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Mapeamento Cerebral Básico

Os lobos frontais são considerados o nosso centro de controle emocional e lar da nossa personalidade. Não existe outra parte do cérebro na qual lesões possam causar sintomas tão variados (Kolb & Wishaw). Os lobos frontais estão envolvidos na função motora, solução de problemas, espontaneidade, memória, linguagem, iniciação, julgamento, controle de impulsos e comportamentos sociais e sexuais. Os lobos frontais são extremamente vulneráveis à ferimentos devido à sua localização na parte frontal do crânio, à sua proximidade com asa do osso esfenóide e ao seu grande tamanho. Estudos realizados com MRI (ressonância magnética) apontaram que a área frontal é a mais atingida por lesões traumáticas moderadas no cérebro (Levin et al., 1987). Existem diferenças assimétricas importantes nos lobos frontais. O lobo frontal esquerdo está envolvido no controle de movimentos relacionados à linguagem, enquanto o lobo frontal direito desempenha um papel em habilidades não-verbais. Alguns pesquisadores enfatizam que esta regra não é absoluta e que em muitas pessoas ambos os lobos estão envolvidos em praticamente todos os comportamentos. Perturbações na função motora são tipicamente caracterizadas pela perda dos movimentos finos e da força nos braços, mãos e dedos (Kuypers, 1981). Cadeias complexas de movimentos motores também parecem ser controlados pelos lobos frontais (Leonard et al., 1988). Pacientes com danos no lobo frontal exibem pouca expressão facial expontânea, o que aponta para o papel dos lobos frontais na expressão facial (Kolb & Milner, 1981). A afasia de Broca, ou dificuldade para falar, tem sido associada com danos no lobo frontal por Brown (1972). Um fenômeno interessante causado por danos no lobo frontal é o seu efeito insignificante em testes de QI tradicionais. Pesquisadores acreditam que isto ocorre pois os testes de QI tipicamente testam o pensamento convergente, ao invés do pensamento divergente. Danos no lobo frontal parecem ter um impacto no pensamento divergente, ou na flexibilidade e na habilidade de resolver problemas. Existem evidências que apontam interferências persistentes na atenção e na memória mesmo depois de uma boa recuperação de um TBI (dano traumático ao cérebro - Stuss et al. 1985). Outra área geralmente associada com danos frontais é aquela da “espontaneidade comportamental.” Kolb & Milner (1981) descobriram que indivíduos com danos frontais exibiam uma menor quantidade de movimentos faciais espontâneos, falavam menos palavras (lesões no lobo esquerdo) ou falavam excessivamente (lesões no lobo direito).

. Lesões na área parieto-temporal direita estão relacionadas à problemas na memória não-verbal. a qual abala muitas das habilidades de cuidado próprio. Um dos efeitos mais comuns do dano frontal pode ser a mudança dramática no comportamento social. 1977). Perseveração em uma resposta (Milner. incluindo nossa orientação do espacial do corpo (Semmes et al. Lesões na área de associação parieto- . objetos que carecem de cor ou objetos exibindo uma coloração anormal. Danos no lobo esquerdo geralmente se manifestam como pseudodepressão* e danos no lobo direito como pseudopsicopatia** (Blumer e Benson. uma síndrome motora e da atenção visual. Schwartz & Jessel. 1964).Uma das características mais comuns do dano no lobo frontal é a dificuldade para interpretar respostas ambientais. primariamente com o sistema visual. Dos bilaterais (grandes lesões em ambos os lados) podem causar a “Síndrome de Balint”. A primeira função integra informações sensoriais para formar uma única percepção (cognição). embora qualquer trauma significante ao cérebro pode causar súbitas mudanças no nosso sistema visual-perceptual. O comportamento sexual também pode ser afetado por lesões frontais. 1975). Os lobos parietais podem ser divididos em duas regiões funcionais. discriminação de movimentos e discriminação de cores (Westmoreland et al. e Token Test (habilidades lingüísticas). Ilusões visuais (percepções distorcidas) podem tomar a forma de objetos aparentando uma dimensão maior ou menos do que realmente possuem. tais como vestir-se e banhar-se. Danos órbito-frontais podem desencadear um comportamento sexual anormal. tais como defeitos no campo de visão e escotomas. A personalidade de um indivíduo pode sofrer mudanças significantes depois e um dano nos lobos frontais. Alucinações visuais (imagens visuais sem a presença de um estímulo externo) podem se causadas por lesões na região occipital ou por convulsões dos lobos temporais. Dano a um dos lados dos lobos occipitais podem causar perdas homônimas na visão com exatamente o mesmo corte no campo de ambos os olhos. Alguns testes comuns para o funcionamento dos lobos parietais são: o Kimura Box Test (apraxia) e o Two-Point Discrimination Test (somatosensorial). Finger Tapping (habilidades motoras). tais como anormalidades na imagem corporal e nas relações espaciais (Kandel. a negação de déficits (anosagnosia) e habilidades para desenhar. Os lobos frontais também são creditados por desempenhar um papel em nossa orientação espacial. Uma envolvida na sensação e na percepção e outra responsável pela integração do input sensorial. A segunda função constrói um sistema de coordenadas espaciais para representar o mundo que nos cerca. comportamentos de risco. Danos no lado direito também podem causar dificuldades para a realização de muitas coisas (apraxia construcional). Danos ao lobo parietal esquerdo podem resultar naquilo que é chamado de “Síndrome de Gerstmann. 1963). 1994). 1975). e perdas na aprendizagem associativa (pelo uso de pistas externas para ajudar a guiar o comportamento) (Drewe. 1991). dificuldade de escrita (agrafia) e dificuldades com o pensamento matemático (acalculia). Indivíduos com danos nos lobos parietais geralmente demonstram profundos déficits. Também pode produzir desordens na linguagem (afasia) e a inabilidade de perceber objetos normalmente (agnosia). Alguns testes comuns para o funcionamento do lobo frontal são: o Winsconsin Card Sorting (inibição de resposta). Desordens no lobo occipital podem causar alucinações visuais e ilusões. A região peristriada do lobo occipitalestá envolvida no processamento viso-espacial. Déficits especiais (primariamente à memória e personalidade) podem ocorrer se houverem danos à área entre os lobos parietal e temporal. Existem algumas diferenças no lobo esquerdo em relação ao lobo direito nestas áreas. 1975) são alguns poucos exemplos deste tipo de déficit. 1985). insubordinação à regras (Miller. enquanto danos dorso-laterais podem reduzir o interesse sexual (Walker e Blummer. especialmente quando ambos os lobos estão envolvidos. podendo ocasionar mudanças significativas na personalidade.” Esta inclui confusão entre esquerda e direita. Os lobos occipitais são o centro do nosso sistema de percepção visual... Eles não são muito vulneráveis à danos por conta de sua localização na parte posterior do cérebro. 1994). para integrar componentes da cena visual (simultanagnosia) e para alcançar de forma coordenada um objeto com o auxílio da visão (ataxia óptica) (Westmoreland et al. Danos ao lobo parietal direito podem resultar na negligência a uma parte do corpo ou do espaço (negligência contralateral). Lesões na área parieto-temporal esquerda podem afetar a memória verbal e a habilidade da recordar seqüências numéricas (Warrington & Weiskrantz. Esta é caracterizada pela incapacidade de controlar voluntariamente o olhar (ocular apraxia).

4. alterações na personalidade e no comportamento afetivo. tais como músicas e desenhos. Lesões no lobo temporal direito podem causar uma perda na inibição da fala. aumentando a atividade) (Blumer & Walker. Indivíduos com lesões cerebelares tendem a apresentar dificuldades para se equilibrar e virar enquanto caminham. Está relativamente bem protegido de traumatismos se comparado aos lobos temporais. 5. Lesões no lado esquerdo resultam em perdas na lembrança de conteúdos verbais e visuais. o tronco cerebral está localizado em uma área próxima a protusões ósseas. perturbações na organização e categorização do material verbal. Lesões no lobo temporal esquerdo resultam em perdas no material mnemônico e verbal. 1991).Revised (memória verbal). exitação e caminhar de base larga (mancar atáxico). fala embargada (disartria atáxica). na qual comportamento imaturo. que ocorre após uma lesão no lobo frontal. Déficits na atenção seletiva visual ou auditiva são comuns em danos nos lobos temporais (Milner. * Pseudodepressão: uma condição da personalidade. 4. 6. perturbações na compreensão da linguagem. reconhecimento facial). 6. 2. frontais e ao tronco cerebral.temporo-occipital podem causar cegueira à palavras e impedimentos na escrita (alexia e agrafia) (Kandel. Lesões no lado direito podem afetar o reconhecimento do conteúdo visual (por exemplo. 7. músculos enfraquecidos (hipotonia). Os lobos temporais estão envolvidos na organização primária do input sensorial (Read. despertar e consciência. Convulsões dos lobos temporais podem causar efeitos dramáticos na personalidade do indivíduo. Danos no cerebelo podem levar à: 1. Schwartz & Jessell. Epilepsia do lobo temporal pode causar discursos perseverantes. perturbações na sensação e percepção auditiva. 8. 8. tendência a cair para frente. . alterações no comportamento sexual. 1975). perturbações na atenção seletiva de inputs auditivos e visuais. tremores nos movimentos (tremor de intensão). incapacidade para realizar movimentos rápidos alternados (adiadochocinsesia). equilíbrio e balanceamento e tônus muscular. incapacidade de julgar a distância e o momento de parar (dismetria). tornando-o vulnerável à danos durante traumatismos. 7. Lesões do lado direito resultam em perdas no reconhecimento de seqüências tonais e de muitas habilidades musicais. 1975). desordens na percepção visual. ** Pseudopsicopatia: uma condição da personalidade. 3. e 9. O tronco cerebral desempenha um papel vital na atenção. O cerebelo está envolvido na coordenação do movimento motor voluntário [a função cerebelar é inconsciente]. 5. perda de coordenação do movimento motor (assinergia). na qual apatia. paranóia e episódios agressivos (Blumer & Benson. incluindo percepção da fala. Toda informação vinda do nosso corpo passa pelo tronco cerebral no caminho para o cérebro. Kolb & Wishaw (1990) identificaram oito sintomas principais aos danos nos lobos temporais: 1. Danos severos aos lobos temporais também podem alterar o comportamento sexual (por exemplo. movimentos oculares anormais (nystagmus). 1981). 3. Ele se localiza logo acima do tronco cerebral e na parte posterior do cérebro. A linguagem pode ser afetada por danos nos lobos temporais. Como o lobo frontal e temporal. Lesões no lobo temporal direito resultam na lembrança de materiais não-verbais. Lesões no lobo temporal esquerdo perturbam o reconhecimento de palavras. perturbações na memória de longo prazo. 1968). 2. Indivíduos com lesões nos lobos temporais apresentam dificuldades na categorização de palavras e figuras. Os lobos temporais estão altamente associados com as habilidades mnemônicas. ausência de tato e refreamento e outros comportamentos sintomáticos de psicopatologia são aparentes mas não são acompanhados por outros componentes mentais ou emocionais equivalentes da psicopatologia. Testes comuns para o funcionamento do lobo temporal são: Rey-Complex Figure (memória visual) e Wechsler Memory Scale . Danos ao cerebelo resultam em movimentos lentos e descoordenados. indiferença e perda de iniciativa são os sintomas aparentes mas não são acompanhados por um senso de depressão no paciente. que ocorre após uma lesão no lobo frontal.

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