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Mecânica Relativística

INTRODUÇÃO
A mecânica relativística é como se fosse uma introdução à teoria geral da relatividade, pois nesse caso lidamos com uma partícula acelerada. A força, não sendo um invariante, passa a ser definida a partir de uma transformação de Lorentz, agora estendida, que depende implicitamente do tempo. Isto é, os dois parâmetros definindo uma transformação de Lorentz, dependem do tempo:

γ (t ) =  

 1    1 − vx ( t ) 

β ( t ) = vx ( t )

O sistema do laboratório é aquele que vê tal partícula em movimento com velocidade vx ( t ) .

COVARIÂNCIA DA MECÂNICA.
Ao formularmos as leis de Newton de forma covariante, devemos introduzir primeiramente um invariante conhecido como intervalo de tempo próprio. Definimos tal intervalo como sendo dado por:
dτ ≡
2 2 2 1 2 1 1   dx   dx   dx   2 2 2 2 ds = dt − dx + dy + dz = dt 1 − + +   ( )        c2 c2 c2    dt   dt   dt  

Note-se que o intervalo de tempo próprio é igual ao intervalo de tempo no seu próprio sistema de referencia (v=0). A partir de (000) e (000) podemos ver que a grandeza física
Vµ ≡ dxµ dτ = 1 1− v c2
2

( c, v )

r

é, da forma que foi definido, um quadrivetor. Tal quadrivetor é definido como a quadri-velocidade. Conseqüentemente, podemos definir o quadri-momento como sendo dado pelo produto da massa pela quadri-velocidade. Definimos assim:
Pµ ≡ mVµ = m 1− v c2
2

( c, v )

r

escrevemos a equação de Newton de uma forma covariante. Consideremos a forma dessa equação no sistema proprio. Equação relativistica no sistema próprio Definimos o sistema próprio como sendo aquele para o qual v=0. o produto da massa pela aceleração deve ser entendida como uma força de inércia. no caso do movimento de uma particula ele é o sistema preso a ela. Ou seja. portanto.A quadri-aceleração é dada por: aµ ≡ dVµ dτ = d 2 x0µ dτ 2 Conseqüentemente. escrevemos: aµ ≡ dVµ dτ = d 2 x0µ dτ 2 O que nos leva ao resultado: a0 ≡ 2 dV0 d 2 x0 d ( cτ ) = = =0 dτ dτ 2 dτ 2 Enquanto que para as demais componentes escrevemos: ai ≡ dVi d 2 xi = dτ 2 dτ E. Assim. Nesse sistema. escrevemos: . utilizando os seguintes quadri-vetores: Fµ = maµ Onde a quadri-aceleração definida a partir de e a quarta componente da quadri-força será identificada a seguir. a mecanica relativistica nos leva aos seguintes resultados: ma0 = 0 = F0 mai ≡ m dVi d 2x = m 2i = Fi 0 dτ dτ Tendo em vista que o sistema próprio é um sistema não inercial.

levando-se em conta a expressã (000). lembremo-nos que P0 ≡ mVo = mc 1− v2 c2 . segue que: r r ma0 = γ Fx 0 vx = F ⋅ v E. ou a componente zero. da aceleração. um sistema que se move em relação a esse com velocidade v na direção x temos as seguintes equações: ma0 = γ Fx 0 vx = F0 d  dx  0 γ  = γ F1 dt  dt  d  dy  0 ma2 ≡ mγ  γ  = F2 dt  dt  ma1 ≡ mγ ma1 ≡ mγ d  dy  0 γ  = F3 dt  dt  O que é a quarta componente da Quadrifôrça? Da equação (000). Escrevemos: r r dW F0 = F 0  V = dt Condideremos a quarta componente. portanto. Para tal. a potencia associada à força F. r r F0 V = F0 Donde inferimos que a quadriforça é.r r r r F 0 + Finercia = F 0 − ma = 0 Para um sistema que se move em relação a esse com velocidade v na direção x temos F0 = γ Fx 0 vx Fx = γ Fx 0 Fy = Fy 0 Fz = Fz 0 Portanto. portanto.

inferimos que:     d  mc 2  = dt  v2   1− 2  c    r  d 2 r d  mv v =v⋅ dt dt  v2  1− 2 c        m  v2  1 − 2   c  3 2 Dessa última equação inferimos que:  r  r d  mv v⋅ dt  v2  1− 2 c    r r dp r r  = dE = v ⋅ = v ⋅F = P  dt dt   Forças Constantes: Consideremos as equações relativisticas aplicadas a uma força constante ao longo do eixo x.Sua derivada com respeito ao tempo nos leva ao resultado:   dP0 d  mc = dt dt  v2  1− 2 c     = dE  dt   Ademais. por outro lado. d  dx  0 γ  = γ Fx dt  dt  d  dy  mγ  γ =0 dt  dt  d  dz  mγ  γ  = 0 dt  dt  mγ As duas últimas equações implicam que dy = V0 y dt dz = V0 z γ dt γ A primeira equação. nos leva ao resultado: d  dx  Fx 0 = a0 γ = dt  dt  m .

Obtemos: x (t ) − x (0) = 2    a 0t  c2   1 + − 1    a0  c     Consideremos agora as demais componentes.  dx  0 2   = (a t ) dt 1  dx    1− 2   c  dt  1 2 2 Donde inferimos que: dx ( t ) dt = 1+ a0t 1 0 2 (a t ) c2 Cujo resultado pode ser expresso como: x ( t ) − x ( t0 ) = ∫ t0 t a 0t ′ 1+ 1 0 2 ( a t ′) c2 dt ′ = c2 2a 0 ∫ t0 t  a0t ′  d  2  a0t ′   c  1+    c  1 2 Efetuando a integração obtemos: x ( t ) − x ( t0 ) = 2 2   a 0 t0    a0t  c2   1 + − 1 +     a0  c    c     Adotando-se o instante inicial como o instante de tempo t=0. De (000) segue que: dy 1  dx ( t )  = V0 y 1 − 2   dt c  dt  dz 1  dx ( t )  = V0 z 1 − 2   dt c  dt  2 2 Lembrando que .Cuja solução é: dx Fx 0 t = a0t = 2 dt m 1  dx  1− 2   c  dt  1 E. portanto.

 a0t  2   1  dx ( t )   c  =   2 c 2  dt   a 0t  1+    c  2 Substituindo a expressão (000) em (000). portanto. temos que:  a0t ′  d   c   a 0t ′  1+    c   a0t ′  d   c   a 0t ′  1+    c  2 2 y − y ( 0 ) = V0 y ∫ 0 t dt ′  a0t ′  1+    c  dt ′  a 0t ′  1+    c  2 2 = V0 y c a0 ∫ 0 t z − z ( 0 ) = V0 z ∫ 0 t = V0 z c t a0 ∫ 0 A integral acima pode ser efetuada fazendo a substituição: a 0t ′ = senhu c ⇒ a 0 dt ′ = cosh udu c Donde inferimos que a 0t c a 0 V c at z − z ( 0 ) = 0 z0 arcsenh a c y − y ( 0) = V0 y c 0 arcsenh Trajetória da Particula Da equação (000). inferimos que o tempo pode ser escrito como função de qualquer uma das coordenadas da seguinte forma: . obtemos: dy = V0 y dt 1  a0t  1+    c  1  a 0t  1+    c  2 dz = V0 z dt 2 E.

substituindo-se tal expressão em (000). No sistema de repouso da partícula. portanto. No primeiro analisamos o caso em que a força constante é uma força gravitacional. segue que . portanto. obtemos as equações para as trajetórias nos planos x-y e y-z: x ( t ) − x ( t0 ) = x ( t ) − x ( t0 ) = c2 a0 c2 a0   a0 cosh y − y ( 0 ) ) − 1  (   V0 y c     a0 ( z − z ( 0 ) ) − 1  cosh V c 0z   No limite não relativistico escrevemos:  a0 1  a0 cosh y − y (0)) ≅ 1 +  y − y (0))  ( (   V0 y c 2  V0 y c  2 E.a 0t a0 = senh ( y − y (0)) c V0 y c a 0t a0 = senh ( z − z ( 0 )) c V0 z c E. De (000). nesse limite: x ( t ) − x ( t0 ) = x ( t ) − x ( t0 ) = 2 1 a0 ( y − y (0)) 2 V0 y 2 1 a0 ( y − y (0)) 2 V0 z Que é o resultado clássico da parábola Casos particulares Consideremos dois exemplos simples. temos: Fx 0 = mg Assim. no sistema próprio escrevemos: mg + Finercia = 0 Num sistema acelerado a força de inércia é dada por: Finercia = −ma o Onde a o á a aceleração da particula no sistema não inercial.

a0 = g Donde inferimos que uma particula em queda livre é tal que ela pode ser descrita a partir de um referencial (não inercial. qE 0 m 2    qE 0 t  mc 2  x ( t ) − x ( t0 ) = 1+  − 1  0  qE   mc    mV0 y c qE 0 t y − y (0) = arcsenh 0 mc qE mV0 y c qE 0 t z − z (0) = arcsenh mc qE 0 Enquanto que a trajetória é dada por: x ( t ) − x ( t0 ) = x ( t ) − x ( t0 ) =  mc 2  qE 0 cosh ( y − y ( 0 ) ) − 1 0  qE  mV0 z c  mc 2 qE 0   qE 0 ( z − z ( 0 ) ) − 1  cosh mV c  0z  . é claro) e de tal forma que ele esteja com aceleração constante. Essa é a base do principio da equivalencia. que a solução é: 2  c2  gt   1+  − 1    g  c    V0 y c gt y − y (0) = arcsenh g c V c gt z − z ( 0 ) = 0 z arcsenh g c x ( t ) − x ( t0 ) = Enquanto que a trajetória é dada por:   g cosh y − y ( 0 ) ) − 1  (   V0 y c    c2  g x ( t ) − x ( t0 ) =  cosh z − z ( 0 ) ) − 1 ( g V0 z c  x ( t ) − x ( t0 ) = c2 g No caso de uma particula de carga q sujeita a um campo elétrico uniforme. A equação (000) é equivalente à frase de Eintein de que um indivíduo em queda livre não sente o seu peso. Temos assim. temos que: a0 = E. portanto.

Assim. o fator γ Lembremo-nos primeiramente que:  a 0t  2   1  dx ( t )  1  c  = 1− 2   = 1− 2 2 c  dt   a 0t   a 0t  1+  1 +     c   c  2 E. temos: dτ = dt γ = dt  a 0t  1+    c  2 Dai inferimos que o intervalo de tempo no sistema próprio decorrido um intervalo de tempo igual a t no sistema de laboratório. adotaremos as expressões acima que dão. por exemplo. será: ∆τ = ∫ 0 t dt ′  a 0t ′  1+    c  2 = v a 0t arcsenh a0 c . portanto:  a 0t  γ (t ) = 1 +    c  2 Lembrando a relação entre o intervalo de tempo próprio e o intervalo de tempo t.Sistemas Acelerados: O paradoxo dos gêmeos As expressões acima valem para um sistema acelerado com aceleração CONSTANTE.