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Vitamina D e seus metabólitos

25-hidroxivitamina D 1,25-hidroxivitamina D
1. INTRODUÇ‹O
O termo vitamina D é genérico, incluindo diversas substâncias metabolicamente interrelacionadas que possuem atividade hormonal. Engloba a vitamina D produzida na pele (Vitamina D3 ou colecalciferol) e a vitamina D de origem vegetal (Vitamina D2 ou ergocalciferol). Além disso, mais de 35 metabólitos das vitaminas D2 e D3 foram identificados (1,2,3). Na pele, o 7-dehidrocolesterol é convertido pela luz ultravioleta à vitamina D3 (colecalciferol). Estes dois esteróides são biologicamente inativos em humanos. A vitamina D3 recém-formada é translocada da pele para o sangue com a ajuda da proteína ligadora da vitamina D (DBP). Fatores como latitude, estação do ano, idade e exposição ao sol influenciam diretamente nos níveis de vitamina D encontrados (4). No fígado, a vitamina D3 circulante é convertida à 25-hidroxivitamina D (25(OH)D), que mais tardiamente é convertida no rim à 1,25dihidroxivitamina D (1,25(OH)2D). A Vitamina D2 é usualmente adquirida na dieta (gordura e fígado de peixe, gema de ovo), sendo submetida de forma análoga à mesma série de reações bioquímicas que também formam, em menores quantidades, 25(OH)D e 1,25(OH)2D (3,4). Uma vez que a dosagem da vitamina D não apresenta aplicação clínica, na avaliação do status nutricional e de distúrbios do metabolismo ósseo, utiliza-se as determinações de 25(OH)D e 1,25(OH)2D que detalharemos a seguir (1). A figura 1 resume o metabolismo da vitamina D (5). apresenta meia-vida de um a dois dias, a 25(OH)D sofre menores flutuações com as variações da exposição ao sol e se encontra em maiores quantidades (6). Na prática clínica, pelas características acima listadas, a 25(OH)D é a determinação preferida para se avaliar o status nutricional da vitamina D. Considera-se que níveis inferiores a 10 ng/ml são indicativos de deficiência de vitamina D (1,6). Concentrações de até 100 ng/ml podem ser encontradas em pacientes normais com intensa exposição solar no verão, sendo valores entre 14 e 80 ng/ml considerados normais quando se utiliza Cromatografia Líquida de Alta Performance (HPLC) (7,8,9,10). Valores diminuídos deste metabólito também podem ser encontrados em quadros de doença hepática, má absorção intestinal e síndrome nefrótica. Níveis elevados de 25(OH)D são encontrados na intoxicação por vitamina D e hiperestrogenismo. Concentrações baixas, mas dentro dos valores de referência, podem ser observadas em quadros de obesidade, sarcoidose, calcinose tumoral hiperfosfatêmica, tuberculose, hiperparatireoidismo primário e no raquitismo vitamina-D dependente tipo II. Embora a medida da 25(OH)D seja importante na avaliação de hipocalemia e osteomalácia, tem valor limitado na hipercalcemia. As tabelas 1 e 2 resumem as variações dos metabólitos da vitamina D em diversas condições clínicas (2,8,9,10,11,12). Ressalta-se que a 24,25-dihidroxivitamina D é o principal metabólito circulante da 25hidroxivitamina D, entretanto seu papel biológico é obscuro (2,6).

2. 25-HIDROXIVITAMINA D 25(OH)D
A 25(OH)D, também chamada de calcidiol, é o metabólito circulante da vitamina D mais abundante. A sua formação no fígado é catalisada por enzimas microssomais e mitocondriais específicas, sendo transportada no sangue fortemente ligada à proteína ligadora da vitamina D (DBP) (5,6). Este metabólito apresenta meia-vida de duas a três semanas. Em relação à vitamina D, que

3. 1,25-DIHIDROXIVITAMINA D 1,25(OH)2D
O metabólito 1,25(OH)2D, também chamado de calcitriol, é a principal forma biologicamente ativa da vitamina D. É produzida no rim pela ação de uma hidroxilase, também circulando ligada à DBP. Apresenta meia-vida de 4 a 6 horas e suas concentrações são estreitamente relacionadas com os níveis de fosfato e paratormônio (PTH). O PTH eleva as concentrações de 1,25(OH)2D aumentando sua síntese por indução enzimática da

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N N. regula a homeostase do cálcio.25(OH)2D estimula a absorção do cálcio.25(OH)2D aumenta a reabsorção de cálcio e fosfato (1).25(OH)2D D D. Mineral and bone metabolism. em doenças granulomatosas e na intoxicação vitamínica (2. A = aumentado. A Hipercalcemia em doenças N D. In: Burtis CA. Hipocalcemia tem efeito indireto sobre a 1. Níveis elevados de 1. N Intoxicação por 1. Tietz Textbook of Clinical Chemistry.br 2 .25(OH)2D Material: soro Valores de referência: 16 a 60 pg/ml Método: Cromatografia Líquida Performance (HPLC) de Alta 4.13. Este metabólito. No rim a 1. Tabela 1: Vitamina D em desordens hipocalcêmicas e hipercalcêmicas (2) Desordem Deficiência de Vitamina D Hepatopatia Síndrome nefrótica Insuficiência renal Hiperfosfatemia Hipoparatireoisdismo Pseudohipoparatireoidismo Hipomagnesemia Raquitismo dependente de vitamina D tipo I Raquitismo dependente de N.25(OH)2D entre 16 a 60 pg/ml (7).25(OH)2D por mecanismo semelhante. 2001: 300-1. A sua carência é responsável por atraso na mineralização óssea (raquitismo e osteomalácia).14). Ashwood ER.hermespardini. D = diminuído Hipocalcemia 25(OH)D 1. N N D. e nos ossos. ainda.1.25(OH)2D N A Doença granulomatosa N N. aumentando.25(OH)2D são encontrados na insuficiência renal e no hipoparatireoidismo. Valores baixos de 1.25(OH)2D é mais útil para avaliação das desordens no metabolismo ósseo e do cálcio.com. A D D. São considerados normais valores de 1. 3.14). a síntese da fosfatase alcalina óssea e osteocalcina.25(OH)2D com níveis de 25(OH)D normais. Jacobs DS. A D Tabela 2: Níveis anormais de 25(OH)D e 1. Distúrbios da hidroxilação no rim levam à deficiência de 1. Laboratory test handbook. A N = normal. Assay of vitamins D2 and D3. N malignas Hiperparatireoidismo N N. Rude Rk. O Instituto de Patologia Clínica Hermes Pardini realiza: Dosagem de 25(OH)D Material: soro Valores de referência: 14 a 80 ng/ml Método: Cromatografia Líquida de Alta Performance (HPLC) Dosagem de 1. A Linfoma N N. 1999: 1395-47. Oxley DK. Endres DB. www. 3th.25(OH)2D no rim. DeMott WR.25(OH)D Raquitismo dependente de vitamina D tipo II Conclusão: A concentração sérica da 25(OH)D é a determinação mais útil na avaliação do status nutricional de vitamina D de um indivíduo. Restrição de fosfato também aumenta 1. N N D. REFER¯NCIAS 1. N N D N D N D. N.25(OH)2D encontrados em alguns trabalhos (13. A medida da 1.25(OH)2D. e em defeitos inatos e adquiridos da conversão de 25(OH)D a 1.25(OH)2D Aumento da 25(OH)D Doenças granulomatosas Intoxicação por Vitamina D Hiperparatireoidismo Intoxicação por 25(OH)D primário Linfoma Hiperestrogenismo Intoxicação por 1. Do ponto de vista analítico é importante citar os altos coeficientes de variação inter-ensaio e intra-ensaio das determinações de 25(OH)D e 1.25(OH)2D podem ser encontrados na gravidez. and 25-hydroxyvitamins D2 and D3 in human plasma by high-performance liquid 2. N D D. 5th.25(OH)2D Insuficiência renal Hiperfosfatemia Hipomagnesemia Hipoparatireoidismo Pseudohipoparatireoidismo Raquitismo dependente de vitamina D tipo I Hipercalcemia da malignidade Diminuição da 25(OH)D Exposição inadequada à luz solar Dieta inadequada de Vitamina D Má-absorção de Vitamina D Doença hepatocelular severa Catabolismo aumentado Uso de anticonvulsivantes Síndrome nefrótica Aumento da 1. A D vitamina D tipo II Desordem Hipercalcemia Intoxicação por 25(OH)D A D.25(OH)2D (2) Diminuição da 1. No trato gastrintestinal a 1. estimula a atividade osteoblástica e osteoclástica. aumentando os níveis deste metabólito através do estímulo da secreção do PTH (1). Jones G. tendo a suplementação de fosfato efeito oposto. A Hipercalciúria idiopática N N.25 hidroxilase. juntamente com a calcitonina e o PTH.

91: 104-108. J Lab Clin Med. 12. 14. Quantitation of 25-hydroxicholecalciferol in human serum by high-pressure liquid chromatography. Wray HL. 2001. High-Performance liquid Chromatographic assay for 25- 11. 290-291.com. 6. et al. Clin Chem. J Clin Endocrinol Metabol. Bruton J. 7. Souberbielle JC. 13. 24: 28798. In: Vitaminas. 1978.br 3 . Clinical guide to laboratory tests. 1984. Kao PC. J Nutr. van Ginkel FC. 1985. 2000: 109-23. Dominiczak MH. 1990. 120: 1464-9. Tietz NW. The use and interpretation of assays for vitamin D and its metabolites. 5 th. van der Vijgh WJF. Kindermans C. In: Greenspan FS. 1977. 1995: 642-5. 4. www. An international comparison of vitamin D metabolite measurements. Dawson E. 1997: 263-316. 86: 3086-90. Basic & Clinical Endocrinology. 9. 25hydroxivytamin D3 as mesuared by liquid Chromatography and by competitive protein binding.chromatography. 3ed. Heser DW. Strewler GJ. 15.hermespardini. 1984: 30: 399-403. Clin Chem. 1978. 23: 1700-04. Butler V. 10. Baynes J. Mayo Test Catalog.. et al. 31: 783-4. Vitamin D status and redefining serum parathyroid hormone reference range in the elderly. Clin Chem. Baynes J. 2000: 46: 1657-61. Schaefer PC. Minerais e Nutrição. hydroxyvitamin D3 in serum. 30: 56=61. Hollis BW. Mineral metabolism and metabolic bone disease. 8. 1994. 5. Clin Chem. Comparison of commercially available I-based RIA methods for the determination of circulating 25hydroxivitamin D. Strewler GJ. Goldsmith RS. Stryd RP.25dihydroxyvitamin D from a single sample by dual-cartridge extration. Simultaneos determination of 25-hydroxy and 1. Holick MF. Clin Chem. Gilbertson TJ. Jogen MJM. Cormier C. Dominiczak MH. Bioquímica médica. Clin Chem.