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Formas de interpretar

Os estudos modernos de história da arte desenvolvem-se segundo diretivas metodológicas fundamentais: formalista, sociológica, iconológica, semiológica ou estruturalista, que podem ser aplicados no processo de leitura de qualquer imagem criativa, independente do meio de produção.

Iconológica
O método formalista estuda a formação da obra de arte na consciência do artista e o sociológico a sua gênese e a sua existência na realidade social, enquanto o método iconológico, parte da premissa de que a atividade artística tem impulsos mais profundos, ao nível do inconsciente individual e coletivo. O assunto, que a crítica formalista elimina, é sempre um componente da obra: uma interpretação que não se pode desprezar. Tal como se pode fazer a história da arte como história das formas, também se pode fazê-la como história das imagens. A história da arte, do ponto de vista iconológico é a história da transmissão e da transformação das imagens. Os artistas contam frequentemente, com um repertório informativo para ajudá-los. Há formas e estruturas imagéticas já sedimentadas para narrar histórias consagradas, e isso significa que um pintor nem sempre tem de repensar cada elemento de um quadro. O método iconológico foi criado por Aby Warburg como modo de entendimento da história das imagens, mas foi efetivamente aplicado e desenvolvido por Erwin Panofsky nas artes figurativas, faz a identificação dos motivos, interpretando-os segundo a iconografia que é a descrição das imagens e a iconologia que compreende a estruturação dos significados. A história da arte estuda imagens enquanto linguagem, enquanto a iconologia as estuda como elemento simbólico. Francastel, que se apóia neste método de análise, pesquisa o espaço figurado pelos pintores e aponta que o sistema de signos é organizado a partir de uma linguagem construída pelo artista em relação à cultura e à sociedade a que pertence. O método iconológico se refere também à aspectos relacionados à fenomenologia que trata do modo como o homem percebe e interpreta as imagens, seja ele artista-criador ou espectador-receptor. Nele se traduz o questionamento a respeito de como se configura o fenômeno artístico. Nos processos de interpretação das imagens é possível ver através de imagens mais do que percebemos, pois o que constitui a imagem e substitui todas as falhas da percepção é a intenção. De acordo com a fenomenologia a arte deve ser entendida a partir da relação do artista com o mundo e com os outros homens, resultante de uma forma peculiar que o ser humano tem de perceber, conhecer e expressar essa relação. Um outro olhar que se apóia no método iconológico é o psicológico que estuda com exclusividade, o aspecto subjetivo, valorizando os seus elementos heterogêneos, como o prazer sensível, os impulsos e emoções. O principal autor que trabalha nessa linha de pensamento é Rudolph Arnheim que mostra que todo o pensamento está fundado numa base essencialmente perceptiva. Os aspectos sugeridos pelo autor para a interpretação da imagem são explicados a seguir. Equilíbrio é identificado por uma compensação entre forças. O modo mais simples de se obter o equilíbrio é a simetria, mas esta nem sempre é a opção escolhida porque sua

A sobreposição e a superposição são modos de representação espacial porque criam uma seqüência de objetos visuais. É a parte que determina a estrutura da imagem. Ela influencia na percepção da forma. Configuração é resultado entre forma e o entendimento que esta propõe. da cor. Ao se falar em luz é preciso ressaltar que os gradientes ocasionados por esse recurso é o mais eficiente para a compreensão da imagem. Ao captar algumas características do objeto é possível compreender a sua informação a partir do repertório do espectador. da configuração. Podem-se omitir os contornos de um objeto e ainda assim reconhecer sua imagem. Isto se dá pelo fato dos objetos serem emissores de luz. resulta em ordem visual. pela lembrança dos aspectos gravados na memória que ela suscita. A combinação de fontes de luz num todo organizado. é a própria essência da experiência perceptiva. A obliqüidade sempre cria profundidade porque é um gradiente. Ao se analisar este aspecto é possível fazer analogia entre a arte infantil. A Cor depende totalmente da incidência da luz e a sua percepção varia com a incidência desta. A forma é um meio de identificação melhor do que a cor. é a tradução física e visual da imagem identificada. pois esta está a mercê da iluminação que recebe. A mesma cor em dois contextos diferentes não é a mesma. Sendo assim a cor não é um aspecto formal de grande confiabilidade para a identificação da imagem. O peso das imagens representadas assim como o seu posicionamento espacial interfere na percepção visual do equilíbrio. O espectro das cores tem uma escala de gradações e as pessoas designam diferentes sensações por meio de diferentes nomes de cor. Forma é a configuração visível do conteúdo. pois a imagem é identificada de acordo com a experiência visual que se teve com o objeto. O Movimento pode ser percebido em função do tempo ou também do espaço. As diferenças são percebidas ao se buscar as semelhanças observadas. a primitiva e manifestações artísticas modernas. Espaço é delimitado pela presença de três dimensões. sendo que as áreas proporcionalmente menores tendem a serem vistas como figura. que é desmaterializada ou minimizada pelos artistas modernos. da tensão e da expressão. que consiste da experimentação de forças visuais . do movimento. É a síntese do que se vê. A Luz é responsável pela percepção da imagem como um todo. Dinâmica visual é uma tensão dirigida. Sua representação é uma abstração. A mesma figura em duas tonalidades diferentes não é a mesma coisa. seja ele real ou representado. Todos os elementos mantém uma relação com o espaço que ocupa. para que a tridimensionalidade seja evidenciada. Na representação visual o movimento é apresentado de maneira sugerida. Os desenhos infantis ou primitivos originam-se em conceitos abstratos. Pela análise do Desenvolvimento percebe-se que existem estágios sucessivos de desenvolvimento mental o que determina a representação imagética.previsibilidade pode tornar a imagem desinteressante. uma deformação. Este é o principal recurso para se representar a profundidade no plano. pois desenham aspectos ligados à sua experiência sensória. podendo ou não ter uma representação naturalista ou abstrata. sendo que sua representação em um plano bidimensional depende de uma tradução de linguagem. do espaço. ou seja. A forma e os intervalos entre os objetos são . através de percepções de deslocamentos seqüenciais.

. Expressão é o modo pelo qual a mensagem da imagem é interpretada. sendo que qualquer figura visível possui significado expressivo. Não é possível perceber a expressão tão claramente como se percebem as cores ou as configurações. Grafologicamente percebe-se diferenças significativas entre as pinceladas dos artistas. Figuras inanimadas carregam expressões em sentido figurado em analogia ao comportamento humano.dinâmicos.