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MATERIA

DE CAP'A

COOPERATIVISMO
2012 UM ANO PARA ENTRAR NA HISTÓRIA
• POR MÁRCIO

LOPES DE FREITAS

"Hoje, as 6.586 cooperativas brasileiras reúnem 10 milhões de associados e geram 296 mil empregos diretos, movimentando a economia tanto no campo quanto nas cidades. Urge disseminar à sociedade os benefícios e as particularidades da prática cooperativista:'
não poderia ser diferente. Esse modelo de negócios que une eficiência econômica e eficácia social mobiliza, hoje, 33 milhões de cidadãos brasileiros. Estamos falando de cooperativas que promovem o desenvolvimento sustentável das comunidades e popularizam a gestão democrática, em que todos participam e buscam o bem comum. Sãos homens e mulheres que deixaram de lado os benefícios individuais e se uniram para construir uma relação baseada em transparência e, sobretudo, confiança. O sucesso é consequência desse processo e de outros fatores, como o investimento constante na profissionalização da gestão dos negócios e modernização dos mecani~mos de governança. Esse olhar se reflete claramente nos indicadores do segmento. Hoje, as 6.586cooperativas brasileiras reúnem 10 milhões de

O

mado mundialmente como um movimento socialmente rescooperativismo tem expresse firponsável e de grande sividade econômica. Além de se apresentar como uma alternativa ao mercado convencional, com papel determinante na geração de trabalho e renda, o setor contribui diretamente para a redução das desigualdades sociais. Para se ter uma ideia, as cooperativas mobilizam cerca de 1bilhão de pessoas em mais de 100 países, respondendo pela geração de 100 milhões de empregos diretos. Tanto é assim que a sua representatividade também foi reconhecida, em nível mundial, pela Organização das Nações Unidas, com a instituição de 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. Vivemos, portanto, um marco na história do cooperativismo, e, no Brasil,

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REVISTA JURíDICA CONSULEX - ANO XILI- N' 375 - l'

DE SETEMBR0/2012

associados e geram 296 mil empregos diretos, movimentando a economia tanto no campo quanto nas cidades. No mercado interno, por exemplo, o setor tem uma participação expressiva. Segundo o Censo Agropecuário de 2006 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, cerca de 50% da produção das principais culturas do País passa, de alguma forma, por uma cooperativa. O segmento também tem contribuído significativamente com o processo de inclusão financeira, a partir da oferta adequada de produtos e serviços com taxas competitivas e atendimento personalizado pelas cooperativas de crédito. A presença em 45% dos municípios, de acordo com o Banco Central do Brasil, e a abertura de praticamente dois postos de atendimento por dia útil mostram a capilaridade do segmento. O mesmo pode ser dito sobre os demais 11 ramos de atividades econômicas nos quais o cooperativismo atua.

Mas o desenvolvimento do setor também deve ser creditado ao respeito alcançado perante o Poder Público, decorrente de um importante trabalho de representação coordenado pela Organização das Cooperativas Brasileiras, com a contribuição de outros atores, entre estes a Frente Parlamentar do Cooperativismo. Os resultados podem ser claramente percebidos na crescente formulação de políticas públicas contemplativas às bandeiras do

movimento, como na definição dos Planos Safra pelo Executivo. Essa articulação também tem se convertido em marcos legais regulatórios fundamentais para a consolidação da prática cooperativista, cujo incentivo já havia sido determinado desde a Constituição Federal de 1988, que estabeleceu expressamente, no § 20 do art. 174, o papel da lei de apoiar e estimular o cooperativismo. Um exemplo claro foi a sanção da Lei Complementar na 130/09, a qual instituiu o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Mais recentemente, em julho de 2012, outra conquista foi registrada: a sanção da Lei na 12.690/12, 'que traz regras para a regulamentação e o funcionamento das cooperativas de trabalho, vitória no Ano Internacional das Cooperativas. Mesmo diante de tantas conquistas, não temos dúvidas de que há ainda um espaço potencial a ser explorado, mas, para que o cooperativismo brasileiro continue crescendo, é necessário criar um ambiente favorável. Nesse contexto, ainda existem questões pendentes no Congresso Nacional, como a definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo. O objetivo é evitar que a.cooperativa seja obrigada a recolher tributos cujos fatos geradores nela não tenham ocorrido, em razão de suas características. Estão nessa relação, por exemplo, o Imposto de Renda, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, as Contribuições PIS/Cofins, entre outros que tiverem como fato gerador a ocorrência de lucro, renda ou faturamento na pessoa jurídica, haja vista a ausência de fins lucrativos nas sociedades cooperativas. Além disso, devemos investir prioritariamente na educação e formação profissional. ASSIm, nos tornaremos ainda mais competitivos. Da mesma forma, temos de disseminar à sociedade os benefícios e as particularidades da prática cooperativista. Isso, com certeza, refletirá positivamente na definição de novas legislações para o movimento. Ao garantirmos a eficiência nesses processos, damos mais um passo em direção ao desenvolvimento com sustentabilidade. Assim, nossas cooperativas terão a oportunidade de mostrar de que forma constroem um mundo melhor .•

MÁRCIO

LOPES

DE FREITAS

é Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).

REVISTA

JURíDICA

CONSULEX

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este grande movimento mundial comprometido com o harmonioso desenvolvimento socioeconômico dos povos. e o movimento.Mas as cooperativas. desta forma. até a queda do Muro de Berlim. se esparramou pelo mundo todo nas mais diversas modalidades de atividades econômicas. e floresceu de maneira espetacular. assumiram papel de defensoras da paz e da democracia. Os excluídos se uniram e se organizaram em cooperativas. as cooperativas. Se imaginarmos que cada um destes cooperados tem três dependentes. sociais e culturais. Trata-se de uma extraordinária conanodo de 2012 foi designado pela Organização quista cooperativismo. Quase 1 bilhão de pessoas no mundo todo são filiadas a algum tipo de cooperativa. dois fenômenos que não são amigáveis para a paz e muito menos para a democracia. instrumentos da doutrina.É que a Revolução Industrial produziu duas ondas negativas nos países europeus: uma de exclusão social e outra de concentração da riqueza. Seus valores e princípios foram consagrados com a criação da Aliança Cooperativa Internacional e o movimento avançou muito. e foi estudado com muito vigor nos séculos XVIII e XIX.Este das Nações Unidas como o Ano Internacional das Cooperativas. Ora. O cooperativismo enquanto doutrina é conhecido há séculos. Presente em quase todos os países. e o cooperativismo ficou sem saber o que era e a que vinha: como ser terceira via se a primeira e a segunda . É de longe a mais importante doutrina socioeconôrnica vigente. se constituíram em empreendimentos mitigadores da concentração da riqueza e. só passaram a ter protagonismo após a Revolução Industrial experimentada pela Europa em meados do século XIX. unindo os excluídos e viabilizando sua sobrevivência e progresso material. como um rastilho de pólvora. entre o capitalismo e o socialismo. Houve então um período de certa perplexidade. o número de cooperativistas alcança mais da metade da população do planeta. o cooperativismo é a doutrina que visa corrigir o social através do econômico. Este fenômeno ficou conhecido por quase 150 anos como a "terceira via" para o desenvolvimento.

Está na hora do Cooperativismo receber também o Prêmio Nobel da Paz. da justiça social.de dezembro de 2010. Muita gente acredita que este poderoso instrumento de organização econômica da sociedade seja exclusivamente agrícola. impulsionado pelo firme timão da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). com seus 217 mil associados. só 13%.De novo. O número das que são apenas agropecuárias cresceu 35% nestes 10 anos. tudo baseado na solidariedade é. precisa ser viável economicamente: cooperativa é uma empresa. unindo os excluídos e viabilizando sua sobrevivência e progresso material. com mais de 4 milhões de associados. a cooperativa oferece ao seu cooperado . com 831. é claro -. meio perdidas nos escombros do Murç. com 943.CONSULEX.067 eram urbanas. um motor da paz. e países do mundo inteiro montaram instrumentos jurídicos que promovessem o movimento. a grande maioria urbanos. a rápida urbanização do País trouxe para as cidades demandas estruturais~endo em vista melhorar a renda dos cidadãos. O que a ONU está fazendo em2012 é reconhecer a importância deste movimento para a defesa da paz. sem dúvida. Mas. precisa ser necessária. das quais 1. Seu trabalho ambiente. um motor da paz. Mas a globalização da economia e o vendavalliberalizante que varreu o mundo produziram um recrudesdmento nos dois itens da gênese das cooperativas: nunca como então houve tanta concentração da riqueza e tamanha exclusão social. Portanto. papel preponderante das Nações Unidas. Por isso tudo.026 associados.493. mas algumas funcionam no campo também. da defesa do meio ambiente. se constituíram riqueza. Os números a este respeito são notáveis e mostram como o movimento se expandiu na área urbana. porque seus donos são também investidores e usuários. com 3. e o movimento ganhou uma dimensão tão espetacular quanto o que aconteceu em outros países do mundo pelas mesmas razões. Ora. e ajuda mútua. de consumo.411 eram rurais. Há 10 anos. Afinal. 42%. existem as cooperativas de crédito. Mas o número de associados destas aumentou 53% enquanto o das agropecuárias. ROBERTO RODRIGUES é Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV e Embaixador da FAO para o Ano Internacional das Cooperativas. da justiça social. Não adianta nada querer criar uma cooperativa de qualquer tipo se ela não for sentida. do pleno emprego. órgão máximo do cooperativismo mundial. seu trabalho em prol da distribuição das riquezas. são majoritariamente urbanas. é preciso que haja espírito associativo. de saúde. não pode ser imposto. Além das rurais e urbanas.de qualquer ramo . de educação. Estes se organizaram então em cooperativas de trabalho. foram convoca das de novo para resgatar a democracia. em meio a mais uma crise financeira.. 1. No último levantamento divulgado pela OCB.903 cooperativas. sem dúvida. pelos futuros cooperados.serviços que lhe permitam evoluir economicamente e.548. os excluídos se agruparam em cooperativas e com isso também mitigaram a concentração. de crédito etc. por conseguinte. capaz de responder às pressões econômicas a que estão submetidos. mesmo assim.197 associados. embora a área rural ainda tenha maior poder econômico. ela é o instrumento da doutrina cooperativista que objetiva "corrigir o social através do econômico". sempre mais conservadores. Cerca de 2. Em segundo lugar.024 no total. órgão de cúpula do movimento. com liderança capaz de conduzir o processo. transformando-se em bastiões aliados dos governos democráticos. em número de 1. E por fim. é uma empresa com seu viés social. e as exclusivamente urbanas. e organismo consultivo da ONU é sua parceira nesta missão gloriosa. de habitação. REVISTA JURíDICA CONSULEX . com 2. da defesa do meio do pleno emprego.como já o fizeram no passado .BR 23 . tem que crescer de baixo Para cima.654 associados. mas não é o único fator responsável. em empreendimentos mitigadores da concentração da em prol da distribuição das riquezas.que os bancos comerciais.054 associados. Tudo isso foi potencializado. é. E de repente as cooperativas. O resultado foi impressionante e agora mesmo. as cooperativas urbanas já eram 2.953. pelo vigoroso processo de globalização da economia que reproduziu os problemas verificados quando da Revolução Industrial do século XIX.WWW. embora paradoxalmente. A ACI.816." É claro que a urbanização crescente do Brasil tem muito a ver com isso. Cooperativismo é um movimento de base. e as agrícolas eram 1. como uma necessidade. com a diferença de que o lucro não é o fim em si. o que é um engano. em especial.064."As cooperativas. tudo baseado na solidariedade e ajuda mútua.- haviam desbotado? O socialismo sofreu um forte revés e o capitalismo evoluiu para o liberalismo. çonforme já referido. tem que ser eficiente e lucrativa. o cooperativismo dá provas de uma vitalidade notável: os bancos cooperativos e as cooperativas de crédito resistem muito mais à crise . o Brasil tinha 5. os países desenvolvidos. O Brasil avança neste caminho e seu cooperativismo vem crescendo bastante. são os cooperados. criar uma cooperativa sem nenhum capital é vê-Ia nascer morta. acessar novos níveis sociais. Uma cooperativa precisa de 3 condições básicas para se desenvolver de maneira positiva: em primeiro lugar.COM. Também as cooperativas de trabalho.

O cooperativismo propõe a comunhão nas sociedades coletivas.compartilhar anseios. Seus membros devem compreender. são complexas. mas também o componente da força. é isso. desejos.o que de se executar. e também um elemento que lhes é muito peculiar.pelas cooperativas não são propriamente jurídicos (podem até transformar-se nisso posteriormente). o que se nota é a presença do desejo de associar-se. muitos dos problemas jurídicos enfrentados. impactam sobremaneira as cooperativas no que tange à sua gestão. porém. de fato. E é complexo.comemora o Ano Internacional do Cooperativismo. Estas premissas. de modo geral. mas pode também ser múltipla. metas. Aliás. o que significam. trata-se de ato humano simples Cooperar é operar comunhão. ainda. sucessos e fracassos -. Sim. Ou. gestão de pessoas. as palavras de ordem: "Sozinhos não somos nada. Tanto é assim que comumente passam a ideia de que a "união faz a força". identificado com o denominado affectio societati. em especial. que é a ideia de "força". mas de gestão e. Aparentemente. exigindo de seus sócios absoluto empenho e dedicação na condução de seus interesses. Na em prática. entre duas pessoas. como as cooperativas de todos os tipos e ramos. multifacetadas. É isto o que está por trás do ideal cooperativista. . Este tipo de sociedade coletiva exige também extrema lucidez. E as sociedades coletivas. unidos podemos tudo". porque uma sociedade pode ser simples. Sociedades cooperativas carregam consigo os ideais de quaisquer sociedades . Em todas as cooperativas.

só podem atuar na cooperativa se forem produtivos. essencialmente. manifestam seus pontos de vista. A natureza jurídica da relação societária nas cooperativas é radical. estando juntos. devem observar do que são compostas. Riqueza solidária ou associativa é elemento novo. que fazem a gestão de seus interesses. como dito. Sociedades cooperativas levam isso em consideração. como ocorre nas empresas de capital. mas que compartilha os frutos do trabalho e de tudo que é gerado pelas cooperativas. Mas as cooperativas também devem se enxergar como organizações econômicas. mesmo porque. formados por seres humanos. devem ser identificados interna corpoTÍs. REViSTA JURíDICA CONSULEX . daquele que deu causa à riqueza solidária. Mas essa condição não é elemento essencial para a sua existência enquanto empreendimento econômico. ou seja. como agentes partícipes do modelo capitalista e elementos geradores de riqueza. "acordam" a todo momento. para serem atingidos. Há uma dicotomia natural entre ambos. voltar-se para seus objetivos internos. Devem. Carl Gustav Jung. Assim. Que os deuses e a doutrina cooperativista auxiliem os seres humanos a olharem para dentro. não necessitando que o Estado ou terceiro intervenha.Este é outro aspecto peculiar das cooperativas . Como preconizam a Filosofia e os princípios cooperativistas. que sustenta o empreendimento cooperativo.Diferentemente das empresas de capital. Para tanto. Emocionais. colhe também os frutos do trabalho e da dedicação. se assim for. cooperativas são empreendimentos eminentemente sociais. traz consigo um pedaço de humanidade. O cooperativismo radicaliza esta condição.• JOS~ EDUARDO G.. estabelece laços emocionais com o que produz. a concorrência elimina o solidarismo. como um prêmio alcançado pelo esforço empreendido. Seus membros. Tal conceito preconiza a possibilidade de se construir um sistema econômico não só que partilha. O cooperativismo parte do princípio de que não deve haver o conflito para que as partes. Este é o desafio enfrentado pelas cooperativas. Do contrário. porque o que se gera no seio das cooperativas carrega a identidade do homem que gerou o produto final. no caso o capital e o trabalho. de acordo com a aptidão e competência de cada um. acorda". O sistema econômico atual entende e identifica duas pessoas. O cooperativismo entende que as riquezas geradas pelo homem não devem se distanciar deste para que. sabedores de que são donos do seu negócio. se desejarem atingir seus objetivos externos. independente do aspecto positivo ou negativo desta condição. PASTORE é Mestre em Direito das Relações de Trabalho pela Pontificia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Autogestão. Com 'isso. como o nome diz. atuantes e gerarem riqueza. Dizia Jung: "Quem olha para fora. Decorre desta condição que os próprios sócios atuam como agentes naturais de solução de conflitos.Advogado trabaihista. sim. rompe-se com a ideia de conflito entre capital e trabalhd para difundirem-se os princípios da solidariedade empreendedora. e o ser humano.CONSULEX. O que se denomina de resultado positivo.BR 25----- . donos e usuártos de seu empreendimento econômico. muito bem resumido pelo fundador da Psicologia Analítica. que devem ser o fim do associativismo. cooperativas realizam autogestão.WWW.o trabalhador e o empregador -. se entendam. sonha. realizando o movimento de "olharem para dentro" constantemente. preconizado por este tipo peculiar de empreendimento econômico. Sociedades cooperativas realizam a justiça distributiva não como consequência. sócio do escritório Pastore Advogados. que forjou a história econômica dos últimos dois séculos e o modo como nossa sociedade se organizou. sentem que são a causa e o efeito de tudo de bom e de ruim que ocorre no seio da cooperativa. mas um tipo de riqueza diverso da que conhecemos. simultaneamente. um dos maiores gênios do século passado. acreditamos que muito se tem a comemorar no Ano Internacional do Cooperativismo. distante dos aspectos emocionais. Ariqueza produzida pelo sistema capitalista ainda está no campo da riqueza partilhada. enquanto resultado do esforço humano. é a consecução de seus ideais. visto que. Os conflitos internos do cooperativismo são os naturais aos humanos. deixam de existir enquanto sociedade cooperativa. se aproximem novamente. mantém sempre próximos e conectados o homem e o resultado do seu esforço e trabalho. Assim. no sentido de apaziguar os ânimos cooperativistas. A riqueza na cooperativa é também identificada como riqueza solidária. decorrente da auto gestão cooperativista. Por todo o exposto. Ou seja. Rechaça a premissa do consenso induzido e valoriza o consenso natural. mas como causa. todos os dias acordaremos . afastando-se do assistencialismo paternalista. comunicando que sócios cooperados são. Quem se envolve mais com o empreendimento cooperativo. Mas é isso que preconiza o cooperativismo. geralmente divergentes. em termos econômicos. que. Conflitos cooperativistas são sempre solucionados inseridos na premissa da dupla qualidade de seus sócios. pois possuem interesse econômico calcado na meritocracia. mesmo porque é esta sua condição medular. um sentido sutil deste aspecto. para posteriormente externarem esta mensagem em direção do mercado e não o contrário. que. um dia. Cooperativas estimulam o trabalho produtivo. uma física e outra jurídica . Um desafio imenso a ser perseguido. Sociedades cooperativas carregam aspecto psicológico peculiar. quem olha para dentro.COM. Cooperativas difundem a ideia da concorrência solidária. que deve ser compartilhada entre os humanos e não apenas partilhada. Não há espaço para a letargia laboral.

A cooperativa de Rochdale visava facilitar a produção. quando os homens precisavam se unir para enfrentar as adversidades naturais. com a união de 28 operários. participação econômica dos membros. gestão democrática. O setor cooperativista de crédito tem desempenhado papel fundamental pela inclusão financeira de milhares de pessoas em todo o País. o setor se desenvolveu e fortaleceu ao longo dos anos. à frente de um grupo de colonos europeus. sob a liderança do Médico francês Jean Maurice Faivre que. gerando o bem-estar social dos é indivíduos e comunidades onde cooperativismo um movimento que se fortalece está presente. De acordo com dados da OCB. intercooperação e interesse 26 REVISTA JURíDICA CONSULEX . A história do cooperativismo começou durante a Revolução Industrial inglesa. trabalho. DE MENEZES no mundo todo por promover o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo.312 . autonomia e independência. os ativos das 1. As normas estabelecidas pelos pioneiros de Rochdale para a organização do grupo foram analisadas e debatidas mais tarde em dois congressos internacionais promovidos pela Associação Cooperativa Internacional.500 cooperativas em todo o Brasil.7 bilhões em 2010. O mundo está cada vez mais cooperativo. a cooperação se evidencia como mola propulsora da evolução do mundo e das pessoas. transporte. as condições climáticas e lutar por sua sobrevivência e de suas comunidades. contribuindo para o fortalecimento da economia brasileira.NCIA DO COOPERATIVISMO 'PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE "O modeLo cooperativista possui uma filosofia capaz de unir crescimento econômico e bem-estar sociaL. e turismo e lazer. especial. Desde a criação da primeira cooperativa de crédito no Brasil. A primeira cooperativa surgiu em 1844. os valores do cooperativismo foram difundidos em todo o mundo e diversas pessoas foram aderindo ao movimento. abrangendo os 13 ramos do cooperativismo: agropecuário. organização que serviu de referência para a criação de novas ações coletivas. emergindo como alternativa para os trabalhadores que viviam do seu artesanato e foram prejudicados com a expansão das grandes fábricas. a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochadale. na cidade de Nova Petrópolis. produção. um dos ramos do cooperativismo se destaca pelo desenvolvimento contínuo: o crédito. Em pouco tempo. mineral. em 1902. os princípios cooperativistas foram adota dos universalmente.047 sociedades de crédito evoluíram para R$ 86. infraestrutura. no bairro de Rochdale. em uma conferência da mesma associação. constituiu a Fundação da Colônia Tereza Cristina.5 bilhões em 2011. com a crise mundial e o temor das pessoas com a oscilação do mercado financeiro. no Estado do Paraná. Dessa forma. existem 1. crédito. a primeira cooperativa nos moldes de Rochdale foi criada em 1847. no Estado do Rio Grande do Sul.-rat --~'--'I I I . saúde.Em 1995. habitacional. proporcionando a melhoria de vida de seus integrantes.. Atualmente. No Brasil.ANO XVI .W 375 . MATERIA "111I I I I DE CAPA li I ri ç I I ~Ii I I A INFLUÊ. o setor se desenvolveu e consolidou-se como uma alternativa igualitária e democrática. em Manchester (Inglaterra). nos anos de 1937 e 1966. formação e informação. aquisição e distribuição de gêneros essenciais. de acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCE). educação.1° DE SETEMBRO/2012 O pela comunidade. pois as pessoas estão percebendo o poder da cooperação para o desenvoLvimento das sociedades e dos indivíduos:' • POR JOSÉ SALVINO I iI. Nos últimos anos. com 10 milhões de associados. os princípios adotados pelo cooperativismo são o de adesão voluntária e livre. frente a R$ 68. A importância da cooperação vem desde os primórdios da história da humanidade. consumo. em sua maioria tecelões. Atualmente. mantendo os valores democráticos e igualitários defendidos pelos pioneiros de Rochdale. educacional. existem mais de 6. Desde a criação da primeira instituição cooperativista no País.Atualmente.

sob a liderança do Médico francês Jean Maurice Faivre que. com 10 milhões de associados. a cooperação se evidencia como mola propulsora da evolução do mundo e das pessoas. produção. o setor se desenvolveu e fortaleceu ao longo dos anos. em sua maioria tecelões. A primeira cooperativa surgiu em 1844.Em 1995. os valores do cooperativismo foram difundidos em todo o mundo e diversas pessoas foram aderindo ao movimento. existem 1. e turismo e lazer. emergindo como alternativa para os trabalhadores que viviam do seu artesanato e foram prejudicados com a expansão das grandes fábricas. no bairro de Rochdale. com a união de 28 operários. educação. de acordo com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). gerando o bem-estar social dos é indivíduos e comunidades onde cooperativismo um movimento que se fortalece está presente. trabalho. os princípios cooperativistas foram adotados ~niversalmente. no Estado do Paraná. gestão democrática. aquisição e distribuição de gêneros essenciais. transporte.- . constituiu a Fundação da Colônia Tereza Cristina. De acordo com dados da OCB. saúde. a Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochadale._ . existem mais de 6.ANO XVI. As normas estabelecidas pelos pioneiros de Rochdale para a organização do grupo foram analisadas e debatidas mais tarde em dois congressos internacionais promovidos pela Associação Cooperativa Internacional. em 1902.em uma conferência da mesma associação. No Brasil. participação econômica dos membros. Atualmente. Atualmente.Atualmente. educacional. quando os homens precisavam se unir para enfrentar as adversidades naturais. autonomia e independência. os ativos das 1.047 sociedades de crédito evoluíram para R$ 86. O mundo está cada vez mais cooperativo.500 cooperativas em todo o Brasil.312 26 REVISTA JURíDICA CONSULEX . habitacional. iiii- MATERIA DE CAPA A INFLUÊNCIA DO COOPERATIVISMO PARA O DESENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE "O modelo cooperativista possui uma filosofia capaz de unir crescimento econômico e bem-estar social. com a crise mundial e o temor das pessoas com a oscilação do mercado financeiro. especial. Desde a criação da primeira cooperativa de crédito no Brasil. um dos ramos do cooperativismo se destaca pelo desenvolvimento contínuo: o crédito. no Estado do Rio Grande do Sul. infraestrutura. os princípios adotados pelo cooperativismo são o de adesão voluntária e livre. Dessa forma. formação e informação. Desde a criação da primeira instituição cooperativista no País. O setor cooperativista de crédito tem desempenhado papel fundamental pela inclusão financeira de milhares de pessoas em todo o País. organização que serviu de referência para a criação de novas ações coletivas. contribuindo para o fortalecimento da economia brasileira.7 bilhões em 2010. consumo. mantendo os valores democráticos e igualitários defendidos pelos pioneiros de Rochdale. abrangendo os 13 ramos do cooperativismo: agropecuário. pois as pessoas estão percebendo o poder da cooperação para o desenvolvimento das sociedades e dos indivíduos:' • POR JOSÉ SALVINO DE MENEZES no mundo todo por promover o desenvolvimento econômico sustentável e inclusivo. em Manchester (Inglaterra). crédito. A importância da cooperação vem desde os primórdios da história da humanidade. as condições climáticas e lutar por sua sobrevivência e de suas comunidades. à frente de um grupo de colonos europeus. na cidade de Nova Petrópolis. proporcionando a melhoria de vida de seus integrantes. Nos últimos anos. nos anos de 1937 e 1966. o setor se desenvolveu e consolidou-se como uma alternativa igualitária e democrática. A cooperativa de Rochdale visava facilitar a produção. intercooperação e interesse O pela comunidade. Em pouco tempo.5 bilhões em 2011. mineral.N' 37S -1' DE SETEMBRO/2012 . a primeira cooperativa nos moldes de Rochdale foi criada em 1847. A história do cooperativismo começou durante a Revolução Industrial inglesa. frente a R$ 68.

que. Antes tidas como instituições pequenas e simples.-_. especialmente no campo tributário. a corrsolidação e a expansão do setor em todos os lugares do mundo ._-------~~ cooperativas de crédito em todo o Brasil. como um todo. 146. O objetivo é conscientizar as pessoas sobre a importância das cooperativas para a geração de empregos e para a consequente melhoria qualitativa de vida dos povos. da Constituição. em ativos administrados. com a promulgação do Ano Internacional das Cooperativas. a equiparação dos fundos garantidores de depósitos das cooperativas aos dos bancos. O setor cooperativo já está presente nos cinco continentes.CONSULEX. o que possibilitará. em 2009. composta por senadores e deputados federais simpatizantes da causa cooperativa. O mundo está cada vez mais cooperativo. em um futuro próximo. tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei do Senado na 3. REVISTA JURíDICA CONSULEX . que possibilitou a autonomia regulatória do cooperativismo de crédito. e a edição de lei complementar para regulamentar o art. O Código Civil de 2002. Muitas conquistas foram alcançadas ao longo dos anos.764/71. a edição de lei complementar que autoriza o recebimento de depósitos de entes públicos. lançando o slogan "Cooperativas constroem um mundo melhor". No campo legislativo. registrando 5.8 milhões de pessoas cooperadas. Iniciativas como a da ONU. sua importância para o desenvolvimento global e o combate à exclusão social. O cenário cooperativista do mundo está mudando. hoje as cooperativas se modernizaram e figuram como instituições fortes que geram renda e impulsionam o desenvolvimento do planeta. aos novos tempos. visa compatibilizar as regras do cooperativismo.093 a 1.COM. o movimento conta com o apoio da Frente Parlamentar do Cooperativismo no Congresso Nacional (Frencoop). também reservou um Capítulo (arts. a Organização das Nações Unidas proclamou 2012 o Ano Internacional das Cooperativas. O patrimônio líquido destas instituições cooperativistas de crédito soma R$ 15. em detrimento do lucro. o cooperativismo está em evidência não só no ramo econômico. com o maior crescimento no número de associados de todos os anos. mas ainda há muito que se fazer. as cooperativas eram regidas apenas pela Lei das Cooperativas (n° 5. O modelo cooperativista possui uma filosofia capaz de unir crescimento econômico e bem-estar social. que dispõe sobre o tratamento tributário do ato cooperativo. Ninguém mais duvida do potencial e do alcance do setor.WWW. embora pouco tenha contribuído para o aprimoramento da legislação cooperativista. um reconhecimento ao papel fundamental dessas entidades. inciso m. com R$ 92 bilhões. as quais ocupam a nona posição entre as instituições financeiras de varejo no Brasil. pois unidos os cooperativistas têm mais força e visibilidade. Dada a . pois as pessoas estão percebendo o poder da cooperação para o desenvolvimento das sociedades e dos indivíduos. Os desafios só serão superados por meio da cooperação. reúne 1 bilhão de pessoas em mais de 100 países e gera mais de 100 milhões de empregos. da Lei Complementar na 130.BR 27 .096) para o setor. em substituição à Lei na 5. Atualmente. 1. Entre os principais pontos da pauta legislativa constam: a edição da lei que permite às cooperativas o acesso direto aos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Um importante passo para o desenvolvimento do setor foi a promulgação. mas em todos os campos. Atualmente.764/71). especialmente de pequenos Municípios. o setor teve importantes conquistas nos últimos anos. Antes disso.• JOSÉ SALVINO DE MENEZES é Presidente do Sicoob Confederação. são muito importantes para quem tem no cooperativismo um modelo de gestão que valoriza o capital humano. de 2007. alínea c. que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime jurídico das cooperativas em geral. mas ainda há muito que ser feito para disseminar a cultura cooperativista e seus benefícios. Para auxiliar na defesa e na construção dos avanços do setor.9 bilhões.

e reinvestidos na região em que vivem. As cooperativas estão entre os empreendimentos econômicos que mais se desenvolvem no mundo moderno. Finalmente. como instrumento de desenvolvimento econômico e social. uma vez que os resultados gerados pelas 28 REVISTA JURíDICA CONSULEX . crédito. Existe hoje um bilhão de cooperativistas espalhadas em 100 países diferentes.- MATERIA DE CAPA \_- COOPERATIVISMO BENEFíCIOS PARAASSOCIADOS SOCIOECONÔMICO E DESENVOLVIMENTO PARA O PAís "Trazendo em sua essência um sistema econômico baseado na cooperação entre as pessoas. as cooperativas e o cooperativismo.l' DE SETEMBRO/2012 A cooperativas são repassados aos associados. os donos do negócio.o sistema cooperativista corresponde a praticamente 6% do PIE nacional. na redução da pobrezâ. as cooperativas de crédito surgem como alternativa de inclusão financeira. o que evidencia sua importância para o desenvolvimento socioeconômico e para os associados. o que permite compreender porque as cooperativas são cada vez mais consideradas empreendimentos econômicos e estratégicos. turismo e infraestrutura. por contribuírem para a segurança alimentar.N' 375 . trabalho. destacando-se como excelente ferramenta de desenvolvimento socioeconômico. também. já que oferecem crédito a baixo custo e de forma mais acessível que os bancos. o cooperativismo tem muito a contribuir para a construção do mundo que almejamos:' • POR GISLAINE CARESIA vimento da sociedade. enquanto doutrina. Segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). proporcionalmente ao volume das suas operações. consolidando-se de forma definitiva em setores como consumo.. . o desenvolvimento rural e outros serviços sociais. em tempos de dificuldade de crédito por conta da turbulência dos mercados internacionais. a Organização das Nações Unidas proclamou 2012 como o Ano Internacional tenta ao impacto das cooperativas desenvoldas Cooperativas. habitacional.llãOãpenas por serem fornecedoras de oportunidades de trabalho para os grupos marginalizados. fortalecendo a economia local. No Brasil. consequentemente. viveram uma verdadeira explosão de crescimento no último século e hoje têm presença marcante nas mais diversas áreas da economia. as quais respondem pela geração de 100 milhões de empregos diretos. pesquisas comprovam que onde se encontram as cooperativas o Índice de Desenvolvimento Humano é maior. Outro fator a se considerar é que. Entende-se que no este sistema permite melhor distribuição da riqueza.ANO XVI . Esse é mais um motivo que reforça a decisão da ONU de combater os efeitos da crise mundial com a disseminação e consolidação dos princípios que norteiam a atividade cooperativista em todo o mundo. A iniciativa da ONU reforça o papel das cooperativas na geração de trabalho e renda e. auxilia no combate à pobreza. mas. agropecuário.

a Presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei n° 12. que regulamenta a atuação das cooperativas de trabalho no País. a doutrina cooperativista ainda é pouco estudada e difundida. que pretende incentivar o desenvolvimento do setor.br/artigos. Apesar desses fatos e características.br/agencias-da-onu-Iancam-ano-internacional-das-cooperativas-2012 >.br/default. não podem ser reguladas pelo antigo Direito Comercial. GRANDE. 2012).BR 29 . particularmente dentro das universidades.php&id=1 01>. que estebelece: A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. citando-se como um dos mais relevantes o § 2° do art. caput). que as define como" [. O Ano do Cooperativismo. Folha de S.12. Paulo de 2B de julho de 2006. Por essa razão. de natureza civil. Edivaldo.onu. Trazendo em sua essência um sistema econômico baseado na cooperação entre as pessoas.CONSULEX. não sujeitas afalência [. vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego. o setor conta com o apoio dos governos federais e estaduais para disseminar os benefícios do cooperativismo. nos contratos de prestação de serviços de forma continuada ou eventual.As cooperativas são sociedades de pessoas e não de capital. seus sócios e o mercado. 3° da norma dispõe: "Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica. Cooperativas constroem um mundo melhor. as cooperativas se organizam com um objetivo de caráter econômico. O art.cptLcom. dentro do chamado Direito Cooperativo. Arnaldo.WWW. tanto em caráter nacional como internacional. medida que em muito colaborou para o aumento da consciência pública sobre esta espécie de sociedade de pessoas e os inegáveis benefícios que propicia aos associados e ao desenvolvimento social e econômico do País. 174. Publicado em 03. Foi neste sentido que. ressalta-se. nem apenas pelo Direito Civil. Disponível em: <www. Coordenadora do Curso de Direitodo Cooperativismoda EscolaSuperiorda Advocacia (ESA)e Presidente da Comissão de Cooperativismoda OAB-SP.. gerentes de recursos humanos e outros profissionais especializados. modernos estudiosos.690/12. 4°.• CARESIA.Gislaine. As cooperativas são regulamentadas pela Lei federal nO5. Ano Internacional das Cooperativas 2012.br/site/opiniao-do-deputado/ index. de proveito comum.2012).. o Direito Cooperativo e os profissionais do Direito. sem objetivo de lucro".2007). Para os mais . Publicado em: 13. DEI. poáanto. As sociedades cooperativas estão subordinadas a uma ordem jurídica própria. Há.05.org.arnaidojardim. Publicado em: 11. trazendo segurança jurídica à relação entre cooperado e cooperativa. vertente recentemente elaborada e ainda pouco conhecida pelos profissionais do Direito.com.COM. além do respaldo das Nações Unidas. Disponível em: <http://www.coop. livre e fraterna (DELGRANDE. contempla as sociedades cooperativas por meio de vários dispositivos. de profissionais que possam conferir às cooperativas assessoria jurídica especializada. PESQUISAIBGE(IDH). em comunhão com a Política de Estado ditada na Carta Maior.690/12. são poucos os economistas. justamente por carregarem elementos diferenciados dos das demais espécies de sociedade. php?id>. visando à partilha dos resultados dessa atividade entre os membros cooperados. Como possuem característica 'sui generis conforme a própria lei as define -.php?p=noticias. com o intuito de avançar na definição de marcos regulatórios e políticas públicas favoráveis ao seu desenvolvimento (JARDIM.]" (art. o tema "cooperativas" está inserido em um campo próprio. Em 2012. JARDIM. carência de profissionais com formação específica para guarnecer o sistema cooperativista e. embora sejam estruturas híbridas.12.] sociedades de pessoas. REFER~NCIAS com forma e natureza jurídica próprias.764171.asp>. foi a criação do Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (Pronacoop). que conhecem a doutrina cooperativista (CARESlA. Sem embargo. contadores. A-3. Como podemos notar. No atual mercado de ultracompetitividade. o cooperativismo tem muito a contribuir para a construção do mundo que almejamos. Dísponível em: <www. estabelecem a reflexão da elevação econômica de seus associados por meio do fomento e convergência dos interesses coletivos.11. acertou a ONU ao proclamar 2012 como o Ano Internacional das Cooperativas. as cooperativas ajudam a equilibrar forças buscando construir uma sociedade mais justa. recentemente. A Constituição Federal de 1988. p.ano2012..11.01. Além disto.07. Publicado em: 04.01. inclusive advogados. REVISTA JURíDICA CONSULEX . Disponível em: <http://www2. ONU Brasil. também. Outra novidade trazida pela Lei nO12. GISLAINE CARESIA é Mestre em Direito Internacional pela Universidade Católica de Santos e Especialista em Direito Cooperativo pela Uníversidade de Coimbra. o que evidencia sua importância para o desenvolvimento socioeconômico e para os associados. O norrnativo disciplina a relação entre a cooperativa.

çã. educacidIial.registr~ um resultado reêo~~em vendas ao exterior!I1o:an. Dentre outros objetivos da ONU.~Qp-erativismotem se oonsolidado€Omo fonte de rendàt~J:BserçãO social pam: um universo cada vez maior de p~~.Qser-!1um~o.~eral.:.necessita do outro para garantir sua sobrevivência:e desenvolvimento.stiu. • Promover a criação e o crescimento de cooperativas e ações para atender às necessidades socioeconômicas do setor. ~nstituída oficialmente a primeira cooperativa que i:i1stitui~a prática dácoopi3ti:1. do trabalho de articulação da Aliança Cooperativa Internacional.. principalmente.·t. a Organização das Nações Unidas instituiu 2012 o Ano Internacional das Cooperativas.teesforços ~ o ser humano~-como ser enCia e desenvolvimento. .rasileiras (OCB)~em 13 ramos: io.·-i<::·o .elimihação dos intermediários dasrelaçóeseeonômicas." L1N om o principal objetivo de promover o cooperativismo em todo o mundo.N" 375 -1· DE SETEMBRO/2012 . espera-seque seja criado um ambiente >mentoedes~nvolvim~ntodas cooperativas. uniãoc:..ngrega cooperativas dos cinco continentes. a comunidade fundamental das cooperativas na promoção do desenvolvimento socioeconômico de milhões de pessoas em todo o mundo. crédito. habif~oÍlal. pois.a.8% e~làÇão a2010 ((JS$4.B.4 bilhõeskOíidados são do MinistériêÚlo Desenvolvimento. a democracia e paz. destacam-se t~bém: • Aumentar a consciência pública sobre as cooperativas e os benefícios que trazem para seus membros. có~o. necessita do outro para garantir sua sob • POR PAULO GONÇALVES a mútua.Õnscieh~ção dos povos em ~portantes contribuições.CrElScimento e sustencooperativas. Aiít~opera1ivaSbrasileiras.iIifraestrutunl.. após a crise americana que se alastrou por vários meses deixando apreensiva toda a econonria'mundial. percebeu-se que o mesmo é:~lnOdelO sustentável de negócio .sempre existiLf~ social. lançando o slogan "Cooperativas constroem um mundo melhor".. Essa conquista é fruto. leis e que levam à criação. sempreeJ9. Ressalta-se que o cooperativismo é Um fenômeno mundial e estima-se que 4 bilhões de pessoas estejam direta ou indiretamente vinculados a este movimento. '\ ~ papel Assim. Em '1844.QijwsanC::lQ à. saúde.ode'2011. órgão máximo de representação do cooperativismo. internacional reconhece ~. especial.com~scimentó de 39. ajuda mútlia. em Mãnchester (inglaterra). 'a promoção di'é. • Promover a conscientização na rede global$obre o cooperativismo e seus esforços para fortalecer as comunidades.d~_~perativas para trabalhoerenclacom a conseqUente melhoria qualiui~de vida dos povos .ANO XVI. As cooperativas' estão dassificadas pela Organizaca:fiiiIlasCooperativas. Indústria'e Comércio Exterior. trab_iúansportei e turismo elazer. 'W'odução. União de esfo~ para'atingirum objetivo comum. O movimento cooperativo ganhou repercussão. alcançando uSt~bilhões emexpertaçõéS. durante a crise.. 30 REVISTA JURíDICA CONSULEX . os governos a estáb:êleG~m políticas."Acooperaçàb-entendidâcomo trabatfib em'equipe~ para atingir um objetivo comul'lJ. Aéooperação entendida como trabalho em equipe. a contribuição para o desenvolvimento social e econômico e a integl'ação com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. em especial. O cooperativismo ganhou destaque internacional pois. que co. . comô sêr~. no bairro de Rochda1e. O G.

Os membros contribuem equitativamente para o capital das suas cooperativas e controlam-no democraticamente. Dispõe sobre a criação e o funcionamento Aprovada em 2002. . REVISTA JURíDICA CDNSULEX .690/12 PAULO GONÇALVES UNS VIEIRA é Advogado. Estabelece que não existe víncuio de emprego entre os cooperados nem entre estes e os tomadores de serviços da cooperativa. DIREITO COOPERATIVO Segue as principais normas que regem o cooperativismo no Brasil e no mundo: NORMATlVA Lei n° 5.CDNSULEX. Estabelece o registro das cooperativas na Junta Comercial dos Estados. . que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros.096). . estabeleceram normas e metas. políticas e religiosas. Estendeu alguns benefícios do Estatuto das Micro e Pequenas empresas às cooperativas.As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros.Adesão voluntária e livre . Durante um ano. que trouxe um Capítulo específico sobre sociedades cooperativas (arts. inspirados nos Pioneiros de Rochdale: .Educação. sociais. nacionais e internacionais. Organizador de eventos.715/98 Lei n° 9. Autorizou a criação do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP) . controladas pelos seus membros. Dispõe sobre o cooperativismo de crédito. Especialista em Direito do Trabalho 'e em Direito Tributário.As cooperativas são organizações democráticas. raciais. os trabalhadores poderiam negociar as condições de consumo. Os empreendimentos cooperativos são regidos por 7 princípios universais.020/09 Lei nO12.Membro e Secretário-Geral da Comissão de Cooperativismo da OAB-SP.CDM.Intercooperação .As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades na forma de políticas aprovadas pelos membros. regionais. Dispõe sobre a organização e funcionamento organização do trabalho.406/02 OBSERVAÇÕES A principal legislação brasileira sobre cooperativismo. Membro do Conselho Editoriai da OCESP.764/71 Constituição da República Federativa dQ Brasil de 1988 Lei n° 8. na Conferência da OIT.867/99 Recomendação n° 193 da OIT Lei nO10. A Constituição em diversos dispositivos trata do cooperativismo. Tal conceito foi definido pela Aliança Cooperativista Internacional. trabalhando em conjunto por meio de estruturas locais. Lei Complementar n° 123/06 Lei Marco para as Cooperativas da América Latina Lei nO12.. Autor de diversos artigos e publicações na área juridica. COOPERATIVAS CONCEITO E PRINCípIOS Cooperativa é uma associação autônoma de pessoas unidas voluntariamente para fazer frente às suas necessidades e aspirações econômicas.349/10 Lei nO12. . Coletivamente.093 a 1.WWW.Participação econômica dos membros . eficazmente. Estabelece quais cooperativas não podem fazer doações para candidatos ou partidos políticos. uniu-se para adquirir coletivamente bens de consumo.Autonomia e independência .BR 31 .Consultor Jurídico da Federação dos Sindicatos das Cooperativas do Estado de São Paulo (FESCOOP-SP). controladas pelos seus membros. buscando melhores preços.Gestão democrática . na sua maioria tecelões. das cooperativas que atuam na _ Américas.o grupo formado por 28 pessoas. de ajuda mútua. . Veda que a Administração Pública restrinja a participação de cooperativas em licitações públicas.As cooperativas são organizações voluntárias.934/94 Lei nO8.As cooperativas são organizações autônomas. fizeram o planejamento. sem discriminações de sexo. 1. de forma que estes possam contribuir.As cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo. para o desenvolvimento das suas cooperativas. das cooperativas sociais.949/94 Medida Provisória n° 1.034/09 Lei Complementar n° 130/09 Lei nO12. Aprovado em 2008 pela Aliança Cooperativa InternacionalReconhece as cooperativas educacionais. Coordenador Jurídico e paiestrante da Organização das Cooperativas do Estado de São Pauio (OCESP)e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de São Pauio (SESCOOP-SP). guardaram recursos e investiram capital para dar início ao funcionamento da sociedade que recebeu o nome de Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale.Interesse pela comunidade . formação e informação . Trata-se do novo Código Civil. sociais e culturais comuns por meio de um empreendimento de propriedade conjunta e democraticamente controlada. . quantidade e qualidade dos produtos. prazos. dos representantes eleitos e dos trabalhadores.Professor de Pós-Graduação da Escola Superior da Advocacia (ESA).

chegaram a R$ 40 bilhões. 192 da Constituiçã' Federal. Tem regime tr· butário próprio baseado no conceito de ato cooperativo.000 cooperativas alcançaram. o que equivale a uma participação de mercado de 2. COOPERATIVISMO E O SISTEMA "O Ano Internacional DE CREDITO NACIONAL FINANCEIRO das Cooperativas tem significado especial à medida que ai cooperativas de crédito se fortalecem e tendem a equiparar-se a modelos existentel em países de alta renda. que versa sobre o Sistema Financeiro Nacional. por sua vez. de maneira inédita. O futuro requer mais cooperação. faz alusão à organizaçã .- MATERIA DE CAPA . As operações de crédito.764/71. em julho de 2012. qu afasta a incidência de tributos sobre as receitas de transaçõ realizadas entre o associado e a sua entidade. as cooperativas são organizadas na forma prevista na Lei n° 5. que é responsável também por sua supervisã estando a regulamentação submetida ao Conselho Mon tário Nacional. São sociedades de pessoas. também têm repercutido no maro regulamentar do segmento. a cifra de R$ 92 bilhões.4%. a novidade regulatória mais significativa do últimos anos foi a Lei Complementar n° 130/09. deve ser autorizada pelo Banco Centr do Brasil. co as devidas adaptações. sem fins lucrativos. Hoje..595/64. de ser anualmente rateado entre os associados. A constituição de cooperativas de crédito. Em meio aos 6. Trata-se d primeiro ato de regulamentação do art. os ativos por cerca de 1. As deliberações em assembleia são orientadas pela regra de um cooperado. nos termo: da Lei n° 4. atendida destinação para as reservas previstas estatutariamente.5 milhões sistema cooperativo deadministrados crédito brasileiro vem de associados. prevalecendo a participação democrática. Contudo. A rede de atendimento presencial está próxima dos 5 mil pontos. com viés de alta. denominado sobras ou perdas. Ess expediente. O resultado gerad no exercício social. as exigências regulamentares aplicá! veis às cooperativas são muito próximas às dos bancos. Do ponto de vista societário. dirigidas pelos próprios associados e não sujeitas a falência. um voto. O tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário. Estamos no rumo certd • POR MARCO AURÉLIO ALMADA E CARLOS ALBERTO DOS SANTOS O passando por uma consistente fase de desenvolvimento e crescimento.

como bancos cooperativos. impulsionando o desenvolvimento. com a elevação do nível de emprego e renda. ganhos de escala e. o Brasil evoluiu significativamente ao garantir tratamento diferenciado a esse segmento empresarial e ao incentivar os pequenos negócios. Somam-se oportunidades de negócios decorrentes dos investimentos em infraestrutura e os megaeventos esportivos programados para o Brasil nos próximos anos. introduzindo. permitindo que.CONSULEXCOM. Tal prerrogativa tem alterado significativamente o perfil das cooperativas em atividade. 179) e a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas (Lei Complementar nO 123/06) foram decisivas para isso. repleto de possibilidades. simultaneamente. Por meio das cooperativas de crédito. estimulada pela redução dos spreads por parte dos bancos públicos. A maior oferta de crédito. diante da melhoria das condições comerciais. a taxa básica de juro. além de promover a inclusão financeira de muitos empreendedores. de atendimento financeiro amplo e diversificado. oferta de amplo portfólio de produtos e serviços. como o maior estímulo à participação dos empreendimentos de pequeno porte nas compras públicas e os milhares de brasileiros que evoluíram social e economicamente. Os desafios para uma expansão sustentável do cooperativismo de crédito brasileiro são muitos. Dessa forma. as cooperativas de crédito têm se posicionado como entidades financeiras de proximidade. principalmente para o setor imobiliário e as pessoas jurídicas de pequeno porte. que atua em parceria com as organizações do setor para tomar o ambiente mais favorável aos pequenos negócios.com vários produtos financeiros e canais de atendimento. como Copa do Mundo de Futebol e Olimpíadas. a exemplo do que já acontece nos países desenvolvidos. ampliando a abrangência do regime a milhares de empresas de pequeno porte e microempresas. Nos últimos anos. Esse dispositivo legal tornou viável o recolhimento de diversos tributos em uma única guia. diretor-técnico do Sebrae Nacional. tendo à frente grandes organizações como os bancos cooperativos Bancoob e Bansicresi.BR 33 . diversos benefícios previdenciários. nos últimos anos. Embora a maioria delas seja constituída de pessoas físicas. Desde meados de 2009. Nesse formato organizacional.incentivado pelas autoridades . à medida que as cooperativas de crédito se fortalecem e tendem a equiparar-se a modelos existentes em países de alta renda.. cerca de 2."sistêmica" das cooperativas. O futuro requer mais cooperação. Estamos no rumo certo! • MARCO AURÉLIO ALMADA é Presidente do Bancoob. preenchem a lacuna deixada pelos bancos tradicionais. e da maior concorrência no mercado financeiro. Assim. reduzindo o custo e a burocracia. 20% são empresas. de quadro social misto e de livre admissão de associados. de entidades e empresas não cooperativas.317/96. Aforça cooperativa com sua abrangente capilaridade. a figura das cooperativas de empresários. O setor avança com estratégias próprias para maior eficiência e competitividade. os pequenos negócios obtêm o insumo necessário à sua consolidação. gradativamente. societariamente. diante das sucessivas quedas da Selic. outra iniciativa que estimulou de forma decisiva esse ambiente de negócios foi a minirreforma tributária introduzida no país por meio do Simples Nacional. evoluindo favoravelmente diante dos desafios a superar. em última análise. No ano passado. a Lei Complementar nO 139/11 permitiu elevar os limites de receita bruta. Anos antes. com ele. desenvolvam o papel. DESAFIOS AO FORTALECIMENTO Colaboram também para o viés de crescimento do cooperativismo de crédito as medidas para manter a eco. torna o cenário ainda mais desafiador e. cresceu também a participação dos pequenos negócios nas compras públicas. conforme pesquisa sobre o perfil dessas cooperativas realizada neste ano pelo Sebrae. cuja atividade lhes seja complementar. Desde então. PEQUENOS NEGÓCIOS EM COOPERATIVAS A evolução regulamentar propiciou maior liberdade associativa às cooperativas de crédito. as cooperativas de primeiro grau (singulares) organizam cooperativas de segundo grau (centrais). nomia brasileira aquecida e a inflação sob controle.5 milhões de trabalhadores autônomos conquistaram cidadania econômica ao obter o CNPJ e. instituindo o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. atendimento mais qualificado ao conjunto dos associados. com base regional. o Ano Internacional das Cooperativas tem significado especial. sobretudo. devido aos milhares pontos de atendimento em todo o País.WWW. A Constituição Federal (art. o ambiente legal mais favorável aos pequenos negócios ganhou impulso ainda maior com a instituição da figura jurídica do Empreendedor Individual (Lei Complementar nO 128/08). Tal arranjo permite maior racionalidade operacional. além de agilizar a arrecadação. Participam ainda. Ambas preveem que os Municípios lhes concedam tratamento jurídico diferenciado para incentivá-Ias pela simplificação de suas obrigações ou pela eliminação ou redução delas. e fortemente identificadas com o seu quadro de associados. à medida que concentram os recursos na região com uma distribuição de renda mais igualitária. em especial. e essas criam as cooperativas de terceiro grau (confederações).de reguladores de preços de mercado. das quais 70% são de pequeno porte. além da Confederação que reúne as cooperativas da economia solidária e da agricultura familiar. O crescimento do sistema cooperativista de crédito é realidade irreversível e promissora no Brasil. Nessa perspectiva. para fins de opção pelo Simples Nacional. instituído pela Lei n° 9. que virou a página da informalidade no País. elas contribuem para dinamizar a economia local. a partir de 2002/2003. além da melhoria do ambiente de negócios. CARLOS ALBERTO DOS SANTOS é Economista. REVISTA JURíDICA CONSULEX .

cuja ap icação não consta exp-ressamente como senâo de exclusividade dos celetistas.N° 375 -1° DE SETEMBRO/2012 ... DlII :onm "-''''1 J. Contudo.....ANO XVI .•• ' 34 REVISTA JURíDICA CONSULEX .

a legislação de saúde suplementar encontra amparo jurídico na Constituição Federal de 1988: Art. A polêmica se instala na primeira hipótese excepcionada! Quais seriam as cooperativas de assistência à saúde. se bem gerenciada. Sob o ponto de vista dos tomadores de serviços das cooperativas. Um breve histórico da experiência vivenciada na última década pelo Judiciário Trabalhista e a atuação insensível do Ministério Público do Trabalho levaram o legislador a tentar assegurar certa estabilidade social. Eis a saúde suplementar. os custos deverão ser adaptados. pela função social que carrega. REViSTA JURíDICA CONSULEX . além das operadoras de planos privados. não há vínculo empregatício entre a cooperativa de trabalho e seus sócios. Em primeiro lugar. como excetuadas de sua aplicação. Doutor e Mestre em Direito do Trabalho pela Universidade Mackenzie. o governo . trará maior conforto aos tomadores de serviços. sendo que o cenário que se começa a desenhar é que os meses de adaptação se tornaram prazo de discussão. em curto ou médio prazo as cooperativas de trabalhá deverão deliberar pelo seu enquadramento dentro do novo modelo e a discussão. 442 da CLT. Tal dispositivo leva o intérprete a crer que as cooperativas que vierem a cumprir a Lei serão mais seguras. cumpre esclarecer que saúde suplementar consiste em todo atendimento privado de saúde. tendo em vista algumas controvérsias trazidas com a sua edição.• SÓLON CUNHA é Advogado do escritório Machado Meyer Advogados. de total importância.. análogas às sindicais. inclusive no local em que os serviços vierem a ser prestados. contida no inciso I do parágrafo único do art. 24 da Lei n° 8.CONSULEX. segundo diretrizes deste. não afastará a apreciação do Judiciário e nem trará a segurança jurídica que se buscou desde o início. 1°. realizado ou não por meio de um convênio com um plano de saúde. mostrando aos atores sociais nesse segmento que a cooperativa não é sinônimo de confusão e que cooperados não são desamparados. [. mediante contrato de direito público ou convênio.. ]. mostrando aos atores sociais nesse segmento que a cooperativa não é sinônimo de confusão e que cooperados não são desamparados:' para pagamentos de direitos e riscos diversos. A Lei n° 12. pois autoriza o sistema público a recorrer ao privado. do que as demais prestadoras do setor. ao dispor sobre as condições para a promoção.690/12 reconhece á solidariedade do tomador no que diz respeito ao cumprimento das normas de segurança e medicina do trabalho. Observa-se que as cooperativas que prestam serviços de saúde.COGEAE. nem entre estes e os contratantes de serviços daquela". no Brasil. considerando o poder de gestão conferido pela Lei à Assembleia. A Lei nO 12.COM. proteção e recuperação da saúde. visando sanar o déficit do atendimento à saúde da população. do art. tendo preferência as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. dentro do sistema de saúde suplementar. Afasta a mera intermediação e pune a contratação de mão de obra subordinada. ainda que de forma indireta.representado pelo Ministério da Saúde -. pois sujeitam-se à fiscalização pelo órgão regulatório daANS. com a apreciação do PL na 4. quanto à aplicação da Lei.WWW. Contudo.que elenca as cooperativas de assistência à saúde. difícil crer que os trabalhadores votarão contra a mudança. quanto a essas cooperativas. à ótica do risco para o tomador e para as cooperativas. as seguradoras e os prestadores de serviço de assistência à saúde. reforça esse entendimento. a Agência Nacional de Saúde Suplementar e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária.080/90. podem ser inseri das no conceito transcrito no inciso I. estipula prazo de 12 meses para que as cooperativas se adaptem às questões ali reguladas. § 10 As instituições privadas poderão participar de forma complementar do sistema único de saúde. Uma destas. o art. "Um breve histórico da experiência vivenciada na última década pelo Judiciário Trabalhista e a atuação insensível do Ministério Público do Trabalho levaram o legislador a tentar assegurar certa estabilidade social. além da forma de organização e o funcionamento dos serviços correspondentes. Pós-Graduada em Direito do Trabalho pela Pontificia Universidade Católica de São Pauio (PUC-SP). na forma de legislação de saúde suplementar? Seriam cooperativas de profissionais da saúde? Qual o limite imposto pela forma.690/12. Interessante notar que.690/12. Aassistência à saúde é livre à iniciativa privada. que decidirá se os estatutos serão adaptados e os direitos assegurados. Sem contar que a faculdade de serem estabelecidas "provisões" financeiras Com efeito. dentro da legislação de saúde suplementar? Da mesma forma. por fim. na forma de legislação de saúde suplementar. não obstante o veto à revogação do parágrafo único do art. é a exceção. o projeto afirma que "uma vez cumpridos os termos da norma. Por certo. CAROLINE MARCHI é Advogada do escritório Machado Meyer Advogados. 199. 10. em uma sociedade contemporânea de deslumbrado aquecimento econômico. Estão presentes dentro do cenário da Saúde Suplementar."centrais". parágrafo único.BR 35 .da Lei na 12.622/04 .

trabalho sérias. Como o princípio da primazia da realidade dos fatos impera no Direito do Trabalho. inicÜllmente dezenas..1. o tipo societário passou a ser deturpadamente utilizado para fins fraudulentos por inúmeros empresários. vislumbrou-se um pseudocooperado laborando para um empresário sob os requisitos da norma celetista. descanso anual remunerado. Muitos dos procedimentos de investigação culminaram em ações civis públicas com pedidos de abstenção de fornecimento de mão de obra por meio de cooperativas e. enquanto que a Lei n° 5. tais como o recebiment do piso da categoria ou salário.690. 36 REVISTA JURíDICA CONSULEX . depois centenas e finalmente milhares de trabalhadores inauguraram reclamações trabalhistas em face das sociedades cooperativas e dos tomadores dos seus serviços. descansl semanal remunerado. de forma não eventual e com pessoalidade. 5°).. as sociedades cooperativas do ramo de trabalho passaram a receber maior atenção a partir da inclusão do parágrafo único no art. Neste cenário. Ademais. de acordo com o previsto em lei e no Estamto Social. notae mente porque a simples menção ao termo "cooperativa trabalho" emprestava certa marginalidade aos seus atofl É verdade que já houve e ainda existem cooperativas. ao invés de um rena cimento. muitas empresas começaram a demitir seus funcionários e contratá-los apenas e tão somente por meio de sociedades cooperativas.690/12. mas infelizmente são incapazes de abal positivamente as estatísticas. implicando a instauração de um sem-número de procedimentos preparatórios de investigação. o número mínimo de sócios foi alterado. logrando alçá -los ao status de empregadores. castrando direitos de trabalhadores das mais diversas categorias econômicas. agasalhados pelo manto de supostos cooperativistas. jornada de trabalho não superior a 8 horas diárias e 44 horas semanais. Dentre as principais inovações da novado legis. os chamados PPls. que muito contribuíram para a formação da alcunha que ora se pretende desconstruir. e de inquéritos civis públicos. A partir do transbordamento dos interesses individuais. Em outras palavras. está garantia de diversos direitos sociais. muitas vezes. passando a ser exigidos pelo menos sete associados para a constituição da cooperativa.764171 exigia o mínimo de vinte cooperados. A nova Lei. segun de acidente de trabalho. especialmente em virtude da forte conduta do Ministério Público do Trabalho em busca da cessação das fraudes perpetradas. em virtude do aperfeiçoamento dos elementos descritos na norma na relação fática. Com a declaração da inexistência de vínculo empregatício inserto na norma celetista. malvistas pelo Ministé Público do Trabalho e pelo Poder Judiciário Trabalhista campo antes fértil tornou-se ácido. a preservação dos interesses sociais e a efetiva participação dos sócios cooperados em todos os níveis de gestão da cooperativa. cujos coordenadores já laboravam sob as mais efu'ersas nomenclaturas. A eleição de um coordenador escolhido pelos próprios cooperados para organizar e coordenar as atividades dos demais sócios é um avanço e legaliza a prática das sociedades cooperativas constituídas ames do marco legal.mínimo. que poderão definir a constituiçãe de fundos de custeio em Assembleias Gerais. ou seja. entretanto. a qual deverá ser constituída por sócios para a prestação de serviços especializados a terceiros sem os pressuposIOS da relação de emprego. fixação de indenização por dano moral coletivo causado pela má utilização do instituto cooperativista. No art. Apenas para lembrar. na medida em ql estas terão de se reinventar para a adequação das nOVé exigências legais à realidade do mercado de trabalho e necessidades empresariais. mediante subordinação jurídica. pagamento de salário. Todos os direitos deverão ser garantidos aos sócios dai cooperativas de trabalho. Referido dispositivo legal estabelece que não existe vínculo de emprego entre a cooperativa e o cooperado e nem entre este e o tomador dos serviços. além de exigir a eleição de um cooperado i \ . MATERIA DE CAPA COOPERATIVAS DE TRABALHO GÊNESE OU RENASCIMENTO? • FABIO GODOYTEIXEIRA DA SILVA o último dia 20 de julho de 2012. A proibição de que as cooperativas de trabalho sejam usadas como veículo para intermediação de mão de obra subordinada está expressamente prevista no novo texto legal (art. adicionais por horas noturnas e po atividades desempenhadas em ambiente insalubre ou peri goso. o que legitimamente espanca e obsta a criação das malfadadas cooperativas multiprofissionais. Em razão disso.. Por esta razão. Dilma Rousseff.690/12 pode ser considera( a gênese das cooperativas de trabalho. ainda. a edição da Lei n° 12. gesto r ou mesmo coordenador. cuidando especificamente do funcionamento das Cooperativas de Trabalho. subtraindo-lhes todos os direitos trabalhistas de outrora. 4° da Lei n° 12. em diversas atividades o reconhecimento do vínculo de emprego passou a ser voz corrente no Poder Judiciário. como líder. o Ministério Público do Trabalho começou a investigar as relações de trabalho mantidas entre trabalhadores cooperados e tomadores dos serviços. A nova Lei também privilegia a não precarização do trabalho.\ . o que encerrava verdadeira relação empregatícia. Assim. a Presidente da República. 442 da Consolidação das Leis Trabalhistas. sepultando o desiden doutrinário e universal do sistema cooperativista. sancionou a Lei nO 12.ANO XVI. as sociedades cooperativas de trabalho de serviços minguaram e aproximaram -se da extinção. consta a definição das cooperativas de trabalho de serviços.N' 375 -1' DE SETEMBR0/2012 Repudiadas pelos empresários.

gestor ou mesmo coordenador. castrando direitos de trabalhadores das mais diversas categorias econômicas. o que legitimamente espanca e obsta a criação das malfadadas cooperativas multiprofissionais. depois centenas e finalmente milhares de trabalhadores inauguraram reclamações trabalhistas em face das sociedades cooperativas e dos tomadores dos seus serviços. Por esta razão. tais como o recebimento do piso da categoria ou salário. pagamento de salário. preservação dos interesses sociais e a efetiva participação dos sócios cooperados em todos os níveis de gestão da cooperativa. o campo antes fértil tornou-se ácido. em diversas atividades o reconhecimento do vínculo de emprego passou a ser voz corrente no Poder Judiciário. muitas vezes. 5°). Dentre as principais inovações da nova tio legis. agasalhados pelo manto de supostos cooperativistas. Assim. É verdade que já houve e ainda existem cooperativas de trabalho sérias. Muitos dos procedimentos de investigação culminaram em ações civis públicas com pedidos de abstenção de fornecimento de mão de obra por meio de cooperativas e. que muito contribuíram pata a formação da alcunha que ora se pretende desconstruir. 442 da Consolidação das Leis Trabalhistas. Dilma Rousseff. ainda. descanso semanal remunerado. vislumbrou-se um pseudocooperado laborando para um empresário sob os requisitos da norma celetista. adicionais por horas noturnas e por atividades desempenhadas em ambiente insalubre ou perigoso. Ademais.690. o tipo societário passou a ser deturpadamente utilizado para fins fraudulentos por inúmeros empresários. Trabalho.ANO XVI. inicialmente dezenas.l' DE SETEMBR0/2012 . notadamente porque a simples menção ao termo "cooperativa de trabalho" emprestava certa marginalidade aos seus atores. passando a ser exigidos pelo menos sete associados para a constituição da cooperativa. o Ministério Público do Trabalho começou a investigar as relações de trabalho mantidas entre trabalhadores cooperados e tomadores dos serviços.764/71 exigia o mínimo de vinte cooperados. Como o princípio da primazia da realidade dos fatos impera no Direito do Trabalho. e de inquéritos civis públicos. a edição da Lei nO12. enquanto que a Lei nO5.690/12. A proibição de que as cooperativas de trabalho sejam usadas como veículo para intermediação de mão de obra subordinada está expressamente prevista no novo texto legal (art.. cuidando especificamente do funcioúltimo das dia Cooperativas 20 de julho de a Presidente namento de 2012. A partir do transbordamento dos interesses individuais. Todos os direitos deverão ser garantidos aos sócios das cooperativas de trabalho. de forma não eventual e com pessoalidade. seguro de acidente de trabalho.690/12 pode ser considerada a gênese das cooperativas de trabalho. A eleição de um coordenador escolhido pelos próprios cooperados para organizar e coordenar as atividades dos demais sócios é um avanço e legaliza a prática das sociedades cooperativas constituídas antes do marco legal. mediante subordinação jurídica. as sociedades cooperativas do ramo de trabalho passaram a receber maior atenção a partir da inclusão do parágrafo único no art. as sociedades cooperativas de trabalho de serviços minguaram e aproximaram -se da extinção. cujos coordenadores já laboravam sob as mais diversas nomenclaturas. muitas empresas começaram a demitir seus funcionários e contratá-los apenas e tão somente por meio de sociedades cooperativas. o que encerrava verdadeira relação empregatícia. a qual deverá ser constituída por sócios para a prestação de serviços especializados a terceiros sem os pressupostos da relação de emprego. Referido dispositivo legal estabelece que não existe vínculo de emprego entre a cooperativa e o cooperado e nem entre este e o tomador dos serviços. jornada de trabalho não superior a 8 horas diárias e 44 horas semanais. em virtude do aperfeiçoamento dos elementos descritos na norma na relação fática. consta a definição das cooperativas de trabalho de serviços. está a garantia de diversos direitos sociais. Em razão disso. Com a declaração da inexistência de vínculo empregatício inserto na norma celetista. ou seja. especialmente em virtude da forte conduta do Ministério Público do Trabalho em busca da cessação das fraudes perpetradas. Neste cenário.mínimo. implicando a instauração de um sem-número de procedimentos preparatórios de investigação. Anova Lei. como líder. MATERIA DE CAPA COOPERATIVAS DE TRABALHO GÊNESE OU RENASCIMENTO? • FABIO GODOYTEIXEIRA DA SILVA da República. Em outras palavras. ao invés de um renascimento. mas infelizmente são incapazes de abalar positivamente as estatísticas. Apenas para lembrar. malvistas pelo Ministério Público do Trabalho e pelo Poder Judiciário Trabalhista. No Repudiadas pelos empresários. descanso anual remunerado. sancionou a Lei nO 12. No art. sepultando o desiderato doutrinário e universal do sistema cooperativista. logrando alçá -los ao status de empregadores. na medida em que estas terão de se reinventar para a adequação das novas exigências legais à realidade do mercado de trabalho e às necessidades empresariais. subtraindo-lhes todos os direitos trabalhistas de outrora. além de exigir a eleição de um cooperado a 36 REVISTA JURíDICA CONSULEX . fixação de indenização por dano moral coletivo causado pela má utilização do instituto cooperativista. 4° da Lei n° 12.N" 375 . que poderão definir a constituição de fundos de custeio em Assembleias Gerais. os chamados PPls. A nova Lei também privilegia a não precarização do trabalho. de acordo com o previsto em lei e no Estatuto Social. o número mínimo de sócios foi alterado. entretanto.

BR 37 . divulgar entre os sócios os resultados financeiros e as participações individuais. REVISTA JURíDICA CONSULEX . principalmente. convergem no sentido de garantir aos cooperados a auto gestão do negócio cooperativista sob o espírito democrático e participativo. Vice-Presidente da Comissão do da Comissão à Faculdade. exatamente como já ocorre atualmente com as indenizações exigidas pelo Ministério Público do Trabalho nas ações civis públicas. Finalmente. que pode ser dobrada na hipótese de reincidência e deve ser cobrada da cooperativa de trabalho e dos tomadores dos serviços (art. Para evitar o renas cimento do modelo desvirtuado das cooperativas de trabalho de serviços. haja vista que sua violação provoca efeito negativo. os valores contratados e a retribuição de cada partícipe. O destino das multas será o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) . a Lei institui o Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho. portanto. § 1°). tanto a majoração do quorum para a instalação das Assembleias Gerais Ordinárias e Extraordinárias em terceira convocação de dez cooperádos para cinquenta cooperados ou 20% do número de sócios para cooperativas com mais de dezenove cooperados. Cumpridos os requisitos legais."Ao invés de um renascimento.00 por trabalhador prejudicado. poderão proliferar e garantir renda e trabalho aos obreiros dispostos a exercer o empreendedorismo a partir da mútua-ajuda e do cooperativismo. por isso.CONSULEXCOM. Deverão aglutinar trabalhadores de atividades específicas. na medida em que estas terão de se reinventar para a adequação das novas exigências legais à realidade do mercado de trabalho e às necessidades empresariais. Entre as finalidades do também denominado Pronacoop estão o apoio à viabilização de linhas de crédito. O marco legal das cooperativas de trabalho está lançado! Mas a sua consolidação como verdadeira alternativa para melhor geração de renda e trabalho dependerá da postura dos cooperativistas e. como a criação de mais uma Assembleia Geral Especial anual. ou seja. o que resulta em ganhos extraordinários não apenas para os cooperados. as cooperativas de trabalho constituídas antes da vigência da Lei n° 12. sério e.690/12 terão o prazo de 12 meses para se adequarem à nova realidade legal e. Aliás. tudo sem intermediar a mão de obra subordinada nem permitir a presença dos demais elementos do vínculo empregatício. ainda impõe que a reunião de sócios defina os requisitos para a consecução do trabalho. da OAB-SP. encontrar empresários dispostos a contratá-Ios. razão pela qual o exercício do espírito democrático não se limita apenas ao campo abstrato.WWW. prático e imediato. confiável! FABIO GODOYTEIXEIRA Cooperativismo e Presidente DA SILVA é Economista OAB vai e Advogado. terão um estimulante desafio pela frente. exige extrema maturidade dos profissionais envolvidos para que o conhecimento dos valores pagos a cada um dos sócios cooperados não seja elemento comparativo e fonte de atrito entre os personagens. A não eleição do coordenador já implicará a presunção de fraude à legislação trabalhista." para o mandato de até um ano.690/12 pode ser considerada a gênese das cooperativas de trabalho. O programa será gerido por um Conselho Gestor que terá composição paritária entre o governo e representantes das entidades de representação das cooperativas de trabalho. organizar os trabalhos. o legislador incluiu no novo diploma legal a multa no valor de R$ 500. mas para toda a sociedade. com o objetivo de promover o desenvolvimento e a melhoria do desempenho econômico e social das cooperativas de trabalho. Sócio do escritório ambas GodoyTeixeira Advogados Associados. a edição da Lei nO12. compete-lhes a responsabilidade de afastar qualquer indício de conduta repreensível. Insta destacar. o acompanhamento técnico. o acesso a mercados e à comercialização da produção. 17. Professor de Direito Cooperativo da Escola Superior da Advocacia (ESA). pois somente assim o sistema emergirá austero.

tem convivido com a antiga sombra da desconfiança em relação à chamada Zona Euro. a Europa passou a amargar o seu próprio drama. após a suspensão do Paraguai e a controvertida adesão da Venezuela. em parte. Mas o paradoxo não consiste exatamente na do suspensão da participação paraguaia no bloco. esse atraso. Antes pioneira e visionária. desde que expressa no texto dos Tratados. por exemplo. exigindo respeito à liberdade e profundas reformas sociais contra a tendência repressora das teocracias absolutistas que há décadas perpetuam-se no poder. embora se conserve soberana a respectiva ordem constitucional.l Também é de se destacar a necessidade de participação da sociedade no processo de integração regional.a ideia do Estado provedor. e sim na ambiguidade tratamento dispensado à Venezuela no processo de adesão:' • POR ALEX IAN PSARSKI CABRAL E CRISTIANE HELENA DE PAULA LIMA EUA e na Europa. inobstante sua trajetória antiga de esforços de integração.N' 375 . Uruguai e Venezuela. mas sim uma cessão voluntária. Grande parte da população do Mercosul ainda não está familiarizada com os efeitos que um projeto de integração pode provocar no cotidiano do cidadão. INTEGRAÇAO EM OUANDO o TIRO SAI PELA CULATRA "O tiro saiu pela culatra. Até mesmo no modelo supranacional europeu é possível a reversibilidade das competências comunitárias. o enredo contempla novos personagens. o processo de adesão da Venezuela é contestado principalmente em face do disposto no Artigo 20 do 38 REVISTA JURíDICA CONSULEX· ANO XVI. a exemplo do processo decisório. O avanço que se esperava do Diante bloco ficou impedido por uma série de problemas institucionais. Esbarrando em governos heterogêneos e nacionalistas. o projeto de integração que inclui ainda Paraguai. desde então. Inaugurados pela Tunísia e favorecidos pelas redes sociais do mundo virtual.isso sim . que ainda adota o consenso dos Estados partes. nunca conseguiu alcançar seus principais objetivos: o mercado comum e a integração entre os povos sul-americanos. além da constante instabilidade no mundo Árabe . Grécia. Líbia e Síria. Esses episódios não devem ofuscar o rompante de democracia vivido pelo Mundo Árabe. os movimentos populares disseminaram-se por países como Egito. no que diz respeito à recente e paradoxal interpretação do Procotolo de Ushuaia. no que se refere aos Estados que compõem o bloco.dos a crise nos cooperação no projeto de integração Estados da América do Sul e da América Latina. efetivamente. A situação dos vizinhos do Norte repete em muito a tragédia do ano de 2008 e a diferença é que. é provável que esteja enfrentando o ápice de sua própria tragédia. que trata do compromisso democrático no MercosuL. E. passando pela própria concepção de poder político. Além disso. o poder exclusivo do Estado continua a ser exercido nos limites de seu território. Criado em 1991. dessa vez.--.l' DE SETEMBR0/2012 . Espanha e Itália.nunca foi tão necessário discutir o aprofundamento das relações de de tantas mudanças globais . após longas negociações entre a Argentina e o Brasil. Parece modificada . Primeiro porque integração não implica perda de auto· nomia nem de poderes exclusivos do Estado. Dificuldades de ordem política e obstáculos gerados pelas assimetrias econômicas dos países membros explicam. o modelo intergovernamental do Mercosul não se aperfeiçoou como pretendido. sobretudo por meio da difusão da sua dimensão econômica e social. caso a possibilidade de retirada esteja prevista no Tratado de integração e à medida que não mais interessar ao Estado participar daquele processo de integração. o Mercado Comum do Sul não está imune aos acontecimentos' ao contrário. No Mercosul. Mas a questão pode ser ainda mais profunda. Enquanto os Estados Unidos ainda regurgitavam o seu sistema financeiro. contemplando países como Portugal. o procedimento também pode ser revisto. e. Ademais. a opção política pela intergovernabilidade teve como consequência o adiamento do início dos trabalhos de elaboração de um sistema definitivo de composição de divergências. a Europa integracionista não foi capaz de evitar a própria crise em 2011. Com arquitetura extremamente simples e estrutura minimalista. ao tempo em que se afirma a cessão de soberania dos Estados nos domínios comerciais e ambientais.