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MATERIAL 1

1 INTRODUÇÃO A ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

1.1 Função financeira de uma empresa

Para

que possamos descrever as funções financeiras de uma empresa,

consideramos importante começar pelo estágio inicial de seu ciclo de vida.

Ao constituir uma empresa, o empreendedor abre mão de aplicações alternativas de seus recursos, na expectativa de obter uma melhor remuneração, investindo em um negócio próprio. Esses primeiros recursos investidos na constituição da empresa são gastos em instalações, organização, aquisição de ativos fixos (máquinas e equipamentos) etc. Uma vez constituída, a empresa contrata funcionários para realizar suas atividades, passa a se relacionar com fornecedores de materiais e serviços, com instituições financeiras e com outros ofertantes de recursos e concede créditos a seus clientes. Durante essa trajetória, uma base de fornecedores e clientes é formada, e o relacionamento com eles contribui para a ampliação do negócio.

Com o passar do tempo, a estrutura patrimonial da empresa se modifica. No ativo, aumentam os investimentos em ativos permanentes, ativos circulantes e ativos realizáveis a longo prazo. Por outro lado, o patrimônio líquido é afetado por novas integralizações de capital, bem como pela retenção de lucros. O exigível a longo prazo contempla financiamentos e empréstimos, 1 e a estrutura do passivo circulante contempla as obrigações que sustentam o ciclo operacional da empresa.

Essa estrutura de ativos e passivos deve representar a melhor combinação entre a origem de recursos (próprios e de terceiros) e a aplicação em ativos (fixos e circulantes). Entende-se por melhor combinação aquela capaz de proporcionar receita de vendas que permita pagar os gastos operacionais representados pelos custos e despesas e que gere lucros suficientes, tanto para o pagamento de juros sobre empréstimos como para remunerar o capital dos proprietários.

É essa combinação de recursos que constitui o foco das funções financeiras da empresa. Ou seja, a função financeira é o conjunto de atividades relacionadas à obtenção, nas condições mais favoráveis, dos recursos de que a empresa necessita e sua aplicação, de maneira eficaz, no alcance de seus objetivos.

De

modo

geral,

compreendem:

as

funções

financeiras

centrais

de

uma

empresa

a. Obtenção de recursos, que representa a captação de recursos das diferentes fontes potenciais de financiamentos existentes: capital próprio e de terceiros. Nesse sentido, cabe à função financeira o papel de selecionar as fontes de recursos que sejam mais vantajosas para a empresa.

b.

Aplicação

de

recursos,

que

representa

a

destinação

dos recursos:

investimentos em ativos circulantes, de longo prazo e permanentes. Nesse

sentido, cabe à função financeira o papel de distribuidora de recursos entre diferentes usos alternativos.

c. Planejamento e controle financeiro. O planejamento é o processo que consiste em prever as necessidades futuras de recursos e disponibilizá-Ios em volume suficiente quando necessários. O controle resulta na verificação do desempenho realizado com aquele planejado para o uso dos recursos.

Para que essas funções sejam realizadas de maneira eficaz a fim de atender aos objetivos da empresa, é necessária a presença de uma pessoa ou de uma equipe que as gerencie, como veremos a seguir.

Relacionamento com a Economia

O campo de Finanças está estreitamente relacionado ao da Economia. Visto que a maioria das empresas opera dentro da Economia, o administrador financeiro deve compreender o arcabouço econômico e estar atento às conseqüências dos vários níveis de atividade econômica e das mudanças na política e econômica. O administrador financeiro deve ser capaz também d utilizar as teorias econômicas como diretrizes para realizar operações comerciais com eficiência. São exemplos a análise de oferta e procura, as estratégias de maximização do lucro e a teoria de preços. O princípio econômico básico usado em Administração Financeira é análise marginal, princípio segundo o qual devem ser tomadas decisões financeiras, em última instância, implicam a avaliação dos benefícios marginais versus os custos marginais. Um conhecimento básico de Economia é, portanto, necessário para se compreender tanto o ambiente quanto as técnicas de tomada de decisão da Administração Financeira.

Relacionamento com a Contabilidade

As atividades financeiras e contábeis de uma empresa estão, geralmente, sob o comando do vice-presidente financeiro, como mostra a parte inferior da Figura 1.1. Essas funções estão estreitamente relacionadas e em geral se superpõem; de fato, a Administração Financeira e a Contabilidade nem sempre se distinguem facilmente. Em pequenas empresas, o controller freqüentemente assume a função financeira e em grandes empresas, muitos contadores estão intimamente envolvidos em várias atividades financeiras. No entanto, há duas diferenças básicas entre Finanças e Contabilidade: a ênfase no fluxo de caixa e na tomada de decisão.

Visão do contador

 

Visão do administrador financeiro

Demonstração do resultado do Exercício da Nassau Corporation para

Demonstração do Fluxo de caixa da Nassau Corporation para o ano

o ano findo em 31/12

findo em 31/12

Vendas

$100.000

 

Entrada de caixa

$0

Menos: Custos

$80.000

Menos: Saída de

$80.000

 

caixa

Lucro líquido

$20.000

Fluxo de caixa

($80.000)

 

líquido

1.2 O administrador financeiro

O administrador financeiro é o responsável pela execução das funções financeiras da empresa.

Em empresas de pequeno porte, a estrutura organizacional, muitas vezes, não comporta um setor ou um departamento financeiro, e o próprio proprietário desempenha a atividade de administrador financeiro. À medida que a empresa cresce, passa a ser necessária uma estrutura organizacional e, com isso, emerge a figura desse administrador, que pode ter diferentes denominações, como diretor financeiro, vice-presidente de finanças, gerente financeiro etc. Um exemplo de seu posicionamento na estrutura organizacional de uma empresa está representado na Figura 1.1

1.2 O administrador financeiro O administrador financeiro é o responsável pela execução das funções financeiras da

Figura 1

A administração financeira pressupõe pessoas qualificadas que administrem as decisões necessárias ao seu funcionamento. Estas decisões, via de regra, estão ligadas a atividades que envolvem recursos financeiros direta ou indiretamente. Podemos catalogá-las em três atribuições principais:

• Planejamento, análise e controle. • Decisões de investimento. • Decisões de financiamento.

As atribuições de PLANEJAMENTO, ANÁLISE E CONTROLE consistem em visualizar no futuro as conseqüências financeiras dos atos presentes, analisar os

resultados apresentados e fazer com que o planejamento seja aplicado de maneira adequada, monitorando sua aplicação. A consulta aos demonstrativos contábeis, permite estudar os dados registrados e suas projeções. O orçamento empresarial, uma ferramenta de grande importância, ajuda também ao administrador financeiro orientar financeiramente a empresa.

A análise dos relatórios contábeis e gerenciais denuncia possíveis desvios de roteiro do planejamento, que devem ser corrigidos nas proporções e tempo requeridos.

A atribuição de selecionar INVESTIMENTO existe em decorrência das decisões político-administrativas da empresa, e delimitam o montante de recursos a serem aplicados em decorrência daquelas decisões. Esta atribuição administra os ativos tangíveis e intangíveis que são uma constante preocupação na administração financeira. A aquisição, a depreciação, o risco, o retorno, todos estes itens devem ser questionados, como forma de manter a melhor produtividade e os menores custos.

A atribuição de buscar FINANCIAMENTO executa a seleção do menor custo para da função anterior. Os financiamentos a longo e a curto prazo devem ser pesquisados para se evitar custos desnecessários em épocas desnecessárias. O equilíbrio do Balanço Patrimonial deve ser sempre perseguido como forma de se ter uma interação entre fontes e aplicação de recursos.

.

ATIVIDADES FINANCEIRAS

Análise e planejamento financeiro

 

Balanço Patrimonial

 
   

Ativos

Passivos

   

circulantes

circulantes

 
 

Ativos

Recursos

Permanentes

Permanentes

 

Decisões de investimento

Decisões de

financiament o

Figura 2: Atividades-chaves do administrador financeiro

OBJETIVOS DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO

Maximizar o lucro?

Algumas pessoas acreditam que o objetivo dos proprietários é sempre a maximização do lucro. Para atingir o objetivo de maximização do lucro, o administrador financeiro toma apenas aquelas providências que se espera irão dar maior contribuição para a lucratividade total da empresa.

Assim, dentre as alternativas consideradas, o administrador financeiro irá escolher aquelas que resultar no maior retorno monetário possível. Nas sociedades anônimas, os lucros são usualmente medidos em termos de lucro por ação (LPA), o qual representa o montante auferido durante o período – normalmente um trimestre ou um ano – por ação ordinária emitida. O LPA é obtido pela divisão do lucro total disponível aos acionistas ordinários da empresa – os proprietários da empresa – no período, pelo número de ações ordinárias emitidas.

EXEMPLO

Nick Dukakis, administrador financeiro da Toros Manufacturing, uma importante produtora de peças para motores náuticos, está tentando optar entre dois importantes investimentos, X e Y. Em cada um deles espera-se obter os seguintes lucros por ação ao longo de um período de três anos.

 

Lucro por ação (LPA)

 

Investimento

Ano 1

Ano 2

Ano 3

Total dos anos 1, 2

 

e 3

X

$1,40

$1,00

$0,40

$2,80

Y

$0,60

$1,00

$1,40

$3,00

Com base no objetivo de maximização do lucro, o investimento Y seria preferível ao investimento X, uma vez que o resultado, em lucros por ação no período de três anos, é mais alto ($3,00 de LPA para Y é maior que $2,80 de LPA para X).

A maximização do lucro é falha por várias razões: ignora

(1)

a

data

de

ocorrência dos retornos, (2) o fluxo de caixa disponível aos acionistas e (3) o

risco.

DATA DE OCORRÊNCIA DOS RETORNOS (TIMING)

Uma vez que a empresa pode obter os fundos que recebe, é preferível que tais ingressos ocorram o mais cedo possível. Em nosso exemplo, apesar de o total de lucros obtidos com o investimento X ser menor que com o investimento Y, o investimento X seria preferível por gerar um maior LPA no primeiro ano. Esses retornos que são recebidos mais cedo poderiam ser reinvestidos para gerar maiores rendimentos no futuro.

RISCO

A maximização do lucro desconsidera não apenas o fluxo de caixa, mas também o risco – a possibilidade de que os resultados realizados possam ser diferentes daqueles esperados. Uma premissa básica em administração Financeira é que há um conforto (tradeoff) entre retorno (fluxo de caixa) e risco. De fato, retorno e risco são determinantes-chaves do preço da ação, que representa a riqueza dos proprietários na empresa. O fluxo de caixa e o risco afetam o preço de ação de modo diferente: um fluxo de caixa maior é geralmente associado a um preço da

ação mais alto, enquanto que uma tendência de risco mais alto resulta em um preço da ação mais baixo, já que o acionista tem aversão ao risco – isto é, eles querem evitá-lo. Quando há risco envolvido, os acionistas esperam obter taxas de retorno mais baixas naqueles com riscos mais baixos.

Maximização da riqueza do acionista

O objetivo da empresa, e por conseguinte de todos os administradores e empregador, é o de maximizar a riqueza dos proprietários. A riqueza dos proprietários de uma sociedade anônima é medida pelo preço da ação, o qual, por sua vez, baseia-se na data de ocorrência dos retornos (fluxo de caixa), em sua magnitude e em seu risco. Ao considerar cada alternativa de decisão financeira ou possíveis medidas, em termos de seu impacto no preço da ação da empresa, os administradores financeiros devem implementar somente aquelas medidas que se espera que elevem o preço da ação. (A Figura 3 descreve esse processo.) Uma vez que o preço da ação representa a riqueza do proprietário na empresa, a maximização do preço da ação é consistente com maximização da riqueza do proprietário. Note que o retorno (fluxo de caixa) e o risco são as variáveis-chaves para a decisão, no processo se maximização da riqueza. Também é relevante reconhecer que o lucro por ação (LPA), por ser um importante componente do retorno da empresa (fluxos de caixa), afeta o preço da ação.

Maximização do preço da ação

Ações ou decisões Retorno ? financeiras Risco ? alternativas
Ações ou
decisões
Retorno ?
financeiras
Risco ?
alternativas
ação mais alto, enquanto que uma tendência de risco mais alto resulta em um preço da

Administrador

financeiro

Aumentam

o preço da

a

ão ?

sim aceitar
sim
aceitar
não rejeitar
não
rejeitar

Figura 3 : decisões financeiras e preço da ação.

1.2.1 Formas jurídicas das empresas

De acordo com o novo Código Civil, as empresas, denominadas pessoas jurídicas, estão divididas em Pessoas Jurídicas de Direito Privado e de Direito Público Interno ou Externo. Pertence ao Direito Público Interno: a União, Estados, Distrito Federal, Territórios, Municípios, Autarquias e demais entidades públicas criadas por lei. São pessoas de direito público externo os estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. Pessoas Jurídicas de Direito Privado dividem-se em associações, sociedades e fundações. As sociedades, por sua vez, subdividem-se em personificadas e não personificadas. Ao segundo grupo pertence a Sociedade em Conta de Participação. Ao primeiro grupo pertencem as Sociedades Simples, Em Nome Coletivo, Comandita Simples, Limitada, Anônima, Comandita por Ações e Cooperativas.

Ainda quanto ao aspecto jurídico, as empresas podem ser classificadas de duas maneiras: individuais ou societárias.

As

empresas

individuais

são

aquelas

que

possuem

um

único

dono.

Geralmente, essa forma jurídica se aplica às pequenas empresas, cujos donos respondem sozinhos pela empresa e de forma ilimitada. A razão social de uma empresa individual é constituída pelo nome do proprietário, por extenso ou abreviado, e pode ser complementado com o ramo de atividade ao qual ela pertence.

Já as empresas societárias são constituídas por duas ou mais pessoas. No Brasil, os tipos mais comuns dessas empresas são:

Sociedades

por

cotas

de

responsabilidade

limitada.

Nesse

tipo

de

sociedade, o capital, estabelecido em contrato social, é representado por cotas. Cada sócio é diretamente responsável pela integralização das suas e, indiretamente, pela integralização das cotas dos outros sócios. Cada um deles é denominado 'cotista', e o nome ou a razão social dessas sociedades é seguido da palavra 'limitada', por extenso ou abreviada na forma 'Ltda'.

Sociedade anônima. Nesse tipo de sociedade, o capital, estabelecido em contrato social, é dividido em parcelas, denominadas 'ações'. Os sócios ou os 'acionistas' têm a responsabilidade limitada ao valor de suas ações subscritas ou adquiridas. O nome ou a razão social dessas sociedades é seguido pela expressão 'sociedade anônima' ou da forma abreviada 'S.A.'. A sociedade anônima pode ser classificada de duas maneiras: (1) 'aberta', cujas ações e/ou debêntures são negociadas na bolsa de valores2 essas empresas captam recursos junto ao público, via subscrição de novas ações ou lançamento de debêntures; (2) 'fechada', cujas ações não são negociadas na bolsa de valores e a captação de recursos provém dos próprios acionistas.

1.2.2 Financiamentos de projetos de investimentos

É importante que o gestor de uma empresa saiba que existem diferentes meios no mercado de se obter financiamentos para seus projetos de investimentos. Entre eles:

Recursos

gerados

pela

própria empresa e não distribuídos aos

acionistas. Essa alternativa restringe a capacidade de investimentos em novos projetos ao montante de recursos que a empresa é capaz de gerar.

Capital de terceiros (empréstimos bancários e emissão de debêntures). Essa alternativa revela-se interessante quando há fontes de crédito de longo prazo disponíveis, não expõe a empresa a um nível de risco que a torna vulnerável às oscilações da economia e o custo correspondente é mais atraente que o custo de capital próprio.

Mercado de capitais (emissões de novas ações - no caso das sociedades anônimas de capital aberto). Essa alternativa permite que uma empresa que não tem ações negociadas em bolsas de valores possa captar recursos com a abertura de seu capital. a processo de abertura do capital de uma empresa é, usualmente, denominado IPO (Initial Public Offering). É uma fonte de recursos que não possui limitações, já que, em uma empresa de capital aberto que tiver projetos viáveis e rentáveis, os investidores terão interesse em financiá-Ias. Diferentemente do capital de terceiros, o capital próprio não tem prazo de amortização ou resgate.

1.2.3 Balanço patrimonial

O balanço patrimonial é onde ficam registradas, em contas, as decisões de financiamentos e de investimentos. a lado direito do balanço evidencia as contas resultantes das decisões de financiamento, e o lado esquerdo, as contas resultantes das decisões de investimentos. Veja a Figura 4

Entre as contas do lado direito, o lado do passivo, estão:

a) passivo circulante, conta em que são discriminadas as fontes de recursos que surgem espontaneamente no curso das atividades da empresa (salários a pagar, fornecedores, impostos etc.). Como característica, esses passivos não apresentam custos financeiros, ao menos de maneira explícita. Em geral, os recursos oriundos dessas fontes estão aplicados no ativo circulante, dada sua característica de curto prazo. Não é recomendável uma empresa obter financiamentos de curto prazo para aplicações em ativo permanente, uma vez que esse ativo proporciona retorno em uma perspectiva de longo prazo.

b)

exigível

a

longo

prazo

e

o

patrimônio

líquido

são

as

fontes

de

financiamento de longo prazo, considerados, respectivamente, capital de terceiros e capital próprio. Esses recursos, diferentemente daqueles que formam

o passivo circulante, exigem remuneração na forma de juros para o capital de terceiros e retorno compatível ao custo de oportunidade dos investidores para o capital próprio.

BALANÇO PATRIMONIAL

Ativo circulante

Passivo circulante

Exigível a longo prazo

Ativo permanente

 

Patrimônio líquido

Fig. 4

Já em relação ao lado esquerdo, do ativo, estão:

O ativo circulante, em cujas contas estão as aplicações contidas no capital de giro. São contas que estão em movimento, ou seja, que se alteram constantemente durante o ciclo opera cio na I da empresa. É composto, basicamente, pelas contas caixa, bancos, aplicações de curto prazo, contas a receber e estoques.

O

ativo

permanente,

em

que

estão

as

aplicações

de

recursos

na

capacidade produtiva da empresa. É representado pelas instalações prediais, máquinas, equipamentos etc. As decisões de financiamento e de investimento não podem ser tomadas isoladamente, pois são mutuamente influenciadas e devem proporcionar um equilíbrio financeiro para que se preserve a capacidade de liquidez da empresa e se obtenha a rentabilidade desejada.

A capacidade de liquidez resulta de um balanceamento entre o ativo circulante e o passivo circulante. De certo modo, a liquidez da empresa é melhor quanto maior for o montante de recursos aplicados no ativo circulante. Nesse quesito, o administrador financeiro tem papel relevante. Excessos de recursos aplicados em 'caixa', 'duplicatas a receber' e 'estoques' podem representar problemas de gestão financeira ao aumentar a liquidez e prejudicar a rentabilidade. Sua tarefa é definir níveis ótimos de recursos aplicados em cada uma dessas contas.

O passivo circulante é formado pelas obrigações a pagar de curto prazo, ao passo que o ativo circulante é representado pelos bens e direitos que podem ser convertidos em disponibilidades também no curto prazo. Um balanceamento entre esses dois grupos de contas possibilita quitar os compromissos da empresa em dia, mantendo a liquidez. Ativos como 'duplicatas a receber', embora tenham data para serem quitados, não significam certeza de recebimento, pois o cliente pode atrasar ou mesmo não pagar. Os 'estoques', por sua vez, para serem

convertidos em dinheiro, precisam ser vendidos, o que dá origem a novas 'duplicatas a receber'. Com esse movimento circular de recursos, cria-se uma dificuldade de sincronizar recebimentos e pagamentos; situação que leva à necessidade de maior volume de recursos investidos em ativos circulantes que aqueles obtidos por meio dos passivos circulantes. Essa diferença entre o ativo e o passivo circulantes é denominada capital circulante líquido, cujo financiamento provém de recursos de longo prazo, os quais são onerosos para a empresa.

Assim, uma maior liquidez seria obtida com a aplicação de recursos de longo prazo no ativo circulante. Cabe ao administrador financeiro a tarefa de decidir por uma política de administração de capital de giro que leve a um equilíbrio adequado entre liquidez e retorno.

Uma vez que já conhecemos as funções da administração financeira e as responsabilidades de seu gestor, analisaremos a seguir os objetivos da administração financeira, bem como os problemas enfrentados.

1.3 Os objetivos da administração financeira

A administração financeira, juntamente com administração de pessoal, de compras ou materiais, de vendas ou marketing e da produção, forma as cinco grandes áreas funcionais da administração. A cada uma dessas áreas cabem as funções básicas de planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar.

A administração financeira compete a gestão racional dos recursos financeiros da empresa. Uma vez que os recursos são escassos, cabe ao departamento financeiro tomar as decisões a fim de obter deles os melhores benefícios no futuro. Decisões sempre implicam a escolha entre duas alternativas ou cursos de ação, pois, mesmo se há uma única alternativa, deve-se decidir entre colocá-Ia em prática ou não. Imaginemos, por exemplo, que há dois projetos para aquisição de novas máquinas que aumentarão a produção e a oferta de produtos. No entanto, os recursos disponíveis ou os que podem ser obtidos permitem que apenas um deles seja implementado. Em função dessa restrição, a decisão recairá sobre aquele que mais contribui para atingir o objetivo da empresa. Mas qual é esse objetivo?

O objetivo de uma empresa pode ser declarado de várias maneiras, como maximização dos lucros, maior participação de mercado, maximização das vendas e da riqueza dos proprietários etc. Devido à interdependência entre esses objetivos, examinaremos apenas dois deles: a maximização dos lucros e maximização da riqueza dos proprietários.

A maximização dos lucros é considerada, freqüentemente, o maior objetivo de uma empresa. Sendo assim, as decisões da área financeira se voltam para ações capazes de proporcionar lucros maiores no curto prazo. Nesse sentido, o administrador pode tomar diferentes decisões, como minimizar ou eliminar despesas com promoções de produtos, não realizar manutenções adequadas em máquinas e equipamentos, substituir mão-de-obra qualificada de salários mais elevados, substituir matéria-prima de qualidade etc. Lucros maiores também podem ser obtidos por meio do adiamento de investimentos ou até mesmo por meio de investimentos em projetos de risco mais elevado. Dada à incerteza em relação ao futuro, é possível que projetos mais arriscados proporcionem, no curto prazo, resultados elevados, o que contraria a lógica de investimentos, como

veremos mais adiante. Isso acontece porque ganhos maiores são associados a investimentos que apresentam riscos maiores, com conseqüente reflexo no preço da ação ou da empresa.

As decisões baseadas na maximização da riqueza dos proprietários buscam elevar o preço de mercado das ações ou da empresa. Essa elevação não resulta apenas dos lucros presentes, mas também do potencial de lucros futuros, da política de dividendos, da estrutura de capital, do crescimento, da segurança e de outras variáveis.

1.4. Separação entre a propriedade e a gestão

Enquanto uma empresa não atinge determinado tamanho, o proprietário permanece à frente de sua direção. À medida que ela cresce, ele se afasta geralmente de algumas atividades operacionais e, para realiza-Ias, contrata gestores. Quando a empresa se torna grande demais para ser financiada por uma só pessoa, pode ocorrer a abertura de seu capital e o empreendedor, agora acionista, pode permanecer no gerenciamento da empresa ou então afastar-se e contratar um administrador responsável por esse gerenciamento, ao qual é delegado poder para tomar decisões. A empresa, nesse contexto, transforma-se

veremos mais adiante. Isso acontece porque ganhos maiores são associados a investimentos que apresentam riscos maiores,

em um investimento para o proprietário, e essa situação provoca a separação entre a propriedade e a gestão, como mostra o organograma da Figura 5

Figura 5

1.4.1 Conflitos de agência

A separação entre a propriedade e a gestão de uma empresa faz surgir, respectivamente, as figuras do principal e do agente. O principal corresponde à representação simbólica dos acionistas, e o agente, à representação simbólica dos administradores contratados.

Espera-se que o agente realize ações alinhadas com o modelo de gestão do principal e que suas decisões continuem atendendo aos propósitos de maximização da riqueza dele. No entanto, cada um desses 'atores' possui interesses próprios e, muitas vezes, divergentes, os quais dão origem aos conflitos de agência. Algumas situações que resultam em conflitos de interesses são:

A empresa é constituída sob o pressuposto da continuidade. Assim, as ações do agente, antes desenvolvidas pelo principal, devem ser empreendidas de modo a garantir a sobrevivência da empresa no longo prazo. Em contrapartida, o agente, na mesma perspectiva de tempo que o principal, terá a possibilidade de se manter na empresa por um período finito de tempo, caracterizado como curto prazo.

O principal, uma vez no comando da empresa, pode implementar projetos de maior risco e retorno, ao passo que o agente deve preferir projetos de menor risco e que não lhe causem problemas, como o comprometimento de sua reputação profissional ou a colocação de seu emprego em risco.

O ganho que a empresa proporciona ao principal é considerado residual, ao passo que ao agente cabe um ganho contratual. Isso implica que, ao tomar decisões que resultem em êxito extraordinário, não haverá compensação justa ao administrador.

Um compartilhamento dos ganhos entre o principal e o agente pode ocorrer por meio de uma remuneração variável ao agente. Nesse sentido, o agente pode tomar medidas que maximizem o ganho da empresa no curto prazo, o que maximiza seu próprio ganho, sem atender à perspectiva de longo prazo, que é o objetivo do principal.

Ao distanciar-se do centro de decisões operacionais, o principal passa a ter acesso a um volume menor de informações em comparação ao agente, o que causa uma assimetria informacional. Nesse sentido, o agente poderá desviar-se dos acertos contratuais com o principal, contribuindo para a alocação ineficiente de recursos e obtenção de benefícios extracontratuais.

Os conflitos de interesses se estendem também entre o acionista controlador e os demais, em situações nas quais o controlador poderá ter atitudes oportunistas, como a nomeação de pessoas de seu interesse para postos-chave na empresa, aprovação de projetos de investimento nos quais que tenha interesse pessoal, estabelecimento de mordomias (planos de saúde especial e viagens pagas pela empresa) etc.

1.4.2 Minimização dos conflitos de agências

Para minimizar, ou mesmo resolver, os conflitos de agência, mecanismos eficientes devem ser criados a fim de buscar a convergência de interesses entre

o principal e o agente. Esses mecanismos são representados pelos incentivos e pelo monitoramento.

Os incentivos referem-se ao modo de remuneração dos agentes. Se forem remunerados adequadamente nos cargos que ocupam na empresa, os agentes não estarão propensos a agir em benefício próprio, uma vez que arriscariam o próprio emprego. De maneira alternativa, os agentes podem ser remunerados, também, com o recebimento de ações da empresa ou com a opção de compra subsidiada de ações. Já o monitoramento consiste no controle das atividades do agente pelo principal, de modo que este possa agir em defesa de seus interesses. O monitoramento pode ser efetuado por meio da contratação de empresas de auditorias, do desenvolvimento de sistemas de informações, da implementação de ferramentas, como o BSC (balanced scorecard) -, etc. Os incentivos pagos aos agentes e os custos de monitoramento são denominados custos de agência.

Nas organizações modernas, as práticas de governança corporativa procuram superar os conflitos de agência, definindo sistemas pelos quais as empresas devem ser dirigidas e controladas. Assim sendo, Governança corporativa representa um conjunto de mecanismos internos e externos que busca uma harmonia entre as ações dos administradores e os interesses dos acionistas a fim de reduzir os efeitos dos conflitos de interesses entre eles.

A governança corporativa tem ganhado importância com o surgimento das modernas corporações, nas quais os conflitos de agência se tornaram acentuados em decorrência da separação entre a propriedade e a gestão.

Dentre os mecanismos internos tem-se:

Conselho de administração: O papel do conselho de administração é a formulação de uma política geral para a empresa e o monitoramento dos gestores por meio do sistema de controles internos, verificando se esses gestores estão tomando decisões alinhadas ao objetivo de maximizar a riqueza dos acionistas.

Sistema de remuneração: O propósito dos sistemas de remuneração é alinhar os objetivos dos gestores com os dos acionistas. Para isso podem ser utilizadas opções de compra de ações da empresa como parte da remuneração dos gestores. Espera-se, dessa forma, que gestores tenham o mesmo interesse que proprietários: a maximização do valor das ações da empresa, o que também maximiza sua remuneração.

Estrutura de propriedade: Quando um investidor individual possui quantidade suficiente de ações da empresa, supõe-se que ele seja o maior interessado na implementação de mecanismos de controle das decisões dos gestores. Isso ocorre quando investidores institucionais detêm parcelas significativas de ações da empresa (como fundos de pensão, seguradoras, bancos de investimentos etc.), uma vez que tais investidores têm maior qualificação técnica e são especializados em monitoramento.

Dentre os mecanismos externos tem-se:

Mercado hostil de aquisições: Aquisições hostis ocorrem quando empresas mal gerenciadas são adquiridas por outra empresa ou grupo de investidores. A existência desse mercado tende a desencorajar os gestores com ações contrárias aos interesses dos acionistas, uma vez que correm o risco de perder o emprego.

Mercado de trabalho: Atitudes oportunistas por parte dos gestores podem ser percebidas pelo mercado de trabalho e isso pode abalar sua reputação e dificultar sua recolocação em mercados competitivos.

Disclosure e monitoramento por agentes externos: Os relatórios contábeis publicados periodicamente, com pareceres de auditorias independentes, têm elevado o disclosure ou a transparência das informações relevantes ao mercado, principalmente aquelas que causam impacto nos negócios da empresa.

Uma vez introduzidos aos principais aspectos e funções da área financeira de uma empresa, bem como de seus gestores, partimos para outros aspectos importantes relacionados para a administração financeira, sejam eles internos ou externos à instituição. No próximo capítulo, trataremos mais especificamente do mercado financeiro.

Questões e exercícios

  • 1. Descreva as funções financeiras centrais de uma empresa.

  • 2. Durante os primeiros anos de seu ciclo de vida, os objetivos de uma empresa

estarão direcionados ao crescimento das vendas, de participação de mercado

etc.

Isso

é

compatível

com

o

proprietários? Explique.

objetivo

de maximização da riqueza dos

3.Descreva se há conflito entre os objetivos de maximização do lucro e de maximização da riqueza dos proprietários.

  • 4. Dê alguns exemplos de decisões que promovem o aumento do lucro no curto

prazo e reduzem a riqueza dos proprietários no longo prazo.

5.

Em

quais

proprietários?

circunstâncias

ocorre

a

maximização

da

riqueza

dos

  • 6. Por que o objetivo da maximização da riqueza dos proprietários deve estar

alinhado com as responsabilidades da empresa junto a fornecedores, credores,

governos, consumidores etc.?

7.

Qual

é

a

investimento?

relação entre

as decisões de financiamento e as decisões de

8. Descreva a importância do planejamento e do controle para o administrador financeiro.

  • 9. Descreva os diferentes tipos de empresas.

10. O que são conflitos de agência e como podem ser minimizados?

11. Quais ferramentas possibilitam monitorar e controlar o desempenho do agente?

12. Um determinado produto tem custo de produção de R$ 12,00 por unidade. Pode ser vendido no Brasil por R$ 14,00. Se for exportado, o preço unitário pago pelo importador estrangeiro é de US$ 16,00. Calcule as margens do fabricante se ele vender no Brasil ou exportar nas seguintes condições: com o real em paridade de um para um; com o real desvalorizado, sendo necessário R$ 1,20 para comprar US$ 1,00; e com o real valorizado, sendo necessário apenas R$ 0.80 para comprar US$ 1,00.

13. Leia o texto abaixo, extraído de reportagem do Jornal Valor Econômico de 10/01/2007, e responda às questões propostas.

Quase 60% dos gerentes perdem informações valiosas das corporações todo dia, diz pesquisa.

Valor Online, 10/01/2007

SÃO PAULO - Uma pesquisa conduzida pela consultoria Accenture com mil profissionais dos Estados Unidos e Inglaterra concluiu que as informações corporativas são mal armazenadas, prática que muitas vezes coloca o negócio em risco. De acordo com o estudo, divulgado hoje à imprensa brasileira, 59% dos gerentes ouvidos perdem informações valiosas quase todos os dias e, ao menos uma vez por semana, 42% deles usam acidentalmente informações incorretas.

A pesquisa ouviu gerentes das áreas de finanças, contabilidade, recursos humanos, tecnologia da informação, vendas e marketing e atendimento ao cliente. Segundo o estudo, "os gerentes gastam mais de 25% do seu tempo diário na busca de informações necessárias ao seu trabalho e, quando as encontram, 50% delas são incorretas ou não têm nenhum valor".

Por isso, metade dos executivos ouvidos acredita que sua empresa faz um bom trabalho de gestão e distribuição de dados, enquanto a outra metade se diz "frustrada" com o gerenciamento da informação na corporação.

Para 53% deles, mais da metade das informações que recebem via rede da empresa ou e-mail é inútil e 57% relatam ter de lançar mão de "numerosas" fontes para conseguir as informações que precisam em suas atividades.

De acordo com a pesquisa, os próprios gerentes contribuem para dificultar o acesso às informações corporativas, já que somente 16% deles guardam dados importantes em locais de acesso mútuo, como a intranet da empresa. A maioria deles prefere salvar esses arquivos em seus próprios microcomputadores ou em contas pessoais de e-mail. (Valor Online)

a) Como a contabilidade poderia ser utilizada para resolver o problema de se perder informações valiosas para tomada de decisão?

b) Conforme visto em aula, uma das funções da contabilidade é fornecer informações úteis aos usuários internos e externos. Já conforme a pesquisa, mais da metade dos gestores consideram informações recebidas como inúteis. Quais os impactos que essa divergência entre o desejado na teoria e o verificado na prática pode causar nas operações das empresas?

14.

No mês de setembro de 2003, uma empresa comprou material de expediente

a prazo, no valor de R$ 30.000,00. Os pagamentos das faturas ocorreram em 30

de outubro, 30 de novembro e 30 dezembro de 2003. O material utilizado em dezembro de 2003 totalizou R$ 20.000,00. Em conformidade com o Principio de Competência, o valor a ser apropriado como Despesas, em 2003, será de:

  • 15. A empresa Legal Ltda. vendeu R$ 40.000 em mercadorias, e só recebeu R$

10.000. No mesmo período, efetuou despesas na ordem de R$ 30.000, e só

pagou R$ 10.000. Calcule o resultado da empresa segundo o regime de competência e pelo regime de caixa.

16.

A

Cia. Preço

Certo , uma pequena revendedora de iates,

adquiriu

em

outubro de 2008, um iate pelo custo de US$ 80.000, pagando US$ 30.000 à vista, e o restante para daqui a 90 dias. Em dezembro de 2008, revendeu o referido iate por US$ 100.000, sendo US$ 10.000 em dinheiro no ato, e o restante à prazo, para recebimento daqui a 60 dias.

Determine o resultado (lucro ou prejuízo) pelo regime de competência e pelo regime de caixa no término do exercício social de 2008. Considere as taxas de Câmbio:

  • 2008 : 1,78

  • 2009 : 1,80

    • 17. A Cia. Navegante S/A apresentou as seguintes operações no mês de junho:

      • - Venda de produtos para outras empresas no valor de R$ 9.000, sendo 70% a vista e o restante para receber no mês seguinte.

      • - Venda de Produtos para Pessoas Físicas no valor de R$ 5.000, sendo 40% a vista e o restante para receber no mês seguinte.

      • - As despesas de salários do mês foram de R$ 3.000 e serão totalmente pagas no mês seguinte.

      • - As demais despesas do período totalizaram R$ 8.000, sendo 30% pagas a vista e o restante para pagar no mês seguinte.

Calcule o resultado da empresa segundo o método contábil e pelo regime de caixa.

  • 18. A Saltimbancos Confecções Infantis lida. planeja realizar o investimento na

abertura de uma loja nova. Projeta um investimento inicial em equipamentos e instalações no valor de $ 180 mil. Os recursos necessários serão integralmente colocados pelos sócios. As receitas são previstas como sendo iguais a $ 200 mil no primeiro ano, com aumentos anuais iguais a $ 30 mil. Gastos fixos são projetados como sendo iguais a $ 30 mil (exceto depreciação) e gastos variáveis são projetados como sendo iguais a 4()O/o das receitas. Sabe-se que a vida útil dos equipamentos e das instalações é igual a cinco anos. A abertura do negócio igualmente prevê um investimento em capital de giro igual a $ 20 mil. A alíquota

de

IR

da empresa

é

igual

a

20%.

Projete os lucros

para

os cinco

anos de

operação da empresa e calcule o retorno contábil médio.

  • 19. Uma concorrente da Cia. do Balacobaco S.A. também tem como objetivo

atingir uma taxa mínima de retorno anual igual a 34% sobre o investimento neste ano. A estratégia básica será a implantação de um programa de aumento da produtividade que reduza o custo médio unitário dos seus produtos de $ 52,00 para $ 46,00. No último exercício, os dados financeiros indicaram vendas líquidas iguais a $ 7.200.00, lucro líquido igual a $ 960,00, ativo total igual a $ 4.800,00. Foram vendidas 60 unidades. Pede-se calcular: (a) o ROI na situação original; (b) o ROI após as novas decisões, comentando se o objetivo fixado será atingido.

  • 20. ESTUDO DE CASO 1

A companhia aérea Gol foi criada no início do ano 2000 baseada em um modelo de negócio conhecido por low cost/low fare (baixo custo/baixa tarifa). Aliando estrutura enxuta, alta tecnologia e frota padronizada, esse modelo de negócio permitiu que, em poucos anos no mercado, a empresa se tornasse uma das maiores empresas de baixo custo com grande lucratividade no mundo. A empresa tem o compromisso de atingir e manter elevados padrões de governança corporativa. Para isso, ela conta, inclusive, com um comitê que monitora e faz recomendações sobre as melhores práticas para o conselho de administração. Esse comitê é composto por três membros que não pertencem nem à diretoria nem ao conselho de administração da companhia, e este é composto por dez membros - quatro deles são classificados como independentes, em conformidade com os critérios da bolsa de valores -, aos quais compete o estabelecimento de políticas estratégicas gerais. Com sete anos de vida, a companhia, em razão de sua estratégia agressiva para aumentar sua presença nos principais aeroportos do país e operar rotas internacionais, adquiriu uma empresa concorrente com mais de meio século de existência que apresentava diversos problemas, como um endividamento elevado e uma frota de aviões diversificada e envelhecida. Entretanto, dois fatores importantes interferiram nessa estratégia: o mercado mundial aquecido exigia novos aviões, o que trouxe dificuldades na substituição da frota antiga da empresa incorporada, e o preço do combustível de aviação, componente principal da estrutura de custos das companhias aéreas, aumentou. Após essa aquisição, tanto os resultados contábeis quanto a cotação das ações da empresa sofreram um forte impacto negativo. Foi anunciado prejuízo de mais de R$ 200 milhões no segundo trimestre de 2008, e a cotação de suas ações despencaram, perdendo mais de 60% do valor de mercado, conforme mostra o quadro a seguir.

Prevê-se que a concorrência no setor aéreo brasileiro se acirre no curto prazo. A principal concorrentep oca, São Paulo, n. 5.381,08 ser. 2008; e do site Web de linhas inteligentes Gol. Disponível em: www.voegol.com.br 21. ESTUDO DE CASO 2 Avaliação do objetivo da Sports Products.lnc. " id="pdf-obj-17-2" src="pdf-obj-17-2.jpg">

Prevê-se que a concorrência no setor aéreo brasileiro se acirre no curto prazo. A principal concorrente da Gol prepara um ambicioso pacote de investimentos para os próximos anos e, além disso, uma nova empresa, com negócios semelhantes aos da companhia, começará a operar. Aliando esse cenário à necessidade de retomar a rentabilidade, o presidente da empresa anunciou o plano de reestruturação, que prevê o cancelamento de rotas internacionais, o fechamento de bases no exterior e a substituição das aeronaves antigas que haviam sido incorporados, os quais consomem muito combustível. Ainda, como medida de redução de custos, a empresa anunciou que priorizará o abastecimento dos aviões em lugares em que os impostos são mais baixos, reduzirá a velocidade deles e desligará um dos motores assim que o avião pousar. O plano foi bem recebido pelos analistas de mercado; eles prevêem que a situação da empresa melhorará e que a cotação de suas ações se estabilizará.

Questões

  • 1. Comente sobre a estratégia da empresa que, para aumentar sua presença nos principais aeroportos do país e operar rotas internacionais, adquiriu uma concorrente com diversos problemas. Considere que essa aquisição representava um passo importante para a expansão da empresa, uma vez que o mercado já emitia sinais sobre a movimentação de seus principais concorrentes.

  • 2. A decisão do presidente da empresa em focar a rentabilidade por meio da redução de custos no curto prazo poderá gerar conflitos de interesse com os acionistas? Comente.

  • 3. Comente a respeito do papel da governança corporativa da empresa.

Baseado em informações extraídas da revista Época, São Paulo, n. 5.381,08 ser. 2008; e do site Web de linhas inteligentes Gol. Disponível em: www.voegol.com.br

21. ESTUDO DE CASO 2

Avaliação do objetivo da Sports Products.lnc.

Loren Seguara e Dale Johnson trabalham para a Sports Products, Inc., um importante fabricante de barcos de passeio e acessórios. Loren trabalha como auxiliar de escritório no departamento de contabilidade, e Dale trabalha na área de embalagem do departamento de entregas. Durante o horário de almoço, certo dia, os dois começaram a conversar a respeito da empresa. Dale queixou-se de que sempre trabalhou duro, procurando não desperdiçar material de embalagem e, em geral, realizar seu trabalho de maneira eficiente. Apesar dos esforços dele e dos colegas de departamento, o preço da ação havia caído quase $ 2 nos últimos nove meses. Loren disse que compartilhava da frustração de Dale, particularmente porque os lucros da empresa tinham subido. Nenhum dos dois conseguia entender por que o preço da ação estava caindo, uma vez que o lucro da empresa subia.

Loren disse que havia visto documentos em que era descrito o plano de participação nos lucros da empresa, segundo o qual todos os administradores eram remunerados, em parte, com base nos lucros. Ela afirmou que talvez fosse o lucro a coisa mais importante para os administradores, pois afetava diretamente sua remuneração. Dale retrucou: "Isso não faz sentido, porque os acionistas são donos da empresa. Os administradores não deveriam fazer o que é melhor para os acionistas? Algo está errado!" Loren respondeu: "Bem, isso talvez explique por que a empresa não tem se preocupado com o preço da ação. Veja: os únicos lucros que os acionistas recebem são os dividendos em dinheiro, e a empresa nunca pagou dividendos em toda a sua história, ou seja, em 20 anos. Portanto, como acionistas não nos beneficiamos diretamente dos lucros. A única maneira de nos beneficiarmos é por meio da elevação do preço da ação". Dale acrescentou: "Isso provavelmente explica por que a empresa está sendo processada pelas autoridades ambientais estaduais e federais, por despejar agentes poluidores no rio aqui perto. Por que gastar dinheiro com controle da poluição? Isso aumentaria os custos, diminuiria os lucros e, como conseqüência, diminuiria também a remuneração dos administradores"

Loren

e

Dale perceberam que

o horário

de almoço havia terminado

e

precisavam voltar logo ao trabalho. Antes de sair, decidiram encontrar-se no dia

seguinte para continuar sua discussão.

Questões

  • a. Qual deve ser o objetivo primordial da Sports Products, Inc.? Por quê?

  • b. A empresa parece ter um problema de agency? Por quê?

  • c. Avalie a atitude da empresa em relação ao controle de poluição. Parece ser

uma atitude ética? Por que incorrer em gastos com o controle da poluição

poderia ser interessante para os proprietários da empresa, a despeito do impacto negativo sobre os lucros?

  • d. A partir das informações fornecidas, que recomendações específicas você faria

à empresa?

Bibliografia

COELHO, Marcos Antonio S. Administração Financeira e Orçamentária I.

2007.

GITMAN, Lawrence J. Princípios de Administração Financeira. 10ª edição, São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2004. Capítulo 1. MEGLIORINI, Evandir; VALLIM, Marco Aurélio. Administração Financeira:

uma abordagem brasileira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. Capitulo 1.