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Obras e Serviços de Engenharia

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TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DO CEARÁ

Conselheiro Presidente: Francisco de Paula Rocha Aguiar Conselheiro Vice-Presidente: José Marcelo Feitosa Conselheiro Corregedor: Hélio Parente de Vasconcelos Filho Conselheiro Artur Silva Filho Conselheiro Ernesto Saboia de Figueiredo Junior Conselheiro Manoel Beserra Veras Conselheiro Pedro Ângelo Sales Figueiredo

Composição do Pleno

David Santos Matos Fernando Antonio Costa Lima Uchôa Júnior Manassés Pedrosa Cavalcante

Auditores

Procuradora Geral de Contas Leilyanne Brandão Feitosa Procurador de Contas Júlio César Rôla Saraiva Procuradora de Contas Cláudia Patrícia Rodrigues Alves Cristino

Composição da Procuradoria

Juraci Muniz Junior

Diretor Geral

Francisco Eunivaldo Pires Pereira

Assessoria de Imprensa Assessoria Jurídica Controladoria Ouvidoria

Bruno Caminha Scarano

Luiz Mario Vieira

Telma Maria Escóssio Melo

Fernando Antônio Diogo de Siqueira Cruz

Secretaria

Diretoria de Administração e Finanças
Virgílio Freire do Nascimento Filho

Zivaldo Rodrigues Loureiro Junior

Diretoria de Fiscalização

Diretoria de Tecnologia e Informação
Adalberto Ribeiro da Silva Júnior

Diretoria de Assistência Técnica e Planejamento
Danielle Nascimento Jucá

Sandra Valéria de Morais Santos

Escola de Contas e Gestão

Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Caderno Obras e Serviços de Engenharia 4 Fortaleza 2013 .

40p. Cep: 60. I. Controle Externo. 2013.Direção Geral Conselheiro José Marcelo Feitosa Elaboração Alexandre Nunes José Almir da Silva Wanda Murta Revisão Ortográfica Márcia de Oliveira Nunes Projeto Gráfico Roberto Santos Mikael Baima Editoração Eletrônica Kahic Rocha Mikael Baima Supervisão Escola de Contas e Gestão . Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. Obra e Serviço de Engenharia.822-32 Fortaleza – Ceará PABX: (85) 3218-14-13 FAX: (85) 3218-12-12 . Administração Pública Municipal. . Gal. Série TCM cidadania e controle social: Caderno 4 1. Título Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Av.Ecoge Ceará. 130 Cambeba. 3. 2. Afonso Albuquerque Lima. Tribunal de Contas dos Municípios do Estado. II. / Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará. C387 Obras e serviços de engenharia.Fortaleza: TCM-CE.

.........................7.............2.......................20 2............................. Qual o destino final dos resíduos sólidos (lixo)?.............24 2................................................ Aterros sanitários.............................5.............. Reforma.............................1............. Auditoria de obras públicas.........................................................11..................... Memorial descritivo.........................................................10 1....11 1........................................................................................... Na fiscalização.......9 1............................6.............................................16 1....................................................... Tipos de licença / autorização........1..8....................................................................... Decomposição do lixo.........9 1..................1........................................................................ Obras públicas......1.......................7............................................4................ Na contratação.......2........... No projeto básico........2......................................... Caderno de encargos.............12 1............. 28 3..................2......... Tratamento do chorume....................20 2.......................3....3............................................................................................10...........1................. Definição – o que é um impacto ambiental?.........................30 3...............................................29 3................................................................................................................................14 1...2............................5.................10 1.......2........6........................... No orçamento básico............. Nas medições e pagamentos....................................9.1................10 1.............................2..12.........9 1..........................8.............................20 2......29 3........ Quem é o responsável pela operação dos serviços de limpeza urbana municipal?................................1...................13...................... Tipos de resíduos que podem ser depositados no aterro sanitário............................9 1................................. 20 2....................................................27 2.....22 2.............18 1...................25 2..............................................................1........... O que se faz no licenciamento ambiental?.............................................28 3...................................2............ Lixão x aterro sanitário................................. Obra................... Principais diferenças entre aterro sanitário e lixão.........................................................9............................. O que é o manejo de resíduos sólidos (lixo)?.........7 1....... No recebimento da obra..................17 1.............................1.7.........10 1....................................................................................................................................................2............5..............................19 2............................. Definição – o que é um aterro sanitário?......... Projeto executivo........1....................................................6.. Orçamento detalhado....................... O que é o licenciamento ambiental?.............................................. Na fase de licitação........4.......9 1................................................. Conceitos básicos.........................29 3........ Projeto básico....................3.................................................................................................................................................................SUMÁRIO Apresentação......................................................................................9 1........................12 1...............29 3..................................................1..........................................11......... Quais os órgãos públicos responsáveis pelo licenciamento ambiental?......................................31 ................1...................................................................1..................1......8.3..15 1........................1....................................................................................................................................................... Após a conclusão......................................2..2...........................2......................12 1......1..................................................................5...................6. Cronograma físico-financeiro........21 2................10.....................................................................................29 3........ Obra pública...................................................................................2......20 2........... Quais as vantagens de um aterro sanitário?...........10 1.................................................................................................... Impactos ambientais.................................................................26 2.........................................................................9 1............................. Orçamento de obra............................. Como se faz a análise de impactos ambientais de empreendimentos?..4.......................................................4....... A política nacional de resíduos sólidos (pnrs).......7.................................................................... Irregularidades mais comuns nos processos de contratação e execução de obras e serviços de engenharia................ Para que serve o licenciamento ambiental?.... Bonificação (ou benefícios) e despesas indiretas – bdi.... Anotação de responsabilidade técnica – art.................1......................................10 1...1.......9 1.........

........ Observações importantes.............34 4.................................................... 36 ........................................................................................................................31 4.........................1..............................................32 4..............................................33 4........ Plano diretor....................................2...................31 4.................. Gestão democrática da cidade.9..........................33 4............... O plano diretor é obrigatório para municípios....................................267/1991?...............32 4......31 4.............5...................................... Quem participa do plano diretor?..................10...........................3.....................................32 4....... 31 4....................................................................................................8....32 4..............................................................................31 4.............. Obrigação para os municípios que pretendem ampliar o seu perímetro urbano.............................................34 4.................. Funções do plano diretor.................. Definições importantes. O que é o plano diretor?...............................4.13.................................. Quais as principais normas que tratam sobre o plano diretor? ..............................4.............................................................................................12....................................7........................................................................................................6.......................................................... Conteúdo mínimo do plano diretor...................257/2001?...11. O que é a nbr 12...................................................35 Bibliografia:...... O que é a lei federal n° 10............................... Objetivos do plano diretor.........................

Conselheiro Francisco de Paula Rocha Aguiar Presidente 7 . A principal ferramenta é a capacitação dos agentes municipais permitindo que estejam atentos e preparados para a correta aplicação dos recursos que administram. Obras Públicas e Atos de Pessoal. Por fim. o controle social da gestão pública no âmbito das administrações municipais.Apresentação O Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará criou o Programa TCM Cidadania e Controle Social. Criança e Adolescência e Meio Ambiente (Plano Diretor). Assistência Social. É com essa perspectiva que entregamos uma série composta de 06 cadernos que trazem temas de relevância e considerados como boas práticas de gestão pública. de forma mais efetiva e direcionada. tais como: Transparência e Controle Social. Impactos Ambientais. Educação. Consórcios Públicos e Convênios. Saúde. esperamos que este material possa ser utilizado para disseminação do conhecimento e engajamento da sociedade civil no uso dos mecanismos de controle social. Controle Interno e Prestação de Contas. O propósito é fornecer subsídios aos cidadãos para que exerçam. Estrutura Administrativa. bem como na observância das demandas de interesse coletivo. Arrecadação de Tributos Municipais. na condução ética da gestão e na obrigação de prestar contas.

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ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação. 1. e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução (.1. fabricação. 1.1. que tem por objetivo definir detalhadamente o objeto da licitação e do correspondente contrato. memoriais descritivos.. inciso I). O Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas . elaborado com base nas indicações dos estudos preliminares.6 Memorial descritivo Descrição detalhada do objeto projetado.. que assegurem a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento. contratada por órgão ou entidade pública da Administração Direta ou Indireta. define Projeto Básico como sendo “o conjunto de desenhos.1. realizada por execução direta ou indireta (Lei Federal nº 8. elaborado com base em estudos anteriores que assegurem a viabilidade e o adequado tratamento ambiental do empreendimento”. na intenção de reformular todo ou parte daquele espaço antes definido (Instrução Normativa nº 02/98 – CREA-GO. reforma.1.Obras e Serviços de Engenharia 1 Obras públicas 1.IBRAOP. recuperação ou ampliação de um bem público.1 Conceitos básicos 1. Reformar: consiste em alterar as características de partes de uma obra ou de seu todo. acréscimo ou retirada de materiais ou elementos construtivos – arquitetônicos.1 Obra Toda construção. Federal. 8º. art. na forma de texto. inciso IX). art. (Definição do IBRAOP . fabricação. 9 .2 Obra pública É aquela que se destina a atender os interesses gerais da comunidade. onde são apresentadas as soluções técnicas adotadas. através da Orientação Técnica OT-IBR 01/2006.) (Lei 8.1.4 Projeto básico Conjunto de elementos necessários e suficientes.5 Caderno de encargos Parte integrante do projeto básico. com nível de precisão adequado. art.3 Reforma Alteração do espaço original ou anteriormente formulado por meio de substituição.IBR 002/2009) 1.666/93. bem como suas justificativas. necessárias ao pleno entendimento do projeto. 1. Cabe à fiscalização acompanhar a execução dos serviços conforme descritos no caderno de encargos. orçamento. atendendo às Normas Técnicas e à legislação vigente. para caracterizar a obra ou serviço. Em linhas gerais. 1.1. o caderno de encargos contém o detalhamento do método executivo de cada serviço. custeada com recursos públicos compreendendo construção. condições e diretrizes técnicas e administrativas para a sua execução. recuperação ou ampliação. bem como estabelecer requisitos.OT .6º. especificações técnicas. vinculando o contratado. reforma.666/93. desde que mantendo as características de volume ou área sem acréscimos e a função de sua utilização atual. executada sob sua responsabilidade ou delegada.6º. complementando as informações contidas nos desenhos referenciados no Projeto. Estadual ou Municipal. inciso III). cronograma e demais elementos técnicos necessários e suficientes à precisa caracterização da obra a ser executado.

equipamentos. tais como projetos. É ela que vincula o engenheiro responsável técnico ao trabalho por ele prestado. Arquitetura ou Agronomia. ART é o registro que se faz no Conselho Regional de Engenharia. construção. obrigatoriamente. pelo qual passa a responder na eventualidade de que algum erro técnico seja detectado. em cada período. conforme prescrito no art.8. riscos e margem de lucro desejada para adequada PREVISÃO do preço final de um empreendimento. quantidades. § 2º.666/93.1.1. impostos. necessário à execução de qualquer serviço de Engenharia.6º. objeto do contrato. quantificação. os preços unitários. inciso X). consultorias.7 Projeto executivo O conjunto de elementos necessários e suficientes à execução completa da obra.1.11 Bonificação (ou benefícios) e despesas indiretas – bdi O BDI é o percentual relativo às despesas indiretas que incidirá sobre as composições dos custos diretos. faça constar orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários.9 Orçamento detalhado É a planilha orçamentária do custo global da obra fundamentado em quantitativos de serviços. De acordo com o Roteiro de Auditoria de Obras Públicas do TCU.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 1. Define. para os efeitos legais. perícias. etc. (Roteiro de auditoria de obras públicas do TCU) 1. orçamento.1. com o maior grau de detalhamento possível. 1.1. projetos.12 Anotação de responsabilidade técnica – art Anotação de Responsabilidade Técnica – É o registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia – CREA. 2º da Resolução CONFEA nº 1. sondagens e a execução da obra propriamente dita. 1. preços totais. custos financeiros. art. discriminando. à disposição da fiscalização do CREA. descrição. Seu valor é avaliado para cada caso específico. e deve conter o nome e o registro de todos os responsáveis pelas etapas individuais da obra (sondagem. tipo de obra e impostos gerais.666/93.Orçamento de obra É a identificação. Nos processos de licitação de obras e serviços. os responsáveis técnicos pela execução de obras ou prestação de serviços relativos às profissões abrangidas pelo Sistema CONFEA/CREA (Art.).1.10 Cronograma físico-financeiro Representação gráfica do desenvolvimento dos serviços a serem executados ao longo do tempo de duração da obra demonstrando. que pode ser inserido tanto na composição dos custos unitários como no final do orçamento sobre o custo total. materiais.025/09). BDI e encargos sociais. permanecer no local da construção. de acordo com as normas pertinentes da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (Lei 8. o percentual físico a ser executado e o respectivo valor financeiro despendido. previamente à execução de quaisquer serviços de engenharia. Uma das vias da ART deve. avaliações. análise e valoração de mão-de-obra. da Lei 8. O orçamento detalhado é parte integrante do projeto básico e compõe-se de planilha de preços unitários (orçamento sintético) e orçamento analítico com as composições de todos os custos unitários dos serviços. 1. o resultado ou lucro esperado pelo construtor. inciso II. ainda. Consta deste valor. pois depende das variações do local. 10 . e Agronomia (CREA) local. 7º. 1.

13 Auditoria de obras públicas É o instrumento de fiscalização utilizado pelo Tribunal para examinar a legalidade. incluindo os aspectos relacionados à qualidade dos serviços executados. legitimidade e economicidade dos atos de gestão dos responsáveis pelo planejamento. à adequação das técnicas construtivas e compatibilidade dos custos e preços contratados em relação aos praticados no mercado (Roteiro de auditoria de obras públicas do TCU). execução e fiscalização de obras públicas. Fluxograma de procedimentos para contratação.1.Obras e Serviços de Engenharia 1. licitação. execução e fiscalização e controle de obras públicas 11 .

12 . Ausência ou apresentação deficiente do cronograma físico-financeiro.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 1. Ausência de comprovantes das publicações do edital resumido. não raro. ausência composição detalhada do BDI e ancargos sociais ilegais integrantes das propostas de preços das proponentes. o Poder Público formula sistematicamente um conjunto de decisões integradas. e. Decisões da comissão de licitação mal fundamentadas ou sem fundamentação. Tem sido observada significativa incidência de alterações de projeto durante a vigência dos contratos.2. com consequentes mudanças de especificações. ou da entrega do convite.2 Irregularidades mais comuns nos processos de contratação e execução de obras e serviços de engenharia 1. gerando aditivos contratuais que. estudos geotécnicos (sondagens e ensaios). as mais recorrentes: a. listadas a seguir. Ao planejar. Ausência de projeto básico e/ou executivo. especificações. o Gestor Público deve decidir quais as obras de maior importância para atender as expectativas da população. f. 1. Utilizando critérios de prioridade que podem variar de acordo com as peculiaridades locais e necessidades de cada Município. aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em participar do processo licitatório. Projeto Básico e/ou executivo ausente ou incompleto em suas partes. que expressem objetivos e metas. Imperfeições em sua elaboração implicarão na necessidade de alterações. quando for o caso. levantamento topográfico e outros complementos. b. não se coadunam com o interesse público. d. Ausência de licenciamento ambiental. segundo a legislação vigente. i. juntamente com os meios disponíveis para alcançá -los num determinado prazo. g. quantitativos de serviços. c.2 No projeto básico O projeto básico é a peça fundamental que possibilita o perfeito entendimento. Ausência de justificativa fundamentada para a dispensa ou a inexigibilidade da licitação. desenhos. bem como constar das metas estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e discriminada na Lei Orçamentária Anual da Entidade. A experiência mostra que não são poucas as irregularidades concernentes aos procedimentos licitatórios de Obras Públicas. h. do objeto de uma licitação.1 Na fase de licitação A fase de licitação de Obras Públicas deve ser precedida de um Planejamento por parte da Administração Pública. Ausência de orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários (inclusive o BDI estimado e encargos sociais legais) . por parte dos interessados. devidamente com base na legislação pertinente. preços e prazos. bem como de todos os seus aditivos. As obras a serem executadas devem estar consignadas no Plano Plurianual (PPA).2.

peculiaridades e aos estudos geotécnicos do local (terreno). tais como sondagem. fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados. 13 . observa-se que a adoção de projetos “padronizados” leva a administração a não realizar. por profissional legalmente habilitado. 6º da Lei Federal nº 8. dos estudos geológicos e topográficos e. que se analise a existência e a adequabilidade das plantas.Obras e Serviços de Engenharia Esse projeto deverá possibilitar a perfeita quantificação dos materiais. instalações provisórias e condições organizacionais para a obra. as obras e serviços destinados aos mesmos fins terão projetos padronizados por tipos. que são necessários à definição de parâmetros do solo. É essencial. Informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos.666/93. Pode-se destacar. do orçamento da obra. bem como suas especificações que assegurem os melhores resultados para o empreendimento. no Projeto Básico. exceto quando o projeto-padrão não atender às condições peculiares do local ou às exigências específicas do empreendimento. especialmente. c. Subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra. do memorial descritivo e especificações técnicas. e por fim receber a aprovação formal da autoridade competente. previamente. conforme as características da obra a ser executada. Segundo o art. As especificações técnicas estabelecerão as características necessárias e suficientes ao desempenho técnico requerido pelo projeto. e seus respectivos prazos. Entretanto. b. após a contratação se proceda a inúmeras adequações. sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução. ainda em indesejáveis aditamentos já no início dos trabalhos. O supracitado projeto é o elemento mais importante para execução de uma obra pública. encarecendo e alongando o prazo da obra. ensaios de campo ou ensaios de laboratório. f. portanto. Deve conter ainda cronograma físico-financeiro da obra a ser executada. Desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão global da obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com clareza. uma obra iniciada sem os estudos de sondagem. Identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar à obra. a estratégia de suprimentos. equipamentos e serviços possibilitando a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos. d. com a previsão de todas as etapas ou parcelas para a conclusão do objeto. categorias ou classes. de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem. Sempre que possível. poderá implicar em super dimensionamento das fundações com custos desnecessários ou. Fatalmente. os adequados estudos e adaptações às condições. suficientemente detalhadas. o Projeto Básico deve conter os seguintes elementos: a. sendo indispensável o registro da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e a identificação do autor e sua assinatura em cada peça gráfica e documento técnico. Orçamento detalhado do custo global da obra. fazendo com que. bem como para a contratação dos serviços e obras. compreendendo a sua programação. as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso. sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução. e. a existência dos estudos geotécnicos. Soluções técnicas globais e localizadas. O projeto básico deve ser elaborado anteriormente à licitação.

caracterizando infração aos Arts. exige no Projeto Básico haja “orçamento detalhado do custo global da obra.666/93. A Lei Federal nº 8. Adoção de projeto padrão sem as adequações ao local. cada serviço e suas quantidades deverão corresponder. tais como: Prefeitura Municipal. o projeto básico conterá o orçamento das obras. Incompatibilidade entre prazos de projeto e de execução – cronograma físico-financeiro. d. dentre as quais listamos as mais comuns a seguir: a. c. g. objetivamente. várias são as irregularidades encontradas que têm relação direta com os projetos. apresentando para cada item da planilha de quantidades os respectivos preços unitários e a importância total. Corpo de Bombeiros. 7º. Projetos que sofrem alterações de tipo e de quantidade nas suas especificações durante a execução. Todo orçamento de obra ou serviço de engenharia deverá ser elaborado por profissional habilitado junto ao CREA (art.) e entidades de proteção sanitária e do meio ambiente. a responsabilidade pela elaboração das planilhas orçamentárias. inciso II.2. uma especificação técnica. Concessionárias (energia elétrica. telefonia.º 8. Projetos que não contemplam uma adequada especificação de material e de método construtivo. 7º.194/66) e essa atividade deverá ter Anotação de Responsabilidade Técnica ART específica.3 No orçamento básico Qualquer que seja a modalidade contratual. que as obras e os serviços somente poderão ser licitados quando “existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários”. Assim como ocorre em outras fases e componentes do procedimento licitatório. f. estes não poderão ser considerados como elaborados por profissional competente.666/93. § 2º. alínea “f”. b. Ausência de ART de projeto.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará O responsável pela autoria dos projetos deve providenciar o alvará de construção e suas aprovações pelos órgãos competentes. fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados” e estabelece no art. é como se não existissem em termos legais. se não forem cumpridos os requisitos relativos à forma de identificação dos Orçamentos. A planilha deverá conter todos os tipos de serviço necessários à construção. de maneira que o profissional assuma. 14 da Lei 5. Na elaboração das Planilhas Orçamentárias. IX. e uma norma de medição e pagamento. § 2º. Portanto. 14 . e. sem que seja realizada a devida reavaliação de custos. saneamento etc. 6º. II da Lei Federal n. II e 40. § 2º. 1. inequivocamente. em se que art. Ausência de assinatura e identificação do(s) responsável(eis) nos projetos. Ausência de Alvará para construir. podendo o Edital ser considerado em dissonância com a legislação e até mesmo vir a anular o procedimento licitatório.

Indevido aditamento após prazo expirado. para os aditamentos contratuais. A justificativa técnica deverá integrar. Ausência de publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na imprensa oficial. em razão de alterações no projeto. devidamente fundamentadas. h. A Administração deve atentar para a permuta indiscriminada de serviços e alterações desnecessárias do projeto. f. Ausência de ART Complementar nos aditamentos contratuais. b. com sucessivas prorrogações de prazos – transtornos à comunidade. Quanto aos aspectos contratuais e seus aditamentos. é imprescindível a atuação do profissional habilitado que atua como fiscal da obra. obrigatoriamente. Nos aditamentos contratuais envolvendo aspectos técnicos relacionados às obras ou serviços de engenharia. o processo de análise do aditamento. de conclusão. j. Não indicação do BDI utilizado e/ou ausência de sua composição. e. Orçamentos sem a composição detalhada de todos os Preços unitários. 26 da Lei Federal n° 8. c.descaracterização do objeto durante a realização das obras . g. de observação e de recebimento definitivo. Adoção de aditamentos superiores a 25% no caso de obras novas e mais de 50%no caso de reformas. problemas construtivos. Será providenciada pela Administração até o quinto dia útil do mês seguinte ao de sua assinatura.666/93. para ocorrer no prazo de vinte dias daquela data. qualquer que seja o seu valor. a seguir. conforme a seguir: a. Ausência de assinatura e identificação do(s) responsável(eis) no orçamento.666/93). c. d. 61. dentre as quais listamos. os certames apresentam algumas irregularidades. (Art. Contrato com inadequação na fixação dos prazos de início de etapas de execução. dando conta da necessidade da alteração contratual.2. Ausência de ART de execução para as diversas atividades relacionadas ao objeto contratado. i. Contrato com prazo expirado. Aditivos onerosos . d. chuvas e outros aspectos envolvendo a execução do objeto. 1.aumento de quantitativos e inclusão de novos serviços. ressalvado o disposto no art. Obras extremamente demoradas. Ausência de ART. comunicados recebidos ou transmitidos até então. para que possa ser adequadamente efetivado o aditamento contratual. conforme o caso (a administração deve certificar-se da exequibilidade dos prazos fixados no contrato). ainda que sem ônus. que é condição indispensável para sua eficácia. as mais recorrentes: a. da Lei Federal nº 8.Obras e Serviços de Engenharia Algumas irregularidades também são encontradas quando da análise dos orçamentos de Obras Públicas.4 Na contratação A publicação resumida do instrumento de contrato ou de seus aditamentos na Imprensa Oficial. b. bem como dos encargos sóciais legais. 15 . Essa justificativa deverá estar baseada nos registros do Diário de Obra. de entrega. visando atender unicamente o contratado. Ausência de justificativas.

a estrutura disponibilizada para a fiscalização (número de profissionais e equipamentos) e na ausência de pessoal qualificado (falta de capacitação). É muito comum se verificar que os profissionais encarregados de fiscalizar obras públicas. 16 . O Registro de Ocorrências ou Diário de Obra.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 1. O representante da Administração (o fiscal) anotará em registro próprio (Diário de Obra) todas as ocorrências relacionadas com a execução do contrato. ajustes no cronograma e plano de execução dos serviços e obras. conclusão e aprovação de serviços e etapas construtivas. serviços em andamento. O fiscal ou comissão designada tem como função de destaque. Providenciar a classificação dos materiais e atestar a correção e exatidão dos serviços executados e valores monetários a pagar. visitas ao canteiro de serviço. corrigir se for o caso os quantitativos dos materiais e serviços empregados e os respectivos valores. O preposto da Contratada não poderá alegar falta de autoridade própria para não acatar imediatamente as ordens do Fiscal. em todos os seus aspectos. objetivando a verificação do cumprimento das disposições contratuais. quem a representará no canteiro de serviço. para tanto.2. entrada e saída de equipamentos. A Contratada deverá comunicar. condições climáticas. como seu preposto. como modificações de projeto. Somente poderá atuar como fiscal. além de habilitado deve estar capacitado para o desempenho da tarefa e. proceder ou acompanhar as medições devendo analisar. inclusive para as atividades de suas subcontratadas e providências a serem tomadas pela Contratada e Fiscalização. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administração especialmente designado. autorizações para execução de trabalho adicional.5 Na fiscalização Entre os principais problemas relacionados à má qualidade das obras públicas estão. um profissional que. encontram-se com um número elevado de tarefas a desempenhar e alegam não dispor de meios materiais para tal. preencherá uma Anotação de Responsabilidade Técnica – ART. A Fiscalização é uma atividade que deve ser exercida de modo sistemático pelo Contratante e seus prepostos. O preposto da Contratada deverá possuir competência necessária à leitura e interpretação das especificações e do projeto e será o encarregado de receber as instruções do Fiscal ou de seus auxiliares. efetivo de pessoal. com páginas numeradas. determinando o que for necessário à regularização das faltas ou defeitos observados. irregularidades. A comunicação entre a Fiscalização e a Contratada será realizada através de correspondência oficial e anotações ou registros no Diário de Obra ou Registro de Ocorrências. será destinado ao registro de fatos e comunicações que tenham implicação contratual. justamente. salvo aquelas que estiverem em desacordo com os direitos deste. técnicas e administrativas. permitida a contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição. por escrito ao Fiscal. autorização para substituição de materiais e equipamentos.

b.ce. partido político. estando as mais comuns listadas a seguir: a. j. ordem de serviço. Ausência de portaria designando o fiscal. Pagamento de serviços não efetivamente executados (pagamento antecipado). f. Inexistência de Registro de Ocorrência ou Diário de Obra (quando encontrado. instruções e normas da Administração sobre obras públicas. Muitos são os descumprimentos normativos ligados à fase de fiscalização das Obras Públicas. O referido controle é de extrema eficiência pela proximidade que o cidadão tem com o local da execução do gasto. dimensões da obra e etc. h. Emissão dos termos de Recebimento Provisório e Definitivo incompletos ou fora dos prazos. caderno de encargos. Não manifestação nas ordens de paralisação por motivos técnicos. etc. 17 . o TCM/CE criou um veículo de comunicação para a sociedade (site: http://www. o qual é entendido como aquele exercido diretamente pela população.gov. l.). g. contrato. Quando tratar-se de liquidação de pagamento referente a Obras e Serviços de Engenharia. associação ou sindicato é parte legitima para denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas dos Municípios”. não é preenchido e não visado pelo fiscal).6 Nas medições e pagamentos A Ordem de Pagamento é o despacho exarado por autoridade competente. Não manifestação nos aditamentos (falta de justificativa para aditivos). Ausência de termos de recebimento da obra. Ela é exatamente a última fase do estágio da despesa e deverá ser exarada no processo da despesa pela pessoa legalmente investida na autoridade de ordenar pagamentos. Descumprimento do cronograma físico-financeiro. Ausência de documentos da obra no canteiro (projeto.php). as autoridades que detêm competência para ordenarem os pagamentos. m. determinando que a despesa seja paga. 160 do Regimento Interno do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará . Fiscal não habilitado (título profissional. d. por exemplo. Com relação aos canais de comunicação e controle social. Ausência de ART de Fiscalização. Ausência do Cadastro Específico do INSS – CEI da obra. cronograma físico-financeiro. 1.Obras e Serviços de Engenharia Cabe lembrar ainda que os moradores do município também podem exercer a função de fiscalizar através do controle social. Os relatórios de medição constituem-se em documentos que habilitam ao pagamento parcial de obras com execução parcelada ou global. são o Prefeito.br/site/_menu/controle_social.tcm. proposta da contratada. especificações. Recebimento de obra com falhas visíveis de execução. o Presidente da Câmara (se os pagamentos do Legislativo forem efetuados através dela) e os demais Gestores na qualidade de ordenadores de despesas. memoriais. através do qual o cidadão poderá fazer denúncias sobre irregularidades em obras dos Municípios cearenses. no Município. i. k.2. há necessidade de emissão das “PLANILHAS DE MEDIÇÃO” ou “BOLETINS DE MEDIÇÃO” emitidos por profissional habilitado. Originariamente. c. e. edital de licitação.). O art. características.TCM-CE (Resolução nº 08/1998) informa que: “Qualquer cidadão. ARTs.

às suas expensas. Ou Definitivamente. d. o seu objeto será recebido: Provisoriamente. observada a determinação de que o contratado é obrigado a reparar. mediante termo circunstanciado. de coleta de esgoto. inclusive aquelas relativas à locação. defeitos. para o adequado pagamento à contratada. cabendo ao contratado comunicar a Administração. c. os quantitativos dos serviços executados. remover. O as built é de fundamental importância para o órgão contratante em razão das necessárias manutenções e alterações futuras. mediante termo circunstanciado. a conclusão das obras e serviços e solicitar o Recebimento Provisório ou o Definitivo. etc. que retrate a forma exata de como foi construído ou reformado o objeto contratado. O as built (“como construído”) é projeto representando fielmente aquilo que foi executado. Medições de serviços não realizados. A não exigência do as built faz com que não se tenha cadastros confiáveis das obras executadas. A lei determina que executado o contrato de obras e serviços. de distribuição de gás. ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados. através da fiscalização. É o Catálogo de projetos elaborado pela executora da obra. remete às irregularidades que listamos acerca do assunto: a. Deve ser um dos requisitos para emissão do Termo de Recebimento Definitivo. pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização. quanto aos corretos procedimentos realizados nas medições dos serviços de Engenharia executados para posterior pagamentos. sem a comprovação efetiva da prestação do serviço ou da entrega efetiva do que fora avençado. assinado pelas partes em até 15 (quinze) dias da comunicação escrita do contratado. 1. sobretudo. o objeto do contrato em que se verificarem vícios. b. ou vistoria que comprove a adequação do objeto aos termos contratuais.2. com todas as alterações que se fizeram necessárias durante o decorrer da obra ou serviço. sem justificativas. Ausência de comprovação dos encargos sociais legais (INSS e FGTS) relacionados ao contrato. reconstruir ou substituir. redes de distribuição de água. após o decurso do prazo de observação. durante a construção ou reforma. por ocasião dos pagamentos. Caracteriza-se como despesa irregular (sem liquidação) toda aquela despesa realizada durante a execução de um contrato. A inobservância pela Administração. conforme o caso.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará As planilhas de medição devem ser elaboradas evidenciando com exatidão. por servidor ou comissão designada pela autoridade competente. Medições sem assinaturas do fiscal e do preposto da contratada. caracterizando pagamento antecipado.7 No recebimento da obra O recebimento de obras e serviços obedecerá à legislação vigente. 18 . assinado pelas partes. aquelas enterradas: drenagens. Pagamentos em atraso. corrigir. no total ou em parte.

sem máculas (vícios. mediante termo circunstanciado.2.Obras e Serviços de Engenharia Abaixo. oferecem riscos à população. o objeto do contrato em que se verificar em vícios. b. da Lei nº 8. isto é.8 Após a conclusão Obras construídas com má qualidade apresentam pouca durabilidade. corrigir. assinado pelas partes. c. b. fabricante. não só a correta aplicação de recursos públicos durante a contratação e execução das obras. após o decurso do prazo de observação. ocultos ou funcionais. A obra é o resultado certo e determinado que se deve apresentar de forma sólida. frequentemente provocam acidentes (que implicam indenizações a serem pagas com recursos públicos) e demandam novos investimentos em curtos prazos. mas também – e principalmente – após a entrega das mesmas. conforme o disposto no inciso X. por servidor ou comissão designada pela autoridade competente. Não realização de Avaliação da Pós-ocupação. Ausência do termo de recebimento definitivo. pratica ato de improbidade e é incurso nas penas previstas em lei. 10º. mediante termo circunstanciado. Ausência do termo de recebimento provisório. Deve-se atentar. 1. Dessa forma. pelo responsável por seu acompanhamento e fiscalização. Art. problemas judiciais ou administrativos) e em perfeitas condições de uso e funcionamento. até o quinto ano (art. 19 . reconstruir ou substituir. também. no total ou em parte.). para a necessidade de a obra atender às funções para as quais foi projetada: sua funcionalidade é imprescindível. ou vistoria que comprove a adequação do objeto aos termos contratuais. cores. ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados. etc. por meio de plantas e memoriais. documentação que reflita exatamente o que foi executado na obra e que contempla. não apresenta defeitos ou vícios. o gestor público que deixa de acompanhar o desempenho da obra que contratou e deixa de acionar o construtor pelas garantias a que este último está obrigado. observada a determinação de que o contratado é obrigado a reparar. A obra perfeita é aquela que. Não incorporação ao patrimônio. após a fase de recebimento. 618 do atual Código Civil). Não inclusão da obra no Programa de Manutenção. remover. As irregularidades mais frequentes que guardam relação direta com a falta de acompanhamento das Obras. construída de acordo com o projeto. Os gestores públicos que gerem recursos relacionados a obras públicas têm por obrigação. d. c. encontram-se disposta abaixo: a. segura. aparentes. defeitos. Não realização de inspeções periódicas nas obras concluídas.429/92. d. defeitos. todos os serviços executados e especificações detalhadas dos insumos utilizados (materiais. assinado pelas partes em até 15 (quinze) dias da comunicação escrita do contratado. algumas irregularidades ocorridas na fase de recebimento das Obras de Engenharia: a. Não obtenção do “habite-se” da obra (no caso de prédio). às suas expensas. Não entrega do “as built”.

reciclagem. tratamento e destinação final dos resíduos de origem doméstica. Entretanto. incineração. além dos resíduos de origem pública. constitui ferramenta fundamental para a proposição sistema de tratamento mais eficiente. que geralmente estão em locais inadequados.2 Quem é o responsável pela operação dos serviços de limpeza urbana municipal? Os serviços de limpeza urbana são de competência do poder público municipal. de serviços de saúde. Nele são dispostos resíduos domésticos. comercial. 2. comerciais. É um espaço destinado à deposição final de resíduos sólidos gerados pela atividade humana.3 Qual o destino final dos resíduos sólidos (lixo)? O material não reaproveitado comumente tem como destino final os aterros sanitários e os “lixões a céu aberto”. Atualmente é uma das técnicas mais seguras e de mais baixo custo.4 Definição – o que é um aterro sanitário? O Aterro Sanitário é um equipamento projetado para receber e tratar o lixo produzido pelos habitantes de uma cidade.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 2 Aterros sanitários 2. e também os resíduos sólidos retirados do esgoto.1 O que é o manejo de resíduos sólidos (lixo)? É o conjunto de ações referentes ao recolhimento. Nesse sentido o conhecimento dos aspectos quantitativos e qualitativos dos resíduos sólidos do Município. tais como compostagem. a proliferação de vetores e a poluição atmosférica. 2. para reduzir ao máximo os impactos causados ao meio ambiente. da indústria de construção. a eficiência técnica e social da alternativa a ser empregada. 20 . contribuindo com a contaminação dos lençóis freáticos. pode ser alcançada por meio de uma definição de sistema de destinação e tratamento que avalie para cada realidade de forma conjunta os aspectos técnicos. da construção civil ou de limpeza pública que são previamente acondicionados e oferecidos à coleta pelos usuários. 2. operacionais e financeiros mais adequados. de atenção à saúde. usina de entulho ou até mesmo o aterro sanitário. com base em estudos de engenharia.

5 Quais as vantagens de um aterro sanitário? Auto-suficiência como destinação final Ao contrário de outros métodos. o aterro sanitário permite um controle operacional. o aterro sanitário não apresenta resíduos no final do seu processo.Obras e Serviços de Engenharia Seção típica de um aterro sanitário 2. Controle Todas as etapas são acompanhadas por técnico s capacitados. como a incineração e a reciclagem. 21 . Baixos custos Apesar do custo inicial ser alto. como a deposição do lixo diretamente no solo. sem nenhuma proteção do lençol freático podendo acarretar enormes prejuízos para o meio ambiente e para a saúde pública. Mas o grande vilão concorrente do ATERRO SANITÁRIO é o LIXÃO O Lixão apresenta práticas inaceitáveis. evitando gastos posteriores com meio ambiente.

e pior ainda.6 Lixão x aterro sanitário 2. é coberto por uma camada de terra. No Aterro Controlado não há impermeabilização de base (o que evitaria que o material contamine o solo e o lençol d’água) e nem sistema de tratamento do chorume.1 Qual a diferença entre LIXÃO. há uma contenção do lixo que. pássaros e ratos convivem com o lixo livremente no lixão a céu aberto. O LIXÃO é uma chaga ambiental. crianças. Não tem nenhum sistema de tratamento de efluentes líquidos . 22 .o CHORUME (líquido preto que escorre do lixo – O “suor” do lixo). adolescentes e adultos catam comida e materiais recicláveis para vender. O CHORUME penetra pela terra levando substancias contaminantes para o solo e para o lençol freático. Nesta situação. O ATERRO CONTROLADO é uma fase intermediária entre o lixão e o aterro sanitário.6. Moscas. ATERRO CONTROLADO E ATERRO SANITÁRIO? O LIXÃO é uma área de disposição final de resíduos sólidos sem nenhuma preparação anterior do solo. além de evitar a proliferação de insetos e animais. depois de lançado no depósito. No lixão o lixo fica exposto sem nenhum procedimento que evite as conseqüências ambientais e sociais negativas.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 2. Este sistema minimiza o mau cheiro e o impacto visual.

Estação de Tratamento de Efluentes.Obras e Serviços de Engenharia . Tais medidas impermeabilizam o solo. Tanto a operação do aterro controlado quanto a do aterro sanitário prevê a cobertura do lixo. o subsolo e o lençol freático. evitando que o chorume (o “suor” do lixo) contamine o solo. diariamente. mau cheiro e poluição visual. antes do recebimento do lixo. evitando assim a proliferação de vetores. com o nivelamento de terra e com o selamento de sua base com argila e mantas de PVC alta densidade (extremamente resistentes). 23 . O chorume é coletado e encaminhado para uma ETE . O ATERRO SANITÁRIO é uma área preparada previamente.

COM ESPESSURA CONTROLADA. HORÁRIO. FRENTE DE SERVIÇO REDUZIDA. TALUDES COM INCLINAÇÃO DEFINIDA SEM QUALQUER CONTROLE DE ENTRADA DE VEÍCULOS E RESÍDUOS NÃO DISPÕE DE CONTROLE DE PESAGEM.7 Principais diferenças entre aterro sanitário e lixão ATERRO X LIXÃO RECEPÇÃO DOS RESÍDUOS ENTRADA RESTRITA A VEÍCULOS DEVIDAMENTE CADASTRADOS PESAGEM. HORÁRIO DE ENTRADA E DE SAÍDA DOS VEÍCULOS SÃO OBSERVADOS ANTES DA UTILIZAÇÃO DA CÉLULA. ETC CONTROLE DE ENTRADA IMPERMEABILIZAÇÃO O LIXO É DEPOSITADO DIRETAMENTE SOBRE A CAMADA DE SOLO. PROVOCANDO DANOS AO MEIO AMBIENTE E À SAÚDE DEPOSIÇÃO NA MAIORIA DAS VEZES NÃO HÁ SEQUER UM TRATOR DE ESTEIRA PARA CONFORMAR O LIXO 24 .Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Proteção do fundo da trincheira – Impermeabiliação antes do lançamento do lixo 2. TAIS COMO: RESÍDUOS DISPOSTOS EM CAMADAS COMPACTADAS. PROCEDÊNCIA. PROCEDÊNCIA. COMPOSIÇÃO DO LIXO. O LOCAL É DEVIDAMENTE IMPERMEABILIZADO SEGUINDO CRITÉRIOS QUE VÃO DEPENDER DAS CARACTERÍSTICAS DO SOLO E DO CLIMA SEGUE CRITÉRIOS TÉCNICOS DEFINIDOS.

ALÉM DE ATRAIR VETORES DE DOENÇAS (RATOS. e.8 Tipos de resíduos que podem ser depositados no aterro sanitário Tem livre acesso ao Aterro Sanitário os seguintes resíduos sólidos: a. ÁREA DEGRADADA E DESAGRADÁVEL AOS NOSSOS OLHOS 2. O ATERRO DEVE SER BEM CERCADO PARA IMPEDIR INVASÕES É AMENIZADO COM A CONSTRUÇÃO DE UM “CINTURÃO VERDE” COM ESPÉCIES NATIVAS DA REGIÃO QUE AINDA SERVE DE ABRIGO PARA PREDADORES DE ALGUNS DOS VETORES NÃO POSSUI DISPOSITIVOS PARA DRENAGEM INTERNA. POSSIBILITANDO A INFILTRAÇÃO DO CHORUME NO SOLO OU O ESCOAMENTO SUPERFICIAL SEM QUALQUER CONTROLE A EXPOSIÇÃO DO LIXO PERMITE A EMISSÃO DE FORTES ODORES.CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA A drenagem ineficiente das águas de chuva pode provocar maior infiltração na célula. Por isso.1 Rotina operacional 1. RIOS.) COBERTURA ACESSIBILIDADE ALÉM DE CATADORES ADENTRAM NOS LIXÕES OS ANIMAIS POR FALTA DE CERCAMENTO E FISCALIZAÇÃO IMPACTO VISUAL VISUAL IMPACTADO. Podas. IMPEDINDO QUE O VENTO CARREGUE O LIXO E AFASTANDO VETORES DE DOENÇAS.8. ETC. EVITANDO A SUA INFILTRAÇÃO NO SOLO E O LIVRE ESCOAMENTO PARA OS CORPOS RECEPTORES (RIACHO.Obras e Serviços de Engenharia DRENAGEM POSSUI CAPTAÇÃO E DRENAGEM DO CHORUME. Resíduos industriais (SE AUTORIZADOS) 2. aumentando o volume de chorume gerado. Entulhos. ETC. Disposição dos resíduos Resíduos domésticos: • Descarga do lixo • Espalhamento e Compactação • Recobrimento do lixo • Drenagem (Interna e Externa) Obs: ÁGUA + LIXO . Recepção dos Resíduos 2. d. Resíduos de saúde(EM TRINCHEIRAS ESPECÍFICAS). REDUZ A PRODUÇÃO DE CHORUME (MENOR INFILTRAÇÃO DAS ÁGUAS DE CHUVA) ACESSO RESTRITO ÀS PESSOAS DEVIDAMENTE IDENTIFICADAS. MOSCAS. O ESPALHAMENTO DE LIXO LEVE. URUBUS. Resíduos domésticos. b. c.) É FEITA DIARIAMENTE COM CAMADA DE SOLO. deve-se evitar ao máximo a entrada de chuva na área das células. 25 .

Uma vez formado o chorume. antes de ser lançado no corpo d’água. de acordo com projeto do aterro sanitário. • Extensão da área ocupada pelo lixo. pois dependem de fatores como: • Composição do lixo.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Caso a drenagem interna e a impermeabilização da base sejam mal feitas. não há sentido em depositá-lo nas células do aterro. Entulho e poda de árvores: Sendo o entulho um resíduo inerte. líquido escuro e muito poluente. • Índices de precipitação/evapotranspiração. variam bastante de um aterro para outro. antes e depois do tratamento. • Quantidade de resíduos dispostos. ele deve ser drenado e conduzido para um sistema de tratamento. as tecnologias usualmente recomendadas são as seguintes: • Incineração. • Disposição em vala especial. 26 . de forma sistemática. 2. No que diz respeito aos resíduos de saúde. pode haver a contaminação do solo e das águas subterrâneas. cobertura. • Micro-ondas. A depender de suas características. etc. • Forma de disposição (grau de compactação. Na operação do sistema de tratamento é necessário efetuar. • Tempo decorrido do início de disposição. o entulho pode ter fins diferentes: Resíduos de saúde/ industriais: Estes tipos de resíduos merecem tratamento particular. • Disposição em vala séptica (vala confinada). bem como a determinação da sua composição. • Auto-clavagem. • O lixo industrial depende de autorização específica.9 Tratamento do chorume A quantidade e qualidade do chorume. • Tratamento químico. a medição da vazão do chorume gerado.).

prefira sempre adquirir produtos em embalagens recicláveis. com um custo bem mais baixo ao consumidor. Muitos materiais podem ser reaproveitados. poluem menos e utilizam menos recursos naturais não renováveis para a sua fabricação. Veja a seguir o tempo que cada material leva para se decompor: 27 . podem ser reciclados e transformados em produtos novos. vidro. O plástico. Por isso.Obras e Serviços de Engenharia 2. papel e metais. Elas economizam energia elétrica.10 Decomposição do lixo A poluição constante das águas do rio. do solo e do ar está causando muitos efeitos nocivos à nossa saúde e ao meio Ambiente.

e.305/10 e Decreto nº 7. Geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis. reutilização e tratamento de resíduos sólidos.2Principal desafio Eliminar Lixões e implantar Aterros Sanitários até Agosto/2014.11 A política nacional de resíduos sólidos (PNRS) (Lei nº 12. g. além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico. da área de saúde e perigosos. 2. b. d. Estas alterações precisam ser quantificadas.1 Definição – o que é um impacto ambiental? Impacto ambiental é a alteração no meio ambiente ou em algum de seus componentes por determinada ação ou atividade humana. f.11. Diminuição do uso dos recursos naturais (água e energia.11. 3 Impactos ambientais 3. Promoção da inclusão social. Pela PNRS. A lei faz a distinção entre resíduo (lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento). Intensificação de ações de educação ambiental. c. podendo ser positivas ou negativas. Aumento da reciclagem no país. por exemplo) no processo de produção de novos produtos. o país passa a ter um marco regulatório na área de Resíduos Sólidos. eletroeletrônico.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 2. A não-geração. redução.1 Os principais objetivos da nova lei são a. pois apresentam variações relativas. 2. Destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos. lâmpadas de vapores mercuriais. grandes ou pequenas. de todo o lixo que não possa ser reaproveitado ou reciclado. agrosilvopastoril. o Município tem até 2014 para garantir a destinação aos aterros sanitários. 28 . industrial.404/10) Com a sanção da PNRS. da construção civil.

5 Como se faz a análise de impactos ambientais de empreendimentos? A verificação dos impactos ambientais provocados por determinado estabelecimento. de acordo com as peculiaridades de cada estabelecimento e adoção da melhor tecnologia existente. É definida a melhor localização do empreendimento ou atividade. ser precedida de LICENCIAMENTO AMBIENTAL. Estadual e Municipais de Meio Ambiente. erosões. a implantação sustentável de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais. 29 .3 Para que serve o licenciamento ambiental? O objetivo do licenciamento ambiental é controlar. no interesse de toda a coletividade. 3. visando o controle. por meio da avaliação de impactos ambientais. São exigidas as medidas preventivas e de controle ambiental a serem cumpridas pelos empreendedores antes. Podem-se evitar. de causar degradação ambiental. bem como a forma como deve ocorrer sua instalação. instalação. 3. desmoronamentos. assim. Resoluções dos Conselhos Nacional. 3. alagamentos.938/81. sob qualquer forma. tudo considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis a cada caso. conforme estabelecem as leis das Políticas Nacional. obrigatoriamente. danos à fauna e à flora com riscos à biodiversidade. o desenvolvimento econômico e social com a preservação e conservação dos recursos naturais. prevenir ou minimizar vários problemas ambientais. bem como aqueles capazes. É um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente. conforme regulamentado pela Resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA nº 237/97. Art. Esta análise é realizada pelos ÓRGÃOS LICENCIADORES com base em instrumentos chamados “ESTUDOS AMBIENTAIS”. poluição do solo. durante e após a implantação do empreendimento ou atividade.2 O que é o licenciamento ambiental? O licenciamento ambiental é um dos principais instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6. tais como: contaminação das águas superficiais e subterrâneas (lençol freático).Obras e Serviços de Engenharia 3. 9º. melhoria e recuperação ambiental. por meio do qual os órgãos ambientais analisam a viabilidade ambiental da localização. c. b. ampliação e operação. ampliação e operação das atividades ou empreendimentos utilizadores de recursos naturais.4 O que se faz no licenciamento ambiental? É no processo de licenciamento ambiental que: a. de forma a promover o desenvolvimento socio-econômico. deslizamentos de terra. A implantação de quaisquer empreendimentos potencialmente poluidores ou que utilizam recursos naturais no seu processo produtivo deve. Estaduais e Municipais de Meio Ambiente e legislações municipais do uso do solo. atmosférica e sonora. obra ou atividade é feita a partir da análise das condições ambientais originais da área e das alterações provocadas com a implantação do empreendimento. considerados efetiva ou potencialmente poluidores. compatibilizando. conservação. em consonância com os princípios do desenvolvimento sustentável. IV). dentre outros.

4º a 6º da Resolução CONAMA nº 237/97). de acordo com a abrangência e extensão dos potenciais impactos do empreendimento. podendo ser realizado pelos Municípios no caso de impactos locais quando existente a base legal e a estrutura de pessoal necessária (Arts. Estudos Ambientais 30 .Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará 3. o licenciamento ambiental ocorre nas esferas Federal e Estadual.6 Quais os órgãos públicos responsáveis pelo licenciamento ambiental? Em geral.

4. Lei Federal n° 10.Obras e Serviços de Engenharia 3. 4.257/2001. 4 Plano diretor 4.267/1991? A NBR 12.257/2001 (arts. mais conhecida como Estatuto das Cidades.2 O que é a LEI FEDERAL N° 10.3 O que é a NBR 12.267/1991. Licença de Operação (LO) .concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade. atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação.autoriza o início da instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos.257/2001? A Lei Federal n° 10. o Sistema de Licenciamento Ambiental do estado do Ceará compõe-se das seguintes modalidades de Licenças. c.411/87 e a Resolução COEMA nº O8/04. b. em três licenças que estabelecem condições e medidas de controle ambiental. que deverão ser observadas pelo empreendedor. De acordo com a Lei Estadual nº 11. ou seja.267/1991 é uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas. 182). 39 a 42-B). considerado instrumento preventivo. aprovando sua localização e concepção.autoriza a operação da atividade. NBR 12. dividido em três fases distintas.4 O que é o PLANO DIRETOR? O Plano Diretor está definido na Constituição Federal e no Estatuto das Cidades como instrumento básico para orientar a política de desenvolvimento e de ordenamento da expansão urbana do município. incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes. da qual constituem motivo determinante. 31 . 4.7 Tipos de licença / autorização O licenciamento ambiental. após a verificação do efetivo cumprimento das exigências das licenças anteriores (LP e LI). equipamentos de controle de poluição e demais condicionantes determinados para a operação. programas e projetos executivos aprovados.ABNT que fixa as condições para orientar a elaboração de Planos Diretores nos termos do artigo 182 da Constituição Federal. consiste em um procedimento uno. Licença de Instalação (LI) . obra ou empreendimento. Saliente-se que nesta fase do licenciamento ainda NÃO é autorizado o início de obras.1 Quais as principais normas que tratam sobre o plano diretor? As principais normas que abordam sobre Plano Diretor são: a. Neste momento NÃO é autorizada a operacionalização do empreendimento. regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal e estabelece parâmetros e diretrizes da política e gestão urbana no Brasil. Autorizações e Cadastros: Licença Prévia (LP) . Constituição Federal de 1988 (art. bem como do adequado funcionamento das medidas de controle ambiental.

4. o planejamento territorial da cidade e orientar as prioridades de investimentos.7 O plano diretor é obrigatório para municípios a. d. deve ser estimulada para que o Plano Diretor corresponda à realidade e expectativas quanto ao futuro. e. o funcionamento. Incluídos no cadastro nacional de Municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto.8 Quem participa do plano diretor? Todos os cidadãos. d. pode-se definir Plano Diretor como uma lei municipal elaborada pela prefeitura com a participação da Câmara Municipal e da sociedade civil que visa estabelecer e organizar o crescimento. Integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas. 4. garantir o direito à cidade e à propriedade. inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. os princípios da reforma urbana.267/1991 conceitua Plano Diretor da seguinte maneira: “instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano. garantir os princípios da reforma urbana e a democratização da gestão urbana. b. Com mais de 20 (vinte) mil habitantes. c. b. através de audiências públicas e debates. Garantir uma melhor qualidade de vida na cidade. Preservar e restaurar os sistemas ambientais. articulado com o poder legislativo (câmara municipal) e sociedade civil. garantir de forma mais justa os benefícios da urbanização. Promover a regularização fundiária. c.6 Funções do plano diretor a. norteando a ação dos agentes públicos e privados”. Garantir o atendimento das necessidades da população e da cidade. 32 . Em suma. O processo de elaboração do plano diretor deve ser conduzido pelo poder executivo (prefeito). A participação da população. 4. 4. Situados em áreas de influência de empreendimentos ou atividades com significativo impacto ambiental na região ou no país. e.Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará Já a NBR 12. Integrantes de áreas de especial interesse turístico.5 Objetivos do plano diretor O Plano Diretor tem como objetivo orientar as ações do poder público visando compatibilizar os interesses coletivos.

considerando a proporcionalidade entre a infra-estrutura existente e o aumento de densidade esperado em cada área. subutilizado ou não utilizado. Condições ao direito de preempção. h. Quando os Municípios estiverem incluídos no cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto.9 Gestão democrática da cidade No processo de elaboração do plano diretor e na fiscalização de sua implementação os Poderes Legislativo e Executivo municipais garantirão: a. Condições à outorga onerosa do direito de construir. a edificação ou a utilização compulsória.10 Conteúdo mínimo do plano diretor a. A promoção de audiências públicas e debates com a participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade.Obras e Serviços de Engenharia 4. Definição dos limites máximos a serem atingidos pelos coeficientes de aproveitamento (relação entre a área edificável e a área do terreno). Condições para aplicação de operações urbanas consorciadas. o Plano Diretor deverá conter também: 33 . d. b. Condições relativas à aplicação da transferência do direito de construir. 4. f. inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. Delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o parcelamento. levando em consideração a infra-estrutura e demanda para a utilização do solo urbano não edificado. b. e. c. c. O acesso de qualquer interessado aos documentos e informações produzidos. A publicidade quanto aos documentos e informações produzidos. g. Sistema de acompanhamento e controle.

as diretrizes orçamentárias (LDO) e o orçamento anual (LOA) devem incorporar as diretrizes e as prioridades do Plano Diretor. de modo a promover a diversidade de usos e a contribuir para a geração de emprego e renda. pelo menos. II. equipamentos e instalações públicas. Mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto.  V. uso e ocupação do solo.12 Observações importantes a. O Plano Diretor deverá englobar o território do Município como um todo (zona urbana e rural). A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista. Definição de mecanismos para garantir a justa distribuição dos ônus e benefícios decorrentes do processo de urbanização do território de expansão urbana e a recuperação para a coletividade da valorização imobiliária resultante da ação do poder público. O plano plurianual (PPA).Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Ceará I. Delimitação dos trechos com restrições à urbanização e dos trechos sujeitos a controle especial em função de ameaça de desastres naturais. c. b. d. d.11 Obrigação para os municípios que pretendem ampliar o seu perímetro urbano Os Municípios que pretendam ampliar o seu perímetro urbano deverão elaborar projeto específico que contenha. de modo a promover a diversidade de usos e contribuir para a geração de emprego e renda. g.  III. Definição de diretrizes específicas e de áreas que serão utilizadas para infraestrutura. Demarcação do novo perímetro urbano.  IV.  4. uso e ocupação do solo. onde o uso habitacional for permitido. Planejamento de ações de intervenção preventiva e realocação de população de áreas de risco de desastre. urbanas e sociais. Os Municípios incluídos no cadastro nacional de municípios com áreas suscetíveis à ocorrência de 34 . deverá ser elaborado um plano de transporte urbano integrado. sistema viário. Definição de parâmetros de parcelamento. c. 4. compatível com o plano diretor ou nele inserido. a cada 10 (dez) anos. Em cidades com mais de 500 (quinhentos) mil habitantes. Diretrizes para a regularização fundiária de assentamentos urbanos irregulares e previsão de áreas para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros instrumentos de política urbana. A previsão de áreas para habitação de interesse social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social e de outros instrumentos de política urbana. quando o uso habitacional for permitido. inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos. b. e.Medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção e à diminuição dos impactos de desastres. no mínimo: a. f. Definição de diretrizes e instrumentos específicos para proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural. e. Parâmetros de parcelamento.

f. consolidadas nas diretrizes do Plano Diretor. à moradia. preservação (quando o imóvel for considerado de interesse histórico. Direito de preempção é o direito de preferência do Poder Público municipal para aquisição de imóvel objeto de alienação onerosa entre particulares. c. como o direito à saúde. à segurança.Obras e Serviços de Engenharia deslizamentos de grande impacto. e. Transferência do direito de construir é a autorização para o proprietário de imóvel urbano. com a participação dos proprietários. à qualidade ambiental e à participação no planejamento. o direito de construir. e. ambiental. para a plena realização dos direitos dos cidadãos. definindo as prioridades respectivas. quando o referido imóvel for considerado necessário para fins de: implantação de equipamentos urbanos e comunitários. com o objetivo de alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais. social ou cultural) e servir a programas de regularização fundiária. usuários permanentes e investidores privados. ao transporte coletivo. ou alienar. à informação. Operação urbana consorciada é o conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público municipal. Outorga onerosa do direito de construir é o direito de construir acima do coeficiente de aproveitamento básico (relação entre a área edificável e a área do terreno). melhorias sociais e a valorização ambiental. inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos correlatos que já possuem Plano Diretor adequarão às novas condições por ocasião de sua revisão e aos que não tenham Plano Diretor aprovado terão o prazo de 5 (cinco) anos para o seu encaminhamento para aprovação pela Câmara Municipal. mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário. 35 . à educação. a exercer em outro local. g. 4. b. urbanização de áreas ocupadas por população de baixa renda e habitação de interesse social. d. ao lazer. paisagístico. privado ou público. ao saneamento básico. do comércio e dos serviços. f. moradores.13 Definições importantes a. Os prefeitos que deixarem de elaborar ou revisar o Plano Diretor de seus municípios estarão sujeitos a processos de improbidade administrativa. Função social da cidade é a função que deve cumprir a cidade a fim de assegurar as condições gerais para o desenvolvimento da produção. em conformidade com os dispositivos da instrumentação legal decorrente. particularmente. ao trabalho. Função social da propriedade urbana é a função atendida quando o uso e ocupação da propriedade urbana respondem às exigências fundamentais da sociedade. tendo em vista ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e o bem-estar da população. Política de desenvolvimento urbano é o conjunto de objetivos e diretrizes para orientar a ação governamental relativa à distribuição da população e das atividades urbanas no território. mediante escritura pública.

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