Princípios Penais e Processuais “Conspiração Americana”

Penais

aplicados

no

filme

De início, aplicando o que nos foi apresentado no módulo anterior, o professor ARNO DAL RI JUNIOR, em sua obra “História e Cultura Penal”, trabalha muito sobre o conceito de crime de ‘lesa-majestade’, onde havia uma superproteção ao bem jurídico relacionado com a figura do Rei ou Líder de modo geral, vinculando a este conotações divinas, sendo que qualquer ameaça ou transgressão, que impusesse ofensa a esta pessoa, lesava o Estado como um todo e mais, era um dano que transpassava o meio metafísico e atingia os mais altos valores culturais e religiosos. Pois bem, no filme, o assassinato de Abraham Lincoln no final da guerra civil, foi tratado pelos defensores da União como um atentado a sociedade, uma ofensa muito maior e mais relevante que apenas um homicídio: foi um crime contra o Estado. Desta forma, foi engendrado um julgamento que passa ao largo da legalidade e das garantias fundamentais. Hipoteticamente, caso fizéssemos a subsunção do caso a nossa realidade constitucional, teríamos o seguinte diagnóstico: - No panorama apresentado, podemos perceber a odiosa figura do ‘direito penal do inimigo’, sendo os Réus pré-julgados e considerados de antemão culpados, merecedores de punição para acalmar e curar a “dor da nação”, como dito pelo acusador. Ainda, o Comandante do Exército da União, fortalecendo este nosso ponto de vista, afirmou que “inter arma, silent legem”, ou seja, em tempos de guerra, as leis silenciam-se. Desta forma, a comoção popular sobrepõe-se ao processo, ou melhor, a forma garantida para um julgamento isento e justo, negando-se ao Acusado a conversa com seu procurador antes da sessão de julgamento, e mais, as conversas posteriores eram acompanhadas por um oficial, inexistindo, portanto, as prerrogativas do advogado previstas em seu Estatuto; - Para o julgamento, foram escolhidos os juízes num Tribunal Militar, quando deveria ser um Tribunal Civil com juízes com competência prévia. Assim, podemos apontar ofensas ao inciso XXXVII (não haverá juízo ou tribunal de exceção), LIII (ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente) do art. 5º da CRFB, ou seja, vemos nítida ofensa ao princípio da jurisdicionalidade e suas derivações, tais como o juiz natural.

. há clara ofensa a não culpabilidade (inciso LVII do art. quando trocou todos os juízes que conduziram a instrução quando da prolação da sentença. que indeferem e mitigam a ampla defesa e a faculdade da defesa e da Ré em falar e ser ouvida (FREDIE DIDIER). e ainda negação ao contraditório. eis que o remédio heroico é um termômetro do Estado Democrático.Não menos importante.Por fim. a suspensão do direito fundamental ao Habeas Corpus é passo ao totalitarismo.ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória) e a presunção de inocência. não há garantia ao duplo grau de jurisdição. e mais. João Carlos Harger Jr. o que demonstra a ânsia para a punição. escolheu a acusador. afirmando inclusive que “alguém deve ser responsabilizado”. . como resposta a população. . rompendo a novamente a prévia competência e a indivisibilidade do Ministério Público. 399 do CPP). notadamente na negativa em aceitar a depoimento pessoal. sendo que há inegável parcialidade dos julgadores. o Comandante do Exército da União que orquestrou esse indigno julgamento. e mais.Durante o julgamento. antes da forma e da salvaguarda de garantias. . levou por terra a ‘identidade física do Juiz’ (§2º. colocando a frente a pressa e a vingança. 5º da CRFB . art.