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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE JOÃO PESSOA – UNIPÊ

CURSO DE DIREITO

RENAN GUEDES BELTRÃO

A POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DE ALIMENTOS FACE AO EXTRAPOLAMENTO DO ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA EM SEDE DE ADOÇÃO

JOÃO PESSOA 2012

ministrada pela Profa. como requisito obrigatório para a elaboração da Monografia e conclusão da disciplina supra.2 RENAN GUEDES BELTRÃO A POSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DE ALIMENTOS FACE AO EXTRAPOLAMENTO DO ESTÁGIO DE CONVIVÊNCIA EM SEDE DE ADOÇÃO Projeto de Pesquisa Monográfico. JOÃO PESSOA 2012 . elaborado para a disciplina “Métodos e Técnicas de Pesquisa”. Dra. da coordenação de Ciências Jurídicas do Centro Universitário de João Pessoa. Anaína Clara de Melo.

.........2.................................09 3.............10 5....... Problematização do tema................................................................. METODOLOGIA................07 3...........................................05 2................................................................... JUSTIFICATIVA........................................................... FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..................................................09 3.................................. CRONOGRAMA.......1................................................................................... INTRODUÇÃO................................17 7.........................2............05 1....................... Hipóteses.................... Objetivos Específicos................................................1....................................... OBJETIVOS........ REFERÊNCIAS................................................................15 6........3 SUMÁRIO 1................04 1.09 4............................................................................................................................18 ....................................... Objetivo Geral....................................................................................

nos dizeres de Caio Mário Pereira da Silva. Como o nosso Estado não é capaz de suprir tais necessidades. tais quais a Lei 10. mas era expresso inclusive na legislação que tratava sobre a matéria. habitação. independentemente de existir entre elas qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afinidade. sendo a matéria erigida à cláusula constitucional (art. imprescindíveis para a manutenção do ser humano. os alimentos são devidos pelo Estado. na qualidade de ente regulador das atividades e incumbido de promover o bem de todos os cidadãos. enquanto guardião da população. a adoção seria o ato jurídico pelo qual uma pessoa recebe outra como filha. vestuário. Quanto à temática dos alimentos. É de bom alvitre salientar que tal instituto possui raízes sombrias em nosso país. tal vício foi sanado. como se seu filho natural fosse. que arca com a manutenção dos necessitados a ela vinculada. 227. eis que embora a adoção tivesse propósitos nobres.4 1.069/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente). o preconceito irradiava não apenas da sociedade. equiparando-o a este na forma legal. estes podem ser definidos segundo dicção dos conceitos fornecidos por Orlando Gomes e Yussef Said Cahali como sendo o auxílio prestado para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. englobando a alimentação em si. Ou ainda. dentre outros. dotados de estabilidade financeira abrigar outrem no seio de sua família. cura. os adotados não eram reconhecidos na mesma proporção que os filhos naturais do casal.406/02 (Código Civil) e pela Lei 8. A priori. CF) tendo sido regulado ainda em nosso ordenamento por legislações ordinárias. o encargo foi transferido para a unidade familiar. A adoção consiste no ato de uma pessoa ou casal maior e capaz. Atualmente. É o que se . § 6º. incluído no Compêndio Civilista. INTRODUÇÃO O presente projeto de pesquisa jurídica tem como título a possibilidade de arbitramento de alimentos pela via judicial em face do extrapolamento do período destinado ao estágio de convivência em sede de adoção. Dessa forma. Tal tema foi extraído do segmento referente ao Direito de Família.

2 Hipóteses É certo que há várias situações em que o adotando pode ficar sob o poder dos adotantes sem que tenha sido oficializada de fato a adoção. imagine-se uma situação em que o casal ou pessoa adotante após ter desfrutado um longo período. devendo ser fiscalizado pela equipe . para que se formassem laços de afetividade entre ambos e consequentemente para que se aferisse a possibilidade de convívio daquela família. fazendo-a crer que ganhara uma família. da companhia da criança que pretendiam adotar. em tese. simplesmente se arrependem e devolvem-na para o abrigo onde a buscaram. então. seja espontaneamente. para tanto. do ECA. é lícita essa “devolução”? Atende aos princípios incrustados na Constituição? Deve ser arbitrada punição? De que forma se daria a punição? Por meio do pagamento dos alimentos? Ora. emerge de tais definições a idéia de que todo ascendente tem o dever de prestar assistência aos seus descendentes. Tal período deveria. sendo aplicada a mesma sistemática aos idosos. quando a adoção ainda não era oficial. se os pais biológicos são obrigados a pagar alimentos aos seus filhos quando saem de casa. servir para que fosse verificado se há uma compatibilidade entre a família adotante e o infante. Desta feita. 1. Sabe-se que o referido espaço de tempo é estabelecido pela autoridade judiciária. 46. A primeira delas é o próprio estágio de convivência que tem previsão legal no art.5 depreende inclusive da redação dos artigos 227 e 330 da Constituição Federal que preceitua uma série de direitos assegurados à criança e ao adolescente. seja em face do arbitramento de alimentos pelo poder Judiciário. porque o adotante não seria ao adotado? Esses alimentos seriam devidos com natureza de punição ou indenização? 1. conforme redação do artigo supramencionado. Pergunta-se. que finalmente possuía um lar.1 Problematização e delimitação do tema A problematização deste tema é facilmente delimitável.

para a solução da problemática proposta. quando na verdade. em sendo verificada alguma dessas situações e a criança ou o adolescente ser devolvido ao abrigo de origem. estando. Outra que também pode ser mencionada. os adotantes esperam a oficialização da adoção. na companhia do infante. no entanto. algumas hipóteses podem ser levantadas em relação ao dano causado ao infante: A primeira hipótese pretende que se o excesso de tempo indevidamente gozado com o infante trouxe-lhe algum prejuízo na construção de sua personalidade. . devem ser arbitrados alimentos em seu favor. ainda assim. ocorre quando transcorrido o estágio de convivência e sendo este aprovado. eis que o processo de adoção ainda não foi concluído. No entanto. A segunda hipótese pretende que em não sendo constatado tal prejuízo. na prática. inevitavelmente configura-se o dano ensejador de compensação. ainda não detêm a guarda do menor.6 interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude. permitindo que as famílias passem quanto tempo queiram com a criança sem assumir qualquer obrigação. Assim sendo. mantendo-o sob sua guarda e educando-o da forma que entenderem plausível. nesse caso. em face do princípio da dignidade humana e considerando que os filhos adotados são equiparados constitucionalmente aos legítimos. esse acompanhamento não é feito da maneira como deveria. ou seja.

no entanto. suprimindo o direito da criança de conhecer seus pais biológicos e ainda usurpando o direito das pessoas que enfrentam longas filas de espera. esta ocorre quando o casal ou a pessoa adotante recebia a criança diretamente dos pais biológicos. E como esse. mas envolve. área em que esta pretende especializar-se e exercer a advocacia e segundo porque o tema a comove e interessa. especialmente daqueles que atuam na área da Infância e da Juventude. primeiro por ser referente ao Direito de Família. Assim. o que faz algumas pessoas crerem que podem desconsiderar toda o procedimento legal e proceder a tais condutas. além de já ter realizado vários estudos sobre o tema. Em uma demonstração do que aqui se alega. que as situações de desrespeito às normas da adoção. tanto no que concerne à conduta idônea requerida por parte do adotante como o trâmite legal em si. Inegável. almejando encontrar seu filho. recentemente a imprensa nacional noticiou a história de uma menina de apenas dois anos de idade que foi espancada por uma procuradora de Justiça que a adotara. com anseios e projetos das pessoas. pois lida com a pessoa humana em seu aspecto mais vulnerável. . percebe-se que a precariedade do instituto tem raízes históricas. A importância da temática aqui abordada. representando a transgressão da natureza humana. É de conhecimento notório. Nesse sentir. é muito mais comum do que se imagina. são muitos os casos da mesma natureza que acontecem todos os dias em nosso país. já que lida com a vida. para atingir toda a sociedade e repercutir sobre ela. na convivência diária. O Direito de Família. indiscutivelmente é um dos mais sensíveis ramos da cadeia jurídica. transcende as expectativas pessoais de quem a subscreve. ainda sem Certidão de Nascimento e registrava como se sua filha legítima fosse. sentimentos. JUSTIFICATIVA A temática aqui proposta tem peculiar importância para o autor.7 2. sobretudo. já que importa na modificação de sua estrutura familiar. a adoção à brasileira até muito pouco tempo era a modalidade mais comum de adoção. É por essa razão que o autor acredita ser o tema tão envolvente.

8 assim. as razões porque acontecem. 3. repreensões. enfim estabelecer um norte que traduza a solução que vem sendo adotada. ou que tipo de constrições por parte do poder Estatal. enfim. se merece punições. que o interesse a ser preservado nesses casos. como se fora um objeto defeituoso. Pleiteia-se. para que se verifique. atingindo toda a sociedade. portanto fazer um estudo baseado nos Direitos Humanos. afinal são seus próprios valores que se encontram em jogo. analisar os fundamentos de tais condutas. como os nossos tribunais têm se posicionado diante de tais situações. OBJETIVOS . configurase dolosa e prejudicial ou não. analisando ainda se é a mais adequada e favorável ao menor. quais as possíveis conseqüências. sob o prisma desta autora. Pretende-se. no princípio da dignidade humana. se uma conduta como adotar e “devolver” uma criança. transcende a esfera individual.

• Mensurar a natureza e a dimensão dos transtornos físicos. a natureza jurídica e as classificações da adoção.1 Objetivo Geral Expor que consequências podem surgir para o menor. antes de oficializado o processo de adoção. • Estabelecer e detalhar em que situações. se a favor ou contra o arbitramento de alimentos nas situações de devolução da criança. • Fundamentar a possibilidade de arbitramento de alimentos provisionais em caso de devolução da criança ao abrigo antes de formalizada a adoção.9 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA . com posterior devolução deste à casa assistencial de onde veio. e para os adotantes. psicológicos e sociais que podem ser causados ao menor em face da sua devolução ao Centro Assistencial por ato unilateral dos adotantes. em termos de transtornos de personalidade. sendo o arbitramento de alimentos a consequência aqui defendida. pode se dar a permanência não oficializada do adotante com o infante. • Explanar os posicionamentos defendidos pela doutrina e jurisprudência. sob o prisma Constitucional e ainda em conformidade com as leis de proteção ao menor. 3. em casos de permanência excessiva e não-oficializada dos adotantes com o adotado. Definir o conceito.2 Objetivos Específicos • • Apresentar uma breve análise da conjuntura histórica da adoção em nosso país. 4.

regido pelos arts. de 26. § 2o Ao filho adotivo. seria devido apenas a metade do quinhão que seria devido aos biológicos. em sede de sucessão. de forma bem mais restrita ao adotante. 358). 368). a intenção do legislador foi prestigiar aqueles que não tinham tido a oportunidade de constituir família até então. (Redação dada pela Lei nº 3.10 É bem verdade que em nosso país nos dias atuais.605. A adoção surge como meio de suprir essa demanda de crianças sem um lar em função de famílias dispostas a abrigar em seus lares.12. § 1o Revogado pela Lei n° 6. grande parte daqueles que se encontram em abrigos o faz em consequência dos maus tratos ou do abandono sofrido. Só os maiores de 30 (trinta) anos podem adotar. apenas poderia adotar aquele que fosse maior de 50 anos e que não possuísse prole legítima ou legitimada. Tal disposição só foi revogada quando da promulgação da Constituição de 1988 que determinou a Art. Previa ainda o Código anterior que aos filhos adotivos.5. 1605 do Código revogado 2. segundo as boas regras da moral e dos bons costumes. Consideráveis modificações surgiram com a Lei nº 3.133/57. os naturais reconhecidos e os adotivos. não foi exclusivamente a sua morte. 2 1 .133. Pelo contrário. aos filhos legítimos se equiparam os legitimados. 368. supervenientes à adoção (art. de 8. o número de crianças e adolescentes vítimas de abandono e violência tem crescido assustadoramente. se concorrer com legítimos. que acaba clamando pela intervenção da Justiça para que lhes encontre novo lar. para educar-lhes e criar-los.515. 368 a 378.1977: Texto original: Havendo filho legítimo ou legitimado. tocará somente metade da herança cabível a cada um destes. em que houve a diminuição do patamar etário para trinta anos e a diferença de idade necessária passou a ser de 16 anos e não mais de 18 anos como no Código anterior1 além de deixar de se exigir a necessidade de filhos. Perceba-se que tal instituto foi disciplinado pelo Código Civil de 1916. conforme art. só a metade do que a este couber em herança terá direito o filho natural reconhecido na constância do casamento (art.1957) Art. 1. Ou seja. Há ainda que se considerar que o que os leva a procurar um lar que não seja o de seus pais. Para os efeitos da sucessão. pessoas desconhecidas.

. geralmente. considerados indignos para tal [. São Paulo: Saraiva DINIZ. Assim. 1991. primeiramente surge uma idéia mais restrita. de uma criança cujos pais morreram ou são desconhecidos. à profissionalização. segundo as normas legais em vigor. Abandono e Adoção – Contribuições para uma cultura da adoção I. trazendo para sua família na condição de filho.. 227.] § 6º . visou-se muito mais preservar o interesse do adotando. um vínculo fictício de filiação.. discriminação. Terre des Hommes. não sendo esse o caso. à educação.]4 Em definição bem mais abrangente.. ou por adoção. observados os requisitos legais. o seu bem estar e a sua segurança. 5. [. 2007.” 4 3 DINIZ.] adoção vem a ser o ato jurídico solene pelo qual.. ou. crueldade e opressão. terão os mesmos direitos e qualificações. para todos os fins. ou são pela autoridade competente. o direito à vida. exploração. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência. eis que referente ao Código de 1916. é preciso antes se submeter a alguns processos de fiscalização pelo Poder Judiciário para que este avalie se o pretendente preenche os requisitos necessários para sustentar e educar uma criança. além dos adotados. dos filhos havidos na constância ou fora do casamento. violência. e não apenas garantir os direitos do adotante. Ainda como representação dessa evolução em favor dos menores. nos termos de Maria Helena Diniz: [. É dever da família...] podemos definir a adoção como a inserção num ambiente familiar. o conceito de adoção dado pelos doutrinadores condiz com o momento histórico a que ele se refere.] 5 Perceba-se do conceito supramencionado que com a evolução da legislação. à saúde. proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. à liberdade e à convivência familiar e comunitária. para que alguém possa alcançar êxito no processo mencionado. da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. Saliente-se. ao lazer. com absoluta prioridade.. à alimentação. à cultura.. pronuncia-se João Seabra Diniz. que não se pretende conceder a Art. lhe é estranha [. que trata do tema com base nas novas normas instituídas pela Constituição de 1988 e pela legislação ordinária: [. de forma definitiva e com aquisição de vínculo jurídico próprio da filiação.Os filhos. consoante redação do art. 227. A adoção – Notas para uma visão global. havidos ou não da relação do casamento. João SEABRA. ao respeito. à dignidade. 5 . alguém estabelece. CF 3. § 6º. pessoa que. não podem ou não querem assumir o desempenho das suas funções parentais. Curitiba.. assim. vol. independentemente de qualquer relação de parentesco consangüíneo ou afim.11 equiparação.

em sendo escolhido. pelo prazo que a autoridade judiciária fixar. que ao final deve apresentar relatório acerca da conveniência do deferimento da medida. nem o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8. de quem é a responsabilidade em caso de descumprimento. embora o estágio de convivência seja previsto em lei. 46. 46 do ECA 6.12 possibilidade de adoção apenas a pessoas de poder aquisitivo alto.” . nem por parte da Justiça da Infância e da Juventude. Ou seja. Habilitado o adotante. nem o Código Civil. pois não ganha eficácia concreta. § 4o 7 . Na prática. uma ficha com as exigências que requer no adotando (sexo. conforme redação do art. o que acontece todos os dias é que esse estágio de convivência. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente. idade. nem estabelece como deve ser organizada aquela Justiça a fim de verificar se já houve o cumprimento do estágio de convivência. que apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência do deferimento da medida. Após esse processo formal. há que se aferir. capazes de arcar com os custos de tal criação. não há disposições sobre a sua fiscalização em si. etc. através de entrevistas e visitas a residência dos candidatos à adoção se os mesmos são dotados de uma conduta moral e familiar dentro dos padrões. é um daqueles típicos casos em que o dispositivo serve apenas como adorno no corpo jurídico. a intenção e apenas que ela tenha um mínimo de estabilidade financeira e renda.010/09. por não ser supervisionado. sem que haja qualquer providência. preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política de garantia do direito à convivência familiar.069/90). nem por nenhum outro órgão do Judiciário. que órgão será responsável por fiscalizar tal mister. 12. Além disso. não se estabelece de quanto em quanto tempo deverá ser feita uma visita do profissional competente. dentre outros) e espera que sua vez chegue e a designação da data da entrevista. regulamentaram tal dispositivo. 6 Art. mesmo com as alterações introduzidas pela Lei nº. nos termos do art. o adotante irá gozar de estágio de convivência durante tempo arbitrado por autoridade judiciária. 7 § 4o O estágio de convivência será acompanhado pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude. 46. No entanto. observadas as peculiaridades do caso. acaba extrapolando e muito o tempo designado pela autoridade judiciária. raça. devendo ser fiscalizado pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude.

pois este é uma antecipação da adoção em si..566. As dimensões da dignidade da pessoa humana: construindo uma compreensão jurídico-constitucional necessária e possível. o adotante resolver devolver o menor sem motivo fundado? A admissão de tal hipótese seria menosprezar o sentir do adotado e todo o histórico de perdas por que já passou. mas também o fato de a dignidade gerar direitos fundamentais (negativos) contra atos que a violem ou a exponham a graves ameaças. assegurando-lhe também por meio de medidas positivas (prestações) o devido respeito e promoção [. São deveres de ambos os cônjuges: [. no sentido de proteger a dignidade de todos. condição dúplice esta que também aponta para uma paralela e conexa dimensão defensiva e prestacional da dignidade. eis que representa os interesses de toda a sociedade. tem-se que é dever do Estado.. de todos e de cada um. guarda e educação dos filhos . a dignidade implica não apenas que a pessoa não pode ser reduzida à condição de mero objeto da ação própria e de terceiros. 2007. Assim. da previsão constitucional (explícita ou implícita) da dignidade da pessoa humana. verdade.. Ingo Wolfgang. Nesse sentir. o adotante resolver devolver a criança? Sabe-se que a adoção é irrevogável.. recebe outro nome com o qual identifica sua personalidade.sustento. 1566. uma espécie de teste em que se afere a viabilidade da formação do vínculo entre as partes. e tendo em conta ainda que é dado aos pais a obrigação de prestar alimentos aos filhos biológicos. causando-lhe traumas inigualáveis e ferindo diretamente sua dignidade e personalidade. pronuncia-se o mestre Ingo Sarlet: [. no nosso sentir. 378 9 Art. por oportuno. Como tarefa.]dignidade da pessoa humana é simultaneamente limite e tarefa dos poderes estatais e. vai começar a desfrutar desse novo apelido desde o estágio de convivência.13 Ressalte-se. Revista Brasileira de Direito Constitucional – RBDC n. IV 9 8 SARLET. é facultado ao adotante inclusive alterar o prenome do adotado.] 8 Em vista disso.. consoante extrai-se do art.. Assim. que a adoção é um dos poucos casos em que se pode alterar o prenome de uma pessoa. 09 – jan. Como limite. que obviamente. 8 meses. dela decorrem deveres concretos de tutela por parte dos órgãos estatais. Visando abolir tais condutas. adotar medidas que impeçam tais comportamentos. p. sejam elas preventivas ou punitivas.] IV . e se. e se em meio ao “ estágio de convivência” que muitas vezes se prolonga por 7. 1. da comunidade em geral./jun. Mas essa regra só é aplicada depois de oficializado o processo. a criança desenvolve um vínculo com o adotante.

e posteriormente desistindo de efetuar a adoção. agregando o menor ao lar. presume-se que a conseqüência natural da situação exposta seria o pagamento de alimentos ao adotado. tendo agora que arcar. os princípios da dignidade humana e da proteção do menor. que visa primordialmente . ocorrendo o desrespeito do prazo estipulado pela autoridade judiciária a título de estágio de convivência. METODOLOGIA Em um primeiro momento. aclamados em nossa legislação. utilizar-se-á o método histórico. levando em conta. assumiu o risco.14 do Código Civil. 5. devolvendo-a ao abrigo. para que se possa apresentar de forma clara a temática proposta. para tanto. já que tendo passado tanto tempo com a criança e tendo feito a mesma acreditar que aquela era sua nova família. são devidos alimentos pelos adotandos. seja como se ocorresse uma adoção “tácita”. Enfim. seja como uma espécie de punição.

” 11 Dessa forma. as suas possíveis antíteses. seja em relação à jurisprudência. extraindo deles a conseqüência para os menores. Nos precisos dizeres de Eva Lakatos e Marina Marconi: “toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes. entendendo este como “um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca. 2004 . que tipo de alterações o menor sofreu em sua personalidade.”10. dentre outros fatores. para que se proceda a análise de casos particulares. como também para evitar possíveis duplicações [. Pretende-se ainda se valer do método dialético. para que assim. chegando a uma posicionamento final sopesando as situações formuladas e analisadas. Marina. no caso daqueles que não entendem pela legalidade de arbitramento de alimentos na temática deste trabalho. São Paulo: Atlas. Maria Margarida de. Eva e MARCONI. para que se compreenda o contexto de evolução do mesmo. Ainda deve ser invocado o método indutivo. Fala-se ainda no método comparativo.. para tanto. será utilizado o método da pesquisa indireta ou da documentação indireta. Neste norte. ed. 1997 11 LAKATOS.. quanto tempo a autoridade judiciária concedeu a título de estágio de convivência e quanto tempo o adotante de fato desfrutou. a fim de que se possa estabelecer um liame entre os diversos posicionamentos.15 construir um histórico do tema proposto. Como preparar trabalhos para cursos de pós-graduação. da contradição inerente ao fenômeno e da mudança dialética que ocorre na natureza e na sociedade. 2004. seus aperfeiçoamentos e falhas. serão demonstradas as teses adotadas.] É a fase da pesquisa realizada com intuito de recolher informações prévias sobre o campo de interesse. Metodologia do Trabalho Científico. utilizar10 ANDRADE. para o melhor desenvolvimento do tema. se consiga chegar a uma premissa geral. seja em relação à doutrina. 2. quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas. Esse material-fonte é útil não só por trazerem conhecimento que servem de back-ground ao campo de interesse.

1/2013. periódicos. para que se averigúe qual o entendimento que vem sendo adotada quando do julgamento da problemática em testilha. o meio de atualização mais comumente utilizado.16 se-ão recursos de natureza bibliográfica. por ser este.2) Atividade Correçõ Leitura Elabora Elabora Elabora Entrega Revisão es de da ção do ção do ção do Impress da do Língua Bibliograf 1º 2º 3º ão Monogr texto Portugu ia Capítulo Capítulo Capítulo afia esa Defesa . assim como consultas a artigos via internet. serão realizadas diversas consultas às jurisprudências de Tribunais tanto estaduais quanto federais. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES (2013. etc. Além disso. revistas. englobando neste ponto. não apenas consultas à doutrina por meio de livros. em nosso dias. 6.

Revista e atualizada por Tânia da Silva Pereira. ed. v. . Caio Mário da Silva. 2004. Metodologia do Trabalho Científico. REFERÊNCIAS LAKATOS. 2007. 16. Marina. Eva e MARCONI.5. Rio de Janeiro: Forense. 2004 PEREIRA. Instituições de direito civil.17 Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 7.

SARLET. As dimensões da dignidade da pessoa humana: construindo uma compreensão jurídico-constitucional necessária e possível .ed. Arthur Marques. em junho de 2009. Revista dos Tribunais. Ingo Wolfgang. . 09 – jan. 2007 SILVA FILHO. 2. Contornos históricos e conceituais do princípio da dignidade humana. Gláucio Vasconcelos.18 RIBEIRO JUNIOR. Revista Brasileira de Direito Constitucional – RBDC n. Adoção. São Paulo: 2009./jun.