julho 2005 :: ano 2 :: nº19 :: www.arteccom.com.

br/webdesign

publicidade online
criatividade, personalização e estratégias para aparecer na web
entrevista: Suzana Apelbaum

R$ 7,90

e d i t o r a

arteccom

prova que viver intensamente é essencial para alimentar boas idéias

portfólio: 10’ Minutos

“Há vida além do webdesign. Mídia, gerência de projetos, atendimento... algumas funções apresentam mais oportunidades de trabalho” Michel Lent

case: Shoptime.com
o projeto mostra como é possível convergir tv e web, sintonizando as campanhas dessas diferentes mídias

sites experimentais

veja como eles podem enriquecer seu portfólio e abrir as portas para novos clientes

direitos autorais

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quem somos

Equipe
Direção Geral Adriana Melo
adriana@arteccom.com.br

Editorial

“Publicidade tem alto impacto e vida curta, design tem baixo impacto e vida longa”
Assim, o veterano designer Alexandre Wollner conseguiu distinguir, sucinta e eficazmente, essas duas profissões. Mas isso não quer dizer que elas estejam tão distantes assim, principalmente quando se fala de um ambiente multidisciplinar como a internet... Numa agência web, convivem profissionais das mais diferentes áreas (jornalismo, marketing, design, negócios etc.). Dessa forma, quanto mais valorizarmos e aprendermos com essa diversidade, melhor será a sintonia entre os setores e isso se refletirá na qualidade do produto final. Nesta edição, vamos conhecer mais sobre o papel do publicitário na web, que começa na criação de uma campanha e vai até a análise dos resultados obtidos. Discutiremos sobre inspiração, criatividade, estratégias e relacionamento. Dentro disso, alguns profissionais falam sobre a personalização da propaganda e a importância de tratar, cada vez mais, o consumidor com exclusividade e, principalmente, com emoção. Resgatar o lado humano, tocar os sentimentos, emocionar: essa deve ser nossa busca com design, publicidade, jornalismo ou qualquer outra especialidade na web. Boa leitura a todos!

Direção de Arte Patrícia Maia
patricia@arteccom.com.br

Ilustração Beto Vieira
beto@arteccom.com.br

Diagramação Jeferso n Costa
jeferson@arteccom.com.br
:: A Arteccom não se responsabiliza por informações e opiniões contidas nos artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários. :: Não é permitida a reprodução de textos ou imagens sem autorização da editora.

Direção de Redação Andr é Philipp e Iunes
andre@arteccom.com.br

Redação Tatiana Serra
tatiana@arteccom.com.br

Assinaturas Jan e Costa
jane@arteccom.com.br

Gerência de Tecnologia Fabi o Pinheiro
fabio@arteccom.com.br

Webdeveloping Eric Nascimento
eric@arteccom.com.br

Financeiro Luana Rocha
luana@arteccom.com.br

A Arteccom é uma empresa de design, especializada na criação de sites e responsável pelos seguintes projetos: Revista Webdesign :: www.arteccom.com.br/webdesign Curso Web para Designers :: www.arteccom.com.br/curso Encontro de Web Design :: www.arteccom.com.br/encontro Portal Banana Design :: www.bananadesign.com.br Projeto Social Magê-Malien :: www.arteccom.com.br/ong

Criação e edição

Adriana Melo

www.arteccom.com.br

Produção gráfica
www.prolgrafica.com.br

Distribuição
www.chinaglia.com.br

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apresentação pág. 4 quem somos pág. 5 menu

matéria de capa pág. 20 entrevista: Suzana Apelbaum pág. 26 Tudo para chamar atenção

contato pág. 6 emails pág. 6 fale conosco

e-mais pág. 40 estudo de caso: Shoptime.com pág. 46 artigo: Alquimistas da web pág. 54 tutorial : Padrões Web

fique por dentro pág. 8 direito na web com a palavra pág. 58 webwriting: Bruno Rodrigues pág. 60 marketing: René de Paula Jr. pág. 62 criação: Marcos Nähr portfólio pág. 12 veterano: 10’ Minutos pág. 18 calouro: Osmar Junior pág. 64 webdesign: Luli Radfahrer pág. 10 clipping pág. 11 adote esta página

menu

emails
Assunto: Está chegando... Olá, Gostaria que, além dos modelos de Briefing e Tabela de valores, o site da Webdesign tivesse também um Modelo de Contrato de Prestação de Serviço, pois acho que seria muito útil.
Fernando Souza fernando@fesz.net

Aqui em Sorocaba, temos uma certa dificuldade para encontrarmos bons projetos. Geralmente, quando você começa a falar sobre valores acima de R$ 1000,00 o cliente já expressa certa insatisfação. Talvez a maioria das pessoas ainda não dê o devido valor para Projetos Web, ou o afastamento da cidade em relação à capital (São Paulo) interfira no quanto a pessoa espera investir em projetos desse tipo (se bem que as diferenças, devido às distâncias geográficas, fazem Oi Antônio, Conforme pedido, envio, em anexo, o debate, a entrevista e a matéria principal da Revista Webdesign nº 17. Abraços! Gostaria de fazer uma observação quanto aos valores divulgados na tabela do site da webdesign, não sei se você poderá esclarecer... Tenho alguns amigos em agências aqui em Sorocaba e os valores causaram discórdia. Como vocês chegaram a esses valores? Aproveito o email para parabenizá-la pelo excelente trabalho apresentado pela Arteccom e pelo excelente conteúdo da revista Webdesign e do site BananaDesign. Grato,
Vinicius Serpa www.vserpa.cjb.net

Fernando, temos uma boa notícia: estamos redesenhando o site da revista, que terá, além do modelo de contrato que você sugeriu, outras novidades, como um fórum para os leitores trocarem opiniões sobre as edições. Veja ao lado uma prévia do layout, só para dar um “gostinho”... e aguarde o lançamento oficial ;) Assunto: Debate: valores de sites

cada vez menos sentido).  Nossa, que diferença. Mas você deve sempre explicar o valor do seu trabalho, ok? O que o cliente está adquirindo e que retorno terá, para que ele entenda como um investimento. Ah, gostaria de aproveitar para fazer uma pesquisa “informal” sobre valores de sites. Peço aos leitores que me enviem emails com uma média dos valores cobrados em suas cidades. Aguardo o contato de vocês! Divulgaremos os resultados no novo site da Revista! []’s Adriana adriana@arteccom.com.br

Assunto: Auxílio Sou assinante da revista desde o primeiro número e fico muito satisfeito com a abordagem feita e os assuntos tratados até hoje. O tema abordado na edição 17, conteúdo, é atualmente nosso calcanhar de Aquiles aqui na administração do nosso portal de comunicação de vendas. Bem, o que venho lhe pedir é se eu poderia receber a matéria via e-mail para poder apresentar a minha gerente e ao meu coordenador. O mais importante para nós é o debate pois até cita a ferramenta que estamos adotando: Vignette. Desde já agradeço a atenção. Abraço.

Muito obrigado pela resposta. A matéria será de grande valia para a conscientização do pessoal da minha equipe e minha gestora. Abraços e parabéns (que nunca são demais) pela excepcional revista.
Antônio Felipe Fernandes asfernandes@timbrasil.com.br

Olá Vinicius, Bem, fizemos uma pesquisa com os profissionais das agências do eixo Rio-São Paulo. O que vocês acharam dos valores?

fale conosco pelo site www.arteccom.com.br/webdesign
:: Os emails são apresentados resumidamente. :: Sugestões dadas através dos emails enviados à revista passam a ser de propriedade da Arteccom.

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direito na web

Imagens e direitos autorais
Gostaria de saber se eu posso modificar imagens, fazer montagem com fotos e outras imagens e colocar no meu site.
Luckinha (luckasffernandes@yahoo.es)

As imagens podem ser digitalizadas, sendo passadas do suporte gráfico para o suporte virtual ou fixadas diretamente através de câmaras digitais. Podem ainda ser criadas por designers gráficos (autores da obra, no caso). À exceção do próprio
Marianna Furtado é advogada com pós-graduação em Direito da Propriedade Intelectual pela PUC-Rio. Atualmente, pertence à equipe do escritório Montaury Pimenta, Machado & Lioce Advogados. Envie sua dúvida para: marianna@montaury.com.br

nas imagens (fotos), o que demandaria também o consentimento de artistas, arquitetos, cenógrafos. Só não se constitui como violação as paródias, ou seja, caricaturas ou alterações em fotos com finalidade humorística, uma forma de liberdade de expressão do pensamento crítico. Diz o legislador nessa hipótese, no entanto, que as alterações não poderão implicar-lhe (à obra) descrédito. Como essa linha é muito tênue, prevalece o interesse público manifestado através do exercício do humor, sobre o direito individual do autor ou do artista, desde que não ofendam alguém em particular.

fotógrafo ou da pessoa a quem cedeu direitos de comercialização, ninguém mais poderá colocá-la no espaço virtual (web). E o mais importante: ninguém poderá alterar a foto se não seus autores ou titulares. Portanto, modificar ou fazer montagens utilizando imagens alheias, alargando-as, diminuindo-as, alterando-lhe as projeções, seccionando-as, modificando suas cores geram danos de ordem moral ao autor e, em alguns casos até material, vez que são atos contrários a legislação vigente, o que enseja a condenação do infrator em reparar os danos causados ao autor da imagem (fotografo ou designer). O acima exposto se aplica no caso do fotógrafo, por exemplo, titular de direitos autorais sobre a fotografia que clicou, porque ilícitos outros, como alterar o rosto ou o corpo da pessoa retratada, implicam violações aos direitos de personalidade da pessoa retratada, e também dos direitos de outros autores de desenho, pintura, gravura, escultura, maquete de engenharia ou arquitetura, projeto cenográfico e assemelhados, porventura representado

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clipping
Brasil é campeão em navegação pela Web
Último ranking da Nielsen/NetRatings mostra o Brasil como líder de tempo de navegação na Web, no mês de abril. Os brasileiros passaram em média 15 horas e 14 minutos “folheando”, em casa, páginas de sites, tomando o primeiro lugar do Japão (14 horas e 20 minutos) e dos Estados Unidos (13 horas e 21 minutos). Os sites governamentais continuam entre os mais visitados, ao lado dos blogs e dos relacionados à saúde. O Nielsen/ NetRatings apurou ainda que houve um aumento do uso da internet entre 20 e 22 horas, horário nobre da televisão.

Complemento de nossa edição 18
Para complementar nossa matéria sobre Cursos, destacamos a ENG DTP & Multimídia, que também mantém instalações de treinamento e capacitação em tecnologias web para atender portadores de deficiência físicas. Visitamos a empresa em São Paulo e coletando novos aspectos que impressionam os visitantes. Além da equipe capacitada, com certificação nas tecnologias mais procuradas pelos alunos, a empresa inaugurou um novo laboratório totalmente projetado para atender às necessidades educacionais em vários níveis e para atender à grande procura pelos seus cursos e provas de certificações. ”Para poder atingir este nível, investimos regularmente há mais de 12 anos na capacitação e certificação de nossos instrutores e o nosso laboratório recebeu novos equipamentos DELL com com monitores Slim de tela plana, e foi instalado num espaço climatizado e altamente adequado para uso dos alunos”, afirma o engenheiro Álvaro José Venegas, diretor da ENG. A nossa reportagem constatou também que a ENG, para atender a um mercado altamente competitivo onde cada vez mais as empresas buscam profissionais altamente treinados, anunciou novas turmas para cursos e certificações COREL, Macromedia, Microsoft e Adobe, incluindo treinamento para o desenvolvimento de aplicações multimídia e multitarefas a partir do uso de softwares da COREL, Macromedia, Microsoft e Adobe para uso em plataformas LINUX e Microsoft. Os treinamentos emvolvem a criação de aplicações para web services com acesso a banco de dados e aplicações para uso na comunicação móvel. Mais informações: http://www.eng.com.br .

(01)

Telecom japonesa transmite cheiros pela internet
Depois de muitas empresas terem tentado sem sucesso, a NTT Communications, do Japão, anuncia a criação de um dispositivo que transmite cheiros pela internet. Segundo o USA Today, o aparelho, semelhante a uma bola de cristal, acoplado a um PC por uma porta USB, recebe informações do site da NTT e as transforma, por meio de um software, em diversos aromas, misturando substâncias armazenadas em seu interior. A NTT começará a vender a engenhoca somente no Japão no próximo trimestre por cerca de 680 dólares.

(02)

Vírus bloqueia arquivos e pede resgate
Um novo tipo de vírus, que começa a se espalhar pela internet promete dar muita dor de cabeça. Ele bloqueia os arquivos das máquinas infectadas e pede resgate de US$ 200 dólares para liberá-los. Descoberto pelo Websense Labs e batizado de “seqüestrador digital”, o vírus traz também um endereço de e-mail através do qual a vítima pode se comunicar com o seu autor para pagar o valor do resgate. O FBI, que está investigando casos já relatados, quer saber como o estelionatário receberá o dinheiro. Uma coisa é certa: por conta bancária não é porque seria fácil rastreá-lo.

(03)
(01) www.estadao.com.br/tecnologia/internet/2005/mai/18/120.htm (02) www.estadao.com.br/tecnologia/internet/2005/mai/25/33.htm (03) www.estadao.com.br/tecnologia/internet/2005/mai/24/154.htm

Erratas
1. Na edição anterior, a URL da R3F está incorreta. O endereço certo é: www.r3f.com . 2. Na mesma edição, na seção “portfólio calouro”, não publicamos a url da agência Beta: www.betaid.com.br.

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A renda deste anúncio é integralmente revertida para o projeto Magê Malien - Crianças que brilham. Anunciando aqui, a AZMT contribuiu com o Magê Malien, projeto social que possibilita a crianças de comunidades carentes, o acesso à educação, arte e cultura, através da prática da capoeira, dança e oficinas de teatro. Faça como a AZMT, anuncie nesta página e ajude a manter o brilho dessas crianças. Informações: tel. 21 2253-2464/e-mail publicidade@arteccom.com.br Visite o site www.arteccom.com.br/magemalien

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portfólio veterano :: 10’ Minutos

10’Minutos

para interagir
por Tatiana Serra

O mundo da comunicação tradicional, ou unilateral, hoje divide espaço com a interatividade. Para o público, as opções aumentaram, e para as empresas, ficou mais prático e “inteligente” contratar uma única agência que integra todas as etapas de um negócio com uma mesma linguagem. Enquanto as novas mídias, o celular, a internet, a tv interativa e outros tipos de MOD (mídias ondemand) ganham espaço no mercado, antes ocupado apenas pela tv, pelo rádio e pela mídia impressa, a agência 10’ Minutos Interactive foca seu trabalho na mídia interativa, dando especial atenção ao marketing online e ao design de interface.

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Nascida em 1996 no Rio de Janeiro, e desde 2002 em São Paulo, a 10’Minutos Interactive segue os moldes das agências de publicidade tradicionais que, geralmente, trabalham com clientes de diversos segmentos, sempre procurando evitar o conflito de interesses. “Portanto, buscamos ir mapeando o mercado para trabalhar com, ao menos, um cliente de cada segmento: entretenimento; alimentação; bebidas; bancos etc. O diferencial da 10’Minutos está na sua experiência de mercado e foco no marketing para as novas mídias”, diz Michel Lent Schwartzman, sócio-diretor da agência. A 10’ considera a busca do equilíbrio entre a criatividade, a inteligência de planejamento, a qualidade de produção e a maximização de resultados, como seu produto final. Para Michel, este equilíbrio, normalmente bem difícil de se conseguir, deveria ser condição “si ne qua non” de qualquer projeto. Afinal, “de que adianta um trabalho criativo, se ele não traz resultado para o cliente? Para que serve um projeto muito bem executado completamente fora do prazo?”. Foco, planejamento, visão de futuro e austeridade administrativa Segundo Michel Lent, “o sucesso de uma empresa é, antes de tudo, sua sobrevivência financeira e, em seguida, ver onde ela consegue chegar”. Para atingir o equilíbrio e conquistar o sucesso a cada projeto, a equipe 10’Minutos é composta por 30 profissionais e está estruturada em 2 áreas: criação e negócios. Na criação: diretores de arte, designers, redatores,

10’Minutos A 10’Minutos foi assim batizada com base em uma pesquisa que, em 1996, indicava que o tempo médio de navegação em

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um site era de 10 minutos. “Achamos também que era legal ter um nome menos usual, misturando números, e que fosse fácil de se guardar”, diz Michel Lent.

programadores e gerentes de projeto. Em negócios: planejamento, atendimento, mídia e novos negócios. Fazendo parte da 1ª geração de empresas de internet do País, a 10’ é considerada como referência no mercado web. “Iniciamos a 10’ sem 1 centavo de investimento, em um quarto da minha casa, no Rio de Janeiro. Nossa estratégia inicial, para ganhar visibilidade, era trabalhar sites de personalidades que gerassem mídia espontânea”, lembra Michel. Os dois primeiros projetos foram o site do cantor Ivan Lins e do jogador Ronaldinho. “Este (o do Fenômeno) gerou até uma notícia de 40 segundos no Jornal Nacional. A exposição do nosso trabalho trouxe, na seqüência, clientes de porte, como a IBM e a Petrobras”, destaca ele. Pedra no sapato do cliente e da agência Relembrando as histórias dos primeiros sucessos da agência, Michel considera que o maior problema enfrentado pelo designer na criação de um site é conciliar um belo projeto de interface (funcional, elegante, adequado) com os objetivos do cliente. “Estes dois mundos estão sempre se sobrepondo. Conseguir levar adiante um bom projeto de interface que cumpra os objetivos do cliente é uma tarefa complicada; exige uma boa dose de colaboração e perseverança por parte dos dois lados”, confessa ele. E, um bom relacionamento com os clientes depende de alguns fatores. Para tratar esses fatores, Michel Lent aposta numa mistura de profissionalismo e psicologia. É preciso trabalhar com método, prazo, qualidade, além de entender o que o cliente quer e do que ele precisa. “Costumo falar pra minha turma de atendimento que o principal é descobrir onde está a pedra do sapato do cliente, com o que ele se incomoda, do que ele precisa. Se conseguirmos descobrir isso e, como resposta, entregarmos um projeto profissional, estaremos chegando perto de um bom relacionamento...”, completa Michel.

www.carmim.com.br/verao2005

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portfólio veterano :: 10’ Minutos

portfólio veterano :: 10’ Minutos

Internet: principal ponto de contato Segundo o sócio-diretor da agência, a internet é o mais perto que um consumidor pode chegar de uma marca. “Nenhum consumidor visita o prédio da empresa da marca ou encontra algum representante na rua. A presença na internet é, portanto, o principal ponto de contato”. Ele lembra ainda que, “se tivermos isso bem claro na cabeça, o resto vem automaticamente”. E basta entender que a divulgação da marca na internet implica em boa apresentação, informações, serviços, adequação de conteúdo etc. Michel acredita que “estamos vivendo um momento único na história do mundo. Estamos vivenciando uma revolução tecnológica que afeta mercados, produção, comunicação, indústria. É um momento fantástico para estar no nosso mercado (web)”. Começando junto com a carreira A 10’Minutos pretende se consolidar entre as 10 maiores agências de mídias interativas do País. E, para trabalhar com comunicação interativa, é preciso ser interativo também, especialmente, no momento da inspiração. Se definindo como um consumidor de mídia audiovisual compulsivo, Michel Lent passa o dia na internet, a noite na tv assiste de 8 a 10 filmes por semana (entre cinema, DVD e tv a cabo), assiste novela, jornal, ouve rádio e se informa via RSS. “Acho que a inspiração vem da mistura de todos estes elementos de informação dentro da minha cabeça”, diz ele.

RSS É um formato de distribuição de informações pela Internet, como notícias. Ao usar RSS, o internauta fica sabendo imediatamente quando uma informação do seu interesse é

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publicada, sem que ele tenha de navegar até o site de notícias. O UOL é o primeiro portal brasileiro a implementar o RSS.

Designer gráfico, mestre em Telecomunicações Interativas pela New York University, Michel teve a felicidade de começar a carreira no momento em que a própria carreira estava começando, o que lhe dá status de pioneiro. “O status de pioneiro te dá privilégios, mas também traz obrigações. Sinto que temos um papel importante na formação profissional do nosso mercado, tanto no treinamento de pessoas no trabalho, quanto na publicação de artigos, matérias e palestras”, admite ele. ROI: peça-chave da internet Por falar em artigos, em “Esse tal de ROI” - um dos artigos de Michel Lent, que pode ser encontrado no site da 10’Minutos -, ele fala sobre a importância de ter um bom plano de ROI para colocar um projeto na internet, além da necessidade de comprovar esse retorno constantemente, para que o projeto seja levado a sério. E que, enfim, hoje, há a constatação de que os projetos são, sim, interessantes do ponto de vista do ROI. Para Michel, este famoso “ROI” é uma das peças-chave da internet. “É um dos poucos ambientes onde é possível se ver na luz a verdade sobre o retorno dos projetos: quantas pessoas clicaram no banner, quantos visitantes, quantos cadastros, quantas vendas”. Ele diz que há um lado bom e um lado ruim, ambos mostrados pela internet: é bom poder medir e é ruim perceber que nem sempre os números são tão fantásticos assim. O sócio-diretor da 10’ acredita que, em qualquer projeto de internet, “é fundamental definirmos exatamente o que queremos com ele e de que forma vamos medir o seu sucesso. Colocar um site na rede sem divulgação e esperar que isso aumente suas vendas é, por exemplo, um ROI mal pensado (uma vez que ninguém visita um

ROI Return Of Investment ou Retorno de Investimento.

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site sem qualquer divulgação)”. Por outro lado, ele ressalta que, “usar a web como mídia tem se mostrado extremamente vantajoso para os anunciantes, que, comparando com outros meios, gastam muito menos para divulgar e vender”. Atuais Projetos A respeito dos atuais projetos da 10’minutos, Michel informa que a agência iniciou um contrato com a Fox para o marketing online de seus filmes no Brasil e em 24 países da América Latina. O primeiro projeto da agência foi o lançamento do filme 5J=H9=HI111. Segundo Michel, há uma renovação freqüente de clientes, “no sentido de que temos crescido em número de clientes. Mas, geralmente, nosso relacionamento com eles se dá em longo prazo, com uma carteira fixa, seja por projetos ou free mensal”, explica ele. A 10’Minutos também tem trabalhado ativamente com a Globo.com, o Banco Real, a Gradiente, a Kaiser e a Seara. Além dos clientes diretos, trabalhamos também em parceria com agências como a Africa e a Young & Rubican. Entre os projetos da 10’, Michel destaca dois de interface e uma campanha: Redesenho do Portal Brasil, Banco Real O primeiro projeto de peso da 10’Minutos, em São Paulo, foi o redesenho do Portal Brasil, do Banco Real. Foram feitas todas as áreas abertas do portal, criando normas e manuais de estilo para a manutenção. O projeto correu durante 8 meses, nos anos de 2002 e 2003, e foi importante por diversas razões: ”vencemos uma concorrência de muito peso, com diversos players, em uma época que a 10’Minutos tinha apenas cinco pessoas”, diz Michel, destacando também que “o altíssimo padrão técnico e acadêmico do cliente exigiu muitíssimo da 10’ em termos de planejamento e documentação”. Redesenho Paparazzo, Globo.com Recém-finalizado (maio de 2005), este foi um projeto desenvolvido a quatro mãos pelas equipes da 10’Minutos e da Globo.com. “Neste projeto, o foco da 10’Minutos ficou 100% no projeto de interface, uma vez que a implementação também ficou a cargo do cliente. O resultado pode ser conferido online no www.paparazzo.com.br.”

Campanha ‘Você Nasceu Para Voar’, TAM Recente campanha feita para a Young&Rubican / TAM. “Nossa parceria com a Y&R começou no momento da concorrência, quando participamos com ela do processo, uma vez que a internet é uma mídia estratégica para este segmento”.

www.bancoreal.com.br

www.paparazzo.com.br

Campanha online para a TAM em parceria com a Young & Rubican

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portfólio veterano :: 10’ Minutos

portfólio veterano :: 10’ Minutos

Conheça um pouco mais sobre Michel Lent Michel Lent Schwartzman decidiu fazer Design Gráfico porque “multimídia” era um conceito quase inexistente em 1988. Era aficcionado por computadores, música, fotografia e cinema. “O Design era onde eu podia chegar mais perto de todas estas coisas. Se fosse para começar de novo, acho que faria tudo de novo, ou iria para Hollywood tentar a vida como diretor de cinema”, diz ele, que nasceu nos Estados Unidos, mas passou a maior parte da vida no Brasil, já que sua família é brasileira. Michel já palestrou em universidades e instituições por todo o Brasil, desenvolveu dezenas de projetos de comunicação interativa, estruturou departamentos, equipes e processos. Ele também participou e ganhou diversos prêmios internacionais, quando trabalhava em outras empresas. Entre eles: Cannes, New York Festivals, Clio e One Show. Para o próximo ano, ele planeja inscrever a 10’Minutos em prêmios, pela primeira vez. “Prêmios e resultados nem sempre caminham juntos, mas acho uma forma legítima de se reconhecer o que consideramos bom”, ressalta Michel, que também está envolvido em premiações como articulista do Webinsider, júri do Prêmio Ibest, desde 1999, e do Festival de Gramado. Aos 36 anos, ele também é coordenador de design interativo da Miami Ad School e professor do MBA da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Michel costuma desenvolver projetos experimentais voltados ao conteúdo, serviço ou comunidade. Ele criou o “Que Página Legal”, depois, o “Eu Vi Primeiro”, o “Top 10 Brasil” e o “WDJobs” (que hoje se chama ClickJobs). “Mantenho o meu fotolog comunitário de fotos do Rio de Janeiro (www.fotolog.net/rio) e, mais recentemente, comecei o ‘Viu Isso?’ (www.viuisso.com.br), meu blog de notícias comentadas”. Além disso, Michel criou a WDBrasil (listas de discussão), em 1996, devido a dificuldade de encontrar pessoas que fizessem o mesmo que ele. Logo, a WDBrasil se tornou a mais importante do País, e foi assim durante alguns anos, “reunindo uma turma muito legal e dando espaço a iniciativas muito interessantes como a PROMIT, sites e projetos coletivos”. As listas ainda se mantêm ativas, divididas em 4 grupos de interesse. A WDDesign é a mais importante, com cerca de 1900 assinantes. As inscrições podem ser feitas pelo site da 10’Minutos.

Dicas Michel se considera absolutamente entusiasmado pelo meio no qual trabalha. “Trabalhar pra mim é um grande prazer, e isso me parece um raro privilégio”, afirma ele. Porém, há uma coisa que deixa Michel triste: “jovens com a cabeça voltada para o passado, para o velho, para os modelos que já eram, que não percebem o momento especial em que vivemos e as oportunidades que eles estão perdendo. Não posso exigir que um profissional de 50 anos de idade entenda todo este contexto, mas, para um jovem, esta é sua obrigação”. Ele aproveita para dar algumas dicas aos profissionais que estão começando no mercado da web: - Absorva o máximo de informação especializada (da nossa área) que você conseguir: revistas, jornais, sites, fofoca entre os amigos - saiba quem faz, o que e aonde; - Compreenda o movimento do mercado e suas especializações. Cada vez mais, as empresas começam a se especializar em nichos: marketing, e-learning, sistemas, design de interfaces, publicidade. Entenda o funcionamento destes segmentos, escolha o que mais lhe interessa e procure se especializar; - Entenda as diferentes disciplinas existentes no mercado. Há vida além do Webdesign. Pense em tecnologia, mídia, gerência de projetos, atendimento. Determinadas funções apresentam muito mais oportunidades de trabalho.

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portfólio calouro :: Osmar Junior

Design no mundo de Oz

por Bete Veiga

Osmar Licio Ferreira Junior, também conhecido como OZ, cursa o quarto e último ano do curso de Design da Universidade Estadual de Maringá e já leciona Web Design no Cebrac (Centro Brasileiro de Cursos) de Cianorte, no Paraná. Aos 24 anos, nascido em Santos – SP, há dois anos desenvolve trabalhos como freelancer, conseguindo novos projetos com freqüência quinzenal ou até semanal.
Tudo começou através de um amigo proprietário de uma empresa de web, que necessitava de layouts bem elaborados para os web sites de seus clientes. Hoje, com mais de 40 jobs de layout para web realizados (dentre eles para o Centro Acadêmico Bauhaus, o Paraná Fashion, a Expovest, o International Job USA, a Aldeia Web), Osmar tem uma rotina de freela, que inclui liberdade de horários e oscilações de renda. Geralmente, trabalha sozinho, mas possui parceiros que são acionados quando necessário. Experiente, aprendeu muito da profissão na prática, em sites, livros e fuçando muito. Ainda assim, reconhece o valor da formação universitária. ”Acredito que esta experiência me forneceu subsídios importantíssimos na vivência do dia-a-dia de um webdesigner. Aprendi as malícias e armadilhas da web meio que na marra, porém, uma formação universitária pode aprofundar temas e conceitos que, talvez, a prática não nos forneça”. Dos tempos de funcionário efetivo, cita uma passagem marcante, que lhe serviu de lição: “Desenvolvi o layout de um website para uma confecção após analisar a empresa, sua identidade visual, o estilo de sua nova coleção e suas necessidades, embasado em várias regras de percepção visual, gestalt (percepção das formas), psicodinâmica de cores, tudo num processo consciente. Apresentei o layout pronto ao chefe, que ordenou uma série de alterações e pediu que eu enviasse ao cliente para aprovação. Como teste, resolvi enviar os dois layouts, o meu e o alterado pelo chefe. Resultado: o cliente adorou o layout feito por mim e ficou realmente satisfeito com o trabalho. Isso mostra que, apesar das pressões, se você confia no seu trabalho e conhecimento, você será reconhecido”.
www.macksonn.com.br (realizado em parceria com a Marknet Web Solutions) www.jobusa.com.br

Músico nas horas vagas (toca vários instrumentos), Oz também curte desenhar, ler, ir ao cinema, ver filmes em DVD e jogar videogame. Suas metas? Lançar uma empresa de design bastante abrangente e arranjar uma brecha na correria diária para se dedicar a algum esporte. Isso... por enquanto!

O site de Osmar Junior é <www.mundooz.com.br> e o email para contato, <contato@mundooz.com.br>. Para participar da seção portfólio, cadastre-se no site www.arteccom.com.br/webdesign.

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entrevista :: Suzana Apelbaum

É vivendo que se cria

Por André Philippe Iunes

“A publicidade, seja ela em que meio for, trabalha com as emoções humanas, e não há exercício melhor do que viver intensamente para ser iluminado por boas idéias”. São com essas palavras que Suzana Apelbaum, uma das profissionais de criação mais premiadas do mercado, define a postura que o publicitário, independente de qual mídia atue, deve ter com relação aos processos criativos. Em uma conversa informal, Suzana fala à Webdesign sobre questões referentes à evolução da propaganda online no Brasil e destaca alguns pontos importantes quanto ao uso dos formatos existentes hoje. Atualmente como diretora de criação da RMG Connect, sua trajetória inclui passagens por renomadas produtoras, como a MLab e a Agência Click, e projetos realizados para a Coca-Cola, Fiat, Brastemp, Warner Bros Pictures, C&A, Credicard e MSN. Eleita a profissional do ano em criação pelo prêmio Meio&Mensagem 2004, Suzana já conquistou algumas estatuetas nos maiores festivais internacionais de propaganda online, como Cannes Cyber Lions, One Show-NY, Clio, London International Awards; além dos nacionais, como Prêmio Colunistas, About, MSN MMonline e iBest. A seguir, compartilhe um pouco de sua experiência e, se possível, leia essa entrevista em um local arejado. Quem sabe não surge uma idéia criativa?

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Wd :: Como você analisa a evolução da publicidade hoje na rede? Suzana :: A publicidade online evoluiu muito e numa velocidade enorme. O quadro hoje no Brasil é radicalmente diferente do que tínhamos há dois anos. Os fatores que tiveram mais influência nisso são: a aparição de novos formatos de publicidade online, o incremento do uso de banda larga e o conseqüente aumento de investimentos dos anunciantes na internet. Com os novos formatos, abriu-se mais espaço para a criatividade e os anúncios tornaram-se mais atraentes e eficientes. Em paralelo, o uso de banda larga amplia a visibilidade de anúncios com vídeo, o que abre um novo h o r i z o n t e p a r a v e i c u l a r c o m e r c i a i s d e t v, t r a i l e r s d e filme etc. Além disso, a aposta crescente dos anunciantes na publicidade online vem encorajando os veículos a oferecerem cada vez mais formatos novos, diferenciados e até personalizados. Wd :: Até que ponto é possível personalizar uma propaganda online a cada tipo de usuário diferente? Quais seriam os meios para viabilizar isso? Suzana :: A segmentação na internet chega em níveis de altíssima precisão. Já é possível, por exemplo, fazer um banner exclusivo com o nome do consumidor no título. Mas este é só um exemplo bobo. A verdade é que não existe um ponto final na capacidade de segmentação. A cada dia descobrimos novas formas de conhecer o consumidor online e elaboramos estratégias diversas para ganhar a sua atenção no meio de tantos estímulos. Outro benefício atrelado à capacidade de segmentação do meio internet é que, além de receber publicidade relacionada ao seu perfil, o usuário pode ainda interagir com a mensagem e receber a resposta à sua interação também de forma customizada. no meio online? Quais fatores influenciaram os modelos de persuasão existentes

estratégias Algumas formas de trabalhar a segmentação na internet: - E-mail marketing - Segmentação por perfil demográfico

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(mulheres, residentes em SP, no bairro do Morumbi, casadas, com três filhos e um cachorro) ou seleção de assuntos escolhidos pelo internauta para receber por e-mail (ex. dicas sobre saúde). - Mensagem publicitária segmentada nos portais Identificação do usuário através do discador do provedor (dial-up ou banda larga). - Identificação do usuário por meio do login ou histórico de navegação – exemplo: Yahoo!, Amazon etc. - Segmentação por Comunidade - grupos de discussão, blogs, sites de relacionamento. - Segmentação por Conteúdo - Adequação da mensagem publicitária a um conteúdo especializado.

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entrevista :: Suzana Apelbaum

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Wd :: Quais seriam as formas inteligentes de propaganda veiculadas na rede hoje? Suzana :: Cada campanha tem seu objetivo e, portanto, uma forma diferente de solução inteligente. O importante é estar atento às possibilidades peculiares da web e cruzar isso com os verdadeiros objetivos da campanha. Nem sempre a criatividade ou a visibilidade é a saída mais inteligente. A questão é o pensamento estratégico por trás de cada veiculação. Para materializar essa idéia, vou citar um exemplo recente de uma campanha desenvolvida na RMG para a Trident. A JWT tinha feito um comercial de tv muito bacana com os temas de chat e encontro às escuras. O briefing para a campanha na internet era viralizar ao máximo esse filme. No lugar de investirmos em títulos engraçadinhos com animações incríveis em flash, e em mandar emails indicando o vídeo para uma base gigante de jovens, optamos por focar nossa

“A grande tendência é a utilização de vídeo nos anúncios. Hoje, é possível veiculá-los em full banners, skyscrapers, pop-ups e, até mesmo, em tela cheia”

estratégia em sites de comunidade, onde já havia um interesse explícito no produto Trident e nos assuntos de chat. Além disso, compramos uma pequena base de email marketing do Par Perfeito - site de match making, totalmente aderente ao tema do filme - e ainda entramos com robôs dentro de chats, em salas jovens. O resultado foi impressionante: uma taxa de clique nos emails de 80%, e mais de 100 mil visitas ao filme em menos de uma semana. A grande sacada não era nada criativa. Era de mídia. E a idéia veio da criação. Wd :: Quais são as principais tendências de publicidade que podemos encontrar hoje na rede? Suzana :: A grande tendência é a utilização de vídeo nos anúncios. Hoje, é possível veiculá-los em full banners, skyscrapers, pop-ups e, até mesmo, em tela cheia. Em termos criativos, começamos mostrando os comerciais de tv replicados nas peças, depois, evoluímos para uma navegação atrelada a esse comercial, e, hoje, já temos experimentado produzir vídeos exclusivamente para internet - o que tem feito um grande sucesso e tem se provado realmente eficaz. Temos dois exemplos recentes desse tipo de produção muito bacanas: a campanha de Cross

full banner Banner no formato 468 x 60 pixels. Outros formatos são: half banner, com 234 x 60 pixels, e botão, com 120 x 60 pixels.

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skyscraper Formato publicitário que se assemelha a um “arranha-céus” e que aparece na vertical nos sites. Os tamanhos variam entre 120 x 600 pixels e 160 x 600 pixels.

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Fox, da Volkswagen, com o conceito “The legend of Omaha” (www.legendofomaha.com.br) e a de Fire Flex, da Fiat, com o conceito “Tanto faz” (www.fiatfireflex.com.br). Além dos vídeos, há novos formatos muito interessantes que estão chegando no mercado e prometendo trazer grandes resultados. Um deles é o Ooka Ooka, da United Virtualities. Nesse formato, o browser do usuário se torna completamente personalizado pela marca anunciante, dando uma cara diferente para os botões tradicionais de navegação e ainda agregando a possibilidade de mostrar vídeos e novos links no mesmo espaço. Fizemos na RMG um browser deste tipo para a campanha de Brastemp Colors, cujo conceito era “Saia do comum”. O próprio formato já endossava a assinatura. Há também uma série de intervenções possíveis de se fazer nas homepages dos portais. As páginas r a s g a m , d o b ra m , p u l a m , f a z e m o q u e s e i m a g i n a r. O problema maior disso, além do custo, é o uso inadequado deste formato. Por ser um tanto invasivo, requer muita criatividade, originalidade e pertinência ao conceito da campanha, para garantir um resultado positivo. Caso contrário, a peça se baseia somente na exibição do formato diferente e aborrece o usuário, perdendo o seu sentido. Outra novidade que vem pra ficar é a compra de links patrocinados. É uma mídia com custo baixo, de produção barata e alta eficácia, especialmente para alguns

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interagir com a sua primeira chamada. A idéia de uma peça na internet, então, tende a ser um pouco mais complexa, por ter desdobramentos que variam conforme a reação de cada consumidor. Wd :: Em geral, qual o papel da internet dentro de uma ação publicitária mais abrangente, em que haja veiculação televisiva e radiofônica? Suzana :: A internet pode assumir papéis bem diferentes conforme cada campanha. Há situações em que
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ela apenas dá apoio à ação: por exemplo, em campanhas e promoções que rolam na tv e nas rádios, e o consumidor vai na internet apenas para entender melhor a oferta e ter mais informações. E há situações em que a chave da ação está na web. Nesse caso, é o rádio que assume o papel de apoio para divulgar a ação online. Ainda temos poucos casos em que, numa campanha envolvendo internet, rádio e tv, a internet tenha a maior importância. Geralmente, ela funciona como complemento ou apoio. Mas existe já uma tendência de, não só o complemento web assumir uma importância cada vez maior, mas também da tv e do rádio assumirem também o papel simples de chamar o consumidor para a ação principal na internet. Wd :: Qual postura que o “e-publicitário” deve ter com relação às limitações da mídia? Até que ponto viabilização e criatividade andam juntas? Suzana :: Já foi o tempo em que os formatos online eram grandes limitadores da criatividade nas peças. Hoje, é possível se fazer praticamente tudo na internet. Dá inclusive pra se fazer muito mais online do que nos veículos tradicionais, onde a comunicação com o consumidor é de mão única.

segmentos. Esse formato já está consagrado nos Estados Unidos e acredito que, em breve, vá se consagrar aqui também. Wd :: Se pudéssemos traçar um paralelo entre a televisão, o rádio e a internet, onde há semelhanças e diferenças entre essas mídias no que diz respeito à criação de uma peça publicitária? Suzana :: Para criar uma campanha, seja ela em que mídia for, o criativo passa por um mesmo processo: desenvolve um raciocínio que o leva a um conceito. Esse conceito criativo é a alma da campanha. O que vai mudar é a forma como ele vai se materializar em cada meio. Nesse momento é que surgem as diferenças. Cada um trabalha com limitações e um escopo de possibilidades diferentes. Isso é o que muda tudo. No rádio, por exemplo, não há imagens. Então, é preciso desenvolver um raciocínio muito mais verbal e sonoro. Na tv e na internet, os recursos áudiovisuais são mais parecidos. Mas, para criar para tv, o raciocínio de um roteiro, por exemplo, tende a ser mais linear. A história começa e acaba no próprio comercial. Já na internet, é preciso criar já considerando que o usuário vai

“Para criar uma campanha, seja ela em que mídia for, o criativo passa por um mesmo processo: desenvolve um raciocínio que o leva a um conceito. Esse conceito criativo é a alma da campanha. O que vai mudar é a forma como ele vai se materializar em cada meio”

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Criatividade e viabilidade sempre andaram e andarão juntas, não só na publicidade online, mas também na offline. Assim como várias vezes ficamos limitados ao espaço de um full banner, por exemplo, também o publicitário offline pode ter que fazer seu anúncio numa página simples, sendo que a idéia caberia perfeitamente num de página dupla. E mais: muitas vezes, ele tem apenas 30 segundos pra contar uma história, enquanto que, na internet, temos todo o tempo que o usuário quiser pra interagir com a nossa marca. A postura do publicitário diante das limitações deve ser sempre a mesma: a de prezar pela idéia e pela sua execução com criatividade, focando no valor criativo do conceito. Wd :: Em que o publicitário deve buscar inspiração para criar uma propaganda de sucesso na internet? Suzana :: Na vida. Não tem nada mais rico e inspirador do que ir ao cinema, teatro, museu, andar no meio da rua, fazer sexo, ter filhos, viajar, não necessariamente nessa ordem (risos). A publicidade, seja ela em que meio for, trabalha com as emoções humanas, e não há exercício melhor do que viver intensamente para ser iluminado por boas idéias. Pra quem quer uma resposta mais prática, sugiro navegar nos sites de premiações internacionais, como Cannes (www.canneslions.com), NY Festivals (www.newyorkfestivals.com) e London International Awards (www.liaawards.com). Lá, tem um registro excelente do que o mundo tem feito de mais criativo e eficiente na internet. Wd :: Em quais particularidades da mídia ele deve ficar atento? Suzana :: São várias peculiaridades interessantes: a interatividade, o fácil acesso a comunidades de diversos interesses, a possibilidade de se viralizar uma idéia, a exposição da marca ao usuário a qualquer dia e hora especialmente durante o horário comercial -, a rapidez de produção e veiculação de campanhas, o custo menor dessa produção, a possibilidade de trabalhar segmentações inéditas em outros meios, entre várias outras vantagens. Wd :: Na sua opinião, qual foi a peça publicitária que mais marcou a internet e por quê?

Suzana :: A campanha de BMW Films. A história da publicidade online se divide em antes e depois dela. Foram seis filmes veiculados em série, curtas de até 10 minutos, de grandes diretores do cinema de Hollywood, produzidos exclusivamente para a internet. Os veículos BMW apareciam de forma subliminar e indireta, e as vantagens do carro apareciam no decorrer da história. Detalhe: os filmes eram vistos apenas pela web, mediante cadastro e download. Em 4 meses, foram 3.7 milhões de cadastrados. Os direitos dos curtas foram vendidos e a produção de um DVD consolidado gerou vendas, na primeira semana, superiores ao DVD da 5ª temporada de Friends (seriado de tv americano). O Washington Post diz que o lucro gerado pelo DVD pagou o investimento de 35mi da montadora. Infelizmente, este site já foi retirado do ar.

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Por André Philippe Iunes

Se observássemos uma linha do tempo mostrando a evolução da rede no Brasil, do seu nascimento aos dias atuais, perceberíamos algumas fases bem definidas no que diz respeito à sua concepção como mídia. No seu surgimento, por exemplo, só o fato de estar presente na WWW já era para uma empresa um sinal de modernidade, de estar à frente do seu tempo. Com o passar dos anos, conforme o amadurecimento do meio, foi necessária uma análise mais profunda e particular sobre como a comunicação fluía nesse novo ambiente. Desenvolviam-se assim os estudos de usabilidade e arquitetura da informação. Hoje, talvez em resposta aos grandes investimentos feitos na web, a preocupação em divulgar corretamente uma marca, produto ou serviço, torna-se o diferencial entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento online.

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Entretanto, as questões relativas à propaganda na rede esbarram em alguns pontos críticos referentes a sua apresentação ao usuário. Dependendo de como ele é persuadido, o retorno obtido em uma campanha pode ser bem diferente do proposto inicialmente. Quem nunca ficou irritado com as “chuvas” de janelas pop-ups nos grandes portais? Estes mesmos sites oferecem um antídoto para o mau uso desses formatos: os “anti-pop-ups”. Sendo assim, cortar o mal pela raiz torna-se mais fácil do que propor uma política viável para a exibição de anúncios que não sejam incômodos ou invasivos ao visitante, comprometendo, assim, a sua qualidade de navegação. Personalização: a propaganda sob encomenda É importante destacar que a tendência é cercar o usuário não pelo excesso de propaganda, mas pela qualidade e pertinência da mesma. Customização é o termo que define esse modelo de persuasão, que proporciona resultados satisfatórios, além do retorno positivo de imagem. A personalização é o início de ações mais inteligentes, propícias para uma mídia interativa como a internet. Dessa maneira, em uma campanha online, saber tirar proveito das possíveis segmentações no público-alvo passa a ser o grande desafio e fator de sucesso de uma estratégia publicitária. Sendo assim, é preciso definir o alvo a ser atingido. Segundo Erica Valente, designer da agência interativa Lo-V (braço criativo da produtora Loducca 22), o ambiente online encontra-se atualmente tão segmentado quanto o meio offline. Ela destaca que não é simplesmente a visibilidade de uma campanha o grande objetivo dos anunciantes. “Hoje, os esforços são direcionados para o ‘relacionamento’. Quanto mais próximo você chegar, com qualidade, ao seu usuário, falando a sua língua e suprindo suas expectativas e carências, melhor será o resultado. O internauta quer mensagens personalizadas, diretas e exclusivas, ou seja, um tratamento dirigido, quase emocional. E já que temos ferramentas para saber quem ele é, por que não tratá-lo com exclusividade?”, explica Erica. Compartilhando da mesma opinião, o publicitário Rafael Payão, CEO da agência Full Tecno, explica que, para realizar uma ação publicitária mais eficaz, é preciso personalizar o foco da mensagem a determinados grupos específicos, como os

adolescentes, os jovens etc. Por outro lado, se a estratégia é o aumento do share of client, ou seja, fazer com que individualmente um cliente permaneça completamente apaixonado por uma marca, toda comunicação deve ser 100% personalizada, o que, segundo ele, já é plenamente possível. Para Carlos Pitchu, gerente geral de operação da agência Advice, filial São Paulo, os canais focados em nichos e ambientes, onde os usuários navegam identificados, são extremamente eficientes. Estas opções são muito inteligentes e têm um custo benefício inigualável. “É mais fácil vender passagens para Honolulu para quem deseja conhecer o Havaí, do que para quem deseja conhecer a Itália. Parece óbvio, mas é pouco praticado. A internet permite níveis de segmentação jamais vistos. É preciso utilizar esse potencial no limite máximo”, ressalta. Outra forma de atingir o usuário com uma propaganda personalizada se dá por meio do e-mail marketing. Na opinião da diretora de operações da agência Media Contacts, Ana Clara Cenamo, essa estratégia é bastante eficaz, pois, em geral, é possível dirigir uma mensagem publicitária a um público-alvo específico. “Podemos segmentar o e-mail marketing de várias maneiras: por sexo, idade, região, classe social, interesses, padrões de consumo etc. Em um planejamento estratégico e tático de mídia online, é preciso sempre buscar atingir o consumidor de várias maneiras e em todos os lugares em que ele se encontra”, lembra a diretora. Links patrocinados: formas inteligentes de publicidade O princípio básico da propaganda em um site de busca consiste no fato de que o anunciante tem nas mãos uma informação sobre cada um dos visitantes: a palavra-chave pesquisada. Carlos Pitchu destaca que, com isso, é possível relacionar um anúncio a determinada categoria de palavras-chave, segmentando e ampliando a eficiência da propaganda. “Conseguimos, com isso, que o anunciante tenha maior relevância para o expectador, estabelecendo uma comunicação mais eficiente. Outra possibilidade é melhorar a posição do ranking de exibição de resultados. É possível ser o primeiro da lista para um determinado grupo de palavras-chave pesquisado”, detalha.

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Ana Clara afirma que os links patrocinados são uma excelente opção para os anunciantes que têm operações comerciais, como, por exemplo, os sites Submarino, Mercado Livre, Americanas etc., e para aqueles que buscam uma constante exposição da marca, pois o retorno nas vendas e no tráfego é direto. Ela lembra que esse formato tem a vantagem de não se resumir apenas a uma campanha sazonal, pois, geralmente, são programados para ficar no ar durante meses. “Podemos adaptar uma ação de links patrocinados a ocasiões especiais, no caso do Dia das Mães, por exemplo. Além disso, a relação custo-benefício é excelente, já que o usuário que faz a busca tem predisposição para visitar o site do anunciante, proporcionando uma taxa de conversão bem alta”, afirma a diretora. Seguindo essa tendência, o site de busca Google já oferece um tipo de propaganda inteligente: o Google AdWords. No instante em que o usuário faz uma pesquisa por um determinado assunto, no retorno dos registros obtidos, aparecem links de anunciantes que fornecem serviços ou produtos referentes à palavra-chave procurada. No caso de sites como o Terra, o Yahoo e o MSN, por exemplo, os links patrocinados são mostrados logo no início dos resultados, em uma área destinada especificamente para eles. O grau de especificação é tão grande que o Gmail, e-mail

gratuito oferecido pelo Google, disponibiliza links patrocinados que tenham, de algum modo, relação com as palavras contidas no assunto ou no corpo da mensagem que o usuário recebeu. Tendências, estratégias e formatos Na web, os anúncios publicitários podem ser classificados quanto ao volume de dados transferidos, ou seja, pelo seu tamanho em Kbytes. Carlos Pitchu define, de maneira geral, dois tipos de peças: uma indicada para banda estreita e outra destinada à banda larga. As de banda estreita são aquelas que não ultrapassam os 12 Kbytes e têm seu tempo de transferência muito reduzido, mesmo em conexões discadas. Já as peças de banda larga, conhecidas como “Rich Media” (mídia rica), podem ultrapassar os 150 Kbytes e são bem recebidas por assinantes de internet a cabo. “A definição do volume da peça deve ser feita a partir do público-alvo e do tipo de segmentação. Se a ação for mais massiva, normalmente opta-se por uma banda mais estreita. Por outro lado, se for mais focada, uma banda mais larga. Com o tempo, a tendência é que a banda cresça de maneira geral”, prevê Carlos. Segundo Ana Clara, a publicidade no meio online é trabalhada basicamente de duas formas: uma que ela denomina de “mídia online gráfica”, veiculada em formatos mais convencionais e praticada nos portais e sites em forma de banners, janelas pop-ups, aplicativos DHTML, botões, superstitials, entre outros, muito explorados pelos anunciantes. A outra, é o marketing nos buscadores (Search Engine

formatos Carlos destaca que as peças podem seguir padrões e guidelines propostos por entidades regulamentadoras, como o Interactive

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Advertising Bureau - IAB (www.iab.net). Neste site, é possível saber como especificar boa parte dos formatos publicitários existentes.

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Aposte na sua carreira

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Marketing), que engloba sua ferramenta mais conhecida, os links patrocinados, citados anteriormente. No caso da mídia online gráfica, por utilizar formatos mais atrativos e visuais, é indicada para campanhas sazonais, promoções e ações de branding, que buscam causar um forte impacto e fixar uma marca e um conceito no pensamento do consumidor. Entre as diversas opções, existem aquelas que são mais indicadas para determinadas ações. “Banners e outros formatos mais conservadores são mais eficientes para anúncios de exposição constante, pois garantem sustentação. Já outros formatos, como os de Rich Media, são indicados para ações mais focadas e de grande impacto. Nesse caso posso citar também o DHTML e o superstitial”, aponta Ana Clara. Para o diretor de criação da Agência Click em Brasília, Ricardo Figueira, a publicidade online sofreu no Brasil muitas mudanças e com grande velocidade. E isso não se deve somente ao advento da banda larga, mas também à utilização de novas tecnologias de streaming, como, por exemplo, as fornecidas pela Eye-Blaster. “Atualmente, com o advento da banda larga, há uma grande utilização de formatos multimídia mais sofisticados e

experiências interativas mais pesadas. E isso inclui filmes exclusivos para internet. Mesmo assim, infelizmente, isso ainda é uma realidade exclusiva para as classes A e B. A diferença é que esse público se traduz na classe econômica ativa do mercado”, lembra Ricardo. Seguindo um caminho mais alternativo, fugir dos formatos tradicionais pode ser uma solução original para atingir mais rapidamente os objetivos de uma campanha. Segundo Erica Valente, o componente viral hoje é um dos grandes responsáveis pelo sucesso de uma iniciativa publicitária na web. “Projetos como ‘RONC’, desenvolvido para Nissin Miojo para o lançamento de Cup Noodles, teve mais de 25 mil cadastrados em apenas três meses. ‘Desesperados e Santinhos’, campanha feita para divulgar as matrículas na Escola Panamericana de Arte e Design (http://www.lo-v.com/ clube/desesperados1), teve grande retorno em mídia por clickthroughs”, destaca Erica. Criatividade: onde buscar inspiração? Ter uma grande solução, buscar o conceito ideal que resuma todos os anseios do anunciante, colocar tudo em prática, ou seja, dar vida à idéia criativa não é uma das tarefas mais fáceis para os publicitários. Há quem pense que a criatividade possa ser exercitada. Outros vêem como uma inspiração divina, que aparece em determinados momentos. Na opinião de Ricardo Figueira, o exercício da criatividade deve acontecer na busca por referências em todos os lugares, mídias e, principalmente, na própria experiência de vida. “Particularmente, acredito que as pessoas precisam namorar, ir ao cinema, visitar a avó, jogar

Viral O marketing viral se caracteriza quando uma determinada mensagem publicitária se propaga automaticamente entre um

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grupo de pessoas, divulgando uma propaganda no que seria “o boca a boca” no meio offline.

Clickthroughs É quando o usuário clica em uma propaganda e vai para o site do anunciante.

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“Banners e outros formatos mais conservadores são mais eficientes para anúncios de exposição constante, pois garantem sustentação. Já outros formatos, como os de Rich M edia, são indicados para ações mais focadas e de grande impacto” Ana Clara Cenamo
futebol, encontrar seus filhos etc. Só assim é possível reconhecer e viver sentimentos, pois propaganda em qualquer lugar, inclusive no computador, se propaga por meio da sensibilização e se concretiza na emoção”. Além disso, conhecer bem o mercado faz a diferença. Saber as particularidades do público-alvo, bem como seus costumes e anseios, pode servir de subsídio na hora de lapidar um conceito criativo. Na visão de Rafael Payao, da Fulltecno, o publicitário deve estar sempre atento aos sentimentos o usuário do mercado. “É importante em sua conhecer profundamente o produto e buscar oportunidades que façam prestar atenção mensagem”. Compartilhando da mesma opinião, Carlos Pitchu alerta que o criativo deve entrar no universo do público-alvo de uma campanha, porém, sem ser invasivo. “Respeite o browser do seu expectador”, enfatiza. Apesar dos inúmeros formatos publicitários existentes, é preciso fazer a diferença, seja na forma de passar uma mensagem ou, até mesmo, no modelo interativo proposto. Ricardo Figueira cita como exemplo uma ação feita pela Agência Click no ano passado, em que foi veiculada uma campanha na qual banners permitiam ao usuário inserir o número de telefones dos seus amigos. Automaticamente, era disparada uma ligação com a voz do ator Fábio Assumpção para essas pessoas, anunciando o lançamento da BrasilTelecom como se fosse um bate-papo informal. “As mulheres ficavam em polvorosa. Foi um tal de ‘O Fábio

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“...acredito que as pessoas precisam namorar, ir ao cinema, visitar a avó, jogar futebol, encontrar seus filhos etc. Só assim, é possível reconhecer e viver sentimentos, pois propaganda em qualquer lugar, inclusive no computador, se propaga por meio da sensibilização e se concretiza na emoção” Ricardo Figueira
Assumpção me ligou’ que não acabava mais, e a internet teve um papel inédito de atingir pessoas que não estavam necessariamente na web”, conta Ricardo. E para estimular a mente, o diretor de criação da Media Contacts, Luis Renato Constantino, explica que o “e-publicitário” deve prestar atenção nas particularidades do meio. Ele aponta que quanto maior o conhecimento, mais subsídios o profissional terá para criar quando receber um briefing. “É preciso prestar atenção em vários aspectos da mídia, como interatividade, nãolinearidade e hipertextualidade. Conhecer tecnologias existentes e se anteceder, sempre que possível, às novas tendências e aos espaços virtuais, como os blogs, o orkut, os comunicadores instantâneos etc., é muito importante”, aconselha o diretor. Mensurando os resultados de uma campanha Para saber se uma campanha foi bem sucedida, é necessário analisar uma série de dados e resultados, como o número de cliques gerados, taxa de conversão (vendas, cadastros ou visitas ao site do anunciante), custo por conversão etc. Esses dados são importantes para traçar um diagnóstico mais específico de uma campanha e, conseqüentemente, realizar possíveis ajustes. Luis Renato cita que a grande promessa da internet, enquanto veículo de publicidade, foi, além da possibilidade de mensurar tudo o que uma campanha gera, poder rastrear o comportamento do usuário para estratégias futuras. Ele explica que, para ter acesso a todos estes dados completos, é necessário o uso do Ad Server, ferramenta de marketing interativo criada para implementar e controlar a inserção de campanhas publicitárias online. “A Media Contacts possui uma ferramenta de inteligência de mídia que armazena, analisa e interpreta os dados brutos gerados pelos Ad Servers e os transforma em relatórios claros, profundos e específicos. Assim, é possível fazer as reformulações necessárias em tempo real, além de permitir um planejamento mais eficiente para próximas ações publicitárias”, conta Luis. De mesma opinião, Ricardo Figueira diz que esse tipo de controle é uma grande vantagem da mídia interativa. Entretanto, mesmo que esses dados sejam importantes para aferir o desempenho de interação de uma campanha, ele alerta que é preciso não cair no erro de ignorar ou não mensurar a importância da exposição de marca ou mensagem independente do clique. “De qualquer forma, os dados captados pelas ferramentas sempre são tabulados por uma inteligência de planejamento que recomenda ajustes ou modificações em função de novos objetivos, tanto para mídia quanto para criação”, conclui Ricardo. Do papel ao meio online: como é o planejamento de uma propaganda? Mesmo que a idéia central de uma peça publicitária surja nos momentos mais inusitados, ou, até mesmo, de algum fato cotidiano, todo processo criativo se inicia com o bom entendimento do briefing. De modo geral, o profissional de atendimento é o responsável por essa importante etapa do processo. Ricardo destaca que seguir um briefing bem feito é essencial, pois, de nada adiantam idéias maravilhosas que não atendem às necessidades do cliente. Ele destaca que a integração entre a equipe de criação e a mídia também faz muita diferença no sucesso da propaganda. “Cada produtora tem um jeito de trabalhar. Na Agência Click, o briefing, muitas vezes, é o fator inspirador para a alocação de uma equipe para um determinado projeto”, enfatiza Ricardo. Para Luis Renato, o processo criativo na internet é bem parecido com a criação para outros meios. Seguindo o mesmo conceito adotado por Ricardo Figueira na Agência Click, ele explica

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que a equipe de atendimento se reúne com o cliente para saber quais os objetivos que ele quer atingir com a campanha. Depois, reúne-se com a equipe de criação para passar e discutir o briefing. “Nesta reunião, fica claro qual é o conceito da campanha. Forma-se uma dupla com um redator e um diretor de arte, que vão roteirizar a peça e criar algumas opções de linhas criativas para que o cliente possa escolher. Este trabalho é feito em parceria com um programador de web, assim, já é possível saber o que é viável em termos de tecnologia. Depois que o cliente aprova uma das idéias, faz-se o layout e finaliza-se a peça”, detalha Luis. Pecando pelo excesso... Talvez, o pior pesadelo de um usuário seja entrar em um site e ser bombardeado por diversos tipos de publicidades. Pop-ups que se abrem, full banners pesados que impedem o carregamento de uma página, banners expansíveis que confundem a navegação. Enfim, um caos causado por excessos. Ana Clara destaca que o maior exemplo do mau uso das propagandas online são os spams, ou envio de email para mailings que não autorizaram o recebimento de comunicação. “Se os pop-ups são intrusivos, os emails marketing não autorizados são dez vezes mais invasores e requerem medidas mais definitivas. Contra isso, os provedores de emails desenvolveram os “anti-spam”, nem sempre eficientes contra este problema”, relata a diretora. Com relação ao limite estabelecido pelos portais quanto ao tamanho, peso, número de impressões das propagandas veiculadas, ela explica que isso varia de acordo com a filosofia de cada veículo. Na sua opinião, uns prezam mais pelo conteúdo e não abrem muito espaço para publicidade, outros permitem formatos mais inovadores. “Há

também um cuidado para que não sejam veiculadas peças de anunciantes concorrentes no mesmo momento. O ideal é que uma mesma peça não apareça mais do que quatro vezes para o mesmo usuário e, é para ter esse controle que, hoje em dia, existem ferramentas inteligentes como o Artemis, que fornece dados para estabelecer a freqüência de uma campanha”, demonstra Ana. Na internet, assim como em outros meios, a diretora enfatiza que é necessário ter cuidado com o excesso de publicidade para que não haja uma “poluição visual” que incomode o usuário. O grande volume publicitário pode ser prejudicial a partir do momento que irrita o visitante de uma página. “Um exemplo é uma peça de uma montadora de automóveis, veiculada em um site de entretenimento e roteiros culturais há algum tempo. A cada clique, aparecia um DHTML enorme, com som, e que estava presente em todas as páginas. Esse exagero de exposição é muito prejudicial”. Tv, rádio e web: o que eles têm em comum? A função de uma propaganda é clara: chamar a atenção. Entretanto, o que diferenciam a tv, o rádio e a web, no mercado

pop-ups Com relação ao excesso de janelas pop-ups, muitos portais disponibilizam para download aplicativos que bloqueiam este tipo de formato. Ricardo Figueira explica que esses

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mecanismos prejudicam a navegação, pelo simples fato de não interpretarem nos sites certas “exposições-não solicitadas”, mas somente janelas que se desprendem do browser. “Por outro lado, se eu clico em um link e ele não abre só porque está em formato diferenciado, e o meu anti-pop-up está ativado, isso é um anti-serviço”, conclui.

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“É preciso prestar atenção em vários aspectos da mídia, como interatividade, nãolinearidade e hipertextualidade. Conhecer tecnologias existentes e se anteceder, sempre que possível, às novas tendências e aos espaços virtuais, como os blogs, o orkut, os comunicadores instantâneos etc., é muito importante” Luis Renato Constantino

publicitário, não são apenas os valores cobrados. Na opinião de Luis Renato, na criação de uma campanha para a internet, faz-se uso da interatividade, da narrativa não-linear e da hipertextualidade. “Nos preocupamos com usabilidade e acessibilidade. Na tv e no rádio, não existem tais possibilidades. Essas mídias utilizam recursos lineares, como a narrativa, e de um limitado tempo de exposição para transmitir a mensagem desejada”, compara o diretor. Ele complementa explicando que, devido às peculiaridades de cada meio, o retorno esperado pelas ações é diferente. Na televisão e no rádio, as campanhas são feitas para as grandes massas, enquanto que, na internet, as campanhas são mais segmentadas, diretas e os recursos distintos. “A produção de um spot de rádio ou de um comercial para a tv é mais limitada que o desenvolvimento de uma peça para a internet, no que se diz respeito às possibilidades de criação. No rádio, por exemplo, a principal e única forma de comunicação é o áudio. Na tv é possível trabalhar com áudio e imagem ao mesmo tempo, um recurso a mais no processo criativo. Porém, em ambos os

casos, não há na propaganda uma interação direta entre o usuário e o receptor da mensagem”, explica. Independente do meio, encarar o processo criativo como um exercício constante de observação do ser humano, seus comportamentos e costumes, requer, acima de tudo, o desprovimento de qualquer tipo de censura. Conhecer todas as tecnologias e formatos publicitários existentes no mercado online é importante para traçar uma estratégia de campanha, porém não basta para sair do lugar comum. Antes de tudo, perceber que a nova mentalidade na web valoriza a relação do usuário com a mensagem torna-se o primeiro passo para criar peças mais inteligentes, eficientes e pertinentes ao visitante. Dessa forma, ganham os anunciantes, que têm um retorno maior do investimento, e usuários, que não ficam à mercê de uma utilização publicitária indiscriminada. Que vençam todos!

A lógica dos links patrocinados O marketing em buscadores se tornou uma das estratégias de publicidade online mais bem sucedidas entre as opções que estão à disposição atualmente no mercado. No caso dos links patrocinados, para estar no topo da lista é simples, pois o processo funciona como um leilão. Sendo assim, o anunciante que pagar mais por determinada palavra fica em primeiro lugar. Ex.: palavra “casa” Anunciante 1- paga R$ 0,61 por click na palavra Anunciante 2 - paga R$ 0,60 Anunciante 3 - para R$ 0,59 E assim por diante... No caso do Google, há uma “regra” a mais. Além do preço, o anunciante que tiver a maior taxa de clique fica em primeiro no ranking.
Fonte: Media Contacts

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anúncio

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tudo para chamar atenção

Ao criar uma peça publicitária na rede, lembre-se de... Não se censurar O publicitário de mídia online deve, acima de tudo, não ter preconceitos ao criar. Prestar atenção O profissional de criação deve buscar referências em todos os lugares e todas as mídias, a internet naturalmente permite acesso a todo tipo de iniciativa interativa. Explorar o ambiente interativo A principal diferença entre as outras mídias e a internet é a capacidade de captar a reação do consumidor impactado. Na web, a interatividade é uma característica a ser explorada. Dedicar-se O fator principal que vai lhe diferenciar no mercado não está ligado a cursos ou a qualquer receita de bolo. Como em qualquer profissão, o nível de interesse em fazer o melhor possível é sempre preponderante. Mensurar resultados A internet é o único meio em que existe a possibilidade de criar, anunciar, vender, obter os resultados de maneira detalhada e manter o canal de relacionamento com o consumidor. Ter foco Conheça melhor o seu público-alvo, seus hábitos de consumo e de utilização da web. Na internet, podemos criar campanhas totalmente dirigidas a determinados segmentos de usuários. Conhecer a tecnologia Além de comunicação e marketing, é preciso compreender muito bem os aspectos técnicos envolvidos em uma publicidade online. Na internet, os formatos e o comportamento do público andam de mãos dadas com uma tecnologia que se renova a cada dia. Prestar atenção ao tempo de audiência Com o advento da banda larga, aumenta o tempo de audiência da internet, pois as pessoas gastam mais horas na frente de seus computadores.

Formatos e estratégias publicitárias na web Full Banner – Banner que tem como medidas padrão 468 pixels de largura e 60 de altura, com peso entre 12 e 15kb. Muito utilizado pelos grandes portais. Full Banner expansível – Full Banner que se expande à ação do usuário. Esse tipo de formato é muito útil quando a propaganda requer uma área gráfica maior. Peso até 15kb. Skycrapers – Banner vertical de grandes dimensões em torno de 160 pixels de largura e 500 de altura. Esse tipo de formato geralmente é disposto nas laterais dos sites. Peso até 15kb. Janela Pop up – Formato de grande visibilidade e muito utilizado pelos portais. Peso até 15kb Janela Pop up Under – Formato que aparece “por baixo” do navegador. Ou seja, o usuário ao fechar o browser se depara com o anúncio. DHTML Floating - Anúncio flutuante que aparece por cima do site. Feito em Macromedia Flash, utiliza linguagem DHTML ou JAVA para apresentação juntamente ao código HTML da página. A principal característica desse formato é o fato de não abrir uma nova janela do navegador. Peso até 30kb. Supertistial - Formato publicitário que aparece na seqüência de duas páginas, como se fosse uma espécie de comercial televisivo, ocupando boa parte da tela. O anúncio só aparece após o carregamento completo. São disponibilizadas no formato pops que podem chegar a 2MB, permitindo som e navegação. Patrocínio de newsletter – Estratégia publicitária que pode ser veiculada nos formatos Full Banner, Skycrapers etc., nos mailings enviados a determinados grupos específicos. Links patrocinados – Estratégia utilizada pelos anunciantes que querem maior destaque nos sites de busca. No retorno dos resultados obtidos, os primeiros registros são geralmente reservados aos links patrocinados. Jogos interativos – possibilita que o usuário tenha maior experiência com determinada marca. Neste caso, pode ser explorado também de forma viral e como um bom canal para a coleta de informações cadastrais dos visitantes. E-mail marketing – considerada a versão online do marketing direto, o e-mail marketing tem como principal característica a segmentação do público-alvo a que se destina uma propaganda. O retorno obtido é grande devido à pertinência da mensagem veiculada aos seus remetentes. Product Placement – E s s a e s t r a t é g i a d e p r o p a g a n d a mistura publicidade ao conteúdo editorial de um site. Fazendo uma analogia, é o mesmo tipo de publicidade feita nos filmes e novelas, onde uma marca ou produto aparece fazendo parte da cena. Vídeo – Com o advento da banda larga, o uso do vídeo e som se torna um grande recurso para atrair a atenção do usuário. Há casos em que são produzidos vídeos exclusivamente para a web.

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Campanhas de sucesso

awards.agenciaclick.com.br/pms/pt Agência Click Cliente: MSN BRASIL / CANAL MSN MULHER / REVISTA TPM Nessa peça, a Agência Click simulou as reações da TPM em um Full Banner. Media Contacts Cliente: Peugeot Campanha: Peugeot 206SW Para lançar o Peugeot 206SW na web foi criada uma peça que possibilitasse interação. Nela, além de conhecer todas as características do novo carro, o usuário pode assistir ao vídeo da campanha.

awards.agenciaclick.com.br/ recyclingprogram/pt Agência Click Cliente: Coca-Cola Ao movimentar a barra de rolagem do site para baixo, a lata vai se amassando e aparece a mensagem: “Reciclagem. Essa é a real”.

www3.advicenet.com.br/advice/ambiente_midia/banners/ loreal_preference.htm Advice Net Cliente: Loreal Para simular a coloração das tintas da Loreal, quando o usuário passa o mouse sobre o banner, a cor do cabelo muda. Uma idéia simples que enfatiza de forma eficaz o produto do cliente.

Em que o “e-publicitário” deve estar mais atento ao criar uma propaganda de sucesso na internet ?
www3.advicenet.com.br/advice/ambiente_midia/banners/ ciccarelli_mao.htm Advice Net Cliente: Vivo Explorando o conceito interativo, nessa peça, quando o usuário tenta passar o mouse em cima da modelo Daniele Cicarelli, o cursor muda, avisando ser uma área proibida.

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Público-alvo Criatividade Interatividade Concorrência Peso em kbytes

Acesse e participe! www.arteccom.com.br/webdesign

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tudo para chamar atenção

debate

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estudo de caso :: Shoptime.com

Shoptime: aproximando tv e web
por Tatiana Serra

Na tv ou na web, a proposta do Shoptime não é comparar as duas mídias e sim aproximá-las, já que este é o único varejista com presença na web e um canal de vendas na tv. O objetivo é a conversão das mídias, ou seja, fazer com que o cliente da tv participe dos programas através da internet, e os clientes da internet sejam estimulados a assistir aos vídeos dos produtos.

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O site Shoptime.com, que surgiu para expandir a diversidade de produtos comercializados pelo canal de tv, é hoje um dos três maiores sites de e-commerce do Brasil, sendo os sites Americanas.com e Submarino os outros dois. Para quem pensa que isso basta, saiba que a empresa almeja muito mais... Há projetos para fazer do site uma opção de entretenimento na internet. É justamente sobre o sucesso do site Shoptime.com, seus “segredos” e novidades, que nos fala Tiê Lima, profissional com seis anos de experiência em e-commerce e atual coordenador de criação do site. Confira a entrevista! WD: Quando surgiu o site do Shoptime? O que a empresa pretendia ao optar pela web? TL: O site Shoptime.com surgiu em 1997 com a necessidade de expandir o leque de produtos comercializados pelo nosso canal de tv; e, em pouquíssimo tempo, se tornou um forte canal de vendas. Hoje, o site possui cerca de 8.000 itens comercializados e é um dos três maiores sites de e-commerce do Brasil. WD: Como foi passar a imagem da empresa para a internet? TL: A internet não é vista apenas como uma mídia de apoio nas nossas ações de branding. É entendida por nós como um meio essencial para que os nossos atuais e futuros clientes façam a leitura correta do que a nossa marca projeta. Somos uma empresa que procura estar presente no dia a dia do nosso cliente, tanto na hora do lazer, do trabalho, ou mesmo em casa. O cuidado em transmitir esses ideais está desde a maneira como fazemos os cadastros de nossos produtos até a fotografia, deixando tênue a linha entre os produtos e a maneira como eles serão inseridos no cotidiano dos consumidores que optaram pela nossa marca. WD: Certamente, o principal objetivo do Shoptime é divulgar e vender seus produtos, seja através do canal de televisão ou através do site. Compare as duas formas de vendas e cite suas principais características.
www.shoptime.com

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estudo de caso :: Shoptime.com

estudo de caso :: Shoptime.com

“Nós temos projetos para fazer do nosso site uma opção de entretenimento na internet. Planejamos implementar, além de áreas de conteúdo, uma revista interativa e um portal completo de receitas”
TL: Comparar as mídias não é o que temos proposto, O nosso exercício diário tem sido encontrar maneiras de aproximá-las, já que somos o único varejista com presença na web a ter um canal de vendas na tv. Pretendemos usar isso, cada vez mais, a nosso favor, fazendo com que os nossos clientes da tv participem dos programas através da internet, e os nossos clientes da internet possam desfrutar da opção de assistir aos vídeos dos produtos. WD: Quais são as principais diferenças encontradas no perfil de quem compra pela internet e de quem compra pela tv? Que tipos de produtos eles mais consomem? TL: Quanto ao perfil, estamos sempre fazendo pesquisas para nos mantermos alinhados, até mesmo com as mudanças de comportamento do nosso público. Entretanto, com base em nossos dados transacionais, posso sinalizar algumas diferenças principais. A participação do público feminino na tv é bem mais expressiva do que na internet, ou seja, as linhas que têm maior participação na tv são Eletroportáteis, Cama, Mesa & Banho e Utilidades Domésticas. Ao contrário disso, na internet, o público masculino tem uma participação um pouco maior, fazendo com que as linhas como Eletrônicos, Informática e Cine & Foto estejam num patamar acima na participação da mídia. WD: Que técnicas foram utilizadas no redesenho do site?

TL: O primeiro passo foi analisar todos os relatórios de vendas e funcionalidades do site, para identificar tudo que precisava de alteração. Depois disso, foi discutido com a área comercial e a de marketing, para que a nova versão do site (lançada no final de 2003) suprisse as necessidades de novos espaços para nossas ofertas, campanhas de ocasião e para parceiros. Outra área da empresa que se tornou primordial para o sucesso do projeto foi a central de atendimento ao cliente - uma verdadeira mina de ouro, pois eles tinham em mãos relatórios completos e feedback de tudo o que os clientes gostavam ou não gostavam em nosso antigo site. Depois disso tudo, aí sim, analisamos todo o fluxograma do site para conseguir identificar todos os pontos que eram necessários, desnecessários ou que ainda não existiam. Finalmente, começamos todo o processo para criar um portal funcional: criação de wireframes para desenvolver o primeiro teste de usabilidade; desenvolvimento do layout das novas telas; integração de toda a tecnologia; e, por último, um novo teste de usabilidade para a operação “pente fino”. WD: Quais foram os problemas enfrentados durante o desenvolvimento e a implantação do

O site conta com um catálogo online para o cliente escolher as ofertas

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O departamento de Cine e Foto ganhou uma categoria específica dentro do site

site? Quanto tempo levou desde a criação até seu lançamento? TL: O novo site do Shoptime levou dois meses para ir ao ar, e as dificuldades foram: o curto prazo e a necessidade de inovar em um mercado no qual os nossos concorrentes são extremamente competentes. O desafio ainda não acabou, pois analisamos diariamente o comportamento dos nossos consumidores e adequamos a nossa estrutura de navegação com o que aprendemos com eles. WD: O que o site do Shoptime pretende, além de divulgar a empresa na internet e ser um veículo de vendas? TL: Nós temos projetos para fazer do nosso site uma opção de entretenimento na internet. Planejamos implementar, além de áreas de conteúdo, uma revista interativa e um portal completo de receitas. Esses projetos estão entre as muitas novidades que virão por aí. WD: Como foi feita a escolha das seções? TL: É sempre feita em sintonia com o nosso mix de produtos. Quando um departamento cresce, ele vai para a nossa navegação principal. Foi o que aconteceu com a categoria “cine e foto”, que antes ficava dentro da nossa área de eletrônicos e, com a ampliação da quantidade de produtos, tornou-se uma de nossas lojas principais. Resumindo: a diretriz comercial da empresa é que define as seções.

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estudo de caso :: Shoptime.com

“ Em um futuro próximo, vamos convergir as mídias. A tv será a extensão da internet, e a internet será uma extensão da tv”
WD: Fale sobre a interatividade e a resposta do público com relação ao site. TL: Queremos que o nosso site seja cada vez mais interativo e, para isso, a tv será para nós uma importante ferramenta. Em um futuro próximo, vamos convergir às mídias. A tv será a extensão da internet, e a internet será uma extensão da tv. O nosso primeiro passo foi incluir banners interativos em nosso site, com a opção do cliente poder assistir a um vídeo feito pela tv, com uma linguagem completamente adaptada para a internet; e os nossos clientes já estão adorando essa opção. WD: Como é a experiência de representar na web um canal de televisão especializado em vendas? E quanto às vantagens e as dificuldades? TL: É extremamente compensador para um profissional de criação estar próximo ao retorno de suas ações, ainda mais quando isso ocorre em tempo real. Ao mesmo tempo, isso também é um grande desafio, já que, além de controlar as nossas ações, precisamos estar sempre atentos ao que a concorrência está fazendo. O desafio sem dúvida é, a todo momento, tentar estar um passo a frente. Uma das grandes vantagens de também sermos um canal de tv é poder contar com a estrutura que o estúdio oferece para criarmos as nossas peças mais interativas. WD: Quais foram suas outras experiências com e-commerce? TL: Antes do Shoptime, trabalhei no Submarino e na agência interativa Brainter.com, onde tive contato com outros varejistas com negócios na web, como o PontoFrio.com, a Amsterdam Sauer, a Loja XEROX e o próprio Shoptime.

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debate

alquimistas da web

Alquimistas da web
Por Tatiana Serra

A Alquimia começou a se desenvolver por volta do século III a.C., em Alexandria, segundo estudos. Mais de dois mil anos antes do início da nossa era, com um caráter místico, era considerada uma ciência oculta, sendo praticada sob o mais absoluto dos segredos. Sabe-se que os alquimistas eram ousados e criativos, porém, não eram livres. Já nos sites experimentais, não há limites para a criatividade e, certamente, é isso que encanta os profissionais e usuários de internet, que têm nesses projetos a oportunidade de expor idéias, misturar ingredientes à sua escolha e, até mesmo, testar tendências.

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No dicionário, experimentar significa pôr à prova, ensaiar; pôr em prática, executar. Na web, pode significar ousadia, liberdade de criação. André Vallias, sócio-fundador e diretor de criação da Refazenda Produções (www.refazenda.com.br), compartilha da idéia de “ousadia: vontade de fugir ao convencional, sair do terreno seguro, sem ter medo de ‘errar’ (no duplo sentido da palavra)”, com relação ao termo “experimentar”, além de reforçar a importância de exercer a liberdade de criação plenamente. Já na opinião de Eduardo Vieira, diretor de criação da agência Tribo12 (www.tribo12.com.br) e editor do Guia de Design do SobreSites (www.sobresites.com.br/design), “sites experimentais são aqueles que exploram a web como linguagem e investigam suas possibilidades tecnológicas, de comunicação e visuais. A visitação a esses sites é um verdadeiro passeio pela vanguarda da internet, através de experimentos com animação, leitura não-linear, interatividade e cultura visual contemporânea”. Os sites experimentais também podem ser um ensaio para futuros sites comerciais. Na opinião de Eduardo, podemos classificar os projetos em web, mais ou menos, como: comerciais, experimentais e existenciais. “Nos existenciais, vale o abuso da tecnologia e da hermeticidade. Já nos experimentais, encontramos um laboratório para os sites comerciais. Com eles, você pode se dar ao luxo de experimentar se como as tecnologias ditas de ‘massa’ comportam, novos de testar estruturas

“Um site experimental é um projeto que tem tecnologias, formatos ou soluções que ainda não são comprovados pelo mercado. Pode ser uma interface nova e diferente, uma nova maneira de apresentar o conteúdo, que ainda não foi totalmente testado, ou uma combinação de tecnologias existentes” Sérgio Barbará Filho
possível errar o bastante para aprender a desenvolver soluções democráticas, legíveis em qualquer browser e por qualquer camada social. Assim, sites experimentais também são excelentes oportunidades para enriquecer o portfólio quando se está começando na profissão, fornecendo uma “área de testes” que prepara o webdesigner para os trabalhos futuros. Também sobre a definição deste tipo de site, Sérgio Barbará Filho, da Pura Comunicação (www.puracomunicacao.com.br), diz achar que “um site experimental é um projeto que tem tecnologias, formatos ou soluções que ainda não são formatos comprovados pelo mercado. Pode ser uma interface nova e diferente, uma nova maneira de apresentar o conteúdo, que ainda não foi totalmente testado, ou uma combinação de tecnologias existentes”. Já para João Paulo Nicolau, diretor de criação da Contentcom (www.contentcom.com.br), “um site experimental é um projeto no qual não existem regras e é um canal de inspiração para o designer poder colocar suas idéias e emoções sem precisar se preocupar com o lado comercial. E você pode mostrar um pouco da sua personalidade e um pouco do que há no seu inconsciente”. Testar tendências e expor idéias Segundo estudiosos, a alquimia não teria conseguido conquistar seu principal objetivo: a Pedra Filosofal, apesar de ter obtido grande êxito na metalurgia, na produção de papiros e na aparelhagem de laboratório. Já os sites experimentais... Estes

códigos visuais e navegação”, diz ele, destacando que, nos experimentais, é

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alquimistas da web

alquimistas da web

têm como objetivos expor idéias, testar tendências e ir além; e parece ser o que vêm conquistando quem se propõe a experimentar essa experiência. Para Eduardo Vieira, “se você está experimentando, é porque deseja ir além e descobrir ou criar algo novo. Se você deseja ir além, vai acabar tangenciando tendências, ou melhor ainda, ajudando a desenvolver uma”. Ele diz ainda que “não há mérito em se copiar velhas fórmulas, é preciso procurar desenvolver uma linguagem nova. Nesse caso, o site experimental também é um comunicador de idéias”. Para alguns profissionais, os sites experimentais podem tanto testar tendências como expor idéias. “Eu já vi alguns projetos que trazem conceitos inovadores que, até então, eu nunca vi em trabalho nenhum, e acabam nos inspirando para outras criações, inclusive, para sites comerciais”. É o que afirma João Paulo Nicolau. Porém, o objetivo do site experimental pode variar, de acordo com o projeto. “De uma forma geral, acredito mais em sites experimentais para mostrar idéias e transmitir conceitos, do que para testar público que acessa o site e confirmar alguma tendência”, diz Sérgio Barbará Filho. Voltando à questão da liberdade de criação... “Como dizia o filósofo Sartre: ‘o homem está condenado à liberdade’. Exercê-la não é um fardo leve. O desafio é superar o medo do fracasso. O prazer se mescla à angústia...”, cita André Vallias. O fato de não haver compromisso com um cliente também faz com que haja liberdade de criação. Na opinião de Eduardo Vieira, “um trabalho com tamanha liberdade sempre é muito prazeroso, pois permite a chance única de se verificar aspectos e idéias próprias que nem sempre podem ser viáveis em trabalhos de fins comerciais, normalmente, com muitas limitações, restrições, prazos...”. Porém, ele enfatiza que, quando a experimentação é a procura por um objetivo, às vezes, pode ser dolorosa, pois está em jogo a expectativa pessoal do designer e, neste caso, a obtenção de bons resultados é essencial para sua satisfação. Mesmo com o intuito de obter sucesso, o site experimental pede, acima de tudo, diversão. E, basta relaxar, deixar fluir as idéias, para que o resultado seja expressivo e especial. Para João Paulo Nicolau, o experimental “é um projeto que, por não ter uma pressão de prazo e de regras estabelecidas por clientes, você acaba curtindo mais e fazendo com calma, e, é engraçado que, pelo fato de não ser algo comercial, você trabalha despreocupado e os resultados são surpreendentes”. Blogs e Experimentos O blog pode ser uma maneira de se expressar e experimentar linguagens, mas nem todos pensam assim. “Os blogs, flogs e seus desdobramentos, hoje, realmente estão se diversificando bastante, garantindo ao proprietário uma certa liberdade para criação de layout e uma grande possibilidade de gerenciamento de conteúdo... Trata-se de um lugar democrático, onde cada um pode fazer o que quiser com o espaço que lhe cabe. E, nesses casos, a criatividade e a experimentação certamente fazem a diferença”, afirma Eduardo Vieira. “O blog ‘em si’, não caracteriza um site experimental, mas pode ser usado de maneira experimental”. É o que diz André Vallias, que inspirou-se no formato dos blogs para ter uma estrutura enxuta e uma dinâmica simples, fugiu do formato da “revista impressa” e criou a Errática (www.erratica.com.br), em outubro de 2004, como plataforma de experimentação poética

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alquimistas da web

em que fosse possível explorar os recursos de multimídia disponíveis na rede. Editada por André e pelo poeta e ensaísta Eucanaã Ferraz, “a idéia foi criar uma ‘revista’ que ousasse no espaço digital e pudesse abrigar obras experimentais de diversas áreas: poesia, música, vídeo, teatro etc”, diz André. Quanto as suas outras experiências, ele destaca seu primeiro projeto experimental na rede, o site “ALEER”, de 1997 (www.refazenda.com/aleer). “Quase todos os meus projetos têm uma boa dose de experimentalismo, como, por exemplo, o site sobre Edgar Morin - sociólogo e pensador francês - (http:// edgarmorin.sescsp.org.br/) e o que fiz para o disco “Adriana .adrianapartimpim.com.br)” , Partimpim” de Adriana Calcanhotto (www , conta André. detalhes em vermelho, que eram do selo Elenco (nesta época, ele trabalhava lá)”, lembra João, dizendo que o Bossaevernova manteve o mesmo conceito, mas com as imagens do Rio de Janeiro. “O site convida o usuário a navegar por lugares do Rio e, ao mesmo tempo, conhecer a história da Bossa Nova, do designer Cesar Villela e dos músicos que marcaram época”. A criação deste site experimental trouxe um retorno satisfatório para a equipe, que recebe mensagens de amantes da Bossa Nova, do mundo inteiro. E quanto a outros sites experimentais, João diz: “eu gostaria de criar vários sites experimentais, principalmente que envolvessem música,
www.refazenda.com/aleer www.bossaevernova.com

fotografia e temas do Brasil. É muito bom buscar referências do nosso país e poder mostrá-las para o mundo, através de projetos que não precisam de regras na criação”. Rio Live Sessions Publicado no começo de abril deste ano e ainda em fase de testes, porém, já pronto para ser visitado, o site Rio Live Sessions (www.riolivesessions.com.br) é uma rádio na internet, sem anúncios e com profissionais da música comandando a programação. A idéia é que as pessoas tenham acesso aos DJs cariocas em seu momento de criação. Com relação a este site, “o fator experimental é o formato do projeto como um todo... Tivemos várias questões ao longo do processo de criação e de implementação do projeto, tanto de aspectos técnicos, quanto de interfaces, de funcionalidade inicial e de manutenção”, afirma Sérgio Barbará Filho, da Pura

Bossaevernova Da idéia de fazer um site musical brasileiro surgiu o Bossaevernova (www.bossaevernova.com), um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Design Digital da Universidade Anhembi Morumbi, em 2003. “Foi um trabalho que durou 1 ano (6 meses de pesquisa e 6 meses de execução)”, diz João Paulo Nicolau, que fez o site experimental juntamente com seis amigos da faculdade. O tema do site foi sobre as capas da Bossa Nova criadas pelo designer César Villela. Enquanto as capas de disco eram carregadas demais em cores, fotos e poluição visual, “o César trabalhava nas capas com o auto-contraste, colagens, ilustrações, utilizando somente a combinação do preto e alguns

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Comunicação, ressaltando que, ainda hoje, estes formatos estão sujeitos a mudanças. Segundo Sérgio, a inovação do projeto, do ponto de vista do usuário, está no fato das pessoas poderem ouvir música de qualidade quando quiserem, escolhendo o estilo que mais gostam. “Isso é como uma mistura de rádio com Ipod, onde você escolhe um gênero, mas não sabe exatamente qual música vai tocar”, completa ele. Do ponto de vista tecnológico, há um arquivo só para a rádio, que lê do bando de dados as opções disponíveis e mostra ao usuário. “Esse arquivo em flash faz um stream de um arquivo Mp3 do servidor, com controle de volume e opções de play/ pause”, diz Sérgio, lembrando que é preciso se cadastrar para ter acesso ao conteúdo do site. A Pura Comunicação tem outras experiências com sites experimentais, como um projeto de cartões virtuais, de 2002, que acabou sendo vendido para a Coca-Cola. “O projeto combinava duas tecnologias (flash + Php/MySql) e exibia textos dinâmicos dentro das animações... Me lembro que, na época, ninguém tinha uma solução com esse formato, e atravessamos um processo bem interessante até chegar no resultado final”, diz Sérgio.
www.sahate.com.br/versus

A Webdesign entrevistou Victor Sahate, designer da Globo.com e sócio-fundador da Red Alien, para saber mais sobre seu projeto experimental “Versus” : 1. Para você, o que significa um site experimental? Tecnicamente, site experimental é um projeto online onde os criadores testam algum tipo de tendência, idéia, novidade ou tecnologia que torne a percepção/usabilidade dessa peça diferente . Acredito que a definição do experimental está mais voltada para uma contemplação artística do que funcional. Uma relação emocional entre o usuário e o site. Vamos usar o monitor como tela (e não é?), vamos utilizar as possibilidades da internet como nossos pincéis e vamos transformar a rede em uma grande galeria... 2. Um projeto experimental tem liberdade de criação. Fale sobre o prazer em realizar este tipo de projeto. O prazer de criar este tipo de projeto existe sob 2 formas. Primeiro se materializa como uma realização pessoal... Uma vez disponível na internet, ele estará lá, disponível pra todo mundo. O segundo ocorre no momento que deixamos de pensar com nosso ego e somos impactados emocionalmente pela nossa própria criação. Este prazer é menos sensível, pois, de uma certa forma, ele já é sentido durante o processo de criação porém, define a continuidade do processo. 3. O projeto VERSUS discute a dualidade entre sentimento e razão. Fale um pouco sobre o equilíbrio necessário entre emoção e razão para que se realize um trabalho na dose certa. O Projeto Versus surgiu de uma discussão e enfoque do homem em um cenário relativo. Foi a partir de uma prévia aceitação de que nós vivemos uma eterna dualidade na relação entre razão e sentimento, e que isso reflete em todos as nossas escolhas, atitudes, pensamentos e “sentimentos”, que moldei a base desse projeto. Design lida com técnica, teoria e características artísticas e podemos traçar uma relação direta entre design e a mente humana. O que quero com isso é colocar sal, ou pimenta, na discussão “fronteiras entre design e arte”. Não quero dizer que design é efetivamente arte, mas quero dizer que designers artistas fazem melhores projetos que designers apenas técnicos... Ou então, que as características emocionais de um projeto de design são fundamentais para seu sucesso. É justamente o equilíbrio certo entre a razão e o sentimento que pode definir uma peça de sucesso. Agora... acho que é cedo pra falar das doses certas para um perfeito equilíbrio. Não apenas cedo... pretensioso também.

www.riolivesessions.com.br

Outros sites experimentais: - www.agenciaclick.com.br/404 - http://infectous.plugin.com.br/reality/reality.html - www.meudicionariodamoda.hpg.com.br - www.lares.dti.ne.jp/~yugo/storage/monocrafts_ver3/03

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#!

tutorial

Padrões Web
Olá amigos, a partir deste número, estaremos juntos por algumas edições através de tutoriais sobre os Padrões Web. Nossa intenção é dar uma seqüência lógica para quem estiver interessado neste assunto para que entenda de uma forma natural e seqüenciada. Nossos artigos serão para iniciantes e profissionais, pois sempre abordaremos de uma forma clara e objetiva os assuntos e também informaremos o que há de mais recente sobre os assuntos abordados. Portanto, sejam bem vindos e vamos a aula, ou melhor, aos tutoriais! Neste primeiro tutorial abordaremos os Padrões e o HTML. Vamos recapitular um pouco sobre a história do surgimento dos Padrões Web. Padrões Web! A expansão do HTML e o caos O HTML, inicialmente restrito a um punhado de tags de marcação de textos, foi sendo ampliado de acordo com as solicitações do mercado, em franca e crescente expansão. As solicitações passavam por necessidades de colorir, inserir imagens, som, mídias diversas, curvas, formas e tantas outras inerentes a uma apresentação visual cada vez mais criativa e sofisticada. Tags e mais tags foram inventadas, scripts e facilidades de renderização ao sabor e conveniências dos fabricantes. Tudo isto desembocou na famigerada “guerra dos browsers”, na qual cada fabricante desenvolvia ao seu juízo e sabor uma solução proprietária para facilidades de renderização e interpretação da linguagem de marcação. Era o caos. Códigos escritos para browsers. Versão para Internet Explorer e versão para Netscape, os gigantes do mercado. Elemento HTML object para um e embbed para outro. E, um sofrimento, dor de cabeça, duplicação de trabalho, para fazer funcionar o site. Sites construídos com scripts para identificar o browser do usuário e servir o documento adequado, ou, na maioria das vezes, apresentar uma mensagem com pedidos de desculpas por seu browser não suportar isto ou aquilo.

Prof. Everaldo Bechara e Prof. Maurício Samy Silva Professores do Centro de Treinamento iLearn bechara@webdigitaldesign.com.br

Sites melhor visualizados em navegador X e resolução Y. Sites construídos com tabelas e mais tabelas aninhadas e mais aninhadas, em um emaranhado, às vezes, impossível de se proceder a um simples acréscimo de um link de navegação. Quem não passou, ou ainda passa, por “estouros” de layout quando se deseja acrescentar alguma nova informação? Existem muitos sites atuais que ainda são construídos desta forma. É sério! Como afirma Jeffrey Zeldman (http://www.alistapart.com): “99,9% dos websites são obsoletos.” Padrões Web! O W3C O W3C, percebendo o rumo caótico para onde se encaminhava a internet, não vem economizando esforços no sentido de sensibilizar todas as organizações direta ou indiretamente envolvidas com a web da necessidade de uma padronização. Padronização de softwares, de hardwares de códigos de dispositivos, enfim de todo componente relacionado a web. Mais de 350 instituições espalhadas pelo mundo todo fazem parte do Consórcio W3C. Uma padronização que garanta compatibilidade com dispositivos em uso e com dispositivos futuros. Uma padronização que garanta servir um único código não só para diferentes navegadores e resoluções de monitor, como também para diferentes mídias, dispositivos especiais e agentes de usuário os mais diversos. Por exemplo: um código de marcação único é servido para navegação em desktop, em telefone celular, em dispositivos portáteis, para impressão, para leitor de tela etc., e, até mesmo, para os dispositivos que ainda estejam nas pranchetas dos engenheiros! Fim dos scripts para detecção de browsers, fim de versões para navegadores, fim de versão para impressão, fim de inconsistência de renderização em browsers diversos, fim de

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duplicação de horas de trabalho, fim de dificuldades de manutenção de código. Ufa! Temos a certeza que você está louco para começar a aprender os Padrões Web!. Realmente, é tudo isso e ainda mais! O W3C vem implementando novas tecnologias através de vastíssima documentação técnica disponível em seu site em http://www.w3.org. É verdade que as documentações do W3C são bem técnicas, mas o nosso objetivo é passar para vocês de uma forma amigável. Todo documento de padronização passa por uma ampla discussão, envolvendo o staff técnico do Consórcio com seus inúmeros colaboradores de comprovada capacidade e saber, e longas e exaustivas listas de discussões e sugestões abertas ao público em geral até tornar-se uma recomendação oficial. Padrões Web! Recomendações do W3C Toda esta coleção de documentos com o objetivo de unificar processos e fabricação de componentes para a web formam o que chamamos de Padrões Web. O grande objetivo dos Padrões Web está na própria definição da missão do W3C, que é: conduzir a World Wide Web ao seu potencial máximo, desenvolvendo Protocolos e Recomendações que garantam o seu desenvolvimento por um longo período de tempo. A seguir, citamos algumas entre as inúmeras das Recomendações desenvolvidas pelo W3C:
Especificação para HTML 4.01 - Recomendação W3C de 24 de dezembro de 1999 http://www.w3.org/TR/REC-html40/ XHTML™ 1.0 Linguagem de marcação extensível para hipertexto (Segunda edição) – Uma reformulação do HTML 4 para XML 1.0 – Recomendação do W3C de 26 de janeiro de 2000 revisada em 01 de agosto de 2002 http://www.w3.org/TR/2002/REC-xhtml1-20020801/ Folhas de Estilo em Cascata, nível 2 – Recomendação W3C de 12 de maio de 1998, última revisão em 13 de junho de 2005 http://www.w3.org/TR/CSS21/ Recomendações para a acessibilidade do conteúdo da Web - 1.0 - Guia do W3C, de 5 de Maio de 1999 http://www.w3.org/TR/1999/WAI-WEBCONTENT-19990505/ XML Base - Recomendação W3C de 27 de junho de 2001 http://www.w3.org/TR/2001/REC-xmlbase-20010627/

Padrões Web! Especificação para HTML 4.01 Vamos, a seguir, examinar e analisar alguns aspectos das Recomendações para o HTML 4.01 e estabelecer uma comparação entre o que preconizam os Padrões Web e o que se desenvolve na maioria dos Websites. A estrutura global de um documento HTML Padrões: Versão HTML:
<! DOCTYPE HTML PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01 Transitional//EN” “http://www.w3.org/TR/htm14/loose.dtd”> <html>

Seção HEAD:
<head> <title>Título do documento</title> </head>

Seção BODY:
<body> <p>Conteúdo do documento</p> </body>

Uso corrente:
<html> <head> <title>Título do documento</title> <body> <p>Conteúdo do documento</p> </body> </html>

Comentário: A omissão da Versão do HTML, também conhecida como Declaração de DOCTYPE ou simplesmente DTD, é um erro comum e que traz inconsistências na renderização do código. A DTD é tão importante na construção do código que é a primeira linha de código segundo os Padrões Web. É ali que os agentes de usuário encontraram as regras usadas pelo desenvolvedor para escrever o código de marcação a ser interpretado pelo agente de usuário. As recomendações estabelecem três versões de HTML para escrever o código de marcação. São elas:

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tutorial

tutorial
HTML Strict
<!DOCTYPE HTML PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01// EN” “http://www.w3.org/TR/html4/strict.dtd”>

<p> <font size=”3">O W3C e os padrões</font> </p> <p>Bla...bla...bla</p> ............. PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01

HTML Transitional
<!DOCTYPE Transitional//EN” “http://www.w3.org/TR/html4/loose.dtd”> HTML

Comentário: O uso do elemento <h> para marcação dos seis níveis de cabeçalhos deve ser em função exclusiva da sua finalidade estrutural e não por apresentação visual. Níveis de cabeçalhos devem ser usados para demarcar seções e subseções ou títulos e subtítulos de um texto. O título geral da página deve ser marcado com <h1> e daí para baixo, na seqüência do texto, as marcações de níveis subseqüentes. É dito comum: “Não uso <h1> porque o tamanho de fonte é muito grande e isto vai acabar com meu layout”. Puro equívoco, crasso erro de marcação. Use folhas de estilo para controlar as formatações. O uso do elemento <blockquote> para indentação de textos Padrões:
............. <blockquote> <p> Folha de estilo em cascata é um mecanismo simples para adicionar estilos (p.ex., fontes, cores, espaçamentos) aos

HTML Frameset
<!DOCTYPE Frameset//EN” “http://www.w3.org/TR/html4/frameset.dtd”> HTML PUBLIC “-//W3C//DTD HTML 4.01

O HTML Strict não permite o uso de elementos e atributos HTML que estão em desuso (deprecated) segundo o W3C. Para uma listagem destes elementos e atributos consulte http:/ /www.w3.org/TR/REC-html40/index/elements.html e http:// www.w3.org/TR/REC-html40/index/attributes.html O HTML Transitional permite o uso de elementos e atributos HTML que estão em desuso (deprecated) segundo o W3C. O HTML Frameset permite o uso de elementos e atributos HTML que estão em desuso (deprecated) segundo o W3C e os elementos específicos para frames. O uso do elemento <h> para cabeçalhos Padrões:
............. <h1>Os Padrões Web</h1> <h2>Introdução aos Padrões</h2> <p>Bla...bla...bla</p> <h2>O W3C e os padrões</h2> <p>Bla...bla...bla</p> .............

documentos web. </p> <blockquote> <p> Esta definição abre a Home Page das CSS no site do W3C. </p> .............

Uso corrente:
............. <blockquote> Para entrar em contato com um dos nossos revendedores, consulte a página de links para revendas ou use nosso telefone de informações. <blockquote> .............

Uso corrente:
............. <p><font size=”4">Os Padrões Web</font></p> <p> <font size=”3">Introdução aos Padrões</font> </p> <p>Bla...bla...bla</p>

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Comentário: O uso do elemento <blockquote> para indentação de textos é uma prática amplamente empregada e consagrada por desenvolvedores ainda presos à maneira ultrapassada de criar documentos. Este elemento foi criado com a finalidade de marcar blocos de citações, e somente para isto deve ser utilizado. Se você pretende tabular um texto, use a propriedade textindent das CSS. Com estes exemplos acima, foi possível verificar algumas formas corretas de trabalharmos com o HTML Standards. Queremos lembrá-los que alguns elementos do HTML já são considerados em desuso. Veja a lista ao lado e procure não mais usá-los.

Tags em desuso:
<applet> <basefont> <center> <dir> <font> <isindex> <menu> <s> <strike> <u>

Em nosso próximo tutorial, estaremos escrevendo sobre o XHTML. Até lá, amigos!

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tutorial

webwriting

Bruno Rodrigues
Autor do primeiro livro brasileiro e terceiro no mundo sobre conteúdo online, intitulado “Webwriting - Pensando o texto para a mídia digital”. É coordenador de informação do website Petrobras e titular da primeira coluna sobre Webwriting no mundo, elaborada desde 1998 e hoje veiculada na revista online ‘WebInsider’. Ministra treinamentos de Webwriting e Arquitetura da Informação no Brasil e no exterior. bruno-rodrigues@uol.com.br

A linguagem na web
Faço questão de dividir com vocês o trabalho de pesquisa que desenvolvi sobre o comportamento do conteúdo informativo online. O estudo, intitulado “Como a ‘linguagem’ se comporta na internet?”, já foi apresentado a alguns dos meus clientes, e sinto que consegui ajudar a desatar ‘nós’ em questões ligadas ao difícil relacionamento de quem produz conteúdo informativo para grandes sites ou portais com seus diversos públicos-alvo. Bon apétit! Análise 1: ‘Linguagem’ na internet passa pela escolha de estilo Entre os três estilos de redação - formal, semi-formal e informal - o semi-formal, derivado da publicidade, é utilizado com mais eficácia na internet. O estilo formal chegou a ser usado no início da web comercial, mas a ausência de empatia provocou rejeição imediata. O estilo informal é utilizado com sucesso em sites pessoais, blogs e sites de humor ou crítica, mas é obviamente restrito. Vê-se o semi-formal como aquele que disponibiliza a informação de maneira clara, com um ‘toque’ de persuasão. No contato social, o semi-formal encontra um paralelo no relacionamento ‘educado’, ‘gentil’ ou ‘agradável’. Conclusão: É recomendada a utilização do estilo semi-formal em boa parte dos públicos da internet, em especial, os de sites empresariais ou de comércio eletrônico. É o estilo semi-formal a base segura, o estofo para se iniciar um relacionamento eficaz com os públicos. Ferramenta de normatização: Guia de redação e estilo, produzido a partir das características dos conteúdos de cada site ou portal. Análise 2: ‘Linguagem’ na internet passa pelo acesso a aspectos de uma mesma informação Toda informação na internet deve ser estruturada em camadas, para que diversos públicos tenham acesso a aspectos específicos de uma mesma informação que lhes interessa. Exemplo: ao falar em ‘perfil’ de uma empresa, ao estudante de 1º grau, interessa a história da companhia, sua importância para a economia do país e suas atividades. Ao estudante de 2º grau - além dos aspectos já citados – interessa, por exemplo, o envolvimento da empresa na preservação do meio ambiente e em ações de responsabilidade social, além de seus patrocínios culturais. Ao universitário, interessa a atuação da companhia no exterior e seu desempenho no mercado acionário. Como se pode notar, são diversos aspectos, mas sobre uma mesma informação: o ‘perfil’ da empresa.

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Conclusão: Toda tentativa de escrever ‘diferente’ para públicos específicos é desastrosa. Quando se conclui que o correto é apurar quais aspectos das informações o público precisa, a aproximação é mais rápida, e a empatia, tão necessária, é conseqüência natural. Ferramenta de normatização: Acompanhamento constante da arquitetura do site ou portal, o que irá garantir, sempre, a boa distribuição da informação e um acesso sem dificuldades a seus diversos aspectos. Análise 3: ‘Linguagem’ na internet é resultado de relacionamento Verticalizar o conteúdo de um site ou portal é resultado do conhecimento profundo de cada um dos públicos, que apenas um razoável tempo de relacionamento entre quem produz o conteúdo e quem o ‘consome’ é capaz de sedimentar. Conhecer quais aspectos da informação ainda precisam ser abordados, quais são os que constituem ‘excesso’ – tudo isso é resultado de um contato permanente com o usuário. Conclusão: Por mais que existam perfis previamente traçados, somente se conhece a real necessidade de um público na internet quando há a proposta de um relacionamento constante.

Ferramenta de normatização: A utilização de ferramentas de real interatividade com os públicos do portal, o que supõe ‘movimentos’ contínuos de relacionamento com um mesmo usuário, e não apenas dois ou três ‘movimentos’, como ocorre quando se responde um email ou se realiza uma promoção. Já estou fechando a grade de cursos sobre Webwriting e Arquitetura da Informação para o segundo semestre. Quem desejar informações, é só me enviar um email, O.K.?

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webwriting

“Toda tentativa de escrever ‘diferente’ para públicos específicos é desastrosa. Quando se conclui que o correto é apurar quais aspectos das informações o público precisa, a aproximação é mais rápida”

marketing

René de Paula Jr.
Analista de negócios da Sony Latin America, René é profissional de internet desde 1996, passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, Agência Click, Banco Real ABN AMRO. É criador da “usina.com”, portal focado no mundo online, e do “radinho de pilha” (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. rene@usina.com

Como se pega um beija-flor?
OK, isso não é coisa pra se perguntar assim, do nada, mas a questão quase me acerta na testa mal eu abro a porta e, voilá, a dita ave em pânico se debatendo contra o teto, paredes, um furacão azulado sem freios nem juízo. Rapidamente, notei que alguém já estava se dedicando a esse problema filosófico de maneira bastante atlética e, antes que ele literalmente matasse a charada, tirei meu gato de cena. O pobre passarinho não tinha sete vidas, enfim. Como se pega um beija-flor? Pensava eu, quebrando a cabeça, enquanto o pobre bicho quase quebrava a própria. De sopetão? De tocaia? Com as mãos? Com uma rede? Perto de uma criatura tão delicada, eu me senti um godzilla tosco. E pensar que ele descendia de dinossauros, e não eu. O que tem essa história a ver com nosso métier, afinal? Well, pra mim, tem. Se você já teve que cativar corações e mentes e fazer com que um projeto online fluísse, sabe do que estou falando. Colaboração é avis rara, ave... do paraíso, quase. Desenhar uma arquitetura, definir um fluxo de trabalho não é bicho de sete cabeças. Difícil é fazer sete bichos humanos não baterem cabeças ao trabalhar em conjunto. Muitas idéias “interativas” brilhantes nunca decolam porque dependem de uma integração, de uma colaboração e de uma espontaneidade impensáveis em condições normais de temperatura (baixa) e pressão (alta). As pessoas se entocam, viram porco-espinho e os projetos atrofiam. Gente é um bicho estranho mesmo: um mero boato faz com que cordeiros virem lobos, e o que era uma alegre colméia vira ninho de vespas. A mera suspeita de uma mudança de organograma é capaz de deixar gente sênior tão atarantada quanto meu beija-flor na cozinha. É só passar o perigo, porém... que todos somos golfinhos brincalhões de novo. Projetos de internet não escapam dessa selva. Qualquer projeto online, qualquer mesmo, sacode estruturas. O mundo não é empresas de um lado, pessoas de outro, com a internet servindo de ponte. O mundo real é feito de feudos, tribos, tramas, times rivais e outras encrencas numa cartografia intrincada e, pior de tudo, invisível. Você só percebe que existia uma fronteira depois que pisou no campo minado. Information highway? Eu só vejo buraqueira, semáforos quebrados e gente em fila dupla. Mas... qual a saída? Engrenar a tração nas 4 rodas e forçar o motor? Acredite: a menos que você queira fundir motores e cérebros, não. A primeira medida é... medir o terreno. Avalie muito bem quais são os interesses em jogo, que resultados são realmente críticos e quais os fatores que podem levar o projeto à ruína.

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“Desenhar uma arquitetura, definir um fluxo de trabalho não é bicho de sete cabeças. Difícil é fazer sete bichos humanos não baterem cabeças ao trabalhar em conjunto”

Falta de verbas? Custo crescente? Estouro de prazo? Refaça a tua rota para não ficar no mato sem cachorro. Segunda medida: casting. Como numa peça de teatro ou filme, um projeto online precisa de atores, gente que reme, fique no timão, gente que ice as velas. Investigue com carinho se as pessoas são aptas a tocar esse barco. OK, a essa altura teu projeto já tem motor, airbags, piloto, navegador e o tanque cheio de combu$tível. Mas, o que impede essa turma de desencanar e ir para o litoral norte ser feliz? Simples: envolvimento. Eis aí nossa ave fugidia, nosso beija-flor assustado. Todo começo de projeto online parece sala de aula: sempre um ou dois levantam a mão ansiosos por responder, enquanto uma turma enorme faz cara de paisagem. Teu projeto também vai ter um ou dois entusiastas, mas ainda falta cativar o resto das tribos. Aí está o segredo: as malditas tribos. Mas, por mais que a gente se feche em tribos (atendimento x criação, comercial x desenvolvimento, TI x marketing), tribos são feitas de pessoas, e pessoas são muito mais ricas, complexas e interessantes do que um mero rótulo. Veja teus amigos no orkut: você sempre se surpreende por descobrir que um conhecido teu, de outra tribo completamente distinta, também está na comunidade “eu adoro pizza amanhecida”. Quem diria... Outro colega teu de departamento, tímido e fechado, é popularíssimo numa comunidade forrada de conhecidos do outro andar. Ora vejam... Se você criar oportunidades e propiciar o clima adequado, as pessoas saem da toca e criam novos laços, novas afinidades, e perdem a vergonha de levantar a mão e vir à lousa. Não é fácil não, mas compensa. É um processo delicado, que requer sensibilidade, justiça e alguém que transite livremente. Mais importante ainda: alguém que saiba reconhecer, valorizar e incentivar as atitudes pró-ativas, generosas. Em pouco

tempo,surge algo definitivamente maior que a soma das partes: colaboração, sinergia, fecundidade. Vale a pena. Eu juro que vale. Digo isso com uma gata rajada se espreguiçando ao meu lado, gata sem dono que, inexplicavelmente, confiou em mim, entrou conosco no chalé e passou boas horas no meu colo diante da lareira. Um dengo. Que diferença do meu gato maldoso que quase enfartou um beija-flor desnorteado. Falando nele... como eu peguei o beija-flor? Nem sei. Sentei por uns bons trinta minutos ali, tranqüilo, esperando que em algum momento ele se acalmasse e aceitasse minha mão. Uma bela hora, eu lhe estendi com calma um apoio, ele pousou ali e eu, lentamente, o levei até a janela. Lá se foi ele. Deve haver outras maneiras, imagino. Mas isso é o que eu soube fazer: me desarmar e estender a mão. Os dinossauros acabaram virando pássaros. Se você facilitar, pessoas também criam asas.

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criação

Marcos Nähr
Web technologist do departamento de marketing da Dell Computadores. Responsável pelo desenvolvimento do site e loja online da Dell Computadores no Brasil. marcos_nahr@d ell.com

Usuários não existem
Digamos que você esteja criando um website para uma agência de viagens que tenha como foco o público feminino. Em suas pesquisas sobre os consumidores deste tipo de serviço, você descobriu que o público-alvo, os futuros usuários deste website, é o seguinte: mulher, profissional bem sucedida, idade dentre 25 e 54 anos, renda na faixa de R$ 5.000 mensais e com dois filhos. Todas estas informações caracterizam o usuário para o website que você está desenvolvendo e são muito valiosas, não há dúvida alguma quanto a isto. Agora, então, depois de ter coletado e analisado todos estes dados, você já está pronto para iniciar a criação do website, certo? ERRADO! Você ainda tem um grande problema a resolver: Usuários não existem! Usuários são, na verdade, figuras míticas que existem apenas nas estatísticas e nas planilhas de Excel. Usuários não existem no mundo real. Usuários não possuem sentimentos, não pensam, não tomam decisões e também não cometem erros. Seguindo com o exemplo da agência de viagens, podem existir duas mulheres completamente diferentes e que, ainda assim, se encaixem no perfil que você acabou de traçar em sua pesquisa, mas o modo de comprar, de pesquisar na internet é completamente diferente para elas. Uma é extrovertida, vai atrás do que quer sem hesitar. Ela adora desafios e toma decisões rápidas. Já a outra é extremamente introvertida, quieta e não gosta de ser apressada no seu processo de escolha, pois adora pesquisar muito antes de tomar qualquer decisão. Você já deve ter percebido que não vai poder se basear apenas em usuários na hora de projetar um website. Como então criar um website que satisfaça tantas pessoas diferentes, com necessidades diferentes e diferentes processos de escolha e compra pela internet, apesar de estarem dentro de um mesmo perfil de usuários? Persona-based design - este termo, que pode ser traduzido como “design baseado em personagens”, descreve uma forma de abordagem para a elaboração de interfaces que pode preencher a lacuna existente na simples análise de usuários. Ela se sustenta na criação de personagens baseados em dados etnográficos coletados durante a pesquisa do público-alvo para o qual você irá criar uma interface. Os dados etnográficos compreendem aspectos de comportamento que focam sua análise no que os usuários fazem, no que os frustra ou lhes dá satisfação. Um personagem é um arquétipo de usuário que pode ajudar você na tomada de decisões sobre ferramentas, navegação, usabilidade, interações em geral e, até mesmo, em aspectos estéticos.

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“Usuários são na verdade figuras míticas que existem apenas nas estatísticas e nas planilhas de Excel. Usuários não existem no mundo real”

Ao criar um design para estes personagens, você estará, na verdade, satisfazendo as necessidades de um grupo de pessoas muito maior representado por este arquétipo. Existem diferentes maneiras de se conduzir um design baseado em personagens, e várias delas já vêm sendo utilizadas por agências de design. Uma técnica que você pode usar é a aplicação dos dados coletados (padrões de comportamentos, necessidades, anseios e modo de agir) na criação de quatro ou cinco personagens com objetivos, tarefas a serem realizadas e habilidades diferentes. Para isto você deve identificar os padrões de comportamento disponíveis nos dados coletados. Com estas características únicas de cada personagem, elabore pequenas histórias em formato narrativo sobre cada uma delas, com detalhes que possam ser importantes para o design do sistema. Isto irá ajudar a criar uma ligação emocional entre você e os personagens. Esta ligação afetiva entre o designer e os personagens é importante por vários motivos. Quando você trabalha para “pessoas reais” com uma história, com necessidades, modo de agir real, você se livra das discussões superficiais e também corre menos o risco de acabar criando uma interface que agrade a você, mas que não será a ideal para quem realmente irá usar o website. Este tipo de abordagem é ainda mais eficaz quando se tem um time de designers trabalhando em um mesmo projeto, pois, quando todos os membros do time passam a trabalhar de maneira mais unificada, sabendo para quem estão desenvolvendo a interface

(guiados pela perspectiva do personagem em foco), uma série de batalhas que ocorrem durante o processo de criação são eliminadas. Isto, sem dúvida, economiza tempo e dinheiro necessários nesta fase do projeto. O design baseado em personagens também tem se mostrado realmente interessante e eficaz nos processos de redesign. Como existem dados anteriores, você pode comprovar as melhoras em todos os aspectos, como o aumento do tráfego, da lealdade dos clientes e da satisfação das pessoas que navegam no website. Quando você estiver criando um website, lembre-se que usuários não existem, pessoas sim!

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criação

webdesign

Luli Radfahrer

PhD em Com unicação Digital, já dirigiu a divisão de internet de algum as das m aiores agências de propaganda e de alguns dos m aiores portais do Brasil. Hoje, é ProfessorDoutor da ECA -US P, Diretor A s s ociado do Mus eu de A rte Contem porâ nea e cons ultor independente. A utor do livro ‘ des ign/ w eb/ des ign:2’ , adm inis tra um a com unidade de difus ão do conhecim ento digital pelo país . webdesign@luli.com.br

Estressou? Vá surfar!

A capacidade criativa é como uma caixa d’água: se não for preenchida, seca.
“Um dia ruim a surfar é melhor que um bom dia a trabalhar”... há muito tempo que não

ouço essa expressão, nem sei mais de pessoas que usam o surfe como ferramenta de combate ao esgotamento provocado pelo excesso de demandas dos dias de hoje. Não me refiro àquele esporte perigoso, extenuante e cheio de fatores incontroláveis – água, parafina, equilíbrio e areia – praticado por pessoas do século passado (como eu,) mas ao saudável e divertido ato de se surfar na internet. Surfar? É. No século, passado era assim que as pessoas se referiam ao ato de se acessar a web. Como eram poucas as empresas que disponibilizavam algum tipo de conteúdo online, boa parte do tempo na rede era gasto em visitar portais, que tinham esse nome porque serviam de porta de acesso a outros sites, com dezenas (alguns até centenas) de “links interessantes”. A falta de conteúdo era tamanha, a ponto de existir a profissão de mining, que nada mais era que o ato de visitar sites, selecionar os mais bacanas e ainda ser pago por isso. A arqueologia digital acaba por aqui. O mundo mudou e o internauta mudou com ele. Nunca se passou tanto tempo online como hoje, é verdade, mas a maior parte desse tempo é gasta em acessar e-mail, tagarelar em sistemas de mensagens instantâneas e em ambientes de comunidade, como o Orkut, ou até a visitar portais, que hoje são muito mais parecidos com jornais que com guias de navegação. Por mais que se usem sites de busca, surfa-se muito pouco. A maior parte dos usuários procura uma informação, pega o que precisa e sai rapidinho. O que é uma pena. A web que, em seu começo, era o símbolo da democracia digital e do acesso às mais diferentes fontes de informação, tornou-se, com o tempo, o ícone maior da cultura de conveniência: se você quer citar alguém sobre algo e nunca leu nada a respeito, basta “googlar” o nome e ganha-se um PhD instantâneo. A antiga curiosidade em se saber o que acontecia em cabeças criativas ao redor do planeta – que uma vez foi definida como “a maior galeria de arte aberta do mundo” – hoje nada mais é que um imenso disk-pizza de informação para todos os gostos e preconceitos. Até mesmo os blogs, que, ao darem ao usuário comum poderes de editor jornalístico internacional, deveriam estimular a navegação, não o fazem. A maioria deles até começa com um punhado de boas intenções, para depois de alguns meses (quando não semanas), caírem na mesmice de alguém que não tinha muito a dizer.

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“A web que, em seu começo, era o símbolo da democracia digital e do acesso às mais diferentes fontes de informação, tornou-se, com o tempo, o ícone maior da cultura de conveniência”

Da mesma forma que seu equivalente físico, não há esporte mais sem finalidade que o surfe. No mar, com uma prancha, não se vai a lugar algum. O atleta nada para atravessar a arrebentação, senta-se e espera em atitude contemplativa algo acontecer. Um tremer, um vento, uma mudança de temperatura da água e pode-se ter certeza que vem uma boa série de ondas por aí. Veio a onda, o combate não dura muito mais que um minuto e já se está na areia para recomeçar tudo de novo. Inútil? Para os parâmetros atuais de cultura instantânea, sem dúvida. Para aqueles que carregam suas pranchas para o mar todo final de semana, sem nenhum instinto de competição, essa atividade física extenuante é estranhamente prazerosa, pois permite ao atleta uma percepção sem precedentes do ambiente à sua volta e de seus recursos. Na internet, não é tão diferente assim. Cada website é um portfólio, e é, às vezes, nas coisas mais simples ou esdrúxulas que estão as idéias mais ricas. Ao se navegar sem direção em um mundo de páginas livres, é possível descobrir novas formas de diagramar, de compor imagens, de se animar recursos. A criatividade é uma grandeza dinâmica, se não é renovada, se esgota. A maioria dos designers adora websites de portfólio e só ativa os neurônios quando liga o Flash. Ao descobrir um efeito interessante, preocupa-se mais em copiá-lo que em entender seus motivos ou relevância. Usando da desculpa que “cliente não tem noção”, muitos truques são repetidos até se esgotar a fonte. O resultado final é de uma mesmice vazia, muitas vezes sem significado, que faz com que todos os sites tenham a mesma cara.

Para se prever a onda, é necessário estar no mar. Para se descer a onda, é preciso tomar uns bons caldos. Ninguém nasce sabendo e nenhum conhecimento é perene. Ferramentas como o StumbleUpon, ou comunidades como o Flickr, podem abrir fronteiras e renovar conceitos. Elas devem ser usadas sempre, não no desespero da falta de idéia de última hora. O passeio por elas poderá levar a uma série de coisas inúteis que, quando se menos espera, se revelam bastante úteis. Como o relógio que ilustra este artigo (em http:// www.lares.dti.ne.jp/~yugo/storage/monocrafts_ver3/03/). Por mais ridículo e divertido que seja, dá uma perspectiva diferente do que aprendemos a entender por webdesign.

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webdesign

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