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Universidade Federal do Rio Grande do Sul Departamento de Engenharia de Minas Geologia de Engenharia I

ÁREA2 - Rochas sedimentares
Aula 9

Prof. Rodrigo Peroni Junho 2003

FENÔMENOS ENVOLVIDOS Alívio de pressão: forças internas das próprias rochas podem causar a expansão destas durante a erosão. rochas ao chegarem à superfície encontram ambiente rico em água.As exfoliações são produzidas pelas tensões diferenciais causadas pelo intemperismo físico e/ou químico. iii. 2.Geologia de Engenharia I – ÁREA2 1. i. INTEMPERISMO QUÍMICO É causado pela mudança de ambiente. FENÔMENOS ENVOLVIDOS Desequilíbrio químico dos minerais ao ficarem expostos à superfície. Rodrigo Peroni . Congelamento / Degelo: ação de forças externas sobre as rochas . O2.no caso de congelamento ocorre aumento de 9% no volume.crescimentos de cristais água .2.2. formam rochas sedimentares.1. Reações químicas. iv. O conjunto de intemperismo e erosão constitui o processo de denudação. Disjunção superficial em cúpula de corpo granítico maciço. Posteriores processos de litificação por diagênese transformam os sedimentos em rocha sedimentar. INTEMPERISMO FÍSICO São todos os processos que causam desagregação das rochas.variação diária de até 25 oC . O principal agente de intemperismo químico é a água da chuva que infiltra e percola entre as descontinuidades e fraturas existentes nas rochas. iii. 2. Uma rocha qualquer pode sofrer intemperismo (processos de desintegração e decomposição que levam a desagregação das rochas expostas à superfície) e os produtos do intemperismo podem ser removidos mecanicamente ou em solução. etc.1. 2. pela diagênese. É mais intenso em climas úmidos. Expansão térmica: causada por exposição ao tempo . expansão anisotrópica . O processo de remoção dos produtos de intemperismo é conhecido por erosão e a movimentação desses materiais é chamada de transporte.eixos cristalográficos. e retrabalhamento de rochas pré-existentes de várias origens.quartzo expande 3 vezes mais que o feldspato. ii. Aumento da superfície específica das rochas . P e T em relação ao ambiente de formação. ii. desagregação. TIPOS DE INTEMPERISMO Os processos intempéricos atuam através de mecanismos modificadores das propriedades físicas dos minerais e rochas (morfologia.1. Minerais entram em desequilíbrio e para voltarem à estabilidade sofrem reações químicas.) e de suas características químicas (composição química e estrutura cristalina). Ainda quando organismos vivos participam do processo de transformação das propriedades da rocha tem-se intemperismo combinado físico-biológico ou químico-biológico. Os sedimentos transportados são depositados em locais favoráveis e nesses locais são acumulados. transformando a rocha em material descontínuo e friável.Expansão / Contração. ii. i. compactados e.variação de temperatura . são classificados em intemperismo físico e intemperismo químico. com separação dos grãos minerais antes coesos e com sua fragmentação. Não ocorre modificação da composição química das rochas. Formação de solo i. 2.3.insolação Saara . 2. CONSEQÜÊNCIAS Redução da granulometria dos minerais formadores de rochas (em conjunto ou isolados). resistência.2. Exfoliação de matacões de granito expostos em superfície . INTRODUÇÃO Sedimentos são deposições de materiais que resultaram da decomposição. 2.1. textura. Em função dos mecanismos predominantes de atuação.

CONSEQÜÊNCIAS Combinação dos efeitos do intemperismo físico e químico. e Desempenha papel importante na formação dos solos residuais . ii. oxidação. Químico Biológico INTEMPERISMO FÍSICO. 2.4. iii. 2. expansão térmica (radiação solar). i. Tabela 1 – Reumo dos tipos de intemperismo Tipo de intemperismo Físico Exemplos Alívio de pressão (expansão da rocha durante a erosão). hidratação. Aumento no volume dos compostos minerais formados secundariamente. Oxidação / Redução. redução. biosfera e tempo de ação. Rodrigo Peroni . agentes e rochas. FENÔMENOS ENVOLVIDOS Ação das raízes de vegetais. Resumo Redução de granulometria e aumento de superfície específica sem alteração de composição química.Geologia de Engenharia I – ÁREA2 Agente principal: Água i. 2. Intemperismo ao longo de planos de descontinuidade. ação de escavação de animais. iii.pedologia. ii. 2.3. As faces/arestas/vértices são crescentemente atacadas para formar blocos/matacões arredondados. Ação da escavação de animais. Os chamados fatores de controle do intemperismo basicamente representados pelo material constituinte. iii. clima. topografia. quando comparados com os minerais primários. Ocorre mudança das propriedades físicas e químicas dos minerais. QUÍMICO e/ou BIOLÓGICO PRODUTOS SOLÚVEIS SAIS LIXIVIAÇÃO TRANSPORTE EM SOLUÇÃO DETRITOS E PRODUTOS INSOLÚVEIS EROSÃO TRANSPORTE MECÂNICO PRECIPITAÇÃO SEDIMENTOS QUÍMICOS DEPOSIÇÃO SEDIMENTOS CLÁSTICOS ou DETRÍTICOS DIAGÊNESE Figura 1 – Quadro resumo dos tipos de intemperismo. de i. i. Congelamento/degelo (ação de cunha) Dissolução.3. em termos de velocidade e intensidade. Dissolução das rochas. Formação de solos.3. Hidratação e hidrólise.2. ii. Combinação dos efeitos intemperismo físico e químico. ii.4. Ácidos vegetais. CONSEQÜÊNCIAS Completa modificação das propriedades físicas e químicas das rochas. ação de ácidos de vegetais. INTEMPERISMO BIOLÓGICO 2. Intemperismo esferoidal de substrato granítico. hidrólise. ORDEM DE ESTABILIDADE DOS MINERAIS FRENTE AO INTEMPERISMO – SÉRIE DE GOLDICH Várias características do ambiente em que se processa o intemperismo influem diretamente nas reações de alteração. Ação de cunha das raízes.6.5.

Observa-se. Para os minerais silicáticos de origem magmática. 3. TIPOS DE INTEMPERISMO E RELAÇÃO COM O CLIMA O papel do clima é determinante na caracterização do tipo e da intensidade da ação intempérica sobre as rochas. como a olivina.Geologia de Engenharia I – ÁREA2 Entre os minerais constituintes de rochas alguns são mais suscetíveis que outros à alteração. Ou seja. Figura 2 – Série de estabilidade dos minerais frente à agentes de intemperismo. precipitação pluviométrica e temperatura. que representa a ordem de cristalização dos minerais a partir da solidificação do magma. regulam a natureza e a velocidade das reações químicas. A Figura 3 apresenta as variações das condições de intemperismo em função da pluviosidade anual e da temperatura média anual. condicionando a ação da água: ao mesmo tempo em que acelera as reações químicas. que o intemperismo físico predomina nas áreas onde a temperatura e pluviosidade são baixas. Já a temperatura executa um papel duplo. quanto maior a disponibilidade de água e mais freqüente for a sua renovação mais completas serão as reações de intemperismo. os perfis de alteração são naturalmente enriquecidos nos minerais mais resitentes. por exemplo. diminuindo a quantidade de água disponível para lixiviação dos produtos solúveis. e empobrecidos ou mesmo desprovidos dos minerais mais alteráveis. Rodrigo Peroni . Os dois mais importantes parâmetros climáticos. essa série é equivalente à série de Bowen. Figura 3 – Gráfico da influência do clima sobre o tipo e a intensidade do intemperismo. ao contrário. aumenta as taxas de evaporação. A série de Goldich mostrada na Figura 2. representa a seqüência normal de estabilidade dos principais minerais frente ao intemperismo. Como conseqüência dessa diferenciação de comportamento dos minerais frente ao intemperismo. como o quartzo. temperatura e pluviosidade elevadas favorecem a ação do intemperismo químico.

A partir do momento que essas partículas começam a sofrer transporte mecânico em superfície.1. a formação do sedimento implica algum tipo de transporte físico (mecânico) e/ou químico. terrígeno ou carbonático. Assim como metamorfismo. No transporte químico. Deposição pressupõe movimento. tendo como ponto de partida a caracterização do transporte sedimentar.0 1. em resposta a essas novas condições. Agentes e respostas diagenéticas podem envolver aspectos químicos. a dissolução sem pressão ocorre apenas pelo efeito da percolação de soluções pósdeposicionais. o sedimento. mas não o seu processo essencial e nem o último. É importante ressaltar que os processos intempéricos não envolvem transporte mecânico significativo. No transporte mecânico. obtêm-se as respostas com base na constituição mineralógica e de aspectos texturais do grão. 4. passa a responder às condições de um novo ambiente.250-0.004 <0.031-0. pH. pressão de água).1. ela passa a constituir uma partícula sedimentar que podemos classificar como sinônimo de grão.016-0. Assim a litificação (consolidação dos sedimentos) é um dos aspectos possíveis da diagênese. pois uma vez depositado. Rodrigo Peroni .031 0. não importando o grau de consolidação que o depósito sedimentar tenha atingido. CICLO SEDIMENTAR Sedimentos são deposições de materiais que resultaram da decomposição. dá-se o nome de diagênese. de maneira que o resultado não é ainda um sedimento.004 CLAY SILT SAND GRAVEL Classificação Nominal Proposição Original (Inglês) Boulder Cobble Pebble Granule Very coarse sand Coarse sand Medium sand Fine sand Very fine sand Coarse silt Medium silt Fine silt Very fine silt Clay ARGILA SILTE AREIA CASCALHO (ou balastro em Portugal) Tradução Usual (Português) Matacão Bloco ou calhau Seixo Grânulo Areia muito grossa Areia grossa Areia média Areia fina Areia muito fina Silte grosso Silte médio Silte fino Silte muito fino Argila A classificação geral dos materiais de origem sedimentar (sedimentos inconsolidados e rochas sedimentares) visa responder a uma série de questões sobre a evolução desse sedimento. Portanto o termo diagênese é abrangente quanto à natureza dos processos. 4. é que o material original é exclusivamente sedimentar e que os processos de transformação não incluem recristalização no estado sólido.008 0. Intervalo Granulométrico (mm) > 256 256-64 64-4. transporte.062 0.Geologia de Engenharia I – ÁREA2 4. já começa a existir durante o transporte. a diagênese começa no final da deposição e prossegue indefinidamente. Portanto a partir de perguntas sobre a gênese dos sedimentos. o de soterramento.008-0. físicos e biológicos. ii.0 4. por conseqüência. a diagênese é uma transformação para adaptação a novas condições físicas (pressão e temperatura) e químicas (Eh. mas dissoluções e reprecipitações a partir de soluções aquosas existentes nos poros. a matéria sólida só se forma a partir da deposição do íons transportados em solução.0-1. desagregação e retrabalhamento das rochas pré-existentes. A dissolução sob pressão ou compactação i.50-0.125-0. o material sedimentar.0-2. Tabela 2 – Classificação dos sedimentos segundo granulometria.125 0. mas um manto de alteração in situ. Ao conjunto de transformações que o depósito sedimentar sofre após sua deposição. A grande diferença entre diagênese e metamorfismo.50 0. ainda na diagênese precoce. enquanto matéria sólida. PROCESSOS DIAGENÉTICOS Compactação (mecânica) – existe a mudança do empacotamento intergranular (de cúbico para romboédrico) e a quebra ou deformação de grãos individuais.0-0. A Tabela 2 apresenta os diversos tipos de sedimentos classificados segundo a sua granulometria. ocorrendo uma redução expressiva de volume.250 0.0 2.016 0. depósito ou rocha de acordo com o ambiente de deposição.062-0. Dissolução – pode ocorrer com ou sem efeito significativo da pressão de soterramento. DIAGÊNESE A história sedimentar não termina na deposição.1.

Cimentação – precipitação química de minerais a partir de íons em solução na água intersticial. produz dois tipos principais de feições. Nota: P e T muito altos → metamorfismo.Ígnea / Sedimentar / Metamórfica Intemperismo . iv. Ocorre com sedimentos tipo areia e pedregulho. química.1.Físico / Químico / Biológico Erosão / Lixiviação Transporte dos Sedimentos / Soluções Deposição por Decantação / Precipitação Diagênese / Litificação . vi. CICLO DE FORMAÇÃO DAS ROCHAS SEDIEMENTARES i. Com argilas a formação da rocha se dá por compactação (P e T) e expulsão de água. Rodrigo Peroni . iii. ii.Geologia de Engenharia I – ÁREA2 iii. a) neomorfismo: aragonita → calcita. v. afetando a morfologia de contato (passando de pontual para côncavo-convexo e saturado) com o efeito crescente do soterramento. 4.1. iv. Recristalização diagenética – designa a modificação da mineralogia e textura cristalina de componentes sedimentares pela ação de soluções intersticiais em condições de soterramento.2. b) substituição: carbonato → sílica. Rocha matriz .conversão de sedimentos em rochas 4. ASPECTOS DA DIAGÊNESE (LITIFICAÇÃO DE SEDIMENTOS) Cimentação da rocha (gerada por precipitação de material carreado por soluções percolantes).3.