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Apelação Cível n. 2010.057110-8, da Capital Relator: Des.

Jairo Fernandes Gonçalves

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE AO CONVENCIMENTO DO MAGISTRADO. ASSUNÇÃO DE CULPA DO RÉU NO BOLETIM DE OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO IURIS TANTUM DO REGISTRO LAVRADO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CULPA DO DEMANDADO EVIDENCIADA. CONDENAÇÃO AO PAGAMENTO DE DANOS MATERIAIS COM BASE EM ORÇAMENTOS APRESENTADOS PELA AUTORA. IMPUGNAÇÃO OFERECIDA PELO DEMANDADO EM CONTESTAÇÃO QUANTO AO VALOR PRETENDIDO. ORÇAMENTO PARA CONSERTO DO VEÍCULO MUITO ALÉM DE SEU VALOR DE MERCADO. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DE EXCESSIVA ONEROSIDADE DA CONDENAÇÃO DE PRIMEIRO GRAU. NECESSIDADE DE REDUÇÃO DO QUANTUM INDENIZATÓRIO. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Age com culpa o condutor que não observa os limites de velocidade, não conduz com as devidas cautelas e termina por abalroar veículo em cruzamento de vias, devendo, com isso, ser condenado a indenizar o proprietário do automóvel danificado. O boletim de ocorrência, lavrado por autoridade policial competente, goza, conforme amplo entendimento jurisprudencial desta Corte, de presunção de veracidade iuris tantum e somente pode ser desconstituído mediante robusta prova em contrário. A obrigação do causador do dano em acidente de trânsito é recompor os danos à outra parte, de modo que, no presente caso, bastaria restituir à apelada um modelo com as mesmas características daquele que foi danificado, e, obviamente, o gasto para tal reparação seria menos oneroso, ao mesmo tempo que repararia de forma satisfatória o dano sofrido pela apelada. Logo, a exigência de impugnação específica item a item das peças de reparo, para que seja sopesado o valor a ser arbitrado, deve ser relativizada quando evidenciado o excesso de onerosidade do conserto do automóvel, diante de seu real valor de mercado, não se podendo compelir o apelante ao pagamento de valor exacerbado a título de reparação por danos materiais.

da comarca da Capital (1ª Vara Cível). em síntese. registrada com o n. esta não obteve sucesso (fl. 2010. 52-53). em linhas gerais. relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. e que o acidente se deu por culpa da autora. que a ré Maria. Realizada audiência prévia de conciliação.040. 67-68). que na oportunidade era conduzido pelo apelado Ricardo. por ter ela avançado o sinal vermelho. 55-56). Remetidos os autos à conclusão.407. em Quinta Câmara de Direito Civil. alegando. em despacho fundamentado (fl. Citada (fls. afastou a alegação preliminar de ilegitimidade. Jairo Fernandes Gonçalves . em que são apelantes Maria de Souza Izaias e Ricardo dos Santos Reis e é apelada Mara Lúcia Bedin: ACORDAM. 71-75) que julgou procedente o pedido autoral para condenar os réus ao pagamento de R$ 25.00. contra Maria de Souza Isaías e Ricardo dos Santos Reis. Houve réplica (fls. e requereu a condenação dos réus ao pagamento de R$ 25. Custas legais. 36-45).17 a título de danos materiais. corrigidos desde 9-1-2008 e acrescido Gabinete Des. que em 6-12-2007 teve seu veículo abalroado pelo veículo da apelante Maria. aduzindo. O Juiz. pois já havia negociado a venda do veículo com o segundo réu. proprietária do automóvel não era parte legítima para responder à demanda. 70).040.2 Vistos. RELATÓRIO Mara Lúcia Bedin ajuizou na comarca da Capital Ação de Reparação de Danos. 023080011465.057110-8. por votação unânime. a parte ré apresentou resposta em forma de contestação (fls.17 a título de danos materiais. sobreveio a sentença (fls. Alegou que o acidente se deu por ter o apelado Ricardo avançado um sinal vermelho. conhecer do recurso e provê-lo parcialmente para reduzir o valor arbitrado a título de reparação por danos materiais para R$ 13.

VOTO O recurso preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. 13-15). 83-90). pois trafegava pela contramão de direção ao fazer conversão cruzando a pista contrária. Defenderam. feitos em 9-1-2008. ou. além de condená-los ao pagamento das custas processuais e dos honorários na ordem de 10% sobre o valor da condenação.680. Asseveraram que em razão de ter a apelada provocado o acidente. que. pelo que. razão pela qual merece ser conhecido. em que defendeu a manutenção da decisão recorrida. girava em torno de R$ 13. o quantum arbitrado merece ser minorado. alternativamente. a procedência do pedido contraposto é medida necessária. que o valor da condenação ultrapassa e muito o valor de mercado do veículo da apelada. à época do acidente. 95-100). pois teve de arcar com cerca de R$ 2. Gabinete Des. Aduziram que não reconhecem as alegações contidas no boletim de ocorrência (fls. e julgou improcedentes o pedido contraposto feito pelos réus. ainda. Irresignados. e que o referido documento não tem o condão de determinar sem margem de erro os fatos ocorridos no local do acidente. no qual sustentaram que a apelada ocasionou o acidente. Maria de Souza Izaias e Ricardo dos Santos Reis interpuseram recurso de Apelação Cível (fls. determinar a redução do quantum indenizatório arbitrado na decisão de primeiro grau.3 de juros legais de 1% ao mês desde a confecção do orçamento dos reparos.00.00 no reparo de seu veículo. Pugnaram pela reforma da decisão para julgar improcedente o pedido autoral e procedente o pedido contraposto. Mara Lúcia Bedin apresentou contrarrazões (fls. Jairo Fernandes Gonçalves . por seus próprios fundamentos.407. caso seja mantido o entendimento de condenálos ao ressarcimento de danos materiais.

035383-0.025329-3. o que evidencia a falta de cautela com Gabinete Des. rel. o decreto não merece reforma. como dito. mormente ao se aproximar de cruzamento com semáforo. 17-18). o condutor do veículo deve demonstrar prudência especial. rel. Edson Ubaldo. isto porque não conseguiu desviar nem frear. o que. razão pela qual este tem o dever de reparação. pois não adequou a velocidade com que transitava às condições da via (AC n. 16). 13). causou dano considerável na lateral do veículo da apelada. denotando certa violência do impacto. deixando o piso molhado. como bem salientou o Sentenciante de primeiro grau. o local da batida é bem pavimentado e de boa visibilidade. E. de forma que possa deter seu veículo com segurança para dar passagem a pedestre e a veículos que tenham o direito de preferência (artigo 44 do Código de Trânsito Brasileiro) (Apelação Cível n. chovia no momento da colisão. 2007. o acidente foi causado pelo apelante.4 Quanto à procedência da ação em primeiro grau. Conforme demonstram as fotografias (fls. ainda: Ao aproximar-se de qualquer tipo de cruzamento. Jaime Luiz Vicari. Nesse sentido. Conforme consta do boletim de ocorrência (fl. 2007. Des. julgada em 1-7-2009). o que conduz ao convencimento de que o apelante transitava em velocidade incompatível com a devida no momento do abalroamento. Aliado a isso. Des.017767-4. julgada em 17-9-2009). transitando em velocidade moderada. Relator Desembargador Monteiro Rocha) (Apelação Cível n. cita-se o seguinte julgado: Age com culpa motorista que perde o controle de seu veículo devido à aquaplanagem. 2004. Jairo Fernandes Gonçalves . algumas circunstâncias chamam atenção no sentido de corroborar a culpa do apelante no acidente em questão. Em análise da documentação trazida pela apelada. Como bem esmiuçado na sentença a quo. e também porque. por si só já demanda atenção redobrada na condução de veículos em via pública. verifica-se que os danos foram de média extensão (fl.

em: 17. e ao chegar no segundo semáforo o mesmo ja estava vermelho. de Rio do Sul.5 que agiu o apelante ao conduzir seu veículo.. por via de consequência. Tal entendimento é pacífico no Egrégio Tribunal Catarinense. Ac. Luiz Carlos Freyesleben. goza de presunção relativa de veracidade (juris tantum). 14) que ". consignando que o mesmo teria dito (fl.. Des. Diferente de um documento elaborado de forma unilateral. julgada em 13-11-2009).021238-6. temse que a principal prova consiste nas declarações contidas no boletim de ocorrência (fl.008841-4. Henry Petry Junior.2006) (Apelação Cível n. rel. tenha o agente público lançado informações inverídicas no documento a fim de prejudicar o apelante. Além da análise dos elementos processuais e provas expostos. Apesar de o apelante contestar e não reconhecer a veracidade das alegações ali contidas. Des." (sic) Quanto à presunção de veracidade do boletim de ocorrência. rel. de maneira que não se pode admitir que.003288-6.06. e. 2008. 2003. Também: O boletim de ocorrência. Jairo Fernandes Gonçalves . podendo ser desconstituído somente por provas robustas em sentido contrário (TJSC. j. gratuitamente. é sabido que somente se pode desconstituir aquilo que está registrado mediante prova robusta e verossímil das alegações contrárias. vejase: O boletim de ocorrência reveste presunção de veracidade relativa e só sucumbe mediante prova melhor em sentido contrário (Apelação Cível n. 14). Des. o registro do acidente foi elaborado por autoridade policial que atendeu a ocorrência. Rel. elidir a sua culpa Gabinete Des. firmado por autoridade competente. sabe-se que a jurisprudência admite de forma pacífica a validade e presunção iuris tantum do documento. julgada em 10-11-2009). não conseguiu freiar vindo assim a ocorrer o acidente. improcedente a pretensão do apelante em desconstituir as narrativas do boletim de ocorrência. Portanto. Joel Dias Figueira Júnior. 2007.passou no primeiro semáforo já no amarelo. n. em sintonia com o disposto no artigo 364 do Código de Processo Civil.

o orçamento possui idoneidade suficiente para servir de prova das despesas efetuadas com o reparo de veículo. A obrigação do apelante. realizada em 7-3-2008. repararia de forma satisfatória o dano sofrido pela apelada. 2007. a saber. de modo que bastaria restituir à apelada um modelo com as mesmas características daquele que foi danificado. rel. obviamente. é recompor o bem danificado. bem como se entende. Infere-se dos autos que o apelante juntou em sua contestação (fl. causador do dano. que para desconstituir tal valor é necessário impugnar especificamente os orçamentos. No que pertine ao quantum indenizatório arbitrado em primeira instância.6 no acidente automotivo em tela. se o veículo tem o valor de R$ 13. Jairo Fernandes Gonçalves . "O afastamento de orçamentos acostados exige impugnação específica.00.00.407. Nesse norte: Gabinete Des. julgada em 15-3-2005). verifica-se a necessidade de sua readequação. Des. também. por exercício lógico. Nessa toada. Edson Ubaldo. Nesse sentido. Maria do Rocio Luz Santa Ritta. lastreada em contraprova vigorosa do desacerto e do excesso dos valores expostos (. tem-se que o apelante cumpriu com a determinação de impugnar o orçamento. ao mesmo tempo. 2001. o gasto para tal reparação seria menos oneroso ao apelante e. (grifou-se) Assim..015160-0. pois.040. a menos que seja efetivamente demonstrada a inadequação dos valores nele consignados (Apelação Cível n. Desa.407. julgada em 1-7-2009). rela. Sabe-se que o entendimento firmado nesta Corte é o de que basta a juntada de orçamento idôneo para que se apure o valor a ser indenizado em casos de reparação material em acidente de trânsito. 46) o espelho de consulta à FIPE..17 não pode ser admitido. referente ao valor de mercado do veículo da apelada. tem-se que: Na esteira da jurisprudência deste Sodalício.) (Apelação Cível n. seu reparo mediante o desembolso de R$ 25.025329-3. R$ 13. e.

Jairo Fernandes Gonçalves PRESIDENTE E RELATOR Gabinete Des. 29 de julho de 2011. por unanimidade. Des.026717-9. Jairo Fernandes Gonçalves . julgada em 27-7-2006). não deve a indenização ultrapassar valor que corresponda ao de um veículo semelhante ao acidentado (Apelação Cível n. julgada em 4-42006). Logo. E. pois evidenciado o excesso de onerosidade do conserto do automóvel. Florianópolis. o montante da reparação será definido de acordo com o valor de mercado do automóvel antes do acidente (Apelação Cível n. Joel Dias Figueira Júnior. Fernando Carioni. esta Quinta Câmara de Direito Civil decide.407. Participaram do julgamento. Ex positis.407.00. a exigência de impugnação específica item a item das peças de reparo deve ser relativizada no caso. conhecer do presente recurso e provê-lo parcialmente para reduzir o valor arbitrado a título de reparação por danos materiais para R$ 13. compelir o apelante ao pagamento de valor exacerbado a título de reparação por danos materiais. 2005. diante de seu real valor de mercado. a Excelentíssima Senhora Desembargadora Sônia Maria Schmitz e o Excelentíssimo Senhor Desembargador Substituto Odson Cardoso Filho. rel. conhece-se do recurso e dá-se provimento parcial a ele para reduzir o valor arbitrado a título de reparação por danos materiais para R$ 13. 2002. sob alegação de ser tal impugnação genérica. DECISÃO Nos termos do voto do Relator. rel. razão pela qual.7 Se o valor estimado para o conserto supera em muito o preço de mercado do veículo sinistrado.00.006380-6. não se pode. ainda: Os contornos da indenização por ato ilícito devem estar em sintonia com a redução do património do lesado. realizado no dia 28 de julho de 2011. tratando-se de danos materiais por acidente de automóveis. Des.