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EIXO

MEIO AMBIENTE E CIDADANIA PLANETÁRIA

TEMÁTICO 4:

Tema 4:

Indústria, tecnologia e sustentabilidade ambiental

Tópico 39:

Sociedades sustentáveis

Habilidades:

 

1.

Relacionar a melhoria da qualidade de vida com a participação social nas políticas públicas de

cumprimento dos direitos sociais

2.

Avaliar alternativas de combate à exclusão social em nível escalar referenciando-se em modelos de

desenvolvimento social politicamente sustentável

3.

Explicar a relação existente entre consumo e sustentabilidade ambiental

Por que ensinar

O que é uma sociedade sustentável? Lester Brown, do Instituto WorldWatch, elaborou a seguinte definição: “Uma sociedade sustentável é aquela que satisfaz as suas necessidades sem diminuir as possibilidades das gerações futuras de satisfazer as delas”. Como se vê, o conceito de sustentabilidade é um elemento chave que permite pensar e buscar soluções viáveis para resolver os maiores problemas do mundo, como afirma Fritjof Capra. No entanto, ainda não se sabe como deve ser uma sociedade sustentável. Não há modelos. Há alguns critérios sendo delineados. Todos eles são enfeixados por um sentido comum:

ampliação da qualidade de vida a um número cada vez maior de pessoas e dar novo significado a existência humana, enfatizando a qualidade, a conservação, a cooperação e a solidariedade, ao contrário da sociedade urbano-industrial do esbanjamento e desperdício que tem só valorizado a quantidade, a expansão, a competição e a dominação. Daí, a relevância de um projeto educacional comprometido com os valores da cidadania plena.

Condições para ensinar

Este tópico retoma de modo mais aprofundado os padrões de produção e de consumo na perspectiva das sociedades sustentáveis. A turma já sabe que tais padrões de produção e de consumo utilizam os sistemas técnicos para promover um determinado desenvolvimento gerador de desigualdades sociais e degradação ambiental. E que é possível à sociedade humana reverter esse quadro e que as alternativas já estão sendo experimentadas em vários pontos do planeta. Por que não em nosso país e no espaço de vivência da turma?

Considere os saberes e fazeres da turma sobre a construção de sociedades sustentáveis, indagando-os sobre: O padrão de produção da sociedade industrial é compatível com as sociedades sustentáveis? Por quê? O padrão de consumo da sociedade urbano-industrial é compatível com as sociedades sustentáveis? Por quê? O uso que se tem dado aos sistemas técnicos é compatível com as sociedades sustentáveis? Por quê? A busca cega pelo desenvolvimento e crescimento econômico é compatível com as sociedades sustentáveis? Por quê? As fontes de energia mais utilizadas pela sociedade humana (combustíveis fósseis, nuclear) são compatíveis com as sociedades sustentáveis? Por quê? Quais seriam então as características das sociedades sustentáveis? Acolha as respostas dadas pela turma, sistematizando as idéias no quadro. Desafie a turma com a seguinte pergunta: Por que as sociedades sustentáveis devem ser entendidas no plural? Aqui é a aplicação do conhecimento a uma nova situação, ou seja, porque os povos da Terra têm uma cultura plural. Por isso, uma sociedade sustentável no planeta pressupõe várias sociedades sustentáveis, pois é preciso respeitar a diversidade étnica, as várias culturas e as histórias diferentes de cada povo. No entanto, é preciso compartilhar alguns valores e princípios comuns a partir de alguns acordos globais. Que valores e princípios seriam esses? É o momento de o professor verificar ao estágio da alfabetização ecológica da turma: ela estará num estágio avançado se indicar como valores e princípios, entre outros, a pluralidade, a solidariedade, a equidade, a ética, a cooperação. Deve ficar claro que esses predicados referem-se aos predicados da sociedade sustentável e não de uma sociedade sustentável. O consumo sustentável deve ser novamente resgatado e aprofundado na seguinte direção: refletir sobre como agimos. Retome o conteúdo dos livros "Missão Terra: o resgate do planeta e Pacha Mama". Registre as discussões e perguntas curiosas. Elas serão tomadas como referência essencial na atividade trilhas de pesquisa.

O que ensinar

• A melhoria da qualidade de vida e a participação social nas políticas públicas de cumprimento dos direitos sociais.

• Alternativas de combate à exclusão social em nível escalar referenciando-se em modelos de desenvolvimento social e politicamente sustentável.

• A relação existente entre consumo e sustentabilidade ambiental.

Como ensinar

Os itens que não podem faltar no planejamento do tópico são:

1. Revisão do tema: TRIGUEIRO, André. Meio ambiente no século 21. 21 especialistas falam da questão ambiental nas suas

áreas de conhecimento. Rio de Janeiro: Sextante; MAY, Peter H. et al (orgs) Economia do Meio Ambiente: teoria e prática. Rio de

Janeiro, Eisevier; VIANA, Gilney et al (orgs). O desafio da sustentabilidade. Um debate socioambiental no Brasil. São Paulo:Editora Fundação Perseu Abramo; CONSUMO sustentável: manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ IDEAC.

2. sustentáveis. São Paulo: Paradidáticos: HELENE M. Elisa M. e BICUDO, Marcelo B. Sociedades Scipione; WALDMAN, Guia

ecológico doméstico. São Paulo: Contexto.

3. Consulta às páginas eletrônicas

•REVISTA ECOLOGIA INTEGRAL por uma cultura de paz e ecologia integral. Belo Horizonte.Endereço eletrônico:www.ecologiaintegral.cjb.net - ceimg@uai.com.br sobretudo o Ano 4.no.21 jul/ag/set 2004 Por uma sociedade sustentável

http://www.espacoacademico.com.br/022/22ruda.- Relato de uma experiência.

4. Consulta às coleções de didáticos, entre elas: Trilhas da Geografia. Scipione 5ª. série pp.187-188; Espaço em Construção:Lê.

8ª série, pp 16-17; Construindo o espaço, 7ª série. Ed. Ática. pp. 84-85; Geografia. Espaço e Vivência. Atual. 5a série p164;

Construindo a Geografia. Moderna, 5ª série pp.181-184;6ª.série, pp104 117;

5. Análise dos saberes e fazeres dos alunos, incorporando-os à programação.

6. Planejamento de redes temáticas com História e Português.

Percursos didáticos sugeridos

Leitura, levantamento de questões problematizadoras e debate do paradidático de HELENE M. Elisa M. e BICUDO, Marcelo B. Sociedades sustentáveis. São Paulo: Scipione, 1994, 47p.

Planejamento de trilhas de pesquisa: as questões levantadas na atividade anterior serão tomadas como eixos da atividade investigativa numa perspectiva interdisciplinar. O tratamento da informação, metodologia proposta por Santomé (1998), envolve a coleta de dados, a análise, a apresentação dos resultados, encaminhando a atividade.

•Organização de banco de dados com produção de síntese comparativa entre sociedades insustentáveis e sociedades sustentáveis:

Buscar em fontes diversas (entrevistas, busca no site da Google informações sobre “sociedades sustentáveis”, artigos de jornais e revistas, imagens diversas, textos da bibliografia indicada); cuidar para que o banco contemple várias dimensões escalares desde a local, passando pela regional (que tanto pode ser o Centro-Sul do nosso país, quanto a América Latina, nacional até a global; propor no processo de análise do material uma classificação dos dados referentes a sociedades sustentáveis e sociedades insustentáveis. O resultado deve ser apresentado em diversas linguagens e expostos em um Mural.

•Interpretação de textos: esta atividade operacionaliza, do ponto de vista didático, a primeira habilidade proposta para o desenvolvimento deste tópico. São dois textos para leitura e interpretação. O primeiro é de autoria de Betinho e, o segundo, do Coordenador da Agenda 21 da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável, do Ministério do Meio Ambiente. Ambos tratam da questão da cidadania ativa, participante. O segundo, esclarece o processo construtivo de transformação da ação participativa em política pública. Daí, a relevância de transformá-los em material didático. Há varias formas de encaminhar a atividade e, uma delas, está contida no roteiro que segue.

Roteiro

• Leitura atenta identificando e apresentando as palavras cujo significado é preciso discutir.

• Que questão está presente na essência dos dois textos?

• Por que a participação é importante?

• O que lhe chamou a atenção na leitura dos textos e por quê?

• Que título a turma escolheria para este conjunto de textos?

1. Segundo Herbert de Souza, o Betinho “Tudo o que acontece no mundo, seja no meu país, na minha cidade ou no meu bairro, acontece comigo. Então eu preciso participar das decisões que interferem na minha vida.”

2. Entrevista a Pedro Ivo Batista, Coordenador da Agenda 21 da Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável, do Ministério do meio Ambiente:

Pergunta: o que o cidadão comum pode fazer para contribuir na busca pelo desenvolvimento sustentável que é a base da Agenda

21?

Resposta: o cidadão deve exercer efetivamente a cidadania. Nossa história política e cultural faz do cidadão um observador de seu próprio destino. As escolas, a mídia, as instituições públicas, os representantes políticos levam o cidadão, no máximo, a uma participação passiva. A Agenda 21 propõe uma cidadania ativa, onde diferentes grupos sociais estudem, analisem, discutam os problemas de seu bairro, comunidade, cidade, estado e país para juntos desenharem um cenário de futuro desejável, onde cada parceiro tenha claro sua parcela de responsabilidade e os meios necessários para a implementação das ações consensuadas pelo grupo. Essas ações envolvem, em todas as suas fases, as instituições públicas e, portanto, tornam-se políticas públicas. Formam o Planejamento Estratégico e Participativo Local, ou o Plano Local de Desenvolvimento Sustentável que equivale a Agenda 21 Local.

Um olhar sobre o espaço de vivência: em questão a cidade informal das favelas e loteamentos ilegais.

Atividade cartográfica: mapear os lugares da pobreza e exclusão social do espaço de vivência.

Levantamento de questões problematizadoras: quais as causas da exclusão social? Quais são os principais problemas da cidade informal? Por que esses problemas existem? Que ações devem ser levadas a efeito para resolvê-los? O que será necessário para isso? Como a comunidade vê essa cidadania “incompleta”?

Visita de estudos a lugares da cidade informal para mapear as situações de riscos de desabamento e inundação, a coleta de lixo,

o saneamento básico (água e esgoto), uso de energia elétrica, identificar suas fronteiras físicas com o entorno natural, verificar se participam de projetos geradores de renda, formas de trabalho, escola, transportes, entre outros.

Entrevista ao órgão específico da administração municipal que trata da elaboração do Plano Diretor da cidade/Câmara de vereadores para conhecimento de como as políticas públicas tratam a questão da cidade informal e dos loteamentos ilegais do município. Há plano urbanístico e fundiário para a cidade informal, trazendo-a para a esfera da legalidade, transformando a favela em bairro, minimizando a violência, criando vias de acesso à escola de qualidade, à saúde pública, à coleta de lixo, ao saneamento básico? O que é preciso para isso? Como a comunidade pode ajudar para banir a situação da exclusão social do espaço de vivência?

Analisar e organizar os dados coletados sob a forma de um artigo para publicação no jornal local/regional, apontando o plano de ações para se alcançar a sustentabilidade política, social, econômica, ambiental e cultural no espaço de vivência.

• Elaboração de um guia de boas práticas para o consumo sustentável

Tome como referência o seu significado: “Saber usar os recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades e aspirações das gerações futuras”. Tomar as questões simples do cotidiano para a elaboração do guia, tais como: uso da água (quantidade utilizada para escovar os dentes, tomar banho, lavar a louça etc.); uso da energia elétrica doméstica; consumo de papel; uso do saco plástico; lixo doméstico e coleta seletiva; alimentos em excesso; uso de roupas

e calçados; cultivar plantas que necessitam de pouca água (bromélias, cactos, pinheiros, violetas); desligar o aparelho de TV

quando ninguém estiver assistindo

Enfim, pensar formas de reduzir ou eliminar o desperdício e economizar dinheiro. O que deve

ficar evidenciado é como podemos contribuir no dia-a dia com a diminuição do uso de recursos naturais. Muitas dicas devem ser exploradas para compor o GUIA, tais como: evitar produzir lixo, reaproveitar o que for possível e reciclar ao máximo, aproveitando

ao máximo o que compramos, usar sacola de feira para carregar compras, evitar embalagens Que outras formas cada um pode ajudar a preservar os recursos naturais e economizar dinheiro? Para o levantamento dos dados visite o PROCON local, entreviste

a comunidade, navegue em sites da internet buscando “consumo sustentável”. Referência obrigatória: CONSUMO sustentável:

manual de educação. Brasília: Consumers International/ MMA/ IDEAC. Como adquiri-lo: e-mail-cidambiental@mma.gov.br

Como avaliar

A auto-avaliação, confrontando o que sabia com o que aprendeu no processo. Todas as atividades propostas são instrumentos de

acompanhamento do desenvolvimento das dimensões conceituais, procedimentais e atitudinais da turma.