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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE TECNOLOGIA E GEOCIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL
ÁREA DE TECNOLOGIA AMBIENTAL E RECURSOS HÍDRICOS

SERVIÇOS AMBIENTAIS DESEMPENHADOS POR ÁREAS DO
EXÉRCITO BRASILEIRO NO BIOMA MATA ATLÂNTICA




HELDER DE BARROS GUIMARÃES



Tese de Doutorado







Recife
Fevereiro, 2013




ii

HELDER DE BARROS GUIMARÃES

SERVIÇOS AMBIENTAIS DESEMPENHADOS POR ÁREAS DO
EXÉRCITO BRASILEIRO NO BIOMA MATA ATLÂNTICA




Tese de Doutorado

Tese apresentada ao Programa de Pós-
graduação da Universidade Federal de
Pernambuco, como parte dos requisitos
para obtenção do grau de Doutor em
Engenharia Civil na área de Tecnologia
Ambiental e Recursos Hídricos.



Orientador: Prof Dr Ricardo Augusto Pessoa Braga









Recife
Fevereiro, 2013

iii















Catalogação na fonte
Bibliotecário Marcos Aurélio Soares da Silva, CRB-4 / 1175








HELDER DE BARROS GUIMARÃES

G963s Guimarães, Helder de Barros.
Serviços ambientais desempenhados por áreas do exército
brasileiro no bioma mata atlântica / Helder de Barros
Guimarães. - Recife: O Autor, 2013.
xxii, 183 folhas, il., gráfs., tabs.

Orientador: Profº Drº. Ricardo Augusto Pessoa Braga.
Tese (Doutorado) – Universidade Federal de
Pernambuco. CTG. Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, 2013.
Inclui Referências e Apêndice.

1. Engenharia Civil. 2.Serviço Ambiental. 3.Bioma –
Mata Atlântica. 4.Exército - Pernambuco - Brasil. I. Braga,
Ricardo Augusto Pessoa (Orientador). II. Título.

UFPE
624 CDD (22. ed.) BCTG/2013-058
iv



SERVIÇOS AMBIENTAIS DESEMPENHADOS POR ÁREAS DO
EXÉRCITO BRASILEIRO NO BIOMA MATA ATLÂNTICA



BANCA EXAMINADORA



______________________________________________________
Prof.ª Drª Josiclêda Jovinciano Galvíncio


______________________________________________________
Prof.ª Drª Maria do Carmo Martins Sobral


______________________________________________________
Prof.ª Drª Sônia Aline Roda


______________________________________________________
Prof.
o
. Dr Paulo Tadeu Ribeiro Gusmão


______________________________________________________
Prof.
o
Dr Ricardo Augusto Pessoa Braga




Aprovado em: ___/___/___











v








































À Micheline.











vi

AGRADECIMENTOS


Agradeço à minha esposa Micheline pela compreensão nos momentos que estive
ausente e pela participação efetiva na conquista deste objetivo. Sem você eu não
teria a tranquilidade para alcançar esta etapa.

Orientador, professor e amigo Ricardo Braga pelas orientações precisas,
objetivas, pertinentes e sinceras.


Professora Josicleda e amigo Tiago Henrique pelo apoio na elaboração dos
mapas.

Professora Ângela Isidro Farias pelo incentivo em prosseguir na busca do
conhecimento.

Aos Coronéis Melo Barros e Villaça pelo apoio e incentivo dado durante o curso e
por toda valiosa contribuição e interesse com que colaboraram nesta iniciativa

Minha mãe e irmã pelo apoio incondicional nas minhas conquistas acadêmicas.

Ao Exército Brasileiro por ter facilitado as condições necessárias para a obtenção
dos dados utilizados na pesquisa

À 3ª Divisão de Levantamento pela facilitação e apoio na elaboração de imagens.

Ao Professor Jaime Cabral pelo apoio e incentivo para iniciar esta pesquisa.







vii

RESUMO

Neste trabalho investigaram-se os Serviços Ambientais desempenhados por
áreas tuteladas ao Exército Brasileiro localizadas na Região Metropolitana do
Recife (RMR), Pernambuco-Brasil. As cinco áreas de estudo foram o Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante, 14º Batalhão de Infantaria Motorizado, 7º
Grupo de Artilharia de Campanha/3ª Divisão de Levantamento, 4º Batalhão de
Comunicações e o Complexo Militar do Curado. Antes de ficarem sob a
responsabilidade do Exército, estas áreas eram utilizadas no cultivo de cana-de-
açúcar e capim para pecuária. Hoje, o seu conjunto representa a maior parcela
dos remanescentes do Bioma Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco.
Estas apreciações conduzem às seguintes hipóteses: o Exército Brasileiro
desenvolve diversas atividades de instrução e treinamentos em áreas com
cobertura florestal as quais, aliadas às restrições impostas pela administração
militar, contribuíram para a regeneração dos ecossistemas locais; as áreas de
floresta sob a tutela do Exército Brasileiro localizadas na RMR geram diversos
serviços ambientais de interesse do Estado e da sociedade metropolitana e de
importância ecológica mais ampla e que a inexistência de normas ambientais que
categorizem as especificidades das áreas militares podem induzir a
direcionamentos de usos incompatíveis com as atividades militares. Para testá-las
foram identificados e discutidos os serviços ambientais climáticos, os de
manutenção dos estoques e absorção de carbono, da manutenção e regeneração
da biodiversidade e da recarga de mananciais. Identificou-se a evolução da
condição ambiental das florestas tutelada ao Exército baseando-se em
comparação de fotografias e no Índice de Área Foliar. Na busca de se observar a
existência de incompatibilidade de alguns preceitos legais com as atividades de
treinamento militar, foram identificados os aspectos legais ambientais que
norteiam estas áreas. Por fim, identificaram-se os usos atuais, usos pretendidos e
vislumbrou-se cenários inerciais e induzidos para os objetos de estudo. Os
resultados mostraram o importante papel ambiental desempenhado pelas matas
estudadas e a importante contribuição prestada em termos de serviços ambientais
pelas áreas militares para a RMR, amenizando o clima local, agindo como
regularizador de vazão de alguns mananciais e proporcionando condições para a
conservação da fauna e flora do bioma Mata Atlântica. Concluiu-se, ainda, pela
necessidade de se criar uma nova categoria de Unidade de Conservação
específica para as peculiaridades de uma área militar.

Palavras-chave: Serviços Ambientais, Exército Brasileiro, Meio Ambiente, Mata
Atlântica.











viii

ABSTRACT

In this work, we are dedicated to investigating the environmental services
generated by the Brazilian Army tutored areas located in the Metropolitan Region
of Recife (RMR), Pernambuco, Brazil. The five study areas were the Field Marshal
Instruction Newton Cavalcante, 14th Motorized Infantry Battalion, 7th Field Artillery
Group / 3rd Survey Division, 4th Battalion Communications and Military Complex
of the Curado. Before coming under the responsibility of the Army, these areas
were used in the cultivation of sugar cane and grass for li vestock. Today, the
whole represents the largest proportion of the remnants of Atlantic Forest biome
north of the Rio São Francisco. These findings lead to the following hypotheses:
the Brazilian Army develops various activities of instruction and training in areas
with forest cover which, combined with restrictions imposed by the military
administration, contributed to the regeneration of local ecosystems, forest areas
under the tutelage of the Army Brazilian located in RMR generate various
environmental services of interest of the state and metropolitan society and
broader ecological importance and the lack of environmental regulations that
categorize the specific areas of the military can induce directions of uses
incompatible with military activities. To test them were identified and discussed
climatic environmental services, the maintenance of inventories and carbon
absorption, maintenance and regeneration of biodiversity and watershed recharge.
We identified the evolution of the environmental condition of forests subordinate to
the Army based on comparison of photographs and Leaf Area Index. In the quest
to observe the existence of incompatibility of some provisions of law with military
training activities were identified environmental legal aspects that govern these
areas. Finally, we identified the current uses, intended uses and scenarios
envisioned up to induced inertial and objects of study. The results show the
important environmental role played by forests studied and important contribution
made in terms of environmental services for the military areas for RMR, softening
the local climate by acting as smoothing the flow of some springs and providing
conditions for the conservation of fauna and flora the Atlantic Forest biome. It was
concluded also by the need to create a new category of conservation for the
specific peculiarities of a military area.


Keywords: Environmental Services, the Brazilian Army, Environment, Atlantic
Forest.














ix

SUMÁRIO


Capítulo 1 - INTRODUÇÃO

1.1 Motivação, relevância e escolha do tema..............................................
1.2 Estrutura da Tese.....................................................................................
1.3 Hipóteses e objetivos da pesquisa........................................................
1.3.1 Hipóteses ...............................................................................................
1.3.2 Objetivos.................................................................................................
1.3.2.1 Objetivo Geral .....................................................................................
1.3.2.2 Objetivos Específicos .........................................................................

Capítulo 2 - REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Aspectos de Hidrologia Florestal...........................................................
2.1.1 Ciclo Hidrológico.....................................................................................
2.1.2 Balanço Hídrico.......................................................................................
2.1.3 Caracterização Hidrológica.....................................................................
2.1.4 Floresta e Água.......................................................................................
2.1.5 Floresta como Reguladora de Vazão......................................................
2.2 Conservação da Biodiversidade.............................................................
2.2.1 Fragmentação do Bioma Mata Atlântica.................................................
2.2.2 Efeito de Borda.......................................................................................
2.2.3 Situação atual da Mata Atlântica no estado de Pernambuco.................
2.3 Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono....................................
2.3.1 Efeito Estufa............................................................................................
2.3.2 Mudanças Climáticas..............................................................................
2.3.3 Conferência das Partes - COP..............................................................
2.3.4 Determinação da Biomassa e Sequestro de Carbono...........................
2.4 Serviços Ambientais ..............................................................................
2.4.1 Serviços Ambientais Florestais..............................................................
2.4.2 Manutenção da Biodiversidade...............................................................
2.4.3 Efeitos no Clima/Absorção de Carbono.................................................



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2.4.4 Proteção e Recarga de Mananciais.......................................................
2.4.5 Pagamento por Serviços Ambientais.....................................................
2.4.6 Experiências de Sucesso.......................................................................
2.4.6 1 No Brasil..............................................................................................
2.4.6.2 Na Costa Rica.....................................................................................
2.4.6 3 No México............................................................................................

Capítulo 3 - CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DAS ÁREAS DE ESTUDO

3.1 Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti...............................
3.1.1 Localização e Dimensões.......................................................................
3.1.2 Relevo, Clima e Hidrografia....................................................................
3.2 4º Batalhão de Comunicações...............................................................
3.2.1 Localização e Dimensões.......................................................................
3.2.2 Relevo, Clima e Hidrografia ...................................................................
3.3 14º Batalhão de Infantaria Motorizado..................................................
3.3.1 Localização e Dimensões.......................................................................
3.3.2 Relevo, Clima e Hidrografia....................................................................
3.4 7º Grupo de Artilharia de Campanha – 3ª Divisão de Levantamento.
3.4.1 Localização e Dimensões.......................................................................
3.4.2 Relevo, Clima e Hidrografia....................................................................
3.5 Complexo Militar do Curado (CMNE).....................................................
3.5.1 Localização e Dimensões.......................................................................
3.5.2 Relevo, Clima e Hidrografia....................................................................

Capítulo 4 - SERVIÇOS AMBIENTAIS

4.1 Serviços Climáticos.................................................................................
4.1.1 Temperatura na Superfície (Ts) e o Enhanced Vegetation Index
(EVI)................................................................................................................
4.1.2 Umidade Relativa e comportamento da temperatura no interior e
adjacências do CIMNC ...................................................................................
4.2 Serviços ambientais de manutenção dos estoques e de absorção
de carbono .....................................................................................................
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4.3 Manutenção e Regeneração da Biodiversidade....................................
4.4 Proteção e Recarga dos Mananciais......................................................
4.4.1 Recarga de Mananciais..........................................................................
4.4.2 Proteção de Mananciais.........................................................................
4.4.3 Regularização de Vazão.........................................................................
4.5 Conclusões Parciais................................................................................

Capítulo 5 - EVOLUÇÃO DA CONDIÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DE
FLORESTA TUTELADAS AO EXÉRCITO

5.1 Histórico de uso e ocupação das OM....................................................
5.2 Condição ambiental das áreas de estudo ............................................
5.3 Conclusões Parciais................................................................................

Capítulo 6 - ASPECTOS LEGAIS DAS ÁREAS DE ESTUDO

6.1. Abordagens objetivas e transversais das questões ambientais nas
normas do Exército Brasileiro......................................................................
6.2 Estudo das áreas de mata tuteladas ao Exército Brasileiro
localizadas na Região Metropolitana do Recife..........................................
6.3 Incompatibilidade das atividades militares com a legislação atual....
6.4 Conclusões Parciais................................................................................


Capítulo 7 - PROJEÇÃO DE CENÁRIOS

7.1 Usos atuais, pretendidos e conflitos.....................................................
7.2 Cenários...................................................................................................
7.2.1 Cenário Inercial ......................................................................................
7.2.2 Cenário Induzido ....................................................................................
7.3 Conclusões Parciais................................................................................



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xii

Capítulo 8 - CONSIDERAÇÕES FINAIS

8 Considerações Finais.................................................................................

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................

APÊNDICE
Apêndice A – Roteiro para Entrevista “Serviços Ambientais”


181

183








































xiii

LISTA DE ABREVIATURAS


14º BIMtz – 14º Batalhão de Infantaria Motorizado
3ª DL – 3º Divisão de Levantamento
4º BCom – 4º Batalhão de Comunicações
7º GAC – 7º Grupo de Artilharia de Campanha
APA – Área de Preservação Ambiental
BRAENGCOY – Companhia de Engenhara da Fora de Paz no Haiti
BVA – Biomassa Vegetal Acima do Solo
BVR – Biomassa Vegetal das Raízes
BVT – Biomassa Vegetal Total
CDB – Convenção Sobre Biodiversidade Biológica
CIMNIC – Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante
CNUMAD – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
CMNE – Comando Militar do Nordeste
COMPESA – Companhia Pernambucana de Saneamento
CONAMA – Conselho Nacional de Meio Ambiente
CONDEPE/FIDEM – Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de
Pernambuco
COP – Conferência das Partes
DAP – Diâmetro à Altura do Peito
EME – Estado Maior do Exército
EVI - Enhanced Vegetation Index
FEB – Força Expedicionária Brasileira
GEE – Gases do Efeito Estufa
IAF – Índice de Área Foliar
INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
IUNC – União Internacional para a Conservação da Natureza
MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
OM – Organização Militar
PNMC – Política Nacional de Mudanças Climáticas
RMR – Região Metropolitana do Recife
PGAEB – Política de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro
PNRS – Política Nacional de Recursos Sólidos
xiv

PSA – Pagamento Por Serviços Ambientais
Ts – Temperatura na Superfície
UC – Unidade de Conservação
UNEP – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento
UNFCCC – Convenção das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas










































xv

LISTA DE FIGURAS


Figura 01 – Ciclo Hidrológico......................................................................... 32
Figura 02 – Valores da Taxa de Infiltração Anual (mm) na Região
Metropolitana do Recife .........................................................

38
Figura 03 – Ciclo do Carbono considerando as atividades antrópicas
contemporâneas.....................................................................

49
Figura 04 – Variação da temperatura média da superfície da Terra desde o
ano de 1861 até o ano 2000....................................................

50
Figura 05 – Limites do Campo de Instrução Marechal de Lima Cavalcante.. 69
Figura 06 – Limites do 4º Batalhão de Comunicações do Exército............... 73
Figura 07 – Limites do Campo de Instrução do 14º Batalhão de Infantaria
Motorizado..............................................................................

76
Figura 08 – Limites do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado..................... 77
Figura 09 – Limites do 7º Grupo de Artilharia de Campanha e da 3ª Divisão
de Levantamento.....................................................................

80
Figura 10 – Limites do Comando Militar do Nordeste................................... 82
Figura 11 – Limites da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada e do 4º
Batalhão de Polícia do Exército...............................................

83
Figura 12 – Limites do 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e
respectivo Campo de Instrução.................................................

84
Figura 13 – Fluxograma da metodologia para obtenção da Temperatura da
Superfície................................................................................

87
Figura 14 – Médias mensais da temperatura do ar nos períodos de 1961-
1970; 1971-1980; 1981-1990 e 1991-2000 em Recife..............

90
Figura 15 – Variação espacial da temperatura e do Enhanced Vegetation
Index no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante
nos anos de 1988 e 2007.........................................................


91
Figura 16 – Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation
Index no 4º Batalhão de Comunicações nos anos de 1989,
2006 e 2010............................................................................


93
Figura 17 – Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation
Index no 14º Batalhão de Infantaria Motorizado nos anos de
1989, 2006 e 2010..................................................................


95
xvi

Figura 18 – Variação espacial da temperatura no 7ºGrupo de Artilharia de
Campanha nos anos de 1989 e 2010........................................

96
Figura 19 – Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation
Index no Complexo Militar do Curado (CMNE) nos anos de
1989, 2007 e 2010...................................................................


98
Figura 20 – Esboço de localização dos pontos do transecto......................... 100
Figura 21 – Comportamento da temperatura em um transecto que corta o
CIMNC....................................................................................

101
Figura 22 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante....................................

106
Figura 23 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 4º Batalhão
de Polícia do Exército..............................................................

107
Figura 24 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 14º Batalhão
de Infantaria Motorizado..........................................................

108
Figura 25 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Campo de
Instrução do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado...................

109
Figura 26 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 7º Grupo de
Artilharia de Campanha e da 3ª Divisão de Levantamento.........

110
Figura 27 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Comando
Militar do Nordeste...................................................................

111
Figura 28 - Representação gráfica do tipo arbóreo na área da 10ª Brigada
de Infantaria Motorizada e do 4º Batalhão de Polícia do
Exército...................................................................................


112
Figura 29 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 10º
Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e respectivo Campo de
Instrução.................................................................................


113
Figura 30 – Distribuição diamétrica para os indivíduos arbóreos
amostrados na área de estudo (0,25 ha). Classes Diâmetro a
Altura do Peito com amplitude de 5 cm, sendo Classe 1 = 5cm
e Classe 11 = 55cm.................................................................



117
Figura 31 – Distribuição diamétrica da Mata do Tejipió, PE, expressa em
número de indivíduos por hectare por classes de diâmetro,
com amplitude de classe de 5 cm, tendo a primeira classe
início em 4,77 cm, fechadas a esquerda...................................



123
xvii

Figura 32 – Distribuição do número de indivíduos por classe de diâmetro
intervalos fixos de 5 cm, abertos à esquerda e fechados à
direita, em um fragmento de Floresta Atlântica em Recife-PE,
Brasil.......................................................................................



131
Figura 33 – Microbacia do Riacho Catucá................................................... 136
Figura 34 – Relação da precipitação e variação do volume dos
reservatórios de Botafogo e Duas Unas no período de 13 a 29
de junho de 2010.....................................................................


147
Figura 35 – Elevação a leste de seção de manutenção do 4º Batalhão de
Comunicações na década de 1960 (33A) e em 2010 (33B)........

154
Figura 36 – Estrada privativa do Campo de Instrução Marechal Newton
Cavalcante na década de 40 (34A). - Estrada privativa do
Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante em 2006
(34B).......................................................................................



154
Figura 37 – Índice de Área Foliar no Campo de Instrução Marechal Newton
Cavalcante nos anos de 1988 e 2007.......................................

155
Figura 38 – Índice de Área Foliar no Complexo Militar do Curado nos anos
de 1989 e 2007........................................................................

156
Figura 39 – Índice de Área Foliar no 14º Batalhão de Infantaria Motorizado
nos anos de 1989 e 2010.........................................................

157
Figura 40 – Índice de Área Foliar no 4º Batalhão de Comunicações nos
anos de 1989 e 2010................................................................

148
Figura 41 – Índice de Área Foliar no 7º Grupo de Artilharia de Campanha
nos anos de 1989 e 2010.........................................................

159














xviii

LISTA DE QUADROS


Quadro 01 – Tipos de Serviços Ambientais.................................................. 57
Quadro 02 – Serviços ambientais da floresta............................................... 59
Quadro 03 – Evidências da diminuição da pluviosidade na Amazônia em
decorrência da conversão da floresta em pastagem.................

62
Quadro 04 – Métodos da categoria conceito de ligação comportamental...... 65
Quadro 05 – Localização dos pontos do transecto....................................... 99
Quadro 06 – Temperatura em um transecto que passa pelo Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante e por área adjacente
ao mesmo em período de estiagem (27/10/2010).....................


101
Quadro 07 – Umidade Relativa em diversos pontos do Campo de Instrução
Marechal Newton Cavalcante e área adjacente (27/10/2010)...

102
Quadro 08 – Mínimas e máximas Temperaturas e Umidades Relativas do
Ar em uma área fechada e uma clareira do Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante (27/10/2010)...............


103
Quadro 09 – Áreas por tipologia de cobertura vegetal dos objetos de estudo
em 2010.................................................................................

114
Quadro 10 – . Estimativa de carbono estocado nas áreas de estudo em
2010.......................................................................................

114
Quadro 11 – Estimativa de carbono estocado para o Campo de Instrução
Marechal Newton Cavalcante em um cenário futuro.................

115
Quadro 12 – Estimativa de volume interceptado e infiltrado pelas áreas de
Mata Atlântica sob a tutela do Exército na Região
Metropolitana do Recife............................................................


137
Quadro 13 – Histórico de pH dos mananciais que compõem o Sistema
Botafogo.................................................................................

138
Quadro 14 – Comparação entre as características fisiográficas das bacias
hidrográficas dos Rios Catucá e Duas Unas, evidenciando
características físicas semelhantes..........................................


146






xix


LISTA DE TABELAS




Tabela 01 – Concentrações globais de alguns Gases do Efeito Estufa
gerados por atividades humanas...............................................

48
Tabela 02 – Equações alométricas e respectivos r² ajustados (quando
informados) utilizadas nos cálculos de biomassa vegetal acima
do solo (BVA) e biomassa vegetal das raízes (BVR) no
levantamento realizado nas ilhas da região de Porto Rico, PR,
Brasil. ρ = densidade da madeira; DAP= diâmetro a altura do
peito; H=altura........................................................................





53
Tabela 03 – Estimativas da biomassa vegetal de florestas ombrófilas
densas em alguns estados brasileiros......................................

56
Tabela 04 – Relação de aves observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO DO
EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE , localizado
em Paudalho, PE, Brasil, segundo relatos de seus
funcionários, obtidos através de questionários, em 2006-2007..



119
Tabela 05 – Relação de mamíferos observados no CAMPO DE
INSTRUÇÃO DO EXÉRCITO MARECHAL NEWTON
CAVALCANTE , localizado em Paudalho, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2006-2007.............................................................................




120
Tabela 06 – Relação de répteis observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO
DO EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE,
localizado em Paudalho, PE, Brasil, segundo relatos de seus
funcionários, obtidos através de questionários, em 2006-2007..



121
Tabela 07 – Relação de anfíbios observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO
DO EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE,
localizado em Paudalho, PE, Brasil, segundo relatos de seus
funcionários, obtidos através de questionários, em 2006-2007..



121
Tabela 08 – Anfíbios, aves e mamíferos endêmicos e/ou ameaçadas de
extinção encontrados nos remanescentes florestais da Mata
do CIMNC, Pernambuco. Categorias de ameaça: DE =



xx

Declinando; VU = Vulnerável; EP = Em perigo; CR =
Criticamente ameaçado. Distribuição: CEP = Centro de
Endemismo Pernambuco; FAB = Floresta Atlântica Brasileira;
NEO = Região neotropical.......................................................



122
Tabela 09 – Relação de mamíferos observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através
de questionários, em 2010......................................................



124
Tabela 10 – Relação de répteis observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através
de questionários, em 2010......................................................



124
Tabela 11 – Relação de anfíbios observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através
de questionários, em 2010......................................................



125
Tabela 12 – Relação de aves observadas no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através
de questionários, em 2010......................................................



125
Tabela 13 – Relação de mamíferos observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos
Guararapes, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010................................



127
Tabela 14 – Relação de repteis observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos
Guararapes, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010..............................



127
Tabela 15 – Relação de anfíbios observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos
Guararapes, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010..............................



128
Tabela 16 – Relação de aves observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos


xxi

Guararapes, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010...............................

128
Tabela 17 – Relação de mamíferos observados no 7º GRUPO DE
ARTILHARIA DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE,
Brasil, segundo relato de um especialista em biologia que
serve na OM, obtidos através de questionários, em 2012.........



129
Tabela 18 – Relação de répteis observados no 7º GRUPO DE
ARTILHARIA DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE,
Brasil, segundo relato de um especialista em biologia que
serve na OM, obtidos através de questionários, em 2012.........



129
Tabela 19 – Relação de anfíbios observados no 7º GRUPO DE
ARTILHARIA DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE,
Brasil, segundo relato de um especialista em biologia que
serve na OM, obtidos através de questionários, em 2012.........



130
Tabela 20 – Relação de aves observados no 7º GRUPO DE ARTILHARIA
DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE, Brasil, segundo
relato de um especialista em biologia que serve na OM,
obtidos através de questionários, em 2012...............................



130
Tabela 21 – Relação de mamíferos observados no Complexo Militar do
Curado - CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2010.................................................................................



134
Tabela 22 – Relação de répteis observados no Complexo Militar do Curado
- CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de
seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010..


134
Tabela 23 – Relação de anfíbios observados no Complexo Militar do
Curado - CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2010.................................................................................



134
Tabela 24 – Relação de aves observadas no Complexo Militar do Curado
– CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de
seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010..


135
Tabela 25 – Dados informativos sobre as áreas objetos de estudo.............. 153
Tabela 26 – Condição ambiental, indicada pelo Índice de Área Foliar, de
xxii

fragmentos florestais sob a tutela do Exército Brasileiro na
Região Metropolitana do Recife – PE......................................

156

23

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

1.1 Motivação, relevância e escolha do tema

A presente pesquisa tem como tema uma análise dos serviços
ambientais desempenhados por áreas de florestas sob a tutela do Exército
Brasileiro, localizadas na Região Metropolitana do Recife - Pernambuco -
Brasil.
No século XVI o bioma Mata Atlântica cobria grande parte da faixa
litorânea do território brasileiro, indo do Rio Grande do Sul até o estado do Rio
Grande do Norte, possuindo ainda encraves interioranos nos estados de Minas
Gerais, Ceará e Piauí. Devastada no decorrer dos séculos, estima-se que
restem apenas 7,6% da área original, representando cerca de 290 mil
quilômetros quadrados do território nacional (MELO, 2006).
A Lei 11.428 de 22 de dezembro de 2006, conhecida como a Lei da
Mata Atlântica, considera como integrantes deste bioma as seguintes
formações florestais nativas e ecossistemas associados: Floresta Ombrófila
Densa; Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias;
Floresta Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; e Floresta
Estacional Decidual, bem como os manguezais, as vegetações de restingas, os
campos de altitude, os brejos interioranos e os encraves florestais do Nordeste.
A Mata Atlântica é considerada um hot-spot em termos de
biodiversidade e de endemismo (MYERS et al., 2000). Nas últimas três
décadas, muitos estudos foram conduzidos na floresta atlântica, a maioria
relativa à diversidade de sua fauna, entretanto, há relativamente pouca
informação disponível sobre a sua estrutura e funcionamento desse bioma
(VIEIRA, 2008).
Responsáveis pela geração de diversos serviços ambientais, as áreas
de floresta sob a tutela do Exército Brasileiro da Região Metropolitana do
Recife caracterizam-se por serem predominantemente da formação Ombrófila
24

Densa em estágio inicial de sucessão
1
, sendo esta, também a mais comum no
Estado de Pernambuco.
Os remanescentes florestais em áreas metropolitanas assumem
relevância maior, uma vez que se encontram sob potencial ou real pressão de
urbanização, como abertura de estradas, implantação de parques industriais,
criação de novos loteamentos, construção de conjuntos habitacionais e
ocupação urbana informal, tão típica dos chamados perímetros periurbanos. Os
grandes maciços florestais transformaram-se em bairros residenciais, ou em
raras exceções, em florestas urbanas, como ilhas de vegetação nativa
(BRAGA, 2008.).
Considerada a sexta maior região metropolitana do Brasil, a RMR
apresenta os problemas clássicos comuns aos adensamentos populacionais.
Elevado consumo de água e conseqüente crescente produção de esgoto e lixo,
exigindo, assim, uma grande produção dos mananciais. No entanto, o que se
observa como regra nas cidades é a ocupação desordenada, o desmatamento
e a poluição que ocasiona o esgotamento destes mananci ais hídricos
essenciais para a existência das cidades (MELO, 2006).
A RMR possui 2.768,95 km² de área, deste total apenas 8% é
representada por uma cobertura vegetal de remanescente de Mata Atlântica,
ou seja, 222,96 km² (CPRH, 2006). Nesta mesma região, as áreas
pertencentes ao Exército Brasileiro com cobertura vegetal de Mata Atlântica
representam 76 km², correspondendo a 29% do total de área com cobertura
remanescente deste bioma em toda RMR. Logo, quase um terço das áreas
remanescentes de Mata Atlântica da RMR está tutelado ao Exército Brasileiro.
Ainda com relação à cobertura vegetal da RMR, a mesma se encontra
fragmentada e em diferentes estados de degradação ou de recomposição. A
Lei Estadual Nº 9.989/87, cuja finalidade principal é a proteção do sistema
hidrográfico, do solo, da fauna e da flora existente, define 40 áreas como
reservas ecológicas, dentre elas estão as matas do Curado e a de Miritiba
(PERNAMBUCO, 1987), ambas localizadas nos limites de Organizações
Militares do Exército. Sendo, estas, as únicas que não sofrem pressões do uso

1
Ocupa regiões de clima quente, úmido e fortemente chuvoso, com média de 25°C, não mais
de 60 dias secos por ano e pelo menos 2500 mm anuais de precipitação pluviométrica. Suas
árvores chegam a atingir de 20 a 30 m de altura e, em alguns casos, a 40 m, com 4 m de
diâmetro de tronco.
25

do solo oriundas do seu entorno, tais como: ocupação urbana, cana-de-açúcar,
culturas de subsistência e pecuária.
A RMR possui um vasto histórico de problemas com inundações.
Entretanto, fruto da construção de alguns reservatórios, vários rios tiveram
suas vazões regularizadas e diminuídas, como é o caso do Rio Capibaribe, no
qual foram realizadas medidas estruturais
2
: construção de reservatórios e
controle da cobertura vegetal. Por se tratar de uma área eminentemente
urbana, a RMR possui a maior parte de sua superfície impermeabilizada. Em
conseqüência disso, os eventos de inundação ocorrem com certa freqüência.
O abastecimento de água da RMR, como em todo estado de
Pernambuco, é realizado pela COMPESA, empresa responsável pela captação
e tratamento da água no estado. A COMPESA possui um sistema composto
por reservatórios e poços localizado em todas as regiões do estado. Destaca-
se aqui, o reservatório de Botafogo, integrante do sistema Botafogo,
responsável por 17% do abastecimento da água da Zona Norte da RMR. Este
reservatório, criado em 1986, foi formado pelo represamento do Riacho Catucá,
o qual possui sua bacia totalmente localizada no interior do Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante, unidade militar cuja destinação é servir
de campo de treinamento para as tropas do Exército.
É importante observar que Pernambuco é um dos estados da federação
que possui um dos menores índices de disponibilidade hídrica (BARTH, 1999).
Por se tratarem de áreas militares e possuírem regras muito rígidas para
a circulação de pessoas civis no seu interior, a comunidade científica tem
obtido pouco acesso a atividades de pesquisa no seu interior. Contudo, é
possível encontrar alguns trabalhos acadêmicos que estudam a fauna e flora
destas áreas. Quanto a esta restrição à movimentação de Apesar das
características restritivas à movimentação de pessoas estranhas ao meio
militar, Ramos (2004), em pesquisa que trata do desempenho ambiental do
Setor Público de Defesa Português, vê neste aspecto os seguintes ponto
positivo para o desenvolvimento de atividades científicas no seu interior:
• As áreas militares são as unidades territoriais de tutela estatal com as
maiores dimensões;

2
Medidas estruturais são obras de engenharia implementadas para reduzir o risco de
enchentes.
26

• A distribuição das instalações militares em todo território nacional;
• A elevada diversidade de atividades e instalações com potenciais de impactos
ambientais;
• As Organizações Militares encontram-se inseridas em diferentes tipos de
ambientes (rurais, costeiros, urbanos, industriais e mistos), incluindo áreas
protegidas ou de especial sensibilidade ambiental;
• O setor de Defesa não tem recebido atenção específica nas orientações e
avaliações da integração ambiental nos diferentes setores de atividades, seja
no território português e em toda a Europa;
• Ausência de literatura sobre perfil ambiental do setor de defesa;
• O interesse demonstrado pelas instituições do setor de defesa.
A abrangência nacional do Exército possibilita ao mesmo possuir sob
sua responsabilidade grandes áreas territoriais
3
, as quais são encontradas em
todos os biomas brasileiros.
A grande maioria das 640 OM do Exército está localizada nas regiões
Sul e Sudeste, entretanto, o estado de Pernambuco desponta como a 3ª maior
concentração de quartéis do Brasil, sendo composta por uma Brigada de
Infantaria Motorizada, comandos de Divisão de Exército e de Região Militar,
além do Comando Militar do Nordeste.
Estas OM estão instaladas em quartéis dos mais variados tipos, tais
como: escolas de formação e aperfeiçoamento, bibliotecas, diretorias de
órgãos setoriais, depósitos de suprimento, OM operacionais (Unidades de
Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia, Comunicações, Intendência e
Material Bélico), hospitais, dentre outros.
No total, o Exército Brasileiro possui sob sua responsabilidade direta
cerca de 22.352km² do território nacional (SANTOS, 2005), uma área superior
ao estado de Sergipe e a países como Israel e El Salvador.
As estruturas e dimensões dos aquartelamentos dependem diretamente
das funções a que se destinam, variando desde pequenas instalações
edificadas a áreas com alguns milhares de hectares, como é o caso dos

3
Esta abrangência é necessária, pois viabiliza o mesmo a cumprir as funções de garantir os
poderes constitucionais, defesa da pátria e garantia da lei e da ordem por iniciativa de algum
dos poderes.
27

Campos de Instrução. As OM alvos desta pesquisa possuem área que vão de
43,53 ha a 7.325 ha.

1.2 Estrutura da Tese

A presente Tese está organizada em oito Capítulos e um Apêndice com
o roteiro de entrevista aplicado. Os resultados e as respectivas metodologias
utilizadas na investigação são apresentados nos capítulos 4 ao 7, ao final deles
também é apresentada uma conclusão parcial.
a) Capítulo 1 – Introdução: foi apresentada a relevância e a motivação
para a escolha do tema. Em seguida foram descritas as hipóteses e os
objetivos geral e específicos da pesquisa.
b) Capítulo 2 – Referencial Teórico: neste capítulo procurou-se abordar
os marcos teóricos relacionados com a pesquisa. Balizando-se nos
seguintes temas: aspectos da hidrologia florestal, conservação da
biodiversidade, mudanças climáticas e sequestro de carbono e por fim
foram abordados os serviços ambientais.
c) Capítulo 3 – Caracterização das áreas de estudo: as cinco áreas de
estudo foram caracterizadas quanto à localização, dimensão, relevo,
clima e hidrografia.
d) Capítulo 4 – Serviços Ambientais: são apresentados os serviços
ambientais climáticos gerados nas áreas de estudo baseados em dados
de Temperatura de Superfície e no Enhanced Vegetation Index. É
apresentado também o comportamento da Umidade Relativa do Ar,
além dos serviços de manutenção dos estoques e absorção de carbono,
da manutenção e regeneração da biodiversidade e da recarga de
mananciais.
e) Capítulo 5 – Evolução da condição ambiental das áreas de florestas
tuteladas ao Exército: é apresentado um panorama dos usos e
ocupação do solo das áreas estudadas e em seguida analisada a
condição ambiental da área estudada, baseando-se em comparação de
fotografias e no Índice de Área Foliar.
f) Capítulo 6 - Aspectos legais das áreas de estudo: neste capítulo
foram abordadas as normas ambientais gerais e do Exército, focando-se
28

nas áreas de estudo e na incompatibilidade de alguns preceitos legais
com as atividades de treinamento militar.
g) Capítulo 7 – Projeção de Cenários: com o objetivo de projetar, para os
próximos 20 anos, a situação ambiental dessas áreas, identificou-se os
usos atuais, usos pretendidos e os conflitos que perpassam por estas
áreas. Posteriormente, no processo de elaboração dos cenários futuros
para os diversos objetos de estudo, foram definidas duas modalidades
de projeções, uma inercial e outra induzida.
h) Capítulo 8 – Considerações Finais: neste capítulo procurou-se
evidenciar as principais contribuições do estudo e apresentação de
sugestões.

1.3. Hipóteses e objetivos da pesquisa

1.3.1 Hipóteses

- O Exército Brasileiro desenvolve diversas atividades de instrução e
treinamentos em áreas com cobertura florestal. Estas atividades, aliadas às
restrições impostas pela administração militar, contribuíram para a regeneração
dos ecossistemas locais.
- As áreas de floresta sob a tutela do Exército Brasileiro localizadas na Região
Metropolitana do Recife geram diversos serviços ambientais de interesse do
Estado e da sociedade metropolitana e de importância ecológica mais ampla.
- A inexistência de normas ambientais que categorizem as especificidades das
áreas militares podem induzir a direcionamentos de usos incompatíveis com as
atividades militares.








29

1.3.2 Objetivos

1.3.2.1 Objetivo Geral

Identificar, caracterizar e analisar os serviços ambientais gerados por
áreas de florestas sob a tutela do Exército Brasileiro, avaliando o papel das
mesmas para o sistema ecológico metropolitano do Recife.

1.3.2.2 Objetivos Específicos

• Identificar a evolução da condição ambiental das áreas de floresta desde o
período de implantação das OM até os dias atuais.

• Projetar, para os próximos 30 anos, a situação ambiental dessas áreas,
considerando um cenário inercial e um cenário induzido.

• Identificar o papel das áreas de florestas nos aspectos climáticos, absorção e
manutenção dos estoques de carbono, manutenção/regeneração da
biodiversidade e de proteção e recarga dos mananciais nas áreas onde o
Exército Brasileiro é tutor.

• Compreender a importância ambiental e hídrica das áreas para a população
humana residente na Região Metropolitana do Recife.

• Propor soluções de compatibilidade das áreas com o interesse social e
ambiental e um enquadramento legal que defina as áreas de florestas tuteladas
ao Exército.

30

CAPÍTULO 2

REFERENCIAL TEÓRICO

A presente pesquisa terá sua fundamentação balizada pelos seguintes
temas: aspectos da hidrologia florestal, conservação da biodiversidade,
mudanças climáticas e sequestro de carbono e por fim foram abordados os
serviços ambientais ou ecossistêmicos.

2.1 Aspectos da Hidrologia Florestal
Segundo o U.S FEDERAL COUNCIL FOR SCIENCE END
TECHNOLOGY, hidrologia é ciência que trata da água da Terra, sua
ocorrência, circulação e distribuição, suas propriedades físicas e químicas, e
sua reação com o meio ambiente, incluindo sua relação com as formas vivas
(TUCCI et al., 2007).
Já a hidrologia florestal é o ramo da hidrologia que trata das relações
floresta-água, ou seja, trata dos efeitos da floresta sobre o ciclo da água,
incluindo os efeitos sobre a erosão e a qualidade da água nas bacias
hidrográficas (LIMA, 2008).
O crescimento populacional nos grandes centros urbanos é
caracterizado pela demanda por espaço, necessárias à construção de
moradias, à instalação de infra-estrutura e a espaços destinados para produção
industrial e agrícola. Esta demanda implica, na maioria dos casos, na
necessidade de supressão de vegetação, alteração no uso do solo e
consequentemente em alterações no meio físico, particularmente sobre o ciclo
hidrológico e o clima.
Neste tópico será abordada a dinâmica hidrológica na floresta, pois
pretende-se identificar conceitos e as relações de alguns fenômenos
hidrológicos que têm relação direta ou indireta com a cobertura vegetal.

2.1.1 Ciclo Hidrológico
O ciclo hidrológico é um fenômeno global de circulação fechada de água
entre a superfície terrestre e a atmosfera, impulsionado fundamentalmente pela
31

energia solar e associado à gravidade e à rotação terrestre (TUCCI et al.,
2007).
Pode-se descrever o ciclo hidrológico tomando como ponto de partida a
água em suspensão na atmosfera que, sob determinadas condições
meteorológicas, condensa-se, formando microgotículas de água que se
mantêm suspensas no ar devido à turbulência natural. As microgotículas se
aglutinam ao redor de núcleos de condensação (poeira e gelo) e devido à ação
da gravidade precipitam. Durante a precipitação, parte da água sofre uma
evaporação e parte atinge a superfície terrestre. Ao atingir a superfície da
Terra, parte da água é interceptada
4
pela vegetação e por outros obstáculos e
parte atinge o solo.
A água que é interceptada pode passar por um processo de evaporação
ou reprecipitação atingindo o solo e as superfícies líquidas, a parcela de água
ao atingir o solo pode seguir os seguintes caminhos: infiltrar e posteriormente
passar por um estágio de percolação, escoar superficialmente ou escoar sub-
superficialmente. Após esta fase do ciclo, a maior parte da água encontra
novamente a superfície terrestre e estabiliza-se em formas de rios e lagos.
Segundo Dunne e Leopold (1978), os principais processos hidrológicos
que compõem o deflúvio são: o escoamento superficial Hortoniano, que é
constituído pela fração da chuva que não se infiltra no solo, escoando
laminarmente pelas porções impermeáveis do terreno; o escoamento
subsuperficial próximo à superfície, que também é chamado de interfluxo e
constitui a fração da chuva que, após a infiltração no solo, escoa lateralmente
através dos horizontes superficiais na direção da declividade; o escoamento
superficial nas zonas saturadas que é composto pela precipitação direta nas
áreas saturadas e pela água infiltrada que retorna para a superfície próxima ao
canal, chamado de fluxo de retorno e o escoamento subterrâneo ou
escoamento de base, constituído pelo escoamento da zona de saturação após
uma chuva. Vale salientar que depois que todo escoamento direto já tenha
deixado a bacia, o escoamento de base é o único componente do deflúvio.
Devido à ação de fenômenos naturais como o vento e ao calor gerado
pelo sol, a água encontrada na superfície do solo na superfície líquida da terra,

4
A interceptação é a retenção de parte da precipitação acima da superfície do solo (BLAKE, 1975) apud
(TUCCI et al., 2007).
32

passa pelo processo de evaporação, formando microgotículas na atmosfera e
fechando o ciclo hidrológico.
Pode-se observar na Figura 01 uma ilustração do ciclo hidrológico.
Nesta figura também é representada a transpiração que é um fenômeno em
que os corpos vivos eliminam para a atmosfera a água absorvida nos seus
processos vitais.













2.1.2 Balanço Hídrico
Pereira et al. (1997) definem balanço hídrico como um sistema contábil
de monitoramento de água no solo e resulta da aplicação do princípio de
conservação de massa para a água num volume de solo vegetado. Nas bacias
hidrográficas o balanço hídrico é expresso em medidas lineares de uma coluna
uniforme de água relacionados aos ganhos (precipitação) e às perdas
(evapotranspiração e escoamento) (HEWLETT,1982). Esta equação assume a
seguinte configuração:
P = Q + Et (Eq.1)
Onde:
P = Precipitação; Q = Vazão; Et = Evapotranspiração, em unidades de volume
ou lineares.

No caso dos reservatórios, este conceito teórico pode ser expresso por
uma equação que nos possibilita determinar a razão entre a variação de
Figura 01 – Ciclo Hidrológico
Fonte: (TUCCI et al., 2007)
33

volume do reservatório “dV” em um determinado intervalo de tempo “dt” como
sendo o somatório das entradas (vazão de entrada “I” e a precipitação
multiplicada pela área do reservatório “P.A”) menos as saídas (vazão de saída
do reservatório “Q” e a evaporação multiplicada pela área do reservatório
“E0.A”), expressa pela equação (Eq.2):

dV/dt = I + P.A – (E0.A + Q) (Eq.2)

Linhares (2006) conceitua resposta hidrológica como sendo a produção
de água de uma bacia, expressa como uma variável adimensional, obtida pela
razão entre total de vazão e total de precipitação em um período.

2.1.3 Caracterização Hidrológica
Tucci et al. (2007) definem bacia hidrográfica como sendo um conjunto
de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem formada por cursos de
água que confluem até resultar em um leito único de exutório.
Microbacia é conceituada por Moldan & Cerny (1994) como sendo uma
unidade de paisagem mais básica para estudar os processos hidrológicos por
causa da sua homogeneidade.
Para Walling (1980) a microbacia pode de ser definida como a menor
unidade da paisagem para os estudos dos processos hidrológicos.
Os sistemas fluviais representam o escoamento resultante da drenagem
de bacias hidrográficas, que por sua vez é formado pelo escoamento
superficial, infiltração para os lençóis subterrâneos e da água subterrânea para
os rios.
A compreensão dos fenômenos hidrológicos possibilita a realização de
análises e questionamentos sobre as relações existentes entre as florestas e
os recursos hídricos. Todavia, os fundamentos para esta compreensão
encontram-se nos dados fisiográficos de uma bacia, que são aqueles que
podem ser extraídos de mapas, fotografias aéreas e imagens de satélite.
Dentre os principais dados fisiográficos de uma bacia estão: a área da
bacia, comprimentos, índice de drenagem e declividade, medidas diretamente
ou expressas por índices (TUCCI et al., 2007).
34

A área da bacia é um dado básico que possibilita determinar a
potencialidade hídrica da bacia hidrográfica, de tal forma que, ao se multiplicar
sua área pela lâmina de chuva precipitada pode-ser definir o volume de água
recebido pela bacia.
Ainda como dados fisiográficos, podem ser citados Horton (1945) e
Strahler (1957) apud Tucci et al. (2007) que formularam critérios para o
ordenamento dos canais da rede de drenagem de uma bacia hidrográfica. Este
ordenamento é um dado utilizado na determinação dos índices de drenagem
de uma bacia.
Outro índice que pode ser determinado é o de densidade de drenagem.
O mesmo é definido por DD=L/A, onde “DD” é a densidade de drenagem, “L” o
somatório de todos os comprimentos da rede e “A” é a área da bacia (TUCCI et
al., 2007).

2.1.4 Floresta e Água
Linhares (2006) apresenta uma investigação a qual objetivou avaliar o
impacto do desflorestamento ao longo de 23 anos na Bacia do Rio Ji -Paraná.
Dentre os resultados apresentados destaca-se o fato da área de estudo sofrer,
em função das alterações da cobertura florestal, mudanças na resposta
hidrológica e nas taxas de incremento de deflúvio. Linhares (2006) conclui,
também, que a associação encontrada entre as taxas anuais de
desflorestamento e as flutuações interanuais da resposta hidrológica e da taxa
de incremento de deflúvio indicam que a remoção da floresta gera uma
resposta rápida em termos de escoamento superficial devido à diminuição dos
processos de interceptação e de infiltração. Alem disso não foram observadas
quaisquer tendências nas séries temporais anuais de dados hidrológicos
(precipitação). O autor conclui, ainda, que o não foram observados dados que
indicassem mudanças climáticas em função do desflorestamento.
Já em outro experimento realizado na década de 1940 no Estado do
Tennessee, Estados Unidos, em uma floresta de 2.800ha que havia sido
destruída para exploração de minério de cobre, foram realizadas medições
onde se observou que a precipitação em uma área que não havia sido
devastada era 25% maior que na área devastada (HURSH, 1948).
35

Lima (2008) relata as constatações observadas por (HURSH, 1948),
admitindo o indiscutível efeito das florestas na precipitação local, fazendo
referência ao fato de que quando uma nuvem (neblina) penetra numa floresta,
gotículas de água são depositadas na folhagem, as quais se acumulam e
gotejam para o solo. Esta captação física de gotículas de água da neblina pode
contribuir significativamente para o balanço hídrico local.
A existência de áreas verdes influencia diretamente diversos fenômenos
hidrológicos, como é o caso da interceptação. Este processo interfere no
balanço hídrico da bacia hidrográfica, funcionando como um reservatório que
armazena uma parcela da precipitação para consumo (TUCCI et al., 2007). A
interceptação das precipitações nas áreas de cobertura vegetal possibilita uma
regularização das vazões de cursos d’água, pois o volume retido é devolvido à
atmosfera pela evaporação. Wigham (1970, apud Tucci, 2007) afirma que em
regiões úmidas e com floresta, a interceptação anual pode chegar a 250 mm.
Conforme o tipo de floresta, esta redução pode chegar a cerca de 25% da
precipitação anual (LIMA, 2008).
Lima (2008) comenta ainda o fato de existirem poucos trabalhos que
analisem o fenômeno da interceptação em florestas tropicais, e faz referência a
uma pesquisa realizada na Malásia a qual sugere 50% de perdas por
interceptação em florestas tropicais naquele país.
Pelo fato do solo florestal apresentar, normalmente, boas condições de
infiltração, as áreas florestadas constituem importantes fontes de
abastecimento de água para os aqüíferos (LIMA, 2008). Contudo, vale salientar
que o mesmo autor cita diversos trabalhos que indicam um rebaixamento do
lençol freático provocado pela cobertura vegetal:
Em locais onde o lençol freático é superficial (zona ripária,
planícies costeiras, áreas alagadiças etc.) a cobertura florestal
provoca, pela evapotranspiração, um rebaixamento do lençol
freático. Nestas mesmas áreas, o corte da floresta pode,
frequentemente, resultar na subida do lençol freático
(HEWLETT & NUTTER, 1969; WILDE et al.,1953;
TROUSDELL & HOOVER, 1955; ADAMS et al., 1972; URIE,
1971; BIRYUKOV, 1968 apud LIMA, 2008).
36

A existência de serrapilheira
5
(piso florestal) constitui-se em uma das
principais condições para a manutenção da infiltração. Trimble & Weitzman,
(1954 apud Lima, 2008) mostraram que a intensidade da chuva registrada sob
floresta de latifoliadas mistas é muito similar à intensidade da chuva registrada
em terreno aberto. Desta forma, o efeito de proteção do solo contra o impacto
das gotas de chuva é fornecido mais pelo piso florestal do que pelas copas das
árvores.
Laws (1941) mostrou que as gotas de chuva atingem 95% de sua
velocidade terminal após caírem de cerca de 8 metros de altura. Desta forma,
se as copas das árvores ultrapassarem esta altura, o efeito protetor da
cobertura florestal sobre a velocidade de queda das gotas é mínimo. O piso
florestal termina por ter influência primordial quanto à compactação do solo por
gotas d’água.
Sob condições de cobertura de floresta natural não explorada, a taxa de
infiltração é normalmente mantida em seu máximo. De fato, nestas condições
raramente ocorre a formação de escoamento superficial, a não ser em locai s
afetados pelas atividades relacionadas com a exploração da floresta (PIERCE,
1967 apud LIMA, 2008)
Outros fenômenos como a velocidade de escoamento superficial e sub-
superficial
6
, regularização do clima e da umidade também são influenciados
diretamente pelas florestas.
Quanto ao aumento da vazão de uma bacia hidrográfica, Mosca (2003)
afirma que a importância da floresta no balanço hídrico não está ligada ao
aumento da água no solo, ou da precipitação, mas ao efeito regulador que as
florestas exercem sobre este balanço.
Segundo a Teoria de Horton, o escoamento direto é basicamente
produzido pelo escoamento superficial que ocorre toda vez que a intensidade
da chuva excede a capacidade de infiltração do solo, e que toda a água da
chuva que se infiltra no terreno alimenta o lençol freático, para depois deixar a
microbacia na forma de escoamento base (TUCCI et al., 2007). Contudo, o

5
Serrapihleira ou litter consiste de restos de vegetação, como folhas, ramos, caules e cascas de frutos em
diferentes estágios de decomposição, bem como de animais, que forma uma camada ou cobertura sobre o
solo de uma floresta.
6
O escoamento superficial é o que ocorre sobre a superfície do solo e o escoamento sub-superficial se dá
junto às raízes da cobertura vegetal.
37

modelo hortoniano não funciona muito bem em regiões muito úmidas com
grande cobertura vegetal, como é o caso das nossas áreas de estudo. Pois em
áreas com cobertura vegetal como a da Mata Atlântica este escoamento
apresenta valores muito baixos em relação à precipitação: entre 0,5% e 0,75%
(GROPPO, 2010), até 1% (CHECCHIA, 2003) e 0,6% (RANZINI et al, 2004).
Este modelo apresenta melhores resultado em regiões semi-áridas
(CHORLEY, 1978 apud LIMA, 1998).
Costenaro et al. (2009) em pesquisa que trata da capacidade de
infiltração de água no solo de um fragmento de Mata Atlântica, determinaram
as relações de infiltração em solos com diferentes usos e estágios de
regeneração. O autor obteve os valores de velocidade de infiltração de
790,7mm/h, 1171,5mm/h e 208,1mm/h nos solos dos ecossistemas em estádio
inicial de regeneração, em estádio avançado de regeneração e trilha de acesso
aos seus experimentos respectivamente. Costenaro et al. (2009) identificaram
ainda que no ecossistema Mata Atlântica em estágio de regeneração inicial,
ocorreu uma redução da capacidade de infiltração média em cerca de 32,5%
se comparada ao ecossistema mata em estágio avançado de regeneração. Já
a infiltração na trilha no interior da mata correspondeu a uma redução de 82,2%
em relação à da mata em estágio avançado de regeneração .
Monteiro (2000) cita os valores da taxa de infiltração anual na RMR em
trabalho que trata da modelagem dos fluxos subterrâneos nos aqüíferos da
planície do Recife, os quais podem ser observados na Figura 02.












38




























Em outra pesquisa realizada no em um fragmento de Mata Atlântica no
estado de São Paulo, Fujieda et al. (1997) constataram que aproximadamente
18% da precipitação anual era interceptada pela mata e retornava diretamente
para a atmosfera.
Linsley et al (1949) apud Tucci et al. (2007) mencionam que as perdas
por interceptação vegetal podem chegar a 25% da precipitação anual.
Figura 02 – Valores da Taxa de Infiltração Anual (mm) na Região Metropolitana do
Recife.
Fonte: (MONTEIRO, 2000)
39

Groppo (2010) identificou em pesquisa realizada em trecho da Serra do
Mar, no estado de São Paulo, que a interceptação nas árvores na Mata
Atlântica registrava valores médios de 32,5% da precipitação anual.

2.1.5 Floresta como Reguladora de Vazão
A capacidade que as florestas têm em regularizar a vazão de rios sob
sua área de influência é correntemente aceita por vários autores (MELO, 2007),
(LINHARES, 2006), (BORGES, 2005), (LIMA, 2008) e (ANTONIAZZI, 2008).
Esta regularização, observada do ponto de vista da manutenção dos níveis de
deflúvio em períodos de pouca precipitação, possibilita uma maior
disponibilidade em períodos críticos de falta de chuva. Além disso, reduz o
risco de picos de vazão que geram enchentes. Pois a água interceptada pelas
copas das árvores dominantes e da serrapilheira existente na superfície retém
grande volume de água, a qual é liberada lentamente para riachos, rios, e
lagos, permitindo um abastecimento regular dos mesmos (SCHUMACHER e
HOPPE, 1998)
Maia (1992) indica como ponto forte da interceptação realizada pela
cobertura vegetal e pela sarrapilheira, a proteção do solo contra o impacto da
chuva, o que se traduz em menor risco de erosão e, conseqüentemente,
minimização dos problemas de assoreamento e qualidade dos cursos d’água.
Da mesma forma, Vallejo (1982) comenta que a presença do litter impede a
compactação superficial do solo e a ruptura dos agregados, que por sua vez
ocasiona a liberação de partículas finas. Estas partículas estariam sujeitas ao
transporte superficial e também à formação de lacres dificultando o processo
de infiltração.
A ação do litter relaciona-se também à retenção e armazenamento de
importantes parcelas de água que ultrapassam os estratos florestais
superiores. A literatura tem apresentado diversos valores de retenção obtidos
em várias regiões no mundo as quais dependem do tipo de material depositado
no solo (VALLEJO, 1982)
Como visto anteriormente, a resposta hidrológica de uma bacia sofre
influência direta da cobertura vegetal da mesma. Contudo, o mesmo não ocorre
com os volumes de água do deflúvio, pois, como constata Linhares (2006), a
resposta hidrológica é em geral controlada principalmente pela geologia e
40

menos pelo uso da terra, em especial nas grandes bacias. De fato, o
desflorestamento não afeta as médias pluviométricas e fluviométricas anuais,
entretanto, o comportamento da resposta hidrológica parece ser comandado
pelo uso da terra.
Por fim, Bruijnzeel (1996) em reflexões sobre os impactos hidrológicos
das transformações de uso e cobertura da terra, concluiu ser difícil estabelecer
a existência de tendências de precipitação e ainda mais difícil ou quase
impossível determinar causa e efeito entre desflorestamento e alterações nos
padrões de chuva.

41

2.2 Conservação da Biodiversidade
A conservação da biodiversidade representa um dos maiores desafios
do homem moderno. Os principais motivos deste problema são os elevados
níveis de perturbações antrópicas dos ecossistemas naturais (VIANA &
PINHEIRO, 1998). A Mata Atlântica destaca-se como um dos biomas
brasileiros mais vulneráveis a estas transformações, pois a maior parte dos
remanescentes florestais, especialmente os localizados em paisagens
intensamente cultivadas, encontra-se na forma de pequenos fragmentos,
altamente perturbados, isolados, pouco conhecidos e pouco protegidos.
Ratificando os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção
Sobre Diversidade Biológica
7
(CDB), em 2002, foi instituída por decreto a
Política Nacional da Biodiversidade. Os princípios desta política são
basicamente aqueles estabelecidos na convenção, dos quais se destaca que a
gestão dos ecossistemas deve buscar o equilíbrio apropriado entre a
conservação e a utilização sustentável da biodiversidade.
Dentre os componentes da Política Nacional da Biodiversidade, merece
destaque o que trata da conservação da biodiversidade. O seu objetivo é
promover a conservação, in situ e ex situ, dos componentes da biodiversidade,
incluindo variabilidade genética, de espécies e de ecossistemas, bem como
dos serviços ambientais mantidos pela biodiversidade.
Tabarelli (2010) comenta que ao longo de sua história evolutiva, a
biodiversidade tropical conseguiu sobreviver e diversificar-se em resposta aos
acontecimentos do passado, entretanto, agora este desafio persiste totalmente
imerso em um “aquário humano”.

2.2.1 Fragmentação do Bioma Mata Atlântica
A expressão Mata Atlântica foi proposta pela primeira vez em 1884 por .
Wappaeus (1884) para definir a mata costeira perenifólia
8
higrófila
9
, podendo

7
A Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB é um dos principais resultados da Conferência das
Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - CNUMAD (Rio 92), realizada no Rio de
Janeiro, em junho de 1992. É um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao meio-
ambiente e funciona como um guarda-chuva legal/político para diversas convenções e acordos ambientais
mais específicos.
8
Perenifólia ou sempre-verdes é um tipo florestal que não perde folhas, permanecendo verde durante todo
o ano
9
Florestas higrólilas são aquelas onde o teor de umidade é próximo ao ponto de saturação.
42

está situada sobre serras ou não, por vezes em baixas altitudes e até um
pouco acima do nível do mar.
Estima-se que o bioma Mata Atlântica cobria cerca de 15% da
superfície atual do território brasileiro (LINO, 2003). Com o início da
colonização brasileira, no século XVI, a matriz econômica da época estava
alicerçada pela extração do pau-brasil, uma espécie endêmica deste bioma,
que possuía grande valor e era utilizada como corante e na construção civil.
Este processo de colonização concentrou-se na região costeira do Brasil,
justamente no local onde a Mata Atlântica ocorria na sua origem. Impulsionado
pelo ciclo do café, da cana-de-açúcar e do algodão nos séculos XVII e XVIII, e
posteriormente pelo intenso processo de urbanização e expansão agrícola dos
séculos XIX e XX, a Mata Atlântica foi praticamente devastada (LINO, 2003).
Wright (2010) comenta que ações antrópicas são susceptíveis de alterar
o potencial florestal para o armazenamento de carbono. Neste contexto,
Dantas de Paula et al. (2011) afirma que além do desmatamento outros
distúrbios humanos também podem interromper o armazenamento de carbono,
tais como o colapso da biomassa devido aos efeitos de borda.
Os processos de desflorestamentos sofridos pelo bioma Mata Atlântica
nos últimos séculos, fez com que este bioma se resumisse a fragmentos
florestais espaçados no seu espaço original. Esta fragmentação introduziu uma
série de novos fatores na história evolutiva de populações naturais de plantas e
animais. Essas mudanças afetaram de forma diferenciada os parâmetros
demográficos de mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a
estrutura e dinâmica de ecossistemas (VIANA & PINHEIRO, 1988). Com o
mesmo entendimento, Murcia (1995) e Amaral (2007) comentam também que o
processo de fragmentação gera uma série de conseqüências negativas,
alterando a estrutura da paisagem, interferindo na dinâmica de populações,
alterando riscos de extinção e aumentando o grau de isolamento entre
populações.
Logo, o aumento da área de contato das florestas com a matriz
decorrente do isolamento das manchas florestais promove uma alteração no
movimento energético, material e no fluxo de organismos entre tais ambientes
(PACIÊNCIA & PRADO, 2004).
43

Outra abordagem que merece destaque é a que trata do estágio de
recuperação das matas. Primeiramente, cabe definir que uma mata primária é
aquela que nunca foi substituída por uma lavoura ou por outra cultura. Já em
relação às matas secundárias, Tavares (2006) comenta que a distinção pode
ser constatada pela ausência de certas espécies umbrófilas
10
, ocorrência de
heliófilas
11
, pela ausência ou reduzido número de orquídeas, pteridófitas,
acácias, dentre outras ervas componentes da Mata Atlântica.
As florestas secundárias passam por estágios de regeneração. O
primeiro deles é o de Capoeirinha caracterizado por durar aproximadamente 6
anos a contar da supressão da mata primária, pela altura média das árvores
não ultrapassar mais de 4 m e diâmetro ser inferior a 8 cm (FUNDAÇÃO SOS
MATA ATLÂNTICA, 1998).
A Capoeira é considerada o estágio médio de regeneração e vai dos 6
aos 15 anos, a altura médias das árvores é de 12 m e o diâmetro de 15 cm
(FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, 1998).
Por fim, o capoeirão que se inicia geralmente depois dos 15 anos,
podendo levar de 60 a 200 anos para alcançar novamente o estágio
semelhante à floresta primária (FUNDAÇÃO SOS MATA ATLÂNTICA, 1998).

2.2.2 Efeito de Borda
As áreas mais externas de um fragmento que estão em contato com
ambientes não florestais são denominadas bordas. Estas áreas, por
apresentarem uma maior exposição antrópica, caracterizam-se por
apresentarem a dinâmica de seus ecossistemas mais vulneráveis às ações
externas. O efeito de borda, juntamente com a caça e a introdução de espécies
exóticas são processos associados à fragmentação (LINHARES, 2006).
Segundo Rodrigues (1993) os efeitos de borda são divididos em dois
tipos: abióticos ou físicos e os biológicos diretos e indiretos. Os efeitos
abióticos envolvem mudanças nos fatores climáticos ambientais, como a
umidade, a radiação solar e o vento. Os efeitos biológicos diretos envolvem
mudanças na abundância e na distribuição de espécies provocadas pelos

10
Umbrófilas são espécies arbóreas adaptadas a lugares sombreados.
11
Heliófilas são espécies arbóreas que suportam bem a luz do sol nas fases jovens do seu
desenvolvimento.
44

fatores abióticos nas proximidades das bordas, como por exemplo, o aumento
da densidade de plantas devido ao aumento da radiação solar.
As formas dos fragmentos florestais interferem diretamente na
intensidade do efeito de borda na floresta. Meunier (1998) propôs um método
para classificar as formas de fragmento o qual sugere uma divisão em “muito
irregulares”, “irregulares” e “regulares”. O método consiste em se determinar
um índice a partir da razão entre a área de um fragmento e a área de um
círculo hipotético com o perímetro do fragmento, assumindo o valor 1,0 no caso
de áreas perfeitamente circulares. Logo, fragmentos com índice < 0,4 são
classificados como “muito irregulares”, entre 0,4 e 0,65, como “irregulares” e
fragmentos com índice > 0,65, como “regulares”.
Quanto aos aspectos da extinção de animais, o Ministério do Meio
Ambiente divulgou em 2003 uma lista com 633 espécies da fauna brasileira
ameaçadas de extinção. Juntamente com o Cerrado, o bioma Mata Atlântica
respondem por 78% das espécies desta lista. A Mata Atlântica em particular,
devido ao alto grau de endemismo e a acentuada devastação e elevado grau
de fragmentação florestal, apresenta o mais elevado número de espécies
ameaçadas (PAGLIA et al , 2004)
Em outro estudo realizado pela União Internacional para a Conservação
da Natureza são apresentados dados dos vertebrados ameaçados de extinção
na Mata Atlântica. Neste estudo faz-se referência a existência de 151 espécies
ameaçadas, das quais 116 são endêmicas deste bioma (IUCN, 2009).
Chama a atenção, ainda, a possibilidade do colapso em potencial da
Mata Atlântica em armazenar carbono, devido à atual configuração da floresta
remanescente, que é amplamente dominada pelo efeito de borda (DANTAS DE
PAULA et al., 2011).

2.2.3 Situação atual da Mata Atlântica no estado de Pernambuco
No início do século XX, 34,14% do estado de Pernambuco era coberto
pelo bioma Mata Atlântica (CAMPOS, 1912). Já no final do mesmo século, esta
área não passava de 4,6% da área original. Uma redução que representa 1,5%
em relação à área de Pernambuco (BRAGA et al., 1993).
Fatores como a topografia suave-ondulada e a proximidade das matas
do litoral favoreceram a ocupação desordenada e a degradação deste
45

ambiente no estado. Lima (1998) comenta que, mesmo após a estruturação de
instrumentos de controle como a Lei Estadual de Reservas Ecológicas, o
desmatamento permanece ocorrendo de forma preocupante. Vale salientar
que, segundo esta lei, as 40 áreas de preservação permanente da RMR foram
definidas como Reservas Ecológicas (PERNAMBUCO, 1987).
A Mata Atlântica pernambucana está distribuída em uma estreita área de
planície costeira de cerca de 12.000 km², que se estende 60 km para o interior
na região sul do estado e 30 km ao norte. A mesma encontra-se totalmente
fragmentada, sendo que os fragmentos raramente alcançam uma extensão
superior a 100 ha (FRANKE et al, 2005).
Trindade et al. (2004) e Ranta et al. (1998) realizaram estudos que
analisaram o grau de fragmentação da Floresta Atlântica no litoral norte e sul
do estado de Pernambuco, respectivamente. Segundo os primeiros autores, a
região norte caracterizou-se por possuir a 156 fragmentos, dos quais 40,4%
com menos 10ha, correspondendo a 2,1% da área total de floresta e 15,4%
dos fragmentos com mais de 100ha, correspondendo a 81,3% da área florestal.
Já ao estudar a região sul do estado Ranta et al.(1998) verificaram que 48%
dos fragmentos são menores que 10 ha e somente 7% deles são maiores que
100 ha.

46

2.3 Mudanças Climáticas e Sequestro de Carbono

2.3.1 Efeito Estufa
O carbono e seus compostos estão presentes em praticamente todas as
partes do planeta. É possível encontrá-lo nos oceanos, nas formações
geológicas, no ar e nos ecossistemas terrestres (biota e solo). Existe uma
grande variedade de compostos de carbono, merecendo destaque o Monóxido
de Carbono (CO), o Dióxido de Carbono (CO2) e diversos Hidrocarbonetos,
como o Metano (CH4). Por meio de reações químicas e fenômenos físicos,
estes compostos circulam no planeta Terra através dos ciclos
biogeoquímicos
10
. Do total de carbono existente na terra, 99,95% está na forma
inorgânica e 0,05% na forma orgânica, sendo que, deste último, 2/3
permanecem como turfa, gás ou petróleo e 1/3 encontra-se na matéria
orgânica do solo, na água e na biomassa viva (BOINA, 2008).
Os principais reservatórios de carbono são os oceanos (38.000 Pg de
C)
11
, a atmosfera (730 a 750 Pg de C) e os ecossistemas terrestres, dentre
estes, o solo (1.500 Pg de C), a vegetação (500 a 600 Pg de C) e os
combustíveis fósseis (5.000 Pg de C) (PRENTICE et al., 2001; BRANDY;
WEIL, 1999 apud OLSZEVSKI et al, 2007)
O efeito estufa é um fenômeno natural que possibilita a existência da
vida na Terra. Este efeito deriva da existência de gases na atmosfera que
absorvem parte da radiação eletromagnética emitidas pelo Sol e parte das
radiações refletidas pela Terra. Os Gases do Efeito Estufa (GEE) são
aquecidos por estas radiações e emitem calor tanto para terra como para o
espaço. Sem este fenômeno, acredita-se que a temperatura média da Terra
passaria dos atuais 15º C para - 18º C, ou seja, 33º C mais frio que a atual
temperatura do planeta (XAVIER & KERR, 2002).
Xavier & Kerr (2002) chegaram a esta constatação por meio da teoria da
irradiação e absorção da radiação por corpo negro
12
aplicada ao sistema Terra-
Sol.

10
São processos naturais que reciclam elementos em diferentes formas químicas do meio abiótico para os
organismos e vice-versa.
11
1Pg (um pentagrama) equivale a 10
15
g ou um bilhão de toneladas.
12
Define-se como corpo negro o meio ou substância que absorve toda a radiação incidente sobre ele,
independentemente do comprimento de onda, direção de incidência ou estado de polarização.
47

Mitchell (1989) também chegou à mesma conclusão partindo do
pressuposto de que o Sol é parecido com um corpo negro com temperatura de
6.000K, que emite radiação na faixa de 0,2 a 4 μm (incluindo a ultravioleta, as
visíveis e as próximas das ondas infravermelhas) e tendo a Terra um espectro
parecido com um corpo negro com uma temperatura de 300K e emitindo uma
radiação na faixa de 4 a 100 μm. Os autores utilizaram-se das as equações de
potência irradiada por unidade de área para um corpo negro (EB) e a taxa
absorção de radiação solar (EA) onde:

EB = σT
4
(Eq. 3)
Na qual σ é a constante de Stefan-Boltzmann e T a temperatura absoluta do corpo.

e
EA = S(1-α)/4 (Eq. 4)
Onde S é a taxa de radiação solar que chega ao topo da atmosfera terrestre, chamada
de constante solar; α é a fração de radiação refletida pela superfície e atmosfera terrestres
(albedo
13
), o fator 1/4 deve-se à distribuição dessa energia sobre a superfície terrestre, pois o
disco da Terra que intercepta a radiação solar tem área π.R². Mas a energia distribui-se pela
superfície esférica da Terra (π R²). Portanto, π .R²/4 π. R² =¼.

Mitchell (1989) concluiu que se em equilíbrio supõe-se a igualdade EB =
EA, logo, σT
4
= S(1-α)/4. Consequentemente, para σ = 5,67x10
-8
W/m².K
4
; T =
255 K; S variando entre 1365 a 1372 Wm
-
² e α = 0,3, tem-se que caso não
existissem os gases que tornam possível o efeito estufa, a temperatura média
da terra seria em torno de -18ºC.
Ações decorrentes de atividade econômicas e industriais têm provocado
alterações na biosfera, de tal forma que a concentração dos GEE na atmosfera
quase que duplicaram no período de 1750 a 1998 (ROCHA, 2003). A Tabela 01
apresenta os dados comparativos da concentração global dos principais gases
causadores do efeito estufa, destacando-se o dióxido de carbono que, em
pouco mais de 100 anos, passou de uma concentração média global de 280
ppm para 365 ppm. Este aumento também pode ser percebido no metano e no
óxido nitroso, os quais sofreram acréscimos quantitativos basicamente devido à
agricultura.


13
Albedo é uma medida relativa da quantidade de luz refletida, o que ocorre sobre superfícies de maneira
direta ou difusa.
48

Tabela 01 – Concentrações globais de alguns Gases do Efeito Estufa gerados
por atividades humanas.
CO2 CH4 N2O
Concentração em 1750 280 ppm 700 ppb 270 ppb
Concentração em 1998 365 ppm 1745 ppb 314 ppb
Taxa de alteração
a
1,5 ppm / ano
b
7,0 ppb/ano
b
0,8 ppb / ano
Resistência na
Atmosfera (anos)

50 – 200

12

114
Fonte: (ROCHA, 2003)

Legenda:
ppm – Partes por milhão
ppb – Partes por bilhão
a – Calculada durante o período de 1990 e 1999
b – A taxa para CO2 tem flutuado entre 0,9 e 2,8 ppm/ano e para CH4, entre 0
e 13 ppb/ano durante o período de 1990 e 1999.

Além deste acúmulo dos GEE na atmosfera, também foi constatado uma
elevação da concentração de compostos de carbono em outros ecossistemas,
como é o caso do oceano. A absorção de carbono antrópico desde 1750 fez
com que o oceano ficasse mais ácido, com uma redução média do pH de 0,1
unidade. Entretanto, os efeitos da acidificação dos oceanos observada na
biosfera marinha ainda não foram documentados (IPCC, 2009).
Como foi observado anteriormente, o carbono pode ser encontrado
basicamente em duas situações: nos elementos orgânicos e nos inorgânicos.
Em ambos os casos o carbono circula na atmosfera, nos oceanos, na crosta e
no interior terrestre em ciclos denominados lento/geológico e rápido/biológico.
Na Figura 03 estão representados os dois ciclos, o lento que opera na casa de
milhões de anos e o rápido para o qual há estimativas que seja renovado na
atmosfera a cada 20 anos (NASA, 2010).




49















Figura 03: Ciclo do Carbono considerando as atividades antrópicas
contemporâneas
Fonte: (ODUM, 1985) apud (EMBRAPA, 2010).

2.3.2 Mudanças Climáticas
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) foi
criado 1988 pela Organização Mundial Meteorológica (WMO) e pelo Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) com o objetivo de estudar e
divulgar abertamente as informações técnicas, socioeconômicas e os impactos
relevantes aos riscos à humanidade, visando criar mecanismos para a
adaptação e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas globais, além de
fornecer ao mundo uma visão científica e clara do estado atual das mudanças
climáticas e suas potenciais conseqüências ambientais e sócio-econômicas
(IPCC, 2009).
Em 1990 foi elaborado o primeiro relatório de avaliação pelo IPCC, o
mesmo apresentou dados conclusivos sobre necessidade dos países adotarem
políticas que abordassem as mudanças climáticas e que objetivassem reduzir o
aquecimento global e suas prováveis consequências.
Ciclo lento Ciclo rápido
50

O segundo relatório de avaliação foi elaborado em 1995, o mesmo
forneceu subsídios para a adoção do Protocolo de Kyoto
14
em 1997.
Posteriormente, em 2001 foi elaborado um terceiro relatório e em 2007 o
quarto.
O Quarto Relatório de Avaliação das Mudanças Climáticas alerta que,
devido ao aumento da quantidade dos GEE, ocorrerá um aumento médio
global das temperaturas entre 1,8º C e 4,0º C até 2100. O mesmo aponta,
ainda, com mais de 90% de confiabilidade, que a maior parte do aumento da
temperatura observado nos últimos 50 anos foi provocada por atividades
humanas (ÁVILA, 2007).
Outra constatação de que a condição climática global mostra-se
vulnerável às perturbações no efeito estufa, pode ser observada na Figura 04,
onde é possível observar que a temperatura média da Terra subiu 0,6º ao se
comparar os dados obtidos em 1860 com as medições em 2000.












Figura 04. Variação da temperatura média da superfície da Terra desde o ano
de 1861 até o ano 2000
Fonte: (IPCC, 2009)





14
Constitui-se no protocolo de um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução
da emissão dos gases que agravam o efeito estufa.
V
a
r
i
a
ç
ã
o

d
a

T
e
m
p
e
r
a
t
u
r
a

º
C

51

2.3.3 Conferência das Partes - COP
Em 1992, durante a Convenção Internacional sobre Meio Ambiente, foi
assinado por mais de 192 países a Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC). Esta convenção havia sido sugerida
pelo IPCC alguns anos antes e tinha como objetivo unir países para definir
estratégias técnica e políticas para combater o aquecimento global, cabendo à
comunidade internacional reconhecer as mudanças climáticas como um
problema ambiental real e global, admitindo a importância do papel das
atividades humanas nas mudanças climáticas (UNFCCC, 2010).
Com o objetivo de atingir seus objetivos, a UNFCCC promove encontros
anuais chamados Conferência das Partes (COP), nos quais as nações
participantes discutem questões sobre mudanças climáticas globais.
Durante as COP’s diversos temas relacionados às mudanças climáticas
foram abordados pelos participantes, temas estes que em alguns momentos
tornaram-se propostas e acordos que objetivaram reduzir as causas do
aquecimento global.
Dentre os principais enfoques e resultados obtidos nas COP’s pode-se
destacar o Protocolo de Kyoto e seus Mecanismos de Flexibilização.
A CPO-3, realizada em Kyoto, Japão, em 1997, foi marcada pela adoção
do Protocolo de Kyoto, o qual foi apresentado para a aprovação dos países,
como uma proposta concreta de início do processo de estabilização das
emissões de gases geradores de efeito estufa. O Protocolo dividiu os países
em dois grupos:

Anexo I - países mais industrializados, grandes emissores de CO
2
; e

Não-Anexo I - países que, para atender às necessidades básicas de
desenvolvimento, precisam aumentar a sua oferta energética e,
potencialmente, suas emissões.

De acordo com o Protocolo de Kyoto, os países do Anexo I ficariam
obrigados a reduzir de 5,2% dos GEE em relação aos níveis de 1990 (ROCHA,
2003).
52

Quanto aos Mecanismos de Flexibilização foram propostos o Comércio
de Emissões e Implementação Conjunta e o Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL). O primeiro é um instrumento pelo qual um país industrializado
pode, inclusive através de operações de compra e venda, contabilizar reduções
realizadas em outro país do Anexo I. O MDL permite que países do Anexo I
financiem projetos de redução ou comprem os volumes de redução de
emissões resultantes de iniciativas desenvolvidas nos países não
industrializados (CEBDS, 2010). Com o mesmo intuito, vários países têm se
manifestado voluntariamente e estabelecido metas internas para a redução dos
GEE, como é o caso Brasil, que, em 2009, por meio da Lei 12.187 instituiu a
Política Nacional sobre Mudanças do Clima:
Art. 12. Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará,
como compromisso nacional voluntário, ações de mitigação das
emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir
entre 36,1% (trinta e seis inteiros e um décimo por cento) e
38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas
emissões projetadas até 2020.

2.3.4 Determinação da biomassa e sequestro de carbono
Estudos sobre a biomassa dos ecossistemas tropicais, sobretudo dos
florestais, são de grande interesse ecológico, possibilitando estimativas de
fluxos e balanços de nutrientes nestes sistemas (JORDAN & UHL, 1978). Sua
quantificação é função direta nos cálculos das emissões dos gases do efeito
estufa, como também na determinação do estoque de carbono em sistemas
naturais, e ainda, como Malhi et al (1999) apud Vieira et al. (2008) citam, as
florestas tropicais comportam-se como grandes reservatórios de carbono.
Alves et al. (1997) citam que para estimar as taxas de sequestro de
carbono de uma floresta é necessário primeiramente conhecer o histórico de
ocupação da área e definir se esta é uma floresta primária ou secundária, visto
que a quantidade fixada de carbono é maior em florestas primárias. Entretanto,
o processo de fixação de carbono ocorre com maior intensidade naquelas
florestas em desenvolvimento, ou seja, nas secundárias. Quanto a isso,
Zampar (2009) afirma que é importante conhecer a idade de regeneração para
que se possa fazer estimativas de taxas anuais de fixação de carbono.
53

As estimativas de biomassa de árvores podem ser obtidas pelos
métodos direto e indireto. No método direto é feito o corte da árvore e realizada
a pesagem da mesma, em seguida, dependendo do tipo de vegetal, pode-se
identificar o percentual de massa que representa o carbono (UHL et al., 1982;
BROWN et al., 1989).
O método indireto implica em realizar medições de diâmetro, altura e
densidade das árvores de uma determinada parcela do terreno para, em
seguida, os dados serem comparados com modelos testados. Após a
identificação dos modelos mais adequados, são calculados os volumes por
fórmulas indicadas para os grupos de classes diamétricas analisadas.
Quanto à estimativa da biomassa vegetal acima do solo (BVA), Zampar
(2009) apresenta fórmulas alométricas desenvolvidas a partir de estudos de
biomassa realizados por métodos destrutivos em florestas do Brasil e do
mundo (Tabela 02).

Tabela 02 – Equações alométricas e respectivos r² ajustados (quando
informados) utilizadas nos cálculos de biomassa vegetal acima do solo (BVA)
e biomassa vegetal das raízes (BVR) no levantamento realizado nas ilhas da
região de Porto Rico, PR, Brasil. ρ = densidade da madeira; DAP= diâmetro a
altura do peito; H=altura.
Espécies Equações alométricas r²
Com densidade conhecida BVA = exp {-2,187 +0,916 ln[ρ(DAP)²H -
Sem densidade conhecida BVA = exp {-1,996 + 2,320 ln(DAP)} 0,89
Todas BVR = exp { -1,085 + 0,925 ln (BVA)} 0,83
Fonte: Adaptado de Zampar (2009)

Outra forma de se obter a biomassa vegetal é calculando o volume de
espécimes arbóreas e daí obtendo-se o seu peso. Campos et al. (2001) apud
Cunha et al. (2009) apresenta um modelo para cálculo do volume de árvores
nativas de uma Floresta Montana de Mata Atlântica onde:
Para árvores com DAP de até 20 cm, a estimativa do volume foi obtida por:

V = 0,00005.DAP
1,84209
.H
1,09375
(EXP
(-2,18395 - tx1/dap)
) (1 – (tx2 – Hc/DAP)
0,18813
)


54

Para árvores com DAP superior a 20 cm, a estimativa foi obtida por:

V = 0,00013.DAP
1,81620
.H
0,77344
(EXP
(-7,37223 . tx1/dap)
) (1 – (tx2 – Hc/DAP)
0,32428
)

Em que V é o volume em m³; DAP, o diâmetro à altura do peito; H, a altura total; Hc, a altura
comercial; e tx1 e tx2, variáveis binárias. Assim, a combinação 0 e 0 para tx1 e tx2 resulta em
volume com casca do tronco, enquanto a combinação 1 e 0 resulta em volume sem casca e a
combinação 0 e 1 resulta em volume de galhos (vg).

A quantificação da biomassa vegetal aérea também pode ser mensurada
por processos de geoprocessamento. Esta forma indireta de estimativa
apresenta valores muito semelhantes aos processos diretos. Cavallet & Paula
(2009) comentam ainda que, quando se trata da biomassa de área de
preservação permanente, há uma boa relação entre a estimativa do seqüestro
de carbono via métodos diretos e via geoprocessamento.
Fernandes (2007) argumenta que a quantidade de carbono estocado em
uma determinada floresta é função direta da área que ela ocupa, do tipo de
floresta e do estágio de crescimento da mesma.
Britez et al. (2006) e Roderjan (1994) estabeleceram valores de
quantidade de carbono estocado na biomassa vegetal acima do solo para
algumas tipologias de Mata Atlântica, chegando às seguintes quantidades em
Mg de C ha
-1
(milhões de gramas de carbono por hectare): Fase Inicial de
Sucessão, 26,43; Fase Intermediária de Sucessão, 82,70; Floresta Ombrófila
Densa Aluvial, 129,40; Floresta Ombrófila Densa Montana, 187,34; Floresta
Ombrófila Densa Submontana, 187,34 e Formações Pioneiras com Influência
Fluvial, 81,89.
Cavallet & Paula (2009) citam que uma árvore absorve ou sequestra em
média 0,8 Mg de CO2, até atingir o clímax, cujo período é de 20 a 40 anos.
Outro aspecto a ser apreciado é o da composição da BVT (Biomassa
Vegetal Total), a qual é formada pela adição da BVR à BVA, logo a
BVT=BVR+BVA. Cairns et al. (1997) fizeram uma revisão em 165 trabalhos
com o objetivo de desenvolver uma equação para estimar a relação entre a
BMA e a BVR, chegando à razão de 0,26, ou seja, a BVR corresponde a
aproximadamente 26% da BVA.
Além da BVT, é possível encontrar biomassa na composição da massa
morta no ecossistema natural, denominado de necromassa. Este
55

compartimento florestal apresenta uma quantidade de biomassa equivalente a
10%-20% da biomassa florestal (BARBOSA & FERREIRA, 2009). Estes
autores comentam sobre um reduzido número de pesquisas que tratam da
quantificação de biomassa presente na necromassa em florestas tropicais.
Cometam, ainda, sobre a uma grande variação nos valores apresentados por
estas pesquisas: 42,8 t C.ha
-1
(SUMMERS, 1998), 48,0 t C.ha
-1
(RICE et al.,
2004), 27,6 t C.ha
-1
(KELLER et al., 2004), ~16,6 t C.ha
-1
(PAULETTO, 2006),
16,5 t C.ha
-1
(GERWING, 2002), 15,0 t C.ha
-1
(BROWN et al., 1995) e ~2,9 t
C.ha
-1
(SCOTT et al., 1992), todos citados por (BARBOSA & FERREIRA,
2009).
Vale à pena salientar que Fearnside (2008), em trabalho que trata da
quantificação dos serviços ambientais de carbono na floresta amazônica,
comenta que existe uma grande disparidade entre as estimativas de
determinação da biomassa neste tipo de vegetação. Este fato se daria pela
grande diversidade de metodologias empregadas nas pesquisas, na qualidade
e quantidade de dados subjacentes e na validez da interpretação aplicada a
estes números.
Ainda quanto à quantidade de carbono estocado em florestas, Soares &
Oliveira (2002) estimaram que em populações de Eucalypitus grandis W. Hill
ex-Maiden, 50% da biomassa aérea é constituída de carbono. Da mesma
forma, ao se estimar a quantidade de carbono em floretas ombrófilas densas,
Alves (2007) e Macdiken (1997) apud Zampar (2009) também considera que a
quantidade de carbono presente na biomassa viva seja de 50%.
Existem várias pesquisas que estimam a quantidade da biomassa em
florestas ombrófilas densas. A Tabela 03 apresenta os resultados destas
estimativas em três estados brasileiros.








56

Tabela 03. Estimativas da biomassa vegetal de florestas ombrófilas densas
em alguns estados brasileiros
Estado Mg/ha
Rio de Janeiro 186,0 (DELAMÔNICA, 1994)
Paraná 327,6 (JASTER & SANQUETTA, 2000)
Paraná 309,8 (LACERDA, 1999)
Paraná 307,5 (RODERJAN, 1994)
São Paulo 338,4 (MELO & MANTOVANI, 1994)
São Paulo 279,5 (OLIVEIRA et al. , 2001)

Para a tipologia caracterizada por pasto Tiepolo et al.(2002) encontraram
uma quantidade que variou de 0,7 para 3,5 Mg de C ha
-1
.
Por fim, é importante salientar que quanto ao processo de seqüestro de
carbono, o mesmo ocorre durante toda a vida de uma floresta, entretanto,
quando esta se aproxima da sua maturidade, o seqüestro se reduz em função
da redução de incorporação de biomassa vegetal associado à produção de
CO2 resultante da respiração e da decomposição de biomassa.

57

2.4 Serviços Ambientais
Os ecossistemas proporcionam à sociedade uma vasta gama de
serviços – fluxos confiáveis de água limpa a terras produtivas e sequestro de
carbono. Pessoas, empresas e sociedades recorrem a estes serviços em
busca de insumos, de matérias-primas, processos de produção e estabilidade
do clima (PNUMA, 2008).
Os Serviços Ambientais ou Serviços Ecossistêmicos são definidos como
interações e processos naturais que satisfazem e sustentam a vida humana
(DE GROOT, 1992). Estes serviços podem ser gerados basicamente por três
fontes: as florestas, o oceano e as terras agrícolas. A Millennium Ecosystem
Assessment que reúne mais de 1300 cientistas de 95 países identifica quatro
tipos de serviços ambientais (Quadro 01):

Quadro 01. Tipos de Serviços Ambientais

Florestas Oceanos
Terras
Agrícolas/Cultivadas
T
I
P
O
S

Bens
Ambientais
 Alimentos
 Água fresca
 Combustível
 Fibras
 Alimento

 Alimento
 Combustível
 Fibras
Serviços de
Regulação
 Regulação
Climática
 Regulação de
inundações
 Regulação de
doenças
 Purificação da
água
 Regulação climática
 Regulação de
doenças

 Regulação climática
 Purificação da água
Serviços de
Apoio
 Reciclagem de
nutrientes
 Formação do solo
 Reciclagem de
nutrientes
 Produção primária
 Reciclagem de
nutrientes
 Formação do solo
Serviços
Culturais
 Estética
 Espiritualidade
 Educação
 Recreativo
 Estética
 Espiritualidade
 Educação
 Recreativo
 Estética
 Educação


Cavalcanti (2002) classifica os serviços ambientais em basicamente três
tipos: manutenção da biodiversidade, manutenção dos estoques de carbono e
o ciclo da água. Os quais segundo Tonhasca Jr (2004) podem ser
exemplificados pelos: controle de erosão e sedimentação através da retenção
do solo, regulação do fluxo hidrológico, controle de distúrbios climáticos, valor
58

cultural e estético, proteção de habitat, controle de doenças e pragas, e fonte
de material genético.
Veiga Neto & Denardin (2001) ainda citam como exemplos de serviços
ambientais: a purificação do ar e da água, a mitigação das enchentes e da
seca, a desintoxicação e a decomposição dos dejetos, a geração e a
renovação do solo e de sua fertilidade, a polinização das culturas e da
vegetação natural, o controle da maioria das potenciais pragas agrícolas, a
dispersão das sementes e a translocação dos nutrientes, a manutenção da
biodiversidade, do qual depende a humanidade para sua alimentação, seus
medicamentos e para o desenvolvimento industrial, a proteção dos raios
ultravioleta, a participação da estabilização climática, o suporte para as
diversas culturas da civilização humana e o estímulo estético e intelectual para
o espírito humano.

2.4.1 Serviços Ambientais Florestais
Como os objetos de estudo desta pesquisa se caracterizam por serem
fragmentos florestais, serão vistos neste tópico os serviços ambientais
florestais.
Braga et al (2002) apresenta no Quadro 02, de forma mais detalhada, os
múltiplos serviços ambientais gerados por florestas, relativos aos serviços
hídricos, a conservação da biodiversidade, a beleza cênica, o turismo, o lazer,
os esportes, a educação, a cultura, ao controle da erosão, a ciclagem de
nutrientes, a amenização climática e a retenção de carbono.











59

Quadro 02 - Serviços ambientais da floresta
SERVIÇOS HÍDRICOS
Regularização de vazão
-controle de enchentes no período chuvoso
-disponibilidade de água durante a estiagem
Melhoria da qualidade da água
-recreação e banhos
-abastecimento público
-irrigação a jusante
-dessedentação de animais
CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
-ligação de fragmentos florestais (conectividade)
-proteção de espécies da flora e da fauna
-produção de recursos não madeireiros (fitoterápicos, materiais para artesanato, flores, frutos)
-produção de plantas ornamentais (sementes, propágulos)
-refúgio de fauna e flora
-proteção da diversidade genética
-controle biológico de pragas
BELEZA CÊNICA
-manutenção da paisagem natural
-conservação dos acidentes geográficos
-bem estar e contemplação
TURISMO, LAZER E ESPORTES NÁUTICOS
-banhos recreacionais
-ecoturismo (trilhas, caminhadas, observação de pássaros)
-esportes náuticos
-piqueniques e passeios
EDUCAÇÃO E CULTURA
-educação ambiental
-ritos e práticas religiosas
CONTROLE DE EROSÕES E CICLAGEM DE NUTRIENTES
-redução do desmoronamento de encostas
-redução do desbarrancamento da margem de cursos d’água
-redução do assoreamento dos cursos d’ água
-formação de solo e estabilização dos ciclos biogeoquímicos
CLIMA E RETENÇÃO DE CARBONO
-melhoria do microclima local (sombra e temperatura)
-manutenção do poço de carbono
RESILIÊNCIA
Fonte: (BRAGA et al., 2002)
60

Ainda com relação aos serviços florestais, Fearnside (2002) faz
referência à existência de basicamente três tipos de serviços: manutenção da
biodiversidade, manutenção dos estoques de carbono e a influência da floresta
nos processos hidrológicos.

2.4.2 Manutenção/Regeneração da Biodiversidade
A manutenção da biodiversidade caracteriza-se por apresentar alcances
globais e locais.
Observa-se um alcance global ao se constatar a possibilidade do
emprego de compostos químicos e materiais genéticos para emprego fora dos
locais de origem, como é o caso das substâncias extraídas de florestas
tropicais da América do Sul e utilizada por utilizadas por laboratórios em países
temperados da Europa.
Quanto aos benefícios locais, Fearnside (2002) cita um exemplo no
provisionamento do estoque de material genético de plantas e animais
necessários para atingir-se um grau de adaptação ao manejo florestal e aos
sistemas agrícolas que sacrificam a biodiversidade em áreas próximas
desprotegidas.

2.4.3 Efeitos no Clima/Absorção de Carbono
Os serviços ambientais climáticos gerados por floretas também se
manifestam em escalas globais e locais.
Um efeito local é identificado nos microclimas que ocorrem nas áreas
periféricas e no interior das florestas. Silva et al. (2009) comenta que as
formações vegetais influenciam no clima das áreas circunvizinhas, como
também identifica diferenças entre o clima no interior e no exterior da área
vegetada.
Em trabalho que trata do conforto térmico em fragmentos florestais
urbanos, Dacanal et al. (2010) faz uma comparação entre a temperatura no
interior de cinco fragmentos de matas localizados na região urbana na cidade
de Campinas – SP e a temperatura em pontos localizados em regiões
urbanizadas. Os mesmos constataram que a vegetação densa e estratificada é
capaz de atenuar a temperatura do ar, interceptar a radiação solar e manter a
velocidade do ar em baixa amplitude, caracterizando ventos leves na escala
61

Beaufort
15
. Além disso, a umidade absoluta do ar é mais alta nos bosques do
que nas ambiências urbanas, devido à evapotranspiração que ocorre nas áreas
verdes.
Outro efeito global é o sequestro e armazenamento do carbono nas
espécies arbóreas. Este processo é importante para o equilíbrio do estoque de
carbono global, pois armazenam em suas árvores e no solo mais carbono do
que o existente atualmente na atmosfera (HOUGHTON, 1994). O mesmo autor
comenta que se as florestas forem cortadas, a maior parte do carbono
guardado nas árvores será liberada para a atmosfera rapidamente por meio de
queimadas ou, mais lentamente, via decomposição.

2.4.4 Proteção e Recarga de Mananciais
A relação entre floresta e água é bastante íntima. Esta ligação é
percebida quando se analisa os efeitos da subtração da vegetação sobre os
mananciais.
Em pesquisa que trata do desmatamento na Amazônia, Fearnside
(2006) identifica quatro elementos impactados diretamente pela supressão
vegetal naquela região: perda de oportunidade para o uso sustentável da
floresta, ameaça de diminuição da sociodiversidade, interferência na ciclagem
da água e a emissão de gás carbônico.
Pode-se observar no Quadro 03 quatro linhas de evidência, identificadas
por Fearnside (2002), que comprovam uma possível diminuição da
pluviosidade na Amazônia em decorrência da conversão maciça de floresta em
pastagem.









15
A Escala de Beaufort quantifica a intensidade dos ventos, tendo em conta a sua velocidade e os efeitos
resultantes das ventanias no mar e em terra.
62

Quadro 03 – Evidências da diminuição da pluviosidade na Amazônia em
decorrência da conversão da floresta em pastagem
Evidências
Os balanços de água e de energia derivados de mapas de temperatura e
umidade média indicam que 56% das precipitações decorrem de
evapotranspiração.
Os cálculos de fluxo de água precipitável e de vapor d’água numa seção
transversal de Belém a Manaus indicam uma contribuição de
evapotranspiração de 48%.
As razões entre isótopos de oxigênio nas amostras de vapor d’água na
mesma área indicam até 50% como reciclado através da floresta.
O volume de água de chuva que precipita na Bacia do Amazonas é
ligeiramente maior que o dobro do volume que sai do rio, significando que
metade (54%) não drena através do Amazonas porque foi retornado à
atmosfera pela evapotranspiração.
Fonte: Adaptado de Fearnside (2002)

Melo (2007) realizou uma análise teórica indireta sobre a vocação
hidrológica de onze Reservas Particulares do Patrimônio Natural da Mata
Atlântica localizadas na bacia do rio São João, estado do Rio de Janeiro. Estas
reservas possuem áreas que variam de 50ha a 500ha, com dimensões
semelhantes às propostas na presente pesquisa. Dentre as conclusões
apresentadas por Melo (2007) destaca-se a de que, fruto da sinergia dos
aspectos físicos (topografia e eventos climatológicos), biológico (remanescente
de grande e contínuo remanescente florestal) e antrópicos (baixa utilização), as
matas potencializam a perenidade dos recursos hídricos a jusante da bacia em
estudo.

2.4.5 Pagamento por Serviços Ambientais
O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) foi um instrumento
projetado para oferecer, prioritariamente, incentivos econômicos para promover
a utilização mais eficiente e sustentável dos serviços ambientais (PNUMA,
2008).
Thomas & Callan (2010) elegem três conceitos que norteiam este
instrumento de gestão ambiental, são eles: benefício ambiental, valor de
existência e valoração dos benefícios ambientais.
Segundo estes autores, para se avaliar os benefícios ambientais deve-
se analisar os danos à saúde, à ecologia, e à propriedade decorrentes de uma
mudança de política ambiental.
63

Dentro de uma ampla categoria dos benefícios ambientais incrementais,
Thomas & Callan (2010) comentam a existência de dois tipos de efeitos da
redução dos danos: os benefícios ambientais primários e os benefícios
ambientais secundários. Os primários são os efeitos da redução dos danos que
são conseqüência direta da implementação de uma política ambiental, tais
como uma incidência mais baixa de doenças respiratórias, ecossistemas mais
estáveis e benefícios econômicos, como uma indústria pesqueira mais
próspera resultante das regulamentações sobre a água limpa.
Os benefícios ambientais secundários são ganhos indiretos da
sociedade em decorrência da implementação de uma política. Thomas &
Callan (2010) citam como exemplo o aumento da produtividade do trabalhador
resultante do benefício primário da melhoria de saúde da mão-de-obra.
Em economia, o consumo explica grande parte dos elementos que
compõem a fixação dos valores das coisas. Contudo, a valoração de alguns
recursos naturais não pode ser explicada pelo consumo dos mesmos. Sabe-se,
porém, que a sociedade se predispõe a pagar pela preservação dos mesmos,
como é o caso das tartarugas marinhas, peixe-boi-marinho, mico-leão-dourado
e as cataratas do Iguaçu. Ou seja, a sociedade está disposta a pagar pelo fato
de saber que eles existem e estão sendo preservados, é o chamado valor de
existência (THOMAS & CALLAN, 2010).
A valoração dos benefícios primários gerados pelas florestas (produção
de madeira, água para abastecimento, extrativismo, etc) é de fácil mensuração,
pois possuem seus aspectos físicos e financeiros amplamente internalizados
pela sociedade. Entretanto, para aos benefícios secundários, não existe
consenso quanto à mensuração dos seus produtos.
Borges (2005) comenta que os benefícios indiretos de florestas e de
outros recursos naturais representam, por vezes, valores iguais ou superiores
aos benefícios diretos. Apesar disto, eles são subvalorizados ou não são
considerados quando da avaliação desses bens e serviços, exatamente pela
dificuldade ou custo de realização dessas avaliações.
Kitamura (2001) argumenta que a economia de mercado não agrega os
aspectos ambientais aos valores das propriedades rurais. Consequentemente,
ocorrem algumas distorções no momento de se mensurar e valorar estas
propriedades. Neste sentido, o problema maior do valor de mercado é que a
64

não inclusão dos serviços ambientais contribui para a conversão de áreas
verdes para outros usos (agricultura e pecuária), na contraditória busca de um
maior valor para o bem.
Mota (2006) comenta que os ativos ambientais têm dimensão
transcendental, sistêmica e sujeitas às condições econômicas, antrópicas e das
leis naturais. Pois, qualquer tentativa de valoração ambiental recairia num
processo analítico sistêmico, ou seja, haveria a necessidade de se verificar as
inter-relações da natureza holisticamente.
Existem vários métodos utilizados para realizar a estimativa dos
benefícios ambientais. Dependendo do método, é possível realizar estimativas
de benefícios de difícil mensuração, como é o caso dos indiretos e
conseqüentemente o valor de existência. Smith & Krutilla (1982) apresentaram
uma classificação geral dos métodos dividindo-os em duas amplas categorias:
o conceito de ligação física e o conceito de ligação comportamental.
O conceito de ligação física mede os benefícios com base em uma
relação técnica entre os recursos ambientais e o usuário do recurso. Com
exemplo temos o método de função dano, este método utiliza um modelo de
relação entre os níveis de um contaminante e os danos ambientais observados
(ou inferidos estaticamente) para estimar a redução dos danos como
conseqüência da diminuição dos contaminantes induzida por uma política
(THOMAS & CALLAN, 2010).
O conceito de ligação comportamental baseia-se nas observações do
comportamento de mercados reais ou em respostas a pesquisas sobre
mercados hipotéticos para bens ambientais. Thomas & Callan (2010) fazem
uma revisão dos métodos listados por Smith & Krutilla (1982) para esta
categoria listando-os em dois subgrupos: os métodos diretos e os indiretos.
Observa-se no Quadro 04 os métodos ligados ao conceito de ligação
comportamental nos dois subgrupos.





65

Quadro 04. Métodos da categoria conceito de ligação comportamental
MÉTODOS DIRETOS
Critério do Referendo Político
Utiliza o mercado real de um bem público por meio do monitoramento dos resultados da
votação de um plebiscito sobre a proposta de mudanças na qualidade ambiental.
Método de Valoração Contingente (MVC)
Realiza pesquisa para inquirir os indivíduos sobre a disposição a pagar (DAP) por melhorias
ambientais com base em condições hipotéticas de mercado.
MÉTODOS INDIRETOS
Método de Custos Evitados (MCE)
Avalia as modificações nas despesas de um indivíduo em bens e serviços que substituem a
qualidade ambiental pessoal para atribuir valor a mudanças no meio ambiente geral
Método de Custa de Viagem (MCV)
Converte em valor monetário uma mudança na qualidade de um recurso ambiental avaliando
o efeito da mudança na demanda por um bem complementar..
Método de Preços Hdônicos (MPH)
Utiliza a teoria em que um bem é valorizado pelos atributos que possui para estimar o preço
implícito ou hedônico de um atributo ambiental e identifica sua demanda como um meio de
atribuir valor a melhorias na qualidade orientadas por uma política.
Fonte: (THOMAS & CALLAN 2010)


O Pagamento por Serviços Ambientais é um instrumento de gestão
utilizado cada vez com mais freqüência. Dentre as peculiaridades deste
instrumento, destaca-se a abrangência e especificidade dos benefícios
gerados. Normalmente, a ocorrência da utilização deste instrumento se dá em
comunidades de baixo poder aquisitivo, as quais podem ser remuneradas por
atitudes que promovam a manutenção ou potencialização de serviços
ambientais.
Existem basicamente três categorias de PSA, são elas: o pagamento, a
compensação e a gratificação (PORTAL DA MADEIRA, 2009):
O Pagamento pode ser entendido como uma forma de envolver
os proprietários/moradores de uma floresta no controle dos
recursos naturais da mesma. Neste caso os
proprietários/moradores receberiam um pagamento pelos
serviços de fiscalização e sensibilização.
66

A compensação se dá no momento que se procura compensar
as perdas de competitividade ou de remuneração em respeito
às regras de manejo ou de proteção.
Por fim, a categoria gratificação, que é uma forma de
remunerar os usuários da floresta que promovem,
voluntariamente, regras ou práticas dedicadas a manter os
serviços ambientais. Por exemplo: moradores que
desenvolvem sistemas agro-florestais ou de reflorestamento.

2.4.6 Experiências de Sucesso do PSA
As discussões sobre o Pagamento por Serviços Ambientais têm
aumentado nos últimos anos. Diversos países têm adotado programas de
remuneração pelos serviços ambientais gerados. Países como o Brasil, Costa
Rica, México e Tailândia, implementaram políticas de incentivo ao
desenvolvimento destas práticas. Por exemplo:

2.4.6 1 No Brasil
Programa Conservador da Águas – Projeto iniciado em 2005 na cidade de
Extrema - MG, cujo objetivo é a implantação de ações para a melhoria da
qualidade e quantidade das águas no município de Extrema (EXTREMA,
2005).

O Programa de Desenvolvimento Sócio-ambiental de Produção Familiar
Rural (Proambiente) – é um Programa de Governo Federal alocado na
Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS) do Ministério do Meio
Ambiente (MMA). Reúne conceitos de produção rural e de conservação
ambiental. Permite a remuneração de Serviços Ambientais prestados à
sociedade brasileira e internacional, tais como redução do desmatamento,
seqüestro de carbono atmosférico, restabelecimento das funções hidrológicas
dos ecossistemas, conservação, preservação da biodiversidade, conservação
dos solos, redução da inflamabilidade da paisagem, troca de matriz energética
e eliminação de agroquímicos (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2009).

ICMS-Ecológico - O imposto ecológico (ICMS - Ecológico) é um mecanismo
que foi adotado por vários estados do Brasil para subsidiar e incentivar as
67

ações de conservação. Permite aos municípios brasileiros receberem parte de
recursos financeiros arrecadados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços-ICMS, em reconhecimento da prestação de um determinado serviço
ambiental à sociedade (criação e manutenção de Unidades de Conservação)
(AMBIENTE BRASIL, 2009)

2.4.6.2 Na Costa Rica
Eco-taxa nos combustíveis fósseis - O governo criou um mecanismo de
financiamento baseado em um fundo - o FONAFIFO - alimentado por uma taxa
nos combustíveis fósseis, para remunerar os proprietários rurais que
conservam e restauram a floresta nativa (FONDO NACIONAL DE
FINANCIAMENTO FORESTAL, 2009).

2.4.6 3 No México
Mercado voluntário de crédito de carbono - O projeto SCOLEL TE utiliza a
venda de créditos de carbono na bolsa voluntária de Chicago (CCX - Chicago
Climate Exchange) para financiar esforços agroflorestais que reduzem as
emissões de gases do efeito estufa. O projeto esta sendo gerido em conjunto
pelo Edinburgh Centre for Carbon Management (ECCM) e por a cooperativa
mexicana AMBIO (PLAN VIVO – MEXICO, 2009).
68

CAPÍTULO 3

CARACTERIZAÇÃO FÍSICA DAS ÁREAS DE ESTUDO

Para melhor compreensão das características das áreas de estudo, o
presente tópico foi dividido em cinco subitens, os quais referenciam as
Organizações Militares em estudo. As áreas foram observadas quanto à
localização, dimensão, relevo, clima e hidrografia.

3.1 Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti

3.1.1 Localização e Dimensões
Localiza-se na Região Metropolitana do Recife, inserida na mesorregião
Zona da Mata (Microrregião Mata Setentrional Pernambucana) e delimitada
pela seguinte moldura geográfica
15
:
Carta Temática para Transitabilidade de Blindados, CIMNC - PE, Folha
Especial, Escala 1:25.000.
Norte - 07º 46' 12"
Sul - 07º 55' 14"
Leste - 35º 02' 47"
Oeste - 35º 09' 08"
Os seus limites abrangem os municípios de Araçoiaba, Abreu e Lima,
Camaragibe, Igarassu, Paulista, Paudalho e Tracunhaém (sendo estes dois
últimos não pertencentes à RMR) totalizando 7.324 ha de área (GUIMARÃES,
2008).
Pode-se observar na Figura 05 uma imagem de satélite em que é
possível identificar os limites desta área de estudo.






15
Moldura Geográfica é a denominação dada aos paralelos e meridianos que tangenciam uma
determinada área.
69



































Figura 05 – Limites do Campo de Instrução Marechal de Lima Cavalcante.
70

3.1.2 Relevo, Clima e Hidrografia
O relevo do CIMNC é considerado forte ondulado, ou seja, existem
várias elevações de pequenas amplitudes. O ponto mais alto é o morro de
Miritiba, com 254m de altitude, enquanto a região mais baixa encontra-se no
leito do Riacho Catucá, com cerca de 60m de desnível em relação ao nível do
mar.
Os solos da região onde se encontra o Campo de Instrução são
representados pelos Latossolos e Podzólicos nos topos de chapadas e topos
residuais; pelos Podzólicos com Fregipan, Podzólicos Plínticos e Podzóis nas
pequenas depressões nos tabuleiros; pelos Podzólicos Concrecionários em
áreas dissecadas e encostas e Gleissolos e Solos Aluviais nas áreas de
várzeas (BELTRÃO et al, 2005).
O clima é do tipo As’ segundo a classificação Köppen, ou seja, tropical
chuvoso com verão seco, com temperatura média anual de 25,2ºC nas
medições realizadas ao sul do CIMNC no município de Abreu e Lima e de 25,1º
nas medições realizadas a leste do CIMNC no município de Camaragibe. O
período chuvoso tem início em fevereiro e término em outubro. O período mais
quente abrange os meses de dezembro a março, enquanto o menos quente
ocorre entre os meses de junho a setembro. A precipitação média anual é de
1.634.2 mm (LAMEPE, 2010).
As médias mensais da umidade relativa do ar na Região Metropolitana
do Recife oscilam entre 74% e 86%, com média anual de 80%
(PFALTZGRAFF, 2003).
A insolação anual média no CIMNC é de 2.556,4 horas por ano.
Enquanto a evaporação – que gera a principal perda no balanço hídrico e que
sofre as influências da insolação, da velocidade dos ventos e da temperatura
do ar – apresenta valores médios anuais de 1.323,4 mm 2.264,0 mm, em
medições realizadas, respectivamente, com Evaporímetro de Piché e Tanque
Evaporimétrico Classe A (PFALTZGRAFF, 2003).
A hidrografia do CIMNC é bastante diversificada. Existem vários riachos
dentro dos seus limites, são eles: Riacho Catucá (maior e principal riacho do
campo), Riacho Vargem d’Água, Riacho do Dobrão, Riacho d’Aldeia, Riacho
Barrocas, Riacho Timbó, Riacho do Pilão, Riacho Pau Amarelo, Riacho Cabocá
e Riacho Moreninha.
71

A microbacia do Riacho Catucá encontra-se totalmente inserida no
CIMNC, destacando-se por ser uma área com cobertura vegetal de Mata
Atlântica, caracterizada por apresentar os efeitos de uma antropização ocorrida
no passado, revertido mais recentemente por um processo de regeneração
natural (GUIMARÃES, 2008).
Os Riachos Catucá e Pilão fazem parte da Bacia Hidrogárfica do Rio
Botafogo (CPRH, 2006). É importante também observar que o Riacho Catucá é
a primeira denominação dada ao Rio Botafogo, importante por ter suas águas
represadas para o abastecimento da Região Metropolitana do Recife.
Ainda com relação aos recursos hídricos existentes no CIMNC,
destacamos a microbacia do Rio Botafogo, que faz parte do grupo de bacias de
pequenos rios litorâneos do estado de Pernambuco denominado GL1. Este
grupo de bacias apresenta uma área de aproximadamente 1.162,24 km²,
correspondendo a 1,17% da área total do estado. Fazem parte deste grupo as
sub-bacias dos rios: Jaguaribe, Arataca, Botafogo, Igarassu, Timbó, Paratibe e
Beberibe. A sub-bacia do Rio Botafogo ocupa uma área de 200 km² e possui
51 km de comprimento, sendo considerada a de maior importância para o
abastecimento d’água da Região Metropolitana do Recife (PERH, 1998), pois
neste curso d’água encontra-se uma barragem integrante do Sistema
Botafogo
16
. Esta barragem possui uma área máxima de espelho d’água de 1,79
km² e uma vazão média de 1,2 m³/s. A mesma é formada pelo represamento
do Riacho Catucá o qual possui 24 km de extensão e cuja microbacia possui
88 km² de área, formando um reservatório com capacidade de 27.600.000 m³
(PFALTZGRAFF, 2003).
De acordo com Beltrão et al (2005), em termo de águas subterrânes, o
CIMNC está inserido no Domínio Hidrogeológico Intersticial e no Domínio
Hidrogeológico Fissural. O Domínio Intersticial é composto de rochas
sedimentares dos Depósitos Aluvionares e da Formação Moura, enquanto o
Domínio Fissural é composto de rochas do embasamento cristalino que
engloba o sub-domínio rochas metamórficas constituído do Complexo
Vertentes e do Complexo Salgadinho.

16
O Sistema de Botafogo faz parte do Sistema Produtor de Água do estado de Pernambuco.
72

O Campo de Instrução possui uma represa denominada de Açude
Campo Grande, com cerca de 200.000 m² de superfície Este reservatório é
utilizado para o abastecimento interno e nas atividades de instrução em
superfícies aquáticas.

3.2 4º Batalhão de Comunicações

3.2.1 Localização e Dimensões
O fragmento florestal do 4º Batalhão de Comunicações está localizado
ao longo da rodovia federal BR – 101, no bairro de Tejipió, município de Recife
e está emoldurado pelas seguintes coordenadas geográficas:
Carta Topográfica Recife, Folha SC.25-V-A-III/1-NO
Norte - 08º05’40,7”
Sul - 08º 06' 27,7"
Leste - 34º56’56”
Oeste - 34º57’45”
O 4º B Com possui 173,53 ha de área. Observa-se na Figura 06 uma
imagem de satélite em que é possível identificar os limites desta área em
questão.















73



































Figura 06 – Limites do 4º Batalhão de Comunicações do Exército
74

3.2.2 Relevo, Clima e Hidrografia
A mata de Tejipió está localizada numa região sobre planície dos
Tabuleiros Costeiros, denominados genericamente de mar de morros,
apresentando uma altitude na área da toposseqüência estudada variando entre
15m até 64m. Os solos encontram-se sobre embasamento cristalino que é
formado por rochas de composição granítica (granitos, migmatitos, gnaisses e
micaxitos), abrangendo as formações sedimentares mais recentes, ou seja, do
período holoceno, constituídos por sedimentos soltos ou consolidados de
natureza e granulometria muito variada, sendo comum à presença de
matacões
17
(JACOMINE et al., 1973;PROVENTIONCONSORTIUM, 2004)
O clima da região onde está localizada a Mata em questão é
enquadrado pela classificação de Köppen como do tipo As’, ou seja, tropical
chuvoso com verão seco e estação chuvosa adiantada para o outono, antes do
inverno. As chuvas são bem distribuídas durante o ano, sendo os meses de
maio, junho e julho os mais chuvosos e outubro, novembro e dezembro os mais
secos.
A precipitação total anual média é de 1.800 mm, apresentando
temperatura média de 24ºC, registrando mínimas de 18ºC e máximas de 32ºC.
A umidade relativa do ar é alta, variando entre 79,2 % e 90,7 % nos meses
mais chuvosos, podendo chegar a atingir os 100 % (FEITOSA, 2004)
A Mata de Tejipió é cortada pelo rio que leva o mesmo nome, um rio
perene que nasce no município de São Lourenço da Mata e possui 20 km de
extensão. O 4ºBCom possui ainda uma pequena lagoa com aproximadamente
9000m² de área, a qual é alimentada por nascentes localizadas na própria
mata.







17
Também conhecido por seu nome em inglês Boulder, são grandes blocos arredondados, diâmetro maior
que 256 mm, produzidos pelo processo de intemperismo químico, conhecido como esfoliação esferoidal
ou pelo desgaste de blocos arrastados por correntes fluviais.
75

3.3 14º Batalhão de Infantaria Motorizado

3.3.1 Localização e Dimensões
O fragmento florestal do 14º Batalhão de Infantaria Motorizados está
localizado no município de Jaboatão dos Guararapes na RMR estando
emoldurado pelas seguintes coordenadas geográficas:
Carta Topográfica Recife, Folha SC.25-V-A-III/1-NO
Norte - 08º 05' 09,6"
Sul - 08º 06' 51,5"
Leste - 34º 59' 42,8"
Oeste - 35º 00' 57,6"
O 14º BIMtz possui suas instalações divididas em quatro áreas
totalizando 401,4. Estas áreas estão representadas nas Figuras 07 e 08 em
imagens de satélite nas quais é possível identificar os limites desta área em
estudo.



















76



































Figura 07 – Limites do Campo de Instrução do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado.
77



































Figura 08 – Limites do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado.
78

3.3.2 Relevo, Clima e Hidrografia
A região do 14º BIMtz possui um solo classificado como podozóico
amarelo fase subperenifólia, com baixa fertilidade, variando de ácido a muito
ácido, bastante suscetível à erosão (AMBRÓSIO, 1995). O clima da região é
enquadrado como sendo do tipo As’ pela classificação de Köppen’ e, segundo
a classificação de Thornthwaite
18
, o clima desta área de estudo é do tipo
B3RA’a’(úmido com pouca ou nenhuma deficiência de água, megatérmico
19

com regime de eficiência térmica normal aos climas megatérmicos), a
precipitação pluviométrica varia em torno de 2461mm, e a altitude em torno de
76m (AMBRÓSIO, 1995)
Com relação aos aspectos geomorfológicos, o município de Jaboatão
dos Guararapes e consequentemente a área do 14º BIMtz sofreu ao longo de
sua história geológica grandes influências tectônicas como demonstram as
inúmeras falhas e alguns dobramentos (MELO, 2009).
Melo (2009) cita que o relevo do município de Jaboatão dos Guararapes
está compartimentado em três domínios: Domínio dos Tabuleiros Costeiros,
Domínio da Planície Costeira e Domínios de Colinas da Zona da Mata, sendo
este último o que está localizado esta área de estudo.
O Campo de Instrução do 14º BIMtz possui diversas nascentes,
destacando-se as que alimentam os riacho Manassu, Mussaíba e Jangadinha.
Além desses mananciais, um trecho de aproximadamente 400 metro do Rio
Jaboatão corta parte da área deste Batalhão. Existe também no interior do
campo uma represa com aproximadamente 75.000m² de superfície.


3.4 7º Grupo de Artilharia de Campanha e 3ª Divisão de Levantamento

3.4.1 Localização e Dimensões
O 7º GAC e a 3ª DL estão localizados município de Olinda no bairro de
Ouro Preto às margens da Rodovia Estadual PE – 15, Região Metropolitana de
Recife e está emoldurado pelas seguintes coordenadas geográficas:

18
A classificação do clima de Thornthwaite é um sistema de classificação climática criado por Charles
Warren Thornthwaite, no qual o factor mais importante é a evapotranspiração potencial e a sua
comparação com a precipitação que são típicas de uma determinada área.
19
Temperaturas médias superiores a 18ºC.
79

Carta Topográfica Pau Amarelo, Folha SB.25-Y-C-VI/3-SE e Carta Topográfica
Olinda, Folha SC.25-V-A-III/1-NE.
Norte - 07º 59' 51"
Sul - 08º 00' 16,8"
Leste - 34º 51' 21,6"
Oeste - 34º 51' 56"
O 7º GAC e a 3º DL possuem 43,53 ha de área, o qual estão delimitados
na Figura 09.


























80



































Figura 09 – Limites do 7º Grupo de Artilharia de Campanha e da 3ª Divisão
de Levantamento.
81

3.4.2 Relevo, Clima e Hidrografia
Quanto à estrutura geológica da região onde está inserido o 7º GAC,
Beltrão et al. (2005) citam que a faixa sedimentar norte de Pernambuco é
afetada por falhas paralelas e normais à costa, conferindo uma
compartimentação irregular de blocos nivelados, tratando-se de uma sucessão
de blocos, cujas camadas estão dotadas de uma horizontalidade, que
mergulham de maneira suave na direção do oceano, com inclinação entre 5 e
25 m/km.
Com relação ao solo, observa-se que os depósitos quaternários,
representados pelos sedimentos de aluviões dos mananciais locais e pela
composição argilosa dos mesmos, se apresentam desfavoráveis ao
parcelamento urbano e à sua ocupação por edificações (BELTRÃO et al,
2005).
O clima dominante da área é o As’, clima quente úmido do tipo tropical
na classificação de Köppen. Apresenta uma precipitação média anual de
1.783,00 mm, temperatura média anual de 26ºC e umidade relativa média
mensal de 80%.
Existem algumas nascentes no interior deste objeto de estudo, as quais
contribuem na formação de algumas áreas alagadas.

3.5 Complexo Militar do Curado (CMNE)

3.5.1 Localização e Dimensões
Esta área de estudo localiza-se nas proximidades do Distrito Industrial
do Curado e do Jardim Botânico, na Região Metropolitana do Recife (RMR) e
está emoldurado pelas seguintes coordenadas geográficas:
Carta Topográfica Recife, Folha SC.25-V-A-III/1-NO
Norte - 08º03’30”
Sul - 08º04’50”
Leste - 34º56’55”
Oeste - 34º58’21”
O Complexo Militar do Curado é composto Comando Militar do Nordeste,
o 4º Batalhão de Polícia do Exército, o Comando da 10ª Brigada de Infantaria
Motorizada e o 14º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado.
82

Esta área de estudo possui 340 ha dos quais 100,86 ha são
representados por um fragmento de Mata Atlântica.
Pode-se observar nas Figuras 10, 11 e 12 imagens de satélite em que é
possível identificar os limites desta área de estudo.






























Figura 10 – Limites do Comando Militar do Nordeste.
83



































Figura 11 – Limites da 10ª Brigada de Infantaria Motorizada e do 4º Batalhão de Polícia do
Exército.
84



































Figura 12 – Limites do 10º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado e respectivo Campo de
Instrução.
85

3.5.2 Relevo, Clima e Hidrografia
O clima da área é classificado como do tipo As’, apresentando
precipitação anual de 2.400mm. Segundo o balanço hídrico de Thornthwaite &
Mather para 20 anos, referente ao município do Recife, na estação chuvosa
(meados de março até o final de agosto) ocorrem excessos hídricos, com
pluviosidade mensal entre 200 e 400mm e na estação seca (outubro a
fevereiro) os valores de déficit de água no solo variam de 8 a 36mm. Os totais
anuais médios de precipitação nos municípios da Região Metropolitana do
Recife são entorno de 2.200 mm. A umidade relativa do ar é elevada, com
variações entre 79,2 e 90,7% e a temperatura média anual é de 24,7 ºC;
(CPRH, 2006; ALVES JÚNIOR et al, 2007; ROCHA et al., 2008). A insolação
total média mensal oscila entre 165,4 e 260,9 horas, apresentando total anual
médio de 2.556,4 horas. (PFALTZGRAFF, 2003).
O solo é classificado como sendo Podzólico Vermelho-Amarelo e
Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico (ALVES JÚNIOR et al, 2007; ROCHA et
al., 2008).
No interior do Complexo Militar do Curado existem alguns corpos
hídricos os quais são tributários tanto do Rio Capibaribe quanto do Rio Tejipió.
86

CAPÍTULO 4

SERVIÇOS AMBIENTAIS

4.1 Serviços Climáticos
Como foi observado anteriormente, os serviços climáticos podem ser
locais ou globais. Neste capítulo, será apresentada uma análise dos efeitos
climáticos locais gerados pelas áreas de estudo. Foram analisadas as
Temperaturas de Superfície bem como os Enhanced Vegetation Index (EVI)
(em todas as áreas) e a Umidade Relativa do Ar (apenas no CIMNC). Foram
elaborados mapas temáticos de temperatura a partir níveis de cinza de bandas
termais por uma análise de balanço de radiação, no qual se determinou a
temperatura na copa das árvores e na superfície do solo em locais não
arborizados.
Devido ao CIMNC diferenciar-se das demais áreas em estudo, não só
pela dimensão, mas também pela diversidade de tipos de ocupação do solo
das áreas adjacentes, foi realizado um levantamento de campo com sensores
de temperatura e umidade em um transecto passando por pontos internas e
externas a este objeto de estudo.

4.1.1 Temperatura na Superfície (Ts) e o Enhanced Vegetation Index (EVI)
Com o objetivo de gerar mapas temáticos que possibilitassem identificar a
evolução da condição ambiental das áreas de estudo, foram utilizadas imagens
TM do satélite Landsat 5 referentes ao período de 1988 a 2010, adquiridas
junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de órbita e ponto
214/65-66. As passagens do satélite sobre as áreas de estudo ocorreram em
05 de junho de 1988, 28 de setembro de 1989, 26 de agosto de 2006, 07 de
abril de 2007 e 06 de setembro de 2010.
Foram utilizadas imagens do sensor TM do satélite Landsat-5, das quais
destaca-se a banda 6, que compreende a faixa do infravermelho (10,4 e
12,5μm). Esta banda apresenta sensibilidade aos fenômenos relativos aos
contrastes térmicos, servindo para detectar propriedades termais de rochas,
solos, vegetação, água, concreto, zinco, dentre outros.
87

Deste modo, foram obtidas as Temperaturas da Superfície (Ts) e os
Enhanced Vegetation Index (EVI) para as áreas de estudo empregando a
mesma metodologia utilizada por Silva et al (2005a,b) e Oliveira & Galvíncio
(2008), demonstrada através do fluxograma da Figura 13, onde foram
desenvolvidos modelos através da ferramenta Model Maker do programa
ERDAS Imagine 9.3.


Figura 13. Fluxograma da metodologia para obtenção da Temperatura da
Superfície.

As sete etapas desse processo são descritas a seguir:

Radiância Espectral
A radiância espectral ou a calibração radiométrica (Eq. 5) consiste na
conversão do nível de cinza de cada pixel e banda, em radiância
monocromática, que representa a energia solar refletida, por unidade de área,
de tempo, de ângulo sólido e de comprimento de onda, medida ao nível do
satélite nas bandas 1, 2, 3, 4, 5 e 7. Para a banda termal, essa radiância
representa a radiação emitida por cada pixel, sendo empregada na obtenção
da temperatura da superfície. A radiância de cada pixel e banda foi obtida pela
equação proposta por Markham e Baker (1987):
ND
255
a b
a L
i i
i λi
÷
+ =
(Eq. 5)
onde “a” e “b” são as radiâncias espectrais mínimas e máximas (Wm
−2
sr
−1
μm
−1
), ND é
a intensidade do pixel (número inteiro compreendido entre 0 e 255) e i corresponde às
bandas (1, 2, ... e 7) do satélite Landsat 5. Os coeficientes de calibração utilizados
para as imagens TM são os propostos por Chander & Markham (2003).


88

Reflectância
A reflectância (Eq. 6) de cada banda é definida como sendo a razão entre
o fluxo de radiação solar refletido pela superfície e o fluxo de radiação solar
global incidente, a qual é obtida através da equação (Allen et al., 2002):
r λi
λi
λi
d . cos . k
L . π
ρ
Z
=
(Eq. 6)

onde Lλi é a radiância espectral de cada banda, k
λi
é a irradiância solar espectral de
cada banda no topo da atmosfera (Wm
-2
.μm
-1
), Z é o ângulo zenital solar e dr é o
quadrado da razão entre a distância média Terra-Sol (r
o
) e a distância Terra-Sol (r) em
dado dia do ano (DSA).

SAVI
Foi utilizado o índice de vegetação ajustado por solo (Soil Adjusted
Vegetation Index – SAVI) introduzindo um fator no IVDN para incorporar o
efeito da presença do solo, mantendo-se o valor do IVDN dentro de -1 a +1,
seguindo a equação proposta por Heute (1988). Esse índice é calculado
através da Eq. 7:
) ρ ρ (L
) ρ L)(ρ (1
SAVI
V IV
V IV
+ +
÷ +
=
(Eq. 7)

onde piv e pv correspondem, respectivamente, às bandas do infravermelho próximo e
do vermelho e L é constante, cujo valor mais frequentemente usado é 0,5 (Accioly et
al., 2002; Boegh et al., 2002).

IAF
O Índice de Área Foliar (IAF) é definido pela razão entre a área foliar de
toda a vegetação por unidade de área utilizada por ela. O IAF é um indicador
da biomassa de cada pixel da imagem e o mesmo foi computado pela Eq. 8
obtida por Allen et al. (2002):
0,91
0,59
SAVI 0,69
ln
IAF
|
.
|

\
| ÷
÷ =
(Eq. 8)



89

Emissividades da Superfície
Para a obtenção da temperatura da superfície, é utilizada a equação de
Planck invertida, válida para um corpo negro. Como cada pixel não emite
radiação eletromagnética como um corpo negro, há a necessidade de introduzir
a emissividade de cada pixel no domínio espectral da banda termal ε
NB
, qual
seja: 10,4 – 12,5 μm. Por sua vez, quando do cômputo da radiação de onda
longa emitida por cada pixel, há de ser considerada a emissividade no domínio
da banda larga ε
0
(5 – 100 μm). Segundo Allen et al. (2002), as emissividades
ε
NB
e ε
0
podem ser obtidas, para NDVI > 0 e IAF < 3, segundo as Eq. 9 e Eq.
10:
IAF 0,00331 0,97 ε
NB
+ = (Eq. 9)
IAF 0,01 0,95 ε
0
+ = (Eq. 10)

Para pixels com IAF > 3, ε
NB
= ε
0
= 0,98 Para corpos de água (IVDN < 0), no caso do
lago de Sobradinho e do leito do Rio São Francisco, Silva & Cândido (2004) utilizaram
os valores de ε
NB
= 0,99 e ε
0
=0,985, conforme Allen et al. (2002).

Temperatura da Superfície
Para a obtenção da temperatura da superfície (Ts ) são utilizadas a
radiância espectral da banda termal L
λ,6
e a emissividade ε
NB
, obtida na etapa
anterior. Dessa forma, obtém-se a temperatura da superfície (K) pela seguinte
expressão (Eq. 11):
|
|
.
|

\
|
+
=
1
L
K ε
ln
K
T
λ,6
1 NB
2
s
(Eq. 11)

onde K
1
=607,76Wm
-2
sr
-1
μm
-1
e K
2
=1260,56K são constantes de calibração da banda
termal do Landsat 5 –T (Allen et al., 2002).

EVI
O Enhanced Vegetation Index (EVI) pode ser obtido pela equação (Eq.
12) proposta por Huete et al. (1997):
|
|
.
|

\
|
+ ÷ +
÷
=
L A C C
G EVI
ρ * 2 ρ * 1 ρ
ρ ρ
V IV
V IV
(Eq. 12)

90

onde
IV
ρ é a reflectância no infravermelho próximo,
V
ρ é a reflectância no vermelho,
A ρ é a reflectância no azul, C1 é o coeficiente de correção dos efeitos atmosféricos
para o vermelho (6), C2 é o coeficiente de correção do efeitos atmosféricos para o azul
(7,5), L é o fator de correção para a interferência do solo (1) e G é o fator de ganho
(2,5).
A escolha deste índice de vegetação se dá através de sua capacidade
de minimizar o efeito background do solo e os efeitos atmosféricos devido à
utilização da banda do azul. Segundo Justice et al (1998) este índice ainda
apresenta uma alta sensibilidade a variação fenológicas.
Vale salientar que, ao se analisar as imagens geradas por este método,
faz-se necessário que se leve em conta as condições climáticas nos objetos de
estudo no momento em que a imagem foi capturada pelo satél ite, pois estas
condições indicarão maior ou menor temperatura na região observada. Pra se
ter uma melhor noção do comportamento climático nos objetos analisados,
segue-se abaixo a Figura 14 que representa a médias mensais de temperatura
na RMR no período de 1961 a 2000.
















Observa–se na Figura 15 que a Ts do fragmento de mata sob a
responsabilidade do CIMNC apresenta temperaturas mais amenas, quando
comparados com outros alvos como solo exposto e áreas urbanizadas. As
Figura 14. Médias mensais da temperatura do ar nos períodos de 1961-1970;
1971-1980; 1981-1990 e 1991-2000 em Recife.
Fonte: DANTAS et al. (2008)
91

temperaturas médias em 1988 indicam registros na faixa de 22,0ºC – 24,0ºC
para o interior da área de estudo e de 25,1ºC – 26ºC para a área externa a
mesma.























Figura 15. Variação espacial da temperatura e do Enhanced Vegetation Index
no Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante nos anos de 1988 e
2007.

Já no ano de 2007 as faixas de temperatura médias passam de 25,1ºC –
26ºC para a área interna e > 28,1ºC para a área externa. Em consequência,
constata-se que em 19 anos a variação da temperatura média intra e extra
mata do CIMNC passou de 1ºC para 2,5ºC.
92

Através do EVI é possível observar que o entorno da mata apresentou,
em grande parte, uma diminuição de valores do índice de vegetação. Nota-se
como na imagem de 1988 havia uma predominância de EVI > 0,60 em grande
parte da imagem. Já no ano de 2007 é observado esta redução nos valores de
EVI, com valores variando entre 0,30 a 0,60.
Isto se deve principalmente a utilização antrópica a qual a área veio a ser
submetido com o passar dos anos. Já as áreas de corpos hídricos
apresentaram valores inferiores a 0, como pode ser observado em trabalhos
realizados por Machado et al (2009) em corpos hídricos e áreas com solo muito
alagado em parte do município de Ladário e Corumbá – MS e por Xia et al
(2008) na planície ao norte da China.
Vale ressaltar que não houve modificações significativas no uso do solo
nas áreas adjacentes ao objeto de estudo, porém, percebe-se que no ano de
2007 os valores médios das temperaturas na região apresentaram-se em
patamares superiores a 28ºC. Isto ocorreu devido às condições climáticas do
momento da captura das imagens pelo satélite, pois esta região apresentava
valores médios de temperatura mais elevados. Entretanto, ressalta-se mais
uma vez o fato da temperatura no interior do fragmento ter médias menores
que as extra fragmento nos dois anos observados, em 1988 e 2007.
No caso do 4º BCom, totalmente inserido em uma região urbanizada, ao
se comparar as Ts das imagens de 1989, 2006 e 2010 (Figura 16), pode-se
observar um aumento espaço temporal significativo da temperatura externa ao
objeto de estudo, pois a mesma passa de uma faixa de 25,1ºC – 26,0ºC para >
28,1ºC; entretanto, observa-se uma diminuição da temperatura no interior no 4º
BCom, pois as temperaturas médias passaram da faixa de 24,1ºC – 25,0ºC
para 22,1ºC - 23,0ºC .Ou seja, para um período de aproximadamente 20 anos,
houve um aumento da temperatura da área externa ao objeto de estudo na
ordem de 2,5ºC e, em contrapartida, houve uma diminuição de 2,0ºC no interior
do 4º BCom. Este fato pode ser explicado por uma oportunidade de
desenvolvimento de novas espécies ou maior desenvolvimento foliar das
espécies mais antigas como pôde ser observado por OLIVEIRA et al (2011) na
Mata da Várzea, também localizada no município do Recife – PE.


93
































Figura 16 – Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation Index no
4º Batalhão de Comunicações nos anos de 1989, 2006 e 2010.

94

Também é observado que as áreas de solo exposto no interior do
fragmento apresentaram valores de temperatura superiores a 28,1°C e entorno
com variação entre 26,1°C a 28,0°C. É possível observar nas cartas de EVI,
que no entorno desta área de solo exposto os valores de EVI apresentam-se
menos elevado (0,30 – 0,50) que na área de mata densa (EVI > 0,60). Também
é observado no interior do fragmento áreas com variação de EVI entre 0,40 –
0,50, o que pode evidenciar áreas utilizadas antropicamente.
Figura 17 apresenta a Ts na área do 14º BIMtz no anos de 1989 e 2010.
Mais uma vez observa-se que, ao comparar a temperatura média no interior do
objeto de estudo com as temperaturas externas, constata-se uma redução
significativa das Ts médias no interior da área militar. A seta nesta figura indica
uma área urbanizada na qual foi registrado um aumento da temperatura média
de uma faixa de 26,1ºC – 27,0ºC para uma faixa de 27,1ºC – 28,0ºC, gerando
um aumento médio de 1,0ºC. Já na área da mata do 14º BIMtz, esta
temperatura baixa da faixa de 24,1ºC – 25,0ºC para 19,1ºC – 22,0ºC, ou seja,
uma redução de aproximadamente 5,0ºC para um período de 20 anos.


















95





























Figura 17. Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation Index no
14º Batalhão de Infantaria Motorizado nos anos de 1989, 2006 e 2010.

A área do 7ª GAC (Figura 18) é um exemplo bem claro do efeito
amenizador térmico gerado por um fragmento florestal em uma área urbana,
pois, mesmo não havendo cobertura vegetal na região fronteiriça a Leste
96

Figura 18 – Variação espacial da temperatura no 7º Grupo de Artilharia de Campanha
nos anos de 1989 e 2010.

(indicado pela seta), a mesma apresenta uma diminuição da temperatura de
quase 3,0ºC, pois como comentam Dacanal et al (2010) um fragmento florestal
em área urbana pode atenuar a temperatura do ar, interceptar a radiação solar
e manter a velocidade do ar em baixa amplitude. Observa-se nesta figura,
ainda, um aumento significativo da temperatura média de toda região externa à
área de estudo, fato que foi gerado graças ao aumento construtivo na cidade
de Olinda, a qual ocorreu na contramão da recuperação florestal desta
Organização Militar.




















Em um intervalo de tempo de pouco mais de duas décadas, a
temperatura da região periférica à OM passou de uma média na faixa de
25,1ºC – 26,0ºC para uma temperatura superior a 28,1ºC, representando um
aumento de 2,5ºC na temperatura média da área. Já no interior da área de
estudo, identifica-se que a faixa de temperatura média passou de 24,1ºC –
97

25,0ºC para 19,1ºC – 22,0ºC representando uma redução de 5ºC na
temperatura da predominante da área.
Da mesma forma que as demais áreas, a mata do Complexo Militar do
Curado (Figura 19) também indica uma sensível redução da Ts média em toda
área de estudo. E de forma semelhante, as temperaturas nas áreas adjacentes
a este objeto de estudo apresentam valores maiores. Observa-se, porém, que
houve um aumento significativo da temperatura em parte deste objeto (indicado
pela seta). Este aumento de Ts, na ordem de 2,0ºC, ocorreu em uma região em
que foram construídas na década de 1990 as instalações do 4º Batalhão de
Polícia de Exército.
























98

























Figura 19 – Variação espacial da temperatura e Enhanced Vegetation Index no
Complexo Militar do Curado (CMNE) nos anos de 1989, 2007 e 2010


4.1.2 Umidade Relativa do Ar e o comportamento da temperatura no
interior e adjacências do CIMNC
Foram realizados monitoramentos simultâneos/instantâneos utilizando-
se um termo-higrômetro em um intervalo de tempo (12h), da temperatura e
umidade relativa do ar em um transectos Sudeste-Noroeste. Para conferir
maior representatividade à amostragem, o transecto foi marcado em diferentes
tipos de área de acordo com o tipo de uso do solo. O mesmo passa por uma
99

região de mata densa, por regiões de clareira e pela borda da mata até chegar
ao setor urbano da cidade de Araçoiaba.
Os pontos foram levantados inicialmente em uma carta topográfica e,
posteriormente, durante os trabalhos de campo, tiveram suas coordenadas
confirmadas por Sistema de Posicionamento Global utilizando-se o GPS
Garmin eTrex Summit. O Quadro 05 apresenta as coordenadas dos pontos
onde foram realizadas as medições e a Figura 20 representa um esboço da
localização dos pontos de monitoramento.

Quadro 05 – Localização dos pontos do transecto
Ponto de
monitoramento
Coordenada dos pontos do Transecto Sudeste-
Nordeste
P1
07º49’22”S e 35º06’53”O
– Interior da mata do CIMNC
P2
07º49’21’’S e 35º06’38’’O
– Clareira no interior da mata
P3
07º48’02” S e 35º06’06”O
– Borda norte do CIMNC próximo a uma região
urbanizada
P4
07º 47’01” S e 35º05’18”O
– Região urbanizada adjacente ao CIMNC (Cidade de
Araçoiaba a 2km da mata)
















100





















Figura 20. Esboço de localização dos pontos do transecto

Fruto do trabalho de campo, realizado com termômetros e higrômetros
na área do CIMNC, foram medidas e comparadas as temperaturas e umidades
relativas do ar em quatro pontos no interior e adjacências do campo. No
Quadro 06 verifica-se o comportamento da temperatura aferida em dois
horários diferentes num transecto que passa pela área de estudo e por uma
área urbana adjacente à mesma.







Araçoiaba
P4
P3
P2
P1
Legenda:

Transecto NE-SW

101


Comparando as temperaturas, verifica-se que a região urbanizada (P4),
localizada numa área adjacente ao campo, apresentou valores superiores às
demais áreas nos dois momentos de observação. Percebe-se, também, que a
temperatura apresenta valores mais altos na medida em que o transecto se
afasta da área mais arborizada e se aproxima da mais urbanizada (Figura 21).

Figura 21 – Comportamento da temperatura em um transecto que corta o
Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante (27/10/2012).

Quadro 06 – Temperatura em um transecto que passa pelo Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante e por área adjacente ao mesmo em
período de estiagem (27/10/2010)
Ponto
Características do
local
Temperatura (ºC)
Hora do registro
12:00 22:00
P1
Interior do CIMNC com
dossel fechado
28,5ºC 22,4ºC
P2
Interior do CIMNC
numa clareira
28,0ºC 23,6ºC
P3 Orla do CIMNC 30,2ºC 23,3ºC
P4
Região urbana em
área adjacente ao
CIMNC
30,3ºC 24,4ºC
102

Comportamento semelhante foi observado por Martineli et al. (2010) em
uma floresta estacional semidecidual. Os autores constatam o fato da
temperatura em clareiras ser maior que as observadas nas áreas com o dossel
fechado.
Um comportamento inverso ocorreu nas observações da umidade
relativa do ar. Os registros de umidade na área urbanizada apresentaram
valores menores para os dois horários de verificados. Pode-se observar no
Quadro 07 que, para os dois horários monitorados, os valores em (P4) foram
sempre menores comparativamente em relação à (P1), (P2) e (P3).


No Quadro 08 observam-se os registros das temperaturas e umidades
máximas e mínimas no interior do CIMNC para pontos localizados em uma
clareira (P1) e em uma área com dossel fechado (P2). Neste monitoramento,
foi percebido que as temperaturas mínimas apresentam comportamentos
semelhantes nas duas áreas. Já com relação à temperatura máxima, observa-
se que (P1) registrou 2,2ºC a mais em (P2). Quanto à umidade, observou-se
que as máximas foram verificados na área com o dossel fechado.
Quadro 07 – Umidade Relativa do Ar em diversos pontos do Campo de
Instrução Marechal Newton Cavalcante e área adjacente (27/10/2010)
Ponto
Características do
local
Umidade Relativa
Hora do registro
12:00 22:00
P1
Interior do CIMNC com
dossel fechado
70 70
P2
Interior do CIMNC
numa clareira
68 80
P3 Orla do CIMNC 51 70
P4
Região urbana em
área adjacente ao
CIMNC
43 61
103


Dacanal et al. (2005) encontraram comportamento de variação de
temperatura e umidade semelhantes ao deste trabalho em bosques urbanos na
cidade de Campinas - SP. Os autores comentam o fato de que usuários de
bosques perceberem estes como áreas mais confortáveis. Essa diminuição da
umidade relativa na área urbanizada decorre de uma menor evapotranspiração
em áreas desprovidas de vegetação.

4.2 Serviços ambientais de manutenção dos estoques e de absorção de
carbono
Feitosa (2004), Rego (2004), Alves Júnior (2004) e Rocha et al. (2008)
definem algumas áreas objeto deste estudo como Mata Atlântica em estágio
inicial de sucessão. Contudo, ao se realizar o enquadramento destas matas
pelos parâmetros definidos pela Resolução CONAMA Nº 31 de 07 de
dezembro de 1994 (CONAMA, 1994), identificou-se que as mesmas
apresentam características próprias de matas em estágio médio de
regeneração. Dentre as principais características que levam a este
enquadramento estão:
- DAP médio: CIMNC = 12,93cm (REGO, 2004), Complexo Militar do
Curado = 13,99cm (ALVES JÚNIOR, 2004); 4º BCom = 9,30 (FEITOSA,
2004) , ou seja, DAP médio entre 8 e 15cm.
- Ocorrência das espécies Tapirira guianensis, Bowdichia virgilioides
Kunth e Sloanea obtusifolia K.Schu.
Quadro 08 – Mínimas e máximas Temperaturas e Umidades Relativas do Ar
em uma área fechada e uma clareira do Campo de Instrução Marechal Newton
Cavalcante (27/10/2010)
Ponto
Características do
local
Variação
Temperatura
(ºC)
Umidade
Relativa
P1
Interior do CIMNC
com dossel fechado
Mínima 20,6ºC 55
Máxima 28,9ºC 99
P2
Interior do CIMNC
numa clareira
Mínima 20,5ºC 57
Máxima 31,1ºC 88
104

- Fisionomia arbórea e/ou arbustiva predominando sobre a herbácea,
podendo constituir estratos diferenciados; a altura média é de 6 a 15
metros.
- Trepadeiras, quando presentes, são predominantemente lenhosas
- Cobertura arbórea variando de aberta a fechada, com ocorrência
eventual de indivíduos emergentes.

Partindo-se do pressuposto de que as áreas de estudo encontram-se em
estágio médio de regeneração, adotou-se o valor de 82,70 MgC/ha como
quantidade média de biomassa vegetal viva nas áreas de estudo, que é a
estimativa sugerida por Brietez et al. (2006) e por Roderjan (1994) para esta
tipologia de Mata Atlântica em fase intermediária de sucessão.
Segundo Houghton et al. (2001) e Brown (2002) apud Barbosa et al
(2009), para se obter a biomassa total faz-se necessário acrescentar o
correspondente à quantidade de carbono estocada na serrapilheira,
denominada estimativa de necromassa, a qual corresponde a 15% do valor da
biomassa vegetal viva. Desta forma, sugere-se que a quantidade de carbono
possa ser estimada conforme a Equação 13.
QC = α. Af . Ec (Eq. 13)
Onde QC = Quantidade de carbono (Toneladas de carbono); α = Constante de
acréscimo da necromassa; Af = Área florestada (hectare) e Ec = Estimativa de
carbono (Toneladas de carbono por hectare).
Para estimar a quantidade de carbono na vegetação rasteira utilizou-se
a estimativa de 2,1 Mg de C ha
-1
, que corresponde ao valor médio encontrado
para a tipologia caracterizada por pasto obtido por Tiepolo et al. (2002).
Com o intuito de fornecer informações geograficamente referenciadas,
foi construída uma base cartografia. Esta etapa envolveu o levantamento de
cartas topografias das áreas de estudo e mapas temáticos que
compreendessem as cinco Organizações Militares alvos desta pesquisa. Numa
segunda etapa, com o apoio da seção de cartografia da 3ª Divisão de
Levantamento, as cartas foram digitalizadas e posteriormente referenciadas por
coordenadas geográficas e retangulares.

105

A base cartográfica utilizada no desenvolvimento do trabalho foi a
seguinte:
- Carta Temática para Transitabilidade de Blindados, CIMNC - PE, Folha -
Especial, escala 1:25.000.
- Carta Topográfica Recife, Folha SC.25-V-A-III/1-NO, escala 1:25.000
- Carta Topográfica Pau Amarelo, Folha SB.25-Y-C-VI/3-SE, escala 1:25.000
- Carta Topográfica Olinda, Folha SC.25-V-A-III/1-NE.
Posteriormente, foram confeccionados mapas para as áreas,
diferenciando os usos do solo e limites demarcados.
Em seguida, foi confeccionado um banco de dados em que foram
levantados os limites das áreas militares, as áreas edificadas, as áreas úmidas,
a vegetação rasteira (toda a vegetação observada que não fosse arbórea), a
vegetação arbórea (composta por árvores agrupadas) e as áreas de nuvens
que impediram a observação de parte dos fragmentos.
O trabalho foi realizado utilizando como base os arquivos digitais de
levantamentos topográficos de áreas militares, originados no software
MicroStation SE, compilados para o Software ArqGIS 9.2, embasando nos
limites das áreas militares e as edificações militares e em recortes de Imagens
SPOT digitais originadas do software Google Earth Pro, na qualidade Premium,
datadas de 2002 a 2009, convertidas e georreferenciadas de "jpg" para "geotif"
através do software ArqGIS 9.2, objetivando realizar o levantamento da
vegetação pertencente às áreas militares.
As Figuras 22 a 29 são representações gráficas dos tipos arbóreos
dominantes nas áreas de estudo, nas quais são destacado os respectivos
limites e diferenciações para as vegetações arbórea e rasteira.









106



































Figura 22 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Campo de Instrução
Marechal Newton Cavalcante.
107



































Figura 23 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 4º Batalhão de
Polícia do Exército.
108



































Figura 24 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 14º Batalhão de
Infantaria Motorizado.
109



































Figura 25 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Campo de Instrução
do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado.
110



































Figura 26 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 7º Grupo de Artilharia
de Campanha e da 3ª Divisão de Levantamento.
111



































Figura 27 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do Comando Militar do
Nordeste.
112



































Figura 28 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área da 10ª Brigada de
Infantaria Motorizada e do 4º Batalhão de Polícia do Exército.
113



































Figura 29 – Representação gráfica do tipo arbóreo na área do 10º Esquadrão de
Cavalaria Mecanizado e respectivo Campo de Instrução.
114

Observa-se no Quadro 09 a distribuição da cobertura vegetal das cinco
áreas de estudo, no qual se identifica um total de 7.668,47 ha de área com
vegetação arbórea e 641,74 ha com vegetação rasteira.

Quadro 09 – Áreas por tipologia de cobertura vegetal dos objetos de estudo
em 2010.
Área de estudo
Vegetação
arbórea (ha)
Vegetação
rasteira (ha)
Observação
CIMNC 7.000,00 357,85 *
4º BCom 117,47 185,32 **
14º BIMtz 320,71 22,98 **
7º GAC – 3ª DL 26,67 9,98 -
Complexo Militar
do Curado
203,62 65,61 -
Total 7.668,47 641,74 -
*Como foi observado na Figura 21, aproximadamente 5.400 ha do campo de instrução
são caracterizados por terem uma cobertura florestal do tipo arbórea e 358 ha por
serem cobertos por uma vegetação rasteira. Outros 1.612 ha que aparecem na
mesma figura cobertos por nuvens foram identificados em trabalho de campo e
confirmados também como matas em fase intermediária de sucessão, logo, computou-
se um total de 7.000 ha de cobertura arbórea.
** Ao valor das áreas da vegetação arbórea apresentado nas Figuras 22 e 24 somou-
se 22 ha e 18 ha, respectivamente, relativos às áreas que nas imagens aparecem
cobertas por nuvem, as quais foram e confirmada, através trabalho de campo,
tratarem-se de áreas com cobertura vegetal arbórea.

O Quadro 10 apresenta de forma estimada o total de carbono estocado
nas cinco áreas.
Quadro 10. Estimativa de carbono estocado nas áreas de estudo em 2010.
Tipo de
Vegetação
Área (ha) Estimativa de
Carbono (Mg/ha)**
Quantidade de
Carbono (Mg) *
Mata Atlântica
(estágio médio de
sucessão)
7.668,47 104,20 918.912,76
Vegetação rasteira 641,74 2,65 1.698,84
Total 920.610,80
* QC =α. A . Ec, onde:
QC = Quantidade de Carbono (Toneladas de carbono); A = Área (hectare), Ec =
Estimativa de carbono (Toneladas de carbono por hectare) e α = Constante de
acréscimo da necromassa (15% da estimativa de carbono para biomassa viva).
** Valor obtido por Brietz et al (2006) acrescido de 26% relativo à BVR, conforme
preconizam Cairns et al. (1997).

No Quadro 11 sugere-se um cenário futuro para as áreas de estudo,
nele, as matas teriam alcançado o seu clímax em termos de crescimento, ou
115

seja, uma floresta ombrófila densa em estágio avançado. Para esta tipologia, a
estimativa de carbono passaria para aproximadamente 180,5 Mg/ha
20
.

Quadro 11. Estimativa de carbono estocado para o Campo de Instrução
Marechal Newton Cavalcante em um cenário futuro.
Tipo de
Vegetação
Área (ha) Estimativa de
Carbono (Mg/ha)
Quantidade de
Carbono (Mg) *
Mata Atlântica
(Floresta Ombrófila
Densa)
7.668,47 180,5 1.591.783
Vegetação rasteira 641,74 2,65 1.698,84
Total 1.745.738,04
* QC =α. A . Ec, onde:
QC = Quantidade de Carbono (Toneladas de Carbono); A = Área (hectare), Ec =
Estimativa de carbono (Toneladas de carbono por hectare) e α = Constante de
acréscimo da necromassa (15% da estimativa de carbono para biomassa viva).

Ao se comparar os cenários atuais e futuros, pode-se mensurar a
quantidade de carbono que estas áreas poderiam capturar no decorrer de
alguns anos. A estimativa de carbono estocado passaria de 920.462,56 Mg de
C para 1.593.332,80 Mg de C, ou seja, um incremento de 73,10 %.
Segundo Marland (2006), a soma global resultantes da queima dos
combustíveis fósseis e da produção de cimento no ano de 2005 resultaram na
emissão de 7,8 GtC na atmosfera. Isso significa que o carbono estocado nas
áreas de estudo equivale a 13,48 min de todas as emissões globais em um
ano.

4.3 Manutenção e Regeneração da Biodiversidade
Neste tópico, foi realizada uma revisão em diversos trabalhos que tratam
da fauna e da cobertura vegetal nos fragmentos de Mata Atlântica objetos
deste estudo. Porém, fruto da pequena quantidade de trabalhos que
abordassem os aspectos faunísticos, optou-se por se realizar também uma
pesquisa de campo junto aos militares e funcionários civis destas OM, para que

20
Resultado equivalente a 50% da média dos valores da biomassa vegetal apresentados na Tabela 03,
uma vez que a estimou-se que a quantidade de carbono equivale a metade da biomassa.
116

eles pudessem relatar se tinham conhecimentos sobre a ocorrência de
mamíferos, répteis, anfíbios e aves nestes fragmentos.
Seguem-se os resultados observados para cada uma das Organizações
Militares.

a) Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti
A vegetação é predominantemente do tipo floresta subperenifólia, com
partes de floresta subcaducifólia. A cobertura vegetal do CIMNC é a de mata
secundária com a presença de 20 fragmentos de Mata Atlântica primitiva
(LIMA, 2004). Os referidos fragmentos podem ser identificados nas cartas
topográficas que datam da década de 1960, contudo, as imagens mais atuais
obtidas por satélite não permitem fazer uma distinção dos limites dos mesmos.
Observa-se, ainda, que as áreas adjacentes aos fragmentos apresentam-se em
pleno estágio de recuperação. Guimarães (2008) afirma que o método de
recuperação de área degradada adotado no CIMNC, aparentemente
involuntário, foi o de regeneração natural
21
.
Em estudo realizado por Rego (2004) em um fragmento de Mata
Atlântica no interior do CIMNC foi levantada a existência de 49 espécies
arbóreas, sendo 47 espécies nativas e 2 espécies exóticas, distribuídas em 43
gêneros e 26 famílias distintas. As dez espécies que apresentaram maiores
Valores de Importância (VI)
22
, estão dispostas na seguinte ordem decrescente:
Tapirira guianensis, Inga marginata, Byrsonima sericea, Cupania racemosa,
Eschweilera ovata, Schefflera morototoni, Allophylus edulis, Campomanesia
xanthocarpa, Machaerium aculeatum, Brosimum discolor (REGO,2004).
O mesmo autor ainda cita que na análise da estrutura horizontal foram
amostrados 218 indivíduos, representados por 49 espécies arbóreas em uma
área de 2500 m² (0,25 ha), gerando uma área basal estimada em 23,08 m²/ha
e uma densidade total estimada de 872 indivíduos por hectare.

21
A regeneração florestal em pastagens abandonadas tem sido amplamente estudada na região da floresta
Amazônica, sendo a direção e velocidade de processo dependentes de vários fatores, como tempo de
abandono, estado de degradação do solo, proximidade de fontes e propágulos e predação de sementes e
plântulas (UHL et al., 1988; MIRITI , 1998, NEPSTAD et al. 1998; GRANADE , 2001 apud SILVA
JÚNIOR, 2004).
22
O Valor de Importância é calculado pela seguinte expressão: VI = DR + FR + DoR, onde DR
(Densidade Relativa) =[ ni (Número de Indivíduos da Espécie) / N (Número Total de Indivíduos
Amostrados na Área)] x 100; FR (Freqüência Relativa) = [FA (Freqüência Absoluta) /ΣFA] x100 e DoR
(Dominância Relativa) = [AB (Área Basal da Espécie) / ABT (Área Basal de Todas as Espécies)]x 100.
117

Quanto à distribuição diamétrica
23
, observou-se que o fragmento
estudado apresentou características uma comunidade em estágio médio de
regeneração, conforme o Figura 30.



Figura 30. Distribuição diamétrica para os indivíduos arbóreos amostrados na
área de estudo (0,25 ha). Classes Diâmetro a Altura do Peito com amplitude de
5 cm, sendo Classe 1 = 5cm e Classe 11 = 55cm.
Fonte: Rego (2004)

Guimarães (2008) apresenta um levantamento da fauna do CIMNC
realizado nos anos de 2006 e 2007, baseado em relatos de funcionários do
Campo de Instrução. Foram relacionadas 29 espécies de aves, 16 espécies de
mamíferos e 18 espécies da herpetofauna
24
. Dentre as espécies citadas pode-
se destacar: o curió (Oryzoborus angolensis), o carcará (Polyborus plancus), o
pintassilgo (Carduelis magellanica), a capivara (Hidrochaeris hidrochaeris), a
cutia (Dasyprocta prymnolopha), o maracajá açu (Leopardus wiedii), o teju
(Tupinambis sp), a coral-verdadeira (Micrurus sp) e o jacaré-anão
(Paleosuchus palpebrosus). As Tabelas 04 , 05, 06 e 07, todas citadas por

23
A distribuição diamétrica consistiu na distribuição dos indivíduos em classes de diâmetro,
com intervalos de 5 cm, abrangendo o diâmetro mínimo de 4,93 cm e o máximo de 65,25 cm.
24
Herpetofauna é a totalidade de espécies de répteis e anfíbios existentes em uma região.
118

Guimarães (2008), apresentam as aves, mamíferos, répteis e anfíbios
observados na área do CIMNC nos anos de 2006 e 2007. Outra pesquisa
realizada em uma um fragmento de Mata Atlântica localizado às margens da
rodovia PE- 27, próximo a esta área de estudo, identificou a ocorrência de:
tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), preguiça (Bradypus variegatus),
surucucu (Lachesis muta), jibóia (Boa constrictor), calambião (Polychrus sp),
calango-verde (Ameiva sp), papa-vento (Família Polychrotidae) e várias
espécies de insetos (PERNAMBUCO, 2009).
119

Fonte: Guimarães (2008)





Tabela 04 – Relação de aves observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO DO
EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE , localizado em Paudalho,
PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de
questionários, em 2006-2007.
AVES
Nome comum
Observação
Garça -
Bem-te-vi -
Anu-preto -
Anu-branco -
Pardal -
Rouxinol -
Lavandeira -
Urubu -
Pica-pau A ocorrência tem diminuído
Reloginho -
Juriti

-
Ripina -
Sabiá-gongá -
Guriatã -
Curió A ocorrência tem diminuído
Carcará A ocorrência tem diminuído
Jaçanã -
Caldo-de-feijão -
Coruja-branca -
Rolinha -
Andorinhão -
Beija-flor -
Tesourão -
Flecha-peixe -
Carrega-pau -
Bacurau -
Biziu -
Papa-capim -
Pintassilgo
A ocorrência tem diminuído
120

Fonte: Guimarães (2008)








Tabela 05 – Relação de mamíferos observados no CAMPO DE INSTRUÇÃO
DO EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE , localizado em
Paudalho, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de
questionários, em 2006-2007.
MAMÍFEROS
Nome comum
Observação
Timbu
-
Quati -
Tamanduá -
Morcego -
Maracajá açu -
Punaré -
Veado Há mais de 40 anos não aparece na
região
Lobo guará Há mais de 15 anos não aparece na
região
Capivara Apareceu na região nos últimos 15
anos
Lontra -
Sagui -
Lebre -
Tatu -
Cutia -
Paca -
Raposa -
121

Fonte: Guimarães (2008)

Fonte: Guimarães (2008)
Em outra pesquisa realizada na área do CIMNC, Barros Filho (2009) faz
referência à grande quantidade de serpentes encontradas neste campo,
apresentando dados de uma pesquisa em que foram coletados 41 indivíduos
distribuídos em 22 espécies e 6 famílias. Ressalta-se ainda a ocorrência de
Lachesis muta, ofídio que consta da lista do livro vermelho da fauna brasileira
ameaçada de extinção (MACHADO, 2008).
Tabela 06 – Relação de répteis observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO DO
EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE , localizado em Paudalho,
PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de
questionários, em 2006-2007.
RÉPTEIS
Nome comum Observação
Teju -
Lagartixa -
Calanguinho -
Lagarto -
Jibóia -
Cobra-cipó -
Coral-verdadeira -
Jararaca -
Bico-doce -
Cobra-de-duas-cabeças -
Cobra-verde -
Tabela 07 – Relação de anfíbios observadas no CAMPO DE INSTRUÇÃO DO
EXÉRCITO MARECHAL NEWTON CAVALCANTE , localizado em Paudalho,
PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de
questionários, em 2006-2007.
ANFÍBIOS
Nome comum Observação
Perereca -
Sapo-cururu -
Jacaré-anão -
Cágado -
Caçote -
Gia-pimenta -
Rã -
122

Quanto à diversidade de aves no CIMNC, foi registrada a ocorrência de
168 espécies (PERNAMBUCO, 2009).
Leite (2010) comenta a existência de espécies ameaçadas de extinção
na mata do CIMNC, destacando a ocorrência de um anfíbio, seis
espécies/subespécies de aves e um mamífero. Das aves encontradas, quatro
encontram-se no livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção
(MACHADO, 2008) e uma na lista global da IUCN (2009). Na Tabela 08
observam-se as espécies ameaçadas de extinção encontradas no CIMNC.

Tabela 08 – Anfíbios, aves e mamíferos endêmicos e/ou ameaçadas de extinção
encontrados nos remanescentes florestais da Mata do Campo de Instrução
Marechal Newton Cavalcante, Pernambuco. Categorias de ameaça: DE =
Declinando; VU = Vulnerável; EP = Em perigo; CR = Criticamente ameaçado.
Distribuição: CEP = Centro de Endemismo Pernambuco; FAB = Floresta
Atlântica Brasileira; NEO = Região neotropical.
Ordem/Espécie MMA (2003) IUCN (2009) Distribuição
Anfíbio
Stereocyclops incrassatus
Cope, 1870
– DE FAB
Aves
Conopophaga lineata cearae
(Cory, 1916)
VU – FAB
Picumnus exilis
pernambucensis Zimmer,
1947
VU – CEP
Ramphocelus bresilius
(Linnaeus) 1766
– – FAB
Thamnophilus caerulescens
pernambucensis Naumburg,
1937
VU – CEP
Touit surdus (Kuhl) 1820 EP – CEP
Xenops minutus alagoanus
(Pinto, 1954)
VU – CEP
Mamífero
Leopardus tigrinus Schreber,
1775
VU VU NEO
Fonte: Leite (2010)

b) 4º Batalhão de Comunicações

Em pesquisa que trata da diversidade de espécies arbóreas da área em
estudo associada ao solo em toposseqüência, Feitosa (2004) classificou este
remanescente de Mata Atlântica como uma Floresta Ombrófila Densa,
123

relatando que esta área apresenta uma diversidade fl orística baixa se
comparada a outros fragmentos de Mata Atlântica no estado de Pernambuco.
Feitosa (2004) cita, ainda, as dez espécies que apresentaram os mais altos
Valores de Importância, sendo assim distribuídas em ordem decrescente:
Tapirira guianensis, Clusia nemorosa, Eschweilera ovata, Xylopia frutescens,
Byrsonima sericea, Campomanesia xanthocarpa, Miconia sp, Stryphnodendron
pulcherrimum, Myrcia rostrata, Tapirira myriantha.
A distribuição diamétrica da área em estudo apresentou um gráfico em
forma de “J” invertido (Figura 31), apresentando uma redução brusca no
número de indivíduos na medida em que aumenta o diâmetro dos mesmos.
Feitosa (2004) comenta que este é um fato já esperado, pois se trata de uma
floresta inequiânea
25
secundária em estágio inicial de sucessão. Para Rondon
Neto (2002) este tipo de distribuição garante que o processo dinâmico da
floresta se perpetue, pois a súbita ausência de elementos dominantes dará
lugar para as chamadas “árvores de reposição”.


Figura 31 - Distribuição diamétrica da Mata do Tejipió, PE, expressa em
número de indivíduos por hectare por classes de diâmetro, com amplitude de
classe de 5 cm, tendo a primeira classe início em 4,77 cm, fechadas a
esquerda.
Fonte: Feitosa (2004)


25
Florestas inequiâneas apresentam uma distribuição exponencial em forma de “J” invertido
124

Quanto à fauna da mata do 4º BCom, foram realizadas entrevistas com
um funcionário civil que trabalha na OM há 45 anos e com militares que servem
lá há mais de 20 anos. Durante os relatos foram citadas as espécies descritas
nas Tabelas 09, 10, 11 e 12





Tabela 09 – Relação de mamíferos observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
MAMÍFERO
Nome comum Observação
Tatu A ocorrência tem aumentado
Paca Há em pequeno número
Sagüi A ocorrência tem aumentado
Preguiça -
Raposa -
Tamanduá
Há mais de 35 anos não aparece na
região
Tabela 10 – Relação de répteis observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
REPTEIS
Nome comum Observação
Teju -
Camaleão -
Salamanca -
Jibóia -
Cascavel -
Coral Verdadeira -
Coral Falsa -
Jararaca -
Surucucu Pico de Jaca -
Corre campo -
Caninana -
125



A cerca de 100 metros da Mata do Barro fica localizada a Mata do
Engenho Uchoa, a qual é definida como uma Reserva Ecológica Estadual
(PERNAMBUCO, 1987). As duas matas são divididas pela rodovia federal BR –
101 e não possuem corredores ecológicos ligando as mesmas.
Em Estudo de Impacto Ambiental realizado na Mata do Engenho Uchoa,
Alcoforado (2009) constatou a ocorrência saguis, caçotes, sapos cururus, rãs,
tejus e camaleões. As serpentes mais comuns foram a cobra-corre-campo,
cobra-verde, jararaca, salamanta e caninana.
Quanto às aves observadas por Alcoforado (2009) na Mata do Engenho
Uchoa, este autor faz uma apreciação mais extensa, citando a existência de:

Caracará, de ocorrência regular; periquito pacu ou tuim,
geralmente em pequenos bandos; rolinha-cinzenta, que ocorre
também nas capoeiras e áreas urbanizadas; anu-preto e anu-
Tabela 11 – Relação de anfíbios observados no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
ANFÍBIOS
Nome comum Observação
Jacaré -
Cágado -
Rã -
Sapo-Cururu -
Tabela 12 – Relação de aves observadas no 4º BATALHÃO DE
COMUNICAÇÕES DO EXÉRCITO, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
AVES
Nome comum Observação
Sabiá -
Aracuá -
Nambu A ocorrência tem diminuído
Juruti -
Canário da Terra -
Pardal -
Anu -
Galo de Campina -
126

branco, beijaflor-tesoura, beijaflor-de-banda-branca, ambas
freqüentando flores; dorminhoco ou cava-chão, sanhaço,
sanhaçu-de-coqueiro, e frei-vicente, bentevi, uma das aves
mais freqüentes na área, siriri, andorinha, em pequenos andos;
pitiguarí, sebito, reloginho, sabiás, principalmente nas copas
densas; e o bico-de-lacre. Muitas dessas espécies freqüentam
os poucos locais onde a mata é mais conservada, como a três-
potes ou saracura. A juruviara é pouco comum, freqüentando
especialmente as copas da mata. A peitica tem ocorrência
ocasional nas áreas periurbanas.Na vegetação marginal, ou
voando sobre as lagoas, às vezes de passagem, garças-
brancas e o socozinho, semi-aquáticas; martim-pescador-
grande, lavandeira, e a viuvinha ou noivinha, no capinzal e nas
margens de lagoas. A jaçanã é espécie residente, pouco
comum na vegetação marginal. São comuns ainda a coruja-de-
frio e o bacurau, ambas de hábito noturno. Outra espécie muito
comum na área é a maria-é-dia ou cucurutada, que vive
também nas cidades. O pinicapauzinho foi registrado numa
área com vegetação mais densa, perto de duma lagoa. O joão-
de-barro foi observado numa capoeira, e o bico-chato-amarelo
também identificado no local. O gavião-rapina ou pega-pinto
esteve sobrevoando e cantando durante o período de
observações. Um casal do pássaro conhecido por pai-pedro foi
visto numa capoeira densa. A guriatã ou vem-vem é comum,
quase sempre aos pares, na copa mata. Não foi constatada a
presença do sanhaçu-do-mangue, que é restrito a esse tipo
de ambiente. Ali, foram observadas apenas algumas espécies
que ocasionalmente freqüentam o mangue, como sanhaçus,
pitiguarí, bem-te-vi, sebito, dentre outras aves mais comuns

Considerando a proximidade entre as Matas do Barro e a do Engenho
Uchoa, é razoável afirmar que espécies encontradas na segunda, também
ocorram na primeira.

c) 14º Batalhão de Infantaria Motorizado
Não foi observada a existência de trabalhos científicos que tratem de
assuntos relacionados à fauna e à vegetação da mata localizada no interior do
14º BIMtz, contudo, identificou-se uma pesquisa realizada na Reserva
Ecológica de Jangadinha, a qual é vizinha deste objeto de estudo. Esta
pesquisa versa sobre Pteridófitas
26
encontradas nesta área. Nela, Ambrósio
(1995) destaca a riqueza do número de espécies encontradas na reserva.
Quanto à fauna da mata do 14º BIMtz, foram entrevistados militares que
servem nesta Organização Militar há 26 anos e que residem nas proximidades
do Batalhão desde a década de 1960. Durante os relatos foram observados as
espécies descritas nas Tabelas 13, 14, 15 e 16.

26
Samambaias, avencas, xaxins e cavalinhas são alguns dos exemplos mais conhecidos de plantas do
grupo das pteridófitas
127


Tabela 13 – Relação de mamíferos observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos Guararapes, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2010.
MAMÍFERO
Nome comum Observação
Tatu A ocorrência tem aumentado
Capivara A ocorrência tem diminuído
Tamanduá A ocorrência tem diminuído
Cutia
Há mais de 10 anos não aparece na
região
Preá A ocorrência tem aumentado
Raposa Gato -
Raposa Cachorro -
Timbu -
Sagüi Diversas espécies
Quati Duas variedades
Lontra -
Preguiça -
Morcego -
Tabela 14 – Relação de repteis observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos Guararapes, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2010.
REPTEIS
Nome comum Observação
Camaleão -
Calango -
Iguana -
Jibóia -
Salamanca -
Coral Verdadeira -
Coral Falsa -
Casca de Burro -
Chainana -
Corre Campo -
Cipó -
Cascavel -
Jararaca -
Surucucu Pico de Jaca -
128


Tabela 16 – Relação de aves observados no 14º BATALHÃO DE INFANTARIA
MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos Guararapes, PE, Brasil, segundo
relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
AVES
Nome comum Observação
Sabiá -
Sairá -
Dançarino -
Tié Sangue de Boi -
Sanhaçu -
Bem-te-vi -
Beija Flor Diversas variedades
Canário -
Lavadeira -
Papa Capim -
Rouxinol -
Quero-quero -
Jandaia -
Xexéu -
Periquito -
Pega -
Garça -
Gavião -
Rolinha -
Coruja -
Caburé -
Sebito -
Curió -
Patativa -
Guriatã -
Pinta Silva -
Galinha D’água -
Mergulhão -
Pato Marreco -
Anu Preto -
Anu Branco -
Tabela 15 – Relação de anfíbios observados no 14º BATALHÃO DE
INFANTARIA MOTORIZADO, localizado em Jaboatão dos Guararapes, PE,
Brasil, segundo relatos de seus funcionários, obtidos através de questionários,
em 2010.
ANFÍBIOS
Nome comum Observação
Jacaré -
Sapo Cururu -
Rã -
129

d) 7º Grupo de Artilharia de Campanha
Ao serem analisados relatos de militares que trabalham no 7º GAC,
verificou-se que tanto os aspectos faunísticos quanto da flora se comportaram
de forma semelhante às outras OM. Apresentando, nos últimos anos, um
aumento da quantidade de animais e expansão das áreas coberta vegetação
arbórea.
Ainda quanto à fauna da mata do 7º GAC, foi entrevistado um militar que
serve nesta Organização Militar o qual é especialista em Ciências Biológicas.
Durante o relato foram observados as espécies descritas nas Tabelas 17, 18,
19 e 20.






Tabela 17 – Relação de mamíferos observados no 7º GRUPO DE ARTILHARIA
DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE, Brasil, segundo relato de um
especialista em biologia que serve na OM, obtidos através de questionários,
em 2012.
MAMÍFERO
Nome comum Observação
Preá A ocorrência tem aumentado
Raposa -
Timbu -
Sagüi Diversas espécies
Morcego -
Tabela 18 – Relação de répteis observados no 7º GRUPO DE ARTILHARIA DE
CAMPANHA, localizado em Olinda, PE, Brasil, segundo relato de um
especialista em biologia que serve na OM, obtidos através de questionários,
em 2012.
RÉPTEIS
Nome comum Observação
Teju A ocorrência tem aumentado
Jiboia -
Cipó -
130



e) Complexo Militar do Curado
Em um estudo realizado com objetivo de analisar a estrutura
fitossociológica e classificar as espécies de acordo com seus grupos
sussecionais, Rocha et al. (2008), identificaram no fragmento da mata do
CMNE (0,5 ha), 581 indivíduos distribuídos em 54 espécies, 25 famílias e 41
gêneros. Segundo esses autores, as famílias com maior número de espécies
foi a Mytaceae e Lauraceae (ambas com 5 espécies), seguidas de Mimosaseae
e Sapotaceae (4 espécies), Anacardiaceae, Moraceae, Burceraceae e
Apocynaceae (3 espécies). As famílias com maior número de indivíduos
identificados foram Lecythidaceae (104), Moraceae (82), Anacardinaceae (81)
e Mimosaseae (40). Entre as espécies com maiores valores de importância
(VI), os autores destacaram Eschweilera ovata (44,62), Tapirira guianensis
(33,77) e Parkia pendula (28,15). De acordo com Gusson et al. (2005)
Tabela 19 – Relação de anfíbios observados no 7º GRUPO DE ARTILHARIA
DE CAMPANHA, localizado em Olinda, PE, Brasil, segundo relato de um
especialista em biologia que serve na OM, obtidos através de questionários,
em 2012.
ANFÍBIOS
Nome comum Observação
Rã A ocorrência tem aumentado
Sapo Cururu -
Tabela 20 – Relação de aves observados no 7º GRUPO DE ARTILHARIA DE
CAMPANHA, localizado em Olinda, PE, Brasil, segundo relato de um
especialista em biologia que serve na OM, obtidos através de questionários,
em 2012.
AVES
Nome comum Observação
Sabiá -
Bem-te-vi -
Beija Flor -
Canário -
Lavadeira -
Carcará -
Periquito -
131

Eschweilera ovata é uma espécie de grande importância na restauração
florestal visto que possui característica de se tornar uma pioneira antrópica em
áreas que sofreram degradação e, com isto, tende a colonizar essas áreas. Os
autores referem que T. guianensis e Brosimum discolor estão entre as espécies
de maior freqüência absoluta com (80%). Das 54 espécies encontradas, 30
foram classificadas como secundárias iniciais (56%) e 16 como sendo
secundárias tardias (30%). A área de estudo apresenta dominância ecológica
de poucas espécies, entretanto o fragmento apresenta estrutura semelhante a
outros fragmentos de Mata Atlântica. Segundo os autores, a maior parte das
espécies foi classificada como secundária inicial.
Na mesma pesquisa, Rocha et al. (2008) encontrou o valor médio do
DAP de um fragmento desta área no valor de 13,99cm, tendo como máximo 78
cm e mínimo 4,77 cm, conforme a curva de distribuição de diâmetros de
indivíduos representada no Figura 32. O fragmento apresentou um padrão
característico de floresta inequiânea, ou seja, apresentando uma distribuição
exponencial na forma de J-invertido


Figura 32 - Distribuição do número de indivíduos por classe de diâmetro
intervalos fixos de 5 cm, abertos à esquerda e fechados à direita, em um
fragmento de Floresta Atlântica em Recife-PE, Brasil.

132

Sousa Júnior (2006) apresenta um estudo do Valor de Importância (VI)
realizado no fragmento onde hoje está localizado o Jardim Botânico, ou seja,
numa área que outrora pertencera ao CMNE. As dez espécies que
apresentaram o melhor desempenho de VI, em ordem decrescente, foram:
Helicostylis tomentosa, Parkia pendula, Dialium guianensis, Schefflera
morototoni, Brossimum discolor, Cupania racemosa, Bowdichia virgilioides,
Protium heptaphyllum, Tapirira guianensis e Miconia prasina.
Silva & Vasconcelos (2005) realizaram uma investigação sobre a
distribuição da fauna flebotomínica em 4 fragmentos da Mata Atlântica na
Região Metropolitana do Recife. Na mata do Curado foi observado o maior
índice de diversidade, acreditando-se que a conservação da mata primitiva
neste local resulte na permanência dos mamíferos silvestres nos quais os
flebotomíneos realizam o repasto sanguineo. Das 11 espécies identificadas no
estudo os autores registraram a ocorrência de Lutzomyia: Lutzomyia evandroi
(96), Lutzomyia walkeri (92), Lutzomyia sordellii (32), Lutzomyia furcata (19) e
Lutzomyia aragaoi (2). Das espécies identificadas durante o estudo duas são
importantes para a saúde pública, L. umbratilis e L. wellcomei. A primeira,
considerada vetor silvestre da Leishmania (Viannia) guyanensis no norte do
país, aparentemente prefere praticar hematofagia na copa das árvores onde se
encontram seus hospedeiros naturais. No entanto elas foram identificadas
apenas nas Matas de Dois Irmãos no município do Recife e no Refúgio
Ecológico Charles Darwin no município de Igarassu (SILVA E
VASCOLCELLOS, 2005).
As aves são o componente muito notável na área, que abriga diversas
espécies. Em estudo que trata da avifauna desta área de estudo, Pereira et al
(2007) relata a existência das seguintes espécies: Conopias trivergata
(Bentivizinho); Pipra rubrocapila (Cabeça encarnada); Progne chalibea
(Andorinha Doméstica grande); Stelgidopteryx ruficallis (Andorinha-serrador);
Troglodytes aedon (Rouxinol); Ramphocaenus melanurus (Bico assovelado);
Turdus amaurochalius (Sabiá-poca); Tardus rufiventris (Sabiá-laranjeira);
Tardus fumigatus (sabiá da mata); Cyclarhis gujaneusis (Pitiguari); Vireo chivi
(Juruviana); Daenis cayana (Saí azul); Euphonia chlorotica (Vem-vem ou Fi-fi);
Euphonia violaceus (Guariatã); Tangara cayana (Frei Vicente); Tharaupis
palmarum (Sanhaçu do coqueiro); Rupornis magnirostris (Gavião carijó);
133

Mivalgo chimachima (Gavião carrapateiro); Columbia Minuta (Rolinha cafofa);
Forpus xanthopterygius (Periquito tapacu ou Tuim); Tyto alba (Rasga
mortalha); Antracothorax nigricollis (Beija-flor preto); Amazilia versicolor (Beija-
flor de banda branca); Picumnus elixis (Pica-pau anão dourado); Certhiaxis
cinnamomea (Casaca de couro); Sittasomus griseicapillus (Arapaçu verde);
Fluvicola nengeta (Lavadeira); Pitangus sulfuratus (Bem-te-vi); Tolmomgias
sulphuresceus (Bico chato de orelha preta); Todirostrum cinereum (Reloginho);
Elaenia flavogaster (Maria já é dia); Phyllomyias fasciata (PiolhinhoP; Thraupis
sayaca (Sanhaçu de bananeira); Sporophila leucoptera (Chorão); Sicalis
flaveola (canário da Terra); Estrildeastrid (Bico de lacre); Coragyps atratas
(Urubu de cabeça preta); Crotophaga ani (Anu Preto); Coereba flaveola
(Sebito).
Entre os mamíferos encontrados destacam-se PRIMATES - Sagüi de
tufo branco (Callithrix jacchus); DIDELPHIMORPHIA - Timbú (Didelphis
albiventris); RODENTIA Preá (Galea sp.), Capivara (Hydrochaeris
hydrochaeris).
Ainda quanto à fauna da mata do Complexo Militar do Curado, foi
realizada uma entrevista com uma militar que exerceu a função de Oficial de
Controle Ambiental desta área nos ano de 2004 e 2005, a referida militar é
Bacharel em Biologia com Mestrado em Recursos Pesqueiros e Aquicultura e
atualmente está cursado o doutorado em Ciências Biológicas. Durante o relato
foram observadas as espécies descritas nas Tabelas 21, 22, 23 e 24


134









Tabela 21 – Relação de mamíferos observados no Complexo Militar do Curado
- CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de seus
funcionários, obtidos através de questionários, em 2010.
MAMÍFERO
Nome comum Observação
Capivara Observou diversas vezes
Paca Observou diversas vezes
Sagüi Observou diversas vezes
Macaco de cheiro Observou diversas vezes
Raposa Observou diversas vezes
Timbu Observou diversas vezes
Morcego Observou diversas vezes
Tabela 22 – Relação de répteis observados no Complexo Militar do Curado -
CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010.
REPTEIS
Nome comum Observação
Jibóia -
Cobra coral -
Tabela 23 – Relação de anfíbios observados no Complexo Militar do Curado -
CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010.
ANFÍBIOS
Nome comum Observação
Jacaré -
135



4.4 Recarga e Proteção dos Mananciais
Neste tópico serão apresentadas algumas funções hidrológicas
derivadas da cobertura vegetal dos objetos de estudo, que são os serviços
ambientais de recarga, proteção dos mananciais e regularização de vazão. No
decorrer das análises, considerou-se tanto os efeitos gerados nas zonas
ripárias como nas demais áreas com cobertura florestal.

4.4.1 Recarga de Mananciais
A área da bacia de drenagem da microbacia do Rio Catucá à montante
do Reservatório de Botafogo possui parte da linha do divisor topográfico
coincidente com os limites do CIMNC. Dos aproximadamente 8.000 ha da
microbacia, cerca de 7.000 ha encontram-se dentro da área militar (Figura 33).
Entende-se que, devido a esta cobertura vegetal, esta área militar gera
importantes serviços ambientais hidrológicos para a proteção e recarga do
manancial. Com dimensões bem menores, as demais áreas em estudo
também geram este tipo de serviço, pois, possuem no seu interior ou em áreas
adjacentes algum manancial. Com o objetivo de identificar a importância hídrica
das áreas de estudo para a RMR, foram formuladas estimativas do volume da
água interceptada e infiltrada pelas regiões de mata estudas (Quadro 12).




Tabela 24 – Relação de aves observadas no Complexo Militar do Curado –
CMNE, localizado em Recife, PE, Brasil, segundo relatos de seus funcionários,
obtidos através de questionários, em 2010.
AVES
Nome comum Observação
Galinha d’água -
Quero-quero -
Bem-te-vi -
Beija-flor -
Canário da Terra -
Sabiá -
136
































Contorno do CIMNC
Figura 33. Microbacia do Riacho Catucá
Microbacia do
Riacho Catucá
137


Desta forma, estima-se que, mantendo-se as médias anuais de
precipitação, as áreas de mata sob a responsabilidade do Exército localizadas
na Região Metropolitana do Recife proporcionariam uma recarga anual de
102.330.956,53m³ de água, valor que representa mais de três vezes o volume
máximo de armazenamento do reservatório de Botafogo.

4.4.2 Proteção de Mananciais

Em todas as áreas de estudo foram observadas a existência de corpos
d’água, tais como: riachos, açudes e nascentes.
O CIMNC é a área de estudo que possui a maior quantidade de
mananciais, destacando-se o Açude Campo Grande e o Rio Catucá. O açude
Campo Grande foi construído antes da criação do campo de instrução e sua
água é utilizada para consumo interno do campo.
Quadro 12 – Estimativa de volume interceptado e infiltrado pelas áreas de Mata
Atlântica sob a tutela do Exército na Região Metropolitana do Recife.
Área de estudo
Área de
vegetação
arbórea
(ha)
Precipitação
anual
(mm/ano)
(a)

Volume
Interceptado
(25,17% da
Precipitação
anual) x Área
(b)
(m³/ano)

Recarga
(anual)
(c)

(m³/ano)
CIMNC 7.000,00 2.264 398.894.160,00 935.032.000,00
4º BCom 117,47 1.800 5.322.095,80 12.475.314,00
14º BIMtz 320,71 2.461 19.865.858,20 46.566.771,30
7º GAC – 3ª DL 26,67 1.783 1.196.899,20 2.805.604,00
Complexo Militar
do Curado
203,62 2.200 11.275.253,90 26.429.876,00
Totais - - 436.554.267,10 1.023.309.565,30
(a)
Fontes: (PFALTZGRAFF, 2003); (FEITOSA, 2004); (AMBRÓSIO, 1995); (ALVES
JÚNIOR et al, 2007)

(b)
O volume de água interceptado foi estimado em função das médias anuais precipitação
nas regiões em estudo multiplicado pela média aritmética dos percentuais interceptados
em região de Mata Atlântica encontrados por Fujieta et al (1997) apud Ranzini (2004),
Linsley et al (1949) apud Tucci (2007) e Groppo (2010), os quais encontraram,
respectivamente, os valores de 18%, 25% e 32,5% da precipitação anual.
(c)
Para estimar a recarga por infiltração foi utilizada expressão R (Recarga) = I (Infiltração
por ano)*A(Área de estudo), onde, R é expresso em m³/ano. Quanto à quantidade de
água infiltrada em região de Mata Atlântica, adotou-se o percentual de 59% da
precipitação anual sugerido por Fujieda et al (1997).
138

Eventualmente, o sistema de abastecimento de água do CIMNC chega a
suprir as necessidades de mais de 2.000 militares ao mesmo tempo e por um
período de até um mês. Para tanto, não se faz necessário a utilização de
nenhum sistema de tratamento de água, pois a qualidade da água disponível
em seus mananciais dispensa qualquer processo de purificação.
Como foi observado no Cap 03, o Rio Catucá é represado ao sair dos
limites do CIMNC. Este represamento forma o reservatório de Botafogo, que
integra Sistema de Abastecimento Botafogo e é responsável por 19% do
abastecimento da RMR. Esta barragem sofre uma intensa ação antrópica
oriunda das áreas adjacentes, pois existem várias áreas produtoras de cana-
de-açúcar às margens da barragem, além da ocorrência de assentamentos
rurais próximos à mesma.
Ao se fazer análise do histórico de pH dos mananciais que compõem o
Sistema Botafogo, observa-se que o Rio Catucá comportou-se dentro da faixa
6 < Ph < 9 em todos registro de monitoramento, significando que o mesmo está
de acordo com o parâmetro para água bruta Classe 2 previsto na Resolução
COMANA Nº 357. O Quadro 13 destaca os valores dos pH das amostras nos
mananciais que fazem parte do sistema Botafogo.

Quadro 13. Histórico de pH dos mananciais que compõem o Sistema Botafogo.
Rio/Riacho 2005 2006 (1º Sem)
2007
(2º Sem)
2007
2008
Catucá 7,5 6,0 7,3 7,4 7,0
Pilão 7,7 7,5 6,2 - 7,0
Cumbe 7,5 8,1 6,7 7,5 -
Conga 5,9* - 4,6* 6,2 5,8*
Arataca 6,4 6,1 - - -
Tabatinga 6,1 4,5* 6,1 - 5,9*
Monjope - - - - -
* Em desconformidade para a classe 2 segundo a Resolução CONAMA 357/2005

Em termos de parâmetro, para estimar um dos serviços ambientais
hidrológicos gerados pela mata do CIMNC, tomou-se como base o custo para o
tratamento d’água sugerido por Mierzwa (2008) o qual varia entre R$ 0,20/m
3
e
R$ 0,40/m
3
para o tratamento convencional e outros tipos de tratamento
respectivamente
27
. Este custo foi calculado considerando como base o período

27
Para comparação considerou-se os dados relativos à eficiência da remoção de Carbono Orgânico Total.
139

de retorno de investimentos, através da expressão clássica de custos, (Eq 14)
(HIRSCHFELD, 1982), utilizando-se como base o valor do metro cúbico de
água produzido.


(Eq. 14)

Onde:
Custo: Valor do metro cúbico de água tratada;
P: Valor do investimento;
O: Gasto anual com a operação do sistema;
V: Volume anual de água produzido (m
3
);
i:Taxa de retorno do investimento (% a.a./100);
n: Número de anos para o retorno do investimento.
A partir dos dados sobre custos de investimento e de operação para os sistemas de
tratamento considerados, adotando-se uma taxa de retorno do investimento, referente
à Ata de reunião do COPOM de 31/05/2006, de 15,25 % a.a.
(http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS), foram obtidos os custos para tratamento,
por meio de uma planilha em Excel®.
Sempre que necessário, a conversão de valores foi feita considerando-se a taxa de
câmbio de 02 de junho de 2006, R$ 2,29/US$.

Dados da SABESP (2010) apontam que o consumo médio de água de
uma pessoa por mês no Brasil é de 6m
3
. Por sua vez, a ONU atesta que essa
quantidade varia em função do nível de desenvolvimento econômico e social
da área estudada.
No caso do consumo de uma tropa em treinamento ou em atividade de
combate, utilizou-se como parâmetro a quantidade de água bruta tratada por
dia para suprir o efetivo de 250 militares do BRAENGCOY (Companhia de
Engenharia da Força de Paz Haiti) integrante da MINUSTHA (Missão das
Nações Unidas para Estabilização do Haiti) que é de 100.000 l/dia ou
100m³/dia ou ainda 12m³ /mês/homem (BRAENGCOY, 2010).
Partindo do princípio de que o único custo para o tratamento da água
fosse o gasto nos seus processos (excluído os impostos, taxas e o lucro das
operadoras dos sistemas de abastecimento), e que nos meses de maior
consumo, quando há um efetivo de cerca de 2.000 homens, houvesse um
consumo de 12m³/mês/homem neste período, o CIMNC economizaria de
R$4.800,00 a R$9.600,00 em um mês de consumo intenso de água.
140

Em proporções menores que a do CIMNC, as demais Organizações
Militares também têm um papel muito importante na proteção de mananciais,
pois estão inseridas em regiões urbanas que são servidas, na grande maioria,
por abastecimento oriundo de águas subterrâneas.

4.4.3 Regularização de Vazão
Partindo da compreensão de que existe relação entre a cobertura
vegetal de uma Bacia Hidrográfica e a sua resposta hídrica (HURSH, 1948);
(LINHARES, 2006); (TUCCI et al., 2007); (WIGHAM, 1970, apud TUCCI, 2007)
e (LIMA, 2008), realizou-se a comparação entre bacias que, por possuírem
aspectos fisiográficos semelhantes, também poderiam apresentar similaridade
nas respectivas respostas hídricas.
As bacias analisadas foram as do Rio Catucá, localizada em grande
parte no interior do CIMNC e que possui cobertura florestal em quase sua
totalidade, e a Bacia do Rio Duas Unas, que possui usos e ocupação do solo
diversificado, onde ocorrem áreas urbanizadas, de pasto e com o predomínio
da cana-de-açúcar.
Com o objetivo de identificar o serviço ambiental de regularização de
vazão desempenhado pela área florestal, as bacias envolvidas na comparação
foram selecionadas por possuírem as seguintes características em comum:
dimensões semelhantes, um relevo forte ondulado, os solos das duas bacias
se caracterizam por serem representados pelos Latossolos e Podzólicos nos
topos de chapadas e topos residuais; pelos Podzólicos com Fregipan,
Podzólicos Plínticos e Podzóis nas pequenas depressões nos tabuleiros; pelos
Podzólicos Concrecionários em áreas dissecadas e encostas e Gleissolos e
Solos Aluviais nas áreas de várzeas (BELTRÃO et al, 2005), e, principalmente,
por encontrarem-se em mesmo regime de chuvas. Foi realizada também a
comparação entre as características físicas que têm relação com a resposta
hídrica das duas bacias, de tal forma que se identificasse semelhança no
comportamento hidrológico das mesmas.
Por fim, realizou-se uma verificou-se a relação Precipitação x Volume de
Água armazenado no reservatório de Botafogo, que está localizado na Bacia
Hidrográfica do Rio Catucá, e no de Duas Unas, localizado na Bacia de mesmo
nome.
141

Características Físicas

As características físicas de uma bacia hidrográfica são elementos de
grande importância em seu comportamento hidrológico, devido à existência de
estreita correspondência entre o comportamento hidrológico e o regime
hidrológico. Serão apresentadas a seguir algumas comparações entre as
características físicas das bacias do Catucá e de Duas Unas e dos seus
respectivos reservatórios.

- Área de Drenagem
É a área plana de uma bacia (projeção horizontal) inclusa entre seus
divisores topográficos.
Relação do indicador Quanto maior for a Área de Drenagem, maior será a
capacidade de receber água oriunda de precipitação.
Área de Drenagem
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 88km
2

Rio Duas Unas 75 km
2




- Coeficiente de Compacidade (Kc)
É a relação entre o perímetro da bacia (P) e a circunferência de um
círculo de área (A) igual à da bacia. Uma bacia será mais suscetível a
enchentes mais acentuadas quando seu Kc for mais próximo da unidade.
Quanto mais próximo da unidade for este coeficiente, mais a bacia se
assemelha a um círculo. Assim, pode-se interpretá-lo da seguinte forma
(BROOKS et al, 1997):
1,00 – 1,25: bacia com alta propensão a grandes enchentes
1,25 – 1,50: bacia com tendência mediana a grandes enchentes
> 1,50: bacia com menor propensão a grandes enchentes
Relação do indicador A tendência de enchente de uma bacia será tanto maior
quanto mais próximo da unidade for este coeficiente.
Coeficiente de Compacidade
(Kc = 0,28.P/√A)
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 1,749
Rio Duas Unas 1,516

142

- Fator de Forma (K
f
)
Relaciona a forma da bacia com a de um retângulo, correspondendo à
razão entre a largura média e o comprimento axial da bacia (da foz ao ponto
mais longínquo do espigão). A forma da bacia, bem como a forma do sistema
de drenagem, pode ser influenciada por algumas características,
principalmente pela geologia (CARDOSO et al, 2006). Segundo Villela & Mattos
(1975), uma bacia com um fator de forma baixo é menos sujeita a enchentes
que outra de mesmo tamanho, porém com fator de forma maior.
O fator de forma pode assumir os seguintes valores (BROOKS et al,
1997):
1,00 – 0,75.: sujeito a enchentes
0,75 – 0,50.: tendência mediana
< 0,50.: menor tendência a enchentes
Relação do indicador Uma bacia com Fator de Forma baixo encontra-se
menos sujeita a cheias que outra com Fator de Forma
maior.
Fator de Forma
(K
f
= A/L
2
)
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 0,088654
Rio Duas Unas 0,163007


- Densidade de drenagem
A Densidade de drenagem (Dd) é expressa pela relação entre o
comprimento total dos cursos d’água de uma bacia e sua área total.
Pode-se classificar uma bacia, com base neste índice, da seguinte forma
(BROOKS et al, 1997):
> 1,50: bacia com menor propensão a grandes enchentes
5-13 km km
-2
: média densidade
> 13 km km
-2
: alta densidade

Relação do indicador Varia de 0,5km/km
2
para as bacias de drenagem pobre,
a 3,5 ou mais, para bacias excepcionalmente bem
drenadas.
Densidade de drenagem
(Dd=L/A)
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 1,997727
Rio Duas Unas 2,03
143

Índice de Pendente
A declividade dos terrenos controla uma boa parte para a velocidade
com que se dá o escoamento superficial, afetando o tempo que leva a água da
chuva para concentrar-se nos leitos fluviais que constituem a rede de
drenagem da bacia. É expresso pela relação entre a diferença entre a cota
máxima e mínima e o comprimento máximo do rio principal.
Relação do indicador Quanto maior o índice pendente, maior será a
velocidade de escoamento do curso d’água.
Índice de Pendente
[IP=(Cota
máxima
– Cota
mínima
)/L]
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 0,003398438
Rio Duas Unas 0,004662004662

Declividade Equivalente Constante S
3

É a declividade uniforme cujo tempo de translação da água é o mesmo
do perfil longitudinal irregular natural. É obtida através da média harmônica
ponderada da raiz quadrada das diversas declividades de um rio. Quanto maior
a Declividade Equivalente Constante, maior será a velocidade de escoamento
de um rio.
Em que:















2
3
i
i
i
i i
L
S
L
S
com S D
| |
|
|
=
|
|
\ .
=
¿
¿
144

Rio Catucá
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)
Cotas
(m)
Distância
(m)
Distância
(L
i
)
(km)
Distância
acumulada
(km)
Declividade
por
segmento
10/(2)
√(5)
S
i

L
real

(L
i
)
(km)
L
i
/S
i

42 4.150
4,15 4,15 0,00241 0,049088 4,15 84,54193
50 2.650
2,65 6,8 0,003774 0,06143 2,65 43,13887
60 1.850
1,85 8,45 0,005405 0,073521 1,85 25,16272
70 550
0,55 9,00 0,018182 0,13484 0,55 4,078909
80 5.450
5,45 14,45 0,001835 0,042835 5,45 127,2315
90 950
0,95 15,40 0,010526 0,102598 0,95 9,259455
100 5.550
5,55 20,95 0,001802 0,042448 5,55 130,7493
110 3.400
3,4 24,35 0,002941 0,054233 3,4 62,6929
120 1.250
1,25 25,6 0,008 0,089443 1,05 11,73936
Total 25.600 25,6 25,6 498,595
S
3(Catucá)
=(25,6/498,595)
2
=

0,002636

Rio Duas Unas
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)
Cotas
(m)
Distância
(m)
Distância
(L
i
)
(km)
Distância
acumulada
(km)
Declividade
por
segmento
10/(2)
√(5)
S
i

L
real

(L
i
)
(km)
L
i
/S
i

60 3.400 3,4 3,4
0,002941 0,054233
3,4
62,6929
70 1.950 1,95 5,35
0,005128 0,071611
1,95
27,23027
80 3.750 3,75 9,10
0,002667 0,05164
3,75
72,61844
90 2.400 2,4 11,50
0,004167 0,06455
2,4
37,18064
100 1.900 1,9 13,40
0,005263 0,072548
1,9
26,18969
110 3.700 3,7 17,10
0,002703 0,051988
3,7
71,17092
120 2.900 2,9 20,00
0,003448 0,058722
2,9
49,38522
130 700 0,70 20,70
0,014286 0,119523
0,70
5,85662
140 350 0,350 21,50
0,028571 0,169031
0,350
2,070628
150 400 0,4 21,45
0,025 0,158114
0,4
2,529822
Total 21.450 21,45 21,45 356,9252
S
3(Duas Unas)
=(21,45/356,9252)
2
=

0,003612




145

- Área média do espelho d’água
A área média do espelho d’água é determinada pela área da superfície
do reservatório registrada na cota média do mesmo.
Relação do indicador

Quanto maior a área média do espelho d’água, maior
será a probabilidade do reservatório interceptar eventos
de precipitação que ocorram na região do reservatório.
Área média do espelho d’água
(S
média do espelho d’água
)
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 1,79 km
2

Rio Duas Unas 3,34 km
2



Sinuosidade do curso d’água
A sinuosidade do curso d’água é a relação entre o comprimento do rio
principal L
RP
e o comprimento da diretriz L
d
.
Relação do indicador A sinuosidade é uma característica que controla a
velocidade de um rio. Quanto mais próximo de 1, mais
retilíneo é o traçado do rio.
Sinuosidade do curso d’água
(Sin= L
RP
/L
d
)
Bacia Hidrográfica Rio Catucá 2,0897
Rio Duas Unas 1,5321


Como é observado no Quadro 14, as bacias hidrográficas do Rio Catucá
e do Rio Duas Unas apresentam aspectos que lhes competem similaridades no
que se refere a respostas aos eventos pluviométricos, entretanto, ao se
observar a Figura 34 percebe-se que para eventos de precipitação
semelhantes nas duas bacias, ocorridos nos dias de 13 a 20 de junho de 2010,
a bacia do Rio Catucá apresentou uma resposta hídrica mais regularizada que
a bacia de Duas Unas. Observa-se, ainda, que os incrementos na variação de
volume dos reservatórios ocorreram na ordem de 53,84% e 187,50% dos
reservatórios de Botafogo e Duas Unas, respectivamente (Figura 34).





146

Quadro 14. Comparação entre as características fisiográficas das bacias
hidrográficas dos Rios Catucá e Duas Unas, evidenciando características
físicas semelhantes.
Característica
Bacia hidrográfica Aspectos
observados Catucá Duas Unas
Área de Drenagem
88km
2
75km
2

Bacias com
dimensões
semelhantes
Coeficiente de
Compacidade (Kc)
1,749 1,516
> 1,50: bacias com
menor propensão a
grandes enchentes
Fator de Forma (K
f
)
0,088654 0,163007
<0,50: ambas têm
menor tendência à
enchentes
Densidade de drenagem
1,997727 2,03
> 1,50: bacia com
menor propensão a
grandes enchentes
Índice de Pendente
0,3398% 0,4662%
Rios principais com
declividades baixas
Declividade Equivalente
Constante
0,2636% 0,3612%
Rios principais com
declividades baixas
Área média do espelho
d’água dos reservatórios
1,79 3,34
Pequenas
extensões de
espelho d’água
implicam numa
uniformidade em
toda área dos
eventos
pluviométricos
Sinuosidade do curso
d’água
2,0897 1,5321
Rios principais com
sinuosidades
semelhantes












147























4.5 Conclusões Parciais
Serviços Climáticos
As temperaturas no interior das áreas de estudo apresentaram valores
inferiores às registradas nas áreas adjacentes e próximas.
O método de comparação da Temperatura Superficial e do Enhanced
Vegetation Index por análise do balanço de radiação mostraram-se adequados
aos estudos comparativos da evolução ambiental de fragmentos de mata.
Os trabalhos de campo com os higrômetros e termômetros confirmaram
os dados obtidos com as análises realisadas com imagens de satélite,
comprovando a amenização da temperatura ao se aproximar das regiões de
mata.
Figura 34. Relação da precipitação e variação do volume dos
reservatórios de Botafogo e Duas Unas no período de 13 a 29 de
junho de 2010 .
148

A umidade relativa do ar apresentou valores menores nas regiões
menos arborizadas, comprovando os efeitos de retenção de umidade
provocados pela existência de florestas.

Manutenção dos estoques e sequestro de carbono
O sequestro de carbono é um processo capaz de mitigar os efeitos do
aquecimento global. As medidas de conservação da biomassa florestal em
escala regional também são capazes de gerar efeitos identificados in loco,
como no caso dos microclimas apresentados nas áreas de florestas.
No caso do CIMNC, observa-se um significativo potencial de sequestro e
de manutenção dos estoques de carbono em longo prazo. A área do campo de
instrução foi delimitada e tutelada ao Exército Brasileiro na década de 40,
desde então, o cenário de pasto e cana-de-açúcar deu lugar a uma mata
ombrófila densa com perspectiva de amadurecer e tornar-se mais exuberante e
potencialmente capaz de absorver mais carbono.
A metodologia de estimativa dos estoques e sequestro de carbono
mostrou-se bastante adequada e de fácil aplicação. De tal forma, que o sua
utilização facilita a compreensão e análise das potencialidades de uma floresta
em sequestrar e armazenar carbono.
Vale salientar que o Exército Brasileiro possui sob sua tutela mais de
22.352 km² em áreas de treinamento e aquartelamentos em território brasileiro,
uma área superior a do estado de Sergipe e a alguns pequenos países. Estas
áreas são vigiadas e o Exército, por conta da especificidade de suas
atividades, atua de forma a mantê-las preservadas e em regeneração.

Manutenção da biodiversidade
Todas as áreas de estudo apresentaram características de florestas
ombrófilas densas em estágio médio de regeneração. Constatou-se o
importante papel do Exército Brasileiro em facilitar a melhora da condição
ambiental, pois, apesar de não terem ocorridos programas de reflorestamento,
as atividades de treinamento realizadas no seu interior inibiram ações
antrópicas que pudessem retardar este processo. Entretanto, tem-se
observado um aumento das pressões urbanas externas, pois, a inexistência de
zonas de amortecimento favorecem as ações predatórias na sua periferia,
149

como a deposição de resíduos sólidos, o corte de árvores para aproveitamento
da madeira como lenha e até a formação de pequenos roçados.
O CIMNC foi a área com o maior número de pesquisas realizadas, entre
as do Exército. Neste, que pode ser considerado o maior fragmento de Mata
Atlântica ao norte do Rio São Francisco, foram observadas seis
espécies/subespécies de mamíferos e aves e uma de anfíbio ameaçado de
extinção, além da ocorrência de uma serpente costante no livro vermelho da
fauna brasileira ameaçada de extinção. Esta constatação faz com que cresça
de importância a necessidade preservar esta mata, sugerindo-se que sejam
realizadas outras pesquisas para que se possa aprofundar o conhecimento
sobre outras espécies que existem nesta mata.

Proteção e recarga de mananciais
As estimativas de recarga de manancial confirmam o papel dos
fragmentos florestais em possibilitar melhores condições para a recarga dos
aquíferos. Considerando a evidência da melhoria da condição ambiental da
microbacia do Rio Catucá a partir da recuperação florestal, constatada pela
melhoria do IAF e das Temperaturas de Superfície, concluiu-se pela sua
contribuição na estabilização dos processos hidrológicos locais.
Destaca-se, ainda, o papel desempenhado pela área do CIMNC na
proteção dos mananciais, evidenciado na boa qualidade do pH do manancial
localizado no seu interior.

Regularização de vazão
A relação floresta/infiltração da mata do CIMNC pode ser evidenciada na
resposta hídrica observada no manancial localizado no seu interior. Esta
floresta regulariza os picos de vazão nos mananciais, propiciando uma redução
dos riscos de inundação e de escassez de água. Os processos de
interceptação e evapotranspiração desempenhados pela cobertura vegetal do
Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante representam um importante
serviço ambiental na manutenção de uma vazão regularizada do Rio Catucá.
150

CAPÍTULO 5

EVOLUÇÃO DA CONDIÇÃO AMBIENTAL DAS ÁREAS DE FLORESTA
TUTELADAS AO EXÉRCITO

5.1 Histórico de uso e ocupação das OM
Com o objetivo de se realizar um levantamento do histórico do uso e
ocupação das áreas objetos deste estudo, foi realizada uma pesquisa
documental nos arquivos da seção de Patrimônio da 7ª Região Militar, OM
responsável pelo controle patrimonial destas áreas.

a) Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti
O CIMNC tem suas origens no Campo de Instrução de Aldeia, criado
pelo Aviso Nº134, de 29 de Janeiro de 1944, do General Eurico Gaspar Dutra,
Ministro da Guerra, que aprovou as diretrizes propostas pela Diretoria de
Engenharia para construção do Campo de Instrução do Engenho Aldeia. Esta
Unidade teve por finalidade comportar acantonamento de emergência e
instalações militares de água e luz para uma Divisão de Infantaria. Os trabalhos
da construção ficaram subordinados, diretamente, ao Inspetor do 1º Grupo de
Região, General Newton Cavalcanti, idealizador do Campo.
Em 21 de Julho de 1944, o Presidente Getúlio Vargas, pelo Decreto. N.º
16.161, declarou de utilidade pública para a desapropriação, de 09 (nove)
engenhos (Engenhos Timbó, Santiago, Santos Mendes, Barrocas, Aldeia,
Lages, Santa Rita, Santana Aguiar e Pindobal). Posteriormente, mais um
engenho foi desapropriado, o qual foi incorporado aos outros (GUIMARÃES,
2008). Nesta época, os engenhos se dedicavam basicamente ao cultivo da
cana-de-açúcar e a outras culturas de subsistência.
O Campo de Instrução teve a finalidade de adestrar a 7ª Divisão de
Infantaria para ser empregada nos campos de batalha da Europa, como
integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB). As obras para sua
construção tiveram inicio em 1º de fevereiro de 1944 e foram inauguradas em
25 de agosto de 1945. O nome Aldeia provém do fato de, no local onde hoje
fica localizada a sede do CIMNC, ter existido um aldeamento de índios da Tribo
151

Potiguara. No período da invasão holandesa, segundo o historiógrafo
pernambucano Mário Melo, era chefe dessa tribo o famoso índio Potí, que
passou à história como Felipe Camarão.
Pela Portaria Nº 326 - BG, de 29 de 1966, o Ministro da Guerra,
atendendo à sugestão apresentada pelo Comando do Exército, resolveu mudar
o nome do Campo de Instrução Militar Engenho Aldeia (CIMEA) para Campo
de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (GUIMARÃES, 2008).

b) 4º Batalhão de Comunicações
Até 1965 esta área de estudo pertencia ao Ministério da Agricultura,
tendo a denominação de Fazenda Modelo. Nesta época, a mesma era
destinada à pecuária e ao cultivo um tipo de capim, o qual era utilizado como
forrageira na alimentação de bovinos e de eqüinos. Com a implantação da
4ºBCom em outubro de 1965, a vegetação foi submetida a um corte raso e só
então se iniciou o processo de regeneração natural (FEITOSA, 2004).
Quanto ao nome da mata localizada no interior desta Organização
Militar, a mesma recebe duas denominações: Mata de Tejipió e Mata do Barro.
Em ambos os casos os nomes derivam dos bairros adjacentes ao
aquartelamento, tal como Feitosa (2004) cita.

c) 14º Batalhão de Infantaria Motorizado
Em 1934 foi criado o então 29º Batalhão de Caçadores, embrião do 14ª
Regimento de Infantaria. Com o objetivo de servir de base para as instalações
do Batalhão, a União adquiriu parte do Sítio Piedade. Posteriormente, outras
áreas foram agregadas, dando origem ao Campo de Instrução do Batalhão.
Estas últimas áreas passaram à tutela do Exército Brasileiro apenas em 1958,
as quais foram adquiridas de uma instituição bancária denominada Bando do
Povo.
O Campo de Instrução do 14º BIMtz possui uma mata denominada mata
de Mussaíba, que por sua vez faz fronteira com a mata de Jangadinha
28
.
Ambas áreas são Reservas Ecológicas e devido à proximidade das mesmas e
da não existência de obstáculos naturais ou artificiais as separando, é possível

28
A mata de Jangadinha é de responsabilidade da COMPESA.
152

determinar que as Matas de Jangadinha e Mussaíba formam um fragmento
único de mata.

d) 7º Grupo de Artilharia de Campanha e 3ª Divisão de Levantamento
Em 07 de junho de 1941, teve início a construção das instalações do
aquartelamento do então 7º Grupo de Artilharia de Dorso. Posteriormente, em
1946 passou a ser denominado 7º Grupo de Artilharia de Obuses,
permanecendo com este nome até 1974, ano em que recebeu a denominação
atual, 7º Grupo de Artilharia de Campanha.
A área do 7º GAC foi desapropriada pelo Interventor Federal de
Pernambuco no início da década de 1940. A mesma pertencia anteriormente
aos Senhores Severino e Tiago Ferreira de Mendonça, proprietários dos
Engenhos Fragoso e Forno de Cal, respectivamente.
A 3ª Divisão de Levantamento foi criada em 1967 e é originária da
extinta Comissão Especial de Levantamento do Nordeste. A mesma ocupa
uma área que pertencia ao 7º GAC.

e) Complexo Militar do Curado
Após o regresso das tropas que combateram na II Guerra Mundial, o
Exército Brasileiro assumiu nova estrutura administrativa e operacional,
passando a ser organizado em quatro Zonas Militares: Norte, Centro, Oeste e
Sul, que, por sua vez, subdividiram-se em Regiões Militares. Em 24 de julho
de 1946, foi criada a Zona Militar do Norte, com sede na região central da
cidade de Recife. Em 1956, teve sua denominação modificada para IV Exército,
sendo a parcela Amazônica desmembrada para constituir o Comando Militar da
Amazônia.
Em 1979, as instalações do Quartel General do IV Exército foram
transferidas para a sede atual. Em 1985, mudou sua denominação para
Comando Militar do Nordeste.
A área em estudo passou para a tutela do Exército em 1972, ocasião em
que foi realizada a transferência patrimonial do extinto Instituto de Pesquisa e
Experimentação Agropecuária do Nordeste (IPEANE) para a Força Terrestre.


153

5.2 Condição ambiental das áreas de estudo
Todas as áreas de estudo foram adquiridas ou cedidas ao Exército
entre as décadas de 30 e 60 do século XX. Algumas, como a do 4º BCom e do
Complexo Militar do Curado, pertenciam a instituições estatais de
desenvolvimento agropecuário. Deste modo, foi identificado que nas suas
origens, as mesmas possuíam pequenas áreas utilizadas com monoculturas
como a cana-de-açúcar e o capim para alimentação de gado, como é possível
ser observado na Tabela 25. Quanto à existência de traços de vegetação de
Mata Atlântica nestas áreas, os documentos analisados retratam apenas a
existência de pequenos fragmentos que representavam não mais que 10% das
áreas originais. No caso específico do CIMNC, Guimarães (2008) cita a
existência de 20 fragmentos de Mata Atlântica, sem precisar o seu tamanho.

Tabela 25. Dados informativos sobre as áreas objetos de estudo
Organização
Militar
Área (ha)
Antiga destinação do uso
do solo
Localização
Quando
passou à
tutela do
Exército
CIMNC 7.342
Engenhos de cana-de-
açúcar
7º49’52”S
53º06’09” W
1944
4º BCom 173,53
Fazenda do Ministério da
Agricultura destinada ao
cultivo de capim
8º05’59” S
34º57’22” W
1965
14º BIMtz 401,40
Conjunto de pequenos
sítios
8º05’34” S
35º00’18” W
1958
Complexo Militar
do Curado
340,00
A propriedade pertencia
ao Instituto de Pesquisa
e Experimentação
Agropecuária do
Nordeste e destinava-se
ao cultivo de cana-de-
açúcar e capim
8º04’18” S
34º57’53” W
1972
7º GAC e 3ª DL 43,53
Originaria de dois
engenhos de cana-de-
açúcar
08º 00' 16,8" S
34º 51' 56" W

1941
Fonte: Adaptado de Guimarães (2012)

Utilizando-se a comparação de fotografias, evidencia-se através das
Figuras 35 e 36 a evolução de duas áreas objeto deste estudo. Na primeira
observa-se a encosta de uma elevação no interior do 4º BCom, nas décadas
de 1960 e de 2010. Percebe-se que houve uma grande transformação da
tipologia arbórea desta área, pois a mesma passou de uma gramínea para um
tipo arbustivo florestal.
154

Na segunda identifica-se um corte de estrada na via privativa do
CIMNC, no qual se pode verificar que uma vasta região de pasto, predominante
na década de 1940, deu lugar a uma mata com árvores frondosas no ano de
2006.






















Objetivando gerar mapas temáticos que possibilitassem identificar o
Índice de Área Foliar (IAF) das áreas de estudo, foram realizados
procedimentos metodológicos semelhantes aos utilizados para obter o a Ts e o
EVI no tópico 4.1.1. O IAF constitui um dos principais parâmetros biofísicos e
estruturais da vegetação, sendo definido como a área foliar total por unidade de
área do solo (m
2
.m
-2
) (CARREIRE, 2009). A mesma autora comenta que para
estimar a produtividade e a evapotranspiração, pesquisadores têm
desenvolvido modelos de interface floresta-solo-atmosfera, nos quais o IAF é a
Figura 35 – Elevação a leste de seção de manutenção do 4º Batalhão de Comunicações na
década de 1960 (34A) e em 2010 (34B).
Fonte: Foto “A” - 4º BCom e Foto “’B” – o autor.
A B
A B
Figura 36 – Estrada privativa do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcante
na década de 40 (35A). - Estrada privativa do Campo de Instrução Marechal Newton
Cavalcante em 2006 (35B).
Fonte: CIMNC, Foto “A” - 1945 e Foto “B” - 2006.

155

principal variável descritora do dossel vegetal. Assim, este índice poderia ser
um indicador da condição ambiental da floresta.
Tomando-se como referência o IAF por sensoriamento remoto, foi
possível fazer a comparação deste índice em diferentes datas de um mesmo
local. Na Figura 37, identificam-se os IAFs da região do CIMNC para os anos
de 1988 e 2007, ou seja, um intervalo de tempo de 19 anos. Observa-se que
no ano de 2007 predominava na imagem valores de índices com parâmetros
entre 1,21 – 1,50. Por sua vez, no ano de 1988, esta mesma área apresentava-
se com parâmetros na faixa de 0,81 – 1,00. Logo, constata-se que no decorrer
dos anos houve um aumento da quantidade de área ocupada por uma
vegetação mais densa. Por outro lado, constata-se nas mesmas imagens que a
qualidade ambiental, representada pelo IAF, piorou nas áreas situadas no
entorno do CIMNC.

















O Complexo Militar do Curado é constituído por várias Organizações
Militares, as quais foram implantadas em diferentes épocas. Analisando o
conjunto das áreas constatatou-se um aumento do IAF (Tabela 26). Pois, como
observa-se na Figura 38, num período de 18 anos houve um incremento deste
Figura 37 – Índice de Área Foliar no Campo de Instrução Marechal Newton
Cavalcante nos anos de 1988 e 2007.

156

índice, o qual passou de uma faixa de 0,61 – 0,80 para > 1,51. Entretanto,
verifica-se a existência de uma área em que ocorreu a diminuição do IAF
(indicado pela seta) na qual o índice passou de 0,81 – 1,00 para uma faixa de
0,00 – 0,10. Esta área diz respeito às instalações do 4º BPE, última OM a se
instalar neste complexo.


















Tabela 26. Condição ambiental, indicada pelo Índice de Área Foliar, de
fragmentos florestais sob a tutela do Exército Brasileiro na Região
Metropolitana do Recife – PE.
OM Período analisado
IAFs predominantes Condição da
cobertura
vegetal
Inicial Final
CIMNC
1988 a 2007
(19 anos)
0,81 – 1,00 1,21 – 1,50 Melhorou
4º BCom
1989 a 2010
(21 anos)
0,61 – 1,00 > 1,51 Melhorou
14º BIMtz
1989 a 2010
(21 anos)
0,61 – 0,80 1,21 – 1,50 Melhorou
Complexo
Militar do
Curado
1989 a 2007
(18 anos)
0,61 – 0,80 > 1,51 Melhorou
7º GAC
1989 a 2010
(21 anos)
0,61 – ,80 1,21 – 1,50 Melhorou
Figura 38 – Índice de Área Foliar no Complexo Militar do Curado nos anos de 1989
e 2007.
157


A Figura 39 representa o IAF da área do 14º BIMtz e do seu entorno.
Percebe-se que houve uma melhora significativa da área foliar neste objeto de
estudo, pois ao comparar dados de 1989 e 2010, houve um aumento da faixa
predominante do IAF, de 0,61 – 0,80 para 1,21 – 1,50. Por outro lado, no
entorno constata-se que houve redução da área foliar, a qual passa de uma
maior concentração na faixa, 0,11 – 0,20, para a faixa que vai de 0,00 - 0,10.




















Pode-se observar na Figura 40 o IAF da área pertencente ao 4ºBCom
para imagens captadas nos anos de 1989 e 2010. Na imagem mais antiga há
uma predominância da coloração esverdeada, ou seja, o IAF encontrava-se
numa faixa de 0,61 a 1,00. Nas imagens mais recentes, este índice passa a ter
uma predominância na cor azulada numa faixa de IAF > 1,51.
Consequentemente, constata-se que também houve um aumento da densidade
da mata deste objeto de estudo. O inverso ocorre em outras áreas ao Sul e ao
Figura 39 – Índice de Área Foliar no 14º Batalhão de Infantaria Motorizado nos
anos de 1989 e 2010.

158

Norte deste objeto, onde a faixa do IAF predominante passa de 0,21 – 0,40
para 0 – 0,10. Observa-se também uma melhora do IAF na porção mais a
Leste do 4º BCom, onde se situa a Mata do Engenho Uchoa que é considerada
uma Área de Proteção Ambiental.



















Por fim, verifica-se que o IAF da área do 7ºGAC (Figura 41) apresentou
um aumento substancial no período analisado. No ano de 1989 este índice
concentrava-se na faixa de 0,61 – 0,80 no interior do objeto de estudo, já na
área externa a OM, o mesmo índice predominava na faixa 0,21 – 0,40. No ano
de 2010, estas faixas se deslocaram para as faixas de 0,00 – 0,10 e para 1,21
– 1,50 respectivamente. Estes resultados indicam um aumento na densidade
da vegetação no interior do objeto de estudo e uma radical supressão das
áreas verdes ao redor.



Figura 40 – Índice de Área Foliar no 4º Batalhão de Comunicações nos anos de
1989 e 2010.


159
























Considerando-se que há pelo menos quatro décadas essas áreas
militares eram predominantemente agrícolas, sendo propriedades rurais
controladas por donos de engenhos, pequenos agricultores ou por órgãos
governamentais voltados para as atividades de pesquisa e extensão em
agricultura e pecuária, constata-se uma mudança radical no uso do solo a partir
da presença do Exército como novo tutor das mesmas.
O controle de acesso por razões militares a apenas pequenas áreas
internas para montagem de infraestrutura operacional e a necessidade de
manter o isolamento das áreas usadas como medida de segurança para as
atividades de treinamentos militares possibilitaram uma regeneração florestal
significativa.
Figura 41 – Índice de Área Foliar no 7º Grupo de Artilharia de Campanha nos anos
de 1989 e 2010.


160

Esta recuperação florestal, evidenciada, sobretudo, pelo IAF utilizando-
se o sensoriamento remoto, apresenta-se com grande importância na RMR,
onde é evidente a tendência de redução das áreas florestais, sobretudo pela
progressiva urbanização.
Desta forma, a melhoria da condição ambiental das florestas sob a
tutela do Exército, aponta para a necessidade de se ter uma estratégia clara de
futuro em relação a essas áreas, possibilitando para as mesmas um status de
proteção ambiental que não as coloque em vulnerabilidade, frente a eventuais
projetos estruturadores urbanos ou mesmo ao crescimento inercial dos
municípios que fazem parte da RMR.
Por enquanto, esses fragmentos florestais ainda estão quase
despercebidos da metrópole. Se por um lado ainda não despertaram a
especulação imobiliária, por outro, também não despertaram a necessidade de
valorizá-los como importante representante de uma paisagem que dominava a
Zona da Mata de Pernambuco, e que possui estratégico papel na geração de
serviços ambientais, como a produção de água, a captura de carbono e a
conservação da biodiversidade.
Saliente-se que as florestas existentes nas áreas do CIMNC e do 14º
BIMtz contribuem diretamente para a proteção dos mananciais hídricos dos
reservatórios respectivamente de Botafogo e Jangadinha, os quais atendem ao
abastecimento público da RMR.
Além disso, a redução do desmatamento, a expansão de área ocupada
e a conectividade dos fragmentos florestais, além do próprio adensamento em
biomassa, atendem aos princípios do chamado desmatamento evitado,
utilizado para o controle do estoque de carbono na vegetação, evitando que o
mesmo ganhe a atmosfera e acelere o efeito estufa. A Redução de Emissões
por Diminuição do Desmatamento (REDD) pode levar a creditá-lo no mercado
voluntário de carbono, inspirado no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
(MDL), a partir do protocolo de Kioto.

5.3 Conclusões Parciais

O processo de degradação da Mata Atlântica se reflete em Pernambuco
de forma expressiva, sendo este mais contundente no entorno de áreas
161

urbanas, principalmente na Região Metropolitana do Recife. Porém, nas áreas
tuteladas ao Exército ocorre o processo inverso.
O método de comparação utilizando-se o Índice de Área Foliar mostrou-
se adequado, evidenciando uma melhora do índice em cada uma das
Organizações Militares estudadas, com incremento de quase 100% em alguns
casos.
Esta tendência de melhora progressiva da condição ambiental dos
fragmentos florestais sob a tutela do Exército Brasileiro na RMR se estabelece
no sentido inverso do que vem ocorrendo na maioria das áreas florestais
estudadas nas regiões metropolitanas, inclusive na de Recife, evidenciando o
papel desempenhado pelo Exército no controle do desmatamento e na
facilitação da regeneração florestal.
Esta pesquisa concluiu que, a partir da comparação dos fragmentos
florestais pelo uso de imagens fotográficas e de satélite no período observado
de 18 a 21 anos, a condição ambiental dos mesmos nessas áreas militares
apresentou uma melhora considerável.

162

CAPÍTULO 6

ASPECTOS LEGAIS DAS ÁREAS DE ESTUDO

6.1. Abordagens objetivas e transversais das questões ambientais nas
normas do Exército Brasileiro
O arcabouço jurídico ambiental brasileiro não contempla as áreas onde
ocorrem atividades de treinamento militar em norma específica. Porém, na
busca de manter-se alinhada às normas vigentes, as Forças Armadas
estabeleceram instrumentos internos, os quais norteiam o desenvolvimento de
suas atividades.
Assim, foram criadas normas com o objetivo de orientar as atividades
militares no âmbito da força, as quais objetivam alinhar e, consequentemente,
introduzir determinações legais acerca do tema no âmbito das Organizações
Militares (OM).
A Política de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro (PGAEB) foi
aprovada pela Portaria N° 570 (BRASIL, 2001), a mesma estabeleceu a
implantação de ações de gestão ambiental no âmbito do Exército. Entretanto,
foi com um atraso de 29 anos, que por intermédio da Portaria Nº 1.138
(BRASIL, 2010a), que a PGAEB entrou em consonância com a Política
Nacional de Meio Ambiente, trazendo como inovação um princípio que versa
sobre a necessidade de se fortalecer o sistema de ensino e instrução militar no
sentido de desenvolver práticas que resultem na preservação das áreas
jurisdicionais ao Exército ou empregadas temporariamente.
Apenas quatro meses após ser instituída a Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS), o Exército determinou pela Portaria Nº 1.275 suas
diretrizes para a adequação da Força Terrestre à PNRS (BRASIL, 2010b).
Dentre as principais determinações desta Portaria está a orientação para que
todas OM elaborem seus Planos Básicos de Gestão Ambiental e seus Projetos
de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Aprovada pela Portaria Nº 386, as Instruções Gerais para o Sistema de
Gestão Ambiental no Exército Brasileiro (BRASIL, 2008a) apresentam no Art 5º
a abrangência das ações de Gestão Ambiental do Exército, destacando-se: a
educação ambiental, a legislação ambiental, o licenciamento ambiental, o
163

planejamento e controle das atividades desenvolvidas, as operações e
atividades militares, dentre outras.
Com a finalidade de desenvolver junto ao público interno a mentalidade
de comprometimento com a gestão ambiental, foram aprovadas com a Portaria
Nº 014-DEP as normas para a Promoção da Educação Ambiental nos
Estabelecimentos de Ensino e nas Organizações Militares Subordinados e/ou
Vinculados ao Departamento de Ensino e Pesquisa (BRASIL, 2008b). Da
mesma forma que ocorreu com a PGAEB, esta norma tem como um dos
objetivos introduzir a adoção de procedimentos consoantes com os princípios e
os objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental.
A Portaria Nº 934, que trata do Sistema de Gestão Ambiental do Exército
Brasileiro apresentou importantes determinações que viriam influenciar as
normas mais recentes (BRASIL, 2007). Dentre elas destaca-se a de que o
Estado-Maior do Exército (EME) insira a Política de Gestão Ambiental do
Exército Brasileiro na Política Militar Terrestre da Instituição para um
gerenciamento efetivo, de tal forma que assegure o fiel cumprimento da
legislação ambiental e promova a convivência harmônica da Força Terrestre e
o ecossistema.
A Portaria Nº 050 tem por finalidade oferecer subsídios para a
elaboração de Planos Básicos de Gestão Ambiental das OM e apresentar
exemplos de programas voltados para a viabilização ambiental das atividades e
empreendimentos militares (BRASIL, 2003a). Esta foi a primeira norma do
Exército a abordar e determinar a avaliação dos riscos de danos derivados das
atividades de instrução militar, de tal forma, que apresenta orientações quanto
às instruções de tiro, guerra química, bacteriológica ou nuclear e o uso de
cursos d’água. Quanto às atividades de rotina das OM, é feita menção quanto a
destinação adequada dos dejetos líquidos e resíduos sólidos e gasosos.
Esta Portaria foi a primeira norma do Exército que tratou
especificamente dos assuntos ambientais, apresentando como uma de suas
premissas básicas a de que as preocupações com o meio ambiente devem
estar sempre presentes nas atividades e empreendimentos do Exército, mas
não devem, de forma alguma, inibir ou deformar as características próprias das
ações militares.
164

O Regulamento Interno de Serviços Gerais, aprovado pela Portaria Nº
816, apresenta no seu capítulo IX as providências de controle ambiental no
âmbito das Organizações Militares, definindo responsabilidades e orientando
para que as atividades militares desenvolvidas nos campos de instrução sejam
realizadas conforme as normas ambientais vigentes (BRASIL, 2003b).
Mais recentemente, em 2011, o Chefe do Departamento de Engenharia
e Construção do Exército Brasileiro aprovou as Instruções Reguladoras para o
Sistema de Gestão Ambiental no Âmbito do Exército (IR 50 - 20). Esta norma
estabelece os procedimentos operacionais, educativos, logísticos, técnicos e
administrativos do Exército Brasileiro para o gerenciamento ambiental efetivo,
de modo que assegure a adequação à legislação pertinente e o cumprimento
do dever de defender, preservar, melhorar e recuperar o meio ambiente para
as presentes e as futuras gerações. Apresentando em seu corpo capítulos
específicos que tratam dos seguintes temas:
- Sistema de Gestão Ambiental do Exército Brasileiro
- Educação Ambiental
- Gestão de Resíduos Sólidos
- Abastecimento de Água
- Drenagem e Gestão de Efluentes
- Cuidados Ambientais nas Atividades Subsidiárias
- Responsabilidades Ambientais
O preparo da Força Terrestre é alicerçado pelo Sistema de Instrução
Militar do Exército Brasileiro. O mesmo orienta todas as atividades de
treinamento e ensino desenvolvidas pelo EB, apresentando no seu corpo
determinações que prevêem a necessidade de que sejam tomadas de
precauções adicionais para o não descumprimento das normas e leis sobre
proteção ambiental. Além de orientar quanto a alguns cuidados específicos no
caso de instruções militares realizadas em Unidade de Conservação.
A preocupação com as questões ambientais não é uma exclusividade do
Exército Brasileiro. Observa-se, também, que Forças Armadas estrangeiras
instituíram instrumentos que norteiam as atividades militares de forma
sustentável e coerente com as determinações da legislação ambiental de seus
países. Exemplos práticos podem ser observados no programa no Plano
Estratégico de Defesa Ambiental das Forças Armadas Australianas, no grupo
165

multinacional de peritos em treinamento responsáveis pela qualificação dos
quadros dos países integrantes da Organização do Atlântico Norte e a adoção
por todas OM das Forças Armadas Norte Americanas do sistema de gestão
baseado na norma ISO 14.000 (GUIMARÃES, 2008).

6.2 Estudo das áreas de mata tuteladas ao Exército Brasileiro localizadas
na Região Metropolitana do Recife
Apesar de não haver uma sistematização na doutrina brasileira sobre os
princípios ambientais, procurou-se neste trabalho, identificar nas normas
elaboradas pelos três níveis do poder, aquelas que tratam objetivamente ou
transversalmente das áreas objetos deste estudo. Para tanto, procurou-se
identificá-las por Organização Militar, bem como identificar-se a percepção e
compreensão dos gestores acerca das normas vigentes.

a) Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti
A Lei Estadual Nº. 9.860 delimita as áreas de proteção dos mananciais
de interesse da Região Metropolitana do Recife e estabelece condições para a
preservação dos recursos hídricos (PERNAMBUCO, 1986b). O CIMNC possui
dois rios e algumas matas enquadrados por esta lei. Os Riachos Catucá e Pilão
(localizados no seu interior) e seus respectivos tributários situam-se na
categoria M1
29
. Além destes mananciais, observa-se também que as Matas de
Miritiba com 472,2 ha, de Cumbe de Cima com 190,36 ha, de Engenho Canoas
com 467,62 ha e a de Aldeia com 1.429,36 ha de área, todas localizadas no
interior do campo, são consideradas área de preservação de manancial e
definidas como área de Reserva de Floresta. Segundo a Lei Estadual Nº.
9.989, a mata de Miritiba também é enquadrada como Reserva Ecológica
(PERNAMBUCO, 1987).
Por sua vez, o Decreto Nº. 24.017 que aprovou o Zoneamento Ecológico
Econômico Costeiro - ZEEC do Litoral Norte do Estado de Pernambuco e
estabeleceu as condicionantes ambientais para cada zona, enquadra o CIMNC
como uma Subzona de Proteção do Manancial de Botafogo. O mesmo decreto

29
A categoria M1 engloba os mananciais e as respectivas faixas de 100m (cem metros) de largura,
medida em projeção horizontal, a partir dos limites do álveo das margens dos corpos d'água; nos quais, é
proibido o desmatamento, remoção da cobertura vegetal existente e a movimentação de terras,
denominadas áreas de preservação de mananciais de interesse da RMR
166

apresenta algumas orientações quanto à proibição da degradação de
remanescentes de Mata Atlântica em qualquer estágio de regeneração e
proibição à utilização de produtos químicos que ofereçam riscos de
contaminação das águas superficiais (PERNAMBUCO, 2002).
Segundo o Decreto n.º 11.760, o Riacho Catucá e todos os seus
afluentes, desde sua nascente até 100m à montante do CIMNC seriam
enquadrados conforme uso preponderante na Classe 1
30
(PERNAMBUCO,
1986a). Entretanto, em 2005 CONAMA Nº 357 reorganizou a classificação dos
corpos d’água, enquadrando o Riacho Catucá na Classe 2
31
(CONSELHO
NACIONAL DE MEIO AMBIENTE, 2005).
Mais recentemente, o Decreto Estadual Nº 34.692 declarou como Área
de Proteção Ambiental uma região que engloba alguns municípios da Zona da
Mata Norte na qual se encontra inserido todo o CIMNC (PERNAMBUCO,
2010), denominada APA Aldeia-Beberibe. O mesmo Decreto instituiu como
Zona de Conservação da Vida Silvestre – ZCVS
32
a Reserva Ecológica Mata
de Miritiba.
Quanto a estes aspectos, é interessante observar o total
desconhecimento dos gestores destas áreas quanto ao enquadramento legal
das mesmas.

b) 4º Batalhão de Comunicações
A Lei Municipal 16.176, que define o Zoneamento da cidade de Recife,
cita a Mata do Barro (mata localizada no interior da OM) como sendo uma
Unidade de Conservação Municipal e integrante da ZEPA 2 (Zona Especial de
Proteção Ambiental)
33
(RECIFE, 1996). Em novembro de 2008, foi aprovada a

30
Os corpos de água da Classe 1 são aqueles destinados ao abastecimento doméstico sem tratamento
prévio ou simples desinfecção, conforme está definido no Decreto Estadual Nº. 7.269, de 05 de junho de
1981.
31
Segundo a Resolução CONAMA 357 os corpos d’água Classe 2 podem ser destinadas:
a) ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
b) à proteção das comunidades aquáticas;
c) à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho;
d) à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e lazer, com os
quais o público possa vir a ter contato direto; e
e) à aqüicultura e à atividade de pesca.
32
ZCVS são áreas nas quais poderá ser admitido um uso moderado e auto-sustentado da biota, regulado
de modo a assegurar a manutenção dos ecossistemas naturais.
33
Zona Especial de Proteção Ambiental 2 - ZEPA 2 é constituída por áreas públicas ou privadas com
características excepcionais de matas, mangues, açudes e cursos d’água.
167

revisão do Plano Diretor da cidade de Recife, por meio da lei Nº 17.511, a qual
define no seu Art. 119 a Mata do Barro como integrante da Zona de Ambiente
Natural de Tejipió (ZAN – Tejipió)
34
(RECIFE, 2008)..
O trecho do Rio Tejipió que corta o 4º BCom, inclusive seu afluente que
nasce na mata do Barro, está enquadrado conforme uso na Classe 2
35
.
Quanto a estes aspectos, mais uma vez observa-se o total
desconhecimento dos gestores destas áreas quanto ao enquadramento legal
das mesmas.

c) 14º Batalhão de Infantaria Motorizado
Localizadas no interior do 14º BIMtz, a mata de Mussaíba e os Riachos
Mussaíba e Jangadinha também são alvos de enquadramentos da legislação
ambiental.
Segundo o Decreto Nº. 11.760 (PERNAMBUCO, 1986) toda sub-bacia
do açude Jangadinha, desde a nascente do riacho que o alimenta, até a
tomada d’água da COMPESA, foi enquadrado conforme uso preponderante na
Classe 1. Posteriormente, com a publicação da Resolução CONAMA Nº. 357
este corpo d’água foi reenquadrado na Classe 2.
Os Rios Jangadinha e Mussaíba e suas respectivas bacias são definidas
em lei como áreas de proteção de mananciais de interesse da RMR e, segundo
a mesma lei, as matas de mesmo nome também são denominadas áreas de
Reservas Florestais (PERNAMBUCO, 1986).
As matas de Mussaíba e de Jangadinha também são enquadradas,
segundo a Lei Estadual N.º. 9.989 (PERNAMBUCO, 1987), como Reserva
Ecológica. Já o Plano Diretor do Município do Jaboatão dos Guararapes define
estas duas matas como integrante da Zona de Preservação Permanente de
Matas. Este mesmo plano define parte do aquartelamento do 14º BIMtz como
sendo Mata do Socorro e a define como uma área integrante da Zona de
Conservação de Matas (JABOATÃO DOS GUARARAPES, 2008).

34
Considera-se Ambiente Predominantemente Natural, o conjunto de unidades de paisagem, constituído
pelos elementos naturais remanescentes ou introduzidos, entendidos como ecossistemas naturais e suas
manifestações fisionômicas, com particular destaque às águas superficiais, à fauna e à flora.
35
Os corpos de água da Classe 2 são aqueles destinados ao abastecimento doméstico após tratamento
convencional, à preservação de peixes em geral e de outros elementos da fauna e da flora, assim como a
dessendentação de rebanhos, conforme está definido no Decreto Estadual Nº. 7.269, de 05 de junho de
1981.
168

Em 2011, a Lei Estadual Nº 14.324 instituiu a Unidade de Conservação
Reserva da Vida Silvestre de Mussaíba. Esta UC possui um representante do
Batalhão no seu Conselho Gestor.

d) 7º Grupo de Artilharia de Campanha
Por se tratar de um fragmento de Mata Atlântica, a mata do 7º GAC,
como os demais objetos de estudo, é protegida pela Lei Federal 11.428
(BRASIL, 2006), sendo vedado o corte, a supressão e exploração da
vegetação primária ou secundária neste bioma.

c) Complexo Militar do Curado
Em 1987, o Governo do Estado de Pernambuco definiu alguns
remanescentes florestais da Região Metropolitana do Recife como Reservas
Ecológicas, através da Lei Estadual n.º 9.989 (PERNAMBUCO, 1987), sendo a
Mata do Curado uma delas. Esta mata também está inserida na Zona Especial
de Proteção Ambiental ZEPA, (nº 11 Jardim Botânico ou nº 18 Mata da
Várzea/Curado) (RECIFE, 1996).
Em 2011, a Lei Estadual Nº 14.324 instituiu a Unidade de Conservação
Reserva da Vida Silvestre do Curado. Esta UC também possui um
representante do Complexo Militar no seu Conselho Gestor.
De forma semelhante com as demais áreas, tanto o gestor ambiental do
7º GAC como o gestor do Complexo militar do Curado, também desconhecem
as normas que tratam dos assuntos ambientais das áreas sob suas
responsabilidades.

6.3 Incompatibilidade das atividades militares com a legislação atual
Mitleton (2004) comenta que os mecanismos de tutela ambiental não
inviabilizam a atividade militar, deixando, porém, obstáculos crescentes no
tempo para a sua realização. Pois, como qualquer outra atividade que possa
causar ou possibilitar a efetiva degradação do meio ambiente, as atividades
militares necessitam ser submetidas a um Licenciamento Ambiental e à
conseqüente necessidade de realização de Estudos de Impacto Ambiental.
Entretanto, isso é algo que não ocorre.
169

Observa-se, porém, que em atenção ao disposto na legislação
ambiental, o Ministério da Defesa deu início a estudos para criar uma
legislação própria que, entre outras providências, normatizasse a forma de
licenciamento ambiental exigível para as três Forças Armadas. Ou seja, se
aprovada pelo Congresso Nacional, estaria transformada em lei, possibilitando,
sem dúvida, avanço no sentido de amparar legalmente a relação da Força
Terrestre nos seus empreendimentos e atividades com o meio ambiente.
Contudo, Mitleton (2004) comenta que cabe realçar que a exigibilidade do
Estudo de Impacto Ambiental para os empreendimentos e atividades da Força
Terrestre traz desdobramentos como exigência de prazos para aprovação e se
sujeita a possíveis impugnações administrativas ou judiciais, causando
insegurança quanto à sua realização, com flagrante prejuízo para a tarefa
constitucional de Defesa do Estado, atribuída concorrentemente ao Exército e
às demais Forças Armadas.

6.4 Conclusões Parciais
Os militares, em suas atividades específicas, podem gerar vantagens
para a conservação e restauração ambientais. Algumas terras sob jurisdição
militar são mais bem cuidadas pela contenção do cinturão de isolamento como
área militar do que pela devolução ao poder público quando não sensibilizado
com as questões ambientais em seus procedimentos diários.
O Poder Público tem interesse em transformar áreas verdes tuteladas ao
Exército em UC, pois se identifica de forma cada vez mais crescente o amento
da quantidade de UC em áreas militares.
Neste sentido, sugere-se a criação de uma nova categoria de UC para
abarcar as matas tuteladas não só ao Exército, mas para todas as três forças.
Esta nova categoria deveria apresentar de forma clara e objetiva as seguintes
características:
- A compatibilização das atividades militares com a finalidade da nova categoria
de UC, de tal forma que não comprometa o preparo das forças armadas para
cumprirem com suas missões constitucionais.
- A gestão das UCs fique a cargo dos gestores militares (Diretores dos Campos
de Instrução) afim de não inviabilizar o desenvolvimento das atividades
militares.
170

- Existam instrumentos legais que resguardem os interesses nacionais, dando
condições para que as Forças Armadas se prepararem e fiquem aptas a
garantirem os poderes constitucionais.



171

CAPÍTULO 7

PROJEÇÃO DE CENÁRIOS

Objetivando projetar, para os próximos 20 anos, a situação ambiental
dessas áreas, identificou-se, num primeiro momento, os usos atuais, usos
pretendidos e os conflitos que perpassam por estas áreas. Posteriormente, no
processo de elaboração dos cenários futuros para os diversos objetos de
estudo, foram definidas duas modalidades de projeções, uma inercial e outra
induzida.
Na ótica da perspectiva inercial, supôs-se a manutenção dos preceitos
legais e das transformações locais que possam advir de propostas concretas
de modificações de uso das áreas de estudo e de suas respectivas áreas de
influência, em que a concepção de futuro deriva da tendência histórica, tais
como: expansão de rodovias que cortam as Unidades Militares, transferência
destas Unidades para outras regiões (manobras patrimoniais), tendência de
expansão das atividades econômicas e sociais das áreas vizinhas, etc.
No caso do cenário induzido, concebeu-se o resultado de interações
entre as tendências históricas e hipotéticas. Desta forma, vislumbrou-se
transformações advindas da pavimentação da rodovia PE 27, expansão do
pólo industrial da RMR, exploração de madeira, areia e de água no interior do
CIMNC e questionamento dos órgãos gestores da APA Aldeia-Beberibe,
Curado e Manassu quanto a execução de atividades no interior das OM.

7.1 Usos atuais, pretendidos e conflitos

a) Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti

Usos Atuais
O CIMNC é um Campo de Instrução destinado ao treinamento de tropas
do Exército Brasileiro. Quando solicitado, o CIMNC também é utilizado para
treinamentos de militares da Marinha do Brasil, Força Aérea Brasileira e
demais forças auxiliares.

172



Usos Pretendidos
Não existem projetos ou determinações oficiais do Exército que
impliquem na modificação dos usos atuais do CIMNC. Contudo, foi observado
que no ambiente externo ao campo, alguns agentes da administração pública
apresentaram proposições que interfeririam diretamente neste objeto de
estudo.
Em entrevista ao então Presidente do CONDEPE/FIDEM, o senhor Luiz
Quental Coutinho, em agosto de 2009, o mesmo fez referência à necessidade
de se construir um novo presídio no Estado de Pernambuco e da hipótese de
que o mesmo seja construído em uma área no interior do campo.
O Deputado Estadual Luciano Moura fez um apelo, por meio da
Indicação nº 3848/2009, ao Secretário de Transportes de Pernambuco, para
que a rodovia estadual PE – 27, localizada no interior do CIMNC, fosse
pavimentada (PERNAMBUCO, 2009)

Conflitos Identificados
O CIMNC é cortado pela Rodovia Estadual PE-27 a qual faz a ligação do
distrito de Chã de Cruz ao município de Araçoiaba. É uma rodovia que, no
trecho localizado no interior do CIMNC, é de cobertura de terra de mão simples
com extensão de aproximadamente 6 km. Além das viaturas militares, transita
nesta rodovia uma baixa quantidade de veículos, resumindo-se aos ônibus que
fazem a linha Araçoiaba – Camaragibe e a não mais que 20 veículos de
passeio por dia. A cidade de Araçoiaba é servida apenas por esta linha de
ônibus e por um precário sistema de transporte alternativo, composto por
motos-táxi e vans de lotação.
Em 2001 a administração do CIMNC decidiu restringir a circulação de
civis no seu interior, alegando a necessidade de se intensificar os treinamentos
militares e não por em risco a integridade de civis que ali circulavam.
Posteriormente, esta decisão foi revogada e a circulação restabelecida
(JORNAL DO COMMÉRCIO, 2001).
Em 2004, a administração do CMNIC resolveu mais uma vez restringir a
circulação de civis no seu interior. Desta vez, a Prefeitura de Araçoiaba ajuizou
173

uma Ação Civil Pública contra a União, sustentando que haveria prejuízo para
a população desta localidade. Em Junho de 2004 o relator do processo
resolveu, baseado no § 2º, do art. 79, do Decreto-Lei nº 9.760/46,
improcedente a ação, considerando que caberia ao seu Diretor não permitir,
sob pena de responsabilidade, sua invasão, cessão, locação ou utilização para
fins diferentes do que lhe tenha sido prescrito.
Apesar desta determinação judicial contrária ao trânsito de veículos e
pessoas civis no seu interior, o CIMNC tem permitido o trânsito de civis na
citada estrada, contudo, a administração do campo tem desenvolvido medidas
de controle e fiscalização dos que ali passam.
Em 1970, o CIMNC realizou uma manobra patrimonial com o município
de Araçoiaba. Na ocasião, 47 ha do campo foram trocados por outra área de
mesma dimensão (Engenho Independência) para que fosse regularizado o
direito de posse da terra de antigos moradores dos engenhos desapropriados
no período da concepção do campo (CIMNC, 1974).
Em 1990 a prefeitura de Paudalho encaminhou ao Exército Brasileiro
uma proposta de cessão de 100 ha do campo. Esta área seria utilizada na
construção de moradias num programa de casas populares de nome
PIRASSIRICA. Esta cessão não se concretizou, porém, observou-se que a
área pretendida está localizada próxima a uma área urbanizada, com forte
pressão imobiliária (CIMNC, 1991).

b) 4º Batalhão de Comunicações

Usos Atuais
A mata do 4º Batalhão de Comunicações é utilizada para a realização de
exercícios militares, como marchas, acampamentos e exercícios de tiro, pois
existe um estande de tiro no seu interior.

Usos Pretendidos
Não há projetos ou atividades previstas que possam modificar os usos
atuais do 4º BCom.


174

Conflitos Identificados
Na região periférica da mata existem algumas casas e construções
irregulares, algumas destas edificações datam do período em que a área em
questão pertencia ao Ministério da Agricultura. Existem, hoje, onze processos
de reintegração de posse, dos quais nove se referem a ações judiciais contra
ex-funcionários do Ministério da Agricultura e seus descendentes que possuem
imóveis construídos de forma irregular na orla da mata.
Em entrevista ao Tenente Coronel Alex, Comandante do 4º BCom, em
março de 2010, o mesmo relatou que comunidades vizinhas ao Batalhão têm
depositado lixo no interior da mata sob sua responsabilidade, entretanto, a OM
tem realizado um trabalho em parceria com o Instituto Federal de Pernambuco
com o objetivo de conscientizar ambientalmente estas comunidades. Este
trabalho de educação ambiental está sendo desenvolvido associado a
atividades de fiscalização e controle das tentativas de expansão urbana na
direção da mata.

c) 14º Batalhão de Infantaria Motorizado

Usos Atuais
A mata do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado é utilizada para a
realização de exercícios militares, como marchas e acampamentos.

Usos Pretendidos
Não há projetos ou atividades previstas que possam modificar os usos
atuais do 14º BIMtz.

Conflitos Identificados
Em julho de 2009, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes publicou na
sua página oficial que a Secretaria de Meio Ambiente do Município juntamente
com a Polícia Militar realizou uma operação para desmontar construções
clandestinas localizadas no interior da Reserva Ecológica de Mussaíba.
O Campo de Instrução do 14º BIMtz fica localizado a aproximadamente
2 (dois) km da sede do Batalhão. Esta distância e a inexistência de cercas ou
muros no seu entorno dificultam as atividades de fiscalização. O comando do
175

Batalhão afirmou que as comunidades circunvizinhas ao mesmo exercem certa
pressão, pois, é comum encontrar depósitos de lixo clandestinos e tentativas
de construção de edificações no interior do Campo.

d) 7º Grupo de Artilharia de Campanha

Usos Atuais

A mata do 7º GAC é pouco utilizada pela OM. A única atividade
realizada no seu interior, e mesmo assim com baixa freqüência, é para a
realização de trilhas ecológicas com caráter educativo e destinado à
comunidade local.


Usos Pretendidos
Não há projetos ou atividades previstas que possam modificar os usos
atuais do 7º GAC.

Conflitos Identificados
Não há registro de conflitos identificado

e) Complexo Militar do Curado

Usos Atuais
A mata do Complexo Militar do Curado é pouco utilizada pelas
Organizações Militares ali sediadas. São desenvolvida cerca de quatro
manobras militares no seu interior por ano, as quais são desenvolvidas por
pequenos efetivos.

Usos Pretendidos
Não há projetos ou atividades previstas que possam modificar os usos
atuais do Complexo Militar do Curado.


176

Conflitos Identificados
Não há registro de conflitos identificado.

7.2 Cenários

7.2.1 Cenário Inercial

Cenário Inercial
01
Aspectos climáticos
Situação
Manutenção das taxas de crescimento anual da
população dos municípios de Araçoiaba (1,85%aa),
Jaboatão dos Guararapes (1,04%aa), Recife (0,77%aa)
(BASE DE DADOS DO ESTADO, 2010) e
conseqüentemente das áreas urbanas vizinhas aos
fragmentos de Mata Atlântica estudados.







Aspectos climáticos
+ 20 anos atrás Presente (2011) 20 anos futuros

- A temperatura média na
área interna do CIMNC
era bem próxima da
temperatura externa,
apresentando uma
variação de apenas 1º C.
- A temperatura
média na área de
estudo chega e ser
4ºC mais baixa que
na área externa.
- A umidade relativa
na área urbana
adjacente ao objeto
de estudo apresenta
valores menores.
- Devido ao crescente aumento da
urbanização nas cidades circunvizinhas ao
objeto de estudo, sugere-se que haverá
um aumento da variação da temperatura
intra/extra-objeto de estudo.
- Um provável aumento da densidade
arbórea do objeto de estudo acarretará o
aumento da umidade relativa do ar.
- As demais OM (4º
BCom, 14º BIMtz, 7º
GAC e Complexo Militar
do Curado) também
apresentavam
temperaturas internas
semelhantes às
observadas nas
respectivas áreas
vizinhas. Com variações
médias de até 2ºC
- Estas áreas
também
apresentaram um
aumento na variação
média da
temperatura ao
comparar com as
observadas nas
áreas externas. No
caso do 4º BCom a
variação chega a até
6ºC.
- Os adensamentos urbanos na RMR
aumentaram significativamente nos últimos
anos. Esta é uma situação que tende a
aumentar nos próximos anos. Logo, cresce
de importância o papel de amenização do
clima que estas áreas vegetadas têm
proporcionado.
177

Cenário Inercial
02
Aspectos hidrológicos
Situação
Manutenção e melhoria da qualidade ambiental dos
fragmentos de Mata Atlântica estudados.











Aspectos hidrológicos
+ 20 anos atrás Presente (2011) 20 anos futuros

- As máximas de vazão Riacho
Catucá eram mais intensas no
passado (GUIMARÃES, 2008).
- A barragem Campo Grande,
localizada no interior do CIMNC,
já existia na área objeto de
estudo antes da implantação
desta Organização Militar.
- O Riacho Catucá
apresenta um regime
de vazão mais
regularizado em
relação ao observado
no passado
(GUIMARÃES, 2008).
- A barragem Campo
Grande encontra-se
em bom estado de
conservação.
- Boa qualidade da
água nos mananciais
no interior do objeto de
estudo.
- A tendência inercial é a de que
haja uma melhora na qualidade da
disponibilidade dos recursos
hídricos no CIMNC, pois, observa-
se uma melhora da qualidade
ambiental das matas ciliares e da
vegetação existente na área da
microbacia do Riacho Catucá.
- Quanto à vazão, sugere-se uma
redução nos seus níveis máximos.
Isto ocorreria devido ao amento
da densidade da cobertura
florestal na microbacia do Riacho
Catucá, possibilitando o
incremento dos processos de
interceptação e
evapotranspiração.
- Toda RMR tem um grande
histórico de enchentes e
alagamentos.
- Os problemas das
enchentes foram
amenizados após a
construção de
algumas represas de
regularização de
vazão nas bacias dos
rios que banham o
Recife. Porém os
problemas com
alagamentos ainda
persistem nos
períodos de maiores
índices pluviométricos
- O crescimento descontrolado da
urbanização nas grandes cidades
tem provocado uma maior
impermeabilização do solo.
Entretanto, a manutenção e
aumento das áreas verdes podem
proporcionar uma melhor
condição para o processo de
infiltração da água no solo. Logo,
como as áreas do Exército
representam cerca de 30% do que
resta dos fragmentos de Mata
Atlântica na RMR, cresce de
importância a sua preservação.
178


Cenário Inercial
03
Aspectos manutenção/regeneração da biodiversidade
Situação
Inexistência de normas específicas que disciplinem as
atividades militares no interior de uma Unidade de
Conservação













Aspectos da manutenção/regeneração da biodiversidade
+ 20 anos atrás Presente (2011) 20 anos futuros

- Em relatos dos funcionários do
CIMNC, os mesmo foram
unânimes em afirmar que
certamente houve um aumento
na diversidade de animais
existentes na área do campo
desde o início da sua
implantação, há mais de 60
anos. Afirmam, entretanto, que
nos últimos 20 tem-se notado
uma redução na quantidade,
ainda segundo os funcionários,
provavelmente devido à ação
de caçadores clandestinos que
atuam nos arredores do campo
(GUIMARÃES, 2008).
- No início da década de 60,
10% da área do CIMNC era
coberta por pequenos
fragmentos de Mata Atlântica
(GUIMARÃES, 2008).
- O CIMNC tem
desenvolvido
atividades de
fiscalização e controle
para evitar a ação de
caçadores e da
exploração ilegal de
madeira e areia na sua
área.
- É praticamente
imperceptível a
diferença de
paisagens entre as
áreas que outrora
possuíam e que não
possuíam cobertura
arbórea, pois
praticamente todo o
campo apresenta-se
coberto por uma
vegetação arbórea em
estágio avançado de
regeneração.

- As ações de repressão à caça e
exploração de madeira e areia têm
surtido efeito e espera-se uma
melhora da qualidade ambiental da
área.
- A provável melhora da condição
ambiental possibilitará o
amadurecimento da mata do
CIMNC e proporcionará melhores
condições ao desenvolvimento da
fauna.
- A inexistência de uma lei
ambiental que regule as atividades
militares põe em risco a
capacidade das tropas se
adestrarem.
179


7.2.2 Cenário Induzido
Cenário Induzido
Transformações sugeridas Impactos no futuro
Pavimentação da rodovia PE 27
(Estrada que corta o CIMNC).
- A pavimentação da PE 27 é uma reivindicação antiga
dos moradores do município de Araçoiaba. Esta
transformação traria mais comodidade à comunidade
residente neste município, pois este é o caminho mais
curto para se chegar à cidade de Recife. Contudo, ao se
proporcionar melhores condições de mobilidade,
acarretaria um aumento no interesse econômico por
esta região. Logo, sugere-se que o tráfego de veículos
passaria de insignificantes 20 unidades por dia pra
algumas centenas.
- A rodovia em questão tem mais de 16 Km do seu
traçado no interior do CIMNC, inclusive dissociando sua
área. Os efeitos advindos desta transformação
acarretariam um aumento das ações antrópicas,
impactando diretamente a biodiversidade local, indo de
encontro ao conceito da criação de corredores
ecológicos e da necessidade de se criar zonas de
amortecimento no entorno de Unidades de
Conservação.

Implantação e expansão de Pólos
Industriais / Expansão da área urbana
adjacente ao CIMNC / Exploração
mineral (água e areia) no interior do
CIMNC.
- Os efeitos destas transformações se assemelham aos
da pavimentação da rodovia PE 27. Somando-se a
estes, os impactos próprios da atividade industrial e
exploração mineral, tais como: poluição dos mananciais,
alteração da paisagem, poluição atmosférica e poluição
sonora.








Questionamentos da prática das
atividades militares no interior de uma
Unidade de Conservação.
- Constata-se a existência de um bom nível de
relacionamento entre o comando das OM objetos este
estudo e os órgãos ambientais estaduais e federais.
Contudo, cabe-se, neste cenário, sugerir a ocorrência
de questionamentos quanto à realização de exercícios
militares em uma Unidade de Conservação. Estes
questionamentos podem, de alguma forma,
comprometer o preparo da Força Terrestre, pois não
existem estudos que analisem os impactos ambientais
gerados durante as atividades militares.
- Identificou-se, também, que a Mata de Miritiba foi
instituída como uma Zona de Conservação da Vida
Silvestre. Esta situação implica, inclusive, em um maior
rigor nos aspectos conservacionistas. Logo, sugere-se
que em ambos os casos, os questionamentos poderiam
gerar empecilhos legais às atividades militares no
CIMNC.



Surgimento de novas fontes de
recursos destinadas à preservação das
áreas de estudo vinculadas ao
mecanismo de Redução de Emissão de
Desmatamento e Degradação (REDD)
Programas como o REDD apresentam-se como
oportunidades de geração de recursos para as OM que
possuem matas sob sua tutela. Estes mecanismos
promovem a melhoria da condição ambiental, pois
possibilitam a alocação de recursos para isso. As áreas
militares em estudo apresentam carência em vários
aspectos da infraestrutura de cercas, placas e outros
elementos que possibilitem uma melhor proteção das
áreas. Logo, um aporte de recursos com objetivos
ambientais, poderia proporcionar melhores condições
para as áreas.
180



7.3 Conclusões Parciais
Com a criação da APA Aldeia-Beberibe, cresce de importância o papel
do CIMNC como um dos principais componentes desta Unidade de
Conservação de Uso Sustentável. Consequentemente, as entidades
governamentais e privadas devem, por força de lei, sujeitar suas discussões e
deliberações aos gestores desta UC, a qual possui um representante do
CIMNC como membro. Isso implica em definir com mais clareza os horizontes
de debates sobre o futuro desta área, com a participação efetiva dos gestores
do Campo de Instrução.
Partindo da perspectiva dos cenários inerciais, sugere-se que haverá
uma melhora dos serviços ambientais gerados pelas cinco áreas de estudo. De
tal forma, que haja uma melhora da condição microclimática local, uma maior
contribuição nos processos de regularização de vazão dos mananciais
localizados no interior das áreas estudadas e um favorecimento à preservação
e desenvolvimento da biodiversidade a nível local.
Recentemente, iniciou-se o processo de pavimentação da PE-27. As
obras de pavimentação preveem, inicialmente, a realização de serviços no
trecho localizado na parte lateral do CIMNC. Em entrevista com o atual Diretor
do campo, o mesmo informou que os técnicos do Governo do Estado de
Pernambuco ainda não têm previsão se o trecho que corta o campo será
pavimentado, informando, ainda, que em termos de segurança para o campo,
uma obra desta magnitude poderia aumentar o fluxo de veículos que
atravessariam o CIMNC e, consequentemente, poderia trazer desdobramentos
negativos.
Quanto à hipótese de implantação do presídio na área do CIMNC, esta é
uma alternativa totalmente descartada, uma vez que o mesmo foi construído na
cidade Itaquitinga – PE. Entretanto, faz-se necessário permanecer atento às
discussões que envolvam alterações de usos desta OM.

181

CAPÍTULO 8

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ironicamente, as áreas de floresta tuteladas ao Exército Brasileiro
representam uma das poucas experiências involuntárias de preservação da
Mata Atlântica, pois como comenta LIMA (1998), no início da colonização do
Brasil a destruição das matas ocorria no curso das frequentes lutas dos
colonizadores contra indígenas, entre tribos rivais, recomendando, na maioria
das vezes, a remoção das matas como estratégia militar.
Hoje, a modernidade dos sistemas bélicos, aliado a procedimentos que
minimizam os impactos ambientais das atividades militares, proporcionaram a
conservação e regeneração de fragmentos dos diversos biomas nacionais. Os
Campos de Instrução se consolidam como um forte aliado dos processos de
conservação da fauna e flora local.
Por isso, faz-se necessário um repensar da legislação ambiental que
abarca as Unidades de Conservação no Brasil. Pois, observa-se a
possibilidade estratégica de um aumento substancial das áreas legalmente
protegidas. A criação de uma nova categoria de Unidade de Conservação,
específica para as áreas tuteladas apenas ao Exército Brasileiro,
proporcionaria um incremento de aproximadamente 3,8% das áreas de UC
federais. Caso as áreas da Marinha e da Força Aérea também fossem
contempladas com esta nova categoria de UC, este acréscimo poderia ser de
mais de 10%. Além disso, a criação de uma nova categoria de Unidade de
Conservação, específica para as peculiaridades de um campo de instrução,
podem reduzir as inseguranças legais e contribuir de forma significativa com a
conservação dos diversos fragmentos tutelados às Forças Armadas e sem
custos adicionais para o Estado.
Da análise dos resultados, chega-se à confirmação das hipóteses
formuladas, ou seja: as atividades desenvolvidas pelos militares, aliadas às
restrições impostas pela administração militar contribuem para a regeneração
dos ecossistemas locais, as áreas militares objetos deste estudo geram
diversos serviços ambientais de interesse da sociedade metropolitana e a
inexistência de normas específicas que categorizem as especificidades das

182

áreas militares induzem a direcionamentos de usos incompatíveis com as
atividades militares.
A possibilidade de se compreender e analisar os serviços ambientais
desempenhados por fragmentos de Mata Atlântica faz com que cresça de
importância a necessidade de se preservar este bioma já bastante degradado.
Sugere-se, ainda, que a realização de estudos que valorem os serviços
ambientais gerados por este bioma induza a um aumento do interesse por sua
preservação e consequente apoio financeiro aos projetos de melhoria das
condições de segurança e proteção dos remanescentes da Mata Atlântica.
Sugere-se, ainda, uma maior participação das Forças Armadas nos
Conselhos municipais, estaduais e nacionais de meio ambiente, uma vez que
as organizações militares são uma das maiores detentoras de fragmentos dos
diversos biomas brasileiros.
A evolução da condição ambiental dos fragmentos de Mata Atlântica
tutelados ao Exército na RMR é uma constatação do papel involuntário que as
áreas militares vêm desempenhando ao longo dos últimos 60 anos. O CIMNC,
representante maior desta constatação, sem programas específicos para a
melhoria da condição ambiental, modificou totalmente sua paisagem. Partindo
de alguns fragmentos de mata e uma grande quantidade de áreas de pasto e
cana-de-açúcar para uma mancha verde que representa a o maior fragmento
de Mata Atlântica ao norte do Rio São Francisco.
Os cenários inerciais ou induzidos para as áreas estudadas indicam a
uma continuidade dos processos de melhoria da condição ambiental dos
objetos de estudo. Entretanto, faz-se uma ressalva, ainda, à necessidade de
um maior esclarecimento às autoridades civis e militares do significado
ambiental destas áreas.


183

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


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Apêndice “A”

SERVIÇOS AMBIENTAIS DESEMPENHADOS POR ÁREAS DO
EXÉRCITO BRASILEIRO NO BIOMA MATA ATLÂNTICA


Universidade Federal de Pernambuco
Centro de Tecnologia e Geociências
Departamento de Engenharia Civil
Programa de Pós-graduação em Tecnologia Ambiental


*A aplicação desta pesquisa está autorizada pelo Comando Militar do Nordeste, conforme o Ofício
Nº. 017-SPC.1/CMNE de 03 de fevereiro de 2010.


“Roteiro para Entrevista” – Serviços Ambientais.




Nome:__________________________________________________________
Idade:____________
Sexo: M ( ) F ( )
Cargo:___________________________________________________________
Tempo que trabalha na OM:__________________________________________
Mora nas proximidades da OM:_____________________________________





1. Fauna
Objetivos gerais da entrevista sobre a fauna:

- Conhecer a diversidade da fauna: no passado e o seu estado atual.

1.1 O Sr já presenciou ou tem notícias de animais selvagens transitando pela área
da OM?
 Sim  Não





IDENTIFICAÇÃO

ENTREVISTA


1.2 Caso tenha respondido Sim no item 1.1, descreva aqueles observados?


Animal
presenciado
Quando presenciou
o animal?
Soube por
terceiros
(assinalar
com um
“X”)
Quantas
vezes
presenciou
o animal
Observações Nos
últimos
5 anos
De 5
a 15
anos
atrás
A
mais
de 15
anos






































1.3 O Sr tem conhecimento da prática de caça indiscriminada na OM?

 Sim  Não





1.4 Com relação ao aumento ou diminuição da quantidade/variedade de animais
na OM nos últimos 20 anos, responda.

a.Houve uma diminuição da variedade de animais
b.Houve um aumento da variedade de animais
c.Houve uma diminuição da quantidade de animais
d.Houve um aumento da quantidade de animais

1.4.1 Caso tenha assinalado a alternativa “a” do item 1.4, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a diminuição da variedade de animais.







1.4.2 Caso tenha assinalado a alternativa “b” do item 1.4, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento da variedade de animais.








1.4.3 Caso tenha assinalado a alternativa “c” do item 1.4, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a diminuição da quantidade de animais.







1.4.4 Caso tenha assinalado a alternativa “d” do item 1.4, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento da quantidade de animais.









2. Flora
Objetivos gerais da entrevista sobre a flora:

- Conhecer a diversidade da flora: no passado e o seu estado atual.

2.1 Com relação às áreas de mata no interior da OM, responda.
a. Teve um aumento substancial das áreas de mata nos últimos anos
b. Manteve-se estacionária
c. As áreas de mata diminuíram nos últimos anos
d. Não sei responder


2.1.1 Caso tenha assinalado a alternativa “a” no item 2.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento das áreas de mata no interior da
OM.







2.1.2 Caso tenha assinalado a alternativa “b” no item 2.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a não alteração do da quantidade de matas no
interior da OM.







2.1.3 Caso tenha assinalado a alternativa “c” no item 2.1, descreva as possíveis
causas da diminuição das áreas de mata na OM.













2.2 Quais as os tipos de árvores/plantas mais comuns encontradas na OM?







3. Fauna dos rios e açudes
Objetivos gerais da entrevista sobre a fauna dos rios e açudes:
- Descrever as impressões dos funcionários quanto à fauna dos rios e
açudes na OM.
- Identificar a evolução, caso exista, do estado atual da vitalidade da fauna
dos rios e açudes da OM.


3.1 Sr tem conhecimento da existência de peixes ou outros animais aquáticos
presentes nos rios ou açodes da OM?

 Sim  Não


3.2 Caso tenha respondido Sim no item 3.1, o Sr poderia descrever aqueles
observados.

Animal
presenciado
Quando presenciou
o animal?
Soube por
terceiros
(assinalar
com um “X”)
Quantas
vezes
presenciou
Observações Nos
últimos
5 anos
De 5
a 15
anos
atrás
A
mais
de
15
anos
















3.3 Com relação ao aumento ou diminuição da quantidade/variedade de peixes ou
outro animais que habitam os rios e açudes da OM nos últimos 20 anos, responda.
a.Houve uma diminuição da variedade de peixe ou outros animais
b.Houve um aumento da variedade de peixes ou outros animais
c.Houve uma diminuição da quantidade de peixes ou outros animais
d.Houve um aumento da quantidade de peixes ou outros animais

3.3.1 Caso tenha assinalado a alternativa “a” do item 3.3, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a diminuição da variedade de peixe ou outros
animais que habitam os rios e açudes da OM.









3.3.2 Caso tenha assinalado a alternativa “b” do item 3.3, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento da variedade de peixe ou outros
animais habitam os rios e açudes da OM.









3.3.3 Caso tenha assinalado a alternativa “c” do item 3.3, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a diminuição da quantidade de peixe ou outros
animais habitam os rios e açudes da OM.












3.3.4 Caso tenha assinalado a alternativa “d” do item 3.3, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento da quantidade de peixe ou outros
animais habitam os rios e açudes da OM.










4. Recursos hídricos
Objetivo geral da entrevista sobre os recursos hídricos naturais :

- Conhecer alguns aspectos sobre a preservação dos recursos hídricos
naturais na OM: no passado e o seu estado atual.


4.1 Com relação aos rios e açudes que cortam ou que estão localizados no interior
da OM, responda.
a.Houve uma diminuição do volume das águas dos recursos hídricos
b.Houve um aumento do volume das águas dos recursos hídricos
c.Houve uma piora da qualidade das águas dos recursos hídricos
d.Houve um melhora da qualidade das águas dos recursos hídricos

4.1.1 Caso tenha assinalado a alternativa “a” do item 4.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a diminuição do volume das águas dos
recursos hídricos naturais.







3.3.2 Caso tenha assinalado a alternativa “b” do item 4.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o aumento do volume das águas dos recursos
hídricos naturais.









3.3.3 Caso tenha assinalado a alternativa “c” do item 4.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado a piora da qualidade das águas dos recursos
hídricos naturais.







3.3.4 Caso tenha assinalado a alternativa “d” do item 4.1, descreva as possíveis
causas que poderiam ter motivado o melhora da qualidade das águas dos
recursos hídricos naturais.