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DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO

DANO MORAL INDENIZADO (*)

  DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. NOTÍCIAS INEXATAS E AGRAVANTES     SUMÁRIO: 1. Considerações iniciais. 2. A liberdade de expressão do  ponto  de  vista  constitucional.  3.  Proibição  da  censura.  4. Conteúdo  do  direito  de  informar.  5.  O  direito  à  liberdade  de manifestação do pensamento não é absoluto. 6. Responsabilidade dos  órgãos  de  comunicação  por  ofensa  à  honra.  7. Responsabilidade  por  informações  na  polícia  e  em  Juízo.  8. Programas televisivos que fazem a apologia do crime. 9. Notícias sobre  figuras  pública  (Funcionários  públicos,  políticos,  etc.). doutrina  sobre  a  proteção  jurídica  “débil”.  10.  A  tutela  preventiva para impedir a divulgação de noticias infamante.     1.      CONSIDERAÇÕES INICIAIS   Para Ignácio Burgoa (Las Garantias Individuales, pp. 677­678), o direito de informação tem a sua gênese em diferentes documentos, como a encíclica Pacem in Terris dada a lume pelo papa João XXIII. Ali, o papa declarou que “todo homem tem direito a uma informação objetiva”.  Esse  direito  reafirma  o  que  já  continha  em  decreto  sobre  os  meios  de comunicação  social  emanado  do  Concílio  Ecumênico  Vaticano  II,  em  que  se  afirmou  que “existe  no  seio  da  sociedade  humana  o  direito  à  informação  sobre  aquelas  coisas  que convêm  aos  homens,  segundo  as  circunstâncias  de  cada  um,  tanto  particularmente  como constituído em sociedade”. É uma dependência do direito natural.o correto uso do direito à informação exige que a informação seja sempre objetivamente verdadeira e, com exceção da  justiça  e  da  caridade,  íntegra;  enquanto  ao  modo,  há  de  ser,  ademais,  honesta  e conveniente;  vale  dizer,  que  respeite  as  leis  morais  do  homem,  seus  legítimos  direitos  e dignidade, tanto na obtenção da notícia como em sua divulgação, pois nem toda a ciência aproveita,  porém  a  caridade  é  construtiva.  Às  autoridades  corresponde  defender  e  tutelar uma verdadeira e justa liberdade que a sociedade moderna necessita inteiramente para seu direito,  sobretudo  no  que  diz  respeito  à  imprensa.  A  mesma  autoridade  pública  que

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legitimamente  se  ocupa  da  saúde  dos  cidadãos,  está  obrigada  a  procurar,  justa  e zelosamente, mediante a oportuna promulgação e diligente execução das leis, que não seja causado dano aos costumes e ao progresso da sociedade por um mau uso dos meios de comunicação.   2. A LIBERDADE DE EXPRESSÃO DO PONTO DE VISTA CONSTITUCIONAL   A  teor  do  art.  5º,  IX  da  CF,  “é  livre  a  expressão  da  atividade  intelectual,  artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Antes, porém, logo no inciso IV, do mesmo art. 5º, a Constituição Federal coloca como livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.   O  livre  pensar,  fenômeno  que  se  produz  no  íntimo  das  pessoas  e  não  pode  sofrer nenhum  tipo  de  violação,  é  uma  atividade  que  o  homem  exerce,  porque  assim  lhe  é facultado  conceber,  racionar  e  extrair  conclusões.  A  exteriorização  do  pensamento  pode sofrer restrições. Não o pensamento considerado em si mesmo. Esse é inapreensível, pois necessariamente livre. Não existe, ainda, procedimento técnico que impeça o livre pensar. Essa  liberdade  de  pensamento  é  insuficiente,  porque  o  homem  quer  externar  o  que  lhe passa pela cabeça. É necessário que o homem comunique seu pensamento, endereçando­ lhe a outros indivíduos. Primeiro na família, depois a um rol de amigos, na rua onde mora, no bairro, na cidade e daí, a tendência à universalidade.   É  inevitável  a  necessidade  de  exteriorização  do  pensamento.  Por  isso,  tanto  a liberdade  de  pensamento  como  a  liberdade  de  exprimi­lo  são  atitudes  indivisíveis, indecomponíveis. O atributo de pensar não foi entregue ao homem para que permaneça dos desvãos  do  cérebro,  no  mais  oculto  foro  íntimo,  mas  para  exprimi­lo  da  maneira  mais conveniente.   A  maneira  de  expressão  pode  ser  feita  de  várias  formas.  Desde  o  performático  que utiliza o corpo para manifestar o que lhe vai à cabeça, até os participantes de uma peça de teatro que expõem da maneira que melhor lhes apraz a atividade cênica, até a expressão que a tinge o globo pelos meios de comunicação. É este último aspecto que interessa ao presente trabalho.   Os instrumentos materiais como o rádio, a televisão, os jornais impressos, são meios e procedimentos  que  conduzem  á  expressão  do  pensamento.  Sem  esses  meios,  seria impossível ao homem manifestar o pensamento de forma concreta.   Sendo  a  liberdade  de  imprensa  considerada  um  dos  direitos  individuais,  para  o  seu pleno exercício, o constituinte dotou os meios de comunicação de outras possibilidades a fim de que possam exercer o seu mister de forma plena. “É mais perigoso o segredo e falta de informação que a difusão de notícias. Tão perigoso, que o segredo é nada menos que cegar a fonte mesa da notícia e, portanto, da verdade”, escreveu José Maria Desantes (apud Ignácio Burgoa, Derechos Individuales, p. 682).   3. PROIBIÇÃO DA CENSURA   A Constituição Federal veda a prática da censura. Não vai muito longe o tempo em que jornalistas conviviam nas redações de seus jornais ou de rádio e de televisão, com áulicos a

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  “Por  exemplo. seja no teatro.  de  seus participantes.  407).   camargodemoraes. diziam o que o povo poderia e deveria ter acesso.  Censura  não  é. exibições obscenas. como as que impedem informar a identidade de menores que são autores ou vítimas de presumidos delitos.  a  atividade  que  visa  a responsabilizar depois que a expressão se exteriorizou.);  nem  as  que  cerceiam  a  publicidade  e  propaganda  de  produtos  cuja elaboração  e  a  comercialização  são  ilícitas.  etc.   Há que ficar claro que quando se proíbe exprimir algo depois que a expressão já se tornou pública.  Tampouco  é  censura  prévia  o  segredo  ou  a privacidade  que  um  tribunal  ordena  em  um  processo  a  respeito  das  atuações.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.htm 3/21 . uma distinta expressão ulterior não pode proibir sem incorrer em transgressão à proibição de censura prévia”.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO serviço  da  ditadura.  efetivamente  paralisada  pela  atividade  do censores. em razão da ação judicial promovida contra a União.  chamados  com  muita  pertinência  de censores. O caso mais famoso. se proíbe repetir.   Mais de quinhentos livros foram censurados e apreendidos. as letras de música cortadas. Se tal identidade não existe.com. informativo ou de lazer. Filmes proibidos como Sacco  e  Vanzetti.  era  apenas  a  de  cortar  textos  e  imagens. partir daí. ou fazem apologia de guerra. nos livros.  v. sobretudo a revista Veja.   É  a  lembrança. deve haver identidade total entre a expressão vertida e a que.  a  má  recordação  desse  triste  passado  que  fez  o  legislador constitucional  agregar  à  liberdade  de  expressão  do  pensamento.  Essa  proteção  particular  se  torna  efetiva  seja  no  aspecto  político.  A  atividade  desses  predadores. As intervenções no Pasquim.  Teatrólogos  como  Plínio  Marcos  que teve  a  sua  peça  Quando  as  Máquinas  Param.  além  de  Encouraçado Potemkim. religioso.  é considerada prévia a censura que se revela em qualquer medida que importe controle ou revisão  antecipados  da  expressão. dos menores. A Abril Cultural.  também  ganhou  notável repercussão.  Colocados  acima  do  bem  e  do  mal.  não  implica  censurar  o  estabelecer  normas  que  com  caráter  geral sancionar a violação a proibições razoáveis.  As  famosas  receitas  culinárias  e  poemas  de Camões expostos nas primeiras páginas de O Estado de São Paulo. está na hora de os historiadores contarem com detalhes o que passou no Brasil pós­64 em termos de censura.   Para que as gerações atuais e futuras tenham a verdadeira dimensão do grande mal da censura. de ódio racial. de Ignácio de  Loyola  que  também  foi  violentamente  retirado  do  mercado. na televisão no rádio. do antisemitismo; nem as que tipificam delitos suscetíveis de cometer­se através dos  meios  de  comunicação  massiva;  nem  as  que  vedam  exibir  um  filme  depois    do espetáculo se o filme se enquadra em uma conduta delituosa (apologia do delito. foi o do grande escritor e contista Rubem Fonseca que teve apreendido o seu livro de contos Feliz Ano Novo. etc. nos jornais e até em discos. a proibição posterior que rege para o futuro só pode recair na reiteração da mesma expressão; é de dizer.   Para  Bidart  Campos  (Tratado  Elemental  de  Derecho  Constitucional. A obra Zero.  utilizaram­se do seu símbolo (a árvore) para cobrir os espaços usurpados pelos censores. a predileção  que  os  censores  tinham  por  Chico  Buarque  que  chegou  a  compor  música utilizando  se  cognome  Julinho  de  Adelaide.  a  proibição  de  qualquer forma  de  censura.  todavia. cultural.  1  p. no cinema.

  Para  que  esse  poder  seja exercitado de forma completa. Basta a preferência. traz ínsita a idéia de que é o povo o titular do poder. atividade  que  restrinja.  Isso  não significa privilégio.  E  para  saber.  Medidas  outras  existem  que  não  se  configura. desde a violência perpetrada contra jornalistas ou contra a maquiaria empregada para a difusão de notícias.  sujeitando­se  ao  controle  popular.  Sabendo­se  o  que  é  engendrado  no seio  do  governo.  precisa  de informação e a emissão de críticas por quem está mais próxima da notícia. mas criando outros meios que travam a informação. P. A liberdade de imprensa (ou da livre manifestação do pensamento). 400. dificuldades exorbitantes para renovar concessões. por exemplo.  restrições  ao  acesso  às fontes de informação. ou seja. exigências descabidas para aumentar a potência de rádios.  por  exemplo.   Uma análise sistemática da Constituição tora límpido o entendimento segundo o qual à emissão do pensamento não se circunscreve à regras específicas que tratam dos meios de comunicação ou que versam sobre a liberdade de pensamento.  assinala  Bidart  Campos  no  Tratado  de  Derecho Constitucional. são formas de coibir a manifestação do pensamento.   4. encobrindo a censura. ela é também um direito relativo. para emitir notícias ou opiniões inexatas ou falsas.  perseguição  a  jornalistas. Monopólio de  determinado  meio  de  comunicação. que sua participação  é  imprescindível  para  a  eleição  governamental. “Não viável derivar de tal preferência o caráter absoluto da liberdade de expressão porque. proibição de que determinadas notícias sejam publicadas.  em  censura aberta.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. 1º estabelece a forma representativa e republicana de governo e a forma federal que se reveste o Estado brasileiro. Assim. não pode ser objeto de censura mas expõe os responsáveis a sanções previstas na legislação infraconstitucional.com. quando o art.  revise  ou  controle  circulação  ou  comercialização  como  criar dificuldades  para  a  instalação  de  parques  gráficos  com  legislação  proibitiva  ou  que massacre a proteção ao meio ambiente apenas como pretexto para não ver o parque gráfico instalado.   De forma disfarçada e mascarada. os responsáveis pelos meios de comunicação não detêm a liberdade absoluta de imprimirem ou lançarem no ar o que bem lhes apetecem. 1. como todos os direitos. desde que a utilização do meio de comunicação tenha sido feita. até o aliciamento de profissionais da imprensa por meio de presentes e a existência de jornalistas que se curvam o poder.  outras  podem  exsurgir como censura.   A  liberdade  de  expressão  é  um  direito  que  goza  de  primazia  tanto  que  nos  Estados Unidos  da  América  é  a  liberdade  de  imprensa  o  direito  que  prefere  aos  demais.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Se  as  medidas  precitadas  não  se  configuram  censura  prévia. é necessária a liberdade de imprensa para tornar públicos os atos  do  governo.  os  embaraços  na  importação  de  papel.  a  obrigação  de  publicar  avisos  oficiais. dolosa ou culposamente. etc.   Muito embora a censura seja proibida..htm 4/21 . CONTEÚDO DO DIREITO DE INFORMAR   camargodemoraes. limitado razoavelmente e com uma função social. v. do ponto de vista da  proibição  constitucional.  mas  que  atrapalham  em  muito  a  atividade  da  informação. embora disfarçadas em medidas aparentemente inócuas. têm de assumir (as empresas de comunicação)  seus  ônus  e  seus  riscos”.  Assim..  o  povo  poderá  posicionar­se  frente  a  ele. Tampouco supõe isenção de responsabilidade. Essa função social não significa privilégio. Aceitado o benefício da função social – sócio institucional – da liberdade de expressão.

retira da notícia o caráter da objetividade e. por conseqüência. dolosamente modificada para agredir ou criar situações de constrangimento. já pode configurar uma valoração subjetiva do fato. a  informação  de  fatos. são meros intermediários. está efetuando juízo de valor. A informação deve ter como característica a idoneidade para transmitir a realidade como ela se apresenta. emite­se um juízo de existência do fato.  aos  meios  de  comunicação  não  é  dado  confiar  cegamente  nas  fontes  e  deixar  de “checar” as informações até joeirar o falso do veraz.  que  o jornalista.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Segundo  Ramon  Pizarro  (Responsabilidad  Civil  de  los  Médios  Masivos  de Comunicación. Limitam­se a reproduzir notícias fornecidas por fontes ou agências de informações. É difícil estremar esses conceitos. aconteceu ou que está ocorrendo.  Admitir  o  contrário  importa  reconhecer. Se o informador agrega o que pensa sobre o acontecimento. um dos caracteres da notícia é a veracidade. as opiniões e os juízos. a exatidão. O material que serve de base à notícia é sempre um acontecimento. desprovida de questões subjetivas que cause distorção à notícia.  a  falta  de  objetividade  e  a  falsidade  têm  alcances similares. Afinal. pela múltipla existência de verdades sobre um mesmo fato.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  exatidão  e  verdade  na  informação.  A  inexatidão.  o  interesse  geral. por vezes. A maneira particular que cada um tem de historiar um fato. É necessário tornar o conceito mais dúctil por que os informadores. Apesar disso.   c) A INFORMAÇÃO DE FATOS. idéias e opiniões.   d)  A OBJETIVIDADE. Ainda assim. é de se exigir objetividade. o conteúdo desse direito é a notícia. de fato.   Ainda que a notícia não tenha sido reproduzida fielmente. um acontecimento ou qualquer dado da realidade. desde que não tenha havido distorção da notícia  capaz  de  gerar  agravos.htm 5/21 . pp. A objetividade é a perfeita adequação que deve existir ente o que está sendo comunicado e o que. exatidão e verdade.  a  atualidade  na notícia. pode informar o que lhe  pareça  conveniente  ou  como  acredita  que  convém  á  empresa. se o informador agiu de boa­ fé e atuou com a normal diligência dos jornalistas. Para a divulgação de fatos. Em princípio. o meio de comunicação assume a  responsabilidade  de  verificar  de  forma  exaustiva  o  que  vai  publicar  e  não  pode  ser esquecido que ela assume o risco pelas possíveis inexatidões da notícia.  Não  confundir  esse  aspecto  da  objetividade  com  a  notícia  irresponsável. EXATIDÃO E VERACIDADE DA INFORMAÇÃO.  também  são  objeto  de comunicação (publicação ou radiodifusão).  Além  dos  fatos. 154.  a  comunicabilidade  da  informação.   Ramon  Daniel  Pizarro  vai  conceituando  que  não  existe  uma  verdade  periodística.   a) A NOTÍCIA. Essa falta de adequação entre a realidade com o que foi informado.  a  forma  de  expressão  da informação. Para Desantes Guanter. Em virtude da sua própria natureza. ou seja. algo que ocorre de uma maneira singular e que guarde relevância suficiente  para  ser  comunicada  a  terceiros. IDÉIAS E OPINIÕES.  aí  também  diz­se  que  a  notícia  foi  publicada  com objetividade.  implicitamente. Consiste em levar ao conhecimento público um fato.165). a verdadeira consonância dos fatos com o que é divulgado. necessária a constatação de que eles ocorreram no mundo exterior da realidade de quem é incumbido pela pesquisa da informação. as idéias.   b)  FATOS.  ou  ao  público  ou  uma camargodemoraes.  a  objetividade. os fatos. distinta  da  verdade  real.com. a verdade na informação não é outra coisa que a reprodução objetiva e exata da realidade  pelo  meio. as idéias as opiniões e os juízos. ou seja. Porque não existe o noticiar em sua acepção pura.

 tudo a dizer que. é um dever de bem comunicar a ele o que é correto.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ideologia. repete­se.   f)  INTERESSE  GERAL.   e) ATUALIDADE DA NOTÍCIA. Parece haver um enfoque de que a notícia é um produto perecível.  a notícia de um acontecimento que não seja ligado ao elemento temporal.  Deixa  de  despertar  o  interesse  do  leitor  ou  do  ouvinte.   O  Desembargador  Álvaro  Lazzarinim  em  lapidar  acórdão  ressaltou  que  “o  direito  à informação. Os meios de comunicação sérios.  afrontam  a intimidade e honra das pessoas. O meio de comunicação não recebe um “bill” de indenidade. que. o direito à informação. porém.  mais  exigível  se  torna  quando  se  trata  de  uma  empresa  mais centenária. nem é irresponsável em razão de notícias inexatas e falsas emitidas e. no entanto. da Constituição da república. LVII. A corrida contra o tempo  nem  sempre  permite  a  verificação  consciente  de  como  ocorreu  a  notícia  que  é difundida. tem o direito de exigir que o jornal não caia na vala comum do leviano sensacionalismo.  de  maneira  razoável.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. para emitir mais rápida e dinâmica possível.  o  direito  à  comunicação. tanto no aspecto tecnológico. Quando isso acontece.   Essa  atuação  deontológica. Buscando a atualidade é que os meios de comunicação procuram se aparelhar.  é  um  dever  de  bem informar.  ou  do  telespectador.  Em  princípio. com que alguns repórteres invocam para pressionar desavisados.  que  criam  fofocas  e  exaltam  a  futilidade  de  pessoas  da sociedade. à honra e à imagem das pessoas (art. (art. 5º da Constituição.   O leitor – assinante ou simples leitor – de O Estado de São Paulo tem. isto é.  além  daqueles  que  apreciam  notícias  que. que não seja meia­verdade. Não de estranhar. 5º.  interessa  ao  povo.com. em especial quando em confronto com o direito à inviolabilidade da intimidade. X. se assim pudesse dizer. que o crepitar do privilégio da notícia invada os direitos dos protagonistas da notícia.  toda  a  notícia  se  dirige  em  função  de  um interesse geral. 5º. à vida privada. É certo que também é interesse geral a curiosidade morbosa de alguns por notícias  banais. razão da pressa. como o é a ré. televisão e colunas de jornais tão em  voga  atualmente.  sem  a mesquinharia e a morbidez de certos programas de rádio.  embora  deva  ser  comum  a  todas  as  empresas  que  se dedicam  à  comunicação. que não tenha sido dada a conhecer em seu tempo. corre o informador o risco de cometer inexatidões.  mesmo  sob  a  óptica  do  leitor. não podem ser  culpadas até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. a verdade verdadeira. é também um dever. seja verdadeira. como no aumento de funcionários. a verdade por inteiro e não meia­verdade” (RJTJESP 137/194­195). é um direito­dever de bem informar o leitor. bem por isso. assim. A atualidade tem direta relação entre o acontecimento e o  tempo. conseguem vislumbrar  interesse  geral  naquilo  que. o que corresponde  a uma inverdade.   Dentro  da  quantidade  de  informações  e  da  pressa  em  decorrência  de  manter  a atualidade da notícia. por inserido no art. o fato perde a sua condição de ser noticiado. da Constituição da República).  devem  as  empresas  de  comunicação  orientar  as  suas  editorias  e  demais  órgãos subordinados. o direito a exigir que a informação que lhe é passada pelo jornal seja correta.  de  forma  preferencial.  aterrorizantes.   É um atuar deontológico dos que atuam em órgãos de comunicação isso observar e.htm 6/21 .  Como  interesse  geral  despido  de  sensacionalismo  barato  e camargodemoraes.

lavrado  –  nem  sempre  –  com  a  precisão  desejada.  Depois  de  comprovada  a  inocência  dos  indiciados. torna o meio de comunicação imune à indenização.  Qualifica­se  a  idéia  como  acertada  ou  não. bem assim o seu contrário.   j) AS OPINIÕES E JUÍZOS. baseada em suposto  crime  que  acabou  de  acontecer. deixa de lado a veracidade e a objetividade. Notícia  que possa trazer desassossego à  população.  patética.  A  crônica brasileira  assistiu. Nem por isso.  Está  diretamente  vinculado  ao princípio  constitucional  da  inocência. ao juízo que é emitido em decorrência de atividade artística ou de qualquer medida posta por políticos.  Dentro  do  conceito  de  informação.  de razoável.  O  DIREITO  À  LIBERDADE  DE  MANIFESTAÇÃO  DO  PENSAMENTO  NÃO  É ABSOLUTO   Não  existe  regime  especial  para  a  liberdade  de  imprensa  de  tal  forma  que  a  torne indene  de  responsabilidade  civil. sobretudo à critica.com.  o  informador  se  esquece  de  fazer  um  juízo  crítico  do  que  lhe  foi  passado  na Delegacia  de  Polícia  e  traduz  a  notícia  tal  qual  está  em  simples  boletim  de  ocorrência. homens da esfera governamental. bem assim de carcereiro ou investigador de polícia.  Na  pressa  de  dar  a  notícia.  para  apontar­se  e  julgar  culpados. os culpados foram encontrados e execrados pelos meios de comunicação. sensata ou sólida.  O  exemplo  da Escola de Base e dos homicídios ocorridos no Bar Bodega são gritantes. etc.  do ponto de vista de quem lê. ou seja. juízes etc. as projeções sociais e econômicas que  o  acontecimento  possa  carrear  a  determinada  comunidade.  criar  uma  neurose  coletiva  não  são  comunicáveis. A potencialidade difamatória de certas notícias devem ser sopesadas antes da divulgação.  a  acusações  infundadas  que  desfizeram  vidas. A subjetividade que permeia as opiniões. Sem um mínimo de aprofundamento na notícia. de desacertada.   g)  COMUNICABILIDADE DA INFORMAÇÃO.  está  a  difusão  de  idéias.  sobretudo  a  de  cunho policial.   A  regra  é  que  os  meios  de  comunicação  redobrem  os  cuidados  quando  noticiam  ou dão publicidade a fatos que possam atentar contra a honra e a dignidade das pessoas. insensata.  Basta recordar  que  todo  jornal  tem  o  seu  espaço  nobre  e  próprio  para  os  editoriais  em  que  se propagam  a  idéia  e  a  linha  do  jornal.  Por  isso.  em  época  de guerra.  As  limitações  decorrem  de  outras  normas    contidas  no camargodemoraes.htm 7/21 . os responsáveis fazem de tudo para evitar que sejam divulgadas manobras militares. por óbvio.   5. dessarrazoada ou sem solidez alguma.  a  notoriedade  e  a  função pública da pessoa que fez a notícia.   h)  MODO  DE  EXPRESSÃO  DA  INFORMAÇÃO.  o  mal  já  estava  de  tal forma realizado que a indenização por dano moral resulta em meio que serve apenas para minorar a dor de quem padeceu severas injustiças. se a crítica descamba para o campo da ofensa pessoal. resultado do embate e segredos militares.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO inconseqüente tem­se a importância pública do ocorrido. É princípio constitucional que ninguém deve ser  considerado  culpado  antes  da  existência  de  sentença  judicial  e  que  não  se  coloca dentre as atividades jornalísticas a de acusar e julgar condutas presumidamente delituosas dos implicados em determinados fatos.  Basta  a  palavra  de  uma  autoridade policial ou de um miliciano. industriais.   i)  AS  IDÉIAS.   Algumas ponderações devem ser feitas. Dizem respeito.

 ao direito de professor religião. a fim de poderem desenvolver melhor a sua atividade essencial.  A  dignidade  está  ligada  a  valores  da  personalidade  como  o  direito  à  imagem.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. onde é gravado o programa de televisão ou a localização da emissora de rádio e outras  medidas necessária para tornar público. de se estranhar que o meio de comunicação sofra a sanção pecuniária sempre  exorbitar  o  direito  de  informação  ou  que  restringe  as  regras  básicas  ao  exercício desse direito. deve ser protegidos porque o homem feito à imagem e semelhança de Deus.   Por  isso  mesmo. mas que todos eles camargodemoraes. da honra e da imagem pessoal.  o  que resta ao intérprete é harmonizar as regras constitucionais.   Não é.  publica  ou  divulga  notícia  falsa  e agravante.   Ao  contrário  do  que  alguns  afirmam. Esses direitos. da vida privada. de tal sorte que seja possível a subsistência de cada um dos direitos. em que seja posto em primeiro lugar. qual o capital social.  que  se  pode  dizer “estratégica”. A liberdade de informar não elide a responsabilidade decorrente de dolo ou  culpa  do  meio  de  comunicação  que.  como  inserir  no  capítulo destinado aos direitos fundamentais. revestida de importância  social.   O  óbice  intransponível  que  esbarra  o  direito  de  informação  é  a  dignidade  da  pessoa humana. o direito à vida. 2ª parte. p. ao mesmo tempo. da maneira mais transparente possível. ligados à dignidade. todos proclamam a existência de direitos individuais inatos do homem.   Se  a  Constituição  hospeda    direitos  de  igual  magnitude.  à honra. portanto. de ter políticas e outras convicções da forma que mais aprouver ao ser humano.   Não  é  porque  os  meios  de  comunicação  gozam  de  liberdade.htm 8/21 . à intimidade.  a  reputação  da  pessoas  e  a  preservação  da  intimidade  e  que  a liberdade de expressão seja considerada de menor envergadura.  que  se  possa  dizer  que  esse  direito  é  colocado  num  plano  axiológico superior  ou  que  faça  com  que  os  meios  massivos  de  comunicação  possam  agir  sem restrição alguma.  a  honra.   A  Constituição  Federal  arrola  alguns  desses  direitos. o local em que o jornal é impresso.  por  exemplo. o fenômeno da comunicação.   Como o fez Bustamante Alsina (Derecho de Daños. o direito à informação e. 155) “pensamos que não existe um ordenamento hierárquico dos direitos da personalidade. como o respeito à dignidade humana.  não  existe  uma  ordem  hierárquica  de  valores jurídicos no que toca a direitos fundamentais.  como  a  inviolabilidade  da intimidade. etc? Como conciliar idéias que podem parecer antagônicas e contrapostas?  Tendo  esses  direitos  igual  hierarquia. Diante de agressão arbitrária a essa faceta da dignidade humana. o editor responsável.com. no ápice da  pirâmide.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO capítulo da Constituição que versa sobre direitos fundamentais.  não  se  pode  taxar  de  ilegítima  a  exigência  de  que  os  meios  de comunicação sejam obrigados a identificar os seus proprietários.   Por influência do jusnaturalismo. o estado­juiz deve interferir para pôr côbro a invasões desnecessárias que podem tornar o homem indigno. à imagem.  o  mesmo  padrão  axiológico.

atuou visando a menoscabar pessoas.  a  intimidade  ou  os sentimento do sujeito.   Não  se  poderá. desde que a transgressão cometida avance os limites dentro do qual a dignidade do homem há de ser protegida.  deve  limitar­se  a informar de modo sério e objetivo a comunidade sobra fatos de interesse geral.   Devemos defender com energia a imprensa livre que ao mesmo tempo deve ser uma imprensa responsável e deste modo se vê fortalecida na elevada função que está chamada a cumprir na sociedade. permanentemente comprometidos pela tecnologia empregada nos meios de comunicação.  Daí.   Quando  a  injúria  é  consumada  ou  é  perturbada  a  intimidade  por  um  meio  de comunicação social.   O  exercício  do  direito  de  crônica.   Todo direito é relativo e suscetível de sofrer restrição como vem sendo afirmado neste capítulo.  pois  co  conjunto  constituem  a fundamentação  normativa  que  como  no  direito  positivo  regula  a  conduta  social. em conflito.  a  difusão  de  notícias. apresentando em linguagem correta e com  moderação  o  que  evite  qualquer  atitude  que  possa  revelar  ensaio  sensacionalista. se ouviu os dois lados para a correta publicação da notícia. de acordo com as circunstâncias dentro das quais entram.  excluir  a  denominada “imprensa  marrom”  e  os  programas  televisivos  que  têm  como  ponto  central  o constrangimento a que submetem as pessoas. O direito à liberdade de pensamento goza de primazia desde que o pensamento exteriorizado seja verdadeiro. à imagem e à intimidade.com. prevalecem aqueles direitos personalíssimos à honra ou a intimidade.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO têm  igual  categoria.   Como muito bem acentuou  Isidoro Goldenberg (Indenización por Daños y Prejuicios.   camargodemoraes.htm 9/21 .  não  existe  agressão  à  dignidade  humana. Ainda  que  ingresse  na  órbita  privada  de  /alguém. e a vítima do agravo ou da intromissão em sua vida privada tem as ações civis ou criminais para obter.  porque  a  liberdade  de  informar  não  é  absoluta. Diante de um conflito entre o direito de informar e o direito à honra. isento de influências. em função de seu caráter relativo.  apequenar  os  direitos    de  personalidade.  mas  está  sujeita  à responsabilidade  pelos  atos  elícitos  que  se  cometem  através  dela  conforme  o  princípio constitucional de igualdade ante a lei.  em  nenhuma  hipótese. por via judicial. a solução pró ou contra o meio de comunicação será  buscada  tendo  em  mira  o  relevante  interesse  da  notícia.  é  dizer. as sanções que correspondam contra quem abusou da liberdade de expressão”.   À luz de cada caso concreto é possível verificar se o meio de comunicação pautou a atividade  segundo  os  critérios  de  veracidade  e  de  interesse  público  ou  se.  Esses valores não se subordinam uns aos outros; eles se somam e se harmonizam entre si.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  “não  existe  um  direito  para  lesionar  a  honra  ou  a  intimidade  através  da imprensa.  se  os  meios  de  comunicação  mantêm essas  pautas.  363­365).  a  veracidade  e  os  meios empregados pelo repórter.  como  qualquer  outro  valor  jurídico.  ao  contrário.  a  honra. pp. A proteção constitucional da liberdade de imprensa não exclui a responsabilidade civil pelos danos que causam  quando  através  dela  são  vulneradas  a  dignidade.

  Dois  aspectos  levam  aos  conceitos  objetivo  e  subjetivo  de honra. no art.  a  Lei  5.  até.  diz  respeito  à  valoração  que  outros  fazem  da personalidade ético­social de alguém.  quando  se  desnatura  e  cai  na  chamada  ‘indústria  do  sensacionalismo’.  20  a  24.  ao  contrário. que trata especificamente da responsabilidade civil. Quem goza de boa fama e assim é enxergado pelos  seus  semelhantes. nesses casos.250/67  traz  em  seus  arts.   O  Código  Civil  contempla  as  possibilidades  de  indenização  em  casos  de  injúria  ou calúnia no art.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.com. É que a satisfação pessoal também é alcançada quando se é aceito e reverenciado por alguma qualidade.htm 10/21 .  pois abroquelando­se  indevidamente  nos  nobres  princípio  da  democracia  e  liberdade.no art.  com  dolo  ou  culpa.  Aquele  que  o  exercício  da  liberdade  de  manifestação  de  pensamento  e  de informação.  não pode  sustentar­se  legitimamente  que  a  liberdade  de  informar  está  em  jogo.  as  infrações cometidas  contra  a  honra. Menciona  o dispositivo que a indenização. a boa ou a má fama e o respeito que a pessoa  possa  merecer  diante  de  terceiros.  difamação  e injúria).   O  outro  lado  é  o  isolamento  e  a  diminuição  em  suas  possibilidades  de  convivência harmônica  se  recai  alguma  suspeita  sobre  a  honra  de  alguém. 140.   No  que  tange  à  imprensa. 1. 49.  Esse  respeito  é  verificado  no  campo  da  ética profissional.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Porém.  fica  obrigado  a reparar:   camargodemoraes.  As  seqüelas  espirituais  e patrimoniais advêm como corolário lógico.   O  conceito  objetivo. consistirá na reparação do dano que delas resulte ao ofendido.  semelhantes  àquelas  no  Código  Penal  (calúnia.  viola  direito.   O  apreço  à  própria  dignidade. A reputação que as outras pessoas criam.547.  ou  causa  prejuízo  a  outrem.  é  merecedor  de  confiança  e.  crédito  sob  os  aspectos econômico e social. que é imputar a outrem fato ofensivo à sua reputação (art.  49. traz expresso:   “Art. A honra guarda sinonímia com a dignidade e sua perda representa uma morte civil ás pessoas sérias e honestas.   A honra é protegida pelo Código Penal que no seu artigo 138 dispõe como crime o fato de caluniar alguém. imputando­lhe falsamente fato definido como crime: a difamação.  a  estima  que  cada  uma  pessoa  tem  de  si  mesma  e  o estado de consciência individual e o sentimento de autovaloração dá formato ao conceito subjetivo de honra. 139) e ofensa à dignidade ou decoro.  RESPONSABILIDADE  DOS  ÓRGÃOS  DE  COMUNICAÇÃO  POR  OFENSA  À HONRA   Ao  mencionar  honra  há  de  ser  feita  alusão  à  valoração  total  do  ser  humano  em  sua majoração  individual  e  social. É a reputação. condiciona­se a auto­estima que o individuo tem de si mesmo. O crime contra a honra praticado pela imprensa prevalece sobre o delito semelhante previsto no Código Penal.   6.  estão sendo avassalados os direitos personalíssimos”. E. considerada injúria.

 Por isso.  Em  regra.  Ninguém  pode  ser  taxado  de  delinqüente  assassino. existe um camargodemoraes. nos casos previstos no art.  É  legítima  a  notícia  sobre  uma  prisão. Muitos são imolados no centro da aldeia global por notícia que emergiu de um jornal. v.  porém.  e.  Neste  ponto  é  necessário  que  o  órgão  de  comunicação  exponha  os  fatos  de maneira veraz.  nenhum  agravo  à  honra  aconteceu. o órgão de comunicação deixou de agir senão no exercício regular de um direito.  pode configurar  agravo  à  honra. As premissas colocadas na notícia. recomenda o interesse público que esses fatos sejam divulgados. apresenta especial importância.  preservam  a  identidade  dos indiciados.  o indiciamento em inquérito policial ou de alguém que está sendo processado criminalmente.   Há  um  dado  a  ser  observado.  O  ofendido  poderá  valer­se  da  ação  de  reparação  de  danos morais  para  diminuir  a  dor  espiritual  e  a  humilhação  que  a  notícia  desse  porte  sempre ocasiona.  RESPONSABILIDADE  POR  INFORMAÇÕES  COLHIDAS  NA  POLÍCIA  E  EM JUÍZO   A responsabilidade civil por danos morais encontra campo fértil no âmbito da ofensa á honra  produzida  pelos  órgãos  de  comunicação. II e IV.  as  atividades desenvolvidas pela polícia e pelo Poder Judiciário têm caráter público.   Os  órgãos  de  comunicação  sérios. mostrando o nexo lógico que liga o conteúdo da informação e o que existiu. ao final da investigação.  violador  ou  corrupto enquanto não houver decisão judicial apontando o vero criminoso.  A  gravidade  e  relevância  do  dano  moral causado  pelos  meios  de  comunicação  exige  de  seus  responsáveis  redobrados  cuidados quando.  São  preciosos  os ensinamentos de Zavala de Gonzalez colhidos na obra  Resarcimiento de Daños.   7. ns.  quando  se  deparam  com  alguém acusado de cometimento de crimes e que percebem que podem incorrer em ofensa à honra.  noticiam  sobre  acusação  de  crime  a  alguém.  eventualmente.  se  ao  final  do processo  criminal. 16.   Para que haja ofensa à honra. 443  e  ss. A transcendência pública configura o agravo à honra.   Uma notícia dessa natureza pode causar constrangimento. E é aqui. o sujeito saia livre da imputação criminosa. pp.  por  exemplo.  realmente. 18 e de calúnia. que  se  localiza  a  maior  parte  das  ofensas  causadas  pelos  meios  de  comunicação.  Porém. a emissão de juízos podem provocar sérios prejuízos à dignidade de quem foi objeto da informação.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. utilizam  –se  de  linguagem  não  conclusiva. exatamente. é necessário que o ato vulnerante seja percebido por outras pessoas.  adveio  de  absolvição. 2c. sobretudo quando ao final da  investigação. na verdade.htm 11/21 . difamação ou injúria;   II – os danos materiais nos demais casos”.  se  a  notícia  foi  divulgada  despida  de sensacionalismo. da televisão ou do rádio. Mesmo que.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO I – os danos morais e materiais.com.  por  qualquer  meio  de  comunicação.  O menosprezo  à  honra.  a  pessoa  não  foi  denunciado  pelo  Ministério  Público  ou. O processado goza da presunção de inocência até demonstração em contrário pela autoridade judicial.   A  afirmação  no  início  de  uma  investigação  de  que  alguém  cometeu  delito. no art. Tendo à mão a notícia verdadeira  de  que  alguém  foi  preso  ou  submetido  a  inquérito  policial  ou  ação  penal.  levado  a  milhões  de  pessoas.

htm 12/21 .   Para que os órgãos de comunicação se apartam do dever constitucional de informar. 447).  o  princípio  constitucional  da  liberdade  de  imprensa  deve  ser exercitado com consciência e responsabilidade.  Não  existe  dever  de  indenizar  pelo  dano  moral  se. Porque não elaboraram esse juízo dubitativo e no afã de não perder a atualidade da notícia.  não havendo  certeza  quanto  à  autoria.  no crepitar de algum fato. impedem a notícia agravante passível de gerar obrigação de indenizar. 2c. sem verificar a exatidão da notícia para adequar a informação aos dados  subministrados  pela  realidade. Ao depois. p.  no  âmbito  judicial.  O  meio  de  difusão  deve  ser  rigorosamente  fiel  á informação objetiva que recebeu. culminado com o arquivamento do inquérito ou a absolvição na esfera judicial. o Tribunal der Justiça de são Paulo assentou  que  “liberdade  de  imprensa  não  exime  o  jornal  de  se  acautelar  do  noticiário ajustado  à  realidade. todos os meios de comunicações difundiram com estardalhaço o seqüestro  de  uma  criança.  tendo  em  mira  que  o  fato  de alguém estar sendo indiciado ou processado criminalmente ou.   Em voto do Desembargador Euclides de oliveira. tendo sentença condenatória ainda não transitada em julgado. para que o público seja corretamente informado.  Assim.com. O jornalista que. até mesmo.  corre  o  risco  de  estar  noticiando  fato  agravante  e ofensivo. em escasso tempo. as notícias sobre os envolvidos em crimes porque podem ser um desaguadouro de humilhação e  injúrias.  elaborado  no  vestíbulo.  Um boletim  de  ocorrência  nem  sempre  retrata  a  verdade. a pessoa é criminosa. não tendo certeza sobre se.  a  notícia  há  de  se  registrar  que  os  fatos  estão  sendo objeto de investigação. informa o que ouviu na Delegacia ou reproduz o que está escrito em boletim de ocorrência. forma divulgados nomes e fotos dos “seqüestradores”. posteriormente. A informação de que a sentença ainda não transitou em julgado e que em face de recurso apresentado.  porque.   Não faz muito tempo. em respeito à dignidade alheia. para que não  resulte  prejuízo  à  honra.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO razoável interesse em que a comunidade conheça as formas de atuação desses órgãos e como cumprem suas funções.  até. descobriu­se que não houve seqüestro algum. A atividade de informar  ficou  limitada  às  circunstâncias  que  levaram  a  autoridade  policial  a  prender  e indiciar  o  eventual  criminoso.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. fato que qualquer pessoa mediana poderia supor não haver seqüestro e a dificuldade em se seqüestrar crianças.  especialmente  quando  se  relacione  a  evento  criminoso. a pessoa pode ser absolvida pela Instância Superior ou de que a polícia apenas começou a investigação.   Por  outras  palavras.  devem  ajustar­se  à  verdade.  O  inusitado  da  notícia  estava  em  dois  pontos:  a  duração  do seqüestro (mais de dois anos).   Zavala de Gonzalez (Resarcimiento de Daños. na posse de notícia fornecida por autoridade policial e que. em razão do trabalho que dá a seus raptores.   Não  justifica  a  emissão  de  notícia  o  fato  de  ter  a  autoridade  policial  como  fonte. somente por isso.  ficou  constatado  que  não  houve  crime  algum  e  a  imputação  não  era verdadeira.  v.   O  órgão  de  comunicação  deve  redobrar  a  prudência  na  divulgação  de  fatos liminarmente  colhidos  pela  polícia  e. no cativeiro. não justifica notícia que leve a uma injusta condenação social.  à  imagem  e  ao  direito  da  pessoa  abrangida  na  notícia” (RJTJESP – LEX 130/195). de fato. tantas vezes citada em camargodemoraes. bem assim como e porque alguém foi acusado.

br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. As apreciações apressadas que afetam a honra de quem nem sequer foi ouvido.  considera  direito  fundamental  e  assegura  que  “ninguém  será considerado  culpado  até  o  trânsito  em  julgado  da  sentença  ´penal  condenatória”. Não se está a exigir do jornalista conhecimentos técnicos sobre assuntos controvertidos de direito.  não cometeram  nenhum  agravo  moral. nem julgado. não podem ficar indenes.  Esta diretriz também é endereçada aos órgãos de comunicação que têm programas que tratam especificamente de crimes e criminosos. não justifica que os órgãos de comunicação o submeta ao crivo da reprovação social.   Os meios de imprensa não devem ignorar que o imputado ou processado por um delito.  “a  publicação  dessas  notícias  (informações policiais e de processos judiciais não definitivamente julgados). não exonera a responsabilidade. até que a justiça resolva o problema.  os  prejulgamentos  antecipados  e as  condenações  jornalísticas  antes  da  sentença  podem  provocar  efeitos  perniciosos  para imputado.  tanto  no  próprio  julgador  quanto  na  opinião pública.  o  dano  gerado  pela errônea  informação  dificilmente  logra  ser  mitigada  com  a  publicação  do  pronunciamento ratificatório da inocência do prejudicado”.   Como conseqüência.  pode  significar  seu  descrédito  definitivo  ao  deixar  subsistente  a sombra da suspeita.  é  ditada  a  sentença  de  absolvição.  como  única  forma  de  salvar  sua reputação. como inocente. longe de beneficiar  o  imputado.  5º. Nestas circunstâncias. de tal modo que  qualquer  tipo  de  violação.  são induzidos a acreditar no contrário e a considerar como delinqüente a quem o Estado reputa. e é o  próprio  imputado  quem  deve  provar  sua  inocência.  sobretudo  no  julgamento  sumário  e  apressado.  Mesmo  a  fiel  reprodução  de  documentos  obtidos  em Delegacia de Polícia.  sem  que exista sentença definitiva. necessariamente.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO razão de sua portentosa obra.  229. em  prejuízo  da  honra  ou  a  intimidade  do  imputado.   Quando  eventualmente. não pode ser apresentado ante a sociedade como autor responsável do mesmo.com.  p.  pode  ser  apta  para  gerar camargodemoraes. inscrita na Constituição da República. Toda a informação que em forma assertiva transgrida esse limite.   O  art. é dever do profissional o conhecimento mínimo.   Não é um “bill” de indenidade. não se realiza sempre com a  prudência  recomendada;  as  notícias  sensacionalistas. o reconhecimento da prescrição da ação penal. nem causa de exclusão de responsabilidade. escudar­ se  o  veículo  de  comunicação  em  que  por  ter  recebido  a  notícia  de  autoridades. Essa inocência presumida. acompanha o acusado desde o momento da imputação do crime.  como  podem  influir  negativamente. opera­se um deslocamento total de valores éticos e jurídicos.htm 13/21 . Mas.   Como  bem  assinala  Ramon  Daniel  Pizarro  na  obra  Responsabilidad  Civil  de  los Médios  Masivos  de  Comunicaión.  por  via  de  uma  notícia  inexata  ou  incompleta. assevera que “essa condenação social se torna maior quando a notícia é vertida por órgão massivo de comunicação e chega a quem não conhece que não  existe  condenação  alguma  e  que. ou que de maneira sensacionalista difunda fatos falsos ou distorça situações verdadeiras. em detrimento da garantia constitucional que consagra o princípio da inocência.  LVII. todavia. elementar de que a prisão de uma pessoa não implica em que tenha cometido o delito. O acesso à informação não autoriza a omissão do jornalista em valorar de forma crítica a procedência e adequação da notícia.

 os criminosos que fazem justiça pelas próprias mãos.htm 14/21 . v.  interrogando. o que faz.  a  apologia  de crimes  ou  a  incitação  para  que  sejam  cometidos.  impede  entreter  o  público  com  o  sarcasmo  e  até  mesmo  a  satisfação  que certos  apresentadores  demonstram  diante  de  delitos  cometidos  e  comportamentos desviantes. O alto e apreciado trabalho desenvolvido pelos meios massivos de comunicação somente é cumprido cabalmente com  a  devida  seriedade. por certo.  nem  colocá­la  em embalagem que façam supor apologia do crime. a razão de ser de toda a atividade dessa índole.   Se  os  órgãos  de  comunicação  não  devem  ocultar  a  notícia. em definitivo.  A  faceta  perigosa  e  as  condenações  sofridas  por  Pareja ficaram diluídas em meio à imagem do herói travestido em malfeitor. aumentar a venda do produto. 455). Pretextando relatar o que de fato aconteceu.  que  se  transforme  o  criminoso  em  herói.  cortês  e capaz  de  humilhar  autoridades.com. como manter a pessoa em local apertado e lançar sobre sua cabeça um botijão de gás.  não  faltando  quem  forneça sugestões das mais absurdas.  por  exemplo. que é.  O  cometimento  de  algum  delito. devem imaginar que a função social que  exercem.   E  se  é  insuficiente  a  crônica  do  crime. “a imprensa não pode dizer  qualquer  coisa. como também por não menor consideração ao destinatário da comunicação.  apresentando provas – obtidas às vezes de modo  subreptício – e. também. Desta  maneira. levando ao público o conhecimento do que está ocorrendo nesta sociedade eminentemente criminógena.  Resarcimiento de Daños.  Nada  pode  escusar  a  informação injustamente afrontosa. pelo caráter mórbido das notícias e de eventuais consumidores da notícia. p. “assumindo inusitada transcendência nestes  tempos  em  que  a  imprensa  arroga­se  como  fiscal  da  sociedade.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.   8.   Mesmo diante de documentos oficiais e da palavra de policiais. é a camargodemoraes. e aumentar os índices fornecidos pelo IBOPE.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO responsabilidade civil se não foi condenado”.  foi  utilizado  ad nauseam  como  bandido  galante.   A questão dos limites que devem ser auto­regulados pelos meios de comunicação a fim de que a notícia não se converta em provocação.  por  mais  leve  que  seja.  é  pretexto  para  o  apresentador  fazer  a  apologia  do  crime.  atuando francamente  como  administradora  da  justiça. Leonardo  Pareja. a televisão brasileira tem sido plasmada e recheada de programas em que é exposto o lado mais  sórdido  do  ser  humano. o que se faz é apologia de delitos.  não  só  por  razões  de  elementar  respeito  às  pessoas  envolvidas  na notícia. Elogiam. finalmente. 2c. condenando ou absolvendo. PROGRAMAS TELEVISIVOS QUE FAZEM APOLOGIA DO CRIME   Porque  sentiram  que  a  notícia  sobre  o  crime  e  criminoso  causa  mais  impacto  no telespectador.  A  comunicação  social  é  desvirtuada  e passa a ser utilizada para a prédica do crime.  A  pena  de morte  tem  sido  pregada  com  uma  exaustão  preocupante. e menos ainda quando a observância de mínimos cuidados deixar a salvo a reputação de um homem” (Zavala de Gonzalez.   O  que  se  vê  nesses  programas  é  o  mau  gosto  levado  ao  paroxismo.  ou uma  rusga  familiar.  sem  acréscimo  de  agravantes.  investigando.  nem  comunicadores  nem  comunicólogos  delinearam  até  agora  a possibilidade de que os meios são idôneos ou aptos para a administração da justiça”.

  A  função  pública  oferece  um flanco inevitável à supervisão e a possíveis ataques a seus afazeres.  p.   Matilde Zavala Gonzalez (Ressarcimiento de Daños.  as  condições  pessoais  da vítima  e  outros  fatos  que  cincundaram  o  caso  e. 161.  põe  em  relevo  a sugestiva doutrina que sustenta ser o homem público digno de proteção mais branda.  diretamente.  22:  “Nunca  atribua  um crime a alguém.   O  exercício  da  liberdade  de  imprensa  deve  deixar  ao  largo  o  fato  que. como essencial ao sistema republicano. ou inverídica”.  organizado  por  Eduardo  Martins.   9.   c)  A  aceitação  de  uma  função  pública  traz  em  si  uma  tácita  submissão  á  crítica  das demais  pessoas.  464).  estão  mais sujeitas  a  um  controle  rígido  da  sociedade.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO veemente lição de Eduardo Zanoni e Beatriz Bíscaro coligida na obra  Responsabilidad de los Médios de Presna.  sobretudo.  A circunstância  de  a  pessoa  exercer  a  atividade  que  a  torna  “homem  público”  não  autoriza intromissão em sua vida privada.  A  favor  da tese.  menos  intensa  e  com  menor  rigor  do  que  a  concedida  aos  particulares.  o  caráter  inverídico  da informação. tece as seguintes considerações:   a) A preservação do direito de crítica.   Para  bem  avaliar  o  ataque  à  honra  apto  a  gerar  dano  moral  ressarcível. p. Mesmo que seja a Polícia quem faz a acusação.   d) O funcionário público conta com maiores suportes defensivos contra os ataques à sua pessoa em comparação com o cidadão comum. mais débil. mas que a proteção tem de ser mais débil. afeta  a  intimidade  da  vida  familiar  e  pessoal  da  pessoa  que  goza  notoriedade.htm 15/21 . Trata­se de assumir o risco.   b)  A  freqüente  operatividade  de  interesses  gerais  prioritários.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  O  sujeito  se  coloca  em  uma  vitrina  sujeita  a  inspeção  e  controle  pelos interessados  na  administração  dos  assuntos  da  sociedade.  pela  natureza  da  atividade  que  livremente escolheram. sendo previsível a crítica. inclusive aquela que pareça injusta. a menos que a pessoa tenha sido presa em flagrante (e não haja dúvidas a respeito de sua culpa) ou confessado o ato.NOTÍCIAS  SOBRE  FIGURAS  PÚBLICAS  (FUNCIONÁRIOS  PÚBLICOS.  v.  2c. não mereçam ter a honra tutelada e garantida contra aqueles. Por gozar de um superior acesso aos camargodemoraes. ETC).   Nas instruções específicas do Manual de Redação e Estilo do jornal  O Estado de São Paulo.  há´de  ser levado  em  conta  a  maior  ou  menor  divulgação  do  fato  lesivo. Esta assertiva não implica dizer que os homens considerados “públicos”. DOUTRINA SOBRE A PROTEÇÃO JURÍDICA “DÉBIL”   As pessoas sem notoriedade e que não exercem atividade pública merecem proteção à honra  em  maior  latitude  que  aquelas  outras  que  por  uma  razão  ou  outras.  que  justificam  o  que poderia  ser  considerada  ofensa  contra  a  honra  de  pessoas  que  têm  sob  o  seu  encargo transcendentes compromissos comunitários.  colhe­se  a  seguinte  à  p. POLÍTICOS.com.  não  difunda  uma  versão  que possa demonstrar equivocada. recomenda­se  cautela  para  que  o  jornal.  involuntariamente.

  É  salutar  à  ordem pública a discussão e o debate amplo a respeito de questões que envolvem essas pessoas. da Constituição da República)” (JTJ­LEX 169/85.com.  pela  sua improbidade.  em  acórdão  da  lavara  dom  Desembargador  Marco  Cesar. casa de praia. pelo conteúdo.htm 16/21 .  denunciando  servidor  público  municipal.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO meios de comunicação. XXXIV. é primoroso ao acolher a tese da debilidade da proteção á honra de homens públicos.  pois  o  próprio  jornalista  conseguiu  subornar  o  fiscal  e procedimento  administrativo  concluiu  que  era  verdadeira  a  acusação  da  corrupção.   É do interesse  público saber como um funcionário que tem parcos salários.  exercendo  a  função  de  líder  do  Governo  e  de partido político na Assembléia Legislativa de São Paulo. não serviriam a outro propósito que o do escândalo ou desdouro. que não  pode  ser  confundida  com  a  penal  nem  avaliada  dentro  das  restrições  da  tipologia criminal. 5º.  faltando  interesse público.   O  Tribunal  de  Justiça.  em  outra  oportunidade. O que é público. exposto ao conhecimento  público. segundo o autor da ação.   O  mesmo  Tribunal. apesar do poder que possui em função do cargo que ostenta. publicado na JTJ­LEX 169/87. pela natureza injuriosa. aforou ação de responsabilidade civil por danos morais. sendo  assegurado  a  todos  o  acesso  à  informação  (art. tratando­se de político  com  exercício  de  mandato  eletivo. apartamentos. são de interesse  geral. Mas os da ação pública são de interesse público. Menciona  que  “o  jornal  em  questão  cumpriu  o  seu  múmus  constitucional  de  informar  ao público  a  às  autoridades  em  geral. É livre a expressão de comunicação (art. e inda. em acórdão da lavra do Desembargador Walter Moraes concluiu que “pela perspectiva jurídica civil. está e tem de estar. consegue fazer várias viagens internacionais em curto período de tempo. da Constituição da República).  5º. de mansões. Desembargador Álvaro Lazzarini). Relator.  sendo  a  todos  –  inclusive  aos  órgãos  de  comunicação  social  –  o  direito  de petição  –  e  uma  reportagem  como  a  publicada  é  excelente  meio  de  exercê­lo  –  contra  a ilegalidade ou abuso de poder (art.  aliás  cumulado  com  cargos  de  marcada camargodemoraes. não subtraíveis ao conhecimento geral” (JTJ – LEX 145/109­110).  ainda  que  verdadeiros.  alude  sobre  a veracidade  da  informação. em geral.  Deputado  Estadual.  a.  A  proteção  à  honra  dessas  pessoas  sofre  atenuação. consegue ser proprietário de automóveis importados e caros.   Quase todas as notícias envolvendo funcionários ou agentes do Poder Público.  apreciando  apelação  interposta  por  fiscal de  Prefeitura  Municipal  que  foi  apontado  como  corrupto  pro  um  jornal. porque certo jornal efetuou comentários que teriam atingido a honra do deputado.   Noutra  ocasião. pode dizer­se que fatos depressivos da vida estritamente privada do cidadão não devem  ser  propalados.  ainda  que  compreendam comportamentos reprováveis. Ei­lo: “A peculiar condição do autor da demanda.   Ao apreciar a ação de indenização por dano moral ajuizada por Delegado de Polícia porque sentiu­se ofendido por notícia publicada em jornal dando conta que ele utilizou­se de helicóptero  da  polícia  civil  para  chegar  mais  rápido  ao  local  onde  se  realizava  festa  de aniversário da filha do delegado. agravaram o seu patrimônio. o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  da  Constituição  da República). IX.  justamente  porque. são públicos e logo.  E  aqui  se  invertem  porque.  XIV. pode replicar as imputações que lhe são adversas. A notícia e os comentários. 5º. Trata­se de garantia que resguarda o sistema democrático e republicano.

mormente quando exercida frente aos mandatários do povo.  a  críticas  e  ataques  por  órgãos  de imprensa.htm 17/21 .br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. além de minimizadas.   Os políticos.  o  senso  comum  leva  a  minimizá­las. mandatários que são do povo. cumpre­lhes conformarem­se.  portanto. A proteção jurídica a essas pessoas. de imunidades para. não pessoal. criticarem e censurarem outrem. pois a crítica. devem estar submetidos à permanente observação de seus atos como tais.  mesmo  quando  diga  respeito  a  condições  pessoais. motivo pelo qual. aos políticos em situação como a do demandante.  que  visa  garantir  a  plenitude  do exercício do mandato eletivo. ao menos os que se destacam na atividade. ressalvada a vida privada de cada um.   Guarda  estrita  similitude  a  imunidade  parlamentar. pelas coisas da política.  o  submetiam­no. conhecidas pelo público em geral. sem vida pública. os de líder do Governo na Assembléia Legislativa do Estado. e o repúdio de outros. causa mais forte impressão em seus ouvintes ou leitores. com a tutela da liberdade de imprensa. por isso mesmo. olvidadas”. no interesse do povo. por sua vez. como a sua incompetência ou ineficiência na atividade que exerce.  que  tem    revelado  ser  irresponsável  no camargodemoraes.  precisamente  porque  todos sabem que quem faz política coloca­se em campo proceloso. é que a proteção à honra dos funcionários públicos esbarra nos elevados interesses da comunidade. “Apesar de que possam ser desfavoráveis à reputação do agente. ante a relevante utilidade pública da mesma. devem considerar­se justificadas as imputações sobre  funcionário  carecer  de  idoneidade. como também igualmente para criticar. quais sejam.   De ponderar que as pessoa que se tornam notórias.   No  caso  dos  políticos. Se elas são  dirigidas  a  políticos. dá­lhes a sistemática constitucional. tendem a ser. envolvem todos ou quase todos.  e  é fundamental  que  se  garanta  não  só  ao  povo  em  geral  larga  margem  de  fiscalização  e censura de suas atividades.  como  decorrência inerente  ao  próprio  exercício  da  política  partidária.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO relevância.  que  não  detêm  nenhuma fração do poder.   Em contrapartida. com veemência dos inconformismos daqueles que não são sigam as mesmas orientações em tal campo. mas sobretudo à imprensa.   Porque a notícia que envolve funcionários ou agentes públicos interessa não apenas para dar conhecimento do que se sabe.   É  muito  importante  salientar  que  quando  a  imprensa  dirige  ataques  a  uma  pessoa comum.  estão  sujeitos  de  forma  especial  às  críticas  públicas.com. como natural à própria atividade que exercem. nesses casos. E. o privilégio. As críticas a políticos são generalizadas. constitui um eficaz instrumento para controle dos atos de governo e para que a  comunidade  possa  valorar  e  apreciar  os  assuntos  de  interesse  geral  provenientes daqueles que atuam na esfera do poder. mas sim funcional. não deve  ser  observada  com  o  mesmo  rigor  das  pessoas  simples. quando detêm cargos eletivos. e líder do  partido  do  governo  naquela  Egrégia  Casa  de  leis. normalmente atraem sobre si manifestações e juízos de valoração nem sempre favoráveis. por melhores que sejam tais pessoas. ganhando a admiração de uns.   Justifica­se  a  crítica.

  também.  não  podem  ser  considerados  como  lesivas  da  honra  as expressões  que.  Há  de  procurar  evitá­lo. a criação. Nem todas as pessoas que tiveram acesso à primeira informação – não verdadeira – verá  a  retificação. 1º. Qualquer que seja a fonte da qual promane.  tentar  explicar  que  uma  notícia  veiculada  ontem  não  é verdadeira  é  como  jogar  penas  de  um  edifício  e  depois  tentar  encontrar  cada  uma  das penas.  A  TUTELA    PREVENTIVA  PARA  IMPEDIR  A  DIVULGAÇÃO  DE  NOTÍCIA INFAMANTE   A  liberdade  de  informação. art.  O  art.htm 18/21 .  ou  leia. 5º. v.  porque  a vulneração  ocorreu  através  de  meio  de  comunicação.  A proibição  da  censura.   Não  basta  a  reparação  do  dano  moral.com. Zavala de Gonzalez na obra citada.  “a  lei  não  excluirá  da  apreciação  do  Poder  Judiciário  lesão  ou ameaça a direito” (CF. p.   De para à plena liberdade de emissão do pensamento. é possível a interferência do Poder Judiciário evitando a publicação de certa notícia em jornal.  embora  estimadas  como  inapropriadas  ou  excessivamente  duras.  E  ainda  que  veja.  220  da  CF  dispõe  que  “a  manifestação  de pensamento.  enquanto  ditas  manifestações  ou  similares  tenham alguma apoio concreto na realidade ou em dados verossímeis e obedeçam a um razoável interesse  comunitário. a expressão. agrega o seguinte aresto para a boa compreensão da tese.   Sintetizando  entendimento  sedimentado  sobra  a  proteção  mais  frouxa  à  honra  de agentes públicos. a informação. e não  ex post. p.   10. observado o disposto nesta Constituição”. A prevenção camargodemoraes.  é­lhe  vedado  a  apreciação  de  pleitos  de pessoas  que  sintam­se  atingidas  por  notícias  infamantes  que  ainda  estão  por  ser divulgadas? O órgão do Poder Judiciário que determina seja proibida a veiculação de certa notícia é de ser tida como decisão que tem conteúdo censório?   Já foi visto que a liberdade de expressão deve viver em harmonia com o pleno respeito aos  direitos  da  personalidade. processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição.  ficará  nos  desvãos  do  espírito  sobre  se  o desmentido não foi mera desculpa para encobrir a verdade da primeira notícia. Ressarcimiento de Daños. deve­se atuar  ex ante.  A  diretiva  axiológica  exposta  se  reflete  na  frase  segundo  a  qual  as críticas ao poder não devem fazer­se contra o titular do mesmo. A prevenção do dano moral há de ter primazia sobre o ressarcimento.  etc. Em tema de dano a ser provocado por órgão de comunicação. 463. tem­se  a dignidade da pessoa humana como fundamento da República Federativa do Brasil. mas à eficácia ou êxito de sua gestão”.   “Sendo da essência de um sistema republicano garantir o direito de crítica da atuação dos  funcionários  públicos. como estatui o art.  Quando  algum  desses  direitos  é  violado.  De  outra. estritamente não vão mais além do exercício daquele direito.  foi  erigida  a  norma  constitucional.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO cumprimento  de  seus  deveres. 2c.  como  já  assinalado. ou transmissão de algum programa pela televisão  ou  pelo  rádio?  Em  caso  negativo.  Em  feliz  metáfora.  a  reparação  nunca  tem  a  mesma intensidade. XXXV). senão a favor da sociedade” (Zavala de Gonzalez. sem referir­se às qualidades pessoais de quem entenda esteja sendo ofendido. sob qualquer forma. 462). o dano há de ser evitado. III da Carta  Magna.   Diante dos dispositivos constitucionais.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  por  todos  os  meios jurídicos e legais.

  vulnerando  a  sua  dignidade  pessoa. para  impedir  que  a  lesão  ocorra.   A interpretação harmônica das normas constitucionais induz à conclusão de que o ser humano.  etc.  seja  em  decorrência  de sua  própria  atividade  ou  não. instintivamente.  a  intimidade. Mister se faz a  prevenção. o da manifestação do pensamento há de ser sacrificado.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO atua.  na  tranqüila  paz  da  justiça.  por  óbvio.  por  meio  de  técnicas  processuais  que  inibam  o  fato  lesivo  que  está  para ocorrer. uma vez produzida.  antes  que  o  mal  aconteça. o armam dos meios e capazes de debilitar até a simples possibilidade de um mal causado pela injustiça.   No ensinamento de Solder. justamente por isso.  o  ideal  é  evitar  a sanção pecuniária.  por  meio  de  medidas  que  possam  bloquear  qualquer atividade  tendente  a  prejudicar  deve  ser  o  fim  último  e  o  anseio  dos  que  clamam  por injustiça.  com  anterioridade.  O  dinheiro  de  uma  indenização  apenas  mitiga  a  dor sofrida.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  A prevenção  dos  danos  à  pessoa.  Ocorrido  o  evento  danoso. é para preveni­las: Até foge do prazer quando pode ser causa de uma dor”. por meio de reparação. entre estes dois valores.  a  segurança.  o  gozo  e  o exercício de seus direitos. ou pelo menos para por­se em guarda de seus incômodos possíveis.   Henoch Aguiar (Hechos e Actos Jurídicos.   No normal discorrer da vida de relação.com. A dignidade é  res extra comercium (bem fora do comércio) e a pessoa  não  pode  ser  substituída.htm 19/21 . eixo e fundamento do Direito não pode ficar a mercê de uma publicação injuriosa e ele permaneça manietado. somente depois. impedindo que ela se produza; e para que. 1p.  Entre  esses  direitos  podem  ser  destacados  o  livre desenvolvimento  da  personalidade. Responsabilidad por Daños. apenas aguardando que o mal seja feito para. p.  a  honra. buscar a incerta reparação.  a  saúde. “o direito não é um sistema de convivência que se satisfaça com  a  aplicação  das  sanções;  aspira  a  não  ter  que  aplicá­las;  a  que  se  cumpram  os preceitos  primários. sem que se tenha censura. Por isso.   A urgência em que se evite o mal preparado deve ser a tônica da tutela judicial em se tratando  de  prevenção  contra  notícias  infamantes.  constitucionais  a  cada  .   A mais eficaz proteção aos direitos de personalidade é a adoção de medidas  ex ante.  O  direito  põe  à  sua disposição instrumentos capazes de evitar o perigo que representa uma notícia gravosa à sua  hombridade. trata de evitar tudo aquilo  que  possa  causar­lhe  um  incômodo  corporal  ou  espiritual. o homem. 231).   Quando  está  em  jogo  valores  primários  e  bens  personalíssimos. A busca de remédios ressarcitórios passa a ser insuficiente. possa obter a reparação do agravo já consumado.  dada  a  quase  irreparabilidade  dos camargodemoraes. t. Se deseja prevê­las. 170) não dissente ao apregoar que “ nossas  instituições  civis. Não recoloca no status quo ante.   O  anseio  do  homem  é  evitar  todo  o  mal  que  possa  afligir.  A  sanção  não  é  o  preço  da  violação”  (apud  Mosset  Iturraspe. resta ao prejudicado a compensação. IV. v.  Entre  o  livre  direito  à  manifestação  de  pensamento  e  a  possibilidade  de alguém  ser  ferido  em  suas  atribuições  mais  íntimas.  Luta  incansavelmente  para  conhecer  as  conseqüências possíveis dos fatos do passado e do presente para evitar.

 além de ser um atentado grave contra a honra.  ou  de  parte  da  mesma.   Em precedente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. enfim. toda regra que visa a proteger o homem em toda a sua inteireza é que deve merecer a égide do Estado. como regra geral.   Como o diz Ramon Daniel Pizarro (Responsabilidad Civil de los Médios Masivos de Comunicación. Várias razões sustentam esta convicção que alguns. não pode ser aceito em termos absolutos. a liberdade de informação não pode ter a preeminência. em hipóteses de exceção. novela que teatralizava a vida camargodemoraes.  p.   Exceção  ao  princípio  de  que  não  deve  haver  nenhuma  censura  é  que  a  difusão  de notícias falsas e inexatas não atende ao dever de informar.   Sem desconhecer a divergência sobre essa questão.  ou  impedir  ou  restringir  sua circulação.com.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO prejuízos  espirituais. pode parecer escandalosa e herética”.   Avultam  os  riscos  que  a  interpretação  aqui  feita  podem  acarretar.  pode  o  juiz. Sem embargo. a honra e  a intimidade devem receber o  pálio  do  Poder  Judiciário  sempre  que  estejam  na  iminência  de  serem  usurpados  por qualquer  órgão  de  comunicação. seguramente. ou impedir sua circulação.  por  meio  de  medidas  cautelares. como toda determinação judicial há de ser tomada com estrita prudência e perfeita avaliação de qual dos dois direitos (o da personalidade e da imprensa) há de ser sacrificado.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao. mas sendo necessário demarcar posição  para  propiciar  debate  amplificado. Afinal.  em  trecho  inteiramente  aceito  aqui.htm 20/21 . Mediante interpretação franca e sem preconceitos da Constituição.  A  busca  da  indenização  é  uma  forma imperfeita que o Direito põe à disposição do prejudicado e a indenização em dinheiro é um sucedâneo incompleto para trazer a necessária tranqüilidade de anímica a quem esteja na iminência de ser alvejado por notícias de cunho difamatório. a dignidade humana está acima de qualquer outro direito e. Claro que a decisão.  deve prevalecer  a  medida  preventiva  que  vise  a  extirpar  do  meio  noticioso  a  informação  que poderia ser desaguadouro do ultraje. pode o órgão jurisdicional impedir a circulação ou difusão de uma notícia. sobre ele. qualquer direito de personalidade da vítima.  Mas  é  necessário procurar  soluções  eqüitativas  e  que  dêem  necessário  equilíbrio  ao  binômio  direito  de informação – direitos personalíssimos. a honra ou à imagem de um a pessoa.  325).   O mundo atual não permite que o juiz seja apenas um mero espectador de atos que trazem prejuízo injusto a alguém. intimidade e a imagem de uma pessoa.  Verificado  o  potencial  agravante  da  notícia.   Frente ao caráter relativo do direito de informar. está vedado aos juízes a adoção de remédios preventivos que possam importar em censura prévia. a intimidade. Admitimos que. os juristas e os Tribunais encontrarão o melhor caminho a percorrer. Antes. impedir a propagação de notícias que afetem a honra.  fonte  de  desassossego. os juízes podem ordenar – inclusive preventivamente – a proibição temporária ou  definitiva  de  uma  publicação. Apesar de não haver hierarquia  entre  as  normas  insculpidas  na  parte  que  a  Constituição  destinou  aos  direitos fundamentais. De forma preventiva. é da natureza de suas funções atuar no sentido de evitar o dano. e com o propósito de evitar ou de fazer cessar um atentado grave e arbitrário contra a intimidade.  “estamos  convencidos  que  o raciocínio de que é possível o juiz proibir a realização total ou parcial de certas publicações.

  Exerce  a  judicatura  em  Vara  Cível  da Capital de São Paulo.   Ao  apreciar  pleito  que  buscava  impedir  a  circulação  do  livro  intitulado  História  da Resistência  em  Bordeux. sempre de forma restritiva. biografia de Garrincha elaborada por Ruy Castro foi recolhido de livrarias e impedido de circular. até que o Tribunal do Rio de Janeiro entendeu não haver nada de infamante aos familiares do famoso jogador de futebol.com. de extrema gravidade à ofensa dei direitos personalíssimos.     (*)  Antonio  Jeová  Santos  é  Juiz  de  Direito.  constitui  limitação  máxima  à  liberdade  de  informação. O processo cautelar disciplinado em nosso Código de Processo Civil com vigor científico  e  avançado  com  relação  a  outras  legislações  da  época.htm 21/21 .  Por  isso mesmo.  servirá  como  medida efetiva  para  evitar  lesões  à  intimidade  e  à  honra  que  possam  ser  levadas  a  cabo  pelos meios de comunicação. Publicou a obra “Dano Moral Indenizável”. 11: “Ninguém pode ser objeto de  intromissões  arbitrárias  ou  abusivas  em  sua  vida  privada.  segundo  seus  pontos  de  vista  pessoal  ou  sua  experiência. poderão os juízes e tribunais proibirem a circulação de textos ou filmes.   Assim.   Porém. 3ª edição (2001).   A Convenção Americana sobre Direitos Humanos.   A verdadeira proteção aos direitos da personalidade somente ocorre por meio da tutela preventiva. O historiador tem a liberdade plena  e  inteira  de  expor.  o  Tribunal  francês  decidiu  que  os  juízes  não  têm  poder  de determinar  como  deve  ser  escrita  a  história  desprovidos  do  poder  de  investigação inquisitorial. camargodemoraes. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra essas ingerências ou ataques”.  vedar  a  distribuição  de  livro  ou  jornal  e  impedir  a  difusão  de  programa  de televisão  ou  de  rádio. somente em circunstâncias especialíssimas.03/04/12 DANO MORAL CAUSADO PELOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO do  Presidente  Collor  não  foi  ao  ar  e  até  os  dias  atuais.  em  seu domicilio  ou  em  sua  correspondência. traz o seguinte em seus incisos 2º e 3º do art.  De  igual forma.br/pareceres/dano moral causado meios comunicacao.  encontra­se  interditada.  na  de  sua  família. conhecida como Pacto de São José da Costa Rica. o julgador há de apreciar medidas que tenha esse teor.  as atitudes e fatos dos homens que estão a fazer história. o livro Estrela Solitária. A lei não outorga aos juízes a missão de decidir como deve ser representado ou caracterizado um episódio da história nacional ou mundial.  nem  de  ataques  ilegais  à  sua  honra  ou  reputação.