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PROBLEMÁTICA DO CONHECIMENTO. Platão (nasceu em Atenas em 428 a.c. e morreu em 347 a.c.).

Frase colocada na porta de sua academia: “Que ninguém entre se não souber geometria”. Problemática do Conhecimento: Desdobramentos: 1. É possível conhecer a realidade, o mundo, tal qual ele é? 2. Método: como é possível esse conhecimento? Ou seja, como se justifica uma determinada pretensão ao conhecimento como legítima, verdadeira? 3. Objeto do conhecimento. Todas estas questões dizem respeito à Epistemologia, isto é, à temática do conhecimento e ao papel crítico da filosofia. O conhecimento pode ser caracterizado como a posse de uma representação correta da realidade: temos de examinar as representações. A Epistemologia é o ponto de partida da reflexão filosófica, é o estudo do grau de certeza do conhecimento científico. No caso de Platão pela dialética. A obra de Platão: longa reflexão sobre a decadência da democracia ateniense, de seus valores e ideais, de seu modelo, ou seja, do contexto político que condenou Sócrates à morte. Questões colocadas por Platão: O que significa a democracia? Qual o estatuto civil da religião? O que significa ensinar? Qual o valor da arte? Como se definem as virtudes? Estas questões são a síntese da preocupação com a ciência (o conhecimento verdadeiro e legítimo), com a moral e a política. A Filosofia para Platão corresponde a um método para se atingir o ideal em todas as áreas pela superação do senso comum. A prática filosófica envolve uma espécie de não envolvimento total como o mundo sensível, em busca do conhecimento, vulgarmente conhecido como “mundo das idéias”. Ponto de partida da dialética platônica (arte de argumentar, discutir): o senso comum, a opinião, submetidos a um reexame crítico. Consiste na contraposição de uma opinião com a crítica que dela podemos fazer, ou seja, na afirmação de uma tese qualquer seguida de uma discussão e negação desta tese, com o objetivo de purificá-la dos erros e equívocos. É o filósofo que conduz seu interlocutor a descobrir ele próprio a verdade. A filosofia deve preocupar-se em chegar à verdade, à certeza, à clareza, através da razão. Constitui um discurso que se funda na legitimidade com caráter universal e que se impõe pela argumentação racional.

seu critério de legitimidade e fundamento último. Prisioneiros. chamado mundo sensível. O tema da alegoria da caverna é o do conhecimento. o conhecimento de uma outra realidade que não apenas a sensível. ainda hoje. A possibilidade e a garantia da universalidade. do mundo em que vivemos. e são desses objetos. porque o mundo dos mortos era caracterizado como uma morada subterrânea. E os seres individuais e mutáveis moram no mundo das sombras e sensações. incompleta. Opinião (doxa) mundo sensível X Verdade (mundo inteligível. Para os gregos da época esta imagem era ainda mais forte. ao se expor se revela contraditória. Por que “mito” da caverna? Porque a ruptura da filosofia com o pensamento mítico não é total.O método dialético de Platão visa expor e denunciar a fragilidade. Fogueira: fonte da luz de onde se projetam as sombras de alguns homens que carregam objetos por cima de um muro. Teoria das Idéias: um método necessita de fundamento teórico que estabeleça critérios segundo os quais o método é aplicado de forma correta e eficaz. só podendo ver o que se encontra diante deles no fundo da caverna: as sombras. Este método é o início da metafísica (teoria da natureza essencial das coisas. Através do diálogo. da realidade) clássica. Sombras: são falsas ou irreais. preconceitos. senso comum “mito da caverna”. o que significa aquilo que é dito. práticas. que se crê certa de si mesma. dá a ilusão. Daí a ALEGORIA DA CAVERNA. como num teatro de fantoches. 1 – descrição da cena inicial: a imagem da caverna é a metáfora platônica da realidade sensível. que adquirimos desde a infância. a opinião. o poder simbólico do mundo. Este interesse prático só se realiza mediante a teoria. prisioneiro dos hábitos. Esses prisioneiros somos nós. A teoria das Idéias de Platão representa a tentativa de conciliar as duas grandes tendências anteriores da Filosofia Grega: a concepção do ser eterno e imutável de Parmênides e a concepção do ser plural e móvel de Heráclito. ou melhor. é o que o prisioneiro enxerga como realidade. só pode ser a verdade. tal como as sombras. mas ilusórias por serem realidades parciais. A tradição metodológica grega permanece uma referência cultural importante. acorrentados e imóveis desde a infância. o ser eterno e universal habita o mundo da luz racional. o homem comum. ou da Idéias – episteme). porque se diz. Para Platão. Trava-se a busca à universalidade. Ao aceitar as regras do diálogo os interlocutores abandonam progressivamente a opinião. A opinião: Não dá conta do caráter convencional da verdade. como o é de certa forma para nós. material. das aparências e ilusões. O diálogo estabelece: o que se diz. da essência e da realidade pura. a ausência de fundamento dos homens de senso comum. pela articulação entre teoria e prática. O interesse prático da filosofia está voltado para a dimensão ética e política da existência humana. costumes. o conhecimento verdadeiro. mutável. Somos condicionados a ver as coisas de maneira parcial. as sombras .

Agora ele tem a visão do todo. passa a possuir o saber: vê o Ser. que agora são homens e objetos). esses homens são os sofistas e políticos atenienses que manipulam as opiniões dos homens comuns e são os produtores de ilusão (ver diálogo “Sofista”). ou seja. sem luz não haveria sombras. o que os prisioneiros atribuem às sombras. 2. árduo e doloroso. Mas o prisioneiro deve voltar à caverna. sai da caverna. que não se contentando em atingir o saber. Quando o prisioneiro se dirige em relação à luz. e o sol. mesmo que corra o risco de ser incompreendido. Para Platão. e às vezes desses homens. do processo de mudança e transformação. a realidade. Ida ↑ dialética ascendente volta ↓ dialética descendente Esta é a missão político-pedagógica do filósofo. bem como motivá-los a percorrer o caminho até ela.processo de libertação de um prisioneiro: é difícil. O sol ainda é importante no que diz respeito às sombras. seja na vida privada. ele sofre. mas por um conflito interno entre duas forças: a força do hábito ou da acomodação e a força de si mesmo. O sol se opõe à escuridão e às trevas. produz a luz para a verdade. Ao chegar à visão do sol o prisioneiro completa o processo de transformação de sua situação inicial. seja na pública”. O sol é a própria realidade. Isto significa que o conhecimento é um processo de adequação do olhar ao objeto. O prisioneiro é libertado não por força externa. e percorre as etapas do mundo externo (vê as sombras. “Ao ver a luz o Homem pode comportar-se com sabedoria. para a idéia de Bem. deve procurar mostrar a seus antigos companheiros na caverna a existência da realidade superior.que se projetam no fundo da caverna. . Esse conflito é o motor da dialética.