setembro 2005 :: ano 2 :: nº 21 :: www.arteccom.com.

br/webdesign

R$ 7,90

e d i t o r a

arteccom

segurança
saiba quais são as ferramentas, os meios e os procedimentos para tornar seu site mais seguro
“Criamos uma cartilha de segurança que ajuda os clientes a realizar transações bancárias”
Alberto Fávero, Santander Banespa

Dove.com.br

veja como a internet foi fundamental na Campanha pela Real Beleza

Mundo Canibal

confira o portfólio da dupla que aposta em humor na web

Criatividade na busca por um emprego
dicas de quem usou e abusou da imaginação para conseguir uma vaga

direitos autorais

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quem somos

Equipe
Direção Geral Adriana Melo
adriana@arteccom.com.br

Editorial

Insegurança?!?
Qual é nossa intenção ao debatermos, numa revista de criação o assunto “segurança”? Nosso objetivo, nesta edição, é mostrar ao profissional de criação (ou atendimento) como ARGUMENTAR com um cliente que tem desejo de disponibilizar seus produtos ou serviços por meio da compra online, mas adia seus planos por não conceber a internet como um ambiente seguro. Então, nosso intuito é que o leitor faça suas próprias interpretações, tire suas conclusões e prepare sua defesa! O cliente precisa entender que a proporção de “roubos” na internet é equivalente ou menor que no meio urbano. Concordo com Giordani Rodrigues, no debate (pág.42). Também tenho mais medo de ir à minha agência e ser assaltada no caminho, ou dentro dela, do que fazer uma compra online e ser “criptografada”. A mídia, por se tratar de uma novidade, “sensacionalizou” as notícias sobre fraudes na internet, dando fama aos hackers e gerando insegurança nos usuários. Cabe a nós acalmar os ânimos e ajudar nossos clientes a enxergarem a realidade. É lógica a importância de estudarmos como nos defender de possíveis ataques e de, principalmente, divulgarmos as medidas de precaução e segurança cabíveis. Só não podemos nos imobilizar, por insegurança ou por falta de argumentos, diante do mercado de transações online, tão atraente, prático e promissor. Abraços e boa leitura!

Direção de Arte Patrícia Maia
patricia@arteccom.com.br

Ilustração Beto Vieira
beto@arteccom.com.br

Diagramação Jeferso n Costa
jeferson@arteccom.com.br

Leandro Camacho
leandro@arteccom.com.br

Direção de Redação Andr é Philipp e Iunes
andre@arteccom.com.br

Redação Tatiana Serra
tatiana@arteccom.com.br

Assinaturas Jan e Costa
jane@arteccom.com.br

Gerência de Tecnologia Fabi o Pinheiro
fabio@arteccom.com.br

Webdeveloping Eric Nascimento
eric@arteccom.com.br

Financeiro Luana Rocha
luana@arteccom.com.br A Arteccom é uma empresa de design, especializada na criação de sites e responsável pelos seguintes projetos: Revista Webdesign :: www.arteccom.com.br/webdesign Curso Web para Designers :: www.arteccom.com.br/curso Encontro de Web Design :: www.arteccom.com.br/encontro Portal Banana Design :: www.bananadesign.com.br Projeto Social Magê-Malien :: www.arteccom.com.br/ong

Criação e edição
www.arteccom.com.br

Produção gráfica
www.prolgrafica.com.br

Adriana Melo

Distribuição
www.chinaglia.com.br

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:: A Arteccom não se responsabiliza por informações e opiniões contidas nos artigos assinados, bem como pelo teor dos anúncios publicitários. :: Não é permitida a reprodução de textos ou imagens sem autorização da editora.

apresentação pág. 4 quem somos pág. 5 menu

matéria de capa pág. 20 entrevista: Gastão Mattos pág. 28 Desenvolva uma navegação segura em seu site pág. 40 debate: Você confia em segurança na internet? e-mais pág. 45 estudo de caso: Dove pág. 50 currículo criatívo pág. 53 tutorial : Padrões Web 3 com a palavra pág. 58 usabilidade: Marcos Nähr pág. 60 marketing: René de Paula Jr. pág. 62 bula da Catunda: Marcela Catunda pág. 64 webdesign: Luli Radfahrer

contato pág. 6 emails pág. 6 fale conosco

fique por dentro pág. 8 direito na web pág. 10 clipping

portfólio pág. 12 veterano: Mundo Canibal pág. 18 calouro: Thiago Campos

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menu

emails
Assunto: Quer pagar quanto? Gostaria de ver na revista como anda o piso salarial de um webdesigner, desde um estágio até o profissional? Agradeço.
Uiliam Cruz uiliamcruz@pop.com.br

Assunto: Peixe filhote

Primeiramente, eu gostaria de parabenizar a Revista Webdesign pelo seu maravilhoso conteúdo! Eu descobri a revista há umas 6 edições e, a partir daí, Assunto: Tableless Olá amigos! Comecei a acompanhar a revista há 2 números e, venho gostando muito, porém, tem sempre uns detalhes que podem ser melhorados... Na matéria sobre “tableless”, eu pude “imaginar” o que seja, mas acho que faltou uma introdução descritiva sobre o que seja, de verdade... A meu ver, vcs teriam que pensar em todos os tipos de leitores: os que são novatos, amadores, profissionais, os que estão comprando a 1ª revista hoje, os que estão folheando a revista na casa de um irmão, mas não são webdesigners. Enfim, todas as possibilidades, para que possam agradar a todos os nichos e , claro, vender mais revistas. Da minha parte, ficaria grato se me respondessem esse email, com a tal descrição do que seja o tal tableless.. Grato.
Sergio Batlle sbeatle@hotmail.com

Uiliam, Segundo dados de pesquisa realizada em 2004 pelo site ApInfo.com (www.apinfo.com), com 8.214 participantes de todo o Brasil, a remuneração mensal de um Webdesigner fica entre 1.571 (CLT) e 2.175 (Terceirizado /Freelancer). Colocamos nossa equipe de reportagem nas ruas e em novembro traremos um mapeamento atual sobre o piso salarial na área, ok? Um abraço!

Assunto: Edições anteriores Será que vocês poderiam disponibilizar no site a capa das revistas anteriores, bem como as matérias destas edições?
Itamar Mariano itamar.mariano@gmail.com

passou a ser leitura obrigatória. A sugestão que eu dou é que vocês façam tipo um Ranking TOP 10, mas com sites pessoais de webdesigners que estão começando. Seria uma tremenda alavancada na carreira. Um abraço para todos!
Bruno Maranhão brunofpm@walla.com

Itamar, No site atual, no link de exemplares avulsos, já estão disponíveis as imagens das capas anteriores. No novo site da Webdesign, que deve entrar no ar em setembro, esta seção ganhará maior destaque e disponibilizará muito mais conteúdo, atendendo ao seu pedido e aos de muitos outros leitores que contribuem com sugestões valiosíssimas. Muito obrigado a todos!

Agradecemos os elogios, Bruno! Sobre o ranking, faremos dentro do Selo Peixe Grande (premiação aos melhores portfólios brasileiros do ano, promovida pela Webdesign) deste ano, uma categoria para webdesigners freelancers. Começaremos a divulgação do prêmio por volta de outubro. Não deixe de participar e boa sorte!

Assunto: Mensagens subliminares

Olá queridos da Revista Webdesign. Primeiramente agradeço pela matéria feita comigo na seção portfólio calouro, em agosto/05. Fiquei muito feliz. Agora uma sugestão: o que vocês acham de fazer uma matéria sobre o poder das mensagens subliminares na web? Na TV, é comum, mas na internet, esse assunto não é muito abordado, e é algo muito interessante. Obrigado.
Felipe Gomes contato@felipegomes.com.br

Você tem razão, Sérgio. Por isso, a partir de agora, em todos os tutoriais sobre Padrões Web, vamos deixar fixo um parágrafo com uma introdução ao assunto. Confira na página 53 ;)

Boa sugestão, Felipe! Vamos pesquisar e podemos incluir o assunto na edição que faremos sobre a “psicologia na web”. Aguarde...

fale conosco pelo site www.arteccom.com.br/webdesign
:: Os emails são apresentados resumidamente. :: Sugestões dadas através dos emails enviados à revista passam a ser de propriedade da Arteccom.

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direito na web

Cópia de Cd´s
Qual é a situação jurídica de quem compra CD’s legais e grava as músicas no computador para ouvir e disponibilizar pela web?
Altair Pavão (altairjr@click21.com.br)

Há que se destacar que na pergunta do leitor existem duas condutas distintas: o uso doméstico próprio e o uso doméstico com fins de transferência ou disponibilização de fonogramas protegidos (ambas modalidades de distribuição) para reprodução (download)
Marianna Furtado é advogada com pós-graduação em Direito da Propriedade Intelectual pela PUC-Rio. Atualmente, pertence à equipe do escritório Montaury Pimenta, Machado & Lioce Advogados. Envie sua dúvida para: marianna@montaury.com.br

morais de autor, como a modificação da obra ou não identificação de seu autor ou intérprete, nos termos dos artigos 24 e 108 da nova Lei de Direitos Autorais brasileira (nº 9.610/98). Por outro lado, o uso doméstico não autorizado também deve ser examinado com atenção, como ressalta o doutrinador José Carlos Costa Netto 1 : “essa possibilidade de reprodução doméstica sofreu uma sensível alteração no regime legal brasileiro a partir de 1998: se a lei anterior (nº 5.988, vigente de 1973 a 1998) permitia a reprodução, em um só exemplar, de qualquer obra, contanto que não se destine à utilização com intuito de lucro (art. 49, II); a nova lei brasileira (nº 9.610, vigente a partir de 21/6/1998) limita ainda mais essa possibilidade, permitindo apenas a reprodução, em um só exemplar, de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro (art. 46, II)”. Portanto, esses limites devem ser respeitados sob pena de violação de direito autoral.

de terceiros via internet. Ambas são abrigadas pela Lei de Direito Autoral Brasileira, mas, naturalmente, a segunda hipótese é a conduta mais grave e punida com maior rigor. Nesse caso, além dos dispositivos legais genéricos, o artigo 29, inciso VII, da Lei nº 9.610/98 (Lei de Direito Autoral), estabelece expressamente que depende de autorização prévia e expressa do autor a distribuição para oferta de obras ou produções por qualquer sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para percebê-la em um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda. Se essa disponibilização tiver – direta e indiretamente - finalidade de lucro, existe a possibilidade de enquadramento no campo criminal - §§ 1º e 2º do artigo 184 do Código Penal, que prevêem a pena de detenção de 3 meses a 1 ano e, nos casos mais graves, de reclusão de 1 a 4 anos. Há que se atentar que a conduta pode ser tornar ainda mais grave, caso o uso não autorizado implique em violação a direitos

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In Direito de Autor sobre as obras

musicais na era digital – Revista do Advogado – Ano XXIII – N.º 69 – Maio de 2003.

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Ferramenta do Yahoo! faz busca de músicas na web
Uma nova ferramenta de buscas do Yahoo!, o Audio Search, permite que internautas encontrem na internet arquivos de música, entrevistas, discursos e podcasts (espécie de blog que substitui a escrita pela voz). A novidade, ainda em versão beta, procura resultados em sites grandes, como o iTunes e Napster. Além disso, conta com material de produtores independentes. De acordo com a companhia, há 50 milhões de arquivos disponíveis no serviço recém-lançado. A ferramenta leva os usuários a páginas que trabalham de maneiras diferentes. Por isso, é possível que o internauta tenha de baixar programas especiais ou se cadastrar nos endereços para ter acesso aos arquivos.

Palestra gratuita
No dia 10/09 a IMPACTA TECNOLOGIA dará uma palestra gratuita sobre CODEANIMATION: O Poder da Animação Interativa com Márcio Vitale - Instrutor Impacta Macromedia Certified Instructor. Voltada para desenvolvedores que programam em outras linguagens para a criação de games e multimídia interativa, a palestra abordará os diversos usos da linguagem nativa do Flash, a Actionscript 2.0, com ênfase nos recursos mais utilizados em apresentações interativas e games. Sendo dividida em 3 partes: O que é a Actionscript e suas aplicações; Apresentação da linguagem controlando animação interativa; Aplicação de Jogo criado totalmente em Flash, demonstrando a simplicidade com que o código flui através de comandos básicos da ferramenta. Encerramento com a disponibilização dos códigos criados no workshop. Não é necessário nenhum conhecimento prévio em programação.

(01)
inscrições através dos sites http://www.impacta.com.br http://www.fiti.org.br

Lançado livro especializado em domínios
Escolha seu .com é o guia definitivo de como escolher, reservar, manter, transferir e divulgar seus domínios na internet. O texto aborda também os erros mais comuns cometidos no mercado e como evitá-los. O autor, Ricardo Vaz Monteiro, cursou bacharelado em Física na Universidade de São Paulo e é diretor da empresa Nomer.com. “Alguns clientes ainda não se deram conta da enorme importância que a escolha do nome do domínio tem na suas operações”, comenta o autor. O livro traz dicas objetivas para o webdesigner, que respondem perguntas do tipo:  Como escolher o domínio principal de um site?  Quais as melhores extensões ?  Nome genérico ou próprio?   Como transferir domínios?  Como comprar um domínio já registrado? Como divulgar seus domínios no Adwords e Overture?  Como evitar fraude nas campanhas PPC?  E muito mais.

Alemão tenta vender rim pela internet
Um desempregado alemão tentou vender um de seus rins por 400 mil euros no site de leilões eBay, informou a polícia de Viersen, no Estado de Renânia do Norte-Westfália, oeste da Alemanha. A empresa impediu a venda e a polícia de Viersen interrogou o desempregado, de 54 anos, que foi acusado de infringir a lei alemã de transplantes. Durante o interrogatório, o homem disse não saber que a legislação alemã proíbe a venda dos próprios órgãos, e afirmou que o dinheiro do leilão serviria para sustentar a família.

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Para mais informações visite o hotsite do livro: http://www.escolhaseu.com

(01) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u18769.shtml (02) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u18724.shtml (03) http://info.abril.com.br/aberto/infonews/082005/08082005-7.shl (04) http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u18763.shtml (05) http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI623302-EI4802,00.html

Errata Na edição 20, seção Portfólio Calouro, o site da empresa Branding Web Midia saiu com a URL incorreta. O correto é www.brandingwebmidia.com e não .com.br como foi publicado.

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Flash, Dreamweaver e Fireworks têm novas versões
SÃO PAULO - A Macromedia anunciou o pacote Studio 8, que traz versões de três de seus programas mais populares: Dreamweaver 8, Flash Professional 8 e Fireworks 8. Além das novas versões, o Studio 8 vem com os aplicativos Contribute 3 e Flash Paper 2. O novo Dreamweaver traz uma ferramenta específica para a montagem de feeds RSS. Outra novidade é o recurso que permite esconder comandos HTML, para melhor visualização do código. No Flash Professional 8, as maiores novidades estão na área de vídeo. O recurso de importação foi aprimorado e o aplicativo agora conta com uma ferramenta de codificação. Ela facilita a conversão de vídeos para o formato Flash Video (FLV). Entre os novos recursos do Fireworks 8 estão os modelos de interface para dispositivos portáteis. O programa agora conta com uma ferramenta de batch para aplicação de ações a diversas imagens simultaneamente, algo comum em outros programas gráficos. Os programas estão em pré-venda no site global da Macromedia e podem ser adquiridos separadamente ou dentro do pacote Studio 8. Ainda não há versão para download dos novos aplicativos.

Internet “rouba” audiência da televisão, diz estudo
Os internautas norte-americanos que têm conexão de banda larga em suas casas assistem, semanalmente, duas horas a menos de televisão do que aqueles desconectados. Os usuários de conexão discada, por sua vez, deixam de ver uma hora e meia de tv por semana. O estudo da Forrester Research, que divulgou as informações, tem como base entrevistas feitas com 69 mil residentes dos Estados Unidos e Canadá. Os entrevistados que não têm internet em casa passam cerca de 14 horas semanais em frente à tv, contra 12 horas e meia (internautas de acesso discado) e 12 horas (aqueles com conexão rápida). Nos próximos anos, as emissoras devem enfrentar uma queda ainda maior na audiência. Isso por que os usuários de banda larga devem passar de 31 milhões (final de 2004) para 71,4 milhões (2010) nos Estados Unidos. Em 1999, essa facilidade era restrita a 2,6 milhões de internautas residentes nesse país. Um estudo do IBOPE//NetRatings referente a abril mostrou que, neste mês, 65% dos internautas domésticos brasileiros navegaram pela web durante o “horário nobre”: 20h e 22h. Tradicionalmente, esse horário gera bons números de audiência para as emissoras de tv. “Muitas dessas pessoas utilizaram a internet simultaneamente à tv, o que faz dela uma mídia complementar, quando não a principal, para algumas faixas etárias”, afirma Alexandre Sanches Magalhães, analista de internet do IBOPE//NetRatings.

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Empresa quer mostrar mundo ao vivo por satélite
Enquanto o mundo ainda se encanta com as fotos de satélite estáticas do Google Earth e do MSN Visual, uma companhia australiana já promete oferecer o mesmo serviço com imagens em movimento e ao vivo. A AstroVision Australia quer, até 2008, tornar disponíveis imagens da Terra em tempo real para os seus usuários. A empresa pretende lançar serviços para combate a incêndio, alerta de tempestades e até previsão do tempo, com vídeo para aparelhos de celular. De acordo com a companhia, as imagens são feitas por satélites com posição fixa em relação à órbita da terra, produzindo uma visualização constante da região atendida. A empresa espera, em breve, ampliar o número de satélites para poder atender todo o globo. Segundo informações divulgadas no site spacedaily.com, a Apple Computer foi escolhida para dar todo o suporte tecnológico ao novo serviço, tanto no que se refere ao hardware quanto ao software. A AstroVision também já teria entrado em contato com o Google para uma possível parceria.

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Design na Brasa
Com o patrocínio da Comgás e apoio do Centro Cultural da Vila Madalena, neste ano, o Design na Brasa não cobrará entrada e vem com o tema “POLUIÇÃO DO AR”. A intenção é fazer com que os designers percebam que têm responsabilidade com a sociedade. Acontecerão palestras e muita brincadeira como sempre. Também estarão presentes a editora Cosac Naify, a revista Tupigrafia e a Fenac, sem contar com exposição de artes e instalações. O evento é um meio de divulgar portfólios também. Por isso, quem quiser pode levar o seu.

Para maiores informações, ligue: (11)3813-2954 ou acesse o site www.designnabrasa.com.br

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portfólio veterano :: Mundo Canibal

por Tatiana Serra

O www.mundocanibal.com.br se define como fruto da liberdade da criação artística e apresenta animações com o único objetivo de divertir seus usuários com um conteúdo de humor. Contudo, mesmo sem intenção, suas animações acabam criando polêmica. Acompanhe essa história. Mas, antes, conheça um pouco de seus personagens:

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Ricardo Piologo, paulista de Indaiatuba, de 26 anos, é autodidata e queria ser animador desde os 5 anos de idade. Sempre pesquisou, estudou e nunca pensou em desistir de animação. Se tivesse que recomeçar, Ricardo diz que não mudaria muita coisa, pois nenhum curso pagaria o aprendizado que já adquiriu. “Uma mudança clara e óbvia seria a maneira de se trabalhar e aprender. Há 20 anos, animação era realmente algo complicado e quase impossível no Brasil, então, tinha que ficar procurando alternativas e até com videogame fiz animação (lembram do Mario Paint da Nintendo?). Com o baixo preço e fácil acesso aos computadores, tudo ficou extremamente fácil, sem contar a internet, que abriu todas as fronteiras existentes”, diz ele. O primeiro personagem que viria a ser do Mundo Canibal surgiu há 10 anos, o Carlinhos. Ricardo e seu irmão, Rodrigo Piologo, queriam criar algo que chamasse a atenção, mesmo que a pessoa não gostasse, mas que lembrasse de ter visto. “Então, achamos que um garoto preto e branco e que comesse seus próprios excrementos resolveria nosso problema. Com ele, começamos a fazer os primeiros testes e, com o surgimento da internet, criamos um site no HPG, chamado Dr. Jeam Works, onde começamos a produzir os primeiros episódios deste amado garoto e também do Deforméd Baby, que veio logo em seguida”, lembra Ricardo.
Dr. Jeam Works Nome surgido devido a um erro de impressão nos cartazes do filme “Em Busca do El Dourado”, da DreamWorks, em que um “J” foi colocado, ficando DrJeamworks.

e sonorização em Flash, além de cuidar do site de uma forma geral. O Rodrigo – com quem Ricardo tem igualdade de pensamentos - é o desenhista/animador e colorista, enquanto o Rogério cuida de toda a parte burocrática, busca novos parceiros e oportunidades, ajuda nos roteiros e, como todos eles, faz também algumas vozes. “Também temos o Phelippe Gonçalves Neto, que é nosso “Voizêro” oficial, a Renata Valente, da Fábrica de Quadrinhos, como nossa assessora de imprensa e o Marcio Roger Ferrai, como webmaster”, diz Ricardo.

“O público é o termômetro para sentirmos se o que é engraçado para nós também acaba sendo engraçado para os visitantes, qual personagem está sendo mais querido e, com isso, que caminho devemos continuar a seguir”
Liberdade sim, mas com cuidados Segundo Wladimir Jankélévitch, filósofo e musicólogo alemão, “o humorista traz à tona a dúvida e a precariedade, sempre busca a liberdade de brincar com o poder de qualquer ordem. O humor não leva a sério nada, nem a si mesmo”. De certo, no Mundo Canibal, há a liberdade da criação artística, mas há também cuidados a serem tomados ao se fazer uma animação. “Não gostamos de apelo sexual, racismo e de mexer com religião”, ressalta Ricardo.

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Com o site no ar, Rodrigo começou a fazer um curso de quadrinhos na Fábrica de Quadrinhos, onde conheceu Rogério Vilela (proprietário), que tinha alguns personagens seguindo a mesma linha de humor dos irmãos Piologo. Os três, então, se uniram e lançaram o Mundo Canibal, há 6 anos no ar. Da onde veio a expressão Mundo Canibal? “Esse era um nome que o Vilela já tinha em mente e resolvemos usar. A idéia é que, como num mundo canibal vale tudo, até comer gente, é bem a cara do que fazemos, vale de tudo (ou quase tudo) em nossas animações”, explica Ricardo, que faz edição, animação
humor Palavra latina, humoris, líquido, fluido, humores do corpo humano como o sangue, a linfa, a bílis, enfim, as seivas da vida. Portanto, sua origem é médica, revelada pelos gregos cujos traços principais foram dados por Hipócrates, o qual estabeleceu relações entre os temperamentos e os humores (líquidos corporais), que, então, influiriam no caráter dos indivíduos, no seu temperamento. No dicionário Aurélio, humor também significa disposição de espírito; capacidade de perceber, apreciar ou expressar o que é cômico ou divertido.

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portfólio veterano :: Mundo Canibal

portfólio veterano :: Mundo Canibal

O objetivo principal do site é a diversão. Porém, há quem confunda a graça deste humor – considerado por alguns como ”humor negro” - com um “toque” e, até mesmo, um “incentivo” à violência. Quanto a essas críticas, Ricardo diz que a equipe faz o que acha engraçado, nunca pensando em incentivar algo. “Costumo comparar nossas animações com os clássicos Loney Toones, a única coisa é que colocamos sangue. Se acham que nossas animações não devem ser assistidas, tem um botão DESLIGA no computador. Porém, aposto que ver as maravilhosas e pornográficas novelas e programas de domingo, todo mundo acha lindo e educativo”, desabafa ele. “É triste ver aqueles que insistem em querer transformar o que fazemos em algo que parece que vai acabar com o mundo e possuir a mente de todas as crianças do Planeta”, completa ele.

personagem está sendo mais querido e, com isso, que caminho devemos continuar a seguir”, enfatiza Ricardo, se dizendo muito agradecido com o retorno do público. Ele destaca ainda que, no Orkut, existem as mais variadas comunidades criadas por esse público. “Só a Avaiana de Pau tem mais de 100 mil membros”. O site apresenta um conteúdo de humor e esclarece que não faz referência a fatos reais. Apesar disso... “Fazemos o que vem na cabeça e acredito que, no final, todo mundo acaba se identificando com algum personagem ou situação e, com isso, temos um pouco de realidade aí”, explica Ricardo. Quanto à inspiração... “As idéias podem surgir de qualquer coisa que falamos ou vimos, sendo engraçado, com certeza vamos usar em algum trabalho”.
Avaiana de Pau

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Humor Negro Humor que choca pelo emprego de elementos mórbidos e/ ou macabros em situações cômicas, ou vice-versa.

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“Sem dúvida, ‘Avaiana de Pau’ é hoje um dos nossos ícones, chegando ao fato de muitos conhecerem a animação, mas não o site. Porém, ‘Bonequicha’, ‘Donizete e sua família’ também estão no topo da preferência da galera”, diz Ricardo que, em 1999, recebeu o prêmio Anima Mundi de melhor computação gráfica brasileiro com a animação em 3D Hot-Head, que também estará presente no DVD do Mundo Canibal.

Querido pelo público Apesar de todas as críticas, o Mundo Canibal tem um público fiel e recebe milhares de visitas todo mês. “O público é o termômetro para sentirmos se o que é engraçado para nós também acaba sendo engraçado para os visitantes, qual

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Animação passo-a-passo
Quando vão realizar uma animação, os profissionais do Mundo Canibal fazem o roteiro direto no story-board, no qual vão discutindo e lapidando a idéia. “Essa é a principal fase do trabalho, pois, é aí que sentimos se tudo vai ficar como queremos e realmente engraçado. Depois disso, começa a parte de desenhar, digitalizar, pintar e editar no Flash”, explica Ricardo. Eles usam técnicas tradicionais de animação. “O Rodrigo desenha tudo a lápis no papel, finaliza com caneta preta, digitaliza, vetoriza e pinta no Flash. E, então, eu entro para a edição, montagem e sonorização (tudo também no Flash). Ao contrário do que pensam, não usamos nada de Action Script, não existe necessidade”, completa ele. O trabalho do Mundo Canibal não chega a ser artesanal e sim tradicional. “A única coisa que não fazemos é desenhar direto no computador, usando uma tablet ou mouse (se é que é possível). Desenhamos a mão, pois ainda temos mais liberdade e as tablets ainda não estão 100% sensíveis. Mas, acredito que, no futuro próximo, realmente vai ser tudo no PC”, diz Ricardo. Ele costuma fazer palestras pelo Brasil todo, mostrando e explicando o trabalho do Mundo Canibal. Um dos exemplos é o 10º Encontro de Webdesign (2005), promovido pela Arteccom, em Belo Horizonte e Curitiba. “Acho ótimo esse contato para ver realmente o que a galera acha de nosso trabalho e é fundamental a troca de idéias com outros profissionais, para fazer novas amizades e ter a quem recorrer em algum problema ou novo projeto”, afirma Ricardo que, pessoalmente, se considera tranqüilo e sempre de alto astral. Já profissionalmente, é extremamente rigoroso com prazos e gosta de estar sempre por dentro do que acontece no mundo digital. “Uma coisa que não só eu, mas todos odeiam no Mundo Canibal e na Fábrica de Quadrinhos é o estrelismo, aquela pessoa que não aceita crítica ou sugestão e acha que é melhor que todos”, completa ele.

“O Rodrigo desenha tudo a lápis no papel, finaliza com caneta preta, digitaliza, vetoriza e pinta no Flash. E, então, eu entro para a edição, montagem e sonorização (tudo também no Flash). Ao contrário do que pensam, não usamos nada de Action Script, não existe necessidade”

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portfólio veterano :: Mundo Canibal

portfólio veterano :: Mundo Canibal

Animação que dá lucro
Ultimamente, os irmãos Piologo se dedicam, praticamente, só ao Mundo Canibal - o que, além das animações, envolve tudo que está relacionado a ele (produtos, parcerias, divulgação, novos projetos etc). “Como também sei mexer com 3D e o Rodrigo é um ótimo cartunista, às vezes, nos envolvemos em alguns trabalhos da Fábrica de Quadrinhos”, conta Ricardo. Apesar da demora, o Mundo Canibal, hoje, é a base do sustento dos Piologo. “Hoje, somos felizes de poder viver só dele, mas isso demorou a acontecer e passamos 8 anos da nossa vida mantendo e realizando tudo à noite, quando chegávamos do nosso ganha pão oficial da época”, lembra ele, ressaltando que, com tantos acessos (mais de 2 milhões por mês), agora, são os clientes que os procuram, sendo a intenção da equipe vincular a marca e os personagens ao máximo possível de produtos. Metas do Mundo Canibal: - A venda do DVD, que já está em processo adiantado de produção e virá com animações inéditas e lotado de extras; - Produção do longa para cinema; - Criação da marca de roupas e acessórios Mundo Canibal; - “Contudo, nossa principal meta é expandir o máximo possível o que fazemos e levar tudo a nível mundial. Pode até parecer um pouco exagerado, mas é isso que nos faz, cada vez, procurar mais e mais, e sempre estar inventando coisa”, confessa Ricardo que, juntamente com seu irmão, lançou dois livros: o “Flash Animado” e “Aprenda a Desenhar Cartoons com Ricardo e Rodrigo Piologo”, sucessos absolutos de venda, segundo ele.

Ricardo Piologo

Rodrigo Piologo

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portfólio calouro :: Thiago Campos

De pára-quedas na web
“O pulo do gato quem vai ter que aprender é você”. Para Thiago Campos, designer carioca de 22 anos, “cursos são bons para adquirir conhecimento, mas nada como a vivência e a experiência de trabalhar na área, seja estagiando ou como profissional”. Ele, que “caiu de pára-quedas” no mundo virtual, fazendo trabalhos para amigos e conhecidos, hoje cursa o 6º período de Desenho Industrial e trabalha como designer, só fazendo layout, pois prefere focar no projeto em si, sem se preocupar com outras tarefas. Com cinco anos de carreira, Thiago já experimentou vários tipos de projetos, tais como: a intranet da Carvalho Hosken, o site da OAB-RJ (top 10 ibest 2005) e o Estrela Guia (vencedor do ibest 2004 e 2005). Hoje, seu principal projeto é o hotsite do Desafio de Handebol, do Comitê Olímpico Brasileiro. Como conseqüência das premiações recebidas, ele ressalta a confiança em seu trabalho. Adepto do lápis e papel, ele fala sobre seu estilo de trabalho: “com o briefing ao lado, começo a rabiscar até surgir algo concreto. A partir daí, abro o Photoshop e começo o processo de criação”, explica ele, que tem experiências em agências de publicidade, de internet e como freelancer. Fazendo um comparativo, o designer explica que o profissional do departamento web de uma agência de publicidade transforma um padrão já criado em um trabalho “interativo para o usuário”. Nas produtoras web, há mais liberdade para criar, a partir de um briefing e de um wireframe. “E, como freelancer, não é tão diferente, mas você pode dar mais opiniões. O contato com o cliente é maior e melhor”, esclarece Thiago, que costuma ter um relacionamento transparente com seus clientes. Otimista e extrovertido, o carioca acredita que o lado pessoal interfere na profissão. “Se estou bem, crio com

por Tatiana Serra

Ele começou de repente no mundo virtual, já foi “faz tudo” e, hoje, se dedica ao design pleno
facilidade, mas, se não estou, não sai tão bom quanto eu esperava”, diz ele. Além disso, na web, Thiago vê facilidade nos aplicativos, pois, a cada nova versão, eles ajudam a agilizar o trabalho e a aumentar a produtividade. Para uma boa colheita, o designer, que se considera autodidata, aposta na leitura e na pesquisa. “Gosto muito de visitar sites estrangeiros sobre design, principalmente os orientais, que têm um estilo totalmente diferente do que vemos aqui no Brasil”, afirma ele. “Além de adquirir conhecimento, sempre tem uma teoria que você pode aplicar em seus trabalhos para dar um destaque, como a ‘Gestalt’ (relativa à percepção humana), por exemplo”, indica Thiago, destacando o Actionscript, do Infnet, como um curso de grande ajuda para sua formação. “Antes de lançar meu site pessoal, eu tinha aberto a Clean Lab, em sociedade com mais 2 amigos. Só que o tempo se passou e cada um foi seguir sua vida. Daí, neste domínio, eu criei meu portfólio pessoal, pra mostrar um pouquinho do que eu faço”, explica ele sobre seu site www.cleanlab.org.

imagem do jogo “Tiles” para o site Movie City

O site de Thiago Campos é <www.cleanlab.org> e o email para contato, <thiagocpos@hotmail.com>. Para participar da seção portfólio, cadastre-se no site www.arteccom.com.br/webdesign.

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entrevista :: Gastão Mattos

Segurança

ao seu alcance

Por Luis Rocha

Dentre algumas definições, o dicionário Aurélio diz que a palavra consciência significa o “cuidado com que se executa um trabalho, se cumpre um dever”. Pois bem, a conscientização sobre a segurança no uso da internet é apontada pelos especialistas como uma das principais ferramentas para que um usuário usufrua com prazer de todos os benefícios que a web possa lhe oferecer. Então, a pergunta que fica é: você divulga as práticas da Internet Segura em seu site? Caso sua resposta seja não, fique tranqüilo. Uma boa fonte de informações está mais perto do que você possa imaginar! Isso porque, desde setembro de 2004, os profissionais da web no Brasil contam com um site (www.internetsegura.org) dedicado exclusivamente a prover esclarecimentos didáticos sobre segurança no meio virtual. A iniciativa é do Movimento Internet Segura (MIS), campanha que uniu instituições financeiras, lojas de comércio eletrônico, empresas de tecnologia, entre outras. Nesta entrevista, o executivo Gastão Mattos, líder do MIS, apresenta o movimento, traz dicas sobre navegação segura, além de revelar os planos de lançamento de um selo de certificação de site seguro. Boa leitura!

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WD :: Como surgiu a idéia de criar um movimento para se aumentar a consciência (sobre segurança) de quem navega pela Internet? E quais são os principais objetivos da campanha? Gastão :: O ponto de partida ocorreu em dezembro de 2003, quando, reunidas na Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net), empresas de diversos segmentos chegaram à conclusão de que havia a necessidade de tomar medidas para combater dois problemas que vinham prejudicando o mercado como um todo. Um deles era convencer as pessoas desconfiadas da segurança da rede que fazer transações pela internet pode ser tão seguro como numa loja comum, desde que sejam tomadas algumas precauções simples. O outro era o de orientar os usuários sobre como evitar as fraudes na rede. Houve um consenso entre as empresas de que a iniciativa precisava de recursos próprios e de uma organização destinada a dirigir as estratégias definidas pela entidade. Em setembro de 2004, um grupo de empresas decidiu patrocinar a entidade e destinar os recursos necessários para as suas atividades. Foi o nascimento oficial do Movimento Internet Segura (MIS). Atualmente, o MIS conta com a participação das seguintes empresas: American Express, Banco do Brasil, E-Consulting, IPDI, Microsoft, Redecard, Serasa, Symantec, McAfee, Visanet, Rede de Bem Estar Social, entidade ligada ao Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor/SP) e das lojas de c o m é r c i o e l e t r ô n i c o A m e r i c a n a s . c o m , E x t ra . c o m . b r, L i v ra r i a C u l t u ra . c o m . b r, L i v ra r i a S a ra i va . c o m . b r, Magazine Luiza.com.br, Marisa.com.br, Siciliano.com.br, S o m L i v r e . c o m , S h o p t i m e . c o m . b r, S u b m a r i n o . c o m . b r e To k S t o k . c o m . b r. WD :: Até o momento, qual o volume de investimentos feito para criação, divulgação e administração desse movimento? Gastão :: Os primeiros investimentos do movimento foram materializados na construção e manutenção do site de esclarecimentos sobre a segurança na rede (http:// www.internetsegura.org/), bem com numa campanha publicitária (“Pratique a Internet Segura”), que entrou no ar em abril. O investimento necessário para estas duas primeiras ações foi de R$ 2 milhões. WD :: Diante do aumento da circulação de vírus e spam pelo mundo virtual, além do crescimento dos ataques envolvendo mensagens e sites fraudulentos, técnica conhecida como “phishing scam”, podemos considerar a internet como um meio seguro para a realização de negócios? Gastão :: O comércio eletrônico é um processo de distribuição de bens e serviços que depende basicamente dos meios eletrônicos de pagamento, sobretudo os cartões de crédito. Neste aspecto, todas as bandeiras de aceitação
Camara-e.net Fundada em 07 de maio de 2001, é a principal entidade multisetorial da Economia Digital no Brasil e América Latina, voltada ao comércio eletrônico como fator estratégico de desenvolvimento econômico na era do conhecimento. Fonte: Camara-e.net

“Podemos considerar o nível de segurança na rede plenamente satisfatório”

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atuantes no Brasil trabalham com o estado da arte em tecnologia e normas de segurança. É muito importante, para a segurança deste negócio, a relação aberta com estas bandeiras, de forma a garantir que o processo de captação de informações sobre cartões de crédito esteja sendo feito dentro do rigor técnico de

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entrevista :: Gastão Mattos

entrevista :: Gastão Mattos

segurança, que impeça dores de cabeça futuras, não somente para o empreendedor deste novo negócio, mas para todo o mercado online. Podemos considerar o nível de segurança na rede plenamente satisfatório. Sistematicamente, novas medidas de precaução e tecnologias inovadoras são implementadas para garantir a integridade e privacidade dos usuários na rede. Este é um processo contínuo e permanente do mercado. As empresas do segmento estão preocupadas em orientar e esclarecer os usuários da internet sobre o problema, para não termos um impacto negativo de credibilidade, incompatível com o nível extremamente apropriado da segurança neste ambiente. WD :: Então, quais seriam as dicas para que um internauta possa realizar uma navegação segura? Gastão :: Do ponto de vista de tecnologia, é fundamental o uso de ferramentas de proteção, como o uso de antivírus (de preferência, atualizado automaticamente, porque temos a tendência de esquecer de fazer as atualizações manualmente) e de um firewall. Falando sobre o aspecto comportamental (de conduta) do internauta, há que se precaver contra e-mails suspeitos, sobretudo aqueles que induzem a abertura de arquivos anexos ou que apresentam links para outros sites.

firewall Dispositivo constituído pela combinação de software e hardware, utilizado para dividir e controlar o acesso entre redes de computadores. Fonte: Cartilha de Segurança - CERT.br

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Na dúvida, o internauta não deve tomar nenhuma ação sobre este tipo de e-mail e, caso a mensagem tenha sido enviada por alguma empresa, recomendamos entrar em contato com a mesma para informar o ocorrido. O usuário com dúvidas pode, a qualquer momento, consultar o site do MIS para se orientar a respeito. Trataremos de manter sempre atualizado o conteúdo de informação e, principalmente, as dicas sobre segurança. WD :: Falando em dúvidas, é muito comum os internautas perguntarem como se faz para reconhecer que um site possui segurança para realização de transações eletrônicas. Podemos considerar o nível de segurança dos sites de comércio eletrônico satisfatório? Gastão :: As principais lojas de varejo eletrônico, bem como os grandes bancos de varejo no Brasil, apresentam nível de segurança compatível a qualquer padrão internacional. O problema não está no acesso a estes sites e sim na eventual presença no computador do usuário de alguma falha de

antivírus Programa ou software especificamente desenvolvido para detectar, anular e eliminar vírus de computador. Fonte: Cartilha de Segurança - CERT.br

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segurança, que permita a um terceiro coletar informações como senha e dados privados. Uma tática comum explorada em fraudes pela internet é a ilusão do usuário, que pensa que acessou o site de seu banco,

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entrevista :: Gastão Mattos

“Uma tática comum explorada em fraudes pela Internet é a ilusão do usuário”

Dez Mandamentos da Internet Segura 1) Protegerás seu computador 2) Jamais fornecerás senhas 3) Ficarás sempre atento aos remetentes de suas mensagens 4) Conferirás sempre seus pagamentos

quando na verdade foi iludido a acessar outro servidor e endereço, muitas vezes de forma até primária. Infelizmente, a maioria dos casos se origina através de mensagens, que devem ser manuseadas com todo o cuidado. O usuário não deve abrir links por e-mails de conteúdo duvidoso. Na dúvida, recomendamos que se apague a mensagem e que se entre em contato com a empresa que a enviou para comprovar sua validade. Estas e outras dicas de segurança fazem parte do conteúdo de nosso site. WD :: Os especialistas em segurança apontam que um dos principais obstáculos para o avanço do comércio eletrônico está na falta de sensação de segurança por parte dos usuários. O senhor concorda com esta visão? A segurança é hoje o principal entrave para expansão do comércio eletrônico pela internet brasileira? Gastão :: A segurança tem um peso significativo, mas não acredito que seja o principal entrave para o crescimento do comércio eletrônico no Brasil. É preciso entender que a compra pela internet é uma compra não presencial, que não faz parte da cultura do consumidor brasileiro. Em outros países, como os Estados Unidos, por exemplo, a compra por telefone e outras formas não presenciais sempre alcançaram volumes bastante significativos, enquanto no Brasil estas práticas nunca deslancharam. Acredito que a falta de cultura do consumidor brasileiro é o principal entrave. À medida que um número maior de pessoas experimentarem a internet como ferramenta de compras com todas as suas conveniências, como a agilidade e a economia de tempo e de deslocamento, a possibilidade de comparação

5) Terás sempre atenção no fornecimento de dados pessoais 6) Nunca participarás de sorteios fáceis 7) Resistirás a ofertas tentadoras 8) Terás cuidado com programas de invasão 9) Ficarás sempre de olho nos e-mails que recebe 10) Não acessarás sites de comércio eletrônico ou internet banking através de computadores de terceiros Fonte: Movimento Internet Segura (MIS)

de preços e outras vantagens, o comércio eletrônico tende a se expandir no País. Neste sentido, é fundamental que a primeira compra seja uma experiência prazerosa, que corra tudo certo e aí a questão da segurança pesa sensivelmente. Até o final do ano passado, cerca de 3,25 milhões de brasileiros fizeram compras pela internet (segundo dados da Câmara-e.net). Este número representa aproximadamente 11% do total de pessoas que têm acesso à rede no País. Nos Estados Unidos, mais de 60% das pessoas com acesso à internet fazem compras na rede. Isto dá uma idéia do quanto o comércio eletrônico tem a crescer no Brasil. WD :: De abril até o atual momento, o Movimento Internet Segura já conseguiu alcançar resultados

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“É fundamental que a primeira compra seja uma experiência prazerosa”

positivos em relação a campanha lançada? Quais são os projetos futuros do movimento? Gastão :: Os resultados que esperamos alcançar com o MIS não são possíveis de serem medidos de uma forma palpável, mas temos alguns indicadores que nos mostram que estamos no caminho certo. Nosso site, por exemplo, que entrou em funcionamento no início de abril, teve, no primeiro mês de funcionamento, uma média de quase quatro mil acessos por dia. Além disso, a grande procura que tivemos de empresas e entidades, manifestando o interesse em participar do movimento, são alguns exemplos de sucesso. Sobre o futuro, estamos estudando os próximos passos neste momento. Uma alternativa possível de ramificação do projeto pode ser o lançamento de um selo de segurança, homologado pelo movimento, no qual as empresas endossantes do MIS tenham os padrões mínimos técnicos e de conduta de segurança, que garantam a perfeita integridade da relação online com as mesmas. Contudo, isto ainda é uma discussão com as empresas participantes do MIS, não uma decisão tomada.

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entrevista :: Helenbar

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Desenvolva uma navegação segura em seu site
Por Luis Rocha

A era da Internet revolucionou a troca de conhecimento humano e o surgimento de novas formas de comércio. Se por um lado fomos beneficiados por tal evolução, de outro passamos a conviver com novas ameaças e riscos. Desse modo, a segurança passou a ser uma etapa fundamental na hora de se planejar e desenvolver um ambiente digital. Conheça quais são as ferramentas, os meios e os procedimentos para tornar seu site mais confiável e como divulgar as práticas de navegação segura para seus visitantes. Boa leitura!

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Velocidade na transmissão de dados, ampliação no acesso às informações, diminuição das distâncias e uma nova maneira de se negociar bens e serviços. Essas são algumas das vantagens que a internet trouxe para a sociedade brasileira. E os números não nos deixam mentir. Não acredita, quer provas? Então, vamos a elas! A primeira transparece nos estudos divulgados recentemente pelo instituto de pesquisa Ibope/NetRatings: já somos mais de 11 milhões de usuários residenciais ativos navegando, em média, mais de 15 horas por mês. Quando analisamos os dados da entrega do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e de utilização dos bancos na web, sua descrença vai diminuir mais ainda. Segundo a Receita Federal, do total de 20.560 milhões de declarações enviadas ao longo dos meses de março e abril, 97,5% (20,028 milhões) usaram a internet como meio de entrega. Já a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informa que o Internet Banking foi responsável por 13% de todas as movimentações financeiras realizadas no País, em 2004. Em termos de lucro gerado pelo varejo online de bens de consumo (lojas virtuais e leilões para pessoa física), a previsão não poderia ser melhor: a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Camara-e.net) estima um montante de R$ 3,5 bilhões em 2005. E quem apostou no sucesso do comércio eletrônico, parece não se arrepender. “Atualmente, a operação de internet representa 20% do faturamento da rede de lojas Saraiva”, revela César Groh, diretor de Sistemas da Livraria Saraiva.

Porém, nem só de boas notícias vive a web. Nos EUA, por exemplo, pesquisa do instituto Gartner, com cinco mil internautas americanos, diz que três em quatro consumidores online estão mais cautelosos em efetuar transações eletrônicas, e um em cada três estão comprando menos produtos através da internet por causa da preocupação com a segurança de seus dados.

“Em 2005, já foram registrados 29 mil incidentes de segurança na internet brasileira”
No Brasil, somente nos seis primeiros meses de 2005, o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br), órgão ligado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil, registrou mais de 29 mil notificações, envolvendo ataques de worms, fraudes e scan. Em 2004, tal estatística alcançou impressionantes 75.722 reclamações.
worm de redes, enviando cópias de si mesmo de computador para computador. Fonte: Cartilha de Segurança - CERT.br

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É um programa capaz de se propagar automaticamente através

scan Conhecida como atividade de varredura, realizada por invasores. O intuito é descobrir serviços e sistemas vulneráveis na internet. Fonte: Google

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À primeira vista são números assustadores, mas não parecem estremecer a confiança de quem utiliza a web habitualmente. “Quando alguém me pergunta se me sinto segura comprando pela internet, fazendo pagamento ou acessando minha conta bancária, na mesma hora, acho que talvez esteja confiando demais. Afinal, todo dia a gente ouve falar de crackers, vírus e outros fantasmas que assombram o mundo da web. Mas aí, olho aquele cadeadozinho ali embaixo no navegador e penso: não pode ser tão inseguro assim! Instalo todos os programas que ajudam na segurança e bola pra frente. Acredito que, no caso dos bancos, eles não vão ser malucos de não ressarcirem o cliente numa situação dessas. E no caso de supermercados, ingressos para cinema etc, fico imaginando as milhares de pessoas que compram pela internet. Não é possível que vá acontecer justamente comigo! É só olhar o mercado da web nos últimos anos para ver como ele cresceu assustadoramente. Isso não seria possível se fosse tão vulnerável”, conta Renata Giese, redatora da agência de publicidade NBS. Se existe ou não vulnerabilidade, para os especialistas, a internet enfrenta problemas semelhantes aos do meio físico. “Ela é um meio tão seguro para realizar negócios quanto qualquer outro meio, seja almoçar em um restaurante, comprar um aparelho de som por telefone ou negociar um automóvel em uma feira. Existem golpes em todas as esferas sociais. Vemos golpes de seguros, de empréstimos, telefônicos etc. Há sempre um grupo de pessoas tentando obter vantagens sobre outras”, aponta Marcos Machado, especialista em Segurança da Informação e coordenador do fórum InfoSecurity Task Force (ISTF - www.istf.com.br). Assim, o uso seguro da web só será alcançado se houver a compreensão tanto de usuários, quanto daqueles que estão oferecendo produtos e serviços neste meio. “O usuário precisa receber informações esclarecedoras sobre os reais riscos e como se proteger. A sensação de não saber exatamente o que pode acontecer afasta mais os consumidores do comércio eletrônico do que os problemas de segurança em si. Isso significa também que os provedores destes ambientes

cracker Termo genérico usado para designar pessoas que acessam sistemas de informação sem autorização, com a finalidade de roubar informações e causar prejuízo. Fonte: Guia de Segurança - Febraban

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cadeado de segurança internet. Serve para mostrar ao usuário que a conexão de dados entre seu computador e o servidor

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Ícone que aparece no canto inferior direito de seu navegador de

web será feita de forma segura, através do uso de protocolo de criptografia. Fonte: CERT.br

precisam investir na montagem de uma infra-estrutura adequada, com preocupações com segurança”, orienta Cristine Hoepers, analista de segurança sênior do CERT.br (www.cert.br). Mas a pergunta é: como fazer tudo isso? Para ajudar nossos leitores nesta tarefa, vamos abordar quais são as ferramentas, os meios e os procedimentos disponíveis para o desenvolvimento da segurança em um site. Não confiar em nada, suspeitar de tudo! Além de implementar tecnologias de defesa em seu computador, como programas antivírus, firewall e anti-spam, o usuário precisa educar sua consciência sobre a importância de se adotar uma postura voltada para as boas práticas de segurança. “Ele precisa encarar a internet com o mesmo cuidado com que encara qualquer transação financeira fora dela. Além de ações preventivas do ponto de vista de tecnologia, é necessário mudar também o comportamento”, alerta Cristine, que traça duas áreas de ação para os usuários domésticos (ver quadros a seguir). Neste ponto, Marcos Machado acrescenta que a melhor medida é adotar o lema não confiar em nada, suspeitar de tudo. “Pode parecer paranóico, mas tal comportamento é proveniente da nossa falta de costume em avaliar os

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Ações Preventivas Mínimas - Manter o sistema operacional e demais softwares (como browsers) sempre atualizados; - Instalar e manter atualizado um bom programa antivírus; - Instalar um firewall pessoal. Fonte: Cristine Hoepers/CERT.br

Mudança de Comportamento / Educação - Utilizar senhas fortes (que tenham, pelo menos, oito caracteres alternando letras, números e símbolos), diferentes para cada serviço; - Jamais executar ou abrir arquivos recebidos por e-mail, mesmo que venham de pessoas conhecidas; - Jamais executar programas de procedência duvidosa ou desconhecida; - Não fornecer dados pessoais, números de cartões e senhas através de contato telefônico ou por e-mail; - Ficar atento a e-mails, telefonemas ou páginas solicitando informações pessoais; - Não acessar sites ou seguir links recebidos por e-mail ou presentes em páginas sobre as quais não se saiba a procedência. Fonte: Cristine Hoepers/CERT.br

golpe da Nigéria Conhecido como a fraude da antecipação de pagamentos.

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Originado na Nigéria, já se espalhou por grande parte da África e por alguns países da Ásia e da Europa. Fonte: Site Pulhas Virtuais

objetivos de um determinado e-mail ou site. Qual é a probabilidade de alguém morrer na Nigéria e te deixar 50 milhões de dólares como herança? E que tipo de site envia cartões virtuais através de um programa executável?”, argumenta. Segundo o especialista, atualmente os principais problemas relacionados à segurança na web são originados por dois motivos básicos: ingenuidade do usuário e programas com defeito. “Os dois requerem iniciativas de conscientização e educação do usuário. Para o primeiro, valem as dicas de não executar programas desconhecidos, não fornecer informações em sites acessados através de links no e-mail e executar todos os procedimentos de atualização do sistema operacional, programas e antivírus”, orienta.

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“Você não entra em qualquer loja, não é mesmo?” César Groh

informações para os internautas (saiba mais na seção Entrevista). Outro bom exemplo vem do banco Santander Banespa, que publicou em seus sites (www.santander.com.br Em relação ao segundo, Machado indica a busca por informações sobre as falhas encontradas nos programas instalados em uma máquina. “Algumas vezes, vale a pena trocar o programa por outro mais seguro. Se seu programa usado para navegar na internet ou acessar seus e-mails permite que seu computador seja invadido por criminosos e programas espiões, convém estudar as outras alternativas disponíveis no mercado”, cita. Outra dica é ficar de olho nas formas de contato físico com os responsáveis de um site. “A rede Saraiva conta com mais 30 endereços no mundo físico. Evitem lojas na Internet que não possuam um endereço e telefone para contato. Os critérios para seleção de uma loja no mundo físico também podem ser adotados no mundo virtual: você não entra em qualquer loja, não é mesmo?”, questiona César Groh. Investindo na educação dos internautas Já dizia o ditado que “se Maomé não vai até a montanha, a montanha vai a Maomé”! Pois bem, as empresas podem exercer papel fundamental no processo de conscientização dos usuários de internet, através da criação de meios que incentivem sua busca pelo aprendizado. Pensando nisso, cerca de 22 grandes organizações que possuem negócios eletrônicos se uniram e lançaram o Movimento Internet Segura (MIS), com o intuito de disseminar “Criamos uma cartilha de segurança com as principais recomendações para o uso da internet. Estas dicas ajudam os clientes a realizar transações bancárias com mais segurança, bem como a utilizar outros sites na web. Já o curso foi desenvolvido para ensinar os cuidados básicos na utilização segura do Internet Banking e dos terminais de autoatendimento. As orientações são proveitosas também no diaa-dia, em outras transações eletrônicas, como compras pela internet. Para fazer o curso, não é preciso ser cliente, basta cadastrar-se em um de nossos sites”, relata Alberto Evandro Fávero, superintendente de Segurança da Informação do Santander Banespa. Como reconhecer uma conexão segura Uma dúvida muito comum entre os internautas, e que talvez cause uma grande desconfiança sobre a credibilidade e www.banespa.com.br) uma cartilha e um curso online gratuito sobre a segurança na web.

“Dicas ajudam os clientes a realizar transações bancárias com mais segurança” Alberto Evandro Fávero

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em sites de comércio eletrônico, envolve justamente a hora crucial do fechamento dos negócios nestes ambientes: como terei a garantia que meus dados confidenciais serão enviados e armazenados de maneira segura? Antes de respondermos a pergunta acima, a oportunidade é propicia para derrubarmos o mito dos chamados sites seguros. “Não há nenhuma maneira de saber se um site é realmente seguro. O que normalmente as pessoas chamam de ‘site seguro’ são os sites que utilizam uma conexão cifrada com o navegador do usuário (normalmente, utilizando um protocolo de segurança chamado SSL - Secure Socket Layer) - o que garante que ninguém no meio do caminho conseguirá ver as informações. Porém, o usuário não tem como saber quais são as configurações dos servidores, nem se a empresa realmente adota todas as precauções de segurança necessárias depois que seus dados chegam ao servidor”, alerta Cristine Hoepers, do CERT.br.

Como Saber se a conexão é segura?
Fonte: Banco do Brasil http://www.bb.com.br/appbb/portal/bb/ds/ConexaoSegura.jsp 1) Verifique na barra de endereços se o site utiliza o protocolo https. Basta conferir se o endereço começa com https. 2) No rodapé da página, confira o cadeado à direita.

3) Clique 2 vezes no cadeado para exibir o certificado de segurança onde devem constar a validade (Válido entre 30/08/ 2001 e 14/09/2002, por exemplo), a quem foi atribuído (Emitido para: www2.bancobrasil.com.br) e a entidade certificadora (Emitido por: www.verisign.com/CPS Incorp.by Ref.LIABILITY) LTD.(c)97 Verisign, por exemplo).

SSL (Secure Socket Layer) Protocolo de segurança que criptografa todos os dados trafegados entre o seu computador e um servidor de internet, ou seja, transforma informação sigilosa em código secreto. Fonte: Bradesco

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Apesar disso, a boa notícia é que existem maneiras de se descobrir quando uma conexão está sendo realizada de forma segura. “Se o usuário vai enviar informações sigilosas para o site (como cadastros pessoais ou número de cartões de crédito), é importante observar se ele oferece um método de acesso criptografado. Mas não basta observar se o endereço da página de cadastro começa com ‘https://’ e se o cadeado aparece fechado no canto inferior direito do site. É preciso clicar neste cadeado e ler as informações lá contidas, como o nome da empresa responsável pelo site. Se os dados não baterem, saia da página e entre em contato com o site solicitando informações”, explica Marcos Machado.
4) Confira se o endereço da página que você está acessando é o mesmo do campo “emitido para” do certificado. Tomando esses simples cuidados, você estará seguro de que as informações que você enviar serão dirigidas ao site do Banco do Brasil e somente pelo Banco serão usadas. Todas essas precauções somente adiantam para quem toma os devidos cuidados com o sigilo de sua senha, requisito absolutamente essencial para sua segurança.

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Tornando seu site seguro Apesar da fundamental importância de se preparar um site com todas as vantagens que os conhecimentos em HTML, CSS, WebStandards, Usabilidade, Acessibilidade e Arquitetura da Informação podem oferecer, os profissionais da web não devem negligenciar as ameaças e os riscos que envolvem a construção e a administração destes ambientes. Por falar nisso, você sabe quais são eles? “As ameaças vão desde a queda de um serviço, tirando o site do ar, até a invasão total, aniquilamento do cadastro de usuários e perda da confidencialidade de dados sigilosos, passando por alterações no sistema (por exemplo, alteração de preços em uma loja online), repúdio de negociações e, até mesmo, servir de ponte para ataques a outros sistemas. Os riscos são os básicos: prejuízos causados por paralisação, vazamento de segredos de negócio, processos judiciais, perda de confiança dos usuários e conseqüente, problemas na imagem da empresa ou organização”, aponta Marcos Machado. Assim, o investimento em segurança deve ser visto como uma etapa essencial. “Diríamos que investir em segurança não é caro; é necessário! Infelizmente, temos no mundo pessoas que se ocupam de bisbilhotar a vida alheia. É necessário nos protegermos no mundo físico, não é? Nós fazemos seguro do carro, da casa, pessoal. Colocamos trancas nas portas, cercas elétricas no quintal, contratamos segurança pessoal. No virtual, não poderia ser diferente. Felizmente, para o mundo virtual, existem práticas e ferramentas que auxiliam no processo, impossibilitando ou dificultando ao máximo que pessoas mal intencionadas acessem dados de terceiros”, explica César Groh. Foi seguindo exatamente essa linha de pensamento que a Livraria Saraiva decidiu investir numa série de recursos para tornar seguro o tráfego de informações em seu site. “Disponibilizamos recursos de conexão segura (através de SSL), adotamos a criptografia dos dados, certificação digital de servidores pela empresa americana Verisign, além de utilizarmos equipamentos de segurança, como IDS (Intrusion Detection System) e firewalls. Também optamos por manter um servidor web interno por questões de segurança e de respeito à privacidade dos clientes. Estando
criptografia É o processo de codificação de um determinado texto através de algoritmos matemáticos que só permite a quem possuir esses algoritmos e suas chaves de acesso decodificar e entender o conteúdo da mensagem. Garante que ninguém consiga interceptar e entender o conteúdo do que está sendo transmitido pela internet. Fonte: BankBoston IDS (Intrusion Detection System) Um programa, ou um conjunto de programas, cuja função é detectar atividades incorretas, maliciosas ou anômalas. Fonte: Cartilha de Segurança - CERT.br

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aqui, podemos controlar melhor o ambiente do que hospedando-o em terceiros. Além disso, fomos os pioneiros na

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implementação da Política Anti-Spam proposta pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico”, relata César. Mas mesmo que você não possua um orçamento do tamanho da Saraiva, é possível garantir a segurança de seu site definindo quais são as particularidades do empreendimento. “É possível montar um site seguro com poucos recursos, mas antes precisamos definir o que é - para você - um site seguro. Para o site da Receita Federal, por

Cuidados ao acessar sites de comércio eletrônico ou Internet Banking - Realizar transações somente em sites de instituições que você considere confiáveis; - Procurar sempre digitar em seu navegador o endereço desejado. Não utilizar links em páginas de terceiros ou recebidos por e-mail; - Certificar-se de que o endereço apresentado em seu navegador corresponde ao site que você realmente quer acessar, antes de realizar qualquer ação; - Certificar-se que o site faz uso de conexão segura, ou seja, que os dados transmitidos entre seu navegador e o site serão criptografados; - Verificar o certificado do site antes de iniciar qualquer transação, para assegurar-se que ele foi emitido para a instituição que se deseja acessar e está dentro do prazo de validade; - Evitar acessar sites de comércio eletrônico ou Internet Banking através de computadores de terceiros. Fonte: Cristine Hoepers/CERT.br

“Você não precisa comprar um cofre de 100 reais para guardar uma nota de 50" Marcos Machado
exemplo, segurança tem uma importância muito maior do que para um site de coleção de receitas culinárias. Você não precisa comprar um cofre de 100 reais para guardar uma nota de 50. É preciso estabelecer, no início do projeto, qual é o nível de segurança aceitável para seu negócio. Alguns problemas de segurança não podem acontecer jamais pois, para você, o impacto seria devastador. Então se concentre nestes problemas. Mas outros, apesar de graves, podem ser contornados reativamente. Alguns podem ser raros demais ou terem um impacto menor, o que os elegeriam para uma posterior rodada de investimentos”, orienta Machado.

Definida esta etapa, o especialista aponta a formalização de uma política de segurança como o próximo passo a ser adotado. “É através desta política que garantiremos que as técnicas necessárias serão usadas no momento certo, como a política de atualização dos sistemas que compõem o site, as normas e procedimentos de utilização, processos de back-up e planos de recuperação de desastres, monitoramento de

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tentativas de invasão, redundância técnica e operacional etc. Existem, no mercado, centenas de ferramentas disponíveis para serem aplicadas em sistemas e processos seguros, mas elas são como tijolos em um muro. Não basta empilhá-los, pois não permanecerão de pé contra um mísero empurrão. A política de segurança é a massa responsável por dar liga a estas ferramentas e garantir que elas trabalharão de forma coesa e em prol dos objetivos da empresa”, afirma. Após a definição da política, o desenvolvedor precisa garantir que os “curiosos” não ficarão bisbilhotando a comunicação do visitante com o seu site. “A ferramenta que vai permitir isso é o certificado digital (também conhecido, neste caso, como HTTPS ou SSL). Um servidor web com certificado digital permite que a comunicação do visitante com o site seja criptografada, tornando-a indecifrável para quem esteja no caminho entre eles. Este certificado é emitido por empresas certificadoras (Certisign, Thawte, GoDaddy, EnTrust etc.) e precisam ser comprados. O preço varia de acordo com a potência da criptografia e a validade do certificado, que deve ser renovado periodicamente”, explica Machado.

feita normalmente, mas o cadastro do usuário e o fechamento de compras, em que são fornecidos dados pessoais e financeiros, devem ser feitos através de páginas criptografadas”, orienta. Não tenho comércio eletrônico, preciso investir em segurança? Engana-se quem pensa que a necessidade de segurança em um site seja uma preocupação única e exclusiva de quem possui um ambiente de comércio eletrônico. “Ela está diretamente ligada à importância que este site tem para seus responsáveis. Um site institucional, sem comércio eletrônico, também está sujeito a problemas de indisponibilidade, pode fornecer serviços de suporte e hospedar informações sigilosas de planejamento estratégico, parceiros e fornecedores, o que seria um prato cheio para a concorrência”, alerta Marcos Machado. Outro exemplo são os sites que armazenam informações de terceiros (como cadastros e banco de dados de assinantes). “Eles precisam garantir que tais informações não sejam acessadas indevidamente. Devemos considerar ainda o impacto na imagem da organização, caso seu site amanheça totalmente desfigurado, com pichações ofensivas à empresa ou a outras pessoas. A conclusão a que chegamos é que, se você considera a internet um canal importante o suficiente para construir um site e divulgá-lo, você deve considerar este site importante o suficiente para mantê-lo seguro”, afirma. A percepção da segurança em um site Mas não basta investir tempo e recurso para tornar a segurança do seu site eficaz, é fundamental demonstrar que seu ambiente virtual é um local propício para navegação e troca de informações. É o que o especialista Frederick van Amstel, editor do blog Usabilidoido (www.usabilidoido.com.br), denomina de percepção da segurança do ponto de vista da Interação Humano-Computador. “Quando falamos em segurança, caímos num difícil dilema: priorizar a segurança percebida ou a real? Para ter aplicações seguras de verdade, precisamos exigir que o usuário guarde senhas, use softwares atualizados, use o

“Como a tarefa de criptografia é penosa para os computadores, tornando a comunicação lenta, ela só costuma ser usada nos trechos do site onde informações sensíveis são passadas.” Marcos Machado
A aplicação desse certificado deve ser feita,

principalmente, nas partes do site que envolvem a manipulação e transferência de dados críticos. “Como a tarefa de criptografia é penosa para os computadores, tornando a comunicação lenta, ela só costuma ser usada nos trechos do site onde informações sensíveis são passadas. Em uma loja virtual, por exemplo, a navegação pelo catálogo pode ser

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Se o usuário não entender que é importante gastar o tempo extra com medidas de segurança, ele não se sentirá seguro por causa delas e, pior, pode ficar irritado com elas” Frederick van Amstel
mouse para digitar dados ao invés do teclado e outras medidas de segurança que, muitas vezes, não fazem sentido para ele. Se o usuário não entender que é importante gastar o tempo extra com essas medidas, ele não se sentirá seguro por causa delas e, pior, pode ficar irritado com elas”, afirma. No entanto, Amstel alerta que criar um ambiente facilitado, queimando etapas cruciais no processo de garantia da segurança, pode acabar por tornar o site menos seguro. “Assim como a presença de vigilantes e uma boa iluminação aumentam a sensação de segurança de uma agência de banco, o design gráfico inteligente e uma redação familiar podem ter esse mesmo efeito. Uma campanha publicitária pode ser ainda mais eficaz para ambos. Porém, a sensação não será duradoura se houver casos em que a segurança for burlada. Na internet, uma só pessoa pode espalhar o medo para centenas de pessoas. Se o caso chega na mídia, que adora explorar esse tipo de emoção, o medo vira pânico geral. É por isso que as empresas têm priorizado a segurança real em detrimento da percebida, e o resultado é que pouca gente tem coragem de fazer transações pela web. Para tornar o ecommerce popular, precisamos chegar ao meio termo dessa balança”, finaliza.

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Você acha que os sites brasileiros de e-comerce e internet banking trasmitem segurança? Por que? Se possível cite exemplos. Em relação aos grandes bancos existe uma grande porcentagem de segurança, já que os mesmos possuem capacidade de segurança em TI. Em relação aos comércios eletrônicos, com seu aumento e familiariedade, é muito provável que existam buracos e brechas como ataques de SQL Injetion em vários sistemas! Emanoel de Melo de Castro - emc300@designersdebolso.com Sim, pelo menos nunca tive nenhum tipo de problema. Não sei informar sobre tecnologia. Patricia Oliveira Ribeiro - patconey@gmail.com Eu acho sim. Os sites brasileiros deste ramo são muito bem equipados e administrados com seriedade. Além da qualidade de atendimento dos sites de e-commerce (e no topo da lista, eu colocaria o Submarino.com.br), destaco a segurança com SSL de todos eles e as estratégias para evitar roubos e fraudes, como os programas de segurança e teclados os em Java no bradesco.com.br. Destaco também a preocupação dos sites com o cliente. Vários deles, como o buscapé, submarino, e vários sites de banco alertam ao usuário sobre os emails falsos enviados aos clientes e dão dicas de segurança. DvD Franco - devede@gmail.com Sim. Embora segurança absoluta seja uma utopia, as medidas adotadas pelos bancos, por exemplo, restringem bastante a possibilidade de fraudes. Luis Senior - luis34@globo.com Depende. Com a proliferação do comércio pela internet, muitos sites são feitos as pressas e acabam causando muita desconfiança na maioria dos usuários. Para fazer uma compra segura, é importante procurar saber o máximo sobre a empresa que está vendendo. Quanto a internet banking, conheço apenas os sites do Banco do Brasil e Itaú. Ambos me parecem bastante seguros. Anônima Não sou usuário do “e-comerce”, exatamente por não me sentir seguro o suficiente para fazê-lo. No entanto, acho que, dependendo da empresa, até me arriscaria a fazer. Quanto ao “internet banking”, muito embora com um certo receio, sou usuário praticamente desde que os serviços foram disponibilizados e nunca tive qualquer tipo de problema. De qualquer forma, em se tratando de segurança plena, é muito difícil afirmar que não se tenha preocupação, principalmente pela divulgação constante de diversos tipos de golpes que são aplicados. Não creio também que esta preocupação e sensação de insegurança sejam “privilégios” somente dos sites brasileiros. Em resumo, não há como transmitir segurança com tantos fatos que são sistematicamente divulgados e não acredito que alguém, por mais conhecedor do assunto que seja, possa afirmar plena sensação de segurança. Aliás, em se tratando da palavra segurança, nos dias de hoje talvez fosse melhor abolí-la dos dicionários. Eloir Carvalho - eloiscsf@terra.com.br
Acesse e participe! www.arteccom.com.br/webdesign

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Você confia em segurança na internet ?
Por Luis Rocha

Já dizia o velho ditado que confiança não se compra, se conquista! Talvez um dos principais desafios para quem deseja abrir e manter um negócio pela internet seja conquistar a confiança de um internauta. Assim, para tirarmos a “prova dos noves”, percorremos os mais diversos caminhos virtuais para obter a seguinte resposta: você se sente seguro para realizar compras ou efetuar movimentações bancárias pela internet? Por que? Confira algumas delas a seguir.
prova dos noves Era um truque habitual utilizado pelos contabilistas para verificar se suas contas estavam corretas, antes das calculadoras se tornarem populares. Na linguagem popular, a expressão se tornou sinônimo de certeza, verificação segura. Fonte: Almanaque Jangada Brasil e Folha Online

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“Para começar, separo minha opinião sobre confiabilidade pela internet em dois blocos: e-commerce e Internet Banking. Com relação ao e-commerce, posso afirmar que tenho muita tranqüilidade em fazer compras em empresas como Submarino, Americanas.com e Amazon.com. Esta última tem um dos melhores sites do gênero no mundo. Uma aula de como fazer um site eficiente, bem pensado, que funciona e deixa o consumidor seguro em relação a sua compra. A Amazon é praticamente um “gabarito” de boas práticas para comércio eletrônico. Motivos para toda essa confiança não faltam: tradição, força da marca, quantidade de títulos, usabilidade, respeito e transparência com os clientes, explicações durante todo o processo de compra, personalização e conteúdo gerado pelos próprios usuários. A palavra-chave para que as pessoas se sintam seguras é credibilidade. Um conceito decisivo para sites de e-commerce. Inclusive, foi estudado pelo Stanford Persuasive Technology Lab (www.captology.org), que listou uma série de fatores que aumentam ou diminuem a percepção de credibilidade, com destaque para a força da experiência positiva obtida em visitas anteriores. O universo de bancos online, por sua vez, possui algumas características diferentes. A concorrência não é tão desleal, pois os clientes não podem optar por fazer movimentações em um site de outro banco. As pessoas têm que aprender a interface e confiar no sistema de seus bancos. Em geral, meu receio para essas operações é bem menor do que para compras online. Acredito que os sistemas bancários têm um maior compromisso com o funcionamento perfeito e o tratamento de erro. As conseqüências de eventuais problemas podem ser catastróficas e não acho que os banqueiros estejam dispostos a perder dinheiro. Acho que as pessoas nunca devem ter medo de utilizar o Internet Banking. Na minha opinião, os leitores dessa revista, por definição, não deveriam sequer saber como chegar até suas agências. O importante é sempre ficar atento para possíveis picaretagens e mensagens estranhas recebidas por e-mail.”

:: Felipe Memória Designer de Interfaces da Globo.com, Mestre em Design e professor da PUC-Rio www.fmemoria.com.br

“os leitores dessa revista, por definição, não deveriam sequer saber como chegar até suas agências”

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“Dependendo do site que estiver acessando e do computador que estiver usando para isso, sim, sinto-me seguro o suficiente para fazer compras ou transações bancárias online. No caso de sites bancários, sei que a segurança é muito boa e que a maioria dos golpistas tenta conseguir burlar esta segurança atacando não os sistemas bancários e sim os usuários finais desses sistemas, aproveitando-se de engenharia social e desconhecimento por parte destes. Como mantenho a segurança do meu computador sempre em dia e consigo identificar rapidamente as armadilhas enviadas pela internet para atacar clientes de Internet Banking, sinto-me tão seguro usando o meu computador para fazer transações bancárias quanto na própria agência. Na verdade, sinto-me mais seguro em casa, pois corro menos riscos de ser assaltado do que numa agência física ou num caixa eletrônico na rua. Já no caso de compras online, o cuidado deve ser maior e os golpistas vivem tentando burlar a segurança desses sistemas. Por isso, só faço compras em sites reconhecidamente seguros. Também evito ao máximo usar computadores públicos ou de terceiros para transações bancárias, compras e outras atividades que exijam senhas e dados privados, pois nunca se sabe que tipo de programa pode estar instalado nestes computadores. Acredito que, tomando-se as precauções necessárias, o risco que se corre na internet é equivalente ou menor do que os riscos que se corre no mundo offline. Afinal, entregar o cartão de crédito numa mesa de um restaurante qualquer e recebê-lo debitado minutos depois pode ser tão arriscado quanto usá-lo num site de compras desconhecido. No caso do restaurante hipotético, um funcionário desonesto pode muito bem anotar o número do meu cartão e usá-lo indevidamente depois. Seja como for, nunca fui vítima de fraudes desse tipo, nem na internet, nem fora dela.”
:: Giordani Rodrigues Diretor-editor do site InfoGuerra, especializado em notícias sobre segurança e privacidade na Internet www.infoguerra.com.br

engenharia social Método de ataque, em que alguém faz uso da persuasão, muitas vezes, abusando da ingenuidade ou confiança do

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usuário, para obter informações que podem ser utilizadas para ter acesso não autorizado a computadores ou informações. Fonte: Cartilha de Segurança - www.cert.br

“ Sinto-me mais seguro em casa, pois corro menos riscos de ser assaltado do que numa agência física ou num caixa eletrônico na rua”

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:: Gil Giardelli Diretor geral da Permission e conselheiro da Abemd www.permission.com.br

“Sim,

extremamente

seguro!

mercado persa em que se transformou a internet; a substituição dos protagonistas da novela “spam”: saem o Viagra falsificado e o “enlarge your Penis”, entram em cena Rolex, Prada e Channel. É uma mudança e tanto! É a deselitilização das poderosas marcas de luxo. O exemplo clássico são as pessoas que utilizam o spam. Elas enviam tais mensagens para quem está feliz com o tamanho de seu dito cujo, para quem está infeliz e, até mesmo, para quem não o tem! E milhares de homens compram este produtos. Preparese, pois, nos próximos dias, a sua caixa postal certamente vai ficar cheia de ofertas fantásticas de Cartier e Bulgari, Louis Vuitton e Prada. Estão criados os camelôs digitais! Porém, mesmo com todos os problemas, continuo achando a internet e o comércio eletrônico fantásticos, porque eles conectam o mundo.”

A utopia de se manter conectado 24 horas por dia atingiu um patamar raras vezes alcançado com a internet. O comércio não precisa mais se contentar com territórios préa determinados para abastecer

sociedade de consumo. Enquanto as lojas convencionais fecham ao entardecer, o seu concorrente no Japão abre sua loja. Com a internet, a loja fica aberta 24 horas por dia, sete dias por semana e todos os dias do ano. Com apenas um clique, damos um salto no tempo e entramos em sites das principais lojas do mundo. Você pode comprar um eletroeletrônico em uma loja da China, um CD na bestBuy inglesa e uma blusa nas grifes italianas. Evidentemente, a internet foi criada nos princípios de liberdade de expressão e de privacidade das pessoas. Porém, todo grande advento tem seus problemas. Por exemplo: o

“Prepare-se, pois, nos próximos dias, a sua caixa postal certamente vai ficar cheia de ofertas fantásticas de Cartier e Bulgari, Louis Vuitton e Prada. Estão criados os camelôs digitais”

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“Até hoje, nunca tive problema em fazer compras e movimentações bancárias pela internet. Procuro manter meu sistema atualizado, executo um antivírus e um anti-spyware com freqüência e não abro anexos de procedência suspeita. Tomo os devidos cuidados com meu cartão de crédito, não o forneço a instituições sem credibilidade e, de preferência, escolho a opção de não permitir que o número seja armazenamento localmente. Há situações em que é melhor fazer uma transferência ou pagar com boleto do que com cartão de crédito.”

:: Omar Kaminski Advogado e sócio do escritório KCP Advogados Associados www.kcp.com.br

“ executo um antivírus e um antispyware com freqüência e não abro anexos de procedência suspeita”

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Dove:
Por Tatiana Serra

real beleza virtual

O que é ser realmente bela? A sociedade impõe um padrão de beleza fora da realidade da maioria das mulheres, causando frustrações em muitas delas. Até o poeta Vinícius de Moraes teria sido “taxativo” ao dizer “as feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. Mas que beleza seria essa? A marca Dove, por exemplo, prefere acreditar que a beleza é subjetiva e que o sol nasce para todas.

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estudo de caso :: Dove debate

estudo de caso :: Dove

Abrindo possibilidades para que as mulheres sigam seu próprio estilo, a Dove lançou a Campanha Inclusiva pela Real Beleza. Por ser um canal de comunicação que permite a maior interação entre diferentes pessoas, a internet recebeu atenção especial, com debates abertos ao público. O site foi criado em todos os países em que a campanha foi lançada e incentiva a discussão sobre os temas relacionados à beleza no mundo todo. Assim, a Dove pode posicionar sua marca com ainda mais clareza e eficiência. A seguir, acompanhe a entrevista com Patrícia Aversi (PA), gerente de marketing da Dove no Brasil, e Fabianne Chuster (FC), da Ogilvy Interactive (http://www.ogilvy.com), agência que criou o www.campanhapelarealbeleza.com.br. WD :: Enquanto a sociedade impõe um único padrão de beleza, a Dove lança a Campanha pela Real Beleza. Por que a marca resolveu valorizar a mulher como ela é, independente dos estereótipos impostos? Como tem sido o retorno deste investimento? PA :: A partir de uma pesquisa realizada em 2004 sob coordenação das pesquisadoras Nancy Etcoff, de Harvard, e Susie Orbach, da London School of Economics, notamos que as mulheres estão se sentindo pressionadas a atingir um padrão de beleza inatingível e querem mudar isso. Dove não quer impor, mas sim abrir possibilidades. Queremos que as mulheres estejam abertas para definir e curtir seu estilo e sua própria beleza. Trata-se de uma campanha inclusiva. Vale lembrar que a marca sempre trabalhou em cima desse desde conceito,
www.campanhapelarealbeleza.com.br

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“A internet foi escolhida por ser um canal de comunicação que permite a maior interação entre diferentes pessoas. Não teríamos como manter o debate permanentemente aberto e à disposição do público sem a utilização desta ferramenta”
Patrícia Aversi
a chegada no País, em 1994. Prova disso é que sempre temos pessoas “normais” em nossas campanhas publicitárias. O retorno tem sido bastante positivo por parte das consumidoras e da mídia, que deu grande cobertura para a nova campanha e filosofia da marca. As consumidoras se manifestam positivamente via site e SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). WD :: Quando surgiu a Campanha pela Real Beleza? PA :: Mundialmente, a campanha começou em 2004 e, aos poucos, respeitando o cronograma de cada País, foi inserida nas diferentes praças. No Brasil, começou em setembro do ano passado. WD :: Como se deu o processo de criação e desenvolvimento do site da Dove e, especialmente, das campanhas? Como foi a adaptação do site no Brasil? FC :: Todo o material foi desenvolvido respeitando o perfil do nosso público-alvo, ou seja, navegação, arquitetura de informação e usabilidade. O site foi criado pela Ogilvy Interactive de NY e adaptado no Brasil conforme as necessidades locais. Mesmo sendo um conceito universal, algumas adaptações foram pensadas para atender a nossa realidade. Para trazer maior familiaridade com os padrões de beleza, algumas imagens foram produzidas especialmente para o nosso mercado. WD :: O site da campanha conta com espaços para votações e discussões sobre a beleza feminina. Como tem sido a reação do público diante desta campanha? Fale sobre a interatividade com os usuários (usuárias em sua maioria).

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estudo de caso :: Dove

estudo de caso :: Dove

PA :: O objetivo principal do site é gerar e auto-alimentar o debate. A internet foi escolhida por ser um canal de comunicação que permite a maior interação entre diferentes pessoas, especialmente quando se trata de debates e troca de opiniões. Não teríamos como manter o debate permanentemente aberto e à disposição do público sem a utilização desta ferramenta. Por mexer com os padrões de beleza e com um assunto tão presente na mídia, essa campanha ganhou muita força e, conseqüentemente, retorno das consumidoras. Algumas dizem que passaram a se sentir mais bonitas, valorizar sua própria beleza, enquanto outras parabenizam a marca pela iniciativa em tentar ampliar o padrão de beleza. Outra vantagem do site é que o conteúdo fica à disposição de todas as mulheres que o visitarem. Além disso, por meio das respostas das mulheres, podemos posicionar nossa comunicação de maneira mais clara e eficiente. WD :: Com o sucesso da campanha, foi criada, para o Verão, a Campanha “O Sol Nasceu pra Todas”. Como se deu este projeto? PA :: Três meses após o lançamento da “Campanha pela Real Beleza”, a campanha de verão, com a assinatura “O Sol Nasceu Pra Todas”, foi lançada, mostrando que todo tipo de mulher tem sua beleza. Nas peças publicitárias, mulheres com cabelos enrolados, seios pequenos, gordinhas e outros tipos geralmente não explorados na mídia. A campanha envolveu dois

“o retorno e a discussão gerada em torno da campanha foram surpreendentes”
Patrícia Aversi

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filmes para a tv e nove peças impressas, veiculadas em revistas e outdoors. Por se tratar de Brasil, onde a preocupação com a beleza durante o verão é grande, o retorno e a discussão gerada em torno da campanha foram surpreendentes. WD ;: A internet tem sido utilizada como meio de comunicação em vários níveis, inclusive para campanhas sociais. E a Dove é um exemplo da iniciativa social aliada a um objetivo comercial. A empresa pretende criar outras campanhas desse tipo? PA :: A partir de agora, toda a comunicação da marca será baseada neste conceito (de valorização dos diferentes tipos de beleza). À medida que novas campanhas forem lançadas, como foi o caso da campanha de verão, novas peças e filmes serão criados, mas sempre com a valorização da real beleza. A internet é uma excelente ferramenta para todo o tipo de divulgação, além de ser um canal de aproximação entre marca e consumidor. No Brasil, por enquanto, não existe plano para uma nova campanha social. A Campanha pela Real Beleza continua e o site permanece acessível.

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estudo de caso :: Dove

Currículo criativo

O papel da criatividade na

busca por um emprego

Por Tatiana Serra

Encontrar um emprego, hoje em dia, é missão das mais difíceis, mesmo que se tenha capacidade, talento e um currículo exemplar. Numa área em que a criatividade fala mais alto, como na web, ser especialmente criativo é um passo a diante na corrida por um emprego.

Curriculum Vitae, Currículo, CV, A/C Recursos Humanos... diversos nomes para um mesmo objetivo. E, quando se recebe mais um email com currículo, o destino dificilmente é outro senão uma pasta com todos os demais que, certamente, ficarão arquivados por muito tempo. Daí, uma vez arquivado, é muito provável que seu currículo não saia de lá. Sem contar que, muitas vezes, há a questão da “indicação”, e quem a tem não costuma passar pelas mesmas etapas que os “meros mortais”. Pessimismo? Pode até ser, mas, se você já passou por essa experiência, sabe que esta é a realidade vivida no atual mercado de trabalho. Há quem ainda insista no envio de “currículos-spam” para as empresas, porém, há uma gama de profissionais optando, com calma, por focar em empresas e cargos que tenham afinidade com seu perfil. Além disso, há aqueles que se empenham em buscar um diferencial criativo. Michel Lent Schartzman, sócio-diretor da 10’Minutos Interactive, acha essencial que as pessoas procurem algum tipo de recurso para que o currículo se destaque em relação aos outros. “Mas é muito importante saber se a empresa está procurando ou não profissionais com o seu perfil naquele momento. Se não está, dificilmente vai dar bola para o seu currículo. Ele vai acabar junto com outros em alguma caixa postal”, diz ele.

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Criatividade + Sorte Então, Marcela Catunda, que atualmente é autônoma (mas já foi redatora da DM9DDB, entre outras experiências), teve sorte ao enviar a mensagem certa, na hora exata e para o profissional ideal. “Eu entrei na DM9 atachada numa @ criativa enviada para o grande Michel Lent. Você quer saber o que eu falei no corpo dourado do e-mail? Nada. Nem uma palavra. Apenas um subject: AQUI VOU EU ATACHADA. Atachei sem dó meu currículo nada criativo, formatado como todos são. Comum pacas. Hoje, eu não uso mais ele, quer dizer, o Michel eu uso direto, porque a gente trabalha muito juntos até hoje. Mas aquele currículo? Bleargh! Não mais”, declara Catunda. Ela diz que não conhece outra forma de conseguir trabalho, fora ou dentro da net, que não seja criativamente. “Pelo menos, eu sempre usei minha criatividade pra isso também. Mas, talvez seja simples falar quando se é menos contida como eu”, pondera Catunda. Realmente, há de se levar em consideração o perfil de cada um. Nem sempre o que funciona para um passa a ser regra para todos. “Ser criativa é importante nessa hora, mas o humor do cara do outro lado é fundamental. Se o Michel fosse um chato, a chance do meu ‘atachada’ virar ‘lixada’ era imensa. Por isso, soma-se à criatividade a sorte de ter do outro lado uma pessoa que realmente queira nos dar uma chance”, afirma ela, concordando com o “mestre” Michel.

“Spam” do bem Seu principal objetivo era enviar um email de divulgação que as pessoas não interpretassem como um “spam”. De que maneira? Agregando algum tipo de valor: curiosidade/emoção. Assim fez o publicitário Bachur, ao divulgar o lançamento de seu site (www.bachur.com.br), desde o dia 9 de agosto com a campanha “teaser”, totalizando 4 e-mails, um para cada dia, até o último 12 de agosto, quando foi lançado. Como conseqüência, Bachurprovocou impacto e despertou a curiosidade das pessoas que receberam suas mensagens de divulgação. “Queria entrar na casa, no computador deles, queria falar com eles, queria que eles me vissem, que soubessem quem sou, que me dessem atenção, ou seja, 100% emoção”, completa ele, que tinha uma cobrança muito grande por parte de amigos e clientes por não ter um website (“casa de ferreiro, espeto de pau!”). Lembrando que a divulgação do site foi para clientes, agências de publicidade, afins e amigos. Se houve algum risco da divulgação ser interpretada como um tipo de “spam”? Segundo Bachur, sim, mas não foi tão significativo quanto à criativa divulgação. “Eu defino spam como uma propaganda comum. Porém, quando você recebe um e-mail em formato de ‘spam’, mas que te interessa, que te agrega algum Valor, de alguma maneira, o profissional atingiu o foco. Como? Com criatividade e qualidade”, diz Bachur que, atualmente, trabalha numa empresa de nutrição como Coordenador de Design.

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Currículo criativo

Currículo criativo

Aposte na ousadia Desde o título do assunto até o conteúdo da mensagem. Tudo é importante e fatal quando se está procurando uma chance no mercado de trabalho. E quando se trata de um profissional da web, praticamente não há limites para a criatividade, afinal, há muitos recursos a serem utilizados. O francês Alexandre Guéniot (http://paradoxware.com/ alstudio/cv/), de 23 anos, criou uma apresentação em Flash, com versões em inglês e francês, que conta - de maneira bemhumorada - um pouco de sua trajetória profissional. “Eu desenvolvo software, mas quis, há alguns anos, criar meu website. Num primeiro momento, era uma página pessoal para mostrar meus projetos a alguns amigos. Depois que publiquei, meu currículo se tornou mais popular”, afirma Alexandre, que curte a idéia de currículo diferente, por ser mais divertido para ele e para quem tem acesso. “Eu acho que muitas pessoas têm idéias maravilhosas, mas não querem fazer isso, porque receiam ser diferentes”, completa ele, que está de férias na França e logo irá para Redmond, nos Estados Unidos, para trabalhar na equipe da Microsoft. Outra apresentação de portfólio muito criativa é o site do webdesigner Stephane Guillot (http://www.stephaneguillot.com/ index_uk.htm), de 35 anos, que mora em Orleans, na França. Muitos dos portfólios dos webdesigners seguem o mesmo estilo e ele, especializado em Flash há sete anos, desejava criar um portfólio diferente. “Eu costumo desenvolver desenhos corporativos e quis fazer alguma coisa a mais. Tenho paixão por filmes animados, como “Powerpuff Girls”, “Samurai Jack”, desenhos e animações japonesas. Queria animar um personagem e desenhei eu mesmo em estilo ‘kawaii’ (personagem com a cabeca grande e o corpo pequeno). Mas também queria mostrar meus trabalhos e disponibilizar informações pessoais”, explica Stephane que, então, decidiu fazer um portfólio animado. O site é bem criativo e dinâmico. Portanto, se você se identifica com a idéia de ser original,
http://paradoxware.com/alstudio/cv www.stephaneguillot.com www.bachur.com.br

mãos à obra e boa sorte!

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Padrões Web 3
facilidades de renderização e interpretação da linguagem de marcação.

Prof. Everaldo Bechara e Prof. Maurício Samy Silva Professores do Centro de Treinamento iLearn falacom@iLearn.com.br

A ampliação do HTML desembocou na famigerada “guerra dos browsers”, na qual cada fabricante desenvolvia, ao seu juízo, uma solução própria para O W3C, percebendo o rumo caótico para onde se encaminhava a internet, não vem economizando esforços para alcançar uma maior padronização. Padronização de softwares, de hardwares, de códigos de dispositivos, enfim, de todo componente relacionado a web. Uma padronização que garanta compatibilidade com dispositivos em uso, com dispositivos futuros e que garanta servir um único código não só para diferentes navegadores e resoluções de monitor, como também para diferentes mídias, dispositivos especiais e agentes de usuários os mais diversos.

Em nosso último tutorial, aprendemos os princípios básicos para começarmos a trabalhar com o XHTML. Já ficou claro para vocês que o rigor existente no XHTM 1.0 é bem superior ao HTML, concordam? Pois bem, neste tutorial, além de darmos continuidade a alguns aspectos do XHTML 1.0, falaremos sobre outros aspectos do XHTML que você necessitará em seu dia-a-dia e um pouco sobre futuras implementações. Compatibilidade com Browsers mais antigos O XHTML é compatível com browsers mais antigos, incluindo os browsers 2.0 anteriores. O problema é que esta compatibilidade não é perfeita e existem algumas informações que precisamos considerar ao criarmos um documento XHTML. Item 1: Por ser um vocabulário XML, precisamos começar com a instrução <?xml version=”1.0" encoding=”UTF-8"?>. Alguns browsers antigos não reconhecem esta instrução como um elemento HTML e exibirão na janela do cliente. A recomendação é não colocar esta instrução. Os documentos não estarão estritamente em conformidade, mas não apresentarão tal problema. Item 2: Para elementos vazios em XHTML, não podemos esquecer de colocar um espaço em branco antes da barra e do sinal de maior. Esta necessidade é para que os browsers mais antigos reconheçam este elemento. Item 3: Sempre que possível, salve os scripts e as folhas de estilo em arquivos separados do XHTML. Eles podem gerar erros de processamento, quando juntos, devido a alguns caracteres.

Bem, já falamos muitas coisas sobre o XHTML. Chegou a hora da verdade. A hora de sabermos validar nossos documentos. Mas o que seria validar um documento? Validar um documento XHTML Um validador é um programa, local ou remoto, que verifica a consistência dos códigos gerados para que mantenha conformidade com os Padrões Web. O endereço do validador de HTML/XHTML é http://validator.w3.org/ Veja na figura abaixo a tela inicial do validador que você poderá utilizar gratuitamente no site do W3C.

Validador do W3C

Observe que podemos validar nossos códigos de duas formas distintas. A primeira seria a avaliação de nossos projetos em produção, ou seja, a possibilidade de informarmos

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tutorial

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Renderizar

:

Ao ser feita uma requisição de páginas ao browser, o mesmo localiza, faz o processo no servidor correspondente e processa o que for necessário à montagem da página que retornará ao cliente. Este retorno se dá através de códigos que o browser saberá reconhecer, que é o caso do nosso HTML ou XHTML, por exemplo.Um browser é um interpretador de códigos, ou seja, o browser interpreta linha-a-linha, analisa e exibe
No DOCTYPE found! - Página não validada

no browser do cliente. Ao fato de ler, interpretar e exibir, chamamos de renderização. Observe a mensagem “This Page Is Valid XHTML 1.0 Strict!” Parabéns! Se em seu projeto, o validador enviar a mensagem This Page Is Valid significa que você atendeu aos itens estruturais, sendo assim, estará apto a dar mais um passo rumo aos Padrões Web. Agora, você já poderá, e deve colocar, o selo do W3C, o que identificará que sua página está em conformidade com o padrão HTML ou XHTML. Este selo poderá ser incluído em seu código pelas instruções abaixo e o selo tem a seguinte representação: Selo:

o nosso endereço na internet, nossa URL. Após informar o endereço, clique em “Check”. A segunda possibilidade é quando estamos em desenvolvimento. Neste caso, poderemos passar o nosso arquivo local. O botão “Browser” localiza o arquivo local e o botão “Check” avalia o conteúdo seguindo a DTD definida. Isso é muito importante realçar, pois observe o que o validador informa quando existe um erro grave como este. Isso é considerado um problema sério, pois os agentes inteligentes não saberão reconhecer e assim interpretarão de forma incorreta o código que será lido e renderizado. Na validação de um código correto, encontraremos a tela abaixo com o retorno positivo.

Código: <p> <a href=”http://validator.w3.org/ check?uri=referer”><img src=”http://www.w3.org/Icons/valid-xhtml10" alt=”Valid XHTML 1.0 Strict” height=”31"
Página validada

width=”88" /></a> </p>

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Recomendações para quem desenvolve Para que um profissional possa ser ainda mais reconhecido pelo mercado, a adoção dos Padrões Web está se tornando uma exigência quase que unânime em grandes corporações, portanto, iniciar, reciclar e aplicar é de fundamental importância na valorização profissional e em sua carreira. Se você está começando agora, não esqueça. Comece da forma certa! O Futuro do XHTML A evolução para o XHTML, dentre outras incorporações, poderíamos dizer que é a versão 2.0. Um rascunho desta versão futura já se encontra disponível para trabalho no endereço http://www.w3.org/TR/2002/WD-xhtml2-20021218 - de 18 de dezembro de 2002. A versão XHTML 2.0 será mais rígida e não será compatível com as versões anteriores do HTML 4, XHTML 1.0, e XHTML 1.1. Teremos, neste momento, uma ruptura bem significativa na web, mas ainda estamos longe desta rigidez existente na versão 2.0. Conclusão Agora você já tem uma boa base para começar seus projetos bem formados e válidos. Em nosso próximo tutorial, daremos início à abordagem do CSS - Cascading Style Sheets. Com ele, poderemos adicionar estilos aos nossos documentos de forma simples. Aguarde nosso próximo número, mas até lá treine bastante em XHTML. Até lá!

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tutorial

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usabilidade

Marcos Nähr
Web technologist do departamento de marketing da Dell Computadores. Responsável pelo desenvolvimento do site e loja online da Dell Computadores no Brasil. marcos_nahr@d ell.com

Navegabilidade sem GPS
Existem várias teorias, várias tendências, quando o assunto é navegabilidade. Algumas apregoam que os menus devem ser posicionados do lado esquerdo da tela, outras que devemos usar os breadcrumbs para orientar os usuários e assim por diante. Mas antes de tomarmos decisões relativas à navegabilidade em interfaces digitais é necessário entender um pouco mais como nosso cérebro funciona quando o assunto é localização espacial. O ser humano possui uma habilidade ancestral nata de se situar no espaço. Ela funciona como um localizador biológico, um GPS (Global Positioning System), mas com uma vantagem fundamental: nossa habilidade não deixa de funcionar caso parte do sistema de direcionamento falhe, já que trabalha de maneiras variadas. Possuímos um complexo sistema cognitivo que utiliza três estratégias básicas para nos orientar no espaço: orientação, integração do trajeto e acompanhamento de rota. Podemos usar as três ao mesmo tempo ou combinações delas. “Olhe para lá. Você vê aquele prédio cinza com janelas azuis? Siga naquela direção, o Correio fica embaixo dele”. Segundo os neurologistas, “orientação” é a estratégia em que uma pessoa se guia por um ponto de referência chamativo. “Por onde você se lembra de ter passado? Então volte até a padaria e depois dobre à direita. O Correio está duas quadras adiante.” Na estratégia chamada “integração do trajeto”, o cérebro recompõe os trechos individuais do caminho num relato de progresso cumulativo que leva em conta a lembrança dos nossos próprios movimentos. Na integração do trajeto a memória cognitiva é menos solicitada. Ela lida com apenas algumas instruções gerais e com o chamado vetor de direcionamento. A integração do trajeto funciona porque se baseia fundamentalmente no conhecimento da direção geral de movimento e sempre temos acesso a esta informação. “Siga em frente pela Alameda Santos, vire à esquerda na Rua Peixoto Gomide, à direita na Avenida Paulista e vá até o meio do quarteirão.” Esta estratégia, chamada de “acompanhamento de rota”, usa referências como prédios e nomes de ruas, além de instruções – siga em frente, passe sobre, vire – para atingir pontos intermediários. Esta estratégia é muito mais precisa que a orientação ou a integração do trajeto, mas no acompanhamento de rota, qualquer detalhe que você esqueça pode fazer com que você tenha problemas para chegar ao seu destino. O acompanhamento de rota realmente desafia o cérebro. É preciso manter em mente todos os pontos de referência e direções intermediárias. É o modo mais detalhado e, por isto, o mais confiável, mas pode falhar em decorrência de lapsos de memória rotineiros.

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“ Para a boa navegabilidade, o fundamental é ter disponíveis várias formas de localização – barras de navegação, menus, mapa do site etc - e deixar que o próprio usuário escolha qual estratégia irá usar para criar seu mapa mental”

Estas três estratégias básicas do nosso sistema cognitivo são as mesmas que nosso cérebro utiliza em ambientes virtuais. À medida que você se movimenta (navega) por um website, o cérebro reúne informações sobre o ambiente – cores, formas, sons, luminosidade, movimentos musculares, sensação de passagem do tempo – para determinar o caminho realizado. A parte de nosso cérebro que controla o direcionamento é chamada por neurobiólogos de “mapa cognitivo”. Mas este mapa é basicamente metafórico e se parece mais com uma estrutura hierárquica de relações em que as posições e distâncias são relativas do que com um mapa de verdade. Temos a tendência de

memorizar apenas o que é necessário, sem criar nada parecido com um mapa completo. Os mapas cognitivos que usamos são mais parecidos com um gráfico, um conjunto de pontos e conexões – como um mapa de linhas de metrô. Os pontos representam as diferentes referências e as linhas entre eles Para a boa navegabilidade de um website, o fundamental é ter disponíveis várias formas de localização – barras de navegação, menus, breadcrumbs, mapa do site, links descritivos, etc - e deixar que o próprio usuário escolha qual estratégia irá usar para criar seu mapa mental.

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usabilidade

marketing

René de Paula Jr.
Analista de negócios da Sony Latin America, René é profissional de internet desde 1996, passou pelas maiores agências e empresas do país: Wunderman, AlmapBBDO, Agência Click, Banco Real ABN AMRO. É criador da “usina.com”, portal focado no mundo online, e do “radinho de pilha” (www.radinhodepilha.com), comunidade de profissionais da área. rene@usina.com

Gestão do luxo
Se você quiser entender o Brasil volte pra escola: escolas de samba. Eu faltei nessa aula e até hoje sinto falta. Um dos nossos gênios da raça, Joãozinho Trinta, cercado de corpos nus e alegorias, despiu nossa brasilidade em cadeia nacional: “Quem gosta de miséria é intelectual. Povo gosta de luxo”. E dá-lhe apoteoses, purpurina, plumas e samba para o mundo inteiro babar. O “renezinho quarenta” aqui não gosta de miséria, mas devo confessar que essa mania toda de luxo me desconcerta. Gestão do Luxo pra cá, shopping de luxo pra lá, revistas de luxo, cafés de luxo, bancos de luxo... Tem algo esquisito aí, não? Ou sou eu que preciso ter mais jogo de cintura? Talvez eu tenha passado tempo demais bebendo de outras fontes, fontes gringas, lendo os Jakob Nielsen e Steve Krug da vida e torcendo o nariz pra carnavalidades, leões de Cannes, prêmios e outras alegrias tupiniquins. Talvez eu tenha me viciado na racionalidade das métricas do marketing direto, ou na fissura de otimizar resultados e tal. Overdose de “less is more”, talvez. Preciso reler Oswald. Preciso rever a Tropicália. Quem sabe assim eu aprendo a me alimentar da racionalidade estrangeira para transformá-la em algo que dê samba. É o mínimo que eu posso fazer, pois, em torno de mim, com ou sem Oswalds e Caetanos, a brasileirada toda é PHD em antropofagia. Orkut? Opa, isso dá samba. Fotolog? Entrou na roda. Podcast? Manda que a gente traça! Essa facilidade com que adotamos novidades me desconcerta, palavra. Quando eu menos espero já perdi o pé e estou atravessando o samba. E dá-lhe repensar, sondar, fazer de tudo o que possa me trazer de volta ao compasso popular. Mas, cinco minutos depois surge, outra novidade e pronto, lá vamos nós dançando miudinho de novo. Acho que estou aprendendo algo, enfim: no digimundo, “miséria” não quer dizer interface peladinha, “luxo” não requer banda larga. Pense bem: messengers são um luxo. Orkuts e Yahoogrupos são um luxo. Uma caixinha de busca no teu browser, seja Yahoo ou Google ou MSN, é um luxo. SMS entre operadoras idem. Pense agora nas coisas que te fazem sentir miserável: internet banking ruim é miséria. Sites com “loading” são uma miséria. “Fale conosco” que não responde é uma miséria. Softwares pesados são uma miséria.

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“Luxo não é um computador que fala: luxo é falar de graça com gente querida usando Skype. Miséria é querer e não conseguir, é ser tratado como mais um.”

Luxo é uma experiência rica. Experiência rica é aquela que te enriquece como ser humano. Miséria é querer e não conseguir. Miséria é ser tratado como mais um. Luxo não é um computador que fala: luxo é falar de graça com gente querida usando Skype. Luxo não é uma foto de 6 megas: é tirar uma foto do teu filho com o celular e mandar direto pro Flickr  para o mundo inteiro ver. Luxo é conectar sem fio. Luxo é comprar ingresso na internet e escapar da fila. Luxo é esquecer que abismos existem. Miséria é ficar ilhado. Rodei, rodei para, enfim, cair numa roda de samba, precisei chegar aos 40 para apreciar a sabedoria do Joãozinho Trinta. Falta só eu ter mais ginga. Quem sabe um dia. Enquanto isso, crio passarelas, costuro fantasias e construo instrumentos para o povo brilhar na avenida.

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marketing

bula da Catunda

Marcela Catunda
marcelacatunda@terra.com.br

Trabalhou na TV Globo, TV Bandeirantes, TV Gazeta, Manchete e SBT. Foi redatora da DM9DDB e Supervisora de Criação de Mídia Interativa da Publicis Salles Norton. É sócia do site Banheiro Feminino, está no Orkut e trabalha como autônoma.

Dance a little bit closer
Antes de ler, imagine todas essas cenas em preto e branco. Coloque aquele filtro flash back e enjoy. - E de internet? Vai ter alguma coisa de internet? - Hum! Sabe que eu não sei. Você sabe se vai? - Sei não. Você sabe? - Perguntei primeiro. Situação típica vivida por profissionais ponto com. Alguém quer internet, mas nesse caso específico ninguém sabe exatamente o que, nem como, nem pra que, nem porque e nem coisa nenhuma. Só se sabe que é pra ontem. - Chega mais, Catunda. – diz um - Opa! Isso é Rita Lee, né? – respondo cantando. Quando rola esse “chega mais” é porque o bicho vai pegar e daí restam sempre duas saídas: a da porta da rua (serventia da casa) ou escutar a trolha e mandar ver no que der da melhor forma possível. Normalmente, é uma coisa “alinhamento de campanha”. Daí a gente vira meio oficina e sai alinhando o que der, até pneu de carro... Nem sempre é assim, claro. Existem os jobs fantásticos, exaustivamente planejados, divinamente executados e de sucesso surpreendente. Um dia ainda pego um desses! (brincadeirinha). Mas resolvi usar o espaço de hoje pra relembrar algumas pérolas do meu passado interneteiro. Flash back me! VIAGEM INSÓLITA. - Marcela, precisamos fazer uma peça de internet pro cliente tal. - Legal. Vamos fazer. Do que se trata? – pergunto animada mesmo sabendo da singularidade “uma peça” do pedido em questão. - Antes de você saber o que é já vou te avisando que eu vendi um banner, tá? - Ahãm! – congelo. Depois de ouvir quem era o cliente e dar uma estudada em tudo parecido com “aquele produto” na internet, passo a mão no ramal e pergunto inocente. - Me diz uma coisa, clicando no banner levo o cara pra onde? - Hum! Pro site deles? - É. Isso seria possível se o seu cliente tivesse um site. - E ele não tem? - Só se estiver hospedado como www.empadinhasdeparafuso.com.br, mas acho difícil se tratando de uma empresa de alimentos enlatados.

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- Putz! E agora? - Agora vamos chorar juntas. Você sobe ou eu desço? ESQUECERAM DE MIM. - Quem criou esse hot site? – pergunta um. - A moçada da internet – responde o outro. - Moçada não. Respeite meus cabelos brancos. – me defendo. - Cadê o Urso que fala, pô? – pergunta o um. - Um urso falante? – penso no Puff ali sentadinho numa das cadeiras da sala de reunião falando comigo, mas mudo de pensamento pra não pirar completamente. - Catunda, você não tá sabendo do Urso Falante que vai conduzir toda a campanha? – pergunta o outro se fazendo de tonto. - Um urso que fala? Não, mas eu provavelmente saberia se ele tivesse falado comigo. – e sorrio é óbvio lulante. - Ixi! Esqueceram de falar do personagem com a moçadinha da internet. É que mudou tudo na madrugada de ontem - diz o outro. - Então, esquece internet. Não vamos apresentar nada não. – ordena o chefe. - Mas as peças tão super legais. O hot site tá lindo! Não aborta o projeto não. Vamos adequar. – imploro. - Não dá mais tempo, Catunda. A reunião é em meia hora. Valeu o esforço! Agradece a moçada da internet. A gente apresenta sem internet e se der a gente enfia ela depois. – ai! APERTEM OS CINTOS O PILOTO SUMIU. - Isso tá fraco demais. Tá tudo um lixo! – reprova o Fulano. - Bota fraco nisso – repete o puxa sacos.

- Desculpe, mas não concordo que esteja tão fraco assim. Tem tudo a ver com o conceito da campanha e tem sacadas geniais. – tento defender o trabalho. - O que você tá querendo dizer com esse “tem tudo a ver com campanha, Marcela?” – brada o Fulano. - Estou querendo dizer e dizendo que a internet seguiu ipsis literis o briefing passado pro meu departamento. – tá pensando o que? - A Catunda cuida da internet. – sinaliza o puxa sacos mor. - Ah! Isso aqui que a gente tá vendo é internet? – indaga, pra meu espanto, Fulano. - É! – ajuda o puxa sacos. - Ah! Então tá jóia. Achei que era o material de PDV. Deixa eu dar uma outra olhadinha. Pô, por isso que eu não tava entendendo essas coisas pulando aí na tela. – gargalha Fulano e claro o Puxa Sacos na seqüência, ou seria simultaneamente? THE END me É! Quando lembro do que já passei, nem imagino o que ainda está por vir. Ao longo dessa coisa “trabalhar com mídia interativa”, a gente passa (lava e cozinha) por tantas experiências... E, então, todos nós vamos colecionando nossas histórias pra contar. Agora, o bom mesmo é olhar pra frente e ver as coisas geniais que hoje tão por aí, e melhor ainda, pensar nas que ainda podem ser criadas e espalhadas por esse mundo ponto com sem porteira. É! Porque agora todo mundo sabe do poder que a internet tem, ou não sabe? Ah! Se não sabe também, a gente explica! Sobem créditos.

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bula da Catunda

“ O bom mesmo é olhar pra frente e ver as coisas geniais que hoje tão por aí, e, melhor ainda, pensar nas que ainda podem ser criadas e espalhadas por esse mundo ponto com sem porteira.”

webdesign

Luli Radfahrer

PhD em Comunicação Digital, já dirigiu a divisão de internet de algumas das maiores agências de propaganda e de alguns dos maiores portais do Brasil. Hoje, é ProfessorDoutor da ECA-USP, Diretor Associado do Museu de Arte Contemporânea e consultor independente. Autor do livro ‘design/web/design:2’, administra uma comunidade de difusão do conhecimento digital pelo País. webdesign@luli.com.br

Um sapinho maluco

…uma banda inglesa, um ringtone, um imitador de mobilete e que eles podem ensinar sobre o processo de inovação.
Fala-se muito em inovação por aí – como é importante estar atento às novas tendências,

como o mundo novo multifacetado e megaconectado pode criar muitas oportunidades e assim por diante, só que a maior parte dos exemplos diz respeito a grandes empresas e processos milionários. Pois a história que conto neste artigo mostra como algumas habilidades aparentemente inúteis, desenvolvidas sem intenção marqueteira de se “atingir o target”, podem dar certo em um mundo cada dia menor e mais esquisito. O ambiente da história envolve uma nova forma de entretenimento. Nada de videoclipes ou videogames – que já são coisa velha – o negócio aqui é ringtone, aquele toque personalizado de telefone celular, uma indústria bastante desenvolvida em países europeus. Se para você ter um toque diferente pode parecer uma mania estranha, devo lembrá-lo que SMS, MSN ou, até mesmo, a web já foram consideradas coisas de nerd. O ambiente é diferente, os personagens são inusitados. Comecemos pela banda inglesa: depois de um trabalho dedicado de pesquisa que levou alguns anos sem gravar, o grupo Coldplay finalizou um álbum para deleite de seus fãs no mundo inteiro, que o aguardavam ansiosamente. Lançado o single, a música subiu vertiginosamente as paradas na Grã-Bretanha e estacionou no segundo lugar. As coisas prometiam. Na semana seguinte, ao acompanhar a lista, viram que a música que ocupava o topo da parada havia caído para terceiro. “É a nossa vez”, deve ter pensado muito fã da banda. Só para perceber que eles continuavam em segundo. Tinham sido atropelados por uma música desconhecida, que nunca esteve nas paradas e atingiu direto o primeiro lugar. A música vinha de uma banda alemã de quem ninguém tinha ouvido falar e, para piorar, era evidente que tinha sido feita em minutos por alguém com um sampler e uma música dance dos anos 80. Ela era a trilha sonora de um comercial de um ringtone, em que um sapinho que imita o motor de uma moto é perseguido por ser “a coisa mais irritante do mundo”. Gosto não se discute. Mais interessante que o efeito do sapinho é a sua história, que começa lá pelos idos de 1997. Nesse ano, um sueco de 17 anos chamado Daniel Malmedahl divertia seus amigos com a imitação do som de um motor de dois tempos, feita de um jeito que parecia um sapo. Alguém tratou de gravar a performance e colocá-la em um website. A página se tornou popular e lá foi o Daniel para a tv e seu sapo correu a internet, mas ninguém, naquela época, ganhou nada

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“Algumas atividades ingênuas, sem nenhuma intenção além de divertir, podem ser muito mais lucrativas e duradouras que os mais elaborados planejamentos de mercado.”

com isso – os anos loucos da bolha das pontocoms não eram assim tão loucos. De site em site, chegou a hora em que ninguém mais sabia quem era o autor e a gravação era creditada como anônima. Sua presença mais famosa foi um tal “teste de insanidade”: uma página que desafiava o visitante a permanecer sério ao ver uma foto de um carro de F1 com essa trilha sonora, tarefa impossível. Cada vez mais famosa, a trilha foi incorporada a várias animações em flash (sempre creditada como anônima) e distribuída viralmente pela internet. Seis anos depois, outro sueco chamado Erik Wernquist encontrou o som e resolveu criar uma animação 3D chamada “A Coisa Irritante”, em que o sapinho tinha a cabeça a prêmio e fugia de um caçador de recompensas. Parece familiar? Pois é – é exatamente a mesma animação que, dois anos mais tarde, se tornaria a coisa mais irritante do mundo, pelo menos para pessoas ligadas ao Coldplay. Mas o ano ainda é 2003 e a animação ainda não rendia nada, a não ser visitantes ao site do Erik. Um deles foi o Daniel – que, ao perceber que não levava crédito por seu talento, entrou em contato e fez uma demonstração ao vivo, convincente o suficiente para garantir a ele um lugar nos créditos. Até aí, nada de dinheiro. Mas isso não parecia incomodar a dupla, que se divertia com a notoriedade instantânea.

No ano seguinte, a empresa Jamba! entrou em contato, licenciou a animação e o som para a distribuição como ringtone. Com uma campanha publicitária abrangente – em que o som original foi mixado com a música-tema de “Um Tira da Pesada”, o sapo engraçado se tornou o som para celular mais famoso do Reino Unido (entre os disponíveis comercialmente). Acredita-se que o faturamento da empresa tenha sido algo em torno de 20 milhões de dólares. Felicíssima, a dupla prepara novas atividades, além de licenciar camisetas, vender CDs etc. Em outras palavras, ao contrário do muito que se prega em propaganda e marketing, algumas atividades ingênuas, desapegadas e sem nenhuma intenção, além de se divertir e divertir o próximo, podem ser muito mais lucrativas e duradouras que os mais elaborados planejamentos de mercado. Muitas vezes, o consumo é uma relação regida pela emoção. E não há lei científica capaz de prevê-la. Eu bem o sei – quando tinha vinte e poucos anos, morava em uma república com alguns amigos. Enquanto eu fazia de tudo para meu estúdio vingar, outros estavam empenhados em arranjar um emprego e todos se preocupavam com o Marquinho, que ficava na frente da tv imitando comentaristas de futebol. Antes que nos déssemos conta, ele virou o Marco Bianchi da MTV e, até hoje ganha um bom dinheiro fazendo o que sempre gostou.

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webdesign

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