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A Grande

Peregrinação
em Direcção
à Casa do Pai
A vida cristã é acima de tudo uma longa caminhada para a casa
do Pai onde há muitas moradas. Dizia S. Agostinho que Deus
nos tinha criado para Ele e que o nosso coração não descansa
enquanto não O encontrar e repousar no Seu amor. Esta é a
missão e a tarefa de cada cristão: voltar a casa do Pai,
completar a grande peregrinação em direcção à Casa do Pai.
Esse foi também o caminho do filho pródigo (Lc. 15:11-24) que
depois de ter se afastado da casa do Pai decidiu regressar. Pois
só na casa do Pai está a verdadeira felicidade e alegria. Só na
casa do Pai é que me sinto á vontade.

Neste caminho, longa peregrinação, para a casa do Pai não
estamos sós, não estamos a caminhar (peregrinar) sozinhos
mas pertencemos a um grande família (“pelotão”) que
connosco se encaminha para a casa do Pai. (Contar a anedota
do Inferno e do Céu, para exemplificar o dever de nos
ajudarmos uns aos outros).

Também neste grande peregrinação não estamos perdidos,
sem saber por onde ir ou como chegar á casa do Pai mas temos
alguém que nos indica o caminho: Jesus, “o filho muito amado
do Pai”. É ele que nos indica o caminho, que nos desenha o
“mapa” da nossa peregrinação.

1 – Jesus “O Enviado do Pai” - A Constante
Fidelidade do Pai

Vivia-se em Israel, no tempo de Jesus uma grande esperança
messiânica. Perante essa grande expectativa na intervenção de
Deus na história da humanidade, Jesus inicia o seu ministério
apresentando-se como o “esperado das nações” e o “enviado
do Pai”. Toda a história de Salvação do Povo de Israel apontava
para a vinda do Messias (Salvador) e para a inauguração do
tempo messiânico. O tempo onde “o lobo habitará com o
cordeiro”, um tempo de paz, um tempo onde a vontade (ordem,
reino) do Pai será cumprida e observada ( Is. 11:1-9).

Por outro lado havia também entre o povo a convicção de que
Deus seria fiel á sua Aliança e um dia interviria na história do
povo de Deus. A aliança que Deus tinha estabelecido com o
povo de Israel seria renovada. Deus nunca se esqueceria do seu
povo, mas estaria sempre presente na história do povo (Is. 49:
14-15).
Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus, apresenta-
se como o filho muito amado do Pai... aquele que veio com uma
mensagem e com uma missão (Lc. 4: 16-21). A de restaurar o
povo de Israel. De dar de novo a esperança a quem a já a tinha
perdido.

Ao sair das águas do Jordão, depois de ter sido baptizado por
João, Jesus ouve a proclamação gloriosa da sua identidade: “Tu
és o meu filho amado; em Ti encontro o meu agrado” (Mc.1:11).
Vejamos a comparação com a promessa do profeta Isaías (Is.
42:1).

2 – Jesus Revela-nos o Rosto do Pai – Um Rosto
Misericordioso

Jesus não só recebe a confirmação da sua paternidade divina
mas assume-se como Aquele que veio para comunicar e fazer a
vontade daquele que o enviou. Ele próprio diz que o Seu
alimento é fazer a vontade do Pai (Jo.4:34). E considera-se
irmão de todos aqueles que também aceitam e praticam a
vontade de Deus (Mt.12:47-50). Jesus desde o início do seu
ministério até fim manteve-se em contacto permanente com o
Pai. Na oração Jesus conhecia a vontade do seu Pai. “Abbá”, a
expressão que Jesus usa para designar o Pai é a manifestação
clara dessa familiaridade (1Jo. 3: 1-2; Rom. 8: 14-17).

Ao agir assim Jesus revela-nos não só a vontade de Deus-Pai,
que é que todos os homens se salvem mas revela-nos o rosto, a
identidade do próprio Pai (Jo.17:3,6-8). Muitas das parábolas
que Jesus contou são uma maneira de dar a conhecer o rosto de
Deus-Pai (Jo.17-25-26). De todos os traços do rosto de Deus-Pai
que Cristo nos deu a conhecer há alguns que sobressaem: o
amor, a misericórdia, a compaixão... e Jesus pede-nos que cada
um de nós os adopte também na nossa vida (Lc.6:36).
(Contar a história do peixe que queria conhecer o mar... para
dizer que o nosso Pai é isto mas é muito mais que isto!...)

3 – Jesus funda uma comunidade (Igreja) onde o
Pai é reconhecido e amado

Jesus não só inicia um ministério itinerante mas chama alguns
para andarem com Ele (Apóstolos), para aprenderem d’Ele e
para o testemunharem ao mundo. Além do grupo dos Doze,
existe ainda um outro grupo de discípulos que é maior e que
acompanhavam também o mestre para onde quer que Ele
fosse. Deste modo Jesus manifestava o desejo de fundar uma
comunidade onde os valores do reino fossem preservados e
vividos. Uma comunidade onde o rosto do Pai fosse conhecido e
amado. Uma comunidade que guarda e santifica o nome do Pai
– “Santificado seja o Vosso Nome”.

Esta nova comunidade (Povo, Igreja), nasce do desígnio de
salvação universal do Pai, é constituída por Cristo como família
dos filhos de Deus e manifesta-se na comunhão do Espírito
Santo. A comunidade que Jesus pretende tem esta missão de
ser no mundo sinal e testemunho da salvação operada por
Deus-Pai no Seu Filho Jesus Cristo. Por isso existem teólogos
que definem a Igreja como Sacramento de Salvação.

Características da comunidade de Jesus (Igreja):

1. Vida Trinitária: um novo Povo de Deus, que conhece o Pai
através da Palavra do Filho sob a acção do Espírito Santo.
2. Fraternidade: Um povo com um só Pai e constituído por
muitos irmãos e irmãs, onde Jesus é o irmão mais velho.
3. Supressão de barreiras que dividem: A misericórdia e o
amor como prioridades pastorais.
4. Um Povo em Peregrinação (Peregrinos): Um povo santo
mas ao mesmo tempo sempre necessitado de purificação,
que tem sempre á mão a misericórdia e o perdão de Deus
para continuar a ter a vida nele.
5. O Amor: denominador comum desta comunidade - “Amai-
vos uns aos outros como eu vos amei”.
6. Um Povo que renuncia á dominação e à violência: a
humildade e paz como “armas” do reino.
7. Um Povo Orante: um povo em constante comunicação com
o seu fundador (a sua origem) e que procura fazer a Sua
vontade no dia a dia. A liturgia como alimento...
8. Um Povo aberto e voltado para fora: sempre á procura
da ovelha tresmalhada.
9. Um Povo que é “luz das nações”: sempre pronto a dar as
razões da sua fé.
10.Um Povo onde a autoridade é um serviço: ministros ao
serviço de Deus e dos seus irmãos e irmãs na fé.

4 – Um povo enviado em Missão – “Uma cidade na
Montanha”

Já no Antigo Testamento havia a ideia que um dia Israel será
chamada a ser a luz das nações e que de um ao outro lado da
terra virão todos os povos na longa peregrinação para adorar
Deus no monte santo (Is. 11: 10-12; 49: 6b-13, 21-23). Esses
povos virão por atracção porque reconhecerão, através da vida
e do exemplo do povo de Deus, o seu Deus como salvador. A
grande peregrinação dos povos é anunciada por Isaias no final
do seu livro (Is. 66: 18b-20).

Agora o novo povo de Deus, a comunidade de Jesus, deve, no
mundo onde vive, dar testemunho da sua fé e da sua maneira
de viver. Esta paixão por partilhar a sua vida com os outros é
uma característica fundamental desta comunidade.
Essa foi também a experiência feita pelos primeiros cristãos
que não se cansavam de anunciar as maravilhas operadas por
Deus-Pai em Jesus Cristo. A comunidade retractada nos Actos
dos Apóstolos, depois de recuperar e acimentar a sua
identidade vira-se para fora, para o mundo não judeu a fim de
lhes anunciar a Boa-Nova trazida por Jesus Cristo.

“Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizai-os em
nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a
cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que eu
estarei sempre convosco até ao fim dos tempos” (Mt. 28: 19-
20).
“Assim como o Pai me enviou também eu vos envio”
(Jo.20:21).

Todos nós, através do nosso baptismo somos enviados a dar
testemunho da nossa fé... a darmos as razões da nossa
esperança... a continuarmos a dar a conhecer o rosto de Deus-
Pai a exemplo do Filho Jesus Cristo. O nosso campo de missão é
primeiro que tudo a minha comunidade da qual eu sou
membro: missão “Ad intra”. Depois o nosso campo é o mundo:
missão “Ad extra”/”Ad gentes. Criar uma onda missionária que
possa atingir toda a terra.

O Papa João Paulo II tem por várias vezes afirmado que a fé
fortalece-se na medida é que é partilhada. Quando mais eu for
capaz de por em comum a minha fé mais vigorosa e forte ela se
torna: esta é a força do testemunho.

Revelar o nome de Deus ás nações foi a missão de Jesus e
continua também a ser a missão dos seguidores de Jesus, isto
é, a missão de cada um de nós. Fazemo-lo com o objectivo que
o amor e a alegria que experimentamos da nossa relação com
o Pai seja também experimentada por os outros nossos e
irmãos e filhos de Deus.

É o desfio de sermos “luz do mundo” e sal da terra” (Mt.5:13-
16). De sermos também nós pessoas que ajudam os outros
nossos irmãos a chegarem á casa do Pai.