mundo e a vida a partir da ética‖ (Garrafa, 2006) e pode ter a sua compreensão variável, de acordo com o contexto e local (Singer, 1994). Todavia, Potter (1971) buscou para o termo conceitos mais ampliados como: ―respeito ao meio ambiente‖ e a ―qualidade da vida humana‖, sendo discutida nesta última o modo como um indivíduo vive; e passou a designar o conjunto de procedimentos reflexivos e de prática sobre as questões humanas e sua dimensão ética nos âmbito clínico e de tratamento de seres humanos (NEVES, 2007). Em 1978, no Relatório de Belmont foi apresentado os princípios básicos éticos para a experimentação em seres humanos. Na década seguinte, na etapa de sua expansão, surge a bioética principialista, ―uma corrente hegemônica estadunidense‖ que respaldou seus princípios no Relatório de Belmont: justiça, beneficência, não-maleficência e autonomia (Garrrafa et al, 2005). Atualmente, a bioética pode ser definida como ―uma ética aplicada às ciências da vida‖ (Lorenzo,2002). Enfim, toda prática em saúde é um ato ético, de responsabilidade moral (Dias, 2007). No Brasil, em 1996, o Conselho Nacional de Saúde fez a Resolução Nº 196/96 que estabelece normas de pesquisa na saúde, principalmente com seres humanos. Além disso, foram criados os procedimentos operacionais da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) e os Comitês de Ética em Pesquisa – os CEP. O que leva à necessidade de reflexões sobre bioética? Vários aspectos como: Reprodução humana; Genoma; Cuidados paliativos Células-tronco; Saúde mental, eletrochoque e lobotomia; Definição do processo saúde-doença; Sigilo; Direito ao diálogo e à verdade que o paciente tem; Pesquisa e consentimento livre e esclarecido. Finalizo com um artigo que disponibilizei aqui, muito bem escrito, e que agora vou colocar por extenso (http://www.sorbi.org.br/revista5/aplicabilidade-da-bioetica.pdf) A Aplicabilidade Da Bioética No Contexto Da Psicoterapia
Vinícius Renato Thomé Ferreira; Gabriel José Chittó Gauer ; Alice Schwanke Peruzzo; Bruna Maria Gil Jung ; Hericka Zogbi J. Dias; Clarissa Trevisan; Guinter Lühring

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 Eutanásia e distanásia, doenças terminais e autonomia (capacidade de decidir por si);

não é boa ou á. Mas indo além dessas questões. em algum grau. A segunda questão é um desdobramento da primeira e. porque a psicologia é componente central na promoção da saúde. Torna-se pertinente uma reflexão bioética acerca da atividade da psicologia clínica. pois não há uma forma única de a psicologia compreender e intervir sobre o comportamento humano. A psicoterapia . e que em nosso entendimento são fundamentais para a psicoterapia: como lidar eticamente com um conjunto tão heterogêneo de teorias sobre o comportamento humano no atendimento psicoterápico? E: se cada teoria preconiza um conjunto específico de teorias e técnicas. em si. O psicólogo. Assim. suas potencialidades e limitações: isso faz com que o questionamento sobre quais são as repercussões éticas das técnicas psicoterápicas e os reflexos de cunho de caráter bioético nestas intervenções tenha extrema relevância. já suscita vários dilemas éticos. seja por seus familiares. profissional da saúde e agente promotor de saúde mental. colocase em ação um conjunto teórico e técnico que possui por objetivo algum tipo de modificação do comportamento apresentado pelo paciente até então. Espera-se uma preocupação bioética do psicólogo não somente quando pertence a comitês de ética. por si só. seja pelo paciente. mas é a utilização destes conhecimentos que produzirá benefícios ou prejuízos para as populações humanas. o que. como adequar os direitos fundamentais dos pacientes a esta diversidade? Mesmo que a resposta à primeira questão possa ser: ―o profissional deverá optar por uma orientação teórica‖. ainda é reservado ao paciente um direito fundamental que é o de conhecer qual é esta teoria e como se supõe que ela poderá ajudá-lo. porque exige do profissional consciência no que diz respeito à clareza do seu trabalho e o respeito pela pessoa do paciente e por seus direitos. é necessário refletir sobre a atuação do psicólogo e dos impactos de seu trabalho no campo da saúde. Nesse atendimento é necessário respeitar o paciente em seus direitos fundamentais. além das questões de cunho técnico. é fundamental a reflexão sobre as possibilidades e os efeitos da aplicação destas tecnologias. Contudo. No caso específico da psicoterapia. especialmente a psicoterapia. Outro fator que exige posicionamentos claros nas intervenções do psicólogo é a natureza e a diversidade dos recursos teórico-técnicos dos quais dispõe o psicólogo. está diretamente implicado nas questões da bioética.Os progressos científicos têm produzido novos produtos e tecnologias para o bemestar humano. fazer ciência não é sinônimo de fazer o bem: inúmeros produtos tecnológicos foram e são potencialmente danosos para a vida humana. mas em todos os momentos de seu trabalho. existem dois problemas que merecem constante atenção e reflexão. apresenta-se bastante espinhosa. O código de ética profissional preconiza direitos fundamentais dos pacientes. a relação estabelecida entre paciente e terapeuta possui por objetivo a minimização do sofrimento psíquico e um aumento da qualidade de vida. como por exemplo o de ter o atendimento de acordo com suas necessidades e o sigilo profissional. pois se houve a busca por um psicólogo é porque há sofrimento psíquico. Desta forma. No trabalho do psicólogo clínico que atua como psicoterapeuta. A crescente participação em comitês de bioética e ética em pesquisa têm exigido destes profissionais um confronto com os dilemas referentes à vida e um aprimoramento técnico e filosófico constante. como esta. Isto nos faz concluir que a ciência.

promovendo a saúde mental e propiciando condições para o enfrentamento de conflitos e/ou transtornos psíquicos de indivíduos ou grupos. Definindo de forma ampla e genérica. pois nesta atividade estão incluídas a psicoterapia e a avaliação psicológica.Uma das principais atividades do psicólogo é o atendimento clínico. Assinala que as possibilidades de trabalho definidos no espectro da psicoterapia são muito diversificados. a psicologia e conseqüentemente a psicoterapia passam a ser objetos de interesse científico (Goodwin. ora fora da universidade (no caso da psicanálise). Desdobramentos paralelos e posteriores originaram outras correntes. pela prática e pela ética profissional. como a filosofia. de 20 de dezembro de 2000 do Conselho Federal de Psicologia (2000). A ciência está em seguir uma metodologia que vai estabelecer um andamento orientado do processo psicoterápico. as teorias da personalidade foram as principais impulsionadoras da psicoterapia. Pode-se observar na história da psicologia que seu nascimento foi um movimento pleno de turbulências. A psicologia clínica é mais ampla do que a atividade de psicoterapia. o psicodrama e o existencialismo. não se aborda na psicoterapia. buscando mudanças na forma do paciente pensar. pois há inúmeras técnicas e modelos explicativos sobre o motivo pelo qual se origina o sofrimento mental e como agir para reduzi-lo. um conjunto de intervenções verbais e não-verbais. sendo ao mesmo tempo ciência e arte. podemos dizer que psicoterapia seria o uso sistemático de uma relação humana (psicoterapeuta e paciente) com propósitos terapêuticos. como por exemplo. principalmente. Embora nos últimos anos se possam observar aberturas para a aproximação das . saber distinguir o que destacar no material do paciente. estas teorizações lançaram as bases da psicoterapia contemporânea. proporcionar uma avaliação sistematizada dos resultados obtidos e reunir dados para o desenvolvimento de uma pesquisa a respeito do assunto. Estas e outras correntes surgem ora pela influência de outros campos. representados especialmente pelos esforços de Wundt em 1879. O esforço para a compreensão sobre o que faz com que alguém tenha um comportamento ―normal‖ ou. Assim. Este quadro não é diferente no campo da psicoterapia. ora com divergências teóricas e pessoais com os principais expoentes das teorias clássicas. 2005). um processo científico de compreensão. sentir e agir. baseado em teorias científicas sobre o comportamento humano. A psicoterapia é. A arte reside em juntar tudo isto a uma dose de sensibilidade e bom senso que permita utilizar estes princípios nos momentos e modos adequados. a Gestalt. definitivamente. que possui por objetivo eliminar ou diminuir o sofrimento mental e/ou físico decorrentes de comportamentos mal-adaptados ou disfuncionais. técnica e conceitualmente. análise e intervenção que se realiza através da aplicação sistematizada e controlada de métodos e técnicas psicológicas reconhecidos pela ciência. a psicoterapia configura-se como campo complexo e heterogêneo de teorização e práticas de atendimento. minimamente. Guedes Cruz (1989) refere que a psicoterapia possui uma dupla constituição. o que deixar de lado por uns tempos e o que. a psicoterapia é definida como: prática do psicólogo por se constituir. Com a instauração da metodologia de investigação das ciências naturais no campo do comportamento humano. De acordo com a resolução 10. Na modernidade. o que gera os comportamentos ―anormais‖ em termos de uma determinada cultura e momento histórico sempre estiveram presentes nas reflexões filosóficas e científicas sobre o comportamento humano. cujas ondas são sentidas ainda hoje nas teorias e na prática profissional do psicólogo. Nascidas ora num cenário acadêmico (no caso do behaviorismo).

Representar uma prática onde o conhecimento psicológico é exercido como um mecanismo de compreensão e combate das doenças mentais. Um estudo de Karasu publicado em 1977. afasta o estudo do comportamento do campo religioso e da filosofia. as distintas linhas teóricas ainda separam campos de atuação e de pensamento sobre a psicoterapia e a psicopatologia. mais ou menos próxima ou distante conceitualmente de outros modelos. No ocidente. De certa forma. a grande influência da Igreja Católica sobre o pensamento e a moral fazia com que as pessoas tivessem seus comportamentos orientados pela teologia. Características da psicoterapia A psicoterapia é uma atividade única. pois se há modelos de psicoterapia que são similares. elementos comuns nas psicoterapias. podendo ser também definida em função da clientela atendida (por isso se diz psicoterapia infantil e terapia familiar. a psicoterapia comportamental e a psicoterapia psicanalítica. Antes do nascimento da psicologia como ciência. O quadro apresentado é altamente heterogêneo. que possui uma dupla função: 1. dado ratificado por Beutler.abordagens teóricas. menciona que na literatura já foram identificados mais de 400 tipos diferentes de psicoterapias. A psicoterapia torna-se um campo de exercício dos conhecimentos científicos produzidos pela psicologia. podia-se alcançar a misericórdia divina. por exemplo). a geração de um clima de confiança para a manifestação de emoções. na área específica da intervenção sobre o sofrimento mental e o comportamento patológico. tanto quanto se apoiam em visões de homem e de mundo também diferenciadas. O nascimento da psicologia como ciência. 1991). a amizade e o coleguismo profissional. freqüência das sessões e técnicas. e a pesquisa sobre o comportamento passa a ser orientada preferencialmente pelos métodos das ciências naturais. Também apresentam modalidades diferentes de atendimento. . embasados na mesma teoria e com pequenas diferenças conceituais e técnicas. A existência das diversas escolas teóricas na psicologia faz com que cada uma delas apresente uma modalidade de terapia. Através da confissão dos pecados. seja ele graças aos esforços dos acadêmicos. duração. e o movimento para a integração da psicologia da Society for the Exploration of Psychotherapy Integration (2006) é uma das principais representantes destes esforços. seja pelas pesquisas dos clínicos investigando a personalidade. como por exemplo. como por exemplo. Harwood & Caldwell (2006). onde o fiel contava seus pecados ao sacerdote que lhe ministrava uma penitência para que pudesse alcançar o perdão (Penna. Os modelos de psicoterapia apresentam variações significativas de finalidade. mas o comportamento e o desejo pecaminoso deveriam ser ativamente combatidos. aceitação do paciente por parte do terapeuta. obtidas através de pesquisas. e 2. Depende de uma relação humana particular que possui características que a diferenciam de outras formas de relacionamento. contudo. como apoio. a psicoterapia começa a existir pela prática de médicos e filósofos que se tornaram os primeiros pesquisadores-cientistas do comportamento humano. controlar e modificar o comportamento. Com a demarcação do campo da psicologia. Atualizar este conhecimento através da coleta de novas informações sobre as psicopatologias. Uma das formas pelas quais se deu este controle sobre o comportamento foi através do sacramento da confissão. há outros modelos que são radicalmente divergentes. a religião se ocupava de compreender. Isso se deve ao fato de as diferentes correntes psicoterápicas terem nascido em momentos históricos e culturas distintas. Haveria. é arriscado de falar na psicoterapia no singular. contemplando situações e contextos específicos.

Uma solução possível ao dilema fatores específicos versus inespecíficos seria que quaisquer formulações teóricas possuem três elementos comuns. no momento em que se postula que elementos pertencentes a qualquer relação humana podem ter efeitos psicoterápicos. para funcionar. e geraria a chamada ―equivalência paralisante‖. Na teoria comportamental. e podemos dizer que. 1998). são as principais geradoras das mudanças (Cordioli. e nesse sentido. estas teorias perdem sua funcionalidade. ao retirá-las. é problemático postular um modelo de psicoterapia ―a-teórico‖. 1983. e. pois o número de variáveis implicadas no processo psicoterápico é enorme. apostam que as técnicas utilizadas. que são plenamente capazes de gerar as mudanças desejadas. A teoria dos fatores inespecíficos argumenta que há componentes universais nas relações humanas. específicas à cada quadro teórico. Apesar de prática reconhecida no campo da saúde. um conceito que pode e deve ser operacionalizado e testado se pretende que a psicoterapia esteja no escopo das investigações científicas. Eysenck chegou a propor que o acaso poderia gerar tantas mudanças significativas no comportamento de uma pessoa quanto àquelas proporcionadas pela psicoterapia (Cordioli. que permite a expressão de sentimentos . como reação. que nivela a (in)eficácia das psicoterapias. pois elas acontecem ―naturalmente‖. Nesta busca de elementos comuns gerou uma teoria chamada de ―teoria dos fatores inespecíficos‖. inúteis as formulações teóricas. os reforços possuem papel central na modificação dos comportamentos na medida em que aumentam a probabilidade de um comportamento ocorrer no futuro. Não seria necessário fundamentar estes fatores em alguma conceituação. Estas técnicas são altamente valorizadas por suas respectivas teorias. gera uma complexidade difícil de lidar. Greenson. e que são considerados os elementos geradores da mudança. muitas vezes afastando os profissionais de uma linguagem compartilhada em virtude de conceitos conflitantes e visões muito diferenciadas de homem e de mundo. constituíram a teoria da especificidade. em grande medida.técnicas específicas para facilitar este processo e uma teoria que fundamenta estes procedimentos (Blanck. a identificação objetiva e sua alteração são elementos que modificam o comportamento. Nos anos 50. 1981). sem a compreensão proporcionada pela associação livre e a interpretação do analista. Blanck. 1998). pois. isso já é uma hipótese. sem uma posição empática por parte do terapeuta não haveria condições de a terapia proporcionar um clima humano de aceitação incondicional. depende de fatores específicos de cada modelo ou haveria fatores gerais que são determinantes a todos os tipos? Em termos conceituais. Essas questões geraram vários problemas de pesquisa: há psicoterapias mais eficazes para determinados quadros psicopatológicos? A psicoterapia. Defensores da teoria da especificidade. a psicoterapia ainda intriga. A existência de diversas teorias sobre os motivadores do comportamento humano. Na vertente humanista. Não é possível conceber uma mudança. por sua vez. Isto leva a formulações teóricas específicas da psicanálise. se falamos em psicanálise. Somada a isso está a dificuldade na realização de pesquisas em psicoterapia visando identificar os efeitos das intervenções clínicas sobre o comportamento. os partidários das diversas teorias sobre o comportamento humano. nãoespecíficos: uma experiência afetiva. ao mesmo tempo em que fertiliza o campo com idéias inovadoras. Isso gera alguns problemas importantes para a psicoterapia: tornaria. 1998). pois ainda há muitas lacunas teóricas sobre como ela age proporcionando as melhoras comportamentais (Cordioli. de forma independente da orientação teórica.

a psicanálise e o humanismo. e 5. Assim. Ao apontar elementos compartilhados. Podemos considerar três grandes grupos de psicoterapias: as de orientação psicanalítica. O Behaviorismo A insatisfação de vários teóricos com as explicações introspeccionistas do comportamento humano.bloqueados ou não conhecidos. As teorias que mais influenciaram o cenário da psicologia ocidental foram o behaviorismo. as percepções do sujeito A e do sujeito B sobre um fenômeno. Neste capítulo. Os elementos que influenciam o comportamento de uma pessoa não necessariamente modificarão o comportamento de outros. . e o humanismo a busca de auto-realização (Cordioli. pode-se dizer que estes modelos são derivados de um número restrito de teorias psicológicas. vamos nos referir a estas abordagens. e com a possibilidade de matematização destes comportamentos. Portanto. 1998). como apontado acima por Karasu. manter sua identidade e continuar aprimorando suas técnicas e formulações teóricas. elas propõem métodos e técnicas psicoterápicas que se diferenciam substancialmente umas das outras. Além de apresentarem uma visão distinta de homem. 4. A personalidade de alguém é o que ela faz: os seus comportamentos. As mudanças de comportamento podem ocorrer ao longo de toda a vida. e um sistema de regulação do comportamento. O behaviorismo postula a grande influência do meio e das experiências como elementos determinantes do comportamento. ao mesmo tempo. onde há controle e modificação de padrões comportamentais. fez com que buscassem um enfoque mais objetivo sobre o comportamento humano. 2005). O comportamento é determinado pelo meio ambiente. pertencentes a qualquer relação humana (o que parece trazer mais problemas do que contribuições para o campo da psicoterapia). sem a necessidade de elementos que gerariam confusão. ou seja. um aprimoramento de habilidades cognitivas. o controle do comportamento manifesto. para posterior controle e generalização. pois a observação do próprio comportamento e dos conteúdos mentais contribui para a modificação de padrões de pensamento e comportamento. Cloninger (1999) sintetiza o behaviorismo em cinco características: 1. A preocupação da construção de uma ciência psicológica. por exemplo. onde a psicanálise ocupava um lugar de destaque. as teorias poderiam. As modificações no ambiente alteram o comportamento individual. objetiva. seria diferente falar de elementos comuns às psicoterapias e os fatores inespecíficos: estes últimos podem ser compreendidos no sentido lato. motivou a elaboração de um conjunto de idéias baseadas largamente no positivismo de Comte (Goodwin. pois as diferentes teorias acentuam mais ou menos alguns destes três elementos: a psicanálise parece favorecer a investigação do inconsciente. o behaviorismo e as de referencial humanista. 2. psicanálise e humanismo Mesmo havendo um volume tão grande de modelos de psicoterapia. como os gerados pela introspecção (como comparar de forma clara. visto serem as correntes fundamentais que influenciam a prática dos psicoterapeutas. As grandes forças da psicologia: behaviorismo. o behaviorismo nasce de uma necessidade de compreender objetivamente o comportamento manifesto. o comportamentalismo. nos moldes das ciências naturais. a atenção?). 3. enquanto que os fatores comuns referem-se a um exercício de ―comparação‖ entre as teorias (o que parece resolver o dilema).

. o grande elemento que determina a freqüência do comportamento é a efetividade do reforço (conseqüências do comportamento): este modelo é chamado de comportamento operante (Cloninger. eventualmente. especialmente pela retirada dos reforços relacionados com os comportamentos patológicos (gerando extinção). Lindzey & Campbell. Já a punição e a extinção visam. 1999. diminuir e eliminar comportamentos indesejáveis. por sua vez. Ela explica tanto o comportamento adaptado quanto o patológico. seja pelos tipos ou esquemas de reforçamento. Baum. o conceito de personalidade só tem validade enquanto conjunto de funções que permitem ao organismo se relacionar com o meio. Hall. para o behaviorismo de Skinner. 1999. Skinner é o representante mais conhecido. Se o processo de adaptação do organismo com o meio ambiente se dá de forma satisfatória é porque os reforços deste comportamento foram eficazes e produziram a resposta esperada. Após. a psicanálise foi uma disciplina fundada por Sigmund Freud e que possuiria três níveis: 1. especialmente na vertente radical onde B. Um método de investigação que busca evidenciar um significado inconsciente de palavras. Baum. para o behaviorismo o que importa é o que é observável (Cloninger. F. deve-se objetivar a modificação propriamente dita do comportamento pelo controle de variáveis ambientais. Cloninger. A psicoterapia de orientação behaviorista consiste na alteração dos padrões aprendidos de comportamento pela modificação dos reforços (ou seja. deverão ser reforçados para que seja maior a probabilidade de sua ocorrência no futuro. Assim. as conseqüências dos comportamentos). o que seria para outras abordagens fenômenos como a experiência subjetiva. Lindzey & Campbell. Baum. modificados ou eliminados a partir dos princípios da generalização. observação e matematização. busca uma investigação científica do comportamento humano. não sendo objeto de investigação sua estrutura ou ―conteúdos internos‖. 2006). ações e produções imaginárias de um sujeito. que seriam a garantia da interpretação dos significados inconscientes. Teoria psicanalítica De acordo com Laplanche e Pontalis (1992). A generalização e a discriminação dizem respeito à forma como lidamos com os estímulos do ambiente e as respostas dadas a estes estímulos: podemos generalizar a luz vermelha como indicativa de ‗pare‘ nos semáforos.Para o behaviorismo. 2006). respectivamente. ou. 2000. baseado essencialmente nas associações livres realizadas por este sujeito. 2000). A identificação dos elementos ambientais que reforçam o comportamento patológico seria um primeiro passo da terapia. o castigo de uma criança proibida de jogar videogame (Hall. 2006). e discriminar símbolos masculinos e femininos como indicativos dos banheiros de homens e de mulheres. Novos comportamentos são aprendidos. Os comportamentos desejáveis. A aprendizagem é um conceito central no behaviorismo. discriminação. Neste caso. 1999. O behaviorismo. Assim. Assim. com a utilização de reforços negativos. 1999. de punição. punição e extinção. seria um exemplo de punição. os métodos de investigação são semelhantes aos utilizados nas ciências naturais: experimentação. estados inacessíveis à observação direta (eventos privados) não poderiam ser objeto de investigação do comportamento (Cloninger.

os sonhos eram indicativos do que ocorria na vida mental. Ego (gerenciador do organismo com o ambiente) e Superego (instância censora das pulsões do Id). e. que neles identificava um indício de que algo importante estava sendo oculto (Goodwin. A primeira teoria do aparelho psíquico (primeira tópica) é composta do inconsciente. e o consciente é constituído principalmente pelas percepções. hipnose e viagens de repouso. Freud percebeu. O início da teoria psicanalítica deu-se na última década do século XIX. quando Freud atendia pacientes histéricos. que o paciente tem condições de conhecer os conteúdos inconscientes que direcionam . 1999). As dificuldades originadas desta técnica. A psicanálise também é uma teoria do desenvolvimento humano. Isto se dava pelo fato de que os sonhos seriam a apresentação de conteúdos mentais através de uma espécie de ―disfarce‖. onde a sexualidade dita ―normal‖ poderia ser adequadamente satisfeita (Hall. A segunda tópica não exclui a primeira. como por exemplo. motivador do comportamento humano. O que diferenciaria as neuroses seria a forma como o indivíduo tentou resolver sua sexualidade (Goodwin. foram chamadas de resistência. que os sonhos eram fontes importantes de informações a respeito de pensamentos inconscientes. 2005). Neste método. O inconsciente contém tudo o que foi recalcado pela censura e as pulsões. o uso deste simbolismo ao mesmo tempo impedia o conhecimento direto de conteúdos de natureza sexual e os denunciava (Freud. e que estão no cerne do sintoma. anal (os esfíncteres). Ele praticava com estes pacientes as mesmas técnicas utilizadas por outros médicos.2. tais como a hidroterapia. Com o progresso de suas investigações. visto que muitas vezes eles eram de natureza sexual ou agressiva. 2005). fálica (genitais) e latência (onde se daria a resolução do complexo de Édipo). excluídos da consciência. pela relação com o mundo. lato senso. o pré-consciente consiste numa instância que agrega. composta pelos conceitos de Id (representante das pulsões). Após isso. Mais do que atos isolados da vida mental originários de pensamentos ocorridos durante o dia. pré-consciente e consciente. a recusa a falar sobre os conteúdos que apareciam. mas a complementa (Cloninger. ou seja. A sexualidade seria um dos mais importantes. 1900/1996). foram agregados à primeira tópica uma segunda teoria. A terapia psicanalítica consiste na busca dos elementos recalcados. Devido a várias razões. 1992). senão o principal. optou por abandonar a hipnose e acabou desenvolvendo o método da associação livre (Goodwin. Estes conteúdos chamaram a atenção de Freud. mas que não eram compreensíveis durante a vigília. É a partir do autoconhecimento. Problemas sexuais não-resolvidos seriam os motores centrais de sintomas histéricos. 2005). entre outras coisas. Lindzey & Campbell. proporcionado pela associação livre e pelas interpretações do terapeuta. os pacientes deveriam obedecer somente um princípio: falar sobre todo e qualquer conteúdo que lhe viesse à mente (Laplanche e Pontalis. das demais neuroses. atendendo seus pacientes e através de sua autoanálise. a memória e o pensamento. Freud postulou uma teoria psicossexual das etapas desenvolvimentais que constituiriam zonas erógenas diferenciadas: a fase oral (boca como zona erógena). e 3. Uma teoria psicológica e psicopatológica originada da sistematização dos dados obtidos pela investigação e pelo tratamento. a vida adulta consistiria numa etapa final. 2000). Um método de psicoterapia que parte da investigação acima descrita para compreender e modificar o comportamento.

Somente com este procedimento é possível estabelecer-se uma compreensão psicodinâmica. 4) a aliança de trabalho que capacita o paciente a cooperar com o terapeuta. Pode supervisionar este processo. Seu propósito. O terapeuta procura ampliar o campo perceptual intrapsíquico do paciente informando-o dos detalhes e das relações existentes dentro da configuração total de sua atividade psíquica que. que não perde de vista os objetivos de longo alcance e tem uma noção básica lógica da terapia. o terapeuta convida o paciente a falar-lhe. fazem parte do seu estado psicológico atual e a este são pertinentes. o processo de solucionamento das repressões existentes. também fala. ao fazer isso. 10) valorização do tempo e dinheiro empregado. uma vez começado. por motivos de defesa. Ele coloca em movimento um processo.seu comportamento. a procura de descarga. e pode indubitavelmente invalidar grande parte dele. 9) sentimentos competitivos em relação a outros pacientes. segue sua própria rota. Além da busca da solução de problemas. mas sua dificuldade para resolvêlos. auxiliá-lo. Estas dificuldades teriam suas raízes na psicopatologia. mas não pode determinar de antemão exatamente quais resultados produzirá. e 11) a necessidade de reparação e confissão. 7) a curiosidade e desejo de se conhecer. paciente e terapeuta estabelecem uma dinâmica de trabalho. escuta-o. mas que. 2) o medo da mudança que impele o ego infantil a se agarrar aos padrões neuróticos familiares. ele era incapaz de perceber ou de comunicar a si próprio. e um tratamento psicoterápico de orientação analítica deve ter seu ponto inicial no diagnóstico clínico. 6) o superego racional que impele o paciente a cumprir seus deveres e compromissos. e. Enumeramos a seguir as forças favoráveis ao processo psicoterápico psicanalítico. fala ao paciente. 5) a transferência positiva. Quando fala. um planejamento e um prognóstico para o tratamento. é dilatar a auto-observação ao chamar sua atenção para certas idéias e sentimentos que o paciente não tinha comunicado explicitamente. Ou. se conscientes careciam de uma ligação com o seu significado atual e imediata e suas relações com as vivências passadas. Valério (1985) defende que tratamos em psicoterapia não apenas os problemas de uma pessoa. Na medida em que conhece estes conteúdos que ele têm condições de ter mais liberdade de ação em sua vida (Cloninger. . reprimido e seus derivativos. 8) o desejo de progresso profissional e outros tipos de ambição. E as forças que se opõem ao processo seriam: 1) as manobras defensivas do ego inconsciente que fornecem os modelos para as operações de resistência. em geral. de tempos em tempos. incluindo o diagnóstico dos traços de caráter. adaptado de Greenson (1967/1981): 1) mal-estar psíquico do paciente que o impele a trabalhar na psicoterapia por mais doloroso que isso seja. 3) o id. 2) o ego racional consciente do paciente. Freud (1913/1980) destacava que o terapeuta é certamente capaz de fazer muito. Um terapeuta de orientação psicanalítica trabalha essencialmente escutando. Mas. Essas idéias eram inconscientes ou. não obstante. 1999). no dizer de Rycroft (1958). Assim. afastar obstáculos em seu caminho.

confiabilidade e previsibilidade decorre de três vertentes: formação básica e especializada. O terapeuta dispõe de um importante elemento em seu trabalho: sua contratransferência. 7) permitir e encorajar a resistência. e 8) os ganhos secundários da doença (Greenson. 2) sentimentos de depressão ou inquietação antes. ou impressionar colegas com a importância do paciente. o terapeuta terá seu trabalho desgastado. quando deixou de ser entendida apenas como um aspecto não tratado no terapeuta. Quando este traço é muito marcante. Segundo Zimerman (1999). Não é demais. 1989). Esse conjunto de constância. 6) ter repetidamente sentimentos eróticos ou afetivos para com um paciente. enfatizar a onipotência das terapeutas. condições de personalidade e o genuíno interesse em ajudar o paciente – existentes no terapeuta e ampliados e/ou desenvolvidos através de seu tratamento pessoal (Eizirik. deixar as horas do paciente excederem o tempo sem qualquer razão especial para isso. treinamento em psicoterapia através do estudo teórico e da prática supervisionada. durante ou após o horário de atendimento de um determinado paciente. seus sentimentos surgidos na relação com o paciente. 10) entregar-se a mexericos profissionais a respeito do paciente. 3) desleixo no tocante a providências: esquecer a hora marcada com o paciente. 4) a transferência hostil que motiva o paciente a derrotar o terapeuta. 11) desnecessária aspereza sádica na formulação de intervenções psicoterápicas. 7) impulsividade e tendência à atuação que impelem o paciente na direção de gratificações rápidas e. somente com aquele paciente e sem necessidade fisiológica para isso. isto é. a uma transferência hostil. Desde 1950. pois não suporta a vergonha e a culpa por saber. adaptadas de Menninger & Holzman (1973). no fundo. 5) a transferência erótica que leva à inveja e frustração e. 5) assiduidade excessiva ou precária nas combinações de pagamento. 9) cultivar a contínua dependência do paciente. 1967/1981). 6) impulsos sádicos e masoquistas que impulsionam o paciente a criar uma variedade de prazeres dolorosos. terminar antes. não troca idéias com colegas e nem encaminha pacientes a fim de se proteger do risco de ser flagrado em sua impotência. finalmente. 8) busca de segurança. estratagemas narcisistas tais como tentar impressionar o paciente de várias maneiras. a contratransferência tornou-se um auxiliar poderoso na compreensão do que ocorre na relação terapêutica.3) o superego irracional que exige sofrimento a fim de expiar uma culpa inconsciente. que não é perfeito. entretanto. esta é herança de nossos predecessores feiticeiros. lutando contra a compreensão interna (repetindo para não lembrar). 4) persistente sonolência durante o atendimento. chegar atrasado. As manifestações contratransferenciais representativas de contaminação. ao mesmo tempo. . senhores da vida e da morte. seriam: 1) incapacidade para compreender certas espécies de materiais que aludem a problemas pessoais do próprio terapeuta. deixando-o que fique consideravelmente endividado sem o exame da questão ou tentando ―ajudá-lo‖ a obter empréstimo. Acha que não precisa estudar. marcálo para um feriado. que erra bastante e que tem muito mais limitações do que gostaria de ter.

17) discursos de ―ataques a colegas‖. Embora esta perspectiva não desconsidere as influências do meio sobre a pessoa. chamado de autorealização ou autoatualização. assim como as correntes pertencentes ao movimento humanista. As potencialidades inerentes do organismo devem ser livremente desenvolvidas. talvez. 2. Lindzey E Campbell. 19) vontade de não ―ver‖ o paciente (torcendo para que não venha. necessariamente a personalidade se tornará saudável. 4. A teoria organísmica embasa o pensamento e a prática dos psicólogos humanistas do século XX (Hall. Haveria um interesse maior por esta abordagem por parte de psicólogos clínicos. foi duramente criticada por psicólogos que defendiam que a personalidade só poderia ser adequadamente compreendida se vista como um todo organísmico. em qualquer nível. 13) ficar excessivamente temeroso de ―perder‖ o paciente. caso contrário o ambiente bloqueará o desenvolvimento sadio da personalidade. 15) discutir com o paciente. que: 1. e 20) solicitação ou prestação de favores repetidos com o paciente. Dentre os defensores desta perspectiva. Lindzey e Campbell (2000) referem que a psicologia humanista é a representante de um esforço teórico e prático para unificar a personalidade humana. 3. é indicativa de patologia e sofrimento. apreço e provas de afeição do paciente. É possível compreender as partes constituintes da totalidade do organismo. se isto acontecer. estão dois psicólogos que influenciaram muito a psicologia humanista: Abraham Maslow e Carl R. Ele sintetiza o esforço humano para realizar as potencialidades latentes. Rogers. 5. cujo ápice está nas influências de Descartes e do associacionismo. visto que ela forneceria um estudo compreensivo e integrativo da pessoa. . pode se originar a patologia: se a pessoa for deixada para se desenvolver com suas próprias potencialidades. e a fragmentação. Existe um motivador global do comportamento. mas jamais se devem abstrair as partes da relação com o todo organizado. e não se pode encontrar nas partes os princípios que regem o comportamento global do organismo. 18) súbito aumento ou declínio de interesse num certo caso. Essa organização é inerente ao organismo. 2000). Isso significa que só há sentido compreender o comportamento humano como uma totalidade. e não uma análise exaustiva sobre uma função psíquica isolada. A personalidade deve ser compreendida como possuidora de uma unidade. o meio não pode obrigar o organismo a se comportar de uma forma que vá contra a sua natureza. e este movimento é o que dá o sentido e propósito para a vida. As idéias destes pesquisadores são. 14) provocar elogios. A visão atomizada e fragmentária de ser humano.12) sentir que o paciente deve ficar no tratamento por causa da reputação e prestígio do terapeuta. as mais conhecidas e as que representam o eixo central da psicologia humanista. Contudo. 16) uma tendência compulsiva para ―martelar‖ em certos pontos do paciente. Ela postula. A parte é considerada a partir de sua associação com o organismo total. consistência e coerência. Só se compreende o funcionamento da totalidade vendo-se o todo. A vertente humanista Hall.

com a capacidade de o terapeuta se colocar no lugar do cliente. para Rogers. e merecedor de . A terapia centrada no cliente. e o meio ambiente (família. Essa aceitação é o catalisador da aceitação positiva incondicional. Isso significa que o terapeuta deve ser capaz de acompanhar o paciente onde ele for. É a partir da ―compreensão emocional‖ por parte do terapeuta que o cliente pode ser compreendido em suas vivências e sentimentos. independente do que tenha feito em sua vida. considerado o elemento gerador da mudança. de reconhecimento social e de estima) não forem adequadamente satisfeitas. como uma totalidade indissolúvel. Através de um relacionamento interpessoal intenso entre terapeuta e paciente é possível auxiliar o crescimento pessoal e a libertação das condições que impedem a felicidade e a auto-realização (Hall. 2000). A empatia. Se o organismo necessita de liberdade para se desenvolver de forma sadia. Lindzey E Campbell. a pessoa não teria condições de se realizar plenamente como ser humano. A terapia. pois o foco do tratamento é. o terapeuta deve se preocupar em ver o paciente como um indivíduo único. comunidade. sempre.) favorece esta liberdade. 2000). 2000). Quando o cliente se sente aceito em sua individualidade. é que ele tem condições de resgatar sua dignidade e humanidade. A terapia é um caminho que deve permitir ao paciente uma reconexão com o seu processo saudável de desenvolvimento. deve desenvolver um sentimento de empatia pela pessoa do paciente (Hall. auxiliando-o a encontrar seus sentimentos. Quanto mais corresponderem às experiências externas e as percepções do self. teria que haver a satisfação de certas necessidades básicas. mais congruente é o indivíduo e. Assim como Maslow.Maslow criticava duramente a visão pessimista da psicologia. que pode ser definida como uma postura de aceitação o outro como ele é. Rogers se preocupava com os aspectos de crescimento da pessoa. etc. conseqüentemente. Se estas necessidades (fisiológicas. se as experiências pelas quais o indivíduo passa não estão de acordo com suas vivências internas. Lindzey E Campbell. deve favorecer um clima de confiança para que se explore os elementos que inibem a congruência e os elimine (Hall. amigos. A terapia. mais maduro e ajustado. Para que uma pessoa possa se desenvolver de forma funcional até o nível de autorealização. e assim estar curado (Cloninger. não ―passivamente‖ – paciente). através da empatia do terapeuta em relação ao paciente. Lindzey E Campbell. numa postura de aceitação positiva incondicional: isso significa que. sentem uma consideração positiva incondicional por parte do terapeuta. é um conceito-chave no humanismo. se baseia no pressuposto de que quando os clientes (diferente do termo paciente. eles então se sentem acolhidos e. 2000). para permitir este clima de confiança. então esta experiência gera ansiedade e conseqüentemente indica a incongruência. O processo terapêutico deve orientarse pelos insights dos clientes e não pelos do terapeuta. em condições ótimas para falar sobre coisas que lhes são desagradáveis e dolorosas. e conseqüentemente poderia desenvolver uma psicopatologia (Cloninger. O terapeuta. Lindzey E Campbell. que se focalizava mais na patologia mental do que nos potenciais de crescimento. a visão do cliente e não a do terapeuta (Cloninger. 1999). de Rogers. cliente é indicativo de que o beneficiado pelo processo participa ativamente. 1999). então se pode dizer que há uma congruência entre o organismo e suas experiências. Outro conceito central na teoria de Rogers é o de congruência. mais do que tudo. 1999. Contudo. Hall. de segurança. é não diretiva e centrada no cliente.

As justificativas morais para a confidencialidade residem no respeito aos direitos dos pacientes e. temores e potencialidades. portanto é fundamental que o psicólogo se questione de que forma os conhecimentos da bioética se relacionam com essas questões. Agindo assim. mas certamente figuram entre aquelas que merecem grande atenção por parte do psicoterapeuta. permitindo que cada um mantenha em segredo certos fatos sobre si mesmo e de acordo com sua vontade. prognóstico.e não o profissional de saúde . Lindzey E Campbell. permite a independência dos indivíduos para constituir um núcleo familiar de acordo com valores próprios e o direito de sentir-se em segurança dentro de seu próprio lar e de suas propriedades. isto é. exame físico. baseando-se esta decisão no princípio de beneficência. b) quando um benefício real resultar da quebra de sigilo. o acesso de terceiros a qualquer aspecto de sua pessoa.respeito e aceitação incondicional. investigação. 2006). Se o terapeuta é capaz de sentir o paciente como ele é.ex. com seus sentimentos. Privacidade e confidencialidade A privacidade pode ser entendida como um direito individual e se refere a muitas áreas do cotidiano das pessoas: protege a intimidade necessária para o pensamento criativo. utilizada em outras situações com características . Assim sendo. c) quando for o último recurso. paciente HIV positivo que se nega peremptoriamente a revelar a condição para o parceiro sexual). Questões bioéticas relativas à psicoterapia As características e formas de trabalho das teorias psicológicas remetem a problemas importantes no campo da psicoterapia. As abordagens propõem práticas diferenciadas com os pacientes. diagnóstico e tratamento é confidencial e deve ser compartilhada por médico e doente numa relação de confiança e fidelidade (Gauer. por este motivo. conseguirá transmitir a ele um sentimento de que o está compreendendo. toda e qualquer informação da história clínica. portanto. sentimentos novos vêm à tona para o paciente. depois de esgotadas todas as abordagens para respeitar a autonomia do paciente. especialmente algumas situações que se seguem. é o paciente . limitando. Schiedermayer (1991) usa a teoria principialista para fundamentar eticamente a quebra de confidencialidade e só a admite em quatro circunstâncias gerais: a) quando houver grande probabilidade de acontecer um sério dano físico a uma pessoa identificável e específica. Pode-se dizer que há dois fundamentos éticos para quebrar o sigilo: a preocupação com a segurança do paciente e de terceiras pessoas conhecidas e a preocupação com o bem-estar público e social. (por ex. o paciente manifesta importante ideação suicida). d) quando a mesma decisão de revelação possa ser generalizável. A privacidade engloba também os direitos de autodeterminação. (p.quem deve determinar qual a informação que pode ser revelada. (por ex: manifestações reinteradas de que vai matar o cônjuge). Loch & Kipper. estando a ruptura do segredo justificada pelo princípio da não maleficência. 2000). É fundamental que neste processo o terapeuta não se oculte atrás de uma fachada. e esta exploração permitirá que se reconstruam os aspectos de autoatualização do self do paciente que foram prejudicados pelas interações com o meio ambiente nocivo (Hall. Estas não são as únicas possíveis de ocorrer. e seja o mais empático e afetivo possível.

muitos advogam que os benefícios que o paciente terá com a discussão do seu caso e com o aprendizado do seu psicoterapeuta justificam a quebra da confidencialidade (Gauer. e considerando que as decisões de quebrá-la são geralmente tomadas pelo paciente ou com o seu conhecimento. Gauer. A quebra da confidencialidade eventualmente pode haver quando há os casos que envolvem a justiça. parecem requerer uma discussão prévia com o paciente. independente da posição social do paciente. 2006). 2006). quando estão envolvidos pacientes psiquiátricos.idênticas. 1998. . Loch & Kipper. ao ser chamado para testemunhar em uma corte. pacientes tratados com profissionais em formação podem não saber que seus casos serão discutidos regularmente com outra pessoa. que admitem que um juiz pode assumir a responsabilidade de inquirir a revelação de informações. tais como os inerentes a supervisão. A importância da supervisão no ensino de psicoterapia é inquestionável e existe uma considerável discordância se existe uma obrigação ética do profissional informar o paciente quando o seu caso está sendo supervisionado. De modo geral o profissional de saúde. Porém. As posições variam desde a opinião de que contar para o paciente sobre a supervisão representa um parâmetro não analisável e que irá sobrecarregar o paciente com os problemas do terapeuta (por exemplo. ou em tratamento psicoterápico. Um argumento contra a obrigação de informar é o fato de que pacientes sabem que seus casos serão utilizados com fins educacionais. contemplando o princípio de justiça e fundamentado no respeito pelo ser humano (Gauer. mas não morais envolvidos (Francisconi & Goldim. sentimentos relacionados a estar em treinamento) até a opinião de que o supervisor deveria estar presente na primeira entrevista e seu papel deveria ser claramente explicado. quando conhecidas num momento inoportuno podem alterar o curso do tratamento ou causar riscos aumentados ao doente. Contudo. Por fim uma última situação de quebra da confidencialidade e que é objeto de muitas divergências entre os autores. Esta alternativa contempla os aspectos legais. Pode ser questionado o fato de todo paciente ter direito de acesso ao seu prontuário. e que eventualmente ainda não foram abordadas com ele. do que propriamente aspectos psicoterápicos e detalhes da vida do paciente. normalmente relacionadas ao uso de psicofármacos. Entretanto. um ponto freqüentemente explorado por aqueles que são contrários à revelação para o paciente do fato de existir um supervisor é que para pacientes muito paranóides ou francamente psicóticos isto iria infringir uma ruptura da aliança terapêutica. Nesta situação uma atitude mais paternalista por parte do profissional. mesmo contrariando o código de ética profissional. Porém. 2006). pois está moralmente comprometido com a preservação das informações. lembremos que com pacientes com este tipo de transtorno a supervisão geralmente é clínica e envolve mais os sintomas que o mesmo apresenta e as abordagens terapêuticas. Informações sobre o diagnóstico. Loch & Kipper. pode ser justificada pela busca da beneficência (Gauer. deve comparecer perante a autoridade e declarar-se impedido de revelar qualquer informação. anotações do terapeuta sobre interpretações de elementos da história clínica que dizem respeito ao inconsciente do paciente. eventualmente. No entanto existem opiniões. desde que isto fique claramente configurado nos autos do processo. Loch & Kipper. 2006). Loch & Kipper. um compromisso de confidencialidade unilateral e duradouro. Como nos relacionamentos terapêuticos é dado um grande valor a confidencialidade. Importante ressaltar ainda que em supervisão não é costume haver a proteção de dados da identidade do paciente como costuma ocorrer em relatos de casos em congressos e em outras situações.

No relacionamento com o profissional. esta revelação poderia ser danosa a sua saúde. desde serviços e bens materiais. que recebe o nome de privilégio terapêutico. sem omitir qualquer informação que seja pertinente para a compreensão da sua problemática. os quais se tornam presas fáceis de pessoas pouco escrupulosas. Esta omissão deliberada. de possuir um projeto de vida e felicidade baseado em escolhas próprias (Gauer. se a pessoa estiver livre de qualquer influência para tomar esta decisão (voluntariedade). Loch & Kipper. Abuso de poder x confiança Devido ao fato do terapeuta ser o detentor do conhecimento que irá auxiliar o paciente . personalidades dependentes e pacientes com características masoquistas ou uma grande sensibilidade à rejeição. a fim de promover uma . da situação de vulnerabilidade do doente. em conseqüência. Gauer. há um dever moral de tratar as pessoas como um fim em si mesmo e nunca utilizá-las apenas como um meio para atingir determinado objetivo. Contudo. na construção da sociedade como um todo. 2006). A possibilidade de escolha autônoma de uma pessoa a respeito de sua vida. o entendimento e a confiança mútua. As formas de exploração são variadas. ou pelos aspectos transferenciais inconscientes . um dos pontos fundamentais é que o paciente revele toda a verdade a seu respeito. 2001. É o reconhecimento do direito da pessoa de ter opiniões e de agir segundo seus valores e convicções. já que o psicoterapeuta é detentor do conhecimento. Para considerar uma pessoa autônoma. são necessárias duas condições. Autonomia Outro ponto importante na discussão entre psicologia e bioética é a questão da autonomia. e por assim dizer. Situações assim podem ser mais prováveis de ocorrer com pacientes portadores de uma baixa auto-estima. Loch & Kipper. precisa ser entendida como uma exceção ao seu direito à informação e só pode acontecer visando o melhor benefício do paciente (Gauer. mas não adivinho. pode surgir no profissional o desejo de ultrapassar os limites da confiança e aproveitar-se. Loch & Kipper. analisar logicamente uma situação (racionalização) e habilidade para escolher entre várias hipóteses (deliberação) com o objetivo de decidir-se intencionalmente por uma das alternativas que lhe são apresentadas. Esta refere-se à capacidade que pessoa possui para decidir sobre aquilo que ela julga ser o melhor para si mesma.o terapeuta pode assumir um papel de dominância. Segundo: esta escolha só poderá ser considerada autônoma. a seu favor. Já o princípio de respeito à autonomia baseia-se na dignidade da pessoa humana e.seja pela suscetibilidade que a situação de doença determina. Desta forma. naquele momento ou naquele caso específico. Primeiro: ela deve possuir a capacidade para compreender. 2006). é uma discussão que pertence ao âmbito da bioética e da psicologia. e as implicações que essas decisões terão na vida dos demais. o respeito ao princípio de autonomia favorece o diálogo. até vantagens financeiras e favores sexuais (Gauer et al.Veracidade Para o bom andamento do tratamento. É obrigação do profissional dar ao paciente a mais completa informação possível. existem situações em que o profissional julga que não deve informar ao doente sobre certos aspectos de seu transtorno ou de seu tratamento porque. própria. 2006)..

o psicoterapeuta não pode se furtar nas influências epistemológicas da teoria utilizada pelo psicoterapeuta. protagonizada por uma pessoa autônoma e capaz. para a aceitação de um tratamento específico ou experimentação. Isso significa que elas postulam uma dimensão ideal. Pode ser definido como ―uma decisão voluntária. A relação clínica não será satisfatória e estará sendo violada sempre que o psicoterapeuta se utilizar de seus conhecimentos para alcançar outros objetivos que não o bem-estar e o respeito aos legítimos interesses e direitos dos pacientes (Gauer. benefícios e possíveis conseqüências‖ (Gauer. Esses dois fatores exigem do profissional um contínuo movimento de ajuste entre a teoria. na psicanálise. as teorias psicológicas estão permeadas por uma reflexão também ética: ela diz o que é o desejável e o indesejável na . e as potencialidades e limitações cognitivas. em laboratório ou no setting clínico. Uma teoria é um modelo explicativo. tomada após um processo informativo. A formação profissional visa capacitar o psicoterapeuta de um repertório teóricoprático de forma a lhe permitir utilizar com segurança determinada teoria para produzir efeitos benéficos sobre a vida do paciente. Loch & Kipper. discutindo com ele as opções diagnósticas e terapêuticas cabíveis. Se admitimos que as intervenções das teorias visam a modificação do comportamento para uma melhora da qualidade de vida e da saúde das pessoas. O que uma teoria apresenta é uma situação-modelo. verbal ou escrita. não a sua manipulação e a promoção da dependência. Este processo é conhecido como consentimento informado. ajudando-o a escolher aquela que lhe é mais benéfica. As intervenções e os pressupostos teóricos visam o mesmo objetivo – a mudança de comportamento – mas com técnicas diferentes: no behaviorismo. 2006). que pretende ser aplicável à maioria dos. a mudança de comportamento é obtida através da análise das resistências que impedem a manifestação direta do inconsciente. 2006). seres humanos. emocionais e comportamentais dos pacientes. do mesmo modo que se treinam os estudantes nas discussões dos aspectos técnicos. com a mudança dos esquemas de reforços. e a relação com o paciente.compreensão adequada do problema. que está calcada no mundo real. e o psicoterapeuta é o porta-voz e executor desta visão de homem e de mundo propalada pela teoria. Tal relação se reveste de características especiais pela vulnerabilidade dos pacientes. Loch & Kipper. ela possui uma pretensão de status atemporal. Loch & Kipper. Todo tratamento psicoterápico deve pretender a conquista de mais autonomia para o paciente. Assim. E a bioética é um mecanismo que permite ao psicoterapeuta efetuar essa interface entre o ideal e o real. é absolutamente necessário que se inclua na formação. mesmo sendo um produto da história. e no humanismo através da busca da auto-realização como ser humano. uma capacitação para resolver os conflitos éticos que surgem da prática. As teorias psicológicas são prescritivas e normativas. consciente de seus riscos. 2006). mesmo que tenham sido construídas a partir de relações reais de pesquisa. onde está descrita a psicopatologia e os mecanismos de intervenção para a promoção da saúde mental. consentimento livre e esclarecido ou consentimento pós-informação. mas como situação-modelo. desenvolvendo seus aspectos afetivos e humanos e visando sua competência para estabelecer uma adequada relação com o paciente (Gauer. Considerações finais As diferentes visões de homem e de mundo das correntes psicológicas suscitam várias práticas psicoterápicas. que postula um mundo ideal. senão todos. Assim.

). não tenham a mesma psicopatologia (no sentido de o mesmo pathos. ou seja.psicoterapia. Uma teoria psicológica não é um bloco monolítico de conhecimentos. intervenções. porque isso é pessoal). com seu trabalho. Esse discernimento é fundamental e deve estar presente sempre na prática psicoterápica. é somente a reflexão ética sobre as teorias e técnicas psicológicas – que assim passa a assumir uma dimensão bioética – o que humaniza o trabalho do psicoterapeuta. sem dúvida. existe num mundo real e tem problemáticas reais. Cada paciente. capacidade de suportar frustrações. existe. Assim. mas também é claro que não será possível utilizar as mesmas intervenções. É sutil a diferença. o mesmo sofrimento. Essa ―alguma coisa‖ somente tem sentido a partir do momento em que é pensada técnica e eticamente. e impregna o profissional durante a sua formação. Desta forma. O paciente. está simultaneamente fazendo um juízo bioético sobre os efeitos de seu trabalho sobre a vida e a saúde de seu paciente. e as contribuições da bioética são imprescindíveis nesta ponte. As diferenças teóricas acentuam posturas mais autônomas (como parece ser o caso do humanismo) ou mais paternalistas (como parece ser o caso da psicanálise. Ao psicoterapeuta cabe fazer dialogar a dimensão ideal-teórica atemporal e a dimensão real-relacional-temporal. cabe perguntar se as teorias possuem certas propriedades(como por exemplo serem mais paternalistas ou incentivarem mais a autonomia) ou se isso depende essencialmente daquilo que o profissional faz. não psicanalítico) dada pelo profissional. pois de outra forma nada mais é do que um conjunto de ferramentas deixado sobre uma bancada. mas depende essencialmente da interpretação (no sentido lato do termo. por sua vez. pois a relação – real – estabelecida com o terapeuta é diferente. como profissional. portanto. no mesmo tempo e com o mesmo sentido para estes pacientes. pois através das relações reais ela (teoria) pode deixar o mundo das idéias e servir para alguma coisa. Há. mais ou menos funcional que o sofrimento produzido pelo sintoma? Como equacionar beneficência ou nãomaleficência nesta intervenção? Quando o psicoterapeuta pensa nisso. que talvez ele sequer a considere desta forma? O sofrimento que lhe produzo dizendo isso é maior ou menor. com suas peculiaridades (nível intelectual.) e o aspecto ético (como utilizar esse repertório) de uma teoria psicológica. possa auxiliá-lo nestas dificuldades. e é isto que faz com que dois pacientes que tenham o mesmo diagnóstico (por exemplo. mas ela. produzir com minha intervenção? O que o paciente compreenderá disso que lhe digo? Como isso alterará seu comportamento e sua vida? Qual o momento de abordar uma questão central na vida do paciente. depressão). com certeza. Esse descompasso . evitando ―nivelamentos‖ que desconsiderem as idiossincrasias dos pacientes. capacidade de insight. Refletir sobre a autonomia do paciente. portanto sendo perfeitamente compatíveis com a análise bioética do principialismo. ou seja. mais do que avaliando o comportamento a partir de um referencial teórico. sobre o que ele pode ou não compreender e também fazer com a intervenção realizada pelo profissional é uma tarefa do profissional. a minimização do sofrimento do paciente e o aprimoramento da qualidade de vida. entre o aspecto técnico (conjunto de instrumentos. exige movimentos diferentes do profissional. a teoria é revivida na mente do psicoterapeuta e na relação com o paciente. e espera que o psicoterapeuta. em muitos casos bastante distantes do mundo ideal da teoria. elementos comuns entre pacientes que possuem o mesmo diagnóstico. Na prática psicoterápica. etc. etc. procedimentos. o que desejo. Isso faz com que o profissional tenha que lidar com situações temporais. quando proíbe a tomada de decisões importantes na vida do paciente durante o processo de análise).

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contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. cumprir e fazer cumprir este Código. 2º – Vedado a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência. sempre que solicitado. ideológicas. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. f) Fornecer. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. a quem de direito. a partir da prestação de serviços psicológicos. em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. c) Prestar serviços psicológicos de qualidade. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. filosóficas. VII. crueldade ou opressão. divulgar. tortura ou qualquer forma de violência. e fornecer. utilizando princípios. discriminação. aquisição. Art 1º . exploração. i) Zelar para que a comercialização. IV.II. na prestação de serviços psicológicos. teórica e tecnicamente. violência. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. por meio do contínuo aprimoramento profissional. morais. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. g) Informar. b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. b) Induzir a convicções políticas. VI. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. violência. crueldade e opressão. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. doação. . a quem de direito. Art. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência. empréstimo. exploração. religiosas. O psicólogo atuará com responsabilidade. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional.Deveres a) Conhecer. discriminação. quando do exercício de suas funções profissionais. na ética e na legislação profissional. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho.

possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos Art 1º . adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. sempre que solicitado. k) Ser perito. 17 Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. VII. analisando crítica e historicamente a realidade política. social e cultural. a quem de direito. g) Informar. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações. Art. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. f) Fornecer. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. j) Estabelecer com a pessoa atendida. O psicólogo atuará com responsabilidade social. na prestação de serviços psicológicos. econômica. orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste Código.Deveres Art. Art. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. familiar ou terceiro.g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica. V. O psicólogo não divulgará. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. informar. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. atuais ou anteriores. d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência.f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. que tenha vínculo com o atendido. e fornecer. h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. a partir da prestação de serviços psicológicos. ao conhecimento da ciência psicológica. a quem de direito. 2º – Vedado . posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. cederá. ensinará. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. sem visar benefício pessoal. 18 B) Relação com o usuário e a sociedade Princípios fundamentais III. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos.

as normas . visando benefício próprio. o) Pleitear ou receber comissões.resultados da avaliação. a prestação de serviços profissionais. decorrentes de informações privilegiadas. para ingressar. colaborar com estes. além dos honorários contratados. associar-se ou permanecer em uma organização. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. a partir da prestação de serviços psicológicos. considerará a missão. e fornecer. m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. desnecessariamente. na prestação de serviços psicológicos. assim como intermediar transações financeiras. pagar remuneração encaminhamento de serviços. n) Prolongar. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. Art 1º . posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. a filosofia. sempre que solicitado. salvo impedimento por motivo relevante. c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. C) Relação com equipes e empresas Princípios fundamentais VII. d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. empréstimos. quando solicitado. 4º – Ao fixar a) Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as a remuneração pelo condições do usuário ou beneficiário. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. as políticas. a quem de direito. a quem de direito. b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade seu trabalho e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. 2º – Vedado j) Ter. e. Art. Art. l) Desviar para serviço particular ou de outra instituição. respeito. 3º ou porcentagem por O psicólogo. consideração e solidariedade. doações ou vantagens outras de qualquer espécie.Deveres Art. p) Receber. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. f) Fornecer. g) Informar.

k) Sugerir serviços de outros psicólogos. e fornecer. a) A pedido do profissional responsável pelo serviço. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e. e. se pertinente. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. resguardando o caráter confidencial das comunicações. salvo impedimento por motivo relevante. 6º – relacionamento com profissionais não psicólogos a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e qualificados demandas que extrapolem seu campo de atuação. violação de direitos. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente. na prestação de serviços psicológicos. 2º – Vedado j) Ter. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. g) Informar. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. a quem de direito. b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o serviço prestado. c) Quando informado expressamente. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. faltas éticas. por qualquer uma das partes. 7º – intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional E) Alteração no código .Deveres f) Fornecer. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. sempre que solicitado. colaborar com estes. sempre que. quando solicitado. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. apresentar denúncia ao órgão competente. de quem as receber. a quem de direito. a partir da prestação de serviços psicológicos. Art. consideração e solidariedade. fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho. respeito. e) Ser conivente com erros. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. Art. por motivos justificáveis. quando dará imediata ciência ao profissional. de preservar o sigilo. D) Relação com outro Psicólogo Art 1º .e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. da interrupção voluntária e definitiva do serviço. Art. assinalando a responsabilidade.

Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no Art. Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto Art. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. c) Censura pública. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. 22 Art. grupos ou organizações. Art. assinalando a responsabilidade. a que tenha acesso no exercício profissional. G) Arquivos e sigilo Art. 10 . excetuando-se os casos previstos em lei. Art. 1º – Deveres g) Informar. 6º – b) Compartilhará somente informações relevantes para relacionamento qualificar o serviço prestado. a quem de direito. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. 9º É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. por iniciativa própria ou da categoria. por meio da confidencialidade. de preservar o sigilo. não psicólogos de quem as receber. Art. na forma dos dispositivos legais ou regimentais a) Advertência. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código. b) Multa. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código. 24 O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. e) Cassação do exercício profissional. F) Punições Art. 23 As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia. ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. d) Suspensão do exercício profissional. por até 30 (trinta) dias. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. 21 – As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penas. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia.Art. resguardando o caráter com profissionais confidencial das comunicações. a intimidade das pessoas.

ser informado. sempre que assim o desejarem. o psicólogo responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia. 2º – Vedado b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. com o objetivo de proteger as pessoas. pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias a) Avaliará os riscos envolvidos. grupos ou organizações. q) Realizar diagnósticos. organizações e comunidades envolvidas. i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. mediante consentimento livre e esclarecido. 9º É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. a intimidade das pessoas. H) Pesquisa Art. após seu encerramento. o psicólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. teórica e tecnicamente. tanto pelos procedimentos. 11 Art. 15 – interrupção do trabalho. desde o início. salvo nas situações previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste Código. Art. f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. 16 –na realização de estudos. o psicólogo deverá zelar pelo destino dos arquivos confidenciais. devendo o usuário ou beneficiário. c) Garantirá o anonimato das pessoas. A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente. considerando o previsto neste Código.no caput deste artigo. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. Art. § 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia. grupos. grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos. b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. como pela divulgação dos resultados. Quando requisitado a depor em juízo. o psicólogo poderá prestar informações. de forma a expor pessoas. divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação. d) Garantirá o acesso das pessoas. I) Publicidades e divulgações Art. § 1° – Em caso de demissão ou exoneração. por meio da confidencialidade. a que tenha acesso no exercício profissional. . que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. 14 Art. grupos ou organizações. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. 1º – Deveres Art. salvo interesse manifesto destes. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. grupos ou organizações.

§2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. 19 O psicólogo. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. atividades e recursos relativos a técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas pela profissão. b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. a quem de direito. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais. Art. ao participar de atividade em veículos de comunicação. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. adolescente ou interdito. g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. e) Não fará previsão taxativa de resultados. a partir da prestação de serviços psicológicos.Art. 20 – promover publicamente seus serviços. observadas as determinações da legislação vigente Art. sempre que solicitado. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. na prestação de serviços psicológicos. da base científica e do papel social da profissão. 13 No atendimento à criança. Art. o CRP e seu número de registro. a) Informará o seu nome completo. e fornecer. f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. ao adolescente ou ao interdito. g) Informar. deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se . §1° – No caso de não se apresentar um responsável legal. 8º – atendimento não eventual de criança. zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. c) Divulgará somente qualificações. o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes. deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis. d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. a quem de direito. 1º – Deveres f) Fornecer. por quaisquer meios. individual ou coletivamente J) Crianças e adolescentes Art.

Ou. qualidade e objetividade para aplicar habilidades envolvidas na profissão. ainda. a própria APA estipula que o pesquisador em Psicologia deve obter um consentimento informado antes da coleta de dados. no exercício da atividade profissional. A APA (American Society of Psychology) impõe ao psicólogo a manutenção da competência. além disso. por qualquer meio. ato que a lei define como crime ou contravenção. é a ciência do comportamento moral do homem que vive em sociedade (Boff et al. Ética Profissional . ou seja. depois de regularmente justificada. e aos outros fatores que derivam nele.promoverem medidas em seu benefício. A ética é a ciência da moral. 1993). 1996).Constituem infrações disciplinares: I transgredir preceito do Código de Ética Profissional. Essa exigência também está na Resolução 96. Logo.Parte A A Ética Ética é uma disciplina da Filosofia que estuda o comportamento moral – também chamada de Deontologia (Mesquita & Duarte. limitando a capacidade punitiva aos dispositivos do código. VI . 56 .exercer a profissão. V . pontualmente.822 de 17 de junho de 1977. II . determinação emanada do órgão ou autoridade dos Conselhos. o seu exercício aos não inscritos ou impedidos. E o que define a transgressão ética? O Conselho Federal de Psicologia e os respectivos Conselhos Regionais foram criados com o DECRETO nº 79.solicitar ou receber de cliente qualquer favor em troca de concessões ilícitas.não cumprir. estuda os princípios e valores que regem as relações mútuas entre os indivíduos. dando as decisões finais sobre o assunto. É nele que está definido o que esses conselhos fazem: Art. em todo o território nacional Também diz que o CFP que é responsável pela elaboração e pelo cumprimento do Código de Ética. quando impedido de fazê-lo.” Percebem agora que as Resoluções do CFP giram sempre em torno do que está definido na lei? Pelo código de ética pode haver punição porque a lei deu esse poder. IV . ressalta a importância de se preservar a dignidade e os interesses dos que estão envolvidos com esse trabalho.deixar de pagar aos Conselhos. de 1996. ou facilitar. está na norma legal (pois é um a norma legal primária. em matéria da competência destes. no prazo estabelecido. do Conselho .praticar. supervisionar e disciplinar o exercício da Profissão de Psicólogo. as contribuições a que esteja obrigado. III . 3º .O Conselho Federal de Psicologia tem por finalidade orientar. é lei) as definições das transgressões e penalidades: Art. Em relação à pesquisa.

guias. É um apelo-pergunta no sentido de ver o ser humano. Essa confiança está muito relacionada à garantia de sigilo. Enfim. Para o CFP. ele deixa de ser estático – o código não pode ser fixo no tempo e no espaço.. assim como a nossa Constituição Federal (Lei maior) mudou 3 vezes também ( sendo que há divergência na Doutrina do Direito sobre a constituição de 1969). não é possível diferenciar a ciência Psicologia do contexto social em que ela está inserida. porque ele reflete um momento de atuação profissional na sociedade. qualquer conduta do psicólogo está submissa a ela por força de lei maior e não por causa do código de ética da profissão. Enfim.como um subsistema de um grande sistema.Nacional de Saúde. além de planos de assassinato e suicídio – uma vez que a Lei que rege o país é maior do que o código de ética da profissão. Quanto ao compromisso com a Declaração dos Direitos Humanos. O Código.. Porém.selo de identidade. violência contra a mulher. salvo engano. uma vez que é um dos principais temas da Filosofia e fonte de debates nas mais diversas atuações profissionais. O Código apresenta diretrizes de atuação. é um dos únicos ou o único país (infelizmente! Uma necessidade ―chula‖ de mostrar serviço!) que fez dessa Declaração uma norma constitucional.pol. Isso é só uma forma de memorizar. ― Código é a expressão da identidade profissional daqueles que nele vão buscar inspirações. o atendimento de menores e idade.org. lemas. basta lembrar que o Brasil. exigese um alto padrão ético que assegure a confiança da relação terapêutica. Esse sigilo também está relacionado com a conduta moral e profissional do psicólogo. o código já mudou 3 vezes. princípios – passíveis de questionamento e reflexão. e com isso. naquele momento histórico (Fonte: http://www2. vale lembrar que psicólogos são obrigados a denunciar abusos infantis e negligências. conselhos e normas de conduta. idosos e crianças. Já. É uma resposta enquanto encarna uma concepção da profissão dentro de um contexto social e político. ele não tem o poder de mandar fazer ou deixar de fazer algo. e cabe ao psicólogo ter parcimônia e proteger o direito da sociedade também. na Clínica.. Isso é só para exemplificar a certa fragilidade desta resolução. Não é universal. porém enfatiza a sua necessidade de uniformizar alguns pontos de atuação que podem gerar dúvidas e discrepâncias. Então quanto a isso. Como uma resolução de autarquia.br/legislacao/leg_codetica. Desde a criação da profissão na década de 60. Esse assunto não pode se esgotar em si. como por exemplo. A sociedade muda.. uma vez que o CFP não tem essa competência legal. Vernoy & Vernoy. como uma forma de uniformizar e estabelecer um padrão ético nas pesquisas com humanos (Huffman. ou seja. o Código de ética também enfrenta necessidades de mudanças.cfm).é uma pergunta e uma resposta. as Leis maiores mudam. ele uniformiza o entendimento da atuação do profissional... cabe à Ética profissional uniformizar a relação do psicólogo com o outro. não é lei.‖ Segue o texto na integra: “Exposição de motivos do Código de ética profissional do psicólogo . como já expliquei em outro post. pois estar escrito no nosso código é mais um lembrete que o CFP quis fazer do que uma imposição. normas de condutas. 2003). não é possível tirar o psicólogo da sociedade em que ele se formou. ou em qualquer situação que exige a ação do psicólogo. portanto. mas sim orienta a atuação do profissional. e consequentemente.

a essa transitoriedade que é própria do homem à procura de seu destino e significação. ao mesmo tempo. portanto. sendo uma proposta dentro da qual a criatividade de cada um encontra um convite ao próprio dinamismo criador. com os quais o homem se põe diariamente em contato. ações que por sua natureza são dinâmicas. Abre-se. A cada dia. Psicólogos de todos os Conselhos Regionais de Psicologia se envolveram. nasce de uma dupla fonte: da realidade e do desejo. Este Código procura responder a um duplo movimento nascido de todo o trabalho que o precedeu. de outro lado. ao mesmo tempo. Do desejo. enquanto a Psicologia é uma preocupação com o amanhã do indivíduo. Advogados. Sociólogos. também ele. Não é. De outro lado. cristalizar com normas propostas de comportamento. sobretudo através do seu engajamento em propostas concretas de uma visão aberta do mundo voltada para o social e o político. de um lado. O Código é a expressão da identidade profissional daqueles que nele vão buscar inspirações. na procura do bem-estar e da saúde. É uma resposta enquanto encarna uma concepção da profissão dentro de um contexto social e político. portanto. que lhe confere o selo da identidade. sujeito. Foram ouvidas as necessidades e dificuldades de cada Regional. sujeito a contínuas mudanças na sua luta por ocupar. conselhos e normas de conduta. propor um Código de ética é colocar-se. Este Código seguiu este caminho. o espaço que lhe compete no mundo e se. de outro lado. Da realidade. só o Código que confere identidade ao Psicólogo. naquele momento histórico. a cada momento. no agir permanente dos que fazem psicologia. Assim. Ele é. procurando fundamentar suas propostas. um desafio à Psicologia como ciência que estuda e interpreta o comportamento humano. entretanto. sua participação nas perguntas fundamentais do mundo moderno. enquanto calcado no que existe. uma pergunta e uma resposta. O Código. Antropólogos e a categoria foram demoradamente consultados. Se o homem é um ser de relação. Assim. de um lado. ele nasce de um longo estudo. torna-se mais difícil acompanhá-las. princípios gerais e básicos fundamentam e ajudam a operacionalizar o desejo. segue que qualquer sistema ou Código só será real se sujeito. no que está aí. apresenta a realidade. em que durante quatro anos. mostrar um conjunto de ações ou comportamentos que seja representativo da realidade e da relatividade do dia-a-dia. a dinamicidade própria da liberdade. na prática das pessoas. sugere normas que explicitam situações profissionais indicando caminhos como soluções de problemas. numa reflexão constante do ser humano como sujeito de mudanças e. De um lado. de uma longa pesquisa. grupos e sociedade. como respostas do organismo às exigências da vida como um todo. sobretudo devido à rapidez com que acontecem e à impossibilidade de ter uma ideia da totalidade de significações que essas mudanças representam. mas sim. É um apelo-pergunta no sentido de ver o ser humano não apenas como uma Unidade isolada. Dentro dessa dimensão. à complexidade de contínuas e profundas transformações. Essas duas vertentes retratam uma muito antiga preocupação do homem. dividido entre o ideal que deveria gerar ideias ou comportamentos consequentes na realidade e a . um Código de ética deve expressar. do risco e da criação e. formaram-se grupos para operacionalizar este novo Código: Filósofos. ele próprio. ele é o sujeito e o objeto do estudo da Psicologia.O mundo vive constantes mudanças. mas como um subsistema de um grande sistema.

o qual dignifica o seu comportamento ultrapassando a norma. a felicidade pela ação feita e o prêmio ou a beatitude pela alegria da auto aprovação diante do bem feito no dizer de Aristóteles. o Código deve refletir princípios gerais. liberdade e espontaneidade. ninguém pode viver ao sabor de suas paixões e desejos momentâneos de onipotência. política. . É essa visão de totalidade existencial-filosófica que faz com que o profissional abra as janelas de sua mente para ver o mundo como uma realidade social. Assim. a conduta moral tem como base a disciplina. é o espírito que dá vida". Um Código será falho se fizer uma ética para o Psicólogo. não é apenas deixar-se viver. A vida é uma contínua determinação. a importância de uma fé no ideal de homem e de vida. seguida. É ela que faz o profissional ver seu cliente como pessoa. quando essa ação corresponda a esse ideal ético. segundo Aristóteles. qualidade e valores e que a ética não pode proporcionar soluções pré-fabricadas sem que haja um trabalho interno de cada indivíduo que se proponha a agir eticamente. Por outro lado. Éthos. deve refletir esse outro lado do agir humano. como um ser singular à procura de uma compreensão que lhe é pertinente.própria realidade que precisa ser controlada. É a ética. A satisfação das aspirações morais faz parte integrante do conjunto dos desejos humanos. é ela que faz um apelo à criatividade. Ser ético é muito mais do que um problema de costumes. O Código de Ética tem de ser fiel a esta visão. e também uma visão cristalizada do comportamento humano. esquecendo-se da ética do homem. comunitária e perca a mesquinhez de só ver o indivíduo no seu imediatismo. seleção e criação. permitindo um real encontro entre a norma e o homem. expressa um modo de ser. pois ela é a dimensão da ética do homem (da pessoa) e não do Psicólogo. Assim. a ética trata dos deveres sociais do homem e de suas obrigações entre si na comunidade. de soluções precárias para procuras mais globais. É importante lembrar que o agir ético vai além do pensar bem e honestamente como uma ressonância de um mundo individual e pessoal. ao mesmo tempo em que um Código de normas explícitas se torna necessário. enquanto Filosofia Moral. é bom lembrar que a moralidade se concebe como atitude. para que o ideal não se perca. no idioma grego a palavra éthos está ligada à filosofia moral e êthos à ciência dos costumes. a adaptação à vida grupal e a autonomia da vontade. mas exige ao mesmo tempo que a consciência. aquilo que o homem traz dentro de si na relação consigo próprio. pressupostos básicos que garantam à ação esses elementos de gratificação. que permeia como energia de vida os apelos para uma ação transformadora. portanto. se manifeste de modo explícito através de ações claras e visíveis. Na realidade. É essa ética filosófica que apela para uma reflexão e compreensão das singularidades. Indica as disposições do ser humano perante a vida. que impede um Código sem criticismo. uma atitude psíquica. Na realidade. de normas práticas. É essa visão que o faz transcender do indivíduo para o grupo. do momento para a história. com o outro e com o mundo. Nesse sentido. delimitada. como um ser de relação no mundo. como Ciência dos Costumes. É essa ética que fará do Psicólogo um profissional engajado social e politicamente no mundo e não. reconhecendo ao mesmo tempo a importância do sentimento pessoal perante a norma. um profissional a serviço exclusivo do indivíduo. O Código. pois nenhuma sociedade ou grupo pode viver fora de qualquer regra ou lei. "A letra mata. que é "uma síntese ativa e em perpétua realização". supõe a boa conduta das ações.

a eliminação de qualquer forma de tortura é degradante para a condição digna humana. Cuidado!!! Pare. muitas questões podem ser resolvidas por lógica. de um sentido pleno de vida e de cultura. mas uma estrada assinalada para ajudar aos que querem ir devagar e aos que necessitam depressa para chegar. E para isso. entre outros. por exemplo: absoluto.cfm)‖ Qual a importância de saber isso tudo pra concurso? Isso especificamente não cai em provas. evitando-se privilegiar esta ou aquela área. sublinhe a palavra. Por exemplo. Um Código é como um mapa de uma cidade. Esse Código quer juntar as duas coisas: grandes princípios e a prática do cotidiano. procura fomentar a . de uma doutrina.O Código de Ética não pode ser fruto de uma mera teorização sobre o bem ou sobre o mal. mas dinâmica. aqui. exclusivo. o familiar e o tipo da cidade. as quais. mais que uma imposição. sujeita às leis da mudança. mas sim de cunho profissional. mas sim raciocinar. A ideia não é gerar dúvida. ela não quer ser estática. inexoravelmente. Também ela.pol. como. de resto.org. Outro aspecto importante de se saber sobre essa fluidez e flexibilidade do código é que. o escondido.br/legislacao/leg_codetica. e releia mais uma vez. um hoje de nossas esperanças e pensamentos. a posição que o psicólogo assume perante a tortura não é política. ele quer produzir e ser fonte de uma reflexão ética não dissociada da prática profissional. é preciso ler o Código de ética (que por sorte é pequenino e bem simples de entender). sempre. você deve tomar muito cuidado com termos que implicam certeza de algo como. à reflexão e à descoberta dos legítimos valores que devem guiar a ação do Psicólogo. norteado por elevados padrões técnicos e pela existência de normas éticas que garantam a adequada relação de cada profissional com seus pares e com a sociedade como um todo. Esta proposta é um convite a uma reflexão mais ampla e aberta. ele deve resultar de uma ação humana. no seu conjunto. enquanto indivíduo e membro da comunidade. sem exceção. para que a ética se mantenha fiel à sua vocação de ser um convite. mas quando você compreende o raciocínio da importância de uma uniformização ética para o profissional. Finalizo com a introdução da Resolução 10/2005 – Código de ética do Psicólogo: Toda profissão define-se a partir de um corpo de práticas que busca atender demandas sociais. Um Código de Ética profissional. deve estar aberta a reflexões que a atualizem continuamente. Ele não pretende impor. de onde decorre a vida para as ruas e praças. estigmatizar ou definir comportamentos-padrão. convidando-o a ser criativo e a correr o risco de ser fiel à realidade. ele se oferece a uma reflexão mais ampla da potencialidade de cada um. é a vida e a sua expressão mais alta e mais bela: o ser humano. não desse jeito. ao estabelecer padrões esperados quanto às práticas referendadas pela respectiva categoria profissional e pela sociedade. Nele se fala de um dever pessoal e de um modo de estar no mundo. Nossa proposta expressa assim. na prova. encerram o cotidiano. para ver se não é exagero da banca ou se está no código mesmo. (Fonte: http://www2. onde as grandes avenidas assinalam os principais caminhos. Ele não pode ser uma prisão. que é maior que qualquer forma ou lema ou diretrizes políticas. releia.

marcadamente a partir da promulgação da denominada Constituição Cidadã. Este Código de Ética pautou-se pelo princípio geral de aproximar-se mais de um instrumento de reflexão do que de um conjunto de normas a serem seguidas pelo psicólogo. Este Código de Ética dos Psicólogos é reflexo da necessidade. uma vez que os principais dilemas éticos não se restringem a práticas específicas e surgem em quaisquer contextos de atuação. dentro de valores relevantes para a sociedade e para as práticas desenvolvidas. Consoante com a conjuntura democrática vigente. Para tanto. pois esses eixos atravessam todas as práticas e estas demandam uma contínua reflexão sobre o contexto social e institucional. que refletem a realidade do país. o terceiro da profissão de psicólogo no Brasil. o presente Código foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão. . O processo ocorreu ao longo de três anos. dos limites e interseções relativos aos direitos individuais e coletivos.auto-reflexão exigida de cada indivíduo acerca da sua práxis. ao momento do país e ao estágio de desenvolvimento da Psicologia enquanto campo científico e profissional. Ao aprovar e divulgar o Código de Ética Profissional do Psicólogo. com a participação direta dos psicólogos e aberto à sociedade. na sua construção buscou-se: a) Valorizar os princípios fundamentais como grandes eixos que devem orientar a relação do psicólogo com a sociedade. sentida pela categoria e suas entidades representativas. sócio-culturais. suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. e das legislações dela decorrentes. A formulação deste Código de Ética. e de valores que estruturam uma profissão. questão crucial para as relações que estabelece com a sociedade. oferecer diretrizes para a sua formação e balizar os julgamentos das suas ações. Traduzem-se em princípios e normas que devem se pautar pelo respeito ao sujeito humano e seus direitos fundamentais. Por constituir a expressão de valores universais. em 1988. As sociedades mudam. a expectativa é de que ele seja um instrumento capaz de delinear para a sociedade as responsabilidades e deveres do psicólogo. tais como os constantes na Declaração Universal dos Direitos Humanos. de modo a responsabilizálo. por ações e suas conseqüências no exercício profissional. em todo o país. a profissão. uma reflexão contínua sobre o próprio código de ética que nos orienta. um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria. pelo psicólogo. as entidades profissionais e a ciência. sim. c) Contemplar a diversidade que configura o exercício da profissão e a crescente inserção do psicólogo em contextos institucionais e em equipes multiprofissionais. responde ao contexto organizativo dos psicólogos. d) Estimular reflexões que considerem a profissão como um todo e não em suas práticas particulares. b) Abrir espaço para a discussão. um código de ética não pode ser visto como um conjunto fixo de normas e imutável no tempo. Códigos de Ética expressam sempre uma concepção de homem e de sociedade que determina a direção das relações entre os indivíduos. as profissões transformam-se e isso exige. A missão primordial de um código de ética profissional não é de normatizar a natureza técnica do trabalho. também. a de assegurar. de atender à evolução do contexto institucional-legal do país. contribuindo para o fortalecimento e ampliação do significado social da profissão. os colegas de profissão e os usuários ou beneficiários dos seus serviços. e. pessoal e coletivamente.

§ 2º . (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.aqui no Brasil não é assim. 2003). até porque pode gerar polêmica diante da falta de informação da maioria dos psicólogos sobre esse assunto. que Estabelece a notificação compulsória.. os envolvidos e para si. Art.Sobre o sigilo O tipo de informação que vou descrever aqui. e existe sim a obrigatoriedade de denunciar casos graves de risco de vida da própria pessoa ou de terceiros. do caso de violência contra a mulher que for atendida em serviços de saúde públicos ou privados (Fonte: http://www.html). guarda ou vigilância. DE 24 DE NOVEMBRO DE 2003. o ECA (BRASIL. Assim sendo. maus-tratos (de quaisquer tipo) contra criança – LEI N.reclusão.1990) Suicídio pode ser enquadrado aqui. conforme dispõe o artigo 13: ―Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade..leidireto. quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis. de 13. 2003) é explícito em legislar a obrigatoriedade de notificação dos casos. § 3º . e nos similares.Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena . ou multa.Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade. independentemente de certeza ou confirmação dos fatos. § 1º . sem prejuízo de outras providências legais‖ (BRASIL. explorações.LEI No 10. em todo o território nacional.reclusão. abusos e negligência:  Art. dificilmente cai em concurso. 1o Constitui objeto de notificação compulsória.Aumenta-se a pena de um terço. a suspeita de violência contra uma criança ou adolescente deve ser anunciada. por isso haverá quebra de sigilo por força de lei (que como já expliquei é maior que o Código de Ética da profissão).detenção.com. Mas vale para informação. DE 13 DE JULHO DE 1990.7. ensino. 136 . a violência contra a mulher atendida em serviços de saúde públicos e privados.Se resulta a morte: Pena . para fim de educação.br/lei-10778. abusos. ficando o psicólogo responsável por relatar aquilo que gerar o menor prejuízo para a pessoa.069. maus-tratos. tratamento ou custódia.ambito-  . (Fonte: http://www. torturas. Para os casos de transgressão.  Violências. 8. mas coerente com a verdade e a ética: Violências. O psicólogo é obrigado a denunciar nos seguintes casos.069. de 2 (dois) meses a 1 (um) ano. no território nacional. A lei é maior que o código. se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos. explorações. que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. de 4 (quatro) a 12 (doze) anos. quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena . quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado. geralmente eles cobram o mamão-com-açúcar que está escrito no Código mesmo. Não se iludam com essas séries americanas e filmes de Hollywood que mostram uma briga cinematográfica sobre privilégio entre paciente e terapeuta. abusos. maus-tratos (de quaisquer tipo) contra a mulher .778.

a vida me ensinou (com muita dor e suor) que cada um tem o seu trabalho. há sim a obrigatoriedade de denunciar. como há para incapazes como crianças. explorações. Ética Profissional . 57. mas assim que encontrar eu coloco aqui.isso tudo é crime no Brasil. Inclusive. aplicada em dobro no caso de reincidência. mas também não quero ser ofendida por causa da minha postura.planalto. o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos. a sua competência. Art. também deve haver denúncia. achando que é o senhor de todo o conhecimento absoluto da humanidade. suicídio assistido. mas sim expressam quem sou! . e vi psicólogo arrogante. Deixar o profissional de saúde ou o responsável por estabelecimento de saúde ou instituição de longa permanência de comunicar à autoridade competente os casos de crimes contra idoso de que tiver conhecimento: Pena – multa de R$ 500.. mas por principio de simetria. mas não sou. DE 1º DE OUTUBRO DE 2003. o que quero enfatizar: CUIDADO com esses filmes americanos que entulham a nossa cabeça com aquelas discussões sobre o privilégio entre o paciente e o terapeuta – aqui no Brasil. Vocês podem achar que eu sou omissa.htm)  E por tabela. Enfim.741. me salvou dessa armadilha dolorosa de achar que um diploma na mão é maior do que o minha condição de ser! Eu sou um ser maior que qualquer habilidade que tenha. que estabelece o Estatuto do Idoso.br/ccivil_03/leis/2003/l10. maus-tratos (de quaisquer tipo) contra o idoso – LEI No 10. Como disse. não encontrei a lei sobre violência contra o deficiente físico e mental. Não quero convencer ninguém. calar-se diante de paciente que relata planos de assassinato e suicídio. Inclusive. o seu sonho. e compartilhar não é ofender.gov. poi essas não me definem. por isso. E vice-versa.00 (quinhentos reais) a R$ 3.com.Parte D Sobre a nossa atuação Antes.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=4021&revista _caderno=12)  Violências. esse é o precursor de todos os direitos fundamentais estipulados na nossa Constituição. vi médico responsável e ético.741. eu me vi uma dessas pessoas arrogantes! Estudar a cabala me mudou.00 (três mil reais). no Brasil. (Fonte: http://www. abusos.000. apenas um aviso: Sonhar não é crime.juridico. os deficientes mentais também são vistos como incapazes parciais ou totais.. por isso. não se iludam também – eutanásia. aborto.

as pessoas cada vez mais querem ser iguais. os blogs de moda são os mesmos. é real.mas as pessoas acreditam. é o limite final das nossas ações.. ao mesmo tempo. Sou romântica. do fast food.. ter bens materiais. ou pior. ter poder. ter fatia de mercado. cada um sabe o que é importante! Mas. as roupas na vitrine são iguais. mas ao mesmo tempo como massificadora . meu maior sonho. não buscam saber. ou pior. coloquei como forma de crítica).essa é a era da depressão. ao infrigi-las seremos punido concretamente.a lei.. É preciso que deixemos de ser seguidores. ter boa posição social. Triste! Principalmente para as . e ser o meu melhor (seja esse melhor qual for). informações governamentais distorcidas . sem medo de assumir a responsabilidade por pensarmos sozinhos. A maioria quer ter: ter uma imagem boa.pensar como a banca! Mas nós seres humanos precisamos aprender a pensar para a vida.Eu respeito isso.AFFFF! As pessoas muitas vezes reproduzem o que outros falam. assim aprendi a construir aos poucos quem eu sou.. e não apenas a punição social (aquela do convívio. é nos olharmos com respeito. A maioria das pessoas tem medo de ser. pois cada um acha que deve defender algo em uma luta.. se vestem igual. da exclusão. cada um do seu jeito!) . sem ao menos verificar se o que está na informação é fundamentado. a luta impede o diálogo. por exemplo. E continuo a minha caminhada. Nós vemos isso muito em jornais que promovem linchamentos morais. querem ser magras porque a moda diz que tem que ser assim. da hiperatividade! Hoje. e isso é muito doloroso. é o que vende. se você tem um corpo diferente do que está na moda você é que está por fora (e não a pessoa que faz tudo para se enquadrar no padrão?!?!?!). em uma sociedade humana. não querem saber. até porque em concurso você deve fazer o que a banca determina . que também é horrível!). achando que tudo é finito? Em guerras todos perdemos (seja o tipo de guerra que for. eu sei! Isso não cai em concurso (não cai mesmo. Mas que algo é esse? Porque ainda pensamos de forma tão limitada.. as revistas são as mesmas. é solitário! Mas. só preciso ser o que desejo ser.. estamos sofrendo muito no ponto em que chegamos hoje na humanidade . e respeitar as pessoas que também são (são o que pensam ser. não preciso escolher uma posição para defender. os comerciais vendem o mesmo perfil de moda. se você se veste fora do padrão normal muitos te olham como se fosse exótico. Meu sonho. ter respeito. verbal ou física). defendem políticas sem fundamentos.Não vejo a vida como uma luta. e por expressá-los. as cores são as mesmas. Sempre fui muito rechaçada por querer ter os meus pensamentos. vemos a moda como veículo de estilo individual.

E como é ampla a quantidade de comportamentos que podemos ter quando a lei não proíbe. cada um sabe a sua resposta. estudados e graduados. mas já adianto não sou a favor. na lei. Aqui no Brasil. e muitos podem não concordar. mas o próprio povo se submete à lei. O que nos é obrigatório foi definido na lei que criou a profissão. e por mais que tenhamos a ilusão de liberdade. o resto é apenas diretriz de atuação. DE 21 DE JANEIRO DE 1964 - . mas a sociedade é guiada por lei: nós podemos fazer tudo que ela não proíbe. e não adianta chiar. mas sim por causa do direito fundamentalíssimo à vida (a questão era: o que é vida? Ela começa quando respiramos ou quando o espermatozoide entra no óvulo? Isso é fundamental para que o STF defina de vez se pode haver aborto ou não). pois cada um sabe o que é importante para si! Pra mim. estou falando de forma genérica. são essas leis que impõem um limite final às nossas ações (se infringi-las será punido. Bom. que é um problema crônico no Brasil? Fingir que não acontece ou fazer algo? Ou continuar achando que os médicos são o maior problema da saúde no Brasil? Não sei. temos a sensação de que as coisas deveriam ser conforme a vontade do povo. quando estamos em grupo.464. a gente tem mania de questionar e exigir coisas muitas vezes sem compreender a fundo o porque. ou só o que ela permite (em alguns casos). E que não são os médicos que desviam!!!!!! Cadê o portal transparência do detalhamento minucioso da mão de quem veio e por quem passou esse dinheiro público? Porque tem dinheiro (e muito) afetado (direcionado) mas a gente continua sem ver os remédios. o STF (nosso guardião da Constituição) demorou muito para decidir sobre o aborto de anencefálos. para que se mantenha a ordem social – a civilização). Nós psicólogos também só fazemos o que a lei impõe ou tudo que a lei não proíbe. mas também não sou contra! Me preocupa mais. as macas no hospitais? Ate quando você vai aceitar ver estádio de futebol pronto e gente morrendo em hospitais de doenças derivadas da fome e miséria (ou de forma menos chocante = da subnutrição)? Ou você acredita que governo assistencialista resolve alguma coisa? Indo mais fundo: o que podemos fazer? Me pergunto isso todos os dias: como mexer com um vespeiro. vou falar do ato médico. regularizada no DECRETO Nº 53. não por causa de motivos religiosos. o desvio de milhões e milhões do SUS. o código de ética apenas aponta alguns comportamentos que podemos ter nesse leque que a lei não proíbe.. Nós nos comportamos como se a sociedade fosse guiada por um senso comum – ―a voz do povo é voz de Deus‖ – e isso é uma falácia. falando do direito à vida. que leva à morte de milhares e milhares de pessoas. como nós. sinto pros que discordam.pessoas que possuem acesso à informação. o importante é pensar e achar a minha própria posição! Estudar para concurso reacendeu essa paixão de pensar a Psicologia e a nossa atuação.. os produtos. e. por enquanto. e isso foi bom! E só de curiosidade. e não obrigação. E o que nós podemos fazer está definido aqui.

Regulamenta a Lei nº 4.119, de 27 de agosto de 1962, que dispõe sobre a profissão de psicólogo:
Art. 4º São funções do psicólogo: 1) Utilizar métodos e técnicas psicológicas com o objetivo de: a) diagnóstico psicológico; b) orientação e seleção profissional; c) orientação psicopedagógica; d) solução de problemas de ajustamento. 2) Dirigir serviços de psicologia em órgãos e estabelecimentos públicos, autárquicos, paraestatais, de economia mista e particulares. 3) Ensinar as cadeiras ou disciplinas de psicologia nos vários níveis de ensino, observadas as demais exigências da legislação em vigor. 4) Supervisionar profissionais e alunos em trabalhos teóricos e práticos de psicologia. 5) Assessorar, tecnicamente, órgãos e estabelecimentos públicos, autárquicos, paraestatais, de economia mista e particulares. 6) Realizar perícias e emitir pareceres sobre a matéria de psicologia.

Pronto, isso é o que a lei nos assegurou. As resoluções do CFP giram sempre em torno do que está na lei, e não podem fugir muito, pois não possuem força de lei. Essas resoluções apenas indicam os caminhos que o psicólogo pode seguir, se quiser. A Neuropsicologia, por exemplo, foi reconhecida como prática da Psicologia pelo CFP, o que isso quer dizer? Que a partir daquele momento psiciólogos poderiam ter o título de neuropsicólogo e seguir alguns passos para atuar na área – só isso. Antes disso, existiam vários que trabalhavam com neuropsicologia (eu era uma), mas não podiam colocar em seu currículo o título, por este não ser reconhecido pelo CFP. Ou seja, trabalhar você pode com qualquer coisa que não fira os princípios da profissão estabelecidos pela Lei, se isso ocorrer, o Conselho poderá analisar o que foi feito contra a profissão e a sociedade no exercício da profissão, porem não poderá imputar crime à ação, apenas sanções relacionadas ao exercício da profissão, como veremos no código. Compreendem a diferença? E o que é mais profundo, eles só podem aplicar sanção em casos onde o psicólogo ferir as atribuições profissionais, e em exercício dessas, estipuladas na lei. Quando a lei diz que podemos trabalhar com solução de problemas de ajustamento, isso quer dizer que podemos usar qualquer técnica embasada cientificamente – qualquer, desde que embasada cientificamente (as resoluções do CFP não podem estipular o que será feito, qual linha deve ser para cada caso...), por isso que há uma variedade grande de linhas de intervenção e atuação, e isso é lindo!!! É uma pena que os psicólogos encarem isso como um lema de vida, reduzindo a sua capacidade pensadora a apenas seguir um teórico – reduzindo a sua vida a uma linha teórica da profissão. Eu sempre falo isso, e sempre vou falar: Eu sou maior que a minha profissão. Tenho muitas habilidades como todos os seres humanos. Temos que parar com essa perversão de achar que com 16 anos vamos escolher uma profissão para a vida toda...e nos cursos de graduação de Psicologia isso se propaga – as pessoas acham que tem que escolher uma linha teórica para a vida toda. Posso ser psicanalista hoje e behaviorista amanhã...não sei as transformações da minha vida, não sei quais serão as minhas necessidades amanhã, não sei se morrerei trabalhando com psicologia...a vida muda, a sociedade muda, nossas necessidades e pensamentos mudam...e se o psicólogo não acreditar em mudança, é momento de rever a carreira que escolheu...diria que esse seja um dos principais requisitos para seguir essa profissão. Outro ponto que posso ressaltar é que é possível sim estudar a aplicabilidade de práticas místicas, milenares e adivinhatorias, religiosas e afins, desde que respeitados critérios

científicos reconhecidos, e, após isso, utilizá-las na prática. Não há nada que impeça isso, apenas o senso ético de respeitar o padrão científico (seja ele qual for) reconhecido nas comunidades de pesquisa. Sim...a minha ideia é desbitolar a maioria da ideia errônea de que a Psicologia é apenas o que escreveram há 100 anos...A ciência mudou junto com os avanços da sociedade, e com as demandas da sociedade, precisamos acompanhar isso! Mas lembre-se: é preciso critério científico comprovado! (Bock. Furtado & Texeira, 2003) Olha que lindo o que a Bock (eu sou fã dela) escreveu:

―Hoje, a Psicologia ainda não consegue explicar muitas coisas sobre o homem, pois é uma área da Ciência relativamente nova (com pouco mais de cem anos). Além disso, sabe-se que a Ciência não esgotará o que há para se conhecer, pois a realidade está em permanente movimento e novas perguntas surgem a cada dia, o homem está em movimento e em transformação, colocando também novas perguntas para a Psicologia. A invenção dos computadores, por exemplo, trouxe e trará mudanças em nossas formas de pensamento, em nossa inteligência, e a Psicologia precisará absorver essas transformações em seu quadro teórico. Alguns dos ―desconhecimentos‖ da Psicologia têm levado os psicólogos a buscarem respostas em outros campos do saber humano. Com isso, algumas práticas nãopsicológicas têm sido associadas às práticas psicológicas. O tarô, a astrologia, a quiromancia, a numerologia, entre outras práticas adivinhatórias e/ou místicas, têm sido associadas ao fazer e ao saber psicológico. Estas não são práticas da Psicologia. São outras formas de saber — de saber sobre o humano — que não podem ser confundidas com a Psicologia, pois: • não são construídas no campo da Ciência, a partir do método e dosprincípios científicos; • estão em oposição aos princípios da Psicologia, que vê não só o homem como ser autônomo, que se desenvolve e se constitui a partir de sua relação com o mundo social e cultural, mas também o homem sem destino pronto, que constrói seu futuro ao agir sobre o mundo. As práticas místicas têm pressupostos opostos, pois nelas há a concepção de destino, da existência de forças que não estão no campo do humano e do mundo material. A Psicologia, ao relacionar-se com esses saberes, deve ser capaz de enfrentá-los sem preconceitos, reconhecendo que o homem construiu muitos ―saberes‖ em busca de sua felicidade. Mas é preciso demarcar nossos campos. Esses saberes não estão no campo da Psicologia, mas podem se tornar seu objeto de estudo. É possível estudar as práticas adivinhatórias e descobrir o que elas têm de eficiente, de acordo com os critérios científicos, e aprimorar tais aspectos para um uso eficiente e racional. Nem sempre esses critérios científicos têm sido observados e alguns psicólogos acabam por usar tais práticas sem o devido cuidado e observação. Esses casos, seja daquele que usa a prática mística como acompanhamento psicológico, seja o do psicólogo que usa desse expediente sem critério científico comprovado, são previstos pelo código de ética dos psicólogos e, por isso, passíveis de punição. No primeiro caso, como prática de charlatanismo e, no segundo, como desempenho inadequado da profissão. Entretanto, é preciso ponderar que esse campo fronteiriço entre a Psicologia científica e a especulação mística deve ser tratado com o devido cuidado. Quando se trata de pessoa, psicóloga ou não, que decididamente usa do expediente das práticas místicas como forma de tirar proveito pecuniário ou de qualquer outra ordem, prejudicando terceiros, temos um caso de polícia e a punição é salutar. Mas muitas vezes não é possível caracterizar a atuação daqueles que se utilizam dessas práticas de forma tão clara. Nestes casos, não podemos tornar absoluto o conhecimento científico como o ―conhecimento por excelência‖ e dogmatizá-lo a ponto de correr o risco de criar um

tribunal semelhante ao da Santa Inquisição. E preciso reconhecer que pessoas que acreditam em práticas adivinhatórias ou místicas têm o direito de consultar e de serem consultadas, e também temos de reconhecer, nós cientistas, que não sabemos muita coisa sobre o psiquismo humano e que, muitas vezes, novas descobertas seguem estranhos e insondáveis caminhos. O verdadeiro cientista deve ter os olhos abertos para o novo. (pg. 33)‖
LIIINDOOOO! No mesmo decreto citado acima: Art. 1º É livre em todo o território nacional o exercício da profissão de psicólogo, observadas as exigências previstas na legislação em vigor e no presente Decreto. Parágrafo único. A designação profissional de psicólogo é privativa dos habilitados na forma da legislação vigente. Ainda na LEI 4119, de 28 DE AGOSTO DE 1962: Art. 13. - Ao portador do diploma de Psicólogo é conferido o direito de ensinar Psicologia nos vários cursos de que trata esta lei, observadas as exigências legais específicas, e a exercer a profissão de Psicólogo.

§ 1º Constitui função PRIVATIVA do Psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com os seguintes objetivos: a) diagnóstico psicológico; b) orientação e seleção profissional; c) oritentação psicopedagógica; d) solução de problemas de ajustamento. § 2º É da competência do Psicólogo a colaboração em assuntos psicológicos ligados a outras ciências.
Muito legal saber isso, né? Ou seja, não se assustem com o ato médico, ele não pode ferir isso, pois a lei deles não tem dispositivo que revoga esse parágrafo da nossa lei. O que eles reivindicam para eles é o diagnóstico nosológico médico, ou seja, eles querem ter o direito e o dever de definir se a doença é biológica ou psicológica, eles querem bater o martelo, mas isso não fere a nossa competência de dar o diagnóstico nosológico psicológico – nós podemos dizer se a sintomatologia que a pessoa apresenta é compatível com algum diagnóstico psicológico. Mas só o médico poderá confirmar – e aqui eu conto o meu caso: Eu sofria de hipotireoidismo leve, e o sintoma mais forte, e aparentemente o único, era compatível com depressão leve. Se eu confiasse apenas em um psicólogo, ficaria em tratamento psicoterápico de depressão, pois esse seria o diagnóstico nosológico psicológico; porém, eu só tomo homeopatia, e qualquer problema que tenho, independente de físico ou mental, primeiro vou ao homeopata (isso tem a ver com a filosofia da homeopatia), e foi assim que descobri o hipotireoidismo – com o diagnóstico nosológico médico. Não estou desmerecendo a nossa profissão, de forma alguma, e nunca fui desrespeitada por médicos, pelo contrário, eles buscam ajuda sim do diagnóstico psicológico (não generalizem os arrogantes, existem muitos que são sensatos e respeitam as outras profissões) – o que quero alertar, é que se eu confiasse apenas em um psicólogo poderia piorar muito do hipotireoidismo, e aí o tratamento seria mais custoso para mim. Com essa minha situação, fiquei pensando na nossa responsabilidade com o ser humano também, pois é muito egoísmo do psicólogo achar que tudo que parece emocional é psicológico. No meu caso

Diferentemente de algumas outras profissões. apesar de parecer depressão leve. apenas os mais arrogantes faziam diagnóstico desse tipo sem avaliação psicológica do paciente. os psicólogos responsáveis me diriam que o meu quadro poderia ser compatível com um problema sistêmico ou neurológico. do que por pessoas que se importam de fato com o ser humano que atendem. se for decidido que qualquer procedimento médico deve ser primeiro avaliado por um clínico geral. penso que esses são profissionais que se preocupam mais com o enquadre do DSM IV ou do CID.. independente de médico. o papel de todos os profissionais de saúde. o ato médico impedirá que estudantes de medicina atuem como médico. e não o rótulo que eles carregam (existe muita mais história e vida por trás de um simples diagnóstico – tratar o sintoma apenas. mas depois de um tempo eu pagaria um preço caro por isso! Nosso papel é colaborador – aliás. trariam essa possibilidade diante de um diagnóstico desse que eu aparentemente apresentava. ou seja. Tudo bem.. eu sei. E isso ocorre antes do ato médico. do que com a pessoa que está em tratamento. sensatos e bem preparados profissionalmente. focar apenas na lista que o diagnóstico trás de causas e sintomas. e aqueles despreparados? E como o psicólogo poderia dizer que mesmo com um diagnóstico psicológico compatível com depressão leve (no meu caso) eu poderia ter um problema sistêmico. estão retalhando o ser humano e assumindo a incompetência de interagir com outras profissões. além disso. Eu não estou nem aí pro que o médico faz ou deixa de fazer. Porém. o ato médico pode prejudicar os próprios médicos. mas os meios de alcança-lo são (os testes e técnicas psicológicas). hormonal. e não é fácil ser médico. se na graduação a gente não tem matérias que expliquem isso? Eu ficaria a mercê de um tratamento que poderia me auxiliar muito no início.isso é péssimo para eles também! . Quando vejo psicólogos questionando o ato médico. Inclusive. mas eu vejo essa baboseira toda de ato médico mais como uma luta de ego por um pedaço de mercado. o meu problema era de tireoide. é desmerecer a sua história. por isso os médicos não podem fechar por completo o diagnóstico nosológico com características psicopatológicas – se o fixarem sem embasamento psicológico. tratamos o ser humano (e com ele seus sintomas). as pessoas procuram psicólogos livremente. e o ato médico possibilitará que esse médico vá para a cadeia sem grandes manobras do CFM. inclusive o dos médicos – diversas pesquisas mostram que o tratamento psicológico e o farmacológico juntos são muito mais eficientes. Esse assunto é polêmico. é apenas enquadrar a pessoa em uma curva estatística de normalidade – qual a diferença desse comportamento para o do médico que passa o mesmo medicamento para todo mundo?). o diagnóstico nosológico psicológico não é privativo do psicólogo. é desmerecer a pessoas que está atrás desse diagnóstico. sim. sei que tem um dispositivo na lei deles que diz que a prescrição do diagnóstico nosológico será privativa do médico. Mas quem atendeu por convênio sabe que os convênios (a maioria) só paga os outros profissionais se o paciente tiver um pedido de tratamento feito por médico. eu também sei que esse dispositivo legal da margem a se pensar que não poderemos mais encaminhar para o médico pedido de avaliação. é o trabalho deles. E arrogantes existem em qualquer profissão – já vi e vejo muito psicólogo arrogante por aí!!!! Os behavioristas aprendem cedo que o rótulo diagnóstico é o que menos importa. E. Médicos podem matar uma pessoa com uma dose errada de remédio. A cupa é dos médicos? Não sei! Alguém tem como provar que é dos médicos ou que é dessas operadoras de saúde que pagam uma miséria a cada 3 meses? Acho que é hora dos profissionais se unirem para mudar as ações das operadoras de saúde!!!!!!! Essas desrespeitam os profissionais e os usuários! Outro aspecto a ressaltar.. porque já fizeram terapia ou souberam de alguém que fez terapia. e outros pequenos benefícios para o usuário. Sei que muitos psicólogos responsáveis. éticos.. por experiência.não foi real.

você só pode dirigir a palavra para um juiz através do seu advogado – isso é monopólio ou não é? Você. e outros que posso não saber. ficam andando de um lado pro outro (o que é feito por um técnico jurídico em qualquer outro país). as grandes causas..não defendeu em nada a profissão. como disse antes. isso é briga de ego. eles não sabem fazer mais nada – a não ser abrir a barriga e ver o que tem. tem que pagar (e caro) um advogado para exigir um direito seu.Enquanto lutamos por um pedaço de mercado. o jeito é fazer denúncia no Ministério Público. ou nas cordas vocais. que eu estou fora. e o Juiz aceitar a denúncia. habeas corpus. se não tiver como enquadrar em um diagnóstico. Em qualquer país evoluído do mundo.. Creio que antes de lutarmos contra o ato médico. pois os próprios pacientes não querem dialogar. hormônio ou no cérebro. pedagogia ou tecnólogo em gestão de pessoas. como muitos acreditam. E confesso que me preocupa mais o acesso ao Judiciário ser exclusivo de advogados.. nós temos que olhar o nosso umbigo primeiro.. pensa em entrar com mandado de segurança – só poderá fazer isso se tiver muito dinheiro sobrando... no Brasil. pois achei um absurdo restringirem uma área que todos sabem que psicólogo atua sem precisar de pós-graduação. o paciente sai perdendo. diferente do que vocês assistem em filmes americanos. qualquer outra profissão afim. a Clínica psicológica é maior que isso. muito médicos são cientes da importância do apoio psicológico. divórcio). mas o próprio paciente não quer. Temos um estigma de só cuidar de “doidos” e que “falação não adianta nada” e que “isso é coisa de rico” e que “curandeiro faz a mesma coisa”. mas são pequenos. E eu acho que nós psicólogos somos tão mais complexos e profundos do que simples remédios e exames e diagnósticos). do que os médicos quererem ficar dando código do CID pra todo mundo. desde que se tivesse pós-graduação em gestão de pessoas. apenas emito a minha opinião de uma usuária maior que a sua profissão. maior que biologia (isso é pra médico mesmo – é só isso que eles sabem enxergar hoje em dia. eles querem o remédio e ponto final. Se não tiver exames e exames físico e clínicos. Quem faz concurso e fica indignado.. trazer. e eu lembro que na época eles exigiam diploma de administração. Teve um edital do Serpro em 2010. fiquei indignada com isso! Eu lembro que liguei no CRP e reclamei. fisoterápica. aqui no Brasil. seja criminal seja civil ou familiar (por exemplo. . cidadão de bem. como usuária eu vou primeiro ao médico para ver se não estou com algum problema maior de visão. e não posso impor ao outro algo que não farei e não faço. rezar pra eles acatarem. o bacharel em direito é um consultor jurídico. encaminharem para o Judiário. você só pode falar com um Juiz de Direito por intermédio de um advogado.ele quer a bolinha e ponto final. que abriu pra Analista de Recursos Humanos.. Infelizmente. se não me engano. câncer. e o que eles fazem é muito triste.temos muito que cuidar olhando o nosso próprio umbigo: mudar a cara da profissão. Mas. pois é parte da nossa grade de graduação. ou no pé. ou. nós psicólogos temos muito que mudar em nossa profissão. aquelas que são significativas para sua vida. habeas data. Essa é a minha opinião. salvo pequeníssimas exceções: pequenas causas. Eu escolho não me posicionar nem contra e nem a favor. inquérito administrativo. E ainda tem as diversas outras áreas de atuação que não são conhecidas. mostrar o que é Psicologia de verdade – Psicologia não é psicoterapia. levar. eu não vou fazer uma avaliação psicológica (fonoaudiológica. eu queria que defendessem a profissão. mas se eu tiver uma dor forte de enxaqueca (ou na coluna. e pensar em uma Psicologia maior que diagnóstico. eles que vão no tribunal carimbar papelada.. Como disse.Eu não queria que me defendessem. pois esse serviço é caro.. Sinto. de sistemas... Por isso que digo..) para saber se é estresse. O que o CRP fez? NADA! Ficou por isso mesmo. Nossa. e esse é um dos papéis dos Conselhos: defender a atuação profissional. Posso dizer que conheço psiquiatras. ou no musculo). se não tiver um medicamento para prescrever.

e ainda atribui isso para todo o tempo que a pessoa fizer o tratamento. precisamos de um princípio para começar a intervenção. sobre o corpo da pessoa. psicólogos – nós de fato somos consultores. é cura? Nada contra... Eu não sou assim. como disse. ou que tudo é “enquadrável” em um determinado padrão de respostas porque a pessoa tem um determinado diagnóstico.). A escolha é minha e não dele.. assim.Sabe o que aconteceu? Eles fizeram obturação normal. mas não decide sobre a minha vida. Cansei de ir ao dentista. Respeitar não quer dizer se submeter. e ele virar pra mim e falar que tinha que fazer canal no meu dente.. avaliação e análise (isso para os profissionais mais sensatos). Acaba no reducionismo de que tudo é biológico do mesmo jeito.. e essa medicina trata as pessoas e não as doenças como a alopatia faz. mas respeito a postura de quem é.. A prática passa a ser linear apenas: Se tem o diagnóstico X. e se queimar não vai ser a dela que vai queimar. a cara é minha. Como disse. diabetes. que não é possível se tratar sem saber o perfil que a pessoa se enquadra.na verdade. que o diagnóstico que é importante. Isso é verdade! E eu sei que utopia pra grande parte da população! Mas a educação em saúde tem que começar de alguma forma!!!! O médico é um consultor de saúde. da melhor forma possível. eu sou usuária. Esses dias fui ver depilação a laser na face (eu tenho vontade de chorar toda vez que vejo meus pelos na cara. então o tratamento terá que ser Y. Tratamos os sintomas (diagnóstico) ou tratamos as pessoas? As pessoas se reduzem aos seus sintomas ou os sintomas expressam alguns comportamentos da pessoa? Essas perguntas precisam ser respondidas para que você se defina como profissional. isso cabe a ela. Ela ficou com raiva .. por força da cultura milenar. ou uma avaliação para resumir uma vida inteira de história da pessoa a um diagnóstico padronizado. se vira. Percebem a diferença? Aí eu pergunto: como podemos dizer que tomar por 30 anos remédio alopático para transtorno bipolar. e quando fico doente eu vou primeiro ao médico – a diferença é que eu não dou o meu direito sobre a minha vida e o meu corpo para o médico.Mas. creio que o psicólogo se reduz a um paliativo. antes de ser psicóloga..um erro! Muitos médicos e psicólogos acham que basta uma consulta. precisamos de diretrizes sim.. Me alonguei de novo. que como disse é muito maior que qualquer diagnóstico dado pelo CID. e. O que questiono é reduzir a pessoas a isso. tudo tem que ser ferro e fogo. A médica foi jóia. porque acredita que o diagnóstico definiu a pessoa. ele nunca vai tratar a causa. eles se colocam na postura de decisão sobre a vida da pessoa. minha resposta: você não vai fazer. Os médicos são importantes porque os usuários atribuem a eles essa grande importância (eles são importantes sim. e você estudou para achar respostas para o meu problema. Eu cresci tomando homeopatia. explicou tudo. A alopatia trata os sintomas.. não podemos mudar o que os médicos fazem. pontual. mas também não vem dizer que é cura.só tem um detalhe: qualquer diagnóstico psicopatológico é muito complexo de ser dado. assim. a gente só tem que fazer a nossa parte. Se é bipolar vai ser assim. Aí que reside a diferença entre eles e nós. o dente é meu. hipertensão. ele me dá respostas para minhas perguntas. as pessoas aceitam passivamente. vamos focar na nossa competência. Os psicólogos realmente precisam decidir se querem tratar pessoas por trás do diagnóstico ou diagnósticos na frente das pessoas. os médicos. mas podemos mudar como a sociedade enxerga o psicólogo e a importância da nossa atuação na vida das pessoas. e eu nunca mais tive problema no determinado dente. não definimos nada da vida da pessoa. infelizmente. Nós podemos contribuir na melhora desse tratamento de 30 anos!!! Quando acreditamos que devemos tratar apenas os sintomas e que devemos dar o diagnóstico. A homeopatia cura a pessoa.E aí que está a brecha e a importância da Psicologia. Agora. eu não quero. mas eu não quis fazer. Fiquei com medo. como os médicos pensam. mas é importante a gente deixar de ver a vida como uma luta.. Eu faço a minha parte. a causa. Não desmereço isso. Quem não é sensato dá um diagnóstico em 50 minutos de consulta. exige muita observação. científicas. como todos nós somos).. infelizmente.

E pra pagar uma conta com cartão de credito? Você tem que comprovar que você é você. seria necessário pareceres de dois médicos apenas para que se tomasse uma decisão. Para finalizar deixo o artigo de Del Prette & Nascimento.isso pra mim é suficiente. porque demanda muito. (2) analisar alguns pontos dos projetos que teriam implicações à classe dos psicólogos. esclarecendo se eles interferem.ip. precisa chegar em um ponto de partida. pois é uma mudança para a vida... que às vezes só tem acesso ao medicamento que o médico prescreveu em uma consulta de 5 minutos. mas sim na educação da população para compreender que a vida deles não está apenas na mão dos médicos e dos medicamentos. assinar a via e ainda tem loja que liga lá na central do cartão para confirmar que você pode pagar. Outro exemplo: há uns 6 anos atrás. Este ensaio tem como objetivos: (1) esclarecer a origem e a história da criação desses projetos.. Sei que isso é utópico para o perfil da nossa população carente. Mas isso prova a cultura milenar de que o médico e dono da vida do paciente. nas . porém.porque queria me convencer que era seguro. Pra mim. estudos sobre os projetos são escassos e grande parte das produções que o criticam. compreender e decidir. o CFM uniformizou o entendimento da eutanásia.. Leandro Luis Santos Nascimento Instituto de Psicologia.br/portal/index.. essa luta contra o ato médico é o mesmo que o Governo Federal ficar fazendo campanhas e campanhas sobre a copa e o PAC para camuflar a crise moral. não se mexe. em casos terminais. é ilegal e inconstitucional. sabe que a papelada para legalizar essas situações é absurdas.mas um dia a mudança tem que começar. pra matar um ser humano só precisaria dos pareceres de dois médicos?!?!?!!? ABSURDO! O Ministério Público derrubou isso.. ou não. em http://www. mas eu não estava segura. educativo. O fato de a médica achar que é bom não me convence que é bom. afinal a cara é minha!!! É preciso diálogo e não convencimento.Ou fazer cota para universidades para resolver o problema que está nos ensinos públicos fundamental e médio de baixa qualidade! Isso é só paliativo. óbvio. ABSURDO!!!! Creio que o foco dos psicólogos não deve ser contra o ato médico. e vamos mudar a cultura da saúde. Nós psicólogos devemos buscar e exigir um sistema de saúde que funcione.Porém. política e econômica que estamos vivendo. Vamos parar de perder tempo com os médicos.. Até pra tomar posse em concurso é preciso comprovar um monte de coisa. ABSURDO! Quem já casou ou alugou um lugar.. multidisciplinar. Ainda assim. você tem que ter comprovante de tudo. eu que tenho que receber as informações necessárias. o fazem de modo infundado.php?option=com_content&view=article&id=1920:desatand o-o-ato-medico&catid=340&Itemid=91 Desatando o Ato Médico Unknoting the Medical Act Bill Giovana Del Prette . é o caminho correto.usp. não é? A gente é inteligente. onde tem que mexer. Ele se constitui em um dos temas mais polêmicos para as profissões de saúde – inclusive a psicologia – sendo alvo constante de manifestações e protestos. Universidade de São Paulo 1 2 RESUMO Ato Médico é o nome dado a projetos de lei atualmente em tramitação no Congresso Nacional. ela não tem que se impor.

O que é o Ato Médico? O primeiro projeto de Ato Médico (Projeto de Lei do Senado – PLS 25/2002) foi proposto em fevereiro de 2002. Yet. tomando um posicionamento de classe. instigate for the necessity of a greater attention to our same psychologist career regulations. Aconselhamos que. It is one of the most polemic discussion themes to all health care professionals – psychology including –. de pronto. É importante ler e estudar a lei. alegou "que o surgimento de inúmeras profissões de saúde gerou a necessidade de se delimitar e caracterizar legalmente o campo de atuação do médico. Por fim. instigamos a necessidade de maior atenção à regulamentação da própria carreira de psicólogo. enquanto "psicólogos" e "profissionais de saúde". Nesta primeira versão. que minimizariam interpretaçoes controversas e (4) discutir os principais vieses presentes nas críticas feitas aos projetos. em grande parte contra o Ato Médico. em dezembro do mesmo . clarifying if they interfere.em campanhas. o PLS 25/2002 contava com cinco artigos e criou grande rebuliço entre os profissionais de saúde e suas respectivas entidades de classe (Comissão de Constituição. o objetivo deste ensaio não é argumentar "contra" ou "a favor" do Ato Médico. that could minimize interpretation issues and (4) discussing the main critics' biases made to these projects. às vezes nem sequer se distinguindo uma da outra. vamos apresentar o que é o Ato Médico. Justiça e Cidadania. Quando isso acontece. antes do leitor prosseguir pelo corpo deste ensaio. CRP. na íntegra. A seguir. Key-words: Medical Act Bill. os projetos de lei (Projeto de Lei do Senado .in currency study in Congress. das duas versões mais recentes do Ato Médico. ao final. Porém. Finally. pelo Senador Geraldo Althoff que. psicologia ABSTRACT Medical Act is the name given to a group of bill projects currently under study in Congress. A mobilização resultante contribuiu para a alteração de alguns artigos deste e. legislação. (2) analyzing some of the most relevant project aspects wit consequences to the psychology profession. por fim. legislation. No Apêndice A. in the authors' opinions. manifestações e reivindicações que perduram há alguns anos.PLS 268/2002 e Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado . normalmente por email. Conselhos das Profissões de Saúde. we have the current goals: (1) clarifying upon the origin and history of these projects. as informações (fatos) juntamente com as opiniões (interpretações sobre fatos). constant target of demonstrations and claims against it. na visão dos autores. está disponível uma tabela comparativa contendo os artigos. É possível que a maioria dos psicólogos e outros profissionais de saúde já tenham recebido. uma vez que essas novas profissões passaram a atuar em atividades que. 2006). abaixo-assinados e artigos diversos. psychology Muito tem se falado sobre o Ato Médico .especialmente contra o Ato Médico . In this essay. 2004). or not. discutir vieses encontrados em alguns dos principais sites de posicionamentos sobre esse projeto. Palavras-chave: Ato Médico. de modo a permitir uma leitura desprovida de vieses.atividades da profissão. no passado. aumenta-se a probabilidade de reagirmos em função das opiniões. studies about these projects are scarce and most material criticizing it presents unfounded arguments.SCD 268/2002) ali dispostos sejam lidos cuidadosamente. demonstrar como a redação dos mesmos poderia ser aperfeiçoada e. esclarecer alguns dos principais itens (especialmente aqueles que geraram maior polêmica na comunidade dos profissionais de saúde). na época. Entretanto. mas sim analisar o comportamento de quem lê (ou não lê?) sobre ele e as divulgações encontradas a respeito. eram exclusivamente médicas" (Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. in its activities (3) pointing suggestions to improve the bill's compositions . o primeiro efeito deste movimento (não importando aqui sua intencionalidade) é que os profissionais da saúde têm recebido constantemente. (3) apontar sugestões de melhoria na redação do projeto que está em análise no Congresso. mais do que das informações.

e que o mesmo vale para artigos ou incisos. que representariam "o consenso obtido entre a Coordenação em Defesa do Ato Médico e o Movimento Contra o PLS 25/02" (Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. pois. o PLS 268/2002.em campanhas. na busca de "preservar o campo de atuação das demais profissões de saúde" (Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal.. enquanto seu parágrafos devem expressar aspectos complementares e exceções à regra enunciada e. Desatando o Ato Médico Neste ensaio. devido a pressões populares e de classe. Do mesmo modo que os projetos citados nos últimos parágrafos são frutos de uma constante alteração e aperfeiçoamento (resultado para o qual o processo bicameral foi criado). Justiça e 3 Cidadania da casa. mais do que das informações. Muito tem se falado sobre o Ato Médico . estes parágrafos podem desdobrar-se em incisos. manifestações e reivindicações que perduram há alguns anos. estudaremos somente os projetos ainda em discussão no Senado. denominado Substitutivo da Câmara dos Deputados (SCD 268/2002). O Art. resumidamente.ano. não há hierarquia entre suas unidades: compreeende-se que um parágrafo segundo (§2º) não é mais forte do que um §7º. 23 do mesmo decreto afirma que "As disposições normativas serão redigidas com clareza. "4. este é um órgão onde. o PLS 268/2002 e o SCD 268/2002." (p.".. razões para forte rejeição. cujo objetivo facilita a compreensão e consulta ao conteúdo da mesma.). em itens (ex: "1. Em 2006. Entretanto. o que nos fornece alguns pontos de discussão. Iremos dar. Após o devido trâmite. mas dentro do devido processo democrático. o Senador Antonio Carlos Valadares.especialmente contra o Ato Médico . 2006). organizou consultas públicas e propôs alterações ao PLS 268/2002. que desdobra-se em parágrafos (§) e incisos (ex: I. onde aguarda parecer do relator nomeado. as informações (fatos) juntamente com as opiniões (interpretações sobre fatos). por fim. por último. precisão e ordem lógica. às vezes nem sequer se distinguindo uma da outra.6) e não há qualquer outra menção sobre o ordenamento dentro de uma lei. discriminações e enumerações devem ser promovidas por meio dos incisos. comissão esta que. IV). a Comissão de Constituição. anos após sua criação e alteração. apresentados em tabela comparativa no Apêndice A. aumenta-se a probabilidade de reagirmos em função das opiniões. ocorrem grandes negociações e alterações de projetos. Além disso. 2006). o PLS 25/2002 foi rejeitado e arquivado em favor do PLS 268/2002. "d)") e as alíneas. em sua origem. sofreu mais alterações e deu origem a um projeto concorrente. Embora. Segundo o Decreto 4716/2002. A redação de uma lei segue regras específicas."). Após o processo no Senado. além de definir o campo de atuação do médico. o primeiro efeito deste movimento (não importando aqui sua intencionalidade) é que os profissionais da saúde têm recebido constantemente. historicamente. Quando isso acontece. As últimas notícias publicadas no site (em 02/03/2010) referem-se ao agendamento de uma votação para decidir se a matéria será remetida também à Comissão de Educação. trata dos conselhos profissionais de medicina e do processo e das sanções disciplinares" (idem). os inscisos em alíneas (ex: "a)". Cultura e Esporte. alíneas e itens (Decreto 4716/2002). Cada artigo deve ser restrito a apenas um assunto ou princípio. o conteúdo dos artigos dos projetos de . restará a esta matéria ser submetida à Sansão Presidencial para que se torne lei e é este um dos principais motivos pelos quais. de pronto. este "bem mais amplo que o anterior. além de já conter. longe da perfeição. para a criação de um projeto de lei concorrente. que deve indicar objeto e âmbito de aplicação da mesma. Justiça e Cidadania atenha-se apenas ao mérito legal daquilo que julga. regula o trabalho médico em seus aspectos trabalhistas e éticos. a matéria foi encaminhada à Câmara dos Deputados. acompanhamos um ressurgimento da mobilização política em torno deste tema. aqui. Este foi retornado ao Senado Federal (em 26/02/2010) e encontra-se na Comissão de Constituição. em 2006. Exceto pelo primeiro artigo de cada lei. menos conflito com as mesmas. ou §45º. a unidade básica de articulação de uma lei é um artigo (Art. destacamos que não há necessidade de dicotomia na discussão sobre o Ato Médico. O projeto inicial (PLS 25/2002) pode ter. em sua criação. portanto. o SCD 268/2002 precisará passar pela Comissão de Assuntos Sociais antes de ser votado. em teoria. Portanto o SCD 268/2002 ainda pode ser alterado e melhorado antes que o Senado Federal decida qual dos dois projetos será escolhido e submetido ao Gabinete Presidencial. que atualizou tais regras. um conjunto de garantias para outras profissões de saúde já regulamentadas e apresentando. Partindo da compreensão destes conceitos. Há uma mudança perceptível entre estes dois projetos de lei. mas o processo aqui descrito demonstra que a forma e a função do projeto se alteraram e passaram a melhor atender aos direitos de todas as classes envolvidas. descreveremos. especial atenção aos pontos que poderiam trazer implicações à profissão de psicólogo.

já a expressão "não são privativos". o §2º do Art. Com a descrição das funções que não são privativas do médico.4. o Decreto 53. embora alvo de críticas. descrevem-se as atividades privativas (como intubação traqueal. III – alterações anatômicas ou psicopatológicas. Ele afirma que tais tarefas não são privativas ao médico.119 de 1962 e contém a seguinte descrição: São funções do Psicólogo: I . (SCD 268/2002. caracterizada por. sensorial e perceptocognitiva e psicomotora. de economia mista e particulares. Dando prosseguimento ao estudo dos dois projetos de lei. 4 é o primeiro momento em que o psicólogo ou sua atividade são citados na lei: "Não são privativos dos médicos os diagnósticos psicológico. a profissão de psicólogo é implicada novamente no §7º.4: Diagnóstico nosológico é a determinação da doença que acomete o ser humano. enfermeiro. farmacêutico. (PLS 268/2002. existiriam possibilidades de melhoria na redação destes parágrafos. no campo da psicologia. nutricionista. §1º) Podemos observar. Art. fonoaudiólogo. 4º. A segunda expressão afirmaria que são tarefas do médico. descrevem-se as especificações técnicas das doenças. fisioterapeuta. II . O § Único (presente. chefia. farmacêutico. e isso é diferente de defini-las como "tarefas não privativas". instituições ou serviços de saúde" pois. fisioterapeuta. comentando aqueles mais significativos. nem afirma nem nega que essas sejam atividades médicas. paraestatais. 4. punção. cessação ou distúrbio da função do corpo. terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia e outras profissões correlatas que vierem a ser regulamentadas. mas apenas em parceria com um psicólogo. 5. A lei torna o médico dependente do psicólogo. texto esse que permite que outras leis definam um posicionamento sobre essas práticas. Art. fonoaudiólogo. biólogo. os projetos de lei PLS 268/2002 e SCD 268/2002 garantem ao psicólogo. nutricional e socioambiental e as avaliações comportamental e das capacidades mental. práticas privativas ao médico e as exceções para as mesmas. terapeuta ocupacional e técnico e tecnólogo de radiologia. em ambos os textos) esclarece: "A direção administrativa de serviços de saúde não constitui função privativa de médico".lei. o Decreto 53. com este parágrafo. 4. observadas as demais exigências da legislação em vigor. Art.464/64. pois ele não pode aplicar qualquer método ou técnica com esse objetivo. 1 a 4.Utilizar métodos e técnicas psicológicas com o objetivo de: a) diagnóstico psicológico. Isso é uma brecha que permite ao médico o tal diagnóstico? Sim. Em ambas as versões. biomédico. §7º) O objetivo deste parágrafo é deixar explícito que as funções médicas não vem alterar os atos dos outros profissionais de saúde providos de curso superior (graduação). Apenas define que esta lei não garante exclusividade do médico sobre as atividades descritas no parágrafo. profissional de educação física. aqui definida como interrupção. apenas os métodos e técnicas que tenham tais objetivos. no mínimo. conforme será discutido mais adiante.Em ambos os projetos de lei. Bem. É importante a distinção entre "cargos. aplicar injeção etc). com melhora da redação no SCD 268/2002. o diagnóstico nosológico incluiria o psicológico. (SCD 268/2002. §7º) São resguardadas as competências específicas das profissões de assistente social. aqui com diferenças entre os dois projetos: O disposto neste artigo será aplicado de forma que sejam resguardadas as competências próprias das profissões de assistente social. Ainda assim. sedação) e não privativas do médico (como fazer cateterizaçao. além do Decreto 53. contida no §2º. III . No Art. com relação às atividades de diagnóstico. o motivo da existência do §2º pois. psicólogo. e os projetos de lei em discussão não modificam tal estrutura. garante ao psicólogo (e a outros profissionais) as atividades de sua função.4). Como já explicado. Ainda no Art.464/64 não explicita que o diagnóstico psicológico é prática privativa do psicólogo. compreende-se sobre o que não há exclusividade. biomédico. definido no §1º do Art." (SCD 268/2002) A existência do §2º do Art. em dois momentos diferentes (§2º e §7º do Ar. II – grupo identificável de sinais ou sintomas.Realizar perícias e emitir Pareceres sobre a matéria de Psicologia (Decreto 53. a lei não submete os outros profissionais a uma hierarquia . enfermeiro. então. o §2º descreve exceções às atividades médicas de diagnóstico nosológico. sua atividade. Art 4) Ou seja. nos Art. mas compartilhadas com outras profissões. nutricionista. sistema ou órgão. No caso da psicologia. biólogo. sem ele. autárquicos.Ensinar as cadeiras ou disciplinas de Psicologia nos vários níveis de ensino. cujas atividades estão regulamentadas por lei.464/64. psicólogo.464 de 1964 regulamenta a Lei 4. Art.Dirigir serviços de Psicologia em órgãos e estabelecimentos públicos. 4. o próximo artigo. instituições ou serviços médicos" e "cargos. profissional de educação física. VI . 4º. lista cargos privativos do médico (direção. coordenação e ensino em cargos ou instituições médicas). 2 (dois) dos seguintes critérios: I – agente etiológico reconhecido. de modo idêntico.

como demonstramos nesse artigo.. aqui. II-grupo identificável de sinais ou sintomas. Essa melhoria contribui para a redução da possibilidade de brechas na lei.médica. ainda assim. causaram maior polêmica ou aqueles cuja imprecisão de redação poderia gerar conseqüências graves para o conjunto das profissões de saúde. Para exemplificar outro aspecto controverso. 7) a respeito de procedimentos experimentais em Medicina Melhorias na redação do Ato Médico A melhoria da redação do Ato Médico é algo que deve ser buscado e. 5 (SCD 268/2002). Mesmo após a análise realizada até o momento. aqui definida como interrupção. ficariam proibidos. mas é fato que as funções do médico ficariam agora estabelecidas em lei (mais rígida. Por último. podemos citar também a importância de diferenciar o que significa "direção administrativa de serviços de saúde" que. brechas que podem ser utilizadas não necessariamente para prejudicar um grupo de profissionais. Possivelmente. caracterizada por no mínimo dois dos seguintes critérios: I-agente etiológico conhecido. por exemplo. no §1º. aparentemente. sistema ou órgão. usualmente. seria possível pensar que o Ato Médico constitui uma "atadura" aos demais profissionais de saúde? Então. descrições semelhantes são frequentes e encontradas nos atos administrativos privativos de outros profissionais da saúde (como no referido Decreto 53. temos: "São atividades privativas do médico: I-Formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica". dos inscritos no Conselho Regional de Medicina com jurisdição na respectiva unidade da Federação" (SCD 268/2002).. no § Único do Art. melhor fiscalizada) e não somente pelo Conselho Federal de Medicina (vale lembrar que este órgão é administrado por médicos). pode se tratar de uma defesa. mas para interesses diversos como. cessação ou distúrbio da função do corpo. O primeiro problema. é que não fica claro como situar problemas de saúde que seriam da competência de outros profissionais. como demonstramos. para efeito desta Lei. 4 (SCD 268/2002). com um médico (e este que poderia encaminhar. já vem acontecendo desde o PLS 25/2002. ou não. Alguns pontos dos artigos poderiam ser melhor definidos e. é definida como não exclusiva do médico. por exemplo. mas pode ser confundida com "direção. dos itens I e II do mesmo artigo. grande parte dos psicólogos já faz encaminhamentos à psiquiatria para solicitação de diagnóstico mas. para o médico. Isso causou grande estardalhaço em torno do projeto de lei. uma abertura legal para um plano de saúde restringir o acesso de seus clientes a psicólogos e a terapias mais longas como forma de baratear seus gastos. necessariamente. Além disso. no §3º. algo que já ocorre a despeito da criação dessa lei. por exemplo. no fim das contas. Mas. na administração de planos de saúde. que seriam privativos do médico. muito embora tal afirmação seja negada nos §2º e §7º. chefia e coordenação". o que também é fonte de interpretações dúbias. a definição de diagnóstico nosológico: "(. nesse conjunto de trechos. Vieses sobre o Ato Médico . apenas aqueles que. ao enfatizar que não é função privativa do médico a direção em serviços mais abrangentes – de saúde. damos destaque para aqueles cujas críticas teriam implicações diretas para a classe de psicólogos. Isso é reafirmado no Art. 6: "A denominação de Médico é privativa dos graduados em cursos superiores de medicina e o exercício da profissão. transtornos psiquiátricos (que atendem aos critérios II e III). esse ponto poderia ser interpretado como uma obrigação para que o paciente do psicólogo consulte-se antes. os projetos finalizam com um artigo (Art. No Art. os trechos destacados podem gerar margem para diferentes interpretações da lei. qual poderia ser a sua função? Em que medida essa função nos seria útil? Evidentemente. sua primeira versão. com esse texto. IIIalterações anatômicas ou psicopatológicas" e. encontram-se referenciadas na décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde". Uma vez que o CID-10 inclui. Este ensaio não pretende esgotar todos os pontos do projeto de lei que precisariam ser revistos. Certamente o caráter dessa defesa é discutível: reserva de mercado ou proteção da saúde comum. das funções do psicólogo). ao psicólogo). de chamar de Transtorno Obsessivo-Compulsivo um conjunto de padrões de comportamentos de seu cliente. "As doenças.464/64. onde a descrição de suas atividades poderia contribuir para evitar a prática ilegal de medicina (disfarçada de prática alternativa nova). na visão particular dos autores. a despeito de evidências suficientes para isso.) restringe-se à determinação da doença que acomete o ser humano. Outra questão é que.

o número um na busca do Google . Contudo. como entre aqueles contra o mesmo. sobre o inciso XI do Art.. No mesmo site.br.com.atomediconao. vieses estes que podem ser encontrados tanto entre os grupos que se posicionam a favor do ato. VI – supervisão do programa de interrupção da ventilação mecânica invasiva.naoaoatomedico.portalmedico. Segundo a justificativa. e não se este viés é intencional..com.atomediconao. conhecida ferramenta de pesquisa (www. uma página do www. com a expressão "não ao ato médico". Tampouco há link para o PDF da lei. Um exemplo a respeito de vieses de conteúdo. supervisiona.br) . já existente na data em que os textos foram escritos. atualmente deveriam basear-se somente nos outros dois. em 90% dos hospitais do Brasil (clique aqui). o Estado deve exigir que os profissionais da saúde saibam reconhecer os problemas que colocam em risco a vida saudável.br e o www. Outro viés. busca realizada em 25 de fevereiro de 2010). e isso é um viés ao leitor.atomediconao.) (www. Já na busca. Ele pode "não ler" os comentários? Pode. talvez inclusive mais grave.br. há dificuldades para se compreender que o PLS 25/2002 não tem mais valor e que todos os posicionamentos.org. bem como as mudanças necessárias diante das intercorrências clínicas. o fisioterapeuta planeja. Uma primeira busca no Google. V – definição da estratégia ventilatória inicial para a ventilação mecânica invasiva. Ou seja. no Google. V e VI do Art. ambos os projetos de lei (PLS 268/2002 e SCD 268/2002) estão disponíveis porém. ou o local onde ele esteja disponível (como o próprio site do Senado).com. porém. Na primeira página dos resultados encontrados com a primeira expressão ("sim ao ato médico"). No site www.atomediconao. Ele pode procurar no Google o PDF original? Pode.com. com a expressão "sim ao ato médico" gera 1930 resultados. O Estado não pode admitir que os médicos realizem prognóstico em áreas para as quais eles não possuem treinamento (. inclusive a realização do prognóstico. não raro. como já destacados. 4. garantem as atividades das profissões das áreas às quais os médicos não possuem treinamento. executa a ventilação mecânica e realiza a desintubação.br. pois ignora a importância dos §2º e §7º que. Ainda nos resultados da primeira página do Google.com. pode ser encontrado em um dos argumentos de propostas de mudanças nos artigos de ambos os projetos de lei. é provável que tal confusão também esteja relacionada à peculiaridade dos termos legais e organização apresentados pelo site do Senado.)". foi encontrado na justificativa da solicitação de retirada dos incisos IV. aqui.br é: "Solicitamos que seja suprimido o inc XI ou que seja mudada a redação para: 'XI – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico médico'. incluindo a desintubação traqueal" (PLS 268/2002). 4: "XI – determinação do prognóstico relativo ao diagnóstico nosológico" (SCD 268/2002). Portanto. o fisioterapeuta realiza inclusive a intubação. a ordem apresentada facilita mais ao leitor dizer não do que conhecer sobre o que se está dizendo não. conforme já argumentamos neste ensaio a respeito da necessidade de melhorias na redação para diminuir a possibilidade de interpretações ambíguas.Identificamos algumas variáveis que parecem contribuir para os vieses no discurso a respeito do Ato Médico. podemos perceber diversos pontos que contribuem para distorcer as informações sobre os projetos de lei. owww.atomediconao. Em parte. desde a maneira como as páginas estão estruturadas e o modo como os projetos são apresentados ao leitor. Mas essa forma de apresentação das informações diminui a probabilidade disso acontecer. a cada artigo ou parágrafo. Notamos. encontramos dois sites atualizados e reconhecidos. PLS 268/2002 e SCD 268/2002. surgem questões de ordem prática." Já a justificativa para mudança é assim descrita: "Para garantir os interesses da população. o qual já foi arquivado pelo Senado. A solicitação encontrada emwww.com. ainda neste site. A primeira página da pesquisa apresenta links para textos desatualizados em mais de cinco anos e que ainda se referem ao PLS 25/2002.. que o conteúdo apresentado nesta baseia-se no PLS 25/2002 (rejeitado e arquivado há mais de três anos) e não apresenta qualquer menção aos projetos que estão ainda em estudo. observamos que grande parte dos links direciona a sites opositores ao ato médico e há um único link para um site favorável ao projeto.google. seja a favor ou contra. acessado em 25/02/2010. Também.org. até questões referentes à forma e ao conteúdo dos argumentos apresentados. Na primeira página do site www.. Não é demais salientar: aqui discutimos o viés presente nos sites. é que a solicitação parece bastante adequada (o acréscimo da palavra médico ao dignóstico nosológico). o primeiro link é "Como dizer não". que afirmam ser privativo do médico "IV – intubação traqueal. contra 14400 resultados para "não ao ato médico". a justificativa apresentada não procede.br. há um comentário sobre o que deve ser modificado. mesmo hoje.br (acessado em 25/02/2010). e sequer citam o PLS 268/2002. O ponto. Um estudo revela que. aprovar esse regramento seria privar as pessoas que recorrem aos centros de terapia intensiva de ter uma boa oportunidade de sobrevivência (. Não sabemos se é um site desatualizado ou se.

sem uma análise cuidadosa que considerasse o quanto a mensagem foi se distorcendo. e faz nos sentirmos ativistas politizados pertencentes à nossa classe. deve abrir a oportunidade para revermos e. aproveitar a idéia para a sua melhoria. a decisão a respeito da instituição. a conclusão de que estes incisos diminuiriam a oportunidade de sobrevivência do paciente ignora o mero bom senso emergencial em prol da mobilização do leitor. Com relação ao segundo site referido. portanto constitui o viés descrito no item a. aos graduandos de cursos de saúde. contendo o seguinte trecho: "Neste estudo. . Em linhas gerais. emitidos em sites e em jornais dos Conselhos e outros. Mas o texto explicativo na página "o que é o projeto" comete vieses de argumentação de modo semelhantes ao do site discutido anteriormente. centrado no atendimento clínico. A exemplo. No quarto parágrafo do mesmo texto há um exemplo ainda mais claro dos itens b e c. Revoltar-se contra uma lei é fácil. "O texto atual do PL propõe o retorno a um modelo falido de atenção à saúde. não condizente com o conteúdo dos artigos e (c) extrapolação das consequências práticas dos projetos de lei. no site. § 5º. portanto. Além disso. como a definição de métodos científicos de intervenção. compreender e. que se valem de um conceito ampliado de saúde e de cuidados.naoaoatomedico. O caso é que a eleição de um inimigo externo. 4. Essa afirmativa.. e não é utilizada nos projetos de lei em estudo (PLS 268/2002 e SCD 268/2002). Isso ainda é muito mais fácil de ser obtido quando se trata de acirrar uma luta entre "os médicos e os outros". podem parecer panfletagem inflamada.) VI – atendimento à pessoa sob risco de morte iminente". confiaram nas informações que têm sido difundidas. manutenção e suspensão da ventilação mecânica invasiva é de responsabilidade conjunta do fisioterapeuta e da equipe médica" (itálico nosso). aguçando nossas emoções e aumentando assim a probabilidade de adesão. Em suma.O link "clique aqui" leva a um parecer (Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva. Já o final do parágrafo acima citado contém os outros dois tipos de vieses: é alarmista e extrapolador. foi apresentada no PLS 25/2002. sabidamente. Houve uma supressão. deve ir além do texto em si. necessária quando se deseja mobilização. do que tem sido ensinado na formação desses profissionais. creditada ao CFM. Art. menos visitado do que o anterior. envolve diversas questões. com fotos de mãos cerradas e algemadas. utilizando o argumento histórico de que há dois mil anos não existia um rol de profissões ligadas à saúde. deveríamos investir em ler. individual. o site disponibiliza todos os projetos do Ato Médico (desde o primeiro. da informação de que a responsabilidade pelas vidas salvas não foi única e exclusivamente do fisioterapeuta . Os textos contra o Ato Médico. "Excetuam-se do rol de atividades privativas do médico (. e também sobre as reformulações necessárias em sua redação. quem sabe. em última instância.org. modificarmos algumas práticas que os projetos de lei descrevem e já tem ocorrido entre profissionais da saúde. quem sabe. fortalece o sentimento de classe e aumenta a sua coesão interna.CFM afirma que a medicina precisa regulamentar o exercício de suas práticas profissionais. segundo o acesso em 25/02/2010). os resultados desta pesquisa citada não suportam a justificativa apresentada e tal distorção leva à perda de credibilidade para a argumentação exposta. sem contar que este "bom senso" está garantido nos próprios projetos. neste site encontramos: O Conselho Federal de Medicina .mas também da equipe médica ." Talvez os profissionais da saúde tenham acreditado nas divulgações contra o Ato Médico e. estes vieses se originam de: (a) mistura das fontes de informação que embasam os argumentos. apresenta as informações de modo um pouco mais imparcial.o que pode induzir à impressão de que o ato médico impediria o salvamento de vidas. e alguns pareceres sobre os mesmos. 2009). e do que nossa cultura tem aceito como prática. até mesmo em universidades públicas renomadas do país.. Entretanto. ao gerar sentimento de ameaça. ficando todo diagnóstico e prevenção sob controle dos médicos. Um ato psicológico? A discussão sobre as vantagens dos projetos de lei. PLS 25/2002). Isso. medicamentoso e hospitalocêntrico. que é ensinada desde cedo. constatou-se que na grande maioria das UTI's (89%). num claro objetivo de retomar o controle do mercado. mistura de fontes de informação.br (o sexto na ordem de busca do Google. Embora ele apele para uma frase de efeito logo no título da primeira página ("A saúde pública adverte: O Ato Médico faz mal à saúde") seus primeiros links são "o que é o projeto" e "projeto de lei" – neste último. o qual não encontra respaldo nem nos organismos internacionais de saúde nem na legislação brasileira. portanto. www. (b) caráter alarmista dos argumentos.

os estudantes teriam melhores condições de escolha e os clientes teriam mais informações para escolher um profissional e saber o que esperar do tratamento. ou seja. mas o trabalho sobre a melhora da saúde das pessoas deveria ser aquele que: (1) o profissional é apto a realizar porque estudou e consta na grade curricular do curso superior que realizou. Recuperado em 25 de fevereiro. 2010. os cursos universitários teriam melhores diretrizes. A. Não há.br/sf/atividade/materia/getPDF. Assim. simplesmente pelo fato delas existirem. nem manipuladores de florais e aromas.senado. de C. em detrimento daqueles que utilizam outros métodos com menos conhecimento sobre sua efetividade.119 de 1962 (regulamentada pelo Decreto 53. O último item pode parecer óbvio. mas não os meios (métodos. de http://www. 2010. Se houvesse um "Ato do Psicólogo" . (2004).uma lei explicitando suas atividades. Ainda estamos longe do ideal. desde os que integram teorias que epistemologicamente não conversam entre si. e que portanto um consumidor de serviços psicológicos (como o paciente) não pode cobrar pela qualidade do produto que está adquirindo (como a psicoterapia). com razão. definindo as nossas atividades. aprimorar ou modificar suas bases teóricas. Com que base pode o próprio órgão regulador da carreira fiscalizar atividades psicoterápicas usadas como se fossem comprovadas técnicas psicológicas?. (c) orientação psicopedagógica. Discutir o que é científico no âmbito da psicologia já renderia assunto para um novo ensaio. com tantas adjetivações. Recuperado em 25 de fevereiro. anteriormente referida: "Constitui função privativa do psicólogo a utilização de métodos e técnicas psicológicas com os seguintes objetivos: (a) diagnóstico psicológico. Parecer 01264 de 2006. que possuem curso superior para ensiná-las.464). e oferece explicação a um fenômeno.pdf Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal. Carvalho. de http://www.13. mas nossa cultura tem aceito trabalhos paliativos. Parecer s. Ofício nº 004/2009. Tememos autodenominações por parte de psicólogos que se adjetivam com termos duvidosos. O mais perto disso está na Lei 4. (d) solução de problemas de ajustamento". descrições do que o psicólogo faz de fato). de http://www. Só porque uma teoria psicológica foi criada. 2010. do que "procurei porque é o mais eficiente".gov. Parecer Sobre a Legitimidade de Atuação do Fisioterapeuta em Ventilação Mecânica Invasiva . instituições públicas americanas já têm contratado psicólogos que trabalham com a psicoterapia baseada em evidência. indiretamente os outros profissionais da saúde foram beneficiados pela listagem das profissões regulamentadas por lei.. aos que misturam misticismo com um quê de sobrenatural e fazem jus às críticas endereçadas à classe em geral.br/sf/atividade/materia/getPDF.senado. não significa que seja uma explicação científica.Que bom seria se tivéssemos um Ato Psicológico. Justiça e Cidadania do Senado Federal. terapias de vidas passadas. Que se saiba quais são as intervenções sobre a saúde humana reconhecidas pela lei. escrita com base no conhecimento acumulado sobre o quê fazemos para produzir os melhores resultados sobre os problemas dos pacientes – os psicólogos competentes teriam respaldo. (2) consta na grade curricular porque tem resultados comprovados e coerência teórica interna e (3) tem compromisso com a melhor resolução possível do problema de saúde que lhe compete intervir. Muitos cursos de graduação em psicologia ensinam tantas teorias quanto possível a seus alunos. qualquer descrição clara do que não é atividade do psicólogo. Um exemplo de direção de mudança são as pesquisas que investem em produzir conhecimento no que denominamos "Psicoterapia Baseada em Evidência". se vê confuso e pode colocar em descrédito o trabalho do psicólogo.com.atomediconao. É mais comum ouvirmos "procurei aquele tratamento porque faz bem". o problema é que se definem (vagamente) os objetivos. Ao menos. métodos de intervenção psicológica com resultados comprovados empiricamente.asp?t=24375 Comissão de Constituição. Referências Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva. (b) orientação e seleção profissional. e com isso é possível fortalecer. Nessas pesquisas. que funcionam como "coadjuvante" de tratamentos. Nada foi listado sobre cromoterapeutas.asp?t=26899 . investigam-se quais são as variáveis da prática responsáveis pela mudança.n. nos termos do Conselho Federal de Psicologia. Art. de 2004. Como se pode observar.br/parecer_assobrafir. §1º. (2009). O leigo. Recuperado em 25 de fevereiro.gov. (2006). pelo Ato Médico.

gov. (2002.planalto.br/ccivil_03/decreto/2002/D4176. em 25 de fevereiro.Decreto 4.Parte E Vamos separar o Código de ética por temas? A) O psicólogo como guardião da lei. da profissão e das técnicas. 2010. apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos. II. Recuperado em 5 de março. exploração.gov. 2010. (2002. Dispõe sobre o exercício da Medicina.br/sf/atividade/materia/detalhes. Ética Profissional . 2010.Quadro Comparativo entre o PLS nº 268/2002 e o SCD nº 268/2002 4 1Universidade de São Paulo.gov.htm Projeto de lei do Senado 25/2002. 2010. O psicólogo atuará com responsabilidade. a redação.com 3Últimas informações fornecidas pelo site do Senado (http://www. Estabelece normas e diretrizes para a elaboração.gov.br/sf/atividade/materia/detalhes.asp?p_cod_mate=93956. dehttp://www. Recuperado em 25 de fevereiro.asp?p_cod_mate=49554 Projeto de lei do Senado 268/2002. 2010. da igualdade e da integridade do ser humano.br/sf/atividade/materia/detalhes. contribuindo para o desenvolvimento da Psicologia como campo científico de conhecimento e de prática. dehttp://www. Dispõe sobre o exercício da Medicina. 27 de fevereiro). a consolidação e o encaminhamento ao Presidente da República de projetos de atos normativos de competência dos órgãos do Poder Executivo Federal.htm Anexo A – Quadro comparativo entre os projetos de regulamentação do exercício da medicina em discussão no Senado Federal Tabela 1 . (2006). Regulamenta a Lei 4. 27 de agosto de 1962. Recuperado em 25 de fevereiro.senado.gov.net/4119_1962. Princípios fundamentais I. Instituto de Psicologia .asp?p_cod_mate=53750 Substitutivo da Câmara dos Deputados ao Projeto de Lei do Senado 268/2002.leandrosn@gmail.asp?p_cod_mate=93956 Decreto 53.portalsaude. que dispõe sobre a Profissão de Psicólogo. (1964. Dispõe sobre o exercício da Medicina. a alteração. de http://www.464 de 1964. quando da data final de formulação deste ensaio. violência. crueldade e opressão. 12 de dezembro). O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade. discriminação.176/2002 . O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência.(2002 de 28 de março).br/sf/atividade/materia/detalhes.senado.gdprette@gmail.senado.119. . 21 de janeiro). de http://www. Recuperado em 25 de fevereiro.com 2Universidade de São Paulo. por meio do contínuo aprimoramento profissional.senado.gov.br). Instituto de Psicologia . da dignidade. 2010.senado. Recuperado em 25 de fevereiro. e dá outras providências. IV. de http://www. em 5 de março de 2010. 4Extraído de www.

em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços. cumprir e fazer cumprir este Código. f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. Caberá aos psicólogos docentes ou supervisores esclarecer. h) Interferir na validade e fidedignidade de instrumentos e técnicas psicológicas. a quem de direito. quando do exercício de suas funções profissionais. doação. na ética e na legislação profissional. ideológicas. religiosas. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. guarda e forma de divulgação do material privativo do psicólogo sejam feitas conforme os princípios deste Código. O psicólogo zelará para que o exercício profissional seja efetuado com dignidade. g) Informar. l) Levar ao conhecimento das instâncias competentes o exercício ilegal ou irregular da profissão. violência. filosóficas. i) Zelar para que a comercialização. a quem de direito. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. rejeitando situações em que a Psicologia esteja sendo aviltada. crueldade ou opressão. b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. f) Fornecer. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. 17 . Art. c) Utilizar ou favorecer o uso de conhecimento e a utilização de práticas psicológicas como instrumentos de castigo. conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. divulgar. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. adulterar seus resultados ou fazer declarações falsas. b) Induzir a convicções políticas.g) Emitir documentos sem fundamentação e qualidade técnico-científica. de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. Art 1º . aquisição. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. e fornecer. tortura ou qualquer forma de violência. a partir da prestação de serviços psicológicos. morais. empréstimo. informar. utilizando princípios. Art. 2º – Vedado a) Praticar ou ser conivente com quaisquer atos que caracterizem negligência. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. c) Prestar serviços psicológicos de qualidade. discriminação. transgressões a princípios e diretrizes deste Código ou da legislação profissional.Deveres a) Conhecer. VII.VI. teórica e tecnicamente. na prestação de serviços psicológicos. exploração. sempre que solicitado.

ao conhecimento da ciência psicológica. Art 1º . empréstimos. 18 O psicólogo não divulgará. e fornecer.orientar e exigir dos estudantes a observância dos princípios e normas contidas neste Código. que tenha vínculo com o atendido. sempre que solicitado. a prestação de serviços profissionais. j) Estabelecer com a pessoa atendida. cederá. assim como intermediar transações financeiras. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados.Deveres Art. ensinará. econômica. além dos honorários contratados. e) Estabelecer acordos de prestação de serviços que respeitem os direitos do usuário ou beneficiário de serviços de Psicologia. 4º – Ao fixar a) Levará em conta a justa retribuição aos serviços prestados e as . os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. a quem de direito. possam afetar a qualidade do trabalho a ser realizado ou a fidelidade aos resultados da avaliação. k) Ser perito. atuais ou anteriores. emprestará ou venderá a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam ou facilitem o exercício ilegal da profissão. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. O psicólogo contribuirá para promover a universalização do acesso da população às informações. V. familiar ou terceiro. na prestação de serviços psicológicos. social e cultural. o) Pleitear ou receber comissões. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. f) Fornecer. sem visar benefício pessoal. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. Art. doações ou vantagens outras de qualquer espécie. VII. O psicólogo atuará com responsabilidade social. relação que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço prestado. avaliador ou parecerista em situações nas quais seus vínculos pessoais ou profissionais. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. a partir da prestação de serviços psicológicos. 2º – Vedado Art. g) Informar. n) Prolongar. aos serviços e aos padrões éticos da profissão. a quem de direito. B) Relação com o usuário e a sociedade Princípios fundamentais III. d) Prestar serviços profissionais em situações de calamidade pública ou de emergência. desnecessariamente. analisando crítica e historicamente a realidade política.

Deveres Art. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. decorrentes de informações privilegiadas. pessoas ou organizações atendidas por instituição com a qual mantenha qualquer tipo de vínculo profissional. m) Prestar serviços profissionais a organizações concorrentes de modo que possam resultar em prejuízo para as partes envolvidas. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. se pertinente. respeito. Parágrafo único: Existindo incompatibilidade. Art. e. associar-se ou permanecer em uma organização.a remuneração pelo condições do usuário ou beneficiário. as políticas. as normas e as práticas nela vigentes e sua compatibilidade com os princípios e regras deste Código. c) Assegurará a qualidade dos serviços oferecidos independentemente do valor acordado. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. g) Informar. d) Acumpliciar-se com pessoas ou organizações que exerçam ou favoreçam o exercício ilegal da profissão de psicólogo ou de qualquer outra atividade profissional. a partir da prestação de serviços psicológicos. posicionando-se de forma crítica e em consonância com os demais princípios deste Código. considerará a missão. 3º ou porcentagem por O psicólogo. l) Desviar para serviço particular ou de outra instituição. a quem de direito. salvo impedimento por motivo relevante. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. colaborar com estes. quando solicitado. f) Fornecer. b) Estipulará o valor de acordo com as características da atividade seu trabalho e o comunicará ao usuário ou beneficiário antes do início do trabalho a ser realizado. sempre que solicitado. C) Relação com equipes e empresas Princípios fundamentais VII. consideração e solidariedade. a quem de direito. para ingressar. apresentar denúncia ao órgão competente. e fornecer. O psicólogo considerará as relações de poder nos contextos em que atua e os impactos dessas relações sobre as suas atividades profissionais. visando benefício próprio. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. Art. a filosofia. cabe ao psicólogo recusar-se a prestar serviços e. pagar remuneração encaminhamento de serviços. Art 1º . 2º – Vedado j) Ter. . 6º – a) Encaminhará a profissionais ou entidades habilitados e relacionamento qualificados demandas que extrapolem seu campo de atuação. na prestação de serviços psicológicos. p) Receber. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos.

sempre que solicitado. a partir da prestação de serviços psicológicos. não puderem ser continuados pelo profissional que os assumiu inicialmente. Art. salvo impedimento por motivo relevante. ouvidos os Conselhos Regionais de Psicologia. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. e fornecer. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. e) Ser conivente com erros. por qualquer uma das partes. quando solicitado. g) Informar. de preservar o sigilo. para com o trabalho dos psicólogos e de outros profissionais. resguardando o caráter confidencial das comunicações.com profissionais b) Compartilhará somente informações relevantes para qualificar o não psicólogos serviço prestado. fornecendo ao seu substituto as informações necessárias à continuidade do trabalho. . a quem de direito. por motivos justificáveis. Art. por iniciativa própria ou da categoria. respeito. 24 O presente Código poderá ser alterado pelo Conselho Federal de Psicologia. consideração e solidariedade. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. c) Quando informado expressamente. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. crimes ou contravenções penais praticados por psicólogos na prestação de serviços profissionais. a quem de direito. 7º – intervir na prestação de serviços psicológicos que estejam sendo efetuados por outro profissional E) Alteração no código Art. faltas éticas. sempre que. a) A pedido do profissional responsável pelo serviço. quando dará imediata ciência ao profissional. na prestação de serviços psicológicos. e. b) Em caso de emergência ou risco ao beneficiário ou usuário do serviço. assinalando a responsabilidade. de quem as receber.Deveres f) Fornecer. k) Sugerir serviços de outros psicólogos. d) Quando se tratar de trabalho multiprofissional e a intervenção fizer parte da metodologia adotada. colaborar com estes. 2º – Vedado j) Ter. D) Relação com outro Psicólogo Art 1º . violação de direitos. da interrupção voluntária e definitiva do serviço.

excetuando-se os casos previstos em lei. o psicólogo poderá decidir pela quebra de sigilo. Art. assinalando a responsabilidade. 11 . grupos ou organizações. por meio da confidencialidade. a que tenha acesso no exercício profissional. d) Suspensão do exercício profissional. a quem de direito. 1º – Deveres g) Informar. Parágrafo único – Em caso de quebra do sigilo previsto no caput deste artigo. grupos ou organizações. e) Cassação do exercício profissional. resguardando o caráter com profissionais confidencial das comunicações. por meio da confidencialidade. a intimidade das pessoas. de preservar o sigilo. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. na forma dos dispositivos legais ou regimentais a) Advertência. Nas situações em que se configure conflito entre as exigências decorrentes do disposto no Art. por até 30 (trinta) dias. c) Censura pública. considerando o previsto neste Código. 21 – As transgressões dos preceitos deste Código constituem infração disciplinar com a aplicação das seguintes penas. Art. baseando sua decisão na busca do menor prejuízo. o psicólogo deverá restringir-se a prestar as informações estritamente necessárias. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. o psicólogo poderá prestar informações. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. Quando requisitado a depor em juízo. não psicólogos de quem as receber. 23 As dúvidas na observância deste Código e os casos omissos serão resolvidos pelos Conselhos Regionais de Psicologia. 9º É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. 10 Art. ad referendum do Conselho Federal de Psicologia. 9º e as afirmações dos princípios fundamentais deste Código. Competirá ao Conselho Federal de Psicologia firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorporar a este Código. Art. a que tenha acesso no exercício profissional. É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger. 9º Art. Art. G) Arquivos e sigilo Art. b) Multa. 22 Art. a intimidade das pessoas.F) Punições Art. 6º – b) Compartilhará somente informações relevantes para relacionamento qualificar o serviço prestado.

sempre que assim o desejarem. grupos. 2º – Vedado b) Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal. H) Pesquisa Art. Art. o psicólogo deverá repassar todo o material ao psicólogo que vier a substituí-lo. I) Publicidades e divulgações Art. como pela divulgação dos resultados. f) Prestar serviços ou vincular o título de psicólogo a serviços de atendimento psicológico cujos procedimentos. organizações e comunidades envolvidas. q) Realizar diagnósticos. § 1° – Em caso de demissão ou exoneração. O psicólogo. zelará para que as informações prestadas disseminem o conhecimento a respeito das atribuições. que providenciará a destinação dos arquivos confidenciais. após seu encerramento. por quaisquer meios. 19 Art. atividades e recursos relativos a Art. a) Informará o seu nome completo. tanto pelos procedimentos. salvo nas situações previstas em legislação específica e respeitando os princípios deste Código. grupos ou organizações. c) Garantirá o anonimato das pessoas. de forma a expor pessoas. da base científica e do papel social da profissão. o psicólogo deverá zelar pelo destino dos arquivos confidenciais. b) Fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua. ao participar de atividade em veículos de comunicação. 15 – interrupção do trabalho. 1º – Deveres Art. o psicólogo responsável informará ao Conselho Regional de Psicologia. 16 –na realização de estudos. técnicas e meios não estejam regulamentados ou reconhecidos pela profissão. devendo o usuário ou beneficiário. ou lacrá-lo para posterior utilização pelo psicólogo substituto. ser informado. i) Induzir qualquer pessoa ou organização a recorrer a seus serviços. c) Divulgará somente qualificações. teórica e tecnicamente. salvo interesse manifesto destes. mediante consentimento livre e esclarecido. b) Garantirá o caráter voluntário da participação dos envolvidos. divulgar procedimentos ou apresentar resultados de serviços psicológicos em meios de comunicação.Art. . grupos ou organizações aos resultados das pesquisas ou estudos. desde o início. o CRP e seu número de registro. § 2° – Em caso de extinção do serviço de Psicologia. com o objetivo de proteger as pessoas. d) Garantirá o acesso das pessoas. 14 A utilização de quaisquer meios de registro e observação da prática psicológica obedecerá às normas deste Código e a legislação profissional vigente. pesquisas e atividades voltadas para a produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias a) Avaliará os riscos envolvidos. 20 – promover publicamente seus serviços. grupos ou organizações.

a partir da prestação de serviços psicológicos. Art. E o que define a transgressão ética? . J) Crianças e adolescentes Art. ao adolescente ou ao interdito. h) Orientar a quem de direito sobre os encaminhamentos apropriados. h) Não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais. na prestação de serviços psicológicos. observadas as determinações da legislação vigente Art. deverá obter autorização de ao menos um de seus responsáveis. e fornecer. e) Não fará previsão taxativa de resultados. a quem de direito. transmitindo somente o que for necessário para a tomada de decisões que afetem o usuário ou beneficiário. d) Não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda. a quem de direito. deve ser comunicado aos responsáveis o estritamente essencial para se promoverem medidas em seu benefício. f) Não fará auto-promoção em detrimento de outros profissionais. os documentos pertinentes ao bom termo do trabalho. os resultados decorrentes da prestação de serviços psicológicos. §2° – O psicólogo responsabilizar-se-á pelos encaminhamentos que se fizerem necessários para garantir a proteção integral do atendido. o atendimento deverá ser efetuado e comunicado às autoridades competentes. 1º – Deveres f) Fornecer. sempre que solicitado. §1° – No caso de não se apresentar um responsável legal. 8º – atendimento não eventual de criança. g) Não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais. adolescente ou interdito.individual ou técnicas e práticas que estejam reconhecidas ou regulamentadas coletivamente pela profissão. informações concernentes ao trabalho a ser realizado e ao seu objetivo profissional. 13 No atendimento à criança. g) Informar.

quando impedido de fazê-lo. . em matéria da competência destes. por qualquer meio. Logo. supervisionar e disciplinar o exercício da Profissão de Psicólogo.deixar de pagar aos Conselhos.822 de 17 de junho de 1977.praticar. depois de regularmente justificada. 56 .não cumprir. ou facilitar. é lei) as definições das transgressões e penalidades: Art. ato que a lei define como crime ou contravenção. pontualmente. dando as decisões finais sobre o assunto. as contribuições a que esteja obrigado. III . V .O Conselho Federal de Psicologia e os respectivos Conselhos Regionais foram criados com o DECRETO nº 79.” Percebem agora que as Resoluções do CFP giram sempre em torno do que está definido na lei? Pelo código de ética pode haver punição porque a lei deu esse poder. É nele que está definido o que esses conselhos fazem: Art.exercer a profissão. VI . ou seja. determinação emanada do órgão ou autoridade dos Conselhos. IV . no prazo estabelecido. está na norma legal (pois é um a norma legal primária. em todo o território nacional Também diz que o CFP que é responsável pela elaboração e pelo cumprimento do Código de Ética. e aos outros fatores que derivam nele. o seu exercício aos não inscritos ou impedidos.O Conselho Federal de Psicologia tem por finalidade orientar. no exercício da atividade profissional. limitando a capacidade punitiva aos dispositivos do código. II .Constituem infrações disciplinares: I transgredir preceito do Código de Ética Profissional.solicitar ou receber de cliente qualquer favor em troca de concessões ilícitas. 3º .