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IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP

PARA UMA ANÁLISE DAS OBRAS DE NET ARTE Pour une analise des œuvres de net art

2008

Stefania Caliandro Professora Doutora, Professora visitante, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro Resumo Nos últimos tempos, as pesquisas de arte na internet conseguiram realizar trabalhos com valores estéticos que se destacam da simples experimentação técnica. Fazendo convergir interação e multimidialidade com elementos herdados da tradição artística e cultural, as criações reelaboram formas passadas e novos temas, valorizando a especificidade do potencial virtual. Propomos analisar a questão da percepção e da meta-percepção gerada pelas obras de Net Arte e, portanto, a posição e/ou o percurso que elas destinam ao observador. Em particular, o grande projeto Ghost City, de Judy Zollen, segue uma concepção pós-moderna da imagem e da fruição estética, desconstrói sua própria unidade em percursos de visão sempre diferentes, a ponto de cada entrada no site gerar uma percepção diversa dele. Da apropriação de imagens precedentes à sua disposição em um políptico de janelas móveis, as relações hipertextuais se complicam em um metadiscurso que é impossível recostruir na própria inteireza. A parcialidade do percurso subjuga o observador que, apesar de seus cliques, fica em posição passiva e aleatória, perdido em uma visão labiríntica da obra. Palavras-chave: Net Arte, Estética semiótica, Arte contemporânea. Résumé Dans les derniers temps, les recherches d’art dans l’Internet sont parvenues à réaliser des travaux avec des valeurs esthétiques, qui se distinguent de la simple expérimentation technique. Faisant converger interaction e multi-médialité avec des éléments hérités de la tradition artistique et culturelle, les créations réélaborent des formes passées et de nouveaux sujets, en valorisant la spécificité du potentiel virtuel. Nous voudrions analyser la question de la perception et da la méta-perception engendrée par les œuvres de Net Art et, partant, la position et/ou le parcours qu’elles assignent à l’observateur. Notamment, le grand projet Ghost City de Jody Zellen suis une conception postmoderne de l’image et de la réception esthétique, déconstruit sa propre unité en parcours de vision toujours différents, au point que chaque entrée dans le site génère une perception diverse de celui-ci. De l’appropriation d’images à leur disposition en un

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Norbert Hillaire. 4 Ver. Dos aspectos variados que a crítica e a teoria da arte e da cibercultura não cessam de ressaltar. La partialité du parcours assujettit l’observateur qui. les relations hypertextuelles se compliquent en un métadiscours qui est impossible de reconstruire dans sa totalité. PUC-RGS. L’Art numérique. A diferenciação entre interface potencial. Muito foi dito e escrito sobre a pretensa interação dos websites.br/pesq/cyber/lemos/arte. 21-31. ampliado e aprofundado sobre a espacialidade na arte e sobre formas complexas de interrelação de espaços diferentes. p. Art contemporain. 5. Arte Eletrônica e Cibercultura. Paris: Flammarion.ufba. à desterritorialização e reapropriação das estéticas2. Fronteiras: Estudos Midiáticos. 1 2 __ 2 118 . 125142. disponível também no website: http://www. quer no senso lato ou semiótico. Famecos. Mots-clés: Net Art. 6. Esthétique sémiotique. São Leopoldo. interagente. Porto Alegre. 2003. p.br/limc. porém. até um esboço. 3 Paradoxalmente. a reestruturação radical do site). em geral. a posição e/ou o percurso que elas destinam ao observador (ou internauta. um dos meios artísticos que mais se prestam para a tendência pós-moderna à hibridação1. 2. “Tecnologias do Imaginário”. malgré ses clics. do que o real. Esta apresentação é apenas uma etapa. consultado 20/11/2008. Ver Edmond Couchot. Quão interativo é o hipertexto?: Da interface potencial à escrita coletiva. Nesse sentido. variável.html. Para uma primeira síntese ver. de um projeto que pretende ser desenvolvido. em ramificações arborescentes ou por reenvio semântico). ainda frágil e hesitante. Brasil. Alex Primo. consultado 20/11/2008. segundo as estratégias que eles atualizam e legitimam a respeito dos percursos possíveis (por exemplo.facom. parece menos difícil definir o virtual. usuário. receptor. por exemplo: André Lemos. da alterabilidade (possibilidade de inserir ou retirar elementos) e até da sua reorganização (personalização de páginas que. mas também conflitual entre o chamado virtual e o real3. ao entrelaçamento dialógico. com um entusiasmo às vezes mais profético do que atento às realizações efetivas. segundo os aspectos preferenciais que a abundância dessas acepções diferentes quer sublinhar4). entre outros. junho 1997. portanto. 2003. propomos analisar apenas a questão da percepção e da meta-percepção gerada pelas obras de Net Arte e.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 polyptyque de fenêtres mobiles. impede. se retrouve en position passive et aléatoire. disponível também no website http://www.ufrgs. perdu dans une vision labyrinthique de cette œuvre. a Net Arte é. com certeza.

Deep Throat (Garganta profunda). configurações de espécie de pontos ou pixels. sobre a desmaterialização da imagem (o teletransporte em Start Treck) ou sobre a importância da interpretação do detalhe (Blow Up).org/~vuk/ascii/film/. ao mesmo tempo.art” em 1995. Escolhendo um qualquer desses filmes – de Eisenstein. as inúmeras variantes possíveis. reportamos a http://www. ou entre imagem única. Milão. –. Esse tipo de classificação. teorizado até antes da difusão da internet6. par excellence. porém. Não sem uma certa ironia. o observador vê. não é colocado em posição de simples espectador. reconstruindo trechos clássicos. por exemplo. Para ver algumas suas obras. transpostos no código ASCII8. etc. as obras mostram elementos de decodificação que normalmente não aparecem na fruição das páginas internet: essa visualização por meio do código confunde as tomadas cinematográficas.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP cooperativa5. ecoa o grau de abertura variada das obras. Reenviando a criações estéticas anteriores. Poucas reflexões aprofundam. a todas obras na web que pretendem ter finalidade estética. imagens múltiplas. pertencentes a vários gêneros. consultado 20/11/2008. Usado desde os anos 1960. mesmo que o observador não interaja através de cliques e links. as transposições pós-modernas de Cosic são hipertextos. até o site completo. acarreta o potencial de sentido (e dos sentidos) que a obra pode explorar. que distingue metatexto de hipertexto (estendendo o termo para obras de artes plásticas que ele denomina práticas hiperartísticas): “métatextualité. est la relation. Assim. 9 Reportamos à definição de Genette. e atualmente foi estendido. Assim como se distingue entre imagem fixa e imagem em movimento nos meios tradicionais. 1962. na tela encaixada na janela.. 5 6 __ 3 119 . Código Padrão Americano para o Intercâmbio de Informação. qui unit un texte à un autre dont il parle [. em seqüência. propõe cenas de filmes famosos. 8 Acrônimo para American Standard Code for Information Interchange. é ainda a base de muitas transmissões telemáticas e informáticas. em seqüência ou em co-presença. no sentido semiótico9: apelam à Ibidem. Psycho (Psicose). Ver Umberto Eco. 2008 colaborativa ou por exemplo. o tipo de envolvimento que essas estratégias implicam na percepção.]. que inicialmente foi adotado apenas por um grupo de artistas. um dos primeiros artistas net7. p. levando em conta. C’est. O trabalho do esloveno Vuk Cosic.8-14. talvez seja oportuno diferenciar entre as obras de Net Arte que se valem de uma janela única.. o ASCII. longe de ser puramente formalista. mais ou menos hierarquizadas. on dit plus couramment de « commentaire ».ljudmila. Opera Aperta. Bompiani. sem o ponto. janelas paralelas. 7 Vuk Cosic é conhecido por ter formulado o termo “net. la relation critique”. do fantástico ao pornográfico.

não se trata mais de uma forma hipertextual. informado das relações entre o que ele esta vendo e percorrendo e a percepção de um saber que vai além da experiência do site tout court.0. pois a visão do código-fonte não é prática ordinária do usuário comum. em que o clicar do observador encadeia janelas em seqüência. bien sûr. Concebido. Jodi. Nesse caso. a obra apela à capacidade do internauta de remontar a essa meta-descrição que é matriz mesma da página. Sem que o observador possa controlar essa desestruturação.potatoland. desta vez também no sentido informático. a um primeiro olhar. é Shredder do americano Marc Napier10. um amálgama de caracteres e formas descontruídas. Seuil. que encaixa e decompõe o site apontado pelo observador.. de Napier. Palimpsestes. quase abstrata e. umas imagens desenhadas com caracteres de teclado.. Com toda evidência. La littérature au second degré. Outro site que funciona de maneira hipertextual. mas com paginação. ele é que orienta quais páginas serão atacadas. no código-fonte da própria primeira página. J’entends par là toute relation unissant un texte B (que j’appellerai hypertexte) à un texte antérieur A (que j’appellerai. por parte do observador: não apenas a faculdade de ver a origem da página aparentemente incongruente. esse percurso de redescoberta do código-fonte é ditado por um duplo saber. notadamente uma bomba. variável segundo o dia e segundo alterações casuais do procedimento. Vê-se nesses primeiros exemplos de Net Arte uma concepção mais articulada da simples interação do observador. 536).org esconde.jodi.org11 parece. o site wwwwwwwww. Paris. Talvez estes elementos constitutivos específicos do “hypertextualité. hypotexte[. é de 1998. ao fundo. 10 Ver o link Schred em http://www. Schredder 1. 1982. A primeira versão. 11 O título sintetiza o nome dos autores Joan Heemskerk e Dirk Peasmans que realizaram a obra em 1995. desprovidas da própria formatação e configuração em páginas.]) sur lequel il se greffe d’une manière qui n’est pas celle du commentaire”. À diferença de Schredder. então. p. além disso. de maneira semelhante. 4 __ 120 . desconstruindo-as: as imagens e escrituras originais reaparecem. por um lado. 11 e 13.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 competência e ao saber do observador. tornando-as conteúdo desarticulado para uma nova expressão ilegível. cuja percepção se pressupõe colaborar em reconhecer as cenas pontilhadas. Gérard Genette.org/. mas um conhecimento de ordem meta-discursivo – seja um saber transmitido por referências bibliográficas ou contextuais –. demolidas. ver também p. predefinida. fragmentadas. em que o observador fornece o endereço das páginas web que esse site vai citar.

mas a experiência não afeta o registro de produção da obra nem se vale de ligações hipertextuais. Sem saber estar implicado na obra. 2003.html. cor e colocação no quadro. Em Color Balance. repetido de maneira cíclica. o observador se torna. estudar o diferente peso gerado por forma. 13 Hello. realizado por Brócolis. 12 A versão 2. Porém. possibilidades hipertextuais. Espero que você goste”. quase pioneiras e atualmente reconhecidas na história do Net Arte. da dupla brasileira apelidada Brócolis13.net/.numeral. até que. Leandro Vieira e Mariana Meloni. passando sobre a imagem com o movimento ordinário do mouse. Simon12.arteria8. desejada ou não.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 novo meio (pixels. é disponível em http://www.com/appletsoftware/colorbalance. não é preciso que haja páginas em seqüência ou reenvios hipertextuais para que o observador atinja um nível meta-discursivo ou reflexivo sobre o seu próprio fazer. Risos sinistros no sonoro e um texto escrito na imagem completam o vídeo: “Oi. mostra uma mulher apavorada e um braço de alguém fora do quadro da imagem. Estabelece-se. mas a participação se limita a experimentações pré-estabelecidas e definidas pelo programa. com todas as reações emocionais subjetivas variadas que essa experiência inesperada pode acionar. ou seja. um breve vídeo. Ele adquire consciência do próprio papel dentro do “jogo” violento. Isso é um novo jogo especial. códigos de transmissão e código-fonte) fossem particularmente explorados pelas criações mencionadas. um momento reflexivo sobre sua implicação. 1997. Você é o primeiro jogador. O observador permanece em uma posição de não-compreensão da cena e do sentido textual. é disponível no site de Net Arte http://www. __ 5 121 . Nossa tradução do texto que parece em inglês no vídeo. o observador pode interagir colocando formas retangulares de diversas cores nas duas telas penduradas a uma balança. ator-matador no interior da tomada fílmica. consultado 20/11/2008. Em Hello. em um instante. além de uma participação aparentemente passiva. Esse jogo é minha primeira obra. perceber a relação dos efeitos ópticos com sua transposição gravitacional. apontando uma pistola contra ela. deixa partir a seqüência do tiro e uma mancha de sangue explode da cabeça da mulher. então. Não apenas os resultados da interação são efêmeros. devida ao simples feito de entrar. consultado 20/11/2008. nem todas as obras desenvolvem esse tipo de interação em que o observador é reportado a vários níveis de produção e fruição da imagem. de Jonh F. olhar e envolver-se na fruição. Contudo. a fim de enfatizar o potencial estético inusitado da rede.

Consultado 20/11/2008. é visível no endereço http://www. nem se supõe que este saiba estar participando de uma obra estética. qualquer percurso é único e irrepetível. configurando. revista on-line: http://archee. uma vez que o autor conserva seu anonimato. ser solicitada pela obra. dias. mas a cada entrada. porém. já bem analisada pela crítica15.mouchette.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 A implicação do observador pode. o público. Sobretudo. vivendo em Amsterdã14. a ambigüidade que a palavra arte acarreta na internet. ele percebe que. Les ficelles du dispositif artistique “Mouchette”: Implication du spectateur et mise en forme de la réception dans le net. ver igualmente http://www. 1997-2003. tocando temas sinistros como a violência e o suicídio. reunindo vários projetos16. o observador entende que sua percepção está fadada a permanecer necessariamente fragmentária: ele nunca abrangerá a totalidade do site.com/documentation/.com/. Se textos e imagens 14 Criado em 1996. brincadeiras para criança e páginas rosas. Servindo-se de estratégias sedutoras no limiar da pornografia e da pedofilia. ativada por meio de links em imagens e textos. Alguns grupos de páginas se encadeiam em seqüência compacta e pré-estabelecida.ghostcity. não implicam. algumas desaparecem. graças a um sistema semi-automatizado.art. uma grande obra complexa. Atraindo o interesse voyeurista do grande público. As modalidades dessa interação. outras se reconfiguram. de Jody Zellen. o site www. o site contribui para acrescentar. permite à personagem da ficção preservar o contato com seus numerosos interlocutores. esse site se vale também de troca de correio personalizado que.php?page=article&no=175.ca/. em um quadro kitsch de flores. Para documentação sobre a obra e os projetos.qc. meses. Consultados 20/11/2008. repetindo sua ação após diversos minutos. artigo: http://archee. uma atitude reflexiva ou meta-discursiva do lado do observador. fidelizando. no entanto.org ressalta o problema da identidade real e do uso de pseudônimos na Internet. de fato.ca/ar.qc. portanto. todavia. sem que ele desenvolva necessariamente esse momento reflexivo sobre o próprio fazer. Achée.ghostcity. 16 Ghost City. janeiro 2002. Mouchette. __ 6 122 . entre outras coisas. a distância temporal. 15 Ver Jean-Paul Fourmentraux. um percurso singular no interior do site. Uma concepção ainda diferente da interação entre obra e observador é determinada pela criação Ghost City. As relações entre páginas ou entre grupos de páginas se deslocam. incita à interação através de caixas vazias em que o observador pode inserir comentários ou respostas. ainda ativo e em devir. O observador se move na obra apenas através de cliques e deslocamento do mouse na tela. consultado 20/11/2008. ao contrário. site de uma pretensa artista de 13 anos.

IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 concernem essencialmente o tema urbano indicado no título. A herança de formatos plásticos múltiplos como o políptico. Nesse sentido. de ler as citações por completo. entre as páginas e as janelas perde sua linearidade. repetidas em muitas variantes e combinadas de maneira sempre diferente com outras. Essas últimas podem tanto ocupar toda a extensão da tela. escolhendo o caminho por qualquer bifurcação ou cruzamento múltiplo. tornamse expressão metonímica da fruição do site. evocando fragmentos de discursos e rumor de conversas em várias linguagens. umas pernas andando. Privilegiando o olhar. o mosaico ou. mas sem poder dirigir o sentido. caminhos. flutuando no campo. deixando-se guiar pela curiosidade. que marcam a contradição urbana de momentos de solidão e lugares despovoados. desvia rapidamente de qualquer propósito de observar cada ilustração. em túneis. Essencialmente. quadrinhos. __ 7 123 . se enriquece do movimento antes das janelas que das imagens. a obra se aproveita também de umas possibilidades polissensoriais da mídia. invertendo a marcha. silhuetas anônimas. À multidão se contrapõem figuras isoladas. domina a sensação cinestésica do atravessar. as janelas se libertam da rigidez tradicional. nem ter finalidade outra que estética. de janela em janelas. O olhar pula. descobrindo novas vias. no próprio interior da página. estranhando uma paisagem que começava a parecer familiar. reencontrando figuras. Entre as imagens reiteradas freqüentemente. repassando por lugares conhecidos. porém. com faixas e colunas rolantes. com figuras que andam. tanto metropolitana quanto virtual. mesmo. sinais de trânsito. A percepção. até explodir em uma simultaneidade intermitente. entre os textos. invadindo a tela e subjugando o observador com uma eletrização incontrolável do campo perceptivo. pulando. edifícios arquitetônicos e lugares subitamente vazios. carros. multidão em movimento. Metáfora das práticas na internet. é atraído por imagens que piscam. recortando-se eventualmente. o percurso entre as imagens. O próprio percurso espaço-temporal não-linear esboça a única forma de conhecimento que essa cidade fantasma deixa ver ao observador. a quantidade de trechos e o excesso de fotos. mas com saltos. A percepção se aproxima daquela de quem anda na complexidade de uma cidade tentacular. notadamente na parte sobre as vozes desincorporadas. quanto ser de tamanho menor e se dispor em concomitância. atravessa os textos. Tornando-se móveis. quer por superposição ou paralelamente a outras janelas. como o mapa do site ou uma apresentação geral da cidade. por um pormenor. nunca mostra uma visão panorâmica. até sombras. de caminhar na cidade e penetrar na rede. parando apenas sobre umas palavras-chaves. de uma página para outra. às vezes sem saída. indo por ruas. voltando para trás. circula no site. pelo movimento inusitado das janelas. a passagem através dos links.

synesthesie. Éditions du Seuil. Conforme escreve com afinco Sémir Badir em um artigo sobre a relação entre semiótica e mídias. disponível no endereço http://www.. esboçando uma nota semiótica sobre as especificidades do meio que essas criações parecem ressaltar. Milão: Bompiani.com/blog. Ver Hubert Damisch. cit. aproveitada pelos artistas net. em relação ao ritmo do internauta19. com quais efeitos”21. não permite uma metapercepção da obra na própria inteireza. Anne-Marie Morice. não há espaço no ciberespaço18 e que a temporalidade se constrói. em geral. 1991). 1975 (trad.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 retornos. 20 Ver Umberto Eco. 19 Ver. Le Signe. conforme sugeria implicitamente Eco quando substituía a palavra contato com canal no esquema lingüístico clássico. a interação ressalta paradoxalmente a impossibilidade da apropriação do próprio caminho por parte do observador. Semem. Se. Nessa concepção estética.org. Skyline. 17 18 __ 8 124 . Gostaríamos de concluir nossa primeira aventura crítica na rede ilimitada das experimentações de Net Arte. o esquema comunicacional de Jakobson. um nível de descrição cartográfica da arquitetura da obra. État des lieux et perspectives d’un dialogue”. em uma óptica pós-moderna. por qual canal. Ver Jean-Paul Fourmentraux. como declara o autor de Mouchette em uma entrevista. toda a força do imaginário – virtual e real – que nos livra a internet reside na união indiscernível de mídia e suporte. A parcialidade das trajetórias e sua imbricação forçam o observador a permanecer na fruição de quem. por exemplo. Paris. Les ficelles du dispositif artistique “Mouchette”. sem impáginação. em português: Tratado de semiótica geral. http://semen. experimenta a complexidade do labirinto17. aberturas aleatórias e variantes móveis. A desmaterialização aparente dos meios plásticos. sem alcançar. a quem. Quelques éléments pour aborder le e-@rt. mas também de fruição estética. Trattato di semiotica generale. Texto escrito em 02/04/2001 e publicado no blog: Synesthésie. L’art actuel em réseau. 1988. 21 Ver Semir Badir. São Paulo: Perspectiva. Umberto Eco. Em seus primeiros ensaios20. consultato 20/11/2008. Bruxelas. Labor. conforme disse Damisch. 23. exalta essa necessidade de ampliar a concepção da troca comunicacional. 1996. consultado 20/10/2008.php?postId=252. La sémiotique aux prises avec les médias. aqui reproduzido. “Sémiotique et communication.revue. op. Umberto Eco retomava o esquema que Roman Jakobson tinha elaborado apud a formula de Laswell: “Quem diz o que.

. De l’apparence à l’apparition: communication et conscience dans la cybersphère. a Net Arte reconsidera não apenas canal e códigos (escondidos ou declarados) da fruição estética.. mas até o contexto....IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP CONTEXTO DESTINADOR.] dentro dos quais o observador ou o espectador pode fazer a experiência e construir o sentido”22. que já parece uma transformação épocal.. sob forma ainda mais virtualizada... inscrevendo-o.. Essa substituição.... consultado 20/11/2008..fr/revue1999/content/ascott.. 9 __ 125 .. na óptica de uma extensão generalizadora da instância através da qual a mensagem é transmitida.... os artistas estão apropriando o novo meio de expressão para criar formas alternativas ao poder midíatico de museus e circuitos artísticos. o artista não cuida mais “de criar......... menos inocente do que pode aparecer.. mas portas (no sentido informático) para entrar no mundo. Conforme escreveu Roy Ascott em um artigo quase manifesto da sua estética.htm. 22 Roy Ascott. na descentralização pós-moderna do assunto da comunicação em si... Texto traduzido em francês por Dominique Desbois e publicado em http://audiolabo. Por outro lado.. visando ela mesma a produzi-lo..free. em uma óptica que não prevê mais janelas para ver (no sentido de Alberti).MESSAGEM. mas também de diversas tendências atuais. Talvez não seja inoportuno mencionar que. expressar ou transmitir um conteúdo” mas “é implicado na concepção de contextos [.. no interior do canal.DESTINÁTARIO CONTATO CÓDIGO 2008 foi difundido por Eco substituindo ao termo contato a palavra canal.. intuindo a importância que vem assumindo esta tendência.. desvela uma tendência a deferir o momento do contato...

IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 1. (Image do site.) __ 10 126 . 1997-2003. (Image do site durante uma interação.) 2. Ghost City. Shredder. 2008. Marc Napier. Jody Zellen.

Jody Zellen.IV ENCONTRO DE HISTÓRIA DA ARTE – IFCH / UNICAMP 2008 3.) __ 11 127 . Ghost City. (Image do site. 1997-2003.