Aceitação da Totalidade da Vida

Permita que a vida se mova e leve você com ela. Osho, Na noite passada, Você discutiu a atitude da aceitação total como o solo básico para todo o sadhana tântrico, ou a prática espiritual. Se eu me lembro corretamente, em um outro dia Você disse que a ciência do tantra ensina a estar no meio, em tudo, ficando livre dos extremos na vida. Em referência a isso, explique como a pessoa pode chegar a entender a diferença entre tolerância e repressão na sua vida sexual. Aceitação da totalidade da vida significa o caminho do meio. Se você nega, você se move para o extremo oposto. Negação é extremo. Se você nega alguma coisa, você a nega por algo; então, você se move para um extremo. Se a pessoa negar o sexo, ela se moverá para o brahmacharya, celibato – para o outro extremo. Se você negar o brahmacharya, você se moverá para a tolerância – para o outro extremo. No momento em que você nega, você aceitou o caminho extremo. Aceitação da totalidade é estar automaticamente no meio. Você não é nem a favor de uma coisa nem contra uma coisa. Você não escolheu, você está apenas fluindo na correnteza. Você não está se movendo em direção a uma meta – você não faz nenhuma escolha, você está em uma entrega. O tantra acredita em uma profunda entrega. Quando você escolhe, seu ego entra. Quando você escolhe, sua vontade entra. Quando você escolhe, você está se movendo contra o universo todo – você tem sua própria escolha. Quando você escolhe, você não está escolhendo o fluxo universal: você está colocando-se à parte, isolado; você é como uma ilha. Você está tentando ser você mesmo contra todo o fluxo da vida. “Não-escolha” significa que não é você que tem de decidir para onde a vida vai. Você permite que a vida se mova, que ela o leve com ela; e você não tem nenhum objetivo fixo. Se você tem um objetivo fixo, você está fadado a escolher. O objetivo da vida é seu objetivo. Você não está se movendo contra a vida; você não tem quaisquer idéias próprias contra a vida. Você se solta, você se entrega para a própria força da vida. É isso o que o tantra quer dizer por aceitação total. E uma vez que você aceite a vida em sua totalidade, as coisas começam a acontecer, porque essa aceitação total libera-o de seu objetivo de ego. Sua meta de ego é o problema, por causa dele, você cria problemas. Não há problemas na vida em si; a existência é sem-problema. Você é o problema e é o criador do problema e cria problemas a partir de tudo. Mesmo se você encontrar Deus, você criará problemas a partir dele. Mesmo que você chegue ao paraíso, você criará problemas a partir do paraíso – porque você é a fonte original dos problemas. Você não irá se entregar. Esse ego que não se entrega é a fonte de todos os problemas.

O tantra diz que não é uma questão de alcançar alguma coisa, não é uma questão de alcançar o brahmacharya. Se você alcançar o brahmacharya contra o sexo, seu brahmacharya permanecerá basicamente sexual. Dois extremos, apesar de opostos, são partes de um todo – dois aspectos de uma mesma coisa. Se você escolhe um, você escolheu o outro também. O outro estará escondido agora, reprimido. O que repressão significa? Escolher um extremo contra o outro, que é uma parte básica dele. Você escolhe o brahmacharya contra o sexo, mas o que é o brahmacharya? É exatamente o reverso da energia sexual. Você escolheu o brahmacharya, mas você também escolheu o sexo com ele. Agora, o brahmacharya estará na superfície e bem no fundo existirá o sexo. Você ficará perturbado, porque sua escolha criará a perturbação. Você pode escolher somente um pólo, mas o outro pólo o seguirá automaticamente. E você é contra o outro pólo; assim, agora você ficará perturbado. O tantra diz: não escolha; seja sem escolha. Uma vez que você compreenda isso, a questão sobre o que é tolerância e o que é repressão nunca surgirá. Então, não há nenhuma repressão e não há nenhuma tolerância. A questão surge somente porque você ainda está escolhendo. Há pessoas que vêm a mim e dizem: “Nós aceitaremos a vida, mas se nós aceitarmos a vida, quando o brahmacharya acontecerá?”. Elas estão prontas para estarem na aceitação total, mas a prontidão é falsa, apenas superficial. Bem no fundo, elas ainda estão apegadas aos extremos. Elas querem o brahmacharya – o celibato. Elas não o alcançaram através da luta contra o sexo; assim, quando elas me ouvem, elas pensam: “Como nós não fomos capazes de alcançá-lo através da luta, agora nós devemos alcançá-lo através da aceitação.”. Mas a mente que quer alcançar, a mente motivada, a mente ambiciosa está presente – e o objetivo está presente, a escolha está presente. Se você tem alguma coisa a alcançar, você não pode aceitar a totalidade: a aceitação não é total. Então, você também está tentando aceitar como uma técnica para alcançar alguma coisa. Aceitação significa: agora você abandonou aquela mente que conquista, aquela mente motivada que está sempre atrás de alguma coisa, ansiando por alguma coisa – você a deixa! Você permite a vida fluir livremente; assim como o vento está fluindo por entre as árvores. Você permite que a vida seja livre, mova-se livremente através de você; você não oferece nenhuma resistência. Aonde quer que ela o leve, você está pronto a ir. Você não tem nenhuma meta. Se você tiver alguma meta, então você terá de resistir à vida, então, você terá de lutar com ela. Se uma árvore tem alguma meta, alguma inclinação, alguma idéia, então, ela não pode permitir que o vento passe livremente através dela. Se ela quiser ir para o sul, então, o vento que a está forçando para o norte será o inimigo.

Se você tem alguma meta, você não pode aceitar a vida como uma amiga. Sua meta cria o inimigo. Se você espera alguma coisa da vida, você está impondo-se sobre a vida, você não está permitindo que a vida aconteça a você. O tantra diz: as coisas acontecem quando você não as espera, as coisas acontecem quando você não as força, as coisas acontecem quando você não está ansiando por elas. Mas isso é uma conseqüência, não um resultado. E fique claramente consciente da diferença entre ‘conseqüência’ e ‘resultado’. Um resultado é conscientemente desejado; uma conseqüência é um subproduto. Por exemplo: se eu digo a você que se você brincar, a felicidade será a conseqüência, você vai tentar por um resultado. Você vai e brinca e você fica esperando pelo resultado da felicidade. Mas eu lhe disse que isso será a conseqüência, não o resultado. A conseqüência significa que se você está realmente na brincadeira, a felicidade acontecerá. Se você constantemente pensa na felicidade, então, ela tem de ser um resultado; ela nunca acontecerá. Um resultado vem de um esforço consciente; uma conseqüência é apenas um subproduto. Se você estiver brincando intensamente, você estará feliz. Mas a própria expectativa, o anseio consciente pela felicidade, não lhe permitirá brincar intensamente. A ânsia pelo resultado se tornará uma barreira e, então, você não será feliz. A felicidade não é um resultado, é uma conseqüência. Se eu lhe digo que se você amar, você será feliz, a felicidade será uma conseqüência, não um resultado. Se você pensa que, porque você quer ser feliz, você deve amar, nada resultará disso. A coisa toda será falsificada, porque a pessoa não pode amar por algum resultado. O amor acontece! Não há motivação por detrás dele. Se há motivação, não é amor. Isso pode ser qualquer outra coisa. Se eu estou motivado e penso que, porque desejo a felicidade, vou amá-lo, esse amor será falso. E como o amor será falso, a felicidade não resultará dele. Ela não virá; é impossível. Mas se eu o amo sem qualquer motivação, a felicidade segue como uma sombra. O tantra diz: aceitação será seguida por transformação, mas não faça da aceitação uma técnica para a transformação. Ela não é. Não anseie por transformação – somente então a transformação acontece. Se você a deseja, seu próprio desejo é o obstáculo. Então, não há nenhuma questão sobre o que é tolerância e o que é repressão. Essa pergunta vem à mente apenas porque você não está pronto para aceitar o todo. Aceite-o, deixe ser tolerância e aceite. Se você aceitar, você será atirado para o meio. Ou deixe ser repressão e aceite. Se houver aceitação, você será atirado para o meio. Através da aceitação, você não pode permanecer com o extremo. “Extremo” significa negação de alguma coisa – aceitar alguma coisa e negar alguma coisa.

“Extremo” significa ser a favor de alguma coisa e contra alguma coisa. No momento em que você aceita o que quer que seja o caso, você será atirado para o meio, você não permanecerá com o extremo. Assim, esqueça qualquer entendimento intelectual do que é repressão e do que é tolerância. Isso é tolice e não o levará a lugar nenhum. Apenas aceite, onde quer que você esteja. Se você está na tolerância, aceite-a. Por que ficar com medo dela? Mas há um problema. Se você está na tolerância, você pode permanecer na tolerância somente se você está simultaneamente tentando transcendê-la. Isso dá uma boa sensação para o ego: você pode se sentir bem e, então, você pode adiar. Você sabe que isso não será para sempre. Você sente: “Hoje eu sou tolerante, mas amanhã eu estarei, além disso”. O amanhã o ajuda a ser tolerante hoje. Você sabe que “Hoje eu estou bebendo álcool e fumando, mas isso não será por toda a minha vida. Eu sei que isso é ruim e amanhã eu deixarei disso.”. Essa esperança pelo amanhã o ajuda a ser tolerante hoje, e isso é um bom truque. Aqueles que querem ser tolerantes devem ter grandes ideais. Esses ideais lhes dão oportunidade. Então você não precisa se sentir muito culpado com o que você está fazendo, porque, no futuro, tudo estará bem – aquilo é apenas momentâneo. Isso é um truque da mente. Assim, aqueles que são tolerantes, sempre falam em nãotolerância. Aqueles que são tolerantes vão a mestres que são contra isso. E pode-se ver uma profunda relação... Se você está atrás de riqueza, do dinheiro, do poder, você sempre venerará alguém que é contra a riqueza – o asceta. Aquele que renunciou será seu ideal. Uma sociedade rica pode venerar e respeitar somente aquele que renunciou à riqueza. Olhe em volta e você verá. Se você é indulgente no sexo, você deve respeitar alguém que foi além dele, que se tornou um brahmacharia. Você irá venerá-lo. Ele é o ideal; ele é seu futuro. Você está pensando que algum dia você será como esse homem. Você o venera. E se um dia chega a você um rumor de que aquele homem está sendo tolerante no sexo, o respeito se vai, porque você não pode respeitar a si mesmo. Você tem tanta autocondenação com relação ao que quer que você seja, que se você descobre que seu mestre é como você, o respeito se vai. Ele deve ser exatamente o oposto. Então, ele lhe dá esperança. Então, ele pode guiá-lo para o extremo oposto. Então, você pode segui-lo. Assim, há sempre um relacionamento muito profundo entre os seguidores e o mestre. Você sempre os verá em pólos opostos: o seguidor estará exatamente no pólo oposto e ele somente é um seguidor por causa disso. Se você é obcecado por comida, então, você pode respeitar somente uma pessoa que faz longos jejuns. Ele é “o milagre”. Você espera algum dia

alcançar a mesma coisa. Ele é o seu futuro. Você pode venerálo e respeitá-lo. Ele é a imagem, mas essa imagem ajuda-o a ser o que quer que você seja; ela não irá mudá-lo. O próprio esforço para mudar, a própria idéia de mudar, é o obstáculo. Este é o insight do tantra. O tantra diz: o que quer que você seja, aceite-o. Não crie quaisquer ideais. Eles são sonhos – e falsos. Aceite o que quer que seja. Não o chame de bom ou mau, não tente justificá-lo ou racionalizá-lo. Viva no momento e veja que “este é o caso”. Permaneça com o fato e aceite-o. É difícil – muito difícil e árduo. Por que é tão difícil? Porque, então, o ego é despedaçado. Então, você sabe que você é um animal sexual. Então, o elevado ideal de brahmacharya não pode ajudar seu ego de forma alguma. Então, você sabe que é “noventa e nove por centro um animal...” e esse um por cento eu deixo para você, somente para não chocá-lo ainda mais. Com os ideais de Mahavira, Buda, Krishna, Cristo, você sente que é noventa e nove por cento divino e somente um por cento está faltando. Assim, mais cedo ou mais tarde, pela graça de Deus, você o alcançará. Você se sente feliz como você é. Isso não ajudará. Não ajudará de forma alguma. Pode ajudar somente a adiar o problema real, a crise real e, a menos que você encare essa crise, você nunca será transformado. A pessoa tem de passar por ela; a pessoa tem de sofrê-la. Mas somente a realidade da vida o conduz para a verdade. Ficções não ajudarão. Assim, permaneça com o fato. O que quer que você seja – animal, ou seja, o que for... – está bem. O sexo existe, a raiva existe, a avareza existe: tudo bem, então, existe. É isto aí, este é o caso. O universo acontece para você dessa maneira; você encontrou a si mesmo já dessa maneira. Isso é como a vida o fez; é como a vida o está impulsionando, conduzindo-o para algum lugar. Relaxe e permita que a vida o conduza. Qual é a dificuldade em relaxar? A dificuldade é que se você relaxa, você não pode manter o ego. O ego pode ser mantido somente na resistência. Quando você diz “não”, o ego é fortalecido. Quando você diz “sim”, o ego simplesmente desaparece. É por isso que é tão difícil dizer “sim” para alguma coisa. Mesmo em coisas comuns é difícil dizer “sim”. Nós queremos dizer “não”. O ego, o “eu”, se sente bem somente quando está lutando. Se você está lutando com outra pessoa, é bom, o ego se sente bem. Se você está lutando consigo mesmo, o ego se sente ainda melhor, porque lutar com alguém cria mais problemas à sua volta. Quando você está lutando consigo mesmo, não há nenhum problema à sua volta. Quando você estiver lutando contra alguém, a sociedade criará problemas para você. Quando você está lutando consigo mesmo, toda a sociedade irá venerá-lo. É bom, porque você não está prejudicando ninguém. E na verdade, se você é alguém que está prejudicando a si

mesmo, se não lhe for permitido prejudicar a si mesmo, você prejudicará os outros. Do contrário, para onde essa energia irá se mover? Assim, a sociedade sempre está feliz com esses idiotas que estão prejudicando a si mesmos. A sociedade se sente bem, porque a violência deles é direcionada para trás, eles não farão nada prejudicial. Eis por que nós os chamamos de sadhus – os bons. Eles são bons porque podem prejudicar muito – eles já estão fazendo isso, mas estão fazendo a si mesmos. Eles são suicidas. Um matador, um assassino pode se tornar suicida se ele se voltar contra si mesmo; assim, a sociedade se sente bem, sem a carga de um assassino se ele se tornar suicida. A sociedade respeita, aprecia-o. Mas a pessoa permanece a mesma – ela permanece violenta. Agora, ele é violento consigo mesmo, ou permanece ambicioso, mas ele fala da não-ambição. Mas veja! Tente compreender a fala da não-ambição. A base sempre é a ambição. Eles dizem que se você não for ambicioso, somente então você alcançará o paraíso. E o que há para ser recebido no paraíso? Tudo aquilo de que a ambição gostaria. Assim, seja não-ambicioso para alcançar o paraíso. Se você não é um celibatário, você não irá para o céu. E o que você conquistará no céu? Tudo o que você condena aqui na terra. Então, belas mulheres estarão à disposição e não haverá nenhuma comparação – porque qualquer uma que seja bela na terra se tornará feia. Isso é o que os shastras, as escrituras, dizem. E as mulheres que estão no céu nunca ficam velhas, elas permanecem fixadas na idade de dezesseis anos. Assim, seja celibatário aqui, de forma que você possa ser tolerante lá. Mas que tipo de lógica é essa? A motivação permanece a mesma. A motivação permanece exatamente a mesma, somente os objetos mudam, a seqüência de tempo muda. Você está adiando seus desejos para o futuro. Isso é uma barganha. O tantra diz: tente entender todo esse funcionamento da mente e, então, é bom não lutar, então, é bom fluir como você é e aceitar. Nós estamos com medo, porque se nós aceitarmos, então como iremos mudar? O tantra diz: aceitação é transcendência. Você tentou lutar e você não mudou. Olhe para toda a sua vida, analisa-a e se você for honesto, você descobrirá que não mudou um simples naco, nem um centímetro. Mova-se de volta para a sua infância. Analise toda a sua vida e não importa o que você possa estar falando e pensando, a vida atual verdadeira permaneceu a mesma. E você esteve lutando continuamente. Nada acontece a partir daí. Assim, agora tente o tantra. O tantra diz: nunca mudou com luta. Aceite! Então, questão sobre o que é tolerância e o que é é brahmacharya, e o que é isso e aquilo. O não lute; ninguém não há nenhuma repressão, e o que que quer que seja,

aceite-o e flua com isso. Você dissolve a resistência do ego, você relaxa na existência e vai aonde quer que isso o conduza. Se o destino da existência é você ser um animal, então, diz o tantra, seja um animal. O que acontecerá a partir daí e como acontece? O tantra diz: a total transformação acontece – porque, uma vez que você aceite, a divisão interna se dissolve, você se torna um. Então, não há dois em você – o santo e o animal, o santo reprimindo o animal e o animal afastando o santo a todo o momento. Então, não há dois em você, você se torna um. E essa unidade dá energia. Toda a sua energia é gasta em luta e conflitos internos. Essa aceitação torna-o um. Agora, não há nenhum animal para ser condenado e nenhum santo para ser apreciado. Você é o que quer que você seja. Você aceitou isso, você relaxou com isso; assim, sua energia se torna una. Então, você é um todo e não dividido contra si mesmo. Essa unidade é uma transformação alquímica. Com essa totalidade, você tem energia. Agora você não está desperdiçando sua vida. Não há conflito interno; você está à vontade internamente. Essa energia que você ganha através do não-conflito se torna sua consciência. A energia pode se mover em duas direções. Se ela se move na luta, você a está desperdiçando todo dia. Se ela acumula e não há luta, chega um momento, exatamente como quando você continua esquentando a água até uns cem graus: então, a água se torna outra coisa, ela se evapora. Então, ela não é mais líquida, ela se torna um gás. Ela não se transformou aos noventa e nove graus. Ela se transformou somente aos cem graus. A mesma coisa acontece internamente. Você está desperdiçando a sua energia todo dia e o ponto de evaporação nunca chega. Ele não pode chegar, porque a energia não é de forma alguma acumulada. Uma vez que a luta interna não exista, a energia continua se acumulando e você se sente cada vez mais e mais forte. Mas não o ego, o ego se sente forte somente quando está lutando. Quando não há luta, o ego se torna impotente. Você se sente forte, e esse “você” é uma coisa totalmente diferente. Você não pode saber disso a menos que você seja total. O ego existe com fragmentos, divisões. Esse “você” – o si mesmo, ou o que nós chamamos de atma – existe somente quando não há divisão, quando não há luta interna. ‘Atma’ significa o todo; ‘si mesmo’ significa a energia não-dividida. Uma vez que essa energia não seja dividida, ela vai-se acumulando. Você a está produzindo todo dia, a energia da vida é produzida em você, mas você a está desperdiçando na luta. Essa mesma energia chega a um ponto onde se torna consciência – isso é automático, o tantra diz que isso é automático. Uma vez que você saiba como ser total, você se tornará cada vez mais e mais consciente e chegará o dia em

que toda a sua energia será transformada em consciência. Quando a energia é transformada em consciência, muitas coisas acontecem, porque então a energia não pode se mover para o sexo. Quando ela puder se mover para uma dimensão superior, ela não se moverá para uma dimensão inferior. Sua energia continua se movendo para a dimensão inferior, porque não há nada superior para você. Você não tem o nível de energia onde ela possa se tornar mais elevada; assim, ela se move para o sexo. Ela se move para o sexo e você tem medo dela; assim, você cria o ideal de brahmacharya e você se torna dividido. Então, você se torna cada vez menos e menos energético. Você está desperdiçando energia. Essa é uma experiência muito poderosa – que quando você está fraco, você se sente mais sexual. Isso parece totalmente absurdo em termos biológicos, porque a biologia dirá que quando você é mais potente, você se sentirá mais sexual. Mas esse não é o caso. Quando você estiver fraco, doente, você se sentirá mais sexual. Quando você estiver saudável e um sutil bem-estar estiver presente, você não se sentirá tão sexual. E a qualidade do sexo também será diferente. Quando você estiver fraco, a sexualidade será um tipo de doença e um círculo vicioso será criado. Através do sexo, você se tornará mais fraco, e quanto mais fraco você se tornar, mais sexual você se sentirá. E o sexo se tornará cerebral, ele se moverá para a sua cabeça. Quando você está saudável, quando um bem-estar está presente, quando você se sente bem-aventurado, relaxado, você não é tão sexual. Então, mesmo que o sexo aconteça, ele não é uma doença. Ao contrário, ele é um transbordamento. Uma qualidade totalmente diferente está presente. Quando o sexo é um transbordamento, ele é apenas amor expressandose através de bioenergia. Ele está criando um profundo compartilhar, um profundo contato através da bioenergia. Ele é uma parte do amor. Quando você está fraco e o sexo não está transbordando, trata-se de uma violência contra você mesmo e, quando ele é uma violência contra você mesmo, ele nunca é amor. Uma pessoa fraca pode fazer sexo, mas seu sexo nunca é amor. Ele é mais ou menos um estupro e estupro para ambas as partes; para a própria pessoa ele também é um estupro. Mas, então, um círculo vicioso é criado: quanto mais fraca ela se sente, mais sexual ela se sente. Mas por que isso acontece? A biologia não tem nenhuma explicação para isso, mas o tantra tem uma explicação. O tantra diz que o sexo é um antídoto contra a morte. O sexo significa vida para a sociedade. Você pode morrer, mas a vida continuará. Assim, sempre que você se sentir fraco, sentindo que a morte está próxima, então, o sexo se tornará muito importante, porque você pode morrer a qualquer momento. Seu nível de energia abaixou. Você pode morrer a qualquer momento; assim, seja tolerante no sexo de forma que alguém

possa

viver.

A

vida

deve

continuar.

Para o tantra, o velho é mais sexual do que o jovem. E isso é um insight muito profundo. Os jovens são mais sexualmente potentes, mas não tão sexuais; os velhos são menos sexualmente potentes, mas mais sexuais. Assim, se nós pudermos entrar na mente de um homem velho, então, nós poderemos saber o que está acontecendo. No que concerne à energia sexual, ela é menor no velho, e maior no jovem. Mas no que concerne à sexualidade – sexualidade significa pensar em sexo –, ela é maior no velho do que no jovem. A morte está chegando perto e o sexo é o antídoto para a morte; assim agora, a energia enfraquecida gostaria de produzir alguém. A vida deve continuar. A vida não está interessada em você, a vida está interessada em si mesma. Isso é um círculo vicioso. E o mesmo acontece na ordem inversa também. Se você está transbordando de energia, o sexo se torna cada vez menos e menos importante e o amor se torna cada vez mais e mais importante. E, então, o sexo pode acontecer simplesmente como uma parte do amor, como um profundo compartilhar. O mais profundo compartilhar pode ser o da bioenergia, porque ela é a força da vida. Para quem quer que você ame, você quer dar alguma coisa. Dar faz parte do amor, no amor você dá coisas. O maior presente pode ser o da sua energia de vida. No amor, o sexo se torna um profundo presente de bioenergia, de vida. Você está dando uma parte de si mesmo. Realmente, em todo ato sexual, você está se dando totalmente. Então, um círculo diferente é criado; quanto mais você sente amor, mais você se torna forte. Quanto mais você sente amor, mais você compartilha amor; então, mais forte você se torna, porque no amor, o ego se dissolve. No amor você tem de fluir com a vida. Você não precisa fluir com a vida na política. Ao contrário, você será um tolo se fluir com a vida na política, porque lá você tem que se impor contra a vida; somente então, você pode subir na política. Se você estiver fazendo negócios, você será um tolo se fluir com a vida. Você não irá a lugar nenhum, porque você tem de lutar, tem de competir, tem de ser violento. Quanto mais violento e louco, mais você terá sucesso. Trata-se de uma luta. Somente no amor não há nenhuma competição, nenhuma luta, nenhuma violência. Você tem sucesso no amor somente quando você se entrega. Assim, o amor é a única coisa antimundana do mundo, a única coisa não-mundana no mundo. E se você estiver amando, você se tornará mais um todo, não-dividido; mais energia será acumulada. Quanto maior a energia, menor será a sexualidade. E chega um momento em que a energia atinge um ponto onde a transformação acontece e a energia se torna consciência. O sexo desaparece e somente uma bondade amorosa, uma compaixão, permanece.

Buda tem uma luminosidade de compaixão amorosa; isso é energia sexual transformada. Mas você não pode alcançá-la através da luta, porque a luta cria divisão e a divisão torna-o mais sexual. Esse é o insight do tantra – absolutamente diferente de tudo o que você possa ter estado pensando sobre sexo e brahmacharya. Somente através do tantra um brahmacharya real, uma pureza e inocência reais acontecem. Mas, então, isso não é um resultado, é uma conseqüência. Isso se segue à aceitação total. Osho, Vigyan Bhairav Tantra, # 30
Copyright © 2009 Osho International Foundation

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