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CONTABILIDADE INTERMEDIÁRIA

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS SEGUNDO O IFRS

Desde o final de 2007 a contabilidade tem passado por vultuosas alterações devido à padronização dos demonstrativos contábeis ao padrão internacional e é aqui mesmo já iniciam-se as dúvidas relacionadas às novas normas. O CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, através de diversos pronunciamentos veio definir a base para a apresentação das demonstrações contábeis e

também assegurar a comparabilidade tanto com as demonstrações contábeis de períodos anteriores da mesma entidade quanto com as demonstrações contábeis de outras entidades.

A dúvida de inúmeros contabilistas agora está nas diversas nomenclaturas dadas aos informes

contábeis que precisam ser elaborados e de fato elas são fundadas, já que temos títulos diferentes para

demonstrativos específicos e que devem ser elaborados em consonância com a nova tratativa contábil. O item 10 do CPC26, aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade na Resolução CFC 1.185/09 relaciona o que seria o conjunto completo de demonstrações contábeis como sendo:

a) Balanço patrimonial ao final do período (BP);

b) Demonstração do resultado do período (DRE);

c) Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) / Demonstração das mutações do patrimônio líquido do período (DMPL);

d) Demonstração do resultado abrangente do período;

e) Demonstração dos fluxos de caixa do período (DFC);

f) Demonstração do valor adicionado do período, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou mesmo se apresentada voluntariamente (DVA);

g) Notas explicativas, compreendendo um resumo das políticas contábeis significativas e outras

informações explanatórias. No entanto, em outros pronunciamentos encontram-se definições como demonstrações individuais, demonstrações consolidadas, demonstrações separadas, demonstrações combinadas e demonstrações intermediárias. O que efetivamente vem a ser cada uma

BALANÇO PATRIMONIAL

Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, qualitativa e quantitativamente, numa determinada data, a posição patrimonial e financeira da Entidade.

No balanço patrimonial, as contas deverão ser classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da empresa. Conforme Lei 6.404/76 (artigos 176 a 182 e artigo 187) e NBC T.3, o Balanço Patrimonial é constituído pelo Ativo, pelo Passivo e pelo Patrimônio Líquido.

O Ativo compreende os bens, os direitos e as demais aplicações de recursos controlados pela

entidade, capazes de gerar benefícios econômicos futuros, originados de eventos ocorridos.

O Passivo compreende as origens de recursos representados pelas obrigações para com

terceiros, resultantes de eventos ocorridos que exigirão ativos para a sua liquidação.

O Patrimônio Líquido compreende os recursos próprios da Entidade, e seu valor é a diferença

positiva entre o valor do Ativo e o valor do Passivo. Quando o valor do Passivo for maior que o valor do Ativo, o resultado é denominado Passivo a Descoberto. Portanto, a expressão Patrimônio Líquido deve ser substituída por Passivo a Descoberto. ATIVO CIRCULANTE

O ativo circulante abrange valores realizáveis no exercício social subsequente. Assim, por

exemplo, uma empresa cujo exercício social encerre em 31 de dezembro, ao realizar o encerramento do exercício de 31 de dezembro de 2006, deverá classificar no Ativo Circulante todos os valores realizáveis até 31 de dezembro de 2007. Na empresa cujo ciclo operacional tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo deste ciclo. Raramente, porém, é usado esta

classificação mais extensa, de forma que, como padrão, pode-se adotar a classificação das contas como circulante se forem realizáveis ou exigíveis no prazo de 1 (um) ano. ATIVO NÃO CIRCULANTE São incluídos neste grupo todos os bens de permanência duradoura, destinados ao funcionamento normal da sociedade e do seu empreendimento, assim como os direitos exercidos com essa finalidade.

O Ativo Não Circulante será composto dos seguintes subgrupos:

Ativo Realizável a Longo Prazo

Investimentos

Imobilizado

Intangível

Ativo Realizável a Longo Prazo De uma forma geral, são classificáveis no Realizável a Longo Prazo contas da mesma natureza das do Ativo Circulante, que, todavia, tenham sua realização certa ou provável após o término do exercício seguinte, o que, normalmente, significa realização num prazo superior a um ano a partir do próprio balanço. As despesas apropriáveis após o exercício seguinte também são classificadas no Ativo Realizável a Longo Prazo. Os direitos não derivados de vendas, e adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da empresa, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da empresa, serão classificados no Ativo Realizável a Longo Prazo.

Investimentos No subgrupo Investimentos do Ativo Não Circulante devem ser classificadas as participações societárias permanentes, assim entendidas as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantê-las em caráter permanente, seja para se obter o controle societário, seja por interesses econômicos, entre eles, como fonte permanente de renda.

Imobilizado

O Ativo Imobilizado é formado pelo conjunto de bens e direitos necessários à manutenção das

atividades da empresa, caracterizados por apresentar-se na forma tangível (edifícios, máquinas, etc.). O

imobilizado abrange, também, os custos das benfeitorias realizadas em bens locados ou arrendados. Intangível Os ativos intangíveis compreendem o leque de bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. Trata-se de um desmembramento do ativo imobilizado, que, a partir da vigência da Lei 11.638/2007, ou seja, a partir de 01.01.2008, passa a contar apenas com bens corpóreos de uso permanente. Como exemplos de intangíveis, os direitos de exploração de serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público, marcas e patentes, softwares e o fundo de comércio adquirido.

PASSIVO CIRCULANTE Neste grupo são escrituradas as obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não-circulante, quando se vencerem no exercício seguinte. No caso de o ciclo operacional da empresa ter duração maior que a do exercício social, a concepção terá por base o prazo desse ciclo.

PASSIVO NÃO CIRCULANTE Neste grupo são escrituradas as obrigações da entidade, inclusive financiamentos para aquisição de direitos do ativo não-circulante, quando se vencerem após o exercício seguinte. No caso de o ciclo operacional da empresa ter duração maior que a do exercício social, a concepção terá por base o prazo desse ciclo.

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

É a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos. É constituído por Capital Social, Reservas

de Capital, Ajustes de Avaliação Patrimonial, Reservas de Lucros, Ações em Tesouraria e Prejuízos Acumulados.

MODELO DO BALANÇO PATRIMONIAL

BALANÇO PATRIMONIAL

BALANÇO PATRIMONIAL

ATIVO

ATIVO CIRCULANTE Disponível Caixa Bancos Aplic.Financeiras de Liquidez Imediata Duplicatas a Receber(Clientes) (-)Duplicatas Descontadas (-)Provisão para Créditos de Liquidez Duvidosa(PCLD) Contas a Receber Adiantamento a Fornecedores Impostos a Recuperar ICMS a Recuperar IPI a Recuperar PIS a Recuperar Cofins a Recuperar Aplicações Financeiras Estoques Despesas do Exercício Seguinte Prêmios de Seguros Juros a Vencer ATIVO NÃO CIRCULANTE REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Títulos a Receber(LP) INVESTIMENTO Participações Permanentes em outras Cias Obras de Arte Imóveis para Futura Utilização IMOBILIZADO Terrenos Prédios Instalações Veículos Móveis e Utensílios Equipamento de Processamento Eletrônico de Dados (-)Depreciação Acumulada INTANGIVEL Marcas e Patentes Sistemas Aplicativos – Software (-)Amortização Acumulada

(-)Depreciação Acumulada INTANGIVEL Marcas e Patentes Sistemas Aplicativos – Software (-)Amortização Acumulada

TOTAL

PASSIVO

PASSIVO CIRCULANTE Fornecedores Salários a Pagar Pro Labore a Pagar Impostos e Contribuições a Recolher ICMS a Recolher IPI a Recolher IRPJ a Recolher CSLL a Recolher Pis a Recolher Cofins a Recolher IRRF a Recolher INSS a Recolher FGTS a Recolher Contribuições Sindicais a Recolher Empréstimos a Pagar Outras Obrigações Aluguéis a Pagar Contas a Pagar Energia Elétrica a Pagar Adiantamento de Clientes Honorários a Pagar PASSIVO NÃO CIRCULANTE EXIGIVEL A LONGO PRAZO Contas a Pagar (LP) Financiamentos a Pagar(LP)

PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Social Capital Subscrito (-)Capital a Integralizar Reserva de Capital Ajustes de Avaliação Patrimonial Reserva de Lucros Reserva Legal Reserva Estatutária Reserva para Contingência Reserva de Lucros a Realizar Reserva de Lucros para Expansão (-)Ações em Tesouraria (-) Prejuízos Acumulados

TOTAL

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)

O artigo 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações),

instituiu a Demonstração do Resultado do Exercício.

A Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo principal apresentar de forma

vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado período, normalmente, de doze meses. De acordo com a legislação mencionada, as empresas deverão na Demonstração do Resultado do Exercício discriminar:

- a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;

- a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro

bruto;

- as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;

- o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;

- o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto;

- as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo

na

forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência

de

empregados, que não se caracterizem como despesa;

- o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.

Na determinação da apuração do resultado do exercício serão computados em obediência ao princípio da competência:

a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente de sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos.

MODELO DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

 

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

RECEITA BRUTA

 
   

(-)Deduções Abatimentos Devoluções

sobre Vendas

sobre Vendas

 

Descontos

Comerciais Concedidos(Incondicionais)

Despesa

com Impostos ( Despesas com IPI, ICMS, ISS)

 

Pis

sobre Faturamento

 

Cofins

sobre Faturamento

=RECEITA LÍQUIDA

 

(-)

CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) / CSP

/ CPV

=LUCRO BRUTO (OU PREJUÍZO)

 

(-)

Despesas Operacionais

 

De

Vendas

 

Propaganda

e Publicidade

Frete

sobre Vendas

Comissões

sobre Venda

 

Administrativas

 

Despesas

Despesas

Despesas

Despesas

com Salários com FGTS / INSS com Energia/Telefone Gerais

Resultado

de Empresas Investidas

Receita

Receita

/Despesas de Equivalência Patrimonial (de participação em outras cias) de Dividendos (Método de Custo)

Outras

Receitas e Despesas

+

Ganho / (-) Perda na Alienação (venda) de Imobilizado

Perdas

Eventuais / Extraordinárias / Anormais

=LUCRO DAS OPERAÇÕES ANTES DAS RECEITAS E DESPESAS FINANCEIRAS + Receita Financeira

 

Descontos

Obtidos

Rendimentos

S/Aplicações Financeiras

(-)

Despesa Financeira

Descontos

Despesas

Despesas

Financeiros Concedidos Bancárias c/Juros

=LUCRO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS ANTES DO IMPOSTO DE RENDA E CONTR.SOCIAL (LAIR)

 

(-)

Provisão Para Contribuição Social (CSLL) Provisão Para Imposto de Renda (IRPJ)

(-)

=LUCRO DAS OPERAÇÕES CONTINUADAS APÓS O IMPOSTO DE RENDA E CONTRIB. SOCIAL (LADIR)

 

+

/ (-) Resultado Líquido de Operações Descontinuadas (vendas/custos)

=LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES

 

(-)

Participações Estatutárias Debêntures

 

Empregados

e Administradores

Fundo

de Previdência Privada dos Funcionários

=LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO (OU PREJUÍZO)

------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Obs: CSP = Custo dos Serviços Prestados CPV = Custo dos Produtos Vendidos

DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS (DLPA)

A DLPA evidencia as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos

acumulados, no Patrimônio Líquido. De acordo com o artigo 186, § 2º da Lei nº 6.404/76, adiante transcrito, a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido.

"A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia."

OUTRAS SOCIEDADES

A DLPA é obrigatória para as sociedades limitadas e outros tipos de empresas, conforme a

legislação do Imposto de Renda (art. 274 do RIR/99).

COMPOSIÇÃO

A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá discriminar:

1. o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores;

2. as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; e

3. as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o

saldo ao fim do período.

AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES Como ajustes de exercícios serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.

REVERSÕES DE RESERVAS Correspondem às alterações ocorridas nas contas que registram as reservas, mediante a reversão de valores para a conta Lucros Acumulados, em virtude daqueles valores não serem mais utilizados.

LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

É o resultado líquido do ano apurado na Demonstração do Resultado do Exercício, cujo valor é

transferido para a conta de Lucros Acumulados.

TRANSFERÊNCIAS PARA RESERVAS São as apropriações do lucro feitas para a constituição das reservas patrimoniais, tais como:

reserva legal, reserva estatutária, reserva de lucros a realizar, reserva para contingências.

SUBSTITUIÇÃO PELA DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO De acordo com o § 2º do artigo 186 da Lei nº 6.404/76 a Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e divulgada pela companhia, pois não inclui somente o movimento da conta de lucros ou prejuízos acumulados, mas também o de todas as demais contas do patrimônio líquido.

Modelo de DLPA:

CIA. NACIONAL - DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS EM 31.12.X2 EM MILHARES DE R$

Saldo em 31.12.x1

Ajustes de Exercícios Anteriores:

efeitos de mudança de critérios contábeis

retificação de erros de exercícios anteriores

Aumento de Capital:

com lucros e reservas

por subscrição realizada

Reversões de Reservas:

de contingências

de lucros a realizar

Lucro Líquido do Exercício:

Proposta da Administração de Destinação do Lucro:

Transferências para reservas

Reserva legal

Reserva estatutária

Reserva de lucros para expansão

Reserva de lucros a realizar

Dividendos a distribuir (R$

por ação)

Saldo em 31.12.X2

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (DMPL)

A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) é facultativa e,

de acordo com o artigo 186, parágrafo 2º, da Lei das S/A, a Demonstração de Lucros ou Prejuízos

Acumulados (DLPA) poderá ser incluída nesta demonstração.

A DMPL uma demonstração mais completa e abrangente, já que evidencia a movimentação de

todas as contas do patrimônio líquido durante o exercício social, inclusive a formação e utilização das reservas não derivadas do lucro.

MUTAÇÕES NAS CONTAS PATRIMONIAIS As contas que formam o Patrimônio Líquido podem sofrer variações por inúmeros motivos, tais

como:

1 - Itens que afetam o patrimônio total:

a) acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;

b) redução por dividendos;

c) acréscimo por reavaliação de ativos (quando o resultado for credor);

d) acréscimo por doações e subvenções para investimentos recebidos;

e) acréscimo por subscrição e integralização de capital;

f) acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações integralizadas ou o preço

de emissão das ações sem valor nominal;

g) acréscimo pelo valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição;

h) acréscimo por prêmio recebido na emissão de debêntures;

i) redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda;

j)

acréscimo ou redução por ajuste de exercícios anteriores.

2

- Itens que não afetam o total do patrimônio:

a)

aumento de capital com utilização de lucros e reservas;

b)

apropriações do lucro líquido do exercício reduzindo a conta Lucros Acumulados para formação de

reservas, como Reserva Legal, Reserva de Lucros a Realizar, Reserva para Contingência e outras;

c) reversões de reservas patrimoniais para a conta de Lucros ou Prejuízos acumulados;

PROCEDIMENTOS A SEREM SEGUIDOS A elaboração da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido é relativamente simples, pois basta representar, de forma sumária e coordenada, a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas do Patrimônio Líquido, isto é, Capital, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Reservas de Reavaliação, Ações em Tesouraria e Lucros ou Prejuízos Acumulados. Utiliza-se uma coluna para cada uma das contas do patrimônio da empresa, incluindo uma conta total, que representa a soma dos saldos ou transações de todas as contas individuais. Essa movimentação deve ser extraída das fichas de razão dessas contas. As transações e seus valores são transcritos nas colunas respectivas, mas de forma coordenada. Por exemplo, se temos um aumento de capital com lucros e reservas, na linha correspondente a essa transação, transcreve-se o acréscimo na coluna de capital pelo valor do aumento e, na mesma linha, as reduções nas contas de reservas e lucros utilizadas no aumento de capital pelos valores correspondentes.

MODELO Tecnicamente, a elaboração da DMPL é bastante simples e seus componentes em linha vertical são os mesmos da DLPA. Na linha horizontal do quadro serão consignados os elementos componentes do patrimônio líquido.

CIA. NACIONAL - DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO FINDO EM 31.12.X2 EM
CIA. NACIONAL - DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
DO EXERCÍCIO FINDO EM 31.12.X2 EM MILHARES DE R$
RESERVAS DE
RESERVAS DE LUCROS
Lucros
Total
CAPITAL
Acumulados
Ágio na
Sub-
Reserva
Reserva
Reserva
Capital
Histórico
Emissão
venções
Para
Estatutária
Legal
Realizado
de Ações
para
Contingên
Inves-
cia
timentos
Saldo em 31.12.x1
Ajustes de Exercícios
Anteriores:
efeitos de mudança de
critérios contábeis
retificação de erros de
exercícios anteriores
Aumento de Capital:
com lucros e reservas
por subscrição
realizada
Reversões de Reservas:
de contingências
de lucros a realizar
Lucro Líquido do
Exercício:
Proposta da
Administração de
Destinação do Lucro:
Transferências para
reservas
Reserva legal
Reserva estatutária
Reserva de lucros para
expansão
Reserva de lucros a
realizar
Dividendos a distribuir
(R$
por ação)
Saldo em 31.12.X2

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE

O Financial Accounting Standards Board (FASB) estabeleceu, em junho de 1997, os padrões

de relatório e divulgação dos resultados abrangentes e seus componentes como um dos itens que integram o conjunto de demonstrações financeiras. O conceito de resultados abrangentes (comprehensive income) foi introduzido pela publicação do FASB Concepts nº 3 – Elements of Financial Statements of Business Enterprises. No entanto este conceito passou a ser discutido no Brasil somente em setembro de 2009, quando o CPC – Comitê de Pronunciamento Contábil aprovou o Pronunciamento Técnico nº 26, que regulamenta dentre outras demonstrações, a Demonstração do Resultado Abrangente. De acordo com a Resolução CFC nº 1.185/09 e o CPC 26 a demonstração do resultado abrangente é obrigatória, mesmo não sendo prevista na Lei nº 6.404/76. O normativo internacional define o resultado abrangente como “uma alteração no patrimônio líquido de uma sociedade durante um período, decorrente de transações e outros eventos e circunstâncias não

originadas dos sócios. Isso inclui todas as mudanças no patrimônio durante o período, exceto aquelas resultantes de investimentos dos sócios e distribuições aos sócios”.

A demonstração de resultados abrangentes é uma importante ferramenta de análise gerencial,

pois, respeitando o princípio de competência de exercícios, atualiza o capital próprio dos sócios,

através do registro no patrimônio líquido (e não no resultado) das receitas e despesas incorridas, porém de realização financeira “incerta”, uma vez que decorrem de investimentos de longo prazo, sem data prevista de resgate ou outra forma de alienação.

Na prática o resultado abrangente visa apresentar os ajustes efetuados no Patrimônio Líquido

como se fosse um lucro da empresa, por exemplo, a conta ajuste da avaliação patrimonial, registra as

modificações de ativos e passivos a valor justo, que pelo princípio da competência não entram na DRE, no entanto, no lucro abrangente estas variações serão computadas, a fim de apresentar o lucro o mais próximo da realidade econômica da empresa.

O CPC 26, aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade estabelece que o lucro abrangente

seja calculado a partir do lucro líquido apurado na DRE, assim a demonstração do resultado abrangente deve, no mínimo, incluir as seguintes rubricas:

1. Resultado líquido do período;

2. Cada item dos outros resultados abrangentes classificados conforme sua natureza;

3. Parcela dos outros resultados abrangentes de empresas investidas reconhecida por meio do método de equivalência patrimonial; e

4. Resultado abrangente do período. Segundo o pronunciamento do CPC a apresentação do resultado abrangente deve ser feita

separada da DRE, No entanto, considerando que no Brasil, a demonstração das mutações do

patrimônio líquido é obrigatória para as companhias abertas, existe ainda, a possibilidade da apresentação da demonstração do resultado abrangente aparecer como parte da DMPL.

A própria regulamentação emitida pelo CPC, autoriza tal publicação quando diz: "A

demonstração do resultado abrangente pode ser apresentada em quadro demonstrativo próprio ou dentro das mutações do patrimônio líquido" Entretanto, a entidade deve divulgar o montante do efeito tributário relativo a cada componente dos outros resultados abrangentes, incluindo os ajustes de reclassificação na demonstração do resultado abrangente ou nas notas explicativas. Assim, os componentes dos outros resultados abrangentes podem ser apresentados:

Líquidos dos seus respectivos efeitos tributários; ou

Antes dos seus respectivos efeitos tributários, sendo apresentado em montante único o efeito tributário total relativo a esses componentes.

A entidade deve divulgar em notas explicativas os ajustes de reclassificação relativos a

componentes dos outros resultados abrangentes.

DFC - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA

A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) passou a ser um relatório obrigatório pela contabilidade para todas as sociedades de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008, por força da Lei 11.638/2007, e desta forma torna-se mais um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais. A Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, que trata da Demonstração do Fluxo de Caixa. De forma condensada, esta demonstração indica a origem de todo o dinheiro que entrou no caixa em determinado período e, ainda, o Resultado do Fluxo Financeiro. Assim como a Demonstração de Resultados de Exercícios, a DFC é uma demonstração dinâmica e também está contida no balanço patrimonial. A Demonstração do Fluxo de Caixa irá indicar quais foram às saídas e entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo. As informações contidas na DFC, quando são utilizadas conjuntamente com as informações

contidas nas outras demonstrações contábeis, poderão auxiliar aos usuários na avaliação da capacidade

da

entidade de gerar fluxos de caixa líquidos positivos decorrentes de suas atividades, visando atender

às

suas obrigações bem como pagar dividendos aos seus acionistas. Reflete as transações de caixa das atividades operacionais, das atividades de investimento e das

atividades de financiamento, bem como a apresentação de uma conciliação de um resultado e um fluxo

de caixa líquido gerado pelas atividades operacionais, visando fornecer informações sobre os efeitos

líquidos das transações operacionais e demais eventos que afetam o resultado.

APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DE FLUXO DE CAIXA Seguindo as tendências internacionais, o fluxo de caixa pode ser incorporado às demonstrações

contábeis tradicionalmente publicadas pelas empresas. Basicamente, o relatório de fluxo de caixa deve ser segmentado em três grandes áreas:

I - Atividades Operacionais; II - Atividades de Investimento;

III - Atividades de Financiamento.

As Atividades Operacionais são explicadas pelas receitas e gastos decorrentes da industrialização, comercialização ou prestação de serviços da empresa. Estas atividades têm ligação com o capital circulante líquido da empresa. As Atividades de Investimento são os gastos efetuados no Realizável a Longo Prazo, em Investimentos, no Imobilizado ou no Intangível, bem como as entradas por venda dos ativos registrados nos referidos subgrupos de contas. As Atividades de Financiamento são os recursos obtidos do Passivo Não Circulante e do Patrimônio Líquido. Devem ser incluídos aqui os empréstimos e financiamentos de curto prazo. As saídas correspondem à amortização destas dívidas e os valores pagos aos acionistas a título de dividendos, distribuição de lucros.

- Alguns benefícios das informações sobre os Fluxos de Caixa

Ø quando utilizado em conjunto com as demais demonstrações contábeis, proporciona informações que habilitam os usuários a avaliar as mudanças nos ativos líquidos de uma empresa, sua estrutura financeira e sua habilidade para afetar as importâncias e prazos dos fluxos de caixa a fim de adaptá-los às mudanças nas circunstâncias e às oportunidades;

Ø são úteis para avaliar a capacidade da empresa produzir recursos de caixa e valores equivalentes e habilitar os usuários a desenvolver modelos para avaliar e comparar o valor presente e futuro de caixa de diferentes empresas;

Ø aumenta a comparabilidade dos relatórios do desempenho operacional por diferentes

empresas, por que elimina os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos contábeis, para as mesmas transações e eventos;

Ø possibilidade de uso das informações históricas sobre o fluxo de caixa como indicador da importância, época e certeza de futuros fluxos de caixa;

Ø utilidade para conferir a exatidão de avaliações anteriormente feitas de futuros fluxos de caixa e examinar a relação entre a lucratividade e o fluxo de caixa líquido, e o impacto de variações de preço.

- De um ponto de vista mais voltado para a análise de demonstrações contábeis e não apenas da divulgação da informação contábil, identifica outros objetivos da DFC:

Ø avaliar alternativas de investimentos;

Ø avaliar e controlar ao longo do tempo as decisões importantes que são tomadas na empresa, com reflexo monetário;

Ø avaliar as situações presente e futura do caixa na empresa, posicionando-a para que não chegue a situações de iliquidez;

Ø certificar que os excessos momentâneos de caixa estão sendo devidamente aplicados;

¨ Apresentação do Fluxo de Caixa São duas as formas de apresentação do fluxo de caixa. A forma decorrente do método direto e o método indireto.

- Método Direto Por este método, a DFC evidencia todos os pagamentos e recebimentos decorrentes das atividades operacionais da empresa, devendo apresentar os componentes do fluxo por seus valores brutos.

A opção para este método deve apresentar, no mínimo os seguintes tipos de pagamentos e

recebimentos relacionados às operações:

Ø recebimentos de clientes;

Ø juros e dividendos recebidos;

Ø pagamentos de fornecedores e empregados;

Ø juros pagos;

Ø imposto de renda pago;

Ø outros recebimentos e pagamentos

Este método também é conhecido como a abordagem das contas T (T Account Approuach), e consiste em classificar os recebimentos e pagamentos utilizando as partidas dobradas e tem como vantagem permitir a geração de informações com base em critérios técnicos livres de qualquer interferência da legislação fiscal. Neste método começa-se a explicação dos caixas gerados pelas operações da empresa pelo recebimento das vendas.

- Modelo simplificado de DFC pelo método direto

MODELO DE DFC

Das Atividades Operacionais (+) Recebimentos de Clientes e outros (-) Pagamentos a Fornecedores (-) Pagamentos a Funcionários (-) Recolhimentos ao Governo (-) Pagamentos a Credores Diversos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades Operacionais

Das Atividades de Investimentos (+) Recebimento de Venda de Imobilizado (-) Aquisição de Ativo Permanente (+) Recebimento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Investimentos

Das Atividades de Financiamentos (+) Novos Empréstimos (-) Amortização de Empréstimos (+) Emissão de Debêntures (+) Integralização de Capital (-) Pagamento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Financiamento

Aumento / Diminuição Nas Disponibilidades DISPONIBILIDADES- no início do período DISPONIBILIDADES- no final do período

OBS: O Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações apresenta um modelo semelhante a este embora, não considere a segregação na DFC em atividades operacional, de investimento e de financiamento.

- Método Indireto O método indireto consiste na demonstração dos recursos provenientes das atividades operacionais a partir do lucro líquido, ajustados pelos itens que afetam o resultado (tais como depreciação, amortização e exaustão), mas que não modificam o caixa da empresa. Como bem destaca o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, o método indireto, principalmente pela sua parte inicial (lucro líquido ajustado), é semelhante a DOAR, contudo, apesar de seguir a mesma linha, comenta que no método indireto parte-se do lucro líquido para, após os ajustes necessários chegar-se ao valor das disponibilidades produzidas no período pelas operações registradas na DRE, contudo no que se refere a semelhança com a DOAR, o autor destaca que as comparações se estendem apenas as contas circulantes.

- Modelo simplificado de DFC pelo método indireto

MODELO DE DFC

Das Atividades Operacionais Lucro líquido Depreciação e amortização (+) Provisão para devedores duvidosos (+) Aumento/diminuição em fornecedores (+/-) Aumento/diminuição em contas a pagar (+/-) Aumento/diminuição em estoques (-/+) (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades Operacionais

Das Atividades de Investimentos (+) Recebimento de Venda de Imobilizado (-) Aquisição de Ativo Permanente (+) Recebimento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Investimentos

Das Atividades de Financiamentos (+) Novos Empréstimos (-) Amortização de Empréstimos (+) Emissão de Debêntures (+) Integralização de Capital (-) Pagamento de Dividendos (=) Disponibilidades geradas pelas (aplicadas nas) Atividades de Financiamento

Aumento / Diminuição Nas Disponibilidades DISPONIBILIDADES- no início do período DISPONIBILIDADES- no final do período

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO – DVA

A Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil que evidencia, de forma

sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado

período e sua respectiva distribuição. Obviamente, por se tratar de um demonstrativo contábil, suas informações devem ser extraídas da escrituração, com base nas Normas Contábeis vigentes e tendo como base o Princípio Contábil da Competência.

A riqueza gerada pela empresa, medida no conceito de valor adicionado, é calculada a partir da

diferença entre o valor de sua produção e o dos bens e serviços produzidos por terceiros utilizados no processo de produção da empresa.

A utilização do DVA como ferramenta gerencial pode ser resumida da seguinte forma:

1) como índice de avaliação do desempenho na geração da riqueza, ao medir a eficiência da empresa na utilização dos fatores de produção, comparando o valor das saídas com o valor das entradas, e 2) como índice de avaliação do desempenho social à medida que demonstra, na distribuição da riqueza gerada, a participação dos empregados, do Governo, dos Agentes Financiadores e dos Acionistas.

O valor adicionado demonstra, ainda, a efetiva contribuição da empresa, dentro de uma visão

global de desempenho, para a geração de riqueza da economia na qual está inserida, sendo resultado do esforço conjugado de todos os seus fatores de produção

A Demonstração do Valor Adicionado, que também pode integrar o Balanço Social, constitui,

desse modo, uma importante fonte de informações à medida que apresenta esse conjunto de elementos

que permitem a análise do desempenho econômico da empresa, evidenciando a geração de riqueza, assim como dos efeitos sociais produzidos pela distribuição dessa riqueza.

Modelo de DVA

Demonstração do Valor Adicionado Cia. Produtiva

em R$ mil

20X1

20X2

DESCRIÇÃO

   

1-RECEITAS

   

1.1) Vendas de mercadoria, produtos e serviços

   

1.2) Provisão p/devedores duvidosos – Reversão/(Constituição)

   

1.3) Não operacionais

   

2-INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS e IPI)

   

2.1) Matérias-Primas consumidas

   

2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos

   

2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros

   

2.4) Perda/Recuperação de valores ativos

   

3 – VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2)

   

4 – RETENÇÕES

   

4.1) Depreciação, amortização e exaustão

   

5 –VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4)

   

6 – VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA

   

6.1) Resultado de equivalência patrimonial

   

6.2) Receitas financeiras

   

7 – VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6)

   

8 – DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO

   

8.1) Pessoal e encargos

   

8.2) Impostos, taxas e contribuições

   

8.3) Juros e aluguéis

   

8.4) Juros s/ capital próprio e dividendos

   

8.5) Lucros retidos / prejuízo do exercício

   

* O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7.

   

NOTAS EXPLICATIVAS ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS

A publicação de Notas Explicativas às Demonstrações Financeiras está prevista no § 4º do artigo 176 da Lei 6.404/1976 (Lei das S/A), adiante transcrito:

"as demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício". As Notas Explicativas visam fornecer as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores relativos aos resultados do exercício, ou para menção de fatos que podem alterar futuramente tal situação patrimonial. As Notas Explicativas poderão estar relacionadas a qualquer outra das Demonstrações Financeiras, como a Demonstração do Valor Adicionado – DVA, ou Fluxo de Caixa.

NOTAS PREVISTAS PELA LEI

O § 5º do art. 176 da Lei das S/A menciona, sem esgotar o assunto, as bases gerais e as normas a

serem inclusas nas demonstrações financeiras, as quais deverão:

I – apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das

práticas contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos;

II – divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam

apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras;

III – fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e consideradas necessárias para uma apresentação adequada; e IV – indicar:

a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos

cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas prováveis na realização de elementos do ativo;

b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes;

c) o aumento de valor de elementos do ativo resultante de novas avaliações;

d) os ônus reais constituídos sobre elementos do ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras

responsabilidades eventuais ou contingentes;

e) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo;

f) o número, espécies e classes das ações do capital social;

g) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício;

h) os ajustes de exercícios anteriores; e

i) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter,

efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia.

A Lei das S/A estabeleceu os casos que deverão ser mencionados em Notas Explicativas; no

entanto, essa menção representa o conceito básico a ser seguido pelas empresas, podendo haver situações em que sejam necessárias Notas Explicativas adicionais, além das já previstas pela Lei das S/A.